Page 1ACTA LINGUISTICA LITHUANICA
XLIV (2001), 105–128
A tradução do Novo Testamento de Chylinskis e as suas fontes: anotações e revisões do texto
GINA KAVALIŪNAITĖ
Lietuvių kalbos institutas, Vilnius Vytauto Didžiojo universitetas, Kaunas
O artigo aborda as correções e glosas no manuscrito da tradução do Novo Testamento de Chylinskis. Discutem-se os diferentes tipos de correções e as suas possíveis causas, e procura-se reconstruir, em linhas gerais, o processo de tradução e edição, bem como estabelecer os princípios que orientaram o tradutor e o papel desempenhado pelos textos-fonte. A análise confirma que a principal fonte da tradução foi a Statenbijbel neerlandesa. As versões polacas tiveram menor importância como fontes da tradução, mas serviram de auxílio no processo de edição. As glosas do tradutor comprovam que a Statenbijbel era a sua principal autoridade. Em vez de evidenciarem qualquer influência direta das versões latina e polaca, apenas refletem o papel do latim e do polaco como metalinguagens usadas para esclarecer o significado de palavras neerlandesas ou lituanas.
INTRODUÇÃO
Nos estudos de história da língua e de historiografia, dedica-se considerável atenção à Bíblia traduzida por Samuel Boguslav Chylinskis. O interesse dos estudiosos foi despertado pelo destino extraordinário do manuscrito; por outro lado, depois de Jan Otrębski e Czesław Kudzinowski publicarem em Poznań, em 1958, o texto transliterado do manuscrito (Otrębski, Kudzinowski 1958), de Kudzinowski organizar o índice do NT, publicado em 1964 (Kudzinowski 1964), e de surgir, em 1984, a edição fac-similar (Kudzinowski 1984), este importante monumento da língua lituana do século XVII tornou-se facilmente acessível1. Muitos especialistas em lituanística e estudos bálticos recorrem a exemplos da língua de Chylinskis nos seus trabalhos. No entanto, a génese deste texto e a relação da língua com a língua das fontes da tradução ainda não foram estudadas de forma sistemática. Para investigar a génese do texto, bem como o NT do ponto de vista filológico e linguístico, são importantes não apenas a redação final, mas todas as variantes do texto. Tanto mais que Chylinskis reviu consideravelmente a tradução, sobretudo os primeiros capítulos dos Evangelhos, em especial a primeira metade do Evangelho segundo Mateus (até ao capítulo 13) e o início dos Atos dos Apóstolos.
As correções do manuscrito podem ser divididas nos seguintes grupos:
1) correções do texto principal:
a) correções ortográficas, morfológicas e sintáticas;
b) substituições de unidades individuais por outras;
1 O manuscrito do NT de Chylinskis encontra-se conservado em Londres, na biblioteca do Museu Britânico (cota: MS 41301). É composto por 225 fólios: a tradução do NT começa no quinto fólio (página de rosto) e termina no fólio 217v.
Page 2106 | GINA KAVALIŪNAITĖ
c) sinônimos apresentados;
d) alterações na ordem das palavras;
e) supressões (algumas palavras suprimidas são frequentemente repetidas em outro lugar no texto principal ou inseridas nele; por isso, nesses casos, as supressões são interpretadas como alterações na ordem das palavras);
f) sublinhados;
2) anotações nas margens:
a) notas NB;
b) sinônimos de unidades linguísticas sublinhadas;
c) substituições de unidades linguísticas suprimidas;
3) anotações no final do manuscrito.
O manuscrito não foi editado até o fim nem preparado para impressão — em muitos lugares, aquilo que foi corrigido não foi riscado, e em alguns foram deixadas duas ou mais variantes. A julgar pela cor da tinta, o texto foi corrigido em momentos diferentes: algumas coisas (embora poucas) foram revisadas de imediato, mas a maioria das correções é de uma revisão posterior, escrita com tinta mais intensa e, no final do NT, ao contrário, com tinta pálida, como se diluída. Algumas correções ou substituições foram escritas acima, outras abaixo da linha e outras ainda nas margens. O artigo não leva em conta a localização das correções; considera apenas o que foi corrigido ou substituído por quê e para quais unidades linguísticas foram apresentados sinônimos.
Em muitos casos, as correções refletem a história da tradução e vários aspectos da técnica tradutória de Chylinskis. Com base nelas, é possível avaliar a relação entre as fontes utilizadas pelo tradutor: qual fonte foi a mais importante, qual foi usada como complemento durante a tradução do texto e quais foram levadas em consideração durante a revisão. É precisamente o fato de as correções refletirem a gênese da tradução que torna significativo estudá-las separadamente. O objetivo deste artigo é identificar os tipos de correções e suas possíveis motivações, reconstruir em linhas gerais o processo de revisão e avaliar o que as correções nos revelam sobre a gênese da tradução, seus princípios tradutórios e suas fontes.
FONTES DA TRADUÇÃO DO NT DE CHYLINSKI
OLANDIŠKAS ŠALTINIS. Jau anksčiau nustatyta (žr. Zawadzka, Kolbuszewski 1959: 158–159; Kavaliūnaitė 1997: 74–84; Schlerath 2000: 279–290), kad pagrindinis arba vienas iš pagrindinių Chylinskio NT vertimo šaltinių neabejotinai buvo olandiška Statenbijbel (toliau – StB). Tai liudija ne tik morfologinės, sintaksinės bei leksinės semantinės vertimo ypatybės, bet ir išoriniai teksto požymiai:
1. As palavras que, ao traduzir do grego para o neerlandês, precisavam ser acrescentadas devido à diferença entre as estruturas das línguas eram colocadas entre parênteses pelos tradutores da StB, seguindo a tradição reformada geral. Na tradução de Chylinskis, foram reproduzidas fielmente estas palavras da Statenbijbel que aparecem entre parênteses:
APD 7,9 ChNT venderam Jozefa (para que fosse levado) ao Egito StB venderam Jofeph, [para] ser [levado] ao Egito:
2. A influência evidente da StB na estrutura do texto: no final de cada livro da StB há notas de encerramento, que Chylinskis traduziu com muita precisão, por exemplo:
Page 3CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
107
Fim do ChNT. E.S. segundo (a descrição) de JONA.
StB O fim do Santo Evangelho, segundo [a descrição] de JOANNIS.
Nas outras possíveis fontes da tradução de Chylinskis não há frases desse tipo que assinalem o fim.
3. As notas em neerlandês na própria tradução e no final do manuscrito também apontam para a StB.
FONTES POLONESAS. A análise do ChNT mostra que, durante a tradução, o texto polonês foi amplamente utilizado como fonte adicional. Isso é confirmado pela nota no final do manuscrito do NT: „N.T. ex versione et editione Brestensi editum in 4° A⁰ 1593. Vilnae.“ 422/224². Embora essa nota aponte para a Bíblia de Brest (doravante BraB), na historiografia predomina unanimemente a opinião de que essa fonte polonesa era a Bíblia de Gdańsk (doravante GdB), sobretudo devido a indícios internos da tradução (Kavaliaūnaitė 1997: 74–84 com bibliografia). Isso é ilustrado pelas seguintes passagens da tradução:
Lc 1,56 ChNT E Marya permaneceu com ela
StB Fim Maria ficou com ela
GdB E ficou com ela Marya
Lc 1,52³ BraB E assim com ela permaneceu Marya
Ef 4,8 ChNT que subiu <e às alturas → às alturas>
StB Quando ele subiu às alturas
GdB Tendo subido às alturas
BraB Quando subiu ao monte
No entanto, essas diferenças ainda não significam que Chylinskis não tenha usado BraB ao traduzir, uma vez que, em passagens desse tipo, ChNT geralmente coincide não só com GdB, mas também com StB. Tanto menos se pode descartar essa possibilidade, pois há passagens em que ChNT se aproxima de BraB e se afasta de GdB:
Hb 9,6 ChNT O tie dayktey teyp budami pagatawiti
GdB E quando assim preparado
BraB Quando, pois, estas coisas assim foram ordenadas
Devido às circunstâncias mencionadas, ChNT foi comparado com ambas as traduções da Bíblia.
FONTE LATINA. Não foram encontrados argumentos convincentes de que a Vulgata (doravante – V) possa ter sido usada como base. Pelo contrário, a comparação dos textos revela divergências em relação a V: em Mt 6,13, a oração «Pai Nosso» da Vulgata não contém a Doxologia, mas ela está presente na tradução de Chylinskis; em Mc 1,43, ChNT «Ir <liepe jam toyc eyl → atprowijo ghi toyc> nog saweg», V statim eiecit illum; em alguns lugares, a numeração dos versículos bíblicos de ChNT e V não coincide. Bernfriedas Schlerathas (2000: 279–289) chamou a atenção para duas observações no final do manuscrito. 411/218
2 O primeiro número indica a página na edição transliterada do manuscrito (Kudzinowski, Otrębski 1958), o segundo, no manuscrito do NT de Chylinskis.
3 ChNT Lc 1,56 corresponde a BraB Lc 1,52.
Page 4108 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
na página há uma referência ao versículo bíblico Jo 5,13. Aqui, o trecho correspondente da StB foi traduzido para o lituano, e ao lado também é apresentada a versão latina: „Joh. 5.13. hebbeik u ghechrewen ralzau jumuc. Ergo qdo eft tot u. ad voc. jumup.“ Na Vulgata, neste trecho encontra-se Haec scripsi vobis. Portanto, a anotação ad vos foi feita sem levar em conta a Vulgata. Na página 411/218, ao lado da anotação em hebraico, apresenta-se a sua tradução para o lituano e o latim. É evidente que, neste caso, não se consultou a Vulgata: Chylinskis escreveu o particípio sedens, ao passo que, na Vulgata, nesse trecho há a construção qui sedet.
