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Universidade de Ciências da Educação da Lituânia
Áreas de investigação: semântica cognitiva, metáfora conceptual, discurso político.
ROMA JAGMINAITĖ
Instituto Estatal de Investigação Científica, Centro de Investigação da Natureza
Áreas de investigação: linguística cognitiva, teoria da metáfora conceptual.
ANÁLISE COGNITIVA DA CAMPANHA ELEITORAL PARA O SEIMAS DE 2008 DO PARTIDO TS-LKD: A METÁFORA CONCEPTUAL DA VIAGEM
Análise cognitiva da campanha da União da Pátria – Democratas-Cristãos Lituanos para as eleições parlamentares lituanas de 2008: metáfora conceptual de JOURNEY
A N O T A Ç Ã O
O artigo analisa a metáfora conceptual da JORNADA na campanha eleitoral do partido TS-LKD para as eleições parlamentares de 2008, aplicando o método de análise crítica da metáfora de Jonathan Charteris-Black, que combina a teoria da metáfora conceptual e a análise crítica do discurso. A análise cognitiva revelou que os conservadores conceptualizam as eleições de 2008 como uma jornada; mais precisamente, o desenvolvimento do Estado (o progresso e/ou o retrocesso do Estado) é metaforizado como uma viagem pela estrada-
P A L A V R A S - C H A V E: metáfora conceptual da JORNADA, mudança de metáforas, discurso eleitoral dos conservadores lituanos.
P A L A V R A S - C H A V E: metáfora conceptual da JORNADA, mudança de metáforas, discurso eleitoral dos conservadores lituanos.
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rada. No discurso político do TS-LKD, destaca-se com muita frequência o caminho, um dos principais conceitos da metáfora conceptual O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO É UMA JORNADA, quando se fala do desenvolvimento do Estado como uma jornada; além disso, ao discurso dos conservadores aplica-se o esquema imagético do CAMINHO, que implica um movimento para a frente, correspondente conceptualmente aos meios para alcançar objetivos políticos. O estudo demonstrou que, no discurso eleitoral do partido conservador em 2008, a metáfora da JORNADA é uma das metáforas conceptuais predominantes e mais desenvolvidas, uma vez que o discurso analisado está repleto de expressões metafóricas da jornada como domínio-fonte, que correspondem conceptualmente ao desenvolvimento do Estado como domínio-alvo.
ANOTAÇÃO
O artigo analisa a metáfora conceptual da JORNADA, tal como se manifesta na campanha do partido União da Pátria – Democratas-Cristãos da Lituânia (TS-LKD) para as eleições parlamentares lituanas de 2008, com base no método de análise crítica da metáfora de Jonathan Charteris-Black, que combina a teoria da metáfora conceptual e a análise crítica do discurso. A análise cognitiva revelou que os conservadores conceptualizam as eleições de 2008 como uma jornada; mais precisamente, o desenvolvimento do país (o progresso e/ou o retrocesso do país) é metaforizado como uma jornada. No seu discurso político, o TS-LKD destaca frequentemente a estrada, que é um dos principais conceitos da metáfora conceptual O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS É UMA JORNADA, ao falar do desenvolvimento do país como uma jornada; além disso, o discurso dos conservadores recorre ao esquema imagético da ESTRADA, que implica o movimento para a frente, correspondente conceptualmente aos métodos para alcançar objetivos políticos. A investigação revelou que, no discurso eleitoral do partido conservador em 2008, a metáfora da JORNADA é uma das metáforas conceptuais dominantes e mais evidenciadas, pois o discurso analisado está repleto de expressões metafóricas de uma jornada, pertencentes ao domínio-fonte, que podem ser conceptualmente associadas ao desenvolvimento do país como domínio-alvo.
1.
INTRODUÇÃO
Há mais de três décadas, o livro de George Lakoff e Mark Johnson, Metáforas da Vida Quotidiana (Lakoff, Johnson 1980), que provocou uma verdadeira revolução na linguística e assinalou uma importante viragem no desenvolvimento da linguística cognitiva, é hoje considerado um estudo clássico que inspirou os investigadores a realizar estudos posteriores, tanto qualitativos como até quantitativos, sobre a metáfora. G. Lakoff e M. Johnson afirmaram que as metáforas não são apenas recursos de expressão da imaginação poética ou da retórica, mas também são comuns na linguagem quotidiana. Além disso, as metáforas existem não só na própria linguagem, mas também no pensamento e na ação humanos. O sistema conceptual habitual, que pressupõe o pensamento e o comportamento humanos, é metafórico por natureza. As metáforas existem na linguagem porque os processos de pensamento humanos-
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tos são metafóricos, ou seja, o sistema conceptual é estruturado metaforicamente, e as metáforas são entendidas como conceitos metafóricos.
