Page 1JOLANTA VASKELIENĖ
Universidade de Vilnius, Academia de Šiauliai
ORCID id: orcid.org./0000-0002-8516-8608
ÁREAS DE PESQUISA: formação de palavras, morfologia, linguística textual, estilística, variabilidade.
DOI: doi.org/10.35321/bkalba.2023.96.11
SOBRE FENÔMENOS VARIÁVEIS E NOVOS DA LÍNGUA LITUANA E NÃO SÓ
Recenzija: Rita Miliūnaitė. Įvairuojantys ir nauji lietuvių kalbos reiškiniai XXI a. pradžioje: sistematika ir pokyčių kryptys, monografija, Vilnius: Lietuvių kalbos institutas, 2022, 720 p. ISBN 978-609-411-322-2. Prieiga internete: https://doi.org/10.35321/e-pub.42.lietuviu-kalbos-pokyciai
Em 2022, foi publicada em formato eletrônico a monografia de Rita Miliūnaitė Fenômenos variáveis e novos da língua lituana no início do século XXI: sistemática e direções das mudanças (Vilnius: Instituto da Língua Lituana). Esta resenha dedica-se a apresentar e discutir essa monografia1.
Para perceber como a língua muda e varia, são necessárias observações de longo prazo e materiais empíricos de diferentes períodos. A autora da monografia dedica-se há muitos anos à variabilidade e às variantes da língua lituana; assim, esta monografia dá continuidade a pesquisas sistemáticas. Com o trabalho apresentado, R. Miliūnaitė procurou responder a duas questões fundamentais: «1) como sistematizar aquilo que varia e se renova? 2) o que e como muda de forma mais perceptível na língua lituana no início do século XXI?» (p. 21). Pode-se dizer desde logo que, em essência, a autora conseguiu responder às perguntas.
Este livro de grande extensão (720 p.) atende, em todos os parâmetros, aos requisitos exigidos das monografias. A estrutura da monografia é bem concebida e lógica: compõe-se de uma Introdução, cujos quatro capítulos apresentam detalhadamente o objetivo e as tarefas da pesquisa, indicam sua relevância e novidade, expõem as abordagens teóricas e metodológicas e definem os principais mo-
1 Embora em 2023 tenha sido publicada uma resenha de Erika Rimkutė dedicada a esta monografia, não resisti à vontade de expressar também uma ou outra reflexão pessoal.
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Page 2os conceitos empregados na monografia e três partes subdivididas em capítulos, subcapítulos e seções. Na primeira parte da monografia (Criação de uma sistemática dos fenômenos linguísticos variáveis e novos), apresentam-se detalhadamente as fontes de dados, discutem-se os dados classificados, as particularidades, dificuldades, princípios e critérios de sua classificação, e examinam-se a estrutura, o valor e as possibilidades de aplicação do Repertório de fenômenos linguísticos variáveis e novos (doravante, Repertório). A segunda parte (Repertório de fenômenos linguísticos variáveis e novos e sua descrição) é dedicada ao próprio Repertório. Essa parte é composta por quatro capítulos (2.1. Léxico; 2.2. Estrutura das palavras; 2.3. Morfologia; 2.4. Sintaxe), nos quais são apresentados variantes dos níveis correspondentes e discutidos alguns fenômenos linguísticos variáveis concretos. A terceira parte (Dinâmica da língua padrão e de seus fenômenos) dedica-se à variabilidade linguística e à discussão das direções das mudanças na estrutura da língua lituana padrão, apresentando também um amplo contexto das línguas padrão europeias. A monografia termina com conclusões detalhadas, correlacionadas com a pesquisa, um posfácio e listas de fontes e referências bibliográficas. As figuras e tabelas informativas e ilustrativas incluídas no livro são extremamente úteis: a monografia contém, ao todo, 56 figuras e 36 tabelas do Repertório. (É verdade que, em alguns momentos, ocorreu-me que o material empírico classificado poderia ter sido apresentado no final do livro, em apêndices, de modo que o leitor, sem ser interrompido por tabelas longas, pudesse dedicar-se mais ao texto e à explicação.) A classificação e a análise do material empírico reunido baseiam-se em reflexões teóricas e recorrem a bibliografia publicada em várias línguas — sua lista será útil aos leitores interessados em pesquisas análogas.