Não há, contudo, dúvidas de que o texto da Vulgata era bem conhecido de Chylinskis, como homem culto de sua época, e deve-se considerar a possibilidade de que o tradutor soubesse de cor muitos de seus fragmentos, podendo, assim, ela ter influenciado a tradução. Por essa razão, todos os trechos citados no artigo também serão comparados com a Vulgata.
FONTE GREGA. É muito difícil comprovar o uso ou o não uso do NT grego (doravante G): a principal fonte da tradução da Bíblia de Chylinskis, a Statenbijbel, é tão próxima das línguas originais que alguns pesquisadores do NT da StB chegam a descrever sua estrutura linguística como mais grega do que neerlandesa (Bruin 1993: 273–274). É muito difícil encontrar trechos que se afastem da StB e de outras possíveis fontes da tradução do ChNT e coincidam apenas com G. Nas raras ocasiões em que a StB diverge de G, Chylinskis segue a StB, e não G, cf.:
Mc 9,7 ChNT bahag teypag atajo iþ dangau → debeliec StB ende eene ſtemme quam uyt de wolcke GDB á prżybedł głos z obłoku BrAB á pochodził głos z obłoku Mk 9,6⁴ V et venit vox de nube G καὶ ἐγένετο φωνὴ ἐκ τῆς νεφέλης
A unidade lexical ἐγένετο de G corresponde, em geral, a geschieden na StB; no ChNT, ela é traduzida sobretudo como stotis e frequentemente corrigida para nusiduoti. Em Mc 9,7, ἐγένετο da StB é traduzido como quamen; neste caso, Chylinskis segue a StB, e não G.
Além disso, no manuscrito do ChNT nada está escrito em grego, embora haja muitas anotações em neerlandês, polonês e latim. Um argumento a favor do uso de uma fonte grega poderia ser a afirmação do próprio Chylinskis de que conhecia as «línguas orientais» (ou seja, também o grego) e de que isso constituía uma garantia da qualidade da tradução (Lukšaitė 1971: 93). Não se sabe, porém, até que ponto se pode confiar na declaração do tradutor neste caso. Ainda assim, mais adiante no artigo, pelos mesmos motivos que os exemplos latinos, também serão apresentados exemplos gregos dos trechos citados.
ANOTAÇÕES NO INÍCIO E NO FIM DO MANUSCRITO E SUA IMPORTÂNCIA PARA O ESTUDO DA TRADUÇÃO
Nas primeiras e nas últimas páginas há anotações em lituano, latim, polonês, neerlandês e hebraico. Foram escritas em momentos diferentes e de maneira pouco organizada. Algumas delas são Bibl-
4 Ao versículo Mc 9,7 do ChNT corresponde Mc 9,6 na Vulgata.
Page 5CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
109
suas citações, mas entre elas há também uma carta em latim, escrita por uma pessoa desconhecida e sem destinatário, que exorta a apoiar os esforços de Chylinskis para traduzir a Bíblia para o lituano (3/2v); uma lista das despesas com a impressão da Bíblia, redigida em polonês (413/219); há registros que refletem acontecimentos da vida pessoal de Chylinskis, por exemplo: „Błogosław Panie w małżeńskim stanie“ (424/225)⁵, „Pan Bog nadzieję moją“ (424 /225). Alguns dos registros mencionados remetem ao texto do Antigo, e não do Novo Testamento: „Ecl. 5. v 13. moejelich belficheyt bingi rupetis“ (416/220v). No início do manuscrito, o tradutor indicou de próprio punho quando a tradução foi iniciada: „translacie zaczęłem w imieniu Panfkim d. 22 8bris 1657. w Oxforcie ftylo veteri“ (3/2v). Alguns registros ajudam a esclarecer por que Chylinskis corrigiu a tradução do NT; a partir deles é possível deduzir algumas coisas sobre a gênese da tradução:
„NB. loco stojos ubique ponendum nusidawę hoc enim est Lithuanicum“ 423/224v („NB. stojos deve ser corrigido em toda parte para nusidavė, pois assim é em lituano“);
„faska. matone. N.B. ponendum ubique“ 423/224v („taška. matone. N.B. inserir em toda parte“);
„ta fostą non tas Softas NB 424/225“ („ta sostą, não tas sostas“);
„Cephas per K an per C“ 423/224v („Cephas com K ou com C“);
„Pokutuje. gaylos už griekus. NB. ubique emendandum {...} Pakutawokite“ 424/225 („pokutuje gaylos už griekus. NB. deve ser corrigido em toda parte {...} Pakutawokite“);
„ubi est sulimilet. pone paligaylet. hoc n’est Lithuanicum.“ 424/225 („onde estiver sulimilet, põe paligaylet: isso não é lituano“);
„mielaßbyrdingas. pone sulimilstąs. NB“. 424 /225 („mielaßbyrdingas. põe sulimilstąs. NB“).
Como vemos, esses registros são, pelo menos em parte, instruções sobre como corrigir o texto (cf. emendandum „deve ser corrigido“).
Os registros relacionados ao uso e às correções dos locativos posposicionais são relevantes para investigar a influência das construções preposicionais do original no uso dos locativos posposicionais no texto principal e nas correções:
„jump. ad eos jop. ad eum“ 411/218;
“Joh.5.13. hebbeik u geschaffen rafzau jumuo. Ergo qdo est tot u. ad voo. jusump” 411/218
(„portanto, então, quando há tot u, ad vos, [é preciso traduzir jusump]“);
“muspi w nas. musimp u nas” 424/225.
Cabe considerar separadamente o que se pode inferir dos registros acerca dos modelos de correção
5 Portanto, Chylinskis também revisou a tradução depois de se casar. Chylinskis casou-se com a filha de Jonas Andrius Jurskis (Johannes Andreae Jurſki), que havia deixado a Lituânia. O casamento ocorreu em Königsberg, quando Chylinskis regressava de uma visita à Lituânia, onde, de 20 a 24 de agosto de 1661, participou da assembleia dos reformados lituanos em Kėdainiai. Foi precisamente nessa assembleia que se incumbiu Teodoras Skrodskis e Jonas Božimovskis de revisar a tradução de Chylinskis, e começaram as divergências públicas de Chylinskis com alguns reformados lituanos (Lukšaitė 1971: 92–99).
Page 6110 | GINA KAVALIŪNAITĖ
e sobre a importância de fontes individuais na edição do manuscrito. Esforços para associar sistematicamente as passagens correspondentes à fonte neerlandesa são atestados por observações como estas6.
„Segge (akau Sprekie kalbu“ 417/221; „hier aer7, to. hier in tame“ 415/220 ([ol.] hier aen [traduzir] to, [ol.] hier in [traduzir] tame); *, „werkiert. Act. 2. 41. nelabag“ 411/218; *, „Luc. 9. v. 45 verfton. ifzmanit. begrepen suprast. potius inverfo ordine ut ex loco patet Luc. 10. v. 21.“ 411/218 („antes pelo contrário, como se vê em Luc 10.v. 21“); *, „Gal. 6.v. 8. wertragen tingiet. veſlappen nuſtot NB“ 411/218; „barhertigh. Rom. 9.16. fuſimiſtſag“ 423/224v; „met innerlijcke ontferminghe beweeght zynde. Luc. 10.33. paſigaylėję“ 423/224v.
Não há dúvida de que as palavras escritas em neerlandês correspondem às palavras da fonte neerlandesa, às quais Chylinskis procurou associar equivalentes lituanos estáveis. Elas confirmam a autoridade da StB e o facto de Chylinskis a ter usado como fonte de tradução.
O estatuto das palavras latinas é completamente diferente. O latim é usado como metalinguagem:
“cortar feno. ružytis pandiculari ružaus. pandiculor” 423/224v; “harmonia. concordia” 423/224v.
Isto é ainda mais corroborado pelos casos em que os apontamentos apresentam, ao lado das unidades lexicais previstas para uso em passagens específicas, equivalentes latinos que diferem dos das passagens correspondentes da Vulgata. Assim, Chylinskis não relacionava as observações latinas com a Vulgata:
*, „Joh.5.13. hebbeik u gefchrewen rafzau jumuo. Ergo qdo eſt tot u. ad voo. juſump“ 411/218 („portanto, quando há tot u, ad vos, [traduzir] jusump“); *, „ſedens. participium prov. 20 v. 8“ 411/218.
Os apontamentos em polaco associados a equivalentes lituanos não podem ser interpretados de forma unívoca: o polaco também pode ser considerado uma metalinguagem. Onde os apontamentos apresentam palavras lituanas acompanhadas de equivalentes polacos, não há referências a passagens específicas do NT. Por isso, é mais provável que, ao traduzir do neerlandês, Chylinskis primeiro formulasse uma variante polaca e depois a transformasse em lituano:
„styrbarkey. deſki zrobione na kȢtałt drabini.“ 420/222v („styrbarkey. tábuas dispostas em forma de escada“); „grȝmot gaudimay. zabawimai tyſkania ſię“ 423/224v.
