Page 1PASTABOS, SVARSTYMAI, SIŪLYMAI, SMULKMENOS
SISTEMAS DE UNIDADES: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS, MALES REAIS E APARENTES
O que mais nos interessa aqui são questões atuais e muito concretas: a normalização dos termos, o cumprimento das normas, o caráter lituano e a correção dos termos, especialmente os termos dos sistemas convencionais de unidades de contabilidade. Para que o sentido desse sistema fique mais claro, começamos um pouco ab ovo. Então se percebe não só que este já é o quarto sistema de unidades, mas também muitas coisas relativas ao primeiro — temas atuais claros, reais e até inesperados, além de interessantes aspectos etnolinguísticos.
I. Unidades naturais e artificiais
Se é verdade que há tanta ciência quanto medições, então o ser humano, desde tempos imemoriais, tende à ciência — ou, mais precisamente, é levado a ela pelas exigências da vida. Contudo, o ser humano das civilizações primitivas baseava-se aqui, da maneira mais elementar, em si mesmo e na experiência empírica da vida, ao passo que a ciência exata se apoiava nas essências dos fenômenos naturais investigadas teórica e experimentalmente. Há um princípio comum — a base é natural —, mas a diferença também é fundamental. E a que mais se impôs (obrigatória na ciência) foi uma unidade de medidas inteiramente artificial: o sistema métrico.
1. Medidas populares naturais — derivadas do corpo humano e da sua vida. Ao filósofo Protágoras (que também prestou grandes serviços à gramática) é atribuída a máxima (as obras não sobreviveram — supõe-se que tenham sido queimadas publicamente) homo mensura – o homem é a medida de todas as coisas (Antikos žodynas 1998: 155, Halder 2002), sem conhecer sua continuação — das que existem, que existem, e das que não existem, que não existem (Halder 2002) — nem o comentário: «já não é o Estado que determina o que o homem deve fazer e o que é proibido, mas ele próprio» (Antikos žodynas 1998: 155); a máxima é interpretada arbitrariamente, embora com bastante fundamento, também em termos… metrológicos. De fato, muitas medidas populares de várias regiões derivam do corpo humano: pé, passo, braça, medida, côvado, envergadura, palmo, palma, pulso, mão-cheia, dedo (na transversal), «klupsnis» — «da ponta do dedo grande até à primeira articulação», DŽ. Em Pilviškiai, com 8 apertos, mediam a maça do mangual segundo o próprio corpo: — Aonde vais? — À floresta. — Para quê? — Madeira. — Que tipo? —
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Page 2Skroblaitis. – Kami? – Bruožči LKŽ XII 1981: 1092. Pirštas matuojamas ne tik lašinių storumas kaime – net mokslinė anatomija turi terminą dýlikapirštė žarna. Panašių yra ir kitakalbių: colio (iš vok. Zoll „muitas“ – iš gr. telos „mokestis“) rusiškas pavadinimas duom yra iš ol. duym „nykštys“; senovės graikų sidabrinė moneta ir svorio vienetas drachmė – „sauja“. Žinoma, pradžioje tai buvo apytiksliai matai.
Havia também outras medidas populares naturais aproximadas — vara, ou verga, pedra, concha, conchinha, karis, barril, arado, birkavas (do nome da cidade normanda de Birkas — 10 pūdai), stuopa, gorčius, margas, ūbas. Destaca-se o svaras, relacionado com o ato de medir pesando, bem como os empréstimos pūdas, valakas. Algumas unidades diferentes de regiões distintas têm uma base semelhante: o jūgeris romano, «tanta terra quanto uma parelha de bois (lat. iugum [isto é, jugo]) consegue arar num dia» (Antikos žodynas 1998: 398; aqui, a forma errada jugeras) — margas, «área que uma pessoa consegue arar ou ceifar antes do meio-dia» (Morgen — «manhã») —, o žagrė báltico dos séculos XIII–XVI, «área de terra arável trabalhada num ano por uma parelha de bois ou por um cavalo»; svaras (sverti) — gr. tálanton, «peso» —, o eslavismo pūdas, derivado do escandinavo pund, «libra» (cf. ingl. pound, «libra», lat. pondus, «peso; peso-padrão, contrapeso» (de pendō, «peso», cf. pendeo, «estou pendurado», perpendeo, «equilibro», perpendicularum, «fio de prumo»); os romanos deixaram uma pequena unidade de peso, o granas (0,065 g), do lat. granum, «grão; partícula», portanto contavam (e não pesavam) em grãos; e ainda hoje os suvalkianos troçam do avarento: até conta os grãos, quantos põe na panela, Pilviškiai.
