Full text
U ni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana Filipa Rosa
Adolescência e Violência Sexual Facili ada
pela Tecnologia Pós-Ru u a Relacional:
Re isão Sis emá ica
junho de 2023
Adolescência e Violência Sexual Facili ada pela
Tecnologia Pós -Ru u a Relacional: Re isão Sis emá ica
Ana Filipa Rosa
UMinho | 2023
U ni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana Filipa Rosa
Adolescência e Violência Sexual Facili ada
pela Tecnologia Pós-Ru u a Relacional:
Re isão Sis emá ica
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Psicologia da Jus iça
T abalho e e uado sob a o ien ação da
P o esso a Dou o a Ma lene Ma os
junho de 2023
ii
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas
p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-
SemDe i ações CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
Uni e sidade do Minho, 05 de junho de 2023,
(Ana Filipa Amo im Rosa)
iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à
p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em
nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
Uni e sidade do Minho, 05 de junho de 2023,
(Ana Filipa Amo im Rosa)
i
Ag adecimen os
À minha o ien ado a P o esso a Dou o a Ma lene Ma os ag adeço odo o conhecimen o, disponibilidade,
suges ões de melho ia e con iança em mim deposi ada. À D a. Ma ia Vale oda a pa ilha de conhecimen o,
e lexão c i ica, dedicação, supo e e mo i ação. A ambas ag adeço po me acompanha em nes e pe cu so
o ma i o, desa ian e e de g ande ap endizagem, e po me enco aja em ao longo des e caminho.
Aos colegas da equipa de in es igação ag adeço as c í icas cons u i as e alen o.
A oda a minha amília ag adeço o ânimo e apoio que semp e me de am. Em pa icula , aos meus pais e
à minha i mã, po me da em as condições pa a que pudesse aze es e pe cu so, po me incen i a em e po me
ampa a em em odos os momen os.
Às minhas amigas, Ana, Ca a ina e Zaida ag adeço po me acompanha em nes es cinco anos, pela
amizade, di e são e companhei ismo.
Ao Miguel, po oda a paciência, comp eensão e o ça, e po ac edi a em mim, mesmo quando eu não
ac edi o.
Po im, o meu mais since o ob igada, a odos quan os pe mi i am a conclusão des a e apa e me auxiliam
ao longo do meu pe cu so.
Índice
índice ......................................................................................................................... V
Resumo......................................................................................................................VII
Abs ac ..................................................................................................................... VIII
In odução .................................................................................................................... 9
Me odologia ................................................................................................................ 11
I. ESTRATÉGIAS DE PESQUISA E ESTUDO ................................................................................................. 12
II. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO................................................................................................. 12
III. IDENTIFICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS DADOS ............................................................................................. 13
IV. QUALIDADE METODOLÓGICA E RISCO DE VIÉS ........................................................................................ 13
Resul ados ................................................................................................................. 14
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA E RISCO DE VIÉS .............................................................................. 14
ANO E REVISTA DE PUBLICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO............................................................................................. 14
CARATERÍSTICAS DA AMOSTRA ................................................................................................................. 15
TIPO DE VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA PELA TECNOLOGIA E OBJETIVOS ................................................................. 15
PRINCIPAIS RESULTADOS ....................................................................................................................... 23
PRINCIPAIS RESULTADOS DOS ESTUDOS NUM CONTEXTO DE RUTURA DE UM RELACIONAMENTO ÍNTIMO ..................... 23
Discussão .................................................................................................................. 30
CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES.................................................................................................................. 33
Re e ências Bibliog á icas: ................................................................................................ 35
Índice de igu as
Figu a 1- FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA .............................................. 17
i
Índice de abelas
Tabela 1 – AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA DOS ESTUDOS INCLUÍDOS ............................................. 18
Tabela 2 – CARATERIZAÇÃO DOS ESTUDOS INCLUÍDOS NA REVISÃO SISTEMÁTICA (n=22) ................................... 20
Tabela 3 –PRINCIPAIS RESULTADOS DOS ESTUDOS INCLUÍDOS NA REVISÃO SISTEMÁTICA EM CONTEXTO DE RUTURA DE UM
RELACIONAMENTO ÍNTIMO.................................................................................................................. 25
ii
ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA SEXUAL FACILITADA PELA TECNOLOGIA PÓS- RUTURA RELAC IONAL: REVISÃO
SISTEMÁTICA
Resumo
Os adolescen es u ilizam os disposi i os ecnológicos que êm ao seu dispo pa a es abelece
elacionamen os ín imos. Es e con ex o possibili a a iolência nas elações de in imidade, nomeadamen e, a
iolência sexual, in eg ada num concei o amplo que se e e e à iolência sexual acili ada pela ecnologia, a qual
engloba ambém ou os enómenos (e.g.
sex ing
). Es e es udo que ealizamos consis e numa e isão sis emá ica
da li e a u a, com o obje i o de iden i ica in es igações ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia em
adolescen es í imas, no con ex o especí ico de u u a de um elacionamen o ín imo. Seguindo as di e izes
PRISMA, o am ealizadas pesquisas, em dezemb o de 2022, em se e bases ele ónicas pa a a inclusão de
es udos quan i a i os, quali a i os, ou mis os, publicados em Po uguês, Espanhol ou Inglês, sendo que 22 o am
conside ados elegí eis. A maio ia oi publicada mui o ecen emen e (no ano 2022) e desen ol idos na Eu opa. Os
es udos e a am a p e alência, mo i ações, impac o, pe cepções, es a égias de
coping
e ou os esul ados, no
con ex o de u u a de elacionamen o. De o ma ge al, os esul ados espelham a a ualidade do ema e a
necessidade de maio in es imen o cien í ico pa a os di e en es con ex os em que a iolência sexual acili ada pela
ecnologia oco e, nomeadamen e na população adolescen e. Implicações pa a a p á ica pa a in es igações
u u as são discu idas.
