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ACTA LINGUISTICA LITHUANICA

LI (2004), 125–139

RESENHA DE NOVOS TRABALHOS

Panorama das publicações recentes

LINGUÍSTICA LITUANA EM 2003: TRABALHOS PUBLICADOS NA LITUÂNIA

O ano de 2003 não foi pródigo para a linguística lituana. Com a data deste ano, foram publicados na Lituânia e são aqui resenhados três monografias (de Vytautas Kardelis, Rita Miliūnaitė e Juozas Jurkėnas), três coletâneas de artigos (Leksikografijos ir leksikologijos problemos, Sintaksinių ryšių tyrimai, Zigmo Zinkevičiaus Rinktinių straipsnių, volume 3) e uma publicação de nomes antigos da Lituânia (de Jonas Palionis XVII a. antrosios pusės Punios parapijos asmenvardžiai ir vietovardžiai).

A monografia de Vytautas Kardelis Rytų aukštaičių šnektų slavizmų fonologijos bruožai (Vilnius: Editora da Universidade de Vilnius, 2003, 195 p., ISBN 9986-19-562-4 [Trabalhos científicos da Faculdade de Filologia da Universidade de Vilnius]) foi preparada com base na tese defendida em 1999. É composta por um prefácio, uma introdução e três capítulos. No final do livro, publica-se um resumo detalhado do trabalho em alemão, traduzido por Birno Wiemer (p. 146–158), uma extensa bibliografia (p. 159–168), a explicação das abreviaturas (p. 169) e uma lista alfabética de eslavismos (p. 170–195), que indica as formas gramaticais, a acentuação, o significado e as possíveis fontes de empréstimo de cada eslavismo.

No prefácio (p. 9–10), justifica-se a atualidade do trabalho: embora os eslavismos da língua lituana já tenham sido estudados de forma relativamente ampla, ainda assim «faltam estudos estruturais e, sobretudo, diacrônicos dos eslavismos. Uma das áreas menos estudadas é a fonologia dos eslavismos» (p. 9). Na introdução bastante extensa (p. 11–33), discutem-se as linhas de pesquisa e os problemas do estudo dos eslavismos na língua lituana, bem como os princípios metodológicos de pesquisa e reconstrução. A reconstrução interna foi escolhida como principal método de pesquisa; o estudo é considerado uma introdução a pesquisas posteriores e mais abrangentes sobre a integração dos eslavismos (p. 27). O material pesquisado foi selecionado levando-se em conta as fontes primárias (cf. p. 27–28), por isso é confiável e não suscita dúvidas. No final da introdução, apresentam-se de forma concisa os princípios da reconstrução fonológica (p. 29–33). Chama a atenção que o autor tenha sentido a necessidade de enfatizar na introdução questões teóricas fundamentais, como a cronologia distinta dos empréstimos ou o caráter sistemático da integração fonológica.

No primeiro capítulo do livro, «Sistema fonológico dos falares» (p. 33–44), são discutidas sucintamente as características mais importantes e distintivas dos falares, a distribuição dos fonemas, os traços diferenciais e o sistema fonológico.

No segundo capítulo, «Características do vocalismo das línguas eslavas» (p. 44–62), que, juntamente com o capítulo anterior, constitui a parte introdutória da pesquisa, discutem-se os termos necessários e as classificações das línguas eslavas, e apresenta-se uma visão geral do sistema vocálico dessas línguas. O capítulo é informativo, mas um tanto extenso, e não está isento de repetições.

No terceiro capítulo, o principal, «Evolução da integração dos eslavismos» (p. 62–145), examina-se a integração qualitativa e quantitativa das vogais eslavas e sua evolução, e sintetiza-se a influência dos eslavismos no sistema vocálico dos falares.

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O estudo da integração qualitativa começa pelas vogais o, e. São estabelecidas as principais leis de integração na posição tônica — «eslavo o → ā semilongo tônico nos eslavismos», «eslavo e → ē semilongo tônico nos eslavismos» — e mostra-se sua reformulação nas leis «eslavo o → u̯ō semilongo tônico nos eslavismos», «eslavo e → i̯ē semilongo tônico nos eslavismos». As causas da reformulação das leis são reveladas de modo convincente: uma lacuna no subsistema das vogais semilongas dos dialetos (ausência de elementos de altura média) (p. 89). A cronologia relativa correspondente à mudança das leis de integração é a seguinte: os eslavismos com ā., ē. semilongos tônicos seriam mais antigos, enquanto os que apresentam u̯ō., i̯ē. semilongos tônicos seriam mais recentes (p. 76). As leis não etimológicas «eslavo o, e → ū., ī. semilongos tônicos nos eslavismos» teriam surgido em consequência da evolução dos sistemas vocálicos das línguas eslavas: durante o empréstimo, as vogais do tipo u e i, originadas dos «jeres», teriam posteriormente se fundido nessas línguas com o e e (p. 78–81). Os eslavismos com vocalismo dessa origem teriam constituído a camada mais antiga de eslavismos nos dialetos: teriam sido emprestados ainda antes do século XII. Os eslavismos dos dialetos com ie longo tônico: ao contrário da explicação de Būga, não se explicariam pela pronúncia ditongada do antigo «jat» eslavo, mas pela evolução da própria vogal ie dos dialetos: no momento do empréstimo, a vogal dialetal anterior estreita de altura média *e. teria sido a mais próxima do «jat», tendo evoluído posteriormente, na posição tônica, para ie:. (p. 84–85). Nessa argumentação, parece não se ter levado suficientemente em conta a cronologia e a semântica dos empréstimos. Ao examinar as leis de integração da vogal eslava a, sua mudança é bem demonstrada; o impulso para ela teria sido a mudança dialetal *a → ɒː (p. 89–91). São demonstradas de modo convincente as relações entre as reformulações das leis de integração das vogais eslavas o, e, a, e revelados os fatores que as motivaram, determinados pela evolução do vocalismo dialetal. Com base na distribuição anterior das vogais dialetais *a: e *e: (após consoantes palatalizadas, na posição de neutralização, só poderia ocorrer a vogal *e:), rejeita-se a explicação de Būga, segundo a qual os eslavismos cujos diferentes correspondentes de eslavo ja aparecem nos dialetos teriam sido emprestados em épocas distintas (Būga 1912/1958: 347). A formação da lei de integração «eslavo y → ditongo tônico ui nos eslavismos» é explicada por razões fonológicas. Rejeita-se a opinião de Būga de que ui nos eslavismos poderia ter surgido do y eslavo posterior (1912/1958: 348), e propõe-se a hipótese de que «poderia ter-se formado quando į, u passaram de sonantes a vogais. Com essa mudança de status de į, u, u, sendo vogal, poderia formar o primeiro elemento do ditongo» (p. 103). Essa explicação da origem do ditongo ui não é muito convincente.

Ao examinar a integração quantitativa, o livro, diferentemente de Būga (1912/1958: 344), explica as diferenças de quantidade das vogais dos eslavismos não pela duração ou brevidade das próprias vogais eslavas, mas pela evolução do sistema fonológico dos dialetos. Os eslavismos com vogais de durações diferentes teriam sido emprestados em épocas distintas e refletiriam a evolução do sistema vocálico dos dialetos: anteriormente, as vogais breves tônicas dos dialetos ainda não teriam sido alongadas nem tensas e, por isso, segundo o traço distintivo de tensão, as vogais eslavas i, y, u teriam sido mais próximas das vogais longas dialetais iː, uː. Mais tarde, com o surgimento nos dialetos de iː, uː tensos semilongos, as vogais eslavas mencionadas teriam formado correlações com elas (p. 111–113). Os correspondentes em posição átona teriam sido ajustados aos tônicos. A nova explicação parece convincente, mas deveria ser apoiada também por estudos da cronologia e da semântica dos eslavismos. A mudança das leis, discernida na evolução da integração quantitativa, é explicada por uma alteração histórica do centro fonológico de integração: inicialmente, era constituído pelo subsistema das vogais longas; depois, pelas vogais semilongas. A mudança do centro fonológico teria sido causada pela alteração quantitativa do vocalismo — o alongamento das vogais breves i, u na posição tônica, que passaram a semilongas (p. 116–119). A integração das vogais eslavas a, ja em posição átona é explicada de maneira fundamentada e perspicaz: na integração das vogais baixas, os traços mais importantes seriam não a quantidade (ou a tensão), mas a qualidade (p. 122–124).

