Full text
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Tiago José Magalhães Fe ei a de Sousa
Ciclos Económicos: Análise de 3 mo o es da Zona
Eu o: Alemanha, F ança e I ália
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Economia Mone á ia, Bancá ia e Financei a
T abalho ealizado sob a o ien ação da p o esso a
Dou o a P iscila And ea Ma ques Fe ei a
Fe e ei o 2021
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionais acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do eposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
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AGRADECIMENTOS
Ag adeço em p imei o luga à p o esso a Dou o a P iscila Fe ei a po e acei ado se a
o ien ado a dos meus passos nes a disse ação, endo-me não só o ien ado cien i icamen e, mas
ambém po me e ajudado a supe a odas as di iculdades encon adas, pa ilhando comigo o seu
conhecimen o. Ob igado po não e desis ido de mim.
Ag adeço aos meus pais e aos meus a ós; cos umo pensa que eles não são pessoas pe ei as,
mas que o am e são os pais e os a ós pe ei os. Po udo o que me p opo ciona am a eles de o mui o
daquilo que sou, o melho ibu o que lhes posso p es a é dize que se um dia eu o me ade do que
eles o am pa a mim se ei um excelen e pai e a ô ce amen e.
Exp esso igualmen e ag adecimen o aos meus amigos de in ância Ma lene e Fábio, que se ão
po en u a o mais p óximo dos i mãos de sangue que eu nunca i e. Ag adeço ambém a odos os ou os
a quem nes es úl imos empos pude chama de amigos, pela o ça que me ansmi i am semp e.
Ao A u , ao Diogo, ao Ped o e ao Gonçalo, amigos e colegas de mes ado ag adeço o empo de
es udo e de boémia nes a ase da minha ida que oi, ambém, ce amen e impo an e pa a o sucesso
de inaliza es a passo.
Uma pala a de ag adecimen o ao es o da minha amília, assim como a odas as ou as pessoas
que con ibuí am pa a a conclusão des a e apa.
À Ca a ina.
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DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen es à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
RESUMO
Es e abalho es uda a sinc onia dos ciclos económicos da Alemanha, F ança e I ália. A sinc onia
dos ciclos económicos das p incipais economias cons i uin es da Zona Eu o é um a o impo an e no
desen ol imen o ha monioso e no c escimen o es á el e sus en ado dessa á ea económica. Pa a além
disso, a sinc onia dos ciclos económicos é um elemen o impo an e não só pa a essas economias como
ambém pa a as es an es economias que pe encem à Zona Eu o, pois a a és de di e sos e ei os
mul iplicado es pode a obus ez do seu desempenho económico se maio ou meno de aco do com o
desempenho das p incipais economias e se em mais ou menos a e adas pelas polí icas comuns.
Conside ando o pe íodo 2000 – 2020, começamos po ca ac e iza , pa a cada país, os ciclos
económicos e as suas ases, nomeadamen e, em e mos de du ações e ampli udes, usando a
me odologia de Ha ding e Pagan (2002) pa a a da ação dos ciclos económicos. De seguida usamos o
índice de conco dância de sé ies suge ido pelos mesmos au o es pa a de e mina o g au de
sinc onização dos ciclos económicos das ês economias em es udo.
Os esul ados suge em que no pe íodo de igência da Zona Eu o, 2000-2020, a Alemanha e a
F ança ap esen am ciclos cada ez mais longos, de ido a um aumen o da du ação das ases de
expansão. Em e mos de ampli udes, e i ica-se ambém que es as são posi i as e c escen es com o
e olui do empo. Po sua ez, a I ália ap esen a um compo amen o di e en e ace à Alemanha e à
F ança: os seus ciclos ap esen am du ações i egula es, não sendo es es c escen es ao longo do empo
como o pad ão que se pode iden i ica pa a a Alemanha e a F ança e a ampli ude dos seus ciclos é, em
di e sos ciclos iden i icados, nega i a.
Em elação à sinc onia dos ciclos económicos e i icamos que es a exis e en e as ês economias,
e que o co-mo imen o das sé ies se in ensi icou após a c ise inancei a global de 2008. No en an o, os
esul ados ob idos com es e abalho suge em que, apesa da sinc onia das sé ies do PIB das ês
maio es economias da Zona Eu o (I ália, Alemanha e F ança), há di e enças impo an es no que diz
espei o às ca ac e ís icas dos ciclos económicos de cada país – em pa icula , ampli udes di e gen es.
Assim, apesa de uma maio sinc onia a con e gência eal en e países pode á es a em causa.
Pala as-Cha e: Sinc onia; Ciclos económicos; Zona Eu o.
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ABSTRACT
This wo k s udies he synch ony o he economic cycles o Ge many, F ance and I aly. The
synch ony o he economic cycles o he main cons i uen economies o he Eu o Zone is an impo an
ac o in he ha monious de elopmen and s able and sus ained g ow h o his economic a ea. Mo eo e ,
he synch ony o economic cycles is an impo an elemen no only o hese economies bu also o he
o he economies belonging o he Eu o Zone, because h ough a ious mul iplie e ec s he obus ness
o hei economic pe o mance can be g ea e o lesse acco ding o he pe o mance o he main
economies and be mo e o less a ec ed by common policies.
Conside ing he pe iod 2000 - 2020, we s a by cha ac e izing, o each coun y, he economic
cycles and hei phases, namely in e ms o du a ions and ampli udes, using he me hodology o Ha ding
and Pagan (2002) o he da ing o economic cycles. We hen use he se ies conco dance index sugges ed
by he same au ho s o de e mine he deg ee o synch oniza ion o he business cycles o he h ee
economies unde s udy.
The esul s sugges ha in he Eu o Zone, 2000-2020, Ge many and F ance p esen inc easingly
long cycles, due o an inc ease in he du a ion o he expansion phases. In e ms o ampli udes, i can
also be seen ha hese a e posi i e and inc easing wi h he e olu ion o ime. I aly, on he o he hand,
p esen s a di e en beha iou compa ed o Ge many and F ance: hei cycles p esen i egula du a ions
no being hese inc easing o e ime as he pa e n ha can be iden i ied o Ge many and F ance and
he ampli ude o hei cycles is, in se e al iden i ied cycles, nega i e.
Wi h ega d o he synch ony o economic cycles, we ind ha his exis s among he h ee
economies, and ha he se ies co-mo emen in ensi ied a e he global inancial c isis o 2008. Howe e ,
he esul s ob ained wi h his wo k sugges ha , despi e he synch ony o he GDP se ies o he h ee
la ges economies in he Eu o Zone (I aly, Ge many and F ance), he e a e impo an di e ences in he
cha ac e is ics o each coun y's economic cycles - in pa icula , di e gen ampli udes. Thus, despi e
g ea e synch ony, eal con e gence be ween coun ies may be a s ake.
Keywo ds: Synch ony; Economic cycles; Eu ozone.
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ÍNDICE
1.In odução ........................................................................................................................................ 1
1.1 Mo i ação .................................................................................................................................... 1
1.2 Obje i os ...................................................................................................................................... 2
2.Enquad amen o Teó ico ................................................................................................................ 4
3. A me odologia ............................................................................................................................... 14
3.1 Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise .............................................................. 14
3.2 Mé odo de iden i icação dos pon os de i agem das sé ies ........................................................ 16
3.3 Iden i icação dos ciclos económicos .......................................................................................... 17
4. Desc ição dos ciclos económicos ............................................................................................. 26
5. Sinc onia dos ciclos económicos .............................................................................................. 33
6. Conclusões e conside ações inais ........................................................................................... 37
7. Re e ências bibliog á icas ......................................................................................................... 40
Anexo I- Economias da Zona Eu o ................................................................................................. 44
Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal. ..................................................................... 46
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2005); (iii) melho es polí icas iscais e mone á ias (Comissão Eu opeia, 2007); (i ) ou ainda a
libe alização dos me cados inancei os e de abalho (Cabanillas e Rusche , 2008).
Apesa de a edução da ola ilidade se uma e idência cla a, es a pode não se , con udo, um e ei o
pe manen e, mas sim empo á io, esul an e de choques mac oeconómicos in e nacionais comuns mais
pequenos que, uma ez e e idos, le a ão, pelo menos em pa e, a um no o aumen o da ola ilidade
(S ock e Wa son, 2005).
