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NIJOLĖ ČEPENĖ

Instituto da Língua Lituana

Áreas de pesquisa: lexicologia, empréstimos, germanismos, lexicografia, etimologia, história da língua, escrita.

DOI

VOCABULÁRIO RELIGIOSO E MITOLÓGICO: EMPRÉSTIMOS DAS LÍNGUAS GERMÂNICAS

Vocabulário religioso e mitológico: empréstimos das línguas germânicas

RESUMO

O artigo examina, sob os aspectos semântico e etimológico, o vocabulário de origem germânica pertencente aos campos temáticos da religião e da mitologia. Os empréstimos estão divididos em sete subgrupos: edifícios e partes de edifícios da igreja, administração e arredores; equipamento interno da igreja e locais em seu interior; objetos litúrgicos e objetos da igreja; festas e ritos; atividades eclesiásticas, livros e instrumentos musicais; denominações de pessoas; vocabulário mitológico e denominações de seres sobrenaturais. Identifica-se a palavra-base germânica da qual cada germanismo deriva e indica-se a origem primeira do empréstimo. São apresentados equivalentes em outras línguas. Além disso, apresenta-se o registro dos lexemas em textos escritos desde o século XVI e seu uso na língua falada e nos dialetos. Discute-se a cronologia dos empréstimos. Constatou-se que o lituano ola é usado não apenas com o significado de ‘toca ou abrigo de animais ou aves’, como consta no LKŽ, mas também aparece registrado na Bíblia de Bretkūnas com o significado de ‘tenda (cobertura), cripta’. Descrevem-se os derivados formados a partir de germanismos.

PALAVRAS-CHAVE: vocabulário religioso e mitológico, empréstimos, germanismos, semântica, dicionários prussianos, escrita, dialetos.

ANOTAÇÃO

O artigo aborda o vocabulário religioso e mitológico de origem germânica sob a perspectiva da semântica e da origem. Os empréstimos são divididos em sete subgrupos: edifícios e partes de igrejas, administração e ambiente; interior da igreja e espaços internos; objetos usados em rituais e artigos eclesiásticos; festas e rituais; atividades da igreja, livros e instrumentos musicais; nomes de pessoas; vocabulário mitológico e nomes de seres sobrenaturais. A palavra-base do germanismo da qual deriva

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é estabelecida, assim como a origem primária do empréstimo. São apresentados equivalentes em outras línguas. Também se apresentam o registro de lexemas na língua escrita a partir do século 16th e seu uso na língua falada e nos dialetos. Discute-se a cronologia dos empréstimos. Constatou-se que o lituano olà não é usado apenas com o sentido de ‘caverna, toca de animais ou aves’, conforme definido no Dicionário da Língua Lituana, mas também com o sentido de ‘câmara (funerária), cripta’, segundo a Bíblia de Bretkūnas. Também são descritos os derivados formados a partir de germanismos.

PALAVRAS-CHAVE: vocabulário religioso e mitológico, empréstimos, germanismos, semântica, dicionários da Prússia, língua escrita, dialetos.

1. INTRODUÇÃO

A maioria dos empréstimos do lituano provenientes de línguas germânicas, sobretudo do alemão, são palavras da cultura material. Há, porém, também palavras de origem germânica ou chegadas por meio de línguas germânicas que pertencem à cultura imaterial, embora também designem frequentemente objetos materiais. Os empréstimos dos grupos temáticos da religião e da mitologia já estão registrados nos primeiros textos do século XVI, sobretudo na Prússia. O material para o artigo foi recolhido de textos antigos em lituano, obras posteriores, dicionários prussiano-lituano e alemão-lituano, bem como da língua falada, de textos dialetais, de vocabulários de variedades e dialetos e da língua padrão contemporânea. O artigo utiliza material do Dicionário da língua lituana, vols. I–XX (LKŽ, LKŽe), e de outras obras (ver a lista de bibliografia e fontes). O objetivo do artigo é apresentar e examinar o léxico religioso e mitológico de origem germânica sob os aspectos da semântica, da origem e da cronologia, e explicar a origem primária dos empréstimos; indicar o registro dos lexemas na escrita e seu uso na língua falada e nos dialetos; e apresentar derivados formados a partir de germanismos do léxico religioso. O artigo apresenta palavras de origem germânica, sobretudo alemã, que entraram diretamente no lituano; palavras de origem germânica que podem ter entrado no lituano por intermédio de outras línguas, sobretudo eslavas; e palavras cuja origem primária não é germânica, mas que foram emprestadas de línguas germânicas. Nos estudos recentes sobre o léxico religioso e a terminologia da religião, foram registrados poucos germanismos. No capítulo Léxico religioso da língua lituana e sua história da tese de doutorado de Algis Rubinas (2002), Germanismos na língua lituana, são apresentados apenas três germanismos: kunigas ‘clérigo, pároco’, pūdė ‘madrinha’, agendą ‘livro de orações, ritual’. No capítulo Empréstimos na língua lituana encontram-se mais alguns empréstimos que, segundo o autor, chegaram por intermédio do alemão: kardinalas, abatas (aptas) ‘superior de um mosteiro católico masculino’, kapucineris ‘monge da Ordem franciscana’, keleris ‘herege, apóstata’. Na tese de doutorado de Aušra Rinkutė, de 2012, Termos religiosos dos catecismos de 1883–1916, também há poucos germanismos: kunigas, gizelis ‘aprendiz’, podė, pl. podžiai ‘padrinhos’, kagismas

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‘catecismo’, e derivados: kunigystė, kunigaikštystė. Em textos, dicionários e dialetos, a autora deste artigo encontrou mais palavras do léxico religioso originárias das línguas germânicas, sobretudo do alemão, ou que entraram no lituano a partir de línguas germânicas; elas serão examinadas aqui. O artigo emprega métodos de pesquisa diacrônicos e sincrônicos: histórico-comparativo, genético, fonético e outros, e baseia-se em dicionários etimológicos e estudos linguísticos recentes.

2. SEMÂNTICA, ORIGEM, DIFUSÃO E USO DO LÉXICO RELIGIOSO E MITOLÓGICO DE ORIGEM GERMÂNICA

O léxico do campo temático religioso, de origem germânica ou tomado de línguas germânicas, registrado em textos escritos desde o século XVI (principalmente na Prússia e na Lituânia Menor) e nos dialetos, foi dividido em seis subgrupos; o sétimo apresenta o léxico mitológico. A maioria dos germanismos desse campo temático foi encontrada em dicionários alemão-lituano e lituano-alemão publicados na Prússia entre os séculos XVII e XX: Lexicon Lithuanicum, Clavis Germanico-Lithvana, o dicionário manuscrito do antigo arquivo de Königsberg (conhecido como o dicionário de A. Krause), Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithuanico-Germanicum, de Jokūbas Brodovskis; Littauisch-Deutsches und Deutsch-Littauisches Lexicon, de Pilypas Ruigys; Littauisch-deutsches und Deutsch-littauisches Wörter-Buch, de Christiano Gottliebo Mielckė; Wörterbuch der Littauischen Sprache, de G. H. F. Nesselmann; Littauisch-deutsches Wörterbuch ir Deutsch-littauisches Wörterbuch, de Friedrich Kursaitis; e Lietuvis-kai-vokiškame žodyne, de Aleksandras Kursaitis. Os germanismos são examinados em ordem alfabética. Junto a cada empréstimo são indicados os campos de informação: notas gramaticais, significados, registro nas fontes, distribuição nos dialetos e origem; apresentam-se as palavras de base germânicas das quais derivam os empréstimos, explica-se a origem primária da palavra e fornecem-se equivalentes em outras línguas europeias; também são apresentadas as etimologias propostas por outros pesquisadores.

1) denominações de edifícios de igrejas e suas partes, da administração e do ambiente, por exemplo: aptija sf. ‘mosteiro católico com as propriedades que lhe pertencem’, Lex 3a, C I 43 (orig. Apte), Q 13, K I 32, Alm 27; abtija N 2 (abtie), Alm 23 < v.v.a. abbeteie (eppete); abbetė; cf. v.v. ebedė, Pr.v. Abtey (Lex 3a), n.v.a. Abtei f. ‘abadia, mosteiro’; s.v.a. abbbatei do latim eclesiástico abbatia (Kluge 202: 11; Lexer I 1; PaulW 11). domskirche sf. ‘igreja catedral’ S. Dauk < n.v.a. Domkirche ‘idem’. dresk amar sf. ‘sacristia’ B 361, 1033 (orig. Drezkamara), MŽ II 135, 398, N 155; drėskamare sf. (1) K, Prl 56 (drėskamare), Alm 45, KŽ, Skr;

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dryskamarē sf. LC 1885, 12 < Pr.v. Drēskamer ‘zakristija, kurioje saugomas bažnyčios turtas, pinigai, vertingi įrankiai’ (Fr I 150, Ziesemer II 107), v.v.a. trēse-kamere f. (dreskamer, dryskamer), s.s. tresocamara (Lexer II 1505; Grimm XXI 163); plg. Baltijos vok. Drähskamer ‘t. p.’, v.ž. drēskamer ‘zakristija’ (Sehwers 1953: 28, 326); vok. Drese kamer, tresekamer f., trisekamer ‘bažnyčios idinė, lobynas; archyvas; zakristija (nuo XV a. pab.)’, s.v.a. tresecamere, dresecamere, v.v.ž. tresecamere f., v.nl. tresecamere; dūrinys iš tresso < lot.–rom. thesaurum ir lot.–rom. camara, camera (Grimm XXI 163; MdW IV 611-612).

gemynē sf. (1) ‘arredores; ecl. paróquia’ N 249, [K], KŽ, gemynē Alm 53, gemyna sf. LC 1878, 42; gėmynē sf. (1) ‘distrito; paróquia’ K, Alm 54, KŽ < Pr.v. gemē ‘comunidade; paróquia’ é um dialetismo (Alm (PrW)); cf. baixo-alemão gemeine, gemeine f., n. ‘propriedade comum; assembleia comunitária; comunidade (de aldeia, paróquia etc.)’ (MdW II 53), alto-alemão antigo ge-meinde f. ‘caráter comum, comunidade’, alto-alemão antigo gemeindā, alemão moderno Gemeinde f. ‘comunidade; ecl. paróquia’, → adj. alemão gemein ‘comum’ (Kluge 2002: 343; Lexer I 839); pol. gmina ‘comunidade’, do alemão gemein, Gemein(d)e (Brückner 1974: 146).

kapelē sf. ‘igreja pequena, capela’ B 795 < alto-alemão antigo kapēlle, kapēle, kappel f. ‘igreja pequena, casa de Deus’, alemão moderno Kapelle f. ‘capela, capelinha’; alemão, do latim vulgar capella ‘capela’; cf. neerlandês moderno kapel (Lexer I 514; Kluge 2002: 468).

kirkapis (prussiano) sm. (1) ‘cemitério junto à igreja; adro’ R I 54, R II 223, MŽ II 298, N 200, K, KŽ, Alm 66, kirkapis; composto de germânico kirke e lituano kapas; cf. alemão moderno Kirchhof m. ‘cemitério, campo-santo’.

kirkē sf. (1) ‘igreja protestante’ Ndž, BM 177 (Há três igrejas: a igreja católica, a sinagoga judaica e a kirkē letã), Š, KŽ, Krtnž, FrnW, Srj, kirkē (2) ŽŽ (Nm); kirche Š, kirka sf. (1) ‘igreja protestante’ M. Valanč, M, rš, KŽ, ŽŽ < baixo-alemão kere f. ‘igreja’ (MdW II 449; Lasch 1914: 51), alto-alemão antigo kirche f. ‘igreja (cristã), edifício; templo judaico; congregação de fiéis’, alemão moderno Kirche f. ‘igreja’; cf. norueguês moderno kirke, sueco moderno kyrka, frísio ocidental kerke, saxão antigo kirika, neerlandês moderno kerk; alemão, do grego vulgar *kyriḱē (Lexer I 580; Kluge 2002: 489).

klosteris sm. ‘mosteiro’ B 313; klostorus (klostorus) Lex 21a (orig. Kloforus), 54a (Kloforus), C I 109 (Klōforus) < Pr.v. Klofter, alto-alemão antigo klōster n., alemão moderno Kloster n. ‘mosteiro’; cf. baixo-alemão klōster-, neerlandês médio clooster, neerlandês moderno klooster, alto-alemão antigo klōstar; o alemão tomou-a emprestada do romance antigo *clōstrum ‘fechado’, latim claustrum ‘fecho, clausura; castelo’ (Kluge 2002: 499; Lexer I 1631).

kodryna sf. ‘trapo da torre da igreja’ C I 649, N 203, [K]; cf. prussiano antigo Koder ‘trapo, farrapos; roupas ruins e rasgadas’ (Fr I 399), Koder ‘trapo, farrapos, retalho’ (Grimm XI 1569).

kōras (kōras) sm. masculino. ‘torre, campanário’ NT Mt 21,33, B 190, R I 65 (Kōras), R II 180, MŽ I 127, N 205 (Kōras), K (e também kūras), Kld 115, J, V. Kud., dimin.

