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Masaryk University
Áreas de pesquisa: estudos indo-europeus, especialmente línguas eslavas, bálticas, celtas, anatolianas, tocarianas e indo-iranianas; fino-úgricas; afro-asiáticas; etimologia; classificação genética; modelos matemáticos em linguística histórica.
DOI: https://doi.org/10.35321/all81-03
VOLGA – O PRIMEIRO RIO DA EUROPA
Volga – o primeiro rio da Europa
Para que não haja discórdia / Entre pessoas livres, / Volga, Volga, mãe querida, / Toma esta bela jovem!
“Para que a paz reine para sempre / Neste grupo tão livre e valente, / Volga, Volga, Mãe Volga, / Faça desta bela jovem um túmulo!”
Дмитрий Николаевич Садовников¹ em 1883
RESUMO
O presente estudo reúne todas as denominações do rio Volga e, quando possível, apresenta-as em um contexto mais amplo de textos primários, organizados no Apêndice. A segunda tarefa é revisar e discutir as etimologias existentes. O terceiro objetivo consiste em propor novas soluções, caso as existentes não sejam suficientemente convincentes. Por fim, são formuladas algumas conclusões gerais.
PALAVRAS-CHAVE: rio, Volga, hidrônimo, etimologia.
¹ Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Stenka_Razin> [acessado em 01.11.2019].
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RESUMO
Este estudo resume todas as denominações do rio Volga no contexto, tão amplo quanto possível, dos textos primários apresentados no apêndice do artigo. O segundo objetivo da pesquisa é examinar e discutir as etimologias existentes; o terceiro é propor novas soluções caso as existentes não sejam suficientemente convincentes. Ao final do artigo, são apresentadas conclusões gerais.
PALAVRAS-CHAVE: rio, Volga, hidrônimo, etimologia.
Com 3.534 km de extensão (antes da construção do sistema de lagos de barragem, eram 3.693 km) e uma bacia de 1.380.000 km², o rio Volga é o maior curso de água da Europa, o grande rio mais ocidental da Eurásia e o maior rio endorreico do mundo. É típico que rios tão extensos tenham vários nomes em diferentes idiomas. Os sete hidrônimos a seguir, organizados em ordem alfabética, serão analisados em detalhe tanto do ponto de vista etimológico quanto da motivação semântica.
1. Ἀράξης
1.0. Heródoto [1.201–202] (c. 450 AEC) mencionou Ἀράξης como um rio comparável ao Istro, isto é, ao Danúbio, ou até maior que ele. Esse Araxes teria de fluir por 40 cursos, mas apenas um deles desaguava no mar Cáspio. Em seu delta haveria ilhas do tamanho de Lesbos (1.630 km²). Essa descrição só pode se aplicar ao Volga (originalmente com 3.693 km; bacia de 1.380.000 km²; vazão de 8.060 m³/s em Astraxán; o delta do Volga é composto por cerca de 500 canais² numa área de 27.224 km²), e não ao rio Ἀράξης, conhecido no armênio moderno como Araks, em turco, persa e curdo como Aras, e em azerbaijano como Araz (1.072 km; 102.000 km²; vazão de 285 m³/s na foz, onde deságua no Kura), que nasce perto da cidade de Erzurum, no leste da Turquia, na mesma região que a nascente
² Disponível em: <https://earthobservatory.nasa.gov/images/5650/volga-river-delta> [acessado em 01.11.2019].
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do Eufrates3. Esse Araks foi descrito como rápido, mas estreito4, ao contrário da descrição de Heródoto.
1.1. “Correnteza rápida” pode ser uma motivação convincente para a denominação desse rio mais curto e veloz, que nasce nas encostas de montanhas com altitude superior a 3.000 m. Tradicionalmente, sua denominação é explicada com base no armênio arag, erag “rápido, veloz, ligeiro” (cf. Tomaschek 1895, p. 404), de origem iraniana, cf. parta (Turfan) rg “rápido, veloz”, avéstico rayu- “facilmente móvel, ágil” (Olsen 1999: 868; Bailey 1979: 359). A vogal inicial representa uma prótese armênia típica antes de empréstimos iniciados por r̥-5. Acrescentemos que, nas fontes armênias clássicas, o rio era chamado Erask‘, enquanto em georgiano antigo era Rakšī6, ainda sem a vogal inicial.
1.2. Se Heródoto realmente descreveu o Volga como Ἀράξης, a etimologia “rápido” não se aplica, pois a altitude da nascente do Volga é de apenas 228 m e, considerando a extensão do curso, originalmente de quase 3.700 km, sua correnteza é extremamente lenta. Nesse caso, seria possível explicar o nome do rio a partir do iraniano *a-raxsa- “inofensivo”, cf. acusativo singular do avéstico jovem (tema em ā?)
3 Pompeu já conhecia esse fato em 68 AEC, segundo o testemunho de Plutarco em sua biografia de Pompeu [33.1: Πομπήιος δὲ εἰς Ἀρμενίαν ἐνέβαλε τοῦ νέου Τιγράνου καλούντος αὐτόν ἤδη γὰρ ἀφειστήκει τοῦ πατρός, καὶ συνήντησε τῷ Πομπήιω περὶ τὸν Ἀράξην ποταμόν, ὃς ἀνίσχει μὲν ἐκ τῶν αὐτῶν τῷ Εὐφράτῃ τόπων, ἀποτρεπόμενος δὲ πρὸς τὰς ἀνατολὰς εἰς τὸ Κάσπιον ἐμβάλλει πέλαγος, “Pompeu então invadiu a Armênia a convite do jovem Tigranes, que agora estava em revolta contra o pai e encontrou Pompeu perto do rio Araxes, que nasce nas mesmas regiões que o Eufrates, mas se volta para o leste e deságua no mar Cáspio” (Plutarco 1917: Pompey. – Plutarch’s Lives, with an English Translation by Bernadotte Perrin. Cambridge (MA): Harvard University Press – London: Heinemann, 1917). Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0007.tlg045.perseus-grc1:33.1-[accessed 01.11.2019]; <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0007.tlg045.perseus-eng1:33.1> [acessado em 01.11.2019].
4 Cf. Virgílio: Aeneid 8.728: pontem indignatus Araxes “o Araxes, indignado por ter sido atravessado por uma ponte”. Veja também a entrada Araxes na Encyclopaedia Iranica, vol. II, fasc. 3 (1986), pp. 268–271, de W. B. Fisher (& C. E. Bosworth). Disponível em: <http://www.iranicaonline.org/articles/araxes-river> [acessado em 01.11.2019].
5 Cf. armênio aroy̌r “latão” < iraniano *rauða-, cf. persa médio maniqueu rwy, persa médio zoroastriano lwd “cobre, latão”; armênio erang “cor” versus persa médio maniqueu rng; sânscrito raṅga- “cor, tintura”; armênio erak “veia” versus persa médio zoroastriano rk’ idem etc. (Olsen 1999: 869, 879).
6 W. B. Fisher, C. E. Bosworth. Disponível em: <http://www.iranicaonline.org/articles/araxes-river> [acessado em 01.11.2019].
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raxsam “dano” [Vištāsp Yašt 2.127; tradução de James Darmstetter⁸]. Uma motivação semântica semelhante foi usada, por exemplo, para o Oceano Pacífico.
1.3.1. Entre os hidrônimos, nomes motivados por cores são relativamente frequentes. Um candidato promissor poderia ser o iraniano *raxšā- “de cor escura” > khotanês rraša “de cor escura”, sogdiano rγš “cavalo baio”, persa raxš “mistura de vermelho e branco, entre preto e fulvo” > wakhi rakš “cinzento, castanho” (Steblin-Kamenskij 1999: 292), curdo raš “preto, escuro” (Bailey 1979: 362; Cabolov 2010: 194). A questão em aberto é a interpretação da vogal inicial. A solução mais simples seria o negativo *a-, isto é, *a-raxšā- = “não escuro”. Mas seria bastante estranho que não se usasse diretamente, em vez disso, alguma palavra que denotasse uma cor clara. Por outro lado, pelo menos o curso médio do Volga foi chamado de “preto” (ver abaixo).
1.3.2. Outra possibilidade é o composto *ha-raxšā- “todo escuro”, cf. avéstico ha- “junto”, khotanês ha “todo” (ESI] 3: 345–353; Bailey 1979: 438).
1.3.3. A terceira possibilidade é o composto *āh-raxšā- “boca escura”, cf. avéstico āh-, khotanês āha- “boca” (Bartholomae 1904: 345, 351, 357; Bailey 1979: 29–30; ESI] 1: 303–304). O significado hipotético “boca escura” talvez refletisse o fato de que há depósitos de petróleo no delta do Volga⁹.
1.3.4. Em princípio, também é possível admitir que Heródoto tenha combinado dois hidrônimos quase homônimos, um com vogal inicial, representando a «prótese armênia» (Araks/Ars/Araz; antigamente Eraskʿ, mas georgiano antigo Rakšī) e o segundo sem ela (*Raxsaou *Raxšā-; talvez o Volga). O resultado foi uma nivelização que levou à forma *Araxšācom o a- inicial análogo.
2. *As(a)tEl > Ἀσστὴλ/Ἄσσατὴλ ~ Ἀττίλας ~ Ἄτελ ~ Τίλ ~ Ätil
2.0.1. Fontes bizantinas (em ordem cronológica; ver Moravcsik 1958: 78–79): Ἀττίλας … rio mencionado por Zemarchus, c. 570 (por intermédio de Menandro Protetor) Τίλ … rio mencionado por Teofilacto Simocata, Historiae, escrito c. 630 sobre o final do século 6ᵗʰ cent. Ἄτελ … rio mencionado por Teófanes, o Confessor (†818), Chronicle (AD 284–813; por volta de c. 680)
⁷ Disponível em: <http://titus.fkidg1.uni-frankfurt.de/texte/etcs/iran/airan/avesta/avest.htm> [acesso em 01.11.2019].
⁸ Disponível em: <http://www.avesta.org/fragment/vytsbe.htm> [acesso em 01.11.2019].
⁹ Disponível em: <https://earthobservatory.nasa.gov/images/5650/volga-river-delta> [acesso em 01.11.2019].
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Ἄσθηλ... rio e fortaleza na Khazária, mencionados em registros geográficos bizantinos do século 8th.
Ἀσατήλ... episcopado na Khazária, segundo um manuscrito parisiense (c. 800?).
Ἄτηλ... rio, segundo Constantino Porfirogênito (primeira metade do século 10, a respeito do século 9th).
Ἀτελκούζου... lugar onde viviam os pechenegues no tempo de Constantino (ibid.).
Ἐτέλ καὶ Κουσού... lugar anteriormente habitado por turcos (= húngaros), depois pelos pechenegues (ibid.).
2.0.2. Fontes armênias (Pritsak 1956: 407): Et‘il na Geografia de Pseudo-Mowsēs Chorenac‘i, numa cópia de Anania Šira-kac‘i (c. 700 d.C.). At‘l por Gregor de Akanc‘ (†1333).
2.0.3. Fontes escritas no alfabeto hebraico (Gaster 1899: 67, § 34.14): Htl {חטל} em Yosippon (c. 900 d.C.).
2.0.4. Fontes escritas no alfabeto árabe (Marquart 1929: 96; Pritsak 1954: 407–408): Itil por Ibn Rusta (c. 903) e al-Muqaddasī (996) Ātl & Ʀtl por Ibn Faḍlān (922) ʔIṭl por al-Balḫī (†934) Iṭil por Iṣṭaḫrī (meados do século 10) e Idrīsī (1157) ʔātil por Ibn Ḥawqal (977/8) Ātil por Maḥmūd Kašġarī (c. 1070) e Marwazī (1120) ʔatal por Abū Ḥāmid al-Andalusī al-Ġarnāṭī (1080–1170) Itil por Yāqūt (†1229) Ītīl por Ğuwainī (†1283) Ṣdīl em Šaġarat al-atrāk (c. 1457) Ṣadl por al-Iṣfahānī (c. 1509) Ṣadal ou Ṣadil em Derbend-nāmeh etc.
2.0.5. Registros de viajantes europeus do século 13: Frater Richard Ethyl; Rubruk Etilia, Ethilia, Edilia; Marco Polo Edilia; Benedictus Polonus Ethyl (Gombocz 1917: 183; Pritsak 1956: 409).
2.0.6. O hidrônimo é atestado nas línguas túrquicas desde o século 11th (Maḥmūd Kašġarī) e nas línguas mongólicas desde o século 13th (História secreta dos mongóis): karakhanida Etil ‘nome de rio, talvez o Volga’ [Maḥmūd Kašġarī, século 11; Lenda sobre Oghuz–Qaghan, do século 13] (DTS 187), chagatai Ātil, Ādil ‘Volga’, Ak–Ādil ‘Kama’, literalmente ‘Branco Ādil’, cazaque e nogai Edil, teleuto Ädäl, bashkir Idal ‘Volga’, tártaro de Kazan Izal, Idal ‘Volga’, Kara Idal ‘Volga’ =
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‘Negro Idal’ vs. Ak Idal ‘Kama’¹⁰ = ‘Branco Idal’, chuvache ADăl ‘Volga’, Šură-ADăl ‘Kama’, lit. ‘Branco ADăl’ (Gombocz 1917: 183; Radlov I: 842, 857, 1509; Räsänen 1969: 52). Mais tarde, ocasionalmente no papel de apelativo: chagatai ädil “rio, corrente”, dim. ädil-ča & ădil-čik “riacho”, tártaro de Kazan idal “rio grande” (> mansi eĕtl “água do mar”) vs. idal-čäk “riacho” (Pritsak 1956: 415).