A análise dos ciclos económicos pode se ei a segundo duas pe spe i as, o ciclo clássico e o ciclo
de c escimen o (Rua, 2017). O ciclo clássico baseia-se no ní el de a i idade e pode esumi -se aos picos
e às ca as que se encon am ao longo de uma sé ie. Já o ciclo de c escimen o assen a em des ios ace
a sua endência de longo p azo e diz espei o a pe íodos al e nados de acele ação e desacele ação da
a i idade económica. De ido a es as di e enças, a da ação dos pon os de i agem pode não coincidi
necessa iamen e nes es dois ipos de ciclos, sendo que o ciclo clássico é mais angí el, pois não aca e a
uma decomposição em endência e ciclo, que são componen es não obse á eis como o que se em de
aze no ciclo c escimen o (Rua, 2017).
O ea i a do in e esse pelo es udo dos ciclos económicos em possibili ado o eme gi an o de
eo ias an igas como o desen ol imen o de no as eo ias e conclusões sob e o ema. Es e ea i a de
in e esse esul a de á ios acon ecimen os que êm ma cado o mundo nes as úl imas décadas. A
globalização pa ece e sido um desses acon ecimen os, com um papel undamen al no edespe a do
in e esse da li e a u a económica nos ciclos económicos, uma ez que com ela pa ece o na -se cada
ez mais cla o a exis ência de uma ce a sinc onia dos ciclos dos di e sos países e egiões esul an e
des e aumen o da in eg ação come cial.
Vejamos po exemplo o que acon ece na Amé ica do sul. O Me cosul, o me cado de comé cio li e
en e á ios países da Amé ica do Sul, pe mi iu uma in eg ação económica que conduziu a uma maio
sinc onia dos ciclos económicos daqueles países (Calei o e Cae ano, 2017). A sinc onia exis en e en e
países como, po exemplo, A gen ina e U uguaia ou en e B asil e Pa aguai é, apesa de não exis i uma
moeda única en e os países des a egião, obus a podendo mesmo se conside ada ele ada no caso da
A gen ina e U uguai.
Os ciclos económicos dos países em desen ol imen o aumen a am ambém com o aumen o da
in eg ação come cial (Calde ón e al. 2007). Apesa de e idencia em um impac o posi i o meno ace
aos países indus ializados, a in eg ação come cial é posi i a e signi ica i a pa a es e ipo de países sendo
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o meno impac o e i icado ace aos países indus ializados esul an e das di e en es es u u as de
p odução e do g au de comé cio in aindus ial.
A globalização e o seu e ei o na in eg ação come cial mundial pa ecem e ido um papel ão
de e minan e nos ciclos económicos e na sua con e gência, que na li e a u a económica exis e quem
ale mais na exis ência de um ciclo mundial do que em ciclos nacionais (Cano a e al. 2007). Sendo es e
ciclo mundial o maio esponsá el pelas lu uações que se e i icam nos ag egados económicos mais do
que os indicado es especí icos de cada país.
A globalização, con udo, não p oduziu só e ei os bené icos. A c ise inancei a de 2007-2008
despole ada nos Es ados Unidos da Amé ica elemb ou-nos isso mesmo, uma ez que u o da lide ança
global dos EUA e do aumen o des a sinc onia exis iu uma p opagação mui o mais ápida do que e a um
p oblema nacional a ou as geog a ias mundiais, e idenciando o quan o os EUA in luenciam o empo e
a du ação das ases e dos ciclos de ou os países (F ancis e al. 2015). Con udo es a si uação p ejudicial
não pa ece e esul ado daquela que é conside ada como um dos p incipais meios de sinc onização dos
ciclos económicos, ou seja, a in eg ação come cial, mas sim esul ado de uma ou a possí el
de e minan e - a globalização dos me cados inancei os.
Têm sido á ias as hipó eses colocadas e es adas ao longo do empo como de e minan es
capazes ou não de con ibuí em pa a a diminuição ou o aumen o da sinc onia dos ciclos económicos
dos países. O aumen o da globalização dos me cados inancei os é uma dessas hipó eses, exis indo
au o es que conside am que a es e aumen o es á ligado uma meno co elação in e nacional dos ciclos
económicos (Hea hco e e Pe y, 2004; Kalemli-ozcan e al.2001). Num es udo pa a os EUA, chegou-se
à conclusão de que a co elação do ciclo económico dos EUA com o ciclo económico do es o do mundo
ia diminuindo ao longo da amos a ao mesmo empo que a in eg ação inancei a dos EUA com o es o
do mundo aumen a a. Tal ac o, encon a explicação na diminuição das es ições in e nacionais dos
emp és imos em conjun o com uma di e si icação do po ólio de a i os inancei os cada ez melho e
maio po pa e dos in es ido es, o que lhes pe mi iu es a menos expos os aos iscos especí icos de
cada país, alocando os seus luxos de capi al de aco do com a sua on ade.
Bax e e Koupa i sas (2005) ambém dedica am es o ços pa a en a de e mina quais as
de e minan es no co-mo imen o dos ciclos. No seu es udo, com uma amos a de mais de 100 países,
os au o es chega am à conclusão de que o comé cio bila e al e indicado es de que se os países são
ambos indus ializados ou ambos países em desen ol imen o, são a iá eis classi icadas como obus as.
A a iá el dis ância ambém oi classi icada como obus a, assim quan o mais p óximos maio é o co-
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mo imen o dos ciclos, em con as e quan o mais dis an es meno é o co-mo imen o dos ciclos. Con udo,
mais su p eenden e é a conclusão des es au o es ace a algumas a iá eis, nomeadamen e a es u u a
indus ial e as uniões mone á ias, is as como impo an es po ou os au o es, de que es as não
ap esen a am uma signi icância obus a. A es a conclusão sob e as uniões mone á ias inha ambém
chegado (Calei o e Cae ano, 2017).
Po ém, e em elação à ques ão das uniões mone á ias emos em dissonância Bowe e
Guillemineau (2006). Num es udo sob e as de e minan es da sinc onização dos ciclos económicos dos
países da á ea do eu o, os au o es e e em a implemen ação do me cado único e daí a in ensi icação do
comé cio bila e al como um de e minan e undamen al des a sinc onização. A jun a a es a de e minan e,
os au o es e e em a polí ica iscal e as es u u as indus iais du an e a implemen ação do me cado único
e, depois da in odução da união económica e mone á ia, a queda nos di e enciais das axas de ju o e
os se iços como undamen ais nessa sinc onização.
Rose (2009) jun a-se a Bowe e Guillemineau (2006) a i mando que as uniões mone á ias
pa ecem e um e ei o posi i o sob e a sinc onia dos ciclos, enquan o a impo ância das es u u as
indus iais na sinc onia dos ciclos da união eu opeia oi abo dada po Ugembe (2013) no seu abalho,
endo o au o classi icado es a como uma condição que con ibui pa a a con e gência dos ciclos
económico.
As on ei as, ou o denominado e ei o on ei o, é ambém uma de e minan e conside ada na
sinc onia dos ciclos económicos. De ac o, se compa a mos os países eu opeus pe encen es a União
Eu opeia com Es ados pe encen es aos EUA e i icamos a exis ência de maio sinc onia en e as egiões
dos EUA do que aquela que se e i ica en e países eu opeus, con i mando-se assim a exis ência de um
e ei o on ei a (Cla k e Wincoop, 2001). Compa ando a década de 80 e 90 com as décadas de 60 e 70,
não se e i icam e idências de que es e e ei o se enha eduzido. Um p o á el a o explica i o pa a a
exis ência des e e ei o e pa a a sua não diminuição pode se o baixo ní el de comé cio ace ao exis en e
nas egiões dos EUA.
Foi, em pa e e en e ou os, pa a eduzi es e e ei o p ejudicial que as on ei as ep esen a am
na a i idade económica e social dos países eu opeus que após a Segunda Gue a Mundial as ligações
en e países eu opeus se o na am mais o es como esul ado de um es o ço de in eg ação dos
me cados nacionais. Esses es o ços incluí am a edução das ba ei as come ciais en e países, a
implemen ação do a o único eu opeu em 1986, o a ado de Maas ich em 1992, a in odução do
me cado único eu opeu em 1993 e, como culmina de odos esses passos, a c iação e in odução de
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uma moeda única e de polí icas mone á ias comuns nos países pe encen es à Uniao Eu opeia e Zona
Eu o.
