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Didática interdisciplinar e mapeamento da poesia medieval em Santiago de Compostela

Author: Morán Cabanas, Maria Isabel
Publisher: Brazilian Journals Publicações de Periódicos e Editora Ltda
Year: 2021
DOI: 10.34117/bjdv7n1-282
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/6d91fbbe-765b-42c8-9c2f-e69b50a7838f/download
B azilian Jou nal o De elopmen
ISSN: 2525-8761
4183
B azilian Jou nal o De elopmen , Cu i iba, .7, n.1, p. 4183-4195 jan. 2021
Didá ica in e disciplina e mapeamen o da poesia medie al em
San iago de Compos ela
In e disciplina didac ics and medie al poe y mapping in San iago de
Compos ela
DOI:10.34117/bjd 7n1-282
Recebimen o dos o iginais: 12/12/2020
Acei ação pa a publicação: 12/01/2021
Ma ia Isabel Mo án Cabanas
Dou o a em Filologia Galega pela Uni e sidade de San iago de Compos ela
P o esso a Ti ula de Li e a u a Po uguesa
Ins i uição: Uni e sidade de San iago de Compos ela
Ende eço: Faculdade de Filologia-Campus No e, s/n. 15705 San iago de Compos ela.
E-mail: [email p o ec ed]
RESUMO
Analisamos aqui os passos da elabo ação de um o ei o da poesia galego-po uguesa,
ligado di e amen e a pesquisas de ca á e his ó ico-cul u al que imos desen ol endo há
já alguns anos e que isam p incipalmen e pô de mani es o as elações en e o
o ado ismo e a cidade de San iago de Compos ela como cen o eligioso, polí ico e
cul u al de ex ao diná ia ele ância ao longo dos séculos XII, XIII e XIV. Passa emos
aqui em e is a as expe iências da sua u ilização como e amen a e es a égia didá ica
sob uma pe spec i a in e disciplina aplicá el em di e en es ní eis de ensino e, em ge al,
em p á icas cul u ais (ou u ís ico-cul u ais) associadas a uma alo ização e ec i a do
pa imônio ima e ial e ma e ial. O nosso p oje o, que pa iu da conside ação de ês
elemen os essenciais ( ex os, imagens e sons) e da inse ção igo osa dos mesmos no seu
âmbi o de p odução, culminou no lançamen o de um no o ecu so digi al e in e a i o: o
websi e o ei oli icamedie al.gal.
Pala as-cha e: In e disciplina iedade, Es a égia didá ica, Mapeamen o, Poesia galego-
po uguesa, Ro ei o, San iago de Compos ela.
ABSTRACT
Ou aim is o analyze he s eps in ou de elopmen o a Galician-Po uguese ly ic
i ine a y, di ec ly linked o a his o ical and cul u al esea ch we ha e been conduc ing o
a ew yea s, which has as i s main ocus he ela ionships be ween oubadou poe y and
San iago de Compos ela as a eligious, poli ical, and cul u al cen e o ex ao dina y
impo ance in he wel h, hi een h, and ou een h cen u ies. We examine he e he
expe iences we ca ied ou , using i as a ool and a lea ning s a egy wi hin an
in e disciplina y pe spec i e applicable o di e en le els o educa ion, as well as in
cul u al (o ou is ic and cul u al) p ac ices, associa ed o an e ec i e alo iza ion o ou
ma e ial and imma e ial he i age. Ou p ojec , ha s a ed ou conside ing h ee essen ial
elemen s ( ex s, images and sound), and hei igo ous inse ion in hei p oduc ion
con ex , culmina ed wi h he ecen launching o a new digi al and in e ac i e esou ce:
he websi e o ei oli icamedie al.gal
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ISSN: 2525-8761
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B azilian Jou nal o De elopmen , Cu i iba, .7, n.1, p. 4183-4195 jan. 2021
Keywo ds: In e disciplina y, Lea ning s a egy, Mapping, Galician-Po uguese poe y,
I ine a y, San iago de Compos ela.
