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Adolescência e violência sexual facilitada pela tecnologia pós-rutura relacional: revisão sistemática

Abstract

Os adolescentes utilizam os dispositivos tecnológicos que têm ao seu dispor para estabelecer relacionamentos íntimos. Este contexto possibilita a violência nas relações de intimidade, nomeadamente, a violência sexual, integrada num conceito amplo que se refere à violência sexual facilitada pela tecnologia, a qual engloba também outros fenómenos (e.g. sexting). Este estudo que realizamos consiste numa revisão sistemática da literatura, com o objetivo de identificar investigações acerca da violência sexual facilitada pela tecnologia em adolescentes vítimas, no contexto específico de rutura de um relacionamento íntimo. Seguindo as diretrizes PRISMA, foram realizadas pesquisas, em dezembro de 2022, em sete bases eletrónicas para a inclusão de estudos quantitativos, qualitativos, ou mistos, publicados em Português, Espanhol ou Inglês, sendo que 22 foram considerados elegíveis. A maioria foi publicada muito recentemente (no ano 2022) e desenvolvidos na Europa. Os estudos retratam a prevalência, motivações, impacto, percepções, estratégias de coping e outros resultados, no contexto de rutura de relacionamento. De forma geral, os resultados espelham a atualidade do tema e a necessidade de maior investimento científico para os diferentes contextos em que a violência sexual facilitada pela tecnologia ocorre, nomeadamente na população adolescente. Implicações para a prática para investigações futuras são discutidas.

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Adolescência e violência sexual facilitada pela tecnologia pós-rutura relacional: revisão sistemática

Author: Rosa, Ana Filipa
Year: 2023
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/52290f08-b57b-4994-81bc-7d8cb6ab3520/download
U ni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana Filipa Rosa
Adolescência e Violência Sexual Facili ada
pela Tecnologia Pós-Ru u a Relacional:
Re isão Sis emá ica
junho de 2023
Adolescência e Violência Sexual Facili ada pela
Tecnologia Pós -Ru u a Relacional: Re isão Sis emá ica
Ana Filipa Rosa
UMinho | 2023
U ni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana Filipa Rosa
Adolescência e Violência Sexual Facili ada
pela Tecnologia Pós-Ru u a Relacional:
Re isão Sis emá ica
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Psicologia da Jus iça
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ma lene Ma os
junho de 2023
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas
p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-
SemDe i ações CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
Uni e sidade do Minho, 05 de junho de 2023,
(Ana Filipa Amo im Rosa)
iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à
p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em
nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Uni e sidade do Minho, 05 de junho de 2023,
(Ana Filipa Amo im Rosa)

i
Ag adecimen os
À minha o ien ado a P o esso a Dou o a Ma lene Ma os ag adeço odo o conhecimen o, disponibilidade,
suges ões de melho ia e con iança em mim deposi ada. À D a. Ma ia Vale oda a pa ilha de conhecimen o,
e lexão c i ica, dedicação, supo e e mo i ação. A ambas ag adeço po me acompanha em nes e pe cu so
o ma i o, desa ian e e de g ande ap endizagem, e po me enco aja em ao longo des e caminho.
Aos colegas da equipa de in es igação ag adeço as c í icas cons u i as e alen o.
A oda a minha amília ag adeço o ânimo e apoio que semp e me de am. Em pa icula , aos meus pais e
à minha i mã, po me da em as condições pa a que pudesse aze es e pe cu so, po me incen i a em e po me
ampa a em em odos os momen os.
Às minhas amigas, Ana, Ca a ina e Zaida ag adeço po me acompanha em nes es cinco anos, pela
amizade, di e são e companhei ismo.
Ao Miguel, po oda a paciência, comp eensão e o ça, e po ac edi a em mim, mesmo quando eu não
ac edi o.
Po im, o meu mais since o ob igada, a odos quan os pe mi i am a conclusão des a e apa e me auxiliam
ao longo do meu pe cu so.
Índice
índice ......................................................................................................................... V
Resumo......................................................................................................................VII
Abs ac ..................................................................................................................... VIII
In odução .................................................................................................................... 9
Me odologia ................................................................................................................ 11
I. ESTRATÉGIAS DE PESQUISA E ESTUDO ................................................................................................. 12
II. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO................................................................................................. 12
III. IDENTIFICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS DADOS ............................................................................................. 13
IV. QUALIDADE METODOLÓGICA E RISCO DE VIÉS ........................................................................................ 13
Resul ados ................................................................................................................. 14
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA E RISCO DE VIÉS .............................................................................. 14
ANO E REVISTA DE PUBLICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO............................................................................................. 14
CARATERÍSTICAS DA AMOSTRA ................................................................................................................. 15
TIPO DE VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA PELA TECNOLOGIA E OBJETIVOS ................................................................. 15
PRINCIPAIS RESULTADOS ....................................................................................................................... 23
PRINCIPAIS RESULTADOS DOS ESTUDOS NUM CONTEXTO DE RUTURA DE UM RELACIONAMENTO ÍNTIMO ..................... 23
Discussão .................................................................................................................. 30
CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES.................................................................................................................. 33
Re e ências Bibliog á icas: ................................................................................................ 35
Índice de igu as
Figu a 1- FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA .............................................. 17
i
Índice de abelas
Tabela 1 – AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA DOS ESTUDOS INCLUÍDOS ............................................. 18
Tabela 2 – CARATERIZAÇÃO DOS ESTUDOS INCLUÍDOS NA REVISÃO SISTEMÁTICA (n=22) ................................... 20
Tabela 3 –PRINCIPAIS RESULTADOS DOS ESTUDOS INCLUÍDOS NA REVISÃO SISTEMÁTICA EM CONTEXTO DE RUTURA DE UM
RELACIONAMENTO ÍNTIMO.................................................................................................................. 25
ii
ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA PELA TECNOLOGIA PÓS- RUTURA RELAC IONAL: REVISÃO
SISTEMÁTICA
Resumo
Os adolescen es u ilizam os disposi i os ecnológicos que êm ao seu dispo pa a es abelece
elacionamen os ín imos. Es e con ex o possibili a a iolência nas elações de in imidade, nomeadamen e, a
iolência sexual, in eg ada num concei o amplo que se e e e à iolência sexual acili ada pela ecnologia, a qual
engloba ambém ou os enómenos (e.g.
