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Panorama das atividades da Comissão de Terminologia (1921–1926)
ALBINA AUKSORIŪTĖ
Instituto da Língua Lituana
PALAVRAS-CHAVE: Comissão de Terminologia, termo, terminologia, atas da Comissão de Terminologia
Por ocasião do 90.º aniversário da fundação da Comissão de Terminologia
O artigo apresenta uma visão geral das atividades da Comissão de Terminologia (1921–1926), aborda as circunstâncias de sua fundação, sua estrutura e composição, procura explicar as razões das mudanças na Comissão e avaliar a importância de suas atividades para o desenvolvimento da terminologia na Lituânia.
Após a restauração do Estado independente da Lituânia, em 1918, surgiu a preocupação com o desenvolvimento da ciência e da educação; começaram a ser publicados livros didáticos escolares, iniciou-se a criação da terminologia lituana necessária em diversos campos e foram elaboradas as primeiras coletâneas de termos. Em 1919, foram publicados o Pequeno dicionário de termos de aritmética e álgebra (47 p.), de M. Šikšnys, e o Pequeno dicionário militar lituano-russo e russo-lituano (106 p.); em 1920, o Pequeno repertório de termos de geometria e trigonometria (99 p.), de Z. Žemaitis, o Pequeno dicionário de termos de sistemática zoológica (144 p.), de J. Elisonas, e o Pequeno dicionário técnico (141 p.), de A. Maciejauskas. A criação e a organização dos termos eram realizadas apenas por iniciativa de linguistas individuais e especialistas de diversas áreas. Com a crescente necessidade de terminologia lituana, tornou-se indispensável criar termos em lituano e desenvolver o trabalho terminológico de maneira organizada.
O linguista Jonas Jablonskis já escrevia sobre isso em 1920: «Escrevem-se livros didáticos científicos para as escolas, bem como outros textos para as pessoas; é preciso falar de novas questões científicas e de outros assuntos com os estudiosos e com os diversos setores do trabalho do Estado. Ao falar ou escrever sobre esses assuntos, nem todos usamos os mesmos termos para uma mesma necessidade. A nova vida gerou uma tal multiplicidade de necessidades que agora é difícil para pessoas e instituições diversas se virar com o pequeno número de termos com que nos contentávamos antes. No campo desses termos, de um modo ou de outro, forma-se agora uma mistura; por isso
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“A escola sofre com a mistura, e o próprio trabalho cultural também sofre...” (JR II 210–211). Inspirando-se no exemplo letão, J. Jablonskis propôs ao Ministério da Educação a criação de uma comissão de terminologia que se ocupasse das questões terminológicas. Ele imaginava sua estrutura da seguinte maneira: “no aparelho estatal, deveriam ser formadas várias ou uma dúzia de comissões terminológicas, compostas por especialistas de diferentes áreas de trabalho; poderiam ser criadas comissões para os diversos ramos das ciências naturais, para assuntos administrativos e econômicos, para novas questões de comércio e indústria, para assuntos militares etc. Cada área de trabalho mais ampla do Estado que lide com diferentes termos deveria formar sua própria comissão, que poderia trabalhar sistematicamente em sua área terminológica, consultando a comissão terminológica principal do Ministério da Educação” (JR II 211).
A Comissão de Terminologia foi criada junto ao Ministério da Educação em 14 de março de 1921. A primeira reunião da Comissão ocorreu em 21 de abril de 1921. O Ministério da Educação convidara dez membros da comissão para a reunião; sete participaram da primeira sessão: Kazimieras Būga, Aleksandras Dambrauskas-Adomas Jakštas, Pranas Dovydaitis, Jonas Jablonskis, Pranas Mašiotas, Antanas Smetona e Antanas Vireliūnas. Vladas Požela, Juozas Tumas-Vaižgantas e Adomas Varnas não compareceram. A. Smetona presidiu a reunião, e A. Vireliūnas atuou como secretário. Como se lê na ata, “estabeleceu-se que a tarefa primordial da Comissão era uniformizar a linguagem oficial dos órgãos estatais. Os presentes também afirmaram que era necessário revisar e corrigir os termos das diversas áreas” (TKP 1921: 1)1. Nessa reunião também se discutiu o regulamento de trabalho da Comissão. Decidiu-se que os responsáveis das pastas ministeriais interessadas deveriam encaminhar oficialmente, por escrito, projetos terminológicos para análise: era necessário apresentar dez cópias de cada projeto, a serem enviadas aos membros da Comissão para que tomassem conhecimento. A Comissão informaria por escrito ao ministério que o havia apresentado a data em que o projeto seria analisado. Representantes do ministério interessado também seriam convidados a participar da análise; além disso, decidiu-se aceitar para apreciação projetos terminológicos apresentados por escrito por pessoas físicas. A ata registrou que cada termo do projeto deveria vir acompanhado de frases explicativas que o contivessem. Os participantes decidiram anunciar nos jornais que a Comissão de Terminologia havia sido criada e começara a trabalhar.
