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Aquisição do Português Língua Não Materna por refugiados ucranianos. Um estudo empírico

Author: Quintãos, Maria João Mendes
Year: 2025
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/9f226978-1822-4d22-8e97-b566fc5678f2/download
Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Le as,
A es
e
Ciências
Humanas
Ma ia João Mendes Quin ãos
Aquisição do Po uguês Língua
Não Ma e na po e ugiados uc anianos.
Um es udo empí ico
ou ub o
de
2024
UMinho | 2024
Aquisição do Po uguês Língua Não Ma e na po e ugiados
uc anianos. Um es udo empí ico
Ma ia João Mendes Quin ãos
ou ub o de 2024
Uni e sidade
do
Minho
Escola
de
Le as,
A es
e
Ciências
Humanas
Ma ia João Mendes Quin ãos
Aquisição do Po uguês Língua Não
Ma e na po Re ugiados Uc anianos.
Um es udo empí ico
Disse ação de Mes ado
Mes ado em Po uguês Língua Não Ma e na
T abalho e e uado sob o ien ação da
P o esso a Dou o a C is ina Ma ia Mo ei a
Flo es
i
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da
Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição
CC BY
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/
ii
AGRADECIMENTOS
Acabada mais uma e apa signi ica i a da minha ida académica, ape cebo-me de que,
embo a es e caminho seja po ezes soli á io, acaba po se o esul ado de um conjun o de
pessoas que, di e a ou indi e amen e, con ibuí am pa a que se conc e izasse.
Em p imei o luga , que o ag adece p o undamen e a odos os pa icipan es que
pa icipa am nes e es udo, especialmen e aos cidadãos uc anianos que, mesmo en en ando uma
das ases mais desa ian es da sua ida, gen ilmen e se disponibiliza am e colabo a am pa a que
a in es igação osse a an e.
A minha p o unda g a idão ai ambém pa a a P o esso a Dou o a C is ina Flo es, não
apenas pela sua o ien ação essencial e pelo apoio con ínuo em cada e apa des e abalho, mas
ambém pelas inúme as opo unidades que me p opo cionou pa a que pudesse ap o unda o meu
conhecimen o e desen ol e o gos o pela á ea da aquisição linguís ica.
À P o esso a Dou o a Micaela Ramon, pelo in e esse genuíno e cons an e disponibilidade
pa a ajuda no desen ol imen o do p oje o.
A odos os colegas de cu so, pelas discussões p odu i as e apoio em momen os de dú ida.
À minha amília, especialmen e aos meus pais, que o am o meu alice ce du an e odos
es es anos. Ob igada po me apoia em e incen i a em, mesmo quando a minha capacidade de
aciocínio lógico me abandona.
Às minhas amigas, especialmen e à Ana, à Flá ia e à Vic o ia, po es a em semp e p on as
pa a colabo a nas minhas pesquisas e po ga an i em que, ao longo des e ano, eu me lemb asse
de espi a e equilib a ou as á eas da minha ida.

iii
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que
não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
i
Resumo
A in asão da Uc ânia pela Rússia em e e ei o de 2022 ob igou milhões de uc anianos a
abandona o seu país e p ocu a e úgio nou os e i ó ios da Eu opa, sem qualque p e isão de
e o no à e a na al. Es es e ugiados en en am o desa io de se in eg a numa no a sociedade,
sendo a aquisição da língua do país de acolhimen o undamen al pa a acili a essa in eg ação e
assegu a a sua qualidade de ida. Con udo, o p ocesso de ap endizagem da L2 ap esen a
obs áculos adicionais, uma ez que, mui os des es indi íduos chegam sem qualque conhecimen o
p é io da língua, de ido à na u eza ab up a e o çada da mudança (Ch abaszcz
e al
., 2022).
Assim, o con ex o de mig ação epen ina impõe a de inição imedia a de me as de ap endizagem,
in luenciadas po a o es como o ní el de escola idade an e io , a pa icipação em cu sos de língua
e p og amas de in eg ação, bem como ques ões de saúde, pa icula men e aumas psicológicos
esul an es de i ências em con ex os p olongados de iolência e pe igo ( an Tube gen, 2010).
Es e es udo em como obje i o a alia o desen ol imen o linguís ico de 29 e ugiados uc anianos
a esidi em Po ugal, eco endo a dois ins umen os p incipais: o es e de p o iciência lexical
(Lex PT) e uma a e a de imi ação p o ocada (TIP), baseada em Co eia, Lobo e Flo es (2024).
Pa a além des es ins umen os, oi ambém aplicado um ques ioná io sociolinguís ico de alhado
com o in ui o de explo a a in luência de a o es ex alinguís icos na aquisição do po uguês. Os
esul ados indicam que o empo de ins ução o mal em po uguês é o p edi o mais signi ica i o
pa a o desempenho no Lex PT, com os pa icipan es que ecebe am mais ins ução o mal a
ob e em pon uações mais ele adas. No que se e e e ao desen ol imen o mo ossin á ico, a TIP
e ela que os pa icipan es ap esen am melho desempenho em es u u as de meno
complexidade, mas encon am di iculdades em es u u as mais a ançadas, como os p onomes
clí icos acusa i os e o modo conjun i o. Nes e con ex o, o empo de ins ução o mal e a mo i ação
pa a ap ende a língua su gem como os melho es p edi o es de desen ol imen o.
Compa a i amen e a c ianças bilingues alan es de po uguês, analisadas po Co eia
e al
. (2024),
os e ugiados demons am um i mo mais len o na aquisição das es u u as mo ossin á icas,
ainda que a o dem de aquisição se man enha semelhan e en e ambos os g upos.
Pala as-cha e: aquisição de PLNM, a o es ex alinguís icos, léxico, mo ossin axe, e ugiados
uc anianos
Abs ac
The in asion o Uk aine ca ied ou by Russia in Feb ua y 2022 o ced millions o Uk ainians o
lea e hei coun y and seek e uge in o he Eu opean e i o ies, wi h no p ospec o e u ning o
hei homeland. These e ugees ace he challenge o in eg a ing in o a new socie y, and he
acquisi ion o he hos coun y's language is a undamen al ac o in acili a ing his in eg a ion and
ensu ing hei quali y o li e. Howe e , he p ocess o lea ning he L2 p esen s addi ional obs acles,
as many o hese indi iduals a i e wi hou any p io knowledge o he language, due o he ab up
and o ced na u e o he displacemen (Ch abaszcz
e al
., 2022). Thus, he con ex o sudden
mig a ion imposes he immedia e de ini ion o lea ning goals, in luenced by ac o s such as
p e ious le el o educa ion, pa icipa ion in language cou ses and in eg a ion p og ammes, as well
as heal h issues, pa icula ly psychological auma esul ing om expe iences in p olonged con ex s
o iolence and dange (Van Tube gen, 2010). This s udy aims o assess he language de elopmen
o 29 Uk ainian e ugees li ing in Po ugal, using wo main ins umen s: a lexical p o iciency es
(Lex PT) and a p o oked imi a ion ask (TIP), based on Co eia, Lobo and Flo es (2024). In addi ion
o hese ins umen s, a de ailed sociolinguis ic ques ionnai e was also adminis e ed in o de o
explo e he in luence o ex alinguis ic ac o s on he acquisi ion o Po uguese. The esul s indica e
ha he leng h o o mal ins uc ion in Po uguese is he mos signi ican p edic o o pe o mance
on he Lex PT, wi h pa icipan s who ecei ed mo e o mal ins uc ion ob aining highe sco es. As
a as mo phosyn ac ic de elopmen is conce ned, he TIP e eals ha e ugees pe o m be e in
less complex s uc u es, bu encoun e di icul ies in mo e ad anced s uc u es, such as accusa i e
cli ic p onouns and he conjunc i e mood. In his con ex , he leng h o o mal ins uc ion and
mo i a ion o lea n he language s and ou as he bes p edic o s o de elopmen . When compa ed
o Po uguese-speaking bilingual child en analysed by Co eia
e al
. (2024), e ugees show a slowe
a e o acquisi ion o mo phosyn ac ic s uc u es, al hough he o de o acquisi ion emains simila
be ween bo h g oups.
Keywo ds: acquisi ion o Po uguese as a non-na i e language, ex alinguis ic ac o s, lexicon,
mo phosyn ax, Uk ainian e ugees
i
Índice
In odução .............................................................................................................................................. 1
CAPÍTULO 1. Fa o es de in luência na aquisição de uma segunda língua ................................................. 5
1.1 Concei os cen ais ........................................................................................................................ 5
1.1.1 Língua Ma e na ..................................................................................................................... 5
1.1.2 Língua Segunda e Língua Es angei a .................................................................................... 6
1.2 Fa o es de in luência na aquisição de L2 ....................................................................................... 7
CAPÍTULO 2. Aquisição de uma L2 em con ex o de e úgio ....................................................................16
2.1. Aquisição de L2 po mig an es ..................................................................................................16
2.2. Con ex o de e úgio ....................................................................................................................20
2.2.1. O con ex o dos e ugiados uc anianos .................................................................................25
CAPÍTULO 3. O p esen e es udo ............................................................................................................28
3.1 P ocedimen o .............................................................................................................................28
3.2. Ma e iais ...................................................................................................................................29
3.2.1. Ques ioná io Sociolinguís ico ..............................................................................................29
3.2.2. Lex PT ................................................................................................................................30
3.2.3. Ta e a de imi ação p o ocada:
TIP
......................................................................................30
3.2.3.1 Aquisição de es u u as mo ossin á icas po c ianças bilingues ........................................33
3.2.4. Codi icação da TIP..............................................................................................................34
3.3. Pa icipan es .............................................................................................................................35
3.3.1. Re ugiados uc anianos .......................................................................................................35
3.3.2. G upo de con olo ...............................................................................................................44
3.4. Ques ões de in es igação ...........................................................................................................45
CAPÍTULO 4. Resul ados .......................................................................................................................46
4.1. Co elações en e a o es sociolinguís icos e os esul ados do Lex PT .........................................46
4.1.1. Resul ados globais dos e ugiados e do g upo de con olo ...................................................46
4.1.2. Co elações en e a o es sociolinguís icos e os esul ados do Lex PT ..................................47
4.2. Ta e a de imi ação p o ocada ....................................................................................................51
4.2.1 Es a ís ica Desc i i a ............................................................................................................51
4.2.2 Análise de modelos mis os gene alizados .............................................................................55
CAPÍTULO 5. Discussão ........................................................................................................................67
Conclusão.............................................................................................................................................71
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................73
5
CAPÍTULO 1. Fa o es de in luência na aquisição de uma
segunda língua
1.1 Concei os cen ais
Na á ea de in es igação em linguís ica é equen e se ei a uma dis inção en e os
concei os de
língua ma e na
,
língua segunda
e
língua es angei a
, de o ma a iden i ica a(s)
língua(s) alada(s) po um indi íduo. Essa dis inção assen a nos con ex os associados a cada
uma das ci cuns âncias em que a sua aquisição/ap endizagem oco e. Des a o ma, o na-se
impo an e inicia es e abalho pela ca ac e ização e de inição des es concei os.
1.1.1 Língua Ma e na
O concei o de
língua ma e na,
ou
p imei a língua
(LM/L1), é usado, ge almen e, pa a nos
e e i mos à p imei a língua adqui ida, no caso de alan es monolingues, ou p imei as línguas,
no caso de alan es mul ilíngues, du an e a sua in ância. A L1 é, assim, adqui ida de o ma
na u al e espon ânea, a pa i da exposição à língua da amília e da comunidade em que a
c iança es á inse ida du an e os p imei os, e mais c uciais, anos do seu desen ol imen o,
esul ando num ní el de compe ência na i o. Lei ia
e al
. (2006) desc e em o concei o de
língua ma e na como “a língua em que, ap oximadamen e a é aos cinco anos de idade, a
c iança es abelece a sua p imei a g amá ica, que depois ai ees u u ando e desen ol endo
em di eção à g amá ica dos adul os da comunidade em que es á inse ida” (p.5).
Des a o ma, no con ex o da aquisição da L1, obse amos um p ocesso na u al no qual
as c ianças, ao se em expos as a es ímulos linguís icos, desen ol em um sis ema de
conhecimen o implíci o sob e p op iedades g ama icais abs a as (Sim-Sim, 1998).
Conside ando a ligação es ei a es abelecida en e o alan e e a sua L1 desde en a idade,
é possí el a i ma que é po meio dela que es e desen ol e a sua pe ceção do mundo e da
comunidade na qual es á inse ido. É ambém a a és da língua que molda o seu sis ema de
ep esen ação cul u al, es abelecendo com ela uma conexão de pe ença e amilia idade.

6
1.1.2 Língua Segunda e Língua Es angei a
Língua segunda (L2) diz espei o a uma língua ap endida po um indi íduo após a
aquisição da sua L1. Di e en emen e da L1, que é adqui ida na u almen e du an e a in ância,
a L2 é ge almen e ap endida numa ase pos e io , podendo oco e du an e a adolescência ou
já na ida adul a. Es a ap endizagem oco e den o dos limi es e i o iais em que essa língua
em um es a u o econhecido, ge almen e sendo a língua o icial desse e i ó io. Des a o ma,
quando alamos em
língua segunda
, es amos a e e i -nos a um con ex o de ap endizagem no
qual um alan e não-na i o se encon a inse ido numa comunidade em que essa língua é usada
no dia a dia po um ele ado núme o de alan es, es ando o ap enden e expos o a uma g ande
quan idade de es ímulos linguís icos e opo unidades de comunicação com alan es na i os
(Flo es, 2013).
Se po um lado, no caso da aquisição da L1, es amos pe an e um p ocesso na u al, a
ap endizagem de uma L2 exige equen emen e um p ocesso mais explíci o, no qual o
indi íduo ap ende eg as g ama icais e ocabulá io de o ma explíci a. Assim, es e p ocesso
pode en ol e mé odos o mais de ensino de línguas, bem como a p á ica e exposição
cons an e à L2 no dia a dia.
Tendo em con a que a aquisição da L2 se dá após a aquisição da L1 do ap enden e, es e
p ocesso de aquisição é in luenciado po di e sos a o es, como di e enças indi iduais ( ema
explo ado mais adian e), pela p óp ia L1 do alan e, aspe os que pode ão in luencia o ní el
de p o iciência a ingida pelo ap enden e na sua L2.
Em con apa ida, o e mo língua es angei a (LE) pode se usado pa a classi ica a
ap endizagem e uso de uma língua num e i ó io onde ela não possui qualque es a u o
sociopolí ico (Lei ia
e al
., 2004). Nes es casos, o ap enden e é expos o à LE
p edominan emen e em con ex os de ensino o mal, nos quais as es u u as da língua e emas
g ama icais são ap esen ados de o ma es u u ada e explíci a, e as opo unidades de
comunicação au ên ica com alan es na i os são mui o eduzidas.
Exempli icando com o caso da língua po uguesa, es a é ap endida em Po ugal, ou no
B asil, como L2 po pessoas que êm ou a língua ma e na. Po sua ez, pode á se ap endida
em F ança, po exemplo, po alan es na i os de ancês, como língua es angei a, sendo o
con ac o com a língua ei o p edominan emen e em con ex o sala de aula. A dis inção en e
es es dois ipos de aquisição é signi ican e, uma ez que, é possí el que haja di e enças
conside á eis daquilo que ap endido, e a o ma como essa ap endizagem oco e.
7
A dis inção en e os concei os de ap endizagem e aquisição de uma língua es angei a oi
um ema abo dado p imei amen e po K ashen (1981). Segundo o au o , a aquisição de uma
L2 pode oco e segundo dois con ex os p incipais:
aquisição
, um p ocesso que oco e de
o ma semelhan e àquele de que oco e du an e a in ância quando é ap endida a L1. Assim,
a aquisição es á associada a um p ocesso inconscien e, que se dá po meio de in e ação com
alan es na i os da língua-al o e de o ma espon ânea. Po ou o lado, a
ap endizagem
de uma
L2 oco e po meio do ensino o mal em ins i uições, como escolas e uni e sidades, ha endo
o ecu so à ins ução explíci a da língua, com ecu so ao ensino di e o das eg as g ama icais
e es u u as da língua, esul ando num “p ocesso conscien e, no qual se in e naliza um
sis ema linguís ico e cul u al median e a e lexão sis emá ica e guiada dos seus elemen os”
(Ecke & F osi, 2015, p.202).
Ainda que es es dois con ex os sejam equen emen e is os como opos os, podem se
conside ados como complemen a es, já que a ap endizagem de uma língua en ol e an o a
in e ação com alan es na i os como p ocessos cogni i os de a mazenamen o e ecupe ação
de in o mações que o ap enden e ai e endo (De Wilde
e al
., 2021).
1.2 Fa o es de in luência na aquisição de L2
Es udos no campo da aquisição de L2 demons am que o p ocesso de aquisição de uma
língua é mui o complexo, sendo desc i o po Rod Ellis (1999) como um p ocesso complexo
que é o p odu o de nume osos a o es in e - elacionados que dizem espei o an o ao
ap enden e como ao ambien e de ap endizagem.
De ac o, exis e um leque de a o es que in luenciam o i mo e o ma como os ap enden es
adqui em uma segunda língua, podendo es es se di ididos em duas ca ego ias: a o es
in e nos e a o es ex e nos. O p imei o g upo diz espei o a di e enças de ca ác e indi idual,
ais como a idade, géne o, mo i ação, a i ude e pe sonalidade. O segundo em em
conside ação o ambien e em que a língua é adqui ida.