Mongol médio Idil ‘rio Volga’ [Secret History of Mongols, §§ 262, 270], Ežil ‘cidade destruída pelos mongóis’ [Secret History of Mongols, § 274], calmuco Idžl (mörn) ‘Volga (rio)’ (Ramstedt 1935: 205).
As seguintes etimologias ou comentários etimológicos foram (ou poderiam ser) propostos:
2.1. Klaproth (1826) diferenciou ’Aṭṭílas ‘Volga’ (p. 117) e Tíl ‘Kama’ (p. 274), atribuindo ao segundo o significado de “negro” (p. 268). Partindo de sua concepção de uma relação entre os ávaros antigos e os ávaros modernos do Daguestão, comparou o hidrônimo com o andi dir, mas o termo “negro” deveria ser b-ečedir em andi, além de karata b-ečetiro-b, hunzib çədilu, bezhta çodolo etc. (Klimov & Xalilov 2003: 354; segundo NCED 556, o andi -dir é um sufixo derivacional). Quanto ao atributo “negro”, cf. Pritsak (1956: 411), que remete à Historiae de Teofilacto Simocata [258.9]: (escrita por volta de 630, sobre o final do século 6ᵗʰ), onde
Ali o rio Til corre, ao qual os turcos costumam chamar Negro <>
“onde corre o rio Til, que os turcos costumam <zu>nennen<pflegen> chamar de ‘o Negro’”
(ver Haussig 1953: 283, 287),
e também a frequente designação turcomana do Volga como “negro”, Qara Idil ou Qara Itil. Pritsak (1956: 411) interpretou-o como “grande”, como o nome Qara Mö́ren dado ao Huang Ho por Rašīd ad-Dīn (†1318).
2.2. Haussig (1953: 426) reconstruiu a forma ’Aστıλ como *’As-Til = *‘rio dos ’Ασιοι’, onde a forma Tíl foi registrada por Teofilacto Simocata (já Abel-Rémusat 1820, 320 identificara em Tíl o rio Volga). Mas Haussig não conseguiu apresentar qualquer testemunho de que Tíl representasse o significado apelativo ‘rio’ vel sim. não apenas em turco.
2.3. Pritsak (1956: 404–419; 1982: 444) analisou tanto o nome pessoal e fluvial ’Aттíλας quanto o nome fluvial ’Aστıλ como um composto hipotético do búlgaro antigo, constituído pelos componentes *as “grande, antigo” e *til “mar”, isto é, “soberano universal = oceânico {ruler}” (cf. o título mongol Dalaj-in Qa’an, com sua tradução turca Talui-nuŋ Xanï – ver Pelliot 1923: 24–25: ‘le khan océanique’; Pritsak
¹⁰ Alternativamente, o Kama era chamado Čölmen-Idal em tártaro de Kazan, isto é, “o rio da terra desolada”; compare-se também o chuvache čolma e o búlgaro antigo Čölmän-Itıl (Tomaschek 1889: 33) vs. o turco antigo çöl, o cazaque śöl etc., “estepe, terra desolada” (Räsänen 1969: 117).
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1956: 417), com evidências nas seguintes formas túrquicas: chuvache as-lă “bruto, distinto”¹¹, chagatai äs-li “grande, forte”, uigur antigo e túrquico médio äs-ki “velho” etc. (Räsänen 1969: 50), e túrquico antigo talüy “mar”, uigur antigo taluj “mar” ou “lago”, uigur de Sary talej, tali, tali “lago, mar, oceano” etc. (Räsänen 1969: 130; Clauson 1972: 502). O termo poderia ser de origem chinesa, caso representasse uma adaptação do nome chinês do rio 大漠 dà(i)lěi¹² < Late Middle Chinese *tha(i)lɣjʹ < Early Middle Chinese *daʾlwiʹ or *dajhlwiʹ (Hirth 1895: 18). Mas é questionável que esse empréstimo chinês pudesse ter sido transformado no componente Tíl já no século VI. Mais provável é outra ideia de Pritsak, segundo a qual Tíl correspondia ao hidrônimo chuvache TilĚe (> Russian Tel’ca), em que a última sílaba refletia o sufixo diminutivo túrquico *-čǎ/*-čě. Pritsak (1956: 410–412) identificou a mesma raiz no nome de rio bastante enigmático Qara Tíl, na bacia do Syr-Darya, por Nizām ad-Dīn (†1404), também chamado Qara Tal pelo ‘Anonymous author of Iskander’ de 1414. Outro Qara Tal desaguava no lago Balkhash, segundo Ḥudūd al-ʿĀlam. O uso propriamente apelativo da raiz *til-/*tíl foi encontrado por Pritsak (1956: 413) apenas nas línguas tungúsicas: evenki tilkan “inundação”, even ṭilqa, ulchi čílčan, nanai čílqā idem, além dos verbos evenki tilka-, even ṭilqən-, ulcha čílčan-, nanai čílqa- “transbordar, salpicar” (Cincius 1977: 180–181). Em EDAL, compara-se essa raiz com o túrquico *d(i)äl(i)- “transbordar” > Old Uyghur, Karakhanid taš-, Turkmen dāš-, Kirghiz, Tatar taštĭ-, Yakut tahij etc., idem, além de oirate tašṭin “inundação” (Räsänen 1969: 466; Clauson 1972: 559; ESTJ 3: 169–170), e com o mongólico *čilga- / *čal-gi- “transbordar” > Written Mongolian čilga-, čalgi-, Khalkha calgi-, Ordos čal-gi-, Buryat salgĭ-, šalšagana-, šald. O hidrônimo chuvache Til e seus correspondentes centro-asiáticos Tíl / Tal podem ser relacionados ao túrquico *d(i)äl(i)- “transbordar”. Nesse caso, o hidrônimo Ἀστῆλ é analisável como o composto búlgaro antigo *as-tiál “transbordamento excessivo” ou “{rio que traz} grandes inundações”.
Note: It is necessary to mention that Eugene Helimski (2000, 2004; plus Evgenij Xelimskij 2000, 2003) tried to present arguments about a Tungusic component in language(s) of the Avar Kaganat. It is natural to add the Tungusic candidate for the first component *asof the hydronym Ἀστῆλ etc. It could be
¹¹ Pritsak (1956: 414) tried to identify the component *äsin the Hunnic name Έσκάμ = *äs-kam “great priest”, and in the name of the Khazarian majordomus, called ʾaštarḥān (Ṭabarī), i.e. “great tarxan”, or rāštarḥān (Yaʿqūbī), with the first Arabic component raʾs “head; top; leader”, i.e. *“over-tarxan”. He added, the same etymology could be ascribed to the city-name Astraxán, although it was known only from the 14ᵗʰ cent.
¹² 大 dà, dài “grande, amplo, largo, profundo” < Late Middle Chinese *thaʾ, *thajʹ < Early Middle Chinese *daʾ, *dajh & 濁 lěi “nome de rio” < Late Middle Chinese *lyjʹ < Early Middle Chinese *lwiʹ (Pulleyblank 1991: 69, 185).
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a raiz tungúsica *as- “muito; muitos” > Udihe asahᶦ “muito”, Ulča asir idem, Nanai asō, asor “não muito”, Manchu asi, asuru “muito; muitos, muito, frequentemente” (Cincius 1975: 54–55). O composto *as(V)til significaria *“{rio que traz} inundações muito {grandes}”, isto é, quase o mesmo que a interpretação búlgara antiga.
2.4. Axmetjanov (2001: 76) derivou as formas do tipo karakhanida Etil de *ertil, talvez por meio de *ettil, e propôs a mesma origem para o hidrônimo Irtyš; segundo ele, este deveria derivar do verbo atestado no uigur antigo, cumano e shor ert-, khakas e chuvache irt-, yakut irdě- “passar” (Räsänen 1969: 46).
2.5. Levando em conta o registro ’Αστῆλ, há uma alternativa túrquica, baseada no composto hipotético *ast¹³–(h)ȫl¹⁴ “umidade inferior”, que poderia ser atribuído ao delta do rio Volga.
2.6. Em alternativa, a forma ’Αστῆλ permite-nos pensar num composto húngaro antigo, constituído pelo húngaro antigo (AD 1055) azaa, azah “Fluß, Bach” (UEW 3) ~ ‘fehe rea’, húngaro moderno (dial.) aszó “Wasserriβ, zeitweiliger Wasserlauf; Trockental” (EWU I: 54), “Tal, Niederung; ein Tal, in dem in Regenperioden und zur Zeit der Frühjahrschneeschmelze ein kleiner Bach fließt, das aber sonst trocken ist” (UEW 3); e húngaro tele (primeira ocorrência em 1372), tel, dial. telle ‘cheio, preenchido’, tel- ‘ficar cheio, encher-se’, teljes, arch. teles ‘inteiro, completo, total; cheio’, töl-t ‘(líquido) despejar, verter, (bebidas) servir; encher, abastecer’ (EWU II: 1497–1500; UEW 518: juntamente com mansi Tᵊ täwl, P tayla e khanty Vj. O tel ‘cheio’, são deriváveis do fu *tälk³ ou *täwdę).
O composto hipotético asz(a)tele poderia designar ‘vale cheio {de água}’ ou ‘rio cheio {de água}’.
Nota 1: Constantino Porfirogênito também registrou o composto Ἀτελκούζου [§ 38.30], explicado como os lugares onde vivia, à sua época, a nação dos pechenegues. Mais adiante, aparece no sintagma Ἐτελ {ποταμός} καὶ¹⁵
¹³ Turcomeno, tártaro da Crimeia, caraímico da Crimeia, caracalpaque, uigur ast, uzbeque åst, quirguiz, tártaro as(t), bashkir aş(t)/aθ(t) “abaixo” (Sevortjan 1974: 195–196); cf. karakhanida (século XI) astīn “sob, abaixo”, (século XIII) astındaɣı “situado abaixo”, chagatai ast(i) “sob”, cumano astında “sob” etc. (Clauson 1972: 242).
¹⁴ Proto-túrquico *(h)ȫl > túrquico antigo (maniqueu), uigur antigo (budista) (ambos do século VIII) ȫl “úmido” (referente à terra), karakhanida öl [Maḥmūd Kašġari: Qutadğu Bilig] “úmido, molhado”, túrquico médio öl (Sanglax) idem, (Payet de Courteille) “pântano”, chagatai (século XV) öl “úmido”, também usado para darya “mar”, turco öl “úmido, molhado”, osmanli öl “poça”, turcomeno öl, dial. hȫl “úmido, molhado”, khalaj hēl, hēl, quirguiz öl, caracalpaque hȫl, uzbeque hul idem, uigur hȫl “úmido, encharcado”, khakassiano öl “úmido, molhado”, shor ül, oirate ül, tuva, tofalar öl, yakut üöl “úmido, molhado”, chuvache vile idem (Räsänen 1969: 371; Clauson 1972: 124; Sevortjan 1974: 524–525).
¹⁵ Marquart (1903: 33, fn. 3) explained the conjunction as a mistake of a copist, who thought that Κουζού was an alternative name for Ἐτελ.
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Kουζού [§ 40.24], que foi explicado mais explicitamente como «o lugar onde os turcos (= húngaros) costumavam estar antigamente é chamado pelo nome do rio que o atravessa, Etel e Kouzou, e nele vivem agora os pechenegues» (tradução de Jenkins). Menges (1944–1945: 259) pensava que esse termo designava outro rio ou se tornara um nome comum. Seguindo Zeuss (1837: 751), Markwart (1903: 33) conjecturou que a palavra Kουζού era equivalente ao grego μεσοποταμία, identificando em Kουζού o húngaro köze (3.ª pessoa do singular possessiva de köz «centro, meio»), que também era usado em nomes húngaros de distritos, por exemplo, Szamos-köz, Mura-köze, Rába-köze. O húngaro köz deriva-se do fino-úgrico *kütz (UEW 163; EWU II, 827) ~ *kütï «meio» (Sammallahti 1988: 544).
Nota 2: Müllenhoff (1906: 75) propôs que o hidrônimo Δάϊς [Ptolemy 6.14.2,4,5], Δαϊχ [Zemarchus], Γεϊήχ [Constantine Porphyrogenitus 37.2], mais tarde Jajïk, cf. o chuvache Jejăk, o cazaque Žajyk, chamado desde 1775 Rio Ural (Vasmer IV: 551–552), poderia ser de origem urálica, relacionando-o com o urálico *joke «rio» (UEW 99) ~ *jukă (Sammallahti 1988: 537), embora geralmente se tenha pressuposto a etimologia túrquica (cf. Menges 1944–1945: 260, que comparou o turco jaj-yк «expandido, aberto», particípio perfeito passivo de jaj- «expandir», o tuvano čat-, o turco médio [MK] jad-, o uigur antigo jad-, mas o altaico d’ajɣ «inundação», o tuvano čajɣ «dilúvio, aguaceiro» são semanticamente mais próximos da denominação de rios e não podem derivar do turco comum *jad-, mas apenas de *jāj-, que continua no tuvano čaj- «oscilar, bombear». O altaico d’aj- «transbordar, inundar, espalhar-se (referindo-se a um rio)» — ver ESTJ 1989: 76–77).