1 As atas da Comissão de Terminologia n.º 1–80 (1921–1923) estão conservadas no Centro de Terminologia do Instituto da Língua Lituana, enquanto as n.º 81–180 (1924–1926) se encontram no Arquivo Central do Estado da Lituânia (f. 631, ap. 12, b. 94). O número da ata é indicado depois dos dois-pontos.
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Figuras 1 e 2. Ata n.º 1 da Comissão de Terminologia.
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A segunda reunião da Comissão de Terminologia ocorreu em 24 de abril e contou com a participação de nove de seus membros: K. Būga, A. Dambrauskas, Pr. Dovydaitis, J. Jablonskis, Pr. Mašiotas, A. Smetona, J. Tumas-Vaižgantas, A. Varnas e A. Vireliūnas. A. Smetona foi eleito presidente permanente da Comissão, e A. Vireliūnas, secretário. Nessa reunião, discutiu-se o regulamento geral de trabalho e decidiu-se que “as questões levantadas na comissão seriam decididas por maioria simples dos votos dos membros presentes à reunião” (TKP 1921: 2), e que as decisões só seriam tomadas se estivessem presentes pelo menos seis membros da Comissão, entre os quais pelo menos um filólogo (J. Jablonskis ou K. Būga) e o relator. Além disso, decidiu-se publicar extratos das atas nos jornais e realizar reuniões todas as quintas-feiras.
Na segunda reunião, foram examinados dezesseis nomes geográficos estrangeiros apresentados por J. Jablonskis. Decidiu-se escrever: “1. Éstas, éstai (em vez de ‘įgauniai’); 2. graikas, graikai; 3. olándas, -ai (7 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção); 4. skótas, -ai (Scholten), Skotiją; 5. aĩris, aĩriai (Iren); 6. lãtvis, lãtvai; 7. skandinãvas, Skandinaviją; 8. švėdas, švėdai; 9. norvėgas; 10. prancūzas (8 votos a favor, 1 contra), Prancūziją (4 votos a favor, 1 contra, 4 abstenções; a proposta ‘Fransija’ recebeu 4 votos a favor, 3 contra e 2 abstenções); 11. eskìmas, eskìmai; 12. samojédas; 13. nẽgras, -ai; 14. hotentótas (5 votos a favor, 3 contra, 1 abstenção); 15. bušmėnas (4 a favor, 1 contra, 4 abstenções; a proposta ‘bušmėnis’ recebeu 2 votos a favor, os demais se abstiveram); 16. beduinas”2 (TKP 1921: 2). Em várias reuniões seguintes, foram examinados diversos nomes geográficos, cuja publicação na imprensa foi decidida, embora alguns nomes tenham sido novamente revistos pela Comissão antes de serem publicados. A Comissão analisou os nomes das ruas da cidade de Telšiai e da vila de Užventis, além de vários termos e palavras usados na imprensa. Por exemplo, a ata da reunião realizada em 9 de junho registra: “A. Smetona destaca a necessidade de estabelecer com maior precisão as palavras necessárias no cotidiano do jornalismo, correspondentes às palavras russas: власть, правительство, начальство, наследствие e outras. Observa que as palavras ‘pasekmė, įvykis’ e outras usadas na imprensa lituana foram formadas em desacordo com as regras da língua. <...> estabeleceu-se que o russo ‘власть’ corresponde, em nossa língua, a valdžia, ‘правительство’ a vyriausybė, ‘начальство’ a vyresnybė; ‘факт’ deve permanecer faktas, podendo, em casos específicos, ser popularizado pelas palavras reiškinys, atsitikimas; ‘результат’ — rezultatas, popularizado pelas palavras galas, išdavas; ‘сверхчеловек (Uebermensch)’ pode ser traduzido por viršžmogis, antžmogis; ‘сверхестественный’ — viršugamtis; ‘процесс’ — veksmas” (TKP 1921: 10).