sex ing
). Es e es udo que ealizamos consis e numa e isão sis emá ica
da li e a u a, com o obje i o de iden i ica in es igações ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia em
adolescen es í imas, no con ex o especí ico de u u a de um elacionamen o ín imo. Seguindo as di e izes
PRISMA, o am ealizadas pesquisas, em dezemb o de 2022, em se e bases ele ónicas pa a a inclusão de
es udos quan i a i os, quali a i os, ou mis os, publicados em Po uguês, Espanhol ou Inglês, sendo que 22 o am
conside ados elegí eis. A maio ia oi publicada mui o ecen emen e (no ano 2022) e desen ol idos na Eu opa. Os
es udos e a am a p e alência, mo i ações, impac o, pe cepções, es a égias de
coping
e ou os esul ados, no
con ex o de u u a de elacionamen o. De o ma ge al, os esul ados espelham a a ualidade do ema e a
necessidade de maio in es imen o cien í ico pa a os di e en es con ex os em que a iolência sexual acili ada pela
ecnologia oco e, nomeadamen e na população adolescen e. Implicações pa a a p á ica pa a in es igações
u u as são discu idas.
Pala as-cha e:
Re isão Sis emá ica, Adolescen es, Violência Sexual Facili ada pela Tecnologia, Ru u a
Relacional
14
Ince eza ou desaco do nes as ases oi esol ida po consenso e, se não osse possí el oma uma decisão,
podia se consul ado um e cei o e iso independen e.
Resul ados
Da pesquisa nas bases de dados esul a am 4110 es udos, dos quais 441 e am duplicados e o am
consequen emen e eliminados. Assim, 3669 o am selecionados, com base no í ulo, esumo e pala as-
cha e, pa a a análise da elegibilidade. Des a análise, 3625 o am excluídos po que os c i é ios de inclusão não
o am cump idos. Como esul ado, 44 es udos o am selecionados pa a a lei u a in eg al, 17 o am incluídos e
27 o am excluídos po ês mo i os: a sua amos a não incluiu adolescen es, o es udo não abo dou iolência
sexual acili ada pela ecnologia ou o es udo não in eg ou o con ex o de u u a elacional. Cinco es udos o am
adicionados a a és do p ocedimen o de busca manual. Em suma, 22 es udos o am incluídos nes a e isão e
os dados que o am ex aídos de cada um deles encon am-se na abela 2. Os es udos incluídos o am
assinalados com um “*” na secção de e e ências. A Figu a 1 ap esen a uma desc ição do PRISMA,
disc iminando o p ocesso de iden i icação, selecção, elegibilidade e inclusão.
A aliação da qualidade me odológica e isco de iés
P edominan emen e, os es udos ap esen am uma me odologia quali a i a (n=18) (e.g. Abo isade,
2022 e Walke e al., 2013), seguido de ês es udos quan i a i os desc i i os (e.g. Rey e al., 2021) e um com
mé odos mis os (Reed e al., 2020). A a aliação da qualidade e elou que dezano e es udos a ende am a
100% dos c i é ios de qualidade (e.g. Abo isade, 2022) e ês es udos a ende am a 60% desses c i é ios (Reed
e al., 2019; Reed e al., 2020; Rey e al., 2021). Os c i é ios que esul a am em indicado es de a aliação
global mais baixas incluí am a al a de ep esen a i idade da amos a e a al a de in o mação ela i a ao iés
de “não espos a”. O índice de aco do e elou uma conco dância ele ada en e os e iso es, de 0.90. A
a aliação de alhada de qualidade de cada c i é io e o índice de qualidade global dos es udos incluídos es ão
ep esen ados na abela 1.
Ano e Re is a de Publicação e Localização
Os es udos o am publicados en e o ano 2013 e 2022. O ano em que mais es udos o am
publicados oi 2022 (n=8) (Abo isade, 2022; Eek-Ka lsson e al., 2022¸ Hen y e al., 2022; Hen y e al.,
2022; Hube , 2022; Meehan, 2022; Pe y e al., 2022; Powell e al., 2022), seguido do ano 2019 (n=4)
(Johansen e al., 2019; Reed e al., 2019; Ridde , 2019; Se y, 2019). A maio pa e dos es udos oi ealizada
na Eu opa (n=10), nomeadamen e na Bélgica (n=2) (Ridde , 2019; Van Ouy sel e al., 2017), Dinama ca
(n=2) (Johansen e al., 2019; Mo ensen, 2020), Espanha (n=1) (Rey e al., 2021), Ingla e a (n=2) (Se y,
2019; Se y, 2020), Países Baixos (n=1) (Naeze & Oos e hou b, 2021), Reino Unido (n=1) (Hube , 2022) e

15
Suécia (n=1) (Eek-Ka lsson e al., 2022), seguindo-se a Amé ica (n=6), conc e amen e Es ados Unidos da
Amé ica (n=5) (Ea on e al., 2021; Hasino , 2017; Lippman & Campbell, 2014; Reed e al., 2019; Reed e al.,
2020) e Canadá (n=1) (Pe y e al., 2022). Segue-se a Oceânia (n=3) onde os es udos se ealiza am na
Aus ália (n=1) (Walke e al., 2013) e na No a Zelândia (n=2) (Hen y e al., 2022; Meehan, 2022). Dois
es udos são anscul u ais e o am ealizados na Aus ália, Reino Unido e No a Zelândia (Hen y e al., 2022;
Powell e al., 2022). Maio i a iamen e, os es udos o am publicados em jo nais e e is as cien í icas que
e sam sob e a adolescência e ju en ude (e.g. Reed e al., 2019), iolência in e pessoal (e.g. Powell w al.,
2022), i imologia (e.g. Hube , 2022) e sexualidade (e.g. Meehan, 2022).