Ao resumir a influência dos eslavismos no sistema vocálico dos dialetos, afirma-se que ela não foi grande: «todas as vogais dos empréstimos eslavos foram integradas ao sistema, adaptando-se ao modelo de suas relações sintagmáticas e paradig-

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máticas» (p. 124). O sistema é complementado por apenas dois elementos — ie., uo. semilongos —, possíveis tanto em posição tônica quanto átona. No estudo «Sobre os grupos le, re, se nos eslavismos» (p. 126–138), examina-se o chamado endurecimento das consoantes l, r, s nos dialetos do alto lituano oriental.

Nas conclusões do estudo (p. 138–145), que constituem a parte final do terceiro capítulo, são novamente discutidas as leis de integração e sua evolução. Foi estabelecida a cronologia relativa de todas as leis. Só podem ser datados com segurança os eslavismos da camada mais antiga cujos jeres eslavos são representados por ů, į. semilongos tônicos (e, conforme a posição, por curtos átonos). Com o alongamento das vogais breves u, i na posição tônica, formaram-se novas leis de integração, que também assinalam o limite da nova camada de eslavismos. A camada mais recente de eslavismos começou a se formar após a transformação dialetal a·, e· → ɔ·, ɛ·.

O estudo realizado por Vytautas Kardelis caracteriza-se pela sistematicidade, boa argumentação, perspicácia e cautela ponderada. Graças à análise coerente de um conjunto amplo e confiável de dados dialetais, às novas ideias e às conclusões substanciais, o trabalho é relevante para a dialetologia lituana, a fonologia histórica, a lexicologia e a etimologia.

O livro foi resenhado por Danguolė Mikulėnienė e Olegas Poliakovas. Sua publicação foi financiada pelo Ministério da Educação e Ciência da República da Lituânia e pela Comissão Estatal da Língua Lituana. Uma resenha mais detalhada da monografia foi publicada na revista Baltu filologija (Judžentis 2004).

2. Ritos Milūnaitės monografia Fundamentos da normatização da gramática da língua lituana (Vilnius: Editora do Instituto da Língua Lituana, 2003, 332 p., ISSN 1648-3316, ISBN 9986-668-47-6 [Opera Linguistica Lithuanica 3]) também se baseia na dissertação defendida em 1992 na Universidade de Vilnius. Ao longo de uma década inteira, este trabalho «permaneceu como a única dissertação defendida diretamente na área da cultura linguística» (p. 5). Ela é publicada tal como foi escrita, com notas editoriais incluídas nas notas de rodapé quando necessário (p. 6).

O trabalho em questão consiste em um prefácio, quatro capítulos e conclusões. No final do livro, são impressos a lista de fontes e bibliografia (p. 301–306), dados sobre os artigos da autora publicados antes e depois da defesa da dissertação (p. 306–307), um resumo bastante detalhado do trabalho em inglês (p. 309–323) e um índice de pessoas organizado pela autora (p. 325–328). O sumário, prático para consulta, foi colocado no início do livro (p. 7–11).

No prefácio do livro (p. 13–17), apresenta-se uma concepção da formação e da evolução da língua padrão. Após uma breve recapitulação da história da língua padrão lituana, conclui-se que «hoje uma parte considerável dos linguistas considera que ainda não foi criada uma teoria científica coerente para a normalização da língua padrão lituana» (p. 13–14), de modo que, no trabalho prático de normalização, «cada linguista se apoia não só nas tradições de normalização estabelecidas, mas também em sua própria experiência, intuição, senso linguístico e no dialeto que conhece» (p. 14). Como objeto de estudo foi escolhido «não o próprio sistema linguístico, mas os motivos da intervenção consciente dos linguistas na língua padrão e da regulamentação de suas normas» (p. 14–15); foram também definidos objetivos correspondentes: tentar revelar os métodos (motivações) de avaliação dos fenômenos gramaticais e buscar regularidades na normalização gramatical (p. 15). O prefácio prossegue enumerando as fontes dos dados da pesquisa e descrevendo a metodologia, a estrutura e a aprovação do trabalho.

No primeiro capítulo do livro, de caráter introdutório (p. 19–53), discutem-se aspectos teóricos da normalização gramatical, descrevem-se as fontes das recomendações e a metodologia para estudá-las, e definem-se os principais conceitos (gramática, língua contemporânea, norma, variante, normalização). Começa-se pelas questões mais gerais — linguística normativa, níveis da língua, mudança e funcionamento da língua, evolução linguística. Discutem-se as causas e condições da mudança linguística, e aborda-se a língua

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o problema do aprimoramento. Esses temas são examinados com base na literatura teórica das décadas de 1960 e 1970 (principalmente russa e tcheca), na qual continuam sendo frequentemente debatidas ideias linguísticas da primeira metade do século XX. Delimita-se o período abrangido pelo exame do sistema gramatical sincrônico: o intervalo de 60 anos entre a morte de Jablonskis e a recuperação da independência (1930–1990). Descreve-se o conceito de norma linguística, importante para todo o trabalho: entende-se que a concepção de norma linguística da Escola de Praga e de Eugenio Coseriu é insuficiente, sendo «necessário um complemento e uma precisão essenciais» (p. 32), pois não leva em conta a oposição entre a língua popular e a língua padrão, cujo traço mais essencial seria o esforço consciente para seguir as normas linguísticas. Como o livro não discute a concepção de língua padrão, a oposição entre língua popular e língua padrão permanece pouco clara. Por outro lado, o papel da «criação e regulamentação conscientes» (p. 32), pelo menos na etapa atual do desenvolvimento da língua padrão, parece exagerado. Observa-se com acuidade a tendência dos profissionais da cultura linguística lituana a identificar a norma linguística com a codificação (p. 33). A concepção de uma norma efetiva da língua padrão, que «existe no campo de tensão entre o uso da língua padrão e o efeito da codificação (isto é, da norma codificada)» (p. 35), não parece muito clara nem necessária. Ela se torna ainda menos clara quando se afirma que a norma efetiva atual da língua padrão «existe na medida em que é sustentada pela codificação e por hábitos desenvolvidos conscientemente» (p. 37). A autora entende a codificação como parte da atividade normativa, uma de suas etapas (as outras são o aperfeiçoamento das normas codificadas e sua introdução no uso) (p. 42). Na introdução, descrevem-se as fontes das recomendações examinadas: os Rinktiniai raštai de Juozas Balčikonis e as revistas Gimtoji kalba (1933–1941), Gimtoji kalba (1958–1968), Kalbos kultūra (1961–1990), Mūsų kalba (1968–1989), e apresentam-se estatísticas das recomendações publicadas nessas revistas (p. 50). Faz-se uma breve revisão das recomendações de normatização gramatical da revista Kalba, publicada em 1930. Ao final da introdução, discutem-se a metodologia de estudo das correções linguísticas e as definições de recomendação, sua motivação e alguns outros conceitos.

