Capitalismo de vigilância: o caso de Palantir Technologies Inc. em análise (2001-2023)
Abstract
era digital vivenciada no século XXI tem determinado uma nova realidade associada à propagação do fenómeno BigData. Este contexto está assente numa incessante lógica de acumulação de uma vasta diversidade e quantidade de metadados, de dados pessoais e de informações pessoais identificáveis. A acumulação é realizada por atores institucionais e por empresas privadas, através da chamada - vigilância massificada de dados -. Por conseguinte, esta última tem originado um lucro de tal ordem notável que se reflete numa versão capitalista deste tema, à qual Shoshana Zuboff atribuiu o nome - capitalismo de vigilância -, abordagem teórica condutora do desenvolvimento da presente dissertação. A recente versão do capitalismo, associada à vigilância massificada de dados, foi legitimada pela necessidade de uma cooperação entre atores das Relações Internacionais, o Estado e o setor privado, considerando a emergência na prevenção de ataques semelhantes aos ataques terroristas efetuados a 11 de setembro de 2001. Para a presente investigação, é analisada em detalhe, através de uma metodologia qualitativa e da análise de um estudo de caso, a cooperação entre a empresa Palantir Technologies Inc. e as seguintes unidades de segurança dos Estados Unidos da América (EUA): o Departamento da Polícia de Los Angeles, o Departamento da Polícia de Nova Orleães, e a agência governamental de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA, analisadas individualmente. Como tal, o principal objetivo desta dissertação é perceber em que enquadramento surge a fusão do Estado com o setor privado, relativamente à utilização dos dados da população, no campo referido, respondendo ainda à seguinte pergunta de investigação: “Como se tem desenvolvido a interação do Estado com o setor privado num contexto de policing, em matéria de vigilância e utilização de dados?”. A dissertação vem demonstrar como se tem desenvolvido esta cooperação, tendo por base documentação que contém informação sobre o período vivido entre 2001 e 2023. A escolha do ano de 2001, justifica-se pela importância que o período pós-11 de setembro teve nas opções securitárias dos EUA. O ano de 2023, por ser o ano do término da exploração do estudo de caso.