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Anais do Cong esso B asilei o de Iniciação Cien í ica Vol2 nº3 (2025) 724
(Ciências Sociais)
MULHERES SILENCIADAS E INVISIBILIZADAS DO PERÍODO
DA COLONIZAÇÃO: EDUCAÇÃO NÃO FORMAL COMO
ESTRATÉGIA DE VISIBILIZAÇÃO HISTÓRICA NO ESPAÇO
ESCOLAR E EM AMBIENTES PÚBLICOS
SILENCED AND INVISIBLE WOMEN OF THE COLONIAL
PERIOD: NON-FORMAL EDUCATION AS A STRATEGY FOR
HISTORICAL VISIBILITY IN SCHOOL AND PUBLIC SPACE
Geoma Souza Rabelo, Lilian Ta a es de Bai os Fe ei a
Cu so de licencia u a em His ó ia, Uni e sidade San a Cecília
E-mail pa a con a o: [email p o ec ed]
RESUMO: Es e abalho ap esen a a p imei a ase de um p oje o de educação não
o mal ol ado à alo ização de mulhe es silenciadas e in isibilizadas na his ó ia do
B asil colonial. A p opos a con empla a c iação de ca azes in o ma i os e uma
pla a o ma digi al acessí el po QR Code, com oco em ês pe sonagens his ó icas:
Danda a dos Palma es, Ana Pimen el e Ba i a. Inspi ado na pedagogia de Paulo
F ei e e no pensamen o de Michelle Pe o , o p oje o econhece a impo ância de
uma educação que alo ize a memó ia, a cul u a e a iden idade dos sujei os his ó icos
silenciados. Além do espaço escola , a p opos a se es ende a cen os cul u ais,
p aças, ea os e museus, e o çando a pe spec i a de que a educação não o mal
de e ci cula em ambien es públicos e comuni á ios.
Pala as-cha e: Educação não o mal; His ó ia das mulhe es; Quilombo dos
Palma es; Cul u a indígena; Michelle Pe o .
ABSTRACT: This pape p esen s he i s phase o a non- o mal educa ion p ojec
ocused on he isibili y o silenced and e ased women om B azilian colonial his o y.
The p oposal includes he c ea ion o in o ma i e pos e s and a digi al pla o m
accessible ia QR Code, highligh ing h ee his o ical igu es: Danda a dos Palma es,
Ana Pimen el, and Ba i a. Inspi ed by Paulo F ei e’s pedagogy and Michelle
Pe o ’s e lec ions, he p ojec emphasizes he impo ance o educa ion ha alues
memo y, cul u e, and iden i y o his o ically silenced subjec s. Beyond schools, he
ini ia i e ex ends o cul u ais cen e s, squa es, hea e s, and museums, ein o cing he
pe spec i e ha non- o mal educa ion mus ci cula e in public and communi y spaces.
Keywo ds: Non- o mal educa ion; Women’s his o y; Quilombo dos Palma es;
Indigenous cul u e; Michelle Pe o .
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1 INTRODUÇÃO
A his ó ia o icial do B asil, ma cada po na a i as eu ocên icas e pa ia cais, silenciou o
p o agonismo de inúme as mulhe es que a ua am no pe íodo da colonização. Como a i ma
Michelle Pe o (2005), “a his ó ia das mulhe es é a his ó ia de um longo silêncio”, esul ado de
p á icas sociais e cul u ais que elega am sua a uação ao espaço p i ado, ocul ando sua p esença
nos egis os o iciais. Es e p oje o nasce da inquie ação pedagógica en e à ausência dessas
igu as nos cu ículos escola es e p opõe uma ação educa i a que alo ize a memó ia his ó ica de
mulhe es como Danda a dos Palma es, Ana Pimen el e Ba i a.
Inspi ado na pedagogia libe ado a de Paulo F ei e, en ende-se que “a escola não é o
único luga onde se ap ende, mas é um luga p i ilegiado pa a se p oblema iza o mundo”
(FREIRE, 1996). Assim, o p oje o se inse e no campo da educação não o mal, u ilizando o
espaço escola como e i ó io de escu a, diálogo e econs ução de sabe es.
Es a é a p imei a ase da p opos a, com oco na p odução isual e ins alação dos ca azes.
As p óximas e apas inclui ão ampliação da pla a o ma digi al, no as pe sonagens e ações
in e a i as com a comunidade escola e com a sociedade em ge al.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa é de na u eza quali a i a, com abo dagem his ó ico-cul u al e me odologias
isuais. As e apas des a p imei a ase o am:
• Le an amen o bibliog á ico sob e mulhe es do pe íodo colonial;
• Seleção de ês pe sonagens: Danda a, Ana Pimen el e Ba i a;
• P odução de ca azes com imagem, ase de impac o, biog a ia e QR Code;
• C iação de pe il digi al com con eúdos complemen a es;
• Ins alação dos ca azes em espaços es a égicos da escola;
• In e ação com es udan es do Ensino Fundamen al II po meio de odas de con e sa e
a i idades de mediação.
Além da ins alação dos ca azes em espaços escola es, p e ê-se sua disposição em cen os
cul u ais, p aças, ea os e museus, conside ando o acesso a esses locais e sua ele ância como
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espaços de ci culação de sabe es e p á icas comuni á ias. Essa ação busca democ a iza o
conhecimen o e ea i ma a educação não o mal como e amen a de ans o mação social.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como a i ma Paulo F ei e, “a lei u a do mundo p ecede a lei u a da pala a” — e nes e
p oje o, os ca azes uncionam como disposi i os de lei u a c í ica do mundo e da his ó ia. Nesse
sen ido, enquan o Paulo F ei e des aca a lei u a c í ica do mundo, Michelle Pe o (2005) essal a
que da oz às mulhe es é ompe com o silêncio his ó ico que as elegou à in isibilidade.
