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Ciclos económicos: análise de 3 motores da Zona Euro: Alemanha, França e Itália

Sousa, Tiago José Magalhães Ferreira de

Abstract

Este trabalho estuda a sincronia dos ciclos económicos da Alemanha, França e Itália. A sincronia dos ciclos económicos das principais economias constituintes da Zona Euro é um fator importante no desenvolvimento harmonioso e no crescimento estável e sustentado dessa área económica. Para além disso, a sincronia dos ciclos económicos é um elemento importante não só para essas economias como também para as restantes economias que pertencem à Zona Euro, pois através de diversos efeitos multiplicadores pode a robustez do seu desempenho económico ser maior ou menor de acordo com o desempenho das principais economias e serem mais ou menos afetadas pelas políticas comuns. Considerando o período 2000 – 2020, começamos por caracterizar, para cada país, os ciclos económicos e as suas fases, nomeadamente, em termos de durações e amplitudes, usando a metodologia de Harding e Pagan (2002) para a datação dos ciclos económicos. De seguida usamos o índice de concordância de séries sugerido pelos mesmos autores para determinar o grau de sincronização dos ciclos económicos das três economias em estudo. Os resultados sugerem que no período de vigência da Zona Euro, 2000-2020, a Alemanha e a França apresentam ciclos cada vez mais longos, devido a um aumento da duração das fases de expansão. Em termos de amplitudes, verifica-se também que estas são positivas e crescentes com o evoluir do tempo. Por sua vez, a Itália apresenta um comportamento diferente face à Alemanha e à França: os seus ciclos apresentam durações irregulares, não sendo estes crescentes ao longo do tempo como o padrão que se pode identificar para a Alemanha e a França e a amplitude dos seus ciclos é, em diversos ciclos identificados, negativa. Em relação à sincronia dos ciclos económicos verificamos que esta existe entre as três economias, e que o co-movimento das séries se intensificou após a crise financeira global de 2008. No entanto, os resultados obtidos com este trabalho sugerem que, apesar da sincronia das séries do PIB das três maiores economias da Zona Euro (Itália, Alemanha e França), há diferenças importantes no que diz respeito às características dos ciclos económicos de cada país – em particular, amplitudes divergentes. Assim, apesar de uma maior sincronia a convergência real entre países poderá estar em causa.

Full text

Uni e sidade do Minho Escola de Economia e Ges ão Tiago José Magalhães Fe ei a de Sousa Ciclos Económicos: Análise de 3 mo o es da Zona Eu o: Alemanha, F ança e I ália Disse ação de Mes ado Mes ado em Economia Mone á ia, Bancá ia e Financei a T abalho ealizado sob a o ien ação da p o esso a Dou o a P iscila And ea Ma ques Fe ei a Fe e ei o 2021 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionais acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos. Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do eposi ó iUM da Uni e sidade do Minho Licença concedida aos u ilizado es des e abalho A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Ag adeço em p imei o luga à p o esso a Dou o a P iscila Fe ei a po e acei ado se a o ien ado a dos meus passos nes a disse ação, endo-me não só o ien ado cien i icamen e, mas ambém po me e ajudado a supe a odas as di iculdades encon adas, pa ilhando comigo o seu conhecimen o. Ob igado po não e desis ido de mim. Ag adeço aos meus pais e aos meus a ós; cos umo pensa que eles não são pessoas pe ei as, mas que o am e são os pais e os a ós pe ei os. Po udo o que me p opo ciona am a eles de o mui o daquilo que sou, o melho ibu o que lhes posso p es a é dize que se um dia eu o me ade do que eles o am pa a mim se ei um excelen e pai e a ô ce amen e. Exp esso igualmen e ag adecimen o aos meus amigos de in ância Ma lene e Fábio, que se ão po en u a o mais p óximo dos i mãos de sangue que eu nunca i e. Ag adeço ambém a odos os ou os a quem nes es úl imos empos pude chama de amigos, pela o ça que me ansmi i am semp e. Ao A u , ao Diogo, ao Ped o e ao Gonçalo, amigos e colegas de mes ado ag adeço o empo de es udo e de boémia nes a ase da minha ida que oi, ambém, ce amen e impo an e pa a o sucesso de inaliza es a passo. Uma pala a de ag adecimen o ao es o da minha amília, assim como a odas as ou as pessoas que con ibuí am pa a a conclusão des a e apa. À Ca a ina. i DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho. RESUMO Es e abalho es uda a sinc onia dos ciclos económicos da Alemanha, F ança e I ália. A sinc onia dos ciclos económicos das p incipais economias cons i uin es da Zona Eu o é um a o impo an e no desen ol imen o ha monioso e no c escimen o es á el e sus en ado dessa á ea económica. Pa a além disso, a sinc onia dos ciclos económicos é um elemen o impo an e não só pa a essas economias como ambém pa a as es an es economias que pe encem à Zona Eu o, pois a a és de di e sos e ei os mul iplicado es pode a obus ez do seu desempenho económico se maio ou meno de aco do com o desempenho das p incipais economias e se em mais ou menos a e adas pelas polí icas comuns. Conside ando o pe íodo 2000 – 2020, começamos po ca ac e iza , pa a cada país, os ciclos económicos e as suas ases, nomeadamen e, em e mos de du ações e ampli udes, usando a me odologia de Ha ding e Pagan (2002) pa a a da ação dos ciclos económicos. De seguida usamos o índice de conco dância de sé ies suge ido pelos mesmos au o es pa a de e mina o g au de sinc onização dos ciclos económicos das ês economias em es udo. Os esul ados suge em que no pe íodo de igência da Zona Eu o, 2000-2020, a Alemanha e a F ança ap esen am ciclos cada ez mais longos, de ido a um aumen o da du ação das ases de expansão. Em e mos de ampli udes, e i ica-se ambém que es as são posi i as e c escen es com o e olui do empo. Po sua ez, a I ália ap esen a um compo amen o di e en e ace à Alemanha e à F ança: os seus ciclos ap esen am du ações i egula es, não sendo es es c escen es ao longo do empo como o pad ão que se pode iden i ica pa a a Alemanha e a F ança e a ampli ude dos seus ciclos é, em di e sos ciclos iden i icados, nega i a. Em elação à sinc onia dos ciclos económicos e i icamos que es a exis e en e as ês economias, e que o co-mo imen o das sé ies se in ensi icou após a c ise inancei a global de 2008. No en an o, os esul ados ob idos com es e abalho suge em que, apesa da sinc onia das sé ies do PIB das ês maio es economias da Zona Eu o (I ália, Alemanha e F ança), há di e enças impo an es no que diz espei o às ca ac e ís icas dos ciclos económicos de cada país – em pa icula , ampli udes di e gen es. Assim, apesa de uma maio sinc onia a con e gência eal en e países pode á es a em causa. Pala as-Cha e: Sinc onia; Ciclos económicos; Zona Eu o. i ABSTRACT This wo k s udies he synch ony o he economic cycles o Ge many, F ance and I aly. The synch ony o he economic cycles o he main cons i uen economies o he Eu o Zone is an impo an ac o in he ha monious de elopmen and s able and sus ained g ow h o his economic a ea. Mo eo e , he synch ony o economic cycles is an impo an elemen no only o hese economies bu also o he o he economies belonging o he Eu o Zone, because h ough a ious mul iplie e ec s he obus ness o hei economic pe o mance can be g ea e o lesse acco ding o he pe o mance o he main economies and be mo e o less a ec ed by common policies. Conside ing he pe iod 2000 - 2020, we s a by cha ac e izing, o each coun y, he economic cycles and hei phases, namely in e ms o du a ions and ampli udes, using he me hodology o Ha ding and Pagan (2002) o he da ing o economic cycles. We hen use he se ies conco dance index sugges ed by he same au ho s o de e mine he deg ee o synch oniza ion o he business cycles o he h ee economies unde s udy. The esul s sugges ha in he Eu o Zone, 2000-2020, Ge many and F ance p esen inc easingly long cycles, due o an inc ease in he du a ion o he expansion phases. In e ms o ampli udes, i can also be seen ha hese a e posi i e and inc easing wi h he e olu ion o ime. I aly, on he o he hand, p esen s a di e en beha iou compa ed o Ge many and F ance: hei cycles p esen i egula du a ions no being hese inc easing o e ime as he pa e n ha can be iden i ied o Ge many and F ance and he ampli ude o hei cycles is, in se e al iden i ied cycles, nega i e. Wi h ega d o he synch ony o economic cycles, we ind ha his exis s among he h ee economies, and ha he se ies co-mo emen in ensi ied a e he global inancial c isis o 2008. Howe e , he esul s ob ained wi h his wo k sugges ha , despi e he synch ony o he GDP se ies o he h ee la ges economies in he Eu o Zone (I aly, Ge many and F ance), he e a e impo an di e ences in he cha ac e is ics o each coun y's economic cycles - in pa icula , di e gen ampli udes. Thus, despi e g ea e synch ony, eal con e gence be ween coun ies may be a s ake. Keywo ds: Synch ony; Economic cycles; Eu ozone. ii ÍNDICE 1.In odução ........................................................................................................................................ 