R. Miliūnaitė sem dúvida aprofundou-se no fenômeno investigado, familiarizou-se com pesquisas análogas e, de modo geral, com o desenvolvimento das línguas padrão de vários países, com as situações existentes, com as especificidades da evolução da língua lituana padrão etc. São admiráveis as perspicazes observações da autora, sua versatilidade e sua capacidade de investigar fenômenos linguísticos de diferentes níveis sob diversos aspectos e de vários pontos de vista. É valioso que a monografia possa ser lida não apenas na íntegra, mas também em partes, conforme os interesses e as buscas do leitor, pois suas partes são, ao mesmo tempo, interligadas e relativamente autônomas. Isso se aplica especialmente à terceira parte (Dinâmica da língua padrão e de seus fenômenos): as observações ali apresentadas podem ser úteis a leitores muito diversos. A monografia foi escrita em estilo acadêmico, é bem organizada e foi adequadamente editada. O resumo detalhado em inglês (traduzido por Vaida Kavaliauskaitė-Ožalinskienė) possibilita apresentar os principais resultados e observações da pesquisa à comunidade internacional.
Também é valioso que a monografia incentive a refletir, analisar e, por vezes, debater. Compartilharei algumas das ideias — ou dúvidas — que surgiram.
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Page 3Sobre os títulos dos capítulos da monografia (2.2. Estrutura das palavras e 2.3. Morfologia) e o fundamento de sua divisão. Tanto a formação de palavras quanto a morfologia estão relacionadas à estrutura das palavras, mas a morfologia se ocupa da composição morfêmica das palavras (da identificação de todos os morfemas de uma palavra), enquanto a formação de palavras trata apenas do afixo derivacional, isto é, do recurso por meio do qual se forma uma palavra nova (sobre o objeto da morfologia e as diferenças entre a análise morfêmica e a derivacional, ver Paulauskienė 1994: 10; LKE 2008: 359). Portanto, tradicionalmente, para não confundir os objetos de estudo de diferentes ramos da linguística, distinguem-se capítulos sobre formação de palavras e sobre morfologia. Por que o capítulo 2.2 desta monografia se chama Formação de palavras, mas sim Estrutura das palavras, é explicado na p. 213:
Nesta monografia, o processo de formação de palavras e a composição derivacional das palavras são examinados sob a perspectiva da variabilidade e das mudanças, tendo em vista o objetivo geral de sistematizar os ĮNKR [fenômenos linguísticos variáveis e novos] mais frequentes e os novos, sobretudo os relacionados às mudanças nas normas da língua lituana padrão. Assim, o objeto de pesquisa é muito mais amplo do que apenas a formação de palavras novas, pois a sistematização dos ĮNKR também inclui variações tradicionais (variantes de formação de palavras que competem no uso por períodos mais ou menos longos). Além disso, do ponto de vista da variabilidade (formação de relações entre variantes), uma palavra que contém morfemas derivacionais pode ser examinada não só pelas abordagens teóricas da formação de palavras: palavras segmentáveis em morfemas podem ser tratadas não apenas como resultado da formação de palavras, mas também como variantes que contêm morfemas derivacionais diferentes, embora associadas ao mesmo significado lexical. Todos esses fenômenos são denominados, de modo geral, fenômenos da estrutura das palavras na monografia. Por exemplo, segundo o critério formal aplicado para identificar variações, algumas palavras de formação mista são incluídas no Repertório entre as palavras com prefixos variáveis (prieškarinis, -ė: ikikarinis, -ė [ŽS prieš- 1]) ou entre as palavras com terminações variáveis (beprocentinis, -ė: beprocentis, -ė [ŽS –inis 1]). Por isso, em casos semelhantes, optou-se por falar não em derivados prefixais ou sufixais ou em formações mistas, mas em palavras com afixos variáveis.