O segundo capítulo, «Panorama da normatização de fenômenos gramaticais» (p. 55–213), é o maior: ocupa metade do livro. Nele, busca-se investigar «em que se basearam as normas aplicadas aos fenômenos gramaticais específicos abordados nas recomendações reunidas» (p. 55). No início do capítulo, apresentam-se observações metodológicas e examinam-se o conceito de variante gramatical, a classificação das variantes e questões relativas à interpretação das recomendações. Ressalta-se que, no livro, a avaliação dos fenômenos gramaticais não é revista; procura-se apenas compreender o pensamento do autor. Os fenômenos gramaticais variáveis são divididos em cinco grupos: começa-se pelas formas das palavras; em seguida, são discutidos os sintagmas e as construções, os componentes indiretos da oração, as orações complexas e a ordem das palavras na oração. O capítulo termina com observações de caráter geral. Falta uma avaliação crítica na interpretação das correções gramaticais examinadas. Recomendações infundadas ou insuficientemente fundamentadas são discutidas junto com as bem fundamentadas. Por exemplo, a sugestão de não usar orações coordenadas com o conectivo kai tuo tarpu para expressar contraste, por esse conectivo ter surgido por meio de traduções (p. 189), é classificada como fundamentada no critério da pureza. No entanto, sem avaliar se a recomendação está suficientemente fundamentada ou se a origem estrangeira das orações em questão foi comprovada, sua interpretação fica sem base. O mesmo vale para outros casos (orações com jei(gu)…, tai; kuomet; tegu(l);; orações subordinadas concessivas com o prefixo verbal be-): classificar as recomendações de acordo com as motivações indicadas pelos próprios autores, sem considerar se essas motivações são válidas, não parece fazer sentido. A própria autora observa que «a incorreção e a tradição de correções, por si sós, não são motivações suficientemente informativas» (p. 196). A autora nem sempre leva em conta a cronologia das correções, que deveria ser bastante importante para o estudo. Por exemplo, as orações com

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as conjunções o taip pat, segundo os dados da autora, foram corrigidas pela primeira vez por Aldonas Pupkis (1970 e anos posteriores), mas a revisão das correções começa com Stasys Keinys (1977) e Angelė Kaulakienė (1983) (p. 189). Esta parte do trabalho constitui um bom repertório temático das recomendações gramaticais referentes ao período abrangido pelo livro. Nas observações conclusivas do capítulo, os fenômenos gramaticais variáveis são divididos em formais e funcionais, e discute-se sua distribuição do ponto de vista da norma efetiva da língua padrão. Como o trabalho não considera a validade das recomendações, o estado da investigação dos fenômenos avaliados nem os fatores psicológicos indicados pela própria autora (cf. p. 212), o sistema de graus de avaliação dos fenômenos gramaticais variantes apresentado (p. 209–212) não parece suficientemente fundamentado.

No terceiro capítulo (p. 215–278), comparam-se as motivações das recomendações gramaticais discutidas. Por exemplo, distinguem-se as seguintes motivações para as correções de Juozas Balčikonis: a língua viva, a literatura e os escritos antigos, a autoridade de Jonas Jablonskis, a correção, a pureza, a adequação estilístico-funcional e algumas outras (o sentido da língua, a etiqueta linguística). O capítulo não leva em conta a precisão nem a validade das motivações indicadas nas recomendações.

O quarto capítulo, «Princípios e critérios da normatização gramatical» (p. 279–292), é uma síntese. Nele, discutem-se os princípios e critérios que orientaram os autores das recomendações analisadas. Começa-se pela fundamentação baseada na esfera de uso, isto é, na fonte das normas. Os outros princípios e critérios de avaliação são agrupados em principais (sistematicidade, correção, pureza) e auxiliares (sentido da língua, etiqueta linguística, estética da língua, economia linguística, conveniência de uso, clareza). Os critérios principais seriam «orientados para a identidade da língua», enquanto os auxiliares seriam «orientados para o usuário da língua» (p. 283). À parte de todos os demais, discute-se «o princípio mais geral, orientado para os usuários da língua: a adequação» (p. 288), bem como os métodos não padronizados de fundamentação das recomendações. Revela-se a essência dos princípios e critérios enumerados, demonstrando-se sua interação e seus limites frequentemente pouco claros.

Nas conclusões do livro (p. 293–300), retomam-se as principais afirmações do trabalho realizado. Nesta parte do livro, os princípios de normatização da língua padrão (a estabilidade das normas e a consideração das mudanças no uso) distinguem-se com maior clareza dos critérios, e o primeiro princípio é considerado mais importante (p. 296). As conclusões contêm observações perspicazes da autora sobre a avaliação discrepante de um mesmo fenômeno em diferentes recomendações e as causas subjetivas dessa avaliação (p. 295); sobre as discussões teóricas das últimas décadas a respeito dos princípios e critérios de normatização da língua padrão, bastante apriorísticas e insuficientemente apoiadas em dados factuais (p. 297); sobre o fato de cada fenômeno linguístico ter suas próprias características de uso e avaliação (p. 298) e, por isso, ser impossível estabelecer um esquema universal de princípios e critérios aplicável a todos os fenômenos gramaticais (p. 299); e sobre a impossibilidade de traçar limites claros entre os estilos funcionais da língua padrão (ibid.). O material analisado permite à autora afirmar que «o trabalho de normatização também não esteve isento de inconsistências e, por vezes, de uma fundamentação um tanto superficial e cientificamente insuficiente» (ibid.). Ao enfatizar a importância da metalinguagem do trabalho normativo — algumas correções, entre outras coisas, carecem de «uma terminologia mais clara e precisa (no sentido de um sistema de conceitos de cultura linguística), que permita ao usuário da língua compreender sem ambiguidades o valor de um ou outro fenômeno» (p. 299) —, exagera-se um pouco o papel dos linguistas e da terminologia que criam.

A pesquisa de Rita Miliūnaitė foi realizada com rigor e meticulosidade e inspira confiança. As definições dos principais termos e as explicações dos conceitos apresentadas nela serão úteis para o desenvolvimento futuro da linguística aplicada. Este livro é útil para os estudiosos da estrutura gramatical do lituano contemporâneo como repertório de fenômenos gramaticais variáveis, refletindo o estágio em que se encontra sua investigação. Para os sociolinguistas e os estudiosos da língua-

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Para os historiadores da língua, é útil para conhecer o estado da cultura da língua lituana em meados e na segunda metade do século XX. O livro é, sem dúvida, especialmente significativo para o prosseguimento do trabalho de codificação da língua lituana padrão.

A publicação do livro foi apoiada pelo Ministério da Educação e Ciência da República da Lituânia. A monografia foi resenhada na revista Kalbos kultūra (Labutis 2004).

3. O livro de Juozo Jurkėno, escrito em russo, Baltų ir slavų antroponimikos pagrindai (Основы балтийской и славянской антропонимики, Vilnius: UAB Ciklonas, 2003, 194 p., ISBN 9955-497-40-8), analisa o antigo repertório de nomes da língua lituana. Nele são sintetizadas as pesquisas realizadas pelo autor ao longo de muitos anos (cf. as publicações na bibliografia, p. 186–187). Já em 1980, ele defendera em Moscovo a sua tese de doutoramento (hoje, doutoramento habilitado), «A onimização de apelativos e o desenvolvimento dos sistemas antroponímicos das línguas indo-europeias». Considera-se que as questões analisadas no livro se situam na interseção da linguística, da história cultural, da etnogénese e até da psicologia (cf. p. 10). A confluência de elementos culturais e linguísticos é também salientada na contracapa, onde o livro é apresentado como uma descrição das vias e dos métodos de reconstrução do pensamento refletido nos nomes próprios que chegaram até nós.