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koratis N 205. 2. ‘vestíbulo da igreja’ R II 91 (Kōras), MŽ II 120; kuoras1 sm. 1. ‘torre, campanário’ SD 7, SD³ 8, R I 71 (orig. Kūras), N 205, K, J, Vaižg, FnW, V. Krėv, rš, Pnm, Čk, Klt, dimin. kuorelis NS 157, kuoratis RD 35. 2. ‘extremidade superior da torre da igreja’ Lex 34 (orig. Kūras), C I 628 (Kūras), Q 73, B 44 (Kūras); < prussiano antigo kor, kur, kūr ‘coro; lugar elevado na igreja para o coro, galeria’ (Alm (PrW)), kūr (Natu 1937: 18), alto-alemão antigo kōr, kur m. ‘coro da igreja, cantores no coro; capela da catedral; fig. abóbada celeste; lugar no céu como morada de Deus; esfera dos anjos’ (Lexer I 1678; Grimm XI 1792), baixo-alemão kōr (Lasch 1914: 95), alemão moderno Chor m. ‘grupo de cantores; lugar dos cantores diante do altar nas igrejas cristãs; plataforma, palco (em igrejas protestantes)’; cf. neerlandês moderno koor; alto-alemão antigo chōr, do latim chorus ‘dança acompanhada de cantos, ronda; grupo, tropa, multidão’, que por sua vez vem do grego chorós ‘lugar para dançar; grupo de dançarinos; canto ou dança de culto às divindades’ (Kluge 2002: 171; LLŽ); baixo-alemão kur(e) ‘vigia, sentinela (na torre)’, kuren ‘observar atentamente (termo de caçadores)’ (MndW II 602). Cf. também 2 kūras.

kunzistōrija sf. (1) ‘órgão central de governo e direção eclesiástica’ K I 703, Alm 76 < alemão moderno Konsistorium n. ‘mesmo significado’; é um dialetismo; cf. latim consistorium ‘local de consulta, assembleia’.

olà sf. ‘caverna, recinto (para sepultamento), cripta’; veja em 3.

tūrmas2 sm. (2) ‘torre, campanário; povoado (em torno de um monte fortificado)’ BB 1 Moz 11,4, BB 2 Kar 9,17, BB Teis 9,46, BB 1 Mak 4,60 (acc. pl. Thurmus), BB 2 Kn 26,9, BB 2 Mak 13,5, BB Jdt 1,3, BB Ez 26,4, BB Jer 51,58, BB GG 4,4, BB Bar 6,17, BB Luk 14,28, BB Ezd 3,1, Lex 87a, RB Ps 48,13, C I 583, Q 523, H I 135, H II 211, K, K II 228, Mit V 151, J, Kel, Dor (Klp, orig. tōrms), NdŽ, AL 54, 35 (NTK), Alm 144, KŽ, Smln, Ser; stūrñis sm. (2) ‘campanário’ K I 555, KŽ < prussiano antigo Turm ‘prisão municipal; torre’ (Fr II 416), Thurm (Lex 87a), tōrm ‘torre, prisão’ (Alm 144), prussiano antigo torm (Mitzka 1919: 126), alemão antigo turm, torm, alto-alemão antigo turn, turm, sturm; alemão Turm, Thurm ‘torre, campanário; fortificação; prisão’, de turem, por sua vez do francês antigo *torn; este último do latim turris f. ‘torre, castelo’,

1 W. Smoczyński kūras laiko neaiškiu žodžiu (Smoczyński 2007: 326). Kūras reikšmė ‘dešimties pėdų guba, rikė’ LKA I 186, žemėl. 109, Irgn, Sk, Lb, Ign, Šnč, Dglš, Lkm, Klt, dem. pl. kuoreliai Pls galbūt reikėtų sieti su vok. kar ‘indas, dubuo; javų matas; aukštas (namo); viena ant kitos sudėtos dėžės; pašūre, stoginė; sunerta šieno ar šiaudų krūva’; plg. s.s. kar, v.v.a. kar, n.v.a. Kar n., dan. kar, šv. kar (Grimm XI 202); v.v.ž. kar, kare n. ‘indas, krepšys’ (MndW II 428), senas keliaujantis žodis (Kluge 2002: 470). J. Brodskio žodyne užfiksuotas iš Biblijos vok. Cor (menūra) ‘(javų) matas’ išverstas liet. Korras (B 315).

2 Os pisos inferiores das torres dos castelos e das cidades eram usados como prisões. Por isso, esta palavra também é usada com o significado de ‘prisão’ BB Apd 5,20, BB Jon 3,24, VlnE 43,5 (loc. pl. turmūſu), VlnE 202,19, VlnE 205,25, ŽCh 71, Lex 87a, R II 162, 351, MŽ II 214, 470, N 110, K, S. Dauk, M, J I 149, L, JD 201, KlvD 144 (Vlkš), BsO 397, BsMt II 166 (Dkš), Sln, Alm 144, LTR (Zp), LTs V 53, KŽ (A 183, 226), DrsŽ, ZŠŽ, Als, Žg, Ūd, Vl.

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‘edifício alto’; cf. n.šv. torn, n.isl. turn (Grimm XXI 466; Lexer II 1582; Kluge 1957: 798; 2002: 936); v.v.ž. torn, s.s. turn ‘torre; prisão’ (MndW IV 580); let. tūornis (Tuhrnis, Turnis) ‘torre’, de v.v.ž. torn, torne, turn ‘idem’ (Sehwers 1953: 146, 324); (v.l.) n.l. turma ‘torre (usada como prisão; prisão; grilhões, fardo; certo jogo’ < v.v.a. turm ‘torre’; bielorrusso antigo myma ‘prisão’, bielorrusso moderno (dial.) mymá ‘idem’ (Brückner 1974: 585; LKPŽ 656).

2) denominações de elementos do mobiliário e de espaços no interior da igreja, por exemplo:

gangos f. pl. (1) ‘lugar na igreja junto ao órgão; galerias’ C II 752, K, K I 369, K II 102, Alm 52, FrW, KŽ; gangai sm. pl. NmŽ < Pr.v. Gang ‘escadas’ (R II 157), n.v.a. Gang m. ‘andar, marcha; lugar de passagem, passagem, corredor; caminho, galerias (na igreja), estrado’; cf. v.v.a. ganc m. ‘marcha; caminho’, s.v.a. gang, s.s. gang, s.ang. gang, s.skand. gangr m., ganga f., s.friz. gang, gong, gung, dial. sueco ganga, n.nl. gang (Kluge 202: 329; Lexer I 734; Grimm IV 1219).

kūras sm. (1) (kuras) 1. ‘estrado, lugar elevado na igreja para o coro, onde fica o órgão; galerias’ Lex 20a (orig. Kuras), C I 428, B 302, 311 (kuras), K 197 (kūras), K II 102; pl. kūrai (2) Vdk, Žgč, Nm, Kln; kūras (kuras) ‘coro (do órgão)’ Lex 21a, C I 428, Q 110, B 312, Alm 76, ‘grupo, bando (de anjos)’ C I 428, ‘escadas’ C I 428; kūras sm. 1. ‘lugar elevado na igreja para o coro; galerias’ B 311, I. Simon, Prk. 2. ‘coro, grupo de cantores’ B 311, NdŽ; kòras (2) LzŽ, kòras (1) Alm 70. 3. ‘voz, tom (somente na Bíblia)’ Bb¹ Ps 120,1, B 698 (orig. Dangaus Kòras); kūras (4) ‘coro; grupo, bando (de apóstolos, anjos)’ DK 30 (orig. nom. pl. kūrai), 37, 148, DP 38, 543, R I 71 (orig. Kūras), VoK 11, KrtnŽ (kūors), ŠVŽŽ (kūors Vin, Kra, Meds, Žbr; < Pr.v. kor, kur, kūr ‘lugar elevado na igreja para o coro; galerias; coro’ (Alm (PrW)), v.v.a. kōr m. ‘coro da igreja; grupo de cantores; lugar na casa de oração onde ficam os que cantam para o espírito’ (Lexer I 1678), n.v.a. Chor m. ‘cantores, cantores de igreja, canto; círculo, grupo, bando; na igreja cristã, lugar dos cantores diante do altar; na igreja protestante, estrado, galerias, lugar onde se canta e se toca música’; cf. s.v.a. chōr ‘coro do clero na igreja’, n.nl. koor; lat. chorus; gr. χορός; do significado ‘cantor’ na igreja cristã surgiu o significado ‘lugar dos cantores diante do altar’, daí ‘lugar na igreja destinado ao clero’ (Kluge 1957: 117; 2002: 171), v.v.ž. kōr (Lasch 1914: 95); let. kūoris do alemão (Sehwers 1953: 61); pol. chór ‘coro; galeria’, do gr. e lat. choros, chorus (Brückner 1974: 182). Cf. 1) kūras.

3) denominações de utensílios litúrgicos e objetos da igreja, por exemplo:

abltas sm. ‘pão ázimo, fina hóstia feita de farinha e água’ Q 372 (orig. Abltes), R II 210, MŽ II 368, N 2, 30, [K], K II 98, Alm 23 < Pr.v. Ablatt ‘idem’ (Fr I 8; Alm 23); cf. Oblat (C II 161), v.v.a. oblàte, oblāt f., n. ‘hóstia

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pão ázimo, hóstia’, n.nl. oblat, n.v.a. Oblate f., v.lat. oblata (hostia) (Lexer I 138; Kluge 2002: 661). Cf. também oblatas.

bikerelis sm. dem. ‘pequena concha, copinho’ SD 116, SD³ 134 < s.s. biker, s.v.ž. bikerį; cf. v.ang. biker, v.v.a. becher m. ‘cálice; como medida’, Prússia Oriental, Pr.v. bėžr ‘cálice’, n.v.a. Becher m., n.nl. beker; alemão, do v.lat. bicarium n. ‘recipiente para vinho ou água, cálice’ (Kluge 2002: 99; Lexer I 137; Mitzka 1919: 122); let. biķeris do s.v.ž. bikeri (Sehwers 1953: 12, 326); pol. becher (beker), dem. becherek. Urbutis considera que o diminutivo lituano bikerėlis, de *bikeris, juntamente com o letão biķeris, é um germanismo direto (Urbutis 2009: 418). ALEW deriva o lituano bikerėlis do pol. becher, emprestado por intermédio do alemão a partir do latim (ALEW I 113).

isopas sm. bot. ‘hisopo, hissopo (Hyssopus officinalis), seu suco; ramos de hissopo usados na igreja como aspersório’ Mž 358,5, BB 2 Moz 12,22, BB 3 Moz 14,4, BB 4 Moz 19,18, VlnE 210,12 (orig. instr. sing. İopu), R II 217, rš, P, IA 417 (Isopas), BzF 118; hysopas Mž 538,19 (instr. sing. hyfopu); yzopas Vln¹ 75, Lex 52a, C I 46, 1023, C II 249, 1025, RB Ps 51,8, B 272 (pl. įlopai), 735, 760 (Ẏzopas), 989, R I 51, R II 217, MŽ I 01, MŽ II 288, NT Pvž 9,19, NT Jn 13,29, K (ýzopas), NdŽ, P, TA 417 (Yzopas), BzF 118, Alm 57, LBŽ; izopas (1) NdŽ < Pr.v. İop ‘hisopo’ (Lex 52a; C I 1023), Yop (C II 1025), v.v.ž. isop (MndW II 393), v.v.a. isôpe, isôp m. ‘hisopo’ (Lexer I 1459), n.v.a. Ysop, Hyssop m. (f.), Isop ‘arbusto pequeno de folhas muito aromáticas e flores violetas (Hyssopus officinalis L)’; cf. ags. ysope f., s.v.a. hyssop m., s.v.a. tardio – n.v.a. antigo yzop f.; lat. hyssōpus f., hyssōpum n. (Grimm XX 2575).

kelichas sm. ‘cálice (litúrgico)’ BB Ps 23,5, BB Ez 23,31, BP I 366, BzB 294 < v.v.a. kelich, kelch m. ‘cálice’; cf. s.v.a. kelih, s.s. kelik, n.v.a. Kelch m. ‘cálice’; alemão, do lat. calix ‘cálice’ (Lexer I 1539; Kluge 2002: 483), v.v.ž. kelk, kellik m. ‘cálice’ (MndW II 440); (s.l., v.l.) n.l. kielich ‘vaso usado em cerimônias da igreja cristã; cálice etc.’ < v.v.a. kelch, s.v.a. kelih, n.v.a. Kelch ‘idem’, do lat. calix ‘cálice, taça’; bielorrusso antigo кeлuх (кuлuх) ‘cálice (de oferenda); designação simbólica do destino’, bielorrusso moderno кéлuх, кéлix ‘cálice grande e alto’ (LKŽ 372). Cf. também kylikas.

kylikas (kilkas, kylkas K) sm. (2) K ‘cálice (litúrgico)’ Mž 143, 380, 534 (kilkas), BP I 62, Vln 33,10, Vln 35, Vln 65,23, Vln¹ 36, VlnE 164,23, VlnE 172, VlnE 190,2 (Kilikas), Lex 53a (kilikas), C I 1050, Q 293 (kilikas), B 341, 566, 655, 776, H 55, R I 72, MŽ I 139, N 199, K II 223, KŽ, Alm 66 (kylikas), Rg, Kč (kilikas (1); kilichas sm. RB 116, kylikas Alm 66; < v.v. kilich m. ‘cálice’; cf. v.v.a. kelch, kelich m. (Lexer I 1539), s.s. kelik, s.v.a. kelich (Kluge 1957: 362); v.v.ž. kelik m. ‘vaso de bebida, cálice’ (MndW II 440), n.v.a. Kelch m. ‘cálice’; alemão, do lat. calix ‘cálice’; após a introdução do cristianismo, a princípio usado apenas

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significado ‘cálice usado em ritos religiosos’ (Grimm XI 504); letão ḳeliks ‘recipiente’, do baixo-alemão ḳellik ‘recipiente para beber, cálice’ (Sehwers 1953: 63). Cf. ainda ḳelichas.

klingbdelis subst. masc. ‘bolsa para recolher dinheiro na igreja’ B 802, 1032 < alemão prussiano Klingbüdel ‘bolsa, bolsinha com um sino numa vara para recolher esmolas durante o culto’ (Fr I 378); em lugar do alemão ü, já na variedade dialetal do alemão prussiano se pronunciava o som i (ver Čepienė 2006: 211); cf. alemão padrão Klingelbeutel masc. ‘cesto com um sino numa vara comprida, usado para recolher ofertas durante o culto’.

kozoliai subst. masc. pl. ‘vestimenta litúrgica cônica, casula’ Q 110 < alemão prussiano Käsel ‘vestimenta de culto, sobrepeliz; capa larga, casaco confortável, roupa velha e querida; saia comprida de tecido grosso com capuz’ (Fr I 343); cf. letão kasula ‘camisa; hábito, roupa de monge; ecles. segunda vestimenta, externa, do sacerdote, usada durante a missa’, do latim casula ‘manto com capuz’.

miras (mys) subst. masc. ‘resina aromática encontrada na casca de algumas árvores da África e da Arábia, usada como incenso’ Mž 195, BB 1 Moz 37,25, BB SalK 7,17, BB GG 5,1 (originalmente acusativo singular myrrha), BB Sir 24,1, BB Est 2,2, BB Ps 45,9 (myras), BB Ps 45,9, B 235 (plural Myrrai), BsMt I 29; mirė subst. fem. R I 88 (mirė), Mž I 70, N 403, K, Alm 87 (mirė), FrnW; cf. alemão prussiano Mire, Myrrhen (C II 96), Myrhe (Lex 63), baixo-alemão antigo mire ‘mirra (amarga)’ (MndW III 95), alto-alemão antigo mire, mir subst. masc. ‘mirra’, do árabe miren (Lexer I 2158), alto-alemão antigo mura, myra, saxão antigo myra, anglo-saxão myre, neerlandês médio mire, sueco moderno myrra, alemão padrão Myrhe fem. ‘mirra (resina); alemão do latim murra, myrha, e este do grego mýrrha fem., mýra; palavra de origem semítica; o árabe murra relaciona-se com a raiz maru ‘ser amargo’; entrou nas línguas germânicas através da Bíblia (Kluge 1957: 497; 2002: 641); letão mira. E. Fraenkel, apoiando-se em P. Skardžius, considera o lituano mirà um empréstimo do polonês (FrnW).

