VOL. 2 - N.1 • 2024 | Re is a Es ud(i)os de Dança
RED 2024, 1: e202400209
ARTIGOS ORIGINAIS
O a qui o como essu gimen o: No as pa a uma es é ica globula
1
h ps://doi.o g/10.53072/RED202401/00209
O a qui o como essu gimen o:
No as pa a uma es é ica
globula
The a chi e as esu gence: No es o a globula aes he ics
San os, Ezequiel
h ps://o cid.o g/0000-0002-2956-6978
Escola Supe io de Ho ela ia e Tu ismo do Es o il - ESHTE
[email p o ec ed]
Resumo
Pa indo da elação con empo ânea en e a qui o e dança é açado um pe cu so que iden i ica e explici a dois
modos de a qui amen o – o es á ico e o pe o ma i o – pa a suge i a inclusão de uma ou a abo dagem: a do a qui o
como essu gimen o. O a igo ado a um âmbi o explo a ó io, baseado no encon o do au o com o obje o de análise
enquan o o ganizado e pa icipan e em e en os a qui ís icos cen ados em c iado es alecidos. Com apoio num qua-
d o eó ico não con encional, eco endo à Teo ia de Campo e à Teo ia dos Campos Mó icos de Rupe Sheld ake, a
ideia de endida é que no espaço de a qui o se a i a um campo espácio- empo al en e os co pos que az condensa
uma i ência de e-p esen i icação da pessoa ausen e. En e os pa icipan es ab em-se memó ias, essoam es ados
a e i os, su gem ideias que se con aminam e que se disseminam pa a além de um espaço- empo linea . Os a e ac os
e disposi i os de a qui o se em, assim, de undo holog amá ico, p opo cionando uma expe iência es é ica globula , ou
seja, assen e em e lexos da exis ência, a a és da qual se econs ói um odo ou o a i ido. Es e modo de a qui o –
na a i o, ene gé ico e sinc onís ico – ec ia a unção ib á il do co po que dança ans o mando-a em a e, supe ando
assim a sua ( emida) e eme idade p imá ia.
Pala as-cha e
A qui o, Dança e Ene gia, P esença, Teo ia de campo, Es é ica globula
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RED 2024, 1: e202400209
ARTIGOS ORIGINAIS
O a qui o como essu gimen o: No as pa a uma es é ica globula
h ps://doi.o g/10.53072/RED202401/00209 2
Abs ac
S a ing om he con empo a y ela ionship be ween a chi e and dance, a pa h is aced ha iden i ies and makes
explici wo modes o a chi ing – he s a ic and he pe o ma i e – o sugges he inclusion o ano he app oach: ha o
he a chi e as esu gence. The a icle adop s an explo a o y scope, based on he au ho ’s encoun e wi h he objec o
analysis bo h as an o ganize and pa icipan in a chi al e en s cen e ed on deceased c ea o s. Based on an uncon en-
ional heo e ical amewo k, (Field Theo y and Rupe Sheld ake’s Theo y o Mo phic Fields), he idea de ended is ha in
he a chi e a spa io- empo al ield is ac i a ed be ween he bodies, which condenses an expe ience o e-p esen i ica ion
o he absen pe son. Memo ies open among he pa icipan s, a ec i e s a es esona e, ideas eme ge and a e con ami-
na ed and dissemina ed beyond a linea space- ime. The a e ac s and a chi al de ices hus se e as a holog amma ic
backg ound, cons i u ing a globula aes he ic expe ience, ha is, based on e lec ions o exis ence, om which a whole
once li ed is econs uc ed. This mode o a chi ing - na a i e, ene ge ic and synch onis ic - econs i u es he ib a ing
unc ion o he dancing body ha hus becomes a , o e coming i s ( ea ed) p ima y epheme ali y.
Keywo ds
A chi e, Dance and Ene gy, P esence, Field Theo y, Globula Aes he ics
01. In odução
No p esen e a igo ap esen o uma e lexão em o no
de p á icas de a qui o, na dança, p ocu ando a lo a uma
emá ica pouco abo dada, e que é a expe iência de isi-
a um a qui o cen ado numa pessoa já alecida, i.e., um
a qui o que é o ganizado em unção de uma na a i a
de ida, e a a és do qual se expõem obje os pessoais,
se ecupe a o pa imónio p oduzido, e se ela am alguns
episódios exis enciais. T a a-se de uma p opos a explo-
a ó ia, baseada na expe iência de eceção/pa icipação
de um e en o ou a o público de a i ação de a qui o a
pa i do papel de obse ado pa icipan e. Não isando,
nes a ase, ence a uma pesquisa de âmbi o me odo-
lógico in ensi o, o a igo não segue os passos de uma
in es igação de aco do com o modelo enomenológico
(Mous akas, 1994). O seu obje i o gené ico passa po
ap esen a no as desc i i as a pa i de dois e en os, que
se ão ilus adas a a és de alguns concei os eó icos,
c iando assim um quad o con ex ualizado .