2 As citações das atas são reproduzidas fielmente, sem atualização ortográfica.
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O projeto de orçamento da Comissão de Terminologia para 1922 foi discutido na reunião realizada em 6 de outubro de 1921. Nessa ocasião, decidiu-se também criar pequenas comissões de terminologia de matemática, ciências naturais, geografia, literatura e direito, cada uma com três membros. A comissão de terminologia matemática foi formada por A. Dambrauskas, Pr. Mašiotas e A. Varnas; J. Jablonskis e A. Vireliūnas foram designados para a comissão de terminologia geográfica, com a incumbência de convidar um colaborador externo como terceiro membro. A. Smetona recebeu a tarefa de formar a comissão de terminologia jurídica, e J. Tumas-Vaižgantas foi encarregado de constituir a comissão de terminologia literária, convidando Liudas Gira e Vincas Krėvė para colaborar. A formação da comissão de terminologia das ciências naturais foi adiada até que um especialista naturalista fosse convidado a integrar a Comissão. Tadas Ivanauskas foi incluído na composição da Comissão na reunião seguinte e recebeu a incumbência de formar a comissão de terminologia das ciências naturais.
No início de fevereiro de 1922, a Comissão de Terminologia levantou a questão da reorganização do trabalho. A ata da reunião de 2 de fevereiro apontou duas razões para a reorganização: “1) porque, com o passar do tempo, cada vez menos membros da comissão comparecem às reuniões e 2) porque o trabalho da própria comissão e das pequenas comissões ficou extremamente estagnado, sem preparação e sem produzir resultados” (TKP 1922: 31). Decidiu-se manter a organização da Comissão como estava, aumentar a remuneração pelas reuniões e encarregar seu presidium de se reunir adicionalmente para organizar o material e preparar os documentos; propôs-se criar uma pequena comissão de trabalho permanente, que examinaria e prepararia termos para as reuniões plenárias da Comissão. Nas reuniões realizadas no fim de fevereiro e no início de março, decidiu-se convidar para integrar a Comissão a professora M. Zinkevičaitė, Jonas Avižonis, Morkus Morkelis e Izidorius Tamošaitis. Na reunião de 9 de março, M. Morkelis foi eleito presidente da Comissão, sucedendo A. Smetona, que renunciara ao cargo; na reunião seguinte, J. Avižonis foi eleito secretário em substituição a P. Vireliūnas. Na reunião de 30 de março, J. Jablonskis deixou a Comissão como membro oficial, mas concordou em continuar participando do trabalho como consultor em questões linguísticas. No fim de abril, foi aprovada a pequena comissão de trabalho, à qual foram integrados os linguistas J. Jablonskis e K. Būga, e propôs-se como terceiro membro o gerente administrativo e secretário da Comissão. Na reunião de 13 de outubro, dois novos membros foram incorporados à Comissão: Jonas Martynas Laurinaitis e M. Bagdonas. Após M. Morkelis renunciar à presidência, I. Tamošaitis foi eleito presidente, e A. Vireliūnas, secretário.
Nem sempre os projetos terminológicos apresentados à Comissão eram aceitos e analisados. Por exemplo, em 1921, a lista de termos de psicologia apresentada pela Comissão de Edição de Livros do Departamento de Assuntos Gerais do Ministério da Educação e os termos enviados pela Seção de Educação do Departamento de Agricultura
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A Comissão devolvia a lista, considerando os termos inadequadamente preparados, e indicava que fossem devidamente preparados.
Como se pode ver pelas atas, a Comissão respondia não só aos ofícios e às consultas enviados por instituições, mas também às perguntas de particulares. Por exemplo, a ata n.º 75, de 5 de outubro de 1923, registra que
„Decidiu-se responder, por intermédio do Sr. Ministro da Educação, ao relatório n.º 1915, datado de 20 de setembro do corrente ano, do Alto Representante do Governo da Lituânia para a região de Klaipėda, dirigido ao Sr. Primeiro-Ministro e encaminhado ao Ministério da Educação, de onde foi remetido à Comissão de Terminologia, por resolução do Ministro, para análise, o seguinte: na opinião da Comissão, o nome Šilutė deve ser mantido, como o próprio Representante propõe; em vez de „Försterei – Klampovė“, a comissão propõe escolher um destes nomes: Budriai, Jankai ou Girūliai. Ao Sr. Vaitkūnas (Panevėžys, rua Respublikos, 31N), em resposta ao seu ofício de 23 de setembro do corrente ano, comunicar o seguinte: na sessão de 5 de outubro do corrente ano, a Comissão esclareceu que tanto kirptuvė quanto kirpykla são termos de uso possível“ (TKP 1923: 75).