Mais tarde, os valores dessas medidas foram estabelecidos por padrões. Contudo, os próprios padrões variavam conforme os povos, as regiões ou as épocas. Por exemplo, o stadijas (de onde também vem stadionas, «estádio») variava muito na Grécia antiga: o de Pítia tinha 165 m, o de Delfos, 177 m, o da Ática, 184,98 m, o de Olímpia, 192 m, e o dos jônios, 210 m. Segundo a lenda, o comprimento da pista do stadionas (reta, não circular como é hoje) era de stadijas — 600 pés de Héracles (o stadijo da Ática equivalia a 625 pėdos gregos) —, mas não se sabe por que o pėda de cada herói grego era diferente. É pouco provável que fosse de origem grega, ou derivado do pé, pois já existia na Babilónia (195 m). O stadijo é muito interessante
¹ Nas traduções do TŽŽ de 1951 e 1969, distingue-se de forma infeliz margas (pol. morg), «medida de terra na Polónia, equivalente a cerca de 0,56 ha», TŽŽ 1969, e morgenas (al. Morgen), «medida de terra na Alemanha (0,26–0,36 ha) e em alguns países da África do Sul (0,6 ha)», TŽŽ 1960 (nas edições posteriores do TŽŽ não aparece nenhum dos dois, por não serem palavras internacionais).
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Page 3A interpretação natural do valor é a distância que uma pessoa percorre enquanto o disco do sol nascente, desde o momento em que sua borda aparece, se eleva completamente acima do horizonte (têm fundamento bastante semelhante o persa farsangas e o helenizado pursangas — «a distância que uma pessoa percorre em uma hora»). Os romanos fundamentaram a stadija à sua maneira: 125 passos duplos. A milha de origem romana — lat. mille passūs (passuum) — corresponde a mil passos duplos.
Mais tarde, as medidas populares naturais também foram expressas em unidades do sistema métrico; por exemplo, a milha — 1478,7 m. A milha terrestre, ou postal, milha (mi) da Grã-Bretanha, dos EUA e de outros países anglo-saxónicos mede 1609,344 m. Aqui, levou-se em conta o comprimento do passo. Porém, ao ser calculada pelo sistema métrico, a milha passou também a basear-se em outras medidas desse sistema — assim, a milha geográfica — o comprimento de um arco de 1/15° do equador terrestre — distanciou-se bastante: 7421,6 m (na Rússia e na Lituânia, a milha mede 7467,4 m); a milha marítima alongou-se relativamente pouco — corresponde ao comprimento de um arco de 1' do meridiano geográfico à latitude de 45° — 1852,3 m (à latitude da Inglaterra, 1853,18 m); desde 1929, a milha marítima internacional (INM) mede 1852 m. A unidade humana de velocidade de um navio, o nó (kn), corresponde a 1/120 de uma milha marítima de cabo (corda com uma âncora flutuante), lançada pela popa por um marinheiro durante 30 s — 1,852 km/h.
Os padrões métricos das medidas populares variam muito de uma região para outra: o margas no Grão-Ducado da Lituânia — 0,71 ha; na Lituânia Menor — de 0,25 a 0,56 ha; na Užnemunė, desde 1819, o margas polaco — 0,56 ha; o talento de grãos correspondia a 25,5–26,2 kg de cobre (equivalia a um anel de ouro de 8,5 g), enquanto em outras regiões do Oriente era mais pesado e o bíblico pesava 41,4 kg. O pūdas equivale a 16,3805 kg, ao passo que a libra variava bastante: a romana (libra) — 327 g; a lituana (até 1920) — 365,47 g; na Lituânia, durante o período czarista, a libra russa — 409,512 g; a libra russa propriamente dita — 374,158 g; a de Berlim — 374,72 g; a de Klaipėda — 413,05 g; a prussiana, até 1839 — 467,711 g; na Užnemunė, desde 1815, a nova libra polaca — 405,504 g; a libra comercial (lb av) da Grã-Bretanha e dos EUA — 453,592 g; a libra farmacêutica — 358,323 g.
