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Os corpos da guerra: fotografia e memória de ex-combatentes mutilados na Guerra Colonial

Abstract

O tema dos ex-combatentes da Guerra Colonial volta à pauta através do projeto Despojos de Guerra, do fotojornalista português Leonel de Castro. O projeto traz ao tempo presente as cicatrizes dos ex-combatentes, bem como suas histórias de vida, através de retratos atuais e memórias individuais. As fotografias, realizadas com técnicas analógica e de colódio úmido, apresentam os ex-combatentes e as marcas dos ferimentos que interromperam suas vidas na juventude. Este artigo pretende, assim, refletir sobre a constituição das memórias da mutilação de guerra por meio da fotografia documental e como essas memórias dialogam com o tempo presente. Baseia-se numa análise qualitativa do discurso fotodocumental e das considerações do idealizador do projeto, Leonel de Castro, colhidas em uma entrevista, à luz de um referencial teórico construído a partir dos contributos de Sontag, Costa, Baeza, Barthes e Kossoy, que discutem os usos da fotografia documental, e de Biondi, sobre a representação da dor e do sofrimento no fotojornalismo. A pesquisa propõe duas categorias de análise das imagens fotográficas de Despojos de Guerra, em que as naturezas material e temporal se complementam. Conclui-se que a fotografia documental permite que memórias de fatos antigos permaneçam atuais através de sua materialização em imagens e, além disso, as escolhas dos elementos constitutivos da imagem fotográfica pelo fotógrafo são fundamentais para que determinada mensagem seja transmitida. A análise das imagens, portanto, deve considerar as relações entre tais elementos.

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Os corpos da guerra: fotografia e memória de ex-combatentes mutilados na Guerra Colonial

Author: Guimarães-Guedes, Denise; Sousa, Jorge Pedro
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2022
DOI: 10.12795/Ambitos.2022.i57.12
Source: https://idus.us.es/bitstreams/0352483f-5084-4798-ac45-8ef8f59906bd/download
Nº 57 | VERANO 2022
ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733
h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12
Os co pos da gue a: o og a ia e memó ia de
ex-comba en es mu ilados na Gue a Colonial1
The wa bodies: pho og aphy and memo y o ex-comba an s mu ila ed in he
Colonial Wa
Denise Guima ães-Guedes
Uni e sidade Es adual Paulis a - UNESP | A . Eng. Luiz Edmundo C. Coube 14-01, Bau u, SP, B asil
h p://o cid.o g/0000-0003-3040-6741 · guima ã[email protected]
Jo ge Ped o Sousa
Uni e sidade Fe nando Pessoa | P aça de 9 de Ab il 349, Po o, Po ugal
ICNOVA Ins i u o de Comunicação da NOVA | Campus de Campolide da Uni e sidade NOVA de Lisboa, Po ugal
h p://o cid.o g/0000-0003-0814-6779 · jpsousa@u p.edu.p
Fechas: Recepción: 24/02/2022 · Acep ación: 21/05/2022 · Publicación: 15/07/2022
Resumen
O ema dos ex-comba en es da Gue a Colonial ol a à pau a a a és do p oje o Despojos de Gue a, do o ojo nalis a
po uguês Leonel de Cas o. O p oje o az ao empo p esen e as cica izes dos ex-comba en es, bem como
suas his ó ias de ida, a a és de e a os a uais e memó ias indi iduais. As o og a ias, ealizadas com écnicas
analógica e de colódio úmido, ap esen am os ex-comba en es e as ma cas dos e imen os que in e ompe am suas
idas na ju en ude. Es e a igo p e ende, assim, e le i sob e a cons i uição das memó ias da mu ilação de gue a
po meio da o og a ia documen al e como essas memó ias dialogam com o empo p esen e. Baseia-se numa
análise quali a i a do discu so o odocumen al e das conside ações do idealizado do p oje o, Leonel de Cas o,
colhidas em uma en e is a, à luz de um e e encial eó ico cons uído a pa i dos con ibu os de Son ag, Cos a,
Baeza, Ba hes e Kossoy, que discu em os usos da o og a ia documen al, e de Biondi, sob e a ep esen ação da
do e do so imen o no o ojo nalismo. A pesquisa p opõe duas ca ego ias de análise das imagens o og á icas
de Despojos de Gue a, em que as na u ezas ma e ial e empo al se complemen am. Conclui-se que a o og a ia
documen al pe mi e que memó ias de a os an igos pe maneçam a uais a a és de sua ma e ialização em imagens
e, além disso, as escolhas dos elemen os cons i u i os da imagem o og á ica pelo o óg a o são undamen ais pa a
que de e minada mensagem seja ansmi ida. A análise das imagens, po an o, de e conside a as elações en e
ais elemen os.
Pala as-cha e: o ojo nalismo, o og a ia documen al, Gue a Colonial, Leonel de Cas o, Despojos de Gue a.