No prefácio (p. 9–10), explicam-se as circunstâncias que motivaram o estudo da antroponímia antiga: a insatisfação com as pesquisas antroponímicas bálticas e eslavas, embora irrepreensíveis, realizadas segundo uma única metodologia. Havia interesse em encontrar respostas para questões como: por que razão os nomes próprios são formados apenas com base em determinados apelativos e se as etimologias fundadas somente na semelhança formal entre a raiz do antropónimo e o apelativo correspondente podem ser consideradas suficientemente fundamentadas e aceitáveis. Adotou-se a perspetiva de que a origem de um nome próprio é determinada menos pela forma do apelativo motivador do que pela sua estrutura semântica. Procurou-se descrever de forma abrangente e sob vários aspetos o antigo sistema antroponímico europeu. O livro propõe-se determinar um conjunto definido de raízes com componentes semânticos comuns e propensas a tornar-se antropónimos; identificar famílias de palavras de línguas aparentadas a partir das quais se formam nomes pessoais em diferentes línguas; chamar a atenção para as possibilidades e perspetivas da investigação areal dos antropónimos; e formular observações preliminares sobre os pontos de contacto e a interação entre a antroponímia báltica e a eslava («Introdução», p. 14).

O estudo é composto por seis capítulos. No primeiro, com base nas perspetivas de linguistas, filósofos e estudiosos da cultura de diferentes épocas e escolas, discute-se o lugar dos nomes próprios no sistema lexical («O lugar dos nomes próprios no sistema lexical da língua», p. 16–20). O segundo capítulo, «Problemas metodológicos da antroponímia» (p. 21–35), salienta a insuficiência da etimologia baseada apenas na face formal da língua, o empréstimo antroponímico, a influência recíproca entre sistemas antroponímicos, a incorporação de elementos de um sistema antroponímico noutro, a homonímia, entre outros aspetos. Aquilo a que Tomas Gamkrelidze e Viacheslav Ivanov (1984) chamam modelo do mundo (mitologia e ritual) é associado por Jurkėnas ao aspeto cognitivo da língua (cf. p. 39); por isso, no capítulo «Aspetos cognitivos da antroponímia» (p. 36–46), ele analisa o papel das oposições semânticas e dos componentes semânticos na antroponímia antiga.

O capítulo principal e mais extenso do livro é o quarto: «Sistema de unidades que desempenharam um papel especial na formação da antroponímia das línguas indo-europeias» (p. 47–115). Uma vez que a etimologia dos nomes próprios é entendida como a identificação dos modelos de onimização das palavras comuns que lhes deram origem (p. 47), este capítulo concentra-se sobretudo nos princípios de seleção das palavras propensas a tornar-se nomes próprios (a ser onimizadas). As estabelecidas por Gamkrelidze e Ivanov (1984)...

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...elementos do modelo indo-europeu do mundo são comparados com componentes da antiga antroponímia de várias línguas indo-europeias, procurando-se elaborar um esquema sinóptico do léxico que desempenhou o papel principal no processo de formação da antroponímia das línguas indo-europeias (os esboços desse esquema são apresentados na p. 49). Segundo o esquema estabelecido, palavras comuns com determinados significados são sistematicamente comparadas com antropónimos de várias línguas indo-europeias que contêm raízes de significado correspondente (p. 53–115). Há poucos comentários do autor; não se analisam nem a formação dos antropónimos apresentados nem a sua etimologia, e nem sempre se indica a fonte de que foram retirados (a lista geral de fontes encontra-se no final do livro). Por exemplo, assim se apresenta o conjunto de antropónimos associados ao lituano naujas e aos seus equivalentes noutras línguas indo-europeias, no subcapítulo «Idade, sucessão de gerações» (p. 108):

Lituano naujas «novo», prussiano antigo nauns idem, eslavo eclesiástico новъ, grego νέος «novo, jovem», latim novus, «novo», irlandês antigo næue idem, gótico niujis idem, alto alemão antigo niuwi idem etc. // antropônimos: lituano Naujalis, Naujikas, Navūlis; prussiano antigo Nawne, Naw-sude, Naw-tarre, Naw-tinte; bielorrusso Новак, Новак, polonês Nowo-siodł, Nowosz; germânico Nivo, Nevo, Nivilo, Neu-fred, Niwi-rat, Niwi-rich, Niv-ulf, Niujila, Newio-gast, Nevitta; céltico Neus, Ne vica, Nevilla, Nevio-dūnon, Novantius, Novānus, Novaros, Novellius, Novios; grego Νέ-ανδρος, Νεο-κλῆς, Νεο-φίλη, Νέας.

Após a discussão dos antigos componentes do sistema antroponímico indo-europeu, passa-se à investigação areal dos repertórios de nomes («A investigação areal como busca de vestígios do estado da antroponímia mais antiga», p. 116–134). Invoca-se o apelo de Kazimieras Būga a comparar entre si os nomes de rios e, só depois de determinar a sua distribuição, proceder à etimologia — à comparação com palavras comuns (1961: 510). Na opinião de Jurkėnas, alguns nomes pessoais de dois elementos e as suas formas abreviadas são relíquias do antigo repertório de nomes europeu (p. 119). A identificação e a investigação da camada arcaica de antropónimos podem fornecer informações adicionais sobre a origem e o desenvolvimento do antigo sistema de nomes próprios. Consideram-se relíquias as raízes de nomes pessoais ar-, bur-, daun-, gail-, leik-/lik-, sei-/sai-, sal-, sar- (p. 120–130). Observa-se que novos antropónimos surgem não apenas por derivação e composição, mas também pela fusão de nomes pessoais pertencentes a diferentes séries antroponímicas (p. 131). Jurkėnas explica as semelhanças entre os sistemas antroponímicos europeus pela difusão de certos nomes próprios já existentes ou por uma origem genética comum. Considera que os resultados das suas pesquisas complementam os trabalhos de Hans Krahe e Wolfgang P. Schmidt (p. 134). Neste capítulo, repetem-se com bastante frequência ideias já apresentadas anteriormente pelo autor.

No último capítulo do livro, o sexto («A antroponímia como fonte de informação sobre as relações linguísticas e culturais mais antigas entre os povos bálticos e eslavos», p. 135–153), salienta-se que os resultados da investigação dos nomes pessoais antigos não correspondem à proximidade genética entre as línguas bálticas e eslavas. Ao que parece, muitos nomes pessoais bálticos são arcaicos, enquanto o sistema antroponímico eslavo apresenta mais inovações (p. 135–136). Para determinar a influência recíproca entre os sistemas antroponímicos das línguas bálticas e eslavas, seria necessário, na opinião do autor, investigar os seus nomes próprios de forma idêntica (ou os seus componentes). Esses nomes têm frequentemente etimologias distintas, embora possam ser aparentados ou emprestados. A investigação derivacional, tipológica e areal dos sistemas antroponímicos permite determinar as relações entre componentes isomórficos dos repertórios de nomes e precisar a sua etimologia. O papel principal nessas investigações caberia à determinação do lugar do antropónimo no sistema global de nomes pessoais. Jurkėnas apresenta exemplos da análise de tais componentes isomórficos de nomes pessoais bálticos e eslavos: discute as raízes but-, bub-, liaud-, nan- e vaid- (p. 144–152).

Nas observações finais (p. 154–165), sintetiza-se o trabalho discutido. Jurkėnas considera a convergência, provocada pelo elemento formal do antropóni-

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…mios, provenientes da semelhança entre diferentes apelativos. Os contatos entre línguas desempenharam um papel importante na formação do léxico de várias línguas. O objetivo dos estudos tipológicos é considerado a criação de um modelo hipotético de antropónimização dos apelativos. Atualmente, só é possível identificar um sistema de raízes usadas com bastante frequência, que podem ser encontradas na antroponímia de muitas línguas indo-europeias. O sistema da antroponímia báltica é constituído por unidades bastante arcaicas. O seu estudo pode ser significativo para a reconstrução do sistema de nomes próprios indo-europeus.