As p á icas de a qui o êm indo a ocupa p o ago-
nismo no domínio das a es pe o ma i as, azendo-se
apoia po um pensamen o insc i o na iloso ia, nas ciên-
cias humanas, nas ciências documen ais e nos es udos
da pe o mance. Es es modos de pensa êm pe mi ido
sis ema iza e essigni ica um conjun o de p ocedimen-
os, dis ibuídos ao longo do ciclo de ida das a es do
co po – desde a sua p odução a é à sua di usão e docu-
men ação. Se ia in e essan e analisa a ponde ação que
a p á ica a qui ís ica de ém na mode nidade a dia, à luz
de uma análise sociológica sob e as consequências da
globalização, como se a eb e a qui ís ica ecen e osse
espaldada po condições de ida comuns. Po exemplo,
Bauman (1999) e e e que um dos a ibu os da globali-
zação nas sociedades desen ol idas oi o de es abiliza
a dimensão “espaço”, pe mi indo que os modos de ida
das populações se ci cunsc e essem, na a ualidade, a
es a o mas de i e o “ empo”, ao seu ní el cai ológico.
Nes e sen ido, julgamos que as p á icas de a qui o po-
de iam se ambém um ins umen o a a o do con ínuo
p ocesso de e lexi idade das iden idades, in a e in e -
pessoais, um p ocesso elabo ado c i icamen e a pa i
do empo i ido pelos agen es de comunidades a ís i-
cas. Nou a pe spe i a, eco endo ao ocabulá io psica-
nalí ico, di íamos que o a qui o é uma en a i a de e i a
o ecalcamen o, num desejo de que a (pulsão de) ida
supe e a (pulsão de) mo e, azendo p e alece a possibi-
lidade de p ese a memó ias, do ala gamen o do nosso
plano i al, da ep odução em ez da co up ibilidade, da
pa ilha e ansmissão de sabe es, do amo em ez da
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ag essão. E, ambém, de sabe inclui e de p ocessa a
expe iência da mo e.
O a qui o o ganizado em o no de alguém alecido
ab e uma dimensão empo al que se expande pa a além
daquela possibili ada pela econs i uição1 de uma ob a
co eog á ica: p oduz-se um empo humano combinado
e na a i o – eco endo à isão de Ricoeu (1985) – que
ambém a e a os obje os exis en es no espaço exposi-
i o. A ideia que ad ogo é que es a expe iência az con-
densa campos de in o mação que a a essam o espaço
e o empo, pelo que es e modo de a qui o em mo imen-
o pe mi e, em modo me a o ome onímico, um concei o
que abso emos de Me z (1986)2, o essu gimen o do
co po da pessoa homenageada, conduzindo, em conse-
quência, a uma imp essão es é ica de o dem globula , ou
seja, uma imp essão que nos pe mi e cons ui a pe ce-
ção conhecida de um odo a pa i de cada uma das pa -
es (San os, 2023).
Começo po ap esen a algumas conside ações ne-
cessá ias, ela i as às p op iedades da dança enquan o
uma a e do co po, des acando a impo ância da ene -
gia co po al e de uma hie a quização ala gada do empo
que se es ende do a o pe o ma i o pa a o mundo. Em
seguida, con ex ualizo as p á icas de a qui o, si uando-
-as en e os egis os e as codi icações, po um lado, e os
a qui os em mo imen o ou pa icipados, aqui omados
po analogia à pa icipação de um e en o pe o ma i o,
po ou o. A pa i do campo de elações dinâmicas que
oco em num espaço a qui ís ico que e a a a ida de
alguém alecido, exponho a ideia do a qui o como es-
su gimen o.
São ap esen ados dois e en os, ealçando que a no-
ção de a qui o como essu gimen o é idedigna à mis-
são cons i uin e da dança, que é uma a e de na u eza
i i ican e, senso ial e in ensi icado a da p esença. O
a igo conclui com a ap esen ação de suges ões pa a
in es igações u u as.
1 Re-enac men , no o iginal inglês.
2 Te mo híb ido que eme e pa a uma hipó ese de abalho quan o
à p esença do co po nas a es ao i o, lançando g adien es de ep-
esen ação: o co po que pode se me á o a de algo ambém pe -
manece me onimicamen e como co po subs ância que exis e, indi-
idual ou cole i amen e.
02. Aspe os Teó icos
02.01. Co po e ene gia
A p á ica do a qui o na a e da dança en en a uma
ques ão cons i uin e, que é a de sabe como pode a qui-
a uma a e que ab ica com o co po, ou um co po que
se az a e. Po an o, um co po do ado da capacidade de
in ensi ica a p esença e de p oduzi uma sé ie de enó-
menos e de expe iências que se si uam na es e a in e -
média en e o eal e o imaginá io, num espaço po encial.
Es e é um e mo p opos o pelo psicanalis a Donald Win-
nico (1980) pa a explica a o igem psicológica do enó-
meno do jogo, a pa de ou os enómenos ansicionais
que undam as bases pa a a cul u a, a c iação a ís ica, a
p odução ilosó ica e a eligião.
Pensa a p odução a ís ica, ou desc e e a expe iên-
cia es é ica que a eceção da ob a de a e ou que as a -
mos e as a ís icas p oduzem, implica p ocu a mui as
e e ências, quase semp e al e na i as a um pa adigma
cien í ico mecanicis a e posi i is a. E aqui enca amos a
p odução a qui ís ica como uma ex ensão da p odução
a ís ica, ou uma das ases do ciclo de ida da ob a de
a e. Com e ei o, no espaço exposi o do a qui o - que
ele seja cons i uído segundo modos es á icos ou a i a-
dos, embo a mais in ensamen e nes es úl imos - p odu-
zem-se ambiências, i em-se essonâncias en e co pos,
ci culam es ados a e i os, in ensi ica-se a sines esia,
apu a-se a sensibilidade. São expe iências comuns a um
a o pe o ma i o, i idas a a és da con emplação e da
elação espe ado -cena, que es a oco a em espaços
ea ais de p oximidade ísica in imis a ou em disposi-
i os de ins alação ca ac e ís icos de espaços exposi i-
os, como museus, gale ias ou ou os espaços não con-
encionais (Ma ka a, 2021).