2. Libra esterlina e onça troy. A libra também é uma moeda: a libra esterlina – pound sterling da Grã-Bretanha (mas conhecida pela forma latina libra – Stg £) — «libra de valor pleno, isto é, pura, de teor determinado»; a Irlanda, o Egito, Chipre, o Líbano e a Síria também têm a libra (que também existiu na Austrália, Nova Zelândia, Peru, África do Sul, Rodésia, Sudão, Uganda, Zâmbia etc.); a Itália e o Vaticano têm a lira (L), Malta (Lm) e a Turquia (TL) também têm a lira, que também significa «libra»; a livre francesa dos séculos IX–XVIII livras (francês livre) também significa «libra» (em 1795 foi substituída pela unidade do sistema decimal, o franco). A libra esterlina é tradicional
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Page 4denominação; seu significado — «unidade monetária da Grã-Bretanha, igual a 100 pence» TŽŽ 2001 (os chamados novos pence; até 1971 — 20 xelins ou 240 pence LTE X 1983) — afastou-se do significado original: ingl. sterling — «de toque determinado, puro, de valor integral», sterling — 1. ant. «medida inglesa de pureza e peso: ouro — 11/12, prata — 0,925 (após 1920 — 1/2); até 1526 era dividida em 160 pence de peso», 2. ant. «moeda inglesa de prata, cunhada desde 1180; no século XIII equivalia a uma libra de prata, ou 20 pence de prata, isto é, a 1 penny de ouro» (Buračas 1999), também chamada penny grande (LTE X 1983). Aliás, essa distância é característica de muitos nomes antigos — florim, gulden, zloty… Sterling hoje é simplesmente «toque das moedas inglesas de prata e ouro» DŽ₄.
Unidades menores e maiores estão frequentemente relacionadas numericamente: entre os romanos, passo duplo – 5 pés; braça comum (de ponte) – 6 pés – 1,95 m, braça grande – 9 pés – 2,84 m; vara – 7,5 côvados – 4,87 m, côvado – 1,5 pés, pé – 16 dedos; pedra – 40 libras lituanas – cerca de 14–15 kg, pūdas – 40 libras. Existe até uma unidade coeficiente desse tipo: a onça: latim uncia, «duodécima parte» (até, por exemplo, de uma herança), como onça de jugero – 209,91 m², onça de pé – 24,6 mm (aliás, próxima de polegadas – 25,4 mm), as (libra de cobre – cerca de 327 g): onça – 27,25 g; a onça da libra romana (de peso – 27,116 g, de moeda – 27,288 g). A onça da libra difundiu-se também em outros países: a francesa (francês once, conhecida desde 1138) – 30,594 g; na Grã-Bretanha e nos EUA, a onça comercial – 28,3495 g (onça líquida: Grã-Bretanha – 28,4123 ml, EUA – 29,5729 ml), farmacêutica e joalheira, ou troy, onça – 31,1035 g.
A onça troy não é apenas uma unidade joalheira e farmacêutica, mas também uma medida de bolsa — nela existe ainda a libra troy — 12 onças troy — 373,242 g (ao passo que 16 onças troy equivalem à libra da Grã-Bretanha — 453,592 g), bem como a dracma troy — 3,888 g (8 formam uma onça), e o grão troy — 0,065 g (60 formam uma dracma). A rigor, a onça troy é um absurdo (que relação tem com isto a histórica Troia, destruída e queimada há três milênios?!) — tal como a libra esterlina (já não existe coisa alguma chamada sterling). A diferença é que a libra esterlina não suscita controvérsia nem é contestada: é um termo tradicional. Troia — em inglês Troy; o adjetivo é Trojan (variante rara: Troyan): Trojan horse — cavalo de Troia. Mas «onça troy» é troy ounce / ounce troy, «libra troy» é troy pound / pound troy. Há também simplesmente troy — «um sistema de pesos em que 12 onças troy formam uma libra, <…>» (Webster’s Comprehensive Dictionary 1996), bem como troy weight — «uma série de unidades de peso, baseada numa libra de 12 onças e numa onça de
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Page 520 pennyweights ou 480 grains – 0,3732417266 kg* (Webster’s Dictionary Unabridged 1981), enquanto o adjetivo troy deriva do francês Troyes (lit. Trua) — “city in France where it was prob. introduced” (mas seu uso é restrito — “expressed in troy weight”, Webster’s Dictionary Unabridged 1981) —, sendo especificamente associado à unidade de peso usada nas feiras realizadas ali (Webster’s Comprehensive Dictionary 1996). O especialista em moeda A. Buračas apresentou três versões diferentes em três ocasiões (em parte, até em inglês): troy ounce – trojos (monetinė) uncija, troy – trojos (brangiųjų metalų ir brangakmenių svorio matų) svorių sistema (Buračas 1980); em 1994, não especifica sequer a onça e chama a libra de 373,242 g de brangenybių svaru (Buračas, Svecevičius 