oblōtas subst. masc. (1) ‘hóstia da comunhão’ C II 161, B 727 (originalmente Oblot’s), B 956 (oblotas), N 30, [K], Alm 93 < alemão prussiano Oblat ‘mesmo significado’ (C II 161), alto-alemão antigo oblāte, oblāt fem., neut. (oflōte) ‘hóstia da comunhão; tipo de produto de panificação’; cf. alemão padrão Oblate fem. ‘folha fina assada feita de farinha e água; ecles. hóstia de comunhão’, alto-alemão antigo oblāta, ovelāta, neerlandês médio oblaat, sueco moderno oblat; alemão do latim medieval oblata (hostia) ‘mesmo significado’ (Lexer II 138; Kluge 2002: 661). Cf. ainda obotas.

skrynė subst. fem. (2), skrynė (4) 1. ‘na Igreja Católica, armário ornamentado no centro do altar para guardar a hóstia’ BB 2 Mak 2,5, BB 2 Krn 31,11. 2. ‘caixa de ofertas, cofre’ BB Luk 21,2, VlnE 199, Lex 43a (originalmente Diewa skrine), H 181, B 596, K I 93, 678, TP 1881, 9, LC 1878, 21, diminutivo skrynėlė I. 3. ‘arca (referindo-se à arca bíblica construída por Noé)’ BB 1 Moz 6,14, B 117 ∆ arca da aliança, ecles. ‘arca do testemunho’ BB Tes 20,27, BB Joz 4,18, C I 142 (originalmente Skryne Suderejimo), B 302, 833, R I 134, Mž I 246, diminutivo skrynėlė liudijimo (originalmente Skrine Liudimo) ‘arca da aliança’ BB 2 Moz 26,33); < baixo-alemão antigo schrin ‘arca, caixa; caixão’ (MndW IV 138); alto-alemão antigo schrin masc., neut. ‘arca, caixa para roupas, dinheiro, joias, relíquias; caixão’ (Lexer II 79), neerlandês médio scrīne: cf. alto-alemão antigo scrīn(i), inglês antigo scrīn, frísio antigo skrīn

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anglo-saxão scrīn ‘caixa, mala, gaiola, caixa para objetos valiosos, joias, relíquias’, inglês shrine ‘caixa; altar; santuário’, sueco moderno skrin, alemão padrão Schrein masc. ‘caixa ornamentada para guardar objetos de culto e relíquias; caixão; arca; armário; alemão do latim scrinium ‘recipiente redondo para guardar algo’ (Kluge 1957: 679–680; 2002: 826; Grimm XV 1725); letão skrine, skrīnis ‘caixa, arca (para roupas, farinha); armário’, do baixo-alemão médio schrin ‘armário; arca; caixa; gaveta’ (Sehwers 1953: 106; Karulis II 206) ou do polonês antigo schrin, schrine ‘caixa, arca; gaveta’ (Karulis II 206); (dial. lituano, polonês antigo) polonês skrzynia ‘caixa com tampa; arca etc.’ < tcheco antigo skříňe ‘armário; caixa’, do alto-alemão antigo schrin, do alto-alemão antigo scrīni, skrīni ‘caixa; armário’, do latim scrinium ‘caixa redonda para guardar livros, documentos’; bielorrusso antigo скрыня, скруня ‘caixa; recipiente retangular; esconderijo; caixão’; bielorrusso moderno (dial.) скрыня ‘caixa grande; viveiro (caixa furada para conservar peixes vivos); caixa para guardar farinha e grãos; manjedoura’; russo antigo скрыня ‘caixa reforçada com metal, arca; caixa com tampa’, russo moderno скрыня ‘caixa, caixinha com tampa’ (LKPŽ 581–582). P. Skardžius considera o lituano skrynią, skrīnę empréstimo do bielorrusso скрыня ou do polonês skrzynia (Skardžius 1931: 199), ao passo que W. Smoczyński deriva-o do bielorrusso скрыня (Smoczyński 2007: 567). A autora deste trabalho considera que o lituano skrynė, juntamente com o letão skrīne, poderia ter sido tomado do baixo-alemão médio schrīn ‘caixa, arca, armário, gaveta’. Sobre o grupo consonântico sk, ver Čepienė 2006: 291–292.

tapelis subst. masc. ‘bolsa com um sino para recolher ofertas na igreja’ Q 478, N 89, [K], BzF 189 (originalmente tāpel), BS 146, Alm 141, FrW, KŽ; cf. alemão prussiano tofel ‘placa’ (Alm (PrW)), alemão padrão Tafel fem. ‘tábua; ladrilho; placa’. Cf. ainda tobelis.

tōbelis subst. masc. (1) 1. ‘bolsa com um sino para recolher ofertas na igreja (Klingsäckel)’ N 107 (Klp), Fr II 403, K, Alm 142, KŽ, Klp. 2. (pa)tobelis ‘servente da igreja que ficava atrás da placa como intérprete’ FrW → patobelis < alemão prussiano Potabel ‘antigamente, na Lituânia prussiana, servente da igreja que ajudava os servidores alemães da igreja. Suas funções eram tocar os sinos, providenciar vinho e hóstias de comunhão, cuidar da igreja e de seus utensílios etc.’ (Fr II 172); cf. patabelis ‘ajudante da igreja que ficava atrás da placa, em alemão Tafel, como intérprete’ (R I 162, MŽ I 296, Alm 97), alemão prussiano tōfel ‘tábua, placa’ (Alm 142), alemão padrão Tafel, dialeto alsaciano tōfel ‘placa (suspensa), tábua, objeto golpeado para produzir som ou dar um sinal, usado em igrejas e mosteiros em vez de tocar os sinos’ (Grimm XXI 13), alemão prussiano Tobolize fem. ‘bolso, cesto’ (Fr II 403); polonês tobola ‘saco (de viagem), mochila, bolsa’ (Brückner 1974: 572), tobōl. Cf. ainda tapelis.

4) nomes de festas e cerimônias, por exemplo:

bērės sf. pl. ‘banquete fúnebre, refeição oferecida aos presentes no velório’ BzF 99, LTR, KŽ < Pr.v. Behre ‘banquete por ocasião de um funeral’ (Ziesemer I 530); cf. baixo-alemão médio bōre ‘padiola’; bore (MndW I 392); francês antigo bere, inglês antigo bǣr, alemão moderno Bahre f. ‘padiola’ → germânico *ber-a- ‘carregar’ (Kluge 2002: 83); letão bēres ‘padiola (fúnebre)’, do baixo-alemão médio (Sehwers 1953: 11).

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ilgės sf. pl. (2), ilgės (1) l. ‘festa de Todos os Santos (1 de novembro)’ desde o século XVI nos dicionários da Lituânia Menor (Lex 5, orig. Ilges, C I 66, Q 21, B 66, R I 48, MŽ I 96, N 25, [K]), em outros trabalhos (JD 210, Mit I 239, Alm 56, FrnW, Bž 507, KŽ (A 185, 307)), On. 2. ‘Finados, Dia dos Mortos (2 de novembro)’ S. Dauk; < baixo-alemão médio higen ‘santos’ (Sehwers 1953: 41), baixo-alemão médio hilligen, de hilgen ‘santos’ (Alm 56); cf. baixo-alemão médio adj. hilich ‘santo (pessoas e coisas)’, de hile geist ‘Espírito Santo’ (MndW II 266–267), alemão moderno heiligen ‘santos’, prussiano antigo Allerheiligen fest ‘ilgės, festa de Todos os Santos’ (Lex 5); letão ilges, ilgi ‘de Todos os Santos’, do baixo-alemão médio (Sehwers 1953: 41).

ilgikristis sm. (2) ‘véspera de Natal (?)’ K I 684³, KŽ, pl. ‘presentes de Natal’ KŽ; composto de baixo-alemão médio higen ‘santos’ e lituano Kristus, cf. alemão moderno der heilige Christabend.

kirvelis sm. ‘festa paroquial (celebrada em comemoração à consagração da igreja); feira (realizada por ocasião da festa paroquial)’ KŽ; cf. prussiano antigo Kirms, Kirmes, formas abreviadas do alemão Kirchmesse, ‘banquete da festa da igreja’, Kirmes ‘feira’ (Fr I 356), francônio kerwa (Grimm XI 835), alemão moderno Kirmes f., alto-alemão antigo kirch-messe f. (kirmes, kirmes) ‘missa anual celebrada em comemoração à consagração da igreja; feira’, neerlandês médio kermis, inglês médio (dial.) kermis, francês médio kermesse; o alemão Kirmes provavelmente deriva de *Kirchweimesse, não atestado (Lexer I 1585; Kluge 2002: 490).

liktis sf. ‘festa da Candelária; serviço religioso ao qual os fiéis vão com velas (2 de fevereiro)’ K (Kt), Alm 80, KŽ; liktis sm. N 365 (Tlž), [K] < Pr.v. licht ‘vela, luz’ (Alm (PrW)), alemão moderno Licht n. ‘luz; claridade; vela; Deus e Cristo’; cf. alto-alemão antigo adj., s. lieht, alto-alemão médio lecht; lîcht n. ‘luz, brilho, luminosidade, vela’; baixo-alemão médio licht, lecht n. ‘luz’; → alemão adj. licht ‘claro, luminoso’, verbo leuchten ‘brilhar, luzir, iluminar, resplandecer, reluzir’ (Lexer I 1906; MndW II 684; Kluge 2002: 574).

liktmūšės sf. pl. ‘tal festa cristã (2 de fevereiro)’ B 466 (orig. Liktmušes); liktnės sf. pl. (1) ‘festa da Candelária; serviço religioso ao qual os fiéis vão com velas’ K, LsB 199, Alm 79; liktnės sm. pl. (1) K, KŽ, Alm 79 < Pr.v. lixtmes ‘o mesmo’ (Alm (PrW)), remodelado por etimologia popular por associação com o lituano liktis ‘vela’ (Alm 80); cf. alemão moderno Lichtmesse, Lichtmeß f. ‘festa da Purificação de Maria (2 de fevereiro), assim chamada por causa das velas benzidas nesse dia’ (PaulW 375), alto-alemão médio lieht-messe f. ‘o mesmo’ (Lexer I 1909); germânico liktis e lituano nėti.

5) nomes de atividades eclesiásticas, livros, instrumentos musicais etc., por exemplo:

agenda sf. ‘livro de orações, ritual’ DP 456,7, agēndos sf. pl. (2) K I 43, Alm 23; cf. alemão moderno Agende ‘o mesmo’, neerlandês médio agenda, latim agenda (Kluge 2002: 20).

almusina sf. ‘esmola, donativo’ Lex 5 (orig. almufina), Q 22 (Almufina); aląmusyna sf. (1) C I 73 (Allamufina), N 4, [K], Alm 25 < alto-alemão médio almûse, prussiano antigo.

3 Em LKŽe, a página 648 é citada incorretamente.

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Almōben ‘o mesmo’ (Q 22), baixo-alto-alemão moderno Almosen ‘esmola’; cf. alto-alemão antigo almuosen, alto-alemão médio alā-muosan, saxão antigo alamosna, neerlandês médio almoes; provém do latim eclesiástico elemōsyna f., e este, do grego eleēmosýnē f. ‘compaixão, piedade’, mais tarde também ‘esmola’ (Lexer I 40; Kluge 2002: 33); 1. elemozina. Cf. ainda almūžas.

almūžas subst. masc. ‘esmola, dádiva’ C I 73 (orig. Almufai), N 4, [K], Alm 25 < prussiano antigo almus subst. neutro ‘o mesmo’ (Alm (PrW)), alto-alemão antigo almūse (Lexer I 40); cf. neerlandês médio almoes, norueguês antigo allmos, esloveno antigo olmusa (Kluge 2002: 33). Cf. ainda almina.

býbelės subst. fem. pl. (1) ‘Bíblia, Sagrada Escritura’ KluD 364, K, Alm 31; býbelis subst. masc. (1) LLCh 158 (orig. gen. sg. Bibelio), N 329 (Rg), NmŽ < prussiano antigo bībal ‘Sagrada Escritura’ (Ziesemer I 593); cf. alto-alemão antigo bēbel fem. ‘livro, Bíblia’, baixo-alto-alemão moderno Bibel, latim eclesiástico biblia ‘Livros Sagrados’ (Lexer I 263; Kluge 2002: 119).

býbeliskas adj. ‘característico da Bíblia’ N 329, K, Alm 31, adv. býbeliskai K → bybelis; cf. baixo-alto-alemão moderno bibisch.

býbelšprukis subst. masc. ‘palavra da Sagrada Escritura’ K I 238, Alm 31 < baixo-alto-alemão moderno Bibel-spruch masc. ‘o mesmo’.

býbelšundė subst. fem. ‘tempo dedicado à leitura da Bíblia’ NmŽ < baixo-alto-alemão moderno Bibelstun-de fem. ‘o mesmo’.

decmōnas subst. masc. ‘dinheiro da igreja, dízimo’ B 341, Prel 54 (dēmonas), Alm 43; cf. prussiano antigo Decem ‘dízimo, taxa paga ao clérigo’ (Fr I 135), baixo-alto-alemão moderno Kirchendezem ‘o mesmo’; latim vulgar decimus ‘exactor decimarum’ (Prellwitz 1891: 54). Cf. ainda temonas.

fīrmeluoti verbo ‘consagrar, crismar’ K I 49, Alm 50 < baixo-alto-alemão moderno firmeln ‘o mesmo’; cf. latim (confirmare ‘fortalecer’) (Kluge 2002: 295).

gnōda subst. fem. (1) ‘graça’ N 266, K, Alm 55 < prussiano antigo gnōd ‘o mesmo’ (Alm (PrW)); cf. baixo-alto-alemão moderno Gnade fem. ‘graça, misericórdia’, alto-alemão antigo ge-nāde, gnāde ‘paz; felicidade, bem-aventurança; auxílio e misericórdia de Deus’ (Lexer I 850).

katigmas subst. masc. ‘catecismo, exposição breve da doutrina cristã em forma de perguntas e respostas’ C I 222, 425 (orig. Katīgmas), B 85, 178, 300, R II 91, MŽ 119, K. Donel (katigmas), katigmas Q 110, kategimas C I 425, kat-gimas pl. Lex 21, K I 679, K, Prel 61, Alm 64; katìsmas subst. fem. pl. Prel 61 (katis-mos), Alm 64 < prussiano antigo katxism, katism, katismen, pl. Katisen (Fr I 345; Alm (PrW)); cf. baixo-alto-alemão moderno Katechismus ‘catecismo’, do latim catēchēsmus ‘instrução na fé’, do grego katēchēsis ‘instrução’.

kērùbas (kerubas) subst. masc. (2) ‘querubim, anjo da mais alta hierarquia’ C I 428 (orig. Kēruibas), B 311 (kerub’s), R II 91 (Kērubas), MŽ II 120 (Kērubas), N 197 (Kerubas), K (kērubas), Alm 65 (kerubas) < prussiano antigo Cherub (C I 426), baixo-alto-alemão moderno Cherub ecles. ‘querubim’; cf. hebraico kerub (pl. kerubim) ‘o mesmo’; [v.l.] neerlandês antigo cherub ‘anjo da mais alta hierarquia, etc.’, do latim Cherub, pl. Cherubim, Cherubim ‘hierarquia de anjos mencionada no Antigo Testamento’, do grego χερουβ ‘querubim, criatura alada que paira sobre a arca que guarda as 10 leis de Deus

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as tábuas de pedra dadas a Moisés; o anjo que conduz a carruagem celeste de Deus, do pl. do hebraico antigo ḵərūbīm (LKPŽ 708).

kirkrots subst. m. ‘conselho da igreja, colégio’ K I 687, kirkrots Alm 67 < baixo-alemão antigo Kirchenrat m. ‘o mesmo’ dialetal.

kleboningai (hebr.) subst. m. pl. ecles. ‘décima parte do lucro ou dos rendimentos que os fiéis deviam dar à igreja, ao pastor; dízimo’ Lex 23, Q 119; kleboningai C I 453 (orig. Luter-Klebōn-Patobel-Pinningai), B 34; compostos de klebonas, do eslavo, e penigai, pinigai, do germânico.

liuterė subst. f. ‘dízimo pago pelos fiéis à Igreja luterana’ B 794 (orig. pl. Lutteres), N 376 (Tlž, Luttere); liuteris subst. m. N 376 (Rg, orig. Lütteris), liuteriai pl. (1) K, Prl 55, Alm 82; → liuterpingai ‘dízimo, dinheiro da igreja pago nas igrejas luteranas’; cf. baixo-alemão antigo Luther ‘Lutero (nome próprio)’.