O p oje o de um o ei o da lí ica o ado esca na capi al da Galiza e em luga es
geog a icamen e limí o es, que su giu como o esul ado na u al de um amplo conjun o
de pesquisas de ca á e his ó ico-cul u al, conc e izou-se numa sé ie de emp eendimen os
de ipo didá ico e/ou u ís ico que uma equipa de in es igado es ligados ao g upo
GRAALL (G upo de Análise de Aspe os Linguís icos e Li e á ios na Luso onia, GI-1453)
das uni e sidades de San iago de Compos ela e de Campinas em desen ol endo desde
2011 a é à a ualidade. Na e dade, é de admi a que a é en ão ninguém, le ado pelas
e e ências dos e sos das can igas de di e sos géne os que pa a ali eme em, enha
decidido pô ao dispo do es udioso ou do isi an e em ge al um pe cu so de ais
ca ac e ís icas, explo ando assim as possibilidades de um isão mul idisciplina que
pe mi a uni o ico pa imónio li e á io co esponden e aos séculos XII, XII e XIV a ou as
ambém memo á eis adições de na u eza eligiosa, a ís ica e musical
1
.
Com e ei o, no mencionado pe íodo oi de e minan e o papel da cidade em
ques ão não só como pólo de a ação pa a as co en es in elec uais e a ís icas
p e alecen es na Eu opa daquela al u a, mas ambém como oco i adiado dessas
mesmas endências ou dou as que ali e iam a sua o igem. Assim, uma boa pa e dos
o ado es cuja p odução se encon a compilada nos Cancionei os es á, de manei a mais
ou menos di e a, com ela elacionada. E é p ecisamen e essa inculação que apa ece pos a
em des aque nas ob as O amo que eu le ei de San iago. Ro ei o da lí ica medie al
galego-po uguesa (2012)
2
e O caminho poé ico de San iago. Lí ica galego-po uguesa
1
Aliás, as pesquisas que es ão sendo desen ol idas a ualmen e po essa equipe in es igado a no âmbi o do
p oje o Voces, espacios y ep esen aciones emeninas en la lí ica gallego-po uguesa (PID2019-
108910GB-C22), di igido po Es he Co al Díaz e inanciado pelo Minis e io de Ciencia e Inno ación,
i ão a en iquece os dados aí o necidos quan o à p esença e ao papel da mulhe na lí ica medie al em
ge al e, conc e amen e, no nosso co pus - en e ou o obje i os igu a, de ac o, a elabo ação de uma
ca og a ia em que se ponham de mani es o as ma cas da sua es a i icação sociocul u al e iden idade
eligiosa.
2
Cabe assinala que esse í ulo oi inspi ado p ecisamen e pelo e ão de uma can iga que se ecolhe e
es uda no in e io do olume, cujos e sos dizem: “o amo que eu le ei de San iago a Lugo / esse me aduss´e
esse me adugo”. T a a-se de um ex o dialogado da au o ia de Fe não Esquio, o ado da linhagem dos
Esquios, da pequena nob eza galega, a i o p o a elmen e nos inais de Duzen os ou inícios de T ezen os,
em que a dama pe gun a ao amigo po que se demo a a an o em Lugo, le an ando assim a suspei a de que
se e ia apaixonado po ou a mulhe naquela cidade. No en an o, ele esponde com uma ea i mação dos
seus sen imen os, que se man êm inal e ados: com eles pa iu e com eles ol a, semp e o acompanha am e
semp e o acompanham.
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(2015), publicadas po Ya a F a eschi Vie a, Ma ia Isabel Mo án Cabanas e José An ónio
Sou o Cabo na Galiza e no B asil, espec i amen e.
