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Ciclos económicos: análise de 3 motores da Zona Euro: Alemanha, França e Itália

Abstract

Este trabalho estuda a sincronia dos ciclos económicos da Alemanha, França e Itália. A sincronia dos ciclos económicos das principais economias constituintes da Zona Euro é um fator importante no desenvolvimento harmonioso e no crescimento estável e sustentado dessa área económica. Para além disso, a sincronia dos ciclos económicos é um elemento importante não só para essas economias como também para as restantes economias que pertencem à Zona Euro, pois através de diversos efeitos multiplicadores pode a robustez do seu desempenho económico ser maior ou menor de acordo com o desempenho das principais economias e serem mais ou menos afetadas pelas políticas comuns. Considerando o período 2000 – 2020, começamos por caracterizar, para cada país, os ciclos económicos e as suas fases, nomeadamente, em termos de durações e amplitudes, usando a metodologia de Harding e Pagan (2002) para a datação dos ciclos económicos. De seguida usamos o índice de concordância de séries sugerido pelos mesmos autores para determinar o grau de sincronização dos ciclos económicos das três economias em estudo. Os resultados sugerem que no período de vigência da Zona Euro, 2000-2020, a Alemanha e a França apresentam ciclos cada vez mais longos, devido a um aumento da duração das fases de expansão. Em termos de amplitudes, verifica-se também que estas são positivas e crescentes com o evoluir do tempo. Por sua vez, a Itália apresenta um comportamento diferente face à Alemanha e à França: os seus ciclos apresentam durações irregulares, não sendo estes crescentes ao longo do tempo como o padrão que se pode identificar para a Alemanha e a França e a amplitude dos seus ciclos é, em diversos ciclos identificados, negativa. Em relação à sincronia dos ciclos económicos verificamos que esta existe entre as três economias, e que o co-movimento das séries se intensificou após a crise financeira global de 2008. No entanto, os resultados obtidos com este trabalho sugerem que, apesar da sincronia das séries do PIB das três maiores economias da Zona Euro (Itália, Alemanha e França), há diferenças importantes no que diz respeito às características dos ciclos económicos de cada país – em particular, amplitudes divergentes. Assim, apesar de uma maior sincronia a convergência real entre países poderá estar em causa.

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Ciclos económicos: análise de 3 motores da Zona Euro: Alemanha, França e Itália

Author: Sousa, Tiago José Magalhães Ferreira de
Year: 2021
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/613bb314-440d-4a5a-9312-1ce22a9c9f8e/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Tiago José Magalhães Fe ei a de Sousa
Ciclos Económicos: Análise de 3 mo o es da Zona
Eu o: Alemanha, F ança e I ália
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Economia Mone á ia, Bancá ia e Financei a
T abalho ealizado sob a o ien ação da p o esso a
Dou o a P iscila And ea Ma ques Fe ei a
Fe e ei o 2021
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionais acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do eposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Ag adeço em p imei o luga à p o esso a Dou o a P iscila Fe ei a po e acei ado se a
o ien ado a dos meus passos nes a disse ação, endo-me não só o ien ado cien i icamen e, mas
ambém po me e ajudado a supe a odas as di iculdades encon adas, pa ilhando comigo o seu
conhecimen o. Ob igado po não e desis ido de mim.
Ag adeço aos meus pais e aos meus a ós; cos umo pensa que eles não são pessoas pe ei as,
mas que o am e são os pais e os a ós pe ei os. Po udo o que me p opo ciona am a eles de o mui o
daquilo que sou, o melho ibu o que lhes posso p es a é dize que se um dia eu o me ade do que
eles o am pa a mim se ei um excelen e pai e a ô ce amen e.
Exp esso igualmen e ag adecimen o aos meus amigos de in ância Ma lene e Fábio, que se ão
po en u a o mais p óximo dos i mãos de sangue que eu nunca i e. Ag adeço ambém a odos os ou os
a quem nes es úl imos empos pude chama de amigos, pela o ça que me ansmi i am semp e.
Ao A u , ao Diogo, ao Ped o e ao Gonçalo, amigos e colegas de mes ado ag adeço o empo de
es udo e de boémia nes a ase da minha ida que oi, ambém, ce amen e impo an e pa a o sucesso
de inaliza es a passo.
Uma pala a de ag adecimen o ao es o da minha amília, assim como a odas as ou as pessoas
que con ibuí am pa a a conclusão des a e apa.
À Ca a ina.

i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
RESUMO
Es e abalho es uda a sinc onia dos ciclos económicos da Alemanha, F ança e I ália. A sinc onia
dos ciclos económicos das p incipais economias cons i uin es da Zona Eu o é um a o impo an e no
desen ol imen o ha monioso e no c escimen o es á el e sus en ado dessa á ea económica. Pa a além
disso, a sinc onia dos ciclos económicos é um elemen o impo an e não só pa a essas economias como
ambém pa a as es an es economias que pe encem à Zona Eu o, pois a a és de di e sos e ei os
mul iplicado es pode a obus ez do seu desempenho económico se maio ou meno de aco do com o
desempenho das p incipais economias e se em mais ou menos a e adas pelas polí icas comuns.
Conside ando o pe íodo 2000 – 2020, começamos po ca ac e iza , pa a cada país, os ciclos
económicos e as suas ases, nomeadamen e, em e mos de du ações e ampli udes, usando a
me odologia de Ha ding e Pagan (2002) pa a a da ação dos ciclos económicos. De seguida usamos o
índice de conco dância de sé ies suge ido pelos mesmos au o es pa a de e mina o g au de
sinc onização dos ciclos económicos das ês economias em es udo.
Os esul ados suge em que no pe íodo de igência da Zona Eu o, 2000-2020, a Alemanha e a
F ança ap esen am ciclos cada ez mais longos, de ido a um aumen o da du ação das ases de
expansão. Em e mos de ampli udes, e i ica-se ambém que es as são posi i as e c escen es com o
e olui do empo. Po sua ez, a I ália ap esen a um compo amen o di e en e ace à Alemanha e à
F ança: os seus ciclos ap esen am du ações i egula es, não sendo es es c escen es ao longo do empo
como o pad ão que se pode iden i ica pa a a Alemanha e a F ança e a ampli ude dos seus ciclos é, em
di e sos ciclos iden i icados, nega i a.
Em elação à sinc onia dos ciclos económicos e i icamos que es a exis e en e as ês economias,
e que o co-mo imen o das sé ies se in ensi icou após a c ise inancei a global de 2008. No en an o, os
esul ados ob idos com es e abalho suge em que, apesa da sinc onia das sé ies do PIB das ês
maio es economias da Zona Eu o (I ália, Alemanha e F ança), há di e enças impo an es no que diz
espei o às ca ac e ís icas dos ciclos económicos de cada país – em pa icula , ampli udes di e gen es.
Assim, apesa de uma maio sinc onia a con e gência eal en e países pode á es a em causa.
Pala as-Cha e: Sinc onia; Ciclos económicos; Zona Eu o.
i
ABSTRACT
This wo k s udies he synch ony o he economic cycles o Ge many, F ance and I aly. The
synch ony o he economic cycles o he main cons i uen economies o he Eu o Zone is an impo an
ac o in he ha monious de elopmen and s able and sus ained g ow h o his economic a ea. Mo eo e ,
he synch ony o economic cycles is an impo an elemen no only o hese economies bu also o he
o he economies belonging o he Eu o Zone, because h ough a ious mul iplie e ec s he obus ness
o hei economic pe o mance can be g ea e o lesse acco ding o he pe o mance o he main
economies and be mo e o less a ec ed by common policies.
Conside ing he pe iod 2000 - 2020, we s a by cha ac e izing, o each coun y, he economic
cycles and hei phases, namely in e ms o du a ions and ampli udes, using he me hodology o Ha ding
and Pagan (2002) o he da ing o economic cycles. We hen use he se ies conco dance index sugges ed
by he same au ho s o de e mine he deg ee o synch oniza ion o he business cycles o he h ee
economies unde s udy.
The esul s sugges ha in he Eu o Zone, 2000-2020, Ge many and F ance p esen inc easingly
long cycles, due o an inc ease in he du a ion o he expansion phases. In e ms o ampli udes, i can
also be seen ha hese a e posi i e and inc easing wi h he e olu ion o ime. I aly, on he o he hand,
p esen s a di e en beha iou compa ed o Ge many and F ance: hei cycles p esen i egula du a ions
no being hese inc easing o e ime as he pa e n ha can be iden i ied o Ge many and F ance and
he ampli ude o hei cycles is, in se e al iden i ied cycles, nega i e.