Ca a e ís icas da amos a
Os es udos ab ange am 21 amos as independen es, uma ez que, dois eco e am à mesma
amos a (Se y, 2019; Se y, 2020). O amanho das amos as a iou en e 3 (Mo ensen, 2020) e 6162
pa icipan es (Powell e al., 2022). A idade dos pa icipan es a iou en e os 11 anos (e.g. Eek-Ka lsson e al.,
2022) e os 64 anos (e.g. Powell e al., 2022). Na maio ia dos es udos (n=12) os pa icipan es encon a am-
se numa aixa e á ia en e os 11 e os 20 anos. Impo a des aca que, o am incluídos es udos que
ab angiam amos as de jo ens adul os ou adul os quando a expe iência de abuso e a e ospe i a (e.g.
Naeze & Oos e hou b, 2021) ou o es udo con empla a um g ande espe o de idades (e.g. Powell e al.,
2022).
A maio ia das amos as e a mis a em e mos de géne o, endo pa icipan es que se iden i ica am
com o géne o eminino, masculino ou ou o (e.g. Powell e al., 2022). Algumas amos as (n=5) e am
exclusi amen e compos as po pa icipan es que se iden i ica am com o géne o eminino (e.g. Reed e al.,
2019). Dois es udos não menciona am explici amen e o géne o dos pa icipan es (Meehan, 2022; Ridde ,
2019). Adicionalmen e, o am ainda incluídos dois es udos cujo obje o de análise o am no ícias ou a igos
de jo nal dos
mass media
(Ea on e al., 2021; Hasino , 2017).
Tipo de iolência sexual acili ada pela ecnologia e obje i os
A maio ia dos es udos abo dou o
sex ing
(n=11) (e.g. Lippman & Campbell, 2014) e abuso sexual
baseado em imagens (n=5) (e.g. Hube , 2022). Os es an es ela a am o assédio sexual (n=2) (Eek-Ka lsson
e al., 2022; Reed e al., 2019), po nog a ia não consensual (Ea on e al., 2021), pa ilha não consensual de
o og a ias ou ídeos ín imos/sexuais (
nudes)
(Johansen e al., 2019), ag essão sexual digi al (Mo ensen,
2020) e abuso digi al no namo o (Reed e al., 2020). Mesmo que a denominação u ilizada seja dis in a, não
a as ezes, incluia os mesmos compo amen os desc i os como ca ac e izado es do enómeno (e.g.
Abo isade, 2022 e Ea on e al., 2021).
16
Maio i a iamen e, os es udos analisa am as expe iências de i imação em e mos de pe ceções (e.g.
Ridde , 2019), mo i ações (e.g. Hen y e al., 2022), es a égias de
coping
(e.g. Mo ensen, 2020) e. impac o
(e.g. Hube , 2022)). Ou os es udos inham ainda o obje i o de aze uma análise ao enquad amen o legal
(e.g. Hasino , 2017). Um es udo e e como p opósi o o desen ol imen o e alidação de um ques ioná io pa a
adolescen es ace ca do
sex ing
(Rey e al., 2021).
Alguns es udos (n=4) analisa am ambém os pe pe ado es, o necendo conjun amen e dados
ele an es sob e as expe iências de i imação como, po exemplo, sob e a p e alência (Reed e al., 2019) e
sob e a elação i ima-pe pe ado (e.g. Powell e al., 2022).
17
Figu a 1
Fluxog ama do p ocesso da e isão sis emá ica da li e a u a.
No a
: Adap ado de Page, M. J., McKenzie, J. E., Bossuy , P. M., Bou on, I., Ho mann, T. C., Mul ow, C. D., Shamsee , L., Te zla , J. M., Akl, E. A., B ennan, S. E., Chou, R., Glan ille, J.,
G imshaw, J. M., H óbja sson, A., Lalu, M. M., Li, T., Lode , E. W., Mayo-Wilson, E., McDonald, S., … Mohe , D. (2021). The PRISMA 2020 s a emen : An upda ed guideline o epo ing
sys ema ic e iews.
Jou nal o Clinical Epidemiology, 134
, 178–189. h ps://doi.o g/10.1016/j.jclinepi.2021.03.001
Es udos iden i icados a a és de
bases de dados ele ónicas:
(n = 4110)
Es udos emo idos po
se em duplicados:
(n = 441)
Es udos após os duplicados se em
emo idos:
(n = 3669)
Es udos lidos in eg almen e:
(n=44)
Es udos excluídos pela lei u a de
í ulos, pala as-cha e e esumos:
(n=3625)
(n = )
Es udos excluídos (n=27):
a) amos a não inclui adolescen es: (n = 6)
b) não abo da a iolência sexual acili ada pela
ecnologia: (n=10)
c) não in eg a o con ex o de u u a elacional: (n=11)
Es udos iden i icados a a és de
pesquisa manual: (n=5)
Es udos incluídos na e isão
sis emá ica:
(n = 22)
Iden i icação
T iagem
Incluídos
Iden i icação dos es udos a a és das bases de dados
Iden i icação dos es udos a a és de ou os mé odos
18
Tabela 1
A aliação da qualidade me odológica dos es udos incluídos
Au o , Ano
T iagem
1
Quali a i o
2
Quan i a i o desc i i o
3
Mé odos Mis os
4
Índice de Qualidade
5
Q1
Q2
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Abo isade (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Ea on e al. (2021)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Eek-Ka lsson e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hasino (2017)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hen y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hen y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hube (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Johansen e al. (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Lippman & Campbell (2014)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Meehan (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Mo ensen (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Naeze & Oos e hou b (2021)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Pe y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Powell e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Reed e al. (2019)
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não sei
dize
Sim
***
Reed e al., (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
***
Rey e al. (2021)
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não sei
dize
Sim
***
Ridde (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Se y (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Se y (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Van Ouy sel e al. (2017)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Walke e al., (2013)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
19
No a.