No es udo in odu ó io de ambos os olumes lemb a-se a impo ância dos cí culos
do pode social e eclesiás ico pa a a o mação e consolidação do enômeno o ado esco,
sublinhando-se que, embo a dos au o es mais an igos não nos chegasse, po a alidades
da ansmissão manusc i a, a sua p odução li e á ia, o na-se inegá el o seu papel de
in odu o es e p omo o es da no a poesia em língua e nácula que já se inha consolidado
na P o ença e no No e de F ança, e dali se di undi a pelos es an es cen os eu opeus - é
o caso de Jon Vlaz, Dom Juião, Ped o Rod igues da Palmei a, Dom Rod igo Diaz dos
Came os, Ai as Oa es ou Ped o Pais Bazaco. Unidos en e si po laços amilia es ou po
nexos sociais, mos am-se ca ac e izados como um g upo o emen e coeso e inclusi e
de en o de uma p esença ma can e na comunidade eligiosa do a cebispado. Aliás, os
Cancionei os ecolhem um no á el núme o de composições dou os o ado es
pe encen es ambém a linhagens nob es com p op iedades o a das e as de San iago de
Compos ela e possuido as de casas na u be ou nos seus a edo es, as quais se i iam, dada
a ele ância sociopolí ica e cul u al da cidade, como cen o aglu inado pa a as suas
espe i as co es. Cabe menciona , po exemplo, Osó io Eanes, Ai as Fe nandes
Ca pancho, Fe não Pais de Tamalhancos ou A onso Eanes do Co om.
Na e dade, na segunda me ade do século XII, momen o em que nasce a l ica
medie al em galego-po uguesa, no exis ia no eino galaico-leonês ou o cen o u bano
que osse capaz de conco e com o eno me p es ígio de San iago, cuja sup emacia se
liga a di e amen e a uma hábil u ilização dos ecu sos ma e iais e cul u ais de i ados do
auge da pe eg inação. Lemb e-se que o p o agonismo nesse sen ido emon a, em l ima
ins ncia,  deciso dos bispos da diocese, com sede em  ia Fl ia (Pad om / Pad n,
Galiza), de aslada a sua esidncia pa a Compos ela, an es do ano 847. Ao bispo
Teodomi o, cujo mulo se conse a no subsolo da ca ed al, de emos, de ac o, a in en io
(ou “achado”, c. 825) da umba do aps olo, ao iden i ica como al um mausolu de poca
omana. O apoio his  ico pa a a descobe a em ques ão encon a a-se numa as a
adio que si ua a a p edicao de San iago em e as da Hispnia e pe mi ia ambm a
suposio de que seu co po i esse sido sepul ado no ex emo ociden al da Eu opa. Aliás,
o “achado”, inse ido num con ex o de a i mao e consolidação pol ica do eino as u o-
galaico, liga-se  o mao de uma ig eja au noma, des inculada de Toledo, naquela
al u a em e i  io muulmano.
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E, ainda, numa ase mais a ançada, quando já o modelo anspi enaico já inha
ixado as suas aízes e se inham ei o isí eis os aços que i iam de ini a lí ica galego-
po uguesa, o ganiza am-se ce as compilações de can igas, depois inse idas nos
Cancionei os ge ais, cuja au o ia se de e a clé igos ou jog ais galegos:
O mo imen o poé ico em que se in eg a am man e e, com e ei o, uma ligação
cons an e com a cidade, o que se explica acilmen e quando le amos em con a
que San iago, enquan o cen o u bano mais impo an e do eino galego,
cons i uiu um palco p i ilegiado pa a as p imei as expe iências do
o ado ismo. A inculação de Compos ela a essa co en e li e á ia e idencia-
se ambém pela possibilidade de associa al p á ica poé ica a algumas camadas
sociocul u ais especí icas da u be, como se demons a pela exis ência, no
in e io dos Cancionei os, de um “cancionei inho de cl igos” compos elanos
(VIEIRA, MORÁN CABANAS e SOUTO CABO, 2015: 14).