1994: 479); Troy Ounce — “unidade de peso do ouro e de outros metais preciosos, Trojos (na França) uncija, equivalente a 31,1035 g ou a 1/12 de uma Tr. svaro, ou 480 grãos” (Buračas 1999). Troja na França — uma descoberta geográfica… Troja – em francês Troie, enquanto o centro histórico da Champagne francesa é Troyes. Troyes está associada à tribo celta dos tricastinos (lat. Tricastini, fr. Tricasses, ingl. Tricasse) e à sua cidade, chamada Augustabona no Império Romano, denominada Tricassium no século III e Trecæ no século V (Dictionnaire des noms propres 1995). Aliás, os próprios autores desse nome atribuem-no inteiramente aos vizinhos: troy — “Nome dado, na Inglaterra, à série de pesos usados para matérias de ouro e prata” (Dictionnaire encyclopédique 1900); hoje nem sequer o mencionam (não consta de Dictionnaire de la langue française 1993). Tampouco o têm os poloneses na seção francesa (não consta de Słownik języka polskiego 1967 nem de Encyklopedia powszechna 1968). Os alemães fazem a distinção — trojanisches Pferd, mas Troygewicht — e os russos também — троянский конь, mas тройская унция. Talvez ela tenha sido entendida como onça trinitária ou farmacêutica DokŽin 1988: 122, assim como libra trinitária ou farmacêutica DokŽin 1988: 123 — supostamente, ternária (ouro, prata, pedras preciosas), mas desse modo também se poderia “justificar” uma quaternária (libra, onça, dracma, grão). A ideia de trindade também fundamenta uma versão anterior, embora sem a palavra trinitário: troy — “tal sistema de pesos (para ouro, prata, pedras preciosas)” ALKŽ 1975. Já em 1953, registra-se troy svaras LE I 1953: 424. Há também a forma adaptada ao lituano troy: troy weight — “sistema de medidas trojinė (na Grã-Bretanha)” ALKŽ 1998. A forma Trojos uncija também foi e continua sendo difundida: LTE X 1983, VLE I 2001: 216 (nx), 217. TŽŽ 2001 — Trojos uncija, também Trojos drachma, bet trojos granas. Já existe também a variante mais próxima da realidade: onça farmacêutica, onça trua (oz tr, oz ap), libra farmacêutica, libra trua (lb tr, lb ap), dracma farmacêutica, dracma trua (dr tr, dr ap) – 3,88793 g (TechEnc I 2000: 660). Mas por que primeiro farmacêutica, e não trua — a abreviatura primeiro tr, depois ap.
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Page 6E por que, afinal, não Tito? Naturalmente, aqui há uma grafia incorreta (mas difundida) — na VLE III há até corte cesariano, embora até hoje na imprensa aparecesse apenas corte de César. Assim, permanece a tradição da onça de Troia, com um punhado de variantes, e revive também a raiz genuína — a raiz de trų. Aqui pode ser necessária também uma decisão da Comissão Estatal da Língua Lituana.
3. Funtas, futas, diuiimas e outras russificações de origem germânica. Os lituanos não tomam emprestados os nomes das unidades de medida que já possuem. Algumas línguas, porém, fizeram de outro modo. O russo, que acumulou tais empréstimos, também nos passou alguns durante a era soviética. A russificação mais desajeitada, difundida sobretudo por tradutores ineptos, foi funtas (russo фунт vem do polonês funt, por sua vez do alto-alemão médio phunt, correspondente ao alemão Pfund, derivado do latim pondus). A palavra lituana pėda, assim como o antigo empréstimo colis, resistiram melhor. No entanto, em 1988, o Manual de documentação e ortografia apresentou um amontoado de russificações: funtas — 453,6 g, funtas troy ou avoirdupois — 373,2 g, uma stone — 14 funtas, DokŽin 1988: 123, futas = 12 diuiimas — 0,3048 m, diuiimas — 2,54 cm, DokŽin 1988: 122. Trata-se de uma tabela de unidades da Grã-Bretanha e dos EUA, mas, na verdade, não são anglicismos, e sim russificações; apenas фунт e стоп têm origem inglesa (inglês foot — «pé», stone — «pedra»), enquanto funtas é de origem alemã e diuiimas, holandesa (inglês inch; a propósito, K. Gaivenis também encontrou, em traduções, o estrangeirismo inčas...). A tabela apresenta também, entre parênteses, os nomes lituanos: funtas (em lituano svaras (ant.) — 409 g), DokŽin 1988: 123; futas (em lituano pėda — 22,2 cm (= 32,5 cm)); diuiimas (em lituano colis), DokŽin 1988: 122. Simplesmente, diante dos diferentes valores das medidas lituanas e inglesas, não se soube expressá-los em lituano como libra inglesa, stone inglesa, pé inglês. Mas por que incluir também diuiimas, se o seu valor não difere do do colis?