O livro termina com resumos em lituano (p. 166–170) e em inglês (p. 171–176), listas de abreviaturas (p. 177–179), fontes (p. 180–182) e bibliografia (p. 183–190). Como apêndice, no final do livro foi incluída uma lista de antropónimos e dos seus componentes relacionados com duas ou mais séries de ónimos (p. 191–193).

A monografia suscita impressões contraditórias. As ambições amplas, as ideias de longo alcance e as interpretações interessantes da evolução da antroponímia antiga não se coadunam com uma interpretação bastante livre e unilateral dos dados factuais, que dedica atenção insuficiente à etimologia e à formação dos nomes pessoais de línguas específicas. Os melhores resultados seriam provavelmente obtidos por meio de estudos multifacetados da antroponímia antiga, que levassem em conta tanto os aspetos semânticos como os da expressão.

O livro foi recenseado por Simas Karaliūnas e Olegas Poliakovas; a sua publicação foi financiada com recursos do Programa Estatal da República da Lituânia para o Uso e Desenvolvimento da Língua Estatal, 1996–2005.

4. A coletânea de artigos Problemas de lexicografia e lexicologia (organizada pelo Centro de Lexicografia do Instituto da Língua Lituana, conselho editorial: Pietro U. Dini e. a., Vilnius: Editora do Instituto da Língua Lituana, 2003, 344 p., ISBN 9986-668-53-0) reúne vinte e sete artigos sobre diversos temas da lexicografia histórica e contemporânea. De acordo com a temática, foram agrupados em quatro secções. Cada artigo inclui uma bibliografia (e, se necessário, também uma lista de abreviaturas) e um resumo em inglês ou alemão.

Na coletânea, o artigo de Evalda Jakaitienė, «Objetivos e tarefas da lexicografia contemporânea» (p. 9–14), substitui a introdução habitual em coletâneas semelhantes. Nele são discutidas as questões mais gerais da teoria e da prática lexicográficas. A lexicografia é definida como «uma atividade criativa de caráter científico e aplicado, baseada em dados e afirmações científicas» (p. 12). São identificadas as etapas da atividade lexicográfica e apresentados os objetivos da teoria da lexicografia. Discutem-se a relação entre a teoria e a prática lexicográficas, o papel dos dicionários e o sentido e o valor do trabalho dos lexicógrafos. As questões gerais examinadas no artigo poderiam ter sido mais relacionadas com a situação atual da lexicografia lituana.

A primeira secção, «História da lexicografia», inclui artigos de Pietro U. Dini e Diego Ardoino, Vidmantas Kuprevičius, Virginija Stankevičienė, Vilma Šaudina e Angelė V. Vilutytė-Rimševičienė. Entre os demais, destaca-se o artigo de Ona Kažukauskaitė, «Não Jumskis, mas Ivinskis» (p. 19–31). Nele, demonstra-se de forma convincente que o chamado «dicionário de Jumskis» não é senão o «Dicionário polaco-lituano» de Laurynas Ivinskis. Também se deve concordar com a conclusão da autora de que já é tempo de publicar este dicionário manuscrito.

A segunda secção, intitulada «Lexicografia contemporânea», é a maior do livro. Gostaria de comentar separadamente os artigos de Aloyzas Gudavičius, Evalda Jakaitienė e Jolanta Viburytė.

No artigo de Aloyzas Gudavičius, «O aspeto nacional da definição do significado das palavras» (p. 61–69), aplicam-se à lexicografia as ideias da linguística cognitiva. O artigo baseia-se sobretudo nos trabalhos de Anna Wierzbicka. O caráter nacional da definição do significado fundamenta-se nas «palavras que designam objetos e fenómenos comuns, do quotidiano, e fenómenos da cultura material e espiritual de uma nação»,

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estrutura semântica mais rica, com associações mais fortes com outras palavras (cf. p. 63). Essa concepção da natureza nacional das definições e, consequentemente, o princípio da nacionalidade são entendidos de maneira excessivamente estreita e literal; parecem simplesmente ter sido tomados de outra corrente da linguística contemporânea — a etnolinguística. No final do artigo, o próprio autor também relaciona o caráter das definições de significado à finalidade (tipo) do dicionário.

No artigo de Evalda Jakaitienė, “A homonímia em dicionários paralelos da língua lituana” (p. 70–79), sintetiza-se a experiência do trabalho prático. São examinados problemas concretos e as formas de resolvê-los, e evidenciam-se as discrepâncias entre lexicologia e lexicografia (ou entre teoria e prática lexicográficas). Seria interessante comparar, sob esse aspecto, os dicionários da língua lituana com os dicionários correspondentes de outras línguas.

Jolanta Viburytė examina as definições das cores da pelagem dos animais no “Dicionário da língua lituana” (p. 119–135). Após realizar a análise semântica dos verbetes correspondentes, aponta as deficiências das definições existentes e propõe definir a cor da pelagem dos animais segundo o esquema ‘de pelagem de determinada cor’. Nas definições, é preferível usar denominações correntes de cores e tonalidades. O artigo é analítico; o material reunido foi examinado cuidadosamente segundo critérios previamente estabelecidos, e as conclusões serão úteis para futuros trabalhos lexicográficos.

Também se aproximam dos analíticos os artigos de Vilija Sakalauskienė, Agris Timuška e Jolanta Zabarskaitė publicados nesta seção. Os artigos de Jurgita Mikelionienė, Olegas Poliakovas e Ieva Zuicenė são de caráter panorâmico.

Na terceira seção, “Lexicologia e etimologia”, são publicados dois artigos históricos (de Bernd Gliwa e Jonas Klimavičius). O artigo de Milda Norkaitienė, “Zoonímia lituana. Nomes de porcos (Sus domesticus)”, foi incluído nesta seção sem justificativa suficiente. Também são publicados nela o artigo bastante superficial de Vida Rudaitienė, “A singularidade da língua lituana e as línguas ocidentais”, e o estudo mais extenso de Zita Šimėnaitė, “A semântica das expressões fraseológicas com o substantivo coração”.

O trabalho de Bernd Gliwa, “A ragana lituana ‘ведьма; witch; Hexe’ era uma ‘vidente’?” (p. 159–169), cativa pelas ideias interessantes e pelo bom domínio da história da questão e do material investigado. Ainda assim, o texto é um tanto prolixo e difícil de ler. A nova etimologia proposta para a palavra ragana — *“morto; espírito errante de um morto; fantasma” — não parece suficientemente fundamentada do ponto de vista semântico. Ainda mais dúvidas suscitam as relações de raganos com o latim regina ‘soberana’ e afins.

Também não faltam ideias interessantes no artigo de Jonas Klimavičius, “AUKA, APIERA, ATNAŠA: características históricas e de uso” (p. 170–194). Segundo ele, deve ser revista a opinião de Kazimieras Būga de que auka é um neologismo parcial de Simonas Daukantas: é mais plausível supor que Daukantas criou esse derivado com sufixo flexional a partir de aukuoti ou restaurou uma palavra que já existira. O leitor do artigo precisa abrir caminho com bastante dificuldade através de um emaranhado de fatos, pois o pensamento do autor se perde na abundância de dados.

O quarto capítulo do livro, “Dialetologia: léxico dos dialetos”, reúne publicações de temática bastante variada.

O artigo de Aurelija Genelytė, “Motivação derivacional dos nomes populares de plantas: uma perspectiva comparativa entre o dialeto do norte de Panevėžys e outros dialetos da língua lituana” (p. 271–306), baseia-se em abundante material autêntico, analisado de maneira interessante. A parte teórica do artigo é um tanto fraca; incomodam a classificação inconsistente da motivação e a pouca atenção dada ao aspecto comparativo entre dialetos anunciado no título. O artigo não apresenta conclusões, terminando apenas com algumas observações de síntese.