O estudo das metáforas há muito ultrapassou os limites da linguística pura e tornou-se interdisciplinar. Na última década, tem-se dedicado cada vez mais atenção ao «comportamento» da metáfora e às implicações que dele decorrem em diversos discursos — académico (Cameron 2003; Littlemore, Low 2006), económico (Charteris-Black, Ennis 2001; Charteris-Black, Musolff 2003; Skorczynska, Deignan 2006; Urbonaitė, Šeškauskienė 2007), político (Lassan 1995, 2011; Charteris-Black 2004, 2005; Musolff 2004; Chilton 2004; Cibulskienė 2012), religioso (Shokr 2006; Jäkel 2002), literário (Semino, Short 2004; Dorst 2011), desportivo (Simó 2009; Shields, Bredemeier 2011), entre outros. Além disso, os estudos sobre metáforas multimodais, que analisam não apenas manifestações linguísticas da metáfora, estão a ganhar cada vez mais impulso. A metáfora expressa por gestos é amplamente analisada nos trabalhos de Alan Cienki (2008) e Cornelia Müller (2008), enquanto as metáforas visuais e sonoras em caricaturas (Bounegru, Forceville 2011; Swain 2012), filmes (Rohdin 2008; Eggertsson, Forceville 2009), publicidade (Forceville 2007), pintura e música (Zbikowski 2009) atraem cada vez mais a atenção dos investigadores.
Os estudos mencionados demonstram que a metáfora é conceptual por natureza, isto é, as pessoas não usam metáforas apenas no discurso poético ou literário, como tradicionalmente se pensava, mas também as empregam na vida quotidiana sem grande esforço de vontade — as pessoas pensam por meio de metáforas e vivem através delas. Por isso, o objeto deste estudo, em sentido amplo, é a metáfora no discurso político, ou, mais precisamente, no discurso da campanha eleitoral de 2008 da União da Pátria-Democratas-Cristãos da Lituânia (TS-LKD). O artigo procura examinar como uma das metáforas conceptuais predominantes deste partido é desenvolvida no discurso analisado, isto é, a metáfora da VIAGEM, e como é determinada por fatores ecopolíticos e sociais do país.
2. METÁFORA DA VIAGEM NO DISCURSO POLÍTICO
A abordagem cognitiva da metáfora revela que tanto a linguagem metafórica como o pensamento metafórico estão relacionados com a experiência corporal (sensório-motora) humana. G. Lakoff e M. Johnson (2008) defenderam que os conceitos corporizados (em inglês, embodied concepts) podem ser sistematicamente alargados a domínios mais abstratos e adquirir determinado significado e estrutura. A isto chamaram processos de construção do significado (em inglês, conceptual projection), intimamente relacionados com a metáfora conceptual. M. Johnson (1987) afirma que a cognição corporizada se manifesta na formação de imagens mentais (em inglês, image schemas). Estas são esquemas imagéticos elementares: PONTO DE PARTIDA–TRAJETO–OBJETIVO
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... o progresso e o movimento do viajante ao longo de uma trajetória determinada em direção a um destino imaginado da viagem. É precisamente esta orientação que importa aos políticos, que querem apresentar-se como tendo um objetivo político e sabendo como alcançá-lo. No discurso político, as metáforas são entendidas como um instrumento retórico e ideológico para alcançar objetivos políticos. J. Charteris-Black (2005) analisou as metáforas conceptuais de líderes políticos britânicos e americanos e as suas implicações, juntamente com outras estratégias retóricas. O seu estudo mostra que políticos como Martin Luther King, Winston Churchill, Bill Clinton, Tony Blair e Margaret Thatcher constroem frequentemente os seus discursos políticos e criam vários mitos por meio da metáfora da VIAGEM; ou seja, esta metáfora é uma das metáforas conceptuais mais características do discurso político.
Andreas Musolff também salienta a importância da metáfora da VIAGEM no discurso político. Afirma que ela é «um dos principais sistemas de metáforas conceptuais pelos quais vivemos» (2004: 43). O amplo estudo de Andreas Musolff sobre o raciocínio analógico, que examinou como a Grã-Bretanha e a Alemanha conceptualizaram metaforicamente a União Europeia na década de 1990, mostra que os dois países desenvolvem de maneira diferente o elemento PERCURSO–MOVIMENTO–VELOCIDADE, que faz parte do cenário da metáfora da VIAGEM. A Alemanha conceptualiza-se como um VIAJANTE QUE SE DESLOCA RAPIDAMENTE, enquanto a Grã-Bretanha se conceptualiza como um VIAJANTE QUE SE DESLOCA LENTAMENTE. Isto demonstra as atitudes dos dois países em relação à União Europeia — cautelosa no caso da Grã-Bretanha e bastante entusiástica no caso da Alemanha —, bem como o grau e a velocidade da sua integração nela.
3. OBJETIVO, DADOS E MÉTODOS DO ESTUDO
O objetivo do estudo descrito neste artigo é revelar como o discurso da campanha eleitoral do partido TS-LKD é construído por meio da metáfora conceptual da VIAGEM, com vista à conquista do poder político — ser eleito para o órgão legislativo do Estado, o Seimas. Isto determinou a amostra de dados e o período de recolha. O discurso da campanha eleitoral da TS-LKD analisado abrange discursos de campanha para as eleições parlamentares e programas eleitorais, publicados no sítio Web do partido (http://www.tsajunga.lt) e no sítio Web da Comissão Eleitoral Central (http://www.vrk.lt) em setembro e outubro de 2008, período oficial da campanha eleitoral. Os discursos foram selecionados aleatoriamente, tendo os seus autores sido escolhidos em função da sua posição de liderança no partido conservador. A autoria é atribuída a Andrius Kubilius, Irena Degutienė e Rasa Juknevičienė. A partir desses discursos, foi compilado um corpus com 865 115 caracteres impressos.