Essa escolha causa certo desconforto a um especialista em formação de palavras (mas, aparentemente, esse é um problema da resenhista): as palavras discutidas são claramente formações, por isso é natural querer falar não simplesmente da concorrência ou variação entre palavras segmentáveis em morfemas, mas da concorrência entre formações (processos e tipos de formação de palavras); para a autora da resenha, trata-se também de sinônimos derivacionais e variantes derivacionais2. Os membros dos pares indicados são sinônimos derivacionais típicos: um par de sinônimos
2 Sinônimos derivacionais são formações de raiz comum, pertencentes a tipos diferentes de formação de palavras, com significado lexical semelhante (ou igual); variantes derivacionais são formações de raiz comum, pertencentes ao mesmo tipo de formação de palavras, com o mesmo significado lexical (ou muito semelhante) e algumas diferenças derivacionais secundárias. Por exemplo, derivados com o mesmo prefixo diferem na terminação, enquanto compostos formados a partir das mesmas palavras-base diferem na vogal de ligação, entre outros casos (mais detalhes em Vaskelienė 2013).
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Page 4prieškarinis, –ė: ikikarinis, –ė formam um par de duas palavras formadas por um processo misto de formação, enquanto o par de sinônimos beprocentinis, –ė e beprocentis, –ė é constituído por uma formação mista e um derivado. A explicação detalhada de por que o capítulo 2.2 não pode ser intitulado Formação de palavras e de por que a distinção entre sinônimos derivacionais e variantes derivacionais não é relevante para a pesquisa encontra-se na p. 214:
Na monografia, porém, a distinção entre variantes derivacionais e sinônimos derivacionais não é relevante: ambos podem integrar a variação geral e são denominados fenômenos de estrutura morfêmica variável das palavras ou, simplesmente, fenômenos variáveis da estrutura das palavras. Assim, incluem-se também variações como garbanotuvas: garbanoklis (ND, consultado em 2021-12-15) — neste caso, a mesma significação lexical, «instrumento para encaracolar o cabelo», realiza-se por meio de variantes da estrutura das palavras.
De fato, as variantes entendidas em sentido mais amplo abrangem tanto sinônimos derivacionais quanto variantes derivacionais (R. Miliūnaitė já escrevera sobre as concepções de variante em sua monografia de 20093). A monografia resenhada adota a concepção ampla — isso é explicado na subseção 0.3.6 e também se evidencia nos capítulos específicos sobre estrutura das palavras e sintaxe4. A escolha de denominar (e classificar) as palavras variáveis segundo suas características estruturais é explicada (e destacada) com muita clareza adiante, na mesma página: «Ao identificar os ĮNKR de estrutura das palavras, a questão prática não é de que palavra e de que modo ela foi formada (em que palavra-base se apoia)?, mas como a palavra está formada e com que ela compete no uso?, que diferenças nos morfemas derivacionais (não necessariamente da última etapa) apresentam as variantes concorrentes?» Ver também p. 214: «Assim, a seção sobre estrutura das palavras do Repertório de ĮNKR é constituída por variantes de palavras que diferem nos morfemas derivacionais, mas que não necessariamente surgiram num processo direto de formação de palavras, bem como por variantes em que o membro correspondente (marcado) contém um morfema derivacional e, por causa dele, é geralmente codificado de forma negativa, ao passo que o membro principal da variação também pode ser um recurso expressivo de outro tipo (uma combinação de palavras ou algo semelhante).» É claro que a mesma matéria empírica pode ser (e é) classificada e analisada por pesquisadores segundo um determinado critério de-
3 Em sua monografia, ela apresenta três concepções de variante: a mais restrita (identidade da palavra + identidade do significado), a predominante (identidade da unidade linguística + identidade do significado) e a mais ampla (identidade do significado (função) dos fenômenos linguísticos) (Miliūnaitė 2009: 140–147). Aliás, na opinião da resenhista, a concepção mais restrita está contida na predominante — afinal, a palavra também é uma unidade linguística.