Dos oi o o ado es incluídos nesse denominado “cancionei inho dos cl igos”,
qua o êm algum ipo elação com San iago de Compos ela: Ai as Nunes, Sancho
Sanches, Pai de Cana e Rui Fe nandes de San iago. E, po ou o lado, do chamado
“cancionei o dos jog ais galegos”, que e ia sido o ganizado nos inais do século XIII ou
nos inícios do seguin e e ecolhe poemas dis ibuídos po géne os (can igas de amo ,
can igas de amigo e can igas de escá nio e maldize ), cinco ap esen am alguma
inculação com a cidade, como se pode comp o a no co po dos dois olumes acima
mencionados: Be nal de Bona al, Pe o Ga cia de Amb oa, Ped o Amigo de Se ilha, Pe o
Meogo, Ab il Pe es e Juião Bolsei o. Com e ei o, no in e io de ambos os li os es ão
ep esen ados an o os au o es que azem menção explíci a a elemen os ou locais que nos
eme em pa a a á ea geog á ica de San iago de Compos ela no co po das suas can igas,
quan o os que se ligam a esse en o no pelo egis o dos seus nomes na documen ação
his ó ica ( es amen os, esc i u as de comp a e enda de p op iedades e c.).
Os ex os escolhidos e edi ados
3
apa ecem ali acompanhados de uma icha com
in o mação biobibliog á ica sob e o o ado ou jog al que os compôs, uma pa á ase e
uma b e e no a explica i a/in e p e a i a. Quan o ao olume publicado na Galiza,
ac escen a am-se o og a ias que nos deslocam isualmen e pa a os di e sos locais
ci ados de San iago de Compos ela e os seus a edo es – e iden emen e no seu es ado
a ual, com as di e gências de i adas das ans o mações so idas pela u be e a pe i e ia
3
Quan o aos c i é ios seguidos, i e am-se na u almen e em con a os es emunhos dos manusc i os e as
edições c í icas exis en es de cada au o . No que diz espei o à g a ia, ado a am-se as no mas ixadas pa a
a poesia o ado esca galego-po uguesa al como são ecolhidas po Manuel Fe ei o, Ca los Paulo
Ma ínez Pe ei o e Lau a Ta o Fon aíña (2007).
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a a és da passagem do empo. Po ém, p ocu amos oca semp e o po meno que nos
eme e pa a a Idade Média, assim como ambien a o mundo o ado esco em odas as
suas dimensões e, po an o, sob um olha mul idisciplina . Na capa d´O Amo que le ei
de San iago des aca-se, po exemplo, o papel undamen al da música a a és das imagens
dos ins umen is as do Palácio de Gelmi es, aus osa ob a a qui e ônica iniciada no século
XII po o dem do a cebispo Diogo Gelmi es e em cujo in e io sob essai a o namen ação
do Salão Sinodal ou Salão de Fes as com cenas de um banque e medie al amenizado po
músicos.
Figu a 1. Mênsula com músicos (Palácio de Gelmi es, San iago de Compos ela)
No ocan e a al aspec o, ecolhe-se ambém no in e io do li o galego a imagem
do bíblico Da id, o ei-músico, ocando uma ídula
4
ou iola de a co o al e com as pe nas
c uzadas, que es á ep esen ada na escul u a si uada a ualmen e no con a o e esque do
4
Com es e e mo designa-se um ins umen o de co da iccionada com a co que a ingiu no á el
popula idade du an e oda a Idade Média. Apa ece sob e udo em ep esen ações iconog á icas da Eu opa
dos séculos XII e XIII, começando a pa i de en ão o seu decli e, embo a se con inue a obse a o seu uso
e a sua p esença na a e p a icamen e a é Quinhen os. Sob e pe o mance musical e ins umen ao eja-
se, p incipalmen e, a ob a Can us Co ona us. 7 Can igas d'El-Rei Dom Dinis (FERREIRA, 2005) e, ainda,
pa a obse a uma alusão ao ei Da id como in é pe e que sabem ex ai das co das os sen imen os que se
ele am ao Senho , consul e-se o es udo sob e a “cons uo do jog al de o o” (ROCHA, 2019: 73), Como
exemplo de e e ência explíci a à impo ância do som, is o é, da música (melodia e acompanhamen o), nas
composições que in eg am o nosso co pus o ado esco, cabe lemb a o que nos diz a donzela de uma
can iga de amigo de Juião Bolsei o com a in enção de elogia as habilidades li e á ias e musicais do seu
namo ado: “ ez uas li ias no son / que me sacan o co aon”. Ela quali ica-o como um excelen e o ado ,
pois soube mui o bem lou a a sua amada e aze uns lo eados que lhe chega am a a eba a o co ação.
