Anais do XVIII Encon o Anual de Ex ensão, 29,30 de se emb o e 1º, 02 e 03 de ou ub o de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X
ECOSSOCIODESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO DIGITAL NO CAMPO: A
EXTENSÃO COMO MEDIAÇÃO ENTRE SABERES E TECNOLOGIAS
Telma Regina S opa o1
E ika I aniski2
Ca oline Mazu 3
Michael Lemes Gomes4
E and o Augus o Baum5
João Anésio Bedna 6
Resumo
O abalho ap esen a as ações iniciais desen ol idas no âmbi o do p oje o de ex ensão
T ans o mação Digi al e Ecossociodesen ol imen o, ealizado em comunidades u ais do município
de Inácio Ma ins (PR), cujo oco é a ce i icação ag oecológica pa icipa i a como es a égia de
alo ização e i o ial e o alecimen o da ag icul u a amilia . A p opos a isa p omo e a
sus en abilidade econômica e ambien al po meio da a iculação en e sabe es locais, ecnologias
sociais e ecoino ação. Pa a al u iliza-se de e amen as digi ais, no adamen e o SISNEAT – Sis ema
Ele ônico de Ce i icação Ag oecológica Pa icipa i a. Apoia-se na pesquisa-ação pa icipa i a e na
ecologia dos sabe es po meio de uma abo dagem ansdisciplina e dialógica, anco ada na escu a
a i a das comunidades e na cons ução cole i a de es a égias e i o iais. As ações ex ensionis as
desen ol idas incluem o icinas o ma i as, isi as écnicas, apoio à o malização p odu i a e
mobilização de edes locais de go e nança. Os esul ados p elimina es indicam que a a uação
ho izon al e in e ins i ucional em ampliado o p o agonismo dos ag icul o es, o alecido p á icas
sus en á eis e quali icado a o mação c í ica dos es udan es en ol idos, ea i mando o papel da
ex ensão uni e si á ia na mediação de p ocessos de ce i icação ag oecológica o ien ados pela
jus iça socioambien al e pela ans o mação dos e i ó ios u ais.
Pala as-cha e: T ans o mação Digi al; Ag oecologia; Ino ação Social; Ce i icação Pa icipa i a;
Jus iça Socioambien al.
1 INTRODUÇÃO
A indissociabilidade en e ensino, pesquisa e ex ensão cons i ui um dos
pila es da uni e sidade pública b asilei a, con o me p econizado pelo a igo 207 da
Cons i uição Fede al de 1988 (B asil, 1988), que es abelece que as uni e sidades
públicas de em obedece a es e p incípio, signi icando que as ês dimensões
de em se in eg adas e a iculadas de o ma insepa á el, se indo como base pa a
1 Dou o a em Geog a ia, docen e do Depa amen o de Ciências Con ábeis da Uni e sidade Es adual
do Cen o-Oes e, coo denado a, e-mail: elma@unicen o.b
2 Discen e do cu so de Ciências Con ábeis da Uni e sidade Es adual do Cen o-Oes e, bolsis a do
P og ama Uni e sidade Sem F on ei as (USF-SETI/PR), e-mail: elianede a imaoli ei [email protected]
3 Discen e do cu so de Ciências Con ábeis da Uni e sidade Es adual do Cen o-Oes e, bolsis a do
P og ama Uni e sidade Sem F on ei as (USF-SETI/PR), e-mail: ca oline.mazu 04@ho mail.com
4 G aduado em Engenha ia de Compu ação pela Uni e sidade Es adual de Pon a G ossa, bolsis a do
P og ama Uni e sidade Sem F on ei as (USF-SETI/PR), e-mail: [email protected]
5 Mes ando em Geog a ia pela Uni e sidade Es adual do Cen o-Oes e, bolsis a do P og ama
Uni e sidade Sem F on ei as (USF-SETI/PR), e-mail: e and [email protected]
6 Dou o em Geog a ia, Docen e do Depa amen o de Geog a ia da Uni e sidade Es adual do Cen o-
Oes e, P o . O ien ado do p oje o, e-mail: jabed[email p o ec ed]
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a o mação acadêmica e o comp omisso social da uni e sidade. Tal o ien ação
e o ça a ideia de uma educação supe io que á além da sala de aula, conec ando
a p odução de conhecimen o acadêmico às necessidades e ealidades da sociedade
(Ca bona i; Pe ei a, 2007; da Sil a, 2020; Gonçal es, 2015, S opa o, 2025, Paula,
2013).