Ao receber propostas e correções, a Comissão reconsiderava alguns termos e os complementava ou alterava. Por exemplo, a ata n.º 57, de 22 de fevereiro de 1923, registra que
„foram examinadas, um mês após a data da publicação (ver os números de „Lietuva“), as críticas, correções e outras observações enviadas por Kn. J. Laukaitis, M. Grigonis, J. Lazauskas, J. Beinoris e A. Varnas aos termos publicados para fins educacionais. Decidiu-se fazer as seguintes alterações:
2. Além de aplinka e aplinkuma, acrescentar também tarpas. Ex.: Também surgem pessoas de todo tipo entre nós.
4. Auklėja, -jos (coisa) — excluir.
8. Excluir „Dorybingas“.
10. Além de dorovingas, acrescentar também doroviškas e dorovinis.
13. Colocar o acento em didvalda.
14. Indicar que dviprasmas é adjetivo (ex.: dviprasmas žodis, „palavra ambígua“), enquanto dviprašmis é substantivo e adjetivo.
18. Além de „savilava“, acrescentar também lavinimasis; além de lavinti, acrescentar lavėti (lavėja — развиваться).
20. Além de natūra, acrescentar também prigimtis.
26. A „pomegis, mogis, magmogis“, acrescentar pamėga“ (TKP 1923: 57).
Em 11 de janeiro de 1923, J. Jablonskis recusou-se a participar do trabalho das pequenas comissões, alegando não ver utilidade no trabalho da Comissão e que os termos não ajudariam, afinal, a melhorar a linguagem dos jornais. Na sessão seguinte (18 de janeiro), recusou-se também a participar do trabalho da Comissão de Terminologia. Contudo, convém observar que ele se afastou também devido a desentendimentos entre seus membros. A Comissão discordava quanto à questão da tradução dos termos para o lituano: A. Varnas e A. Vireliūnas defen-
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… deixar de lado qualquer termo oriundo de outras línguas, procuravam substituir todos os termos internacionais por neologismos.
Em junho, M. Morkelis e M. Zinkevičaitė deixaram a Comissão; propôs-se incluir em seu lugar St. Dabušis e J. Beinoris, e, no outono, Kazys Kepalas e J. Murka foram convidados a integrar a Comissão. Em 2 de dezembro de 1924, K. Būga morreu, e a Comissão perdeu mais um linguista que nela trabalhava desde sua fundação. Após a saída de J. Jablonskis e, sobretudo, depois da morte de K. Būga, a atuação da Comissão voltou-se para um purismo extremo (ver Palionis 1979: 268).
No final de 1921 e em 1922, a Comissão examinou termos de literatura, direito, impostos de consumo, ferrovias, técnica, geografia e educação. As atas apresentam não apenas os termos lituanos aprovados pela Comissão, mas frequentemente também seus equivalentes russos e, com menor frequência, alemães; por vezes, incluem explicações dos termos ou exemplos de uso. Alguns exemplos de termos ferroviários (a) e geográficos (b) aprovados pela Comissão: a) „1. Atšlaita, cokolį – цоколь. 2. Plūkti kelią. Kietas plūkimas. Plūkimas, plūkė – утрамбовка. Plūktuvas – prietaisas plūkti. 3. Šlaitas – откос. 4. Atkalnė – косогор. Atkalnė arba pašlaitė. 5. Iškasa – выемка. 6. Pýlimas – насыпь. Pylimui daug reikia sampilos <...>“ (TKP 1922: 27); b) „1. A. Vireliūno buvo siūloma: aukštė = возвышенность, lygė = равнина. Komisijoje nutarta: aukštuma (aukštė) = возвышенность, lyguma (lygė) = равнина. 2. Žemuma, slėnys = низменность. 3. Paslėnė – mažai pakilusi vieta prie slėnio, žemumos. 4. Slesnas, –a. Slesna vieta - <...>. Žemos, slesnos ir aukštos salos. Panevėžys stovi slėsniau už Vilnių. 5. Įslėnis arba klõnis, -io – Tal. Įslėniais upės teka. 6. Kalnesnis, -ė, įkalnesnis,-ė. Apie Luokę vieta kalnesnė negu apie Panevėžį. <...> 9. Kaũpras (kaũbrė), ne smailas, įsodžiai iškilęs kalnas. Kuppe. 10. Stalkalnis – Tfelberg. Stalžemis – Tafelland. 11. Masiniai kalnai, maskalniai. Massengebirge. Masyvas. 12. Raukšlėtiniai kalnai. Alpiuose matyt raukšlių, jie yra raukšlėti. Raukšlė – Falte, raukšlėjimas – Faltung. 13. Šūkakalnis – Kammgebirge <...>“ (TKP 1922: 44).