Luter–Klebon–Patobel penigai (Luter [penigai], Klebon [penigai] subst. m. pl. ‘dízimo, dinheiro da igreja pago nas igrejas luteranas’ Lex 23; compostos de luteris, do germânico, e penigai; de klebonas, do eslavo, e penigai, do germânico; de patobel, do germânico, e penigai.

pōdženklis (hebr.) subst. m. (1) ‘cartões ornamentados e selados, oferecidos pelos padrinhos com votos, nos quais se põe um presente ou dinheiro para a criança batizada’ K II 105 (orig. pōd-ženkļis); composto do germânico podis e do lituano ženklas; cf. baixo-alemão antigo Patenbrief, Patentel ‘o mesmo’ (Grimm XIII 1502).

psalteras subst. m. Lex 69, C II 245, Q 398, H (orig. Pſalteras), N 317, Alm 106, KŽ 1. ‘salmo, saltério’ BB Ps tit. 1. 2. ‘instrumento musical de cordas’ BB 1 Kar 10,12, BB 2 Sam 6,5, BB 1 Kn 14,8, BB Ps 71,22, BB Dan 3,5, BB Iz 5,12, BB Am 5,23, BB Ezd 12,27, BB 1 Sam 10 (Pſalteras), RB 71,22, B 987, ‘violino’ R II 283, MŽ II 378; psaltērius (2) K, K II 116, KŽ; psalterius H 108, N 317 (Pſalterus) 1. ‘saltério’ MŽ 481 (gen. sing. išch Pſalteras), 495 (iſch Pſalteras), psaltērius (2) NdŽ. 2. ‘instrumento musical de cordas’ BB Ps 33,2 (ant Pſalterias), BB Ps 57,9, BB Am 6,5, RB Ps 33,2; 57,9, ‘violino’ R II 283, MŽ II 378; < Palavra original. Psalter ‘Psalter’ (Q 398; C II 245), alto-alemão antigo psalter m. ‘livro dos salmos’, baixo-alemão antigo Psalter m. ‘livro dos salmos; cítara, instrumento musical medieval’; do alemão, por intermédio do latim eclesiástico psaltērium n. ‘instrumento de cordas semelhante à cítara; fig. salmos de Davi’, por sua vez do grego psaltērion n. ‘instrumento de cordas’; cf. baixo-neerlandês psalter (Lexer II 304; Kluge 2002, 727); 1. psalterz.

predikati, -uoja, -avo intr. ‘pregar, repreender publicamente’ C I 221, B 985, N 314, [K], Alm 104, KŽ, (spredekti KŽ, spredikauti Alm 118 → sprede) < Palavra original. predigen ‘falar muito’ (Alm (PrW)), alto-alemão antigo bredgen, predigen, baixo-alemão antigo predigen ‘pregar; fig. anunciar, propagar’; do alemão, do latim predicare ‘proclamar publicamente’; cf. baixo-neerlandês prediken (Lexer I 345); prussiano antigo prediken ‘o mesmo’ (Sehwers 1953: 95), predeken ‘pregar’ (MndW III 372).

prédika subst. f. (1) ‘fala, sermão’ BzF 175 (TP 1881, 22), KŽ, Pr, spre-dika Alm 118, FrW, predikis subst. m. (1) ‘fala, sermão’ TŽ II

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186 (Inšk), LC 1880,27, sprėdikis sm. (1) NdŽ, APh VI 200, FnW, Lnk, Ms, Mžk, NmŽ, sprėkas sm. Alm 118 < v.v.ž. sprėdė ‘sermão’; cf. sul. alem. Predig, alto-alem. ant. brede, predie f., alto-alem. méd. prediga, alto-alem. mod. Predigt f. ‘sermão eclesiástico; fig. exortação’; alemão, do latim tardio predica ‘proclamação pública, sermão’ (Kluge 2002: 719; Lexer I 345); letão spredikis ‘sermão’, do alemão (Sehwers 1953: 117).

šprūknygės (híbr.) sf. pl. (1) ‘coletânea de ensinamentos e sentenças, catecismo’ K II 19, NmŽ, šprūngės ‘livros de orações’ NmŽ; derivado do germânico šprūkas e do eslavo knygos pl., cf. alto-alem. mod. Spruchbuch n. ‘idem’.

tėmonas sm. (1) ‘dízimo eclesiástico’ N 93 (Lbgv), [K], Prl 54, Alm 141, KŽ; cf. prussiano Decem ‘dízimo, tributo ao clérigo’ (Fr I 135), tęsen, tatsen ‘idem’ (Alm (PrW)); latim decem ‘dez’. Cf. ainda decmonas.

6) denominações de pessoas, por exemplo:

áptas sm. ‘superior de um mosteiro católico masculino’ Lex 3a, Q 13 (orig. apts), [K 19], aptas Alm 27; abtas Alm 23 < prussiano Abt (Lex 3a), alto-alem. mod. Abt m. ‘abade, superior de mosteiro’; cf. alto-alem. ant. abbet, abt, alto-alem. méd. abbet, neerlandês médio apt, abt, neerlandês moderno abt; alemão, do latim eclesiástico abbās < do grego abbā, do armênio abbā ‘pai’ (Kluge 2002: 11; Lexer I 1); alto-alem. ant. abbet, abt (MndW I 1).

áptienė sf. ‘superiora de um mosteiro católico’ Q 13, B 39 (orig. aptene), K I 33, aptiene Alm 27, abtiene sf. N 2 (abtėne), Alm 23; derivado do germânico aptas, abtas.

bapstas sm. ‘papa’ [K], Alm 29, bapstas N 317 < alto-alem. mod. Bapt m. ‘idem’, cf. alto-alem. ant. bābst, bapst, alto-alem. méd. bābes, alto-alem. mod. Papst; o alemão tomou emprestado do latim vulgar tardio pāpes (também do francês antigo papas); b em lugar de p é frequente nos primeiros empréstimos do alemão (Grimm XII 1448; Kluge 2002: 679; Lexer I 107).

býblenės (híbr.) sm. (1) ‘distribuidor, propagador da Bíblia’ LC 182, 48; derivado do germânico bybele, bybelis e do lituano nešti ‘levar’.

bėdelis sm. (1) ‘diabo’ Tr, Pr, Erž; bėdelis Gk, Skr, Krš, Rs, Trg < alto-alem. ant. bōd(d)el, alto-alem. bōdel ‘funcionário judicial, carrasco’; cf. alto-alem. mod. Büttel, sueco bödel, francês antigo bedel, baixo-alemão antigo budil (Kluge 1957: 115), alto-alem. ant. bēdel ‘mendicância, súplica’ (Alm 31), bedeler ‘mendigo’ (MndW I 169).

dómproptas sm. ‘cônego sênior da catedral’ K I 302 < alto-alem. mod. Domprobst ‘idem’.

franciskōnas sm. ‘membro de ordem católica de frades mendicantes’ K I 461, franciskonas Alm 51; cf. alemão Franziskaner ‘idem’, polonês franciskani pl. (Brückner 1974: 127).

iškunigis sm. (1) ‘antigo sacerdote; ex-sacerdote’ NdŽ, LzP; derivado do germânico kunigas e do prefixo lituano iš-.

kāntēris sm. (1) ‘certo funcionário da Igreja protestante, organista’ Lex 21, C I 421, B 307, Q 108, N 178, K, Alm 62 < prussiano kanter ‘idem’ (Riemann III 76; Alm (PrW), Canter (Lex 21), cf. alto-alem. mod. Kanter; Kantor m.

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‘cantor, regente do coro da igreja; cantor’; médio-baixo-alemão cantor; alemão, do latim cantor ‘aquele que canta’ (Kluge 2002: 487).

kapučėnis subst. masc. ‘membro da ordem dos frades franciscanos, ramo dos franciscanos; assim chamado por causa de seus capuzes muito pontiagudos’ Alm 63, kapučėris, kapčerėris K I 677 < alemão moderno Kapuziner masc. ecles. ‘capuchinho’; cf. italiano cappuccini, latim capucinus ‘frade capuchinho, frade franciscano’.

katilėkas, -ė subst. masc. e fem. (2) ‘católico, pessoa que professa o catolicismo’ R I 56, R II 91, MŽ I 110, MŽ II 119, LLCh (Žodnelis), K, Prl 26, Alm 64 < prussiano katelik ‘idem’ (Alm (PrW)); cf. alemão moderno Katholik masc. ‘católico’; polonês katolik, latim Christianus catholicus, plural catholici.

kėčeris subst. masc. ‘herege, cismático’ Alm 64, kėčeris K I 683 < alemão moderno Ketzer masc. ‘idem’; cf. alto-alemão antigo ketzer, ketzer, kötzer ‘aquele que tem uma fé errônea’; segundo a seita maniqueísta dos cátaros (grego katharós ‘limpo, virtuoso, puro, inocente’), latim medieval Cathari; alemão, do latim medieval catharus, grego-latim catharus (Kluge 2002: 485; Lexer I 1563).

kirkversteris subst. masc. ‘chefe da igreja’ Alm 66, kirkeversteris K I 687 < alemão moderno Kirchenvorsteher masc. ‘idem’, germanismo dialetal.

kirkpoderis subst. masc. ‘servidor da igreja, organista, sacristão’ B 795; kirkpoderis Q 297 (orig. Kirr=Poders); kirkvederis subst. masc. ‘servidor da igreja’ K I 687, kirkeveris Alm 66 < prussiano Kircheder (a=ā) ‘chefe da igreja, membro do conselho da igreja ou do conselho paroquial’ (Fr I 363–364); cf. alemão moderno Kirchenvater.

kleknėrienė subst. fem. ‘esposa do sineiro’ K I 555, KŽ → kleknėris.

kleknėris subst. masc. (1) ‘sineiro’ B 591, R II 180, 223, MŽ II 238, 298, Prk, kleknėris Sch 188–189, Prk; kleknorius B 831 (Klenorus); kleknėrė subst. masc. (1) ‘sineiro’ K, K I 83, Prl 61, KŽ, kleknėrė Alm 67 < prussiano oriental kleknär, klekner ‘sineiro’ (Mitzka 1919: 124, Alm (PrW)); cf. alto-alemão antigo glockenäre ‘sineiro’ (Lexer I 1037), alemão moderno Glöckner ‘idem’, saxão antigo cloc(c) ‘sino pequeno’, neerlandês moderno klok, sueco moderno klocka (Kluge 2002: 362).

kocėrus subst. masc. ‘cismático, herege’ K¹ 13, Lex 53a (orig. kocer[us]), C I 1054 (Kōcerus), Q 295, B 434, 779, N 203; kocėrius MŽ 338 (acus. pl. Kocerius), DP 535 (kaceris), [K kocierius], KŽ (kocėrius); kōcėrius subst. masc. (1) ecles. ‘herege, cismático’ DP 119, 541 (kacerius), MŽ II 296 (Kōcerus), PG, K I 683 < alto-alemão antigo katzer masc. ‘aquele que tem uma fé errônea, herege’, germanismo dialetal com o, pois na língua da Ordem Teutônica da Prússia, em lugar do â longo aberto do alto-alemão antigo, havia frequentemente um ô longo aberto; alemão, do latim medieval catarus, grego-latim catharus (Lexer I 1563; Ziesemer 1924: 114); cf. prussiano Ketzer (C I 1054), alto-alemão antigo ketzer (desde o século XII), kätzer, közer, alemão moderno Ketzer (Lexer I 1563; Kluge 2002: 485); (sérvio-lusácio, baixo-lusácio) baixo-lusácio kacer ‘herege, cismático; garanhão’ < sérvio-croata kacir, tcheco kacíř, kačíř ‘herege’, do alto-alemão [N.Č. – corrigido de v.v.ž., pois v.v.ž. é ketter] katzer, alto-alemão antigo ketzer, alemão moderno Ketzer ‘idem’, do latim medieval catharus, designação dos membros de novas seitas; membro da seita dos neomaniqueístas < grego (LKPŽ 338–339), polonês kacer do tcheco kacieř < alemão Katzer, Ketzer (Brückner 1974: 211).