1
Ques ões de iagem. Q1 =As ques ões de in es igação são cla as?; Q2 =Os dados ecolhidos pe mi em abo da a ques ão de in es igação?.
2
Quali a i o. Q1 =A abo dagem quali a i a é adequada pa a esponde à ques ão de in es igação?; Q2 =O mé odo de ecolha de dados quali a i os é adequado pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q3 =Os esul ados de i am
adequadamen e dos dados ?;Q4 = A in e p e ação dos esul ados é su icien emen e undamen ada pelos dados?;Q5 = Exis e coe ência en e a on e dos dados quali a i os, ecolha, análise e in p e ação?.
3
Quan i a i o desc i i o. Q1 = A es a égia de amos agem é ele an e pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q2 = A amos a é ep esen a i a da população al o?; Q3 = As medidas são ap op iadas?; Q4 = O isco de iés de
“não espos a” é baixo?; Q5 = A análise es a ís ica é ap op iada pa a esponde à ques ão de in es igação?.
4
Mé odos Mis os. Q1 = Exis e uma jus i icação adequada pa a usa um
design
de mé odos mis os pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q2 = As duas componen es do es udo es ão e e i amen e in eg adas pa a esponde à
ques ão de in es igação?; Q3 = Os esul ados da in eg ação das componen es quali a i a e quan i a i a são in e p e ados adequadamen e?; Q4 = As di e gências e inconsis ências en e esul ados quan i a i os e quali a i os são
adequadamen e a adas?; As di e en es componen es do es udo seguem os c i é ios de qualidade de cada adição dos mé odos en ol idos?.
5
Índice de qualidade. 1*= 20% dos c i é ios de qualidade cump idos; 2* ou 40% dos c i é ios de qualidade cump idos; 3*** ou 60% dos c i é ios de qualidade cump idos;; 4**** ou 80% dos c i é ios de qualidade cump idos;
5***** ou 100% dos c i é ios de qualidadecump idos.

20
Tab ela 2
Ca a e ização dos es udos incluídos na e isão sis emá ica (n=22)
Au o (es ), an o d e
p u b lic ação e
Re is a/Jo n al
País d e
p u b lic ação
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exu al
acili ada pela enologia
Ob je i os d o es u d o
Des ign
d o Es ud o
Abo isade (2022) -
Sexuali y Resea ch and
Social Policy
Nigé ia
N=27; géne o F=27; 16-45 anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa a expe iência das í imas de abuso
sexual baseado em imagens (pe ceções, elação
com o pe pe ado , impac o e es a égias de
coping
)
Quali a i o (en e is as)
Ea on e al. (2021) -
T auma, Violence &
Abuse
Es ados Unidos
da Amé ica
366 a igos de no ícias dos
mass
media
Po nog a ia não
consensual
A alia as es a égias de abuso da oda do pode
e do con olo u ilizadas pelos pe pe ado es
Quali a i o (análise de
con eúdo)
Eek-Ka lsson e al.
(2022) -
Sexuali y &
Cul u e
Suécia
N= 28; géne o F=28; 11-18 anos
Assédio sexual
(online e
o line)
Analisa as expe iências das í imas e as
es a égias de
coping
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hasino (2017) -
In e na ional Jou nal o
Cybe C iminology
Es ados Unidos
da Amé ica
A igos de no ícias e en e is as dos
mass
media
Sex ing
não consensual
Analisa o discu so socia e o enquad amen o
legal de um caso
Quali a i o (es udo de
caso/ análise de discu so)
Hen y e al. (2022) -
Violence Agains
Women
Aus ália, No a
Zelândia e
Reino Unido
N= 30; géne o F=29, géne o di e so= 1; 18-
40+ anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa as expe iências das í imas, pe ceções e
mo i ações dos pe pe ado es, num con ex o de
elacionamen o ín imo ou de u u a
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hen y e al. (2022) -
C iminology & C iminal
Jus ice
No a Zelândia
N= 25; géne o F=23, M=1 e “sem
géne o”=1; 18-50+ anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa as expe iências das í imas, impac o e
as espos as legais exis en es
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hube (2022) -
In e na ional Re iew o
Vic imology
Reino Unido
N=17; géne o F=17; 19-46 anos (no
momen o da en e is a)
Abuso sexual baseado
em imagens
Examina as expe iências das í imas o impac o
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
(con inua na página seguin e)
21
Au o (es), ano de
p ublicação e
Re is a/Jo nal
País
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exu al
acili ad a p elas
ec n ologias
Ob je i os
Design
Johansen e al. (2019)
-
Cul u e, Heal h &
Sexuali y
Dinama ca
N= 90; géne o F=52, M=38, 15-27 anos
Pa ilha não consensual
de
nudes
Comp eende as dinâmicas associadas à pa ilha
não consensual de
nudes
, como uma o ma de
isual gossip,
em jo ens dinama queses e as
suas pe ceções, à luz da eo ia de Me y, 1997
Quali a i o (
ocus g oup
e
en e is as)
Lippman & Campbell