O estudo foi realizado utilizando o método de análise crítica da metáfora proposto por J. Charteris-Black, que combina a teoria da metáfora conceptual e a análise crítica do discurso. A essência deste método consiste em identificar intenções e ideologia na linguagem. Distinguem-se
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três etapas desta análise: 1) identificação das metáforas, 2) interpretação das metáforas, 3) explicação das metáforas. Na primeira etapa, procurou-se identificar enunciados metafóricos pertencentes ao campo semântico da viagem, isto é, relacionados hiperonimicamente. Para identificar os enunciados metafóricos, aplicou-se o método MIPVU1, cuja essência é a seguinte: 1) leitura atenta e compreensão do texto; 2) divisão da frase em unidades lexicais; 3) análise de cada unidade lexical, determinando o seu significado básico (de dicionário) e o significado contextual; 4) comparação dos significados básico e contextual. Se o significado contextual de uma palavra se afastar do seu significado básico, essa unidade lexical é identificada como metafórica.
Os enunciados metafóricos identificados constituem o nível linguístico, que, na segunda etapa de interpretação das metáforas, passa para o nível do pensamento — os enunciados metafóricos são associados à metáfora conceptual da VIAGEM, procurando interpretá-los por meio do cenário da metáfora da VIAGEM, que é o nosso conjunto de conhecimentos extralinguísticos e abrange elementos conceptuais como o viajante, o destino da viagem, o movimento direcionado, os obstáculos da viagem, as características do caminho, etc.
A terceira etapa da análise — a explicação das metáforas — é retórico-persuasiva, isto é, procura-se explicar como as ideias e convicções políticas são apresentadas por meio das metáforas e como se tenta influenciar o destinatário-eleitor para que vote numa determinada força política.
Este estudo do desenvolvimento da metáfora conceptual da VIAGEM no discurso da campanha eleitoral da TS-LKD faz parte de um estudo mais amplo, que abrange também outras metáforas conceptuais. O número de enunciados metafóricos mostra que a metáfora conceptual da VIAGEM, juntamente com as metáforas da GUERRA e do EDIFÍCIO, é uma das metáforas mais importantes com que o partido TS-LKD constrói o discurso da campanha eleitoral.
4. METÁFORAS CONCEPTUAIS
O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO É UMA VIAGEM
ANÁLISE
A metáfora conceptual da VIAGEM nos discursos dos políticos está geralmente associada a objetivos previamente definidos pelos políticos, que implicam uma ideia clara de perspetivas futuras. A imagem da viagem também está associada ao progresso planeado e a um agente consciente, que seguirá um caminho predeterminado em direção ao objetivo que imagina. A metáfora da VIAGEM pode representar os políticos, juntamente com as políticas que promovem, como guias de viagem e ser usada sistematicamente para avaliar positivamente a liderança política e negativamente a falta de liderança. Os políticos usam metáforas como arma retórica na campa-
1 Metaphor Identification Procedure Vrije University (Steen et. al. 2010). Šis metodas yra praplėstas ir patobulintas anksčiau pasiūlyto Pragglejaz (2007) metodo variantas.
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com objetivos estratégicos, por exemplo, para promover a sua própria ideologia política ou opor-se às posições políticas de outros.
Pasak Elenos Semino (2008), remiantis PRADINIO TAŠKO–TRAJEKTORIJOS–TIKSLO vaizdo schema politiniai tikslai metaforiškai konceptualizuojami kaip kelionės tikslai, būdai tikslams pasiekti kaip judėjimas į priekį, sunkumai kaip kelyje pasitaikančios kliūtys ir sėkmė arba nesėkmė kaip kelionės tikslo pasiekimas arba nepasiekimas. Anot Paulo Chiltono (2004), ši vaizdo schema gali būti siejama su sudėtingesne KELIONĖS sritimi, apimančia specifines kultūrines žinias apie keliautojus, transporto priemones, keliavimo būdus, kelionėje pasitaikančias kliūtis ir t. t.
4.1. A direção do caminho corresponde às convicções políticas e à visão do futuro, e o destino da viagem, ao objetivo político
Os Conservadores conceptualizam o desenvolvimento do Estado como uma viagem: VIAGEM (domínio-fonte) → DESENVOLVIMENTO DO ESTADO (domínio-alvo), ou seja, o Estado é como um viajante que percorre o caminho do desenvolvimento, encontra diversos obstáculos pelo caminho, tenta superá-los e procura alcançar objetivos ao longo dessa viagem. A direção do caminho está estreitamente relacionada com o destino da viagem, pois o movimento orientado se dirige à consecução de determinado objetivo. No discurso político dos Conservadores, o destino da viagem corresponde conceptualmente à aspiração do Estado (destino da viagem → aspiração do Estado), embora esta última seja mais abstrata e se oriente para um contexto mais amplo. Como afirma Charteris-Blackas (2005: 45), os objetivos sociais são muito frequentemente entendidos como destinos de uma viagem. No Estado, procura-se alcançar mudanças económicas e sociais, um avanço rumo ao sucesso, superar com êxito a crise económica e financeira; apoia-se também a aspiração de outros Estados a aderir à NATO, por exemplo:
(1) A Lituânia precisa de um caminho claro para o futuro e de prioridades significativas — estas foram debatidas no programa da TS-LKD. São necessárias mudanças e coragem para as alcançar, bem como vontade de superar a arraigada burocracia e inércia das instituições estatais.