Abs ac
Ve e ans o he Po uguese Colonial Wa a e back on he media agenda h ough he p ojec “Despojos de Gue a”
1. Pesquisa inanciada pela Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal de Ní el Supe io CAPES, e . p oc. 88881.623498/2021-
01. Es a in es igação é pa e da ese de dou o amen o de Denise Guima ães-Guedes e ealizada na e apa “sanduíche”, desen-
ol ida jun o à Uni e sidade Fe nando Pessoa, Po ugal, sob coo denação do p o esso Jo ge Ped o Sousa.
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OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL
Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa
(Spoils o Wa ), by Po uguese pho ojou nalis Leonel de Cas o. The p ojec b ings o he p esen ime he sca s o
he e e ans, as well as hei li e s o ies, h ough cu en po ai s and indi idual memo ies. The pho og aphs, Using
a collodion p ocess, analogic, pho og aphs p esen e e ans and he ma ks o he wounds ha in e up ed hei
li es in hei you h. Thus, his s udy in ends o e lec on he cons i u ion o memo ies o wa mu ila ion h ough
documen a y pho og aphy and how hese memo ies dialogue wi h p esen ime. I is based on a quali a i e analysis
o he pho odocumen a y discou se and o he discou se o he c ea o o he p ojec , Leonel de Cas o, collec ed
in an in e iew, in he ligh o a heo e ical e e en ial buil om he con ibu ions o Son ag, Cos a, Baeza, Ba hes
and Kossoy, who discuss he uses o documen a y pho og aphy, and o Biondi, abou he ep esen a ion o pain and
su e ing in pho ojou nalism. The esea ch p oposes wo ca ego ies o analysis o he pho og aphic images o Despojos
de Gue a, in which ma e ial and empo al na u es complemen each o he . Conclusions poin ou he ideas ha
documen a y pho og aphy allows memo ies o old ac s o emain p esen h ough hei ma e ializa ion in images and,
u he mo e, ha pho og aphe ’s choices o he cons i u i e elemen s o he pho og aphic image a e undamen al o
a ce ain message o be ansmi ed. The analysis o he images, he e o e, mus conside he ela ions be ween such
elemen s.
Keywo ds: pho ojou nalism, documen a y pho og aphy, Colonial Wa , Leonel de Cas o, Despojos de Gue a.
1. In odução
A ideia des e a igo su giu da lei u a de o og a ias de Leonel de Cas o2, in eg an es de epo agem
publicada na e is a po uguesa JN His ó ia, pe encen e ao Jo nal de No ícias3, “Vidas moldadas
a e o e ogo”. O o óg a o po uguês egis ou, com a écnica do colódio úmido, um g upo de
soldados sob e i en es que o am e idos g a emen e du an e a Gue a Colonial, oco ida en e os
anos de 1961 e 1974, pa a o p oje o “Despojos de Gue a”, de sua au o ia. As o og a ias de Cas o
eme em a ou as imagens, publicadas em 1924, no li o “K ieg dem K iege!” (Gue a con a gue a!),
o ganizado pelo paci is a alemão E ns F ied ich. O li o possui 180 o og a ias, sendo que 24 delas
são de os os de soldados mu ilados sob e i en es da P imei a Gue a Mundial.
As duas publicações ap esen am imagens da gue a pouco usuais. O mais equen e é encon a mos
imagens dos campos de ba alha, cená ios de des uição, co pos anônimos e sem ida, além das ações
de con li o. Ao ap esen a sob e i en es e, acima de udo, soldados, as imagens e elam a gue a
sob um ou o iés, ou seja, daqueles que são, pela na u eza de sua a uação, p o agonis as, po ém,
ambém í imas. A a és da o og a ia, esses homens que coloca am suas idas a se iço da pá ia
ganham os os, iden idade, e expõem suas mais p o undas e dolo osas cica izes de gue a.
P e ende-se aqui disco e sob e o abalho “Despojos de Gue a”, publicado quase uma cen ena
de anos depois de “K ieg dem K iege!”, e que chama ao p esen e as do es e mu ilações do passado.
A o og a ia documen al, nesse aspec o, é essencial pa a que se açam conhece ou as ealidades e
pa a que a memó ia isual dos a os pe maneça i a.
O e e encial eó ico az e lexões dos au o es Susan Son ag, Joan Cos a, Bo is Kossoy, Roland
2. Leonel de Cas o é jo nalis a g aduado pela Escola Supe io de Jo nalismo e a ualmen e desen ol e pesquisa de
dou o amen o em Jo nalismo e In o mação, na Uni e sidade do Minho. É o ojo nalis a no Jo nal de No ícias desde 1996.