4. Unidades científicas naturais. Há também algumas medidas populares naturais que são internacionais (sobretudo as antigas), mas não são universais. Assim, algumas servem para o comércio internacional e outras práticas mais amplas, mas nenhuma serve para a ciência. A ciência criou e aperfeiçoa um sistema internacional de unidades, cujas grandezas físicas têm «dimensões escolhidas para facilitar o uso», e cujas unidades são «livremente escolhidas e independentes», LTE XII 1984. Esse é o sistema métrico, ou decimal, de unidades. A denominação métrico é bastante ambígua: métrico não deriva de metro, mas do grego metron — «medida» — e metreō — «medir». Decimal significa que as unidades podem ser múltiplas ou
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Page 7fracionárias — multiplicadas ou divididas por potências de dez. Os fundamentos desse sistema foram estabelecidos por uma comissão dos mais eminentes cientistas franceses. Por decreto da Assembleia Nacional de 30 de março de 1791, aprovou-se a unidade de comprimento, o metro, escolhida livremente, mas inteiramente não natural: a quadragésima milionésima parte (1/40 000 000) do meridiano geográfico de Paris; e a unidade de massa (na linguagem corrente, de peso), o quilograma, definida como a massa de 1 dm³ de água destilada a 4 °C no vácuo (uma base de medida mais natural, mas inteiramente diferente, seria alguma fração da massa da Terra). Em 1795 foi introduzida também a unidade monetária centesimal, o franco, enquanto a libra esterlina só se tornou centesimal em 1971. Aqui se vê claramente o modo diferente de agir dos povos: o conservadorismo e naturalismo ingleses, e o caráter inovador, até revolucionário e artificial, dos franceses (essa diferença é bem visível na arte dos jardins: o jardim geométrico, ou formal, à francesa, e o jardim paisagístico, ou de estilo natural, também chamado livre, à inglesa, LTE VIII 1981).
Em 1851, K. F. Gausas e W. E. Webcris criaram, com base na ideia e na versão inicial do primeiro, um sistema simétrico — CGS (centímetro, grama, segundo) de unidades, mas ele não se tornou universal, embora «ainda seja usado em trabalhos teóricos de física e astronomia», VLE III 2003. Em 1875, 17 países assinaram a Convenção do Metro. Na Lituânia, o sistema métrico foi introduzido em 25 de maio de 1920.
Assim, o metro é a unidade mais artificial, e o quilograma é a unidade fundamental, mas múltipla. A ideia de naturalidade, contudo, permaneceu viva. É claro que não são naturais apenas as coisas relativas ao corpo humano e à vida cotidiana, mas também as medidas dos fenômenos físicos. Na ciência, os sistemas naturais de unidades são «sistemas de unidades cujas unidades fundamentais são constantes físicas, <...>» (a constante gravitacional, a velocidade da luz no vácuo etc.); assim, aqui «a dimensão depende dos fenômenos da natureza», LTE VIII 1981. No início do século XX, o alemão M. Planck e o inglês D. R. Hartree criaram unidades desse tipo e vários sistemas baseados nelas. Por exemplo, a unidade de massa de Hartree é a massa de repouso do elétron — 9,109534·10⁻³¹ kg (LTE IV 1978). Seus valores diferem muito dos das unidades métricas: algumas são extraordinariamente pequenas, outras extraordinariamente grandes. Não foram criadas para uso prático.
Tačiau jie padarė poveikio ir 1960 m. XI Generalinės matų ir svarščių konferencijos (GMSK) patvirtintai tarptautinei vienetų sistemai, arba SI (pranc. Système International) LTE XII 1984. Antai tas dirbtinis metras čia grindžiamas jau fiziškai – „atstumas, kurį vakuume nusklinda šviesa per 1/299792458 sekundės dalį“ (1983 m. XVII GMSK) TechEnc I 2000: 648. Gana natūralų pagrindą turi senasis šilumos vienetas Celsijaus skalės (pagal vandens užšalimą ir virimą) laipsnis – dabar tarptautinės sistemos
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Page 8derivada, enquanto a unidade fundamental é o kelvin (maior em 273,15°); a propósito, também é natural, pois se baseia no segundo princípio da termodinâmica.