(2) A Lituânia deve apoiar firmemente o caminho democrático de desenvolvimento escolhido pelos Estados que aspiram a aderir à Aliança transatlântica.
O facto de os Conservadores pensarem no desenvolvimento do Estado e nas suas aspirações como uma viagem e os seus objetivos é evidenciado pelas expressões metafóricas usadas no seu discurso eleitoral, associadas a caminho e direção: abrir caminho a um avanço rumo ao sucesso, apoiar o caminho democrático de desenvolvimento. Para alcançar os destinos da viagem, isto é, para concretizar as aspirações políticas do partido, a TS-LKD declara ter um plano (plano de viagem → programa político), como se fosse uma espécie de plano de viagem que ajudaria a alcançar um dos objetivos do desenvolvimento do Estado enquanto viagem: superar a crise económica, um dos obstáculos que surgem no caminho do desenvolvimento do Estado (obstáculos no caminho → desafios económicos).
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No discurso dos Conservadores, dá-se frequentemente destaque ao caminho das reformas, associado a determinadas transformações no Estado (caminho percorrido → política de reformas); esse caminho é descrito como racional e ligado ao movimento gradual para a frente — à evolução, por exemplo:
(3) Consideramos que uma reforma tão fundamental da gestão do Estado poderia ser implementada pelo caminho de uma reforma evolutiva gradual.
(4) Defendemos uma abordagem mais racional — seguir o caminho de reformas sensatas.
É verdade que os Conservadores observam que o caminho das reformas nem sempre pode ser o correto: ao criticarem a situação política vigente no Estado, o partido TS-LKD fala de um caminho de reformas erradas, atribuindo-o às forças da oposição, por exemplo,
(5) Agora, pretende-se ir ainda mais longe pelo caminho das reformas erradas.
No discurso político da TS-LKD, são também destacados e propostos outros caminhos positivos, associados ao desenvolvimento, à democracia, ao futuro, aos princípios fundamentais, à construção do Estado, à inovação, entre outros. Todos os caminhos para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do Estado mencionados nos discursos eleitorais assentam no movimento para a frente, por exemplo:
(6) O caminho que propomos é o caminho da implementação dos princípios fundamentais da gestão pública. A Nova Zelândia, a Austrália, a Grã-Bretanha, o Canadá e os EUA seguem este caminho de forma mais consistente há já três décadas.
(7) A Lituânia apoiará firmemente os esforços de integração dos Estados que escolheram o caminho democrático de desenvolvimento e que aspiram a uma parceria com a NATO ou à adesão à Aliança transatlântica, e transmitirá a sua experiência a esses Estados.
Ao exemplos de discurso político apresentados pode aplicar-se o esquema imagético do CAMINHO, no qual o movimento para a frente é um dos componentes mais importantes, e esse movimento corresponde conceptualmente aos meios para alcançar objetivos relacionados com o desenvolvimento do Estado. Importa salientar que os Conservadores associam o caminho não só ao movimento para a frente, como também mencionam caminhos errados e falsos, ou desvios, que conduzem a uma crise profunda, à degradação, ao populismo, à criminalidade ou à pobreza, por exemplo:
(8) Agora só resta dizer: infelizmente... A Lituânia avançou muito no caminho da crise profunda.
(9) Compreender os valores mais importantes, com base nos quais é possível deixar de vaguear por caminhos errados.
(10) [...] praticamente lhe é retirado o direito humano de, no futuro, evitar o caminho do crime ou da pobreza.
O conceito de caminho errado empregado pelos Conservadores transmite de modo convincente a gravidade dos problemas sociais, económicos e políticos do Estado, como se alertasse para não se enveredar por caminhos inadequados e errados e indicasse o que aguarda aqueles que os escolhem.
No discurso político dos Conservadores, a direção do caminho é conceptualizada como uma tendência do desenvolvimento do Estado, expressa por construções verbais e nominais com preposições que indicam direção de – para, para a frente – para trás, de, em direção a, para.
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As construções verbais e nominais com as preposições de – para e para, por exemplo, subir a, passar de [...] a, uma viragem decisiva para, entrar em, no discurso político dos Conservadores indicam uma direção positiva; por outras palavras, a direção ou tendência do desenvolvimento do Estado assinalada pelas preposições de – para e para aponta para um nível superior, para o aperfeiçoamento e o desenvolvimento do Estado, por exemplo:
(11) As universidades da Lituânia podem ascender ao nível europeu.
(12) Criar condições para que as instituições preparadas passem voluntariamente do sistema administrativo para o sistema de gestão gerencial.
(13) A Lituânia deveria entrar numa nova era energética juntamente com os países mais avançados do mundo [...] Esta orientação política está prevista na secção de Energia do nosso programa.
No entanto, no discurso político dos Conservadores, as construções verbais com as preposições de – para e para nem sempre indicam uma direção positiva; em alguns casos, as preposições mencionadas indicam uma direção negativa, isto é, uma tendência do desenvolvimento do Estado passível de crítica (14), ou uma direção desconhecida (15):
(14) [...] a aspiração explícita de alguns políticos de mudar a orientação do Estado, de pró-ocidental para pró-russa, causa ainda maior preocupação.
(15) [...] o caos, a ausência de objetivos e a falta de um sistema de gestão unificado não levam a lado nenhum.