Os e mos a ás e e idos eme em pa a a es é ica
ilosó ica, ou pa a alguns discu sos dos es udos de pe -
o mance. Eles analisam a a mos e a do espaço pe o -
ma i o (ou exposi i o com ca iz pe o ma i o), sendo
que nes e úl imo oco em modulações de ene gia e de
o ças que acilmen e se p essen em. A ambiência, um
e mo de G i e o (2016) usado pa a si ua uma enome-
nologia da expe iência do espaço, esul a da expansão
emocional humana no luga , que po si só já é ma cado
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po a mos e as, um concei o an e io insc i o na iloso ia
es é ica de Böhme (1995). São odas as co es, empe-
a u as, sons, imp essões sines ésicas e b ilhos, ações
que eme gem de uma ob a, que ib am com o co po-es-
paço humano e cons i uem um ambien e que se i i ica.
Também a in es igado a Ana Pais (2018) es udou a ci -
culação de a e os, a dinâmica sensí el que oco e en e
o espaço cénico e o público.
Já o concei o de essonância oi p opos o pelo so-
ciólogo e ilóso o Ha mu Rosa (2018), a pa i do enó-
meno ísico da essonância acús ica na qual a ib ação
de um co po susci a a a i idade p óp ia de ou o. A ideia
cen al, é que as duas en idades da elação, si uadas num
meio capaz de ib ação (um espaço de essonância), “se
ouche mu uellemen de elle so e qu’ elles appa aissen
comme deux en i és qui se éponden l’une à l’au e ou
en pa lan de leu p op e oix”. (p. 191)
Rosa menciona a essonância es é ica pa a des a-
ca as a es e os p ocessos a ís icos enquan o es e a
de essonância dominan e na mode nidade, incluindo a
p óp ia a e da dança, onde o co po em si se o na um
espaço de essonância.
Assumimos, à pa ida, a cen alidade que o co po ad-
qui e nes a e lexão, e omamos as pala as do ilóso o
e encenado João And é (2016) cujo ex enso pe cu so
p o issional do au o combina a iloso ia com o conhe-
cimen o p á ico do campo pe o ma i o, de que as a es
do co po êm como sujei o de c iação um co po que é
uma in e ace com o mundo, sendo, po isso, as “a es do
homem como co po em mo imen o” (p. 115).
A pa i des a a i mação ap o undamos duas ideias.
A p imei a es á ligada à ene gia, e de ende que “o co po
é um núcleo de ene gia, ou um conjun o poli ónico de
núcleos de ene gia, como nós, a iculações, edes e pe -
cu sos que se sedimen am, es u u am e deses u u am
na consciência do eu e no eu inconscien e” (And é, 2016,
p. 91). Des e modo, a ob a co eog á ica esul a do luxo
na u al do p óp io co po – não é mecânica - e com is o,
“é physis ou na u eza que aqui se iden i ica plenamen-
e com a e, eliminando a con aposição en e physis e
ekhne, como se a a e, mais do que imi a a na u eza,
ajudasse aqui a p óp ia na u eza e dela osse, assim, um
p olongamen o.” (And é, 2016, p. 102)3.
A segunda ideia, é a de que es e co po é mo ido po
uma azão pá ica, que na p opos a de And é (2016) é
“uma azão que pensa sen indo e que sen e pensando,
e que, assim, uni ica as duas es e as que a adição oci-
den al nos habi uou a sepa a : a in eligência e a sensi-
bilidade” (p. 117). A azão pá ica é, pa a es e au o , uma
azão que se cons i ui como sensí el, a e i a e es é ica.
As a es do co po a i mam a ib ação do que é i o.
São dinâmicas, in ensi icam a sines esia e a senso iali-
dade, ab icam co pos de a e ações e de desejos que,
no caso da dança, se me amo oseiam ans o mando
o co po do baila ino em a e: “é a c iação es é ica do es-
paço no co po e do co po no espaço” (And é, 2016, p.
102), pala as que ecoam endo, po undo, a a i mação
de Me leau-Pon y na sua Fenomenologia da Pe ceção
(1981) de que o nosso co po é com o espaço.
Tomamos es as pala as como inspi ação umo a um
modo de a qui o em dança que seja idedigno à dynamis
e à ia pá ica des a o ma de a e. Po isso, c emos que
o pensamen o e a p á ica sob e a qui o em dança não
de e iam igno a o co po enquan o núcleo ene gé ico
e essoan e. T a a-se de inqui i se é possí el ecupe a ,
a a és de modos de a qui a , es e co po que é núcleo
ene gé ico i endo uma azão pá ica e em sensibilidade:
pode íamos azê-lo essu gi ?