No artigo de Rolandas Mikulskas, “Características do funcionamento dos sistemas de nomeação dialetais” (p. 322–332), revelam-se o pensamento original e a perspicácia do autor. O artigo, um tanto árido, come-

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As premissas teóricas discutidas no início permitem analisar magistralmente material dialetal concreto: compare-se o estudo sobre a análise semântica de kibeklis: kebeklis em žemaitiano e de vagis: kebeklis em aukštaitiano oriental.

O capítulo publica ainda trabalhos de Kazimieras Garšva, Adelė Judekienė, Genovaitė Kačiūskienė e Janina Švambarytė. O artigo de Aloyzas Vidugiris, «Sobre as denominações priegalvio ir pagalvės em Zietela e noutros falares lituanos», teria sido mais adequado ao terceiro capítulo do livro.

Como mostra esta breve resenha, os artigos publicados na coletânea diferem quanto à temática, aos fundamentos metodológicos e à natureza. Há artigos científicos problemáticos e analíticos, mas também muitos de caráter panorâmico. Alguns artigos aproximam-se de publicações de dados linguísticos. São bastante evidentes as ligações entre as ideias teóricas e a metodologia das escolas de linguística russa; raramente algum autor recorre a bibliografia especializada ocidental mais recente. A coletânea deixa uma impressão bastante reservada sobre o estado atual da teoria lituana da lexicologia e da lexicografia. Ainda assim, também nela há sinais promissores que permitem esperar uma renovação mais célere destes ramos da linguística lituana.

A publicação do livro contou com o apoio da Comissão Estatal da Língua Lituana.

5. No livro Sintaksinių ryšių tyrimai (editado por Axel Holvoet e Artūras Judžentis, Vilnius: Instituto da Língua Lituana, 2003, 216 p., ISSN 1648-8628, ISBN 9986-668-51-4 [Estudos de Gramática da Língua Lituana 1]) são publicados artigos escritos por membros do Departamento de Gramática do Instituto da Língua Lituana. Este é o primeiro volume de uma série que apresenta as orientações teóricas dos autores da nova gramática da língua lituana em preparação (comissão editorial da série: Axel Holvoet, Artūras Judžentis, Bonifacas Stundžia).

A coletânea reúne sete artigos escritos por Axel Holvoet, Artūras Judžentis e Loreta Semėnienė. Os artigos baseiam-se nas ideias das principais teorias linguísticas da segunda metade do século XX — estruturalista, generativista e cognitivista. Essas ideias são aplicadas à descrição da estrutura gramatical da língua lituana. Os artigos contêm numerosas notas de rodapé que relacionam as novas perspetivas com aquelas já consagradas na linguística lituana.

O livro contém bastantes novidades. Eis algumas: distinguem-se apenas dois tipos de dependência — regência e modificação; a concordância (tal como a regência de caso) é considerada não um tipo de relação sintática, mas apenas um seu marcador (Axel Holvoet, Artūras Judžentis, «Tipos de relações sintáticas»; Loreta Semėnienė, «Concordância do adjetivo»). Para determinar o constituinte principal do sintagma, introduz-se a noção de funcionalidade semântica (Axel Holvoet, Artūras Judžentis, «Tipos de relações sintáticas»); em vez do atributo predicativo e da parte nominal do predicado composto, distinguem-se predicativos livres e obrigatórios (Axel Holvoet, «Predicativos livres e suas relações sintáticas»). O tema e o rema da frase não são associados à informação antiga e à nova, mas considerados unidades da estrutura semântica da frase; introduz-se a noção de articulação temática em camadas (Axel Holvoet, «Problemas da articulação temática»). Propõe-se classificar as frases com a conjunção nes como coordenadas, e não subordinadas; as frases sem conjunção são consideradas uma variante das frases coordenadas (Axel Holvoet, «Frases coordenadas e subordinadas do ponto de vista da forma e da função»). De acordo com a posição que ocupam na frase complexa, as orações subordinadas dividem-se em substantivas, adjetivas e adverbiais (Axel Holvoet, Artūras Judžentis, «Fundamentos da descrição da frase complexa subordinada»). Os sintagmas coordenados (exceto os substantivais) são considerados frases coordenadas reduzidas (Axel Holvoet, Artūras Judžentis, «Fundamentos da descrição da coordenação»).

No final do livro (p. 205–210) encontra-se uma bibliografia das principais obras citadas ou discutidas polemicamente nos artigos. Os conceitos necessários, as conjunções e os elementos correlativos

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Encontrar as palavras ajudará o leitor os índices em lituano e inglês compilados por Veslava Čižik (p. 211–216). Os resumos em inglês dos artigos, preparados por Axel Holvoet, são publicados em conjunto (p. 199–203).

O estudo da estrutura gramatical da língua nunca pode ser concluído. Cada geração de linguistas escreve uma gramática na qual expõe seu ponto de vista sobre os temas examinados e, de uma forma ou de outra, amplia os horizontes do nosso conhecimento da língua. Os autores da nova gramática, que expuseram suas opiniões na coletânea de artigos aqui resenhada, esperam contar com a atenção e as observações dos leitores, que lhes permitam aperfeiçoar a gramática.

6. No terceiro volume dos Artigos selecionados de Zigmas Zinkevičius (Antroponímia. Outra onomástica. Resenhas. Perfis biográficos. Sobre conferências científicas. Prática da língua. Didática da língua. Artigos sem relação direta com a linguística lituana, Vilnius: Academia Lituana Católica de Ciências, 2003, 759 [1] p., ISBN 5-420-01506-4, 3.º volume, ISBN 5-420-01493-9, obra completa) são publicadas contribuições de temas e gêneros bastante variados. O tema principal dos artigos científicos reimpressos no volume é a onomástica lituana. O volume reúne dezoito artigos, mais longos e mais curtos, sobre questões de nomes pessoais, além de igual número de textos breves sobre topônimos, nomes mitológicos, etnônimos, nomes de festas e afins. É digno de nota que todos os artigos e textos breves tenham resumos em inglês. Também são interessantes e valiosas as resenhas do autor — um gênero em vias de desaparecimento na linguística lituana. Nada menos que cinquenta e uma foram incluídas neste volume! As resenhas estão organizadas pela data da primeira publicação. A seção de perfis biográficos contém muitas informações: nela há noventa e dois textos sobre sessenta pessoas — quase uma enciclopédia de pesquisadores da língua lituana. Os textos estão convenientemente organizados em ordem alfabética pelo sobrenome da pessoa mencionada. Seguem-se resenhas de conferências e outros artigos.

Os princípios de preparação das publicações reimpressas são os mesmos dos dois primeiros volumes (cf. Judžentis 2003: 165–169). A ortografia e a pontuação foram ajustadas às regras revistas; corrigiram-se usos de palavras e formas incorretos segundo as normas atuais, alguns casos de formação de palavras e a ordem das palavras, além de erros tipográficos. Como às vezes acontece, um ou outro pequeno erro tipográfico escapou à atenção da editora Agota Sriubienė e dos revisores. Por exemplo, ao reimprimir o artigo «O sistema patronímico de nomes pessoais na Lituânia», não se corrigiu a legenda sob o mapa (p. 31), onde, em vez do sufixo impresso -atis, deveria constar -aitis. No terceiro volume, uniformizou-se (embora não completamente) a ordem dos dados bibliográficos das publicações indicadas nas notas.

Reunir num só lugar os estudos de onomástica, as resenhas e os perfis biográficos de um linguista notável facilitará o trabalho dos pesquisadores da língua e os estudos de mestrandos e doutorandos: não será mais necessário procurá-los em diversas publicações periódicas, por vezes já bastante amareladas e desgastadas.

