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ECOSSOCIODESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO DIGITAL NO CAMPO: A EXTENSÃO COMO MEDIAÇÃO ENTRE SABERES E TECNOLOGIAS

Stroparo, Telma Regina; Ivanski, Erika; Mazur, Caroline; Gomes, Michael Lemes; Baum, Evandro Augusto; Bednarz, João Anésio

Abstract

Transformação Digital e Ecossociodesenvolvimento, realizado em comunidades rurais do município de Inácio Martins (PR), cujo foco é a certificação agroecológica participativa como estratégia de valorização territorial e fortalecimento da agricultura familiar. A proposta visa promover a sustentabilidade econômica e ambiental por meio da articulação entre saberes locais, tecnologias sociais e ecoinovação. Para tal utiliza-se de ferramentas digitais, notadamente o SISNEAT – Sistema Eletrônico de Certificação Agroecológica Participativa. Apoia-se na pesquisa-ação participativa e na ecologia dos saberes por meio de uma abordagem transdisciplinar e dialógica, ancorada na escuta ativa das comunidades e na construção coletiva de estratégias territoriais. As ações extensionistas desenvolvidas incluem oficinas formativas, visitas técnicas, apoio à formalização produtiva e mobilização de redes locais de governança. Os resultados preliminares indicam que a atuação horizontal e interinstitucional tem ampliado o protagonismo dos agricultores, fortalecido práticas sustentáveis e qualificado a formação crítica dos estudantes envolvidos, reafirmando o papel da extensão universitária na mediação de processos de certificação agroecológica orientados pela justiça socioambiental e pela transformação dos territórios rurais.

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Anais do XVIII Encontro Anual de Extensão, 29,30 de setembro e 1º, 02 e 03 de outubro de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X ECOSSOCIODESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO DIGITAL NO CAMPO: A EXTENSÃO COMO MEDIAÇÃO ENTRE SABERES E TECNOLOGIAS Telma Regina Stroparo1 Erika Ivaniski2 Caroline Mazur3 Michael Lemes Gomes4 Evandro Augusto Baum5 João Anésio Bednar6 Resumo O trabalho apresenta as ações iniciais desenvolvidas no âmbito do projeto de extensão Transformação Digital e Ecossociodesenvolvimento, realizado em comunidades rurais do município de Inácio Martins (PR), cujo foco é a certificação agroecológica participativa como estratégia de valorização territorial e fortalecimento da agricultura familiar. A proposta visa promover a sustentabilidade econômica e ambiental por meio da articulação entre saberes locais, tecnologias sociais e ecoinovação. Para tal utiliza-se de ferramentas digitais, notadamente o SISNEAT – Sistema Eletrônico de Certificação Agroecológica Participativa. Apoia-se na pesquisa-ação participativa e na ecologia dos saberes por meio de uma abordagem transdisciplinar e dialógica, ancorada na escuta ativa das comunidades e na construção coletiva de estratégias territoriais. As ações extensionistas desenvolvidas incluem oficinas formativas, visitas técnicas, apoio à formalização produtiva e mobilização de redes locais de governança. Os resultados preliminares indicam que a atuação horizontal e interinstitucional tem ampliado o protagonismo dos agricultores, fortalecido práticas sustentáveis e qualificado a formação crítica dos estudantes envolvidos, reafirmando o papel da extensão universitária na mediação de processos de certificação agroecológica orientados pela justiça socioambiental e pela transformação dos territórios rurais. Palavras-chave: Transformação Digital; Agroecologia; Inovação Social; Certificação Participativa; Justiça Socioambiental. 1 INTRODUÇÃO A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão constitui um dos pilares da universidade pública brasileira, conforme preconizado pelo artigo 207 da Constituição Federal de 1988 (Brasil, 1988), que estabelece que as universidades públicas devem obedecer a este princípio, significando que as três dimensões devem ser integradas e articuladas de forma inseparável, servindo como base para 1 Doutora em Geografia, docente do Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Centro-Oeste, coordenadora, e-mail: [email protected] 2 Discente do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Centro-Oeste, bolsista do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF-SETI/PR), e-mail: [email protected] 3 Discente do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Centro-Oeste, bolsista do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF-SETI/PR), e-mail: [email protected] 4 Graduado em Engenharia de Computação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, bolsista