02.02. P esença e e eme idade
Sob a designação ab angen e de “a qui o” incluem-
-se aspe os eó icos e p á icos que p opiciam elações
de á ia o dem: concep ual, e.g., o a qui o que o a é co-
di icado e es á ico, o a é c iado de na a i as e de mo i-
men o; ins umen al, po ecu so a u ensílios, a so wa e,
ou ecnologias de IA; e humanas, i.e., azendo po cap a
o in e esse de á ios s akeholde s ais como p og ama-
do es, in es igado es, a is as, p o issionais das ciências
documen ais, u ilizado es e espe ado es. Segundo a
pe spe i a de Madei a e al. (2019), uma ca ego ização
possí el, quan o aos modos de a qui a , ala ga -se-ia a
qua o zonas emá icas, sendo as duas p imei as de o -
3 Pa a ap o unda o es udo da ene gia nas a es do ea o e da
dança ecomendamos, ainda, o legado da An opologia Tea al de
Eugenio Ba ba (1994).
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dem es á ica, e as duas úl imas de o dem pe o má ica:
a) o a qui o como p á ica; b) o a qui o de p á icas; c) a
pe o ma i idade do a qui o; e d) o a qui o como p oces-
so.
O a qui o ap esen a-se como um uni e so habi ado
po plu alidades e, po essa azão, ele é “con inuamen e
a qui ado e e i icado” (Madei a e al., 2019, p. 7). O a -
qui o ab ica-se como luga en e ecido po memó ias, e
enquan o chão con inen e de his ó ias i idas, das quais
há episódios que se gua dam e ou os que se pe dem.
Reco damos as Teses sob e a Filoso ia da His ó ia, de
Wal e Benjamin (1992), na passagem em que, inspi ado
no quad o Angelus No us, de Paul Klee, o ilóso o ima-
gina o aspe o do anjo da his ó ia, de os o ol ado pa a
o passado, que olha pa a um amon oado de uínas de
onde deseja ia “despe a os mo os e euni os enci-
dos” (p. 162). Dessa pe spe i a de um amon oado ma e-
ial de uínas, que é o passado, esul a que “nada daquilo
que alguma ez acon eceu de e se conside ado como
pe dido pa a a his ó ia” (Benjamin, 1992, p. 158).
Cuidemos des as pala as, e do que e e i amen e
elas podem p o e iza pa a os modos a qui ís icos que
omam a a e da dança como obje o, pa a encadea al-
guns concei os no eado es: a memó ia dos ac os, a
e eme idade da dança, a ene gia e o empo.
Reco da e ecalca são duas ope ações psíquicas
que pe mi em ao sujei o ece linhas de ausência, de
p esença e de econs i uição en e si e o mundo. São
as mesmas ope ações que iden i icamos quando con-
i mamos a a iculação en e o a qui o e a dança4, uma
a iculação que comp eende isões e me odologias que
possibili am ope a sob e o angí el: o a qui o pe mi e-
-nos a a i ação mnésica po que localiza e ansmi e
in o mação, c ia on ologias e sis emas de ca alogação
que ipi icam as ob as no seu plano documen al e bu o-
c á ico, p oduz abelas de au o idade, desc e e o ganiza-
ções, ag upa a e ac os e disposi i os de p odução. Mas
não gua da memó ia do in angí el e do e éme o, que é o
4 Pa en e na ase anónima, insc i a no diag ama de Pa a uma
imeline a ha e , p oduzida pela Associação Pa asi a pa a o 20.º an-
i e sá io de O Rumo do Fumo, e colocado na pa ede adjacen e ao
es údio da Fo um Dança no Espaço da Penha: “Toda [a] seleção é uma
opção. Toda a não seleção é uma icção”.
mo imen o. Como eco da , en ão, o mo imen o dança-
do e a dynamis do espaço-co po é um p oblema an igo e
que em p ocu ado se espondido ainda mui o an es da
ca ego ização, po Goodman (1976), da dança enquan o
a e halog á ica, ou que ca ece de no ação.
Com e ei o, no ca álogo publicado em 1991 e esul-
an e da exposição Danses T acées, a his o iado a de
dança Lau ence Louppe, uma das suas co-au o as, co-
men a, no capí ulo in i ulado Les impe ec ions du Papie ,
a p imei a g a u a que é ap esen ada no li o, po en u a
a p imei a o ma de no ação eu opeia a islumb a -se,
ainda no Renascimen o5. A página e ela um sis ema de
signos a iculados, em 5 colunas e icais que ap esen-
am dois eixos de simbolização: um ela i o à disposi-
ção do mo imen o no espaço, e o ou o “à la s ylisa ion
g aphique du lexème qui désigne ce mou emen dans la
langue” (Louppe, 1991, p. 23), c iando um e ei o que pe -
manece en e o esquemá ico e o imaginado.
T a a-se de um egis o pionei o de no ação co eog á-
ica, pe mi indo a lemb ança, plasmada em signos in e -
p e á eis, azendo a ecupe ação do ges o no empo e
no espaço e que é do mesmo empo p esen e de quem
o es emunha, ago a. Mas o mo imen o é apenas uma
pa e da dança, pelo que a no ação é uma pa cela que
não ab ange a enomenologia do co po-espaço nem a
sua dinâmica.