A Eu opa pa ecia, assim, e como ideia implemen a um sis ema pa ecido ao que se e i ica em
ou as geog a ias do mundo, como nos EUA e no B asil, po exemplo, onde a união de um conjun o de
Es ados dá luga à cons i uição de uma “ ede ação” de Es ados e a polí icas pa a o seu odo. Não
acabando com a di e sidade cul u al nem com a a iedade de línguas, um elemen o único nos exemplos
e e idos an e io men e, a Eu opa en ou a a és da e en e económica e come cial uma es a égia que
isa a a con e gência pa a os ní eis de endimen o dos países mais icos, e unciona como po o de
ab igo em empos di íceis que pe mi isse aligei a e en uais choques ex e nos nos ciclos dos di e en es
Es ados (Aguia -Con a ia e al. 2012). A união mone á ia e inancei a con ibui ia, assim, a a és da sua
es abilidade, pa a a p omoção do c escimen o económico, pa a uma maio in eg ação dos me cados de
bens e de se iços, bem como dos me cados de abalho e capi ais ge ando assim ganhos de e iciência
pa a odos os en ol idos.
Toda ia a adesão a uma moeda única po pa e de di e en es países de e espei a um
de e minado conjun o de ca ac e ís icas, sob pena de ao con á io do p e endido inicialmen e con ibui
pa a a di e gência e não pa a a con e gência dos países en ol idos. Uma das ca ac e ís icas mais
e e idas aquando da adoção de uma moeda comum é a sinc onia dos ciclos económicos dos
in e enien es, uma ez que al ca ac e ís ica pode se uma componen e essencial no sucesso de uma
polí ica mone á ia conjun a.
O abandono das axas de câmbio lexí eis en e países eu opeus e a ideia de que com elas os
países es ão mais isolados a choques ex e nos (Koupa i sas, 1998), ep esen ou a ans e ência de uma
o e e amen a na co eção de desequilíb ios po pa e dos países pa a en idades sup anacionais, nes e
caso o BCE. A impo ância da sinc onia dos ciclos económicos eside em g ande pa e nes e po meno ,
uma ez que o no o esponsá el pela polí ica mone á ia não olha pa a as necessidades indi iduais de
cada país, mas sim pa a as necessidades do conjun o de países como um odo (Ba is a,2015).
Sob e o e ei o de uma maio in eg ação come cial debaixo de uma união mone á ia na sinc onia
dos ciclos económicos exis em 2 isões dis in as: (i) a hipó ese de especialização e (ii) a hipó ese da
endogeneidade.
A hipó ese da especialização de ende que uma maio in eg ação económica en e os países a á
com que es es se especializem nas e en es em que ap esen em maio an agem compa a i a ace aos
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ou os países. Es e aumen o de especialização a á com que os países na p esença de choques que
a e em de e minados se o es e com a exis ência de uma polí ica mone á ia única pa a odos le e a uma
meno sinc onia dos ciclos (K ugman, 1993).
Po sua ez a hipó ese da endogeneidade a i ma que a ap idão de um país en a numa união
mone á ia pode se alcançada an es ou depois de se da a en ada na união, sendo que es a en ada
le a á po ce o a um aumen o da sinc onia dos ciclos económicos ia aumen o da in ensidade do
comé cio (F ankel e Rose, 1997; F ankel, 1999), pois um aumen o do comé cio in aindus ial a á com
que es es países na p esença de choques comuns se compo em de igual modo a ingindo-se assim uma
maio simili ude dos ciclos.
Na á ea económica e mone á ia eu opeia a ques ão da sinc onia dos ciclos não ge a consensos,
pois, dependendo da e en e e da pe spe i a em que se analisa a mesma, á ias êm sido as conclusões
a que se em chegado. Comecemos pela ques ão de que se exis e de ac o um ciclo económico eu opeu
ou não, pois começam logo aqui as di e gências. A exis ência de um ciclo económico eu opeu é di ícil
de e i ica pa a A is (2003), uma ez que alguns países eu opeus pa ecem es a mais jun os do que
ou os. Além disso exis em e idencias de que a sinc onia de ciclos en e os EUA e o Japão e alguns
países eu opeus é maio do que en e os p óp ios países eu opeus. De ac o, a composição da zona eu o
é he e ogénea e pa ece e idencia di e en es ní eis de sinc onização en e os di e sos países e
subconjun os de países. Es e ac o pode esul a na sua g ande maio ia da cons i uição da zona eu o,
que pa a além de um p oje o mone á io é ambém um p oje o de índole polí ica. Só a luz des a azão se
pode po exemplo explica o ala gamen o da união eu opeia e mone á ia à Eu opa de les e e i icado em
2004. A sinc onia dos ciclos económicos des es países com os es an es países eu opeus não e a uma
e idência aquando do seu acon ecimen o, sendo que apenas dois países, a Eslo énia e a Républica
Checa, ap esen a am uma sinc onia signi ica i a com os es an es países da á ea eu o a dezasseis
(S anisic, 2014).
Con udo a e idência de al a de sinc onização ou pouca sinc onização en e o ag egado e os países
como unidades indi iduais não pa ece se no a p esen e apenas na União Eu opeia e na Zona Eu o.
Analisando, po exemplo, os EUA podemos e i ica que os ciclos es a ais que o compõem podem se
ca ac e izados po sé ies dis in as de ases de expansão e ecessões exis indo di e en es axas de
c escimen o de aco do com as ases do ciclo de Es ado pa a Es ado (Owyang e al.2003). Exis indo
Es ados que ap esen am uma conco dância maio com o ciclo nacional como o Es ado Cen al de No a
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Yo k em con as e a uma conco dância mui o mais eduzida do Es ado do Texas ace ao ciclo nacional
Ame icano.
O B asil é ou o país que pode se u ilizado como compa ação ao que se passa na Eu opa.
Enquan o o Es ado de São Paulo ap esen a uma sinc onia pe ei a com o ciclo B asilei o os es an es
Es ados ap esen am exp essi as di e enças na c onologia de ecessões e expansões com o ciclo nacional
(Cunha e Mo ei a, 2006).
Assim e pa a países o ganizados de uma o ma “compa á el” ao a anjo económico Eu opeu
podemos e i ica que es a al a de sinc onização en e ce os Es ados não é um exclusi o eu opeu.
Exis em mesmo au o es que e e em que a pe ença à união económica e mone á ia eu opeia não al e ou
signi ica i amen e as ca ac e ís icas his ó icas dos ciclos económicos eu opeus (Giannone e al. 2009),
pois países com um PIB pe capi a simila nos anos 70 expe imen am um ciclo económico simila a é
aos dias de hoje. Enquan o pa a os ou os países memb os o seu ní el de co elação com os demais é
hoje igual àquele que se e i ica a nos anos 70, não ha endo po isso e idências de que a sua
pa icipação na união mone á ia enha al e ado alguma coisa.
Aliás a di isão da Eu opa em duas, países cen ais e sus países pe i é icos em sido algo
cons an e ao longo do empo, u o dos di e en es ní eis de c escimen o e de ou as ca ac e ís icas
económicas. Es a di isão em sido um ema mais e iden e e o nou-se mais ma cada aquando da c ise
inancei a de 2007-2008 sendo que di e en es sinc onias de ciclos en e es as duas di isões em sido
algo e i icá el. Assim e ace ao que se e i ica a an es de 2007, exis iu um aumen o da sinc onia pa a
os países cen ais enquan o os países pe i é icos i am a sua sinc onização diminui ace aos países
cen ais, ace uns aos ou os e ambém ace aos países da União Eu opeia que não pe encem a Zona
Eu o (Belke e al.2017; Fe oni e Klaus, 2014). Tem exis ido assim um pe íodo de di e gência na
sinc onização en e pa es dos países eu opeus. A Espanha, po exemplo, após a u bulência mundial
de 2007-2008 em indo a mos a lu uações económicas assimé icas em elação às ou as 3 maio es
economias da Zona Eu o, coisa que não se e i ica a an e io men e. Es e acon ecimen o explica-se
po que as lu uações do p odu o espanhol oco em maio i a iamen e po ca ac e ís icas nacionais,
enquan o a o es comuns explicam mais de 50% das lu uações do p odu o das 3 maio es economias
eu opeias (Fe oni e Klaus, 2014).
A p e alência de di isão en e países cen ais e sus países pe i é icos (ou Es ados cen ais s
Es ados pe i é icos) não é, con udo, e mais uma ez, algo exclusi amen e eu opeu. Aliás o g au de
sinc onização e a p e alência des e ipo de di isão, cen al s pe i é ico, em sido es udado pa a egiões
12
da União Eu opeia, dos EUA e do Canadá (Lopes e Pina, 2008). Ve i icou-se que es a di isão e a maio
nas décadas de 80 e 90 na União Eu opeia a 15. Con udo em-se indo a o na menos e iden e ao
longo do empo ace à Amé ica do No e (Lopes e Pina, 2008) de i ado à pe da de o ça do e ei o on ei a
na compa ação EUA- Zona Eu o.