Wi h ega d o he synch ony o economic cycles, we ind ha his exis s among he h ee
economies, and ha he se ies co-mo emen in ensi ied a e he global inancial c isis o 2008. Howe e ,
he esul s ob ained wi h his wo k sugges ha , despi e he synch ony o he GDP se ies o he h ee
la ges economies in he Eu o Zone (I aly, Ge many and F ance), he e a e impo an di e ences in he
cha ac e is ics o each coun y's economic cycles - in pa icula , di e gen ampli udes. Thus, despi e
g ea e synch ony, eal con e gence be ween coun ies may be a s ake.
Keywo ds: Synch ony; Economic cycles; Eu ozone.
ii
ÍNDICE
1.In odução ........................................................................................................................................ 1
1.1 Mo i ação .................................................................................................................................... 1
1.2 Obje i os ...................................................................................................................................... 2
2.Enquad amen o Teó ico ................................................................................................................ 4
3. A me odologia ............................................................................................................................... 14
3.1 Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise .............................................................. 14
3.2 Mé odo de iden i icação dos pon os de i agem das sé ies ........................................................ 16
3.3 Iden i icação dos ciclos económicos .......................................................................................... 17
4. Desc ição dos ciclos económicos ............................................................................................. 26
5. Sinc onia dos ciclos económicos .............................................................................................. 33
6. Conclusões e conside ações inais ........................................................................................... 37
7. Re e ências bibliog á icas ......................................................................................................... 40
Anexo I- Economias da Zona Eu o ................................................................................................. 44
Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal. ..................................................................... 46
6
2005); (iii) melho es polí icas iscais e mone á ias (Comissão Eu opeia, 2007); (i ) ou ainda a
libe alização dos me cados inancei os e de abalho (Cabanillas e Rusche , 2008).
Apesa de a edução da ola ilidade se uma e idência cla a, es a pode não se , con udo, um e ei o
pe manen e, mas sim empo á io, esul an e de choques mac oeconómicos in e nacionais comuns mais
pequenos que, uma ez e e idos, le a ão, pelo menos em pa e, a um no o aumen o da ola ilidade
(S ock e Wa son, 2005).
A análise dos ciclos económicos pode se ei a segundo duas pe spe i as, o ciclo clássico e o ciclo
de c escimen o (Rua, 2017). O ciclo clássico baseia-se no ní el de a i idade e pode esumi -se aos picos
e às ca as que se encon am ao longo de uma sé ie. Já o ciclo de c escimen o assen a em des ios ace
a sua endência de longo p azo e diz espei o a pe íodos al e nados de acele ação e desacele ação da
a i idade económica. De ido a es as di e enças, a da ação dos pon os de i agem pode não coincidi
necessa iamen e nes es dois ipos de ciclos, sendo que o ciclo clássico é mais angí el, pois não aca e a
uma decomposição em endência e ciclo, que são componen es não obse á eis como o que se em de
aze no ciclo c escimen o (Rua, 2017).
O ea i a do in e esse pelo es udo dos ciclos económicos em possibili ado o eme gi an o de
eo ias an igas como o desen ol imen o de no as eo ias e conclusões sob e o ema. Es e ea i a de
in e esse esul a de á ios acon ecimen os que êm ma cado o mundo nes as úl imas décadas. A
globalização pa ece e sido um desses acon ecimen os, com um papel undamen al no edespe a do
in e esse da li e a u a económica nos ciclos económicos, uma ez que com ela pa ece o na -se cada
ez mais cla o a exis ência de uma ce a sinc onia dos ciclos dos di e sos países e egiões esul an e
des e aumen o da in eg ação come cial.
Vejamos po exemplo o que acon ece na Amé ica do sul. O Me cosul, o me cado de comé cio li e
en e á ios países da Amé ica do Sul, pe mi iu uma in eg ação económica que conduziu a uma maio
sinc onia dos ciclos económicos daqueles países (Calei o e Cae ano, 2017). A sinc onia exis en e en e
países como, po exemplo, A gen ina e U uguaia ou en e B asil e Pa aguai é, apesa de não exis i uma
moeda única en e os países des a egião, obus a podendo mesmo se conside ada ele ada no caso da
A gen ina e U uguai.
Os ciclos económicos dos países em desen ol imen o aumen a am ambém com o aumen o da
in eg ação come cial (Calde ón e al. 2007). Apesa de e idencia em um impac o posi i o meno ace
aos países indus ializados, a in eg ação come cial é posi i a e signi ica i a pa a es e ipo de países sendo

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o meno impac o e i icado ace aos países indus ializados esul an e das di e en es es u u as de
p odução e do g au de comé cio in aindus ial.
A globalização e o seu e ei o na in eg ação come cial mundial pa ecem e ido um papel ão
de e minan e nos ciclos económicos e na sua con e gência, que na li e a u a económica exis e quem
ale mais na exis ência de um ciclo mundial do que em ciclos nacionais (Cano a e al. 2007). Sendo es e
ciclo mundial o maio esponsá el pelas lu uações que se e i icam nos ag egados económicos mais do
que os indicado es especí icos de cada país.
A globalização, con udo, não p oduziu só e ei os bené icos. A c ise inancei a de 2007-2008
despole ada nos Es ados Unidos da Amé ica elemb ou-nos isso mesmo, uma ez que u o da lide ança
global dos EUA e do aumen o des a sinc onia exis iu uma p opagação mui o mais ápida do que e a um
p oblema nacional a ou as geog a ias mundiais, e idenciando o quan o os EUA in luenciam o empo e
a du ação das ases e dos ciclos de ou os países (F ancis e al. 2015). Con udo es a si uação p ejudicial
não pa ece e esul ado daquela que é conside ada como um dos p incipais meios de sinc onização dos
ciclos económicos, ou seja, a in eg ação come cial, mas sim esul ado de uma ou a possí el
de e minan e - a globalização dos me cados inancei os.
Têm sido á ias as hipó eses colocadas e es adas ao longo do empo como de e minan es
capazes ou não de con ibuí em pa a a diminuição ou o aumen o da sinc onia dos ciclos económicos
dos países. O aumen o da globalização dos me cados inancei os é uma dessas hipó eses, exis indo
au o es que conside am que a es e aumen o es á ligado uma meno co elação in e nacional dos ciclos
económicos (Hea hco e e Pe y, 2004; Kalemli-ozcan e al.2001). Num es udo pa a os EUA, chegou-se
à conclusão de que a co elação do ciclo económico dos EUA com o ciclo económico do es o do mundo
ia diminuindo ao longo da amos a ao mesmo empo que a in eg ação inancei a dos EUA com o es o
do mundo aumen a a. Tal ac o, encon a explicação na diminuição das es ições in e nacionais dos
emp és imos em conjun o com uma di e si icação do po ólio de a i os inancei os cada ez melho e
maio po pa e dos in es ido es, o que lhes pe mi iu es a menos expos os aos iscos especí icos de
cada país, alocando os seus luxos de capi al de aco do com a sua on ade.
Bax e e Koupa i sas (2005) ambém dedica am es o ços pa a en a de e mina quais as
de e minan es no co-mo imen o dos ciclos. No seu es udo, com uma amos a de mais de 100 países,
os au o es chega am à conclusão de que o comé cio bila e al e indicado es de que se os países são
ambos indus ializados ou ambos países em desen ol imen o, são a iá eis classi icadas como obus as.
A a iá el dis ância ambém oi classi icada como obus a, assim quan o mais p óximos maio é o co-
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mo imen o dos ciclos, em con as e quan o mais dis an es meno é o co-mo imen o dos ciclos. Con udo,
mais su p eenden e é a conclusão des es au o es ace a algumas a iá eis, nomeadamen e a es u u a
indus ial e as uniões mone á ias, is as como impo an es po ou os au o es, de que es as não
ap esen a am uma signi icância obus a. A es a conclusão sob e as uniões mone á ias inha ambém
chegado (Calei o e Cae ano, 2017).
Po ém, e em elação à ques ão das uniões mone á ias emos em dissonância Bowe e
Guillemineau (2006). Num es udo sob e as de e minan es da sinc onização dos ciclos económicos dos
países da á ea do eu o, os au o es e e em a implemen ação do me cado único e daí a in ensi icação do
comé cio bila e al como um de e minan e undamen al des a sinc onização. A jun a a es a de e minan e,
os au o es e e em a polí ica iscal e as es u u as indus iais du an e a implemen ação do me cado único
e, depois da in odução da união económica e mone á ia, a queda nos di e enciais das axas de ju o e
os se iços como undamen ais nessa sinc onização.
Rose (2009) jun a-se a Bowe e Guillemineau (2006) a i mando que as uniões mone á ias
pa ecem e um e ei o posi i o sob e a sinc onia dos ciclos, enquan o a impo ância das es u u as
indus iais na sinc onia dos ciclos da união eu opeia oi abo dada po Ugembe (2013) no seu abalho,
endo o au o classi icado es a como uma condição que con ibui pa a a con e gência dos ciclos
económico.