Es es a o es in e agem en e si, condicionando-se mu uamen e, impac ando o sis ema de
p ocessamen o in e no do alan e, bem como a o ma como se exp imem, comunicam,
esc e em e in e agem na L2.
8
Idade
A idade é um dos a o es in luenciado es da aquisição de língua segunda mais discu idos
na li e a u a. De o ma ge al, ac edi a-se que as c ianças são melho es na aquisição de línguas
que os adul os. A idade com que um indi íduo começa a ap ende uma L2 desempenha um
pepel impo an e no ní el de p o iciência que es e se á capaz de alcança . De aco do com a
Hipó ese do Pe íodo C í ico
, p opos a po Lennebe g (1967), exis e um limi e e á io após o
qual a aquisição de uma língua, especialmen e no que diz espei o à onologia e mo ossin axe,
pode á se menos e icien e. O au o de ende que esse pe íodo c í ico se es ende desde o
nascimen o a é à pube dade. Du an e es e pe íodo, o cé eb o es a ia biologicamen e
p epa ado pa a ap ende uma língua, a L1, de o ma in ui i a e au omá ica. Após esse pe íodo,
ha e ia um declínio na e iciência pa a ap ende línguas, uma ez que o nosso cé eb o so e
uma pe da de plas icidade, passando a ha e uma maio dependência da memó ia decla a i a
(conhecimen o explíci o) do que da memó ia p ocedimen al (conhecimen o implíci o) pa a a
ap endizagem de uma no a língua. Des a o ma, os ap enden es de uma L2 pode ão en en a
di iculdades na aquisição de ce os aspe os g ama icais e onológicos.
Na mesma linha de pensamen o, á ios es udos dos anos 70 e 80 de endem que quan o
mais cedo os alan es começa em a ap endizagem de uma língua, melho se á a sua aquisição
da g amá ica (Pa owski, 1980). Pelo con á io, os alan es que começam a ap ende uma
segunda língua depois da pube dade, desen ol em ine i a elmen e um so aque, que pode se
iden i icado sem e os po alan es na i os dessa língua (Ashe & Ga cia, 1969; Oyama, 1976).
Ainda que es as assunções sejam supo adas po es udos em con ex os de aquisição
na u al, as pesquisas conduzidas em ambien es o mais de ensino dão con a de esul ados
con adi ó ios, com p o as de que os ap enden es em idade adul a ap esen am melho
compe ência no âmbi o da sin axe e da mo ologia, enquan o que que os adolescen es são o
g upo que ap esen a um p og esso mais acele ado (Bi dsong, 2005; DeKeyse , 2000). Tendo
em con a es a dispa idade en e os esul ados ob idos em expe iências cujo oco e a o a o
idade na aquisição de L2, Ellis (1999) de ende que o que in luencia o p ocesso de aquisição
não é a idade com que a L2 começa a se ap endida, mas an es a elação en e a idade do
ap enden e e o seu i mo de ap endizagem.
9
Géne o
Os es udos sob e a in luência do géne o na ap endizagem de L2 êm dado o igem a
esul ados mis os. Exis em á ios que es udos que suge em que as mulhe es êm mais
sucesso na aquisição de L2 que os homens (Boyle, 1987; Bu s all, 1975), is o po que as
mulhe es pode ão es a mais ece i as a no as o mas linguís icas do inpu da L2, des iando-
se mais da in e língua e ap oximando-se das no mas da língua al o. Es udos como os de
Bu s all (1975) e Ga dne e Lambe (1972) suge em que ap enden es do géne o eminino
demons am a i udes mais posi i as pe an e a ap endizagem de L2 que os do géne o
masculino.
Um ou o a o que pode á in luencia as di e enças no sucesso de aquisição en e es es
dois g upos é a o ma como en en am a a e a de ap ende uma língua es angei a. Gass e
Va onis’ (1986) no am que em si uações de in e ação, os homens ocam os seus es o ços na
p odução de inpu , enquan o que as mulhe es ap o ei am es es ins an es pa a ob e mais
inpu . De o ma semelhan e, Bacon mos a, no seu es udo de 1992, que as mulhe es
moni o izam mais a sua comp eensão, enquan o que os homens endem a eco e mais à
adução. Adicionalmen e, Bacon e Finnemann (1992) epo a am que as mulhe es azem
mais uso do ‘modo p i ado’, is o é, endem a p a ica men almen e as suas in e ações.
São di e sos os es udos que dão con a de um melho desempenho das mulhe es na
aquisição de L2. Bu s all (1975) e Da ies (2004) obse a am que que os ap enden es do sexo
eminino ob iam melho es esul ados pa a a ap endizagem de ancês que os ap enden es do
sexo masculino. Pae (2004) deu con a de uma melho p es ação dos ap enden es do sexo
eminino na componen e de comp eensão esc i a. Também an de Slik
e al.
(2015)
conduzi am um es udo com mais de in e e se e mil pa icipan es com di e en es línguas
ma e nas, ap enden es de nee landês L2, e concluí am que as mulhe es supe am os homens
em p o iciência o al e esc i a, independen emen e da sua LM. No en an o não de am con a
de uma di e ença signi ica i a en e os dois g upos na sua capacidade de comp eensão o al.
Quan o à comp eensão esc i a, os homens ap esen a am esul ados ligei amen e mais
ele ados do que os das mulhe es.
No en an o, o am conduzidos es udos que chega am a conclusões in e sas, a ibuindo
aos ap enden es do géne o masculino uma maio ap idão pa a a aquisição de L2. Boyle
(1987) concluiu que es udan es do sexo masculino i e am mais sucesso que as suas colegas
10
em es es de audição de ocabulá io, po ém, Nyikos (1990) epo a que as mulhe es inham
melho es esul ados numa a e a de memo ização de ocabulá io.
A ideia de que o géne o do ap enden e em um impac o signi ica i o no p ocesso de
aquisição de L2 não é o almen e cla a, sendo os es udos nes a á ea ge ado es de di e en es
ipos de esul ados que an o p o am um maio sucesso de um géne o em de imen o do
ou o, como p o am que não exis em di e enças signi ica i as en e os dois. Ainda assim,
pa ece se ha e um consenso ge al de que os ap enden es do sexo masculino ob êm
melho es esul ados em ci cuns âncias de “con ex ual language lea ning”, enquan o que as
mulhe es êm um melho desempenho em con ex o de sala de aula (De Wilde
e al
. 2021).
Mo i ação
Sendo o concei o de mo i ação abs a o, e endo es e um signi icado bas an e ab angen e,
em indo a ecebe mui a a enção e a se de inido à luz de á ias in e p e ações desde os
anos 60 (A nold & B own, 1999; Dö nyei, 2001; Williams & Bu den, 1997). De modo ge al, a
essência da mo i ação eside na in e ação de um conjun o de a o es, como o desejo,
in e esse ou cu iosidade (Cos a, 2021), que conduzem um indi íduo a agi de ce a o ma, e
a dedica o seu es o ço ( ísico ou in elec ual) du an e um pe íodo de empo, de o ma a
alcança um obje i o po si es abelecido. A mo i ação desempenha assim um papel de
ex ema impo ância pa a a aquisição de uma L2, já que cons i ui a azão pela qual os
indi íduos se es o çam po ap ende , di ando o sucesso da sua ap endizagem.
A in es igação mais consis en emen e conduzida sob e a mo i ação e as a i udes
(explo adas no p óximo i em) como a o es no p ocesso de ap endizagem de línguas oi
conduzida po Ga dne e Lambe (1975), e mais a de po Ga dne (Ga dne , 1979, 2010;
Ga dne & Smy he, 1981), endo es es se ocado nas o mas como as a i udes sociais,
mo i ação e alo es dos ap enden es a e am os seus esul ados de ap endizagem.
No seu es udo de 1975, Ga dne e Lambe concluí am que exis e uma elação en e a
p o iciência e a mo i ação dos ap enden es, sendo que os alunos mais mo i ados são mais
bem-sucedidos nos seus es o ços de adqui i uma língua. Esses alunos êm uma a i ude mais
posi i a, são mais p oa i os e es o çam-se mais, ap o ei ando melho odas as opo unidades
pa a ap ende a língua, o que os o na mais e icien es nes a a e a. O con á io é e dade pa a
os ap enden es que exibem ní eis mais baixos de mo i ação, is o que endem a aloca menos

11
es o ço pa a a sua ap endizagem, sendo es a menos e icaz e bem-sucedida. Em alguns casos,
pode á acon ece que o p óp io desempenho do ap enden e o aça pe de a mo i ação, is o
é, se hou e uma mo i ação e es o ço iniciais po pa e do indi íduo, mas es es não p oduzam
esul ados sa is a ó ios, pode se que es e se sin a desmo i ado pa a con inua o seu pe cu so.
Se assim o , pode á su gi um cí culo icioso em que a al a de esul ados conduza a uma
meno mo i ação, que conduzi á a um menos es o ço, o que, po sua ez, a á com que
con inue a não ha e p og esso.
A mo i ação pode se ca ego izada em dois g andes g upos (Mao, 2011): (i)
mo i ação
in eg a i a
e (ii)
mo i ação ins umen al
. A mo i ação in eg a i a de i a do in e esse do
ap enden e nas pessoas e na cul u a da língua-al o, ou pa a comunica com pessoas de ou a
cul u a que a alam (Ga dne , 2010). Po sua ez, no caso da mo i ação ins umen al, os
obje i os do ap enden e pa a ap ende a língua são mais uncionais e ú eis, podendo se o
seu obje i o e uma boa classi icação num es e ou consegui um emp ego, po exemplo. Os
ap enden es podem se in luenciados po ambos os ipos de mo i ação, ou apenas um,
dependendo da sua si uação: um ap enden e que es eja a ap ende uma língua como LE se á
mais in luenciado pela mo i ação in eg a i a, enquan o que se ap ende um idioma como
língua segunda, sen i á mais impac o da mo i ação ins umen al.
A i udes
As a i udes es ão in imamen e elacionadas com a mo i ação, e e indo-se a um pad ão
de c enças desen ol idas ao longo do empo den o de um de e minado con ex o social, que
desempenham um papel undamen al no p ocesso de ap endizagem (Liu, 2014).
S e n (1983) ez a dis inção en e ês ipos de a i udes em con ex o de ap endizagem de
L2: (i) a i udes em elação à comunidade e às pessoas que alam a L2, (ii) a i udes em elação
à ap endizagem da língua em ap eço, e (iii) a i udes em elação às línguas e à sua
ap endizagem em ge al, sendo es as a i udes in luenciadas pela pe sonalidade do ap enden e,
bem como pelo ambien e social no qual es e se inse e.
Os ap enden es pode ão desen ol e a i udes posi i as ou nega i as em elação a uma L2
com base nas suas expe iências, o que pode á a e a a sua mo i ação: as a i udes posi i as
a ão com que o ap enden e ique mais mo i ado no seu p ocesso de ap endizagem, enquan o
que as a i udes nega i as e ão o e ei o in e so (Bain
e al
., 2010; Kuhlemeie
e al
., 1996).
12
Assim, os concei os de a i udes e mo i ação não podem se desligados um do ou o, já que a
mo i ação pa a ap ende é de inida pelas a i udes em elação a esse p ocesso e à comunidade
alan e dessa língua (Ga dne & Lambe , 1975).
Olle (1979) a i ma que "a i udes a e me ely one o ypes o ac o s ha gi e ise o
mo i a ion which e en ually esul s in a ainmen o p o iciency in a second language" (p.118).
No es udo de Kuhlemeie
e al.
(1996), os au o es concluí am que as a i udes de mais de mil
es udan es nee landeses em elação à ap endizagem de uma L2 p e iam o seu sucesso no
cu so de
alemão
. Em suma, a a i ude linguís ica cons i ui um a o c ucial an o no ensino
como na ap endizagem de línguas, o que signi ica que p omo e a i udes posi i as nos
ap enden es pode aumen a a sua mo i ação e, consequen emen e, melho a os seus
esul ados de ap endizagem.
Ap idão
John Ca oll (1981), pionei o no es udo do papel da ap idão pa a a aquisição de L2, de ine
es e concei o como “an indi idual’s ini ial s a e o eadiness and capaci y o lea ning a o eign
language, and p obable acili y in doing so [gi en he p esence o mo i a ion and oppo uni y]”
(p.86). Du an e a sua in es igação, Ca oll, jun amen e com Sapon (2002), c iou uma ba e ia
de es es, o
Mode n Language Ap i ude Tes
(MLAT) de o ma a medi a ap idão linguís ica de
ap enden es de L2, es abelecendo um pad ão pa a odas as medidas de ap idão linguís ica.
Baseando-se em análises de a o es de es es do MLAT, Ca oll (1981, 1990, 1993) de iniu o
concei o de ap idão como uma composição de qua o compe ências mensu á eis:
phone ic
coding abili y,
is o é, a habilidade de iden i ica sons desconhecidos e aze a sua associação
a símbolos g á icos,
g amma i al sensi i i y
, a capacidade de iden i ica a unção que as
pala as desempenham nas ases,
induc i e language lea ning,
ou seja, a capacidade de um
de e minado co pus, c ia no as cons uções ásicas e
associa i e memo y
, que diz espei o
à capacidade de o ma associações na memó ia. A alidade e ele ância das suas
descobe as sob e a ap idão de L2 con inuam álidas e obus as, sendo aplicadas com
sucesso em di e en es con ex os e condições de ap endizagem.
O concei o de ap idão linguís ica es á associado a duas abo dagens p incipais que e le em
di e en es eo ias:
Segundo Ca oll e Sapon (2002), a ap idão linguís ica e e e-se a um conjun o de
habilidades cogni i as indicado as da capacidade que um indi íduo, ela i amen e a ou os
13
indi íduos, em de ap ende uma língua es angei a num dado pe íodo de empo e em
de e minadas condições. Nes a abo dagem, os au o es de endem que a ap idão p e ê o
sucesso da aquisição da L2 independen emen e do ipo de ins ução ou do con ex o de
ap endizagem, po an o, não exis e a necessidade de adap a esses con ex os às di e enças
indi iduais dos ap enden es de o ma a aumen a a sua p obabilidade de sucesso. Es a
abo dagem cons i ui uma isão es á ica e o ien ada pa a o esul ado inal da ap endizagem,
ocada em p e e esul ados com base em habilidades cogni i as ixas (Li, 2014).
Po sua ez, Robinson (2005) ê a ap idão linguís ica como habilidades cogni i as
u ilizadas pelo p ocessamen o de in o mação du an e a ap endizagem e uso da L2 em á ios
con ex os. Des a o ma, a sua abo dagem é mais sensí el a a o es ambien ais, sendo a i ada
ou inibida de aco do endo em con a as condições de ap endizagem, e a a o es de ins ução,
de endo es a se ajus ada de o ma a se adequada ao pe il cogni i o do aluno, maximizando
a sua ap endizagem. Es a abo dagem em uma isão mais dinâmica e o ien ada pa a o
p ocesso, en a izando a in e ação en e habilidades cogni i as e o con ex o em que deco e a
ap endizagem.
Ins ução explíci a e ap endizagem implíci a
A dis inção en e ins ução explíci a e ap endizagem implíci a de uma L2 cons i ui uma
ques ão de in e esse undamen al na disciplina da Aquisição de Segundas Línguas (ASL), e le indo
sob e a o ma como di e en es abo dagens con ibuem pa a o desen ol imen o do conhecimen o
g ama ical e linguís ico. A ins ução explíci a e e e-se ao ensino sis emá ico de eg as e es u u as
g ama icais de uma língua, es ando es a abo dagem conscien e de ap endizagem ge almen e
associada à ideia de que a explici ação das eg as acili a o desen ol imen o da compe ência
linguís ica. No is e O ega (2000), e Spada e Tomi a (2010), po exemplo, suge em que es e ipo
de ins ução pode á se an ajoso em con ex os em que exis e p essão pa a um bom desempenho
o mal, po exemplo, em con ex o académico, e pode á se necessá io pa a alcança ele ados
ní eis de p o iciência.
Po sua ez, a ap endizagem implíci a co esponde à aquisição linguís ica a a és da
exposição e in e ação com alan es na i os. A hipó ese subjacen e é que a compe ência linguís ica
se desen ol e á na u almen e, desde que o ap enden e seja expos o a uma quan idade su icien e
de inpu signi ica i o. No en an o, algumas in es igações suge em que exis em ce os aspe os
g ama icais mais complexos, e menos equen es que não são adqui idos apenas po meio de
14
inpu , mas que podem eque e ins ução explíci a pa a se em ap endidos. Des a o ma, pode á
se bené ico usa as duas abo dagens simul aneamen e.
Es udos em con ex os de ime são mos am que os ap enden es podem adqui i
compe ência g ama ical básica sem o ecu so a ins ução explíci a, desde que enham
opo unidades icas de in e ação na L2 (Johnson & Swain, 1997). Hughes (1979), suge e que os
ap enden es de inglês são capazes de in e naliza a o dem dos elemen os no sin agma nominal e
usa co e amen e o sis ema auxilia em ases in e oga i as e nega i as, mesmo sem ecebe
ensino o mal na língua. Con udo, nem odos os ap enden es são capazes de a ingi esse ní el de
compe ência de o ma na u al.