6 Apie žvaigždute pažymėtus įrašus yra rašęs Bernfriedas Schlerathas (2000: 279–290).
7 No manuscrito, este trecho está escrito hier aen. Os editores cometeram um erro ao decifrar a palavra neerlandesa.
Page 7CHYLINKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
111
Mesmo nos casos em que, ao lado de uma entrada em polonês com o correspondente em lituano, há uma referência ao texto do NT, cita-se não a fonte polonesa, mas a tradução lituana do próprio Chylinskis:
„kryfłe. zbło NB emendens [sic!] ut eft Luc. 6 41.“ 423/224v („kryfłe. zbło NB corrigindo como está em Lc 6,41“).
TRABALHOS PREPARATÓRIOS
Antes de iniciar este estudo, foram realizados trabalhos preparatórios. Em primeiro lugar, foram criadas versões digitais do NT de Chylinskis e das principais fontes da tradução. Como base da versão lituana, utilizou-se o texto transliterado do manuscrito publicado por Otębskis e Kudzinowskis. Ele foi digitalizado8, e as alterações no texto em relação à fotocópia do manuscrito9 foram descritas por meio de um sistema especial de marcação, de modo que fosse possível utilizar o programa de computador „Quest Edition“10. Os textos do NT da Bíblia de Gdańsk e da Statenbijbel foram compilados em computador11. Com o programa „Quest Edition“, os trechos editados do texto foram selecionados, agrupados e comparados com textos do NT em outras línguas.
TIPOLOGIA DAS ALTERAÇÕES
No total, o manuscrito do NT contém 5708 alterações, das quais 1493 são mudanças na ordem das palavras. Destacam-se dois tipos principais de alterações: 1) aquelas cuja influência das fontes não pode ser comprovada ou parece improvável e 2) aquelas sobre as quais as fontes da tradução podem ter exercido influência.
Em ambos os grupos há mudanças morfológicas, lexicais e sintáticas. Não raro, entre certas formas, sobretudo entre aquelas cujas variantes duplas eram usadas na língua da época, encontram-se alterações „nos dois sentidos“. Por exemplo, a terminação do dativo plural é frequentemente abreviada, mas também há casos em que uma terminação curta é alongada. O mesmo pode ser dito sobre a maioria dos outros tipos de alterações.
As alterações textuais independentes dos originais são de ortografia (por vezes <ą>, <ę> são substituídos por <an>, <en>; o sinal de palatalização é suprimido etc.), de morfologia (por vezes são alteradas as formas casuais dos substantivos; abrevia-se a flexão plural arcaica dos nomes-
8 O programa de digitalização „Recognita Select 2.0“ foi adaptado ao NT de Chylinskis por Audronė Stanislovaitienė. O texto foi digitalizado, com recursos da Comissão Estatal da Língua Lituana junto ao Seimas da República da Lituânia, no âmbito do „Programa de uso e desenvolvimento da língua estatal da República da Lituânia para 1996–2005“, pelas funcionárias do Grupo Editorial do Instituto da Língua Lituana Edita Bagaslaukaitė, Neda Marcinkienė e Danguolė Pukienė; a revisão de provas foi feita por Jolanta Pakalknyskytė.
9 Kudzinowski (1984). Deja, fotokopija yra labai prastos kokybės ir ja ne visada galima pasikliauti.
10 O programa de computador „Quest Edition“, destinado ao estudo dos textos hebraicos do Antigo Testamento, foi adaptado ao manuscrito de Chylinskis, conforme as sugestões da autora, pelo pesquisador associado da Faculdade de Teologia da Universidade de Greifswald, dr. Wolf Dieter Syring.
11 O texto do NT da GbB foi compilado, com recursos da Comissão Estatal da Língua Lituana junto ao Seimas da República da Lituânia, no âmbito do „Programa de uso e desenvolvimento da língua estatal da República da Lituânia para 1996–2005“, por Živilė Matijošienė; a revisão de provas foi feita por Birutė Mikalonienė. A versão digital do NT da StB foi preparada pela autora deste artigo, e Marija Senkuvienė ajudou a revisar as provas.
Page 8112 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
a terminação do dativo plural -mus; as formas longas dos pronomes com -jen são substituídas pelas formas simples; altera-se o gênero de algumas palavras que, na língua atual, têm apenas formas do gênero masculino; encurtam-se as terminações das formas verbais da primeira e da segunda pessoa do plural; elimina-se o formante do modo condicional -b- etc.), da sintaxe (corrigem-se alguns casos e construções de caso com preposições; por vezes, altera-se a posição do pronome enclítico m(i), t(i) e do pronome reflexivo s(i); o pronome reflexivo s(i) usado pela segunda vez na mesma palavra é por vezes eliminado, inserido, elimina-se ou substitui-se a partícula interrogativa enclítica ou posposta -gu; uma palavra átona, sem significado independente, é deslocada para a segunda posição etc.) e do léxico (prazutieo → prapultieo; βykβtoleyο ⇒ godulingejo; βwitplojα → wamzdzioja; tykiejomeə → dukle=lj/omeə etc.). Eles refletem características internas da língua lituana e não estão relacionados a diferenças de significado; por isso, a influência de outras línguas a priori parece improvável. Portanto, não serão examinados em detalhe neste artigo.
Determinar a extensão da influência das fontes da tradução sobre certos tipos de correções (substituição de orações subordinadas por construções participiais ou nominais e vice-versa, a maioria das correções de locativos pospostos, alterações da ordem das palavras etc.) exige uma análise específica. A extensão de um único artigo não permite abordar tantos dados; por isso, este artigo examina apenas os grupos de correções mais evidentes, inquestionavelmente condicionados pelas fontes da tradução.
ALTERAÇÕES CONDICIONADAS PELOS ORIGINAIS
CORREÇÕES DAS FORMAS VERBAIS DA SEGUNDA PESSOA DO SINGULAR E DO PLURAL NO INDICATIVO E NO CONDICIONAL.
No estrato principal de ChNT, a segunda pessoa do singular dos verbos é frequentemente corrigida para o plural e, inversamente, o plural é corrigido para o singular. Essa mistura na tradução de Chylinskis pode ter surgido porque, no neerlandês do século XVII, o antigo pronome da segunda pessoa do singular du já era usado muito raramente (Korne, Rinkel 1987: 37), e nem sequer aparece na StB. Seu lugar foi ocupado pelo antigo pronome da segunda pessoa do plural ghy, usado desde a Idade Média como forma de cortesia e posteriormente generalizado também para o singular (Toorn et al. 1997: 309–311). Assim, as formas verbais da segunda pessoa do singular e do plural coincidiram. De fato, na tradução de Chylinskis alternam-se formas verbais da segunda pessoa do singular e do plural (12x), cf.:
Mt 6,16 ChNT Que assim pasnikaughi → pasnikaujate StB Ende wanneer ghy valt GDb A Gdy pośćicie BrAB A Gdy pośćicie V Cum autem ieiunatis G ὅταν δὲ νηστεύητε
De modo semelhante, foram feitas alterações em Mt 6,1; Mt 6,7; Mt 6,16; Mk 6,10; Lk 8,5; Lk 23,40; Rom 4,7; ApD 16,36; ApR 18,4 etc. Nesses casos, as correções geralmente coincidem com todas as fontes de tradução possíveis; por isso, não podemos determinar com base em qual delas os erros foram corrigidos.
Page 9CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI | 113
Essa mistura de formas constitui um argumento importante que atesta que a Bíblia de Chylinskis foi traduzida a partir da StB.
MISTURA DAS FORMAS SINGULAR E PLURAL DOS VERBOS NO IMPERATIVO.
No ChNT, as formas da segunda pessoa do singular e do plural do imperativo também são diferenciadas de modo inconsistente. Essa confusão pode ter sido favorecida pela expressão peculiar do imperativo na língua neerlandesa dos séculos XVI–XVII. Na época, empregavam-se duas formas do imperativo: uma coincidia com o radical, e a outra era formada por radical + t. Com o tempo, os gramáticos passaram a recomendar o uso das formas sem -t ao dirigir-se a uma pessoa, e das formas com -t no plural e em tratamentos de cortesia. Contudo, essa tradição ainda não se havia estabelecido na língua da StB. No século XVII, ambas as formas eram usadas para expressar o singular do imperativo, ao passo que o plural era expresso apenas pela forma com o formante -t (Korne, Rinkel 1987: 43). O número do imperativo só podia ser determinado pelo contexto. Assim, Chylinskis muitas vezes não conseguia determinar o número da forma imperativa, o que levou ao surgimento de erros no texto principal, corrigidos com base em fontes adicionais de tradução:
Mt 6,1 ChNT Saugokis → Saugokites que a tua esmola → ſawo não faças → nedarytumbite diante das pessoas StB HEbt acht / dat ghy uwe aelmoeffe niet en doet voor de menſchen GdB STrzęśćie się ábyście jáłmużny wáßey nie czynili przed ludźmi BrAB STrzęśćie się / ábyście jáłmużny wáßey nie czynili przed ludźmi V Attendite ne iustitiam vestram faciatis coram hominibus G προσέχετε τὴν δικαιοσύνην ὑμῶν μὴ ποιεῖν ἔμπροσθεν τῶν ἀνθρώπων Lk 10,28 ChNT darykit → daryk tey, ó gífi StB Doet dat / ende ghy fult leven GdB to czyń / á będźieβ żył BrAB toż czyń á będźieβ żył V hoc fac et vives G τοῦτο ποίει καὶ ζήσῃ
De modo semelhante, foi alterado também em Mk 4,39 e noutros lugares. Erros desse tipo no texto principal confirmam mais uma vez que Chylinskis traduziu a partir da StB. As correções coincidem com todas as fontes adicionais.
CORREÇÕES DE GERÚNDIOS.