Pala as-cha e:
Re isão Sis emá ica, Adolescen es, Violência Sexual Facili ada pela Tecnologia, Ru u a
Relacional
14
Ince eza ou desaco do nes as ases oi esol ida po consenso e, se não osse possí el oma uma decisão,
podia se consul ado um e cei o e iso independen e.
Resul ados
Da pesquisa nas bases de dados esul a am 4110 es udos, dos quais 441 e am duplicados e o am
consequen emen e eliminados. Assim, 3669 o am selecionados, com base no í ulo, esumo e pala as-
cha e, pa a a análise da elegibilidade. Des a análise, 3625 o am excluídos po que os c i é ios de inclusão não
o am cump idos. Como esul ado, 44 es udos o am selecionados pa a a lei u a in eg al, 17 o am incluídos e
27 o am excluídos po ês mo i os: a sua amos a não incluiu adolescen es, o es udo não abo dou iolência
sexual acili ada pela ecnologia ou o es udo não in eg ou o con ex o de u u a elacional. Cinco es udos o am
adicionados a a és do p ocedimen o de busca manual. Em suma, 22 es udos o am incluídos nes a e isão e
os dados que o am ex aídos de cada um deles encon am-se na abela 2. Os es udos incluídos o am
assinalados com um “*” na secção de e e ências. A Figu a 1 ap esen a uma desc ição do PRISMA,
disc iminando o p ocesso de iden i icação, selecção, elegibilidade e inclusão.
A aliação da qualidade me odológica e isco de iés
P edominan emen e, os es udos ap esen am uma me odologia quali a i a (n=18) (e.g. Abo isade,
2022 e Walke e al., 2013), seguido de ês es udos quan i a i os desc i i os (e.g. Rey e al., 2021) e um com
mé odos mis os (Reed e al., 2020). A a aliação da qualidade e elou que dezano e es udos a ende am a
100% dos c i é ios de qualidade (e.g. Abo isade, 2022) e ês es udos a ende am a 60% desses c i é ios (Reed
e al., 2019; Reed e al., 2020; Rey e al., 2021). Os c i é ios que esul a am em indicado es de a aliação
global mais baixas incluí am a al a de ep esen a i idade da amos a e a al a de in o mação ela i a ao iés
de “não espos a”. O índice de aco do e elou uma conco dância ele ada en e os e iso es, de 0.90. A
a aliação de alhada de qualidade de cada c i é io e o índice de qualidade global dos es udos incluídos es ão
ep esen ados na abela 1.
Ano e Re is a de Publicação e Localização
Os es udos o am publicados en e o ano 2013 e 2022. O ano em que mais es udos o am
publicados oi 2022 (n=8) (Abo isade, 2022; Eek-Ka lsson e al., 2022¸ Hen y e al., 2022; Hen y e al.,
2022; Hube , 2022; Meehan, 2022; Pe y e al., 2022; Powell e al., 2022), seguido do ano 2019 (n=4)
(Johansen e al., 2019; Reed e al., 2019; Ridde , 2019; Se y, 2019). A maio pa e dos es udos oi ealizada
na Eu opa (n=10), nomeadamen e na Bélgica (n=2) (Ridde , 2019; Van Ouy sel e al., 2017), Dinama ca
(n=2) (Johansen e al., 2019; Mo ensen, 2020), Espanha (n=1) (Rey e al., 2021), Ingla e a (n=2) (Se y,
2019; Se y, 2020), Países Baixos (n=1) (Naeze & Oos e hou b, 2021), Reino Unido (n=1) (Hube , 2022) e
15
Suécia (n=1) (Eek-Ka lsson e al., 2022), seguindo-se a Amé ica (n=6), conc e amen e Es ados Unidos da
Amé ica (n=5) (Ea on e al., 2021; Hasino , 2017; Lippman & Campbell, 2014; Reed e al., 2019; Reed e al.,
2020) e Canadá (n=1) (Pe y e al., 2022). Segue-se a Oceânia (n=3) onde os es udos se ealiza am na
Aus ália (n=1) (Walke e al., 2013) e na No a Zelândia (n=2) (Hen y e al., 2022; Meehan, 2022). Dois
es udos são anscul u ais e o am ealizados na Aus ália, Reino Unido e No a Zelândia (Hen y e al., 2022;
Powell e al., 2022). Maio i a iamen e, os es udos o am publicados em jo nais e e is as cien í icas que
e sam sob e a adolescência e ju en ude (e.g. Reed e al., 2019), iolência in e pessoal (e.g. Powell w al.,
2022), i imologia (e.g. Hube , 2022) e sexualidade (e.g. Meehan, 2022).
Ca a e ís icas da amos a
Os es udos ab ange am 21 amos as independen es, uma ez que, dois eco e am à mesma
amos a (Se y, 2019; Se y, 2020). O amanho das amos as a iou en e 3 (Mo ensen, 2020) e 6162
pa icipan es (Powell e al., 2022). A idade dos pa icipan es a iou en e os 11 anos (e.g. Eek-Ka lsson e al.,
2022) e os 64 anos (e.g. Powell e al., 2022). Na maio ia dos es udos (n=12) os pa icipan es encon a am-
se numa aixa e á ia en e os 11 e os 20 anos. Impo a des aca que, o am incluídos es udos que
ab angiam amos as de jo ens adul os ou adul os quando a expe iência de abuso e a e ospe i a (e.g.