A e icácia da ins ução g ama ical na ap endizagem de uma L2 em sido um ópico
deba ido, p incipalmen e no que diz espei o à abo dagem e in ensidade adequadas. A ques ão da
in ensidade cen a-se na o ma como o con eúdo de e se ensinado: de o ma in ensi a e com
oco epe ido numa es u u a especí ica, ou ex ensi a, is o é, abo dando á ias eg as g ama icais
simul aneamen e. A ins ução in ensi a e ela-se e icaz, uma ez que ga an e que os ap enden es
se concen am epe idamen e numa o ma especí ica du an e a comunicação (Ellis
e al
., 2002).
No en an o, Nunan (2004), de ende que a ap endizagem de uma L2 não oco e de o ma linea ,
sendo os ap enden es capazes de adqui i á ias eg as de o ma g adual e simul ânea. Pa a uma
máxima e icácia, a combinação das duas abo dagens combinadas, is o é, in eg ando a ins ução
explíci a e a p á ica comunica i a, pe mi i á que os ap enden es bene iciem da exposição
signi ica i a à língua, desen ol endo simul aneamen e a sua consciência g ama ical, o que pode á
acili a o uso mais au oma izado da L2 ao longo do empo.
No cen o da in es igação da ASL, es á a in e ace en e o conhecimen o explíci o e
implíci o. A hipó ese de DeKeyse (1998), denominada hipó ese da in e ace o e, de ende que
com p á ica su icien e, o conhecimen o explíci o pode á con e e -se em conhecimen o implíci o.
Po ou o lado, a in e ace aca (Ellis, 2009) suge e que essa con e são só e á luga caso o
ap enden e es i e p epa ado pa a adqui i a es u u a ensinada. Exis e ainda a ideia de que os
conhecimen os explíci os e implíci os são dis in os e um não pode o igina o ou o.
O ní el de p on idão dos ap enden es oi uma ques ão explo ada po Ellis (2006), que
a gumen a que a in odução de eg as com um ní el de complexidade mais ele ado do que aquele
pa a o qual o ap enden e es á p epa ado pode á se con ap oducen e, o que suge e que a
ins ução explíci a de e á se in oduzida em momen os es a égicos, de modo a espei a os ní eis
de desen ol imen o da in e língua dos ap enden es.
21
depois de es a oco e . Po sua ez, os a o es ex e nos dizem espei o às aspi ações subje i as
que as pessoas êm pa a as suas idas.
Tendo em conside ação es as duas ca ego ias de a o es in luenciado es do ní el de
s ess, o au o a gumen a que quan o maio o a p i ação sen ida pelo mig an e quando es e az
uma compa ação en e as suas condições de ida no passado e no p esen e, maio se á o ní el
de in luência que os a o es in e nos e ão no seu ní el de s ess. De o ma semelhan e, quan o
maio o a ameaça sen ida pelas pessoas às suas aspi ações, maio se á o impac o dos a o es
ex e nos no ní el de s ess. Tendo em conside ação es as medidas de in luência, os e ugiados
que man êm uma a i ude posi i a em elação à sua si uação de ida e expec a i as no país de
acolhimen o, de e ão se menos a e ados pelo s ess em ge al nas suas idas do que os e ugiados
que azem uma a aliação nega i a das suas ci cuns âncias. Também o s ess de acul u ação, que
su ge na sequência da dis upção dos sis emas amilia es e da iden idade social a que os mig an es
es ão sujei os depois de se muda em pa a um no o país, em o po encial de aumen a o ní el de
s ess a que os e ugiados es ão sujei os.
Segundo a O ganização Mundial de Saúde, o quad o de S ess Pós-T aumá ico eque a
exposição a auma, ou seja, a e en os ou si uações, a cu o ou longo p azo, de uma na u eza
ex emamen e ameaçado a ou ho í ica, podendo es e desen ol e -se em espos a à expe iência
de e en os aumá icos. Es ão associados a es e dis ú bio acon ecimen os aumá icos i idos e a
pensamen os in usi os sob e os mesmos, podendo es es se o esul ado da i ência ou
es emunho de iolência, lesões g a es, ameaça à in eg idade ísica, mo e, des uição do la ,
pe da de p op iedade pessoal, pe da de amigos e amilia es, exposição p olongada a pe igo, e
al a de bens de p imei a necessidade como comida, água e ab igo.
Es e dis ú bio é o mais comum após a i ência de cená ios de gue a, com uma
p e alência es imada de 26.5% en e os sob e i en es (Hoppen
e al
., 2021). Uma das
ca ac e ís icas-cha e dos cená ios de gue a é a exposição a múl iplos a o es de s ess de o ma
eco en e e con ínua, sendo a pessoa an o mais a e ada quan o maio o a magni ude do a o
de s ess, nomeadamen e a sua equência, in ensidade, du ação e p oximidade (Wyle
e al
.,
1971). Os e ei os cumula i os des a exposição podem aumen a o isco de se e idade do dis ú bio
de s ess pós- aumá ico exibido pelos sob e i en es.
Lo zin
e al
. (2023) conduzi am um es udo cujo obje i o e a de e mina a p e alência de
a o es de s ess elacionados com a gue a e de PTSD e CPTSD en e es udan es uc anianos
numa zona a i a de gue a em Kyi , p edizendo que a exposição a o mas g a es de iolência

22
in e pessoal e a exposição cumula i a a aumas elacionados com a gue a aumen a iam
signi ica i amen e o isco de desen ol imen o de CPTSD em compa ação com ou as o mas de
auma.
Pa icipa am no es udo 563 alunos uc anianos da Uni e sidade Nacional de Kyi
(КНУ).
No e em cada dez alunos epo ou pelo menos um a o de s ess elacionado com a gue a,
sendo os mais epo ados os ins an es em que o am con on ados ou es emunha am si uações
de comba e, como po exemplo, bomba deamen os. Um ele ado núme o de alunos oi a e ado
pela mo e de memb os amilia es ou amigos, como consequência de si uações de iolência. Ce ca
de me ade dos alunos o am a e ados pela sepa ação de memb os da amília, 14.9% epo ou al a
de ab igo, comida ou água, e 10% so eu a des uição ou con isco de p op iedade pessoal.
E en os aumá icos des a na u eza podem e um impac o nega i o sob e a saúde men al
e as unções cogni i as, a e ando a memó ia, mo i ação, capacidade de ap endizagem e
concen ação. Consequen emen e, a capacidade de ap ende um no o idioma pode se
signi ica i amen e p ejudicada po esse ipo de s esse. Es udos na á ea de ans o no de s esse
pós- aumá ico êm demons ado que esse diagnós ico es á elacionado a di iculdades cogni i as,
pa icula men e com p oblemas na memó ia decla a i a/explíci a (B emne
e al
., 1993). Tendo
em con a es a descobe a, o am á ios os es udos ealizados na á ea da linguís ica pa a en a
pe cebe o impac o do s ess pós- aumá ico na aquisição de línguas en e populações de
e ugiados (Sönde gaa d
& Theo ell, 2004, Tinghog
e al
., 2017).
En e 1997 e 2000, Sönde gaa d e Theo ell (2004) conduzi am um es udo no qual
pa icipa am 48 e ugiados i anianos esiden es em Es ocolmo. O es udo inha como obje i o
analisa o impac o da ca ga cumula i a de sin omas de PSTD no p ocesso de aquisição de uma
L2. Os pa icipan es o am a aliados no início do es udo, bem como em in e alos de 3 meses,
num o al de 4 ezes. Fo am ei os es es de o ma a medi os sin omas de s ess pós- aumá ico,
dep essão e desassociação, bem como uma e i icação dos seus ní eis de p o iciência linguís ica.
Os in es igado es concluí am que a aquisição de L2 não é in luenciada pela idade dos
pa icipan es, nem pelos anos de ins ução que es es comple a am an e io men e. Nos seus
esul ados é no ada uma ligei a di e ença en e as pe o mances dos homens e mulhe es, sendo
que os homens êm um desempenho ligei amen e mais a ançado. Os indi íduos que, no início do
es udo, inham um diagnós ico de PTSD demons a am esul ados ligei amen e in e io es no que
diz espei o à aquisição da L2 du an e o es udo. No en an o, o esul ado do es e sob e a dep essão
no início do es udo não e elou in e e ência na aquisição da L2. Os in es igado es concluí am
23
ainda que a p esença nas aulas não e a um bom a o de p e isão do ní el linguís ico a ingido
pelos alan es. Po ou o lado, chega am à conclusão de que a ca ga cumula i a de sin omas de
PTSD exe cem in luência na aquisição da língua. Des a o ma, analisados os esul ados, oi
possí el conclui que uma a iá el c ucial pa a a in eg ação, a aquisição de uma língua
segunda/língua de acolhimen o, es á in e samen e associada à ca ga cumula i a de sin omas de
PTSD, mas não ao diagnós ico dos indi íduos no início do seu p ocesso de aquisição da L2.
Pa a além de lida com sin omas de PSTD, Tinghog
e al
. (2017) mos am que a sepa ação
da amília, especialmen e dos espe i os cônjuges, pode aumen a o ní el de angús ia, ansiedade
e dep essão dos e ugiados. De o ma semelhan e, a al a de bens de p imei a necessidade e a
des uição de bens pessoais, con ibuem pa a um aumen o da sensação de insegu ança, pe da
de con olo e desespe o, o que pode á exace ba ainda mais a incidência de pe u bações
elacionadas com o s ess.
Tendo em con a es as a iá eis in luenciado as da aquisição de uma língua, an Tube gen
(2010) es ou um modelo empí ico pa indo do
S anda d Theo e ical Model
, de modo a consegui
calcula a p o iciência de e ugiados em L2, endo em con a os seguin es a o es: idade de chegada
ao país de acolhimen o, ní el de ins ução ob ido no país de o igem, ní el de ins ução ecebido
no país de acolhimen o, géne o, sendo que se do sexo masculino em um impac o mais a o á el
pa a a aquisição da L2, o empo de pe manência no país de acolhimen o, a in enção de
es abelecimen o nesse país, empo de pe manência num cen o de eceção pa a e ugiados,
pa icipação em cu sos de in eg ação, iliação a o ganizações, mig ação de g andes cidades e
p oblemas de saúde, an o ísica como men al.
Mesmo com a o es como idade de mig ação, ní el de ins ução e du ação de es adia no
país, os e ugiados são menos p o icien es na L2 que as amílias de ou o ipo de imig an es, o
que le a o au o a suge i que possam exis i ou o a o es que in luenciem o g upo de e ugiados,
ais como a du ação da es adia no cen o de eceção, a impo ância de pa icipa num cu so de
in eg ação, pa icipação social, consequências de dep essão e p oblemas de saúde, e o impac o
do local de esidência no país de o igem, especi icamen e se os indi íduos i em em á eas u banas
ou u ais no seu país de o igem. São di e sos os es udos com imig an es que p o am que a
equência de um cu so de in eg ação ou de língua em um impac o posi i o, embo a pequeno,
na aquisição da L2.
No seu es udo, an Tube gen (2010) examina a aquisição linguís ica de e ugiados
p o enien es do A eganis ão, I ão, I aque, an iga Jugoslá ia e Somália, nos Países Baixos. O g upo
24
de e ugiados que pa icipou nes e es udo é conside ado de pa icula in e esse, uma ez que, não
inha qualque ipo de conhecimen o p é io da língua an es de chega ao país, o que signi ica que
a sua aquisição só oco eu no pe íodo de empo após a chegada ao e i ó io holandês. Nes e
p oje o, hou e a colabo ação de quase 3.500 e ugiados, endo es es sido es ados nos seus
conhecimen os o ais e esc i os. O au o concluiu que o ní el de ins ução p é-mig ação em um
e ei o posi i o na compe ência de uma L2, assim, os e ugados com mais quali icações
demons am uma melho compe ência linguís ica. Concluiu ambém que a idade com que os
e ugiados mig a am, impac a o seu desempenho na L2, sendo que os e ugiados que chega am
ao país de acolhimen o com uma idade mais a ançada, ala am e liam holandês pio do que
aqueles que chega am mais jo ens. No que diz espei o ao géne o, o au o concluiu que os
e ugiados do sexo masculino ob êm melho es esul ados que as mulhe es.
Analisando a in enção de es abelecimen o no país de acolhimen o, o au o conclui que os
e ugiados que p e endem ica no país, alam e esc e em melho que aqueles que planeiam
eg essa ao país de o igem. No en an o, es a co elação não é mui o signi ica i a. Também a
du ação da es adia no país de acolhimen o es á associada a melho es compe ências na L2, sendo
a maio di e ença sen ida no início da es adia no país. Is o é, é sen ida uma di e ença na
compe ência en e um indi íduo que chegou ao país de acolhimen o há 2 anos e ou o há 4 anos,
po ém, se um chegou há 10 anos e ou o há 12, en ão a di e ença não é no ó ia.
Co o e Pe e son (2005) conduzi am um es udo baseado num modelo que p opõe que
um his o ial de auma conduz a ele ados ní eis de ansiedade e a sin omas dep essi os que
con ibuem pa a uma aquisição de icien e da L2, no caso inglês, e, em úl ima análise, conduzem
a um emp ego ins á el e a uma aca au onomia. Pa icipa am nes e es udo 34 e ugiados bósnios
esiden es em No a Io que. Os pa icipan es esponde am a um ques ioná io sociolinguís ico e ao
Hopkins Symp oms Checklis
(HSCL-25), um ques ioná io que pe mi e a alia quad os de
dep essão, ansiedade e sin omas de s ess pós- aumá ico. Os in es igado es concluí am que não
exis ia uma co elação en e os esul ados do es e HSCL-25 e di iculdades na aquisição linguís ica,
nem au onomia económica. Pa a a amos a em ap eço nes e es udo, os melho es indicado es de
aquisição de p o iciência linguís ica o am a idade, o empo de pe manência no país de
acolhimen o e o núme o de meses há que os e ugiados es a am emp egados.
Cla ke
e al
. (1993) conduzi am um es udo com adolescen es e ugiados o iundos do
Camboja e concluí am que os pa icipan es com diagnós icos de PTSD ap esen a am um isco
mais ele ado de di iculdade na aquisição de inglês L2. Des a o ma, os au o es hipo e iza am que
25
es a elação pode ia se a ibuída à pa icipação limi ada na sociedade de acolhimen o, o que,
consequen emen e, limi a ia as suas opo unidades de exposição à língua e a sua aquisição de
compe ências linguís icas. A elação in e sa ambém se á possí el de obse a , is o é, a al a de
conhecimen o da L2 pode á se um a o de impac o nega i o pa a a saúde men al dos e ugiados,
que se pode ão sen i mais isolados na sociedade.
Também Blai (2000) conduziu um abalho com e ugiados do Camboja e concluiu que
aqueles que deixa am o país com a sua amília da am con a de ní eis de dep essão e PTSD
signi ica i amen e mais baixos do que os que pa iam sozinhos. De o ma semelhan e, Nicholson
(1997) mos ou que os e ugiados casados exibiam ní eis de dep essão menos ele ados do que
aqueles que não e am casados.
2.2.1. O con ex o dos e ugiados uc anianos
A endendo ao núme o de e ugiados que escolhe am a Alemanha como des ino após a
sua uga da Uc ânia, B ücke
e al
. (2023) conduzi am um es udo, no qual o am en e is ados
mais de 11 mil uc anianos chegados ao país logo após a in asão ussa, com o obje i o de o nece
“a da a-in as uc u e o heo yd i en and e idence-based esea ch on a ious aspec s o
in eg a ion among Uk ainian e ugees in Ge many” (p. 395) bem como pe cebe as ca ac e ís icas
demog á icas, linguís icas e educacionais dessa população.
Os dados ecolhidos de am con a de uma população de e ugiados com um al o ní el de
ins ução, que ocupa am posições quali icadas no me cado de abalho an es da gue a. O g upo
e a compos o maio i a iamen e po mulhe es, que chega am à Alemanha, mui o equen emen e,
acompanhadas po c ianças pequenas e sepa adas dos seus pa cei os, que o am ob igados a
pe manece na Uc ânia.
Num ou o es udo, conduzido nos Países Baixos em 2023, oi compa ada a in eg ação
socioeconómica dos e ugiados sí ios que chega am ao país en e 2015 e 2021 com a in eg ação
dos e ugiados uc anianos que chega am en e 2022 e 2023 ( an Woe kom, 2024). Pa a isso, a
au o a in es igou as polí icas e e en es à emp egabilidade e ensino/ap endizagem de nee landês
di ecionadas a es es dois g upos. Ainda que es e es udo não es eja ocado na aquisição linguís ica
p op iamen e di a, an Woe kom des aca a impo ância da in e ligação en e os domínios da
emp egabilidade e do domínio linguís ico, chegando à conclusão de que a al a de apoio linguís ico
conduz à in eg ação económica inadequada e ice- e sa.
26
O go e no nee landês conside a a p o iciência linguís ica e a emp egabilidade pila es
essenciais pa a a in eg ação dos e ugiados no seu e i ó io, e as suas polí icas de in eg ação
e le em isso mesmo: odos os e ugiados são ob igados a equen a aulas de nee landês de
o ma a comple a o seu p og ama de in eg ação e es a em p epa ados a pa icipa na sociedade
nee landesa nomeadamen e, no me cado de abalho ( an Woe kom, 2024). Ainda assim,
ap ende nee landês não oi dec e ada uma ob iga o iedade pa a os e ugiados uc anianos.