Quan o ao e mo li ias oi já in e p e ado, embo a de o ma hipo é ica, como de i ado do g ego li a,
designando uma “espcie de ins umen o de co da iccionada e equi alendo, assim, a a pejos, golpes de
a co, ou, numa execução ocal, a inados. No con ex o da can iga, pode en ende -se como uma a iculação
o namen al da melodia, que p ocu amos ep esen a pelo e mo lo eados” (VIEIRA, MORÁN CABANAS
E SOUTO CABO, 2013: 90-91).

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da achada de P a a ias da Ca ed al, mas p oceden e da p imi i a achada do Pa aíso -
hoje conhecida como Acibecha ia –, localizada na pa e sep en ional e pela qual
en a am os pe eg inos do Caminho F ancês no céleb e san uá io.
Jun o com um plano quinhen is a e uma g a u a da cidade amu alhada do século
XVII, em que se obse a a Po a Faxei a, po onde en a am os omei os que pe co e am
o Caminho Po uguês, pa a além do peixe e das me cado ias dalguns po os da cos a
a lân ica galega, ep oduz-se uma in ena de ob as a qui e ônicas e paisagens na u ais.
Figu a 2. En ada na cidade amu alhada de San iago de Compos ela po Po a Faxei a (g a u a do século
XVII)
No que diz espei o à edição b asilei a, inda a lume sob o í ulo O caminho
poé ico de San iago, os desenhos da capa são da au o ia de Rui Vi o ino dos San os,
in es igado e p o esso da Faculdade de Belas A es do Po o, com ampla aje ó ia na
ilus ação de li os e animação. Todos eles eme em especialmen e pa a o espe áculo
jog alesco numa ampla dimensão: musical, ges ual e co po al (con o cionismo,
equilib ismo, malaba ismo e c.), pondo de mani es o o iso ca na alesco – na acepção
bakh iniana do e mo (BAKHTIN: 1987) - que se associa à igu ação de elemen os
g o escos da cul u a medie al e se p oje a nos e sos das can igas de escá nio e maldize .
Aliás, a edi o a Cosac Nai y p ocu ou uma inspi ação nos li os medie ais, o que ica
bem e idenciado na a enção p es ada a aspec os como capi ula es, dis ibuição do ex o
em colunas e bo das.
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Figu a 3. Capa d´O caminho poé ico de San iago. Lí ica galego-po uguesa (ilus ação de Rui Vi o ino dos
San os).
Compilam-se aqui no os au o es e ex os que não ize am pa e d´O amo que
le ei de San iago, alguns dos quais su gi am mesmo como esul ado de pesquisas e
obse ações mais ecen es, pelo que a in o mação que os acompanha é maio , assim como
se põe ao dispo do lei o um maio apoio documen al e bibliog á ico. Po ou o lado,
en e as páginas do olume, inse em-se algumas imagens da adição manusc i a e um
mapa que p e ende eme e pa a os pon os do in amu os e ex amu os compos elano mais
ele an es da lí ica galego-po uguesa, ealizado po pessoal docen e e in es igado da
uni e sidade galega de Vigo.
Po ou o lado, a pa i de ambas as publicações e em da as p é ias ao lançamen o
do websi e, oi le ado a cabo um amplo leque de a i idades de pe il essencialmen e
didá ico. Cabe lemb a , po exemplo, que no ano de 2014, du an e o ciclo de Poesia na
Música o ganizado pelo Conse á o io P o issional de Música de San iago de
Compos ela pa a comemo a os 100 anos da apa ição do Pe gaminho Vindel, ealiza am-
se  ias “con e ncias-conce o” em in e ao com docen es e alunos da mencionada
ins i uição, que o nece am explicações sob e ce os nomes e o mas de an igos
ins umen os.