4 P. 392: «No Repertório, a expressão variável de combinações sintáticas, construções e frases é entendida em sentido amplo; portanto, apresentam-se não apenas os chamados variantes sintáticos — “construções sintáticas de significado exatamente igual” (Župerka 1983: 28). Os conjuntos de variantes também incluem sinônimos sintáticos (cf. Valiulytė 1998: 9–12) e outras unidades sintáticas de composição lexical nem sempre igual, que diferem em várias nuances de significado.»
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Page 5do aspecto selecionado. Cabe à autora da monografia escolher como classificar as formações. O mais importante é que R. Miliūnaitė explique detalhadamente a sua opção e a siga; ao leitor resta aceitar as regras do jogo propostas5.
Ainda assim, mesmo ao ler sobre algumas variantes concretas que diferem em certos aspetos da estrutura, a distinção entre algumas palavras permaneceu pouco clara. Na tabela 26, junto da palavra debiurokratizuoti, a nota 183 («Esta e algumas outras palavras novas incluídas na secção de novas formações (com exceção, em primeiro lugar, daquelas que têm raiz lituana) também podem ser empréstimos, mas o contexto da sua utilização (ver ND) aponta para uma maior probabilidade de se tratar de uma formação nova ou de um decalque») não esclarece muito: é simplesmente preciso confiar na opinião da autora de que, por exemplo, hiperintensyvus, -i é um novo empréstimo, enquanto hiperjautrus, -i é uma nova formação ou um decalque (o livro diz formação / decalque); que antiinfl iacinis é um empréstimo, enquanto antipabėgėliškas, -a, antiria ušinis, -ė são formações ou decalques; que koaferistas, -ė é um empréstimo, enquanto kokūryba, kopriklausomas, -a são formações ou decalques, e assim por diante. Na monografia, parecem ser consideradas formações apenas as palavras que têm uma base lituana. Mas, em muitos casos, é difícil determinar se uma palavra foi emprestada com afixos ou se foi formada na nossa língua. Afinal, não se pode excluir a possibilidade de que, por exemplo, antiinfl iacinis, -ė seja produto de formação mista (formado a partir de infliacija com anti- e -inis, -ė)6. Além disso, surgiu a questão: se o mais importante é a estrutura das palavras, certos morfemas das palavras, seria sequer necessário tentar distinguir os novos empréstimos das formações e dos decalques (e, também neste último caso, como se vê, há uma ressalva, pois muitas vezes a distinção entre formação e decalque é subjetiva).
A tabela 26 apresentada na monografia intitula-se Inventário de prefixos internacionais <...>, e a sua primeira coluna, Prefixos internacionais, embora a nota 181 explique que aí se incluem tanto prefixos como primeiros elementos de compostos. Alguns elementos de origem estrangeira são tratados de maneiras diferentes (ora como prefixos, ora como elementos de compostos); por exemplo, na tabela 26, eks-, hiper-, infra-, intra-, mega- e outros são indicados no Dicionário de palavras internacionais (TŽŽ) como elementos de compostos (TŽŽ 2013: 207, 330, 353, 362, 518). A autora da monografia explica o que considera prefixos: «Na monografia segue-se a conceção segundo a qual se incluem entre os prefixos internacionais aqueles que não se baseiam numa palavra usada independentemente na língua (não estão associados a nenhuma raiz), mas apenas assinalam uma modificação do significado da palavra-base nas direções de aumento–diminuição,
5 Talvez, uma vez escolhido o termo estrutura das palavras, valesse a pena explicar também a relação com a morfologia: o que fica reservado à morfologia e o que, e porquê, é separado na secção sobre a estrutura das palavras.