3. УЛ
3.0. Mari: KB Jăl, В Jul, U Ju·l-lǝt Wolga (Wichmann 1953: 54, #264); Leste Jul (Paasonen 1948: 29).
3.1. Paasonen (1926: 38) relacionou o hidrônimo com o khanty de Konda i̯atpз «nascente, fonte», i̯atpo·ŋ «a foz de um riacho que flui de uma fonte», e o yugan i̯aLpa «pequeno riacho impetuoso, torrente». A sílaba final foi explicada por Toivonen (1933: 382–383).
3.2. Markwart (1929: 96) conjecturou que esse hidrônimo mari fora adaptado de seu equivalente chuvache A̯Dăl por meio de *A̯jol. Mas tal evolução não tem paralelo nos empréstimos chuvaches no mari.
3.3. A solução de Sinor (1964: 1–8) parece ser a mais provável: ele busca a origem do mari Jul «Volga» no túrquico *jul «curso de água, riacho, fonte» > uigur antigo yuul «riacho de montanha, nascente», caracânida jul, jul «riacho», oirate, salar jul,
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koibal jul «riacho, curso de água de montanha», khakas čul «riacho», chuvache š́wəl «nascente» (Räsänen 1969: 209–210; Clauson 1972: 917–918; Sevortjan 4, 244; DTS 277).
3.4. Tártaro, bashkir jul «estrada, caminho» versus turco antigo jol idem, etc. (Räsänen 1969: 205–206; Sevortjan 4: 217–219). Em particular, o rio Volga foi uma grande via de comunicação que ligava o norte da Rússia às estepes pôntico-cáspias desde tempos pré-históricos. Quanto à relação entre os significados «estrada» e «rio», há paralelos semânticos sugestivos nas línguas cuchíticas e chádicas, concretamente no cuchítico setentrional: beja lagi f., pl. -a «caminho, trilha, caminho batido» (Roper); cuchítico oriental: somali laag «canal de água» (Luling), bayso lága «margem de rio» (Hy); oromo Macha laga «rio», lage «vale» (LVS) > cuchítico oriental das terras altas *laga «rio» (Hudson 1989: 124); konso lak-a «planície, exterior», D’irayta lak «lugar, espaço vazio, aposento, espaço» (B1), cf. Sasse 1982: 131; cuchítico meridional: Qwadza lagalako «trilha, estrada» (Ehret); e chádico central: Wamdiu làgu, Margi lagù, West Margi lakù, Kilba làkù «estrada» (Kraft 1981: 73, 93, 112, 122).
4. Λύκος
4.0. Heródoto [4.123] mencionou quatro grandes rios que corriam do território dos tiságetas através de uma região desértica e seguiam até a terra dos meócios, desaguando no lago chamado Meótico; seus nomes são Lycus, Oarus, Tanaïs, (S)yrgis. Tomaschek (1889: 32) conjecturou que o Lycus poderia ser identificado com o Jajik (hoje o rio Ural) ou com o curso superior do Volga, enquanto o Oarus deveria corresponder ao seu curso inferior.
4.1. Pelo menos indiretamente, Tomaschek (1889: 32–33) relacionou o nome do rio Λύκος com o hidrônimo udmurte Jug, além de L’ug, e com seu equivalente russo Belaja, afluente do Kama. Ele o explicou a partir do advérbio udmurte de Malmyž ju·g-ak «claro, límpido, puro», Malmyž-Uržum l’u·g-ak, d’ug-ak «de repente e claro»; Sarapul, Malmyž, Jelabuga jugit, Jelabuga, Malmyž-Uržum l’ugit, Ufa d’ugit adjetivo «claro, límpido» etc. (Wichmann 1987: 82). Komi jugid «luz (substantivo, adjetivo), relâmpago», jug «relâmpago», jugör «raio, luz», jugδini «clarear, iluminar» (KESK 334). Essa solução é, sem dúvida, satisfatória para o hidrônimo Jug/L’ug, mas difícil de aplicar a Λύκος. A razão está na fonética histórica: os iniciais udmurtos l’- e d’- são variantes secundárias de j-, e o -g- medial pérmico corresponde ao -ŋg- mari e mordoviano < FU *-ŋk- (cf. KESK 14). A raiz pérmica *jug corresponde regularmente ao mari jongəštas «tornar-se luminoso», jongədo «espaçoso» (KESK 334; Paasonen 1948: 27).
4.2. Talvez seja mais promissor conjecturar uma motivação sugerida pelo fato de que Λύκος atravessava uma região desértica descrita por Heródoto. Cf. também o tártaro de Kazan Čölmən–Idal «Kama», isto é, «o rio da região desértica», e, de modo semelhante, o chuvache
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čolma and Old Bulgarian Čolmän-Itil (Tomaschek 1889: 33) vs. Old Turkish čöl, Kazakh söl etc. “steppe, wasteland” (Räsänen 1969: 117). If this is the case, the Baltic term *laukas “terrain without trees” seems to be a good candidate, cf. Lithuanian laũkas “terrain without trees, free space, field”, Latvian laũrs “clearing, opening (in forest), free space, field”, Prussian (III) laucks, acc.sg. laukan “field” (ALEW I: 561–562), all from IE *leuk- “to light” (Pokorny 1959: 687–689).
4.3. Outra solução poderia basear-se no fato de que o Volga muda o curso de leste para sul junto à foz de seu maior afluente, o Kama. Na língua mari, hoje falada perto dessa curva e, no passado, em torno dela, há a palavra luk (P, B, M, U, CÜ), lŭk (CK, Č, J), lāk (K) «canto, recanto» e também «curva de rio ou lago» < Proto-Mari *lukā (Bereczki 1992: 34, No. 165; 2013: 124–125). É justamente esse significado que corresponde perfeitamente à curva do Volga de leste para sul. Outros cognatos confirmam a prioridade desse significado: finlandês loukka, loukas «covil, toca», loukku «fenda, caverna», loukko «canto, ângulo, esconderijo, caverna»,?laukku «abertura, buraco»,?liukku «caverna de neve»; húngaro lyuk (dial. gyuk, juk, lik, luk) «buraco, vazamento; caverna; nádegas»; nenets O loxəʔ «ângulo (por exemplo, em um cômodo, em um lago comprido)» (UEW 252: *lowkə).
Nota: É possível identificar uma motivação semântica análoga no hidrônimo russo antigo Erelb (hoje Oreľ), que designa um afluente da margem esquerda do Dnieper, mencionado pela primeira vez na redação hipaciana da Crônica Primária Russa para o ano de 1183 d.C.: Ереҕ, егоже Русь зовуть Уголь. Vasmer (III, 151) etimologizou-o com base no osmanli əjri «inclinado, curvo», əjrilä «curvar-se» (Radloff I: 661–662), no turco eğri «curvo; curva», eğrilik «curvatura», no uigur antigo ägri «inclinado», no cara-canídeo, cumano e chagatai ägri «curvo, dobrado»; no chuvache avăr «lugar profundo, depressão em um rio ou lago» etc. (Räsänen 1969: 37–38).
5. RAV & RAVO
5.0. Mordoviano erzya Rav, Ravo «Volga», moksha rava «rio», Rav «Volga» (UEW 420). Ibn Ḥawqal, 977/8 d.C.: naḥr al-Rōs ~ forma determinada mordoviana Rav-ś (Aalto 1976[79], 37). O antecessor do hidrônimo mordoviano foi reconstruído como (i) *rava (Keresztes 1986: 127), mas há pelo menos duas outras alternativas, (ii) *raya e (iii) *raja; cf. para (ii) o mordoviano moksha pavaź ~ pavas «Deus» < *payas < indo-iraniano *bhagas e para (iii) moksha ov(a) «genro» < feno-volgaico *wäje (ver Keresztes 1986: 106, 103). A comparação com o khanty DN rōu, DT rāu «imundície, detrito, matéria em decomposição (na água)», Likr. rāɣɜ, Mj. rāuɣ3 «matéria em decomposição, lama (na água)» (Korenchy 1972: 65), que sustenta as possibilidades (i) e (ii), é semanticamente pouco convincente.
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5.1. Schlözer (1771: 306) foi provavelmente o primeiro a relacionar o hidrônimo mordoviano com a designação grega ‘Pã do rio Volga16, registrada por Ptolemeu [6.14.1,4]. Seguiram-no, por exemplo, Klaproth (1826: 82), Šafarik (1837: 402) e Kiepert (1878: 346, nota 3). De Lagarde (1866: 263) relacionou o ‘Pã de Ptolemeu com o nome do rio mítico no Avesta Ranhā-, mas mostrou-se reservado quanto à identificação desses hidrônimos com o Volga17. Mais tarde (1868, 62), acrescentou o sânscrito Rasā e, em ambos os estudos, o frígio ‘Péa, isto é, Réha?, e o hidrônimo armênio Rah mencionado por Koriwn em sua ‘Vida de Mesrop Maš-tots’ [11.33]. Kuhn (1887: 214–215) acrescentou o avéstico Ranhāe o védico Rasā-, ambos nomes de rios míticos. Expressou dúvidas quanto à identificação deles. Mencionou a tentativa de Geiger, que procurou identificar Ranhā com o Iaxartes, e comentou: quem pretende reconhecer a Ranha certamente não percebeu que, entre seus habitantes ribeirinhos, ela tinha outro nome, do qual surgiu o moderno Sīr, que aparece entre os gregos como Silis e entre os indianos como Sidā (Kiepert 1878, § 58). Em seguida, disse que... Sidā deve, naturalmente, ser considerada a forma iraniana do nome, e não a indiana.
Let us mention that Rasā- (see Blažek 2016a: 13) was the name of a mythical stream flowing around the earth and the atmosphere [e.g. RV IX.41.6; 10.108., also Nirukta of Yaska], only in RV V.53.9. is it described as the western tributary of the Indus River. In Puranas and Mahabharata Rasā is connected with the underworld or hell (MW 870c). The form rasāis the feminine to the masculine rāsa- “the sap or juice of plants, juice of fruit, any liquid or fluid, moisture, humidity, essence, marrow” [RV] (MW 869b, 870c: rasā- = “moisture, humidity”, but Mayrhofer in EWA I: 441–442 expressed doubts about any appellative sense of rasā-). In Iranian the corresponding hydronym is identified in Young Avestan Ranhā- ‘a mythical river’ [Yašt 5.63, 5.81, 10.104, 14.29, 15.27; Vidēvdāt 1.19 etc.], transcribed in Zoroastrian Pahlavi as Arang (Bartholomae 1904: 1510–1511).
Nota 1: Marquart (1903: 378–379, nota 4) interpretou o etnônimo Rogasta-dzans de Jordanes [Getica 23, § 116] como *Rauwa-stadjans, «os habitantes das margens do Volga». Ele reconheceu o mesmo hidrônimo no etnônimo ‘Ρόβοσκοι registrado por Ptolemeu.
16 Ainda hoje chamam o Volga de Rhau, assim como é chamado ‘Pã em Ptolemeu.
17 Penso que o nome do conhecido rio ‘Pã não seja outra coisa senão Raniha: naturalmente, não quero dizer que o mítico Ranha dos textos seja o Volga. O ארום {ʔarūm} da tradução pálavi de Vd 7, 9 será, como Spiegel sugeriu ser possível no comentário 46, o neopersa Harūm (a cidade das Amazonas): em Ptolemeu, ε 9.19, as Amazonas habitam μεταξὺ τοῦ ‘Pã ποταμοῦ καὶ τῶν Ἰππικῶν ὀρέων.
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5.2. Schrader (1890: 633f) e Schrader & Nehring (1917–1923: 329) viram no hidrônimo uma adaptação do IE *srou̯a “corrente”, cf. sânscrito épico giri-srāvā- “corrente de montanha”, lituano sravā “fluxo, fluxo sanguíneo, menstruação” etc. (Pokorny 1959: 1003).
5.3. Em sua resenha de Schrader (1890), Bartholomae (1890: 1108) tentou explicar o hidrônimo mordoviano e o Ῥᾶ de Ptolomeu com base no avéstico rau̯an-/raon- “rio, curso d’água” [Yt. 14.21, 18.6, V. 5.1f / Y. 10.17, V. 2.23] (Bartholomae 1904: c. 1512) < iraniano *hrauᵒ < *srauᵒ (cf. EWAI II: 784).