Des a o ma, os cidadãos uc anianos pude am in eg a o me cado de abalho sem a
necessidade de ob e em compe ência linguís ica p imei o, po ém, ica am limi ados a emp egos
de baixa quali icação, já que iam ap endendo a língua à medida que iam abalhando. Fica am
assim ba ados de consegui emp egos de al a quali icação, uma ez que necessi am de uma
melho comp eensão linguís ica e, em mui os casos, a e minologia e compe ências p é-
mig a ó ias não podem se co e amen e anspos as pa a a sua ealidade pós-mig ação, o que
az com que a maio ia dos e ugiados uc anianos emp egados na Eu opa enha um emp ego de
ní el in e io àquele que inha na Uc ânia.
Pa a além da in luência da compe ência linguís ica na emp egabilidade, an Woe kom
(2024) ambém abo da as alhas dos p og amas de ensino da L2 o e ecidas aos e ugiados.
Apoiando-se na eo ia de que os indi íduos que es ão a ap ende uma no a língua necessi am de
comunicação au ên ica com alan es na i os da sociedade de acolhimen o, a au o a des aca que
os cu sos de língua pode ão e um impac o in e so daquele que é p e endido, uma ez que, limi a
o empo que os e ugiados êm disponí el pa a p a ica nee landês com os na i os. Ainda que es a
in e ação au ên ica seja mui o an ajosa pa a os ap enden es, é necessá io que haja algum
conhecimen o básico p é io pa a consegui man e uma con e sa com um na i o, que pode se
adqui ido a a és dos cu sos o e ecidos pelo go e no, no en an o, es es ap esen am algumas
alhas. Os pa icipan es no es udo de an Woe kom iden i icam dois p oblemas p incipais no
p ocesso de aquisição da língua: o idioma em que as aulas são adminis adas e a ince eza de
pe manência no país.
Rela i amen e à p imei a ques ão, ambos os g upos de e ugiados sen i am
nega i amen e o impac o do ensino de holandês em holandês, dando con a de di iculdades em
cap a o con eúdo lecionado po não se na sua língua ma e na, e di iculdades na capacidade de
aze associações en e no as pala as e as pala as co esponden es na sua LM. Po ou o lado,
a ince eza de pe manência nos Países Baixos é uma ques ão que a e a mais os e ugiados

27
uc anianos, que acabam po se sen i menos mo i ados a in es i na ap endizagem da L2 po não
sabe em se se ão au o izados a pe manece no país.
28
CAPÍTULO 3. O p esen e es udo
O p esen e es udo é cons i uído po ês pa es. Inicialmen e, os pa icipan es
esponde am a um (1) ques ioná io sociolinguís ico, que inha como obje i o ecolhe in o mações
pe inen es pa a comp eende o seu p ocesso de ap endizagem do po uguês.
De seguida, comple a am um (2) es e de ocabulá io, usando o es e LexTale PT (Zhou &
Li, 2021), de o ma a medi o seu conhecimen o lexical do po uguês, um indicado conside ado
iá el do seu ní el de p o iciência em po uguês.
Finalmen e, os pa icipan es comple a am uma (3) a e a de imi ação p o ocada, na qual
inham de ou i e epe i 24 ases cu as em po uguês, es ando es as di ididas em ês g aus de
di iculdade.
3.1 P ocedimen o
A amos a da população de e ugiados uc anianos esiden es em Po ugal oi selecionada
a a és da di ulgação online des e es udo jun o de ins i uições de acolhimen o de e ugiados e de
ensino de po uguês pa a es angei os, a a és de um o mulá io cons uído usando o
Mic oso
Fo ms
, no qual os po enciais pa icipan es pode iam egis a o seu in e esse em aze pa e do
es udo. Os in e essados o am pos e io men e con ac ados ia e-mail, com um link e um código
de acesso à expe iência. Todos os es es, bem como o ques ioná io sociolinguís ico, o am
adminis ados emo amen e, na pla a o ma de ecolha de dados expe imen ais
Go illa
.
Dada a ex ensão da expe iência, oi dada a opo unidade de es a se ei a em á ios dias,
sendo pedido aos pa icipan es que, caso op assem po não comple a o es udo de uma só ez, o
de iam aze no p azo de uma semana. Mais ainda, endo em con a a he e ogeneidade do ní el
de p o iciência de po uguês dos pa icipan es, assim como das suas línguas ma e nas
(nomeadamen e usso ou uc aniano), oi dada aos pa icipan es a possibilidade de le o
consen imen o in o mado e as ins uções dos es es numa de qua o línguas à sua escolha:
po uguês, uc aniano, usso ou inglês.
29
3.2. Ma e iais
3.2.1. Ques ioná io Sociolinguís ico
O ques ioná io usado nes e es udo consis e numa compilação de ques ões pe inen es
ei as em ques ioná ios já exis en es, o ien ados pa a populações de e ugiados, sendo es es
di ecionados pa a ques ões socioeconómicas e in eg ação cul u al (B zozowska
e al
., 2020;
Te yana & Panu, 2022). Foi usado ainda um ques ioná io aplicado num es udo sob e a c iação de
comunidades pa a p omo e a aquisição de uma segunda língua en e pessoas em si uação de
c ise ealizado po Ch abazscz
e al
. (2022). Foi ainda usado o ques ioná io de Co eia e Flo es
(2021), de modo a ecolhe dados sob e a compe ência linguís ica dos e ugiados em di e en es
línguas.
Assim, oi elabo ado um ques ioná io sociolinguís ico compos o po 27 ques ões, ( e
anexo B) que isam ecolhe in o mação biog á ica dos pa icipan es, bem como as suas
expe iências no dia a dia, de o ma a se possí el quan i ica a o inpu da L2 a que os alan es
es ão expos os, bem como o ou pu que p oduzem.
As p imei as ques ões do ques ioná io dizem espei o à idade, géne o, es ado ci il, país
de nascimen o, e caso o pa icipan e não enha nascido na Uc ânia é pedido que indique quan os
anos i eu no país, qual/quais a(s) sua(s) língua(s) ma e na(s), qual é o seu ní el de ins ução,
quando saiu da Uc ânia, quando chegou a Po ugal, e com quem ez essa mudança, is o é, se
iajou sozinho(a), com amigos ou amilia es, e se em ilhos. Pa a além disso, os pa icipan es
o nece am in o mações sob e a sua si uação p o issional an es de deixa o seu país de o igem,
bem como a sua si uação p o issional a ual, e qual o ní el de po uguês necessá io pa a
desempenha essa unção. Foi ainda inqui ido se os pa icipan es conside am encon a um
emp ego em Po ugal um p ocesso ácil.
Em elação às suas compe ências linguís icas, ques iona-se sob e a equência em cu sos
de po uguês e, caso o pa icipan e já enha pa icipado nes as aulas, de e á indica há quan o
empo e em que ins i uição es e e/es á insc i o. Po sua ez, caso o pa icipan e não equen e
es as aulas, é pedido que indique as azões pa a não o aze . Adicionalmen e, é pedido que o
pa icipan e aça uma au oa aliação da sua mo i ação pa a ap ende po uguês quando começou
as aulas, e da sua mo i ação no momen o em que es a a a esponde ao ques ioná io. Pa a além
disso, oi ainda pedido que izesse uma au oa aliação do seu domínio das línguas po uguesa e
inglesa, nomeadamen e da sua capacidade de p odução e comp eensão o al. Finalmen e, o
30
pa icipan e e e de quan i ica a equência do uso de po uguês, uc aniano e inglês no seu dia a
dia, numa escala de 0 a 100%, ha endo a possibilidade de indicação de mais línguas, caso es as
ossem usadas equen emen e.
Po úl imo, nas duas úl imas ques ões oi pedido que os pa icipan es indicassem os seus
planos pa a eg essa à Uc ânia, e a sua expe iência com e en os aumá icos elacionados com
a gue a. Dado que a úl ima ques ão oca num ópico bas an e sensí el, oi omada a decisão de
es a se de espos a acul a i a, cabendo ao pa icipan e oma a decisão de esponde ou não.
Foi ainda dada a possibilidade aos pa icipan es de elabo a em sob e es e assun o numa caixa de
comen á ios, caso es es o desejassem.
3.2.2. Lex PT
O es e de ocabulá io u ilizado nes e es udo é da au o ia de Zhou e Li (2021), sendo es e
compos o po 90 i ens (60 pala as e 30 pseudopala as /
nonwo ds
). A a e a dos pa icipan es
e a decidi se as pala as exibidas exis em ou não na língua po uguesa, endo de oma essa
decisão pa a os 90 i ens sepa adamen e, e sem um con olo de empo. A pon uação máxima
des e es e são 60 pon os, que são a ibuídos caso os pa icipan es iden i iquem co e amen e
odas as pala as eais e não assinalem nenhuma
nonwo d
como sendo uma pala a que exis e
em po uguês. O ace o das pala as ale 0,5 pon os (60 x 0,5 = 30), enquan o o ace o das
pseudopala as ale 1 pon o (30 x 1 = 30).
O obje i o do Lex PT é a e i a p o iciência dos pa icipan es em po uguês L2, já que exis e
uma al a co elação en e es es de ocabulá io e es es de p o iciência (Begla & Hun , 1999;
Zimme man, 2004), podendo es e se i como um ins umen o sólido, capaz de p e e a
p o iciência global na L2.
3.2.3. Ta e a de imi ação p o ocada:
TIP
As a e as de imi ação p o ocada são um bom ins umen o de de e minação de
desen ol imen o g ama ical e conhecimen o sin á ico, an o de c ianças bilingues como de adul os
ap enden es de uma L2 (Almeida
e al
., 2017; A mon-Lo em & Ma inis, 2015; Camp ield &
Mu phy, 2014; Co eia
e al
., 2024; E lam, 2006;). De ac o, é possí el des aca uma elação
signi ica i a en e es e ipo de es e, a ex ensão das ases, e o conhecimen o e expe iência do
alan e com a língua em ap eço, is o é, a sua p o iciência, que de aco do com Gailla d e T emblay
37
Pa icipan e
Idade
Sexo
Es ado Ci il
Região da Uc ânia
Língua(s)
Ma e na(s)
Há quan os meses es á em
Po ugal?
Com quem iajou pa a
Po ugal?
Ní el de ins ução
P1
25
F
Casado
Done sk
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o
Pós-G aduação
P2
19
F
Sol ei o
Ri ine
Uc aniano
27
I mão(s)
Ensino Secundá io
P3
29
F
Casado
Zapo íjia
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o
Fo mação P o issional
P4
31
M
Casado
Odessa
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o, Amigos
Fo mação P o issional
P5
38
F
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P6
54
F
Viú o
Kha ki
Uc aniano
27
Sozinho
Pós-G aduação
P7
35
F
Sol ei o
Kyi
Uc aniano, Russo
27
Pa cei o, Pais
Fo mação P o issional
P8
31
F
Sol ei o
Kha ki
Uc aniano, Russo
27
Sozinho
Pós-G aduação
P9
38
F
Casado
Odessa
Russo
27
Filhos
Fo mação P o issional
P10
46
F
Casado
Zaka pa ska
Uc aniano, Russo
17
Filhos
Pós-G aduação
P11
51
F
Viú o
Odessa
Uc aniano, Russo
27
Sozinho
Dou o amen o
P12
52
F
Casado
Nicolae
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P13
39
F
Casado
Kyi
Uc aniano
28
Pa cei o, Filhos
Menos que o secundá io
P14
47
F
Sol ei o
Dnip o
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P15
39
F
Di o ciado
Dnip o
Uc aniano, Russo
25
Filhos
Pós-G aduação
P16
41
F
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
29
Pa cei o, Filhos
Pós-G aduação
P17
42
F
Casado
Khe son
Uc aniano, Russo
26
Filhos, Pais
Fo mação P o issional
P18
32
F
Sol ei o
Kyi
Uc aniano, Russo
26
Amigos
Pós-G aduação
P19
35
M
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
18
Pa cei o, Filhos
Pós-G aduação
P20
43
F
Casado
Kha ki
Russo
27
Filhos
Pós-G aduação
P21
28
F
Casado
Zhy omy
Uc aniano
27
Sozinho
Pós-G aduação
P22
33
M
Di o ciado
Odessa
Uc aniano, Russo
22
Pa cei o
Pós-G aduação
P23
30
F
Casado
Kyi
Uc aniano, Russo
25
Pa cei o
Pós-G aduação
P24
32
F
Casado
Dnip o
Uc aniano, Russo
20
Pa cei o
Pós-G aduação
P25
34
F
Casado
Kyi
Uc aniano, Russo
28
Pa cei o
Fo mação P o issional
P26
34
F
Casado
Zapo íjia
Uc aniano, Russo
27
Filhos
Pós-G aduação
P27
30
M
Sol ei o
Khe son
Uc aniano, Russo
27
Amigos
Fo mação P o issional
P28
35
F
Sol ei o
Luhansk
Uc aniano, Russo
19
Pa cei o
Fo mação P o issional
P29
35
F
Di o ciado
Che nihi
Uc aniano
27
Filhos
Pós-G aduação
Tabela 2.
Pe il sociolinguís ico dos e ugiados uc anianos

38
Mo i ação pa a ap ende po uguês
Pa icipan e
F equen a aulas de
po uguês?
Tempo de ins ução
à chegada
a ualmen e
Uso de
po uguês
Uso de
uc aniano
Uso de
Inglês
Uso de
Russo
P1
Sim
Há menos de 6 meses
2
3
10%
60%
30%
0%
P2
Sim
Há mais de 1 ano
3
0
0%
70%
30%
0%
P3
Sim
Há mais de 1 ano
5
4
10%
60%
30%
0%
P4
Sim
Há mais de 1 ano
3
3
10%
60%
30%
0%
P5
Sim
Há mais de 1 ano
5
3
10%
0%
10%
80%
P6
Sim
Há mais de 1 ano
4
4
20%
60%
10%
10%
P7
Não
NA
2
4
10%
30%
20%
40%
P8
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
5
25%
25%
25%
25%
P9
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
50%
30%
20%
0%
P10
Sim
Há menos de 6 meses
5
5
30%
60%
10%
0%
P11
Sim
Há mais de 1 ano
4
5
0%
40%
30%
30%
P12
Sim
Há mais de 1 ano
3
5
10%
30%
10%
50%
P13
Sim
Há mais de 1 ano
3
4
20%
60%
20%
0%
P14
Sim
Há mais de 1 ano
4
2
10%
10%
30%
50%
P15
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
3
10%
40%
40%
10%
P16
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
20%
20%
40%
20%
P17
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
20%
40%
30%
10%
P18
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
3
10%
10%
60%
20%
P19
Sim
Há mais de 1 ano
4
4
10%
50%
10%
30%
P20
Sim
Há mais de 1 ano
4
2
10%
10%
20%
60%
P21
Sim
Há mais de 1 ano
5
4
50%
50%
0%
0%
P22
Sim
Há menos de 6 meses
1
0
10%
50%
40%
0%
P23
Sim
Há mais de 1 ano
5
3
20%
40%
40%
0%
P24
Sim
Há mais de 1 ano
4
3
20%
40%
40%
0%
P25
Não
N/A
2
4
10%
60%
30%
0%
P26
Sim
Há mais de 1 ano
5
4
20%
60%
10%
10%
P27
Sim
En e 6 meses e 1 ano
4
3
10%
40%
30%
20%
P28
Sim
En e 6 meses e 1 ano
3
4
10%
50%
40%
0%
P29
Sim
Há mais de 1 ano
5
2
40%
60%
0%
0%
Tabela 3.
Pe il sociolinguís ico dos e ugiados uc anianos
(con inuação)
39
Pa icipan e
Tem planos pa a eg essa à Uc ânia?
Vi eu acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a?
Resul ado
Lex PT
P1
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
36,0
P2
P e endo eg essa em b e e
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
34,5
P3
Reg esso quando me sen i segu o/a
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
37,0
P4
Ainda não sei
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
36,0
P5
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
36,5
P6
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
38,0
P7
Ainda não sei
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
39,0
P8
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
41,5
P9
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
44,0
P10
Reg esso quando me sen i segu o/a
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
29,5
P11
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
41,5
P12
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
47,5
P13
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
29,5
P14
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
45,5
P15
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
38,0
P16
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
39,5
P17
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
50,0
P18
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
39,5
P19
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
40,5
P20
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
37,5
P21
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
45,5
P22
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
35,5
P23
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
32,5
P24
Ainda não sei
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
39,0
P25
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
36,5
P26
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
51,5
P27
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
31,5
P28
Ainda não sei
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
33,5
P29
Ainda não sei
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
39,0
Tabela 4.
Pe il sociolinguís ico dos e ugiados uc anianos
(con inuação)
40
Chegada a Po ugal e in enção de pe manece
Tendo o con li o a mado despole ado em e e ei o de 2022, o am mui os os uc anianos
que decidi am deixa o seu país imedia amen e nesse mês, ou pouco empo depois. Assim,
26.67% dos pa icipan es deixa am a Uc ânia ainda du an e o mês de e e ei o, 44.83% (
n
= 13)
ez a sua mudança en e o mês de ma ço e ab il. Alguns cidadãos decidi am deixa a Uc ânia
mais a de, enho ei o essa mudança en e dezemb o de 2022 e janei o de 2023 (
n
= 2). Po
ou o lado, hou e quem i esse deixado o país mesmo an es de a gue a começa , en e dezemb o
de 2021 e janei o de 2022 (
n
= 2). En e a pa ida da Uc ânia e a chegada dos e ugiados a
Po ugal, deco eu uma média de 1.48 meses (
SD
= 2.01), chegando a maio ia a Po ugal no
mesmo mês em que deixou o seu país. Os uc anianos inqui idos nes e es udo es ão a esidi em
Po ugal há uma média de 25.4 meses (
SD
= 3.02).