A ca ac e ís ica da e eme idade essal a o aspe-
o i epe í el das a es do co po, anunciado po Phelan
(1993) e e omado pela ea óloga E ika Fische -Lich e
(2004), e que se pode sin e iza a i mando que o que é
e éme o não pode se a qui ado, e que aquilo que se
cons i ui pela expe iência apenas é ansmissí el pela
expe iência. Sendo uma das linhas de discussão aca-
démica, a e eme idade é apon ada po Lepecki (2012)
como um dos aços cons i uin es da dança, e não ne-
cessa iamen e como des an agem já que o século XXI
em es emunhado o sucesso da me can ilização da
dança no ci cui o in e nacional da a e con empo ânea.
C emos que a discussão em o no da e eme idade da
5 Anonyme, Manusc i des Basses Danses de Ta agone, XVIe siècle
(Biblio eca de Ca alunya, Ba celone).
VOL. 2 - N.1 • 2024 | Re is a Es ud(i)os de Dança
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dança é apenas uma meia- e dade on o-epis emológica.
Po que a e eme idade de e se lida como uma ca ac e-
ís ica in ínseca à p esença exis encial do co po. O ac-
o de se mos-no- empo, conscien es da nossa ini ude,
cons i ui a e eme idade como o ní el comum e p imá io
da p esença. Fomos ins uídos na c ença de i e num
uni e so e e no, com leis na u ais go e nadas pelos p in-
cípios ma emá icos, e onde o co po e a ida humana
adqui em um ca ác e co up í el com o empo. Mas a
co up ibilidade é ambém ca ac e ís ica da ma é ia. E
se é e dade que cada mo imen o nasce pa a a mo e,
é se da na u eza do mo imen o ele se i epe í el, po -
que o mo imen o no in e io do co po nunca é eplicá el
como cópia de si, mesmo se a sua con apa e, i.e., a sua
p ojeção no espaço ex e io , apa en a se da o dem da
ep odu ibilidade ou da sinc onização.
O segundo ní el de p esença pe mi e uma in ensi ica-
ção ísica, ene gé ica, bioquímica, cines ésica e sines é-
sica, pelo que a dança é uma das a i idades mais p opi-
ciado as da in ensi icação da p esença. A e cei a o ma
de p esença dá-se a a és do conhecimen o não pensa-
do que passa en e co pos, ligado ao concei o do que se
consegue ansmi i além dos ó gãos senso iais (Bollas,
1992; Gumb ech , 2014) e que essal a a iqueza do en-
con o, ambém pa en e no enómeno de “ essonância”
desc i o po Rosa (2018). É uma o ma de p esença p e-
ciosa, da qual as a es do co po de êm uma longa a-
dição. Po isso, di íamos, que ao documen a a a e da
dança es amos num e i ó io que cinde uma expe iência
de o alidade, ao não ansmi i o que unicamen e pode
passa en e os co pos de pe o me s e de espe ado es.
Se ia desejá el, po an o, que o anjo da his ó ia con-
sen isse em não deixa pe de a ma e ialidade, nem a
ação, nem a ene gia do passado: e a a és do a qui o
pe mi i e , ou i , i encia o sen i ib á il, cap a empe-
a u as e modulações no espaço. Po que o p incípio de
oda a ação é a ene gia (And é, 2022), há uma dynamis
que mo e o mundo e es á pa en e nas nossas c iações,
pala as p o e idas ou esc i as, desenhos, mo imen os
e obje os ab icados. E, na es é ica do espaço pe o ma-
i o, udo emana da ene gia humana e daquela con ida
nos obje os e a e ac os, e es es, in es idos pelo empo
na a i o adqui em o es a u o de en es semi i os (And é,
2021), a ene gia in ensi ica-se, ci cula nos co pos-espa-
ço e é p odu o a de uma dança de e ei os i i icados.
03. Modos de A qui o
Cen ando-nos, po ago a, nos modos de a qui o, co-
mecemos po obse a o a qui o es á ico, que oma a
o ma de egis o his ó ico com ca ego ias hie a quizadas
e es á eis, e i ando a pe da e o esquecimen o. Te íamos
aqui uma isão de âmbi o mais posi i is a, p ocu ando
a localização espácio- empo al da in o mação sob inspi-
ação da iloso ia de De ida (2008) ou Foucaul (2005).
Começamos po e e i o a qui o como p á ica. Ba-
seando-se na adição disciplina das ciências documen-
ais, es e modo eque manu enção e um plano o çamen-
al a longo p azo. Nes e âmbi o, a p ese ação digi al
es á em consolidação, deno ando es a égias de a qui o
com a possibilidade de desen ol e hubs e uma con i-
gu ação es u u al em ede. No caso da dança, de que
nos ocupamos, é exemplo o p oje o Te psico e (2023)6,
que ep esen a a c iação de uma pla a o ma de a qui o
colabo a i a digi alizada.
Ou a modalidade é a do a qui o de p á icas. T a a-
-se de documen a e ano a elemen os e ases de um
p ocesso c ia i o ou de um es i al, usando so wa e de
ano ação ou p omo endo p á icas documen ais seguin-
do me odologias quan i a i as ou quali a i as.
Nes e con ex o mais a qui ís ico em sen ido adicio-
nal, apoiando a conse ação de ob as, á ios p oje os
êm sido c iados pa a implemen a es a égias de p ese -
ação digi al e dinamização do po encial a qui ís ico da
c iação con empo ânea. Es es p oje os a am ópicos
como a ino ação, a acessibilidade e o pa imónio in an-
gí el das a es pe o ma i as. A In e ne é, nes es casos,
a in aes u u a écnica que conec a coleções e a qui os.