E cabe menciona ambém a p esença desse pa imônio o ado esco, a pa i do
nosso o ei o, no ó um EM.COM.TRADIÇÕES / I Encon o do Cancionei o T adicional
Galaico-Po uguês, que ez pa e dos e en os p oje ados pela Câma a Municipal de San a
Ma ia da Fei a aquando da sua escolha como Capi al da Cul u a do Eixo A lân ico (2018)
e do qual pa icipa am associações, g upos, p o esso es, in es igado es e lu hie s. Pa a
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além de di e sas e úlias emá icas e wo kshops, duas exposições ize am ainda pa e da
p og amação de al e en o sob os í ulos de “Ins umen os musicais: a a e e os seus
cons u o es” e “Li o galaico-po ugus”: enquan o a p imei a pde isi a -se no secula
edi ício do Museu Con en o dos Lóios, a segunda es e e localizada na Biblio eca
Municipal da mencionada cidade po uguesa.
Po ém, en e as a i idades, sob essai p incipalmen e a coo denação / execução de
o ei os da lí ica galego-po uguesa in si u, que dize , na capi al da Galiza e á ea
geog á ica mais imedia a. Foi em 2012 que e e luga o p imei o, in eg ando-se numa
campanha de p omoção do pa imónio que naquela al u a emp eendeu o Concello de
San iago de Compos ela sob o lema “Cul u a Vi a: Fai a Compos ela” e di igindo-se a
g upos e indi íduos in e essados em e em uma expe iência o ma i a a a és dos espaços
cul u ais e na u ais do município (VIEIRA, MORÁN CABANAS e ROCHA: 175-195).
Segui am-lhe bas an es ou os, como os o ganizados em 2013 pela adicional
Ag upación Cul u al O Galo, undada há quase 60 anos com is a a p omo e o
conhecimen o da his ó ia, das suas icissi udes e dos seus p o agonis as. Num deles
inse iu-se, de ac o, um conce o in e p e ado pelo G upo 1500 de Música An iga e a é
uma degus ação do inho do Ribei o nas p oximidades do A co de Maza elos, única po a
que se conse a da mu alha medie al e ia de en ada do “p ecioso lico de Baco”,
segundo se ela a no Códice Calix ino (Libe Sanc i Jacobi, V, IX).
Quan o aos o ei os p esenciais que i e am luga em âmbi os e ní eis especí icos
do ensino, uma menção pa icula me ece a expe iência ou pos a em p á ica na ma é ia
Mi os e igu as do imaginá io medie al, incluída no mes ado em Es udos Medie ais:
Imagens, Tex os e Con ex os da Uni e sidade de San iago de Compos ela, em que as
isi as guiadas oca am sob e udo a igu a e p odução li e á ia de Be nal de Bona al e os
espaços da ig eja e do con en o de São Domingos de Bona al
5
. P ecisamen e oi esse um
5
Be nal ou Be na do de Bona al, cuja a i idade poé ico-musical se e á iniciado na p imei a me ade do
século XIII e apa ece ligada explici amen e ao ex amu os de San iago de Compos ela (ao luga de Bona al,
nas imediações da chamada Po a do Caminho), oi a igu a que abo dámos na comunicação “Amo e
ex amu os de Compos ela na lí ica galego-po uguesa: uma p opos a de isi a dida ica e mul idisciplina ”,
incluída no seio da 13 h In e na ional Con e ence “Fallen Walls, Rising Ba ie s…”, o ganizado po
COMPARES- Ibe ian and Sla onic Cul u es in Con ac and Compa ison nas uni e sidades de Lisboa (3-4
de maio de 2019) e É o a (4 de maio de 2019). Quan o à mencionada po a, lemb e-se que cons i ui uma
das se e p incipais en adas à cidade, pois po ali chega am os pe eg inos p oceden es da F ança e de
Cas ela – pa a além de se o acesso de eis e p íncipes e nela e luga pa e do ce imonial de oma de
possessão de cada no o a cebispo. Na e dade, pouco se sabe ace ca da cons ução o iginal da mu alha,