do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF-SETI/PR), e-mail: [email protected] 5 Mestrando em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, bolsista do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF-SETI/PR), e-mail: [email protected] 6 Doutor em Geografia, Docente do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do CentroOeste, Prof. Orientador do projeto, e-mail: jabed[email protected] Anais do XVIII Encontro Anual de Extensão, 29,30 de setembro e 1º, 02 e 03 de outubro de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X a formação acadêmica e o compromisso social da universidade. Tal orientação reforça a ideia de uma educação superior que vá além da sala de aula, conectando a produção de conhecimento acadêmico às necessidades e realidades da sociedade (Carbonari; Pereira, 2007; da Silva, 2020; Gonçalves, 2015, Stroparo, 2025, Paula, 2013). Desta forma, este trabalho propõe compreender a indissociabilidade não apenas como princípio constitucional, mas como método formativo em movimento, articulando saberes teóricos e práticos em territórios rurais por meio de metodologias ativas e pesquisa aplicada. O estudo é vinculado ao projeto “Transformação Digital e Ecossociodesenvolvimento: Agroecologia, Inovação Social e Capacitação Sociotécnica para a Sustentabilidade Econômica da Agricultura Familiar”, custeado pelo Programa Universidade Sem Fronteiras (USF-SETI/PR) e desenvolvido no âmbito dos Grupos de Pesquisa Interconexões: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza (UEPG/CNPQ) e NuTSDES (UNICENTRO/CNPq). Do ponto de vista teórico, o artigo apoia-se no pensamento de Boaventura de Sousa Santos, especialmente no que tange à ideia de uma extensão dialógica. Segundo este autor, “no século XXI só há universidade quando há formação graduada e pós-graduada, pesquisa e extensão (Santos, 2005, p. 64-65). Mais adiante, propõe uma “extensão universitária ao contrário”, na qual – em vez de simplesmente levar a universidade para fora – busca-se trazer outros conhecimentos para dentro da universidade, promovendo um diálogo genuíno entre saberes acadêmicos e populares (Santos, 2005) No cenário brasileiro contemporâneo, essa visão se traduz na busca por “uma extensão dialógica e comprometida com as culturas locais” (Dei, 2022; Davis, 2016) superando abordagens assistencialistas e estabelecendo uma relação de mão dupla em que a universidade ensina e aprende com a comunidade. Sob tal prisma, a extensão deixa de ser apenas difusão de técnicas ou conhecimentos prontos e torna-se um processo de construção compartilhada de saberes, em que teoria e prática se informam mutuamente. No contexto dos territórios rurais, a extensão universitária desempenha um papel estratégico ao promover a aproximação entre saberes acadêmicos e conhecimentos locais, contribuindo para a construção de soluções contextualizadas Anais do XVIII Encontro Anual de Extensão, 29,30 de setembro e 1º, 02 e 03 de outubro de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X e socialmente relevantes (Dai et al., 2024; Ongachi; Belinder, 2025) A relevância do estudo em territórios rurais dá-se não apenas na difusão do conhecimento técnico-científico, mas, sobretudo, na escuta ativa, no reconhecimento da diversidade epistêmica e no fortalecimento das capacidades locais. Inspirada na ecologia dos saberes, a proposta reconhece que a produção de conhecimento não se restringe à ciência acadêmica, e que é necessário considerar os saberes tradicionais como parte legítima na construção de soluções sociotécnicas sustentáveis (Santos, 2005). O projeto entende que a transformação digital, para ser justa, deve incorporar práticas participativas, inovação social e mediação dialógica entre universidade e comunidade (Dagnino, 2005; Hopster, 2021; 2024). As ações são desenvolvidas desde fevereiro de 2025 no município de Inácio Martins (PR), em parceria em parceria com órgãos públicos municipais sendo orientada por uma abordagem interdisciplinar e interprofissional, envolvendo áreas como agroecologia, contabilidade, geografia, comunicação e educação. 2 METODOLOGIA A metodologia do artigo está fundamentada na pesquisa-ação participativa, com abordagem qualitativa, territorializada e transdisciplinar, orientada pelos princípios da ecologia dos saberes (Santos, 2004) e da extensão universitária dialógica . O eixo estruturante das ações é o processo de certificação agroecológica participativa, articulado aos Sistemas Participativos de Garantia (SPG), à governança local e ao uso de tecnologias socialmente disruptivas, conforme preconizado por (Hopster, 2021, 2024) Utiliza-se o SISNEAT – Sistema Eletrônico de Certificação Agroecológica Participativa, ferramenta digital gratuita que permite registrar planos de manejo, acompanhar visitas e sistematizar informações coletivas de maneira acessível e transparente. Oficinas formativas, visitas técnicas, rodas de conversa, produção de materiais digitais e ações de sensibilização compõem o conjunto de estratégias metodológicas. 