Como exemplo omemos o p oje o eu opeu P emie e
(2023) -, com um consó cio de 12 pa cei os eu opeus. O
6 P oje o de desen ol imen o a qui ís ico do INET-md polo FMH as-
sen e em á ias pa ce ias com es u u as de dança – Balle Tea o,
no Po o; Dançando com a Di e ença, na Madei a; EIRA, em Lisboa;
Companhia de Dança de Almada, em Almada; Real Pelágio, em Lis-
boa –, emp esas de compu ação (KeepSolu ions) e eposi ó ios digi-
ais (Po uguese Cinema hèque/Film A chi e; A qui o.p ).
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p oje o comp eende o ciclo de ida das p oduções nas
a es pe o ma i as, das quais o a qui o é uma das qua-
o ases em es udo. Pa a os a qui os de dança, p e en-
de-se a aplicação de ecnologias digi ais a ançadas pa a
a melho ia de imagem e de con eúdos de egis os em í-
deo, de modo a desen ol e uma a iedade de e amen-
as que p ese a ão es es egis os. Com o p opósi o de
disseminação, ealizou-se uma mesa edonda abe a ao
público e in i ulada A chi ing o he Fu u e, o ganizada
no âmbi o do P emie e Open Days (20 e 21 de se emb o
de 2023) du an e o encon o do consó cio em Ames e -
dão, nos Países Baixos. Com e ei o, pa a além dos ópi-
cos em o no da digi alização, ou as ques ões su gi am
no deba e: o comp omisso das ins i uições a qui ís icas
de se ab i em à sociedade, p omo endo a isibilidade do
a qui o nas a es pe o ma i as como uma con ibuição
pa a uma sociedade mais pa icipa i a e democ á ica.
Reunindo a is as e especialis as em a qui o de á-
ios países eu opeus, de en e companhias de epe ó io
e a is as independen es, o in e esse comum expandiu
os e mos da digi alização e ocou-se no a qui o en-
quan o sis ema de ansmissão pa imonial, conside an-
do que a pa ilha com as comunidades de e ia se is o
como um alo undacional.
O a qui is a su ge, assim, como uma in e ace, man-
endo-se num e i ó io pe meá el en e o obje o de a -
qui o e o u ilizado , ou a sociedade como um odo. Po-
demos usa a ecnologia numa pe spe i a eleológica,
mas o po encial do a qui o só é alcançado a a és da
comunicação com o ece o , especializado ou amado ,
ab indo ealidades de espaço- empo e en e se es. E um
dos p oje os ap esen ados du an e a mesa- edonda, pelo
consó cio dos Países Baixos PodiumKuns .ne (2023),
in i ula a-se p ecisamen e Talking wi h he dead - wha
an a chi e can do, should do and mus do, isando, p e-
cisamen e, le a a é ao conhecimen o do público nee -
landês p oduções desconhecidas. Assim, sob o p e ex o
de uma discussão sob e a digi alização e o u u o do
a qui o, esca ámos, em sen ido oucaul iano, camadas
de sen ido a é chega mos a um ema mais elacional e
p imo dial que concede p o agonismo a uma isão mais
pe o má ica do a qui o.
No que ao a qui o pe o má ico ou em mo imen o
diz espei o, ele su ge como a qui o associado a epe -
ó io, capaz de ea i ma con a-na a i as, implicando
ans e ência de sen idos e a c iação de um ou o dia-
lógico, e não p e ende se um documen o idedigno de
uma ob a o iginal. Pa a Taylo (2003), a au o idade do
a qui o de e ia se complemen ada com a in odução
de epe ó io, já que es a e en e possibili a ias al e -
na i as à in e p e ação das adições, po encia dinâmi-
cas en e u ilizado es e p i ilegia a pe o mance sob e
a noção de a qui o como egis o. E é nes e âmbi o que
Lepecki (2010) de ende a noção de co po-a qui o, a qual
em pe mi ido apoia concep ualmen e os abalhos de
econs i uição co eog á ica.
A pe o ma i idade do a qui o pode su gi po a i a-
ção - conciliando a documen ação com a p odução de
na a i as a ís icas - como no caso da exposição dos
40 anos de a i idade do co eóg a o F ancisco Camacho,
no Museu Nacional do Tea o e da Dança, em 2023. Nes-
a mon agem, os apon amen os pessoais sob e as suas
c iações e pa icipações co eog á icas são ilus ados
po o og a ias, co espondência pessoal, li os, discos
e obje os á ios. São coleções de ememo ações, e e-
ências a de alhes de uma ca ei a in e nacional cujos
pon os são ligados c iando cons elações his ó icas em
que a ida pessoal des e baila ino e co eóg a o se une
aos egis os sob e as suas c iações, com p esença de
igu inos e ade eços de peças a solo ou de g upo. Não
sendo p o ida do igo ins umen al e demons a i o das
écnicas de conse ação, a exposição ale como aná-
lise de uma coleção semip i ada, na qual o espaço eu-
clidiano ocupado po cada peça ica documen ado em
na a i a (ou é na ado em documen ação) e se baseia
numa essonância a e i a e in ospe i a. Do pon o de
is a es é ico, a a a-se de um disposi i o p óximo da
a -ins alla ion, e oi acompanhada de um p og ama pa-
alelo de encon os e de con e sas7.