As on ei as, ou o denominado e ei o on ei o, é ambém uma de e minan e conside ada na
sinc onia dos ciclos económicos. De ac o, se compa a mos os países eu opeus pe encen es a União
Eu opeia com Es ados pe encen es aos EUA e i icamos a exis ência de maio sinc onia en e as egiões
dos EUA do que aquela que se e i ica en e países eu opeus, con i mando-se assim a exis ência de um
e ei o on ei a (Cla k e Wincoop, 2001). Compa ando a década de 80 e 90 com as décadas de 60 e 70,
não se e i icam e idências de que es e e ei o se enha eduzido. Um p o á el a o explica i o pa a a
exis ência des e e ei o e pa a a sua não diminuição pode se o baixo ní el de comé cio ace ao exis en e
nas egiões dos EUA.
Foi, em pa e e en e ou os, pa a eduzi es e e ei o p ejudicial que as on ei as ep esen a am
na a i idade económica e social dos países eu opeus que após a Segunda Gue a Mundial as ligações
en e países eu opeus se o na am mais o es como esul ado de um es o ço de in eg ação dos
me cados nacionais. Esses es o ços incluí am a edução das ba ei as come ciais en e países, a
implemen ação do a o único eu opeu em 1986, o a ado de Maas ich em 1992, a in odução do
me cado único eu opeu em 1993 e, como culmina de odos esses passos, a c iação e in odução de
9
uma moeda única e de polí icas mone á ias comuns nos países pe encen es à Uniao Eu opeia e Zona
Eu o.
A Eu opa pa ecia, assim, e como ideia implemen a um sis ema pa ecido ao que se e i ica em
ou as geog a ias do mundo, como nos EUA e no B asil, po exemplo, onde a união de um conjun o de
Es ados dá luga à cons i uição de uma “ ede ação” de Es ados e a polí icas pa a o seu odo. Não
acabando com a di e sidade cul u al nem com a a iedade de línguas, um elemen o único nos exemplos
e e idos an e io men e, a Eu opa en ou a a és da e en e económica e come cial uma es a égia que
isa a a con e gência pa a os ní eis de endimen o dos países mais icos, e unciona como po o de
ab igo em empos di íceis que pe mi isse aligei a e en uais choques ex e nos nos ciclos dos di e en es
Es ados (Aguia -Con a ia e al. 2012). A união mone á ia e inancei a con ibui ia, assim, a a és da sua
es abilidade, pa a a p omoção do c escimen o económico, pa a uma maio in eg ação dos me cados de
bens e de se iços, bem como dos me cados de abalho e capi ais ge ando assim ganhos de e iciência
pa a odos os en ol idos.
Toda ia a adesão a uma moeda única po pa e de di e en es países de e espei a um
de e minado conjun o de ca ac e ís icas, sob pena de ao con á io do p e endido inicialmen e con ibui
pa a a di e gência e não pa a a con e gência dos países en ol idos. Uma das ca ac e ís icas mais
e e idas aquando da adoção de uma moeda comum é a sinc onia dos ciclos económicos dos
in e enien es, uma ez que al ca ac e ís ica pode se uma componen e essencial no sucesso de uma
polí ica mone á ia conjun a.
O abandono das axas de câmbio lexí eis en e países eu opeus e a ideia de que com elas os
países es ão mais isolados a choques ex e nos (Koupa i sas, 1998), ep esen ou a ans e ência de uma
o e e amen a na co eção de desequilíb ios po pa e dos países pa a en idades sup anacionais, nes e
caso o BCE. A impo ância da sinc onia dos ciclos económicos eside em g ande pa e nes e po meno ,
uma ez que o no o esponsá el pela polí ica mone á ia não olha pa a as necessidades indi iduais de
cada país, mas sim pa a as necessidades do conjun o de países como um odo (Ba is a,2015).
Sob e o e ei o de uma maio in eg ação come cial debaixo de uma união mone á ia na sinc onia
dos ciclos económicos exis em 2 isões dis in as: (i) a hipó ese de especialização e (ii) a hipó ese da
endogeneidade.
A hipó ese da especialização de ende que uma maio in eg ação económica en e os países a á
com que es es se especializem nas e en es em que ap esen em maio an agem compa a i a ace aos
10
ou os países. Es e aumen o de especialização a á com que os países na p esença de choques que
a e em de e minados se o es e com a exis ência de uma polí ica mone á ia única pa a odos le e a uma
meno sinc onia dos ciclos (K ugman, 1993).
Po sua ez a hipó ese da endogeneidade a i ma que a ap idão de um país en a numa união
mone á ia pode se alcançada an es ou depois de se da a en ada na união, sendo que es a en ada
le a á po ce o a um aumen o da sinc onia dos ciclos económicos ia aumen o da in ensidade do
comé cio (F ankel e Rose, 1997; F ankel, 1999), pois um aumen o do comé cio in aindus ial a á com
que es es países na p esença de choques comuns se compo em de igual modo a ingindo-se assim uma
maio simili ude dos ciclos.
Na á ea económica e mone á ia eu opeia a ques ão da sinc onia dos ciclos não ge a consensos,
pois, dependendo da e en e e da pe spe i a em que se analisa a mesma, á ias êm sido as conclusões
a que se em chegado. Comecemos pela ques ão de que se exis e de ac o um ciclo económico eu opeu
ou não, pois começam logo aqui as di e gências. A exis ência de um ciclo económico eu opeu é di ícil
de e i ica pa a A is (2003), uma ez que alguns países eu opeus pa ecem es a mais jun os do que
ou os. Além disso exis em e idencias de que a sinc onia de ciclos en e os EUA e o Japão e alguns
países eu opeus é maio do que en e os p óp ios países eu opeus. De ac o, a composição da zona eu o
é he e ogénea e pa ece e idencia di e en es ní eis de sinc onização en e os di e sos países e
subconjun os de países. Es e ac o pode esul a na sua g ande maio ia da cons i uição da zona eu o,
que pa a além de um p oje o mone á io é ambém um p oje o de índole polí ica. Só a luz des a azão se
pode po exemplo explica o ala gamen o da união eu opeia e mone á ia à Eu opa de les e e i icado em
2004. A sinc onia dos ciclos económicos des es países com os es an es países eu opeus não e a uma
e idência aquando do seu acon ecimen o, sendo que apenas dois países, a Eslo énia e a Républica
Checa, ap esen a am uma sinc onia signi ica i a com os es an es países da á ea eu o a dezasseis
(S anisic, 2014).
Con udo a e idência de al a de sinc onização ou pouca sinc onização en e o ag egado e os países
como unidades indi iduais não pa ece se no a p esen e apenas na União Eu opeia e na Zona Eu o.
Analisando, po exemplo, os EUA podemos e i ica que os ciclos es a ais que o compõem podem se
ca ac e izados po sé ies dis in as de ases de expansão e ecessões exis indo di e en es axas de
c escimen o de aco do com as ases do ciclo de Es ado pa a Es ado (Owyang e al.2003). Exis indo
Es ados que ap esen am uma conco dância maio com o ciclo nacional como o Es ado Cen al de No a
11
Yo k em con as e a uma conco dância mui o mais eduzida do Es ado do Texas ace ao ciclo nacional
Ame icano.
O B asil é ou o país que pode se u ilizado como compa ação ao que se passa na Eu opa.
Enquan o o Es ado de São Paulo ap esen a uma sinc onia pe ei a com o ciclo B asilei o os es an es
Es ados ap esen am exp essi as di e enças na c onologia de ecessões e expansões com o ciclo nacional
(Cunha e Mo ei a, 2006).
Assim e pa a países o ganizados de uma o ma “compa á el” ao a anjo económico Eu opeu
podemos e i ica que es a al a de sinc onização en e ce os Es ados não é um exclusi o eu opeu.
Exis em mesmo au o es que e e em que a pe ença à união económica e mone á ia eu opeia não al e ou
signi ica i amen e as ca ac e ís icas his ó icas dos ciclos económicos eu opeus (Giannone e al. 2009),
pois países com um PIB pe capi a simila nos anos 70 expe imen am um ciclo económico simila a é
aos dias de hoje. Enquan o pa a os ou os países memb os o seu ní el de co elação com os demais é
hoje igual àquele que se e i ica a nos anos 70, não ha endo po isso e idências de que a sua
pa icipação na união mone á ia enha al e ado alguma coisa.