5.4. Paasonen (1897: 122–123) rejeitou a ideia de Schrader e propôs sua própria etimologia com base no finlandês rapa “lama, lodo; algo quebradiço, friável”, estoniano raba “pântano; bagaço; podre, quebradiço”, livônio raba mā “solo solto”; saami N rappe “lama existente num lugar que pessoas ou animais frequentemente pisoteiam”. Na realidade, o termo saami é de origem finlandesa e as formas balto-fínicas são de origem escandinava, cf. nórdico antigo draf “sedimento, levedura” (de Vries 1962: 79–80; SKES 735–736).
6. *U̯ar(i̯)- > ᾽Oαρος
6.0. O hidrônimo ᾽Oαρος foi registrado pela primeira vez por Heródoto [4.123–124], por volta de 450 a.C. O mesmo componente *u̯ar pode ser identificado no hidrônimo Οὐαρουδάνης, registrado por Ptolomeu [5.9.5, 28], que provavelmente designava o rio Kuban (cf. Abaev 1949: 188: *u̯aru-dānu- “rio largo”).
6.1. Marquart (1903: 378–379, nota 4) considerou que o hidrônimo ᾽Oαρος deveria ser uma designação alternativa do rio Volga, interpretada como iraniano *u̯aru- “largo”18, cf. avéstico vouru-, por exemplo, no avéstico antigo vouru-cāšani- “dentro de
18 Rogastadzans é a tradução gótica de Ῥόβοσοι, um povo registrado por Ptol. 6.14 p. 426, 28 Wilberg nas nascentes mais orientais do Rha; em Orosius I, 2, 2 Rhobasci, que é idêntico aos Βοροῦσκοι que habitam sob os Rifeus, Ptol. 3, 5 p. 201, 15. Ῥόβοσοι, Rhobasci deriva do nome finlandês do Volga, que ainda hoje entre os mordvinos é Raw, Rau, e, na forma determinada, Rawš, e que provavelmente está na origem do Ῥᾶς de Agatêmero. Este nome provavelmente foi tomado do *Raha cita-iraniano, Ῥᾶ em Ptol. (apenas gen. e acus.), avéstico Raihā, védico Rasā. Além desse último nome, os citas iranianos conheciam ainda para o Volga a designação ᾽Oαρος (Heródoto 4, 123. 124), isto é, *waru- “o largo” (cf. Βοροῦ-σθένης, huno War), da qual deriva o etnônimo Βοροῦσκοι. Cf. Zeuss 1837: 80; Müllenhoff 1906: 98; Tomaschek 1889: 20. A favor da equação Ῥᾶ = Raiha manifestaram-se P. de Lagarde 1866: 263; Id. 1868: 62.
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“que olha” ~ védico uru-cākṣas-; osseta urux “amplo, espaçoso” (EWAI I: 227). De modo semelhante, Herrmann (1937: cc. 1680–1681¹⁹).
6.2. Kretschmer (1928: 101) explicou o hidrônimo com a ajuda do sânscrito vār(i) “água”, mencionando o significado ‘chuva’ do correspondente avéstico vār-. Na realidade, há védico vār- ‘água’, além do sânscrito vārī-, que significa tanto “água” quanto “chuva” [Mn, MBh], correspondente ao avéstico vār- “chuva”, mas também ao sânscrito vārī-, pl. varyas “rio”, correspondente ao avéstico vai̯ri- “mar, baía marítima” [Y. 42.2, 65.4, 71.10; Yt. 5.37, 8.46.8, 10.14, 19.51, 19.56, 19.59; Aog. 28; Ny. 5.5; S. 2.9] > pálavi zoroastriano var “lago” (Bartholomae 1904: 1364–1365; Eilers & Mayrhofer 1960: 110–111; Nyberg 1974: 203). Kretschmer também relacionou esse hidrônimo ao tocariano A wār “água” e, além disso, ao nome do rio lígure Vārus, registrado pela primeira vez por César [BG 1.86.8]. Mais tarde, Krahe (1964: 38–40) incluiu-o em sua hidronímia “europeia antiga”.
6.3. Para o Ὄαρος de Heródoto, Napolskix (comunicação pessoal) buscou sua origem diretamente no tocariano A wār, B war “água”, B -wār “corrente”, por exemplo ñoru-wār “rio abaixo” (Adams 2013: 627–628), supondo que esse hidrônimo preserva um vestígio da migração proto-tocariana para o leste.
6.4. Schramm (1973: 115) rejeitou que Ὄαρος fosse de qualquer modo uma designação do Volga e preferiu relacioná-lo ao Dnieper, explicitamente denominado Var por Jordanes 52: ut vix pars aliqua hostium remaneret, quae in fuga versa eas partes Scythiae peteret, quas Danabri amnis fluente praetermeant, quam lingua sua Hunni Var appellant²⁰, e Βαζούχ por Constantino Porfirogênito (De administrando imperio 38.68). Esse hidrônimo também foi etimologizado de várias maneiras:
6.4.1. Vendo aqui um vestígio dos antigos ávaros, Klaproth (1826: 245) tentou explicar Var com a ajuda do avar moderno do Daguestão, onde aparece a palavra ʒor “rio”. Nikolayev & Starostin (NCED 537) compararam-no com o tindal reha “reservatório de água”, o bezhta rühi “riacho artificial”, o lezgui e o tabassarano hül “mar” etc., reconstruindo a protoforma caucasiana setentrional *hʷilV/*l̥hʷV.
¹⁹ Oaros — segundo Heródoto [IV 123], um afluente da Maiotis, junto com o Lico, o Tanais e o Syrgis, que nasce perto dos Tisságetas. De Heródoto [IV, 124] conclui-se que o O. era um rio maior, junto ao qual Dario acampou seu exército e construiu oito fortalezas, ao avançar até o deserto entre os Budinos e os Tisságetas. A partir daí (c. 1681), só pode tratar-se do Volga, que Heródoto, por engano, faz desaguar na Maiotis em vez de no mar Cáspio. Kiessling u. Bd. IA s. 1f. compara o nome O. com o avéstico Vouru “o largo (rio)”, que as tribos turcas traduziram por Atl;
²⁰ “O remanescente voltou-se em fuga e buscou as regiões da Cítia que fazem fronteira com o curso do rio Danaper, que os hunos chamam Var em sua própria língua.” Ver A história gótica de Jordanes na versão inglesa, com introdução e comentário de Charles Christopher Mierow. Princeton: University Press – Londres: Humphrey Milford – Oxford: University Press 1915: 128.
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6.4.2. Tomaschek (1889: 20) comparou Βαqούη com o yakut üräx “rio” (Böhtling 1851: 49). Pode estar relacionado o chuvash vъrə, usado na expressão šъ vъri “foz do rio”. A perda da velar final pode ser comparada com o homônimo chuvash vъrə “semente”, em contraste com o turco antigo uruy, idem (Egorov 1964: 49; Räsänen 1969: 516).
6.4.3. Vasmer (1923: 66), Abaev (1949: 187) e Schramm (1973: 99) explicaram Βαqούη com base no osseta: iron wærax, digor urux “largo” < *uaruka−/*uruka− (Abaev 1989: 90).
6.4.4. Pritsak (1954: 124–134; cf. também Schramm 1973: 99) propôs a explicação do búlgaro antigo para Var, recorrendo ao chuvash var “vale, canal, ravina, garganta; interior, centro, meio, ventre”; ao turco anatólio poet. öz nos nomes de rios Ėgri öz, Qïlïğ özü; além disso, ao tártaro de Kazan üzän “vale, planície baixa”, ao tártaro de Baraba üzön “riacho, córrego”, ao cazaque özän “rio; interior”, além da designação Yozu (= özü < *özi) do Dnieper, numa cópia tardia da “Geografia” de Pseudo-Mowsés Chorenacʿi, talvez reescrita por Anania Širakacʿi por volta de 700 d.C., e o nome oguz-cumano Özi do mesmo rio (-i é o sufixo possessivo da 3.ª pessoa, usado para determinação).
Nota: É tentador especular que o predecessor búlgaro antigo do chuvash var “vale, canal, ravina, garganta; interior, centro, meio, ventre”, no nome do Dnieper, poderia ter sido calqueado pelo termo -коúζου, Κουζού, registrado por Constantine Porphyrogenitus no composto Ἀτελλοúζου [§ 38.30] e no sintagma Ἐτέλ {ποταμός} καὶ Κουζού [§ 40.24]. Zeuss (1837: 751) e Markwart (1903: 33) identificaram em -коúζου & Κουζού o húngaro köze (3.ª pessoa do singular possessiva de köz “centro, meio”), que também era usado em nomes húngaros de distritos, por exemplo Szamos-köz, Mura-köze, Rába-köze. O húngaro köz também pode ser derivado do fino-úgrico *kütз (UEW: 163; EWU II: 827) ~ *kütï “meio” (Sammallahti 1988: 544). Nesse caso, as formas -коúζου & Κουζού equivaliam ao grego μεσοποταμία, e o búlgaro antigo Var provavelmente desempenhava o mesmo papel.
7. VOLGA
7.0. O hidrônimo Volga apareceu pela primeira vez como russo antigo Volga na Crônica Primária Russa, redigida por volta de 1100, em acontecimentos datados de 964 d.C.
7.1. O historiador e arquivista bizantino, teólogo e astrônomo Nicephorus Gregoras (1290/1–1360) formulou a hipótese de que a designação dos búlgaros Βούλγαροι deriva do nome do rio Βούλγα “Volga”, em sua Byzantina Historia 1.26.19–21 (cf. também Moravcsik 1958: 105). Outro Volga é um afluente do Dnieper. Na Polônia, há dois afluentes do Vístula chamados Wilga, um com foz em Cracóvia (25 km de extensão), o segundo
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com foz na zona sul de Warszawa (67 km de extensão). Esses hidrônimos são claramente deriváveis do eslavo comum *Volga “umidade, humidade” (Vasmer I: 336–337). É necessário acrescentar os cognatos bálticos diretos, que também podem fornecer a etimologia do hidrônimo Volga, a saber, letão vāļgs m., vaļga f. “úmido”, vīlgt, ōgstu, ōgu “tornar-se úmido” (ME IV: 454, 587), lituano vīlgti, vīlgstu, vīlgau “umedecer” etc. (Pokorny 1959: 1145–1146: *uelg-).
Há também tentativas etimológicas alternativas:
7.2. Tomaschek (1889: 32) e Rozwadowski (1913: 49; 1948: 227–230) tentaram explicar o hidrónimo a partir do fino-volgaico *branco²¹, mas Vasmer (I: 336–337) rejeitou essa hipótese por ser fonologicamente impossível. Isso está correto no que diz respeito a *branco e aos seus continuadores, mas há também outras formas que não derivam do sufixo *–đa, especialmente o mari wolɣem «eu brilho, reluzo (fogo, água, ouro, vidro)». A sua 3.ª pessoa do singular wolɣa «está claro» parece uma boa candidata, considerando que o maior afluente do Volga, o Kama, é chamado «branco», nomeadamente em chagatai Ätil, Ädil «Volga», Ak-Ädil «Kama», literalmente «Ädil Ädil branco», tártaro de Kazan Iẓal, Idal «Volga; grande rio», Kara Idal «Volga» = «Idal negro» versus Ak Idal «Kama» = «Idal branco», chuvash ADăl «Volga», Šură–ADăl «Kama», literalmente «ADăl branco» (Gombocz 1917: 183; Radloff I: 842, 857, 1509; Räsänen 1969: 52). Tomaschek (1889: 32) ainda mencionou o lago Volgo (61 km²), o mais baixo dos quatro lagos naturais por onde o Volga corre.
7.3. Segundo o testemunho oral de Roman Jakobson, seu compatriota Nikolaj Sergeevič Trubeckoj propôs uma etimologia báltica para o hidrônimo Volga durante suas aulas em Viena, na década de 1930. Segundo ele, a etimologia de Volga era a seguinte: no eslavo oriental primitivo, as vogais anteriores não arredondadas tornavam-se vogais posteriores arredondadas antes de um l tautossilábico, de modo que jilga deveria ter mudado para julga; o j inicial perdeu-se antes de vogais arredondadas no eslavo oriental, e o u inicial adquiriu um v protético obrigatório. Assim, surgiu a forma vulga, e o u breve mudou nos séculos XII–XIII para o. Assim, por meio de uma longa série de mudanças, Jilga tornou-se Volga. Citado segundo Gimbutas 1963a: 69; 1963b: 33, 205. Ver também Toporov 1980: 40. Entre os hidrônimos bálticos há, de fato, nomes formados a partir do adjetivo báltico “longo”, continuado no lituano ilgas, letão ilgs, idem, além do advérbio prussiano ilga “por muito tempo”,
²¹ Fino-volgaico *walkeda > finlandês valkea “branco; luminoso, claro; fogo, chama luminosa, luz do fogo, relâmpago”, lúdico valged, estoniano valge “branco, claro, louro; coisa branca, luz”, livônio vālda (SKES: 1619–1621); sami setentrional N viel’gâd “branco; claro, pálido”, kildin vielked, nõt vielked, idem; mordoviano erzya valdo, moksha valdă “claro, luminoso”; mari (I) waylăd, (U B) wolyadă “claro, luminoso; brilho, claridade”. Cf. ainda o mari wolɣem “eu brilho, resplandeço (fogo, água, ouro, vidro)”; húngaro világ “luz; mundo; pessoas”, (arcaico) “humanidade, vida”, que indica o fino-úgrico *walkз “branco, claro; brilhar” (UEW: 554–555; Bereczky 2013: 315–316). Sammallahti (1988: 551) reconstruiu o fino-úgrico *wilki– “luz”, além do fino-pérmico *vēlkita.