1 1.1 Mo i ação .................................................................................................................................... 1 1.2 Obje i os ...................................................................................................................................... 2 2.Enquad amen o Teó ico ................................................................................................................ 4 3. A me odologia ............................................................................................................................... 14 3.1 Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise .............................................................. 14 3.2 Mé odo de iden i icação dos pon os de i agem das sé ies ........................................................ 16 3.3 Iden i icação dos ciclos económicos .......................................................................................... 17 4. Desc ição dos ciclos económicos ............................................................................................. 26 5. Sinc onia dos ciclos económicos .............................................................................................. 33 6. Conclusões e conside ações inais ........................................................................................... 37 7. Re e ências bibliog á icas ......................................................................................................... 40 Anexo I- Economias da Zona Eu o ................................................................................................. 44 Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal. ..................................................................... 46 6 2005); (iii) melho es polí icas iscais e mone á ias (Comissão Eu opeia, 2007); (i ) ou ainda a libe alização dos me cados inancei os e de abalho (Cabanillas e Rusche , 2008). Apesa de a edução da ola ilidade se uma e idência cla a, es a pode não se , con udo, um e ei o pe manen e, mas sim empo á io, esul an e de choques mac oeconómicos in e nacionais comuns mais pequenos que, uma ez e e idos, le a ão, pelo menos em pa e, a um no o aumen o da ola ilidade (S ock e Wa son, 2005). A análise dos ciclos económicos pode se ei a segundo duas pe spe i as, o ciclo clássico e o ciclo de c escimen o (Rua, 2017). O ciclo clássico baseia-se no ní el de a i idade e pode esumi -se aos picos e às ca as que se encon am ao longo de uma sé ie. Já o ciclo de c escimen o assen a em des ios ace a sua endência de longo p azo e diz espei o a pe íodos al e nados de acele ação e desacele ação da a i idade económica. De ido a es as di e enças, a da ação dos pon os de i agem pode não coincidi necessa iamen e nes es dois ipos de ciclos, sendo que o ciclo clássico é mais angí el, pois não aca e a uma decomposição em endência e ciclo, que são componen es não obse á eis como o que se em de aze no ciclo c escimen o (Rua, 2017). O ea i a do in e esse pelo es udo dos ciclos económicos em possibili ado o eme gi an o de eo ias an igas como o desen ol imen o de no as eo ias e conclusões sob e o ema. Es e ea i a de in e esse esul a de á ios acon ecimen os que êm ma cado o mundo nes as úl imas décadas. A globalização pa ece e sido um desses acon ecimen os, com um papel undamen al no edespe a do in e esse da li e a u a económica nos ciclos económicos, uma ez que com ela pa ece o na -se cada ez mais cla o a exis ência de uma ce a sinc onia dos ciclos dos di e sos países e egiões esul an e des e aumen o da in eg ação come cial. Vejamos po exemplo o que acon ece na Amé ica do sul. O Me cosul, o me cado de comé cio li e en e á ios países da Amé ica do Sul, pe mi iu uma in eg ação económica que conduziu a uma maio sinc onia dos ciclos económicos daqueles países (Calei o e Cae ano, 2017). A sinc onia exis en e en e países como, po exemplo, A gen ina e U uguaia ou en e B asil e Pa aguai é, apesa de não exis i uma moeda única en e os países des a egião, obus a podendo mesmo se conside ada ele ada no caso da A gen ina e U uguai. Os ciclos económicos dos países em desen ol imen o aumen a am ambém com o aumen o da in eg ação come cial (Calde ón e al. 2007). Apesa de e idencia em um impac o posi i o meno ace aos países indus ializados, a in eg ação come cial é posi i a e signi ica i a pa a es e ipo de países sendo 7 o meno impac o e i icado ace aos países indus ializados esul an e das di e en es es u u as de p odução e do g au de comé cio in aindus ial. A globalização e o seu e ei o na in eg ação come cial mundial pa ecem e ido um papel ão de e minan e nos ciclos económicos e na sua con e gência, que na li e a u a económica exis e quem ale mais na exis ência de um ciclo mundial do que em ciclos nacionais (Cano a e al. 2007). Sendo es e ciclo mundial o maio esponsá el pelas lu uações que se e i icam nos ag egados económicos mais do que os indicado es especí icos de cada país. A globalização, con udo, não p oduziu só e ei os bené icos. A c ise inancei a de 2007-2008 despole ada nos Es ados Unidos da Amé ica elemb ou-nos isso mesmo, uma ez que u o da lide ança global dos EUA e do aumen o des a sinc onia exis iu uma p opagação mui o mais ápida do que e a um p oblema nacional a ou as geog a ias mundiais, e idenciando o quan o os EUA in luenciam o empo e a du ação das ases e dos ciclos de ou os países (F ancis e al. 2015). Con udo es a si uação p ejudicial não pa ece e esul ado daquela que é conside ada como um dos p incipais meios de sinc onização dos ciclos económicos, ou seja, a in eg ação come cial, mas sim esul ado de uma ou a possí el de e minan e - a globalização dos me cados inancei os. Têm sido á ias as hipó eses colocadas e es adas ao longo do empo como de e minan es capazes ou não de con ibuí em pa a a diminuição ou o aumen o da sinc onia dos ciclos económicos dos países. O aumen o da globalização dos me cados inancei os é uma dessas hipó eses, exis indo au o es que conside am que a es e aumen o es á ligado uma meno co elação in e nacional dos ciclos económicos (Hea hco e e Pe y, 2004; Kalemli-ozcan e al.2001). Num es udo pa a os EUA, chegou-se à conclusão de que a co elação do ciclo económico dos EUA com o ciclo económico do es o do mundo ia diminuindo ao longo da amos a ao mesmo empo que a in eg ação inancei a dos EUA com o es o do mundo aumen a a. Tal ac o, encon a explicação na diminuição das es ições in e nacionais dos emp és imos em conjun o com uma di e si icação do po ólio de a i os inancei os cada ez melho e maio po pa e dos in es ido es, o que lhes pe mi iu es a menos expos os aos iscos especí icos de cada país, alocando os seus luxos de capi al de aco do com a sua on ade. Bax e e Koupa i sas (2005) ambém dedica am es o ços pa a en a de e mina quais as de e minan es no co-mo imen o dos ciclos. No seu es udo, com uma amos a de mais de 100 países, os au o es chega am à conclusão de que o comé cio bila e al e indicado es de que se os países são ambos indus ializados ou ambos países em desen ol imen o, são a iá eis classi icadas como obus as. A a iá el