movimento aparente, relativo, movimento relativo, umidade relativa, erro relativo de medição, índice de refração relativo, peso específico, resistência específica“ (ТКР 1923: 77).
Em 1923, a Comissão de Terminologia discutiu termos de telefonia, economia política, educação, física e combate a incêndios, bem como nomes de lugares da região de Klaipėda. Em 1924, foram examinados termos de desenho técnico, os termos de física de A. Varnas, V. Adamovičius, J. Baronas, J. Končius, A. Baltrušaitis e J. Juzikis, e nomes próprios enviados pela Administração Ferroviária. Os termos aprovados pela Comissão de Terminologia eram publicados na imprensa periódica. Os membros da Comissão observavam se os termos por ela aprovados estavam sendo usados; por exemplo, a ata de 7 de dezembro de 1922 registra: „A. Vireliūnas informou que os redatores das leis promulgadas nem sempre seguem os termos estabelecidos pela Comissão; por exemplo, na lei 917 N („Vyr. Žinios“ 118N) usam-se „akčyžės“, „bravarus“ – „oficina de fermento“ etc. Segundo as informações de que dispõe o relator, na Chancelaria do Conselho de Ministros, por vezes, os termos estabelecidos pela Comissão são deliberadamente substituídos por outros. Decidiu-se escrever ao Ministério da Educação a respeito“ (TKP 1922: 48).
A. Vireliūnas publicou, em 1924, os termos aprovados até o final de 1923 em uma obra separada Nomes, ou termos, aprovados pela Comissão de Terminologia: 1. Para impostos de consumo, 2. Direito, 3. Estradas, 4. Telefonia, 5. Geografia, 6. Educação e 7. Economia política. No prefácio do livreto, o compilador escreveu que „este repertório também contém apenas os nomes publicados em „Švietimo Darbas“, mas eles foram reorganizados com maior precisão e em mais detalhes, por isso são mais convenientes de consultar“ (Įv 3).
Em 1925, J. Jablonskis comentou brevemente, no número 4 de Švietimo Darbo, o livreto recém-publicado, chamando a atenção para sua preparação pouco cuidadosa, a abundância de erros de revisão e outros erros e imprecisões do repertório (para mais detalhes, ver JR IV: 322–324). Contudo, apesar das várias imprecisões e incorreções e dos termos de formação duvidosa, muitos termos apresentados nessa coletânea continuam em uso até hoje, por exemplo: akcizas Įv 5, baudžiamoji byla Įv 14, diktantas Įv 119, drėgmė Įv 110, dvilaidė linija Įv 74, gnybtas Įv 75, griovys Įv 30, įduba Įv 32, įkalnė Įv 33, imtuvas Įv 76, įpjova Įv 77, išlydis Įv 77, kainoraštis Įv 34, kintamoji srovė Įv 80, klodas Įv 35, kubinis metras Įv 36, laibgalys Įv 36, liudytojas Įv 18, matuoklė Įv 38, mygtukas Įv 82, misa Įv 7, nuokalnė Įv 39, plaktukas Įv 44, plokštė Įv 44, prietaisas Įv 45, rietuvė Įv 47, rodyklė Įv 88, sankasa Įv 48, siųstuvas Įv 88, skiedinys 4 Įv 9, skri-
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No mesmo ano, no número 46 de Lietuvos, J. Jablonskis publicou um artigo no qual criticava os neologismos criados pela Comissão de Terminologia. Escreveu: «Os terminólogos cunham continuamente novos termos. Em “Lietuvoje” (n.º 43) foi apresentado novamente um novo projeto de terminologia, desta vez sobre “desenho de projeções (de urdidura)”. Quanto mais se avança, mais rebuscados parecem os termos para a nossa vida cultural» (JR IV: 307). J. Jablonskis apresenta exemplos de neologismos que não compreende e considera desnecessários, por exemplo: «e) iluminação interior – центральное освещение, diagonal – диагональ, vaso – ваза; f) projeção horizontal – горизонтальная проекция, perímetro – периметр, estudo, -o – etiuda, estudar – estudar; g) pesquisa – исследование, Forschung, pesquisar – исследовать, forschen; h) medida – измерение, geometria – геометрия, geodésia – геодезия, planimetria – планиметрия, trigonometria – тригонометрия...» (JR IV 307). Observa «que, no início, a tarefa da Comissão de Terminologia era muito mais limitada: ela precisava criar muito menos termos para a nova vida. A Comissão pode ter trabalhado em excesso ou ter-se desviado um pouco do seu caminho» (JR IV 308).