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por exemplo, na Lituânia, os rios Įlga, Įlė, Įlgės, Įlgupys etc., e os lagos Įlgai, Įlgis, Įlgys, Įlgžeris, Įlgžeris etc. (Vanagas 1981: 129); os rios letões Įlga upe, Įlupe, e os lagos Įldza-ęzers, Įldzes-ezers etc.; os lagos prussianos Įlgayn, Įlgen See, Įlgowen etc. (Toporov 1980: 39). O mais longo «Rio Longo» é o chinês 長江 Cháng Jiāng, com 6.379 km de comprimento e uma bacia de 1.808.500 km², chamado «Longo» desde o período das Seis Dinastias (220–589 CE). O nome atual 揚子 Yángzǐ era originalmente usado para o curso inferior do rio²².
7.4. Ainda menos provável é a tentativa de Mikola (1929: 127–128) de identificar uma origem no proto-mari *Jyl⁽²³⁾, realmente atestado como mari ocidental Jāl, mari oriental Jul «Volga» (ver abaixo). Para explicar a diferença na anlaut, Mikola (1929: 127) mencionou a transcrição russa antiga Омov(ь)за, Омovуза do nome do rio estoniano Emajõgi. A existência do russo antigo *Vьlga deveria ser demonstrada pelo empréstimo folclórico udmurte Bulga «Volga» (Mikola 1929: 128). Vasmer (I: 337) acrescentou que o hipotético proto-mari *Jyl teria sido emprestado de línguas túrquicas como o tártaro baba, o bashkir jylya “rio, riacho” e o cazaque žylğa “ribeirinho, rio” (Räsänen 1969: 200; emprestado do mongol žylga “leito de rio, riacho, encosta” – ver Ramstedt 1935: 109).
7.5. Uma solução inteiramente nova pode ser proposta com base no húngaro völgy “vale, vale, vale” (121); (obsoleto) “marca, núcleo de um abcesso”, cf. os nomes de lugar do antigo húngaro: Furizelgi (121), Welg (120), Saswelgy (126), Welgzad (1338), Worrewwabelgy (1342) etc. (EW 1653). São cognatos o ugriano-ob *wāyəl > PKhanty *wāyəl > Khanty Trj. wāyəl “um afluente do Ob”, Oxal, Kaz. wōxal “afluente; vogul”, wōxal-jōxan “Boryka (ribeirinho); Mansi *wāl > Mansi (LM) vuol “curva do rio”, (KU KM P LO) wōl, (So.) wōl “trecho do rio” (Honti 1982: 193, #677); komi (S) vol, vol-ju “um pequeno rio”, (Vō) vel ‘um afluente direito do Vyčegda mencionado acima’; nenets (Nj.) wäej em jaew wäej “trecho retilíneo mais longo do rio entre duas curvas; плёс” < urálico *waδз “pequeno rio; curva do rio ou trecho entre duas curvas” (UEW: 550–551).
7.6. Para completar, deve-se acrescentar também como possível origem o adjetivo indeclinável tochariano B walke “longo (em relação ao tempo)” e o advérbio “por muito tempo”. A motivação semântica é a mesma que em lituano ilga f. “longo” (cf. § 7.3). A forma sincrônica também é muito próxima da forma Volga. A projeção tradicional para *uḷ₂Hgo-, talvez derivada do verbo *uel- “virar” (Adams 2013: 631–632), também se aplica a Volga. Mas a análise etimológica *u̯i-dH̥gʰo- (ver Blažek 2015: 62), se correta, provavelmente excluiria esta solução.
22 Disponível em:<https://en.wikipedia.org/wiki/Yangtze> [consultado em 01.11.2019].
23 A perda de γ após a queda da vogal final é regular; cf. mari KB jal “pé” vs. mordvino moksha jalga “a pé”, finlandês jalka “pé” (Mikola 1929: 127; UEW: 88–89).
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8.
RESUMO
indo-iraniano
eslavo
báltico
iraniano
tochariano
mordvino
mari
húngaro
tártaro
(c. tártaro Kara Tatar Volga)
* astai com grandes cheias
* ast(h)ol humidade das terras baixas
* ul curso de água
estrada tártara
asz (V) vale cheio de água
a curva
rio * Rava * Rava * Runa
* draša- humidade > avéstico Raŋha-
* naraxs- totalmente escuro
* hraxsa- boca escura
* daugas terreno sem árvores
* Aogəs
* As(a)f[?]
* ul
* Aresos
Rau(e)
Strainsai / Articles
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indo-europeu
*Ocos
eslavo
*bog umidade
báltico
letão padag t. molhado
*lōg long t.
iraniano
avéstico tāri-mar, enseada marítima; pahlavi bar lago
*pāru- amplo
tocário
B war água B-war-córrego
mordviniano
mari
nuolya é luz
Húngaro
vale zóly
Turcomânico
rio Bashkir iylya
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9. CONCLUSÃO
9.1. A tabela precedente (§ 8) resume todas as soluções mais ou menos prováveis, embora muitas vezes sejam mutuamente excludentes. Avaliando suas motivações semânticas, elas podem ser divididas em dois grupos. O primeiro grupo consiste nos nomes plenamente «hidronímicos», motivados por significados relacionados com «água», a saber, «água» propriamente dita e, além disso, «rio», «vale (fluvial)», «riacho», «inundação», «umidade», «lago», «mar». O segundo grupo inclui termos que caracterizam o curso do rio ou suas margens, neste caso «largo», «longo», «curvado», «sem árvores», «inofensivo», «branco/claro», «negro/escuro». É evidente que o primeiro grupo semântico está diretamente ligado à água e deve ser preferido. No caso de vários candidatos etimológicos, a motivação semântica que se repete em diferentes designações parece mais promissora do que explicações isoladas. Assim, o russo antigo Volga < eslavo comum *vəlgə «umidade» corresponde ao iraniano, talvez cita, *raha-, cujo significado «humidade, umidade» é reconstruído com base no védico [RV] rasā-, forma feminina do masculino rāsa- «seiva ou suco das plantas, suco de fruta, qualquer líquido ou fluido, umidade, essência, medula». A terceira contraparte poderia ser identificada no composto turcomânico hipotético *ast-(h)öl «umidade inferior». Seria possível imaginar que ele descrevesse o delta do Volga. É tentador concluir que os hidrônimos eslavos e talvez turcomânicos representam decalques de seu predecessor iraniano.
9.2. Em termos cronológicos, parecem ser mais antigos os nomes míticos de rios Rasā́, já conhecido do Ṛgveda, composto provavelmente entre 1500–1100 a.C., e sua contraparte em avéstico jovem Raŋhā, do início do 1st milênio a.C. O mordoviano Rav ou Rav pode refletir tanto *ra quanto *raya. O primeiro caso preserva o desenvolvimento específico, semelhante ao avéstico, da sequência *ə̄hā; o caso posterior provavelmente representa a forma *Rahā, reconstruível para vários dialetos iranianos antigos e do início do período médio, a saber, o cita, o sármata e o saka, considerando sua distribuição geográfica. Ῥᾶ, de Ptolomeu, e Ῥᾶ, de Pseudo-Agatêmero, ainda são próximos de *Rahā, respectivamente nos séculos 2nd e 3rd d.C. Em meados do século 5th a.C., Heródoto registrou três nomes de rios distintos que talvez pertençam ao Volga: Ὄαρος, Ἀγάρης, Λύκος. Ὄαρος pode ser etimologizado com base no avéstico jovem vāiri- «mar, baía marítima» e no pálavi var «lago». Essa solução indica um rio que deságua em um grande reservatório de água. Em concorrência com a etimologia tocariana, não menos atraente (B war «água», -wär «riacho»), deve-se preferir a origem iraniana, considerando o hidrônimo Οὐαράνης, de Ptolomeu, que provavelmente designava o rio Kuban, desaguando no mar de Azov/Maeótis, analisável explicitamente como *uar(V)-dānu- «rio que deságua em um mar/lago», sendo o segundo componente o iraniano *dānu- «rio» > avéstico jovem dānu «rio, riacho», osseta don «rio, água», sem qualquer correspondência conhecida
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tocariana. Heródoto descreveu o rio Ἀογῆς como um curso d’água dividido em 40 braços antes de sua desembocadura no mar Cáspio. Essa descrição só se aplica a um delta grande de fato. Se o delta do Volga era o pretendido, são concebíveis pelo menos três interpretações iranianas, a saber, *a-raxsā- «inofensivo», em referência ao seu curso tranquilo, ou *ha-raxsā- «todo escuro», com a variante *āh-raxsā- «foz escura», em referência à lama negra do delta (cf. também o tártaro de Kazan Ka-ra Idəl). O terceiro hidrônimo de Heródoto, provavelmente pertencente ao Volga, Λύκος, parece uma transcrição grega do proto-mari *lukə «curva», que pode designar a curva do Volga de leste para sul, junto à foz do seu maior afluente, o rio Kama. Essa solução parece mais convincente do que a designação báltica alternativa *laukas «terreno sem árvores», que teria designado a região desolada ao redor do rio Kama, descrita por Heródoto. Embora tal interpretação seja bastante legítima, ela não é típica das motivações semânticas dos hidrônimos em geral. Nos séculos 2nd e 3rd d.C., Ptolomeu e Pseudo-Agatêmero registraram, respectivamente, os nomes do Volga Ῥᾶ e Ῥᾶς, que representam continuações do iraniano *Rahā, discutido acima. A partir do século 6th d.C., conhece-se o novo nome do Volga, reconstruível como *As(a)tEl. Há pelo menos três etimologias alternativas. O búlgaro antigo *as-tíl «com grandes inundações» pode ser sustentado pelo fato de que, por exemplo, as regiões de Astraxān e Volgogrado são inundadas com mais ou menos regularidade a cada cinco anos. Uma fraqueza dessa solução é o fato de não haver continuante apelativo em chuvash, apenas o hidrônimo Tilž (ver § 2.3). O composto hipotético *ast-(h)əl «umidade inferior» provavelmente deve ser atribuído diretamente a algum dialeto turcomânico majoritário, pois nenhum dos componentes tem continuante em chuvash. A terceira tentativa etimológica apresenta o hidrônimo como predecessor do composto húngaro hipotético asz(V)-tele «vale fluvial cheio {de água». Não deve surpreender considerar também a possibilidade de uma etimologia húngara. A trajetória migratória dos antepassados dos húngaros provavelmente acompanhou o curso do Kama e, em seguida, o do Volga, desde sua confluência até a bacia do Don, o que os levou ao Ponto e, ao longo de suas margens, mais adiante até a bacia do Danúbio (cf. Blažek 2013: 181). A etimologia implica a presença de antepassados dos húngaros na bacia do baixo Volga antes de c. 570 d.C., quando Zemarchus atravessou o rio e registrou seu nome como Ἄττιλας. Essa interpretação pode ser reforçada por uma das etimologias alternativas do próprio hidrônimo Volga, a saber, o húngaro völgy «vale». O próprio Volga foi mencionado pela primeira vez na Crônica Primária russa, datada de 964 d.C. Sua protoforma eslava *vьlga «umidade» parece segura; hidrônimos correspondentes são conhecidos nas bacias do Dnieper e do Vístula. Mas Volga pode ser um
24 Disponível em: <https://www.climatechgepost.com/russia/river-floods/> [consultado em 01.11.2019].
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A adaptação eslava oriental do nome báltico do tipo letão valga f. “úmida” também. Uma motivação semântica semelhante é proposta para o rio mítico védico Rasā e sua contraparte avéstica Raŋhā, que foram associados à pátria iraniana/indo-iraniana e identificados com o Volga. O composto turco hipotético *ast-(h)öł “umidade inferior” expressaria as mesmas características. Porém, existem várias etimologias alternativas baseadas em línguas faladas ao longo do Volga antes da época em que os primeiros eslavos chegaram ao rio (talvez por volta de 600 CE, considerando a datação glotocronológica da desintegração do eslavo comum no século 6th), a saber: báltica (letão valga f. “úmida”; menos provável é o lituano ilga f. “longa”, dada a difícil explicação do v– eslavo); mari wolγa “é clara”; húngaro völgy “vale”; tocariano wake “longo”. O bashkir yïlya “rio” pode ser descartado diretamente por ser um empréstimo mongólico tardio. Embora as interpretações mari, húngara e tocariana não sejam compatíveis entre si, poderiam ter sido aplicadas ao mesmo rio em épocas diferentes. É possível imaginar que uma designação mais antiga tenha sido substituída por uma nova segundo o princípio da quase-homonímia, independentemente da diferença semântica. Um exemplo ilustrativo pode ser encontrado, por exemplo, no hidrônimo russo antigo Erel, traduzido na Crônica Primária Russa como Уголъ “ângulo”, de acordo com sua etimologia turca (osmanli äjri “principal, torto”, äjrilä “dobrar-se”), mas hoje foi modificado para Orel, isto é, “águia” (ver § 4.3). Das três últimas alternativas, a tocariana se separou primeiro. Segundo as análises glotocronológicas, a separação do ramo tocariano do tronco indo-europeu (o ramo anatólio já havia se separado no 5th milênio BCE) é datada de 3.810 BCE e 3.900 BCE por Sergej Starostin e Georgij Starostin, respectivamente (ver Blažek & Schwarz 2017: 203–204), enquanto a desintegração da protolíngua fino-úgrica é datada apenas de 2.350 BCE por Blažek (2012: 34; 2016b: 89), de 2.180 BCE por S. Starostin (ver Blažek 2012: 32) e de 2.160 BCE por G. Starostin (2015: 569); em média, 2.230 BCE. A separação dos ramos mari e pérmico é datada de 1.370 BCE por S. Starostin e de 1.200 BCE por Blažek (ver Blažek 2012: 32, 34; 2016: 89), e a separação do húngaro do ob-úgrico é datada de 1.340 BCE por S. Starostin e de 1.480 BCE por Blažek (ver Blažek 2012: 32, 34). Isso significa que o ramo tocariano se separou cerca de 1,5 milênio antes da desintegração da unidade fino-úgrica e cerca de 2,5 milênios antes das separações do mari e do húngaro. Os tocarianos constituíam o ramo indo-europeu mais oriental no 1st milênio CE. Provavelmente também ocupavam a posição mais oriental na pátria indo-europeia. Se for aceita a localização pôntico-norte da pátria indo-europeia, pelo menos após a separação do ramo anatólio, o Volga poderia representar a fronteira oriental do contínuo dialetal indo-europeu, atravessada primeiro apenas pelos ancestrais dos tocarianos, talvez na primeira metade do 4th milênio.