Há unidades naturais na astronomia: parsec, ano, ano-luz.
Assim, as unidades naturais decorrem da própria essência da ciência.
II. Unidades verdadeiras — físicas, naturais, factuais — e recalculadas (reduzidas, equivalentes, de referência) — convencionais
É possível arar com tratores de cerca de 15 AG e 100 AG — esses são tratores físicos. Uma pessoa pode ter 10 tratores de 15 AG, outra, 10 tratores de 100 AG — será que têm a mesma quantidade? Com o mesmo trator, é possível arar 10 ha de restolho (escarificação), 10 ha de terreno de batata (aradura profunda) e desbravar 10 ha de terra virgem — hectares naturais são iguais neste caso, mas será que os hectares de aradura são iguais? Uma tonelada de centeio e uma tonelada de trigo — toneladas factuais são iguais, mas será que o rendimento e o valor são iguais?
Assim, para determinar a realidade, é necessária uma medida comparativa. Não se trata de um capricho estatístico, mas de uma necessidade. Há 30 anos, a publicação Žemės ūkio informacija (ŽŪI) já apresentava hectare natural, tonelada natural, índice natural ŽŪI 1972 10 36. Também já havia um coeficiente para converter tratores físicos em convencionais ŽŪI 1972 10 36. A distinção feita é expressa com clareza: Para avaliar mais objetivamente as condições de cultivo, em vez da remuneração do trabalho efetivamente realizado, adota-se uma remuneração convencional ŽŪ 1975 1 9. Também já se usavam recalculado e reduzido: приведённые затраты – custos recalculados (reduzidos) ETŽ 1966. É característico do nosso centro histórico que os maiores fluxos de tráfego (mais de 800 veículos reduzidos por hora numa direção) circulem pelas ruas mais estreitas <…> T 1973 228 2.
No início, ainda não se dizia simplesmente convencional, mas natural convencional: условный натуральный измеритель продукции – medida natural convencional da produção ETŽ 1966. Havia não apenas unidades convencionais específicas (hectares convencionais, toneladas convencionais etc.), mas também unidades convencionais: obtêm-se cerca de 19 quintais de unidades convencionais de colheita por cada hectare de terra agrícola T 1974 147 2. 10 milhões de unidades convencionais de tubos de drenagem T 1973 285 1. <…> foram produzidas 221 milhões de toneladas de fertilizantes minerais (em unidades convencionais) LŪ 1975 4 122².
2 Para este fim, antigamente se usava a palavra polissêmica virtual — «possível; que pode manifestar-se; que se manifestará»: comprimento virtual — glžk. «comprimento convencional do trecho reto horizontal
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Page 9O teor de gordura convencional do leite é chamado, desde há muito, de teor de referência (3,5, 3,8% ou outro valor estabelecido). Um produto lácteo com teor de gordura (2,5, 3,5 ou 4,5%), proteínas e outros componentes estabelecidos (não leite natural, mas produzido para se assemelhar a ele) é chamado leite normalizado. Há também outros valores de referência, por exemplo: gás natural com poder calorífico de referência LA 1993 74 4. O consumo de energia às vezes é expresso em toneladas equivalentes de petróleo. Combustível convencional é «combustível cujo calor inferior de combustão é considerado igual a 29,3 MJ/kg (7000 kcal/kg) na URSS» LTE X 1983; ver também LTE IV 1978: 263.
Esse método de conversão se consolidou e se difundiu — havia até animal convencional ŽŪ 1974 2 33, gado convencional T 1973 162 1, 167 1, 1974 254 1, ŽŪ 1974 9 34. Difundiu-se rapidamente, mas durante bastante tempo a terminologia não se estabilizou — até nos dicionários se encontrava a tradução literal condicional: combustível condicional – условное монливо ChTŽ 1960, mas ETŽ 1966 registra combustível convencional, enquanto ŽUTŽ 1971 volta a combustível condicional; madeira condicional «unidade de medida da madeira usada para facilitar a contabilidade» — условный материал – bedingtes Holz MATŽ 1971 (MTŽ 1998 – madeira convencional «conceito de madeira usado para facilitar a contabilização da secagem da madeira, correspondente aos seguintes indicadores: tábuas aparelhadas de pinho da categoria II de qualidade de secagem, com 40 mm de espessura, 150 mm de largura e mais de 1 m de comprimento, cujo teor de umidade inicial é de 60% e o final de 12%» — условный пиломатериал – Einheitsholz – conventional wood, wood in boards), нахота мягкая – aradura condicional (suave) ŽŪTŽ 1971; largura condicional do tecido TkstTŽ 1962.