Naeze & Oos e hou b, 2021) ou o es udo con empla a um g ande espe o de idades (e.g. Powell e al.,
2022).
A maio ia das amos as e a mis a em e mos de géne o, endo pa icipan es que se iden i ica am
com o géne o eminino, masculino ou ou o (e.g. Powell e al., 2022). Algumas amos as (n=5) e am
exclusi amen e compos as po pa icipan es que se iden i ica am com o géne o eminino (e.g. Reed e al.,
2019). Dois es udos não menciona am explici amen e o géne o dos pa icipan es (Meehan, 2022; Ridde ,
2019). Adicionalmen e, o am ainda incluídos dois es udos cujo obje o de análise o am no ícias ou a igos
de jo nal dos
mass media
(Ea on e al., 2021; Hasino , 2017).
Tipo de iolência sexual acili ada pela ecnologia e obje i os
A maio ia dos es udos abo dou o
sex ing
(n=11) (e.g. Lippman & Campbell, 2014) e abuso sexual
baseado em imagens (n=5) (e.g. Hube , 2022). Os es an es ela a am o assédio sexual (n=2) (Eek-Ka lsson
e al., 2022; Reed e al., 2019), po nog a ia não consensual (Ea on e al., 2021), pa ilha não consensual de
o og a ias ou ídeos ín imos/sexuais (
nudes)
(Johansen e al., 2019), ag essão sexual digi al (Mo ensen,
2020) e abuso digi al no namo o (Reed e al., 2020). Mesmo que a denominação u ilizada seja dis in a, não
a as ezes, incluia os mesmos compo amen os desc i os como ca ac e izado es do enómeno (e.g.
Abo isade, 2022 e Ea on e al., 2021).
16
Maio i a iamen e, os es udos analisa am as expe iências de i imação em e mos de pe ceções (e.g.
Ridde , 2019), mo i ações (e.g. Hen y e al., 2022), es a égias de
coping
(e.g. Mo ensen, 2020) e. impac o
(e.g. Hube , 2022)). Ou os es udos inham ainda o obje i o de aze uma análise ao enquad amen o legal
(e.g. Hasino , 2017). Um es udo e e como p opósi o o desen ol imen o e alidação de um ques ioná io pa a
adolescen es ace ca do
sex ing
(Rey e al., 2021).
Alguns es udos (n=4) analisa am ambém os pe pe ado es, o necendo conjun amen e dados
ele an es sob e as expe iências de i imação como, po exemplo, sob e a p e alência (Reed e al., 2019) e
sob e a elação i ima-pe pe ado (e.g. Powell e al., 2022).
17
Figu a 1
Fluxog ama do p ocesso da e isão sis emá ica da li e a u a.
No a
: Adap ado de Page, M. J., McKenzie, J. E., Bossuy , P. M., Bou on, I., Ho mann, T. C., Mul ow, C. D., Shamsee , L., Te zla , J. M., Akl, E. A., B ennan, S. E., Chou, R., Glan ille, J.,
G imshaw, J. M., H óbja sson, A., Lalu, M. M., Li, T., Lode , E. W., Mayo-Wilson, E., McDonald, S., … Mohe , D. (2021). The PRISMA 2020 s a emen : An upda ed guideline o epo ing
sys ema ic e iews.
Jou nal o Clinical Epidemiology, 134
, 178–189. h ps://doi.o g/10.1016/j.jclinepi.2021.03.001
Es udos iden i icados a a és de
bases de dados ele ónicas:
(n = 4110)
Es udos emo idos po
se em duplicados:
(n = 441)
Es udos após os duplicados se em
emo idos:
(n = 3669)
Es udos lidos in eg almen e:
(n=44)
Es udos excluídos pela lei u a de
í ulos, pala as-cha e e esumos:
(n=3625)
(n = )
Es udos excluídos (n=27):
a) amos a não inclui adolescen es: (n = 6)
b) não abo da a iolência sexual acili ada pela
ecnologia: (n=10)
c) não in eg a o con ex o de u u a elacional: (n=11)
Es udos iden i icados a a és de
pesquisa manual: (n=5)
Es udos incluídos na e isão
sis emá ica:
(n = 22)
Iden i icação
T iagem
Incluídos
Iden i icação dos es udos a a és das bases de dados
Iden i icação dos es udos a a és de ou os mé odos
18
Tabela 1
A aliação da qualidade me odológica dos es udos incluídos
Au o , Ano
T iagem
1
Quali a i o
2
Quan i a i o desc i i o
3
Mé odos Mis os
4
Índice de Qualidade
5
Q1
Q2
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Q1
Q2
Q3
Q4
Q5
Abo isade (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Ea on e al. (2021)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Eek-Ka lsson e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hasino (2017)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hen y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hen y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Hube (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Johansen e al. (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Lippman & Campbell (2014)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Meehan (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Mo ensen (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Naeze & Oos e hou b (2021)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Pe y e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Powell e al. (2022)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Reed e al. (2019)
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não sei
dize
Sim
***
Reed e al., (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
***
Rey e al. (2021)
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Não sei
dize
Sim
***
Ridde (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Se y (2019)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Se y (2020)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Van Ouy sel e al. (2017)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
Walke e al., (2013)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
*****
19
No a.
1
Ques ões de iagem. Q1 =As ques ões de in es igação são cla as?; Q2 =Os dados ecolhidos pe mi em abo da a ques ão de in es igação?.