Des a o ma, es e abalho p opõe comp eende a indissociabilidade não
apenas como p incípio cons i ucional, mas como mé odo o ma i o em mo imen o,
a iculando sabe es eó icos e p á icos em e i ó ios u ais po meio de me odologias
a i as e pesquisa aplicada.
O es udo é inculado ao p oje o “T ans o mação Digi al e
Ecossociodesen ol imen o: Ag oecologia, Ino ação Social e Capaci ação
Socio écnica pa a a Sus en abilidade Econômica da Ag icul u a Familia ”, cus eado
pelo P og ama Uni e sidade Sem F on ei as (USF-SETI/PR) e desen ol ido no
âmbi o dos G upos de Pesquisa In e conexões: Sabe es, P á icas e Polí icas de
Na u eza (UEPG/CNPQ) e NuTSDES (UNICENTRO/CNPq).
Do pon o de is a eó ico, o a igo apoia-se no pensamen o de Boa en u a
de Sousa San os, especialmen e no que ange à ideia de uma ex ensão dialógica.
Segundo es e au o , “no século XXI só há uni e sidade quando há o mação
g aduada e pós-g aduada, pesquisa e ex ensão (San os, 2005, p. 64-65). Mais
adian e, p opõe uma “ex ensão uni e si á ia ao con á io”, na qual – em ez de
simplesmen e le a a uni e sidade pa a o a – busca-se aze ou os conhecimen os
pa a den o da uni e sidade, p omo endo um diálogo genuíno en e sabe es
acadêmicos e popula es (San os, 2005)
No cená io b asilei o con empo âneo, essa isão se aduz na busca po
“uma ex ensão dialógica e comp ome ida com as cul u as locais” (Dei, 2022; Da is,
2016) supe ando abo dagens assis encialis as e es abelecendo uma elação de mão
dupla em que a uni e sidade ensina e ap ende com a comunidade. Sob al p isma, a
ex ensão deixa de se apenas di usão de écnicas ou conhecimen os p on os e
o na-se um p ocesso de cons ução compa ilhada de sabe es, em que eo ia e
p á ica se in o mam mu uamen e.
No con ex o dos e i ó ios u ais, a ex ensão uni e si á ia desempenha um
papel es a égico ao p omo e a ap oximação en e sabe es acadêmicos e
conhecimen os locais, con ibuindo pa a a cons ução de soluções con ex ualizadas
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e socialmen e ele an es (Dai e al., 2024; Ongachi; Belinde , 2025)
A ele ância do es udo em e i ó ios u ais dá-se não apenas na di usão do
conhecimen o écnico-cien í ico, mas, sob e udo, na escu a a i a, no econhecimen o
da di e sidade epis êmica e no o alecimen o das capacidades locais.
Inspi ada na ecologia dos sabe es, a p opos a econhece que a p odução de
conhecimen o não se es inge à ciência acadêmica, e que é necessá io conside a
os sabe es adicionais como pa e legí ima na cons ução de soluções socio écnicas
sus en á eis (San os, 2005). O p oje o en ende que a ans o mação digi al, pa a se
jus a, de e inco po a p á icas pa icipa i as, ino ação social e mediação dialógica
en e uni e sidade e comunidade (Dagnino, 2005; Hops e , 2021; 2024).
As ações são desen ol idas desde e e ei o de 2025 no município de Inácio
Ma ins (PR), em pa ce ia em pa ce ia com ó gãos públicos municipais sendo
o ien ada po uma abo dagem in e disciplina e in e p o issional, en ol endo á eas
como ag oecologia, con abilidade, geog a ia, comunicação e educação.