As construções verbais com as preposições para a frente – para trás, de e em direção a também indicam, no discurso político dos Conservadores, uma tendência negativa do desenvolvimento do Estado, por exemplo:
(16) Nos últimos quatro anos, após a criação do Departamento de Controlo de Drogas junto do Governo, a política estatal de controlo de drogas não avançou, mas retrocedeu.
(17) Volto a chamar a atenção para o facto de que, todos os anos, a Lituânia se afasta cada vez mais de os seus compromissos.
(18) [...] é muito provável que a Rússia esteja a aproximar-se de uma grave crise económica.
No discurso político, a direção da viagem, que corresponde conceptualmente à tendência do desenvolvimento do Estado, é nomeada diretamente; ou seja, emprega-se o conceito de direção e os seus sinónimos — orientação, rumo (como modo adequado de agir), por exemplo:
(19) A decisão sobre ações concretas nos próximos anos revelará em que direção está a avançar a economia da Lituânia.
(20) Já identificámos o primeiro passo nessa direção: investiremos no professor, tornando o magistério uma profissão de prestígio.
(21) [...] as estratégias teóricas e a vida prática do poder executivo [...] muitas vezes seguem caminhos completamente distintos.
A menção explícita ao conceito de direção e os verbos e substantivos que denotam movimento – avança, primeiro passo, avanço, seguem – mostram que os conservadores pensam e falam das tendências de desenvolvimento do Estado como direções de uma viagem. Os sinais de trânsito,
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que correspondem conceptualmente às orientações políticas no discurso político dos conservadores, podem ser parcialmente associados às direções de uma viagem, que correspondem conceptualmente às tendências de desenvolvimento do Estado, pois em ambos os casos se indica uma direção. Além disso, no discurso dos conservadores, a palavra orientações, usada em sentido figurado, significa sinais de orientação ou setas, associáveis à metáfora conceptual da VIAGEM ou do CAMINHO, por exemplo,
(22) A multifuncionalidade do meio rural, a diversidade de atividades, a revelação das particularidades regionais e o incentivo à vida comunitária das pessoas no campo — estas são as orientações para as quais nos encaminha a nova política rural da UE.
4.2. O viajante — a Lituânia
O sujeito que está na estrada e pode ser percebido como viajante ou companheiro de viagem é a Lituânia e os outros países bálticos e da Europa Oriental. No discurso dos conservadores, estes Estados correspondem conceptualmente a passageiros que enfrentam dificuldades e obstáculos e tentam superá-los, por exemplo:
(23) Ao votarem na TS-LKD [...] manifestar-se-ão a favor de uma Lituânia dinâmica, e não de uma Lituânia que fica a patinhar no mesmo lugar.
(24) Agora só nos resta dizer: infelizmente... A Lituânia já percorreu um longo caminho rumo a uma profunda crise.
(25) [...] A Polónia, a Estónia e a Letónia, no que diz respeito ao financiamento da defesa nacional, deixaram-nos muito para trás.
O movimento dos sujeitos que estão na estrada, isto é, dos países, é descrito de maneiras diferentes: os conservadores veem a Lituânia como estagnada, passiva, mergulhada numa profunda crise e ultrapassada pelos seus vizinhos mais próximos — letões, estónios e polacos. Recorrendo a esta retórica, os conservadores tentam influenciar os eleitores e mexer com as suas emoções, mas, ao mesmo tempo, fazem campanha para que votem neles, afirmando que, ao escolherem o partido TS-LKD, os eleitores se manifestarão a favor de uma Lituânia dinâmica e ativa, e não de uma Lituânia passiva, que «fica a patinhar no mesmo lugar». Os conservadores influenciam persuasivamente o destinatário por meio da linguagem: a construção ao votarem, manifestar-se-ão transmite um sentimento de união e solidariedade; tenta-se convencer os potenciais eleitores a tornarem-se iniciadores do desenvolvimento do Estado, enquanto a expressão metafórica uma Lituânia dinâmica, e não uma Lituânia que fica a patinhar no mesmo lugar procura despertar as ambições e esperanças pessoais dos eleitores.
4.3. A viagem – ações e decisões políticas
Os viajantes, durante uma viagem, mais precisamente, no caminho, realizam várias ações: param, ultrapassam, deparam-se com obstáculos, perdem-se, regressam ao caminho, etc. A gama de ações no caminho do desenvolvimento do Estado é bastante ampla; por exemplo, o movimento para a frente é assinalado por expressões metafóricas: ultrapassar em muito, avançar muito, conduzir a, levar a, seguir, abrir caminho; um estado estático é assinalado por expressões metafóricas: andar em círculos, não sair do mesmo lugar, desbloquear a situação, deixar para trás, por exemplo:
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(26) A maioria das pessoas está descontente com as ações do Governo de G. Kirkilas, que levaram a Lituânia a um caos generalizado em praticamente todas as áreas da administração do Estado.
(27) Temos de renunciar resolutamente à estagnação desesperada das atuais estruturas governamentais na criação de centros logísticos de transporte integrados, que desde 2002 [...] até agora não permitiu avançar sequer um passo no início da concretização prática destes projetos importantes para o setor dos transportes da Lituânia.