2
Quali a i o. Q1 =A abo dagem quali a i a é adequada pa a esponde à ques ão de in es igação?; Q2 =O mé odo de ecolha de dados quali a i os é adequado pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q3 =Os esul ados de i am
adequadamen e dos dados ?;Q4 = A in e p e ação dos esul ados é su icien emen e undamen ada pelos dados?;Q5 = Exis e coe ência en e a on e dos dados quali a i os, ecolha, análise e in p e ação?.
3
Quan i a i o desc i i o. Q1 = A es a égia de amos agem é ele an e pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q2 = A amos a é ep esen a i a da população al o?; Q3 = As medidas são ap op iadas?; Q4 = O isco de iés de
“não espos a” é baixo?; Q5 = A análise es a ís ica é ap op iada pa a esponde à ques ão de in es igação?.
4
Mé odos Mis os. Q1 = Exis e uma jus i icação adequada pa a usa um
design
de mé odos mis os pa a abo da a ques ão de in es igação?; Q2 = As duas componen es do es udo es ão e e i amen e in eg adas pa a esponde à
ques ão de in es igação?; Q3 = Os esul ados da in eg ação das componen es quali a i a e quan i a i a são in e p e ados adequadamen e?; Q4 = As di e gências e inconsis ências en e esul ados quan i a i os e quali a i os são
adequadamen e a adas?; As di e en es componen es do es udo seguem os c i é ios de qualidade de cada adição dos mé odos en ol idos?.
5
Índice de qualidade. 1*= 20% dos c i é ios de qualidade cump idos; 2* ou 40% dos c i é ios de qualidade cump idos; 3*** ou 60% dos c i é ios de qualidade cump idos;; 4**** ou 80% dos c i é ios de qualidade cump idos;
5***** ou 100% dos c i é ios de qualidadecump idos.
20
Tab ela 2
Ca a e ização dos es udos incluídos na e isão sis emá ica (n=22)
Au o (es ), an o d e
p u b lic ação e
Re is a/Jo n al
País d e
p u b lic ação
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exu al
acili ada pela enologia
Ob je i os d o es u d o
Des ign
d o Es ud o
Abo isade (2022) -
Sexuali y Resea ch and
Social Policy
Nigé ia
N=27; géne o F=27; 16-45 anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa a expe iência das í imas de abuso
sexual baseado em imagens (pe ceções, elação
com o pe pe ado , impac o e es a égias de
coping
)
Quali a i o (en e is as)
Ea on e al. (2021) -
T auma, Violence &
Abuse
Es ados Unidos
da Amé ica
366 a igos de no ícias dos
mass
media
Po nog a ia não
consensual
A alia as es a égias de abuso da oda do pode
e do con olo u ilizadas pelos pe pe ado es
Quali a i o (análise de
con eúdo)
Eek-Ka lsson e al.
(2022) -
Sexuali y &
Cul u e
Suécia
N= 28; géne o F=28; 11-18 anos
Assédio sexual
(online e
o line)
Analisa as expe iências das í imas e as
es a égias de
coping
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hasino (2017) -
In e na ional Jou nal o
Cybe C iminology
Es ados Unidos
da Amé ica
A igos de no ícias e en e is as dos
mass
media
Sex ing
não consensual
Analisa o discu so socia e o enquad amen o
legal de um caso
Quali a i o (es udo de
caso/ análise de discu so)
Hen y e al. (2022) -
Violence Agains
Women
Aus ália, No a
Zelândia e
Reino Unido
N= 30; géne o F=29, géne o di e so= 1; 18-
40+ anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa as expe iências das í imas, pe ceções e
mo i ações dos pe pe ado es, num con ex o de
elacionamen o ín imo ou de u u a
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hen y e al. (2022) -
C iminology & C iminal
Jus ice
No a Zelândia
N= 25; géne o F=23, M=1 e “sem
géne o”=1; 18-50+ anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Analisa as expe iências das í imas, impac o e
as espos as legais exis en es
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
Hube (2022) -
In e na ional Re iew o
Vic imology
Reino Unido
N=17; géne o F=17; 19-46 anos (no
momen o da en e is a)
Abuso sexual baseado
em imagens
Examina as expe iências das í imas o impac o
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
(con inua na página seguin e)
21
Au o (es), ano de
p ublicação e
Re is a/Jo nal
País
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exu al
acili ad a p elas
ec n ologias
Ob je i os
Design
Johansen e al. (2019)
-
Cul u e, Heal h &
Sexuali y
Dinama ca
N= 90; géne o F=52, M=38, 15-27 anos
Pa ilha não consensual
de
nudes
Comp eende as dinâmicas associadas à pa ilha
não consensual de
nudes
, como uma o ma de
isual gossip,
em jo ens dinama queses e as
suas pe ceções, à luz da eo ia de Me y, 1997
Quali a i o (
ocus g oup
e
en e is as)
Lippman & Campbell
(2014) -
Jou nal o
Child en and Media
Es ados Unidos
da Amé ica
N=51; géne o F=25, M=26; 12-18 anos
(M=14.55, DP=1.83)
Sex ing
não consensual
Comp eende as mo i ações, pe ceções,
di e enças de géne o e de idade, em
adolescen es
Quali a i o (
ocus g oup
e
