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As relações entre mães e filhos com deficiência: sistemas, agentes e processos de enfrentamento das adversidades

Abstract

A Tese é resultado do estudo acerca das relações entre mães e filhos com deficiência. Foram investigados os processos que envolvem episódios que vão da descoberta da deficiência de um filho e perduram por toda a vida de uma mãe. Partindo do pressuposto que adversidades específicas surgem nessa relação mãe-filho, a investigação buscou compreender quais estratégias são utilizadas pelas mães para possibilitar uma maior qualidade de vida ao filho e para si. Para tanto, foi estabelecido o seguinte objetivo: identificar as características da pessoa, os processos e contextos, as ações mediadoras e estratégias de Coping que contribuíram para que mães confrontassem as adversidades e estresses surgidos desde a descoberta da deficiência dos filhos. Metodologicamente, se optou por uma investigação de natureza qualitativa, sendo as Histórias de Vida orientadoras da ação metodológica. Os procedimentos se centraram nas técnicas da Entrevista Narrativa e as categorias de análise emergiram a partir dos dados obtidos, elaboradas em consonância com os pressupostos teóricos do Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano de Bronfrenbrenner, da Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky, e dos Processos de Resiliência Individual e Resiliência Familiar, sobretudo, dos estudos de McCubbin e McCubbin; Rutter e Walsh. Participaram do estudo cinco mães com diferentes idades e com filhos com deficiências distintas. Dentre as conclusões, é importante destacar que a vida familiar das mães não se constituiu como fator de risco para as elas. Já as dificuldades encontradas na fase pré-natal e no parto indicaram o surgimento de estressores que, somados às grandes complicações com o diagnóstico da deficiência, potencializaram os efeitos negativos vivenciados nas fases de descoberta, negação, aceitação e enfrentamento da deficiência. Cada uma das mães, à sua maneira, criou estratégias de Coping que potencializaram os Processos de Resiliência. Em se tratando de mães com características resilientes, a forma de encarar as adversidades da vida, bem como a relação afetiva com os filhos estavam diretamente relacionadas com os processos-chave de resiliência. Os resultados apontaram que o modo como as mães perceberam e enfrentaram a vida, indicam que vivenciaram interações recíprocas e criaram ações mediadoras nos diversos contextos bioecológicos (Micro, Meso, Exo, Macrossistema) em que estabeleceram suas relações. Ainda foi evidenciado que as adversidades podem ser melhor superadas quando estratégias adequadas são utilizadas, por exemplo, quando se mobiliza fatores de proteção capazes de reduzir as reações negativas em cadeia e, consequentemente, os efeitos do estresse. Com os novos conhecimentos – adquiridos e produzidos – fica a certeza que ainda há muito a fazer. Assim, na caminhada humana e profissional do investigador, suas ações seguirão voltadas para projetos com mães de pessoas com deficiência e seus filhos.

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