3. JN – His ó ia, n.º 35, dezemb o de 2021.
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OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL
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Ba hes e Pepe Baeza, den e ou os, além de pesquisa da au o a Angie Biondi (2016), que ques iona
de que manei a o o ojo nalismo o na isí el o so imen o humano. A au o a p opõe algumas
ca ego ias de análise que inspi am a me odologia ado ada nes e a igo pa a análise das o og a ias
de Cas o, de manei a que, pa a analisa as imagens de “Despojos de Gue a”, são p opos as camadas
que ansi am en e elemen os obje i os e subje i os, le ando em con a as elações en e esses
elemen os. Além disso, ap esen a as e lexões do o ojo nalis a e idealizado do p oje o “Despojos de
Gue a”, colhidas em en e is a.
Po im, es e a igo con ida o lei o a uma e lexão sob e como a abo dagem do ema na o og a ia
documen al o na p esen es os enômenos do con inuum espaço- empo al (Cos a, 1994) e ins au a
memó ias du adou as de e en os his ó icos.
2. Memó ias (in) isí eis
Desde sua in enção, a o og a ia con ibui pa a cons ui a memó ia da humanidade e de udo o que
a en ol e. Tal como sus en a Reye o (2007), a imagem o og á ica pe mi e incula o passado ao
p esen e, p oduz memó ia, p óp ia ou cole i a, sendo nes e enquad amen o que aqui se conside a o
papel da o og a ia na cons ução da memó ia. A memó ia implica, como diz Jelin (2002), o que se
eco da e o que se esquece, na a i as e pe sonagens, a os, silêncios, ges os, sabe es, emoções, azios
e a u as. Po asladação ao uni e so o og á ico, o passado, seja da p óp ia o og a ia, seja das
pe sonagens, espaços ou ações ep esen adas no espaço o og á ico, eme ge da imagem o og á ica
no p esen e do a o do olha , o momen o em que a o og a ia é obse ada e in e p e ada, o momen o
em que ge a signi icado, den o de um con ex o cul u al especí ico e das i ências que o obse ado
expe imen ou.
A mensagem o og á ica, es u u ada in encionalmen e po um o óg a o, como acon ece no caso da
ob a o og á ica aqui es udada, p opõe signi icados sob e o passado, sob e pe sonagens cuja si uação
p esen e esul a do seu passado, po meio de ecu sos linguís icos especí icos que, em g ande medida,
êm uma lei u a cul u al, como sejam: a pose dos sujei os o og a ados; a p esença de obje os como o
es uá io (ou a sua ausência); o embelezamen o da imagem, po meio da iluminação ou ou os ecu sos
exp essi os; a adição de ca ga es é ica po meio da composição; a sin axe p oduzida pela associação
de imagens; e a uncagem (Ba hes, 1984a, 1984b). A imagem o og á ica exis e, po an o, como
um ex o isual susce í el de se analisado e in e p e ado, desde a sua p óp ia g amá ica, sim, mas
ambém à luz de um en o no cul u al, con o me Ba hes (1984a, 1984b) de endeu e ou os au o es
e o ça am (Dubois, 1994). Nesse sen ido, a imagem o og á ica p oduzida in encionalmen e, ainda
que ep esen e uma singula idade, um co e a i icial no con ínuo do espaço- empo, pe mi e ao
obse ado le o ien adamen e os agmen os do passado que são expos os ao seu olha , p oduzindo
memó ia jus amen e como es ígio do passado que e oca, como imp essão de uma coisa que deixou
a sua ma ca na o og a ia, como he ança do passado (F eedbe g, 1992; Edwa ds, 1999; Candau, 2000;
Kossoy, 2012).
Ainda que o ex o, po mais elabo ado e de alhis a que seja, en e econs i ui imagens e a os, a
o og a ia, como e lexo conc e o do mundo (F eund, 1983, p.96), en ega de alhes isuais e, mui as
ezes, com uma agudeza con umaz. Em 1924, um li o publicado pelo paci is a E ns F ied ich
ap esen a a ao público o og a ias da P imei a Gue a Mundial, a maio ia e i ada de a qui os
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mili a es e médicos da Alemanha, mui as delas censu adas. Den e as 180 o og a ias dos ho o es,
como a de as ação de cidades, soldados mo os e eículos des oçados, há uma seleção de 24 imagens
com os os de soldados sob e i en es. Son ag (2003) a i ma que, de odo o li o, são essas as páginas
mais “insupo á eis” e complemen a com a obse ação, na ase seguin e: “de pa i o co ação”.
Na época, após denúncias ao go e no, li os o am e i ados das li a ias em algumas cidades e o
o ganizado , p ocessado. O li o, ainda assim, oi eedi ado dez ezes e aduzido pa a ou os idiomas.