(2014) -
Jou nal o
Child en and Media
Es ados Unidos
da Amé ica
N=51; géne o F=25, M=26; 12-18 anos
(M=14.55, DP=1.83)
Sex ing
não consensual
Comp eende as mo i ações, pe ceções,
di e enças de géne o e de idade, em
adolescen es
Quali a i o (
ocus g oup
e
ques ioná ios)
Meehan (2022) -
Sexuali ies
No a Zelândia
N= 106; 12-16 anos
Sex ing
: Consen imen o,
c iação e pa ilha de
imagens ín imas
Analisa a pe ceção dos jo ens ace ca do
consen imen o pa a a c iação e pa ilha de
imagens ín imas
Quali a i o (en e is as em
g upo)
Mo ensen (2020) -
Socie y o Media
esea che s In
Denma k
Dinama ca
N=3
Ag essão sexual digi al
Explo a as expe iências e comp eende o papel
do con ex o público e social pa a a e gonha e as
es a égias de
coping
u ilizadas
Quali a i o
Naeze & Oos e hou b
(2021) -
Jou nal o
Gende S udies
Países Baixos
N=21; 15 pe pe ado es, géne o F=9 M=6;
4
bys ande s
, géne o F=2 M=2; 2 i imas,
géne o F=2; 15-21 anos na al u a da
en e is a; (14-18 anos no momen o do
abuso)
Sex ing
: Pa ilha não
consensual de imagem
Explo a o enómeno da pa ilha não consensual
de imagem, especialmen e, as mo i ações dos
pe pe ado es
Quali a i o (en e is as)
Pe y e al. (2022) –
Young
Canadá
N=115, géne o F=67 e M=48; 13-19 anos
(M= 15)
Sex ing
não consensual
Explo a as expe iências, mo i ações e
signi icados que os jo ens a ibuem ao
sex ing
e
aos iscos que co em
online
Quali a i o (
ocus g oup
)
Powell e al. (2022) -
Jou nal o
In e pe sonal Violence
Aus ália,
No a Zelândia e
Reino Unido
N=6162, géne o F=3 181, M=2 928,
ansgéne o= 26 e não biná io= 27; (M=
39.02; DP =13.47); 16-64 anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Explo a a pe pe ação, analisando di e enças de
géne o, o ipo de elação en e í ima e
pe pe ado e as ca a e ís icas que es ão
co elacionadas com a pe pe ação
Quan i a i o desc i i o
(con inua na página seguin e)
22
Au o (es), ano de
p ublicação e
Re is a/Jo nal
País
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exual
acili ada pela ecnologia
Ob je i os
Design
Reed e al. (2019) -
Jou nal o Adolescence
Es ados Unidos
da Amé ica
N=159; géne o F=159; 15-19 anos
Assédio sexual
online
A alia e desc e e a p e alência, os
pe pe ado es e impac o
Quan i a i o desc i i o
Reed e al. (2020) -
Child en and You h
Se ices Re iew
Es ados Unidos
da Amé ica
N=262; géne o F= 57.1%, M=42.5%, ou o=
0.4%; 14-18 anos
Abuso digi al no namo o
Analisa as pe ceções dos jo ens ace ca das
suas pio es expe iências de abuso digi al no
namo o e se exis em di e enças de géne o
Mé odos mis os
Rey e al. (2021) -
Psico hema
Espanha
N= 1 362, géne o F=51.1% e M=48.9%; 12-
18 anos (M=14,28; DP=1,50)
Sex ing
não consensual
Desen ol e e alida um ques ioná io e explo a
di e enças de géne o no ins umen o
Quan i a i o desc i i o
Ridde (2019) -
Eu opean Jou nal o
Cul u al S udies
Bélgica
N=38; 15-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a as pe ceções dos jo ens ace ca do
sex ing
Quali a i o (
ocus g oup
)
Se y (2019) -
Sex
Roles
Ingla e a
N=41; géne o F= 16, M=23 e géne o
luido= 2; 14-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a as p á icas e pe ceções dos jo ens
ace ca do
sex ing,
signi icado social e no mas
cul u ais associados ao géne o e às implicações
da p á ica de
sex ing
Quali a i o (en e is as
semies u u adas de
g upo e indi iduais)
Se y (2020) -
Jou nal
o You h S udies
Ingla e a
N=41; géne o F= 16, M=23 e géne o
luido= 2; 14-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a pe cepções ela i amen e ao isco,
impac o e pad ões de géne o
Quali a i o (en e is as)
Van Ouy sel e al.
(2017) -
Jou nal o
You h S udies
Bélgica
N=57; géne o F=38 e M=19; 15-18 anos
Sex ing
não consensual
Analisa pe ceções dos adolescen es (i.e meios,
mo i ações e consequências)
Quali a i o (
ocus g oup
)
Walke e al. (2013) -
Jou nal o Adolescen
Heal h
Aus ália
N= 33; géne o F=18 e M=15; 15-20 anos
Sex ing
não consensual
Analisa as pe ceções dos adolescen es
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
23
P incipais esul ados
Apenas um es udo abo dou exclusi amen e o con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo
(Hasino , 2017), sendo que os es an es in eg a am, ambém, ou os con ex os (e.g. elacionamen o ín imo,
amizade, en e ou os). Na abela 3 encon am-se os p incipais esul ados dos es udos num con ex o de u u a
de um elacionamen o ín imo Os esul ados dos es udos cuja amos a inclui ou as populações além dos
adolescen es encon am-se ma cados, nas abelas, com as e isco (quando não é possí el isola os esul ados
pa a essa população nesses mesmos es udos).