Apesa de ainda demons a em ese as quan o ao seu u u o, 44,83% da amos a (n =
13) a i ma não p e ende eg essa à Uc ânia, desejando pe manece em Po ugal. Em
con apa ida, 20,7% dos pa icipan es exp essam o desejo de eg essa quando se sen i em
segu os pa a al, enquan o 31.03% ainda não possuem planos de inidos pa a o u u o. Um
pa icipan e mani es a a in enção de e o na à Uc ânia em b e e.
P o iciência linguís ica, mo i ação e pa icipação em cu sos de po uguês
51.72% da amos a au oa aliou o seu desempenho em p odução o al em po uguês com
o ní el mais baixo da escala, is o é, como sendo apenas capaz de p oduzi algumas pala as e
ases cu as, 31.03% (
n
= 9) ez uma au oa aliação um pouco mais posi i a, econhecendo a sua
capacidade de man e uma con e sa simples, e 17.24% a i mou se capaz de man e con e sas
longas em po uguês. Quan o à compe ência de comp eensão o al, os pa icipan es azem uma
au oa aliação um pouco mais posi i a que na ca ego ia an e io : 48.28% dos pa icipan es a i mam
consegui pe cebe uma con e sa simples e em i mo len o, 24.14% a i mam se capazes de
acompanha con e sas longas, e 27.59% econhecem que comp eendem apenas algumas
pala as e ases cu as.
Quando solici ado que a aliassem a sua mo i ação pa a ap ende po uguês quando
chega am a Po ugal, numa escala de 0 a 5, um pa icipan e usou o núme o 1, 3 pa icipan es
assinala am o ní el 2, 5 pa icipan es escolhe am o ní el 3, 7 o ní el 4, e a maio ia (
n
= 13,
44.83%) conside a a-se al amen e mo i ado pa a ap ende po uguês quando chegou ao país,
41
assinalando o ní el mais ele ado da escala. Foi epe ida a mesma ques ão, des a ez ela i amen e
à mo i ação a ual dos pa icipan es, já depois de es a em há á ios meses inse idos na
comunidade dominan e, e, na maio ia dos casos, de ins ução o mal da língua. Analisando as
suas espos as, é possí el conclui que quase me ade da amos a (
n
= 14, 48.28%) se conside a
menos mo i ada pa a ap ende po uguês do que quando p imei amen e chegou a Po ugal. Po
sua ez, 27.59% dos pa icipan es epo a am o mesmo ní el de mo i ação nos dois ins an es, e
24.14% a i ma am sen i -se mais mo i ados depois de um empo a i e em Po ugal. É de no a
que na p imei a ques ão ela i a à mo i ação dos pa icipan es, as suas espos as a ia am en e
1 e 5, no en an o, ao esponde em à ques ão sob e a sua mo i ação a ual, a escala oi al e ada,
passando a inclui o ní el mais baixo, 0. Assim, 2 pa icipan es a ibuí am 0 à sua mo i ação pa a
es uda po uguês a ualmen e, 3 pa icipan es assinala am o ní el 2, 8 escolhe am o ní el 3, a
maio ia (
n
= 9) assinalou o ní el 4 e 7 escolhe am o ní el mais ele ado, o 5, ep esen ando uma
queb a conside á el em compa ação com a mo i ação inicialmen e epo ada.
A pa icipação em aulas de po uguês aplica-se à gene alidade da amos a, com 93.1%
dos pa icipan es insc i os em di e sas ins i uições. Apenas 2 pa icipan es ela a am que não
equen am aulas de po uguês, ci ando a al a de ene gia pa a um es udo a i o e o s ess como
mo i os pa a não es uda . Os cen os de emp ego, cen os de olun a iado, cu sos g a ui os e
pla a o mas online são os meios de ensino mais comuns en e os pa icipan es, e 10.34% combina
os cu sos o e ecidos po es as ins i uições com aulas pa icula es, em alguns casos, com docen es
uc anianos. A maio ia dos pa icipan es insc i os em cu sos de po uguês (
n
= 19, 65.52%), em
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
45%
0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00
Mo i ação dos e ugiados pa a ap ende po uguês
À chegada a Po ugal A ual
G á ico 1.
Mo i ação dos e ugiados uc anianos pa a ap ende po uguês
e
42
aulas há mais de um ano, 10.71% em aulas há menos de seis meses, e os es an es es ão
insc i os há en e seis meses e um ano.
Mul ilinguismo no quo idiano dos pa icipan es
Sendo o plu ilinguismo uma ca ac e ís ica ma can e do g upo em análise, o na-se
undamen al comp eende quais as línguas usadas pelos pa icipan es no seu quo idiano. Es e
conhecimen o é essencial pa a a alia o impac o no p ocesso de aquisição do po uguês, uma ez
que um maio inpu na L2 ge almen e esul a numa maio p o iciência nessa língua. En e os
pa icipan es, 93.1% iden i ica am o uc aniano como uma das suas línguas ma e nas, o que
suge e que o uc aniano se ia a língua p edominan e do seu dia a dia.
De ac o, os dados mos am que a língua uc aniana é u ilizada, em média 42% do empo
pelos pa icipan es. A segunda língua mais u ilizada é o inglês, com uma média de 25%. Es e dado
não é su p eenden e, uma ez que o inglês se e equen emen e como uma língua anca pa a
supe a ba ei as linguís icas en e os e ugiados e os po ugueses, acili ando a comunicação
en e eles. O po uguês apa ece com uma média de u ilização de 17%, e, po úl imo, o usso é
usado em média 16% do empo pelos pa icipan es. Não o am mencionadas pelos pa icipan es
ou as línguas usadas no seu dia a dia.
G á ico 2.
Línguas usadas pelos e ugiados uc anianos no quo idiano enquan o i em em Po ugal
17%
42%
25%
16%
Po uguês
Uc aniano
Inglês
Russo

43
In eg ação no me cado de abalho
An es de se em o çados a deixa a a Uc ânia, os pa icipan es nes e es udo ocupa am, na
sua maio ia, o me cado de abalho desempenhando unções al amen e quali icadas. 31% e am
p o issionais da á ea das ecnologias da in o mação, desempenhando ca gos como
web de elope
,
ges o de p oje os, designe UI/UX ou engenhei o de so wa e. 10.34% (
n
= 3) e am p o issionais
de saúde (dois médicos e um a macêu ico), 13.79% e am p o issionais de ensino, sendo me ade
p o esso es uni e si á ios. En e os es an es pa icipan es, é possí el iden i ica especialis as em
inanças e economia, p o issionais ju ídicos, execu i os, ges o es e um es udan e.
Apesa de se em al amen e quali icados, e ainda que Po ugal enha implemen ado
medidas pa a acili a a in eg ação des es cidadãos no me cado de abalho, es a ansição não
icou isen a de desa ios, sob e udo pela ba ei a linguís ica, e pela di iculdade de ansposição de
quali icações de um país pa a o ou o. Consequen emen e, exis e um des asamen o en e os
emp egos que os uc anianos inham no seu país de o igem e os que conseguem em Po ugal.
Dos 29 cidadãos uc anianos em ques ão, 58.62% (
n
= 17), encon am-se emp egados,
dos quais 2 êm um emp ego à dis ância, man endo a mesma p o issão que inham na Uc ânia.
Po sua ez, um e ço da amos a encon a-se numa si uação de desemp ego, e 6.9% (
n
= 2) em
licença pa en al. Dos 15 pa icipan es que se encon am a abalha (excluindo os que êm
con a os à dis ância), 60%, is o é, 9 pessoas man êm o mesmo emp ego que inham no seu país
de o igem. Quando ques ionados sob e a sua expe iência na p ocu a de emp ego em Po ugal,
apenas 27.59% conside ou ácil encon a emp ego no país de acolhimen o, con a 72.41% que
conside a que o p ocesso oi di ícil.
Me ade dos pa icipan es que conside am que oi ácil começa
a abalha em Po ugal, abalham na á ea das ecnologias da in o mação, endo man ido as suas
p o issões ou simila es.
Acon ecimen os aumá icos
Es ando es as pessoas a abandona o seu país po causa da gue a, é expec á el que a
maio ia enha expe ienciado algum e en o aumá ico, di e a ou indi e amen e, deco en e dos
con on os e bomba deamen os sen idos no seu país. Con o me já mencionado, a i ência des es
acon ecimen os pode e e ei os p olongados na saúde men al dos en ol idos, a e ando a sua
qualidade de ida. Dependendo da sua egião de o igem, os e ugiados uc anianos podem e ido
di e en es ipos de expe iências com es es e en os, sendo os mais a e ados aqueles que i iam
44
no les e e sudoes e do país. Na amos a em ap eço, 41.38% ela a am não e sido di e amen e
a e ados, mas admi em conhece pessoas que o am a ingidas po e en os aumá icos. Pa a além
disso, 27.59% a i mam que an es de deixa a Uc ânia es emunha am si uações aumá icas, e
31.03% ela a am e i enciado di e amen e si uações aumá icas elacionadas com a gue a.
Alguns dos pa icipan es do es udo acei a am pa ilha as suas expe iências an es de
abandona a Uc ânia. En e os es emunhos exis em ela os de bomba deamen os cons an es,
alguns mencionam a ocupação das suas cidades e a ausência de ab igos p óximos, ob igando-os
a esconde -se em casa, dia e noi e, pa a se p o ege em. Alguns pa icipan es menciona am que,
mesmo sem es emunha di e amen e si uações aumá icas, os sons das explosões e a p esença
cons an e de ja os e mísseis a sob e oa o e i ó io causa am sen imen os in ensos de ansiedade
e dep essão. A p eocupação com amilia es e amigos que pe manecem no país, especialmen e
na linha da en e dos comba es, ou em e i ó ios ocupados é uma cons an e, aumen ando o
s ess e a sensação de insegu ança, mesmo es ando em Po ugal.
Há ela os de amilia es e amigos mo os ou g a emen e e idos pelos comba es, e mui os
desc e e am a des uição de cidades e ilas, com edi ícios in ei os eduzidos a escomb os. Pa a
além disso, mui os ela am e acuações ei as sob g ande p essão e com poucos pe ences. Os
sen imen os de pe da e deslocamen o são exace bados pela impossibilidade de um eg esso b e e
e segu o. Alguns e ugiados exp essa am a sensação de que a Uc ânia nunca mais se á o país
que conheciam, dian e da ealidade de as ado a do con li o que ainda pe sis e.
3.3.2. G upo de con olo
O g upo de con olo é compos o po 10 alan es na i os de po uguês eu opeu, esiden es
no dis i o de B aga, e com idades comp eendidas en e os 22 e os 52 anos (
M
= 29.9,
SD
=
10.94). 60% dos pa icipan es são do sexo eminino (
n
= 6), e 40% do sexo masculino. No que diz
espei o ao seu ní el de ins ução, um dos pa icipan es não comple ou o ensino secundá io, 30%
dos pa icipan es comple ou os seus es udos a é ao ensino secundá io, 30% comple ou uma
licencia u a e 30% concluiu uma pós-g aduação.
45
3.4. Ques ões de in es igação
P e ende-se com es a in es igação a alia a compe ência g ama ical do po uguês exibida
po e ugiados uc anianos, depois de esidi em en e 1.4 e 2.3 anos em Po ugal e in es iga a
a iação in ag upal, conside ando a in luência de a o es ex alinguís icos na aquisição do
po uguês. Des a o ma, o p esen e es udo isa esponde às seguin es ques ões de in es igação:
Q1: Quais são os a o es p é e pós-mig a ó ios que in luenciam o p ocesso de
desen ol imen o lexical do po uguês eu opeu po e ugiados uc anianos esiden es em Po ugal
desde o início da gue a na Uc ânia?
Q2: Quais são as es u u as mo ossin á icas do po uguês que o am adqui idas pelos
e ugiados uc anianos desde que se es abelece am em Po ugal?
Q2.1: Que a o es in luenciam a capacidade dos e ugiados de adqui i e p oduzi
di e en es es u u as mo ossin á icas do po uguês?
Q2.2: A aquisição das es u u as mo ossin á icas segue a mesma o dem
obse ada po ou os alan es de po uguês eu opeu?
46
CAPÍTULO 4. Resul ados
Nes e capí ulo, ap esen a -se-ão os esul ados dos dados ecolhidos, a a és da sua
análise es a ís ica e desc i i a. Es a análise se á ei a em duas ases dis in as, uma ez que, dos
29 pa icipan es uc anianos no es udo, apenas 20 concluí am a expe iência na sua o alidade, is o
é, esponde am ao ques ioná io sociolinguís ico, comple a am o es e de p o iciência lexical e a
a e a de imi ação p o ocada. Os es an es 9 pa icipan es apenas esponde am ao ques ioná io
e concluí am o es e de ocabulá io (Lex PT).
Des a o ma, a p imei a pa e da análise ocaliza á os dados ecolhidos a a és do
ques ioná io sociolinguís ico e dos es es de ocabulá io aplicados aos 29 pa icipan es
uc anianos, com o de a e i a in luência de di e sos a o es sociolinguís icos no desen ol imen o
da compe ência lexical dos e ugiados. Na segunda pa e da análise, se á conside ado o subg upo
de 20 pa icipan es que comple a am a expe iência a é ao inal. Pa a esse g upo, se á o necido
o pe il sociolinguís ico, bem como uma análise da sua pe o mance na a e a de imi ação
p o ocada. Se á ainda e i icada a exis ência de um e ei o de g upo em compa ação com o
desempenho do g upo de con olo compos o po 10 alan es na i os de po uguês.
Todas as análises o am ei as u ilizando o Jamo i, um so wa e de análise es a ís ica, que
pe mi e ealiza análises desc i i as e in e enciais, como compa ações en e g upos e eg essões.
4.1. Co elações en e a o es sociolinguís icos e os esul ados do Lex PT
Nes a secção, ap esen a -se-á a análise es a ís ica que pe mi e esponde à p imei a
ques ão de in es igação: De que o ma é que di e sos a o es sociolinguís icos in e e em com o
esul ado do es e de p o iciência lexical, Lex PT? Fo am usados coe icien es de co elação de
Pea son pa a quan i ica a o ça das elações en e as a iá eis em análise.
4.1.1. Resul ados globais dos e ugiados e do g upo de con olo
A abela 5 ap esen a os esul ados dos dois g upos de pa icipan es no Lex PT:
53
Tabela 12. Médias de ace o de cada ipo de es u u a mo ossin á ica pa a os dois g upos de pa icipan es
Ní el
Tipo de es u u a
Medida
G upo
Média
Des io Pad ão
C1
Fu u o Pe i ás ico
TS
Re ugiados
0.4500
0.504
Na i os
0.950
0.224
TS&G a
Re ugiados
0.3000
0.464
Na i os
0.900
0.308
I. Repe i ion
Re ugiados
0.1750
0.385
Na i os
0.900
0.308
P e é i o Pe ei o
TS
Re ugiados
0.6250
0.490
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.3750
0.490
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.1250
0.335
Na i os
0.850
0.366
Comple i a Não Fini a
TS
Re ugiados
0.6750
0.474
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.5250
0.506
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.5000
0.506
Na i os
0.950
0.224
C2
Comple i a Fini a
TS
Re ugiados
0.2250
0.423
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.1000
0.304
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.0500
0.221
Na i os
1.000
0.000
Rela i a_Sujei o
TS
Re ugiados
0.4500
0.504
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.3000
0.464
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.2750
0.452
Na i os
1.000
0.000
Conjun i o_P esen e
TS
Re ugiados
0.3250
0.474
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.2250
0.423
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.2000
0.405
Na i os
1.000
0.000
Conjun i o_P e é i o
TS
Re ugiados
0.4250
0.501
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.1000
0.304
Na i os
0.900
0.308
I. Repe i ion
Re ugiados
0.0250
0.158

54
Na i os
0.900
0.308
Passi a agen i a cu a
TS
Re ugiados
0.5750
0.501
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.2250
0.423
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.2000
0.405
Na i os
1.000
0.000
Passi a não agen i a
cu a
TS
Re ugiados
0.5500
0.504
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.2250
0.423
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.2000
0.405
Na i os
1.000
0.000
C3
Clí icos Acusa i os
TS
Re ugiados
0.1250
0.333
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.0625
0.244
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.0625
0.244
Na i os
0.925
0.267
Rela i a_Obje o
TS
Re ugiados
0.5500
0.504
Na i os
1.000
0.000
TS&G a
Re ugiados
0.2250
0.423
Na i os
1.000
0.000
I. Repe i ion
Re ugiados
0.1250
0.335
Na i os
0.950
0.224
Os esul ados ob idos pa a as es u u as mo ossin á icas que compõe o p imei o ní el de
complexidade (C1) e elam que os pa icipan es uc anianos êm uma maio acilidade na p odução
das ases com o ações comple i as não ini as (
M
= 0.6750), sendo essa a ca ego ia na qual
alcança am os esul ados mais ele ados em odas medidas. Também o p e é i o pe ei o se
mos ou uma es u u a acessí el pa a os uc anianos a ap ende po uguês (
M
= 0.6250). Pa a o
ní el C1, a es u u a mais p oblemá ica pa a es e g upo de pa icipan es oi o u u o pe i ás ico,
com uma média de ace o máxima de 45%. No que diz espei o aos alan es na i os, as médias
da sua p es ação pa a as es u u as e e en es a es e ní el de complexidade oscila am en e 85%
e os 100%, endo o esul ado mais baixo sido ob ido na medida
iden ical epe i ion
pa a a p odução
do p e é i o pe ei o.