dis ância ambém oi classi icada como obus a, assim quan o mais p óximos maio é o co- 8 mo imen o dos ciclos, em con as e quan o mais dis an es meno é o co-mo imen o dos ciclos. Con udo, mais su p eenden e é a conclusão des es au o es ace a algumas a iá eis, nomeadamen e a es u u a indus ial e as uniões mone á ias, is as como impo an es po ou os au o es, de que es as não ap esen a am uma signi icância obus a. A es a conclusão sob e as uniões mone á ias inha ambém chegado (Calei o e Cae ano, 2017). Po ém, e em elação à ques ão das uniões mone á ias emos em dissonância Bowe e Guillemineau (2006). Num es udo sob e as de e minan es da sinc onização dos ciclos económicos dos países da á ea do eu o, os au o es e e em a implemen ação do me cado único e daí a in ensi icação do comé cio bila e al como um de e minan e undamen al des a sinc onização. A jun a a es a de e minan e, os au o es e e em a polí ica iscal e as es u u as indus iais du an e a implemen ação do me cado único e, depois da in odução da união económica e mone á ia, a queda nos di e enciais das axas de ju o e os se iços como undamen ais nessa sinc onização. Rose (2009) jun a-se a Bowe e Guillemineau (2006) a i mando que as uniões mone á ias pa ecem e um e ei o posi i o sob e a sinc onia dos ciclos, enquan o a impo ância das es u u as indus iais na sinc onia dos ciclos da união eu opeia oi abo dada po Ugembe (2013) no seu abalho, endo o au o classi icado es a como uma condição que con ibui pa a a con e gência dos ciclos económico. As on ei as, ou o denominado e ei o on ei o, é ambém uma de e minan e conside ada na sinc onia dos ciclos económicos. De ac o, se compa a mos os países eu opeus pe encen es a União Eu opeia com Es ados pe encen es aos EUA e i icamos a exis ência de maio sinc onia en e as egiões dos EUA do que aquela que se e i ica en e países eu opeus, con i mando-se assim a exis ência de um e ei o on ei a (Cla k e Wincoop, 2001). Compa ando a década de 80 e 90 com as décadas de 60 e 70, não se e i icam e idências de que es e e ei o se enha eduzido. Um p o á el a o explica i o pa a a exis ência des e e ei o e pa a a sua não diminuição pode se o baixo ní el de comé cio ace ao exis en e nas egiões dos EUA. Foi, em pa e e en e ou os, pa a eduzi es e e ei o p ejudicial que as on ei as ep esen a am na a i idade económica e social dos países eu opeus que após a Segunda Gue a Mundial as ligações en e países eu opeus se o na am mais o es como esul ado de um es o ço de in eg ação dos me cados nacionais. Esses es o ços incluí am a edução das ba ei as come ciais en e países, a implemen ação do a o único eu opeu em 1986, o a ado de Maas ich em 1992, a in odução do me cado único eu opeu em 1993 e, como culmina de odos esses passos, a c iação e in odução de 9 uma moeda única e de polí icas mone á ias comuns nos países pe encen es à Uniao Eu opeia e Zona Eu o. A Eu opa pa ecia, assim, e como ideia implemen a um sis ema pa ecido ao que se e i ica em ou as geog a ias do mundo, como nos EUA e no B asil, po exemplo, onde a união de um conjun o de Es ados dá luga à cons i uição de uma “ ede ação” de Es ados e a polí icas pa a o seu odo. Não acabando com a di e sidade cul u al nem com a a iedade de línguas, um elemen o único nos exemplos e e idos an e io men e, a Eu opa en ou a a és da e en e económica e come cial uma es a égia que isa a a con e gência pa a os ní eis de endimen o dos países mais icos, e unciona como po o de ab igo em empos di íceis que pe mi isse aligei a e en uais choques ex e nos nos ciclos dos di e en es Es ados (Aguia -Con a ia e al. 2012). A união mone á ia e inancei a con ibui ia, assim, a a és da sua es abilidade, pa a a p omoção do c escimen o económico, pa a uma maio in eg ação dos me cados de bens e de se iços, bem como dos me cados de abalho e capi ais ge ando assim ganhos de e iciência pa a odos os en ol idos. Toda ia a adesão a uma moeda única po pa e de di e en es países de e espei a um de e minado conjun o de ca ac e ís icas, sob pena de ao con á io do p e endido inicialmen e con ibui pa a a di e gência e não pa a a con e gência dos países en ol idos. Uma das ca ac e ís icas mais e e idas aquando da adoção de uma moeda comum é a sinc onia dos ciclos económicos dos in e enien es, uma ez que al ca ac e ís ica pode se uma componen e essencial no sucesso de uma polí ica mone á ia conjun a. O abandono das axas de câmbio lexí eis en e países eu opeus e a ideia de que com elas os países es ão mais isolados a choques ex e nos (Koupa i sas, 1998), ep esen ou a ans e ência de uma o e e amen a na co eção de desequilíb ios po pa e dos países pa a en idades sup anacionais, nes e caso o BCE. A impo ância da sinc onia dos ciclos económicos eside em g ande pa e nes e po meno , uma ez que o no o esponsá el pela polí ica mone á ia não olha pa a as necessidades indi iduais de cada país, mas sim pa a as necessidades do conjun o de países como um odo (Ba is a,2015). Sob e o e ei o de uma maio in eg ação come cial debaixo de uma união mone á ia na sinc onia dos ciclos económicos exis em 2 isões dis in as: (i) a hipó ese de especialização e (ii) a hipó ese da endogeneidade. A hipó ese da especialização de ende que uma maio in eg ação económica en e os países a á com que es es se especializem nas e en es em que ap esen em maio an agem compa a i a ace aos 10 ou os países. Es e aumen o de especialização a á com que os países na p esença de choques que a e em de e minados se o es e com a exis ência de uma polí ica mone á ia única pa a odos le e a uma meno sinc onia dos ciclos (K ugman, 1993). Po sua ez a hipó ese da endogeneidade a i ma que a ap idão de um país en a numa união mone á ia pode se alcançada an es ou depois de se da a en ada na união, sendo que es a en ada le a á po ce o a um aumen o da sinc onia dos ciclos económicos ia aumen o da in ensidade do comé cio (F ankel e Rose, 1997; F ankel, 1999), pois um aumen o do comé cio in aindus ial a á com que es es países na p esença de choques comuns se compo em de igual modo a ingindo-se assim uma maio simili ude dos ciclos. Na á ea económica e mone á ia eu opeia a ques ão da sinc onia dos ciclos não ge a consensos, pois, dependendo da e en e e da pe spe i a em que se analisa a mesma, á ias êm sido as conclusões a que se em chegado. Comecemos pela ques ão de que se exis e de ac o um ciclo económico eu opeu ou não, pois começam logo aqui as di e gências. A exis ência de um ciclo económico eu opeu é di ícil de e i ica pa a A is (2003), uma ez que alguns países eu opeus pa ecem es a mais jun os do que ou os. Além disso exis em e idencias de que a sinc onia de ciclos en e os EUA e o Japão e alguns países eu opeus é maio do que en e os p óp ios países eu opeus. De ac o, a composição da zona eu o é he e ogénea e pa ece e idencia di e en es ní eis de sinc onização en e os di e sos países e subconjun os de países. Es e ac o pode esul a na sua g ande maio ia da cons i uição da zona eu o, que pa a além de um p oje o mone á io é ambém um p oje o de índole polí ica. Só a luz des a azão se pode po exemplo explica o ala gamen o da união eu opeia e mone á ia à Eu opa de les e e i icado em 2004. A sinc onia dos ciclos económicos des es países com os es an es países eu opeus não e a uma e idência aquando do seu acon ecimen o, sendo que apenas dois países, a Eslo énia e a Républica Checa, ap esen a am uma sinc onia signi ica i a com os es an es países da á ea eu o a dezasseis (S anisic, 2014). Con udo a e idência de al a de sinc onização ou pouca sinc onização en e o ag egado e os países como unidades indi iduais não pa ece se no a p esen e apenas na União Eu opeia e na Zona Eu o. Analisando, po exemplo, os EUA podemos e i ica que os ciclos es a ais que o compõem podem se ca ac e izados po sé ies dis in as de ases de expansão e ecessões exis indo di e en es axas de c escimen o de aco do com as ases do ciclo de Es ado pa a Es ado (Owyang e al.2003). Exis indo Es ados que ap esen am uma conco dância maio com o ciclo nacional como o Es ado Cen al de No a 11 Yo k em con as e a uma conco dância mui o mais eduzida do Es ado do Texas ace ao ciclo nacional