7. Na publicação de Jonas Palionis Nomes pessoais e topônimos da paróquia de Punios na segunda metade do século XVII (Vilnius: Instituto de Publicação de Ciência e Enciclopédias, 2003, 204 p. ISBN 5-420-01517-X), são publicados e examinados os nomes próprios registrados nos livros de registros de casamento e batismo conservados no arquivo da igreja de Punios. A região de Punios — terra natal do organizador, de passado ilustre, situada junto às grandes curvas do Nemunas. Palionis modestamente chama a publicação de livrinho ou pequeno estudo, e vê seu valor nas listas de nomes pessoais e topônimos, cuja compilação se limitou «ao registro e à reconstrução, sem entrar na explicação de sua origem» (p. 7).

O livro contém textos de dois tipos: três quintos são material publicado — listas de nomes pessoais da segunda metade do século XVII (p. 67–153) e de topônimos (p. 158–175), bem como de nomes pessoais de meados do século XVIII (p. 186–203); o restante do livro é o estudo do organizador.

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Após o prefácio (p. 7–8), a lista de abreviaturas (p. 8) e o sumário (p. 9), inclui-se um mapa, «Limites aproximados da paróquia de Punios no século XVII» (p. 10), que mostra que, naquela época, essa paróquia era consideravelmente maior do que é hoje. Seguem-se observações sobre o passado de Punios (a seção «Algumas notas sobre Punia e sua paróquia», p. 11–17) e descrições bibliográficas das fontes examinadas (as seções «Livro de registros de casamento (1658–1688)», p. 18–22, e «Livro de registros de batismo (1659–1672)», p. 22–26). Essas seções também descrevem brevemente fórmulas de registros de casamento e batismo que interessam aos linguistas, e citam integralmente alguns exemplos (p. 22 e 24–25). Entre as páginas 16 e 17 do livro foram inseridas quatro folhas com fotografias coloridas de boa qualidade (fotografias de Virginija Valuckienė). Como não são publicadas fac-símiles das fontes, essas fotografias (ainda que reduzidas) são muito necessárias: permitem formar uma ideia das fontes examinadas melhor do que as descrições verbais. A propósito, a legenda da primeira folha de fotografias provavelmente está incorreta: as imagens publicadas parecem não ser da mesma — como ali se afirma — obra.

A análise linguística dos nomes pessoais e topônimos publicados começa pela ortografia (seção «Características ortográficas dos nomes pessoais e topônimos», p. 26–29). Embora a ortografia das fontes examinadas variasse bastante e não seja possível estabelecer princípios rigorosos a seu respeito, ainda assim ela «se baseava na tradição gráfica e ortográfica latina e polonesa da época, característica dos manuscritos» (p. 26). São examinados separadamente casos característicos de eslavização de nomes próprios lituanos (seção «Eslavização de nomes pessoais e topônimos lituanos», p. 29–40). Observa-se que «em geral, o grau de eslavização dos topônimos é maior do que o dos nomes pessoais» (p. 30). Distingue-se entre eslavização fonológica e morfológica. Esta última inclui a supressão das terminações dos nomes pessoais, a substituição das terminações de nomes pessoais e topônimos e o uso de sufixos patronímicos eslavos. Em seguida, nomes pessoais e topônimos são descritos separadamente. Começa-se pelos primeiros. Ao todo, foram decifrados cerca de 2.070 sobrenomes nas duas fontes (os patronímicos não foram separados dos sobrenomes), dos quais aproximadamente 800 (mais de um terço!) não constam do Dicionário de sobrenomes lituanos (seção «Características gerais dos nomes pessoais», p. 41). São examinados os nomes de batismo (p. 42–45), os sobrenomes lituanos (p. 46–59) e os não lituanos (p. 60–64). Determina-se a popularidade dos nomes de batismo entre homens e mulheres da paróquia de Punios naquela época (os mais frequentes eram Jonas e Kristina). Os sobrenomes lituanos são divididos em compostos de dois radicais, de um radical e apelidos; os de um radical subdividem-se em sobrenomes de radical simples e em sobrenomes formados por prefixação, sufixação ou flexão. A análise mais detalhada recai sobre os mais frequentes — sobrenomes patronímicos e não patronímicos formados por sufixação. Como a paróquia de Punios era etnica e linguisticamente heterogênea na segunda metade do século XVII, o livro também apresenta uma breve análise de sobrenomes eslavos, tártaros e judaicos.

A lista alfabética de nomes pessoais encontrados nas fontes examinadas ocupa a maior parte do livro — da página 67 à 153. A forma de entrada dos nomes pessoais é apresentada no nominativo. Nos casos em que o nome pessoal aparece nas fontes numa forma de outro caso, reconstrói-se seu nominativo singular. Se não foi encontrada nos registros uma forma masculina do nome pessoal, ela é reconstruída (com *) a partir das formas femininas disponíveis. Após a forma de entrada (ou formas), são indicados, com base no Dicionário de sobrenomes lituanos, sobrenomes atuais correspondentes ou semelhantes à forma de entrada. Quando o nome pessoal encontrado nos livros de registros não consta desse dicionário, é reconstruído «segundo os modelos característicos de nomes pessoais semelhantes conhecidos» (p. 65). Além disso, quando a acentuação dialetal de um nome pessoal difere daquela indicada no dicionário mencionado, adota-se a primeira, e não a forma indicada no dicionário. Após as formas atuais lituanizadas reconstruídas dos nomes pessoais, são indicados o local e a data em que as formas de entrada foram registradas. Cada verbete inclui todas as variantes registradas da forma de entrada do nome pessoal. Os nomes pessoais femininos são apresentados apenas

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lista, pois “às vezes é difícil determinar o sexo a partir da forma flexionada de um sobrenome feminino, sobretudo o de solteira, devido à variedade de sufixos lituanos” (p. 66). Alguns dos princípios mencionados para a apresentação de nomes próprios (especialmente a restauração do gênero das formas de entrada e das formas atuais lituanizadas, bem como a indicação de sua acentuação dialetal) não correspondem aos princípios científicos de publicação de nomes próprios antigos e devem ser explicados pela orientação aos habitantes locais dos arredores de Punia e pelo desejo de simplificar a apresentação dos nomes pessoais. Por essa razão, a lista restaura um número considerável de formas de entrada duvidosas e de seus equivalentes atuais. Eis alguns exemplos. Do nome pessoal CZERKASOWA restaura-se a forma *CZERKASOW (p. 80). Por que a forma restaurada foi afixada (cf. *CHUMIN a partir de CHUMINOWNA, p. 79)? Do nome pessoal TRABOWNA restaura-se a forma *TRAB e indica-se (com ponto de interrogação) seu equivalente atual — o sobrenome Trabas (p. 143). Por que, neste caso, a forma restaurada não tem desinência (cf. *TUMAS a partir de TUMOWNA, p. 143; *TALKUS a partir de TALKOWNA, p. 142 e muitos outros)? O equivalente atual escolhido para esse nome pessoal (aliás, não registrado no Lietuvių pavardžių žodyne) não é o único possível — equivalentes igualmente plausíveis seriam Trobas ar Trobus (que também não constam do Lietuvių pavardžių žodyne).

Em seguida, o livro examina os topônimos (a seção “Características gerais dos topônimos”, p. 154–156, e as notas introdutórias da seção “Lista de topônimos”, p. 156–157). São discutidas a origem e a forma (formação) de 298 topônimos. Foram encontrados cerca de 60 topônimos que não constam do Lietuvos TSR administracinio-teritorinio suskirstymo žinyną. A lista alfabética de topônimos (p. 158–175) foi elaborada segundo princípios semelhantes aos da lista de nomes pessoais: como forma de entrada aparece o nominativo usado nos documentos ou restaurado, enquanto entre colchetes se indica a forma normativa atual, conhecida pelo autor por meio do uso e conferida no Lietuvos TSR administracinio-teritorinio suskirstymo žinyną. Essa lista também contém formas restauradas duvidosas. Um bom exemplo é BIRSZTAN, já mencionado na seção sobre a eslavização de nomes próprios (p. 35), restaurado a partir das ocorrências ex BIRSZTANY, de BIRSZTANY, de BIRSZTAN e de BIRSZTANI (p. 159). Pelo menos três dessas construções empregam o plural do topônimo, mas o compilador restaura o singular com base na forma normativa atual (cf. CZESANY, restaurado a partir de de CZESAN, p. 160; NARUNY, a partir do topônimo NARUN, p. 166, etc.). Na lista também aparecem formas de topônimos restauradas, mas sem asterisco (BALBIERISZKI, BUYWIDY, etc.).