P incipais esul ados dos es udos num con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo
Focando no con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo, es es es udos o necem esul ados
ela i amen e à p e alência (n=2), mo i ações (n=5), impac o (n=2), es a égias de
coping
(n=2), pe ceções
(n=10), e, ainda, ou os esul ados (n=2).
Conside ando a p e alência, e os compo amen os ela i os ao abuso sexual de imagens, e i icou-se
que: 24.2% dos adolescen es epo ou e sido al o de ameaças ela i as à dis ibuição das suas imagens
ín imas/sexuais, 21.6% de dis ibuição não consensual de imagens ín imas/sexuais e 17.8% de c iação de
imagens ín imas/sexuais sem o seu consen imen o (Powell e al., 2022). Pa alelamen e, Reed e al. (2019),
ocados no assédio sexual, cons a a am que 16.7% epo ou e sido al o de pa ilha não consensual de
imagens ín imas/sexuais, 10.3% de p essão pa a en ia uma o og a ia in ima/sexual, 9.4% de solici ações
sexuais indesejadas e 3.4% de mensagens ou o og a ias in imas/sexuais indesejadas.
Na pe spec i a das í imas, es es compo amen os ende am a se mo i ados po que o(a) ex-
pa cei o(a) in imo(a) ambiciona a exe ce pode e con olo (Hen y e al., 2022), puni , humilha , en e gonha
(Hen y e al., 2022; Hen y e al., 2022), in imida (Hen y e al., 2022), man e a elação de in imidade ou
e i a o seu é mino (Hen y e al., 2022; Johansen e al., 2019), inga -se (Naeze & Oos e hou b (2021), ou
“ e ibui ” pelo é mino des a (Abo isade, 2022; Hen y e al., 2022).
Na sequência deses compo amen os, á ias consequências psicossociais o am epo adas: baixa
au o-es ima, pe da de con iança, sen imen os de inu ilidade, isolamen o, a u u a de elações sociais (Hube ,
2022) e e gonha (in ensi icada pelo con ex o em que as imagens o am dis ibuídas, a amília) (Mo ensen,
2020). Impo a que, po exemplo, o es udo de Reed e al. (2020), cons a ou que se al o de insul os ela i os
à sexualidade, como o ma de e aliação pelo é mino, oi conside ada uma das pio es expe iências de
iolência pelos adolescen es.
30
Discussão
A p esen e e isão sis emá ica p ocu ou analisa a iolência sexual acili ada pela ecnologia em
adolescen es, num con ex o de u u a elacional, nomeadamen e, a sua p e alência, as mo i ações, o
impac o, as es a égias de coping e as pe cepções, dos adolescen es í imas des e enómeno, sendo que os
esul ados ob idos e elam uma ealidade com uma dimensão p eocupan e.
Uma das p incipais conclusões é a quan idade limi ada de in es igação sob e o ema, uma ez que,
nes a e isão sis emá ica o am incluídos 22 es udos, mas apenas um se ocou exclusi amen e no con ex o de
u u a elacional (Hasino , 2017) sublinhando que é necessá io um maio econhecimen o e in es imen o da
comunidade cien í ica nes a emá ica.
Pa a além de escasso, o in e esse da comunidade cien í ica pa ece, ambém, se mui o ecen e, com
uma g ande pa e dos es udos es udos a se em publicados no ano 2022. Se, po um lado, al demons a a
con empo aneidade des e ema, po ou o, é igualmen e expec á el, endo em con a que o uso das TIC po
pa e dos adolescen es em indo a aumen a signi ica i amen e nos úl imos anos (Dienlin & Johannes, 2020;
Pon e & Simões, 2019; Smahel e al., 2020; Vogels e al., 2022).
Adicionalmen e cons a a-se que, enquan o obje o de es udo, assume maio isibilidade nos
con inen es Ame icano e Eu opeu. Na o igem des e ac o podem es a á ias explicações, seja o
desen ol imen o ecnológico que assume uma posição de des aque nes es con inen es ou, e en ualmen e,
uma maio consciencialização pa a es as p oblemá icas. Impo a, ambém, e o ça que em Po ugal, o
in es imen o cien í ico nes e domínio pa ece inexis en e, e que o econhecimen o legal de alguns des es
compo amen os é, ambém, mui o ecen e (e.g. Lei n. º26/2023 de 30 de Maio).
A iolência sexual acili ada pela ecnologia pode comp eende á ios compo amen os, sendo que a
maio ia dos es udos p i ilegiou a análise do
sex ing
e abuso sexual baseado em imagens (e.g. Lippman &
Campbell, 2014 e Hube , 2022), des acando a necessidade de um maio econhecimen o sob e enómenos
como o assédio,
sex o ion,
en e ou os. Po exemplo, o es udo de Wolak e al. (2018) e a a que a maio ia
dos pe pe ado es de
sex o ion
são pa cei os(as) ín imos a uais ou ex-pa cei os(as) ín imos. Além disoso,
conclui-se que nos 22 es udos incluídos, não a as ezes, os compo amen os que ca a e iza am o enómeno
e am os mesmos, ainda que a denominação osse di e en e. Se es a he e ogeneidade conce ual pode ajuda a
comp eende o enómeno de o ma ampla e exaus i a, pode ambém in iabiliza a possibilidade de ob e um
e a o idedigno da sua ex ensão, dinâmicas e impac o, o que nos pe mi i ia delinea es a égias de p e enção
e in e enção e e i as (e.g. McGlynn & Rackley, 2017; Pa el & Roesch, 2022).
