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Aquisição do Português Língua Não Materna por refugiados ucranianos. Um estudo empírico

Abstract

A invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 obrigou milhões de ucranianos a abandonar o seu país e procurar refúgio noutros territórios da Europa, sem qualquer previsão de retorno à terra natal. Estes refugiados enfrentam o desafio de se integrar numa nova sociedade, sendo a aquisição da língua do país de acolhimento fundamental para facilitar essa integração e assegurar a sua qualidade de vida. Contudo, o processo de aprendizagem da L2 apresenta obstáculos adicionais, uma vez que, muitos destes indivíduos chegam sem qualquer conhecimento prévio da língua, devido à natureza abrupta e forçada da mudança (Chrabaszcz et al., 2022). Assim, o contexto de migração repentina impõe a definição imediata de metas de aprendizagem, influenciadas por fatores como o nível de escolaridade anterior, a participação em cursos de língua e programas de integração, bem como questões de saúde, particularmente traumas psicológicos resultantes de vivências em contextos prolongados de violência e perigo (van Tubergen, 2010). Este estudo tem como objetivo avaliar o desenvolvimento linguístico de 29 refugiados ucranianos a residir em Portugal, recorrendo a dois instrumentos principais: o teste de proficiência lexical (LextPT) e uma tarefa de imitação provocada (TIP), baseada em Correia, Lobo e Flores (2024). Para além destes instrumentos, foi também aplicado um questionário sociolinguístico detalhado com o intuito de explorar a influência de fatores extralinguísticos na aquisição do português. Os resultados indicam que o tempo de instrução formal em português é o preditor mais significativo para o desempenho no LextPT, com os participantes que receberam mais instrução formal a obterem pontuações mais elevadas. No que se refere ao desenvolvimento morfossintático, a TIP revela que os participantes apresentam melhor desempenho em estruturas de menor complexidade, mas encontram dificuldades em estruturas mais avançadas, como os pronomes clíticos acusativos e o modo conjuntivo. Neste contexto, o tempo de instrução formal e a motivação para aprender a língua surgem como os melhores preditores de desenvolvimento. Comparativamente a crianças bilingues falantes de português, analisadas por Correia et al. (2024), os refugiados demonstram um ritmo mais lento na aquisição das estruturas morfossintáticas, ainda que a ordem de aquisição se mantenha semelhante entre ambos os grupos.

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