Na análise da sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa exis e a é quem de enda uma maio
di isão. Mais do que di e enças en e países, ou países pe i é icos e sus países cen ais, exis e quem
ale em g upos de egiões que ap esen am simili udes en e si e, po an o, as ca ac e ís icas cíclicas das
egiões de em se comba idas com polí icas egionais di e en es e não com polí icas nacionais comuns,
pois usa polí icas nacionais pode causa dis o ções indesejadas nalgumas egiões que po sua ez
podem mesmo e o seu p ocesso de con e gência desacele a (Band es e al. 2017). Os co-mo imen os
egionais e sus os co-mo imen os nacionais são a p o a disso, uma ez que apesa dos co-mo imen os
eginais e em aumen ado eles encon am-se ainda assim abaixo dos co-mo imen os nacionais en e
países.
Em sumá io, as conclusões sob e os ciclos económicos, a sua sinc onização e o e ei o que uma
união mone á ia em nes a sinc onização, nomeadamen e na Eu opa e na Zona Eu o, di e em e são
á ias. Uns suge em que a sinc onia dos ciclos económicos na Eu opa é ele ada pa a a g ande maio ia
dos países (Lopes, 2003; Be gman, 2004). Ou os e e em que a sinc onização exis en e é an e io ao
es abelecimen o da união mone á ia e que es a não se al e ou com a in odução da moeda única
(Camacho e al.2006). Ou os suge em uma maio sinc onização dos ciclos económicos en e 1999 e
2015, mas com as ampli udes des es ciclos a o na em-se di e gen es e com isso a aze com que a
con e gência eal não acon ecesse en e os países o iginais do eu o, uma ez que a dispa idade en e
países icos e países pob es não diminuiu (F anks e al. 2018; Gogas, 2013).
Tendo em con a a impo ância do g au de sinc onia dos ciclos económicos pa a o odo, ou seja,
pa a um conjun o de países sujei os à mesma polí ica mone á ia, es e meu abalho p e ende con ibui
pa a a li e a u a exis en e analisando a sinc onia dos ciclos económicos, e as suas ca ac e ís icas, das
ês maio es economias da União Eu opeia e da Zona Eu o, uma ez que uma polí ica mone á ia comum
se á an o mais e icaz quan o mais sinc onizadas es i e em es as 3 economias, pois elas e ão um e ei o
mul iplicado nos es an es países eu opeus e quan o melho es se ap esen a em economicamen e maio
se á a p obabilidade de odas as ou as se encon a em bem e con e gi em não só em e mos dos seus
ciclos económicos mas ambém em e mos dos seus ní eis de bem-es a .
13
A secção seguin e assen a na abo dagem eó ica aqui ap esen ada e p ocede com o es udo
empí ico da sinc onia dos ciclos de ês mo o es da Zona Eu o.
14
3. A me odologia
3.1. Opções me odológicas do es udo e pe íodo de análise
A c iação de uma união económica e mone á ia oi uma ambição da União Eu opeia desde inais
dos anos 60 do século XX. Em junho de 1988, dá-se o p imei o ma co, endo sido cons i uído um comi é
com o in ui o de es uda a o mação dessa união económica e mone á ia que mais a de i ia a
ap esen a o Rela ó io Delo s. Es e ela ó io p opunha que a união económica e mone á ia osse
alcançada em 3 ases dis in as. A ase 1 e e início a 1 de julho de 1990 e e e como p incipais
ca ac e ís icas a libe alização dos mo imen os de capi ais e a li e ci culação da ECU (Eu opean Cu ency
Uni ) a unidade mone á ia eu opeia que p ecedeu o eu o. No dia 1 de janei o de 1994 deu-se início à
ase 2 que le ou a c iação do Ins i u o Mone á io Eu opeu, à p oibição do inanciamen o do se o público
pelos bancos cen ais e à conclusão do p ocesso de independência dos bancos cen ais nacionais. A
ase 3 le ou à ixação i e ogá el das axas de câmbio, à en ada em igo do pac o de es abilidade e
c escimen o (PEC) e culminou com a in odução do eu o.
Foi assim que, com a in odução do eu o, a 1 de janei o de 1999 en ou em uncionamen o a
União Económica e Mone á ia Eu opeia (BCE, 2020). Du an e os seus ês p imei os anos, o eu o
uncionou apenas como uma moeda “in isí el”, sendo u ilizada somen e pa a e ei os con abilís icos e
pa a pagamen os ele ónicos. A sua ci culação ísica iniciou-se a 1 de janei o de 2002, em doze países
da União Eu opeia (União Eu opeia, 2020), sendo hoje u ilizado po ce ca de 341 milhões de pessoas
no seu dia-a-dia.
1
Uma ez que o obje i o des e abalho é medi a sinc onia das 3 maio es economias da Zona Eu o
(Alemanha, F ança e I ália), e uma ez que a cons i uição da Zona Eu o se deu a 1 de janei o de 1999,
escolhemos como pe íodo de análise o espaço comp eendido en e 1 de janei o de 2000 a é aos úl imos
dados disponí eis, nes e caso, a é ao ano de 2020.Uma ez que es amos a a a de analisa as possí eis
lu uações da a i idade económica, o indicado escolhido se á o P odu o In e no B u o (PIB) das 3
economias em análise, que é conside ado o melho espelho do ag egado da a i idade económica de um
país (Claessens e al. 2011). Os dados o am ob idos no dia 24 de se emb o de 2020 no si e do Eu os a ,
o gabine e de es a ís icas o icial da União Eu opeia.
Das di e en es o mas calculadas do PIB disponibilizadas pelo Eu os a e uma ez que é obje i o
des e abalho obse a lu uações eais da a i idade económica escolhemos o PIB encadeado em olume
1
Anexo I – Quad o com as economias da Zona Eu o e o seu peso no PIB To al da Á ea Eu o
15
a p eços do ano an e io , co igidos de a iações sazonais, pa a a nossa análise empí ica. Sob e a
escolha des e ipo de dados ale a pena alguma e lexão, uma ez que exis em ou os ipos de cálculo
de PIB que pe mi em ambém e i ica lu uações.
Comecemos pelos PIB a p eços co en es. A u ilização de dados a p eços co en es nes e ipo de
análise em nada nos ajuda ia, uma ez que não nos pe mi i ia chega a conclusão nenhuma sob e as
lu uações da a i idade económica de ano pa a ano, pois não sabe íamos se essas a iações e am u o
de um simples aumen o das quan idades ansacionadas na economia ou se o c escimen o do nosso
indicado de a i idade económica apenas e ia acon ecido de ido a um aumen o e i icado dos p eços
nesse ano em ques ão. Pode ia mesmo da -se o caso de a a i idade económica eal e so ido uma
con ação nas quan idades p oduzidas, mas essa con ação não se espelhada no alo ag egado do PIB
uma ez que o aumen o dos p eços pode ia e compensado essa queda da p odução eal.
De o ma a a alia mos co e amen e quais as a iações oco idas en e pe íodos na a i idade eal
pode íamos en ão eco e a dois ipos de sé ies: (i) as sé ies a p eços cons an es e; (ii) as sé ies de
dados encadeados em olume (chain-linking).
Na medição da a i idade económica, e de o ma a elimina o e ei o p eço, as sé ies a p eços
cons an es usam como unidade de medida de p eços um alo comum a um ano base, is o é, escolhe-
se um dado ano e de aco do com os p eços e i icados nesse ano calcula-se o alo da a i idade
económica dos pe íodos seguin es com os p eços do ano de e e ência. Deco e daqui a possibilidade
de iden i ica as lu uações económicas de ano pa a ano assegu ando que es as não oco em de ido ao
aumen o ou diminuição dos p eços uma ez que es es es ão “congelados”. Toda ia, e apesa de mui o
melho do que o cálculo a p eços co en es no e lexo do e dadei o c escimen o eal da economia, o
cálculo a p eços cons an es esconde ambém um conjun o de limi ações (ABS, 2003) associadas
p ecisamen e ao uso de um p eço que se man ém inal e ado ao longo do empo no cálculo das mudanças
dos olumes.
Es as limi ações deco em de á ios a o es en e os quais se des acam: (i) o ac o de me cado ias
ba a as se em subs i uídas ao longo do empo po me cado ias que se o na am mais ca as e “que idas”
aos consumido es; (ii) o c escimen o do p eço das di e en es me cado ias ende ambém a acon ece a
axas di e en es ao longo do empo e po isso o seu peso ela i o no cabaz de bens ende a muda . Além
disso, ac esce ainda o ac o de que as me cado ias so em e oluções nas suas ca ac e ís icas ao longo
do empo, que al e am po ezes a sua qualidade e que as azem desapa ece ou quase a o na em-se
em no as me cado ias no me cado.