Ame icano. O B asil é ou o país que pode se u ilizado como compa ação ao que se passa na Eu opa. Enquan o o Es ado de São Paulo ap esen a uma sinc onia pe ei a com o ciclo B asilei o os es an es Es ados ap esen am exp essi as di e enças na c onologia de ecessões e expansões com o ciclo nacional (Cunha e Mo ei a, 2006). Assim e pa a países o ganizados de uma o ma “compa á el” ao a anjo económico Eu opeu podemos e i ica que es a al a de sinc onização en e ce os Es ados não é um exclusi o eu opeu. Exis em mesmo au o es que e e em que a pe ença à união económica e mone á ia eu opeia não al e ou signi ica i amen e as ca ac e ís icas his ó icas dos ciclos económicos eu opeus (Giannone e al. 2009), pois países com um PIB pe capi a simila nos anos 70 expe imen am um ciclo económico simila a é aos dias de hoje. Enquan o pa a os ou os países memb os o seu ní el de co elação com os demais é hoje igual àquele que se e i ica a nos anos 70, não ha endo po isso e idências de que a sua pa icipação na união mone á ia enha al e ado alguma coisa. Aliás a di isão da Eu opa em duas, países cen ais e sus países pe i é icos em sido algo cons an e ao longo do empo, u o dos di e en es ní eis de c escimen o e de ou as ca ac e ís icas económicas. Es a di isão em sido um ema mais e iden e e o nou-se mais ma cada aquando da c ise inancei a de 2007-2008 sendo que di e en es sinc onias de ciclos en e es as duas di isões em sido algo e i icá el. Assim e ace ao que se e i ica a an es de 2007, exis iu um aumen o da sinc onia pa a os países cen ais enquan o os países pe i é icos i am a sua sinc onização diminui ace aos países cen ais, ace uns aos ou os e ambém ace aos países da União Eu opeia que não pe encem a Zona Eu o (Belke e al.2017; Fe oni e Klaus, 2014). Tem exis ido assim um pe íodo de di e gência na sinc onização en e pa es dos países eu opeus. A Espanha, po exemplo, após a u bulência mundial de 2007-2008 em indo a mos a lu uações económicas assimé icas em elação às ou as 3 maio es economias da Zona Eu o, coisa que não se e i ica a an e io men e. Es e acon ecimen o explica-se po que as lu uações do p odu o espanhol oco em maio i a iamen e po ca ac e ís icas nacionais, enquan o a o es comuns explicam mais de 50% das lu uações do p odu o das 3 maio es economias eu opeias (Fe oni e Klaus, 2014). A p e alência de di isão en e países cen ais e sus países pe i é icos (ou Es ados cen ais s Es ados pe i é icos) não é, con udo, e mais uma ez, algo exclusi amen e eu opeu. Aliás o g au de sinc onização e a p e alência des e ipo de di isão, cen al s pe i é ico, em sido es udado pa a egiões 12 da União Eu opeia, dos EUA e do Canadá (Lopes e Pina, 2008). Ve i icou-se que es a di isão e a maio nas décadas de 80 e 90 na União Eu opeia a 15. Con udo em-se indo a o na menos e iden e ao longo do empo ace à Amé ica do No e (Lopes e Pina, 2008) de i ado à pe da de o ça do e ei o on ei a na compa ação EUA- Zona Eu o. Na análise da sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa exis e a é quem de enda uma maio di isão. Mais do que di e enças en e países, ou países pe i é icos e sus países cen ais, exis e quem ale em g upos de egiões que ap esen am simili udes en e si e, po an o, as ca ac e ís icas cíclicas das egiões de em se comba idas com polí icas egionais di e en es e não com polí icas nacionais comuns, pois usa polí icas nacionais pode causa dis o ções indesejadas nalgumas egiões que po sua ez podem mesmo e o seu p ocesso de con e gência desacele a (Band es e al. 2017). Os co-mo imen os egionais e sus os co-mo imen os nacionais são a p o a disso, uma ez que apesa dos co-mo imen os eginais e em aumen ado eles encon am-se ainda assim abaixo dos co-mo imen os nacionais en e países. Em sumá io, as conclusões sob e os ciclos económicos, a sua sinc onização e o e ei o que uma união mone á ia em nes a sinc onização, nomeadamen e na Eu opa e na Zona Eu o, di e em e são á ias. Uns suge em que a sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa é ele ada pa a a g ande maio ia dos países (Lopes, 2003; Be gman, 2004). Ou os e e em que a sinc onização exis en e é an e io ao es abelecimen o da união mone á ia e que es a não se al e ou com a in odução da moeda única (Camacho e al.2006). Ou os suge em uma maio sinc onização dos ciclos económicos en e 1999 e 2015, mas com as ampli udes des es ciclos a o na em-se di e gen es e com isso a aze com que a con e gência eal não acon ecesse en e os países o iginais do eu o, uma ez que a dispa idade en e países icos e países pob es não diminuiu (F anks e al. 2018; Gogas, 2013). Tendo em con a a impo ância do g au de sinc onia dos ciclos económicos pa a o odo, ou seja, pa a um conjun o de países sujei os à mesma polí ica mone á ia, es e meu abalho p e ende con ibui pa a a li e a u a exis en e analisando a sinc onia dos ciclos económicos, e as suas ca ac e ís icas, das ês maio es economias da União Eu opeia e da Zona Eu o, uma ez que uma polí ica mone á ia comum se á an o mais e icaz quan o mais sinc onizadas es i e em es as 3 economias, pois elas e ão um e ei o mul iplicado nos es an es países eu opeus e quan o melho es se ap esen a em economicamen e maio se á a p obabilidade de odas as ou as se encon a em bem e con e gi em não só em e mos dos seus ciclos económicos mas ambém em e mos dos seus ní eis de bem-es a . 13 A secção seguin e assen a na abo dagem eó ica aqui ap esen ada e p ocede com o es udo empí ico da sinc onia dos ciclos de ês mo o es da Zona Eu o. 14 3. A me odologia 3.1. Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise A c iação de uma união económica e mone á ia oi uma ambição da União Eu opeia desde inais dos anos 60 do século XX. Em junho de 1988, dá-se o p imei o ma co, endo sido cons i uído um comi é com o in ui o de es uda a o mação dessa união económica e mone á ia que mais a de i ia a ap esen a o Rela ó io Delo s. Es e ela ó io p opunha que a união económica e mone á ia osse alcançada em 3 ases dis in as. A ase 1 e e início a 1 de julho de 1990 e e e como p incipais ca ac e ís icas a libe alização dos mo imen os de capi ais e a li e ci culação da ECU (Eu opean Cu ency Uni ) a unidade mone á ia eu opeia que p ecedeu o eu o. No dia 1 de janei o de 1994 deu-se início à ase 2 que le ou a c iação do Ins i u o Mone á io Eu opeu, à p oibição do inanciamen o do se o público pelos bancos cen ais e à conclusão do p ocesso de independência dos bancos cen ais nacionais. A ase 3 le ou à ixação i e ogá el das axas de câmbio, à en ada em igo do pac o de es abilidade e c escimen o (PEC) e culminou com a in odução do eu o. Foi assim que, com a in odução do eu o, a 1 de janei o de 1999 en ou em uncionamen o a União Económica e Mone á ia Eu opeia (BCE, 2020). Du an e os seus ês p imei os anos, o eu o uncionou apenas como uma moeda “in isí el”, sendo u ilizada somen e pa a e ei os con abilís icos e pa a pagamen os ele ónicos. A sua ci culação ísica iniciou-se a 1 de janei o de 2002, em doze países da União Eu opeia (União Eu opeia, 2020), sendo hoje u ilizado po ce ca de 341 milhões de pessoas no seu dia-a-dia. 1 Uma ez que o obje i o des e abalho é medi a sinc onia das 3 maio es economias da Zona Eu o (Alemanha, F ança e I ália), e uma ez que a cons i uição da Zona Eu o se deu a 1 de janei o de 1999, escolhemos como pe íodo de análise o espaço comp eendido en e 1 de janei o de 2000 a é aos úl imos dados disponí eis, nes e caso, a é ao ano de 2020.Uma ez que es amos a a a de analisa as possí eis lu uações da a i idade económica, o indicado escolhido se á o P odu o In e no B u o (PIB) das 3 economias em análise, que é conside ado o melho espelho do ag egado da a i idade económica de um país (Claessens e al. 2011). Os dados o am ob idos no dia 24 de se emb o de 2020 no si e do Eu os a , o gabine e de es a ís icas o icial da União Eu opeia. Das di e en es o mas calculadas do PIB disponibilizadas pelo Eu os a e uma ez que é obje i o des e abalho obse a lu uações eais da a i idade económica escolhemos o PIB encadeado em olume 1 Anexo I – Quad o com as economias da Zona Eu o e o seu peso no PIB To al da Á ea Eu o 15 a p eços do ano an