55
Pa a o ní el C2, os e ugiados demons a am mais acilidade na p odução das ases na
passi a, com uma média de ace o de 57.5% pa a a passi a agen i a cu a, e 55% pa a a passi a
não agen i a cu a. Po sua ez, os alan es na i os p oduzi am es as es u u as sem di iculdades,
sendo a p obabilidade de ace o de 100%. Apesa de as o ações ela i as com sujei o
ap esen a em uma p obabilidade de ace o um pouco mais baixa, 45%, conclui-se que os
pa icipan es demons am um desempenho mode ado pa a es a es u u a, bem como pa a o
p e é i o impe ei o do modo conjun i o, com uma média de 42.5% pa a a medida TS. No en an o,
a p obabilidade de os e ugiados aze em uma ep odução idên ica das ases que con êm o
p e é i o impe ei o do conjun i o é ex emamen e baixa, sendo igual a apenas 2.5%. A
p obabilidade de ace o do p esen e do conjun i o é um pouco mais baixa, sendo igual a 32.5%.
Nes e ní el de complexidade, a es u u a mais di ícil são as o ações comple i as ini as, com uma
média de ace o de 22.5% pa a a medida TS, e 5% pa a a
iden ical epe i ion
. Os alan es na i os
dão con a de esul ados cons an es de 100%, exce o nas medidas TS&G a e
iden ical epe i ion
pa a o p e é i o impe ei o do conjun i o, sendo a p obabilidade de ace o igual a 90%.
Já no ní el de complexidade mais ele ado, os ap enden es de po uguês exibem um bom
domínio da p odução de o ações ela i as com obje o, com uma p obabilidade de ace o de 55%.
É nes e ní el que es á inse ida a es u u a que impõe mais di iculdade aos e ugiados uc anianos:
os p onomes clí icos acusa i os. A p obabilidade de ace o des a es u u a é igual a 12.55% pa a
a medida TS, e 6.25% pa a as es an es. Rela i amen e aos pa icipan es po ugueses, o seu
desempenho é máximo em odas as ca ego ias, exce o na
iden ical epe i ion
an o dos p onomes
clí icos (92.5%), como das ela i as com obje o (95%).
4.2.2 Análise de modelos mis os gene alizados
Pa a a e i o e ei o das di e en es a iá eis ex alinguís icas, assim como do ní el de
complexidade sob e os esul ados ob idos na TIP, co emos di e en es modelos gene alizados
mis os. A a iá el dependen e é, em odos os modelos, o esul ado ob ido na TIP. O pa icipan e
e o i em o am in oduzidos em odos os modelos como in e cep os alea ó ios. As a iá eis
independen es in oduzidas a iam, sendo ap esen adas pa a cada modelo.
Num p imei o momen o, co emos ês modelos mis os gene alizados, um pa a cada ipo
de medida de pon uação da TIP, de modo a a alia o e ei o de g upo e do ní el de di iculdade na
p odução co e a dos es ímulos da a e a po pa e de odos os pa icipan es no es udo: alan es
56
na i os e pa icipan es uc anianos. De seguida, se ão ap esen ados ês modelos adicionais, que
se ão ocados apenas na pe o mance dos pa icipan es uc anianos, a im de a e i o e ei o de
a o es ex alinguís icos na pe o mance dos pa icipan es na TIP, bem como pe cebe quais as
es u u as mais acessí eis pa a es e g upo endo em con a cada uma das medidas de pon uação.
Todos os modelos o am co idos usando o Jamo i.
Ta ge S uc u e
Nes e modelo mis o gene alizado, p e endemos a alia o e ei o de g upo e do ní el de
di iculdade das di e en es es u u as mo ossin á icas na p odução co e a da es u u a-al o.
Assim, a medida Ta ge S uc u e ep esen a a a iá el dependen e, e os a o es
g upo
e
ní el
,
cons i uem as a iá eis independen es, compa ando, espe i amen e, a di e ença na p odução
das es u u as-al o en e o g upo de na i os e de e ugiados, e a in luência da complexidade dos
es ímulos (C1, C2, C3) na sua p odução co e a.
A Tabela 13 ap esen a os esul ados ob idos. O alo do in e cep o e le e a p obabilidade
base de p odução co e a da es u u a-al o pa a o g upo de e e ência. Com
p
< 0.001, podemos
conside a que o in e cep o é signi ica i o, ou seja, mesmo sem conside a ou os e ei os, exis e
uma p obabilidade de sucesso ele ada da p odução das es u u as do ní el C1 pelos e ugiados.
Tabela 13.
E ei o de g upo e ní el pa a a medida Ta ge S uc u e
95% Exp(B)
Con idence In e al
Names
E ec
Es ima e
SE
exp(B)
Lowe
Uppe
z
p
(In e cep )
(In e cep )
3.41
0.704
30.193
7.5919
120.076
4.84
< .001
G upo1
Na i os -
Re ugiados
7.88
1.341
2637.896
190.4688
36533.529
5.87
< .001
Ni el1
C2 - C1
-1.00
0.638
0.368
0.1054
1.284
-1.57
0.117
Ni el2
C3 - C1
-2.23
0.760
0.107
0.0242
0.477
-2.93
0.003
Analisando o e ei o de g upo, concluímos que a p obabilidade de p odução da es u u a-
al o é conside a elmen e mais ele ada pa a o g upo de alan es na i os em compa ação com o
g upo de e ugiados, com exp(B) = 2637.9. Es e e ei o é es a is icamen e signi ica i o, com
p
<
57
0.001, o que indica que o g upo de na i os demons a um desempenho conside a elmen e
supe io .
A di e ença do sucesso da p odução co e a das es u u as en e o ní el C1 e C2 não é
es a is icamen e signi ica i a, com
p
= 0.117. No en an o, a p obabilidade de ha e uma p odução
co e a no ní el C2 é ce ca de 37% da p obabilidade pa a o ní el C1. Po ou o lado, azendo a
compa ação en e os ní eis C1 e C3, concluímos que exis e um e ei o signi ica i o (
p
= 0.003). O
coe icien e nega i o ( -2.23) indica que no ní el de complexidade C3 os pa icipan es êm uma
p obabilidade mais baixa de p oduzi co e amen e a es u u a-al o em compa ação com as do
ní el C1. Mais especi icamen e, a p obabilidade de um pa icipan e de um pa icipan e aze uma
p odução co e a no ní el C3 é ce ca de 10.7% da p obabilidade pa a o ní el C1.
Ta ge S uc u e and G amma icali y
Pa a o seguin e modelo mis o gene alizado, o am man idos os a o es g upo e ní el como
a iá eis independen es. No en an o, des a ez, p e endemos e o seu e ei o na medida TS&G a,
que é, nes e modelo, a a iá el dependen e.
Tabela 14.
E ei o de g upo e ní el pa a a medida Ta ge S uc u e + G amma icali y
95% Exp(B)
Con idence In e al
Names
E ec
Es ima e
SE
exp(B)
Lowe
Uppe
z
p
(In e cep )
(In e cep )
1.93
0.514
6.867
2.5063
18.815
3.75
< .001
G upo1
Na i os -
Re ugiados
7.56
1.007
1912.476
265.7029
13765.619
7.50
< .001
Ni el1
C2 - C1
-1.18
0.612
0.308
0.0929
1.024
-1.92
0.055
Ni el2
C3 - C1
-2.15
0.733
0.117
0.0277
0.490
-2.93
0.003
Nes e modelo, cujos esul ados es ão ap esen ados na Tabela 14, o in e cep o pa a o
g upo de e e ência é es a is icamen e signi ica i o, com
p
< 0.001, indicando que, mesmo sem
e mos em conside ação ou os a o es, exis e uma azão de p obabilidade de ap oximadamen e
6.87 pa a a p odução co e a das es u u as-al o e da g ama icalidade dos i ens do ní el C1 pelo
g upo de e ugiados.
58
A compa ação en e os alan es na i os e os pa icipan es uc anianos mos a que exis e
uma p obabilidade 1912.5 ezes maio de os na i os p oduzi em ases g ama icalmen e co e as
que o ou o g upo (exp(B) = 1912.5). Es e e ei o é es a is icamen e signi ica i o (
p
< 0.001),
indicando que os na i os ap esen am um desempenho mui o supe io na sua p odução das
es u u as-al o e g ama icalidade.
A compa ação en e os ní eis C1 e C2 indicam que a p obabilidade de ace o no ní el C2
pa a a medida TS&G a é ce ca de 30.8% da p obabilidade de ace o no ní el C1 (exp(B) = 0.308).
Nes e caso, o alo de
p
= 0.055 indica uma endência, po ém, não ap esen a uma e idência
es a ís ica o e (es ando ligei amen e acima do alo de e e ência 0.005). Compa ando os ní eis
C1 e C3, concluímos que a p obabilidade de ace o de um i em do ní el C3 é 11.7% da
p obabilidade e i icada pa a os i ens do ní el C1. Es e e ei o é es a is icamen e signi ica i o, com
p
= 0.003, con i mando que à medida que a complexidade dos i ens da a e a aumen a, a
p odução co e a das es u u as-al o man endo a g ama icalidade das ases diminui
conside a elmen e em compa ação com o ní el C1.
Iden ical Repe i ion
Pa a o p esen e modelo mis o gene alizado, à semelhança dos modelos an e io es, o am
man idos os a o es
g upo
e
ní el
como a iá eis independen es. No en an o, des a ez,
p e endemos e o seu e ei o na medida
iden ical epe i ion
, que é, nes e modelo, a a iá el
dependen e.
Tabela 15.
E ei o de g upo e ní el pa a a medida Iden ical Repe i ion
95% Exp(B)
Con idence
In e al
Names
E ec
Es ima e
SE
exp(B)
Lowe
Uppe
z
p
(In e cep )
(In e cep )
0.770
0.488
2.161
0.8302
5.62
1.579
0.114
G upo1
Na i os -
Re ugiados
7.004
0.930
1100.670
177.9154
6809.27
7.532
< .001
Ni el1
C2 - C1
-0.252
0.698
0.777
0.1981
3.05
-0.361
0.718
Ni el2
C3 - C1
-1.490
0.823
0.225
0.0449
1.13
-1.810
0.070

59
O alo de
p
= 0.114 indica que o in e cep o pa a es e modelo não é es a is icamen e
signi ica i o, suge indo que não há e idência su icien e pa a a i ma que os pa icipan es
uc anianos êm uma p obabilidade cla a de p oduzi as ases exa amen e da o ma como as
ou i am. O modelo dá con a de um e ei o de g upo signi ica i o, com os pa icipan es na i os a
ap esen a uma p obabilidade de p oduzi as ases exa amen e como as ou i am 1100.67 ezes
supe io em compa ação com os e ugiados. Es e e ei o é al amen e signi ica i o, com
p
< 0.001,
indicando uma di e ença cla a en e os dois g upos, sendo o desempenho dos alan es na i os
conside a elmen e supe io ao dos e ugiados.
A compa ação en e os ní eis C1 e C2 não é es a is icamen e signi ica i a (
p
= 0.718),
não há, po an o, e idência su icien e pa a a i ma que há uma di e ença ele an e na
p obabilidade de p odução co e a das ases en e os dois ní eis. A di e ença en e os ní eis C1
e C3 é mais acen uada, com uma p obabilidade de p odução co e a dos i ens de ní el C3 igual a
22.5% da p obabilidade de ace o pa a o ní el C1. Ainda que haja uma endência de um pio
desempenho nos i ens de ní el C3, o alo de
p
= 0.070 não é su icien emen e o e pa a se
conside ada uma di e ença es a is icamen e signi ica i a.
Análise dos modelos gene alizados mis os pa a os esul ados dos pa icipan es
uc anianos
Pa a os modelos gene alizados mis os a segui ap esen ados, a a iá el dependen e é o
esul ado ob ido na TIP. O pa icipan e e o i em o am in oduzidos em odos os modelos como
in e cep o alea ó io. As a iá eis independen es in oduzidas a iam e se ão iden i icadas pa a
cada um dos modelos. Como e e ido an e io men e, os ês modelos seguin es apenas dizem
espei o à análise dos esul ados de um subg upo de 20 pa icipan es uc anianos cujo pe il
sociolinguís ico pode á se consul ado no anexo D.
Ta ge S uc u e
A Tabela 16 ap esen a os esul ados da análise do modelo gene alizado mis o ela i os à
medida Ta ge S uc u e. Assim, como a iá el dependen e, es e modelo incluiu a pon uação dos
pa icipan es uc anianos na TIP pa a a medida Ta ge S uc u e. Como a iá eis independen es o
60
modelo incluiu a mo i ação a ual dos pa icipan es uc anianos pa a ap ende po uguês e o seu
empo de ins ução o mal da língua.
Tabela 16.
P obabilidade de p odução das di e en es es u u as em compa ação com a p odução de clí icos pa a a
medida TS
95% Con idence In e al
E ec
Es ima e
SE
exp(B)
Lowe
Uppe
z
p
(In e cep )
-0.232
0.354
0.793
0.396
1.59
-0.655
0.512
Mo i ação a ual
0.682
0.260
1.977
1.188
3.29
2.624
0.009
Tempo de ins ução
0.866
0.511
2.377
0.874
6.46
1.696
0.090
Comple i a_Fini a - Cl-ACC
1.208
0.783
3.345
0.721
15.52
1.542
0.123
Comple i a_Não Fini a - Cl-ACC
4.293
0.804
73.211
15.132
354.21
5.338
< .001
Conjun i o - p esen e - Cl-ACC
2.022
0.771
7.556
1.668
34.24
2.623
0.009
Conjun i o - p e é i o - Cl-ACC
2.741
0.773
15.509
3.410
70.53
3.547
< .001
Fu u o Pe i ás ico - Cl-ACC
2.743
0.773
15.539
3.417
70.66
3.550
< .001
Passi a agen i a cu a - Cl-ACC
3.767
0.789
43.258
9.206
203.26
4.772
< .001
Passi a não agen i a cu a - Cl-ACC
3.597
0.786
36.479
7.819
170.20
4.577
< .001
P e é i o Pe ei o - Cl-ACC
3.938
0.793
51.302
10.837
242.87
4.964
< .001
Rela i a_Obje o - Cl-ACC
3.599
0.787
36.557
7.822
170.86
4.575
< .001
Rela i a_Sujei o - Cl-ACC
2.891
0.777
18.009
3.931
82.51
3.723
< .001
Es e modelo indica que exis e um e ei o es a is icamen e signi ica i o (
p
= 0 0.09) da
mo i ação pa a ap ende po uguês sen ida pelos pa icipan es e sob e a p obabilidade de es es
p oduzi em co e amen e as es u u as-al o. Quan o mais mo i ados mais co e a é a sua
p odução. Os esul ados ob idos dão con a de uma p obabilidade quase duas ezes supe io
(exp(B) = 1.977) de sucesso pa a es a medida, quando os pa icipan es es ão mais mo i ados. Já
o empo de ins ução o mal em po uguês, não exibe um e ei o signi ica i o na p odução das
es u u as pa a es a medida.
A análise dos esul ados do modelo e ela di e enças signi ica i as na p obabilidade de
p odução das di e en es es u u as mo ossin á icas em compa ação com a p odução de
p onomes clí icos acusa i os, sendo a p odução de o ações comple i as ini as a única
compa ação que não esul ou num e ei o es a is icamen e signi ica i o (exp(B)
= 3.345,
p
=
0.123). Todas as ou as es u u as g ama icais são mui o mais p o á eis de se em p oduzidas
co e amen e em compa ação com a p odução de clí icos acusa i os, sendo as mais o emen e
associadas a uma maio p obabilidade de p odução as o ações comple i as não ini as (exp(B)
=
61
73.211
, p
< 0.001), o p e é i o pe ei o (exp(B)
= 51.302
, p
< 0.001) e as ases passi as (exp(B)
= 43.258
, p
< 0.001).
De aco do com o modelo, a p obabilidade de p odução de uma espos a co e a quando
há a al e ação de 1SD do a o
empo de ins ução
abaixo da média é de 30.8%, e a al e ação de
1SD acima da média, le a a uma al e ação da p obabilidade de ace o pa a 58.5%. A al e ação de
1SD abaixo da média aplicada à
mo i ação a ual
pa a ap ende po uguês, al e a a p obabilidade
de ace o pa a 24.1%, e a al e ação de 1SD acima da média ele a a p obabilidade de uma epos a
co e a pa a 66.4%.
Os esul ados da análise dos
pos hoc es s
ealizados de modo a examina as di e enças
en e as p obabilidades da p odução co e a das di e en es es u u as g ama icais pelos
pa icipan es uc anianos e e en es à medida
TS,
e elam que os clí icos acusa i os são
signi ica i amen e menos p o á eis de se em usados co e amen e em compa ação com as
es an es es u u as (
c .
Anexo E).