Na imprensa periódica, convencional e condicional eram usados de maneiras muito variadas: hectares convencionais T 1973 246 1, 1974 157 2, Šv 1973 7 9, ŽŪ 1974 2 5, 6, ararou 2.200 hectares de aradura convencional T 1973 107 1 — ceifou 190 hectares condicionais de cereais T 1973 203 1; trator convencional ŽŪ 1974 2 14, 15, conjunto convencional T 1973 144 1, 1974 160 1; combustível convencional T 1973 167 2, 190 4 — combustível condicional T 1973 83 4; tonelada convencional 1974 125 4 — toneladas condicionais MG 1974 5 11; fertilizantes minerais — 4,9 milhões de toneladas (em unidades condicionais) T 1973 248 3;
de estrada que exige o mesmo trabalho (a mesma quantidade de tempo e combustível) para ser percorrido que um trecho real de estrada com todas as suas subidas» TŽŽ 1951, temperatura virtual do ar úmido — «temperatura que teria o ar seco, à pressão existente, com a mesma densidade» TŽŽ 1969. Hoje, comprimento convencional das estradas GeĮž 1977, temperatura reduzida PTŽ 1984, enquanto virtual se difundiu com novos sentidos múltiplos (ver GK 2003 8 6–7).
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Page 10foi possível economizar <…> cerca de três mil metros cúbicos convencionais de madeira tecnológica T 1982 44 1 – foram fabricados tubos de drenagem – 601 quilômetros condicionais T 1973 96 2; diâmetro condicional T 1973 230 1, 239 1, Šv 1973 23 2, diâmetro condicional T 1973, 168 3; tubos convencionais T 1973 223 2 – tubinhos de drenagem condicionais T 1973 230 1; recipientes convencionais Šv 1974 5 3, M ir T 1975 2 2 – recipientes condicionais T 1973 219 2; caixas convencionais T 1973 158 2 – caixas condicionais T 1973 249 3; também frasco condicional T 1973 255 2, tijolos condicionais T 1973 249 1, 1974 173 1, blocos condicionais T 1974 173 1, chapas condicionais T 1973 249 1. Muitas vezes, era simplesmente condicional, por exemplo: Cada metro por segundo da velocidade do vento aumenta gradualmente, de maneira condicional, a intensidade da geada. Há dias em que, com geada intensa e vento forte, a geada chega a menos cem graus condicionais MG 1974 5 18; economia convencional M ir T 1973 11 16, efeito econômico convencional M ir T 1974 6 36.
Num artigo de 1975, Termos convencionais de contabilidade, Antanas Balašaitis observou que o russo условный «é traduzido por palavras diversas: convencional, condicional, equacional, relativo, artificial e outras», e que «as unidades de medida em questão não dependem de quaisquer condições objetivas nem delas decorrem, mas são objeto de acordo entre economistas e planejadores» (Balašaitis 1975: 18).
O artigo breve de A. Balašaitis teve impacto: os significados das palavras condicional e convencional foram precisados em dicionários e enciclopédias. Condicional já no DŽ₁,₂ era explicado pelo exemplo acordo condicional. Conhecia-se até da escola o reflexo condicionado, e, num sentido mais restrito, retração condicional (em oposição a universal) do acento, probabilidade condicional, igualdade, equação, zero condicional, média; depósitos condicionais: assim são chamados porque, ao abrir uma conta, estabelece-se certa condição que restringe o levantamento do depósito, e o depositante só pode utilizar esse depósito após cumprir a condição estabelecida T 1982 179 4. Condicional tem também o sentido 3: «que na realidade não existe, imaginado, simbólico» LKŽ XII, por exemplo: tentemos descobrir que destino terá a “criança de cinco bilhões” (não se trata da criança condicional cujo nascimento foi assinalado na Jugoslávia por uma resolução da ONU, mas de crianças da mesma idade igualmente condicionais em várias regiões) T 1988 77 3. Aqui também cabe condicional, embora na terminologia seja característico condicional: ativo contingente (contingent asset) – «ativo cujo valor não pode ser determinado com exatidão no momento presente, pois depende de acontecimentos e condições futuros», venda condicional, depósito condicional ŠETEŽ. Também há aqui combinações de significado não inteiramente claro: anaeróbio condicional, facultativo ALŽŪTŽ 1977.