e io , co igidos de a iações sazonais, pa a a nossa análise empí ica. Sob e a escolha des e ipo de dados ale a pena alguma e lexão, uma ez que exis em ou os ipos de cálculo de PIB que pe mi em ambém e i ica lu uações. Comecemos pelos PIB a p eços co en es. A u ilização de dados a p eços co en es nes e ipo de análise em nada nos ajuda ia, uma ez que não nos pe mi i ia chega a conclusão nenhuma sob e as lu uações da a i idade económica de ano pa a ano, pois não sabe íamos se essas a iações e am u o de um simples aumen o das quan idades ansacionadas na economia ou se o c escimen o do nosso indicado de a i idade económica apenas e ia acon ecido de ido a um aumen o e i icado dos p eços nesse ano em ques ão. Pode ia mesmo da -se o caso de a a i idade económica eal e so ido uma con ação nas quan idades p oduzidas, mas essa con ação não se espelhada no alo ag egado do PIB uma ez que o aumen o dos p eços pode ia e compensado essa queda da p odução eal. De o ma a a alia mos co e amen e quais as a iações oco idas en e pe íodos na a i idade eal pode íamos en ão eco e a dois ipos de sé ies: (i) as sé ies a p eços cons an es e; (ii) as sé ies de dados encadeados em olume (chain-linking). Na medição da a i idade económica, e de o ma a elimina o e ei o p eço, as sé ies a p eços cons an es usam como unidade de medida de p eços um alo comum a um ano base, is o é, escolhe- se um dado ano e de aco do com os p eços e i icados nesse ano calcula-se o alo da a i idade económica dos pe íodos seguin es com os p eços do ano de e e ência. Deco e daqui a possibilidade de iden i ica as lu uações económicas de ano pa a ano assegu ando que es as não oco em de ido ao aumen o ou diminuição dos p eços uma ez que es es es ão “congelados”. Toda ia, e apesa de mui o melho do que o cálculo a p eços co en es no e lexo do e dadei o c escimen o eal da economia, o cálculo a p eços cons an es esconde ambém um conjun o de limi ações (ABS, 2003) associadas p ecisamen e ao uso de um p eço que se man ém inal e ado ao longo do empo no cálculo das mudanças dos olumes. Es as limi ações deco em de á ios a o es en e os quais se des acam: (i) o ac o de me cado ias ba a as se em subs i uídas ao longo do empo po me cado ias que se o na am mais ca as e “que idas” aos consumido es; (ii) o c escimen o do p eço das di e en es me cado ias ende ambém a acon ece a axas di e en es ao longo do empo e po isso o seu peso ela i o no cabaz de bens ende a muda . Além disso, ac esce ainda o ac o de que as me cado ias so em e oluções nas suas ca ac e ís icas ao longo do empo, que al e am po ezes a sua qualidade e que as azem desapa ece ou quase a o na em-se em no as me cado ias no me cado. 22 de con ação e 11 imes es de expansão. Es e ciclo e e início no p imei o imes e de 2008 e e minou no qua o imes e de 2011, apanhando po isso o pe íodo da c ise inancei a global de 2008-2009. Tal como acon eceu com a economia alemã e ambém, em pa e, po nes e pe íodo se si ua a c ise inancei a global de 2008-2009, é nes e ciclo que se e i ica a con ação mais exp essi a da economia ancesa. O segundo e úl imo ciclo económico comple o da economia ancesa es á comp eendido en e o p imei o imes e de 2012 e o segundo imes e de 2019. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 30 imes es, di ididos en e 4 imes es de con ação e 26 imes es de expansão. Tabela 2: Du ação dos ciclos económicos da F ança e das suas ases em imes es Ciclo Pe íodo Fase PIB Du ação Fase Ciclo n.d 2008q1[ Expansão 531549.3 1 [2008q1 2009q2[ Con ação 510856.1 5 16 (4) [2009q2 2012q1[ Expansão 535775 11 2 [2012q1 2013q1[ Con ação 535261.2 4 30 (7.5) [2013q1 2019q3[ Expansão 588685.3 26 3 [2019q3 n.d Con ação No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis co espondem a ans o mação dos imes es em anos. Tal como e i icamos na si uação alemã, os ciclos económicos anceses ambém aumen am a sua du ação ao longo do empo. A du ação do segundo e úl imo ciclo económico comple o ancês em quase o dob o da du ação do p imei o ciclo económico. E, al como acon eceu com a Alemanha, esse ac o ambém se de e ao aumen o da du ação dos pe íodos de expansão que mais do que duplica am no segundo ciclo económico ace ao p imei o. Pa a a F ança exis iu a é uma diminuição na du ação dos pe íodos de con ação, uma ez que no p imei o ciclo económico es a inha du ado 5 imes es enquan o que no segundo ciclo económico es a du ou apenas 4 imes es, bene iciando assim a F ança de um bene ício duplo; na medida que em conjun o com o aumen o da du ação da ase de expansão exis iu uma diminuição da ase de con ação o que lhe pe mi iu aumen a a du ação da sua ase de p ospe idade. 23 Po úl imo podemos obse a na Figu a 4 a da ação dos pon os de i agem pa a a economia i aliana no pe íodo 2000-2020. Nes e pe íodo o am iden i icados 11 pon os de i agem sendo 6 picos e 5 ca as que pe azem um o al de 5 ciclos económicos comple os. Figu a 4: Pon os de i agem do PIB da I ália No a: Cálculos do Au o . Fon e: Eu os a (2020) Como podemos e a a és da Tabela 3 e em compa ação com as sé ies da Alemanha e da F ança, a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o de ciclos económicos comple os, o que pode á e ela desde logo uma maio endência de ins abilidade económica, pois ap esen a uma maio p opensão pa a lu uações económicas. O p imei o ciclo económico i aliano inicia-se no p imei o imes e de 2001, pe íodo no qual se inicia um pe íodo de con ação de 4 imes es. Depois des e pe íodo de con ação iniciam-se 3 imes es de expansão económica, a é ao e cei o imes e de 2002, que echam o p imei o ciclo. Es e ciclo e e assim uma du ação de 7 imes es. O segundo ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2002 e p olongou- se a é ao qua o imes e de 2007. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 21 imes es, sendo es es di ididos em 3 imes es de con ação e 18 imes es de expansão económica. O e cei o ciclo económico comple o en ol eu o pe íodo da c ise inancei a global. Es e ciclo du ou 13 imes es, iniciando-se no p imei o imes e de 2008 e e minando po ol a do p imei o imes e de 2011, e 24 du an e a sua igência a economia i aliana passou 5 imes es em con ação e 8 imes es em expansão económica. Tabela 3: Du ação dos ciclos económicos da I ália e das suas ases em imes es Ciclo Pe íodo Fase PIB Du ação Fase Ciclo n.d 2001q1[ Expansão 424558.7 1 [2001q1 2002q1[ Con ação 421778.3 4 7 (1.75) [2002q1 2002q4[ Expansão 426237.2 3 2 [2002q4 2003q3[ Con ação 423806.0 3 21 (5.25) [2003q3 2008q1[ Expansão 452802.5 18 3 [2008q1 2009q2[ Con ação 419031.2 5 13 (3.25) [2009q2 2011q2[ Expansão 433448.7 8 4 [2011q2 2013q4[ Con ação 410325 10 26 (6.5) [2013q4 2017q4[ Expansão 429557 16 5 [2017q4 2018q3[ Con ação 429182.3 3 6 (1.5) [2018q3 2019q2[ Expansão 431193.3 3 6 [2019q2 n.d Con ação No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis co espondem a ans o mação dos imes es em anos. Po ém, e ao con á io do que acon ece com as economias ancesa e alemã, não oi du an e o pe íodo da c ise inancei a global que a economia i aliana so eu a sua maio con ação económica em e mos de du ação. Tal sucedeu no qua o ciclo económico iden i icado. Es e ciclo e e início no segundo imes e de 2011 e e minou no e cei o imes e de 2017; com uma du ação de 26 imes es, di ididos em 10 imes es de con ação e 16 imes es de expansão económica. Es e ciclo en ol eu o pe íodo da c ise das dí idas sobe anas dos países eu opeus, que se seguiu à c ise inancei a global, e 25 que a e ou o emen e os países pe i é icos eu opeus com uma ele ada dí ida pública onde a I ália se inse e. O úl imo ciclo económico comple o i aliano em uma du ação de 6 imes es e é di idido em du ações semelhan es de expansão e con ação, is o é, 3 imes es de con ação e 3 imes es de expansão. Es e ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2017 e e minou no p imei o imes e de 2019. Ou a ca ac e ís ica que di e e o ciclo económico i aliano dos ciclos económicos ancês e alemão p ende-se com algumas ca ac e ís icas na du ação de algumas das suas ases. Ao con á io do que se e i ica pa a os ciclos da economia alemã e da economia ancesa a economia i