As ações realizadas no caminho, que são conceptualizadas como desenvolvimento do Estado, podem ser divididas em três grupos: ações ativas, ações passivas e ações relacionadas com desafios. É de salientar que as ações aparentemente ativas, associadas ao movimento para a frente, nem sempre denotam positividade nos discursos eleitorais dos conservadores; por exemplo, a expressão
(28) A Lituânia avançou muito no caminho da crise profunda
implica um «avanço» dirigido a um fenómeno negativo — a crise económica. Conduzir para a frente também nem sempre significa uma ação positiva; por exemplo, a expressão metafórica do exemplo (26) levou a Lituânia a um caos generalizado em praticamente todas as áreas da administração do Estado indica um movimento para a frente numa direção negativa, isto é, em direção a fenómenos sociais negativos.
4.4. Obstáculos no caminho – dificuldades ecopolíticas do Estado com as quais se depara
Os obstáculos no caminho, que no discurso político dos conservadores correspondem conceptualmente aos desafios económicos e sociais, abrangem uma grande parte da metáfora conceptual O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO É UMA VIAGEM e constituem um dos elementos do esquema imagético do CAMINHO. Como afirma G. Lakoff (1993: 220), as dificuldades sentidas numa viagem são entendidas como obstáculos que impedem o movimento. G. Lakoff distingue cinco tipos de obstáculos: bloqueios na estrada; obstáculos relacionados com o terreno; carga; forças hostis; falta de uma fonte de energia. No discurso analisado, foram identificadas as seguintes expressões metafóricas que assinalam a (não)superação dos obstáculos encontrados no caminho: enfrentar desafios; não cair num buraco e, se cair, sair dele; afundar-se em; deixar de vaguear por caminhos errados; perder-se entre, etc. A ênfase nos desafios económicos e sociais do Estado como obstáculos encontrados no caminho do desenvolvimento do Estado, bem como o seu predomínio no discurso político dos conservadores, mostram que este é um dos aspetos mais importantes e atuais do desenvolvimento do Estado no período analisado: aspetos que afetam, em maior ou menor grau, grupos sociais e da sociedade e que influenciam diretamente, mais ou menos, o desenvolvimento do Estado. É possível distinguir dois grupos de obstáculos: 1) desafios mais orientados para a positividade ou neutros; e 2) obstáculos que afetam negativamente o desenvolvimento do Estado. Em muitos casos, os obstáculos encontrados no caminho do desenvolvimento do Estado são diretamente designados como desafios, por exemplo:
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(29) No entanto, temos de ver e compreender todos os desafios de longo prazo, que vão muito além de um simples acordo de cessar-fogo.
(30) Globalizacijos iššūkiai verčia Baltijos jūros regiono bendradarbiavimo erdvėje pasukti nuo sektorinės prie multisektorinės kooperacijos.
(31) No exemplo, declara-se que a Lituânia enfrenta enormes desafios, tanto internos como externos, que nos levam a estar alerta e a refletir. Outra ideia é a de que se trata de uma propaganda política dissimulada para votar no partido TS-LKD, que promete superar os desafios mencionados.
(31) Assim, a Lituânia enfrenta enormes desafios, tanto internos como externos. Seria bom que, pelo menos depois das eleições, tivéssemos um governo capaz de enfrentar e resolver esses desafios.
A ideia declarada de que os conservadores são capazes de enfrentar e superar os grandes desafios pode, a princípio, dar esperança; por outro lado, a declaração exagerada de ambições políticas suscita dúvidas quanto à sua concretização. Além disso, o uso de adjetivos como enormes, de longo prazo e do substantivo globalização é característico do pathos político dissimulado; isto é, tenta-se sugerir indiretamente que se é capaz de enfrentar grandes desafios duradouros e globais, embora talvez se queira dizer, ao mesmo tempo, que superar esses desafios exige muito esforço, tempo, competência e circunstâncias políticas, económicas e sociais favoráveis.
Os conservadores veem, de facto, muitos e variados obstáculos que afetam negativamente o desenvolvimento do Estado. Obstáculos como abismos sociais e económicos, um profundo poço económico, um pântano de crimes contra a humanidade e a sociedade, um beco sem saída podem ser associados ao esquema imagético do CAMINHO, baseado na experiência sensório-motora; isto é, os conservadores conceptualizam metaforicamente os problemas sociais e económicos do Estado como um abismo, um poço, um pântano e um beco sem saída, por exemplo:
(32) Se as coisas continuarem assim, no futuro poderão surgir grandes abismos sociais e económicos.
(33) No programa do nosso partido, respondemos a perguntas como como não cair num poço económico profundo, como sair dele depois de cair e como não ficar entre os atrasados da Europa.
(34) É paradoxal que, quanto mais e mais veementemente (é verdade, apenas em palavras) lutamos contra os males, mais nos afundamos no pântano dos crimes contra a humanidade e a sociedade.
(35) Durante muitos anos, a luta contra a corrupção ficou estagnada por razões subjetivas e pela falta de princípios do poder político, com uma consciência jurídica que chegou a um beco sem saída.
Além disso, o abismo, o poço e o pântano são obstáculos que surgem numa viagem e implicam uma direção descendente: cai-se num abismo, cai-se num poço e afunda-se num pântano. Essas metáforas orientacionais estão associadas a etapas negativas do desenvolvimento do Estado. O pântano evoca um lugar lodoso — um atoleiro — onde se afunda e se fica preso, e de onde é difícil sair. A metáfora do pântano usada pelos conservadores transmite de forma convincente o perigo dos crimes contra a humanidade. A metáfora do beco sem saída dá expressão a uma situação sem saída.