As axas de p e alência sob e a iolência sexual acili ada pela ecnologia, ela adas nos es udos e
associadas ao con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo e a am que as í imas o am ex-pa cei os,

31
nos seguin es compo amen os: ameaça dis ibui as imagens ín imas/sexuais (24.2%), dis ibuição não
consensual de imagens ín imas/sexuais (21.6%) e i a /c ia imagens ín imas/sexuais sem consen imen o
(17.8%) (Powell e al., 2022). O es udo de Reed e al. (2019) demons ou que 6.4% das í imas ela a am que
o seu pe pe ado se encaixa a na ca ego ia “ou o”, sendo que a maio ia des as ela ou que se ia um ex-
pa cei o(a) ín imo(a). Des as 16.7% epo ou e sido al o de pa ilha não consensual de imagens
ín imas/sexuais, 10.3% de p essão pa a en ia uma o og a ia ín ima/sexual, 9.4% de solici ações sexuais
indesejadas e 3.4% de mensagens ou o og a ias ín imas/sexuais indesejadas. Es es esul ados suge em que
poucos es udos p ocu am analisa as axas de p e alência dis inguindo-as pa a os di e en es con ex os em
que a iolência sexual acili ada pela ecnologia pode oco e (e.g. con ex o de amizade, elação ín ima, u u a
de elacionamen o ín imo, desconhecidos, en e ou os) Con udo, os es udos de Powell e al. (2022) e Reed e
al. (2019) e idenciam núme os conside á eis de ex-pa cei os como pe pe ado es/ í imas, sublinhando a
oco ência da iolência sexual acili ada pela ecnologia no con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo.
Não obs an e, os ques ioná ios de au o ela o acabam po es a sujei os às in e p e ações que cada pa icipan e
az ace ca das ques ões, além de que es es podem esponde de aco do com aquilo que é desejá el
socialmen e e es es a o es podem con ibui pa a alguma a iabilidade nes as axas de p e alência.
Di e sos es udos apon am como mo i ação pa a a p á ica da iolência sexual acili ada pela
ecnologia a ingança pelo é mino da elação, exis indo a é a denominação “po nog a ia de ingança” (Dodge,
2021; Walke & Slea h, 2017). Po ém, nes a e isão sis emá ica e i ica-se que apenas um es udo se ocou
exclusi amen e nesse con ex o. Tal pode de e -se ao ac o de ecen emen e os es udos apon a em ou as
mo i ações além dessa (e.g. e o ço social) e ambém ou os con ex os pa a a oco ência da iolência sexual
acili ada pela ecnologia (e.g. con ex o de amizade; Hen y e al., 2019; Walke & Slea h, 2017) e al ez po
esse mo i o, a maio ia dos es udos incluídos nes a e isão e e uma abo dagem as a, incluindo di e sos
con ex os (e.g. Reed e al., 2019). Assim, es a e isão sis emá ica ambém e i icou que o é mino do
elacionamen o pa ece po si só o igina a iolência sexual acili ada pela ecnologia (Abo isade, 2022). No
en an o, mo i ações como punição, humilhação, e ibuição, en a i a de manu enção do elacionamen o,
in imidação ou exe cício de pode e de con olo e idenciam que, mesmo nes e con ex o, as mo i ações dos
pe pe ado es não se esgo am na ingança.
Quan o ao impac o psicossocial da iolência sexual acili ada pela ecnologia nas í imas, no con ex o
de u u a de um elacionamen o ín imo, os es udos desc e em um impac o in enso e signi ica i o em e mos
psicológicos (baixa au o-es ima, sen imen os de inu ilidade), elacionais (pe da de con iança, isolamen o e
u u a de elações sociais) (e.g. Hube , 2022) e de es igma ização ( e gonha, in ensi icada pelo con ex o em
que as imagens o am dis ibuídas, a amília) (Mo ensen, 2020). Es es esul ados são análogos aos
32
encon ados nos di e sos enómenos ab angidos pela iolência sexual acili ada pela ecnologia que incluem
ambém ou os con ex os (e.g. con ex o de elações de in imidade, amizade, en e ou os) (Mandau, 2021;
Pa el & Roesch, 2022), pese embo a, nes e domínio ela i o ao impac o, seja necessá ia maio in es igação e
escla ecimen o cien í ico, nomeadamen e, sob e a o es de isco (e.g. g a idade, du ação) e de p o eção (e.g.
coping
) ace a um maio impac o.
Dois dos es udos incluídos nes a e isão sis emá ica demons a am ambém a exis ência de algumas
es a égias de
coping
u ilizadas pelos adolescen es pa a lida com a iolência sexual acili ada pela ecnologia
nes e con ex o, es ando em es udo conc e amen e os enómenos de assédio sexual
online
e ag essão sexual
digi al (sob a o ma de pa ilha não consensual de imagens ín imas) (Eek-Ka lsson e al., 2022; Mo ensen,
2020). Essas es a égias consis i am em e i a ou no maliza o p oblema (Eek-Ka lsson e al., 2022;
Mo ensen, 2020) e/ou e p ocu ado ajuda jun o de au o idades policiais ou judiciais (Mo ensen, 2020).