Os gerúndios são particularmente frequentes no NT de Chylinskis. A tradução também se distingue de outros textos antigos lituanos pela profusão de gerúndios. Entre as possíveis causas desse uso tão frequente dos gerúndios, a literatura mencionou a influência da língua polonesa (cf. Ambrazas 1962: 46). Vytautas Ambrazas também chamou a atenção para o fato de que Chylinskis, em alguns trechos, associava construções gerundiais ao nominativo, mesmo quando as passagens correspondentes do texto polonês não o favoreciam (Ambrazas 1962: 122). Em quase todos os lugares em que Chylinskis escreve um gerúndio, encontramos na StB um particípio que, em neerlandês, é invariável (só apresenta alguma flexão na posição atributiva). O uso tão frequente de particípios não é característico da língua neerlandesa, mas os tradutores da StB, seguindo a resolução do Sínodo de Dordrecht de 1618, mantiveram-se o mais próximos possível das línguas originais (grego e hebraico).
Page 10114 | Gina Kavaliūnaitė
ir gana tiksliai perteikė jų dalyvines konstrukcijas (Heinsius 1977: 149–151). Šias dalyvines konstrukcijas Chylinskis labai dažnai vertė padalyviais arba dalyvinėmis konstrukcijomis.
Em muitos trechos, o tradutor substituiu por outras formas verbais os gerúndios que correspondiam a particípios na StB. Ao todo, o manuscrito do ChNT contém 77 substituições de gerúndios. O frequente uso de gerúndios pode ter sido favorecido pela fonte neerlandesa da tradução, que não distingue, pela posição sintática, os particípios flexionáveis dos invariáveis. Das fontes de tradução grega, latina e neerlandesa, apenas esta última emprega particípios invariáveis, que se refletem como gerúndios na tradução de Chylinskis.
A substituição de gerúndios por particípios e formas participiais independentes pode ter sido influenciada pela fonte polonesa da tradução. Em comparação com os originais poloneses, destacam-se as seguintes tendências na substituição de gerúndios:
1) Quando, no texto lituano, um gerúndio ligado a um sujeito no nominativo corresponde, na fonte polonesa, a uma forma participial invariável, Chylinskis geralmente substituía o gerúndio por uma forma participial independente:
Mt 9,27 ChNT dujen akhujų → du aku ejo palfuky ghi βaukіant → βaukdamі e kalbant → kalbedami StB zijn hem twee blinde gevolgd / roepende ende seggende GdB βli zá nim dwá ślepi / wołając y mówiąc BraB βli zá nim dwá niewidomi / wołając y mówiąc V secuti sunt eum duo caeci clamantes et dicentes G ἠκολούθησαν αὐτῷ δύο τυφλοὶ κράζοντες καὶ λέγοντες
O gerúndio kalbant é substituído por uma forma participial independente em Mt 2,2. 2,13. 2,20¹². 3,14. 5,2. 8,25. 8,27. 8,29. 8,31. 9,14. 9,18. 9,30. 9,33. 10,5. 10,7. 12,10. 12,38. 13,3. 13,24. 13,31. 13,36. 14,15. 14,26. 14,33. 15,22. 15,23. 15,25. 21,23; Mk 2,12. 11,9 e outros lugares. Nessas passagens, o original neerlandês sempre traz um particípio seggende, e o polonês, um particípio invariável mowiąc (exceto em Mt 13,3, onde GdB tem a forma finita rzekł, e em Mt 21,23, onde BraB emprega a forma finita y mówili). Nas passagens mencionadas, V corresponde ao particípio dicens, dicentes. G traz os particípios λέγων, λέγοντες.
2) Quando, no texto polonês, a um particípio neerlandês traduzido para o lituano por um gerúndio corresponde uma forma participial flexionável, Chylinskis substitui o gerúndio por um particípio: kalbant → kalbąs, GdB mowiący, BraB mowiący, V dicere, G λέγουσα Mt 3,17; kalbant → kalbatą, GdB mowiącego, BraB mowiącego, V dicentem, G λέγοντος Mt 12,17; kalbant → kalbąty, GdB mowiącego, BraB mowiącego, V dicentem, G λέγοντος Mt 13,35; betayšant → betayšancius, StB vermakende, GdB oprawiających, BraB gdy oprawiali, V reficientes, G καταρτίζοντας Mt 4,21; befganančiu → befiganans, StB weydende, GdB páłacych się, BraB páłacá, V pascens, G βοσκομένη Mt 8,30; beledint → ledinčiu, StB sittende, GdB siedzący, BraB siedzący, V sedentes, G καθήμενοι Mt 20,30. Na StB, essas passagens correspondem a um particípio; nas fontes polonesas, a um particípio flexionável (exceto em Mt 4,21, onde BraB apresenta uma oração subordinada gdy oprawiali śieci /woie); V e G apresentam formas participiais.
12 Em ChNT Mt 2,20, BraB corresponde a Mt 2,19.
114
Page 11CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
115
Outro fenômeno que pode ter incentivado o uso de formas adverbiais é o accusativus cum infinitivo do original neerlandês. Em neerlandês, essa construção é usada com verbos que exprimem percepção como equivalente do accusativus cum participio grego (e latino). Muito provavelmente, a forma infinitiva invariável do original neerlandês determinou o uso frequente de formas adverbiais na tradução de Chylinskis, pois no século XVII o particípio invariável (característico do polonês antigo) já não era usado na construção accusativus cum participio em polonês (Klemensiewicz e.a. 1955: 431–432). Ao corrigir com base no texto polonês, quando este contém um particípio declinável, a forma adverbial é frequentemente substituída por um particípio:
Mt 3,16 ChNT e viu o Espírito Santo descendo → que descia como uma pomba, e vindo → que vinha sobre ele
StB e ele viu o Espírito de Deus descer / como uma pomba / e vir sobre ele
GdB e viu o Espírito de Deus descendo e vindo sobre ele
BRAB e viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele
V e viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre si
G e viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele
Mt 3,7 ChNT E viu muitos fariseus e saduceus vindo → que vinham ao batismo
StB E, vendo muitos fariseus e saduceus vir ao seu batismo
GdB E quando viu muitos dos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo
BRAB E quando viu muitos dos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo
V Vendo, porém, muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo
G E vendo muitos dos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo
Nos exemplos apresentados, o accusativus cum infinitivo – [agh den Geeft Godts neder dalen ende [...] komen bei siende vele van de Pharizeen ende Sadduceen [...] komen – da StB corresponde, na tradução de Chylinskis, à construção «viu o Espírito Santo descendo [...] vindo» e «e vendo muitos fariseus e saduceus vindo». Nas fontes polonesas, as formas adverbiais de ChNT correspondem aos particípios declináveis zstępującego y przychodzącego bei przychodzących. Com base nelas, Chylinskis substituiu as formas adverbiais da camada principal pelos particípios nuziengiancia, užžengiančią bei ateynanci[us]. Na Vulgata e no NT grego, empregam-se particípios nas passagens correspondentes.
No Evangelho segundo Mateus, as formas adverbiais são sistematicamente alteradas segundo os princípios enumerados. Apenas uma vez foi usada uma forma adverbial em lugar de uma forma verbal conjugada, for-
Page 12116 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
..., mas o tradutor, ao que parece, percebeu o próprio erro e o corrigiu: uzzengiant → uzzengie, StB is geklommen, GdB wflapi, BrAB wflapi, V ascendit, G ἀνέβη Mt 5,1.
Contudo, já no Evangelho segundo Marcos surgem também alterações inversas: zynodama → zynant, StB wetende, GdB wiedząc, BrAB wiedząc, V sciens, G εἰδώς; Mc 5,33; kalbedamo → kalbant, StB legg ende, GdB mówiąc, BrAB mówiąc, V dicens, G λέγων Mc 15,36; e também, nas construções accusativus cum participio, mais adiante no texto, o particípio é substituído pelo gerúndio:
Mc 13,26 ChNT Ó tada išvios Sunu žmogaus ateynanti → ateynant debesile StB Ende als dan fullen ſy den Sone des menſchen ſien / komende in de wolcken GdB A tedy ujrzą Syná człowieczego przychodzącego w obłokách BrAB A tedyć ujrzą Syná człowieczego przychodzącego ná obłocéch V Et tunc videbunt Filium hominis venientem in nubibus G καὶ τότε ὄψονται τὸν υἱὸν τοῦ ἀνθρώπου ἐρχόμενον ἐν νεφέλαις
Já a partir de MkE, o tradutor tentou restabelecer as formas de gerúndio; elas também se tornam consideravelmente mais numerosas no final do manuscrito, inclusive em passagens não corrigidas. As correções de gerúndio ocorrem sobretudo no Evangelho segundo Mateus (55x), enquanto nos restantes livros do NT (onde, na maioria das vezes, o particípio é substituído pelo gerúndio) há muito menos correções desse tipo: uma ou duas em cada livro do NT (22x ao todo). Portanto, pode-se concluir que a fonte polonesa influenciou a substituição dos gerúndios por particípios e gerúndios adverbiais: em todos os casos mencionados de correção de gerúndios para particípios e gerúndios adverbiais (exceto Mt 3,17), o texto latino apresenta um particípio; neste caso, não se pode discernir a influência da Vulgata nas correções, pois os particípios presentes na Vulgata não permitiriam explicar por que, em alguns lugares, o gerúndio é substituído por um particípio e, em outros, por um gerúndio adverbial; as substituições de gerúndios por gerúndios adverbiais ou particípios coincidem sistematicamente apenas com os originais poloneses; GdB e BrAB quase nunca diferem nessas passagens, pelo que não é possível dizer qual dessas traduções serviu de base às correções. Por outro lado, o uso, em lituano, de gerúndios associados ao sujeito no nominativo é incorreto, e o sentimento linguístico pode ter levado o tradutor a substituir os gerúndios por gerúndios adverbiais. As alterações inversas, em que as formas de gerúndio foram restabelecidas, já não dependem das fontes da tradução. Do mesmo modo, o uso mais frequente de gerúndios no texto subsequente não é condicionado pelos originais. Tal inconsistência indica antes que o tradutor hesitava e não conseguia decidir quais formas — participiais, de gerúndio adverbial ou de gerúndio — eram mais corretas e adequadas. ALTERAÇÕES DOS LOCATIVOS POSPOSTOS. O manuscrito ChNT contém 174 correções de locativos pospostos. Depois de analisar preliminarmente a relação entre os locativos pospostos usados no texto principal e as fontes da tradução, e de comparar os resultados com a relação entre as alterações dos locativos pospostos e os originais, concluiu-se que as fontes da tradução não influenciaram a maioria das correções dos locativos pospostos. Algumas correções isoladas, porém, dependem das construções presentes nos originais. Em geral, nesses lugares, a camada principal coincide com as fontes polonesas, enquanto a correção coincide com StB.