6 Surgiram questões análogas ao examinar alguns dos exemplos apresentados nas tabelas 29 e 30.
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Page 6nas direções de remoção–acréscimo, elevação–rebaixamento de estatuto, etc.» (p. 233). Ainda assim, seria mais habitual e preciso chamar a todos os morfemas enumerados na tabela prefixos e primeiros elementos de compostos (isto é, escrever Inventário de prefixos internacionais e primeiros elementos de compostos <...>), tanto mais que, nessa mesma passagem da monografia (p. 233), se afirma que algumas palavras que a autora considera prefixos também são usadas como palavras independentes: «É verdade que há exceções: por exemplo, tanto o já mencionado vice- como os elementos eks-, super-, ultra- lexicalizam-se e, por vezes, são usados como palavras autónomas em registos informais.» Outra questão é se é correto agrupar os verdadeiros prefixos e os primeiros elementos de compostos, mas essa é a opção da autora. Cf. o termo mais abrangente elemento final usado na secção 2.2.2 (Palavras com elementos finais variáveis); talvez também valesse a pena intitular a secção 2.2.1 não Palavras com prefixos variáveis, mas Palavras com elementos iniciais variáveis, incluindo aí tanto prefixos como elementos de compostos? Além disso, é difícil perceber em que diferem alguns elementos enumerados na tabela 26 do elemento de composto kripto- apresentado na tabela 28 («primeiro elemento de palavras compostas, que indica o caráter secreto do conceito expresso pela segunda parte da palavra, por exemplo, kriptografija» TŽŽ 2013: 455). A tabela 26 não indica variantes de todos os prefixos. Por exemplo, no TŽŽ (2013: 61, 64), archi- e arki- são indicados como variantes (archi- não aparece na tabela) — aparentemente, simplesmente não havia fontes estudadas com palavras que contivessem essas variantes. A nota 181 diz que alguns dos morfemas apresentados na tabela (cis-, supra-, mal-, mis-) não constam nem do TŽŽ nem da Gramática do lituano contemporâneo (DLKG 2005). Aparentemente, são considerados prefixos precisamente por causa da conceção particular de prefixo mencionada acima.
Em alguns casos, surgiram dúvidas ao ler sobre a relação entre os membros variáveis. Por exemplo, a tabela 13 («fenómenos normativos não controversos, com matizes de significado ou de função») apresenta o exemplo kupiškietis ↔ kupiškėnas. No entanto, no Dicionário do lituano contemporâneo DLKŽ₈, kupiškietis, -ė e kupiškėnas, -ė têm o mesmo significado — «habitante da cidade ou do distrito de Kupiškis» (são, portanto, sinónimos derivacionais). No Dicionário do lituano padrão (BLKŽ), a palavra kupiškietis, -ė é explicada como «pessoa que vive em Kupiškis ou nas suas imediações, ou que é originária de lá», enquanto kupiškėnas, -ė é explicado como «1. pessoa que vive nas imediações de Kupiškis ou que é originária de lá» e «2. falante do subdialeto kupiškėnai dos aukštaitianos orientais». Assim, tanto segundo o DLKŽ como segundo o BLKŽ, kupiškietis, -ė e kupiškėnas, -ė, usado no primeiro sentido, não apresentam diferenças semânticas7; a sua alternância neste sentido
7 A menos que a autora tenha identificado diferenças funcionais.
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Page 7É possível. Portanto, os derivados com a mesma raiz kupiškietis, -ė e kupiškenas, -ė só servem para ilustrar a afirmação da tabela 13 se a palavra for tomada com todos os seus significados (como, ao que parece, também se fez).