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NIOLĖ ČEPENĖ

kunegbuvis (hib.) s. ‘antigo sacerdote ou seminarista’ Pron, Užv, kunigbuvis BŽ 477; compostos formados com os germ. kunegas, kunigas e o lituano būti.

kungas s. 1. ‘clérigo (esp. católico)’ DK¹ 30, DK² 32, AK 9,17, AK 66,19 (orig. pl. kungay), KŽ. 2. ‘senhor, soberano’ S. Dauk; cf. baixo-alemão kunic, kunig, kong ‘rei; governante’, alto-alemão antigo chung (Lexer I 1774), germânico setentrional antigo kung, sueco antigo kung (Kluge 1957: 391; 2002: 520); letão kungs ‘senhor’, do alto-alemão antigo kunig (Sehwers 1953: 61). Cf. também kunigas.

kunigáiktis (1) ‘ancião, chefe, soberano, sacerdote, oficiante’ BB 1 Moz 23,6, BB 1 Moz 36,15, VlnE 22,2 (orig. Kunigajchtis), VlnE 69,21 (Kunigaikštis), DP 3,6, DP 163, DP 167,44 (acc. pl. kunigąszczus), DP 217,17, 67, 571, SD¹ 67, SD³ 27, 137, SP I 47, B 500, S. Dauk (kunigaikštis), R II 389, MŽ II 523 → kunigas.

kunigátis s. (1) ‘jovem sacerdote, vigário; seminarista’ Šts, Mrc; derivado de kunigas.

kunigas s. (3ᵇ), FnW, (kunegas) ‘senhor, soberano; chefe’ MŽ 396 (orig. Kunigs), 505, C I 908, B 53, 107, 681, 500, 511, 682, KlG 24, R I 70 (Kunigs), MŽ I 135 (Kunigs), K, A 1884, 307, 308, A 1885, 37, K. Būg, rš, KŽ, kūne-gas S. Dauk, dim. kunigėlis B 379, kunigėlis B 499. 2. ‘clérigo (esp. católico, protestante)’ MŽ 30, 127, 505, BP I 153, BP II 210, 278, DP 17,27; 75,44; 141,13, MT (prólogo de Blotno) 7, MT 38,12, MP 40, 78, VP 26 (kunegas), Ch¹Mr 1,44, AK 97, PK 160, Vln¹⁵⁰, Vln 50,12, Vln 58,9 (Kunigs), VlnE 7,4, VlnE 51,20 (wiraufelskningas), VlnE 199,1 (pl. kunigai), ZEE 204,2 (pl. kunigai), RB it. 1. 4, 12, SD³ 96, 116, SD 84, Lex 67, 68a, SP 69, SG I 35, Q 275 (Dwaronu kunigs), 383, 396 (Kunigs), H 54, B 85, 210 (kunigs), 311, 313, 441, 543, 681, 721, 860, 873, 971, PVG 60 (1712 m.), PVG 93 (1728 m.), PVG 604 (1831 m.), R I 70, MŽ I 135, LLCh 216 (pl. kunigai), 255, K, M. Valanč, VP 26 (kunegas), K. Donel, S. Dauk, Rp 69, BzBk 110 (kunegas), Prl 44, NG 42, Dg 52, J, JV 1038, FnW, Alm 75, Sim, GK 1939, 103, NŽR, KŽ, ŠVŽ (gen. sing. kòngą, Šak, Šal, Vin, Dauk, kòngės Lu), ZŠŽ (Grš, Br, Šk), KzRŽ, ZtŽ, DvŽ, LzŽ, Mrj, Šk, Srj, Ram, Vnv, Gmb, Klp (kunigs), Krš (kunegas), Akm (kònegas), norte de Panevėžys (kū.nógs), Dv, Plv, Ss, Šl, Pn, Pln, Zp, Klt, dim. kunigėlis KŽ, DvŽ, kunigėlis KzRŽ; empréstimo do baixo-alemão kunic ‘rei, soberano’; cf. alto-alemão médio künic (Lexer I 1774); alto-alemão antigo kun(i)ng, baixo-alemão médio kunig, kung ‘rei, soberano, senhor’, germânico antigo ocidental kuning (mais tarde kunig, neerlandês koning, alto-alemão moderno König ‘rei, soberano’; finlandês kuningas, estoniano kuningas (Kluge 1957: 391; 2002: 519–520; Grim XI 1691); baixo-alemão médio konink, konnik ‘rei’ (MdW II 524); pr. konags ‘duque, rei’ é também um germanismo (Mažiulis II 242–243 (E 405)). Cf. também kungas, kunigas, iškunigis, naukunigis, pakunigis, puskūnigis, senkunigis, velniakunigis, viškūnis.

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Acta Linguistica Lithuanica LXX

Religinė, mitologinė leksika: skoliniai iš germanų kalbų

kūnigė sf. (1) 1. ‘mulher clériga, sacerdotisa’ S. Dauk, Pt, kūnigė rš, ‘superiora de convento ou templo’ SD³ 138, N 210, A 1884, 63, KŽ. 2. ‘esposa de um kūnigas (pastor)’ [K (Kt)], KŽ, I. Simon; → kunigas, kunigas. Cf. também kunigė.

kunigėlis s. (2) ‘vigário’ NG 60, Sln, Skp, kunigėlis ŠVŽ (Št); derivado de kunigas.

kunigienė sf. (1) Brž, kunigienė (1) K; OsG 18 ‘esposa de um kūnigas (pastor)’ R I 71 (orig. Kunignė), K, LC 1881, 17, Am 76, KŽ → kunigas.

kunigija sf. (2) coletivo ‘clero, conjunto de clérigos’ M, J, sp, FrnW, V. Kudr, KŽ, Prn, Bs, Blv, kunigija Am 75, kunigija A 1884, 381, kunigija KŽ. Gmž; derivados de kunigas, kuningas.

kunigas s. (2) ‘pastor’ Prk; derivado de kunigas.

kuniginkas, -ė substantivo comum de dois gêneros (1) ‘discípulo de um kūnigas, em preparação para a ordenação’ A 1885, 372, BsV 164, KŽ (orig. kunigininkas), Klp, Prk → kunigas.

kuniginis, -ė substantivo comum de dois gêneros (2) ‘adepto das ideias de Kūnas, partidário de Kūnas’ rš, Žem, ZŠŽ (Gr); derivado de kunigas.

kunigiškas s. (1) ‘kunigas’ Šv; derivado de kunigas.

kunigiškis, -ė substantivo comum de dois gêneros (2) 1. ‘clérigo (esp. católico)’ Ch 2 Moz 30,30, Grv. 2. ‘discípulo de Kūnas, em preparação para a ordenação’ KŽ, Šlu, Prk, kunigiškis N 210, K, KŽ; derivados de kunigas, kunas.

kunigūkas s. (2) ‘seminarista’ Jrb; derivado diminutivo de kunigas.

kunigūžis s. (2) ‘clérigo protestante ou luterano’ Am 76, KŽ, ZŠŽ (Įk, Žvr, Šk, Nm), Vdž, Alk, Dkš, Gs, ‘clérigo luterano’ KrtnŽ; derivado de kunigas.

kuningas substantivo masculino (³ᵇ) FrnW 1. ‘senhor, soberano; chefe’ B 99, N 210. 2. ‘clérigo (especialmente católico), pároco’ C II 204 (orig. Kūnigas), 237 (Kūningas), 647 (Kūnngas), 1121, Q 75 (Kūnngas), 179, R I 70 (Kūnngas), R II 58, 208 (Kūnngas), 276, 282, H II 186, PVG 193 (1748 m.), 362 (1793 m.), MŽ II 23, 78, 277, JV 615, Sln, BzF 52, N 210, K, KŽ (A 1883, 42), Pr 44, Šv, diminutivo kunigėlis N 210, kunigytis N 210, kunigūžis N 210; < v.v. kuninc, kuning ‘rei, soberano’ (Lexer I 1774); cf. também kun(i)g, v.v.ž. kunig ‘rei, soberano, senhor’, s.s. kun, n.nl. koning; finlandês kunigas (Kluge 1957: 391; 2002: 519–520), v.v.ž. koning, konink ‘rei’ (MndW II 524); pr. konagis ‘príncipe, rei’ de v.v.a. (ou v.v.) künic ‘rei’, v.v. kunic (kunig) ‘rei’ (Mažiulis II 242–243 (E 405)). Cf. ainda kunigas.

kūnigė substantivo feminino (1) 1. ‘mulher clériga, sacerdotisa’ rš. 2. ‘superiora, dirigente de um convento católico’ N 210, KŽ; → kunigas. Cf. ainda kunigė.

kunigienė R I 71 (orig. Kunignė), N 210 → kunigas.

kuningestis substantivo masculino ‘cardeal, clérigo católico’ Q 109 (orig. Kunningestis, Popezus Kaffes) → kunigas.

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NIJOLĖ ČEPIENĖ

manìstas substantivo masculino ‘menonita, membro de uma seita protestante’ K II 54, Alm 84, KŽ < Pr.v. Manist ‘o mesmo’. Os menonitas viviam na Prússia, sobretudo em Verder (Verder) e Žemuma (Niedergen) (Fr II 48); cf. v.v.ž. meniste ‘o mesmo’ (MndW III 71), n.v.a. Mennonist, assim designados em referência ao pastor Menno Simons (1496–1561, Países Baixos).

mukarãi substantivo masculino plural (3ᵇ) ‘antigos alemães que geralmente rezam em casa’ ŽŠŽ (Lkš), mūcharai substantivo masculino plural (1) ŽŠŽ (Šsr); mukeris ‘beato’ I.Šimon, mūkeris (1) ‘o mesmo’ prš, Yl < n.v.a. Mucker substantivo masculino ‘hipócrita, beato; alcunha dada no século XVII aos seguidores pietistas de J. F. Budde’; cf. v.v.a. mücheler substantivo masculino ‘Meuchler, scarius’ (Kluge 2002: 634–635; Lexer I 2191).

nacarėnas, -ė substantivo comum de dois gêneros ‘nazareno’ Alm 90; cf. alemão Naz(ar)ener ‘pertencente a uma seita judaico-cristã (nos primeiros séculos da nossa era)’, latim Nazareus do grego Nazarēnos ‘nazareno, epíteto de Jesus Cristo’.

naujūngis (hbr.) substantivo masculino ‘clérigo recém-ordenado’ Bv; composto do germânico kunigas e do lituano naujas.

pākūnis substantivo masculino (1) ‘auxiliar leigo de um pastor protestante’ Šs; derivado do germânico kunigas e do prefixo lituano pa-.

patōbelis substantivo masculino (1) ‘servidor da igreja, sineiro, sacristão’ Lex 43, Q 27, 29, C I 785, 1063, B 308, 591, 795, 831, R I 162, MŽ I 296, LLICH (glossário), N 107, [K], K I 555, KŽ, Alm 97, FnW, Pk, ‘auxiliar da igreja que fica atrás de uma mesa, alemão Tafel, como intérprete’ R I 162, MŽ I 296, Alm 97 < Pr.v. Potabel ‘antigamente, na Lituânia prussiana, servidor da igreja que auxiliava os servidores alemães da igreja. Suas funções eram tocar os sinos, providenciar vinho e hóstias para a comunhão, cuidar da igreja e de seus utensílios, levar a sacola para recolher as ofertas (Klingsäckel), vigiar os visitantes indisciplinados e pôr grilhões de ferro no pescoço (Halseisen) dos desobedientes, auxiliar os pregadores quando iam visitar doentes ou preparar batizados; também deviam participar da coleta do dízimo; cabia-lhes zelar pelos edifícios e ajudar os pregadores nos trabalhos agrícolas’ (Fr II 172). ALEW afirma que o alemão Potabel (Patabel) poderia ter sido tomado de empréstimo do lituano patōbelis (ALEW II 741–742).

pilgrìmas, -ė substantivo comum de dois gêneros (2) ‘peregrino, pessoa que viaja a lugares sagrados’ TrpŽ, Š, DŽ pilgrimas, -ė brš, pilgrimas KŽ < Pr.v. Pilgrim, n.v.a. Pilgrim ‘peregrino’ (Prel 40), s.v.a. pilgrim; cf. v.v.a. bilgerim, pilgerin, francês antigo pelegrin, inglês antigo pilgrim; alemão, do latim vulgar pelegrinus ‘estrangeiro, viajante’ (Kluge 2002: 703), v.v.ž. pelegim(e) ‘o mesmo’ (MndW III 315); italiano pellegrino do latim

pōdė substantivo feminino (2) ‘madrinha de batismo’ C II 192, KŽ, Alm 103 (na região de Aukštaitija), Pt, FnW, ŽŠŽ, KzRŽ, Š, Įnš, Žml, Vl, Erž, Įrb, Sk; pōdė substantivo masculino (2) ‘afilhado de batismo’ N 294, K, M. Valanč, S. Dauk, BM 400 (Šnt), LMD (Šs), KŽ, Alm 103 (na Samogícia), NmŽ, FnW, BM 400, Šnt, LMD (Šs), KrtnŽ (puodė), ŠVŽ (puodė Bks, Med, Lyk), Dr, Kv, Plt, Vkš, Sd, Trk, Ms, Nt, Trk, ‘afilhada de batismo’

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Acta Linguistica Lithuanica LXXX

Religinė, mitologinė leksika: skoliniai iš germanų kalbų

B 967 < Pr.v. pōde, pōt ‘padrinho ou madrinha de batismo, afilhado ou afilhada’ (Alm (PrW)); cf. baixo-alemão antigo pade m. ‘padrinho, madrinha, compadre, comadre’ (MndW III 291), alto-alemão moderno Pate m. ‘padrinho de batismo; afilhado’; f. ‘madrinha de batismo; afilhada’, lat. pater ‘pai espiritual, padrinho de batismo’ (Kluge 2002: 685).

precentėris s.m. ‘professor das crianças de uma igreja protestante paroquial’ PVG 413 (1794) < Pr.v. precenter ‘idem’ (Alm 105 (PrW)); cf. lat. praecentor ‘cantor, solista, maestro’.

pūkunėgis (dial.) s.m. (1) 1. ‘pregador luterano, ministro, pessoa que exerce as funções de sacerdote’ Grm, Vn. 2. ‘clérigo que recebeu as ordens de diácono’ Ndž; composto de germ. kunigas e lit. pus-

rabýneris s.m. ‘rabino, clérigo judeu’ K II 18, Alm 109 < alto-alemão moderno Rabiner ‘idem’; cf. heb. rabbi ‘meu mestre’; alto-alemão médio Rābīn ‘árabe’ (Lexer II 330).

sėnukigis (dial.) s.m. (1) ‘sacerdote velho, de estilo antigo’ Vaižg; composto de germ. kunigas e lit. senas

velniakūnis (dial.) s.m. ‘quem, com más intenções, se disfarça de sacerdote’ BsV 291, S I 165; composto de germ. kunigas e lit. velnias

vištkunigis (dial.) s.m. pl. (1) ‘quem não concluiu os estudos sacerdotais’ Nį, Skr; composto de germ. kunigas e lit. višta

7) léxico mitológico, denominações de seres sobrenaturais, por exemplo:

bazilikas (basilīkas, bazilīkus) s.m. ‘ser fabuloso, dragão’ WP 98a,8, SD 8, SD³ 9 (orig. bazyliszek), Bb Iz 11,8, B 189 (Basiliszek), baziliškas Lex 236 (Baziliszek), C I 236, Prl 51 (bazyliszas); cf. alto-alemão médio basiliske m., basilik (Lexer I 133), alto-alemão moderno Basilisk mit. ‘basilisco, dragão’, Pr.v. Baliljže (C I 236); neerlandês médio basilis, inglês moderno basilisk; em última análise, empréstimo do lat. basiliscus, este por sua vez do gr. basilískos ‘pequeno rei’ (Kluge 2002: 94); pol. bazyliszek. ALEW deriva o lit. baziliskas do polonês (ALEW I 100).