Page 13CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
117
De acordo com a fonte neerlandesa, o adesivo foi substituído por uma construção preposicional:
2Cor 13,3 ChNT Kadagi ießkote žymeo Chriſtuſo kurſey kalba manimpi, kurſey juſlimp ira ne filipna, bet gauho ⇒ silingu <ira> juſlimp → terp julu StB Dewijle ghy foeckt een proeve Chriſti die in my ſpreekt/ welcke in u niet fwack en is / maer krachtigh is onder u GdB Ponieważ chcećie doświadczyć tego ktory we mnie mowi / CHryſtuś; ktory ku wam nie ieſt ſłaby / ále mocny ieſt w was BrAB Gdyź łukacie doświadćienia Kryſtuśá ktory we mnie mowi / kktóryć przeciwko wam nie ieſth krewki / ále w was ieſt moźny V quoniam experimentum quaeritis eius, qui in me loquitur, Christi, qui in vos non infirmatur sed potens est in vobis G ὃς εἰς ὑμᾶς οὐκ ἀσθενεῖ ἀλλὰ δυνατεῖ ἐν ὑμῖν
Os adesivos usados no texto principal manimpi e juſlimp (2x) correspondem, em GdB, a we mnie, ku wam e w was; em BrAB, a we mnie, przeciwko wam e w was; e, em V, a in me, in vos, in vobis. Estes são equivalentes característicos do adesivo nas fontes da tradução. Os adesivos de ChNT também coincidem com as construções de StB in my e in u; contudo, a construção juſlimp correspondente à segunda, onder u, normalmente não se traduz por um adesivo e, tendo isso em conta, Chylinskis substituiu-a por terp julu. Nos originais, os equivalentes característicos do alativo são as construções neerlandesas tot + Dat., aen + Acc. e polonesas do + Gen., ku + Dat. No exemplo apresentado, o alativo foi substituído pelo infinitivo devido à influência de StB:
Tg 1,19 ChNT koznąć t’eſt greytao ktauſimop → ktauſit, neweykuo kalbolp → kalbet neweykuo ruſtibelp StB een yegelijk menſche zy raſch om te hooren / traegh om te ſprecken / traegh tot toom GdB niech będźie každy cźłowiek prętki ku ſłuchániu / ále nierychły ku mowieniu y nierychły ku gniewowi BrAB niech wſzelki cźłowiek będźie predki ku ſłuchániu / á nierychły ku mowieniu y leniwy ku gniewowi V Sit autem omnis homo velox ad audiendum, tardus autem ad loquendum et tardus ad iram G ταχὺς εἰς τὸ ἀκοῦσαι, βραδὺς εἰς τὸ λαλῆσαι, βραδὺς εἰς ὀργήν
Os alativos do texto principal ktauſimop, kalbolp e ruſtibelp correspondem, nas fontes polonesas, às construções ku + Dat; na Vulgata, a ad + Abl; e, em StB, nos dois primeiros casos, a om + INF, e, no terceiro, a uma construção que normalmente corresponde ao alativo, tot + DAT. Tendo em conta o texto neerlandês, Chylinskis substituiu o alativo pelo infinitivo onde ele corresponde a om + INF, mas manteve inalterado o alativo ruſtibelp, correspondente a tot toorn. O facto de o alativo ser substituído pelo infinitivo precisamente devido à influência de StB fica evidente porque, no único caso em que StB apresenta uma construção preposicional com substantivo, Chylinskis manteve inalterado o alativo ruſtibelp.
Page 14118 | GINA KAVALIŪNAITĖ
Nos exemplos apresentados de substituição dos locativos posposicionais em 2Cor 13,3 e Tg 1,19, o adesivo e o alativo, que correspondem no texto principal às fontes polacas, foram substituídos segundo a StB quando a fonte neerlandesa emprega correspondentes atípicos do adesivo e do alativo. Podem apresentar-se ainda mais exemplos em que a influência dos originais nas substituições dos locativos posposicionais é evidente, mas estes constituem apenas uma pequena parte do conjunto de correções deste tipo. A causa da maioria das substituições dos locativos posposicionais só poderá ser determinada após um estudo aprofundado do seu uso no texto principal, da sua relação com os originais e da comparação com as tendências das correções. Por ora, limitar-nos-emos a constatar que, nos trechos editados em que a camada principal da tradução se afasta da StB e coincide com as fontes polacas, a correção foi feita com base na StB.
ALTERAÇÕES DAS CONJUNÇÕES NO INÍCIO DA FRASE.
Para determinar as causas da frequente alternância das conjunções, é preciso comparar as conjunções usadas no texto principal com os originais. Em muitos casos, as conjunções coincidem no ChNT e em todas as possíveis fontes da tradução:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 2,11 E Y Y Ende et καί Mt 6,13 E/mas Y/ale Y/ale Ende/maer et/sed καί/ἀλλά Mt 3,14 Mas Ale Ale Doch autem δέ
Contudo, os casos mais frequentes são aqueles em que as conjunções usadas por Chylinskis coincidem com uma ou várias, mas não com todas as possíveis fontes da tradução:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 1, 3-16 Ó A 3 Ende autem δέ Mt 3,1 O A A Ende autem δέ Mt 3,2 E A Y Ende et [καί] Mt 3,10 O A A Ende enim δέ Mt 2,22 Mas LecƷ Ale Maer autem δέ
Note-se que as conjunções usadas no ChNT não coincidem de forma consistente com nenhum dos possíveis originais. Devido a esta variação, podemos considerar, provisoriamente, as conjunções usadas no ChNT como exemplos de tradução livre.
No início da frase, as conjunções coordenativas são particularmente substituídas com frequência: e → mas (59x), mas → e (18x), mas → mas (8x), mas → mas (2x), mas → e (3x), e → mas (2x). Em vez da conjunção aditiva e, emprega-se uma conjunção de contraste/contraste adversativo; já no ChNT ela desempenha frequentemente não só a função de oposição, mas também a de conjunção aditiva, enquanto mas exprime sempre apenas oposição.
No ChNT, mas corresponde de modo bastante consistente, na fonte neerlandesa, a maer e doch. Na StB, as conjunções usadas no ChNT, e e mas, correspondem mais frequentemente à conjunção ende, que exprime tanto adição como oposição:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 3,9 E A A Ende et καί Mt 4,21 Mas A Thedy Ende Et καί
Page 15CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
119
Mt 3,15 Mas A A Maer autem δέ Mt 4,4 Mas A Ale Doch – δέ
Assim, o original neerlandês e → ou, bem como ou → e, não poderia ter motivado alterações desse tipo. A comparação das conjunções usadas por Chylinskis com a Vulgata e o NT grego não revelou regularidades: tanto e de Chylinskis, como ou, como mas correspondem indiscriminadamente, na Vulgata e no NT grego, a et, autem, enim, sed ou at e καί, δέ ou ἀλλά:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 6,20 Mas Ale Ale Maer autem δέ Lk 6,1 E Y – ende autem δέ ApD 10,11 E Y – Thedy et καί Mt 3,16 O A A Maer autem δέ
As alterações do tipo e → ou e ou → e poderiam ter sido motivadas, quando muito, pela fonte polaca da tradução: no texto polaco usa-se a conjunção aditiva y e a conjunção aditivo-adversativa a. A oposição é assinalada em polaco pela conjunção ale. Contudo, a comparação com GdB e BrAB também não permitiu resolver a questão da alternância das conjunções: na tradução há passagens em que a alternância das conjunções pode ter sido motivada por GdB:
ChNT GdB BrAB StB V G ApD 3,25 E → Mas A – Ende Et καί ApD 8,17 e → mas á y ende et δέ
Por outro lado, podem apresentar-se tantos exemplos em que o texto ou a alteração da camada principal se afasta de GdB e se aproxima de BrAB:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 8,31 Mas → E – A Ende autem δέ ApD 27,21 e → mas – a ende – –
Por vezes, a influência da fonte da tradução não pode ser explicada, de modo algum, pela escolha de uma ou outra conjunção em ChNT:
ChNT GdB BrAB StB V G Mt 4,3 Mas Y Y Ende et καί
O facto de, no texto neerlandês, a conjunção ende ser usada tanto para expressar adição como oposição, e de o uso destas conjunções variar nas fontes complementares da tradução, pode ter motivado o tradutor a alterar tão frequentemente as conjunções no início da frase. Sem seguir consistentemente qualquer uma das fontes de tradução, o tradutor escolhia a conjunção adequada de acordo com o contexto.