As di e enças mais p onunciadas o am obse adas en e a p odução dos clí icos e as
o ações comple i as não ini as, as passi as cu as, o p e é i o pe ei o e as o ações ela i as com
obje o, endo odas es as compa ações um alo de
p
< 0.001. Também as o ações ela i as com
sujei o são mais p o á eis de se em p oduzidas co e amen e do que os p onomes clí icos (
p
=
0.011). Po sua ez, não exis e uma di e ença signi ica i a en e a p odução dos clí icos e as
comple i as ini as, nem o p esen e do modo conjun i o, sendo o alo de
p
nesses casos igual a
1.000 e 0.749, espe i amen e.
Exis e ainda uma di e ença signi ica i a en e a p odução dos di e en es ipos de
comple i as (
p
= 0.017), ha endo uma maio p obabilidade de os ap enden es p oduzi em as
o ações comple i as não ini as co e amen e do que as comple i as ini as. Mais especi icamen e,
a azão de p obabilidade e ela que exis e uma p obabilidade de 4.57% de os pa icipan es
p oduzi em co e amen e uma o ação comple i a não ini a em compa ação com uma comple i a
ini a.
Pa a além des as compa ações obse adas pa a a ca ego ia dos clí icos acusa i os e das
o ações comple i as ini as, a análise não iden i icou di e enças signi ica i as na p obabilidade de
p odução co e a en e ou as combinações de es u u as.
A Tabela 17 ap esen a as p obabilidades da p odução co e a de cada um dos ipos de
es u u as mo ossin á icas em ap eço à luz da medida de pon uação TS, ex aídas do modelo.
62
Tabela 17.
P obabilidade de p odução das es u u as mo ossin á icas pa a a medida TS
95% Con idence In e al
Tipo
P ob.
SE
Lowe
Uppe
Clí icos Acusa i os
0.0460
0.0269
0.0143
0.138
Comple i a_Fini a
0.1389
0.0824
0.0401
0.384
Comple i a_Não Fini a
0.7793
0.1125
0.4949
0.927
Conjun i o - p esen e
0.2671
0.1285
0.0914
0.569
Conjun i o - p e é i o
0.4279
0.1574
0.1749
0.725
Fu u o Pe i ás ico
0.4284
0.1574
0.1753
0.725
Passi a agen i a cu a
0.6760
0.1410
0.3714
0.880
Passi a não agen i a cu a
0.6376
0.1484
0.3332
0.861
P e é i o Pe ei o
0.7121
0.1323
0.4111
0.898
Rela i a_Obje o
0.6381
0.1486
0.3332
0.862
Rela i a_Sujei o
0.4648
0.1612
0.1960
0.756
Ta ge S uc u e + G amma icali y
A Tabela 18 ap esen a os esul ados da análise do modelo gene alizado mis o ela i os à
medida Ta ge S uc u e + G amma icali y. Nes e modelo o am man idas as a iá eis
independen es usadas no modelo an e io . A a iá el dependen e incluiu os esul ados da TIP
segundo a medida TS&G a.
Tabela 18.
P obabilidade de p odução das di e en es es u u as em compa ação com a p odução de clí icos pa a a
medida TS&G a
95% Con idence In e al
E ec
Es ima e
SE
exp(B)
Lowe
Uppe
z
p
(In e cep )
-1.677
0.415
0.187
0.0829
0.422
-4.040
< .001
Mo i ação a ual
0.479
0.295
1.614
0.9044
2.879
1.620
0.105
Tempo de ins ução
0.628
0.599
1.875
0.5797
6.062
1.049
0.294
Comple i a_Fini a - Cl-ACC
0.621
0.937
1.862
0.2966
11.682
0.663
0.507
Comple i a_Não Fini a - Cl-ACC
4.173
0.866
64.884
11.8898
354.074
4.819
< .001
Conjun i o - p esen e - Cl-ACC
2.031
0.859
7.621
1.4140
41.078
2.363
0.018
Conjun i o - p e é i o - Cl-ACC
0.658
0.933
1.930
0.3099
12.019
0.705
0.481
Fu u o Pe i ás ico - Cl-ACC
2.436
0.852
11.428
2.1516
60.695
2.859
0.004
Passi a agen i a cu a - Cl-ACC
3.840
0.856
46.503
8.6855
248.978
4.485
< .001
Passi a não agen i a cu a - Cl-ACC
2.031
0.859
7.621
1.4140
41.077
2.363
0.018
P e é i o Pe ei o - Cl-ACC
3.162
0.849
23.621
4.4714
124.777
3.724
< .001
Rela i a_Obje o - Cl-ACC
2.031
0.859
7.621
1.4140
41.077
2.363
0.018
Rela i a_Sujei o - Cl-ACC
2.587
0.850
13.291
2.5119
70.329
3.044
0.002
69
Po ou o lado, a aquisição dos clí icos e ela-se mais desa ian e, ha endo um
desempenho dos pa icipan es uc anianos no a elmen e in e io àquele demons ado pa a as
es an es es u u as, com uma axa de ace o de apenas 12.5% na medida TS e 6.25% na TS&G a.
Es es esul ados es ão em consonância com aqueles ob idos em es udos p é ios sob e a aquisição
dos clí icos em po uguês po alan es bilingues (Na delli & Lobo, 2018; Rinke & Flo es, 2014;
Tomaz
e al
., 2020) e po alan es de po uguês L2 (Fiéis
e al
., 2023; Fiéis & Madei a, 2016),
sendo equen e que os ap enden es de po uguês L2 demons em di iculdades signi ica i as nes a
á ea.
No que diz espei o à o ma como os a o es ex alinguís icos a e am a aquisição de
es u u as mo ossin á icas do po uguês (Q2.1), conclui-se que o empo de ins ução o mal em
po uguês exe ce um impac o na capacidade de os e ugiados, ap enden es de po uguês L2,
se em capazes de epe i co e amen e as di e en es es u u as g ama icais. Es es esul ados
co obo am a impo ância do ensino explíci o da g amá ica em con ex o de sala de aula, indicando
que quan o maio o o empo de ins ução ecebido, maio se á a p ecisão e a a iedade de
es u u as g ama icais que os ap enden es se ão capazes de p oduzi (Ellis, 2002). Pa a além do
empo de ins ução, ambém a mo i ação dos pa icipan es pa a ap ende po uguês a e a o seu
desempenho nes e es e, podendo se o e lexo da sua on ade e disponibilidade pa a ap ende a
língua, al como mos ado nou os abalhos nes e âmbi o (Kosyako a
e al
., 2022; an Tube gen,
2010). Os e ugiados mais mo i ados pode ão usa mais o po uguês como língua de comunicação
no seu dia a dia, ajudando-os a alcança melho es esul ados na TIP, is o que êm mais
opo unidade pa a ecebe
inpu
e p oduzi
ou pu
, con ibuindo pa a o desen ol imen o da sua
compe ência linguís ica.
Con as ando a sequência de aquisição das di e en es es u u as mo ossin á icas do
po uguês eu opeu pelos e ugiados uc anianos e c ianças alan es de po uguês como L1 e como
LH (Q2.2.), concluímos que a o dem de aquisição pa ece se semelhan e, com as o ações
comple i as não ini as a se uma das es u u as a se adqui idas em p imei o luga po ambos os
g upos, bem como o u u o pe i ás ico e o p e é i o pe ei o, ainda que as c ianças bilingues,
es udadas po Co eia
e al
. (2024), demons em um desempenho conside a elmen e supe io ,
com axas de ace o mui o p óximas de 100%. No que diz espei o à aquisição das o ações ela i as
com sujei o, pa ece ha e uma compe ência mais a ançada po pa e dos alan es bilingues,
enquan o que os e ugiados demons am um p og esso mais len o.

70
Ainda que as o ações ela i as com obje o não enham cons i uído um obs áculo
signi ica i o pa a o g upo bilingue, que a ingiu uma axa de ace o de 89%, es a es u u a, apesa
de ambém não se das mais desa ian es pa a os e ugiados, ap esen ou uma axa de ace o
conside a elmen e mais baixa, suge indo que as c ianças alan es de he ança, com idades
comp eendidas en e os 6 e os 10 anos, adqui em es a es u u a com e iciência nes a aixa e á ia.
modo conjun i o e os clí icos acusa i os são as es u u as mais di íceis pa a os dois g upos, sendo
es as duas es u u as de aquisição a dia. Ainda assim, as c ianças bilingues demons am es a
em es ágios de aquisição mais a ançados que os e ugiados.
Assim, a o dem de aquisição das es u u as mo ossin á icas é, em e mos ge ais,
semelhan e en e os e ugiados uc anianos a ap ende po uguês como L2, e as c ianças bilingues
alan es de po uguês como LH, com as es u u as do ní el C1 a se em aquelas adqui idas mais
cedo, e as do ní el C2 e C3 mais a diamen e. No en an o, os e ugiados, como e a espe ado,
es ando numa ase mais inicial do seu p ocesso de aquisição, ap esen am axas de ace o
signi ica i amen e mais baixas que aquelas exibidas pelas c ianças bilingues. Os clí icos e o modo
conjun i o são as es u u as mais esis en es pa a ambos os g upos.
Tendo em con a os esul ados ob idos, é possí el conclui que os ins umen os u ilizados
nes a in es igação, nomeadamen e o Lex PT e a a e a de imi ação p o ocada cons i uem
ins umen os e icazes na a aliação da p o iciência lexical e mo ossin á ica dos pa icipan es. A
aplicação conjun a des es ins umen os pe mi e uma análise mais ab angen e do desen ol imen o
linguís ico, sendo capaz de cap a pa icula idades da compe ência g ama ical dos pa icipan es.
Pa a além disso, pe mi em a compa ação de pad ões de desen ol imen o linguís ico en e os
ap enden es de po uguês L2 e os alan es na i os, pe mi indo a iden i icação de á eas de
con e gência no p ocesso de aquisição linguís ica.
71
Conclusão
O p esen e es udo e o ça a impo ância de in es iga o p ocesso de aquisição de uma L2
em g upos de populações ulne á eis, como os e ugiados. Com a c escen e mobilidade de g upos
de pessoas de ido a con li os a mados, pe seguições polí icas e c ises humani á ias, in es iga e
comp eende os p ocessos de aquisição linguís ica é uma p á ica essencial pa a que possam se
c iadas polí icas e icazes e inclusi as pa a ga an i o sucesso de ap endizagem da língua. Temos
assis ido a uma necessidade cada ez maio de c iação de p og amas de in eg ação e de
p epa ação dos es abelecimen os de ensino de modo a que es es possam a ende à di e sidade
linguís ica e cul u al dos seus ap enden es, pa a que possa se dada a espos a adequada às suas
necessidades especí icas.
In es igações des a na u eza podem p oduzi esul ados capazes de o e ece no as
pe spe i as e di e izes impo an es pa a a p á ica pedagógica. Usando esses esul ados como
base, pode á se possí el o mula abo dagens de ensino que ga an am o sucesso de
ap endizagem dos e ugiados, con ibuindo pa a o seu desempenho linguís ico, a o ecendo,
ine i a elmen e, a sua inclusão social e pa icipação a i a na sociedade de acolhimen o.
Des a o ma, iden i ica ba ei as no ensino desde g upos c ia á opo unidades pa a o
desen ol imen o linguís ico em con ex os de e úgio. Numa al u a em que o núme o de deslocados
de o ma in olun á ia con inua a aumen a , a ende às necessidades educacionais e in eg a i as
dos e ugiados cons i ui um passo essencial pa a a p omoção da equidade e jus iça social.
Limi ações
O p esen e es udo ap esen a algumas limi ações me odológicas. A p imei a diz espei o à
amos a limi ada de e ugiados que conco da am em pa icipa nes a in es igação, o que es inge
a gene alização dos esul ados. Pa a além disso, uma limi ação impo an e es á elacionada com
a au oa aliação ei a pelos e ugiados sob e a sua exposição a e en os aumá icos. Conside ando
a delicadeza da ques ão, e numa en a i a de e i a ans o na os pa icipan es, oi omada a
decisão de o na essa ques ão acul a i a. Embo a odos os e ugiados enham espondido, a
escala usada oi demasiado simplis a ace à complexidade de si uações i idas pelos pa icipan es.
72
Pa a além disso, as opções o necidas no ques ioná io podem não e cap ado com p ecisão o
g au dos sin omas de auma psicológico mani es ados pelos pa icipan es.
Assim, in es igações u u as nes e âmbi o pode ão bene icia da colabo ação com
p o issionais da á ea da psicologia de o ma a usa ins umen os mais adequados pa a o
diagnós ico de ans o nos psicológicos, ga an indo uma melho comp eensão do impac o do
auma na ida, e no p ocesso de aquisição linguís ica dos e ugiados.
Ainda assim, o p esen e es udo oi capaz de o nece in o mações impo an es sob e o
p ocesso de in eg ação dos e ugiados na sociedade po uguesa, nomeadamen e sob e a sua
aquisição de po uguês L2.
73
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85
13. Com quem iajou pa a Po ugal?
Viajei sozinho(a)
Viajei com o meu pa cei o(a)
Viajei com o(s) meu(s) ilho(s)
Viajei com os meus pais
Viajei com amigos
Ou a: ________________________________________________________
14. Qual e a a sua p o issão na Uc ânia? ___________________________________
15. Si uação p o issional a ual: __________________________________________
16. Qual é a sua p o issão a ual?
Desemp egado
Es udan e
Ou a: ________________________________________________________
17. Conside a que oi ácil começa a abalha após a chegada a Po ugal?
Sim
Não
18. Que ní el de po uguês é necessá io pa a o seu emp ego a ual?
Sem p o iciência
Apenas compe ências básicas de comunicação
Bom domínio/ bom conhecimen o p á ico
Mui o bom domínio
Excelen e domínio/ mui o bom conhecimen o o al e esc i o
Quase na i o / luen e
19. F equen a ou já equen ou aulas de po uguês?
Sim
Não
19.1. Se sim, em que ins i uição? ____________________________________
19.2. Se não es uda po uguês, indique as azões:
Não conside o necessá io
É mui o di ícil
Ou a: _____________________________________________________
20. Quando é que começou a equen a as aulas de po uguês?
Há menos de 6 meses
En e 6 meses e um ano
Há mais de um ano
21. A alie a sua mo i ação pa a ap ende po uguês quando iniciou as aulas, sendo 0
“não que ia ap ende , mas p ecisa a de o aze ” e 5 “es a a mui o mo i ado pa a
ap ende po uguês”: __________________________

86
22. A alie a sua mo i ação pa a ap ende po uguês nes e momen o, sendo 0 “não
que ia ap ende , mas p eciso de o aze ” e 5 “es ou mui o mo i ado pa a ap ende
po uguês”: ___________________________________
23. Como a alia o seu domínio da língua po uguesa?
23.1. Falo
luen emen e po uguês (como uma língua ma e na);
bem po uguês (consigo man e con e sações mais longas em
po uguês);
mais ou menos bem po uguês (consigo man e apenas uma
con e sação simples em po uguês)
mal po uguês (só sei dize algumas pala as e ases cu as)
23.2. Comp eendo
pe ei amen e po uguês (como uma língua ma e na);
bem po uguês (consigo pe cebe con e sações mais longas);
mais ou menos bem po uguês (consigo pe cebe apenas uma
con e sação simples e em i mo len o);
mal po uguês (só pe cebo algumas pala as e ases cu as)
24. Como a alia o seu domínio da língua inglesa na p odução e na comp eensão da
língua?
24.1. Falo
luen emen e inglês (como uma língua ma e na);
bem inglês (consigo man e con e sações mais longas em inglês);
mais ou menos bem (consigo man e apenas uma con e sação simples em
inglês);
mal inglês (só sei dize algumas pala as e ases cu as)
87
24.2. Comp eendo
pe ei amen e inglês (como uma língua ma e na);
bem inglês (consigo pe cebe con e sações mais longas);
mais ou menos bem inglês (consigo pe cebe apenas uma con e sação
simples e em i mo len o);
mal inglês (só pe cebo algumas pala as e ases cu as)
25. Qual a equência de uso das línguas no seu dia a dia? (o o al de e se igual a
100%)
______ Po uguês
______ Uc aniano
______ Inglês
______ Ou a
26. Tem planos pa a eg essa à Uc ânia?
Planeio eg essa em b e e;
Reg essa ei quando me sen i segu o/a lá;
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal;
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo sai de Po ugal;
Ainda não sei.
27. Vi eu acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a?
Não, nem conheço pessoas di e amen e a e adas;
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas;
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icos;
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a.
Se quise , pode usa a caixa abaixo pa a da mais in o mações sob e essas si uações.
88
Anexo C
Tabela 22.
Es ímulos da Ta e a de Imi ação P o ocada
(lis a comple a)
NÍVEL
TIPO
SUBTIPO
ESTÍMULO
C1
Indica i o
u u o pe i ás ico
Ele ai limpa a mesa na cozinha.
Os meninos ão come as maçãs no
ja dim.
p e é i o pe ei o
Ela bebeu o sumo com a palhinha.
A p ima pin ou o desenho com os lápis.
Comple i a
não ini a
A menina que come um gelado na
p aia.
O a ô que passea comigo na p aia.
C2
Comple i a
ini a
A menina sonhou que inha um chapéu
azul.
O pai con ou que subiu ao cimo da
mon anha.
Rela i a
sujei o
Tu ês o apaz que empu ou a menina.
Eu ejo o leão que assus ou o ig e.