Aliás a di isão da Eu opa em duas, países cen ais e sus países pe i é icos em sido algo
cons an e ao longo do empo, u o dos di e en es ní eis de c escimen o e de ou as ca ac e ís icas
económicas. Es a di isão em sido um ema mais e iden e e o nou-se mais ma cada aquando da c ise
inancei a de 2007-2008 sendo que di e en es sinc onias de ciclos en e es as duas di isões em sido
algo e i icá el. Assim e ace ao que se e i ica a an es de 2007, exis iu um aumen o da sinc onia pa a
os países cen ais enquan o os países pe i é icos i am a sua sinc onização diminui ace aos países
cen ais, ace uns aos ou os e ambém ace aos países da União Eu opeia que não pe encem a Zona
Eu o (Belke e al.2017; Fe oni e Klaus, 2014). Tem exis ido assim um pe íodo de di e gência na
sinc onização en e pa es dos países eu opeus. A Espanha, po exemplo, após a u bulência mundial
de 2007-2008 em indo a mos a lu uações económicas assimé icas em elação às ou as 3 maio es
economias da Zona Eu o, coisa que não se e i ica a an e io men e. Es e acon ecimen o explica-se
po que as lu uações do p odu o espanhol oco em maio i a iamen e po ca ac e ís icas nacionais,
enquan o a o es comuns explicam mais de 50% das lu uações do p odu o das 3 maio es economias
eu opeias (Fe oni e Klaus, 2014).
A p e alência de di isão en e países cen ais e sus países pe i é icos (ou Es ados cen ais s
Es ados pe i é icos) não é, con udo, e mais uma ez, algo exclusi amen e eu opeu. Aliás o g au de
sinc onização e a p e alência des e ipo de di isão, cen al s pe i é ico, em sido es udado pa a egiões

12
da União Eu opeia, dos EUA e do Canadá (Lopes e Pina, 2008). Ve i icou-se que es a di isão e a maio
nas décadas de 80 e 90 na União Eu opeia a 15. Con udo em-se indo a o na menos e iden e ao
longo do empo ace à Amé ica do No e (Lopes e Pina, 2008) de i ado à pe da de o ça do e ei o on ei a
na compa ação EUA- Zona Eu o.
Na análise da sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa exis e a é quem de enda uma maio
di isão. Mais do que di e enças en e países, ou países pe i é icos e sus países cen ais, exis e quem
ale em g upos de egiões que ap esen am simili udes en e si e, po an o, as ca ac e ís icas cíclicas das
egiões de em se comba idas com polí icas egionais di e en es e não com polí icas nacionais comuns,
pois usa polí icas nacionais pode causa dis o ções indesejadas nalgumas egiões que po sua ez
podem mesmo e o seu p ocesso de con e gência desacele a (Band es e al. 2017). Os co-mo imen os
egionais e sus os co-mo imen os nacionais são a p o a disso, uma ez que apesa dos co-mo imen os
eginais e em aumen ado eles encon am-se ainda assim abaixo dos co-mo imen os nacionais en e
países.
Em sumá io, as conclusões sob e os ciclos económicos, a sua sinc onização e o e ei o que uma
união mone á ia em nes a sinc onização, nomeadamen e na Eu opa e na Zona Eu o, di e em e são
á ias. Uns suge em que a sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa é ele ada pa a a g ande maio ia
dos países (Lopes, 2003; Be gman, 2004). Ou os e e em que a sinc onização exis en e é an e io ao
es abelecimen o da união mone á ia e que es a não se al e ou com a in odução da moeda única
(Camacho e al.2006). Ou os suge em uma maio sinc onização dos ciclos económicos en e 1999 e
2015, mas com as ampli udes des es ciclos a o na em-se di e gen es e com isso a aze com que a
con e gência eal não acon ecesse en e os países o iginais do eu o, uma ez que a dispa idade en e
países icos e países pob es não diminuiu (F anks e al. 2018; Gogas, 2013).
Tendo em con a a impo ância do g au de sinc onia dos ciclos económicos pa a o odo, ou seja,
pa a um conjun o de países sujei os à mesma polí ica mone á ia, es e meu abalho p e ende con ibui
pa a a li e a u a exis en e analisando a sinc onia dos ciclos económicos, e as suas ca ac e ís icas, das
ês maio es economias da União Eu opeia e da Zona Eu o, uma ez que uma polí ica mone á ia comum
se á an o mais e icaz quan o mais sinc onizadas es i e em es as 3 economias, pois elas e ão um e ei o
mul iplicado nos es an es países eu opeus e quan o melho es se ap esen a em economicamen e maio
se á a p obabilidade de odas as ou as se encon a em bem e con e gi em não só em e mos dos seus
ciclos económicos mas ambém em e mos dos seus ní eis de bem-es a .
13
A secção seguin e assen a na abo dagem eó ica aqui ap esen ada e p ocede com o es udo
empí ico da sinc onia dos ciclos de ês mo o es da Zona Eu o.
14
3. A me odologia
3.1. Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise
A c iação de uma união económica e mone á ia oi uma ambição da União Eu opeia desde inais
dos anos 60 do século XX. Em junho de 1988, dá-se o p imei o ma co, endo sido cons i uído um comi é
com o in ui o de es uda a o mação dessa união económica e mone á ia que mais a de i ia a
ap esen a o Rela ó io Delo s. Es e ela ó io p opunha que a união económica e mone á ia osse
alcançada em 3 ases dis in as. A ase 1 e e início a 1 de julho de 1990 e e e como p incipais
ca ac e ís icas a libe alização dos mo imen os de capi ais e a li e ci culação da ECU (Eu opean Cu ency
Uni ) a unidade mone á ia eu opeia que p ecedeu o eu o. No dia 1 de janei o de 1994 deu-se início à
ase 2 que le ou a c iação do Ins i u o Mone á io Eu opeu, à p oibição do inanciamen o do se o público
pelos bancos cen ais e à conclusão do p ocesso de independência dos bancos cen ais nacionais. A
ase 3 le ou à ixação i e ogá el das axas de câmbio, à en ada em igo do pac o de es abilidade e
c escimen o (PEC) e culminou com a in odução do eu o.
Foi assim que, com a in odução do eu o, a 1 de janei o de 1999 en ou em uncionamen o a
União Económica e Mone á ia Eu opeia (BCE, 2020). Du an e os seus ês p imei os anos, o eu o
uncionou apenas como uma moeda “in isí el”, sendo u ilizada somen e pa a e ei os con abilís icos e
pa a pagamen os ele ónicos. A sua ci culação ísica iniciou-se a 1 de janei o de 2002, em doze países
da União Eu opeia (União Eu opeia, 2020), sendo hoje u ilizado po ce ca de 341 milhões de pessoas
no seu dia-a-dia.
1
Uma ez que o obje i o des e abalho é medi a sinc onia das 3 maio es economias da Zona Eu o
(Alemanha, F ança e I ália), e uma ez que a cons i uição da Zona Eu o se deu a 1 de janei o de 1999,
escolhemos como pe íodo de análise o espaço comp eendido en e 1 de janei o de 2000 a é aos úl imos
dados disponí eis, nes e caso, a é ao ano de 2020.Uma ez que es amos a a a de analisa as possí eis
lu uações da a i idade económica, o indicado escolhido se á o P odu o In e no B u o (PIB) das 3
economias em análise, que é conside ado o melho espelho do ag egado da a i idade económica de um
país (Claessens e al. 2011). Os dados o am ob idos no dia 24 de se emb o de 2020 no si e do Eu os a ,
o gabine e de es a ís icas o icial da União Eu opeia.
Das di e en es o mas calculadas do PIB disponibilizadas pelo Eu os a e uma ez que é obje i o
des e abalho obse a lu uações eais da a i idade económica escolhemos o PIB encadeado em olume
1
Anexo I – Quad o com as economias da Zona Eu o e o seu peso no PIB To al da Á ea Eu o
15
a p eços do ano an e io , co igidos de a iações sazonais, pa a a nossa análise empí ica. Sob e a
escolha des e ipo de dados ale a pena alguma e lexão, uma ez que exis em ou os ipos de cálculo
de PIB que pe mi em ambém e i ica lu uações.
Comecemos pelos PIB a p eços co en es. A u ilização de dados a p eços co en es nes e ipo de
análise em nada nos ajuda ia, uma ez que não nos pe mi i ia chega a conclusão nenhuma sob e as
lu uações da a i idade económica de ano pa a ano, pois não sabe íamos se essas a iações e am u o
de um simples aumen o das quan idades ansacionadas na economia ou se o c escimen o do nosso
indicado de a i idade económica apenas e ia acon ecido de ido a um aumen o e i icado dos p eços
nesse ano em ques ão. Pode ia mesmo da -se o caso de a a i idade económica eal e so ido uma
con ação nas quan idades p oduzidas, mas essa con ação não se espelhada no alo ag egado do PIB
uma ez que o aumen o dos p eços pode ia e compensado essa queda da p odução eal.
De o ma a a alia mos co e amen e quais as a iações oco idas en e pe íodos na a i idade eal
pode íamos en ão eco e a dois ipos de sé ies: (i) as sé ies a p eços cons an es e; (ii) as sé ies de
dados encadeados em olume (chain-linking).