22
de con ação e 11 imes es de expansão. Es e ciclo e e início no p imei o imes e de 2008 e e minou
no qua o imes e de 2011, apanhando po isso o pe íodo da c ise inancei a global de 2008-2009. Tal
como acon eceu com a economia alemã e ambém, em pa e, po nes e pe íodo se si ua a c ise
inancei a global de 2008-2009, é nes e ciclo que se e i ica a con ação mais exp essi a da economia
ancesa. O segundo e úl imo ciclo económico comple o da economia ancesa es á comp eendido en e
o p imei o imes e de 2012 e o segundo imes e de 2019. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 30
imes es, di ididos en e 4 imes es de con ação e 26 imes es de expansão.
Tabela 2: Du ação dos ciclos económicos da F ança e das suas ases em imes es
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Du ação
Fase
Ciclo
n.d
2008q1[
Expansão
531549.3
1
[2008q1
2009q2[
Con ação
510856.1
5
16
(4)
[2009q2
2012q1[
Expansão
535775
11
2
[2012q1
2013q1[
Con ação
535261.2
4
30
(7.5)
[2013q1
2019q3[
Expansão
588685.3
26
3
[2019q3
n.d
Con ação
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos
pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis
co espondem a ans o mação dos imes es em anos.
Tal como e i icamos na si uação alemã, os ciclos económicos anceses ambém aumen am a
sua du ação ao longo do empo. A du ação do segundo e úl imo ciclo económico comple o ancês em
quase o dob o da du ação do p imei o ciclo económico. E, al como acon eceu com a Alemanha, esse
ac o ambém se de e ao aumen o da du ação dos pe íodos de expansão que mais do que duplica am
no segundo ciclo económico ace ao p imei o. Pa a a F ança exis iu a é uma diminuição na du ação dos
pe íodos de con ação, uma ez que no p imei o ciclo económico es a inha du ado 5 imes es enquan o
que no segundo ciclo económico es a du ou apenas 4 imes es, bene iciando assim a F ança de um
bene ício duplo; na medida que em conjun o com o aumen o da du ação da ase de expansão exis iu
uma diminuição da ase de con ação o que lhe pe mi iu aumen a a du ação da sua ase de
p ospe idade.
23
Po úl imo podemos obse a na Figu a 4 a da ação dos pon os de i agem pa a a economia
i aliana no pe íodo 2000-2020. Nes e pe íodo o am iden i icados 11 pon os de i agem sendo 6 picos
e 5 ca as que pe azem um o al de 5 ciclos económicos comple os.
Figu a 4: Pon os de i agem do PIB da I ália
No a: Cálculos do Au o . Fon e: Eu os a (2020)
Como podemos e a a és da Tabela 3 e em compa ação com as sé ies da Alemanha e da
F ança, a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o de ciclos económicos comple os, o
que pode á e ela desde logo uma maio endência de ins abilidade económica, pois ap esen a uma
maio p opensão pa a lu uações económicas.
O p imei o ciclo económico i aliano inicia-se no p imei o imes e de 2001, pe íodo no qual se
inicia um pe íodo de con ação de 4 imes es. Depois des e pe íodo de con ação iniciam-se 3 imes es
de expansão económica, a é ao e cei o imes e de 2002, que echam o p imei o ciclo. Es e ciclo e e
assim uma du ação de 7 imes es. O segundo ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2002 e p olongou-
se a é ao qua o imes e de 2007. Es e ciclo ap esen a uma du ação de 21 imes es, sendo es es
di ididos em 3 imes es de con ação e 18 imes es de expansão económica. O e cei o ciclo
económico comple o en ol eu o pe íodo da c ise inancei a global. Es e ciclo du ou 13 imes es,
iniciando-se no p imei o imes e de 2008 e e minando po ol a do p imei o imes e de 2011, e
24
du an e a sua igência a economia i aliana passou 5 imes es em con ação e 8 imes es em expansão
económica.
Tabela 3: Du ação dos ciclos económicos da I ália e das suas ases em imes es
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Du ação
Fase
Ciclo
n.d
2001q1[
Expansão
424558.7
1
[2001q1
2002q1[
Con ação
421778.3
4
7
(1.75)
[2002q1
2002q4[
Expansão
426237.2
3
2
[2002q4
2003q3[
Con ação
423806.0
3
21
(5.25)
[2003q3
2008q1[
Expansão
452802.5
18
3
[2008q1
2009q2[
Con ação
419031.2
5
13
(3.25)
[2009q2
2011q2[
Expansão
433448.7
8
4
[2011q2
2013q4[
Con ação
410325
10
26
(6.5)
[2013q4
2017q4[
Expansão
429557
16
5
[2017q4
2018q3[
Con ação
429182.3
3
6
(1.5)
[2018q3
2019q2[
Expansão
431193.3
3
6
[2019q2
n.d
Con ação
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). Os alo es do PIB são os obse ados nos
pon os de i agem (picos e ca as) e encon am-se em milha es de milhões. Os alo es en e pa ên esis
co espondem a ans o mação dos imes es em anos.
Po ém, e ao con á io do que acon ece com as economias ancesa e alemã, não oi du an e o
pe íodo da c ise inancei a global que a economia i aliana so eu a sua maio con ação económica em
e mos de du ação. Tal sucedeu no qua o ciclo económico iden i icado. Es e ciclo e e início no segundo
imes e de 2011 e e minou no e cei o imes e de 2017; com uma du ação de 26 imes es,
di ididos em 10 imes es de con ação e 16 imes es de expansão económica. Es e ciclo en ol eu o
pe íodo da c ise das dí idas sobe anas dos países eu opeus, que se seguiu à c ise inancei a global, e
25
que a e ou o emen e os países pe i é icos eu opeus com uma ele ada dí ida pública onde a I ália se
inse e. O úl imo ciclo económico comple o i aliano em uma du ação de 6 imes es e é di idido em
du ações semelhan es de expansão e con ação, is o é, 3 imes es de con ação e 3 imes es de
expansão. Es e ciclo iniciou-se no qua o imes e de 2017 e e minou no p imei o imes e de 2019.
Ou a ca ac e ís ica que di e e o ciclo económico i aliano dos ciclos económicos ancês e alemão
p ende-se com algumas ca ac e ís icas na du ação de algumas das suas ases. Ao con á io do que se
e i ica pa a os ciclos da economia alemã e da economia ancesa a economia i aliana ap esen a ciclos
económicos comple os em que os pe íodos de con ação são maio es ou iguais aos pe íodos de
expansão. Is o acon ece no p imei o ciclo económico e no quin o ciclo económico, onde no p imei o o
pe íodo de con ação é maio do que o pe íodo de expansão e no quin o os pe íodos se igualam
espe i amen e.
26
4. Desc ição dos ciclos económicos
A desc ição dos ciclos económicos é um passo que se pode ealiza após a iden i icação dos
pon os de i agem. En e as á ias ca ac e ís icas de in e esse podem des aca -se a du ação dos ciclos
e das suas ases em e mos de: (ii) a ampli ude dos ciclos e das suas ases, (iii) qualque compo amen o
assimé ico das ases (i ) mo imen os cumula i os den o das ases (Ha ding e Pagan:2002).
Das ca ac e ís icas expos as, as de maio in e esse pa a a análise empí ica que es amos aqui a
ealiza são aquelas que se e e em à du ação e à ampli ude, sendo po isso dedicada a essas a nossa
a enção.
As o mas de cálculo das medidas necessá ias pa a desc e e os ciclos são suge idas po Ha ding
e Pagan (2020). Conside ando, como de inimos an e io men e no subcapí ulo 3.2, o conjun o (Y , S ),
onde Y diz espei o aos alo es das sé ies do PIB e S é a a iá el biná ia de alo 1 pa a uma expansão
e de alo 0 pa a uma con ação. Se i e mos ∑𝑆𝑡
𝑇
𝑡=1 como a du ação o al de uma expansão e K seja
o núme o de picos, en ão a du ação média de uma expansão é,
D
=∑S
T
=1
k
Po sua ez a ampli ude de uma expansão é a a iação obse ada en e uma ca a e um pico
seguin e, sendo a sua média dada pela exp essão,
A
=∑S ∆y
T
=1k
Pa a as ases de con ação os alo es podem se ob idos subs i uindo nas ó mulas S po (1-S ).