Como exemplo de A qui o como p ocesso, indicamos
7 Em ab il, hou e a isualização de O ei no exílio (solo co eog á ico
de F ancisco Camacho, es eado em 1991 e adap ado pa a câma a
pelo ealizado B uno de Almeida, em 1993), seguida de um deba e
com a pa icipação do ealizado e do co eóg a o, e uma con e sa
com a igu inis a Ca lo a Lagido.
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a es u u a omena Ins i u ul P ezen ului (IP)/The Ins i u e
o he P esen , que a a o a qui o em di e en es disci-
plinas - quase semp e em combinação com a dança - e
pela e i alização do passado, como no caso da mos a
inaugu ada em no emb o de 2019 no Museu Nacional
de A e Romena, em Buca es e, in i ulada “Expozi ia
24 de A gumen e. Conexiuni impu ii în neo-a anga da
omâneasca 1969-1971” (Se ban & Fe chedau, 2020). As
cu ado as ecupe a am e compa a am o abalho de a -
is as plás icos omenos, en e 1969-1971, com ou os
a is as eu opeus e incluí am a econs i uição de uma
ob a de 1968 da co eóg a a Mi iam Raducanu, ao jei o
do exp essionismo abs a o.
Madei a e al. (2019) insc e em ainda nes a ca ego ia
oda a pesquisa a ís ica baseada na ação e na expe i-
men ação, de que pode íamos apon a os casos po -
ugueses de ins i uições da a e con empo ânea Re.Al
(1995-2019), c.e.m – Cen o em Mo imen o, da Fo um
Dança e, ainda, da Pa asi a (2014) com os p oje os Pa a
uma Timeline a Ha e (2017-2022) e Dança Não Dança,
es e úl imo iniciado em ou ub o de 2023.
Se os ês aspe os da p esença, cons i uin es das a -
es de co po, são de ol idos com as a i ações do a qui-
o e as econs i uições de ob as, ha e ia que cuida on-
o-epis emologicamen e das o ganizações a qui ís icas
em o no de pessoas mo as (em jei o his o iog á ico
ou de homenagem) cujo obje i o é aça uma na a i a,
po que a i a o (seu) a qui o é azê-las essu gi 8. Aqui,
inspi amo-nos na ideia de Ba al e Ne’eman (1999), que
e omam me a o icamen e – e não a ní el an asmagó-
ico - a p o ecia de Ezequiel no an igo es amen o, O Vale
dos Ossos Secos, como uma ma iz pa a a eno ação e
mudança na dança. Es a me á o a ilus a a conexão c ia-
i a en e o sonho indi idual e a expe iência cole i a que
an o ca ac e iza o abalho nes a a e: “e po ei ne os
sob e ós, e a ei c esce ca ne sob e ós, e sob e ós es-
ende ei pele, e po ei em ós o ôlego da ida, e i e eis.”
(Bíblia AT, 1995, p. 325).
O a qui o põe em con ac o o angí el e o in angí el,
8 A adoção des e e mo, em ez de essu eição, e i a cono ações
eligiosas e é mais iel à ideia que e i amos de Deleuze (1985), a
p opósi o de Nie zsche, de que o mo imen o de e o no a algo não se
di ige pa a a coisa mesma, a o igem, mas pa a o pad ão.
que são ambos lados de uma expe iência i a. Pa a al
en endimen o, necessi amos de apoio num quad o eó-
ico ino ado e al e na i o. Ele possibili a -nos-á pe s-
pe i a o a qui o não como um meio de localização ou
deci ação, mas sim como um encon o que des az a
hie a quização empo al e pe mi e a condensação cole i-
a de in o mação, p ocesso a a és do qual oco e a p e-
sen i icação de uma ausência. A dimensão ene gé ica é
i ida, não unicamen e a a és da econs i uição de uma
ob a co eog á ica, mas pela sin onização com um cam-
po ene gé ico e mó ico a a és do qual podemos sen-
i , como uma escul u a ib acional, a densidade de um
co po in isí el. Como se o nosso co po, em união com o
espaço, imp imisse e ecupe asse in o mação ambém
do espaço, dando ao a qui o a possibilidade de eabili a
algo do in isí el, pe mi indo que a in o mação nele a qui-
ada eme gisse.
Dando abe u a a um quin o modo de a qui o, in e-
essa especi ica que não é su icien e abo da apenas o
essu gimen o pela ó ica dos concei os de essonância,
a e i idade ou ambiência. Na p opos a do a qui o como
essu gimen o, ins alamos uma ou a pe ceção do em-
po que não é ins umen al nem cai ológica, mas pe sis e
em se um empo de complemen o:
Toda a ob a de icção, e bal ou plás ica, na a i a
ou lí ica, es á possuída de um mo imen o de an-
scendência na imanência e p oje a pa a o a de si
um mundo, que se pode chama o ‘mundo da ob a’
ou no o espaço de habi abilidade pa a o homem, ca-
paz de ge a um con on o en e o mundo do ex o e
o mundo do lei o . (Pe ei a, 1993, as ci ed in And é,
2016, p. 222)9
É po isso uma expe iência que es abelece a media-
ção en e dois empos e que mobiliza a memó ia. Nes a
mobilização, o empo da ob a pe o ma i a e o empo do
9 Reco damos, e não apenas no con ex o des e a igo, o nosso in-
e esse em expandi a noção de “ob a c iada” pa a o a qui o a i ado,
já que as dis in as ações que compõem a a i ação de um a qui o po-
dem se assis idas e analisadas como cons i uindo um a o pe o ma-
i o o al: econs i uições, isi as guiadas, lei u as, con emplação de
ade eços, e elação in e -co po al com á ios in e enien es.
