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École Normale Supérieure, Paris
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8432-5600
Áreas de investigação: estudos bálticos, estudos indo-europeus.
DOI: doi.org/10.35321/all85-16
Ona Aleknavičienė & Grasil̇da Blažienė
POVILO FRYDRICHO RUIGIO GRAMATIKA
ANFANGSGRÜNDE EINER LITTAUISCHEN GRAMMATIK,
1747. FAC-SÍMILE, EDIÇÃO CRÍTICA, TRADUÇÃO.
Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2020, 564 p. ISBN 978-609-411-264-5
Ona Aleknavičienė & Grasil̇da Blažienė
POVILAS FRYDRICHAS RUIGYS. MONOGRAFIA, ÍNDICES DA GRAMÁTICA.
Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2020, 414 p. ISBN 978-609-411-265-2
A tradição gramatical lituana remonta ao século XVII, mais de um século após os primeiros documentos escritos em língua lituana. À primeira gramática, de Daniel Klein (1653), seguiu-se uma cadeia ininterrupta de obras gramaticais até ao século XIX. Entre essas primeiras gramáticas do lituano, a Anfangsgründe einer Littauischen Gramm atick de Paul Friedrich Ruhig (1747) ocupa uma posição especial. Para a maioria de nós, o nome «Ruhig» evoca Philipp Ruhig (1675–1749), autor de um tratado inovador
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sobre a língua lituana (Betrachtung der Littauischen Sprache, in ihrem Ursprunge, Wesen und Eigenschaften, 1745) e de um dicionário (Littauisch-Deutsches und Deutsch-Littauisches Lexicon, 1747). O seu filho, Paul Friedrich Ruhig (ca. 1721/1722–após 1784), é menos conhecido, mas o seu nome continua associado à Anfangsgründe (1747), uma gramática do lituano publicada em Königsberg juntamente com o dicionário do pai. Segundo Zinkevičius (1990: 260), a gramática de Paul Friedrich Ruhig baseia-se em notas tomadas pelo pai, com forte influência de obras anteriores, como Klein (1653), Sappuhn & Schultz (1673) e Hack (1730). A presente obra, publicada conjuntamente por Ona Aleknavičienė & Grasilda Blažienė, é uma edição crítica da Anfangsgründe, acompanhada de uma monografia sobre o seu autor e sobre o contexto cultural em que foi publicada. As editoras devem ser agradecidas por disponibilizarem à comunidade científica este importante marco da história da língua lituana.
O presente livro é composto por dois volumes. O primeiro volume contém uma edição fac-similada do texto original (I 51–226), uma edição crítica do texto alemão à esquerda, acompanhada de uma tradução lituana à direita (I 227–553), e, por fim, um registo de noções, pessoas e lugares (I 555–563). O segundo volume contém uma biografia de Paul Friedrich Ruhig por Grasilda Blažienė (II 17–121), uma apresentação geral da sua gramática por Ona Aleknavičienė (II 123–271) e uma conclusão sobre o valor desta gramática na história da filologia lituana, redigida conjuntamente por ambas as autoras (II 273–276), seguida de um resumo em alemão (II 277–277), uma concordância completa das palavras (II 289–379), uma bibliografia (II 380–402) e um índice de nomes pessoais (II 403–413).