Algumas ca ac e ís icas e e en es à ampli ude do ciclo económico da Alemanha e das suas ases
são desc i as na Tabela 4. É possí el e i ica que a ampli ude do ciclo económico alemão em indo a
aumen a ao longo do empo com a exceção a e i ica -se no e cei o ciclo. No p imei o ciclo a ampli ude
oi nega i a, endo po isso sido e i icada uma queda do PIB alemão de 0.13%, no im do ciclo ace ao
seu início. Ou seja, no im do p imei o ciclo o PIB imes al alemão ascendia a 650 855.6 milhões de
eu os, um alo in e io ao egis ado no início do ciclo (651 895.8 milhões de eu os). A ampli ude dos
demais ciclos oi posi i a, endo no segundo ciclo o PIB c escido 9.7%, no e cei o c escido 2.8% e no
qua o ciclo c escido 11.5% - suge indo assim que a economia alemã em ido capacidade pa a ecupe a
– en e ciclos - as pe das so idas nas ases de con ação.
27
Tabela 4: Ampli ude dos ciclos económicos da Alemanha e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2002q3[
Exp.
651895.8
1
[2002q3
2003q1[
Con .
641247.6
-1.633
-0.132
[2003q1
2004q2[
Exp.
650855.6
1.498
2
[2004q2
2005q1[
Con .
648888.6
-0.302
9.666
[2005q1
2008q1[
Exp.
713573.2
9.968
3
[2008q1
2009q1[
Con .
663414.3
-7.029
2.787
[2009q1
2012q3[
Exp.
728533.9
9.816
4
[2012q3
2013q1[
Con .
722046.6
-0.890
11.466
[2013q1
2019q1[
Exp.
811262.2
12.356
5
[2019q1
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada
em pe cen agem.
Analisando a ampli ude das ases dos ciclos iden i icados pe cebemos que o p imei o ciclo
ap esen ou uma ampli ude nega i a po que a sua ase de expansão (1.49%) não compensou a ase de
con ação oco ida (-1.63%). No que diz espei o a ases de con ação e e i ando a díspa con ação
e i icada no e cei o ciclo de -7.029%, oco ida de ido à já e e ida c ise inancei a global, conseguimos
e i ica que es as se si uam en e alo es que podemos conside a baixos, en e -1.63% e -0.302%.
Podemos, assim, e i ica que o aumen o da ampli ude das ases de expansão de ciclo pa a ciclo em
sido o a o esponsá el pelo aumen o da ampli ude dos ciclos, na medida que no segundo ciclo a ase
de expansão ap esen ou um c escimen o de 9.97%, no e cei o ciclo o c escimen o oi de 9.82% e no
úl imo ciclo oi de 12,37%, e i icando-se assim a maio ase de expansão. No pe íodo de análise 2000-
2020 podemos assim e i ica que exis iu uma a iação posi i a de 23.8% nos seus 4 ciclos comple os,
ou seja, desde o p imei o pon o de i agem iden i icado a é ao úl imo pon o de i agem o PIB alemão
c esceu 23.8%.
A desc ição dos ciclos anceses é ap esen ada na Tabela 5. Rela i amen e à ampli ude dos ciclos
podemos e i ica que além de se posi i a nos dois ciclos iden i icados, ambém em indo a aumen a
conside a elmen e, uma ez que a ampli ude do p imei o ciclo é de 0.985% ao passo que a ampli ude
do segundo ciclo é de 9.885%. Assim, no im de cada ciclo o alo do PIB ancês é semp e supe io ao
e i icado no início do ciclo; ou seja, no início do p imei o ciclo o alo do PIB ancês é de 531 549.3
28
milhões de eu os, no im do p imei o ciclo o alo egis ado é de 535 775 milhões de eu os e no im do
segundo e úl imo ciclo o alo ascendia a 588 685.3 milhões de eu os.
Tabela 5: Ampli ude dos ciclos económicos da F ança e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2008q1[
Exp.
531549.3
1
[2008q1
2009q2[
Con .
510856.1
-3.893
0.985
[2009q2
2012q1[
Exp.
535775
4.878
2
[2012q1
2013q1[
Con .
535261.2
-0.096
9.885
[2013q1
2019q3[
Exp.
588685.3
9.981
3
[2019q3
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). PIB em milhões de eu os. Ampli ude calculada
em pe cen agem.
No caso do PIB ancês exis e um duplo e ei o bené ico que em ajudado ao c escimen o posi i o
da ampli ude dos ciclos: a ampli ude das ases de expansão em indo a c esce e a ampli ude das ases
de con ação em indo a diminui . Tal ac o jus i ica o c escimen o de 10.87% do PIB ancês en e o
início do p imei o ciclo e o im do úl imo ciclo, pois enquan o que a ase de con ação do p imei o ciclo
é de 3.89%, a ase de con ação do segundo ciclo é de apenas 0.09%, e pa a as ases de expansão a
p imei a é de 4.88% ao passo que a ase de expansão do segundo ciclo é de 9.88%.
Na Tabela 6 podemos obse a as ca ac e ís icas das ampli udes dos á ios ciclos económicos
iden i icados pa a a I ália. Como oi e e ido an e io men e, é a economia i aliana aquela que ap esen a
o maio núme o de ciclos e é aquela ambém que ap esen a o conjun o de ampli udes mais a iadas.
Assim, no que diz espei o às ampli udes podemos assinala dois pe íodos: um an es do segundo ciclo
e um depois do segundo ciclo. No p imei o e segundo ciclos económicos a ampli ude dos ciclos é posi i a
e c escen e. Ou seja, o PIB i aliano encon a a-se a c esce e de uma o ma cada ez mais signi ica i a
ao longo des es ciclos. O p imei o ciclo e e uma ampli ude de 0.40%, enquan o que o segundo ciclo
ap esen ou uma ampli ude de 6.27%, endo-se e i icado, assim, no im des e ciclo o alo mais ele ado
do seu PIB em oda a sé ie: 452 802.5 milhões de eu os.
29
Tabela 6: Ampli ude dos ciclos económicos da I ália e das suas ases
Ciclo
Pe íodo
Fase
PIB
Ampli ude (%)
Fase
Ciclo
n.d
2001q1[
Exp.
424558.7
1
[2001q1
2002q1[
Con .
421778.3
-0.655
0.402
[2002q1
2002q4[
Exp.
426237.2
1.057
2
[2002q4
2003q3[
Con .
423806.0
-0.570
6.272
[2003q3
2008q1[
Exp.
452802.5
6.842
3
[2008q1
2009q2[
Con .
419031.2
-7.458
-4.017
[2009q2
2011q2[
Exp.
433448.7
3.441
4
[2011q2
2013q4[
Con .
410325
-5.335
-0.648
[2013q4
2017q4[
Exp.
429557
4.687
5
[2017q4
2018q3[
Con .
429182.3
-0.087
0.382
[2018q3
2019q2[
Exp.
431193.3
0.469
6
[2019q2
n.d
Con .
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020).
Após es e pon o a economia i aliana en a numa sé ie de ciclos de ampli ude nega i a. No e cei o
ciclo a ampli ude é de -4.017%, no qua o ciclo a ampli ude é de -0.65% e no quin o ciclo, apesa de a
sua ampli ude já não se nega i a o seu alo é ainda mui o baixo, ou seja, 0.382%.
Se enquad a mos es es núme os e a sua sequência nos acon ecimen os económicos e polí icos
con empo âneos al ez possamos encon a a sua explicação. A é à c ise inancei a global, a economia
i aliana expe imen a a, al como a Alemanha e a F ança, ciclos económicos com ampli udes posi i as e
c escen es ao longo do empo. Mas enquan o que as economias alemã e ancesa o am mais esilien es
à c ise das dí idas sobe anas eu opeias, a economia i aliana so eu se e amen e com es e choque.
A I ália só ecupe ou des es dois choques no úl imo ciclo económico. Mas es a oi uma
ecupe ação énue e não e e a mesma dinâmica que a ap esen ada pelas es an es economias
eu opeias, que ap o ei a am es e pe íodo de empo pa a ecupe a das pe das que inham so ido no
PIB aquando da c ise inancei a global e da c ise das dí idas sobe anas eu opeias pois es e ciclo
económico coincide com o início de um ciclo polí ico em que a I ália se ê go e nada no início de 2018
po o ças de ex ema di ei a do pa ido Liga de Ma eo Sal ini e pelo mo imen o an issis ema Cinco
Es elas (New Yo k Times, 2019). Es e go e no, pa a além das suas polí icas an i acolhimen o de
e ugiados, que odos os dias desemba ca am nas cos as i alianas indos da a essia e e uada do No e
30
de Á ica a é às cos as eu opeias, ia medi e âneo, ap esen ou-se com uma cla a posição de con on o
ace à União Eu opeia no que diz espei o às polí icas económicas a é aí implemen adas pela Comissão
Eu opeia, nomeadamen e no que diz espei o ao cump imen o dos alo es es ipulados pa a o dé ice. A
jun a a isso, a I ália so ia de p oblemas de dí ida pública ele ada, na o dem dos 130% do PIB, que
es es pa idos não mos a am in e esse em esol e e que com as polí icas que de endiam sinaliza am
aos me cados inancei os in e nacionais uma endência de ag a amen o dessa dí ida. Os bancos
con inua am em 2018 a so e de ele ados ní eis de c édi o malpa ado pa a o qual o go e no não
pa ecia e solução, e com isso o inanciamen o da economia não e a o ideal de o ma a omen a o seu
c escimen o (New Yo k Times, 2019).