Conjun i o
p esen e
Tal ez o pai es eja no abalho amanhã.
Tal ez o a ô enha cá a casa de a de.
p e é i o impe ei o
Tal ez o comboio chegasse a ho as à
es ação.
Tal ez a menina es i esse com medo do
cão.
Passi a Cu a
agen i a
A menina oi pin ada na es a.
O apaz oi assal ado na ua.
não agen i a
O pi a a oi a is ado na ilha.
A cob a oi sen ida debaixo da cama.
C3
Clí icos Acusa i os
p óclise
A mãe da c iança já a es iu pa a a
escola.
O ga o do a ô só o a anhou na pe na.
ênclise
O che e da ia chamou-a pa a o jan a .
O dono da loja echou-a depois do
almoço.
Rela i a
obje o
Eu i o cão que o ga o a anhou.
Tu is e o apaz que desenhou a mulhe .
89
Anexo D
Tabela 23
. Pe il sociolinguís ico do subg upo de e ugiados uc anianos
Pa icipan e
Idade
Sexo
Es ado Ci il
Região da Uc ânia
Língua(s)
Ma e na(s)
Há quan os meses es á em
Po ugal?
Com quem iajou pa a
Po ugal?
Ní el de ins ução
P1
25
F
Casado
Done sk
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o
Pós-G aduação
P2
19
F
Sol ei o
Ri ine
Uc aniano
27
I mão(s)
Ensino Secundá io
P3
29
F
Casado
Zapo íjia
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o
Fo mação P o issional
P4
31
M
Casado
Odessa
Uc aniano, Russo
26
Pa cei o, Amigos
Fo mação P o issional
P5
38
F
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P6
54
F
Viú o
Kha ki
Uc aniano
27
Sozinho
Pós-G aduação
P7
35
F
Sol ei o
Kyi
Uc aniano, Russo
27
Pa cei o, Pais
Fo mação P o issional
P8
31
F
Sol ei o
Kha ki
Uc aniano, Russo
27
Sozinho
Pós-G aduação
P9
38
F
Casado
Odessa
Russo
27
Filhos
Fo mação P o issional
P10
46
F
Casado
Zaka pa ska
Uc aniano, Russo
17
Filhos
Pós-G aduação
P11
51
F
Viú o
Odessa
Uc aniano, Russo
27
Sozinho
Dou o amen o
P12
52
F
Casado
Nicolae
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P13
39
F
Casado
Kyi
Uc aniano
28
Pa cei o, Filhos
Menos que o
secundá io
P14
47
F
Sol ei o
Dnip o
Uc aniano, Russo
26
Filhos
Pós-G aduação
P15
39
F
Di o ciado
Dnip o
Uc aniano, Russo
25
Filhos
Pós-G aduação
P16
41
F
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
29
Pa cei o, Filhos
Pós-G aduação
P17
42
F
Casado
Khe son
Uc aniano, Russo
26
Filhos, Pais
Fo mação P o issional
P18
32
F
Sol ei o
Kyi
Uc aniano, Russo
26
Amigos
Pós-G aduação
P19
35
M
Casado
Kha ki
Uc aniano, Russo
18
Pa cei o, Filhos
Pós-G aduação
P20
43
F
Casado
Kha ki
Russo
27
Filhos
Pós-G aduação
90
Tabela 24.
Pe il sociolinguís ico do subg upo de e ugiados uc anianos
(con inuação)
Mo i ação pa a ap ende po uguês
Pa icipan e
F equen a aulas de
po uguês?
Tempo de ins ução
à chegada
a ualmen e
Uso de
po uguês
Uso de
uc aniano
Uso de
Inglês
Uso de
Russo
P1
Sim
Há menos de 6 meses
2
3
10%
60%
30%
0%
P2
Sim
Há mais de 1 ano
3
0
0%
70%
30%
0%
P3
Sim
Há mais de 1 ano
5
4
10%
60%
30%
0%
P4
Sim
Há mais de 1 ano
3
3
10%
60%
30%
0%
P5
Sim
Há mais de 1 ano
5
3
10%
0%
10%
80%
P6
Sim
Há mais de 1 ano
4
4
20%
60%
10%
10%
P7
Não
NA
2
4
10%
30%
20%
40%
P8
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
5
25%
25%
25%
25%
P9
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
50%
30%
20%
0%
P10
Sim
Há menos de 6 meses
5
5
30%
60%
10%
0%
P11
Sim
Há mais de 1 ano
4
5
0%
40%
30%
30%
P12
Sim
Há mais de 1 ano
3
5
10%
30%
10%
50%
P13
Sim
Há mais de 1 ano
3
4
20%
60%
20%
0%
P14
Sim
Há mais de 1 ano
4
2
10%
10%
30%
50%
P15
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
3
10%
40%
40%
10%
P16
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
20%
20%
40%
20%
P17
Sim
Há mais de 1 ano
5
5
20%
40%
30%
10%
P18
Sim
En e 6 meses e 1 ano
5
3
10%
10%
60%
20%
P19
Sim
Há mais de 1 ano
4
4
10%
50%
10%
30%
P20
Sim
Há mais de 1 ano
4
2
10%
10%
20%
60%

91
Tabela 25.
Pe il sociolinguís ico do subg upo de e ugiados uc anianos
(con inuação)
Pa icipan e
Tem planos pa a eg essa à Uc ânia?
Vi eu acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a?
Resul ado Lex PT
P1
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
36
P2
P e endo eg essa em b e e
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
34,5
P3
Reg esso quando me sen i segu o/a
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
37
P4
Ainda não sei
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
36
P5
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
36,5
P6
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
38
P7
Ainda não sei
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
39
P8
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
41,5
P9
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
44
P10
Reg esso quando me sen i segu o/a
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
29,5
P11
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
41,5
P12
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
47,5
P13
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
29,5
P14
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
45,5
P15
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
38
P16
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
39,5
P17
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
50
P18
Não planeio eg essa à Uc ânia e p e endo pe manece em Po ugal
Não, nem eu nem a minha amília, mas conheço pessoas a e adas
39,5
P19
Ainda não sei
Sim, an es de deixa a Uc ânia es emunhei di e amen e si uações aumá icas
40,5
P20
Reg esso quando me sen i segu o/a
Sim, so i di e amen e acon ecimen os aumá icos elacionados com a gue a
37,5
92
Anexo E
Tabela 26
. Pos Hoc Compa isons – Ta ge S uc u e
Compa ison
Tipo
Tipo
exp(B)
SE
z
pbon e oni
Cl-ACC
Comple i a_Fini a
0.2989
0.2340
-1.54232
1.000
Cl-ACC
Comple i a_Não Fini a
0.0137
0.0110
-5.33751
< .001
Cl-ACC
Conjun i o - p esen e
0.1323
0.1020
-2.62332
0.479
Cl-ACC
Conjun i o - p e é i o
0.0645
0.0498
-3.54744
0.021
Cl-ACC
Fu u o P.
0.0644
0.0497
-3.55012
0.021
Cl-ACC
Passi a agen i a cu a
0.0231
0.0182
-4.77193
< .001
Cl-ACC
Pass. não agen i a cu a
0.0274
0.0215
-4.57691
< .001
Cl-ACC
Passado
0.0195
0.0155
-4.96394
< .001
Cl-ACC
Rela i a_Obje o
0.0274
0.0215
-4.57450
< .001
Cl-ACC
Rela i a_Sujei o
0.0555
0.0431
-3.72277
0.011
Comple i a_Fini a
Comple i a_Não Fini a
0.0457
0.0391
-3.60770
0.017
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p esen e
0.4427
0.3700
-0.97498
1.000
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p e é i o
0.2157
0.1796
-1.84225
1.000
Comple i a_Fini a
Fu u o P.
0.2153
0.1792
-1.84492
1.000
Comple i a_Fini a
Passi a agen i a cu a
0.0773
0.0652
-3.03605
0.132
Comple i a_Fini a
Pass. não agen i a cu a
0.0917
0.0771
-2.84290
0.246
Comple i a_Fini a
Passado
0.0652
0.0552
-3.22692
0.069
Comple i a_Fini a
Rela i a_Obje o
0.0915
0.0770
-2.84251
0.246
Comple i a_Fini a
Rela i a_Sujei o
0.1857
0.1555
-2.01136
1.000
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p esen e
9.6886
7.9692
2.76091
0.317
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p e é i o
4.7204
3.8019
1.92684
1.000
Comple i a_Não Fini a
Fu u o P.
4.7114
3.7929
1.92537
1.000
Comple i a_Não Fini a
Passi a agen i a cu a
1.6924
1.3507
0.65928
1.000
Comple i a_Não Fini a
Pass. não agen i a cu a
2.0069
1.6017
0.87284
1.000
Comple i a_Não Fini a
Passado
1.4270
1.1397
0.44528
1.000
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Obje o
2.0027
1.6003
0.86911
1.000
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Sujei o
4.0652
3.2903
1.73276
1.000
Pass.Cu a-V agen
Pass. não agen i a cu a
1.1858
0.9378
0.21551
1.000
Pass.Cu a-V agen
Passado
0.8432
0.6681
-0.21525
1.000
Pass.Cu a-V agen
Rela i a_Obje o
1.1833
0.9370
0.21256
1.000
Pass.Cu a-V agen
Rela i a_Sujei o
2.4020
1.9221
1.09511
1.000
Pass.Cu a-V n/agen
Passado
0.7111
0.5632
-0.43053
1.000
Pass.Cu a-V n/agen
Rela i a_Obje o
0.9979
0.7896
-0.00268
1.000
Pass.Cu a-V n/agen
Rela i a_Sujei o
2.0256
1.6181
0.88364
1.000
Passado
Rela i a_Obje o
1.4034
1.1129
0.42731
1.000
Passado
Rela i a_Sujei o
2.8487
2.2847
1.30529
1.000
Rela i a_Obje o
Rela i a_Sujei o
2.0299
1.6236
0.88515
1.000
93
Anexo F
Tabela 27
. Pos Hoc Compa isons – Ta ge S uc u e + G amma icali y
Compa ison
Tipo
Tipo
exp(B)
SE
z
pbon e oni
Cl-ACC
Comple i a_Fini a
0.5372
0.5034
-0.6631
1.000
Cl-ACC
Comple i a_Não Fini a
0.0154
0.0133
-4.8194
< .001
Cl-ACC
Conjun i o - p esen e
0.1312
0.1128
-2.3630
0.997
Cl-ACC
Conjun i o - p e é i o
0.5181
0.4835
-0.7046
1.000
Cl-ACC
Fu u o P.
0.0875
0.0746
-2.8593
0.234
Cl-ACC
Passi a agen i a cu a
0.0215
0.0184
-4.4851
< .001
Cl-ACC
Pass. não agen i a cu a
0.1312
0.1128
-2.3631
0.997
Cl-ACC
Passado
0.0423
0.0360
-3.7236
0.011
Cl-ACC
Rela i a_Obje o
0.1312
0.1128
-2.3631
0.997
Cl-ACC
Rela i a_Sujei o
0.0752
0.0640
-3.0435
0.129
Comple i a_Fini a
Comple i a_Não Fini a
0.0287
0.0277
-3.6818
0.013
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p esen e
0.2443
0.2349
-1.4657
1.000
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p e é i o
0.9645
0.9940
-0.0351
1.000
Comple i a_Fini a
Fu u o P.
0.1629
0.1554
-1.9017
1.000
Comple i a_Fini a
Passi a agen i a cu a
0.0400
0.0383
-3.3662
0.042
Comple i a_Fini a
Pass. não agen i a cu a
0.2443
0.2349
-1.4657
1.000
Comple i a_Fini a
Passado
0.0788
0.0749
-2.6726
0.414
Comple i a_Fini a
Rela i a_Obje o
0.2443
0.2349
-1.4657
1.000
Comple i a_Fini a
Rela i a_Sujei o
0.1401
0.1333
-2.0646
1.000
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p esen e
8.5135
7.2451
2.5166
0.652
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p e é i o
33.6187
32.1001
3.6814
0.013
Comple i a_Não Fini a
Fu u o P.
5.6778
4.7374
2.0813
1.000
Comple i a_Não Fini a
Passi a agen i a cu a
1.3953
1.1222
0.4141
1.000
Comple i a_Não Fini a
Pass. não agen i a cu a
8.5135
7.2451
2.5166
0.652
Comple i a_Não Fini a
Passado
2.7469
2.2368
1.2409
1.000
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Obje o
8.5135
7.2451
2.5166
0.652
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Sujei o
4.8816
4.0731
1.9002
1.000
Conjun i o - p esen e
Conjun i o - p e é i o
3.9489
3.7684
1.4392
1.000
Conjun i o - p esen e
Fu u o P.
0.6669
0.5695
-0.4744
1.000
Conjun i o - p esen e
Passi a agen i a cu a
0.1639
0.1383
-2.1431
1.000
Conjun i o - p esen e
Rela i a_Sujei o
0.5734
0.4897
-0.6512
1.000
Conjun i o - p e é i o
Fu u o P.
0.1689
0.1599
-1.8789
1.000
Conjun i o - p e é i o
Passi a agen i a cu a
0.0415
0.0393
-3.3609
0.043
Conjun i o - p e é i o
Pass. não agen i a cu a
0.2532
0.2417
-1.4392
1.000
Conjun i o - p e é i o
Passado
0.0817
0.0770
-2.6578
0.433
94
Anexo G
Tabela 28
. Pos Hoc Compa isons – Iden ical Repe i ion
Compa ison
Tipo
Tipo
exp(B)
SE
z
pbon e oni
Cl-ACC
Comple i a_Fini a
1.34172
1.41378
0.2790
1.000
Cl-ACC
Comple i a_Não Fini a
0.01097
0.00991
-4.9951
< .001
Cl-ACC
Conjun i o - p esen e
0.14579
0.12601
-2.2278
1.000
Cl-ACC
Conjun i o - p e é i o
3.07127
3.89924
0.8838
1.000
Cl-ACC
Fu u o P.
0.25429
0.22417
-1.5533
1.000
Cl-ACC
Passi a agen i a cu a
0.02449
0.02142
-4.2409
0.001
Cl-ACC
Pass. não agen i a cu a
0.14579
0.12601
-2.2278
1.000
Cl-ACC
Passado
0.34981
0.31415
-1.1696
1.000
Cl-ACC
Rela i a_Obje o
0.35420
0.31827
-1.1550
1.000
Cl-ACC
Rela i a_Sujei o
0.07255
0.06219
-3.0608
0.121
Comple i a_Fini a
Comple i a_Não Fini a
0.00817
0.00920
-4.2723
0.001
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p esen e
0.10866
0.11859
-2.0336
1.000
Comple i a_Fini a
Conjun i o - p e é i o
2.28905
3.27591
0.5787
1.000
Comple i a_Fini a
Fu u o P.
0.18953
0.20931
-1.5060
1.000
Comple i a_Fini a
Passi a agen i a cu a
0.01825
0.02010
-3.6346
0.015
Comple i a_Fini a
Pass. não agen i a cu a
0.10866
0.11859
-2.0336
1.000
Comple i a_Fini a
Passado
0.26072
0.29127
-1.2033
1.000
Comple i a_Fini a
Rela i a_Obje o
0.26399
0.29498
-1.1919
1.000
Comple i a_Fini a
Rela i a_Sujei o
0.05407
0.05873
-2.6860
0.398
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p esen e
13.29296
11.75470
2.9258
0.189
Comple i a_Não Fini a
Conjun i o - p e é i o
280.04124
374.25967
4.2164
0.001
Comple i a_Não Fini a
Fu u o P.
23.18662
21.33582
3.4163
0.035
Comple i a_Não Fini a
Passi a agen i a cu a
2.23271
1.82309
0.9837
1.000
Comple i a_Não Fini a
Pass. não agen i a cu a
13.29295
11.75472
2.9258
0.189
Comple i a_Não Fini a
Passado
31.89586
30.16959
3.6606
0.014
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Obje o
32.29636
30.67346
3.6588
0.014
Comple i a_Não Fini a
Rela i a_Sujei o
6.61545
5.64798
2.2131
1.000
Conjun i o - p esen e
Conjun i o - p e é i o
21.06689
27.49115
2.3355
1.000
Conjun i o - p esen e
Fu u o P.
1.74428
1.57593
0.6158
1.000
Conjun i o - p esen e
Passado
2.39946
2.21740
0.9471
1.000
Conjun i o - p esen e
Rela i a_Obje o
2.42958
2.25097
0.9582
1.000
Conjun i o - p esen e
Rela i a_Sujei o
0.49767
0.43029
-0.8071
1.000
Conjun i o - p e é i o
Fu u o P.
0.08280
0.10886
-1.8949
1.000
Conjun i o - p e é i o
Passi a agen i a cu a
0.00797
0.01049
-3.6718
0.013
Conjun i o - p e é i o
Pass. não agen i a cu a
0.04747
0.06194
-2.3355
1.000
Conjun i o - p e é i o
Rela i a_Sujei o
0.02362
0.03074
-2.8783
0.220
Fu u o P.
Passi a agen i a cu a
0.09629
0.08645
-2.6070
0.502
Fu u o P.
Pass. não agen i a cu a
0.57330
0.51797
-0.6158
1.000
Pass.Cu a-V agen
Passado
14.28570
13.17995
2.8824
0.217
Pass.Cu a-V agen
Rela i a_Obje o
14.46508
13.39490
2.8852
0.215