aliana ap esen a ciclos económicos comple os em que os pe íodos de con ação são maio es ou iguais aos pe íodos de expansão. Is o acon ece no p imei o ciclo económico e no quin o ciclo económico, onde no p imei o o pe íodo de con ação é maio do que o pe íodo de expansão e no quin o os pe íodos se igualam espe i amen e. 26 4. Desc ição dos ciclos económicos A desc ição dos ciclos económicos é um passo que se pode ealiza após a iden i icação dos pon os de i agem. En e as á ias ca ac e ís icas de in e esse podem des aca -se a du ação dos ciclos e das suas ases em e mos de: (ii) a ampli ude dos ciclos e das suas ases, (iii) qualque compo amen o assimé ico das ases (i ) mo imen os cumula i os den o das ases (Ha ding e Pagan:2002). Das ca ac e ís icas expos as, as de maio in e esse pa a a análise empí ica que es amos aqui a ealiza são aquelas que se e e em à du ação e à ampli ude, sendo po isso dedicada a essas a nossa a enção. As o mas de cálculo das medidas necessá ias pa a desc e e os ciclos são suge idas po Ha ding e Pagan (2020). Conside ando, como de inimos an e io men e no subcapí ulo 3.2, o conjun o (Y , S ), onde Y diz espei o aos alo es das sé ies do PIB e S é a a iá el biná ia de alo 1 pa a uma expansão e de alo 0 pa a uma con ação. Se i e mos ∑𝑆𝑡 𝑇 𝑡=1 como a du ação o al de uma expansão e K seja o núme o de picos, en ão a du ação média de uma expansão é, D =∑S T =1 k Po sua ez a ampli ude de uma expansão é a a iação obse ada en e uma ca a e um pico seguin e, sendo a sua média dada pela exp essão, A =∑S ∆y T =1k Pa a as ases de con ação os alo es podem se ob idos subs i uindo nas ó mulas S po (1-S ). Algumas ca ac e ís icas e e en es à ampli ude do ciclo económico da Alemanha e das suas ases são desc i as na Tabela 4. É possí el e i ica que a ampli ude do ciclo económico alemão em indo a aumen a ao longo do empo com a exceção a e i ica -se no e cei o ciclo. No p imei o ciclo a ampli ude oi nega i a, endo po isso sido e i icada uma queda do PIB alemão de 0.13%, no im do ciclo ace ao seu início. Ou seja, no im do p imei o ciclo o PIB imes al alemão ascendia a 650 855.6 milhões de eu os, um alo in e io ao egis ado no início do ciclo (651 895.8 milhões de eu os). A ampli ude dos demais ciclos oi posi i a, endo no segundo ciclo o PIB c escido 9.7%, no e cei o c escido 2.8% e no qua o ciclo c escido 11.5% - suge indo assim que a economia alemã em ido capacidade pa a ecupe a – en e ciclos - as pe das so idas nas ases de con ação. 27 Tabela 4: Ampli ude dos ciclos económicos da Alemanha e das suas ases Ciclo Pe íodo Fase PIB Ampli ude (%) Fase Ciclo n.d 2002q3[ Exp. 651895.8 1 [2002q3 2003q1[ Con . 641247.6 -1.633 -0.132 [2003q1 2004q2[ Exp. 650855.6 1.498 2 [2004q2 2005q1[ Con . 648888.6 -0.302 9.666 [2005q1 2008q1[ Exp. 713573.2 9.968 3 [2008q1 2009q1[ Con . 663414.3 -7.029 2.787 [2009q1 2012q3[ Exp. 728533.9 9.816 4 [2012q3 2013q1[ Con . 722046.6 -0.890 11.466 [2013q1 2019q1[ Exp. 811262.2 12.356 5 [2019q1 n.d Con . No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada em pe cen agem. Analisando a ampli ude das ases dos ciclos iden i icados pe cebemos que o p imei o ciclo ap esen ou uma ampli ude nega i a po que a sua ase de expansão (1.49%) não compensou a ase de con ação oco ida (-1.63%). No que diz espei o a ases de con ação e e i ando a díspa con ação e i icada no e cei o ciclo de -7.029%, oco ida de ido à já e e ida c ise inancei a global, conseguimos e i ica que es as se si uam en e alo es que podemos conside a baixos, en e -1.63% e -0.302%. Podemos, assim, e i ica que o aumen o da ampli ude das ases de expansão de ciclo pa a ciclo em sido o a o esponsá el pelo aumen o da ampli ude dos ciclos, na medida que no segundo ciclo a ase de expansão ap esen ou um c escimen o de 9.97%, no e cei o ciclo o c escimen o oi de 9.82% e no úl imo ciclo oi de 12,37%, e i icando-se assim a maio ase de expansão. No pe íodo de análise 2000- 2020 podemos assim e i ica que exis iu uma a iação posi i a de 23.8% nos seus 4 ciclos comple os, ou seja, desde o p imei o pon o de i agem iden i icado a é ao úl imo pon o de i agem o PIB alemão c esceu 23.8%. A desc ição dos ciclos anceses é ap esen ada na Tabela 5. Rela i amen e à ampli ude dos ciclos podemos e i ica que além de se posi i a nos dois ciclos iden i icados, ambém em indo a aumen a conside a elmen e, uma ez que a ampli ude do p imei o ciclo é de 0.985% ao passo que a ampli ude do segundo ciclo é de 9.885%. Assim, no im de cada ciclo o alo do PIB ancês é semp e supe io ao e i icado no início do ciclo; ou seja, no início do p imei o ciclo o alo do PIB ancês é de 531 549.3 28 milhões de eu os, no im do p imei o ciclo o alo egis ado é de 535 775 milhões de eu os e no im do segundo e úl imo ciclo o alo ascendia a 588 685.3 milhões de eu os. Tabela 5: Ampli ude dos ciclos económicos da F ança e das suas ases Ciclo Pe íodo Fase PIB Ampli ude (%) Fase Ciclo n.d 2008q1[ Exp. 531549.3 1 [2008q1 2009q2[ Con . 510856.1 -3.893 0.985 [2009q2 2012q1[ Exp. 535775 4.878 2 [2012q1 2013q1[ Con . 535261.2 -0.096 9.885 [2013q1 2019q3[ Exp. 588685.3 9.981 3 [2019q3 n.d Con . No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada em pe cen agem. No caso do PIB ancês exis e um duplo e ei o bené ico que em ajudado ao c escimen o posi i o da ampli ude dos ciclos: a ampli ude das ases de expansão em indo a c esce e a ampli ude das ases de con ação em indo a diminui . Tal ac o jus i ica o c escimen o de 10.87% do PIB ancês en e o início do p imei o ciclo e o im do úl imo ciclo, pois enquan o que a ase de con ação do p imei o ciclo é de 3.89%, a ase de con ação do segundo ciclo é de apenas 0.09%, e pa a as ases de expansão a p imei a é de 4.88% ao passo que a ase de expansão do segundo ciclo é de 9.88%. Na Tabela 6 podemos obse a as ca ac e ís icas das ampli udes dos á ios ciclos económicos iden i icados pa a a I ália. Como oi e e ido an e io men e, é a economia i aliana aquela que ap esen a o maio núme o de ciclos e é aquela ambém que ap esen a o conjun o de ampli udes mais a iadas. Assim, no que diz espei o às ampli udes podemos assinala dois pe íodos: um an es do segundo ciclo e um depois do segundo ciclo. No p imei o e segundo ciclos económicos a ampli ude dos ciclos é posi i a e c escen e. Ou seja, o PIB i aliano encon a a-se a c esce e de uma o ma cada ez mais signi ica i a ao longo des es ciclos. O p imei o ciclo e e uma ampli ude de 0.40%, enquan o que o segundo ciclo ap esen ou uma ampli ude de 6.27%, endo-se e i icado, assim, no im des e ciclo o alo mais ele ado do seu PIB em oda a sé ie: 452 802.5 milhões de eu os. 29 Tabela 6: Ampli ude dos ciclos económicos da I ália e das suas ases Ciclo Pe íodo Fase PIB Ampli ude (%) Fase Ciclo n.d 2001q1[ Exp. 424558.7 1 [2001q1 2002q1[ Con . 421778.3 -0.655 0.402 [2002q1 2002q4[ Exp. 426237.2 1.057 2 [2002q4 2003q3[ Con . 423806.0 -0.570 6.272 [2003q3 2008q1[ Exp. 452802.5 6.842 3 [2008q1 2009q2[ Con . 419031.2 -7.458 -4.017 [2009q2 2011q2[ Exp. 433448.7 3.441 4 [2011q2 2013q4[ Con . 410325 -5.335 -0.648 [2013q4 2017q4[ Exp. 429557 4.687 5 [2017q4 2018q3[ Con . 