Todos es es e en os omen a am a descon iança nos me cados e nos pa cei os in e nacionais de
I ália, o que azia com que a sua agilidade económica se ag a asse ainda mais, con ibuindo assim
pa a que a economia i aliana, ao con á io das es an es economias eu opeias, não ap o ei asse os
momen os de bonança económica i idos na Eu opa pa a ecupe a das pe das p o ocadas pelas duas
c ises an e io es e e idas.
2
A a és de uma análise dos núme os podemos cons a a que o en o pecimen o da economia
i aliana é de al o dem que en e o p imei o pon o de i agem iden i icado e o úl imo, is o é, en e o
p imei o imes e de 2001 e o segundo imes e de 2019 a sua economia apenas c esceu 2.39% em
e mos absolu os. Num pe íodo de quase 20 anos a I ália passou de um PIB de 421 778.3 milhões de
eu os pa a apenas 431 193.3 milhões eu os; mui o pouco, quando compa ado com os seus pa es, pa a
a e cei a maio economia da Zona Eu o.
Quan o à ampli ude das ases dos ciclos económicos i alianos é de des aca que nenhuma ase
de expansão em um alo maio do que o alo mais ele ado da pio con ação. A ase de expansão
mais ele ada acon eceu no segundo ciclo e ap esen a um alo de 6.84%, enquan o que o alo da pio
con ação oco eu no e cei o ciclo ap esen ando um alo de 7.46%.
De o ma a pode mos compa a melho os ciclos económicos dos ês países em análise, podemos
obse a a Tabela 7 que nos ap esen a os alo es médios das ca ac e ís icas aqui analisadas de cada
uma das sé ies. Pa a odos os países as con ações ap esen am uma du ação média in e io à du ação
média das expansões. O país com uma du ação média de con ação mais ele ada é a I ália, com 5
imes es, enquan o que a Alemanha é a economia que passa, em média menos empo em con ação
2
Anexo II- Análise de como a é a economia Po uguesa, in e encionada pela
oika
, ecupe ou os alo es do PIB
p é- oika
e de como os ciclos
económicos i alianos ap esen am mais semelhanças com es e ipo de economia do que com as economias alemã e ancesa.
31
com 2.75 imes es e a F ança ica-se pelos 4,5 imes es de con ação em média. Em e mos de
expansões a F ança é o país que, em média, ap esen a um maio pe íodo de expansão, 18.5 imes es.
No amen e a I ália é o pio país da análise, pois apenas ap esen a 9.6 imes es de expansão em média
em cada ciclo e a Alemanha passa 13.75 imes es em média em expansão. Conjugando con ações e
expansões a F ança é o país que em média ap esen a ciclos económicos mais longos, com 23 imes es
em média pa a cada ciclo económico. Segue-se a Alemanha com 16.5 imes es e a I ália com 14.6
imes es. Po ém, analisando de uma ou a pe spe i a emos que a Alemanha é o país que melho se
encon a, pois, po cada ciclo económico em média passa apenas 16.66% do empo em con ação e
83.33% em expansão. Segue-se a F ança que despende 80.43% do empo de cada ciclo económico em
expansão e 19.57% do empo em con ação. A Alemanha e a F ança ap esen am alo es ela i amen e
p óximos, con udo o mesmo não acon ece com a I ália. Po cada ciclo económico a I ália es á em
con ação 34.25% do empo e 65.75% do empo em expansão em média. Tal ac o pode se uma das
jus i icações do pob e desempenho económico i aliano ao longo da análise da sé ie.
Tabela 7: Ca ac e ís icas médias dos ciclos económicos
Alemanha
F ança
I ália
Du ação Média
Con ação
-2.75
-4.5
-5
Expansão
13.75
18.5
9.6
Ampli ude Média (%)
Con ação
-2.464
-1.995
-2.821
Expansão
8.410
7.429
3.299
Ciclos
5.947
5.435
0.478
No a: Elabo ação do au o com base nos dados do Eu os a (2020). A Du ação média es á medida em imes es.
Pa a além do p oblema de passa em cada ciclo, em média, mais do dob o do empo da Alemanha
em pe íodos de con ação económica, a I ália ap esen a ainda uma ampli ude média dos seus ciclos
económicos baixa (apenas 0.478%). Is o signi ica que ao longo de cada ciclo económico a economia da
I ália c esce em média apenas 0.478%. A Alemanha e a F ança conseguem ambém ecupe a das
pe das das ases de con ação du an e as ases de expansão. Con udo, es as duas economias
ap esen am ampli udes médias mui o di e en es da ap esen ada pela economia i aliana. A Alemanha,
apesa de ap esen a em média uma con ação de 2.46% (supe io à con ação média ancesa de 1.99%)
ap esen a ao longo do seu ciclo uma ampli ude média de 5.94%, is o é, um alo supe io aos 5.44% de
ampli ude média ap esen ada pela economia ancesa. Is o acon ece po que nas ases de expansão, a
38
queb as no PIB que se pôde e i ica na sé ie i aliana. Con udo com a queb a de 2008, pa a o pe íodo
de empo analisado e com os dados de que dispomos, é-nos possí el di e gi das conclusões de
Hea hco e e Pe y (2004) e Kalemli-ozcan e al. (2001) que nos dizem que a globalização dos me cados
inancei os e dos e ei os que daí ad êm es ão ligados a uma meno co elação in e nacional dos ciclos
económicos, pois concluímos que a sinc onia dos ciclos económicos des es países saiu e o çada (e não
diminuída) após a c ise inancei a global.
Apesa do ele ado g au de sinc onia das sé ies, os nossos esul ados suge em algum a as amen o
en e a economia i aliana e as economias alemã e ancesa em e mos do núme o, da du ação e das
ampli udes dos ciclos económicos iden i icados pa a cada país, o que se encon a de aco do com
algumas ca ac e ís icas de endidas po Bu ns e Mi chell (1946) como sejam a não pe iodicidade e a não
egula idade. Das ês economias analisadas a economia i aliana é aquela que ap esen a o maio núme o
de pon os de i agem iden i icados, 11, con a os 9 iden i icados pa a a economia alemã e os 5
iden i icados pa a a economia ancesa. Es e pode se desde logo um indicado de que a economia
i aliana é mais p opícia a lu uações económicas.
Adicionalmen e, esul a da análise das ca ac e ís icas dos ciclos económicos um ou o conjun o
de dados que indicam semelhanças en e as economias ancesa e alemã, e que apesa de e em sido
ambém semelhan es pa a a economia i aliana a pa i de ce o pon o deixa am de o se . Ao con á io
do pos ulado po Dalsgaa d e al. (2002) de que com o e olui do empo os ciclos económicos
ap esen am du ações cada ez meno es ace ao passado, os ciclos económicos da Alemanha e da F ança
ap esen am du ações c escen es ao longo do empo, e esse aumen o na du ação dos ciclos é explicado
pelo aumen o da du ação das ases de expansão pa a es as economias, o que coincide com a isão de
Calde ón e Fuen es (2014). Po sua ez, a economia i aliana expe iencia a um enómeno idên ico no
que diz espei o a es as ca ac e ís icas, mas a pa i de 2008 e i icou-se um des io no seu
compo amen o económico que em indo a a as a a economia i aliana do pad ão de compo amen o
dos ciclos de F ança e Alemanha. Assim a economia i aliana após 2008 ap esen a ciclos económicos
com uma du ação que o a aumen a o a diminui, não ap esen ando du ações c escen es ao longo do
empo como as economias alemã e ancesa, ao mesmo empo a economia i aliana ap esen a ases de
con ação com uma du ação que aumen ou o emen e ace aquilo que se e i ica a an es de 2008.
Além des as ca ac e ís icas, das economias analisadas, a economia I aliana, é a única que ap esen a
um ciclo económico que pode se explicado pela c ise das dí idas sobe anas eu opeias.