ques ioná ios)
Meehan (2022) -
Sexuali ies
No a Zelândia
N= 106; 12-16 anos
Sex ing
: Consen imen o,
c iação e pa ilha de
imagens ín imas
Analisa a pe ceção dos jo ens ace ca do
consen imen o pa a a c iação e pa ilha de
imagens ín imas
Quali a i o (en e is as em
g upo)
Mo ensen (2020) -
Socie y o Media
esea che s In
Denma k
Dinama ca
N=3
Ag essão sexual digi al
Explo a as expe iências e comp eende o papel
do con ex o público e social pa a a e gonha e as
es a égias de
coping
u ilizadas
Quali a i o
Naeze & Oos e hou b
(2021) -
Jou nal o
Gende S udies
Países Baixos
N=21; 15 pe pe ado es, géne o F=9 M=6;
4
bys ande s
, géne o F=2 M=2; 2 i imas,
géne o F=2; 15-21 anos na al u a da
en e is a; (14-18 anos no momen o do
abuso)
Sex ing
: Pa ilha não
consensual de imagem
Explo a o enómeno da pa ilha não consensual
de imagem, especialmen e, as mo i ações dos
pe pe ado es
Quali a i o (en e is as)
Pe y e al. (2022) –
Young
Canadá
N=115, géne o F=67 e M=48; 13-19 anos
(M= 15)
Sex ing
não consensual
Explo a as expe iências, mo i ações e
signi icados que os jo ens a ibuem ao
sex ing
e
aos iscos que co em
online
Quali a i o (
ocus g oup
)
Powell e al. (2022) -
Jou nal o
In e pe sonal Violence
Aus ália,
No a Zelândia e
Reino Unido
N=6162, géne o F=3 181, M=2 928,
ansgéne o= 26 e não biná io= 27; (M=
39.02; DP =13.47); 16-64 anos
Abuso sexual baseado
em imagens
Explo a a pe pe ação, analisando di e enças de
géne o, o ipo de elação en e í ima e
pe pe ado e as ca a e ís icas que es ão
co elacionadas com a pe pe ação
Quan i a i o desc i i o
(con inua na página seguin e)
22
Au o (es), ano de
p ublicação e
Re is a/Jo nal
País
Ca ac e ís ic as d a am os a
[N ; gén e o com o q u al s e id en i icam
(F eminino (F), Masculin o (M) ou ou o) e
aixa e á ia]
Tip o de iolência s exual
acili ada pela ecnologia
Ob je i os
Design
Reed e al. (2019) -
Jou nal o Adolescence
Es ados Unidos
da Amé ica
N=159; géne o F=159; 15-19 anos
Assédio sexual
online
A alia e desc e e a p e alência, os
pe pe ado es e impac o
Quan i a i o desc i i o
Reed e al. (2020) -
Child en and You h
Se ices Re iew
Es ados Unidos
da Amé ica
N=262; géne o F= 57.1%, M=42.5%, ou o=
0.4%; 14-18 anos
Abuso digi al no namo o
Analisa as pe ceções dos jo ens ace ca das
suas pio es expe iências de abuso digi al no
namo o e se exis em di e enças de géne o
Mé odos mis os
Rey e al. (2021) -
Psico hema
Espanha
N= 1 362, géne o F=51.1% e M=48.9%; 12-
18 anos (M=14,28; DP=1,50)
Sex ing
não consensual
Desen ol e e alida um ques ioná io e explo a
di e enças de géne o no ins umen o
Quan i a i o desc i i o
Ridde (2019) -
Eu opean Jou nal o
Cul u al S udies
Bélgica
N=38; 15-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a as pe ceções dos jo ens ace ca do
sex ing
Quali a i o (
ocus g oup
)
Se y (2019) -
Sex
Roles
Ingla e a
N=41; géne o F= 16, M=23 e géne o
luido= 2; 14-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a as p á icas e pe ceções dos jo ens
ace ca do
sex ing,
signi icado social e no mas
cul u ais associados ao géne o e às implicações
da p á ica de
sex ing
Quali a i o (en e is as
semies u u adas de
g upo e indi iduais)
Se y (2020) -
Jou nal
o You h S udies
Ingla e a
N=41; géne o F= 16, M=23 e géne o
luido= 2; 14-18 anos
Sex ing
não consensual
Explo a pe cepções ela i amen e ao isco,
impac o e pad ões de géne o
Quali a i o (en e is as)
Van Ouy sel e al.
(2017) -
Jou nal o
You h S udies
Bélgica
N=57; géne o F=38 e M=19; 15-18 anos
Sex ing
não consensual
Analisa pe ceções dos adolescen es (i.e meios,
mo i ações e consequências)
Quali a i o (
ocus g oup
)
Walke e al. (2013) -
Jou nal o Adolescen
Heal h
Aus ália
N= 33; géne o F=18 e M=15; 15-20 anos
Sex ing
não consensual
Analisa as pe ceções dos adolescen es
Quali a i o (en e is as
semies u u adas)
23
P incipais esul ados
Apenas um es udo abo dou exclusi amen e o con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo
(Hasino , 2017), sendo que os es an es in eg a am, ambém, ou os con ex os (e.g. elacionamen o ín imo,
amizade, en e ou os). Na abela 3 encon am-se os p incipais esul ados dos es udos num con ex o de u u a
de um elacionamen o ín imo Os esul ados dos es udos cuja amos a inclui ou as populações além dos
adolescen es encon am-se ma cados, nas abelas, com as e isco (quando não é possí el isola os esul ados
pa a essa população nesses mesmos es udos).
P incipais esul ados dos es udos num con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo
Focando no con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo, es es es udos o necem esul ados
ela i amen e à p e alência (n=2), mo i ações (n=5), impac o (n=2), es a égias de
coping
(n=2), pe ceções
(n=10), e, ainda, ou os esul ados (n=2).