ALTERAÇÕES DOS PRONOMES POSSESSIVOS. No texto da camada principal, afastando-se dos originais, Chylinskis usava frequentemente o pronome possessivo savo com sentido reflexivo para todas as pessoas-
Page 16120 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
nims, como é habitual em lituano. Mas as alterações do texto mostram que o tradutor não estava seguro da sua escolha e substituía savo por mano, tavo, jūsų, jo, jų (20x):
Lc 16,6 ChNT pega a tua conta ławo → tawo StB Neemt uw’ hant schrift GdB Weźmi zapis twoj BrAB Weźmi tablice twe V Accipe cautionem tuam G δέξαι σου τὰ γράμματα
A maioria das alterações deste tipo encontra-se nos Evangelhos segundo Mateus e Lucas. A língua lituana, tal como a polaca, emprega formas especiais reflexivas dos pronomes possessivos para as três pessoas (em lituano, trata-se da forma genitiva possessiva do pronome reflexivo, e em polaco, de um pronome possessivo declinável). Na terceira pessoa, é obrigatório distinguir o pronome reflexivo do não reflexivo, mas na primeira e na segunda pessoas, nos textos antigos, sob a influência de outras línguas, são frequentemente usadas também formas coincidentes com as não reflexivas. Pelas mesmas razões, Chylinskis pode ter sido levado a usar, nesses casos, mano, tavo, mūsų, jūsų.
A língua neerlandesa não possui pronomes possessivos reflexivos especiais: não se distinguem as formas reflexivas das não reflexivas, não só na primeira e na segunda, mas também na terceira pessoa. Assim, nos casos em que Chylinskis usa as formas não reflexivas jo, jos, jų em vez das formas reflexivas, a influência só pode ter sido neerlandesa, e não polaca (há várias alterações determinadas por uma fonte neerlandesa: Mt 3,16, Mt 13,43 e Rom 3,25):
Rom 3,25 ChNT e para demonstração da tey[ibeç ławo ⇒ io ⇒ ławo, pelo perdão dos pecados StB tot een betooninge van zijne rechtveerdigheyt / door de vergevinge der sonden GdB ku okazániu [prawiedliwości twojej / przez odpußczenie przed tym popełnionych grzechow BrAB ku okazániu [prawiedliwości twojej / dla odpußczenia grzechow przeszłych V ad ostensionem iustitiae suae, cum praetermisset praecedentia delicta G εἰς ἔνδειξιν τῆς δικαιοσύνης αὐτοῦ διὰ τὴν πάρεσιν τῶν προγεγονότων ἁμαρτημάτων
Mais raramente, mano, tavo, jo, jūsų, usados no texto principal devido à influência das fontes, eram substituídos por savo (8x):
Ef 5,25 ChNT Wirey mėkite moterią jufu → [awo StB Ghy mannen / hebt uwe ey gene vrouwen lief GdB MEżowie miłujcie żony wábe BrAB Wy mę żowie miłujcie żony wábe V Viri, diligite uxores (em alguns manuscritos + vestras)
Page 17CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
| 121
G οἱ ἄνδρες, ἀγαπᾶτε τὰς γυναῖκας (em alguns manuscritos + ὑμῶν)
Levado pelas regularidades internas da língua lituana, o tradutor empregou o pronome possessivo savo com valor reflexivo para todas as pessoas; contudo, as fontes da tradução impunham o uso de mano, tavo, jo, jūsų nessa posição. Esta é também a principal razão para a substituição tão frequente dos pronomes.
ALTERAÇÕES LEXICAIS. Podemos dividir as alterações lexicais em vários grupos, de acordo com as fontes do estrato principal e das revisões: o texto principal coincide com StB e foi revisto com base numa fonte polaca; o texto principal coincide com fontes polacas e foi revisto com base em StB; o texto principal foi traduzido livremente e a revisão coincide com todos os originais possíveis.
1. O facto de Chylinskis ter usado uma fonte polaca ao editar o manuscrito é demonstrado por numerosas alterações lexicais. O léxico do texto principal foi escolhido segundo StB, e a revisão foi feita com base nos originais polacos. Isso é atestado pelas seguintes passagens:
Mc 15,16 ChNT Os soldados levaram-no ao palácio, isto é, ao Suda namofna → Rotußyn StB Ende de krijgh[knechten leydden hem binnen in de żale / welck is het rechthuys GdB Lecż żołnierze wprowadźili go do dworu / to iełt do Ratußa BraB Y wwiodbÿ go żołnierze do dwora / to iełt do ratuβa V Milites autem duxerunt eum intro in atrium, quod est prætorium G οἱ δὲ στρατιῶται ἀπήγαγον αὐτὸν ἔσω τῆς αὐλῆς ὅ ἐστιν πραιτώριον
O Suda namofna do texto principal corresponde ao rechthuys de StB, ao passo que a alteração aproxima a tradução de GdB e BraB. Neste caso, as unidades lexicais de V e G diferem da tradução de Chylinskis.
Nos exemplos seguintes, o manuscrito foi revisto com base numa fonte polaca:
Lc 10,31 ChNT passou ao largo → contornou StB gingh hy tegen over [hem] voorby GdB pominął BraB Minął go V Praeterivit G ἀντιπαρῆλθεν Lc 10,32 ChNT [mas passou ao largo → também contornou StB ende gingh tegen over [hem] voorby GdB pominął BraB Minął V Pertransiit G ἀντιπαρῆλθεν
Page 18122 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
A camada principal de ChNT passou ao lado aproxima-se mais de StB e G, enquanto a alteração e aple-kia correspondem a GdB e BrAB. Na Vulgata, esta passagem tem duas correspondências diferentes: praetervit e pertransiit.
Em Mt 12,46 e 2Cor 1,15, a camada principal da tradução de Chylinskis coincide com StB, V e G, ao passo que a alteração corresponde às fontes polacas:
Mt 12,46 ChNT ƒtoweją ore jebkodami → noredami [ų jo kalbet → kalbet ƒu jo StB ƒtonden buyten / loeckende hem te spreken GdB Itali przed domem / chcąc z nim mówić BrAB ƒthali ná dworze chcąc z nim mówić BB V stabant foris quaerentes loqui ei G αὐτοῦ εἰστήκεισαν ἔξω ζητοῦντες αὐτῷ λαλῆσαι 2Kor 1,15 ChNT idand turetumbite antrą łoska ⇒ gieradeift{…} na margem: NB StB op dat ghy een tweede genade foudt hebben GdB ábyśćie wtore dobrodźiejftwo odebrali BrAB ábyśćie wtore dobrodźiejftwo mieli V ut secundam gratiam haberetis G ἵνα δευτέραν χάριν σχῆτε
Em 2Cor 1,15, łoska é o correspondente lexical habitual do polaco antigo genade (G χάρις, V gratia). Nas fontes polacas, este termo é normalmente traduzido por łaska. Tendo em conta a palavra dobrodźiejftwo usada neste passo nas fontes polacas, Chylinskis acrescentou ainda no seu manuscrito a palavra geradeift{e}., traduzida do polaco morfema por morfema.
2. Há relativamente poucos casos em que o texto principal da tradução de ChNT difere de StB e se aproxima dos originais polacos. A influência da fonte polaca no texto principal é mais evidente na escolha de equivalentes lexicais-semânticos:
Mt 14,6 ChNT Mas, quando apiwaykβczynejo → apiwaykβczyneta buwo diena da família → nascimento de Herodes StB Maer als de dagh van Herodis geboorte gehouden wiert GdB GDy tedy obchodzono o dia do nascimento de Herodes BrAB GDy tedy obchodzono o dia do nascimento de Herodes V Die autem natalis Herodis G γενεσίοις δὲ γενομένοις τοῦ Ἡρῴδου
Em ChNT, apiwaykβczynejo é um decalque da fonte polaca e difere de V e G. Segundo StB, a forma desta palavra foi corrigida.
Mt 5,42 ChNT Dá àquele que praβo → meldzia (o quê) de ti StB Geeft den genen die [yet] van u bidt GdB Temu co cię prosi / dá BrAB Themu ktory cię prosi / day V Qui petit a te, da ei G τῷ αἰτοῦντί σε δός
Page 19CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI
123
Em Mt 5,42, o significado da palavra escolhida com base na fonte polonesa foi precisado levando em conta a StB. Correções de tipo semelhante aparecem em Mt 3,17; Mt 17,5; Mt 23,3; Mk 2,19 e outros.