Esta afirmação levou-me a refletir: «Assim, a definição dos variantes lexicais, agora precisada, poderia ser a seguinte: são palavras de raízes diferentes que têm o mesmo significado lexical» (p. 133). Sem pôr em causa a afirmação sobre a raiz que consta da nota 100 Kalbotyros terminų žodyno (Gaivenis, Keinys 1990), e concordando que a raiz é, sem dúvida, importante, é preciso dizer que o mais importante talvez não seja simplesmente a raiz, mas o produto final. Reconhecendo que os derivados são unidades lexicais distintas, a sua separação do léxico parece artificial (portanto, derivados com a mesma raiz e o mesmo significado também são variantes lexicais (em sentido amplo), como, por exemplo, os já mencionados kupiškenas, -ė ir kupiškietis, -ė). É evidente que a origem das unidades lexicais é diversa, como também se menciona na p. 134: «A própria natureza das unidades lexicais que constituem as variações é diversa.» Ainda assim, teria sido conveniente explicar mais detalhadamente a decisão de considerar variantes lexicais apenas as palavras de raízes diferentes (com uma referência ao ponto em que se trataria das palavras concorrentes com a mesma raiz).
Sobre a categoria do trabalho. Na p. 269, lê-se: «A terminação -akas (-iakas) [ŽS -akas/skol., žarg., ŽS -iakas/skol., žarg.] é bastante frequente em derivados lituanos — em nomes de portadores de uma qualidade nominal ou verbal <...>.» O único dos exemplos apresentados aqui laižiakas («lambeção» [beijo apaixonado]) é derivado de um verbo. Mas não é o nome de alguém que possui uma qualidade verbal, e sim um abstrato verbal (nome de ação), embora tenha adquirido um sentido mais concreto.
Às vezes é difícil perceber se o assunto é a importação de palavras ou a formação de palavras, um sufixo derivacional ou uma terminação. Por exemplo, na p. 264 discute-se a terminação -abilus, -i, mas logo a seguir fala-se de um sufixo: «O significado derivacional geral deste sufixo é “capaz de fazer (ou poder ter) aquilo que é expresso pela palavra de base”. A adaptação desses empréstimos em lituano e a sua concorrência com meios de expressão variantes são desiguais.» Além disso, normalmente fala-se do significado derivacional de derivados (não de empréstimos).
Na p. 376, lê-se: «Na classificação, procura-se distinguir as variantes de flexão gramatical das palavras das variantes derivacionais, que surgem no uso quando se formam palavras com o mesmo significado por meio de diferentes recursos derivacionais; compare-se: pakampis: pakampė, potemė: potemės, aiškiaregis: aiškiaregys.» Sim, todos os exemplos apresentados aqui são variantes derivacionais, mas, uma vez que em obras de linguística são frequentemente confundidos com sinónimos derivacionais, teria sido útil explicar que os derivados com a mesma raiz de todos os pares pertencem ao mesmo
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Page 8tipo de formação (com os prefixos pa-, po- e compostos formados a partir de um adjetivo e um verbo), mas diferem nos recursos derivacionais secundários — as terminações.
Mais algumas minudências. O termo mais usado é priešdėlis, mas por vezes também se usa prefiksas; por exemplo, na p. 321: «Compare-se com empréstimos adaptados: 1) com prefixo internacional: egocentriškas, -a ← ego- + -centriškas, -a (em inglês egocentric <...>)» — não fica claro se diferem de alguma forma ou se são usados como sinónimos. A nota 183 trata de vediniai, enquanto na tabela se usa o termo mais abrangente darinio. Há muita bibliografia, mas, em alguns casos — por exemplo, ao falar de fraseologismos —, também se poderia ter recorrido à publicação de Rūta Marcinkevičienė (2001), que trata da fraseologia tradicional e de combinações de palavras cristalizadas.