Conside ando a p e alência, e os compo amen os ela i os ao abuso sexual de imagens, e i icou-se
que: 24.2% dos adolescen es epo ou e sido al o de ameaças ela i as à dis ibuição das suas imagens
ín imas/sexuais, 21.6% de dis ibuição não consensual de imagens ín imas/sexuais e 17.8% de c iação de
imagens ín imas/sexuais sem o seu consen imen o (Powell e al., 2022). Pa alelamen e, Reed e al. (2019),
ocados no assédio sexual, cons a a am que 16.7% epo ou e sido al o de pa ilha não consensual de
imagens ín imas/sexuais, 10.3% de p essão pa a en ia uma o og a ia in ima/sexual, 9.4% de solici ações
sexuais indesejadas e 3.4% de mensagens ou o og a ias in imas/sexuais indesejadas.
Na pe spec i a das í imas, es es compo amen os ende am a se mo i ados po que o(a) ex-
pa cei o(a) in imo(a) ambiciona a exe ce pode e con olo (Hen y e al., 2022), puni , humilha , en e gonha
(Hen y e al., 2022; Hen y e al., 2022), in imida (Hen y e al., 2022), man e a elação de in imidade ou
e i a o seu é mino (Hen y e al., 2022; Johansen e al., 2019), inga -se (Naeze & Oos e hou b (2021), ou
“ e ibui ” pelo é mino des a (Abo isade, 2022; Hen y e al., 2022).
Na sequência deses compo amen os, á ias consequências psicossociais o am epo adas: baixa
au o-es ima, pe da de con iança, sen imen os de inu ilidade, isolamen o, a u u a de elações sociais (Hube ,
2022) e e gonha (in ensi icada pelo con ex o em que as imagens o am dis ibuídas, a amília) (Mo ensen,
2020). Impo a que, po exemplo, o es udo de Reed e al. (2020), cons a ou que se al o de insul os ela i os
à sexualidade, como o ma de e aliação pelo é mino, oi conside ada uma das pio es expe iências de
iolência pelos adolescen es.
30
Discussão
A p esen e e isão sis emá ica p ocu ou analisa a iolência sexual acili ada pela ecnologia em
adolescen es, num con ex o de u u a elacional, nomeadamen e, a sua p e alência, as mo i ações, o
impac o, as es a égias de coping e as pe cepções, dos adolescen es í imas des e enómeno, sendo que os
esul ados ob idos e elam uma ealidade com uma dimensão p eocupan e.
Uma das p incipais conclusões é a quan idade limi ada de in es igação sob e o ema, uma ez que,
nes a e isão sis emá ica o am incluídos 22 es udos, mas apenas um se ocou exclusi amen e no con ex o de
u u a elacional (Hasino , 2017) sublinhando que é necessá io um maio econhecimen o e in es imen o da
comunidade cien í ica nes a emá ica.
Pa a além de escasso, o in e esse da comunidade cien í ica pa ece, ambém, se mui o ecen e, com
uma g ande pa e dos es udos es udos a se em publicados no ano 2022. Se, po um lado, al demons a a
con empo aneidade des e ema, po ou o, é igualmen e expec á el, endo em con a que o uso das TIC po
pa e dos adolescen es em indo a aumen a signi ica i amen e nos úl imos anos (Dienlin & Johannes, 2020;
Pon e & Simões, 2019; Smahel e al., 2020; Vogels e al., 2022).
Adicionalmen e cons a a-se que, enquan o obje o de es udo, assume maio isibilidade nos
con inen es Ame icano e Eu opeu. Na o igem des e ac o podem es a á ias explicações, seja o
desen ol imen o ecnológico que assume uma posição de des aque nes es con inen es ou, e en ualmen e,
uma maio consciencialização pa a es as p oblemá icas. Impo a, ambém, e o ça que em Po ugal, o
in es imen o cien í ico nes e domínio pa ece inexis en e, e que o econhecimen o legal de alguns des es
compo amen os é, ambém, mui o ecen e (e.g. Lei n. º26/2023 de 30 de Maio).
A iolência sexual acili ada pela ecnologia pode comp eende á ios compo amen os, sendo que a
maio ia dos es udos p i ilegiou a análise do
sex ing
e abuso sexual baseado em imagens (e.g. Lippman &
Campbell, 2014 e Hube , 2022), des acando a necessidade de um maio econhecimen o sob e enómenos
como o assédio,
sex o ion,
en e ou os. Po exemplo, o es udo de Wolak e al. (2018) e a a que a maio ia
dos pe pe ado es de
sex o ion
são pa cei os(as) ín imos a uais ou ex-pa cei os(as) ín imos. Além disoso,
conclui-se que nos 22 es udos incluídos, não a as ezes, os compo amen os que ca a e iza am o enómeno
e am os mesmos, ainda que a denominação osse di e en e. Se es a he e ogeneidade conce ual pode ajuda a
comp eende o enómeno de o ma ampla e exaus i a, pode ambém in iabiliza a possibilidade de ob e um
e a o idedigno da sua ex ensão, dinâmicas e impac o, o que nos pe mi i ia delinea es a égias de p e enção
e in e enção e e i as (e.g. McGlynn & Rackley, 2017; Pa el & Roesch, 2022).