39
A análise das ampli udes dos ciclos económicos pe mi e-nos ambém con i ma a isão de
Cabanillas e Rushe (2008) de que os ciclos económicos ap esen am uma endência de dec éscimo da
ola ilidade, a que se con encionou chama de “A g ande mode ação” dos ciclos económicos, pois não
é e i icá el nos nossos dados ciclos económicos de g andes ampli udes posi i as seguidos de ciclos
económicos de g andes ampli udes nega i as. Com exceção do ciclo oco ido no pe íodo da c ise
inancei a global de 2008, a Alemanha e a F ança ap esen am ciclos económicos em que as ampli udes
se ca ac e izam po se em posi i as e c escen es ao longo do empo, de ido a ases de expansão cada
ez mais o es e longas. A I ália, con udo, a pa i de 2008, ap esen a ciclos económicos com ampli udes
nega i as com exceção do úl imo ciclo económico em que apesa de posi i a a ampli ude é baixíssima
(0.382%), o que a é aos dias de hoje nunca lhe pe mi iu ecupe a pa a o ní el de PIB mais ele ado
obse ado em oda a sé ie, oco ido em 2008; es ando ainda hoje abaixo desse alo .
Da obse ação dos esul ados ob idos com es e abalho é-nos pe mi ido conclui que, mais do
que a exis ência de sinc onia en e as ês maio es economias da Zona Eu o, o e dadei o âmago das
di e enças económicas, nomeadamen e en e a I ália e a Alemanha e F ança, eside nas ca ac e ís icas
de cada ciclo económico que cada país ap esen a. Como suge em F ank e al. (2018) e Gogas (2013)
com as ampli udes a o na em-se di e gen es, e apesa de uma maio sinc onia, a con e gência eal
en e países do eu o não acon ece á, uma ez que a dispa idade en e países não diminui á.
Po úl imo, embo a enhamos cump ido os p incipais obje i os des a disse ação icam, no
en an o, algumas in e ogações sob e o que es á na base dos esul ados que ob i emos. Es a á a Zona
Eu o a con ibui pa a um aumen o da sinc onia en e os di e sos países, mas ao mesmo empo a le a
a uma desacele ação da con e gência uma ez que, e apesa do aumen o da sinc onia, as ca ac e ís icas
dos ciclos se em al e ado pa a alguns países? Quais os mo i os pa a que as ases de expansão sejam
cada ez mais longas e com uma ampli ude cada ez mais posi i a pa a as 2 p incipais economias da
Zona Eu o? Se á isso u o do p ocesso de in eg ação cada ez mais p o undo que a Zona Eu o
p opo ciona? Se á que se es ende aos es an es países memb os da Zona eu o ou é apenas uma
ca ac e ís ica das economias mais o es, a Alemanha e a F ança? Es as são ques ões que pode iam
ala ga o ho izon e des e es udo e desse modo con ibui pa a um maio e melho conhecimen o das
ca ac e ís icas da Zona Eu o, o que bene icia ia a odos na cons ução de polí icas u u as p omo o as
do bem-es a ge al des a Zona económica, ão impo an e não só pa a a Eu opa como pa a o mundo.
40
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44
Anexo I- Economias da Zona Eu o.
A a és da Tabela 11 podemos e i ica os 19 países que azem pa e da Zona Eu o bem como o
peso que cada país ep esen a no PIB Ag egado da Á ea Eu o. p oduzida.
Tabela 11: Países pe encen es a Zona Eu o e o seu peso no PIB o al da Á ea Eu o.
País
PIB 2019
Peso
Alemanha
3 449 050,0
28,90%
F ança
2 425 708,0
20,32%
I ália
1 789 747,0
15,00%
Espanha
1 244 772,0
10,43%
Países Baixos
810 247,0
6,79%
Bélgica
476 203,3
3,99%
Áus ia
397 575,3
3,33%
I landa
356 051,2
2,98%
Finlândia
240 556,0
2,02%
Po ugal
213 301,0
1,79%
G écia
183 413,5
1,54%
Eslo áquia
93 865,2
0,79%
Luxembu go
63 516,3
0,53%
Eslo énia
48 392,6
0,41%
Li ûania
48 797,4
0,41%
Le ônia
30 463,3
0,26%
Es ónia
28 112,4
0,24%
Chip e
22 286,9
0,19%
Mal a
13 462,4
0,11%
Eu o Á ea To al
11 935 448,3
100,00%
No a: Elabo ação au o . Fon e: Eu os a . Dados co esponden es ao ano de 2019, em milha es de milhoes de
eu os.
Assim podemos e i ica que as ês maio es economias da Zona Eu o são a Alemanha, a F ança,
e a I ália. Jun as, es as ês económicas pe azem, ap oximadamen e, 64% de odo o PIB da Zona Eu o,
ou seja, ês economias co espondem po quase dois e ços de oda a iqueza enquan o as es an es
16 economias apenas p oduzem um e ço da iqueza.
A a és des e quad o e des es dados podemos e i ica a impo ância do alinhamen o en e es as
ês economias uma ez que se ão, essencialmen e, di ecionadas a es as ês economias e de aco do
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com as suas necessidades as p incipais decisões e polí icas comuns que a e a ão as ou as 16
economias que compõem a Zona Eu o.
46
Anexo II- Da ação ciclos económicos de Po ugal.
Po ugal é um país pe encen e a Zona Eu o, como a Alemanha, a F ança e a I ália e como al es a
sujei o as mesmas eg as mone á ias e polí icas económicas que daí ad êm. A pa de G écia, da I landa
e de Espanha, Po ugal ez pa e dos denominados PIGS sigla pela qual ica am conhecidos os países
esga ados pela
T oika
na essaca da g a e c ise inancei a global de 2008 e da subsequen e c ise das
dí idas sobe anas eu opeias.
Figu a 5: Pon os de i agem do PIB de Po ugal
Fon e: Fe ei a e al. (2020)
A da ação dos ciclos económicos po ugueses pode se obse ada na Figu a 5. Es a igu a pe mi e-
nos es abelece , isualmen e, algumas semelhanças e di e enças com a economia i aliana que podem
se explica i as do po quê, de nos úl imos anos a economia i aliana se compa ada com maio equência
a países da Zona Eu o de meno dimensão ao in és de se compa ada ás ou as duas p incipais
economias da Zona Eu o, a Alemanha e a F ança. De ac o, obse ando os ciclos económicos
po ugueses pe cebemos que exis em ês ciclos económicos comple os. Na compa ação com a
economia i aliana des acamos o segundo e e cei o ciclos. O segundo ciclo em início no pico si uado no
p imei o imes e de 2008, ap esen a a sua ca a no p imei o imes e de 2009 e e mina no segundo
47
imes e de 2010. Po sua ez e cei o ciclo em início no e cei o imes e de 2010, em a sua ca a no
qua o imes e de 2012 e inaliza-se no qua o imes e de 2019. Fazendo uma compa ação com a
Alemanha, com a F ança e com a I ália emos que o segundo ciclo económico de Po ugal, iden i icado
pela igu a 5, é coinciden e com es as ês economias e é espei an e ao pe íodo da g a e c ise inancei a
global. Con udo, a con inuação da compa ação apenas pe mi e es abelece elação com a sé ie dos
ciclos económicos i alianos. O e cei o ciclo económico po uguês engloba a o pe íodo de esga e
inancei o de Po ugal pela
T oika
e o pe íodo da c ise de di ida sobe ana dos países eu opeus. Na
análise le ada a cabo nes a disse ação es e oi um ciclo apenas iden i icada pa a I ália. Con udo e como
e e ido na análise aquando dos ciclos económicos de I ália, a é Po ugal, um pais que p ecisou de ajuda
inancei a in e nacional, conseguiu du an e es e ciclo ecupe a das pe das do PIB que inha so ido
de ido a c ise inancei o global de 2008 e da c ise das di idas sobe anas dos países eu opeus de
2011/2012, o mesmo não se sucedeu com a economia I ália. Enquan o Po ugal a ingiu um pico no
qua o imes e de 2019 que já supe a a o pico e i icado no p imei o imes e de 2008 a economia
I aliana no seu úl imo pico iden i icado em 2019 ainda ap esen a a alo es in e io es ao seu pico de
2008.
Es es ac os em jus i icado o ac o de a economia i aliana mui as ezes se e compa ada com
países da Zona Eu o mais “ acos” ou que passa am po mui os p oblemas nos úl imos anos, ao in és
de se e compa ada com os países mais p óspe os e icos da Zona Eu opeia, is o apesa de se a
e cei a maio economia da Á ea Eu o.