Quase um século depois, o o ojo nalis a Leonel de Cas o p oduziu uma sensí el sé ie de o og a ias
de soldados que sob e i e am à Gue a Colonial, oco ida en e os anos 1961 e 1974, du an e o egime
salaza is a. Os sob e i en es, e idos g a emen e du an e a gue a, mos am à câme a as cica izes
e sequelas pe manen es, que impac am di e amen e em sua qualidade de ida a é os dias de hoje.
As dezesse e o og a ias que compõem a epo agem publicada na e is a JN His ó ia azem pa e de
uma sé ie de e a os, p oje o em andamen o que le a o nome de “Despojos de Gue a”, abalho já
p emiado na ca ego ia Re a os, do P émio Pic u es o he Yea In e na ional, em 2021.
Sepa adas po dezenas de anos, as o og a ias o ganizadas po E ns F ied ich e as p oduzidas
po Leonel de Cas o possuem cong uências que as unem em um espaço comum, de homens que
es i e am em uma mesma posição de lu a pelo seu país. Nas p imei as, as o og a ias êm um cunho
quase cien í ico, de egis o das iolen as mu ilações nos os os dos soldados. Nas o og a ias de
Cas o, en e an o, a écnica e o igo na composição azem com que o ema denso seja comp eendido
em ou as es e as além da documen al. Em ambos, a pe manência de um es ado de con inuidade com
o qual odos de emos lida como espec ado es.
As imagens de “Despojos de Gue a” ap esen am mais um lado desumano da gue a: aquele que
sob e i e no co po dos ex-comba en es po décadas e não pode se econs uído. Ao mesmo empo,
as o og a ias e elam udo o que há de mais humano em cada um dos e a ados, a pa i das
cica izes que e idenciam o so imen o expe ienciado e a dignidade com que se mos am à câme a.
2.1. Leonel de Cas o e a his ó ia de “Despojos de Gue a”
O o ojo nalis a po uguês Leonel de Cas o con a his ó ias a a és das imagens. Bas a um olha
sob e seu abalho o og á ico, expos o em sua homepage na in e ne , pa a no a que suas o og a ias
azem pa e de algo ainda maio que uma boa epo agem o og á ica. Cas o cap u a, com maes ia,
algo que pala as não pode iam exp essa , mesmo em sua melho gênese. E ainda assim, as pala as
azem pa e de sua o og a ia, não como legenda, mas o complemen o de que necessi a na a e de
con a as his ó ias.
Em “Despojos de Gue a”, Cas o mos a que há mui as manei as de e . O p oje o, ainda em
andamen o, oi iniciado em agos o de 2020, du an e a pandemia. O desejo de o og a a os
ex-comba en es da Gue a Colonial, no en an o, exis e há mais empo. Segundo o o óg a o
(comunicação pessoal, Fe e ei o 1, 2022), ela os e his ó ias sob e a Gue a Colonial pelos jo nalis as
são a os. Enquan o que ou os países exibiam gue a, no adamen e a do Vie nã, em o og a ias
publicadas em e is as e jo nais, Po ugal, na ocasião, escondia o lado mais c uel da gue a. Isso
po que, du an e a di adu a, não e am pe mi idos jo nalis as nos con li os e as poucas o og a ias
exis en es são imagens p o ocola es, a exibi soldados em seus uni o mes, a mas e em momen os de
laze . Os ex-comba en es, sob e i en es e idos e mu ilados, e am escondidos pa a que não ossem
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um deses ímulo a ou os jo ens con ocados pa a a gue a4. Essa comunidade de ex-soldados é hoje
ep esen ada pela Associação dos De icien es das Fo ças A madas (AFDA).
A condição dos ex-comba en es le ou o o ojo nalis a a e le i sob e a impo ância de documen a
a his ó ia desses que i e am as idas in e ompidas aos 20 e poucos anos du an e a gue a. São
homens, en e 70 e 90 anos, que, a pa i dos e imen os, i e am que ein en a seu modo de ida.
Pa a o og a á-los, Cas o desca ou o mé odo mais a ual de cap u a o og á ica, a o og a ia
ele ônica (digi al), pois não o ag ada a a ideia de qualque esul ado que implicasse em uma o ma
de olha oyeu , explica. Mas al a a, de aco do com o o óg a o, encon a uma écnica que osse
adequada à abo dagem desejada e que unisse a o og a ia documen al ao senso de dignidade que o
o ojo nalis a que ia imp imi nas imagens. Além disso, a écnica e ia que se compa í el com as
ou as e apas do p oje o, que en ol e ambém o og a ia analógica em o ma o 9 x 125.
A escolha do colódio úmido deu-se como uma al e na i a ao imedia ismo da o og a ia digi al. O
colódio é, po sua na u eza, uma écnica len a, que eque p epa o de químicas, sensibilização do
supo e o og á ico, empo de exposição mais longo e e elação manual6. O esul ado o e ecido
pelo colódio oi ambém de e minan e pa a a escolha do o ojo nalis a. As ma cas deco en es
da manipulação das chapas de alumínio (supo e u ilizado) e da e elação ge am impe eições
es a egicamen e u ilizadas como linguagem, que, segundo Cas o, con ex ualizam o ema da gue a
e azem a ideia dos “es ilhaços” às composições. A écnica ma ca ambém a in e upção nas idas
dos ex-comba en es, mas ap esen a-os nos dias a uais.