As axas de p e alência sob e a iolência sexual acili ada pela ecnologia, ela adas nos es udos e
associadas ao con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo e a am que as í imas o am ex-pa cei os,
31
nos seguin es compo amen os: ameaça dis ibui as imagens ín imas/sexuais (24.2%), dis ibuição não
consensual de imagens ín imas/sexuais (21.6%) e i a /c ia imagens ín imas/sexuais sem consen imen o
(17.8%) (Powell e al., 2022). O es udo de Reed e al. (2019) demons ou que 6.4% das í imas ela a am que
o seu pe pe ado se encaixa a na ca ego ia “ou o”, sendo que a maio ia des as ela ou que se ia um ex-
pa cei o(a) ín imo(a). Des as 16.7% epo ou e sido al o de pa ilha não consensual de imagens
ín imas/sexuais, 10.3% de p essão pa a en ia uma o og a ia ín ima/sexual, 9.4% de solici ações sexuais
indesejadas e 3.4% de mensagens ou o og a ias ín imas/sexuais indesejadas. Es es esul ados suge em que
poucos es udos p ocu am analisa as axas de p e alência dis inguindo-as pa a os di e en es con ex os em
que a iolência sexual acili ada pela ecnologia pode oco e (e.g. con ex o de amizade, elação ín ima, u u a
de elacionamen o ín imo, desconhecidos, en e ou os) Con udo, os es udos de Powell e al. (2022) e Reed e
al. (2019) e idenciam núme os conside á eis de ex-pa cei os como pe pe ado es/ í imas, sublinhando a
oco ência da iolência sexual acili ada pela ecnologia no con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo.
Não obs an e, os ques ioná ios de au o ela o acabam po es a sujei os às in e p e ações que cada pa icipan e
az ace ca das ques ões, além de que es es podem esponde de aco do com aquilo que é desejá el
socialmen e e es es a o es podem con ibui pa a alguma a iabilidade nes as axas de p e alência.
Di e sos es udos apon am como mo i ação pa a a p á ica da iolência sexual acili ada pela
ecnologia a ingança pelo é mino da elação, exis indo a é a denominação “po nog a ia de ingança” (Dodge,
2021; Walke & Slea h, 2017). Po ém, nes a e isão sis emá ica e i ica-se que apenas um es udo se ocou
exclusi amen e nesse con ex o. Tal pode de e -se ao ac o de ecen emen e os es udos apon a em ou as
mo i ações além dessa (e.g. e o ço social) e ambém ou os con ex os pa a a oco ência da iolência sexual
acili ada pela ecnologia (e.g. con ex o de amizade; Hen y e al., 2019; Walke & Slea h, 2017) e al ez po
esse mo i o, a maio ia dos es udos incluídos nes a e isão e e uma abo dagem as a, incluindo di e sos
con ex os (e.g. Reed e al., 2019). Assim, es a e isão sis emá ica ambém e i icou que o é mino do
elacionamen o pa ece po si só o igina a iolência sexual acili ada pela ecnologia (Abo isade, 2022). No
en an o, mo i ações como punição, humilhação, e ibuição, en a i a de manu enção do elacionamen o,
in imidação ou exe cício de pode e de con olo e idenciam que, mesmo nes e con ex o, as mo i ações dos
pe pe ado es não se esgo am na ingança.
Quan o ao impac o psicossocial da iolência sexual acili ada pela ecnologia nas í imas, no con ex o
de u u a de um elacionamen o ín imo, os es udos desc e em um impac o in enso e signi ica i o em e mos
psicológicos (baixa au o-es ima, sen imen os de inu ilidade), elacionais (pe da de con iança, isolamen o e
u u a de elações sociais) (e.g. Hube , 2022) e de es igma ização ( e gonha, in ensi icada pelo con ex o em
que as imagens o am dis ibuídas, a amília) (Mo ensen, 2020). Es es esul ados são análogos aos
32
encon ados nos di e sos enómenos ab angidos pela iolência sexual acili ada pela ecnologia que incluem
ambém ou os con ex os (e.g. con ex o de elações de in imidade, amizade, en e ou os) (Mandau, 2021;
Pa el & Roesch, 2022), pese embo a, nes e domínio ela i o ao impac o, seja necessá ia maio in es igação e
escla ecimen o cien í ico, nomeadamen e, sob e a o es de isco (e.g. g a idade, du ação) e de p o eção (e.g.
coping
) ace a um maio impac o.
Dois dos es udos incluídos nes a e isão sis emá ica demons a am ambém a exis ência de algumas
es a égias de
coping
u ilizadas pelos adolescen es pa a lida com a iolência sexual acili ada pela ecnologia
nes e con ex o, es ando em es udo conc e amen e os enómenos de assédio sexual
online
e ag essão sexual
digi al (sob a o ma de pa ilha não consensual de imagens ín imas) (Eek-Ka lsson e al., 2022; Mo ensen,
2020). Essas es a égias consis i am em e i a ou no maliza o p oblema (Eek-Ka lsson e al., 2022;
Mo ensen, 2020) e/ou e p ocu ado ajuda jun o de au o idades policiais ou judiciais (Mo ensen, 2020).
Tendo em con a que es as es a égias deco em de compo amen os
online
, pa ecem ap esen a -se como
ajus adas à o ma como jo ens podem lida com es as si uações e, com e ei o, ap esen am-se como e icazes
pa a os pa icipan es que as elencam. Po ém, do que nos oi possí el apu a , a li e a u a não em ainda dado
mui o des aque a es e domínio, sendo poucos os es udos que analisam es a égias de
coping
pa a a iolência
sexual acili ada pela ecnologia e não se ocando exclusi amen e nem no con ex o de u u a, nem na
população adolescen e (e.g. O’Malley, 2023). De qualque o ma, p ocu a uma espos a mul idisciplina e
ab angen e, incluindo es a égias como p ocu a apoio jun o da sua ede social ou p ocu a ajuda de um
p o issional da á ea da saúde men al o am já epo adas como equen es (e.g. O’Malley, 2023; Sca duzio e
al., 2018) e, no nosso es udo, al não se apu ou. Po ou as pala as, é impo an e assumi -se uma ação
conce ada pa a se lida com es es enómenos, incluindo p opo ciona o apoio especializado a ní el
psicológico e ju ídico às í imas (e.g. in o mação sob e di ei os e p ese ação das p o as, acili a os
mecanismos de denúncia e de p o eção).