2 METODOLOGIA
A me odologia do a igo es á undamen ada na pesquisa-ação pa icipa i a,
com abo dagem quali a i a, e i o ializada e ansdisciplina , o ien ada pelos
p incípios da ecologia dos sabe es (San os, 2004) e da ex ensão uni e si á ia
dialógica . O eixo es u u an e das ações é o p ocesso de ce i icação ag oecológica
pa icipa i a, a iculado aos Sis emas Pa icipa i os de Ga an ia (SPG), à
go e nança local e ao uso de ecnologias socialmen e dis up i as, con o me
p econizado po (Hops e , 2021, 2024)
U iliza-se o SISNEAT – Sis ema Ele ônico de Ce i icação Ag oecológica
Pa icipa i a, e amen a digi al g a ui a que pe mi e egis a planos de manejo,
acompanha isi as e sis ema iza in o mações cole i as de manei a acessí el e
anspa en e. O icinas o ma i as, isi as écnicas, odas de con e sa, p odução de
ma e iais digi ais e ações de sensibilização compõem o conjun o de es a égias
me odológicas.
3 ANÁLISE E DISCUSSÃO
As ações iniciais do p oje o e elam um cená io complexo, mas p omisso ,
pa a a p omoção de es a égias de ecossociodesen ol imen o anco adas na
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ag oecologia, na ino ação social e na inclusão digi al. A pa i da escu a a i a
ealizada jun o a ag icul o es, lide anças comuni á ias e conselhei os municipais,
eme gi am demandas di e sas — desde di iculdades de acesso a ecnologias e
polí icas públicas, a é a des alo ização dos p odu os locais nos ci cui os
con encionais de come cialização.
A eunião com o Conselho Municipal de Desen ol imen o Sus en á el
(CMDS) pe mi iu alinha os obje i os do p oje o às di e izes do plano municipal de
desen ol imen o u al, es abelecendo pon es ins i ucionais que o alecem o ca á e
público e democ á ico da ação ex ensionis a. Nesse con ex o, o am iden i icadas
ba ei as eco en es ao uso de pla a o mas digi ais go e namen ais, como o Go .b .
Po ou o lado, du an e a isi a écnica ao Assen amen o Fede al E and o
F ancisco, os ag icul o es da Associação Bom Jesus, o ganizados nos núcleos
Fazenda Velha e Maçã, ela a am desa ios elacionados ao escoamen o da
p odução, ausência de assis ência écnica con inuada e busca po ce i icação
ag oecológica como es a égia de alo ização. Nesse cená io, p odu os como o mel
e a e a-ma e o am ci ados como elemen os iden i á ios com o e po encial pa a
inse ção em me cados di e enciados e ci cui os cu os de come cialização.
Com base nessas expe iências, o am es u u adas ês en es p io i á ias
de a uação: (1) capaci ações socio écnicas ol adas à inclusão digi al e o malização
da p odução; (2) sensibilização e mobilização pa a a ce i icação pa icipa i a
ag oecológica, com base nos p incípios dos Sis emas Pa icipa i os de Ga an ia
(SPG); (3) a iculação de edes locais de go e nança, en ol endo ag icul o es,
escolas do campo, coope a i as, conselhos e ins i uições públicas.
Os esul ados p elimina es apon am que a inse ção e i o ial, quando
ealizada de o ma ho izon al e dialógica, amplia a legi imidade das ações
ex ensionis as e o alece a cons ução cole i a de soluções adap adas ao con ex o
local. A alo ização de p á icas já exis en es — como a conse ação ambien al, o
uso sus en á el dos ecu sos na u ais e a solida iedade p odu i a — e o ça a
impo ância de uma abo dagem ex ensionis a que á além da ans e ência
ecnológica e econheça a po ência dos sabe es popula es e das o mas locais de
o ganização.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os esul ados pa ciais das ações ex ensionis as desen ol idas demons am
que a ce i icação ag oecológica pa icipa i a pode a ua como eixo es u u an e pa a
o alece p á icas sus en á eis, amplia a au onomia comuni á ia e alo iza os
sabe es locais.
A a uação ex ensionis a, pau ada pela escu a a i a e pela cons ução
colabo a i a de soluções, e idenciou que a in eg ação en e ino ação socio écnica e
jus iça socioambien al cons i ui um caminho p omisso pa a p omo e
sus en abilidade e equidade em e i ó ios u ais.
AGRADECIMENTOS
O p oje o é inanciado pela Sec e a ia da Ciência, Tecnologia e Ensino
Supe io (SETI/PR), po meio do P og ama Uni e sidade Sem F on ei as (USF/PR).
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