No final do livro, há um resumo traduzido para o alemão por Irena Meikšinaitė, “Personen- und Ortsnamen der 2. Hälfte des 17. Jahrhunderts aus der Gemeinde Punia” (p. 176–182), e uma bibliografia (p. 183–185). Como espécie de apêndice, publica-se a “Lista de nomes pessoais dos livros de registro de casamentos da paróquia de Punia de 1732–1759” (p. 186–203).

A edição preparada por Jonas Palionis tem indubitável valor científico: nela, pela primeira vez, são publicados os nomes pessoais e os topônimos da paróquia de Punia da segunda metade do século XVII, analisados e descritos sob diversos aspectos. Pretendeu-se tornar valioso material onomástico acessível aos especialistas — pesquisadores de onomástica — e, por outro lado, esperava-se despertar o interesse do público pelas relações entre os dados publicados e um lugar específico, bem como pela historicidade das pessoas mencionadas nos documentos (cf. p. 204). É realmente difícil (se é que possível) satisfazer com a mesma publicação as necessidades profissionais do linguista e a curiosidade dos habitantes locais: o compilador teve de escolher um caminho intermediário, isto é, de compromisso. A publicação não é nem uma reedição crítica científica de textos patrimoniais nem uma obra de divulgação destinada ao público, mas apresenta características próprias de ambos os tipos de publicação. O especialista sentirá falta, antes de tudo, dos fac-símiles das fontes examinadas; dado o pequeno volume do livro (ao que parece, 64 e 93 páginas preenchidas), não teria sido difícil nem muito caro publicá-los. Tanto mais que nem tudo foi incluído nas listas publicadas, e as formas de nomes próprios apresentadas têm graus desiguais de confiabilidade:

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“As listas de nomes pessoais e de topônimos não incluem todas as palavras desse tipo; além disso, algumas podem ter sido restauradas de forma imprecisa” (p. 20); “nomes pessoais ilegíveis ou muito duvidosos não foram reconstruídos nem incluídos na lista” (p. 64). Se o livro tivesse sido publicado de acordo com os requisitos das edições científicas, teria sido mais valioso: sempre é possível preparar uma publicação mais acessível a partir de uma edição científica, mas o caminho inverso, infelizmente, é impossível.

Vitalija Maciejauskienė fez a revisão do livro; Bronys Savukynas examinou a seção sobre nomes pessoais e aconselhou o compilador. A publicação contou com o apoio da Comissão Estatal da Língua Lituana.

Ao concluir esta resenha, convém mencionar os trabalhos aplicados de linguística lituana — uma gramática, dicionários e índices bibliográficos.

Meilutės Ramonienės ir Joanos Pribušauskaitės Praktinė lietuvių kalbos gramatika (Vilnius: Baltos lankos, 2003, 256 p., ISBN 9955-584-36-X) destina-se a quem está aprendendo lituano. A estrutura gramatical é descrita nela sob uma perspectiva funcional.

Irenos Ermanytės Antonimų žodyne (Vilnius: Lietuvių kalbos instituto leidykla, 2003, XXIII, 584 p., ISBN 9986-668-52-2) abėcėlės tvarka pateikiamos antonimų poros iliustruojamos gyvosios kalbos, Lietuvių kalbos žodyno, jo kartotekos, grožinės literatūros ir smulkiosios tautosakos pavyzdžiais. Knygos pabaigoje įdėta antonimų lizdų rodyklė. Žodyną redagavo Jonas Paulauskas, jo rengimą ir leidybą rėmė Valstybinė lietuvių kalbos komisija. Zanavykų šnektos žodyno (teksto autorės Janina Švambarytė, Giedrė Čepaitienė, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas, 2003, 830 p., ISBN 5-420-01504-8) pirmasis tomas apima A–K raidžių žodžius. Tai išsamusis tarminis žodynas, atspindintis XIX a. antrosios pusės–XX a. zanavykų šnektos leksiką, gramatikos, iš dalies ir fonetikos ypatybes. Žodžiai jame pateikiami laikantis panašių principų kaip Lietuvių kalbos žodyne. Šis žodynas – kolektyvinis daugelio žmonių darbas, kuriam duomenis organizuotai pradėta rinkti dar 1987 metais. Žodyną redagavo Aldonas Pupkis (vyriausiasis redaktorius) ir Klementina Vosylytė.

Išėjo net trys lietuvių kalbotyros bibliografijos rodyklės: Lietuvių kalbotyra, 1981–1985: Literatūros rodyklė, sudarė Regina Sedekerskytė, Adelė Ubeikaitė; spaudai parengė Lina Kanopkienė (Vilnius: Lietuvos mokslų akademijos biblioteka, Lietuvių kalbos institutas, 2003, 339 p., ISBN 9986-498-28-7); Lietuvių kalbotyra, 1991–1995: Literatūros rodyklė, sudarė Sigita Dagienė, Jolanta Matuzaite; atsakomoji redaktorė Rasa Pukėnienė (Vilnius: Lietuvos mokslų akademijos biblioteka, Lietuvių kalbos institutas, 2003, 544 p., ISBN 9986-498-32-5); Adelė Ubeikaitė, Lietuvių kalbotyra, 1944–1972: Literatūros rodyklė: Papildymai, redagavo Kazys Morkūnas, Algirdas Sabaliauskas (Vilnius: Lietuvių kalbos instituto leidykla, 2003, 396 p., ISBN 9986-668-46-8). Lietuvių kalbotyros bibliografija šiuo metu turbūt yra viena geriausiai sutvarkytų mūsų bibliografijos sričių. Ateina metas parūpinti elektroninę XX a. lietuvių kalbotyros bibliografiją su įvairiomis paieškos galimybėmis.

LITERATŪRA

BŪGA, K. 1912/1958: Lituanica. In: id., Rinktiniai raštai I, sudarė Z. Zinkevičius, Vilnius: Valstybinė politinės ir mokslinės literatūros leidykla, 339–383.

BŪGA, K. 1923/1961: Upių vardų studijos ir aisčių bei slavėnų senovė. – In: id., Rinktiniai raštai III, sudarė Z. Zinkevičius, Vilnius: Valstybinė politinės ir mokslinės literatūros leidykla, 493–550.

GAMKRELIDZE, T. V., IVANOV, V. V. 1984.: Индоевропейский язык и индоевропейцы. Реконструкция и историко-типологический анализ праязыка и протокультуры. Часть вторая: Семантический словарь

NAUJU DARBŲ APŽVALGA

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общеиндоевропейского языка и реконструкция индоевропейской пракультуры, Тбилиси: Издательство Тбилисского университета.

Judžentis, A. 2003: Lietuvių kalbotyra 2002-aisiais metais: Lietuvoje išleisti darbai. Acta Linguistica Lithuanica 49, 2003, 153–170.

Judžentis, A. 2004: [Rec.] Vytautas Kardelis, Rytų aukštaičių šneketų slavizmų fonologijos bruožai, Vilnius: Vilniaus universiteto leidykla, 2003, 195 p. (Vilniaus universiteto Filologijos fakulteto mokslo darbai). Baltų filologija XIII (2), 151–155.

Labutis, V. 2004: [Rec.] Studija apie gramatikos norminimo pagrindus. Kalbos kultūra 77, 67–75.

Artūras Judžentis

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