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Page 11LKŽ XIV 1986 convencional, -a 3. «adotado como base de cálculo do volume de trabalho, dos recursos etc., de referência», DŽ, convencional 3. «acordado como medida ou base de contabilização»: unidades convencionais, depósitos. Agora se vê que a última definição carece de precisão: falta o componente semântico «recalculado por um coeficiente de valor». Unidades convencionais também podem não ser recalculadas; por exemplo, distingue-se o valor verdadeiro (de uma grandeza) — «o valor que obteríamos ao realizar uma medição perfeita», mas «os valores verdadeiros não são conhecidos»; por isso existe também o valor verdadeiro convencional (de uma grandeza) — em inglês conventional true value (of a quantity), em francês valeur conventionnellement vraie (d’une grandeur) — «para determinar o valor verdadeiro convencional, utilizam-se geralmente os resultados de várias medições dessa grandeza» («por vezes é chamado valor normativo, melhor estimativa do valor, valor convencional ou valor de referência») TP ir BMTŽ 1997. A palavra convencional tem ainda muitos outros significados, por exemplo: preço convencionado, juros convencionados, obrigações contratuais, trabalhos contratados etc.
O artigo de A. Balašaitis teve maior impacto entre os mais receptivos e compreensivos. Por exemplo: tanto гектар условный como гектар эталонный e гектар условный эталонный — hectare convencional ŽŪMTŽ 1983, условная единица — unidade convencional PTŽ 1984, условное топливо — combustível convencional PTŽ 1984, também LTE X 1983; 200 mil rublos de economia anual convencional T 1981 8 1. Contudo, continuou a aparecer com frequência «condicional»: animal condicional T 1983 299 2, gado condicional T 1985 198 1, produção pecuária condicional Šv 1975 10 12; de <…> hectare <…> obtiveram-se 28,5 quintais de produção agrícola condicional T 1984 101 1; entregámos 100 vacas e 100 novilhas — cento e cinquenta cabeças de gado condicionais M ir G 1976 4 36; toneladas condicionais T 1977 231 2; fertilizantes minerais — milhões de toneladas: convertendo para unidades condicionais correspondentes a 100 por cento de nutrientes T 1976 26 4; família condicional KV 1980 47 6, habitantes condicionais Šm 1983 6 11, efeito econômico condicional M ir G 1978 10 11; «um metro por segundo “acrescenta” dois graus condicionais de frio» T 1979 200 2; com 45 graus condicionais de frio, ou, como são frequentemente chamados, pontos condicionais de severidade, uma pessoa mal consegue suportá-lo T 1979 200 2.
O terceiro período de uso das denominações das unidades de contabilidade convencionais (condicionais) situa-se após o renascimento da Lituânia. Os especialistas continuam a usá-las como antes. Infelizmente, tornou-se ainda mais frequente o uso não recomendado de condicional: combustível condicional M ir G 1995 4 12, tijolos condicionais LA 1995 217 12. Para alguns, isso pareceu ser um fantasma da era soviética: «Na era soviética, havia um truque estatístico famoso: contabilizar unidades convencionais. Então, não se arava simplesmente um hectare, mas um hectare convencional; fabricavam-se unidades convencionais
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Page 12frascos de compota, cultivavam-se, por hectare convencional, determinado número de cabeças de gado convencionais» (Valentina Zinkevičienė, – LA 1997 36 5). Nada disso: havia unidades físicas e unidades convencionais calculadas a partir delas; umas não substituíam as outras. Havia truques, mas eram de outro tipo (lançamentos indevidos, baixas indevidas etc.). E o que resultou dessa crítica? Resultou nisto: Em média, cabe-nos 77 ha de terras agrícolas por trator (independentemente da sua potência) LA 1997 53 9. Não se consegue ou se teme (um truque?) escrever sequer trator físico? Para alguns, esse medo passou depressa: modelos condicionais LA 1997 38 9, tijolos condicionais LA 1997 180 22, mas «convencional» voltou a ser posto de lado. Alguns continuam a alardear: Na Lituânia, há em média cerca de 80 ha de terras agrícolas por trator (independentemente da sua potência), enquanto nos países da UE há apenas cerca de 20 ha ML 2002 11 19. Mais uma vez, deram trabalho inútil aos terminólogos e aos defensores da correção linguística…
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Jonas KLIMAVIČIUS
Gauta 2003-06-24
Lietuvių kalbos institutas
P. Vileišio g. 5, LT-2055 Vilnius
E. paštas [email protected]
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