As ideias e observações expressas nesta recensão não diminuem, de modo algum, a enorme quantidade de trabalho realizado pela autora. A monografia de R. Miliūnaitė Fenómenos variáveis e novos da língua lituana no início do século XXI: sistemática e direções da mudança será uma das obras fundamentais sobre o lituano contemporâneo. Não há dúvida de que as observações teóricas, o abundante material empírico e o Compêndio apresentados na monografia serão utilizados por investigadores que estudam os vários níveis da língua, a variação, as normas, as variedades linguísticas e outros temas, bem como por profissionais interessados em variantes concretas do lituano, nas causas do seu aparecimento, na concorrência entre elas e na sua avaliação. Assim, este livro é útil para lexicólogos e morfólogos, especialistas em formação de palavras e sintaxe, responsáveis pela normalização linguística, editores, tradutores e outros leitores; pode também ser usado de forma criativa como manual de estudo. A monografia poderá ser mais difícil de compreender para quem não é especialista em linguística, mas é de esperar que as observações nela apresentadas cheguem também ao grande público, pois os seus membros são precisamente os criadores das variantes. Resta concordar com a afirmação da autora de que esta obra (especialmente o Compêndio) é «uma condição indispensável e um ponto de partida para futuros trabalhos de investigação sobre a variação da língua padrão. Por outras palavras, o Compêndio é necessário para estudar as mudanças e tendências do uso linguístico» (p. 11). No final do livro (na palavra final) apresentam-se também orientações para futuras pesquisas. Ao concluir a recensão, cabe dizer que esta monografia de R. Miliūnaitė assegura, sem dúvida, as possibilidades de investigação futura.
LITERATURA E FONTES
BLKŽ – Dicionário da língua lituana padrão (em preparação), editora-chefe D. Liutkevičienė, Vilnius: Instituto da Língua Lituana. Disponível na internet: https://ekalba.lt/bendrinės-lietuvių-kalbos-žodynas.
DLKG 2005: Dabartinės lietuvių kalbos gramatika, red. V. Ambrazas. 4-as patais. leidimas, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas.
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Page 9DLKŽ8e 2021: Dicionário da língua lituana contemporânea, editor-chefe S. Keinys, 8.ª edição revista e ampliada (versão eletrónica), Vilnius: Instituto da Língua Lituana. Disponível na internet: https://ekalba.lt/dabartines-lietuviu-kalbos-zodynas.
LKE 2008: Lietuvių kalbos enciklopedija, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas.
G a i v e n i s K a z i m i e r a s, K e i n y s S t a s y s 1990: Dicionário de termos de linguística, Kaunas: Šviesa.
M a r c i n k e v i č i e n ė R ū t a 2001: Fraseologia tradicional e outras combinações estáveis de palavras. – Lituanistica 4(48), 81–98.
M i l i ū n a i t ė R i t a 2009: Dabartinės lietuvių kalbos vartosenos variantai, Vilnius: Lietuvių kalbos institutas.
P a u l a u s k i e n ė A l d o n a 1994: Lietuvių kalbos morfologija. Paskaitos lituanistams, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla.
R i m k u t ė E r i k a 2023: Rita Miliūnaitė. Įvairuojantys ir nauji lietuvių kalbos reiškiniai XXI a. pradžioje: sistematika ir pokyčių kryptys. Vilnius: Lietuvių kalbos institutas, 2022. – Acta Linguistica Lithuanica 88, 309–325.
TŽŽ 2013: Tarptautinių žodžių žodynas, Vilnius: Alma littera.
V a s k e l i e n ė J o l a n t a 2013: Darybinių sinonimų, darybinių variantų ir paronimų panašumai bei skirtumai. – Žmogus ir žodis: Didaktinė lingvistika 15(1), 206–214.
Recebido em 10/08/2023
J O L A N T A V A S K E L I E N Ė
Academia de Šiauliai da Universidade de Vilnius
Vytauto g. 84, LT-76352 Šiauliai
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