Na medição da a i idade económica, e de o ma a elimina o e ei o p eço, as sé ies a p eços
cons an es usam como unidade de medida de p eços um alo comum a um ano base, is o é, escolhe-
se um dado ano e de aco do com os p eços e i icados nesse ano calcula-se o alo da a i idade
económica dos pe íodos seguin es com os p eços do ano de e e ência. Deco e daqui a possibilidade
de iden i ica as lu uações económicas de ano pa a ano assegu ando que es as não oco em de ido ao
aumen o ou diminuição dos p eços uma ez que es es es ão “congelados”. Toda ia, e apesa de mui o
melho do que o cálculo a p eços co en es no e lexo do e dadei o c escimen o eal da economia, o
cálculo a p eços cons an es esconde ambém um conjun o de limi ações (ABS, 2003) associadas
p ecisamen e ao uso de um p eço que se man ém inal e ado ao longo do empo no cálculo das mudanças
dos olumes.
Es as limi ações deco em de á ios a o es en e os quais se des acam: (i) o ac o de me cado ias
ba a as se em subs i uídas ao longo do empo po me cado ias que se o na am mais ca as e “que idas”
aos consumido es; (ii) o c escimen o do p eço das di e en es me cado ias ende ambém a acon ece a
axas di e en es ao longo do empo e po isso o seu peso ela i o no cabaz de bens ende a muda . Além
disso, ac esce ainda o ac o de que as me cado ias so em e oluções nas suas ca ac e ís icas ao longo
do empo, que al e am po ezes a sua qualidade e que as azem desapa ece ou quase a o na em-se
em no as me cado ias no me cado.
22
de con ação e 11 imes es de expansão. Es e ciclo e e início no p imei o imes e de 2008 e e minou
no qua o imes e de 2011, apanhando po isso o pe íodo da c ise inancei a global de 2008-2009. Tal
como acon eceu com a economia alemã e ambém, em pa e, po nes e pe íodo se si ua a c ise
inancei a global de 2008-2009, é nes e ciclo que se e i ica a con ação mais exp essi a da economia
ancesa. O segundo e úl imo ciclo económico comple o da economia ancesa es á comp eendido en e
o p imei o imes e de 2012 e o segundo imes e de 2019. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 30
imes es, di ididos en e 4 imes es de con ação e 26 imes es de expansão.
Tabela 2: Du ação dos ciclos económicos da F ança e das suas ases em imes es
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Du ação
Fase
Ciclo
n.d
2008q1[
Expansão
531549.3
1
[2008q1
2009q2[
Con ação
510856.1
5
16
(4)
[2009q2
2012q1[
Expansão
535775
11
2
[2012q1
2013q1[
Con ação
535261.2
4
30
(7.5)
[2013q1
2019q3[
Expansão
588685.3
26
3
[2019q3
n.d
Con ação
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos
pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis
co espondem a ans o mação dos imes es em anos.
Tal como e i icamos na si uação alemã, os ciclos económicos anceses ambém aumen am a
sua du ação ao longo do empo. A du ação do segundo e úl imo ciclo económico comple o ancês em
quase o dob o da du ação do p imei o ciclo económico. E, al como acon eceu com a Alemanha, esse
ac o ambém se de e ao aumen o da du ação dos pe íodos de expansão que mais do que duplica am
no segundo ciclo económico ace ao p imei o. Pa a a F ança exis iu a é uma diminuição na du ação dos
pe íodos de con ação, uma ez que no p imei o ciclo económico es a inha du ado 5 imes es enquan o
que no segundo ciclo económico es a du ou apenas 4 imes es, bene iciando assim a F ança de um
bene ício duplo; na medida que em conjun o com o aumen o da du ação da ase de expansão exis iu
uma diminuição da ase de con ação o que lhe pe mi iu aumen a a du ação da sua ase de
p ospe idade.

23
Po úl imo podemos obse a na Figu a 4 a da ação dos pon os de i agem pa a a economia
i aliana no pe íodo 2000-2020. Nes e pe íodo o am iden i icados 11 pon os de i agem sendo 6 picos
e 5 ca as que pe azem um o al de 5 ciclos económicos comple os.
Figu a 4: Pon os de i agem do PIB da I ália
No a: Cálculos do Au o . Fon e: Eu os a (2020)
Como podemos e a a és da Tabela 3 e em compa ação com as sé ies da Alemanha e da
F ança, a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o de ciclos económicos comple os, o
que pode á e ela desde logo uma maio endência de ins abilidade económica, pois ap esen a uma
maio p opensão pa a lu uações económicas.
O p imei o ciclo económico i aliano inicia-se no p imei o imes e de 2001, pe íodo no qual se
inicia um pe íodo de con ação de 4 imes es. Depois des e pe íodo de con ação iniciam-se 3 imes es
de expansão económica, a é ao e cei o imes e de 2002, que echam o p imei o ciclo. Es e ciclo e e
assim uma du ação de 7 imes es. O segundo ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2002 e p olongou-
se a é ao qua o imes e de 2007. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 21 imes es, sendo es es
di ididos em 3 imes es de con ação e 18 imes es de expansão económica. O e cei o ciclo
económico comple o en ol eu o pe íodo da c ise inancei a global. Es e ciclo du ou 13 imes es,
iniciando-se no p imei o imes e de 2008 e e minando po ol a do p imei o imes e de 2011, e
24
du an e a sua igência a economia i aliana passou 5 imes es em con ação e 8 imes es em expansão
económica.
Tabela 3: Du ação dos ciclos económicos da I ália e das suas ases em imes es
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Du ação
Fase
Ciclo
n.d
2001q1[
Expansão
424558.7
1
[2001q1
2002q1[
Con ação
421778.3
4
7
(1.75)
[2002q1
2002q4[
Expansão
426237.2
3
2
[2002q4
2003q3[
Con ação
423806.0
3
21
(5.25)
[2003q3
2008q1[
Expansão
452802.5
18
3
[2008q1
2009q2[
Con ação
419031.2
5
13
(3.25)
[2009q2
2011q2[
Expansão
433448.7
8
4
[2011q2
2013q4[
Con ação
410325
10
26
(6.5)
[2013q4
2017q4[
Expansão
429557
16
5
[2017q4
2018q3[
Con ação
429182.3
3
6
(1.5)
[2018q3
2019q2[
Expansão
431193.3
3
6
[2019q2
n.d
Con ação
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos
pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis
co espondem a ans o mação dos imes es em anos.
Po ém, e ao con á io do que acon ece com as economias ancesa e alemã, não oi du an e o
pe íodo da c ise inancei a global que a economia i aliana so eu a sua maio con ação económica em
e mos de du ação. Tal sucedeu no qua o ciclo económico iden i icado. Es e ciclo e e início no segundo
imes e de 2011 e e minou no e cei o imes e de 2017; com uma du ação de 26 imes es,
di ididos em 10 imes es de con ação e 16 imes es de expansão económica. Es e ciclo en ol eu o
pe íodo da c ise das dí idas sobe anas dos países eu opeus, que se seguiu à c ise inancei a global, e
25
que a e ou o emen e os países pe i é icos eu opeus com uma ele ada dí ida pública onde a I ália se
inse e. O úl imo ciclo económico comple o i aliano em uma du ação de 6 imes es e é di idido em
du ações semelhan es de expansão e con ação, is o é, 3 imes es de con ação e 3 imes es de
expansão. Es e ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2017 e e minou no p imei o imes e de 2019.
Ou a ca ac e ís ica que di e e o ciclo económico i aliano dos ciclos económicos ancês e alemão
p ende-se com algumas ca ac e ís icas na du ação de algumas das suas ases. Ao con á io do que se
e i ica pa a os ciclos da economia alemã e da economia ancesa a economia i aliana ap esen a ciclos
económicos comple os em que os pe íodos de con ação são maio es ou iguais aos pe íodos de
expansão. Is o acon ece no p imei o ciclo económico e no quin o ciclo económico, onde no p imei o o
pe íodo de con ação é maio do que o pe íodo de expansão e no quin o os pe íodos se igualam
espe i amen e.
26
4. Desc ição dos ciclos económicos
A desc ição dos ciclos económicos é um passo que se pode ealiza após a iden i icação dos
pon os de i agem. En e as á ias ca ac e ís icas de in e esse podem des aca -se a du ação dos ciclos
e das suas ases em e mos de: (ii) a ampli ude dos ciclos e das suas ases, (iii) qualque compo amen o
assimé ico das ases (i ) mo imen os cumula i os den o das ases (Ha ding e Pagan:2002).
Das ca ac e ís icas expos as, as de maio in e esse pa a a análise empí ica que es amos aqui a
ealiza são aquelas que se e e em à du ação e à ampli ude, sendo po isso dedicada a essas a nossa
a enção.