3. Os equivalentes semânticos lexicais escolhidos livremente no texto principal e suas correções revelam uma característica marcante da técnica de tradução de Chylinskis: ao traduzir, o autor frequentemente escolhia palavras de significado mais amplo e, ao revisar, especificava-as de acordo com as fontes da tradução. Essa característica da tradução de Chylinskis é muito bem ilustrada pelas alterações da palavra kraštas, que tem vários equivalentes diferentes nos originais:
Mt 21,42 ChNT então a cabeça dos construtores krabto ⇒ kierłes
StB este se tornou uma cabeça des hoecks
GdB este se tornou uma cabeça węgielną
BrAB tornou-se a pedra angular
V isto se tornou a esquina
G Este tornou-se a pedra angular
1Pt 2,7 ChNT łtojos głowa krabto → capô ⇒ angular
StB tornou-se uma pedra angular
GdB tornou-se a pedra angular
BrAB tornou-se o principal na pedra angular
V Este tornou-se a cabeça da esquina
G Este tornou-se a cabeça da esquina
Lk 16,24 ChNT kad pamiriktu krabta → bigode → ponta do dedo
StB que ele mergulhe a ponta do seu dedo na água
GdB para que molhasse a ponta do seu dedo na água
BrAB para que molhasse a ponta do seu dedo na água
V para que molhe extremum do seu dedo na água
G para que molhasse a ponta do seu dedo na água
Mt 9,20 ChNT tocou franja ⇒ Squer⟨n⟩as da sua roupa
StB tocou na zoom bainha do vestido
GdB tocou na podotką sua roupa
BrAB Tocou na orla da sua roupa
V tocou na fimbriam da sua roupa
G tocou na orla da sua roupa
ApD 5,16 ChNT dos que jaziam ao redor ⇒ dos que viviam ao redor → vizinhos
StB dos que estão ao redor
GdB dos vizinhos
BrAB –13
V das cidades vizinhas
G das cidades vizinhas
ApD 27,12 ChNT E que krabtaσ ⇒ portaσ era desfavorável para invernar → invernar
StB Ende alfoo de haven era inconveniente para invernar
13 Os exemplares da Bíblia de Brasta conservados na biblioteca da IMA são defeituosos, sem páginas de rosto e com algumas folhas em falta, especialmente no início e no fim do livro. Por isso, não podemos apresentar alguns exemplos da Bíblia de Brasta.
Page 20124 |
Gina Kavaliūnaitė
GdB E quando não havia porto adequado para invernar BrAB E quando não havia porto propício para invernar V Et cum apertus portus non esset ad hiemandum G ἀνευθέτου δὲ τοῦ λιμένος ὑπάρχοντος πρὸς παραχειμασίαν
A uma palavra do texto principal de ChNT, kraštas, correspondem cinco unidades lexicais de significados diferentes em StB: hoeck, uyterste, zoom, stadt ir haven. Nas fontes polacas e nos trechos correspondentes de V e G também há equivalentes de significados diferentes, cujos sentidos correspondem adequadamente aos dos vocábulos usados em StB e são mais específicos do que o sentido de kraštas na tradução de Chylinskis. As correções kraβto ⇒ kiertes; kraβto → kaβo ⇒ kaμπiniu; kraβtą → wirβu → gatą; kraβta ⇒ Squemas; kraβtu → βaliu; kraβtaσ ⇒ portao correspondem a todos os originais possíveis e especificam o sentido da unidade lexical do texto principal, traduzida livremente.
Em Mt 21,42 e 1Pt 2,7, os trechos corrigidos de ChNT kraβto ⇒ kiertes e <kraβto → kaβo> ⇒ kaμπiniu correspondem na Bíblia de Brasta a duas construções diferentes, v wegtą e w wegtu; essa diferença não se reflete no manuscrito de Chylinskis. Nas restantes fontes, os trechos correspondentes coincidem com as alterações de ChNT.
Nos outros exemplos, nos originais, os trechos corrigidos por Chylinskis correspondem a palavras de sentidos muito próximos, pelo que não é possível determinar qual das fontes possíveis serviu de base à revisão da tradução.
De modo semelhante, palavras de sentido mais geral são traduzidas e, durante a revisão, especificadas; é o caso de moteris, dangus e outras:
ApD 6,1 ChNT moter{...} → naβleσ pois era → budawo apayłfoo StB hare weduwen [...] verfuymt wierden GdB byhy źániedbywáne [...] wdowy ich BrAB byby gár{...} wdowy ich V eo quod neglegerentur [...] viduae eorum G παρεθεωροῦντο [...] χῆραι αὐτῶν
1Tim 5,14 ChNT Quero, portanto, que as jovens moterig → (naβleσ) se casem StB Ick wil dan dat de jonge [weduwen] houwelicken GdB Chçę tedy áby młodβe βły zá mąż BrAB Chçę tedy áby młodβe βły zá mąż V Volo ergo iuniores nubere G Βούλομαι οὖν νεωτέρας γαμεῖν
Mk 9,7 ChNT e eis dangauσ → debeleσ veio uma voz StB ende eene stemme quam uyt de wolcke GdB á przββedł głos z obłoku BrAB á pochodził głos z obłoku Mk 9,6¹⁴ V et venit vox de nube G καὶ ἐγένετο φωνὴ ἐκ τῆς νεφέλης
14 Em ChNT, Mk 9,7 corresponde a Mk 9,6 na Vulgata.
Page 21CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI | 125
De modo análogo aos exemplos anteriores, no texto principal, as palavras de sentido mais geral moterys e dangus foram especificadas e corrigidas, durante a revisão, para našlės e debesīs. A correção de 1Tim 5,14 moterys → (našlės) surgiu sob a influência de StB, pois não há correspondência para našlės em nenhuma das outras fontes possíveis. É difícil dizer com base em que se corrigiu įb dangau → debelieg, uma vez que as correspondências nas fontes coincidem.
Há um número relativamente elevado de alterações lexicais desse tipo, em que o significado das unidades lexicais do original é generalizado durante a tradução e depois especificado na revisão com base nas fontes da tradução.
Entre as outras correções lexicais, destacam-se as alterações de sakyti e kalbėti. No fim do manuscrito há uma anotação que relaciona essas palavras com os equivalentes de StB: «Jegge fakau [prekie kalbu» (417/221). Isso significa que se decidiu traduzir leggen de StB por sakyti, e [preken – kalbėti.
As correções no manuscrito não refletem de forma consistente essa decisão: leggen é associado a sakyti, e [preken a kalbėti (kalbėjo → palakie – gefeght hadde Jn 2,22; kalbėjo – gefproken Jn 2,22; kalbu ⇒ fakau – legge Mt 18,19; kalbekite → kalbekit → fakį/ki/t – fegget Mt 10,27; kalba → fako – feggen Rom 3,8); por vezes, porém, afasta-se do princípio anotado no fim do manuscrito: kalba ⇒ (fako) – [preekt 1Kor 14,2; kalbėjo → tare – feyden ApD 14,11; Kalbėjo → Tare – feyde Mt 26,31.
No texto principal, esses verbos são frequentemente traduzidos segundo o princípio mencionado: fakau – fegge GAL 3,17; de modo análogo, Mt 10,27; ApD 11,4; ApD 5,36; GAL 5,16; kalba – [preekt 1Kor 14,2, entre outros. Contudo, por vezes, a ChNT emprega outros verbos para traduzir leggen e [preken de StB: tare – feyde ApD 25,10; palakie → fakie – [prekende ApD 10,27; kalbame – feggen Rom 3,8; kalbetumbime – dat wy leggen Rom 3,8; (kalbedamo:) – [[leggen-de] ApD 16,36.
Com base nessa inconsistência no texto principal e nas correções, pode-se supor que a nota mencionada no fim do manuscrito tenha sido provavelmente escrita quando a tradução já estava concluída. Os numerosos indícios (sublinhados, notas com a marca N.B., a manutenção frequente de pelo menos duas variantes de tradução para a mesma passagem, entre outros) mostram que o manuscrito não estava completamente revisto. As correções inconsistentes indicam que o tradutor hesitou durante muito tempo quanto à tradução de palavras específicas. (Além disso, algumas correções podem ser as chamadas correções improvisadas, que, em certo sentido, podem ser consideradas parte do texto principal.) A decisão final foi anotada no fim do texto e, presumivelmente, ao continuar a revisão ou ao transcrever o texto, o tradutor pretendia levar essa nota em conta.
CONCLUSÕES
1. PROCESSO DE TRADUÇÃO E REVISÃO. A distribuição irregular das correções pelo texto mostra que, depois de concluir a tradução do NT, Chylinskis começou a rever a sua tradução segundo determinados critérios (corrigindo a ortografia, abreviando as terminações do dativo plural, corrigindo os particípios adverbiais, entre outros aspectos), mas esse trabalho ficou inacabado: quase todo o Evangelho segundo Mateus foi revisto de forma sistemática, metade dos Atos dos Apóstolos foi revista com bastante atenção, e os outros livros do NT receberam apenas correções esporádicas. No fim do manuscrito, foi anotado o que deveria ser corrigido na tradução, mas as passagens correspondentes no texto foram alteradas de forma inconsistente. Ao que parece, o tradutor pretendia transcrever o manuscrito ou, pelo menos, revê-lo mais uma vez e corrigi-lo de acordo com as notas que havia feito.
Page 22126 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
Alguns tipos de alterações são inconsistentes: há formas ou construções que, no início da tradução, são sistematicamente substituídas por outras, mas que mais tarde deixam de ser corrigidas ou até são restabelecidas (trata-se, em sua maioria, de correções independentes da tradução — correções de formas adverbiais, substituições do pronome possessivo *savo* por *mano*, *tavo* etc.). A maioria dessas «correções regressivas» não depende das fontes da tradução; revela certa hesitação do tradutor e sua incapacidade de decidir que forma ou construção empregar. Uma das razões dessa hesitação poderia ser o fato de que, quando traduziu e editou o NT, Chylinskis já vivia havia muitos anos em um ambiente estrangeiro15 e não tinha contato com a língua lituana viva; por isso, não surpreende que se sentisse inseguro quanto às palavras e construções lituanas que empregava. Além disso, a tensão perceptível na tradução e nas correções pode ter sido parcialmente causada pela reação crítica dos reformados da Lituânia à sua tradução e pelos conflitos constantes com Jan Krzysztof Kraiṅski, delegado dos calvinistas lituanos na Inglaterra.