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO As ações iniciais do projeto revelam um cenário complexo, mas promissor, para a promoção de estratégias de ecossociodesenvolvimento ancoradas na Anais do XVIII Encontro Anual de Extensão, 29,30 de setembro e 1º, 02 e 03 de outubro de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X agroecologia, na inovação social e na inclusão digital. A partir da escuta ativa realizada junto a agricultores, lideranças comunitárias e conselheiros municipais, emergiram demandas diversas — desde dificuldades de acesso a tecnologias e políticas públicas, até a desvalorização dos produtos locais nos circuitos convencionais de comercialização. A reunião com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS) permitiu alinhar os objetivos do projeto às diretrizes do plano municipal de desenvolvimento rural, estabelecendo pontes institucionais que fortalecem o caráter público e democrático da ação extensionista. Nesse contexto, foram identificadas barreiras recorrentes ao uso de plataformas digitais governamentais, como o Gov.br. Por outro lado, durante a visita técnica ao Assentamento Federal Evandro Francisco, os agricultores da Associação Bom Jesus, organizados nos núcleos Fazenda Velha e Maçã, relataram desafios relacionados ao escoamento da produção, ausência de assistência técnica continuada e busca por certificação agroecológica como estratégia de valorização. Nesse cenário, produtos como o mel e a erva-mate foram citados como elementos identitários com forte potencial para inserção em mercados diferenciados e circuitos curtos de comercialização. Com base nessas experiências, foram estruturadas três frentes prioritárias de atuação: (1) capacitações sociotécnicas voltadas à inclusão digital e formalização da produção; (2) sensibilização e mobilização para a certificação participativa agroecológica, com base nos princípios dos Sistemas Participativos de Garantia (SPG); (3) articulação de redes locais de governança, envolvendo agricultores, escolas do campo, cooperativas, conselhos e instituições públicas. Os resultados preliminares apontam que a inserção territorial, quando realizada de forma horizontal e dialógica, amplia a legitimidade das ações extensionistas e fortalece a construção coletiva de soluções adaptadas ao contexto local. A valorização de práticas já existentes — como a conservação ambiental, o uso sustentável dos recursos naturais e a solidariedade produtiva — reforça a importância de uma abordagem extensionista que vá além da transferência tecnológica e reconheça a potência dos saberes populares e das formas locais de organização. Anais do XVIII Encontro Anual de Extensão, 29,30 de setembro e 1º, 02 e 03 de outubro de 2025, UNICENTRO, ISSN 2595-878X 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados parciais das ações extensionistas desenvolvidas demonstram que a certificação agroecológica participativa pode atuar como eixo estruturante para fortalecer práticas sustentáveis, ampliar a autonomia comunitária e valorizar os saberes locais. A atuação extensionista, pautada pela escuta ativa e pela construção colaborativa de soluções, evidenciou que a integração entre inovação sociotécnica e justiça socioambiental constitui um caminho promissor para promover sustentabilidade e equidade em territórios rurais. AGRADECIMENTOS O projeto é financiado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI/PR), por meio do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF/PR). REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta a Meta 12.7 da Lei nº 13.005/2014. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 19 dez. 2018. Seção 1, p. 49-50. CARBONARI, M. E. E.; PEREIRA, A. C. A extensão universitária no Brasil, do assistencialismo à sustentabilidade. Revista de Educação, [s. l.], v. 10, n. 10, 2007. DA SILVA, W. P. Extensão universitária: um conceito em construção. Revista Extensão & Sociedade, [s. l.], v. 11, n. 2, 2020. DAI, Z. et al. Influence of university agricultural technology extension on efficient and sustainable agriculture. Scientific Reports, [s. l.], v. 14, n. 1, p. 4874, 2024. DEI, G. 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