429182.3 -0.087 0.382 [2018q3 2019q2[ Exp. 431193.3 0.469 6 [2019q2 n.d Con . No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Após es e pon o a economia i aliana en a numa sé ie de ciclos de ampli ude nega i a. No e cei o ciclo a ampli ude é de -4.017%, no qua o ciclo a ampli ude é de -0.65% e no quin o ciclo, apesa de a sua ampli ude já não se nega i a o seu alo é ainda mui o baixo, ou seja, 0.382%. Se enquad a mos es es núme os e a sua sequência nos acon ecimen os económicos e polí icos con empo âneos al ez possamos encon a a sua explicação. A é à c ise inancei a global, a economia i aliana expe imen a a, al como a Alemanha e a F ança, ciclos económicos com ampli udes posi i as e c escen es ao longo do empo. Mas enquan o que as economias alemã e ancesa o am mais esilien es à c ise das dí idas sobe anas eu opeias, a economia i aliana so eu se e amen e com es e choque. A I ália só ecupe ou des es dois choques no úl imo ciclo económico. Mas es a oi uma ecupe ação énue e não e e a mesma dinâmica que a ap esen ada pelas es an es economias eu opeias, que ap o ei a am es e pe íodo de empo pa a ecupe a das pe das que inham so ido no PIB aquando da c ise inancei a global e da c ise das dí idas sobe anas eu opeias pois es e ciclo económico coincide com o início de um ciclo polí ico em que a I ália se ê go e nada no início de 2018 po o ças de ex ema di ei a do pa ido Liga de Ma eo Sal ini e pelo mo imen o an issis ema Cinco Es elas (New Yo k Times, 2019). Es e go e no, pa a além das suas polí icas an i acolhimen o de e ugiados, que odos os dias desemba ca am nas cos as i alianas indos da a essia e e uada do No e 30 de Á ica a é às cos as eu opeias, ia medi e âneo, ap esen ou-se com uma cla a posição de con on o ace à União Eu opeia no que diz espei o às polí icas económicas a é aí implemen adas pela Comissão Eu opeia, nomeadamen e no que diz espei o ao cump imen o dos alo es es ipulados pa a o dé ice. A jun a a isso, a I ália so ia de p oblemas de dí ida pública ele ada, na o dem dos 130% do PIB, que es es pa idos não mos a am in e esse em esol e e que com as polí icas que de endiam sinaliza am aos me cados inancei os in e nacionais uma endência de ag a amen o dessa dí ida. Os bancos con inua am em 2018 a so e de ele ados ní eis de c édi o malpa ado pa a o qual o go e no não pa ecia e solução, e com isso o inanciamen o da economia não e a o ideal de o ma a omen a o seu c escimen o (New Yo k Times, 2019). Todos es es e en os omen a am a descon iança nos me cados e nos pa cei os in e nacionais de I ália, o que azia com que a sua agilidade económica se ag a asse ainda mais, con ibuindo assim pa a que a economia i aliana, ao con á io das es an es economias eu opeias, não ap o ei asse os momen os de bonança económica i idos na Eu opa pa a ecupe a das pe das p o ocadas pelas duas c ises an e io es e e idas. 2 A a és de uma análise dos núme os podemos cons a a que o en o pecimen o da economia i aliana é de al o dem que en e o p imei o pon o de i agem iden i icado e o úl imo, is o é, en e o p imei o imes e de 2001 e o segundo imes e de 2019 a sua economia apenas c esceu 2.39% em e mos absolu os. Num pe íodo de quase 20 anos a I ália passou de um PIB de 421 778.3 milhões de eu os pa a apenas 431 193.3 milhões eu os; mui o pouco, quando compa ado com os seus pa es, pa a a e cei a maio economia da Zona Eu o. Quan o à ampli ude das ases dos ciclos económicos i alianos é de des aca que nenhuma ase de expansão em um alo maio do que o alo mais ele ado da pio con ação. A ase de expansão mais ele ada acon eceu no segundo ciclo e ap esen a um alo de 6.84%, enquan o que o alo da pio con ação oco eu no e cei o ciclo ap esen ando um alo de 7.46%. De o ma a pode mos compa a melho os ciclos económicos dos ês países em análise, podemos obse a a Tabela 7 que nos ap esen a os alo es médios das ca ac e ís icas aqui analisadas de cada uma das sé ies. Pa a odos os países as con ações ap esen am uma du ação média in e io à du ação média das expansões. O país com uma du ação média de con ação mais ele ada é a I ália, com 5 imes es, enquan o que a Alemanha é a economia que passa, em média menos empo em con ação 2 Anexo II- Análise de como a é a economia Po uguesa, in e encionada pela oika , ecupe ou os alo es do PIB p é- oika e de como os ciclos económicos i alianos ap esen am mais semelhanças com es e ipo de economia do que com as economias alemã e ancesa. 31 com 2.75 imes es e a F ança ica-se pelos 4,5 imes es de con ação em média. Em e mos de expansões a F ança é o país que, em média, ap esen a um maio pe íodo de expansão, 18.5 imes es. No amen e a I ália é o pio país da análise, pois apenas ap esen a 9.6 imes es de expansão em média em cada ciclo e a Alemanha passa 13.75 imes es em média em expansão. Conjugando con ações e expansões a F ança é o país que em média ap esen a ciclos económicos mais longos, com 23 imes es em média pa a cada ciclo económico. Segue-se a Alemanha com 16.5 imes es e a I ália com 14.6 imes es. Po ém, analisando de uma ou a pe spe i a emos que a Alemanha é o país que melho se encon a, pois, po cada ciclo económico em média passa apenas 16.66% do empo em con ação e 83.33% em expansão. Segue-se a F ança que despende 80.43% do empo de cada ciclo económico em expansão e 19.57% do empo em con ação. A Alemanha e a F ança ap esen am alo es ela i amen e p óximos, con udo o mesmo não acon ece com a I ália. Po cada ciclo económico a I ália es á em con ação 34.25% do empo e 65.75% do empo em expansão em média. Tal ac o pode se uma das jus i icações do pob e desempenho económico i aliano ao longo da análise da sé ie. Tabela 7: Ca ac e ís icas médias dos ciclos económicos Alemanha F ança I ália Du ação Média Con ação -2.75 -4.5 -5 Expansão 13.75 18.5 9.6 Ampli ude Média (%) Con ação -2.464 -1.995 -2.821 Expansão 8.410 7.429 3.299 Ciclos 5.947 5.435 0.478 No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). A Du ação média es á medida em imes es. Pa a além do p oblema de passa em cada ciclo, em média, mais do dob o do empo da Alemanha em pe íodos de con ação económica, a I ália ap esen a ainda uma ampli ude média dos seus ciclos económicos baixa (apenas 0.478%). Is o signi ica que ao longo de cada ciclo económico a economia da I ália c esce em média apenas 0.478%. A Alemanha e a F ança conseguem ambém ecupe a das pe das das ases de con ação du an e as ases de expansão. Con udo, es as duas economias ap esen am ampli udes médias mui o di e en es da ap esen ada pela economia i aliana. A Alemanha, apesa de ap esen a em média uma con ação de 2.46% (supe io à con ação média ancesa de 1.99%) ap esen a ao longo do seu ciclo uma ampli ude média de 5.94%, is o é, um alo supe io aos 5.44% de ampli ude média ap esen ada pela economia ancesa. Is o acon ece po que nas ases de expansão, a 38 queb as no PIB que se pôde e i ica na sé ie i aliana. Con udo com a queb a de 2008, pa a o pe íodo de empo analisado e com os dados de que dispomos, é-nos possí el di e gi das conclusões de Hea hco e e Pe y (2004) e Kalemli-ozcan e al. (2001) que nos dizem que a globalização dos me cados inancei os e dos e ei os que daí ad êm es ão ligados a uma meno co elação in e nacional dos ciclos económicos, pois concluímos que a sinc onia dos ciclos económicos des es países saiu e o çada (e não diminuída) após a c ise inancei a global. Apesa do ele ado g au de sinc onia das sé ies, os nossos esul ados suge em algum a as amen o en e a economia i aliana e as economias alemã e ancesa em e mos do núme o, da du ação e das ampli udes dos ciclos económicos iden i icados pa a cada país, o que se encon a de aco do com algumas ca ac e ís icas de endidas po Bu ns e Mi chell (1946) como sejam a não pe iodicidade e a não egula idade. Das ês economias analisadas a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o de pon os de i agem iden i icados, 11, con a os 9 iden i icados pa a a economia alemã e os 5 iden i icados pa a a economia ancesa. Es e pode se desde logo um indicado de que a economia i aliana é mais p opícia a lu uações económicas. Adicionalmen e, esul a da análise das ca ac e ís icas dos ciclos económicos um ou o conjun o de dados que indicam semelhanças en e as economias ancesa e alemã, e que apesa de e em sido ambém semelhan es pa a a economia i aliana a pa i de ce o pon o deixa am de o se . Ao con á io do pos ulado po Dalsgaa d e al. (2002) de que com o e olui do empo os ciclos económicos ap esen am du ações cada ez meno es ace ao passado, os ciclos económicos da Alemanha e da F ança ap esen am du ações c escen es ao longo do empo, e esse aumen o na du ação dos ciclos é explicado pelo aumen o da du ação das ases de expansão pa a es as economias, o que coincide com a isão de Calde ón e Fuen es (2014). Po sua ez, a economia i aliana expe iencia a um enómeno idên ico no que diz espei o a es as ca ac e ís icas, mas a pa i de 2008 e i icou-se um des io no seu compo amen o económico que em indo a a as a a economia i aliana do pad ão de compo amen o dos ciclos de F ança e Alemanha. Assim a economia i aliana após 2008 ap esen a ciclos económicos com uma du ação que o a aumen a o a diminui, não ap esen ando du ações c escen es ao longo do empo como as economias alemã e ancesa, ao mesmo empo a economia i aliana ap esen a ases de con ação com uma du ação que aumen ou o emen e ace aquilo que se e i ica a an es de 2008. Além des as ca ac e ís icas, das economias analisadas, a economia I aliana, é a única que ap esen a um ciclo económico que pode se explicado pela c ise das dí idas sobe anas eu opeias. 