Tendo em con a que es as es a égias deco em de compo amen os
online
, pa ecem ap esen a -se como
ajus adas à o ma como jo ens podem lida com es as si uações e, com e ei o, ap esen am-se como e icazes
pa a os pa icipan es que as elencam. Po ém, do que nos oi possí el apu a , a li e a u a não em ainda dado
mui o des aque a es e domínio, sendo poucos os es udos que analisam es a égias de
coping
pa a a iolência
sexual acili ada pela ecnologia e não se ocando exclusi amen e nem no con ex o de u u a, nem na
população adolescen e (e.g. O’Malley, 2023). De qualque o ma, p ocu a uma espos a mul idisciplina e
ab angen e, incluindo es a égias como p ocu a apoio jun o da sua ede social ou p ocu a ajuda de um
p o issional da á ea da saúde men al o am já epo adas como equen es (e.g. O’Malley, 2023; Sca duzio e
al., 2018) e, no nosso es udo, al não se apu ou. Po ou as pala as, é impo an e assumi -se uma ação
conce ada pa a se lida com es es enómenos, incluindo p opo ciona o apoio especializado a ní el
psicológico e ju ídico às í imas (e.g. in o mação sob e di ei os e p ese ação das p o as, acili a os
mecanismos de denúncia e de p o eção).
As pe ceções dos adolescen es ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia p endem-se
essencialmen e com o ac o de es es conside a em a p á ica de cada enómeno, ainda que de o ma
consensual, po um lado, um isco pa a o cibe abuso no momen o da u u a, ou en ão como algo ine i á el,
com mo i ações como a ingança, ameaça ou chan agem (Lippman & Campbell, 2014; Meehan, 2022; Pe y
e al., 2022; Ridde , 2019; Van Ouy sel e al., 2017; Walke e al., 2013). O a, sendo que, e e i amen e uma
das mo i ações ap esen adas na li e a u a sob e es e ema é a ingança aquando do é mino (Walke &
Slea h, 2017), e que comummen e su gem no ícias na comunicação social dando con a que ex-pa cei os
dis ibuí am o og a ias ou ídeos ín imos como o ma de ingança ou e aliação (McGlynn & Rackley, 2017),
o na-se expec á el que os jo ens de enham essa mesma pe ceção que os es udos documen am.
33
De o ma ge al, es a e isão sis emá ica pe mi iu escla ece a a ualidade des a emá ica e a
necessidade de mais es udos abo da em, de o ma independen e, os di e en es con ex os em que a iolência
sexual acili ada pela ecnologia oco e, pa a que se possam dis ingui , iden i ica e en uais di e enças e assim
con ibui pa a uma maio comp eensão dos enómenos adap ados a cada con ex o.
Toda ia, es a e isão sis emá ica em ambém limi ações. P imei amen e, um dos c i é ios de
inclusão oi os es udos e em sido publicados em po uguês, inglês ou espanhol, o nando-se uma limi ação de
idioma que pode signi ica ambém uma es ição às di e en es pe spe i as cul u ais exis en es. Além disso,
o am incluídos es udos cuja amos a, apesa de inclui adolescen es incluía ambém jo ens adul os e/ou
adul os, o que complexi ica a a ibuição dos esul ados exis en es, pois não são dis inguidos po aixa e á ia.
Tal ambém demons a a necessidade de pesquisas u u as pa a as di e en es populações, uma ez que,
es udos a uais indicam que os adolescen es e jo ens adul os são mais ulne á eis ou p opensos à i imação
pela iolência sexual acili ada pela ecnologia (Ea on e al., 2017; Lenha e al., 2016; Pa chin & Hinduja,
2020). Uma ou a limi ação elaciona-se com o ac o de apenas um es udo se e ocado exclusi amen e em
analisa o con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo, sendo que os es an es incluí am ambém ou os
con ex os. Ademais, a a aliação do isco de iés e da qualidade me odológica é um p ocesso que
necessa iamen e en ol e alguma subje i idade e que deixa ambém a descobe o algumas limi ações nos
es udos incluídos.
Conclusões e Implicações
A iolência sexual acili ada pela ecnologia no con ex o pós- u u a a igu a-se como um p oblema
social g a e e ele an e, me ecedo de a enção po si mesmo, não só de ido à ele ada p e alência, como
ambém, às di e en es mo i ações que lhe es ão associadas, (in)adequadas es a égias de coping e po enciais
consequências ne as as que implica.
A p esen e e isão sis emá ica ap esen a-se como um pon o de pa ida pa a a comp eensão des e
enómeno, sendo no ó ia a necessidade de uma ação mul i ace ada, en ol endo os adolescen es (como
po enciais í imas, pe pe ado es e/ou
bys ande s
), as suas amílias e a sociedade em que se inse em, no
comba e a es a p oblemá ica. O a, os pais podem assumi uma pos u a mais pa icipa i a e de maio
disponibilidade ela i amen e às a i idades digi ais dos ilhos, supe isionando-as. Po sua ez, o meio em que
os adolescen es se inse em em ambém um papel p eponde an e, a sabe : a educação nas escolas pode
o ma as c ianças e adolescen es pa a a p i acidade, a li e acia e a segu ança digi al, p omo e ações de
sensibilização ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia; os p o issionais da á ea da saúde men al,
a endendo às axas de p e alência e ao impac o e a ados nes a e isão, de em es a p epa ados pa a apoia
34
e in e i , seja no âmbi o da p e enção p imá ia, segundá ia ou e ciá ia; na ação mul isse o ial (e.g. emp esas
de ecnologia), no desen ol imen o de p á icas que pe mi am a de eção p ecoce e a denúncia des e ipo de
enómenos; e, na es e a polí ica, des aca-se a u gência de que a legislação acompanhe o a anço ecnológico
e, conc e amen e, o cibe c ime, pa a um comba e e e i o a es a p oblemá ica a a és de meios legisla i os,
an o a ní el nacional como in e nacional, que p o ejam as í imas e esponsabilizem os pe pe ado es. Um
bom exemplo disso em Po ugal é a mui o ecen e lei nº. 26/2023 que e o ça a p o eção das í imas de
c imes de disseminação não consensual de con eúdos ín imos (e.g. po nog a ia de ingança). O comba e
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h ps://doi.o g/10.1007/s10964-013-9922-8