Strapšnia / Articles
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BCE. Nesse caso, pareceria natural que a designação de um rio tão caudaloso, importante para orientação, transporte e pesca, fosse mantida por muito tempo e que, quando novas populações se estabelecessem em suas margens, preferissem usar nomes quase homônimos, embora seus significados fossem reinterpretados. Além da cadeia mais longa, representada por tocariano B wake “longo”²⁵ → húngaro volǵ “vale fluvial” → mari wolγa “é branco” → letão vala “úmido” → russo antigo Volga *“umidade”, há também a série composta por tocariano B war “água”, -wār “corrente” → avéstico vari- “mar, enseada marítima”, pálavi var “lago” → chuvache var “vale, canal, ravina, garganta; interior, centro, meio, ventre”, ou avéstico jovem Raŋhā ou ‘cita’ *Rahā → mordovino erzya Rav, Rav ‘Volga’, moksha rava “rio”, Rav ‘Volga’. Essa hipótese implica uma continuidade populacional apesar de períodos de migrações em massa, provavelmente sob a forma de povoamentos residuais ao longo de rios importantes, que transmitiram os hidrônimos originais. Graças a esse mecanismo, os nomes de muitos rios importantes foram preservados, embora as línguas faladas em suas margens tenham mudado. Naturalmente, além dos nomes antigos, também são introduzidos novos. No caso do Volga, o exemplo mais recente desse tipo é provavelmente o mari Jul, adotado de alguma fonte turca do tipo do uigur antigo yul “riacho de montanha, nascente”.
10. APÊNDICE: FRAGMENTOS DE TEXTOS
A Crônica Primária Russa
Redação Laurentiana
[642 (964)] Князь Стославъ възрастыю. и възмужавъ. нача воѣ сокупляти. многи и храбры и легко хода. акы пардусь. воинѣ многи творяше хода. воз по собѣ не возяше. ни котла ни мясъ варя. но потонку изрѣзавъ. коню ли. звѣрину ли. или говядину. на углехъ испекъ ядяше. ни шатра имаше. но подкладъ пославъ. и сѣдло в головахъ. также и прочи воѣ его вси бѣхѫ. [и] посылаше къ странамъ глѣ. хочю на вы ити. и иде на Оку рѣку и на Волгу. и налезе Вятичѣ. и речѣ Вятичемъ. кому дань даете. они же рѣша Козарамъ по щьлягу. и тѣ ра даемъ.
Disponível em: <http://litopys.org.ua/lavrlet/lavr03.htm> [acesso em 01.11.2019].
25 Se o tocariano B wake realmente deriva de *ui-dḷHgh⁰-, deve ser excluído dos candidatos a protoforma do Volga. Nesse caso, o membro mais antigo dessa cadeia que copiava o curso do Volga seria o mari. A cadeia deveria ser a seguinte: húngaro volǵ ← mari wolγa → letão vala → russo antigo Volga.
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Redação hipaciana
[6472 (964)] Князю Святославу възрастьшю. и възмужаю. нача воевати. многы и храбры. бѣ бо и сам храбръ и легокъ. хода акы пардусъ. воины многы творяше. въз бо по себѣ не возяше. ни котла ни масла варя. но по тонку изрѣзав. конину. или звѣрину. или говядину на угльех испекъ аше. ни шатра имаше. но подклада постилаше. а сѣдло въ головѣ. тако же и прочи вои єго бѣху. и посылаше къ странамъ. глаголя хочю на вы ити. и иде на Оку рѣку. и на Волгу. и налѣзе Вятичи. и рече имъ кому дань даете. они же рекоша Козаромъ. по щелягу ѡ рала даємъ
Disponível em: <http://litopys.org.ua/ipat/ipat03.htm> [consultado em 01.11.2019].
Tradução inglesa da redação laurenciana
472 (964). “Quando o príncipe Sviatoslav cresceu e amadureceu, começou a reunir um numeroso e valente exército. Ágil como um leopardo, empreendeu muitas campanhas. Em suas expedições, não levava consigo carroças nem caldeirões, e não cozinhava carne, mas cortava pequenas tiras de carne de cavalo, de caça ou de boi, e comia-as depois de assá-las sobre as brasas. Tampouco tinha uma tenda; estendia uma manta de cavalo sob si e colocava a sela sob a cabeça; (65) toda a sua comitiva fazia o mesmo. Enviava mensageiros às outras terras anunciando sua intenção de atacá-las. Foi até o Oka e o Volga e, ao encontrar os viátichianos, perguntou-lhes a quem pagavam tributo. Eles responderam que pagavam aos cazares uma moeda de prata por arado.”
A Crônica Primária Russa: Texto laurenciano, traduzida e editada por Samuel Hazzard Cross & Olgerd P. Sherbowitz-Wetzor. Cambridge, Massachusetts: The Medieval Academy of America, No. 60, 1953. Disponível em:<http://www.mgh-bibliothek.de/dokumente/a/a011458.pdf> [consultado em 01.11.2019].
Testemunho de autores gregos
Heródoto 1.201–202: 201. Depois que Ciro também submeteu este povo, desejou sujeitar os masságetas. Diz-se que esse povo é grande e poderoso, e que habita na direção do leste e do nascer do sol, para além do rio Araxes, em frente aos issédones. Há também quem diga que esse povo é cita.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-grc1:1.201.1>
“Quando Ciro conquistou também esta nação, quis subjugar os masságetas. Diz-se que estes são um povo grande e poderoso, que habita na direção do
Stripsnii / Articles
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a leste e ao nascer do sol, para além do Araxes e em frente aos Issédones; e alguns dizem que são um povo cita.”
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-eng1:1.201.1>
202. Diz-se que o Ἀράξης é tanto maior como menor que o Íster; dizem que nele há muitas ilhas de tamanho semelhante ao de Lesbos, e que nelas vivem pessoas que, no verão, se alimentam de raízes de toda espécie, que desenterram; e que, para se alimentarem no inverno, armazenam frutos das árvores depois de amadurecidos.
Diz-se que o Ἀράξης é tanto maior como menor que o Íster; dizem que nele há muitas ilhas de tamanho semelhante ao de Lesbos, e que nelas vivem pessoas que, no verão, se alimentam de raízes de toda espécie, que desenterram; e que, para se alimentarem no inverno, armazenam frutos das árvores depois de amadurecidos; dizem também que descobriram outras árvores que produzem frutos de tal natureza que, quando se reúnem em grupos numa clareira e acendem uma fogueira, sentam-se ao redor e lançam os frutos ao fogo; e, ao inalarem a fumaça dos frutos queimados, ficam embriagados pelo aroma, como os gregos pelo vinho, e ficam tanto mais embriagados quanto mais frutos lançam ao fogo, até que se levantam para dançar e começam a cantar. Diz-se que esse é o modo de vida deles. O rio Ἀράξης corre desde a região dos matienos, de onde também vem o Gindes, que Ciro dividiu em trezentos e sessenta canais; deságua por quarenta bocas, das quais todas, exceto uma, se abrem em pântanos e charcos; dizem que neles vivem pessoas que comem peixe cru e costumam vestir peles de foca. A única boca restante do Araxes corre por um canal límpido até o mar Cáspio.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-grc1:1.202> [consultado em 01.11.2019].
Alguns dizem que o Araxes é maior que o Íster, outros, que é menor. Relata-se que há nele muitas ilhas tão grandes quanto Lesbos, e que nelas vivem homens que, no verão, se alimentam de raízes de toda espécie que desenterram e, no inverno, de frutos que obtiveram das árvores quando maduros e armazenaram como alimento; e que conhecem (dizem) árvores que dão um fruto cujo efeito é o seguinte: reunindo-se em grupos e acendendo uma fogueira, sentam-se ao redor dela e lançam os frutos às chamas; então, a fumaça dos frutos em combustão os embriaga, como o vinho embriaga os gregos, e ficam cada vez mais embriagados à medida que mais frutos são lançados ao fogo, até que por fim se levantam para dançar e até cantar. Diz-se que esse é o modo de vida deles. O Araxes nasce na região dos matienos (assim como o Gindes, que Ciro dividiu em trezentos e sessenta canais) e deságua por quarenta
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bocas, das quais todas, exceto uma, desembocam em brejos e pântanos, onde, segundo dizem, vivem homens cujo alimento é peixe cru e cuja vestimenta habitual são peles de foca. O único curso restante do Araxes corre por um canal límpido até o mar Cáspio.Araxes
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-eng1:1.202.1> [consultado em 01.1.2019]. Herodotus 1920: Histories, com tradução para o inglês de A. D. Godley. Cambridge: Harvard University Press.
Heródoto 4.123–124:
4.123.3
ὕπερ δὲ τῆς ἐρήμου θυσάμεται οἰκέουσι, ποταμοὶ δὲ ἐξ αὐτῶν τέσσερες μεγάλοι ῥέοντες διὰ Ματτην ἐκδίδουσι ἐς τὴν λίμνην τὴν καλεομένην Μαῖτιν, τοῖσι οὐνόματα κέεται τάδε, Λύκος Ὄαρος Τάναϊς Σύρις.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-grc1:4.123.3> [acessado em 01.1.2019].
Para além desta região desolada vivem os tiságetas; quatro grandes rios correm de seu território através da terra dos maiótidas e deságuam no lago chamado Meótida; seus nomes são Lico, Oaro, Tánais, Sírgis.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-eng1:4.123.3> [acessado em 01.1.2019].
4.124.1.
Quando, então, Dario chegou ao deserto, interrompeu a marcha e acampou o exército junto ao rio Oaro. Depois de fazer isso, construiu oito grandes muralhas, separadas umas das outras por cerca de sessenta estádios; até minha época, suas ruínas ainda estavam intactas.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-grc1:4.124.1> [acessado em 01.1.2019].
Quando Dario chegou à região desolada, interrompeu sua perseguição e acampou às margens do rio Oaro, onde construiu oito grandes fortificações, cujas ruínas ainda permaneciam de pé em meu tempo; todas ficavam a uma distância igual de cerca de sete milhas umas das outras.
Disponível em: <http://data.perseus.org/citations/urn:cts:greekLit:tlg0016.tlg001.perseus-eng1:4.124.1> [acessado em 01.1.2019]. Heródoto 1920: As Histórias, com tradução para o inglês por A. D. Godley. Cambridge: Harvard University Press.
Straipsniai / Articles
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Ptolomeu, 6.14.1–4:
A Cítia situada no interior do monte Imaus é delimitada a oeste pela Sarmácia na Ásia, ao longo do lado descrito; ao norte, por uma terra desconhecida; a leste, pelo monte Imaus, que se estende para o norte, aproximadamente ao longo de uma linha meridiana, desde o referido contraforte montanhoso até à terra desconhecida __________________ e ao sul, bem como ainda a leste, pelos Sacas, pelos Sogdianos e pela Margiana, segundo as linhas de fronteira descritas, até às desembocaduras do rio Oxo no mar Hircânio; além disso, pela parte do mar Hircânio que se estende daí até ao rio Rá, segundo a seguinte descrição. A inflexão do rio Rá, onde se situa a fronteira entre a Sarmácia e a Cítia ___________· pe nd depois das desembocaduras do rio Rá, que se encontram nas coordenadas ________ ς μ η γ; desembocaduras do rio Pímma ______. α μ η δ; desembocaduras do rio Daíco ________ δ μ η δ; desembocaduras do rio Iaxartes ______ ς μ η; desembocaduras do rio Íaso _______. ε μ ζ; desembocaduras do rio Polímeto __ ργ με _; cidade de Aspabota ____________. β μ δ; depois desta, as desembocaduras do rio Oxo.