grális s.m. ‘recipiente misterioso e mágico (cavidade, taça), pedra (nas lendas e na literatura alemãs medievais)’ TrpŽ, KŽ, nSŽ; ‘taça lendária da qual Jesus Cristo bebeu na Última Ceia’ TrpŽ, NSŽ 144 < alem. Gral m. ‘relíquia sagrada (pedra, taça ou outra coisa)’; cf. alto-alemão médio grāl m. ‘santo Graal, cálice da Ceia de Cristo’, francês antigo graal ‘idem’; latim medieval gradalis (Kluge 2002: 367; Grimm VIII 1737; Lexer I 1066).

kābalas s.m. (1), pl. local ‘adivinhação do futuro por meio de cartas e de outras formas’ Vad, Lp, Kt, kabōlai pl. ZtŽ; cf. Pr.v. kābal ‘intrigas’ (Alm (PrW)), Cabale f. ‘intrigas secretas, conspirações’ (K I 673), alto-alemão moderno Kabale f. ‘ardil, dissimulação; conspiração’; inglês moderno cabal; sueco moderno kabal, norueguês moderno kabale; em última análise, do francês cabale ‘cabala, doutrina secreta judaica’, por sua vez do heb. qabbālā(h) ‘transmissão; tradição’ (Kluge 2002: 457); heb. qabbala ‘tradição (secreta)’, iídiche antigo kabbālāh ‘adivinhação’

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NIOLĖ ČEPIENĖ

iš skaičių, magija, intriga’ (Vasmer II 1986, 149); (v.l.), n.l. kabala, pl. kabaly ‘judėjų filosofinis apokrinis traktatas; būrimas kortomis; būrimas iš ženklų, skaičių; burtų mokomoji knyga; sąmokslas, intriga; rūpesčiai, sunkumai’ < l. jd. qabale ‘paslaptingasis judėjų mokymas’, v.lot. cabala ‘Kabala (išmintis, perduodama rabinų)’, iš v.hebr. qābālāh ‘gavimas, priėmimas; tradicijų perdavimas iš kartos į kartą; paprotinis įstatymas; po Mozės rašyti veikalai; kabala, paslaptingoji išmintis’; n.brus. kabalá ‘rūpesčiai; galvosūkis; apgaulė, niekai’, n.brus. dial. kabalny pl. ‘būrimo kortos’ (LKŽ 337), l. kabala ‘intriga, slaptas mokslas’ < vok. ir it. cabala, o š iš hebr. kabbalah (Brückner 1974: 211).

špūkas sm. (1, 3) ‘fantasma, espectro, assombração’ K II 200, Cp, NdŽ, BzF 185 (Prk), Am 134, FrnW, KŽ, ZŠŽ (Grš, Šk, Ssr, Snt), NmŽ, Šn, Vkv, Nm, Gs, Mrj, Tlž; špūkis, -ė smob. ‘quem anda à noite, notívago, fantasma’, BzF 185 (orig. spūks); špōkas (1) ‘fantasma, espectro’ ZŠŽ (Snt) < n.v.a. Spuk (Spuch) m. ‘espectro, fantasma, assombração’, palavra tomada do baixo-alemão médio spok, spök, n. ‘fantasma, espectro, ser desprezível’; compare-se o baixo-alto-alemão antigo spoke, o inglês antigo pūca mit. ‘gnomo, duende, espírito doméstico, espírito da casa’. A origem é incerta (Kluge 2002: 871; MndW IV 335).

pracūberoti, -oja, -ojo verb. ‘enfeitiçar, lançar um encantamento’ BzF 205 < n.v.a. verzaubern ‘o mesmo’.

Valhalà sf. ‘na mitologia escandinava antiga, palácio do deus Odin, morada dos guerreiros mortos em combate’ TrpŽ; quanto à origem, compare-se o alemão Walhall(a) < e o escandinavo antigo Valhǫll ‘palácio dos mortos’; na mitologia germânica setentrional, designa-se assim a sala, em alemão Halle, para onde vão os que caíram em combate (Kluge 2002: 970).

valkirijos sf. pl. (1) ‘na mitologia escandinava antiga, deusas guerreiras que ajudavam os heróis nas batalhas, conduziam as almas dos guerreiros mortos a Valhala e os serviam nos banquetes’ TrpŽ, NSŽ 454; compare-se o alto-alemão moderno Walküre f. <, o escandinavo antigo valkyrja ‘a que escolhe os mortos’, o sueco moderno valkyria, o inglês moderno Valkyrie, o neerlandês moderno valkure (Kluge 2002: 970).

Noite de Valpúrgia ‘festa pagã dos antigos germanos que marcava o início da primavera, na noite de 30 de abril para 1.º de maio; segundo as superstições alemãs, naquela noite os espíritos malignos e as bruxas celebravam um banquete e orgias no monte Brocken; banquete, orgia’ TrpŽ, Valpúrgia KŽ, NSŽ; compare-se o alemão Walpurgisnacht ‘noite das bruxas’; Walpurg(is) é uma santa germânica originária da Inglaterra, em alemão Walt-purc; na noite de 1.º de maio, as bruxas cavalgam no monte Blocksberg — a relação entre os pagãos e a santa é motivada apenas pela data; neerlandês moderno Walpurgisnacht, inglês moderno Walpurgis Night (Kluge 2002: 971); latim Valpurgis.

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Acta Linguistica Lithuanica LXX

Religinė, mitologinė leksika: skoliniai iš germanų kalbų

3. SOBRE OS SIGNIFICADOS E A ORIGEM DA PALAVRA OLA

Na Bíblia de Bretkūnas está registrada a palavra ola⁴ sf. ‘caverna, gruta, aposento, cripta’ (BB 1 Moz 23,9 ‘caverna para sepultar’, BB 1 Kar 18,4, BB 1 Kar 19,9, BB 1 Kar 19,13, BB Ps 142,1, olė BB 1 Kar 18,4, ola BB 1 Sam 24,4, BB 1 Sam 24,11, uola BB 1 Sam 24,4). As cavernas, como portais misteriosos para o mundo subterrâneo, são objeto de muitos cultos, mitos e lendas. Eram consideradas locais de nascimento dos deuses e moradas de eremitas. Nas crenças cretenses e micênicas havia muitas cavernas sagradas (NSŽ 294–296). Ola não é usado apenas no sentido de ‘caverna ou toca de animais ou aves’, como consta no LKŽ, mas também com os sentidos de ‘aposento, cripta, lugar para esconder; refúgio’. As criptas eram espaços de culto e sepultamento dos primeiros cristãos nas catacumbas, cemitérios subterrâneos. Pela Bíblia sabemos que as cavernas tinham portas (1 Kar 19,13) e eram grandes (esconderam-se 50 profetas aqui e 50 ali na caverna (1 Kar 18,4)). Eram usadas para sepultamentos — na tradução de Antanas Rubšys das Sagradas Escrituras (ŠvR, 1 Moz 23,19), lê-se: Então Abraão sepultou sua mulher na caverna do campo de Macpela, diante de Mamre {isto é, Hebron}, na terra de Canaã. O campo e a caverna passaram da posse dos hititas para a de Abraão como sepultura.

Bretkūnas e os revisores da Bíblia que ele traduziu provavelmente duvidavam que o significado das palavras lituanas traduzidas correspondesse exatamente ao da palavra original; por isso, ola é frequentemente acrescentada, correspondendo ao alto-alemão moderno Höhle f. (Hohl n.), ao alemão médio Hohle f. ‘caverna, cavidade; grande espaço oco na terra’ (Grimm X 714, 715, PaulW 299); compare-se o baixo-alemão médio hol n. ‘caverna, cavidade, espaço oco; refúgio, esconderijo’; na crônica do século XV do monge dominicano Hermann Korner, de Lübeck, e em textos escritos em baixo-alemão, registra-se o verbo holen ‘ich in eine Höhle, Versteck begeben (entrar, partir, ir para uma caverna, esconderijo)’ (MndW II 285, 288). O lituano ola também se relaciona com o alto-alemão antigo hol n., m. ‘caverna, buraco, abertura, cavidade’, alto-alemão antigo hūle f. (hol) ‘caverna, refúgio, esconderijo (Schlupfwinkel)’, [hule BB 1 Moz 19,30], alto-alemão antigo verb. hēln ‘manter escondido, ocultar’ (Lexer I 1324, 1381, 1242). Compare-se ainda o escandinavo aparentado hol (alto-alemão moderno Halle f. ‘vestíbulo, anexo com colunas’), cujo significado principal é ‘coberto, escondido’; (gótico hulþ-s ‘rocha, construção de pedras, salão nas rochas’); → germ. *hel- ‘ocultar, esconder’. Do verbo do alto-alemão antigo hēlen, hēln ‘manter escondido, ocultar, esconder, ocultar’ (alto-alemão moderno hehlen) derivou-se o alto-alemão antigo helle sf. mit. ‘mundo subterrâneo oculto e secreto dos mortos, inferno; espaço estreito entre a cornija e a parede’, alto-alemão antigo halle f.

⁴ Ola também está registrada em VlnE 101,11, DP 488, MP 284, SD³ 76, 85, 155, 281, 291, SD 66, 238, 246, Q 235, B 860, R I 167 (orig. ūla), MŽ I 306 (ūla), A. Baran, J, JD 853, Jrk 25, FrnW, ZŠŽ (Grš, Šk, Br), KzRŽ, Ds, Dkš, Km, Sg, Skp, Rš, diminutivo olūkė ZŠŽ (Lkš); também se encontram hola ‘buraco, caverna’ SP I 42,6; 42,11; 255,2, BzF 116, FrnW I 516, hala SD¹ 14, BzF 116.

⁵ Plg. dar s.v.a., v.n.l, s.fryz. hol, ang. hole ‘ola, urvas’ (Kluge 1957: 313).

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‘torre de madeira, colunas de madeira, cabana; lugar para preparar e armazenar sal’; cf. ainda gót. halja ‘mundo subterrâneo dos mortos’ (Lexer I 232, 1149; Kluge 1957: 283; Grimm X 229). W. Smoczyński considera a palavra lituana ola de origem incerta (Smoczyński 2007: 432). Letão ala ‘caverna, gruta, buraco’. J. Sehwers deriva-a do baixo-alemão médio hol ‘caverna, buraco, cavidade’ (Sehwers 1953: 1).

Assim, a palavra lituana ola ‘gruta, cova, sótão, cripta; refúgio’, registrada na Bíblia de Bretkūnas do século XVI, poderia derivar não apenas do baixo-alemão médio hol n. ‘caverna, gruta, cavidade vazia; refúgio’, como escreveu E. Fraenkel, mas também do alemão médio Hohle f. ‘caverna, cavidade; grande cavidade oca na terra’; cf. ainda o alto-alemão médio hūle (hule, hol) f. ‘gruta, cova, refúgio’. Cf. ainda Valhala (em 2, 7).

Na Sagrada Escritura traduzida por Antanas Rubšys encontramos o empréstimo šeolas m. ‘morada dos mortos, inferno’ ŠvR (Moz 37,35; GG 8,6; Job 24,19), provavelmente derivado do hebraico še’ol, que talvez se relacione com o alto-alemão novo Hölle f. ‘mundo subterrâneo dos mortos, inferno’, gótico halja, alto-alemão antigo hella ‘deusa Hel da mitologia, sua morada’ (Grimm X 174); cf. letão ellē ‘inferno’, do baixo-alemão médio helle (Sehwers 1953: 331–332). Segundo os dados disponíveis, a palavra šeolas não ocorre em textos lituanos antigos anteriores. Na Bíblia de Bretkūnas do século XVI, o alemão Hölle f. ‘inferno’ é traduzido pelo empréstimo do polonês peklą6.

4. DERIVAÇÕES

A partir dos germanismos do léxico religioso formam-se palavras novas: derivados, denominais e compostos. Com muita frequência, acrescentam-se à raiz do germanismo os sufixos lituanos -ienė, -ystė, -iškas, -auti. Há também palavras compostas e híbridos, em que um dos elementos é um germanismo e o outro uma palavra lituana. Muitos derivados formaram-se com o antigo germanismo kunigas.

Derivados, por exemplo: aptinė, aptinė f. ‘superiora de um convento católico’ → aptas, aptas; kunigė, kunigė, kuniginė f. (1) ‘esposa de um sacerdote (pastor)’. Formaram-se especialmente muitos derivados do empréstimo kunigas, kunigas: kunė, kunė f. (1) 1. ‘mulher clériga, sacerdotisa; superiora ou dirigente de um convento ou templo’. 2. ‘esposa de um sacerdote (pastor)’; → kunigas, kunigas; kunigaitis m. (1) ‘sacerdote jovem, vigário; seminarista’; kunigystė f. (2) ‘senhorio’ BP II 117, WP 27,13, DP 226, MT 30,31, ‘ofício sacerdotal, exercício do sacerdócio’ WP 27,13, DP 465, MT 18, Alm 76, FrnW, KŽ, KrtnŽ; kunigystė f. (2) ‘senhorio’ BB Joz 18,7, WP 152,19, DP 542, SP 204, B 684, R I 71, MŽ I 136, PG, ‘ofício sacerdotal,

6 O LKŽe não indica a fonte bíblica de Bretkūnas para a palavra peklą.

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exercício do sacerdócio’ BB 1 Sam 2,28, DK 94, AK 93, DP 75, MT 18, Ch¹ 312, PK 13, SD³ 96, SD 84, SG I 51, Lex 68a, Q 396, B 721, 810, 96, H 54, R I 71 (orig. Kunigystė), MŽ I 136, A 1885, 35, K, M. Valanč, M, FrnW, J. Bil, J. Šimk, KŽ, ŠVŽŽ (Dauk), kunigystė (2) ‘ofício sacerdotal, exercício do sacerdócio’ Lex 68a, C II 237, Q 396, H 54, R I 71 (Kunigystė), R II 282, N 210, A 1885, 78, ‘senhorio’ R I 71, N 210; cerėvstė f. ‘heresia; desvio (na fé)’ Alm 64; bybeliskas adj. ‘próprio da Bíblia’ N 329, K, Alm 31, adv. bybeliškai K; → Bybelis; cf. alto-alemão novo biblisch; ketseriskas adj. ‘próprio de um herege’ K I 683, adv. ketseriškai K I 683; kunigiškas, -a adj. (1), -à (³ᵇ) ‘próprio de um clérigo (especialmente católico)’ BB 2 Moz 19,6, DK 14, DP 27, 76, 547, SD³ 96, SD 84, B 96, K, BsMt II 238, M. Valanč, J. Jabl, KŽ, Ggr; kunigiškas, -a R II 282, N 210, A 1885, 81, adv. kunigiškai ‘como um sacerdote’ K, ŽŠ (Nm); kuniginis, -ė adj. (2) ‘dos clérigos (especialmente católicos)’ J. Jabl, KŽ, Šts.