39 A análise das ampli udes dos ciclos económicos pe mi e-nos ambém con i ma a isão de Cabanillas e Rushe (2008) de que os ciclos económicos ap esen am uma endência de dec éscimo da ola ilidade, a que se con encionou chama de “A g ande mode ação” dos ciclos económicos, pois não é e i icá el nos nossos dados ciclos económicos de g andes ampli udes posi i as seguidos de ciclos económicos de g andes ampli udes nega i as. Com exceção do ciclo oco ido no pe íodo da c ise inancei a global de 2008, a Alemanha e a F ança ap esen am ciclos económicos em que as ampli udes se ca ac e izam po se em posi i as e c escen es ao longo do empo, de ido a ases de expansão cada ez mais o es e longas. A I ália, con udo, a pa i de 2008, ap esen a ciclos económicos com ampli udes nega i as com exceção do úl imo ciclo económico em que apesa de posi i a a ampli ude é baixíssima (0.382%), o que a é aos dias de hoje nunca lhe pe mi iu ecupe a pa a o ní el de PIB mais ele ado obse ado em oda a sé ie, oco ido em 2008; es ando ainda hoje abaixo desse alo . Da obse ação dos esul ados ob idos com es e abalho é-nos pe mi ido conclui que, mais do que a exis ência de sinc onia en e as ês maio es economias da Zona Eu o, o e dadei o âmago das di e enças económicas, nomeadamen e en e a I ália e a Alemanha e F ança, eside nas ca ac e ís icas de cada ciclo económico que cada país ap esen a. Como suge em F ank e al. (2018) e Gogas (2013) com as ampli udes a o na em-se di e gen es, e apesa de uma maio sinc onia, a con e gência eal en e países do eu o não acon ece á, uma ez que a dispa idade en e países não diminui á. Po úl imo, embo a enhamos cump ido os p incipais obje i os des a disse ação icam, no en an o, algumas in e ogações sob e o que es á na base dos esul ados que ob i emos. Es a á a Zona Eu o a con ibui pa a um aumen o da sinc onia en e os di e sos países, mas ao mesmo empo a le a a uma desacele ação da con e gência uma ez que, e apesa do aumen o da sinc onia, as ca ac e ís icas dos ciclos se em al e ado pa a alguns países? Quais os mo i os pa a que as ases de expansão sejam cada ez mais longas e com uma ampli ude cada ez mais posi i a pa a as 2 p incipais economias da Zona Eu o? Se á isso u o do p ocesso de in eg ação cada ez mais p o undo que a Zona Eu o p opo ciona? Se á que se es ende aos es an es países memb os da Zona eu o ou é apenas uma ca ac e ís ica das economias mais o es, a Alemanha e a F ança? Es as são ques ões que pode iam ala ga o ho izon e des e es udo e desse modo con ibui pa a um maio e melho conhecimen o das ca ac e ís icas da Zona Eu o, o que bene icia ia a odos na cons ução de polí icas u u as p omo o as do bem-es a ge al des a Zona económica, ão impo an e não só pa a a Eu opa como pa a o mundo. 40 7. Re e ências Bibliog á icas ABS. (2003). Desmys i ying Chain Volume Measu es. Wes e n Aus alian S a is ical Indica o s , 1367.5 Aguia -Con a ia, L., Alexand e, F., de Pinho, M. C. (2012). The Eu o and The G ow h o he Po uguese Economy: A Coun e ac ual Analysis. Análise Social , 47 (2), 298–321. A is, M. (2003). Is The e a Eu opean Business Cycle?. CESi o Wo king Pape No.1053 Band és, E., Gadea-Ri as, M. D., Gómez-Loscos, Ana. (2017). Regional Business Cycles Ac oss Eu ope. Banco de Espanã-Documen os Ocasionales Nº1702 Bap is a, E. (2015). Uma União Mone á ia pa a a Á ica Ociden al com Pa icipação de Cabo Ve de? . Disse ação de Mes ado. 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País PIB 2019 Peso Alemanha 3 449 050,0 28,90% F ança 2 425 708,0 20,32% I ália 1 789 747,0 15,00% Espanha 1 244 772,0 10,43% Países Baixos 810 247,0 6,79% Bélgica 476 203,3 3,99% Áus ia 397 575,3 3,33% I landa 356 051,2 2,98% Finlândia 240 556,0 2,02% Po ugal 213 301,0 1,79% G écia 183 413,5 1,54% Eslo áquia 93 865,2 0,79% Luxembu go 63 516,3 0,53% Eslo énia 48 392,6 0,41% Li ûania 48 797,4 0,41% Le ônia 30 463,3 0,26% Es ónia 28 112,4 0,24% Chip e 22 286,9 0,19% Mal a 13 462,4 0,11% Eu o Á ea To al 11 935 448,3 100,00% No a: Elabo ação au o . Fon e: Eu os a . Dados co esponden es ao ano de 2019, em milha es de milhoes de eu os. Assim podemos e i ica que as ês maio es economias da Zona Eu o são a Alemanha, a F ança, e a I ália. Jun as, es as ês económicas pe azem, ap oximadamen e, 64% de odo o PIB da Zona Eu o, ou seja, ês economias co espondem po quase dois e ços de oda a iqueza enquan o as es an es 16 economias apenas p oduzem um e ço da iqueza. A a és des e quad o e des es dados podemos e i ica a impo ância do alinhamen o en e es as ês economias uma ez que se ão, essencialmen e, di ecionadas a es as ês economias e de aco do 45 com as suas necessidades as p incipais decisões e polí icas comuns que a e a ão as ou as 16 economias que compõem a Zona Eu o. 46 Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal. Po ugal é um país pe encen e a Zona Eu o, como a Alemanha, a F ança e a I ália e como al es a sujei o as mesmas eg as mone á ias e polí icas económicas que daí ad êm. A pa de G écia, da I landa e de Espanha, Po ugal ez pa e dos denominados PIGS sigla pela qual ica am conhecidos os países esga ados pela T oika na essaca da g a e c ise inancei a global de 2008 e da subsequen e c ise das dí idas sobe anas eu opeias. Figu a 5: Pon os de i agem do PIB de Po ugal Fon e: Fe ei a e al. (2020) A da ação dos ciclos económicos po ugueses pode se obse ada na Figu a 5. Es a igu a pe mi e- nos es abelece , isualmen e, algumas semelhanças e di e enças com a economia i aliana que podem se explica i as do po quê, de nos úl imos anos a economia i aliana se compa ada com maio equência a países da Zona Eu o de meno dimensão ao in és de se compa ada ás ou as duas p incipais economias da Zona Eu o, a Alemanha e a F ança. De ac o, obse ando os ciclos económicos po ugueses pe cebemos que exis em ês ciclos económicos comple os. Na compa ação com a economia i aliana des acamos o segundo e e cei o ciclos. O segundo ciclo em início no pico si uado no p imei o imes e de 2008, ap esen a a sua ca a no p imei o imes e de 2009 e e mina no segundo 47 imes e de 2010. Po sua ez e cei o ciclo em início no e cei o imes e de 2010, em a sua ca a no qua o imes e de 2012 e inaliza-se no qua o imes e de 2019. Fazendo uma compa ação com a Alemanha, com a F ança e com a I ália emos que o segundo ciclo económico de Po ugal, iden i icado pela igu a 5, é coinciden e com es as ês economias e é espei an e ao pe íodo da g a e c ise inancei a global. Con udo, a con inuação da compa ação apenas pe mi e es abelece elação com a sé ie dos ciclos económicos i alianos. O e cei o ciclo económico po uguês engloba a o pe íodo de esga e inancei o de Po ugal pela T oika e o pe íodo da c ise de di ida sobe ana dos países eu opeus. Na análise le ada a cabo nes a disse ação es e oi um ciclo apenas iden i icada pa a I ália. Con udo e como e e ido na análise aquando dos ciclos económicos de I ália, a é Po ugal, um pais que p ecisou de ajuda inancei a in e nacional, conseguiu du an e es e ciclo ecupe a das pe das do PIB que inha so ido de ido a c ise inancei o global de 2008 e da c ise das di idas sobe anas dos países eu opeus de 2011/2012, o mesmo não se sucedeu com a economia I ália. Enquan o Po ugal a ingiu um pico no qua o imes e de 2019 que já supe a a o pico e i icado no p imei o imes e de 2008 a economia I aliana no seu úl imo pico iden i icado em 2019 ainda ap esen a a alo es in e io es ao seu pico de 2008. Es es ac os em jus i icado o ac o de a economia i aliana mui as ezes se e compa ada com países da Zona Eu o mais “ acos” ou que passa am po mui os p oblemas nos úl imos anos, ao in és de se e compa ada com os países mais p óspe os e icos da Zona Eu opeia, is o apesa de se a e cei a maio economia da Á ea Eu o.