3. A o og a ia documen al
O o ojo nalismo em o impo an e papel de documen a e mos a a ealidade em suas múl iplas
aces; sua p incipal ca ac e ís ica é o comp omisso com a e dade. O esul ado imagé ico, po ém,
se á semp e u o das in e ações en e o óg a o, obje o e meio écnico, como a i ma Cos a (1994).
O o óg a o pode, a pa i de suas escolhas, molda a manei a como a mensagem o og á ica se á
ansmi ida, desde a concepção a é a execução.
Na o og a ia documen al, e en e do o ojo nalismo, os emas podem se explo ados com maio
libe dade, an o em elação à exp essi idade do au o , quan o no que diz espei o aos p azos, o que
pe mi e o ap o undamen o em emas não ac uais. Os canais de di usão da o og a ia documen al
não es ão es i os às emp esas jo nalís icas, possibili ando sua di ulgação ambém em li os e
4. A gue a colonial deixou ce ca de 10 mil mili a es mo os nas ês en es de ba alha na Á ica (Angola, Moçambique e
Guiné-Bissau), 30 mil e idos g a es e mais de 120 mil pós- aumá icos (Ca los, 2019, 2021).
5. O p oje o p e ê ou as e apas, algumas delas já em execução, como a isi a de Leonel de Cas o aos locais em que os soldados
o am e idos e o le an amen o de in o mações ( o og a ias, epo agens) sob e a ida das í imas an es dos aciden es. Há ainda
as o og a ias analógicas, ealizadas em médio o ma o, de ex-comba en es ambém da Gue a Colonial, mas que lu a am na
gue ilha, em mo imen os independen is as, que ambém so e am aciden es e se o na am de icien es. Pa e dessas o og a-
ias oi publicada na Re is a Magazine, in eg an e do Jo nal de No ícias, em agos o de 2021, núme o 1524.
6. Leonel Cas o u ilizou empos de exposição de 8 segundos, em média, algo que só oi possí el de ido à iluminação de 8000
Wa s de po ência (a sensibilidade à luz é de ce ca de 0,75 ISO). Todo o p ocesso o og á ico le a em o no de 10 minu os pa a a
ealização de uma o og a ia. O equipamen o u ilizado - câme a e obje i a - é o iginal e oi adqui ido nas cidades de Ams e dã e
Alemanha.

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Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa
exposições (Baeza, 2001). Es as ca ac e ís icas, aliadas à consciência do o óg a o ace ca da ealidade
que o ce ca e o desejo de mos á-la azem da o og a ia documen al um eículo impo an e pa a que
a os ele an es, a uais ou não, possam se explo ados em p o undidade.
Sojo (1998) des aca que a o og a ia documen al pode compo um ensaio o og á ico com di e sas
o og a ias, em que a ideia p incipal es á p esen e em odo o abalho, mas não impede a iações
em o no do concei o o iginal. Nesse sen ido, a es u u ação do abalho é undamen al pa a que se
man enha a coe ência isual do p oje o.
No p ocesso de cons ução das imagens, o o óg a o es abelece c i é ios que não modi icam o
s a us documen al, no en an o, ac escen am camadas subje i as de in e p e ação na imagem. A
ob a o og á ica esul a á da pe sonalidade e da in encionalidade comunica i a e exp essi a do
o óg a o, a pa i de suas escolhas que, po sua ez, são baseadas em sua posição é ica, manei a
de concebe , ep esen a e e o mundo e suas capacidades exp essi as (Cos a, 1994). Cos a
(1994) des aca ainda que a o og a ia jo nalís ica p opo ciona maio quan idade de in o mação
po segundo, quando compa ada à desc ição o al ou esc i a de um mesmo acon ecimen o, além
de o e ece ao obse ado uma in inidade de explo ações di e sas, esul ado do g ande núme o de
elações in a icônicas.
