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GIEDRIUS ALKAUSKAS

SOLENIDADES

Há uma porção de anos, enquanto esperávamos no salão do ginásio pelas solenidades de uma festa que nunca terminava, um escritor ourives, como quem não quer nada: – Quem, na tua opinião, é o maior aqui? – Mačernis – dizemos ambos. – Mačernis – e calamo-nos.

VYTAUTAS STULPINAS – POETA DO FLUXO ESTÁTICO

Quando, no inverno, em Telšiai, eu virava da rua Luokės para a rua Vilniaus, no quarto andar de um dos prédios de apartamentos havia sempre uma luzinha acesa. Eu sabia: Vytautas Telšietis estava agora no seu momento mais fértil. É em espaços assim que nascem os textos mais livres. Na gaiola de Justinaiškiai, na cabana de Sapiegíškis, no bloco de apartamentos.

Um poeta que arranca sempre uma nova continuação na luta contra uma doença extenuante. Mas nos versos não se vê esse cansaço. Aquele para quem a paz é apenas um arquipélago rarefeito na luta com os poderosos, no grande mar da luta. Mas nos seus versos não há oceanos. Um guerreiro que, na batalha, distingue apenas as dragonas de duas cores. E, no entanto, que ondulação nos versos! Entre os poetas, não conheci erudito maior. Apenas há poucas abstrações nos seus textos.

Silvicultor, carpinteiro, bibliotecário. Além da fitoterapia, não se esperariam dele outras conversas. E contará tantas histórias sobre a literatura do passado que essa genealogia de nomes por algum tempo esmagará contra o chão até o mais sensível dos escreventes. Também gosta de luzes intensas, para iluminar todos os cantos. Não apenas alegoricamente. Já em 1971, no concurso de jovens filólogos, foi notado e o próprio Marcelijus Martinaitis escreveu-lhe uma carta, guardada pelo destinatário como uma relíquia:

Vytautai, eu, como žemaitis, nos teus quadros «cheiro» a terra da Žemaitija, cuja alma foi desvelada um pouco mais na poesia por V. Mačernis.

O grande poeta preservou os versos do estudioso Vytautas e, depois de os devolver ao autor surpreso, ofereceu-lhos 30 anos mais tarde. Creio que nesta citação reside também a semente da criação de Vytautas

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Acta Linguistica Lithuanica LXXXV

Vytautas Stulpinas – poeta do fluxo estático

da poesia. A poesia deve permanecer poesia, mesmo que a traduzamos do dialeto para a língua padrão. Assim, Vytautas, como outrora Mačernis, escreve em lituano, mas pensa em žemaitis. Afinal, aquilo que distingue cada um não separa. E o Mačernis mencionado na carta... Que mais se pode dizer? Este ano, o ano jubilar, ouvimos de Vytautas muitas coisas sobre esta singularidade da terra dos žemaičiai.

Arrancando ainda e ainda mais um presente à vida — o tempo —, publicou o primeiro livro, «Didysis kambarys», apenas em 1998. Depois vieram «Noktiurno grėsmė» (2002), «Tykios utopijos» (2003). Estes dois foram editados pelo aukštaitis Jonas Strielkūnas. Depois, a trilogia «Pavėsiai» (2007), «Tolymės» (2013), «Vakarijos» (2016). Laureado dos prémios de Dionizo Poška e Salomėja Nėris. Na sua poesia não há mares, espaços indefinidos, universos, bolas de fogo. Se aparecem, são apenas como uma pequena onda de Tausalas, uma paisagem espacial vista do pavilhão do jardim, o farol de Kolka na Curlândia. Nos poemas, os estados são registados a partir de dias concretos, assinalados no calendário; por isso, não é fácil compreender e decifrar plenamente os poemas. São codificados acontecimentos concretos, pessoas, cintilações. É evidente que por trás de muitos textos se escondem histórias cujas chaves de decifração estão apenas na memória do autor. Quando se escreve sobre Cedronas, que corre para Varduva, compreendemos que estamos em Žemaičių Kalvarija. Mas, se é mencionado um pequeno abetal, não saberemos a localização exata. Mas será necessário? Como diz Vytautas, para ele todo o esoterismo são as colinas azuladas do outro lado de Tausalas, ao pôr do sol. Tudo. Quando todas as exterioridades e interioridades se acalmam, alcança-se o limite onde as leis da dinâmica deixam de vigorar. Instala-se a estática. Mas que fluxo é este! É verdade, Vytautas não gosta do sufixo –yb. Também não gosta da palavra «coração». Portanto — nada de grandezas nem eternidades. Apenas infinitude, apenas espacialidade. Seja, pois, assim: quando tudo se acalma, entra em ação aquilo que é mais importante: a essência da vida.

O poeta do fluxo já sereno e verdadeiro, estático.

Giedrius Alkauskas

Perspetivas / Insights

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