As o mas de cálculo das medidas necessá ias pa a desc e e os ciclos são suge idas po Ha ding
e Pagan (2020). Conside ando, como de inimos an e io men e no subcapí ulo 3.2, o conjun o (Y , S ),
onde Y diz espei o aos alo es das sé ies do PIB e S é a a iá el biná ia de alo 1 pa a uma expansão
e de alo 0 pa a uma con ação. Se i e mos ∑𝑆𝑡
𝑇
𝑡=1 como a du ação o al de uma expansão e K seja
o núme o de picos, en ão a du ação média de uma expansão é,
D
=∑S
T
=1
k
Po sua ez a ampli ude de uma expansão é a a iação obse ada en e uma ca a e um pico
seguin e, sendo a sua média dada pela exp essão,
A
=∑S ∆y
T
=1k
Pa a as ases de con ação os alo es podem se ob idos subs i uindo nas ó mulas S po (1-S ).
Algumas ca ac e ís icas e e en es à ampli ude do ciclo económico da Alemanha e das suas ases
são desc i as na Tabela 4. É possí el e i ica que a ampli ude do ciclo económico alemão em indo a
aumen a ao longo do empo com a exceção a e i ica -se no e cei o ciclo. No p imei o ciclo a ampli ude
oi nega i a, endo po isso sido e i icada uma queda do PIB alemão de 0.13%, no im do ciclo ace ao
seu início. Ou seja, no im do p imei o ciclo o PIB imes al alemão ascendia a 650 855.6 milhões de
eu os, um alo in e io ao egis ado no início do ciclo (651 895.8 milhões de eu os). A ampli ude dos
demais ciclos oi posi i a, endo no segundo ciclo o PIB c escido 9.7%, no e cei o c escido 2.8% e no
qua o ciclo c escido 11.5% - suge indo assim que a economia alemã em ido capacidade pa a ecupe a
– en e ciclos - as pe das so idas nas ases de con ação.
27
Tabela 4: Ampli ude dos ciclos económicos da Alemanha e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2002q3[
Exp.
651895.8
1
[2002q3
2003q1[
Con .
641247.6
-1.633
-0.132
[2003q1
2004q2[
Exp.
650855.6
1.498
2
[2004q2
2005q1[
Con .
648888.6
-0.302
9.666
[2005q1
2008q1[
Exp.
713573.2
9.968
3
[2008q1
2009q1[
Con .
663414.3
-7.029
2.787
[2009q1
2012q3[
Exp.
728533.9
9.816
4
[2012q3
2013q1[
Con .
722046.6
-0.890
11.466
[2013q1
2019q1[
Exp.
811262.2
12.356
5
[2019q1
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada
em pe cen agem.
Analisando a ampli ude das ases dos ciclos iden i icados pe cebemos que o p imei o ciclo
ap esen ou uma ampli ude nega i a po que a sua ase de expansão (1.49%) não compensou a ase de
con ação oco ida (-1.63%). No que diz espei o a ases de con ação e e i ando a díspa con ação
e i icada no e cei o ciclo de -7.029%, oco ida de ido à já e e ida c ise inancei a global, conseguimos
e i ica que es as se si uam en e alo es que podemos conside a baixos, en e -1.63% e -0.302%.
Podemos, assim, e i ica que o aumen o da ampli ude das ases de expansão de ciclo pa a ciclo em
sido o a o esponsá el pelo aumen o da ampli ude dos ciclos, na medida que no segundo ciclo a ase
de expansão ap esen ou um c escimen o de 9.97%, no e cei o ciclo o c escimen o oi de 9.82% e no
úl imo ciclo oi de 12,37%, e i icando-se assim a maio ase de expansão. No pe íodo de análise 2000-
2020 podemos assim e i ica que exis iu uma a iação posi i a de 23.8% nos seus 4 ciclos comple os,
ou seja, desde o p imei o pon o de i agem iden i icado a é ao úl imo pon o de i agem o PIB alemão
c esceu 23.8%.
A desc ição dos ciclos anceses é ap esen ada na Tabela 5. Rela i amen e à ampli ude dos ciclos
podemos e i ica que além de se posi i a nos dois ciclos iden i icados, ambém em indo a aumen a
conside a elmen e, uma ez que a ampli ude do p imei o ciclo é de 0.985% ao passo que a ampli ude
do segundo ciclo é de 9.885%. Assim, no im de cada ciclo o alo do PIB ancês é semp e supe io ao
e i icado no início do ciclo; ou seja, no início do p imei o ciclo o alo do PIB ancês é de 531 549.3

28
milhões de eu os, no im do p imei o ciclo o alo egis ado é de 535 775 milhões de eu os e no im do
segundo e úl imo ciclo o alo ascendia a 588 685.3 milhões de eu os.
Tabela 5: Ampli ude dos ciclos económicos da F ança e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2008q1[
Exp.
531549.3
1
[2008q1
2009q2[
Con .
510856.1
-3.893
0.985
[2009q2
2012q1[
Exp.
535775
4.878
2
[2012q1
2013q1[
Con .
535261.2
-0.096
9.885
[2013q1
2019q3[
Exp.
588685.3
9.981
3
[2019q3
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada
em pe cen agem.
No caso do PIB ancês exis e um duplo e ei o bené ico que em ajudado ao c escimen o posi i o
da ampli ude dos ciclos: a ampli ude das ases de expansão em indo a c esce e a ampli ude das ases
de con ação em indo a diminui . Tal ac o jus i ica o c escimen o de 10.87% do PIB ancês en e o
início do p imei o ciclo e o im do úl imo ciclo, pois enquan o que a ase de con ação do p imei o ciclo
é de 3.89%, a ase de con ação do segundo ciclo é de apenas 0.09%, e pa a as ases de expansão a
p imei a é de 4.88% ao passo que a ase de expansão do segundo ciclo é de 9.88%.
Na Tabela 6 podemos obse a as ca ac e ís icas das ampli udes dos á ios ciclos económicos
iden i icados pa a a I ália. Como oi e e ido an e io men e, é a economia i aliana aquela que ap esen a
o maio núme o de ciclos e é aquela ambém que ap esen a o conjun o de ampli udes mais a iadas.
Assim, no que diz espei o às ampli udes podemos assinala dois pe íodos: um an es do segundo ciclo
e um depois do segundo ciclo. No p imei o e segundo ciclos económicos a ampli ude dos ciclos é posi i a
e c escen e. Ou seja, o PIB i aliano encon a a-se a c esce e de uma o ma cada ez mais signi ica i a
ao longo des es ciclos. O p imei o ciclo e e uma ampli ude de 0.40%, enquan o que o segundo ciclo
ap esen ou uma ampli ude de 6.27%, endo-se e i icado, assim, no im des e ciclo o alo mais ele ado
do seu PIB em oda a sé ie: 452 802.5 milhões de eu os.
29
Tabela 6: Ampli ude dos ciclos económicos da I ália e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2001q1[
Exp.
424558.7
1
[2001q1
2002q1[
Con .
421778.3
-0.655
0.402
[2002q1
2002q4[
Exp.
426237.2
1.057
2
[2002q4
2003q3[
Con .
423806.0
-0.570
6.272
[2003q3
2008q1[
Exp.
452802.5
6.842
3
[2008q1
2009q2[
Con .
419031.2
-7.458
-4.017
[2009q2
2011q2[
Exp.
433448.7
3.441
4
[2011q2
2013q4[
Con .
410325
-5.335
-0.648
[2013q4
2017q4[
Exp.
429557
4.687
5
[2017q4
2018q3[
Con .
429182.3
-0.087
0.382
[2018q3
2019q2[
Exp.
431193.3
0.469
6
[2019q2
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020).
Após es e pon o a economia i aliana en a numa sé ie de ciclos de ampli ude nega i a. No e cei o
ciclo a ampli ude é de -4.017%, no qua o ciclo a ampli ude é de -0.65% e no quin o ciclo, apesa de a
sua ampli ude já não se nega i a o seu alo é ainda mui o baixo, ou seja, 0.382%.
Se enquad a mos es es núme os e a sua sequência nos acon ecimen os económicos e polí icos
con empo âneos al ez possamos encon a a sua explicação. A é à c ise inancei a global, a economia
i aliana expe imen a a, al como a Alemanha e a F ança, ciclos económicos com ampli udes posi i as e
c escen es ao longo do empo. Mas enquan o que as economias alemã e ancesa o am mais esilien es
à c ise das dí idas sobe anas eu opeias, a economia i aliana so eu se e amen e com es e choque.