Nos exemplos (36), (37) e (38), as expressões recessões cíclicas e entraves burocráticos, burocracia persistente e inação das instituições estatais, caos generalizado são
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obstáculos ou desafios ao desenvolvimento do país, que também são percebidos como obstáculos encontrados numa viagem. Com base nos verbos que exprimem movimento e nos substantivos relacionados com a viagem levou a, incentivar a transição para, é necessário um caminho claro para superar, pode-se afirmar que esses obstáculos estão relacionados com os desafios ao desenvolvimento do país.
(36) A maioria das pessoas está desiludida com as ações do Governo de G. Kirkilas, que levaram a Lituânia ao caos generalizado em praticamente todas as áreas da administração do Estado.
(37) A concorrência estrangeira no setor da construção, as recessões cíclicas e os obstáculos burocráticos, bem como os erros de política, podem incentivar a transição de uma parte dos empresários da construção para outros setores empresariais, nos quais a rotação do capital é mais rápida.
(38) A Lituânia precisa de um caminho claro para o futuro e de prioridades significativas — estas são abordadas no programa da TS-LKD. São necessárias mudanças e coragem para as alcançar, bem como vontade de superar a burocracia enraizada e a inércia das instituições do Estado.
4.5. O modo de viajar — a estratégia de governo do país
No discurso político dos conservadores, o modo de viajar corresponde conceptualmente ao modo de governar o país, isto é, à escolha de como governar o Estado: se avançar lentamente ou depressa pelo caminho do desenvolvimento do país, competir ou avançar de forma consistente, trilhar corajosamente o caminho das mudanças ou dar os primeiros passos tímidos, entre outras possibilidades. No discurso político dos conservadores foram identificados vários modos de viajar entendidos como modos de governar o Estado, que podem ser divididos em quatro grupos segundo a intensidade do movimento:
O movimento, o mais fraco na escala de intensidade, está associado à economia, à ciência, aos negócios, à política de inovação e às indústrias criativas da Lituânia:
(39) A decisão relativa a ações concretas nos próximos anos revelará em que direção se move a economia lituana.
(40) [...] não há uma visão de para onde deve avançar a ciência lituana.
(41) O movimento das indústrias criativas pode desempenhar um papel particularmente importante no desenvolvimento das regiões e na redução das disparidades regionais.
Todos estes fenómenos económicos, sociais e políticos se desenrolam lentamente, de forma caótica e gradual no país, e esta evolução do Estado é descrita no discurso político dos conservadores por meio de verbos e das suas formas com a palavra direção e da preposição para — em que direção se move, para onde deve avançar; e pelo substantivo abstrato — movimento.
O passo é uma manifestação concreta do movimento, e o próprio conceito de dar um passo significa levar o pé para a frente ao caminhar e coliga-se frequentemente com a palavra passo — dar um passo. O ato de avançar está associado às mudanças, à política de inovação e aos negócios, às finanças, ao sistema educativo, à cultura e à saúde, por exemplo:
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(42) [...] Na Lituânia, seguir o caminho destas mudanças. (43) Nós já começámos juntos – demos o primeiro passo rumo a mudanças promissoras. Não paremos a meio do caminho. Unidos e corajosos, superaremos todas as dificuldades. (44) [...] A introdução do imposto sobre o património imobiliário seria um passo racional.
No discurso político dos conservadores, é bastante frequente a metáfora do passo ou dos passos, que implica o início de uma ação ou tarefa, iniciativa e determinação. Os conceitos de passo ou passos são usados com o numeral ordinal primeiro / o mais primeiro / os primeiros e com os adjetivos urgentes, direcionados, racionais; denotam um impulso positivo (direcionado, racional) no caminho do desenvolvimento do Estado, e o primeiro passo / os primeiros passos constituem uma colocação especialmente frequente tanto no discurso político como no uso corrente em geral.
Caminhar é uma das formas de deslocação mais intensas e direcionadas, pois, ao caminhar, percorre-se uma distância maior e alcança-se mais rapidamente o destino. O caminhar está associado às eleições, à crise económica, às reformas e à democracia, por exemplo:
(45) A TS-LKD participa nestas eleições propondo decisões sérias e responsáveis. A TS-LKD tem um plano para sair da crise atual. (46) Nos Estados com experiência democrática, percorreu-se um longo caminho até serem encontrados mecanismos de controlo eficazes. (47) Defendemos uma forma mais racional – seguir o caminho de reformas sensatas.
Caminhar, designado no discurso político dos conservadores pelos verbos e pelas suas formas vai, ir, sair, percorrido, é a forma de deslocação mais frequentemente usada quando se fala das eleições, às quais a TS-LKD se dirige de forma intensa, direcionada e deliberada. Além disso, os conservadores vão às eleições munidos de recursos adicionais (planos, programa, soluções propostas), que, por assim dizer, deveriam garantir uma forma mais direcionada e deliberada de deslocação enquanto modo de governar o Estado.
A corrida, associada à procura de superioridade, é a forma de deslocação mais intensa e, ao mesmo tempo, a menos enfatizada no discurso político do partido TS-LKD, por exemplo:
(48) [...] o desejo de competir na distribuição dessas promessas deve ser considerado uma obrigação dos partidos e dos políticos. (49) Então, terão também de competir com países terceiros.