É extremamente útil, e até mesmo indispensável, dispor aqui de um fac-símile da Anfangsgründe (I 51–226): ele proporciona acesso direto ao texto e esclarece a sua apresentação material. No prefácio da gramática, Paul Friedrich Ruhig escreve que a redação deste texto foi iniciada pelo seu pai, que teve de enfrentar alguns obstáculos e, por isso, pediu ao filho que o substituísse. A própria gramática é simultaneamente tradicional e inovadora. Em muitos aspetos, reflete uma longa tradição de descrição gramatical, começando pelas «letras» (Buchstaben), isto é, ortografia e fonética, passando depois à formação e à declinação das palavras (substantivos, adjetivos, pronomes, verbos) e terminando com algumas observações sobre a sintaxe. A gramática tem exatamente a mesma estrutura que Sappuhn & Schultz (1673) e Hack (1730), mas é consideravelmente mais desenvolvida do que a de Klein (1653), que não possui uma secção sobre sintaxe, e do que a Universitas Linguarum Lituaniae (1737), cuja secção sobre sintaxe é bastante limitada. A gramática está escrita em alemão, tal como o Compendium Lituanico–Germanicum de Daniel Klein (1654) e a Kurtzgefasste Litthauische Grammatic de Hack (1730), ao passo que a maioria das obras anteriores estava em latim (Klein 1653, Sappuhn, Schultz 1673, Universitas 1737). A escolha da língua alemã, motivada pelo público-alvo, implica
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opções terminológicas, particularmente para categorias ou formações gramaticais que não estão representadas em latim ou alemão. Regra geral, a terminologia latina é simplesmente incorporada no texto alemão e aplicada à língua lituana sem grandes dificuldades, quer diretamente (por exemplo, Vocales «vogais», Consonantes «consoantes», Nomina «substantivos», Conjunctiones «conjunções», Praepositiones «preposições», Verba activa e passiva «verbos ativos e passivos», etc.), quer, mais raramente, através do alemão (por exemplo, Syllben «sílabas»). É notável o uso do termo latino Ancipites «de duas cabeças (vogais)» para designar vogais que podem ser breves ou longas (I 69); em última análise, baseia-se no termo grego δίχρονοι «de duas quantidades», usado por Dionísio Trácio. As categorias gramaticais são geralmente identificadas com as do latim. Atribuem-se três géneros aos adjetivos lituanos, Masculinum «masculino», Fœmininum «feminino» e Neutrum «neutro» (I 100). O condicional (por exemplo, būčiau «eu seria») é chamado Modus Conjunctivus «modo conjuntivo» (I 134). O modelo latino rígido pode facilmente atingir os seus limites, em particular na descrição do sistema de casos, em que se diz que o lituano possui seis casos, como o latim (Nominativus «nominativo», Genitivus «genitivo», Dativus «dativo», Accusativus «acusativo», Vocativus «vocativo» e Ablativus «ablativo»), sendo este último subdividido em Instrumentalis «instrumental» (por exemplo, lituano dangumi) e Localis «locativo» (por exemplo, lituano danguje), o que é artificial. Os adjetivos definidos (por exemplo, lituano gerasis «o bom») são apresentados como formas adjetivais combinadas com o «pronome demonstrativo» jis (I 109 e segs.), mas não recebem qualquer designação específica.
A gramática centra-se na língua lituana tal como era falada em meados do século XVIII na Prússia Oriental (com base nos dialetos de Insterburg, atualmente Черняховск, e Ragnit, atualmente Неман), mas inclui uma secção sobre outros dialetos (I 195–198, cf. também II 223–234), na qual, entre outras coisas, se encontra uma breve, mas interessante, menção à retração do acento samogitiano (I 196). É rica em observações sobre pormenores minuciosos da gramática lituana e testemunha um bom domínio da língua. Em alguns aspetos, a gramática de Ruhig representa um avanço significativo em relação às suas predecessoras. O sistema tonal lituano, geralmente ignorado em obras anteriores (com exceção da Universitas, 1737), é objeto de uma breve apresentação (I 72–74), usando a terminologia do grego antigo (Acutus «agudo», Gravis «grave», Circumflexus «circunflexo»). O uso aspetual do preverbio be é devidamente assinalado numa secção sobre «verbos continuativos» (Continua, I 169), por exemplo, lituano Bėeimi ich gehe so nach und nach fort «vou continuadamente». A secção sobre sintaxe (I 199–220) reflete a abordagem predominante à sintaxe naquela época, limitada a algumas questões, como a concordância gramatical, as funções dos casos, a sintaxe das preposições e, por fim, alguns comentários muito breves sobre a ordem das palavras. Não evita os preconceitos comuns da época, em particular a ideia de que certas configurações sintáticas podem ser consideradas mais «naturais» do que outras. Ruhig, por exemplo, apresenta a
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ordem das palavras [substantivo + genitivo] em Sunūs Diewo «Filho de Deus» como natūrlich «natural» (I 218), sem apresentar qualquer fundamento a esse respeito.
Um componente importante de qualquer descrição gramatical reside na sua exemplificação. A maioria dos exemplos lituanos encontrados na Anfangsgründe parece provir de textos religiosos, em particular da tradução da Bíblia. A fraseologia religiosa está omnipresente; em alguns casos, Ruhig indica até a fonte grega ou hebraica. Outros exemplos parecem refletir o uso quotidiano da língua. Não é difícil localizar exemplos provenientes de gramáticas anteriores: pode comparar-se, por exemplo, Gerriù Wandens «bebo água» (I 209, grego πίνω ὕδατος, alemão ich trinke Wasser) com Gerriu Wandenio (Sappuhn, Schultz 1673: 80, grego πίνω ὕδατος, latim Bibo aquam), ou Dūk mán Dūnôs «dá-me pão» (I 209, alemão gieb mir Brot) com Dūk man Dūnôs (Hack 1730: 333).