Após esse artigo de J. Jablonskis, a Comissão de Terminologia recebeu uma carta do Ministério da Educação sobre o desvio do trabalho em relação à ordem estabelecida para a Comissão; em 21 de março de 1925, o Ministério da Educação enviou à Comissão uma carta informando a constituição de uma nova Comissão de Terminologia e solicitando que todos os seus assuntos fossem entregues ao novo presidente nomeado, J. Jablonskis.
A primeira reunião da nova Comissão de Terminologia realizou-se em 26 de março de 1925; participaram nela Jonas Balčikonis, J. Jablonskis, Antanas Salys e Pranas Skardžius. J. Jablonskis leu a carta do Ministério da Educação, que indicava que a Comissão de Terminologia seria composta pelas seguintes pessoas: J. Jablonskis (presidente), J. Balčikonis, Vaclovas Kasakaitis, A. Salys, Pr. Skardžius e A. Vireliūnas. Como A. Vireliūnas não aceitou, Stasys Šalkauskis foi convidado em seu lugar; decidiu-se ainda convidar A. Smetona, Z. Kuzmickas e J. Laurinaitis, mas A. Smetona também recusou participar nos trabalhos da Comissão por falta de tempo. Na referida reunião, J. Jablonskis observou que aceitava presidir «por motivos de saúde, apenas até que houvesse um número maior de membros na Comissão»; por sua proposta, Pr. Skardžius foi eleito secretário (para mais detalhes, ver TKP 1925: 146).
A nova Comissão de Terminologia, sob a direção de J. Jablonskis, realizou um trabalho amplo e muito significativo. Reexaminou os termos de cirurgia e veterinária aprovados pela antiga Comissão, começando por rejeitar adjetivos neológicos com o sufixo -iškas, formados a partir de nomes de pessoas, tais como fran-
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agulha quística (=Franko a.), urômetro de Vogel (=Vogel’io u.), entre outros. Além disso, em muitos casos, a nova Comissão restabeleceu termos internacionais em lugar dos neologismos; por exemplo, aprovou aerómetro, e não ormàčio; elemento, e não pradojo; massagem, e não laitymo; termómetro, e não šilčiarodis, entre outros (ver Palionis 1979: 268–269). Como observa o linguista Jonas Palionis, «em geral, a nova Comissão de Terminologia realizou o trabalho de codificação terminológica com muita cautela e apoiando-se nos fundamentos teóricos corretos anteriormente formulados por J. Jablonskis» (Palionis 1979: 269).
A composição da Comissão voltou a mudar no final de 1925; St. Šalkauskis, A. Salys e Pr. Skardžius retiraram-se. Por proposta de J. Jablonskis, foram incluídos na Comissão estudantes de humanidades: Kazys Alminauskis, Jurgis Talmantas e Kazys Masiliūnas. Em 1925, a Comissão examinou termos de cirurgia e veterinária, topónimos da região de Klaipėda e nomes de estações apresentados pelo Ministério dos Transportes; em 1926, examinou termos de sanidade militar e medicina, artilharia, drenagem e do gabinete de defesa nacional, nomes de santos católicos e nomes evangélico-luteranos.
Por carta datada de 11 de junho de 1926, J. Jablonskis renunciou ao cargo de presidente por motivos de saúde; o Ministério da Educação decidiu dissolver a Comissão de Terminologia e encarregou a Universidade de Kaunas de constituir uma nova comissão. Foi elaborado o estatuto da Comissão de Terminologia da Universidade da Lituânia e, no final de 1926, a Comissão foi constituída na universidade por P. Avižonis, J. Balčikonis e St. Šalkauskis; no entanto, como P. Avižonis recusou-se a trabalhar nela, essa nova Comissão nunca chegou a iniciar as suas atividades. Assim, o trabalho da Comissão de Terminologia, que durou cinco anos, terminou em meados de 1926.