A I ália só ecupe ou des es dois choques no úl imo ciclo económico. Mas es a oi uma
ecupe ação énue e não e e a mesma dinâmica que a ap esen ada pelas es an es economias
eu opeias, que ap o ei a am es e pe íodo de empo pa a ecupe a das pe das que inham so ido no
PIB aquando da c ise inancei a global e da c ise das dí idas sobe anas eu opeias pois es e ciclo
económico coincide com o início de um ciclo polí ico em que a I ália se ê go e nada no início de 2018
po o ças de ex ema di ei a do pa ido Liga de Ma eo Sal ini e pelo mo imen o an issis ema Cinco
Es elas (New Yo k Times, 2019). Es e go e no, pa a além das suas polí icas an i acolhimen o de
e ugiados, que odos os dias desemba ca am nas cos as i alianas indos da a essia e e uada do No e
30
de Á ica a é às cos as eu opeias, ia medi e âneo, ap esen ou-se com uma cla a posição de con on o
ace à União Eu opeia no que diz espei o às polí icas económicas a é aí implemen adas pela Comissão
Eu opeia, nomeadamen e no que diz espei o ao cump imen o dos alo es es ipulados pa a o dé ice. A
jun a a isso, a I ália so ia de p oblemas de dí ida pública ele ada, na o dem dos 130% do PIB, que
es es pa idos não mos a am in e esse em esol e e que com as polí icas que de endiam sinaliza am
aos me cados inancei os in e nacionais uma endência de ag a amen o dessa dí ida. Os bancos
con inua am em 2018 a so e de ele ados ní eis de c édi o malpa ado pa a o qual o go e no não
pa ecia e solução, e com isso o inanciamen o da economia não e a o ideal de o ma a omen a o seu
c escimen o (New Yo k Times, 2019).
Todos es es e en os omen a am a descon iança nos me cados e nos pa cei os in e nacionais de
I ália, o que azia com que a sua agilidade económica se ag a asse ainda mais, con ibuindo assim
pa a que a economia i aliana, ao con á io das es an es economias eu opeias, não ap o ei asse os
momen os de bonança económica i idos na Eu opa pa a ecupe a das pe das p o ocadas pelas duas
c ises an e io es e e idas.
2
A a és de uma análise dos núme os podemos cons a a que o en o pecimen o da economia
i aliana é de al o dem que en e o p imei o pon o de i agem iden i icado e o úl imo, is o é, en e o
p imei o imes e de 2001 e o segundo imes e de 2019 a sua economia apenas c esceu 2.39% em
e mos absolu os. Num pe íodo de quase 20 anos a I ália passou de um PIB de 421 778.3 milhões de
eu os pa a apenas 431 193.3 milhões eu os; mui o pouco, quando compa ado com os seus pa es, pa a
a e cei a maio economia da Zona Eu o.
Quan o à ampli ude das ases dos ciclos económicos i alianos é de des aca que nenhuma ase
de expansão em um alo maio do que o alo mais ele ado da pio con ação. A ase de expansão
mais ele ada acon eceu no segundo ciclo e ap esen a um alo de 6.84%, enquan o que o alo da pio
con ação oco eu no e cei o ciclo ap esen ando um alo de 7.46%.
De o ma a pode mos compa a melho os ciclos económicos dos ês países em análise, podemos
obse a a Tabela 7 que nos ap esen a os alo es médios das ca ac e ís icas aqui analisadas de cada
uma das sé ies. Pa a odos os países as con ações ap esen am uma du ação média in e io à du ação
média das expansões. O país com uma du ação média de con ação mais ele ada é a I ália, com 5
imes es, enquan o que a Alemanha é a economia que passa, em média menos empo em con ação
2
Anexo II- Análise de como a é a economia Po uguesa, in e encionada pela
oika
, ecupe ou os alo es do PIB
p é- oika
e de como os ciclos
económicos i alianos ap esen am mais semelhanças com es e ipo de economia do que com as economias alemã e ancesa.
31
com 2.75 imes es e a F ança ica-se pelos 4,5 imes es de con ação em média. Em e mos de
expansões a F ança é o país que, em média, ap esen a um maio pe íodo de expansão, 18.5 imes es.
No amen e a I ália é o pio país da análise, pois apenas ap esen a 9.6 imes es de expansão em média
em cada ciclo e a Alemanha passa 13.75 imes es em média em expansão. Conjugando con ações e
expansões a F ança é o país que em média ap esen a ciclos económicos mais longos, com 23 imes es
em média pa a cada ciclo económico. Segue-se a Alemanha com 16.5 imes es e a I ália com 14.6
imes es. Po ém, analisando de uma ou a pe spe i a emos que a Alemanha é o país que melho se
encon a, pois, po cada ciclo económico em média passa apenas 16.66% do empo em con ação e
83.33% em expansão. Segue-se a F ança que despende 80.43% do empo de cada ciclo económico em
expansão e 19.57% do empo em con ação. A Alemanha e a F ança ap esen am alo es ela i amen e
p óximos, con udo o mesmo não acon ece com a I ália. Po cada ciclo económico a I ália es á em
con ação 34.25% do empo e 65.75% do empo em expansão em média. Tal ac o pode se uma das
jus i icações do pob e desempenho económico i aliano ao longo da análise da sé ie.
Tabela 7: Ca ac e ís icas médias dos ciclos económicos
Alemanha
F ança
I ália
Du ação Média
Con ação
-2.75
-4.5
-5
Expansão
13.75
18.5
9.6
Ampli ude Média (%)
Con ação
-2.464
-1.995
-2.821
Expansão
8.410
7.429
3.299
Ciclos
5.947
5.435
0.478
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). A Du ação média es á medida em imes es.
Pa a além do p oblema de passa em cada ciclo, em média, mais do dob o do empo da Alemanha
em pe íodos de con ação económica, a I ália ap esen a ainda uma ampli ude média dos seus ciclos
económicos baixa (apenas 0.478%). Is o signi ica que ao longo de cada ciclo económico a economia da
I ália c esce em média apenas 0.478%. A Alemanha e a F ança conseguem ambém ecupe a das
pe das das ases de con ação du an e as ases de expansão. Con udo, es as duas economias
ap esen am ampli udes médias mui o di e en es da ap esen ada pela economia i aliana. A Alemanha,
apesa de ap esen a em média uma con ação de 2.46% (supe io à con ação média ancesa de 1.99%)
ap esen a ao longo do seu ciclo uma ampli ude média de 5.94%, is o é, um alo supe io aos 5.44% de
ampli ude média ap esen ada pela economia ancesa. Is o acon ece po que nas ases de expansão, a
38
queb as no PIB que se pôde e i ica na sé ie i aliana. Con udo com a queb a de 2008, pa a o pe íodo
de empo analisado e com os dados de que dispomos, é-nos possí el di e gi das conclusões de
Hea hco e e Pe y (2004) e Kalemli-ozcan e al. (2001) que nos dizem que a globalização dos me cados
inancei os e dos e ei os que daí ad êm es ão ligados a uma meno co elação in e nacional dos ciclos
económicos, pois concluímos que a sinc onia dos ciclos económicos des es países saiu e o çada (e não
diminuída) após a c ise inancei a global.
Apesa do ele ado g au de sinc onia das sé ies, os nossos esul ados suge em algum a as amen o
en e a economia i aliana e as economias alemã e ancesa em e mos do núme o, da du ação e das
ampli udes dos ciclos económicos iden i icados pa a cada país, o que se encon a de aco do com
algumas ca ac e ís icas de endidas po Bu ns e Mi chell (1946) como sejam a não pe iodicidade e a não
egula idade. Das ês economias analisadas a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o
de pon os de i agem iden i icados, 11, con a os 9 iden i icados pa a a economia alemã e os 5
iden i icados pa a a economia ancesa. Es e pode se desde logo um indicado de que a economia
i aliana é mais p opícia a lu uações económicas.
Adicionalmen e, esul a da análise das ca ac e ís icas dos ciclos económicos um ou o conjun o
de dados que indicam semelhanças en e as economias ancesa e alemã, e que apesa de e em sido
ambém semelhan es pa a a economia i aliana a pa i de ce o pon o deixa am de o se . Ao con á io
do pos ulado po Dalsgaa d e al. (2002) de que com o e olui do empo os ciclos económicos
ap esen am du ações cada ez meno es ace ao passado, os ciclos económicos da Alemanha e da F ança
ap esen am du ações c escen es ao longo do empo, e esse aumen o na du ação dos ciclos é explicado
pelo aumen o da du ação das ases de expansão pa a es as economias, o que coincide com a isão de
Calde ón e Fuen es (2014). Po sua ez, a economia i aliana expe iencia a um enómeno idên ico no
que diz espei o a es as ca ac e ís icas, mas a pa i de 2008 e i icou-se um des io no seu
compo amen o económico que em indo a a as a a economia i aliana do pad ão de compo amen o
dos ciclos de F ança e Alemanha. Assim a economia i aliana após 2008 ap esen a ciclos económicos
com uma du ação que o a aumen a o a diminui, não ap esen ando du ações c escen es ao longo do
empo como as economias alemã e ancesa, ao mesmo empo a economia i aliana ap esen a ases de
con ação com uma du ação que aumen ou o emen e ace aquilo que se e i ica a an es de 2008.