Ao fac-símile segue-se uma edição crítica do texto alemão à esquerda e a sua tradução lituana à direita (I 227–553). A utilidade desta tradução é imediatamente evidente, pois torna o texto acessível ao público lituano que pode não estar familiarizado com a língua alemã. Traduzir para o lituano moderno uma gramática lituana escrita em alemão no século XVIII não é uma tarefa fácil, não só devido à dificuldade da própria língua, mas sobretudo pelos diversos problemas suscitados pela escolha de equivalentes terminológicos. A tradução é extremamente precisa e pode ser utilizada com confiança. Contudo, provavelmente não será inútil assinalar uma forma de paradoxo cronológico: a terminologia linguística lituana usada nesta tradução é, em geral, a estabelecida por Jonas Jablonskis (e outros) no início do século XX, isto é, quase dois séculos depois da gramática de Ruhig. Na maioria dos casos, esta transferência terminológica é inócua: Genus Neutrum é traduzido por bevardė giminė (I 100), Infinitivus por bendratis (I 128), Modus por nuosaka (I 129), etc., o que não causa qualquer problema de compreensão. Por vezes, a equivalência terminológica é mais difícil. Já mencionei o termo latino ancipites «de duas cabeças», usado para designar vogais que podem ser breves ou longas; não tem equivalente em lituano. É aqui traduzido por svyruojančiosios balsės «vogais hesitantes» (I 251), o que, afinal, é uma boa opção. Num pequeno número de casos, poderia propor-se uma tradução diferente. O termo latino Deductio (literalmente «condução para fora») é traduzido em lituano ora por vedyba (por exemplo, I 367), ora por daryba (por exemplo, I 372). Eu sugeriria escolher uma tradução uniforme e, talvez com maior precisão, traduzir o latim deductio por derivacija. São pormenores menores, que não comprometem a qualidade muito elevada da tradução lituana.
O segundo volume situa Paul Friedrich Ruhig e a sua gramática no devido contexto. Começa com uma biografia de Paul Friedrich Ruhig por Grasilda
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Blažienė (II 17–121). Sabe-se pouco sobre a vida de Ruhig, e as breves menções que podem ser encontradas na bibliografia são desesperadamente escassas.¹ Nem sequer as suas datas de nascimento e morte são conhecidas com precisão. A maioria das fontes indica cerca de 1725 para o nascimento e depois de 1781 para a morte, mas o trabalho de Blažienė propõe datas diferentes (ca. 1721/1722–após 1784). Paul Friedrich Ruhig nasceu em Walterkehmen (atualmente Ольховатка), na Prússia Oriental. Começou a estudar em Königsberg em 1740; estava ligado ao Seminário Lituano, onde ensinou durante alguns anos. Mais tarde, parece ter trabalhado como ministro de uma igreja protestante na Letónia desde 1752 e acabou por ser repatriado para Königsberg devido a doença mental. Perdemos o seu rasto depois de 1784. A biografia de Grasilda Blažienė (II 17–121) é, até à data, o estudo mais extenso da vida de Ruhig. Contém todos os documentos disponíveis sobre a vida e a atividade da família Ruhig, incluindo cartas manuscritas anteriormente desconhecidas. A data de nascimento de Paul Friedrich Ruhig (ca. 1721/1722) pode ser inferida da sua posição como irmão mais velho da família (antes do irmão Christian Georg, nascido em 1724/1725) e do seu registo universitário em 1740 (II 73–74). A sua morte, habitualmente suposta como tendo ocorrido depois de 1781, pode agora ser adiada para uma data ligeiramente posterior, uma vez que ainda é mencionado como vivo em 1784 (II 74). A escassa informação que possuímos sobre a sua vida antes da publicação da gramática limita-se ao seu registo universitário em Königsberg (1740: Paul Friedrich Ruhig, Walterkaimensis Boruss), ao seu requerimento autógrafo de bolsa (1743), o único documento escrito pela sua própria mão que foi preservado, e a algumas menções ao seminário lituano, onde esteve ativo durante a década de 1740. No prefácio do seu dicionário, o pai, Philip Ruhig, menciona que confiou ao filho a redação de uma gramática lituana. A gramática de Ruhig aparentemente teve grande êxito após a sua publicação, em 1747. Foi mencionada como fonte importante por Gottfried Ostermeyer (1716–1800) na sua Neue Littauische Grammatik (1791). Johann Severin Vater (1771–1826) utiliza-a na famosa enciclopédia das línguas Mithridates (1809: 706). A vida posterior de Ruhig é menos conhecida, e não dispomos de fontes precisas sobre a sua atividade em Riga, a sua doença mental ou a sua morte. Esta secção é muito bem escrita e informativa; amplia consideravelmente o nosso conhecimento sobre os agentes culturais que contribuíram para o progresso da filologia lituana no século XVIII.