A Cítia situada no interior dos montes Imaus é delimitada a oeste pelo lado da Sarmácia asiática, como dissemos; a norte, pela Terra Incógnita (terra desconhecida); a leste, apenas pelos montes Imaus, que se estendem para norte ao longo da linha meridiana que, como afirmámos, chega até à Terra Incógnita; a sul, pela Sogdiana oriental e pela Margiana, ao longo da fronteira indicada destas regiões até à foz do rio Oxo, que desagua no mar Hircânio, e por uma parte do mar Hircânio até ao rio Rá, cuja descrição costeira é a seguinte:
A seguir à foz do rio Rá: foz do rio Rímno 91 48 15; foz do rio Daíco 94 48 15; foz do rio Iaxartes 97 48; foz do rio Ísto 100 47 20; foz do rio Polímeto 103 45 30; cidade de Aspabota 102 44; a seguir a esta, a foz do rio Oxo 100 43
Tradução inglesa de Edward Luther Stevenson (1932).
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[Anônimo] Exposição geográfica resumida (geralmente atribuída a Agatêmero; século III d.C.)
§ 29. Iaxartes, Oxo, Rímno, Rá, Ciro e Araxes desaguam no mar interior
“Iaxates e Oxus e Rhymus e Rhas e Cyrus e Araxes desaguam no mar Cáspio.”
Nota: O editor propôs a conjectura `Ρᾶς em lugar de `Ρώς
Geographi Graeci Minores, Vol. II, ed. by Karl Müller. Paris: Firmin-Didot, 1861, 502.
Fontes bizantinas
Zemarchus, c. 570 (transmitido por Menandro Protetor, nascido por volta de meados do século VIth)
Zémarco, seguindo ao longo da margem arenosa do lago por doze dias e contornando alguns lugares de difícil passagem, chegou aos cursos do Iχ, isto é, também do Daïx; e, passando por outros lagos, chegou novamente ao Átillan.
“Zemarchus percorreu a margem arenosa durante doze dias e, depois de contornar algumas zonas difíceis, chegou ao rio Ikh, depois ao Daikh e, atravessando outros lagos, ao Atilas {rio}.”
Edited and translated by Blockley 1985: 124–125.
Further see Moravcsik (1958: 78–79):
Teofilacto Simocata (Θεοφύλακτος Σιμοκάτ(τ)ης: Historiae (escrita por volta de 630, sobre o fim do século VIth)
258.9: o rio Til..., que os turcos costumam chamar de Negro <ἔθος>
Teófanes, o Confessor (†818), Crônica (284–813 d.C.; por volta de 680)
356.23: Ἄτελ
nas regiões setentrionais periféricas do Ponto Euxino, no chamado lago Meótis, no qual deságua um rio imenso, que vem do oceano atravessando a terra dos sauromatas e se chama Ἄτελ; nele deságua o rio chamado Tanaïs, que também nasce junto às Portas Ibéricas, nas montanhas do Cáucaso. Da confluência do Tanaïs com o Ἄτελ (que se bifurca acima do lago Meótis mencionado), surge o rio chamado Κοῦφις, que desemboca no extremo do mar Pôntico, perto das Portas dos Mortos, no promontório chamado Κριοῦ Πρόσωπον.
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“Na região norte do Mar Negro, junto ao lago chamado Maotis, no qual deságua um grande rio que flui do Oceano através do território dos sármatas, chamado Atel, no qual deságua o rio chamado Tanais, que nasce nas Portas Ibéricas, nas Montanhas do Cáucaso; da confluência do Tanais com o Atel (acima do lago já mencionado, Maotis, onde o Atel se divide) corre o rio chamado Kuphis, que deságua na extremidade do Mar Pôntico, perto de Necropole, junto ao cabo chamado Lábio de Carneiro.”
Registros geográficos bizantinos do século VIII: ὁ Ἀστήλ ἐν ᾧ λέγεται ὁ Ἀστήλ ὁ ποταμὸς τῆς Χαζαρίας, ἔστιν δὲ κάστρον “{Bispado} Astil, isto é, Astil — o rio da Khazária, mas há também uma fortaleza {com o mesmo nome}” (ver Moravcsik 1958: 78). Seibt (2017: 301) menciona o registro variante Ἀσταήλ deste bispado, segundo um manuscrito parisiense.
Constantino Porfirogênito (Κωνσταντίνος Πορφυρογέννητος; AD 905–959): De Administrando Imperio (c. 50)
37.2–4: Ἰστέον, ὅτι οἱ Πατζινακῖται τὸ ἀπ’ ἀρχῆς εἰς τὸν ποταμὸν Ἀτήλ τὴν αὐτῶν εἶχον κατοίκησιν ὁμοίως δὲ καὶ εἰς τὸν ποταμὸν Γείχ, ἔχοντες τοὺς τε Χαζάρους συνοροῦντας καὶ τοὺς Οὔζους “Originalmente, os pechenegues habitavam junto ao rio Atil e, do mesmo modo, junto ao rio Geik, tendo fronteiras comuns com os cazares e os chamados uzes.”
38.30 εἰς τόπους ἐπονομαζομένους Ἀτελούζου, ἐν οἷς τόποις τὰ νῦν τὸ τῶν Πατζινακιτῶν ἔθνος κατοικεῖ “em lugares chamados Atelkouz, onde atualmente vive o povo dos pechenegues”
38.66–71 Ὅτι ὁ τῶν Πατζινακιτῶν τόπος, ἐν ᾧ τῷ τότε καιρῷ κατῴκησαν οἱ Τοῦρκοι, καλεῖται κατὰ τὴν ἐπωνυμίαν τῶν ἐκεῖσε ὄντων ποταμῶν. Οἱ δὲ ποταμοί εἰσιν οὗτοι· ποταμὸς πρῶτος ὁ καλούμενος Βαρούχ, ποταμὸς δεύτερος ὁ καλούμενος Κουβού, ποταμὸς τρίτος ὁ καλούμενος Τρούλλος, ποταμὸς τέταρτος ὁ καλούμενος Βρούτος, ποταμὸς πέμπτος ὁ καλούμενος Σέρετος. “O território dos pechenegues, onde naquela época viviam os turcos, recebe seu nome dos rios que ali se encontram. Os rios são estes: o primeiro rio é o chamado Baroukh {Dniepre}, o segundo rio é o chamado Kouou {Bug}, o terceiro rio é o chamado Troullos {Dniestre}, o quarto rio é o chamado Broutos {Prut}, e o quinto rio é o chamado Seretos {Siret}.”
40.23–25 O lugar onde antes habitavam os turcos é chamado, pelo nome do rio que por ali passa, Etel e Kubu, onde agora vivem os pechenegues.
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“O território onde os turcos (= húngaros) costumavam viver chama-se assim pelo nome do rio que o atravessa, Etel e Kouzou, e nele vivem agora os pechenegues.”
Edited by Gy. Moravcsik; translated by R. J. H. Jenkins 1967: 166–179.
Nicéforo Gregoras (1290/1–1360) 1.26.19-21 Ὠσός τις ἐστιν ἐς τὰ ἐπέκεινα τε καὶ βορειότερα τοῦ Ἴστρου κείμενος, καὶ ποταμὸς ῥέων δι’ αὐτοῦ οὐ μικρός· Βούλγαρ αὐτὸν ὀνομάζουσιν οἱ ἐγχώριοι· ἀφ’ οὗ δὴ καὶ αὐτοὶ τὸ τῶν Βουλγάρων μετείληφεσαν ὄνομα, Σκύθαι τὸ ἐξ ἀρχῆς ὄντες.
“Além do Istro, em direção ao norte, há um território atravessado por um rio considerável, chamado Bulga pelos habitantes locais; daí também eles tomaram o nome de búlgaros, embora originalmente fossem citas.”
Nicephori Gregorae Byzantina Historia, em grego e latim, com anotações de Hier. Wolfii, Car. Ducangii, Io. Boivini e Cl. Capperonnerii. Bonn: Weber, 1829 (Scriptorum Historiae Byzantinae, edição revista e ampliada, sob a direção de B.G. Niebuhr, Pars IX: Nicephorus Gregoras, Vol. I), 26.
Disponível em: <https://ia800207.us.archive.org/31/items/byzantinahistor00bekgoog/byzantinahistor00bekgoog.pdf> [acessado em 01.11.2019].
Testemunho do avéstico jovem
Avestan Raŋhā- ‘a mythical river’ (Bartholomae 1904: 1510–1511)
ym bariti Karō masiō upā yō Raŋhaiiā dūrāeparāiia. jafraiia hazarō vīraia varəsō.stauuaŋhəm apō uruaesəm maraiiete “o peixe Kara, que vive na água, percebe um redemoinho de água da largura de um cabelo, nas águas profundas e distantes da Raŋhā, com mil homens de profundidade”
[Yt. 14.29].
təm yazata yōišō yō friianąm paiti pəduuaēpā Raŋhaiiā. satəm aspanəm aršnəm hazarəm gauuəm baēuuarə anumiiąm “Yōišta, da família dos Fryana, sacrificou-lhe na ilha cercada pelas águas da Raŋhā cem cavalos machos, mil bovinos e dez mil ovelhas”
[Yt. 5.81].
xšuuāš.kasəm asahəmca šōiθranəmca | vahištəm frāβərəsəm azəm yō ahurō mazdā | upa aoδešu Raŋhaiiā | yō. asarō. aibiiaxšaienti:
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“Como o décimo sexto dos lugares e sítios, criei Eu, Ahura Mazdāh, a terra upa aodāešu Rahaiiā (=junto às fontes da Rahā), onde vivem os que não têm soberano”
[Vd. 1.19].
yațcīt ahi rašnuō āšam upa aodāešu raha iiā yațcīt ahi rašnuō āšam upa sanke raha iiā “Ainda que estejas, ó bendito Rānu, na nascente da Rahā, nós te invocamos… Ainda que estejas, ó bendito Rānu, na foz da Rahā, nós te invocamos”
[Yt. 12.18–19].
yațcīt sanke raha iiā yațcīt ūmaidīm aihā zəmō “ainda que (Mithra) estivesse na foz da Rahā, ainda que (ele) estivesse aqui no centro da terra”
[Yt. 10.104].
təm yazata naire.māṇ kərəsāspō upa guδəm apəžarəm Ranhaiiā mazdātaiiā. “O heroico Kərəsāpa sacrificou-lhe junto à Guδa, braço da Ranhā concedida por Mazda”
[Yt. 15.27].
Aduiš ūre āhite | mōšu mē javca auuahe | nūram mē bara upastaṇ hazərəm tē azəm zaoθraṇ | haomauuaitiṇəm gaomauuaitiṇəm | yaoždātəm pairihaštāṇəm | bārani | oi āpəm yəm Rahəm | yezi jun frapaiēni | oi zəm ahuraδātəm | oi nūnan yim xᵛēpaθəm “Ó poderosa e imaculada Arəδvī! Apressa-te a vir rapidamente em meu auxílio, traz-me agora apoio! Eu te oferecerei mil zaδra’s com haoma e leite, devidamente preparados e coados, junto às águas da Rahā, se eu chegar vivo à terra criada por Ahura e à minha casa”
[Yt. 5.63].
Disponível em: <http://titus.fkidg1.uni-frankfurt.de/texte/etcs/iran/iran/avesta/avest.htm>
Tradução alemã de Wolff, 1910.
Testemunho védico
I.12.12
yā́bʰiḥ rasā́m kṣódasā udnā́ pinvat́ uḥ anasvám yā́bʰiḥ rāt́ am āvatam iṣé yā́bʰiḥ triṣókaḥ usriyā́h údīyata tá́bʰiḥ u sū́ utíbʰiḥ áśvinā ā́ gatam
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Ja: “Aquelas com as quais fizestes a Rasā (rio) transbordar com uma torrente de água, com as quais ajudastes o carro sem cavalos a alcançar a vitória, com as quais Triśoka conduziu para si vacas avermelhadas — com essas formas de ajuda, vinde aqui, ó Aśvins.”
Gr: “Com as quais fizestes a Rasā transbordar com torrentes de água e impelistes à vitória o carro sem cavalo; com as quais Triśoka conduziu para fora suas vacas recuperadas — vinde até nós com esses auxílios, ó Aśvins.”
Ge: “Com as quais fizestes a Rasā transbordar com a inundação das águas, com as quais ajudastes o carro sem cavalo a alcançar a vitória, com as quais Triśoka conduziu as vacas para fora, com esses auxílios vinde, pois, aqui, ó Aśvins!”
IV.43.6.
sindhūḥ ha vām rasāyā sincad áśvān ghṛṇāḥ! vāya aruṣāsa pari gman tā ū sū vām ajiram ceti yānam yena pāti bṛhávātah sūryāḥ
Ja: “O rio Sindhu salpica vossos cavalos com a Rasā; vossas aves avermelhadas evitam o calor ardente. Vosso veículo veloz acaba de aparecer, com o qual vós dois vos tornais os senhores [/maridos] de Sūryā.”