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seu complemen o, que é o espe ado , não se ap esen a
como linea , an o pa a quem ela a o passado como
pa a quem escu a essa mesma na ação.
E, po analogia, como e e e And é (2016), a memó ia
pessoal mobiliza um empo semelhan e. A eco dação
ans o ma-se numa ” ememo ação quen e” numa a i i-
dade de “ e-p esen i icação” p a icada: um empo em que
“da as e i ências emo i as essoam in e io men e num
p esen e” (And é, 2016, p. 223). Po meio da memó ia,
passado, p esen e e u u o não são “di e enças punc i-
o mes a i me icamen e somá eis mas modos empo-
ais com passado, p esen e e u u o”. (Ca oga, 2001, as
ci ed in And é, 2016, p. 224)10.
A eme gência de uma sensação de p esença, ans-
o mação e e-p esen i icação são conhecidas nou as
disciplinas, a a és do desen ol imen o da capacidade
de sen i e de ab i a consciência co po al, desen ol en-
do o sen ido da in e -co po alidade. O enómeno deno-
minado condensação (Ne i, 1999), ca ac e ís ico dos
g upos psico e apêu icos, ou a essonância psicológica,
nas écnicas de psicod ama enomenológico ou cons e-
lações amilia es, é exempla . Nes es casos, os pa ici-
pan es do g upo e apêu ico que acei am pa icipa em
encenações, ilus ando episódios amilia es ou exis en-
ciais que um sujei o p e ende p ocessa , dão-se con a de
que ado am espon aneamen e as pos u as, eações e -
bais, a i udes e omam decisões em udo semelhan es
à pessoa que ep esen am (algumas já alecidas), sem
alguma ez as e em conhecido. Nes e sen ido, obse e-
mos seguidamen e dois e en os de essu gimen o a qui-
ís ico, desc e endo a expe iência i ida na p imei a pes-
soa e ilus ando-os com modelos eó icos ap op iados.
04. O a qui o como campo ene gé ico e como essu -
gimen o
E en o n.º 1
En e 23 e 25 de ma ço de 2023 ealizou-se uma ho-
10 Ideia de empo expandido ambém p esen e no exce o da V
pa e do poema Bu n No on, de T. S. Ellio : “No he s illness o he
iolin, while he no e las s, / No ha only, bu he co-exis ence, / O
say ha he end p ecedes he beginning, / And he end and he be-
ginning we e always he e / Be o e he beginning and a e he end.”
(Poe yVe se, 2023).
menagem a Gil Mendo [1946-2022], uma pessoa que i-
da no mundo das a es pe o ma i as, e não apenas em
Po ugal. Es e p og ama de homenagem deco eu na
Cul u ges , em Lisboa, que ambém oi um dos seus lu-
ga es de a e ações po la gos anos, e incluiu 4 mesas
edondas, a a i ação de um a qui o audio isual, uma ma-
a ona co eog á ica e uma es a. O a qui o e a ou as
á ias ace as do homenageado, com o og a ias suas
enquan o jo em baila ino nos anos 1960, ex os seus
sob e pedagogia e ensino a ís ico, mui os deles euni-
dos num suplemen o especial da edição do jo nal Co eia
(2023), e egis os em ídeo ealizados nas ês úl imas
décadas. A a i ação do a qui o, a ca go dos co eóg a-
os Madalena Vic o ino e João Fiadei o, oco eu em dois
dias consecu i os às duas mesas- edondas com pa cei-
os nacionais e eu opeus, que ha iam deco ido ao inal
da a de. O abalho de Fiadei o oi pa icula men e in en-
so, en ol endo con ac o ísico com um dos amigos de
longa da a de Gil Mendo e com as pa edes da sala de
exposição. A a i ação coincidiu com uma sensação de
espessamen o na a mos e a do a , exal ação e alguma
exaus ão ísica. Madalena Vic o ino ealizou uma a i a-
ção mais e ospe i a, inspi ando-se num dos ídeos em
que Gil Mendo dança, pa a ealiza um exe cício a pa es.
Po ezes, ins ala a-se um silêncio que se sen ia como
uma p esença especial na sala. Algumas pessoas e ba-
liza am: “é como se o Gil es i esse connosco”. No úl imo
dia, o momen o co eog á ico com So ia Dias e Vic o Ro-
iz, com pa es de can o e de con ac o ísico en e o públi-
co dispos o no g ande audi ó io, oi i ido com emoção.
Uma pales an e que ha ia es ado p esen e na mesa sob
a emá ica da in e nacionalização con essou: “es e e-
sul ado só é possí el po que oco e com a comunidade
da dança, ocês conseguem uni as pessoas”, como se
as suas pala as, ecupe ando a ideia igen e de a dança
se uma a e do cole i o (Kee smaeke , 1995), ecoassem
a pa i da memó ia do nosso passado emb iogénico p i-
mo dial, de células que ib am jun as ab indo os cami-
nhos de um co po u u o (Wal & Bie, 2005).
Es a é uma expe iência ilus á el a a és da Teo ia de
Campo, que é um ma co pa a elucida e examina e en-
os, expe iências, obje os, o ganismos e sis emas en-