3.1 CARTAZES INAUGURAIS
A segui , a desc ição dos ca azes que se ao u ilizados. Com as pe sonagens Ana
Pimen el, Ba hi a e Danda a.
Ca az 1 com o í ulo “Mulhe es Silenciadas e In isibilizadas – Pe íodo da Colonização”.
No cen o, há uma pin u a de Ana Pimen el, e a ada como uma mulhe de pele cla a, cabelos
cas anhos e exp essão se ena, es ida com aje do pe íodo colonial e um cola de pé olas. A
imagem es á emoldu ada po um con o no dou ado sob e um undo azul com pad ões
geomé icos e lo ais em b anco.
Logo abaixo, lê-se o sub í ulo “Ana Pimen el – A P imei a Go e nan e do B asil” e a
ase de des aque: “A mulhe que go e nou an es de se pe mi ido”. O ex o desc i i o in o ma
que Ana Pimen el oi esposa de Ma im A onso de Sousa e assumiu a adminis ação da Capi ania
de São Vicen e no século XVI, du an e as ausências do ma ido. O ex o essal a seu papel
pionei o na lide ança polí ica, social e econômica em uma época em que mulhe es e am p oibidas
de exe ce ca gos públicos. Mesmo com egis os his ó icos que comp o am sua a uação, sua
his ó ia oi apagada das na a i as o iciais. O ca az en a iza seu nome como símbolo da o ça
eminina na cons ução do B asil.
Ca az 2 com o í ulo “Mulhe es Silenciadas e In isibilizadas – Pe íodo da Colonização”.
No cen o, há uma ilus ação de Ba i a, ep esen ada como uma mulhe indígena com pin u a
acial e melha e cola ei o de den es e semen es, sob e um undo e melho com pad ões
geomé icos que eme em à a e indígena. A moldu a ama ela em o no da igu a des aca sua
cen alidade na composição isual.
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Abaixo da imagem, o sub í ulo “Ba i a – A Ma ia ca Ances al do B asil” é
acompanhado pela ase: “En e o onco da cul u a indígena e o galho da colonização.” O ex o
explica i o ap esen a Ba i a — ambém conhecida como M’bicy ou Isabel Dias — como mulhe
indígena da e nia upiniquim, ilha do cacique Tibi içá, e esposa do po uguês João Ramalho,
com quem se uniu po ol a de 1515. O ca az des aca que essa união simbolizou o início da
sociedade colonial no planal o paulis a e ep esen ou o encon o en e os po os o iginá ios e os
colonizado es. Ba i a é desc i a como símbolo da miscigenação e da esis ência cul u al
indígena, cuja his ó ia oi po mui o empo apagada das na a i as o iciais.
Ca az 3 in o ma i o com o í ulo “Mulhe es Silenciadas e In isibilizadas – Pe íodo da
Colonização”. A peça ap esen a uma ilus ação de Danda a dos Palma es, ep esen ada como
uma mulhe neg a, com exp essão i me e es indo um u ban e la anja. O undo do ca az é
compos o po pad ões geomé icos em ons e osos, eme endo à es é ica a icana.
Abaixo da imagem, há o sub í ulo “Danda a – A Gue ei a de Palma es” seguido de um
ex o explica i o sob e sua impo ância his ó ica. O ex o des aca o papel de Danda a como uma
das p incipais lide anças do Quilombo dos Palma es no século XVII, sua lu a con a a esc a idão
ao lado de Zumbi e sua a uação es a égica na o ganização e de esa do quilombo. Menciona
ambém seu en ol imen o na p odução de alimen os, alianças e esis ência, essal ando sua
ele ância como símbolo de lu a, libe dade e ances alidade neg a.
No can o in e io di ei o dos ca azes, há um QR code e a iden i icação do au o do
ma e ial: Geoma Rabelo – RA 214201.
4 CONCLUSÃO
Como p imei a ase, o p oje o demons ou que ações educa i as não o mais podem
ans o ma o ambien e escola em espaço de memó ia, escu a e p o agonismo. Ao isibiliza
mulhe es apagadas da his ó ia, p omo e-se uma educação comp ome ida com a di e sidade e
com a jus iça social.
A exposição dos ca azes em cen os cul u ais, p aças, ea os e museus, além do espaço
escola , con ibui pa a amplia a socialização da memó ia his ó ica, alcançando di e en es
públicos e p omo endo uma consciência c í ica cole i a.
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A con inuidade da p opos a p e ê a inclusão de no as mulhe es silenciadas e
in isibilizadas, ap o undamen o dos con eúdos digi ais e a iculação com ou as escolas da ede
pública.
5 REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo. Educação como p á ica da libe dade. Rio de Janei o: Paz e Te a, 1983.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da au onomia. São Paulo: Paz e Te a, 1996.
GONZALEZ, Lélia. Po um eminismo a o-la ino-ame icano. São Paulo: Zaha , 2020.
PERROT, Michelle. Minha his ó ia das mulhe es. São Paulo: Con ex o, 2005.
SCHWARCZ, Lilia Mo i z. B asil: uma biog a ia. São Paulo: Companhia das Le as, 2015.
SOUZA, João José Reis. A his ó ia dos quilombos no B asil. Sal ado : EDUFBA, 2008.