Em comparação com as outras metáforas do discurso conservador, a metáfora conceptual da VIAGEM apresenta o maior número de correspondências conceptuais, o que mostra que o partido TS-LKD, nos seus discursos, se apoia em vários aspetos associados à metáfora da VIAGEM. O uso abundante de enunciados metafóricos que pressupõem a metáfora da VIAGEM mostra que os conservadores veem o Estado a percorrer o caminho do desenvolvimento, a tropeçar, a tentar reerguer-se e a superar os obstáculos que encontra pelo caminho.
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5. CONCLUSÕES
A metáfora conceptual da VIAGEM (O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO É UMA VIAGEM), no discurso eleitoral de 2008 da TS-LKD, manifesta-se em três dimensões linguísticas e mentais — a linguagem, o pensamento e a retórica — que estão estreitamente relacionadas e entrelaçadas. Os três segmentos contribuem para construir um discurso político persuasivo e eficaz que, nos níveis linguístico, percetivo e retórico, influencia os sentimentos e os pensamentos do destinatário e o incentiva a tomar determinadas decisões.
A metáfora conceptual da VIAGEM ajuda a revelar a ideologia e as posições políticas dos conservadores através da linguagem, ou seja, do nível linguístico: por meio de expressões metafóricas que pressupõem a metáfora conceptual O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO É UMA VIAGEM, característica do discurso eleitoral da TS-LKD em 2008, e que ajudam a revelar posições e ideias políticas. Nas expressões metafóricas características do discurso da TS-LKD avançar pelo caminho da mudança, seguir o caminho de reformas sensatas, enfatizam-se as possíveis mudanças no Estado, enquanto a imagem metafórica do CAMINHO simboliza, por assim dizer, a procura de soluções racionais e de novas possibilidades. O conceito de caminho errado (deixar de andar por caminhos errados; os caminhos errados das promessas vazias e do populismo) implica a gravidade dos problemas sociais, económicos e políticos do Estado e as suas possíveis consequências.
A metáfora conceptual da VIAGEM ajuda a revelar as posições da TS-LKD através do pensamento, isto é, dos correspondentes conceptuais abrangidos pelos domínios de origem e de destino; as expressões metafóricas, por sua vez, ajudam a compreender as metáforas conceptuais no nível percetivo. Ao pensar a política ou o Estado como uma viagem, os políticos usam vocabulário próprio do campo semântico da viagem. Ao pensar o desenvolvimento do Estado como uma viagem, os conservadores usam o vocabulário próprio do conceito de viagem: o destino da viagem, pertencente ao domínio de origem (VIAGEM), corresponde conceptualmente ao objetivo do Estado no domínio de destino (DESENVOLVIMENTO DO ESTADO); o sujeito que se encontra na estrada corresponde ao Estado; a estrada percorrida corresponde à política de mudanças e reformas do Estado; as ações realizadas no caminho correspondem ao desenvolvimento do Estado; a direção da estrada corresponde à tendência do desenvolvimento do Estado; os sinais de trânsito correspondem às orientações políticas; os obstáculos no caminho, aos desafios económicos e sociais, etc.
A metáfora conceptual da VIAGEM ajuda a revelar a ideologia dos conservadores através da retórica, isto é, do poder de influenciar e manipular. A expressão metafórica Votarão por uma Lituânia dinâmica, e não estagnada resume, por assim dizer, o objetivo retórico: influenciar os pensamentos dos eleitores, manipular os seus sentimentos e emoções e despertar as suas ambições e esperanças pessoais, para que votem na TS-LKD nas eleições para o Seimas.
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Cognitive Analysis of the Campaign of the Homeland Union – Lithuanian Christian Democrats for the Lithuanian Parliamentary Elections of 2008: Conceptual Metaphor of JOURNEY
S U M M A R Y
The paper focuses on the conceptual JOURNEY metaphor of the Lithuanian Conservative Party in the 2008 election campaign. The aim of the study is to analyse how the JOURNEY metaphor reveals political ideology via language (metaphorical expressions), thought (conceptual metaphor) and rhetoric (power of rhetorical impact and manipulation). The research is carried out within the Critical Metaphor Analysis framework, which blends the Conceptual Metaphor Theory and Critical Discourse Analysis, suggested by Charteris-Black (2005). The cognitive analysis showed that Lithuanian Conservative Party tends to conceptualize 2008 General elections as a journey, or to be more exact, the development of the country (its progress or regress) is comprehended through the JOURNEY metaphor. In terms of conceptual correspondences, the path is the most recurrent element which acquires metaphorical importance. Moreover, the PATH image schema which underlies the conceptual metaphor of JOURNEY implies the direction and movement forward as conceptually corresponding the ways to achieve particular political goals. The findings indicated that the JOURNEY metaphor is one of the most elaborate metaphors in terms of scenario development in the Conservative discourse and this metaphor allows us to decode political ideas that politicians try to highlight or hide. Moreover, it has to be admitted that metaphorical expressions of the JOURNEY metaphor have a rhetorical function to persuade the electorate to vote for them.
Įteikta 2014 m. kovo 19 d.
JURGA CIBULSKIENĖ
Lietuvos edukologijos universitetas
Studentų g. 39, LT-08106 Vilnius, Lietuva
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ROMA JAGMINAITĖ
Gamtos tyrimų centras
Akademijos g. 2, LT-08412 Vilnius, Lietuva
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