4. Co pus de gue a - da na u eza ma e ial à análise subje i a
Há di e sas eo ias sob e a in e p e ação e análise de imagens, mas o que es e a igo p e ende é
ins iga a e lexão sob e a análise no campo da subje i idade, is o que a imagem o og á ica não
é a ealidade, mesmo que a p imei a segu amen e não exis i ia sem a segunda. Logo, a imagem é
uma ep esen ação e, po an o, a obje i idade é ambém ilusó ia (Cos a, 1994, p. 127). Além disso,
o gêne o documen al ap esen a linguagem, es ilo au o al e subje i idade p óp ios, como a i ma
Baeza (2001), de manei a que es abelece eg as de es ilo e códigos es i os é um isco de limi ação
da mensagem. Ademais, em análise de uma sé ie de imagens, como é o caso, mais que aplica
ó mulas de análise p é-concebidas, de e-se conside a as in enções comunica i as, ca ac e ís icas
es ilís icas, e e ências ou uso de ecu sos e ó icos, inalidades de uso e a análise do con ex o no qual
as imagens es ão inse idas. Baeza (2001, p. 171) a i ma ainda que a lei u a de uma imagem en ol e
odas as dimensões da in eligência humana, “e nela há que inclui , ademais, a sabedo ia emocional
pa a con e e a dialé ica em endimen o i al, em sín ese holís ica, globalizado a, da comp eensão
da imagem como emancipação da expe iência e do p óp io sen ido do mundo”.
Po sua na u eza, a o og a ia ans o ma a dimensão empo al em dimensão espacial, ao sepa a
um conjun o de in o mações do luxo dos acon ecimen os e ixá-lo em um supo e de ini i o (Cos a,
1994). A o og a ia, a i ma Cos a (1994, p. 127), “ ol a a aze p esen es coisas ausen es, que es ão ou
es a am nou o luga e nou o empo”. Nesse sen ido, as o og a ias de Despojos de Gue a azem
ao momen o a ual as do es i idas na Gue a Colonial po meio do “bloqueio da sequencialidade e
con inuidade do eal” (Cos a, 1994, p. 127) no egis o de um agmen o da ealidade que condensa em
si oda uma his ó ia. Nunca sabe emos o que aqueles co pos o og a ados expe iencia am e, embo a
as memó ias das mu ilações pe maneçam a i as nesses co pos, é a o og a ia que az o passado à
dimensão do empo p esen e. Po meio da o og a ia, as memó ias pe manecem i as.
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OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL
Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa
Em pesquisa sob e a ep esen ação do so imen o no o ojo nalismo, Angie Biondi (2016) iden i icou
ês igu ações emá icas pa a o co po so edo na imagem o ojo nalís ica: o co po supliciado,
o co po assujei ado e o co po aba ido. As igu ações a endem, po sua ez, às ca ego ias ome,
ca ás o e, doença, iolência e aciden e, que se em de base pa a a análise de o og a ias jo nalís icas
selecionadas em sua ese. As ca ego ias p opos as po Biondi, embo a não sejam adequadas pa a o
es udo p opos o nes e abalho, inspi am a elabo ação da me odologia aqui desen ol ida.
O modelo ap esen ado pela au o a suge e a a i idade e lexi a a im de desa icula o p essupos o
da obje i idade con encional. Po es e mo i o, oi escolhido po adequa -se aos p opósi os des e
abalho, que enciona elabo a camadas de análise pa a que as imagens ap esen adas nes e a igo
sejam comp eendidas em sua subje i idade.
De aco do com Kossoy (2012) a o og a ia é “obje o-imagem”. Nesse sen ido, podemos apon a que
a o og a ia exibe um co po ma e ial, em que se podem “de ec a ca ac e ís icas écnicas ípicas
da época em que oi p oduzido” (Kossoy, 2012, p. 42). Nes e co po ma e ial, es ão p esen es os
elemen os cons i u i os da imagem.
An es mesmo de econs i ui os elemen os na a i os de suas no ícias, an es da o dem do
egis o his ó ico do seu e en o ou de uma ecupe ação biog á ica dos pe sonagens, o que
a o og a ia o e ece é uma composição ma e ial que con igu a um co po a a és de uma
ma é ia exp essi a que en ol e, em conjun o, uma plás ica isual; co es, enquad amen os,
iluminação, g anulação, planos, en im, que se ap esen am e se colocam pe an e o espec ado
lhe con ocando ce a o dem de a e os. (Biondi, 2016, p. 65)
Assim, a in e p e ação da imagem o og á ica, inicialmen e es u u ada pelo o óg a o, p opõe os
signi icados pa a compo a mensagem o og á ica po meio do uso de ecu sos isuais, elabo ados
nos di e en es ní eis de p odução da o og a ia. A o og a ia, a i ma Ba hes (1984b) é cons i uída
po uma mensagem deno ada, um análogo mecânico do eal, e uma mensagem cono ada, que ope a
ao ní el da ecepção, na manei a como a mensagem é lida e eque um exe cício de deci amen o a
pa i de códigos cul u ais. Nesse sen ido, aspec os como pose dos sujei os o og a ados, p esença
de obje os, uncagem, embelezamen o a a és do uso de ecu sos écnicos, sin axe e ucagem são
apon ados pelo au o como p ocessos de codi icação, mui as ezes com es u u a deno ada-cono ada.
