Relações de namoro entre adolescentes em casas de acolhimento de crianças e jovens: desafios e oportunidades
Abstract
Esta dissertação teve como objetivo desenvolver estratégias educativas e políticas para a compreensão e regulamentação das relações de namoro entre jovens em Acolhimento Residencial (AR), analisando os desafios e potencialidades dessas interações. A investigação consistiu num estudo do tipo observacional, analítico e transversal, que seguiu uma metodologia mista de análise de dados, recolhidos através da aplicação de um questionário misto, preenchido de forma on-line utilizando o Google forms. A amostra incluiu 109 jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos ou mais, residentes em casas de acolhimento dos distritos de Braga e Viana do Castelo. O questionário integrou uma componente de caracterização sociodemográfica, com variáveis independentes, e escalas reconhecidas e validadas, tais como a Escala de Autoestima de Rosenberg (1965) e a Escala de Inteligência Emocional de Wong e Law (2002), bem como uma questão fechada destinada a avaliar a violência nas relações de namoro, sendo estas variáveis dependentes. Incluíram-se ainda questões abertas sobre as conceções dos jovens acerca do namoro em contexto de acolhimento. O estudo foi desenvolvido em conformidade com os critérios éticos, tendo sido o projeto aprovado pela Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho. A análise dos dados recolhidos foi feita no programa SPSS, tendo sido realizada análise estatística dos dados de questões fechadas e análise de conteúdo das respostas às questões abertas. Os resultados indicaram uma autoestima globalmente positiva, mas com algumas fragilidades, sobretudo em sentimentos de incompetência. No domínio da inteligência emocional, verificaram-se competências adequadas, mas dificuldades no controlo emocional em situações de stress. No que respeita à violência no namoro, destacaram-se comportamentos de controlo, ciúmes e pressão para justificar ações. Em relação aos namoros em contexto de AR, os desafios mais apontados foram fatores relacionais, sugerindo-se a "aceitação e normalização" destes. Nos temas a abordar em programas de Educação Sexual, destacaram-se compromissos, noção de sexualidade e respeito pela diversidade. Conclui-se que é essencial implementar programas de educação sexual adaptados ao AR e capacitar os profissionais para lidar com esta realidade.