A secção seguinte é uma apresentação da Anfangsgründe por Ona Aleknavičienė (II 123–271). A gramática de Ruhig destinava-se inicialmente aos participantes do seminário lituano de Königsberg, muitos dos quais só conseguiam compreender e falar lituano de forma imperfeita (II 126); isso explica a escolha do alemão como língua comum partilhada por todos. Em comparação com as obras anteriores,
¹ Cf. Biržiška (II 120–121), Zinkevičius (1990: 260), Enciclopédia da língua lituana (LKE 2008: 459).
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A gramática de Ruhig é relativamente extensa e detalhada, o que explica grande parte do seu êxito nas décadas seguintes como uma das principais gramáticas de referência do lituano. Aleknavičienė descreve ainda a configuração material do livro editado em 1747, o seu formato, a sua escrita e o seu paratexto (II 135). A secção sobre a intertextualidade na gramática de Ruhig (II 152 e segs.), que a compara com as suas potenciais fontes (Klein, Sappuhn & Schultz, Hack), é particularmente interessante. Ilustra perfeitamente que a filologia lituana seguiu, nos seus diferentes períodos históricos, o fio condutor comum de uma identidade cultural partilhada e não deve ser abordada como o surgimento de alguns indivíduos isolados num contexto em que a língua lituana ainda era relativamente precária quanto ao seu estatuto sociolinguístico. O restante da secção apresenta uma descrição minuciosa da língua lituana documentada na gramática de Ruhig, da sua ortografia e fonética (II 234–248) e da sua morfologia (II 249–252). São transmitidas mais de 9000 formas lexicais lituanas. A língua lituana na gramática de Ruhig aparece numa fase de desenvolvimento relativamente arcaica, com o número dual ainda plenamente vivo (II 249), com os quatro casos locativos secundários ainda em uso (II 249), com formas condicionais em -b- (II 252), com advérbios comparativos em -(i)aus (II 252), etc. Tal como se apresenta, oferece-nos uma riqueza de dados valiosos sobre o lituano da Prússia Oriental em meados do século XVIII.
Segue-se uma conclusão muito breve, redigida conjuntamente pelas duas autoras, Ona Aleknavičienė & Grasilda Blažienė, que sublinha a importância da gramática de Ruhig para os estudos lituanos (II 275–276). O volume termina com um extenso resumo em alemão (II 277–287), um índice de palavras muito útil (II 298–379) e uma bibliografia (II 380–402).
Não há dúvida de que esta obra exemplar continuará a ser, nos próximos anos, a edição de referência da Anfangsgründe de Paul Friedrich Ruhig. Não é apenas muito informativa e filologicamente e historicamente impecável; é também bem estruturada, bem escrita e editada com o máximo cuidado. Estou muito grato às editoras por este excelente trabalho, que enriquece consideravelmente o nosso conhecimento sobre o desenvolvimento da filologia lituana ao longo da sua história. Quando iniciei os estudos lituanos no começo da década de 1990, pouco depois da independência da Lituânia, fiquei imediatamente fascinado pela proliferação de trabalhos filológicos sobre textos lituanos antigos, como se, para aquela geração de estudiosos, editar os primeiros documentos da língua lituana fosse um meio de recuperar a sua identidade. O presente livro mostra que, mesmo hoje, num mundo de globalização e de crescente indiferença em relação ao passado, continua a ser gratificante olhar para o legado de textos antigos como este e dedicar especial atenção à sua sobrevivência filológica.
Daniel Petit (ENS e EPHE)
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Ruhig Philipp 1747: Littauſch-Deutſches und Deutſch-Littauiſches Lexicon, [...] von Philipp Ruhig, Pfarrern und Seniore zu Walterkehmen, Interburgiſchen Hauptamtes, Königsberg, impresso e publicado por I. H. Hartung, 1747.
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Docente im Litthauifchen Seminario zu Halle. Halle, impresso por Stephanus Orban, impressor universitário (1730) 2. (Estudo, índices, remissivos), compilado por V. Zubaitienė, Vilnius: Editora da Universidade de Vilnius, 2012.
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Zinkevičius Zigmas 1990: História da língua lituana 4, Vilnius: Mokslas.
Recebido em 11 de setembro de 2021.
DANIEL PETIT
École normale supérieure 45, rue d’Ulm, 75005 Paris, França [email protected]
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