Cos a (1994), po sua ez, a i ma que a imagem o og á ica é compos a de elemen os que, se analisados
sepa adamen e, ap esen am um quad o es á ico, p óximo de um in en á io de si uação. As elações
en e esses elemen os, no en an o, p oduzem ações e eações uns sob e os ou os, o que o au o chama
de in e ações. Essas in e ações es ão p esen es em odas as imagens, mas agem de manei a di e en e
em cada uma delas. Assim, em cada imagem pode ha e o p edomínio de um dos elemen os.
No caso do o ojo nalismo, bem como na p á ica documen al que o o iginou, Biondi (2016) des aca
sua concepção na eia de elações en e o óg a o, o og a ado e espec ado , de manei a que é p eciso
conside a essa eia pa a e le i sob e as pe spec i as da mensagem o og á ica, além dos códigos
con encionais. Nas análises con encionais, possi elmen e as ca ego ias comuns ossem emp egadas
sa is a o iamen e. Po ém, a ên ase no gêne o jo nalís ico pode ia es ingi a análise a si uações
isoladas, como a i ma Biondi (2016):
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OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL
Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa
O econhecimen o dos códigos que ma ca am con encionalidades no modo de e o og a ias
de imp ensa apenas como egis o de a os oco idos (...) não é su icien e po que não es á
isolado ou independen e da si uação conc e a que lhe ca ac e iza - a expe iência do e . (p. 10)
An es, po ém, da elação com o espec ado , Cos a (1994) essal a a elação en e o óg a o, obje o e
meio écnico, elemen os que, combinados, são essenciais como linguagem e pa a o esul ado inal
da imagem. Po conseguin e, buscamos conhece a eia dessas elações a pa i des a íade, bem
como po meio da expe iência isual dos co pos nas o og a ias de Despojos de Gue a. Ressal a-se,
no en an o, que a análise não desca a os elemen os que compõem a imagem, bem como a écnica
o og á ica, a im de in eg a pa e do aciocínio subje i o. Ou o pon o impo an e é que, no âmbi o
da subje i idade, ap esen amos algumas in e p e ações que não se ence am em si mesmas, de
manei a que o abalho i ma-se como uma das inúme as possibilidades de análise.
Nesse sen ido, pa a análise das o og a ias de Despojos de Gue a p opõe-se como me odologia duas
ca ego ias que conside am a pe cepção da in encionalidade do o óg a o, con ex o e ca ac e ís icas
es ilís icas, al como suge e Baeza (2001). Os aspec os isuais ma e ializados na imagem - sejam
eles deco en es da écnica o og á ica ou do con eúdo, ambos esul ado da in encionalidade do
o óg a o, - compõem a dimensão espacial, denominada nes e abalho como na u eza ma e ial/
diálogos com a ma e ialidade. A segunda ca ego ia a a do supo e ma e ial e suas ca ac e ís icas.
No caso, a análise abo da os aspec os ela i os à empo alidade (ine en e ao a o em si), p esenciado
pela câme a o og á ica, e à a empo alidade p esen e na imagem, além das associações en e as
ques ões empo ais e o supo e ma e ial. Es a ca ego ia é aqui nomeada como na u eza empo al/
diálogos com a memó ia.
4.1. Na u eza ma e ial/ diálogos com a ma e ialidade
A o og a ia é compos a po um co po ma e ial que ca ega consigo os elemen os isí eis deco en es
da écnica e os concei os in encionados pelo o óg a o, “coisi icados”, inco po ados nessa supe ície
palpá el. Fon cube a (2020, p. 45) lemb a que a na u eza ma e ial da o og a ia nos passa
despe cebida, como um id o anspa en e de uma janela que nos sepa a do mundo lá o a e só é
pe cebido quando se ompe. Assim oco e ambém com a o og a ia na a ualidade. A acuidade e o
ealismo se sob epõem à pe cepção de que a ecnologia nos sepa a da ealidade e, des a o ma, as
imagens hipe eais são a “ ealidade”. “A câme a az o espec ado pa a pe o, pa a demasiado pe o;
com o auxílio de uma len e de aumen o — pois nes e caso as len es são duas —, a “ni idez e í el”
das imagens o nece in o mação desnecessá ia e indecen e” (Son ag, 2003, p. 20).
Nesse sen ido, a escolha da écnica do colódio úmido a as a a “ni idez e í el” de que ala Son ag
(2003) e, consequen emen e, es abelece a dis ância que sepa a obje o e ealidade. A pa i das
e lexões de Fon cube a e Son ag, é possí el iden i ica na écnica do colódio úmido a up u a de que
ala Cas o, ao busca uma écnica menos oyeu .