le an ada nos meados do século XI po o dem do bispo C escónio. Reme emos, pa a quem quise pe co ê-
las i ualmen e pa a o p oje o Mu alha Digi al. Uma janela à nossa his ó ia, c iado po uma ede de
cidades amu alhadas online de Galiza e No e de Po ugal, que em disponí el um geopo al web e uma
aplicação pa a elemó el no ende ezo h p://www.mu alladigi al.eu (consul a 14.01.2019)
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ISSN: 2525-8761
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B azilian Jou nal o De elopmen , Cu i iba, .7, n.1, p. 4183-4195 jan. 2021
local do o ei o a que se p es ou ambém uma pa icula a enção no p og ama do encon o
Os p imó dios da nossa língua esc i a: ex os e con ex os, in eg ado no p oje o de c iação
do documen á io Pac o de I mãos, ealizado pela AGAL (Associaçom Galega da
Língua), com a in enção de mos a , sob uma pe spe i a ans e sal, as es u u as e
ci cuns âncias his ó icas das mani es ações esc i as no quad o da Idade Media - nesse
sen ido, inclui, po exemplo, ma e iais didá icos o ien ados pa a p o esso es e alunos das
e apas p é-uni e si á ia e uni e si á ia
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Ou os o ei os ísicos o am le ados a cabo em liceus compos elanos, al como o
Ins i u o de Educación Secunda ia Xelmí ez I, em ní eis em que a lí ica medie al az
pa e da p og amação cu icula . E cabe e e i , ainda, a expe iência de adap ação desse
caminho poé ico medie al pa a um público mais jo em, o co esponden e ao úl imo ano
de ensino p imá ia, que, sob o  ulo “Ro ei o pela Compos ela mis o ado esca”,
coo denou o Cen o de Educación In an il e P ima ia López Fe ei o, si uado ambém
na capi al galega. Aliás, ao longo de odo es e empo, omos con ocados pelo CAFI
(Cen o Au onómico de Fo mación e Inno ación da Xun a de Galicia), an o pa a a
ap esen ação eó ica do o ei o como no a es a égia didá ica aos docen es de cen os
educa i os na EGAP (Escola Galega de Adminis ación Pública), quan o pa a a sua
execução em uas e locais p óximos de San iago de Compos ela.
Po úl imo, ap o ei ando os ecu sos que nos o nece a ecnologia da in o mação
e pa indo do ma e ial já compilado e disponí el, uma in ena de ob as a qui e ônicas e
paisagens na u ais acaba am de ganha p o agonismo e mo imen o no websi e de um
o ei o i ual. Lançado no mês de ab il de 2019 sob o pa ocínio e apoio ins i ucional do
Concello de San iago de Compos ela (www. o ei oli ica i ual.gal), al p oje o oi
ambém ap esen ado pe an e di e sos públicos da luso onia o a da Galiza,
nomeadamen e em Po ugal e no B asil, pouco empo depois. A p opos a da sua
elabo ação e execução é u o de um abalho conjun o, em que pa icipou, pa a além de
uma equipe cien í ica o mada pelos au o es já mencionados das uni e sidades de
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Pac o de i mãos  “o nome do documen o mais an igo em galego-po uguês, da ado en e 1173
e 1175, legado de uma época em que es a a a se con o ma no e i ó io no e-ociden al da
pennsula ib ica uma lngua omance de i ada do la im que e oluiu ao longo dos sculos”
(h ps://pac odei maos.gal, consul a 13.09.2019). Con o me explica a equipa do p oje o em
ques ão na sua websi e, com ele p e ende-se con ida a uma e lexão a p opósi o da língua, do
seu nascimen o e do seu s a us com espei o à língua de o igem, assim como ace ca da manei a
em que ai modelando uma sociedade e expe imen ando um p ocesso de ex ensão e a iação a é
aos empos a uais.