Além des as ca ac e ís icas, das economias analisadas, a economia I aliana, é a única que ap esen a
um ciclo económico que pode se explicado pela c ise das dí idas sobe anas eu opeias.

39
A análise das ampli udes dos ciclos económicos pe mi e-nos ambém con i ma a isão de
Cabanillas e Rushe (2008) de que os ciclos económicos ap esen am uma endência de dec éscimo da
ola ilidade, a que se con encionou chama de “A g ande mode ação” dos ciclos económicos, pois não
é e i icá el nos nossos dados ciclos económicos de g andes ampli udes posi i as seguidos de ciclos
económicos de g andes ampli udes nega i as. Com exceção do ciclo oco ido no pe íodo da c ise
inancei a global de 2008, a Alemanha e a F ança ap esen am ciclos económicos em que as ampli udes
se ca ac e izam po se em posi i as e c escen es ao longo do empo, de ido a ases de expansão cada
ez mais o es e longas. A I ália, con udo, a pa i de 2008, ap esen a ciclos económicos com ampli udes
nega i as com exceção do úl imo ciclo económico em que apesa de posi i a a ampli ude é baixíssima
(0.382%), o que a é aos dias de hoje nunca lhe pe mi iu ecupe a pa a o ní el de PIB mais ele ado
obse ado em oda a sé ie, oco ido em 2008; es ando ainda hoje abaixo desse alo .
Da obse ação dos esul ados ob idos com es e abalho é-nos pe mi ido conclui que, mais do
que a exis ência de sinc onia en e as ês maio es economias da Zona Eu o, o e dadei o âmago das
di e enças económicas, nomeadamen e en e a I ália e a Alemanha e F ança, eside nas ca ac e ís icas
de cada ciclo económico que cada país ap esen a. Como suge em F ank e al. (2018) e Gogas (2013)
com as ampli udes a o na em-se di e gen es, e apesa de uma maio sinc onia, a con e gência eal
en e países do eu o não acon ece á, uma ez que a dispa idade en e países não diminui á.
Po úl imo, embo a enhamos cump ido os p incipais obje i os des a disse ação icam, no
en an o, algumas in e ogações sob e o que es á na base dos esul ados que ob i emos. Es a á a Zona
Eu o a con ibui pa a um aumen o da sinc onia en e os di e sos países, mas ao mesmo empo a le a
a uma desacele ação da con e gência uma ez que, e apesa do aumen o da sinc onia, as ca ac e ís icas
dos ciclos se em al e ado pa a alguns países? Quais os mo i os pa a que as ases de expansão sejam
cada ez mais longas e com uma ampli ude cada ez mais posi i a pa a as 2 p incipais economias da
Zona Eu o? Se á isso u o do p ocesso de in eg ação cada ez mais p o undo que a Zona Eu o
p opo ciona? Se á que se es ende aos es an es países memb os da Zona eu o ou é apenas uma
ca ac e ís ica das economias mais o es, a Alemanha e a F ança? Es as são ques ões que pode iam
ala ga o ho izon e des e es udo e desse modo con ibui pa a um maio e melho conhecimen o das
ca ac e ís icas da Zona Eu o, o que bene icia ia a odos na cons ução de polí icas u u as p omo o as
do bem-es a ge al des a Zona económica, ão impo an e não só pa a a Eu opa como pa a o mundo.
40
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44
Anexo I- Economias da Zona Eu o.
A a és da Tabela 11 podemos e i ica os 19 países que azem pa e da Zona Eu o bem como o
peso que cada país ep esen a no PIB Ag egado da Á ea Eu o. p oduzida.
Tabela 11: Países pe encen es a Zona Eu o e o seu peso no PIB o al da Á ea Eu o.
País
PIB 2019
Peso
Alemanha
3 449 050,0
28,90%
F ança
2 425 708,0
20,32%
I ália
1 789 747,0
15,00%
Espanha
1 244 772,0
10,43%
Países Baixos
810 247,0
6,79%
Bélgica
476 203,3
3,99%
Áus ia
397 575,3
3,33%
I landa
356 051,2
2,98%
Finlândia
240 556,0
2,02%
Po ugal
213 301,0
1,79%
G écia
183 413,5
1,54%
Eslo áquia
93 865,2
0,79%
Luxembu go
63 516,3
0,53%
Eslo énia
48 392,6
0,41%
Li ûania
48 797,4
0,41%
Le ônia
30 463,3
0,26%
Es ónia
28 112,4
0,24%
Chip e
22 286,9
0,19%
Mal a
13 462,4
0,11%
Eu o Á ea To al
11 935 448,3
100,00%
No a: Elabo ação au o . Fon e: Eu os a . Dados co esponden es ao ano de 2019, em milha es de milhoes de
eu os.
Assim podemos e i ica que as ês maio es economias da Zona Eu o são a Alemanha, a F ança,
e a I ália. Jun as, es as ês económicas pe azem, ap oximadamen e, 64% de odo o PIB da Zona Eu o,
ou seja, ês economias co espondem po quase dois e ços de oda a iqueza enquan o as es an es
16 economias apenas p oduzem um e ço da iqueza.
A a és des e quad o e des es dados podemos e i ica a impo ância do alinhamen o en e es as
ês economias uma ez que se ão, essencialmen e, di ecionadas a es as ês economias e de aco do
45
com as suas necessidades as p incipais decisões e polí icas comuns que a e a ão as ou as 16
economias que compõem a Zona Eu o.
46
Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal.
Po ugal é um país pe encen e a Zona Eu o, como a Alemanha, a F ança e a I ália e como al es a
sujei o as mesmas eg as mone á ias e polí icas económicas que daí ad êm. A pa de G écia, da I landa
e de Espanha, Po ugal ez pa e dos denominados PIGS sigla pela qual ica am conhecidos os países
esga ados pela
T oika
na essaca da g a e c ise inancei a global de 2008 e da subsequen e c ise das
dí idas sobe anas eu opeias.
Figu a 5: Pon os de i agem do PIB de Po ugal
Fon e: Fe ei a e al. (2020)
A da ação dos ciclos económicos po ugueses pode se obse ada na Figu a 5. Es a igu a pe mi e-
nos es abelece , isualmen e, algumas semelhanças e di e enças com a economia i aliana que podem
se explica i as do po quê, de nos úl imos anos a economia i aliana se compa ada com maio equência
a países da Zona Eu o de meno dimensão ao in és de se compa ada ás ou as duas p incipais
economias da Zona Eu o, a Alemanha e a F ança. De ac o, obse ando os ciclos económicos
po ugueses pe cebemos que exis em ês ciclos económicos comple os. Na compa ação com a
economia i aliana des acamos o segundo e e cei o ciclos. O segundo ciclo em início no pico si uado no
p imei o imes e de 2008, ap esen a a sua ca a no p imei o imes e de 2009 e e mina no segundo
47
imes e de 2010. Po sua ez e cei o ciclo em início no e cei o imes e de 2010, em a sua ca a no
qua o imes e de 2012 e inaliza-se no qua o imes e de 2019. Fazendo uma compa ação com a
Alemanha, com a F ança e com a I ália emos que o segundo ciclo económico de Po ugal, iden i icado
pela igu a 5, é coinciden e com es as ês economias e é espei an e ao pe íodo da g a e c ise inancei a
global. Con udo, a con inuação da compa ação apenas pe mi e es abelece elação com a sé ie dos
ciclos económicos i alianos. O e cei o ciclo económico po uguês engloba a o pe íodo de esga e
inancei o de Po ugal pela
T oika
e o pe íodo da c ise de di ida sobe ana dos países eu opeus. Na
análise le ada a cabo nes a disse ação es e oi um ciclo apenas iden i icada pa a I ália. Con udo e como
e e ido na análise aquando dos ciclos económicos de I ália, a é Po ugal, um pais que p ecisou de ajuda
inancei a in e nacional, conseguiu du an e es e ciclo ecupe a das pe das do PIB que inha so ido
de ido a c ise inancei o global de 2008 e da c ise das di idas sobe anas dos países eu opeus de
2011/2012, o mesmo não se sucedeu com a economia I ália. Enquan o Po ugal a ingiu um pico no
qua o imes e de 2019 que já supe a a o pico e i icado no p imei o imes e de 2008 a economia
I aliana no seu úl imo pico iden i icado em 2019 ainda ap esen a a alo es in e io es ao seu pico de
2008.
Es es ac os em jus i icado o ac o de a economia i aliana mui as ezes se e compa ada com
países da Zona Eu o mais “ acos” ou que passa am po mui os p oblemas nos úl imos anos, ao in és
de se e compa ada com os países mais p óspe os e icos da Zona Eu opeia, is o apesa de se a
e cei a maio economia da Á ea Eu o.