O fato de algumas unidades lexicais do original terem sido traduzidas por equivalentes de significado mais amplo e, durante a edição, terem sido precisadas e especificadas, permite supor que Chylinskis se apressou ao traduzir o NT.
2. FONTES DA CAMADA PRINCIPAL. O fato de a camada principal ter sido traduzida da StB é indicado adicionalmente (além do que já havia sido estabelecido) por características da tradução que só podem ser explicadas pela estrutura da língua neerlandesa (a não distinção entre a segunda pessoa do singular e do plural no indicativo e no imperativo, o uso particularmente frequente de formas adverbiais etc.).
As correspondências entre a camada principal e os originais poloneses são, em sua maioria, lexicais. Ao avaliar a influência da fonte polonesa sobre a tradução de Chylinskis, a importância das correspondências entre unidades lexicais é relativamente menor que a das sintáticas, pois elas podem simplesmente refletir o léxico polonês de um tradutor que conhecia bem o polonês (talvez até melhor que o lituano?). Portanto, as correspondências lexicais ainda não constituem prova suficiente de que uma fonte polonesa foi usada na tradução. A influência do original polonês se manifesta mais claramente nos casos em que os locativos pós-posicionais da camada principal correspondem às fontes polonesas e diferem da StB.
No início das frases, as conjunções usadas por Chylinskis não correspondem sistematicamente a nenhuma das possíveis fontes da tradução. A divergência entre as conjunções nas diferentes fontes pode ter levado o tradutor a substituí-las com frequência. Além disso, as mudanças do tipo ir → o e o → ir podem ter sido influenciadas pelo bom domínio que o tradutor tinha do polonês (não necessariamente por uma fonte polonesa específica).
3. FONTES DA EDIÇÃO. Ao editar o manuscrito, o original polonês ajudou Chylinskis a interpretar corretamente as formas da StB que eram formalmente pouco diferenciadas (particípios) e ambíguas (indicativo e imperativo da segunda pessoa). A comparação mostra que, nesses casos, as correções foram feitas com base na fonte polonesa.
Ao editar a tradução, Chylinskis baseou-se sobretudo na StB. Durante a edição, os equivalentes de significado mais geral das unidades lexicais do original eram frequentemente precisados e especificados em re-
15 A partir de 1654, Chylinskis foi estudante de teologia na Academia de Franeker (Album Studiosorum 1968: 162). As anotações no manuscrito informam que ele começou a traduzir o NT em 22 de outubro de 1657, e há motivos para supor que, no final de 1661, ainda fazia, em maior ou menor medida, correções em seu manuscrito.
Page 23CHYLINSKIO NT VERTIMAS IR ŠALTINIAI | 127
observando as fontes. A maioria das correções coincide com todas as fontes da tradução, mas em alguns casos é possível ver que foram feitas com base na StB. A importância da StB na edição da tradução é atestada pelas anotações em neerlandês com equivalentes lituanos e referências a passagens específicas do NT, encontradas no final do manuscrito, bem como pelas anotações que refletem os esforços do tradutor para relacionar passagens específicas da tradução com o texto neerlandês («Legge ſakau įprekie kalbu» 417/221). Não há anotações que indiquem uma importância semelhante da fonte polonesa. Em lituano, a habitual leitura reflexiva foi expressa pelo pronome possessivo savo. Chylinskis alterou para mano, tavo, jo. A alteração para mano, tavo também pode ter sido motivada pelos originais poloneses, mas alterações do tipo savo → jo só poderiam ter surgido sob a influência do original neerlandês.
4. O PAPEL DAS ANOTAÇÕES NO INÍCIO E NO FINAL DO MANUSCRITO.
Estas anotações confirmam mais uma vez que Chylinskis traduziu a partir da StB e que esta Bíblia era para ele a autoridade mais importante. Não há anotações que reflitam o texto da Vulgata. O latim é aqui usado como metalinguagem. Nem sempre é fácil distinguir quando as anotações em polonês refletem a fonte da tradução ou da revisão e quando o polonês é usado como metalinguagem. Praticamente não há anotações que possam ser inequivocamente associadas a uma fonte polonesa de tradução ou revisão.
A anotação «N.T. ex versione et editione Brestensi editum in 4º Aº 1593. Vilnae.» não significa necessariamente que, ao traduzir, Chylinskis tenha usado especificamente a Bíblia de Brasta. É perfeitamente possível que o tradutor tenha registrado que, além das traduções polonesas da Bíblia a que tinha acesso ou que conhecia bem, existia também uma outra. Statenbijbel, cuja importância para a tradução de Chylinskis é indubitável, também não é mencionada diretamente em nenhum lugar do manuscrito.
SINAIS CONVENCIONAIS
[...] – lacuna
žmog[us] – abreviatura restaurada
→ – alterado para
⇒ – sinônimo
{...} – ilegível
∠ riscado⟩ – riscado
┌ – início de sequência de palavras corrigida
ABREVIATURAS
BRAB – Biblia święta, Tho iest, Księgi Stárego y Nowego Zakonu, właśnie z Żydowskiego, Greckiego, y Łáćińskiego, nowo ná Polski iezyk z pilnością y wiernie wyłożone, [Brześć], 1563.
ChNT – transliteruotas Chylinskio NT vertimo leidimas: Kudzinowski, Otrebski 1958.
G – Novo Testamento grego. Cita-se de: NESTLE-ALAND, Novum Testamentum Graece. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1995.
GbB – Biblia święta, Tho iest, Księgi Stárego y Nowego Przymierza z Żydowskiego y Greckiego Języka ná Polski pilnie i wiernie przetłumáczone [...], [Dantzig], 1632.
StB – Bíblia, isto é, toda a Sagrada Escritura, contendo todos os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento. Por ordem dos Altíssimos e Poderosos Senhores Estados-Gerais dos Países Baixos Unidos [...] traduzida fielmente das línguas originais para a nossa língua neerlandesa [...] e corrigida, por ordem comum das igrejas neerlandesas, dos erros de impressão e enganos encontrados na primeira edição. Em Amsterdã, impressa pela viúva do falecido Paulus Aertsz van Ravesteijn [...] Ano de 1657.
V – Vulgata. Cita-se de: NESTLE-ALAND, Novum Testamentum Graece et Latine, Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1994.
Page 24128 |
GINA KAVALIŪNAITĖ
LITERATŪRA
Album Studiorosum 1968: Album Studiorosum Academiae Franekerensis (1585–1811, 1816–1844) Naamlijst der studenten 1, Franeker.
AMBRAZAS, V. 1962: Absoliutinis naudininkas XVI–XVII a. lietuvių kalbos paminkluose. Lietuvių kalbotyros klausimai 5, 3–146.
BRUIN, C.C. de 1993: De Statenbijbel en zijn voorgangers. Nederlandse bijbelvertalingen vanaf de Reformatie tot 1673. Bewerkt door dr. F.G.M. Broeyer, Haarlem: Nederlands Bijbelgenootschap, Brussel: Belgisch Bijbelgenootschap.
HEINSIUS, J. 1977: De taal van den Statenbijbel. De Statenvertaling 1637–1937, Amsterdam: Ton Bolland, 145–180.
KAVALIŪNAITĖ, G. 1997: Istoriografinis Samuelio Boguslavo Chylinskio Biblijos vertimo kontekstas ir vertimo šaltinio problema. Lituanistica 3 (31), 74–84.
KLEMENSIEWICZ, Z., LEHR-SPLAWIŃSKI, T., URBAŃCZYK, S. 1955: Gramatyka historyczna języka polskiego, Warszawa: Państwowe wydawnictwo naukowe.
KORNE, de A., RINKEL, T. 1987: Cursus zestiende- en zeventiende-eeuws Nederlands, Groningen: Wolters-Noordhoff.
KUDZINOWSKI, Cz. 1964: Biblia litewska Chylińskiego. Nowy Testament. 3, Indeks, Poznań: Państwowe Wydawnictwo Naukowe.
KUDZINOWSKI, Cz. 1984: Biblia litewska Chylińskiego. Nowy Testament. 1, Fotokopie, Poznań: Wydawnictwo Naukowe UAM.
KUDZINOWSKI, Cz., OTRĘBSKI, J. 1958: Biblia litewska Chylińskiego. Nowy Testament. 2, Tekst, Poznań: Zakład Narodowy im. Ossolińskich.
LUKŠAITĖ, I. 1971: Lietuviškos S.B. Chilinskio biblijos spausdinimo aplinkybės. Lietuvos TSR Mokslų akademijos darbai, A serija, 1(35), 87–109.
SCHLERATH, B. 2000: Chylinskis Übersetzung des Neuen Testaments: Überlegungen zu seiner Vorlage. Range, J.-D., Hrsg., Aspekte baltischer Forschung, Essen: Verlag Die Blaue Eule, 279–290.
TOORN, M. C. van den, PIJNENBURG, W. J. J., LEUVENSTEIJN, J. A. van, HORST, J. M. van der, eds. 1997: Geschiedenis van de Nederlandse taal, Amsterdam: Amsterdam University Press.
ZAWADZKA, I., KOLBUSZEWSKI, St. F. 1959: Podstawa przekładu „Biblii” Chylińskiego. Sprawozdanie PTPN za II półr., 3, 158–159.
Gina Kavaliūnaitė Lietuvių kalbos institutas Antakalnio g. 6, 2055 Vilnius, Lietuva [email protected]
Gauta 2001 02 17