CONCLUSÕES
A Comissão de Terminologia trabalhou durante cinco anos. Foi a primeira Comissão de Terminologia criada por iniciativa do Estado, cuja atividade deu início à organização sistemática da terminologia lituana.
O método de trabalho da Comissão, em que especialistas de áreas específicas preparam listas de termos, que depois são discutidas com os responsáveis pela elaboração e com linguistas, continua em uso até hoje.
Embora, durante o período de atividade da Comissão de Terminologia, tenha havido divergências entre seus membros, mudanças em sua composição e a atuação tenha sido dificultada pelo purismo de alguns membros, a atividade da Comissão foi muito importante para o desenvolvimento da terminologia lituana. Nesse período, a Comissão examinou, aprovou e publicou na imprensa numerosos termos e denominações nomenclaturais de diversas áreas, necessários à vida do Estado, a maioria dos quais se incorporou ao uso e continua sendo utilizada até hoje.
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LITERATURA E FONTES
Įv – Įvardai, ou termos aprovados pela Comissão de Terminologia. Publicação da empresa „Sakalas“, 1924.
JR II–V: Jablonskio raštai. Redagavo J. Balčikonis. Kaunas, 1933–1935.
Palionis J. 1979: Lietuvių literatūrinės kalbos istorija. Vilnius.
TKP 1921–1926: Terminologijos komisijos protokolai (Nr. 1–80 (1921–1923) saugomi Lietuvių kalbos institute, Nr. 81–180 (1924–1926) – Lietuvos centriniame valstybės archyve (f. 631, ap. 12).
PANORAMA DAS ATIVIDADES DA COMISSÃO DE TERMINOLOGIA (1921–1926)
Após o restabelecimento da independência da Lituânia, em 1918, iniciou-se a publicação de livros didáticos escolares em lituano, a terminologia lituana de várias áreas começou a se desenvolver e foram elaboradas as primeiras listas de termos, embora a criação e a organização da terminologia fossem realizadas por iniciativa de indivíduos.
Com o crescimento da necessidade de terminologia lituana, tornou-se necessário criar termos e realizar o trabalho terminológico de forma organizada. Assim, em 14 de março de 1921, a Terminologijos Komisija (Comissão de Terminologia) foi criada no Ministério da Educação. Seus membros eram renomados especialistas em linguística e em outras áreas, além de figuras públicas, como J. Jablonskis, K. Būga, A. Dambrauskas, Pr. Dovydaitis, Pr. Mašiotas, A. Smetona, J. Tumas-Vaižgantas, A. Varnas, A. Vireliūnas e V. Požėla. A Comissão de Terminologia discutiu e aprovou numerosos termos necessários nas áreas do direito, da economia, dos transportes e das comunicações, da cirurgia e da medicina veterinária, da filosofia e da teologia, da física, da geodésia, da matemática, das ciências naturais, da agricultura e de outras áreas. Os termos aprovados pela Comissão de Terminologia foram publicados na imprensa. Alguns deles foram publicados em 1924 como um dicionário Įvardai, arba terminai, priimti Terminologijos komisijos (Termos aprovados pela Comissão de Terminologia).
A Comissão de Terminologia discutiu não apenas termos, mas também nomes de cidades, países e seus habitantes, rios, montanhas, ilhas e outros nomes geográficos; aprovou nomes lituanos para a região de Klaipėda e nomes de ruas de algumas cidades da Lituânia. Foi reorganizada em 1925 e realizou suas atividades até meados de 1926.
A Comissão de Terminologia foi a primeira instituição terminológica criada na Lituânia por iniciativa do Estado. Ela assinala o início da organização sistemática da terminologia. Houve várias divergências entre seus membros, mudanças em sua composição e, por vezes, as atividades foram prejudicadas pelas atitudes puristas de alguns membros; apesar disso, a Comissão de Terminologia exerceu influência significativa no desenvolvimento da terminologia lituana. Durante os cinco anos de suas atividades, a Comissão de Terminologia discutiu, aprovou e publicou muitos termos e denominações nomenclaturais importantes para a vida do Estado. A maioria desses termos se consolidou e continua sendo utilizada até hoje.
Recebido em 2011-12-15
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