Em uma écnica udimen a como a do colódio úmido, a ma e ialidade da o og a ia é e o çada
pelo não ealismo das imagens. A lemb ança de que en e sujei o e espec ado há um mecanismo
é e o çada con inuamen e pelas ca ac e ís icas da imagem em colódio: o p e o e b anco, meno
ni idez, algumas anhu as e ugas na supe ície ma e ial e ma cas nas la e ais das o os, deco en es
do p ocesso de e elação. Ao op a pela écnica, Cas o e ela a his ó ia dos ex-comba en es ao
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mesmo empo em que os p o ege da exposição demasiada. Como a i ma Simões (2021, p. 41), “com
a abo dagem p opos a, a exposição das mazelas es á despida da c ueza oyeu is a, e en ualmen e
iolen a e iolen ado a, que pode ia esul a do uso da o og a ia digi al”.
A escolha da écnica suge e ainda ou as in e p e ações a pa i das ca ac e ís icas isuais, como as
impe eições na ex u a e acabamen o das o og a ias (semp e lemb ando que quando compa adas às
écnicas a uais, ex emamen e p ecisas em ní eis de ni idez, con as e e acabamen o). Po analogia,
podemos p opo que há um diálogo en e a imagem das í imas, hoje com seus co pos sob e i en es e
mu ilados, e o colódio que, po sua na u eza, en ega imagens que hoje são conside adas impe ei as,
se compa adas às mais ecen es.
A o og a ia é ambém um documen o his ó ico. E, como documen o, em ca ac e ís icas ma e iais
a pa i de elemen os que o mam a imagem, como enquad amen o, iluminação, elemen os em
cena, g ão, con as e e ni idez, den e ou os. Cada um dos elemen os não se á aqui analisado
sepa adamen e, como já expos o, pa a não inco e no isco de se demasiado educionis a e,
além disso, como essal a Cas o (comunicação pessoal, Fe e ei o 1, 2022), “a écnica não é o
mais impo an e e sim a in e p e ação que azemos dela”. Nesse sen ido, iniciamos a análise de
algumas o og a ias selecionadas, odas publicadas na epo agem da e is a His ó ia, com base nas
ca ac e ís icas isuais das memó ias, ma e ializadas po Cas o.
Há di e sos aspec os que são compa ilhados na sé ie de o og a ias que compõem “Despojos de
Gue a”. Em odas, no a-se que o enquad amen o a ia de aco do com a pessoa o og a ada. A
ên ase es á nas sequelas causadas pelos e imen os já cica izados ex e namen e e, como eg a, é
possí el dep eende que a p eocupação do o óg a o oi que as cica izes es i essem odas den o do
enquad amen o. Assim, há o og a ias em que é p io izado o bus o, nos casos de memb os supe io es
bi-ampu ados ( igu a 1) e há imagens em que odo o co po es á no enquad amen o, nos casos de
ampu ações em memb os in e io es e pa aplegia ( igu a 2). P edomina, nos enquad amen os, o
g ande plano, ca ac e izado, segundo Sousa (2002), po se mais exp essi o e sele i o, além de não
ap esen a mui os elemen os dispe si os em cena.
O ângulo em que os ex-comba en es o am o og a ados é no mal - à al u a dos olhos-, com a iações
mínimas de angulação, o que e o ça a isão obje i a sob e a cena (Sousa, 2002). Além disso, a posição
da câme a coloca o espec ado e o og a ado à mesma al u a, sinaliza pa a a igualdade e con ida à
empa ia.
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OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL
Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa
Son ag, Susan (2003). Dian e da do dos ou os. Companhia das Le as.
Sousa, Jo ge Ped o (2002). Fo ojo nalismo: uma in odução à his ó ia, às écnicas e à linguagem da o og a ia na
imp ensa. Biblio eca Online de Ciências da Comunicação. h ps://bi .ly/3 HTouN
Semblanza de los au o es
Denise Guima ães-Guedes é dou o anda no P og ama de Pós G aduação em Comunicação na UNESP, com bolsa
CAPES de dou o ado sanduíche na cidade do Po o, na Uni e sidade Fe nando Pessoa, no pe íodo de se emb o/2020
a e e ei o/2021.
Jo ge Ped o Sousa ob e e seu dou o ado em Jo nalismo na Uni e sidade de San iago de Compos ela (Espanha,
1997), onde ambém ealizou sua pesquisa de pós-dou o ado (1999/2000). Ag egou-se na Uni e sidade de T ás-
os-Mon es e Al o Dou o (2008), em Jo nalismo, e a ualmen e é p o esso ca ed á ico de Jo nalismo e Ciências da
Comunicação na Uni e sidade Fe nando Pessoa (Po o, Po ugal) e in es igado in eg ado do ICNOVA – Ins i u o
de Comunicação da NOVA. In es iga, p incipalmen e, sob e análise his ó ica do discu so jo nalís ico e his ó ia
do jo nalismo. A sua ob a mais ecen e in i ula-se Po ugal: pequena his ó ia de um g ande jo nalismo I (Li os
ICNOVA, 2021).