Denominais: kunigauti, -auja (-ąna), -avo intr., kunigaut ŽŠ 1. ‘ser sacerdote, clérigo’ MŽ 421, BB Luk 1,8, S. Dauk, BzB 297, FrnW, P. Cvir, J. Jabl, J. Balt, Alm 75, KŽ, DŽ, ŠVŽŽ (Žbr). 2. ‘reinar’ MŽ 421, MT 250, rš; denominativo de kunigas; podžauti, -iauja, -iavo intr. ‘ser padrinho ou madrinha’ rš, ŽŠ (Jn), apipodžiauti tr. ‘fazer de padrinho ou madrinha’ ŽŠ (Jn), denominativo de podis; spredikauti verbo intr. ‘pregar’ Alm 118, spredėti KŽ, denominativo de spredika; pilgrinauti, -auja, -avo verbo intr. ‘peregrinar a lugares sagrados’ BB Iz 23,7, Prel 43 → pilgrimas; cf. baixo-alemão médio pelegrine ‘peregrino’ (Prel 43).

Compostos: bybelnėšis (híbr.) m. (1) ‘distribuidor, portador da Bíblia’ LC 1882, 48, composto de germ. bybele, bybelis e lituano nešti; iškunigis m. ‘ex-sacerdote, antigo sacerdote’ NdŽ, LzP, derivado de germ. kunigas e do prefixo lituano -iš; kirkapis (híbr.) m. (1) ‘sepulturas junto à igreja; adro’ R I 54, R II 223, MŽ II 298, N 200, K, KŽ, Alm 66, kirkapis KŽ, composto de germ. kirke e lituano kapas; cf. alto-alemão novo Kirchhof m. ‘sepulturas, cemitério’; kunegubuis (dial.) m. ‘antigo sacerdote ou seminarista’ Pron, Užv; kunigubuis BŽ 477, derivado de germ. kunegas, kunigas e lituano būti; Luter–Klebon–Patobel penigai (Luter [penigai], Klebon [penigai]) m. pl. ‘dízimo, dinheiro da igreja pago nas igrejas luteranas’ Lex 23; compostos de germ. luteris e penigai; do eslavo klebonas e germ. penigai; de germ. patobelis e penigai; põdženklis (híbr.) m. (1) ‘cartões ornamentados e selados oferecidos pelos padrinhos com votos, contendo um presente ou dinheiro para o afilhado’ K II 105 (orig. põd-ženklis; derivado de germ. podis e lituano ženklas; cf. alto-alemão novo Patenbrief, Patentzel, idem (Grimm XIII 1502); šprūknešis f. pl. (1) ‘coletânea de instruções, sentenças, catecismo’ K II 199, NmŽ, šprūknešės ‘livros de orações’ NmŽ, derivado de germ. šprukas e do plural lituano knygos; cf. alto-alemão novo Spruchbuch n. ‘idem’.

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5. OBSERVAÇÕES CRONOLÓGICAS

Poucas palavras da esfera religiosa foram registradas nos primeiros textos antigos do século XVI; um número um pouco maior foi encontrado na Bíblia de Bretkūnas, por exemplo: kunigas (kunegas, kun-gas); turmas ‘torre, campanário’; psalteras (psaltėrius, psalteras) ‘saltério; instrumento musical de cordas’; miras (miras, myras) ‘resina aromática’; izopas (yzopas, yzapas) ‘hissopo (Hyssopus officinalis); ramo de hissopo usado na igreja como aspersório’; skryne ‘na igreja católica, armário ornamentado no centro do altar para guardar a hóstia; caixa de esmolas, caixa-forte; arca (a respeito da embarcação construída pelo Noé bíblico’).

A partir do século XVII, os empréstimos aumentam, sobretudo nos dicionários prussiano-alemão-lituano e lituano-alemão, por exemplo: ablōtas ‘Natal’; almūzas ‘esmola, presente’; ilgės sf. pl. (2), ilgės (1) ‘Festa de Todos os Santos (1.º de novembro); kant̄eris ‘ocupante de certa função na igreja protestante, organista’; katgismas ‘catecismo, exposição breve da doutrina cristã em forma de perguntas e respostas’; kerūbas (kerubas) bān. ‘anjo da mais alta hierarquia’; cf. alemão Cherub, Pr.v. Cherub (C I 426), hebraico kerub (pl. kerubin) ‘idem’; assírio k’rub ‘ave gigantesca com patas de leão e cabeça humana, grifo’ (Kluge 1957: 268); kirpėdis ‘servidor da igreja, organista, sacristão, kirkodis; kleboningai sm. pl. bān. ‘parte determinada dos lucros ou rendimentos que os fiéis tinham de entregar à igreja e ao pastor; dízimo’; derivado de eslavo klebonas e germânico penig; kleboningai (orig. Lutter-Klebon-Patbel-Piningai); gángos sf. pl. (1) ‘lugar na igreja junto ao órgão; coro elevado < alemão Gang ‘idem’; predikau, -auja, -avo intr. ‘pregar, repreender publicamente’; tapelis ‘pequena bolsa para recolher ofertas na igreja’ < Pr.v. tofel ‘placa’, cf. dialeto elísio tôfel ‘placa (suspensa), tábua percutida para produzir som e dar um sinal, usada em igrejas e mosteiros em vez de tocar o sino’, alemão moderno Tafel (Grimm XXI 13).

No século XVII aparecem novos empréstimos, muitos dos quais são apresentados no dicionário de Jokūbas Brodovskis, por exemplo: dreskama sf. ‘sacristia’, dreskare, dreskare LC 1885, 12; kapelė ‘igreja pequena, capela’; klekneris ‘sineiro’; klingbelis ‘bolsa para recolher dinheiro na igreja’; klosteris ‘mosteiro’; precenteris ‘professor das crianças de uma igreja paroquial protestante’ PVG 413 (1794); prussiano antigo kirkapis ‘cemitério junto à igreja, adro’.

A partir do século XIX, novos empréstimos foram registrados nos dicionários de G. H. F. Nesselmann e, sobretudo, de F. Kurschat, por exemplo: bybelis sm., býbelės sf. pl. ‘Bíblia’; býbelšprūks ‘palavra da Sagrada Escritura’; verbo fīrmeliuoti ‘abençoar, confirmar’; franciškonas ‘membro de uma ordem católica mendicante’; gnōda ‘graça’; jerģtēliai interj. ‘Meu Deus, meu Deus’; kapučīneris (kaputsīneris) ‘membro de uma ordem religiosa católica, ramo da ordem franciscana, assim chamada por causa dos seus capuzes particularmente pontiagudos’; liktis sf. (4, 2) ‘festa da Candelária; celebração religiosa à qual os fiéis vão com velas (2 de fevereiro)’; liturgija ‘ordem dos serviços religiosos públicos, especialmente das missas, nas igrejas cristãs

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nas igrejas < alemão Liturgie ‘o mesmo’, cf. baixo-alemão liturgie, latim eclesiástico liturgia, grego leito-urgía (Kluge 2002: 578); próptas ‘pároco’; rabýneris ‘rabino’; sprė́dka subst. fem. (1) ‘discurso, sermão’, sprė́dka Alm 118, FrW, sprė́ka KŽ, sprė́das subst. masc.; sprūknýtis pl. ‘coleção de ensinamentos, sentenças, catecismo’; tōbelis ‘saco para recolher ofertas na igreja’. Nos seus trabalhos, A. Bezenberger apresentou primeiro as pala-vras: bėrės subst. fem. pl. ‘refeição fúnebre, banquete funerário’ BzF 9; cf. prussiano antigo Behre ‘banquete para os falecidos’ (Ziesemer I 530), alemão baixo médio bōre ‘padiola’ (Sehwers 1953: 11), alemão baixo antigo bere ‘padiola’, alto-alemão novo Bahre fem., com o sentido de ‘padiola para transportar um morto’ (Kluge 2002: 83), alemão baixo médio bōrige fem. ‘elevação, recolha; oferta (Hebung, Einnahme)’ (MndW I 397, VI 80); letão bēres ‘padiola para transportar um morto’, do alemão baixo médio bōre ou frísio oriental bōre ‘padiola’ (Karulis I 121); pracuberoti ‘enfeitiçar, embruxar’ BzF 205 (Dargužiai), Prė 58 (pracuberots).

Muitos empréstimos deste grupo temático foram registrados no dicionário lituano-alemão em quatro volumes de Aleksandras Kuršaitis, publicado em 1968–1973 (grālis sm. ‘recipiente misterioso e milagroso (cova, cálice), pedra (nas lendas e obras literárias medievais alemãs); segundo a lenda, cálice do qual Jesus Cristo bebeu na Última Ceia’; ilgkritis sm. (2) ‘véspera de Natal (?), pl. presentes de Natal’; derivado do baixo-alemão médio hilgen ‘santos’ e do lituano Kristus; cf. alemão der heilige Christabend; kirvelis ‘festa paroquial (comemorando a consagração da igreja); feira (associada à festa paroquial)’; nacarenas, -ė sm. ‘nazareno’ Alm 90.

6. CONCLUSÕES

Nos escritos e dicionários da Prússia foram registrados numerosos empréstimos de vocabulário religioso das línguas germânicas, pois a Lituânia Menor foi cristianizada pelos alemães, que governaram essa região durante muito tempo. Como as ordens monásticas participaram desse processo, a língua lituana possui denominações de mosteiros e monges de origem alemã: aptā ‘mosteiro católico’, klosteris ‘mosteiro’, kapucinēris ‘membro de uma ordem religiosa católica, da ordem franciscana, assim chamada por causa dos seus capuzes particularmente pontiagudos’, franciskānas ‘membro de uma ordem católica mendicante’, além de denominações de outros clérigos, edifícios, objetos usados nos ritos da igreja, festas e outros elementos.

Quanto à origem, o vocabulário emprestado religioso e mitológico compreende: 1) empréstimos das línguas germânicas, principalmente do alemão; 2) palavras gregas (por exemplo, psalteras), latinas (por exemplo, skrynē), hebraicas (por exemplo, kērūbas ‘anjo da mais alta hierarquia’, do hebraico kerub (pl. kerubim), aramaicas (aptas ‘superior de um mosteiro’), do francês antigo (por exemplo, gralis) e de outras línguas, que chegaram ao lituano através das línguas germânicas.

As primeiras palavras do vocabulário religioso de origem germânica registradas nos textos lituanos dos séculos XVI–XVII provieram sobretudo do alemão médio e do dialeto alto-alemão médio. O vocabulário mitológico é escasso; a maior parte foi registrada apenas no século XIX.

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Alguns empréstimos do léxico religioso são comuns ao lituano e ao letão. Eles têm correspondentes em outras línguas europeias.

O significado da palavra lituana olà não é apenas ‘toca ou covil de pequenos animais ou aves’, como consta no LKŽ: na Bíblia de Bretkūnas, do século XVI, ela também aparece com o significado de ‘câmara mortuária (funer.), cripta; refúgio’, para o qual foi traduzido o alemão Höhle f. (Hohle, no dialeto do alemão médio), Hohl n. A palavra lituana olà está relacionada com o m.al.a. hol n. ‘caverna, gruta; refúgio’, o.a.m. höle (hole, hol) f. ‘caverna, buraco, refúgio’, n.a.a. Hohl n. ‘caverna, abrigo, depressão, compartimento vazio e rebaixado’, germânico *hel- ‘esconder’, o.a.m. verb. hëlen, hën ‘manter em segredo, ocultar, esconder’, m.al.a. helen, a.a.a. helan, a.s. helan.

A maioria dos germanismos do léxico religioso aparece apenas nos antigos textos lituanos e em dicionários publicados na Prússia. Alguns empréstimos do léxico religioso são usados, em geral, apenas na língua falada, nos dialetos, por exemplo: bėdelis ‘diabo’ Tg, Pr, Erž (biedes Gr, Sk, Krš, Rs, Trg); bybelštundė ‘hora dedicada à leitura da Bíblia’ Nmž; interj. jėrgumano ‘meu Deus’ Šts, combinação do germânico jergau com o pronome lituano mano, cf. jergulis; kantaras ‘cantor’ ZŠŽ (arredores de Šakiai), cf. kanteris (desde o século XVII); mukrai3b ‘antigos alemães que geralmente rezam em casa’ ZŠŽ (Lks), mucharai ZŠŽ (Sr), mūkaris pr. Yl, mukėris ‘festa’ Prk; podinai substantivo masculino plural 3b ‘padrinhos, padrinho e madrinha’ Šl, Mšk, pōdinai (1) Vkš, Žml, pōdinas substantivo masculino (1, 3b) ‘padrinho’ FrnW, Žg, Mšk, Šl, Jnš, Lg, Žml, Pš, Lnk, Ps, diminutivo podinukas, -ė substantivo comum de dois gêneros (2) ‘afilhado’ Gs, ZŠŽ (arredores de Šakiai), derivado de podinas, šprūkai plural ‘orações’ Nmž. As palavras mais difundidas na língua falada são: kunigas (kūnegas), pōdė ‘madrinha; afilhado’, pōdis ‘padrinho, madrinha’, pōdžius ‘padrinho, pōdžiai substantivo masculino plural ‘padrinhos, padrinho e madrinha’, pōdinas ‘padrinho’, interj. jergulis ‘Meu Deus, meu querido Deus’, spridis ‘sermão, pregação’, bėdelis (biedes) ‘diabo’.