As pe ceções dos adolescen es ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia p endem-se
essencialmen e com o ac o de es es conside a em a p á ica de cada enómeno, ainda que de o ma
consensual, po um lado, um isco pa a o cibe abuso no momen o da u u a, ou en ão como algo ine i á el,
com mo i ações como a ingança, ameaça ou chan agem (Lippman & Campbell, 2014; Meehan, 2022; Pe y
e al., 2022; Ridde , 2019; Van Ouy sel e al., 2017; Walke e al., 2013). O a, sendo que, e e i amen e uma
das mo i ações ap esen adas na li e a u a sob e es e ema é a ingança aquando do é mino (Walke &
Slea h, 2017), e que comummen e su gem no ícias na comunicação social dando con a que ex-pa cei os
dis ibuí am o og a ias ou ídeos ín imos como o ma de ingança ou e aliação (McGlynn & Rackley, 2017),
o na-se expec á el que os jo ens de enham essa mesma pe ceção que os es udos documen am.
33
De o ma ge al, es a e isão sis emá ica pe mi iu escla ece a a ualidade des a emá ica e a
necessidade de mais es udos abo da em, de o ma independen e, os di e en es con ex os em que a iolência
sexual acili ada pela ecnologia oco e, pa a que se possam dis ingui , iden i ica e en uais di e enças e assim
con ibui pa a uma maio comp eensão dos enómenos adap ados a cada con ex o.
Toda ia, es a e isão sis emá ica em ambém limi ações. P imei amen e, um dos c i é ios de
inclusão oi os es udos e em sido publicados em po uguês, inglês ou espanhol, o nando-se uma limi ação de
idioma que pode signi ica ambém uma es ição às di e en es pe spe i as cul u ais exis en es. Além disso,
o am incluídos es udos cuja amos a, apesa de inclui adolescen es incluía ambém jo ens adul os e/ou
adul os, o que complexi ica a a ibuição dos esul ados exis en es, pois não são dis inguidos po aixa e á ia.
Tal ambém demons a a necessidade de pesquisas u u as pa a as di e en es populações, uma ez que,
es udos a uais indicam que os adolescen es e jo ens adul os são mais ulne á eis ou p opensos à i imação
pela iolência sexual acili ada pela ecnologia (Ea on e al., 2017; Lenha e al., 2016; Pa chin & Hinduja,
2020). Uma ou a limi ação elaciona-se com o ac o de apenas um es udo se e ocado exclusi amen e em
analisa o con ex o de u u a de um elacionamen o ín imo, sendo que os es an es incluí am ambém ou os
con ex os. Ademais, a a aliação do isco de iés e da qualidade me odológica é um p ocesso que
necessa iamen e en ol e alguma subje i idade e que deixa ambém a descobe o algumas limi ações nos
es udos incluídos.
Conclusões e Implicações
A iolência sexual acili ada pela ecnologia no con ex o pós- u u a a igu a-se como um p oblema
social g a e e ele an e, me ecedo de a enção po si mesmo, não só de ido à ele ada p e alência, como
ambém, às di e en es mo i ações que lhe es ão associadas, (in)adequadas es a égias de coping e po enciais
consequências ne as as que implica.
A p esen e e isão sis emá ica ap esen a-se como um pon o de pa ida pa a a comp eensão des e
enómeno, sendo no ó ia a necessidade de uma ação mul i ace ada, en ol endo os adolescen es (como
po enciais í imas, pe pe ado es e/ou
bys ande s
), as suas amílias e a sociedade em que se inse em, no
comba e a es a p oblemá ica. O a, os pais podem assumi uma pos u a mais pa icipa i a e de maio
disponibilidade ela i amen e às a i idades digi ais dos ilhos, supe isionando-as. Po sua ez, o meio em que
os adolescen es se inse em em ambém um papel p eponde an e, a sabe : a educação nas escolas pode
o ma as c ianças e adolescen es pa a a p i acidade, a li e acia e a segu ança digi al, p omo e ações de
sensibilização ace ca da iolência sexual acili ada pela ecnologia; os p o issionais da á ea da saúde men al,
a endendo às axas de p e alência e ao impac o e a ados nes a e isão, de em es a p epa ados pa a apoia
34
e in e i , seja no âmbi o da p e enção p imá ia, segundá ia ou e ciá ia; na ação mul isse o ial (e.g. emp esas
de ecnologia), no desen ol imen o de p á icas que pe mi am a de eção p ecoce e a denúncia des e ipo de
enómenos; e, na es e a polí ica, des aca-se a u gência de que a legislação acompanhe o a anço ecnológico
e, conc e amen e, o cibe c ime, pa a um comba e e e i o a es a p oblemá ica a a és de meios legisla i os,
an o a ní el nacional como in e nacional, que p o ejam as í imas e esponsabilizem os pe pe ado es. Um
bom exemplo disso em Po ugal é a mui o ecen e lei nº. 26/2023 que e o ça a p o eção das í imas de
c imes de disseminação não consensual de con eúdos ín imos (e.g. po nog a ia de ingança). O comba e
e icaz à iolência sexual
acili ada pela ecnologia depende á desse es o ço conjun o.
35
Re e ências Bibliog á icas:
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