Gr: “Que Sindhu, com sua onda, orvalhe vossos cavalos: em brilho flamejante, as aves vermelhas vieram para cá. Todos observaram vossa rápida jornada, por meio da qual vos tornastes os Senhores da Filha de Sūryā.”
Ge: “Sindhu, com a Rasā, umedeceu vossos cavalos; os corcéis-ave avermelhados escaparam às chamas. Esta vossa rápida viagem causou grande alvoroço, por meio da qual vos tornareis os cônjuges de Sūryā.”
V.41.15
padé-pade me jaramāṇi dhāyai vārtrī vā śakrā yā pāyubhiḥ ca śak tu mātā mahī rasā naḥ smat surbhih juhāsta juvanih
Ja: “A cada passo, a velhice foi assegurada para mim, seja (por ela) que é a Deusa Protetora capaz, seja pelos protetores. Que a mãe, a grande Rasā, nos acompanhe junto com nossos patronos, ela com as mãos estendidas, com os ganhos estendidos.”
Gr: “A seu tempo, meu louvor foi oferecido a cada um. Que Varātrī seja forte com seus poderes para socorrer. Que a grande Mãe Rasā aqui nos favoreça, de mão estendida, com os prêmios, avançando com empenho.”
Ge: “A cada passo, que a velhice me seja assegurada, seja pela poderosa Vatrī, seja pelos espíritos protetores. Que a grande mãe Rasā nos assista, junto com os senhores das recompensas, ela que tem uma mão honrada e traz ricos ganhos.”
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V.53.9.
mā vaḥ rasā anitabʰā kubʰā kr̥muḥ mā vaḥ sindʰuḥ ni rīramat mā vaḥ pāri stʰāt sarayuḥ puriṣiṇī asmē it sunnām astu vaḥ
Ja: “Que o Rasā {Rio}, o Anitabhā, o Kubhā e o Krumu não vos detenham; que o Sindhu não vos faça parar. Que o Sarayu transbordante não vos cerque. Que somente conosco esteja o vosso favor.”
Gr: “Que Rasā, Krumu ou Anitabhā, Kubhā ou Sindhu não vos detenham. Que as águas de Sarati não obstruam o vosso caminho. Conosco esteja toda a bem-aventurança que concedeis.”
Ge: “Que Rasā, Anitabhā, Kubhā e Krumu não vos detenham, nem o Sindhu vos retenha, nem o Sarayu, rico em nascentes, se ponha no vosso caminho. Convosco esteja a vossa graça.”
VII.72.13.
ā suté siñcata śriyam rodasyoḥ abʰiśriyam rasā dadʰīta vr̥sabʰām
Ja: “Derramai glória no soma prensado {= leite}, a glória plena das duas metades do mundo. Que o Rasā (Rio {= água} receba o touro.”
Ge: “Derrama a glória no sumo prensado, que ela ultrapasse os dois mundos! Que o Rasā receba o touro!”
IX.41.6.
pári naḥ sarmayāntā dʰārā soma viśvataḥ | sāra rasā́ iva viṣṭapam
Ja: “Ó Soma, flui para nós numa corrente protetora por todos os lados, como {o rio celestial} Rasā, ao longo da superfície superior {do filtro}.”
Gr: “Por todos os lados, ó Soma, flui ao nosso redor com tua corrente protetora, como Rasā flui ao redor do mundo.”
Ge: “Flui para nós em corrente protetora, ó Soma, ao redor, como Rasā em torno da elevação da Terra!”
X.75.6
tr̥ṣṭāmayā pratʰamā yatave sajūḥ susartvā rasayā śvetāyā tvām sindʰo kubʰayā gomatiṃ kr̥mum mehanvā saratʰam yábʰiḥ iyase
Ja: “Para viajar, primeiro unida ao Tr̥ṣṭā, {depois} ao Susartū, ao Rasā e a este Śvetā, tu, ó Sindhu, {vens} com o Kubhā até o Gomati, com o Mehatn até o Krumu, no mesmo carro {com todos estes}, com o qual vais velozmente.”
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Gr: “Primeiro, junto com Tṛstāma, estás ansioso por fluir, com Rasā, Susartū e também com Śvetā; com Kubhā; e com estas, Sindhu e Mehatnū; em teu curso, buscas Krumu e Gomati.”
Ge: “Primeiro, unida à Trstama no curso, vens com Susartū, Rasā e esta Svetā; tu, Sindhu, com a Kubhā rumo à Gomati, com a Mehatnū rumo à Krumu, com elas seguindo no mesmo carro.”
X. 108.1–2
kím ich ánti saramá prá idám ánat dúré hí ádh vā jagurih parācáḥ kā asméhitih kā pártakmyā ásit kathām asāyā atarah pāyamsi índrasya dútih iśā carāmi maháś ich ánti panáyah nidh vah atiśadabh iyāsā tát nah ávat tāthā asāyā ataram pāyamsi
Ja: [Pani] “O que Saramā veio buscar aqui? Pois a estrada é longa, tragando o viajante ao longe. Qual é a tua missão para nós? Qual foi o último desvio que te trouxe aqui? Como atravessaste as águas do Rasā?”
[Saramā] “Enviada como mensageira de Indra, viajo em busca dos vossos grandes tesouros ocultos, ó Paṇis. O medo de saltar para atravessar — isso nos ajudou! — foi assim que atravessei as águas do Rasā.”
Gr: “Que desejo de Saramā a trouxe até aqui? O caminho leva para longe, a lugares distantes. Que incumbência tens para nós? Para onde se volta a tua jornada? Como conseguiste atravessar as águas do Rasā?”
“Venho como mensageira designada de Indra, em busca de vossas vastas reservas de riqueza, ó Paṇis. Isto me preservou do medo de atravessar: assim consegui passar pelas águas do Rasā.”
Ge: “Com que pedido Sarama veio até aqui? O caminho é tão longo até longe que chega a ser extenuante. O que significa a missão junto a nós? Qual foi o ponto de virada decisivo? Como chegaste ao outro lado das águas do Rasa?”
“Venho como mensageira enviada de Indra, em busca dos vossos grandes tesouros, ó Panis. O medo de saltar ajudou-nos nisso. Assim atravessei as águas do Rasa.”
X. 121.4.
yásya imé himávantaḥ mahitvā yásya samudráṃ rasáyā sahá āhuḥ yásya imāḥ pradíśaḥ yásya bāhū kásmai devāya haviṣā vidhema
Ja: “De quem são estas montanhas cobertas de neve (= os Himalaias), em toda a sua grandeza? De quem é o mar junto com o rio cósmico, dizem? De quem são estas direções, de quem são os dois braços (= o zênite e o nadir?) — A que deus devemos prestar homenagem com nossa oblação?”
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Gr: “Seus, por seu poder, são estes montes cobertos de neve, e os homens chamam o mar e Rašā de sua possessão: Seus são estes braços, suas são estas regiões celestes. Que deus devemos adorar com nossa oferenda?”
Ge: “Por seu poder existem aquelas montanhas nevadas; por seu poder, como dizem, o oceano e a Ra são seus; por seu poder, estas regiões celestes são ambos os seus braços. — Quem é o deus a quem devemos servir com sacrifícios?”
Disponível em: <http://titus.fkidg1.uni-frankfurt.de/texte/etcs/ind/ind/ved/rv/mt/rv.htm>
Translations: Ja = Jamison & Brereton 2013; Gr = Grith 189[1987]; Ge = Geldner 1951.
Nota: As abreviaturas sem explicações específicas, nomeadamente as partes do Avesta ou os dialetos das línguas urálicas, seguem as abreviaturas padrão usadas nas fontes citadas.
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Acknowledgement
The article was prepared under the auspice of the research Fund of Masaryk University, Nr. 287. I am grateful to John Bengtson for his correction of English.
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Page 44Volga – the First River of Europe
Volga – pirmoji Europos upė
SANTRAUKA
Šiame tyrime apibendrinami visi Volgos upės pavadinimai, kurie, kai įmanoma, yra aprašomi platesniame pirminių tekstų, pateiktų prie, kontekste. Taip pat straipsnyje tiriamos ir aptariamos esamos etimologijos bei nurodomos naujos etimologijos, kai senosios atrodo nepakankamai įtikinamos. Volga yra ilgiausia Europos upė (ilgis – 3534 km (prieš užtvankų sistemą ji buvo 3693 km) su didžiausiu baseinu (1 380 000 km²), vakariausia ir didžiausia Eurazijos upė bei didžiausia endorinė upė pasaulyje. Tokiems ilgiems upėms būdinga, kad jos įvairiomis kalbomis vadinamos keliais pavadinimais: septyni hidronimai (Ἀράξης, *As(a)tEl, Jul, Λύγος, Rav(o), Ὄαρος, Volga), išdėstyti abėcėlės tvarka, yra išsamiai išanalizuojami tiek etimologiniu, tiek semantinės motyvacijos požiūriais. Nors šių hidronimų etimologijos yra dažnai nesuderinamos, įvertinus jų semantinę motyvaciją, jos gali būti suskirstytos į dvi grupes. Pirmą grupę sudaro visiškai hidroniminiai vardai, pagrįsti reikšmėmis, susijusiomis su „vandeniu“, t. y. „vanduo“, toliau „upė“, „(upės) slėnis“, „srovė (tėkmė)“, „potvynis“, „drėgmė“, „ežeras“, „jūra“. Antroji grupė apima terminus, apibūdinančius upę ar krantus, būtent: „platus“, „ilgas“, „išlenktas“, „be medžių“, „nekenksmingas“, „baltas / šviesus“, „juodas / tamsus“. Akivaizdu, kad pirmoji semantinė grupė yra tiesiogiai susijusi su vandeniu ir turėtų būti svarbesnė. Keliems etnonimams skirtinguose varduose pasikartojanti semantinė motyvacija atrodo yra perspektyvesnė nei pavieniai paaiškinimai. Tai senovės rusų Volga < bendrinės slavų *vьlga „drėgmė“ sutampa su iranėčių, greičiausiai skitų, *rahā-, kurio reikšmė „drėgnė“ gali būti rekonstruojama pagal vedų [RV] rasā- (vyriškos giminės rasā- „augalų sultys ar sula, vaisių sultys, bet koks skystis ar skystis, drėgmė, esme, čiulpai“ moteriškos giminės forma). Trečiąjį atitikmenį būtų galima identifikuoti hipotetiniame tiurkų junginyje *ast-(h)ōl „apatinis drenumas“. Tikėtina, kad tai apibūdino Volgos deltą. Kyla pagrįsta išvada, kad slavų ir galbūt tiurkų hidronimai kilo iš iranėčių kalbos.
Remiantis senoviniais tekstais, prieinama prie išvados, kad Volga galėjo žymėti rytinę indoeuropiečių tarmės kontinuumo ribą, kuri pirmiausia kito tik toliau protėviai, galbūt pirmoje 4-ojo tūkstantmečio prieš Kristų pusėje. Tokiu atveju atrodytų natūralu, kad tokios galingos upės vardas, kuri yra svarbi orientavimuisi, laivybai, krovinų gabenimui ir žvejybai, buvo išlaikytas ilgą laiką. Kai šios upės krantuose apsigyveno naujų tautų, teisių pirmenybę, kvaizonominiškiems vardams, pradėtos naujai interpretuoti šių vardų reikšmės. Šalia ilgiausios vardų grandinės – tocharų B waike „ilgas“ → vengrų völgy „upės slėnis“ → marų (finougrų) wola „yra baltas, balta“ → latvių valga „šlapias“ → senovės rusų Volga „drėgnumas, drėgė“ – egzistuoja dar viena: tocharų B war „vanduo“, -wär „srovė, tėkmė, upė“ → avestų vairi- „jūra, jūros įlanka“, pelevų var „ežeras“ → čuvašų var „slėnis, pylimas, vaga, tarpeklis; vidurė, centre, viduryje, pilvas“, arba nauji avestų Raŋhā arba ‘skitų’ *Rahā → mordvių erzių Rav, Ravo ‘Volga’, mokšų rava „upė“, Rav ‘Volga’. Ši hipotezė, nepaisant minių migracijų laikotarpių, rodo populiacijų tęstinumą, greičiausiai atsispindi
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reikinių gyveniečių prie svarbių upių varduose, kurie yra kilę iš pirminių hidronimų. Šis mechanizmas padėjo išsaugoti daugelio svarbių upių vardus, nors jų krantose keitėsi kalbos. Natūralu, kad šalia senų vardų atsiranda naujų. Volgos atveju jauniausias tokio tipo pavyzdys yra greičiausiai marų (fino-ugrų) Jul, paimtas iš senovės turkų šaltinio senovės uigūrų yul „kalnų upelis, šaltinis, versmė“.
Įteikta 2019 m. lapkričio 4 d.
VÁCLAV BLAŽEK
Ústav jazykovědy a baltistiky
Filozofická fakulta Masarykovy University
A. Nováka 1, CZ-60200 Brno
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