ABREVIATURAS

acc. – acusativo

ags. – anglo-saxão

ang. – inglês

ankstyv. – antigo

aram. – aramaico

bāžn.lot. – latim eclesiástico

brūs. – bielorrusso

ček. – tcheco

dan. – dinamarquês

dem. – diminutivo

dial. – dialeto

est. – estoniano

frís. – frísio

gen. – genitivus, genitivo

germ. – germânico

got. – gótico

gr. – grego

hebr. – hebraico

ibr. – híbrido

instr. – instrumentalis, instrumental

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isl. – islandês

it. – italiano

l. – polonês

la. – letão

liet. – lituano

loc. – locativus, caso locativo

lot. – latim

lot.–rom. – latim-românico

n.ang. – inglês moderno

n.brus. – bielorrusso moderno

n.č. – checo moderno

nl. – neerlandês

n.l. – polonês moderno

nom. – nominativus, caso nominativo

norv. – norueguês

n.pranc. – francês moderno

russo moderno

germânico setentrional moderno

sueco moderno

alto-alemão moderno

holandês

no original

pluralis, plural

compare-se

prussiano

da Prússia

praefixum, prefixo

francês

alemão da Prússia

oriental

românico

russo

irlandês antigo

bielorrusso antigo

tcheco antigo

frísio antigo

hebraico antigo

singularis, singular

seção

polonês antigo

francês antigo

russo antigo

saxão antigo

escandinavo antigo

finlandês

alto-alemão antigo

judaico antigo

sueco

tit. l. – página de rosto

t. p. – também

v.a. – alto-alemão

v.ang. – inglês médio

v.hebr. – hebraico médio

v.l. – polaco médio

v.lot. – latim medieval

v.nl. – neerlandês médio

vok. – alemão

v.ol. – neerlandês médio

vulg. – vulgarismo

v.v. – médio-alemão

v.v.a. – alto-alemão médio

v.v.ž. – baixo-alemão médio

v.ž. – baixo-alemão

žd. – judaico

LITERATURA E FONTES

ALEW – Altlettaisches etymologisches Wörterbuch (ALEW). Sob a direção de Wolfgang Hock e com a colaboração de Elvira-Julia Bukevičiūtė e Christiane Schiller, organizado por Rainer Fecht, Anna Helene Feulner, Eugen Hill e Dagmar S. Wodtko. Volume 1. A–M, volume 2. N–Ž, volume 3. Listas e índices. Hamburgo: Baar Verlag, 2015.

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NIOLĖ ČEPENĖ

Alm – Die Germanismen des Litauischen. Teil 1: Die deutschen Lehnwörter im Litauischen de Dr. K. Alminauskis. Kaunas: livraria da Sociedade de São Casimiro, [1934]. Alm (PW): manuscrito de W. Ziesemer Preussisches Wörterbuch, utilizado por K. Alminauskis.

B – Lexicon Germanico–Lithuanicum et Lithuanico–Germanicum, dainen... von Jacobo Brodowski, Praecentore Trempensi. Manuscrito de 1713–1744, dois volumes. Msc. 127, 128. Jokūbas Brodskis. Lexicon Germanico–Lithuanicum et Lithuanico–Germanicum. Dicionário manuscrito do século XVII. Edição documental com fac-símile, transcrições e índice de palavras. Preparado por Vincentas Drotvinas. 3 volumes. Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2009.

BB – Biblia tatai esti Wissas Schwentas Rachtas Lietuwischkai pergulditas per Janą Bretkuną Lietuvos Pleboną Karaliaucziuje (fotocópia do manuscrito de 1590).

Brückner Aleksander 1974: Słownik etymologiczny języka polskiego. Warszawa: Wiedza Powszechna.

C – Clavis Germanico–Lithvana. (Manuscrito em dois volumes do antigo arquivo de Königsberg (I Al-lust: Msc 85 in 4⁰; II Maal-Zwölfter: Msc 86 in 4⁰), escrito entre 1673 e 1701.) Clavis Germanico–Lithvana. Dicionário manuscrito alemão–lituano do século XVII. Quatro partes: I A–E, 1995; II F–L, 1997; III M–S, 1997; IV T–Z, (1997). Vilnius: Instituto de Publicação de Ciência e Enciclopédias.

Čepenė Nijolė 2006: Lietuvių kalbos germanizmai ir jų fonetinės ypatybės. Vilnius: Lietuvių kalbos instituto leidykla.

DvŽ – Devenių šnektos žodynas. Vilnius: Instituto da Língua Lituana. Vol. I: A–M, autores L. Grumadienė, D. Mikulėnienė, K. Morkūnas, A. Vidugiris, 2005; vol. 2: N–Ž, autores D. Mikulėnienė, K. Morkūnas, A. Vidugiris, 2010.

Fr – Preussisches Wörterbuch. Ost- und Westpreussische Provinzialismen in alphabetischer Folge de H. Frischbier, 1–2. Berlim: Verlag von Th. Chr. Fr. Enslin, 1882.

FnW – Litauisches etymologisches Wörterbuch de Ernst Fraenkel, 1–2. Göttingen, 1955–1965.

Georges 2004: Lateinisch–Deutsch. Deutsch–Lateinisch. Ausführliches lateinisches Handwörterbuch, Kleines deutsch–lateinisches Handwörterbuch von Karl Ernst Georges. Faksimile und Volltext. Zweite, erweiterte Ausgabe. Directmedia. Berlin.

Grimm 2004: Der digitale Grimm. Deutsches Wörterbuch von Jacob und Wilhelm Grimm. Elektronische Ausgabe der Erstbearbeitung. Zweitausendeins.

H – Vocabularium Lithuanico–Germanicum et Germanico–Lithuanicum. Nele estão incluídas, em ordem alfabética, todas as palavras encontradas no Novo Testamento e no Saltério;...

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Religinė, mitologinė leksika: skoliniai iš germanų kalbų

Preparado por Friederich Wilhem Haack / S. S. Theol. Cultore, à época docente no Seminário Lituano de Halle. Halle [1730].

K – Littauisch–deutsches Wörterbuch von Friedrich Kurschat. Halle a. S., 1883. Deutsch–littauisches Wörterbuch von Friedrich Kurschat. Halle, I – 1870, II – 1874. (Skaitmens rodo dis ir puslapius.)

Karulis Konstantins 1992: Latviešu etimoloģijas vārdnīca 1–2. Rīga: Avots.

Kluge Friedrich 1957, 2002: Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache, 17 Auflage. Berlin: Walter de Gruyter & Co, 1957; Etymologisches Wörterbuch der deutschen Sprache, 24 Auflage, Berlin / New York: Walter de Gruyter, 2002.

KtnŽ – Juozas Aleksandravičius. Dicionário do dialeto de Kretinga. Instituto da Língua Lituana, 2011.

KzRŽ – Aldonas Pukis. Dicionário da fala de Kazlų Rūda. 1. A–M, 2008; 2. N–Ž, 2009. Instituto da Língua Lituana.

KŽ – Aleksandras Kuršaitis. Dicionário lituano-alemão... Göttingen. I – 1968, II – 1970, III – 1972, IV – 1973.

Lasch Agathe 1914: Mittelniederdeutsche Grammatik. Halle a. S.: Verlag von Max Niemeyer.

Lex – Lexicon Lithuanicum. (Buv. Karaliaučiaus archyvo XVII a. rankraštis.) Msc. 178⁴. Lietuvos mokslų akademijos Vrublevskių biblioteka. Lexicon Lithuanicum. Rankraštinis XVII a. vokiečių–lietuvių kalbų žodynas. Parengė V. Drotvinas. Vilnius: Mokslas, 1987.

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LKA I 1977 – Atlas da língua lituana. Léxico. Vilnius: Mokslas.

LKPŽ – Kregždys Rolandas. Dicionário de polonismos da língua lituana. Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2016.

LKŽ – Dicionário da língua lituana 1–2. Vilnius: Mintis, 1968–1969; 3–6. Vilnius: Editora Estatal de Literatura Política e Científica, 1956–1962; 7–9. Vilnius: Mintis, 1966–1973; 10–15. Vilnius: Mokslas, 1976–1991; 16–17. Vilnius: Editora de Ciência e Enciclopédias, 1995–1996; 18–19. Vilnius: Instituto de Publicação de Ciência e Enciclopédias, 1997–1999.

LKŽe – Dicionário da língua lituana 1–20, 1941–2002, versão eletrônica, conselho editorial: Gertrūda Naktinienė (editora-chefe), Jonas Paulauskas, Ritutė Petrokienė,

Straipsniai / Articles

173

NJOLĖ ČEPENĖ

Vytautas Vitkauskas, Jolanta Zabarskaitė. Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2005 (versão atualizada, 2008). Disponível na Internet: http://www.lkz.lt.

LLCh – Antologia da história da literatura lituana. Época do feudalismo. Org. K. Korsakas e J. Lebedys. Vilnius: Editora Estatal de Literatura, 1957.

LLŽ – Kazimieras Kuzavinis. Dicionário latino-lituano. Vilnius: Editora de Ciência e Enciclopédias, 1996.

LŽ – Petras Jonas, Vidugiris Aloyzas. Lazūnų tarmės žodynas. Vilnius: Mokslas, 1985.

Mažiulis Vytautas 1993: Prūsų kalbos etimologijos žodynas 2. Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla.

Mitzka Walter 1919: Ostpreussisches Niederdeutsch nördlich vom Ermland. Marburg: N. G. Elwert’sche Verlagsbuchhandlung.

MnW – Dicionário do baixo-alemão médio de Dr. Karl Schiller e Dr. August Lüben, 1–6. Reimpressão fotomecânica. Münster, Vestfália: Aschendorffsche Verlagsbuchhandlung, 1875–1881.

MŽ – Dicionário lituano-alemão e alemão-lituano, que toma por base a obra anteriormente publicada pelo pastor Ruhig em Walterken, mas foi ampliado pela metade e aprimorado com muitas palavras, expressões e provérbios por Christian Gottlieb Mielcke... Königsberg, 1800.

N – Dicionário da língua lituana de G. H. F. Nesselman. Königsberg: Editora dos irmãos Bornträger, 1851.

Natau Otto 1937: Mundart und Siedelung im nordöstlichen Ostpreußen. Königsberg (Pr) und Berlin W. 35: Ost-Europa Verlag.

NŠŽ – Naujasis simbolių žodynas. Vilnius, 2002.

PaulW – Dicionário alemão de Hermann Paul. Halle (Saale): Veb Max Niemeyer Verlag, 1961.

Prel – Os empréstimos alemães no prussiano e a fonologia dos empréstimos alemães no lituano de Dr. Walther Prellwitz. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht’s Verlag, 1891.

PVG – Cartas, exortações e relatos do governo prussiano aos camponeses lituanos. Organizado por P. Pakarklis. Vilnius, 1960.

Q – dicionário manuscrito alemão-lituano do século XVII, pertencente ao antigo arquivo de Königsberg (conhecido como o dicionário de A. Krauzė). Msc. 83. Autor desconhecido.

174

Acta Linguistica Lithuanica LXX

Religinė, mitologinė leksika: skoliniai iš germanų kalbų

R – Léxico lituano-alemão e alemão-lituano, no qual se encontra um suprimento suficiente de palavras e expressões que ocorrem tanto nas Sagradas Escrituras como em toda sorte de atividades e relações das sociedades humanas: acompanhado de uma consideração histórica da língua lituana; bem como de uma gramática completa e ampliada, compilado com o maior cuidado, empenho de muitos anos e auxílio dos mais experientes conhecedores desta língua por Philipp Ruhig... Königsberg... 1747.

Riemann Erhard 1981–2000: Preussisches Wörterbuch. Deutsche Mundarten Ost- und Westpreußens, Band 2, herausgegeben von Erhard Riemann, Band 3–4, hrsg. von Ulrich Tolksdorf, Band 5–6, hrsg. von Reinhard Goltz, Neumünster: Karl Wachholtz Verlag.

Rimkutė Aušra 2012: 1883–1916 metų kateizmų religijos terminai. Daktaro disertacija.

Rubinas Algis 2002: Lietuvių kalbos religinė leksika ir jos istorija. Daktaro disertacija.

Sehwers Johannes 1953: Sprachlich-kulturhistorische Untersuchungen vornehmlich über den deutschen Einfluss im Lettischen. Berlin: in Kommission bei Otto Harrassowitz Wiesbaden.

Skardžius Pranas 1931: Die slavischen Lehnwörter im Altlitauischen. Kaunas: Akc. „Spindulio“ b-vės spaustuvė.

Smoczyński Wojciech 2007: Słownik etymologiczny języka litewskiego. Wilno: Uniwersytet Wileński, wydział filologiczny.

ŠvR – Sagrada Escritura. Antigo e Novo Testamento. Segunda edição ampliada. Tradução do hebraico, aramaico e grego. Conferência Episcopal da Lituânia. Vilnius: Katalikų pasaulis, 1999.

ŠVŽŽ – Vanagienė Birutė. Dicionário dos dialetos žemaitianos do noroeste. Dialetos das regiões de Ylakiai, Lenkinė, Mosėdis, Skuodas e Šatės 1: A–O; 2: P–Ž. Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2014.

Urbutis Vincas 2009: Baltų etimologijos etiudai 2. Vilnius: Vilniaus universiteto leidykla.

Vasmer Max 1986–1987: Этимологический словарь русского языка 1–4. Москва: Прогресс.

Ziesemer Walter 1975: Preussisches Wörterbuch. Sprache und Volkstum Nordostdeutschlands 1: A–C, 2: D–Fi. Herausgegeben von Ludwig Erich Schmitt. Hildesheim New York: Georg Olms Verlag.

Straipsniai / Articles

175

NIOLĖ ČEPIENĖ

ZŠŽ – Dicionário do dialeto de Zangai 1: Vilnius: Instituto de Ciência e Edição de Enciclopédias, 2003; 2: Centro de Ciência e Edição de Enciclopédias, 2004; 3: Centro de Ciência e Edição de Enciclopédias, 2006.

ZtŽ – Vidurės Aloyzas. Dicionário do dialeto de Zietela. Vilnius: Instituto de Ciência e Edição de Enciclopédias, 198.

Para outras abreviaturas, consulte o acadêmico Dicionário da língua lituana (LKŽ).

Vocabulário religioso e mitológico: empréstimos das línguas germânicas

RESUMO

Os empréstimos do vocabulário religioso e mitológico já foram registrados nos primeiros textos lituanos do século 16th, sobretudo nos da Prússia e da Lituânia Menor. O artigo aborda, sob a perspectiva da semântica e da origem, o vocabulário religioso e mitológico de origem germânica ou que chegou ao lituano a partir de línguas germânicas. Determina-se a palavra de base do germanismo da qual o empréstimo deriva e identifica-se a origem primária do empréstimo. Apresentam-se também o registro dos lexemas na língua escrita a partir do século 16th e seu uso na língua falada e nos dialetos. Discute-se a cronologia dos empréstimos. Os empréstimos do vocabulário religioso e mitológico dividem-se em sete subgrupos: edifícios e partes de igrejas, administração e ambiente; interior da igreja e seus espaços; objetos usados nos rituais e artigos eclesiásticos; festas e rituais; atividades da igreja, livros e instrumentos musicais; nomes de pessoas; vocabulário mitológico e nomes de seres sobrenaturais. Constatou-se que o lituano olà não é usado apenas no sentido de «caverna, toca de animais ou aves», conforme definido no Dicionário da Língua Lituana, mas também no sentido de «câmara funerária, cripta, abrigo», segundo a Bíblia de Bretkūnas. Descrevem-se também as formações derivadas de germanismos.

Recebido em 6 de setembro de 2018.

NIOLĖ ČEPIENĖ

Instituto da Língua Lituana

Rua Petro Vileišio, 5, LT-10308 Vilnius, Lituânia

[email protected]

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Acta Linguistica Lithuanica LXX