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Os corpos da guerra: fotografia e memória de ex-combatentes mutilados na Guerra Colonial

Guimarães-Guedes, Denise; Sousa, Jorge Pedro

Abstract

O tema dos ex-combatentes da Guerra Colonial volta à pauta através do projeto Despojos de Guerra, do fotojornalista português Leonel de Castro. O projeto traz ao tempo presente as cicatrizes dos ex-combatentes, bem como suas histórias de vida, através de retratos atuais e memórias individuais. As fotografias, realizadas com técnicas analógica e de colódio úmido, apresentam os ex-combatentes e as marcas dos ferimentos que interromperam suas vidas na juventude. Este artigo pretende, assim, refletir sobre a constituição das memórias da mutilação de guerra por meio da fotografia documental e como essas memórias dialogam com o tempo presente. Baseia-se numa análise qualitativa do discurso fotodocumental e das considerações do idealizador do projeto, Leonel de Castro, colhidas em uma entrevista, à luz de um referencial teórico construído a partir dos contributos de Sontag, Costa, Baeza, Barthes e Kossoy, que discutem os usos da fotografia documental, e de Biondi, sobre a representação da dor e do sofrimento no fotojornalismo. A pesquisa propõe duas categorias de análise das imagens fotográficas de Despojos de Guerra, em que as naturezas material e temporal se complementam. Conclui-se que a fotografia documental permite que memórias de fatos antigos permaneçam atuais através de sua materialização em imagens e, além disso, as escolhas dos elementos constitutivos da imagem fotográfica pelo fotógrafo são fundamentais para que determinada mensagem seja transmitida. A análise das imagens, portanto, deve considerar as relações entre tais elementos.

Full text

Nº 57 | VERANO 2022 ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 Os co pos da gue a: o og a ia e memó ia de ex-comba en es mu ilados na Gue a Colonial1 The wa bodies: pho og aphy and memo y o ex-comba an s mu ila ed in he Colonial Wa Denise Guima ães-Guedes Uni e sidade Es adual Paulis a - UNESP | A . Eng. Luiz Edmundo C. Coube 14-01, Bau u, SP, B asil h p://o cid.o g/0000-0003-3040-6741 · guima ã[email protected] Jo ge Ped o Sousa Uni e sidade Fe nando Pessoa | P aça de 9 de Ab il 349, Po o, Po ugal ICNOVA Ins i u o de Comunicação da NOVA | Campus de Campolide da Uni e sidade NOVA de Lisboa, Po ugal h p://o cid.o g/0000-0003-0814-6779 · jpsousa@u p.edu.p Fechas: Recepción: 24/02/2022 · Acep ación: 21/05/2022 · Publicación: 15/07/2022 Resumen O ema dos ex-comba en es da Gue a Colonial ol a à pau a a a és do p oje o Despojos de Gue a, do o ojo nalis a po uguês Leonel de Cas o. O p oje o az ao empo p esen e as cica izes dos ex-comba en es, bem como suas his ó ias de ida, a a és de e a os a uais e memó ias indi iduais. As o og a ias, ealizadas com écnicas analógica e de colódio úmido, ap esen am os ex-comba en es e as ma cas dos e imen os que in e ompe am suas idas na ju en ude. Es e a igo p e ende, assim, e le i sob e a cons i uição das memó ias da mu ilação de gue a po meio da o og a ia documen al e como essas memó ias dialogam com o empo p esen e. Baseia-se numa análise quali a i a do discu so o odocumen al e das conside ações do idealizado do p oje o, Leonel de Cas o, colhidas em uma en e is a, à luz de um e e encial eó ico cons uído a pa i dos con ibu os de Son ag, Cos a, Baeza, Ba hes e Kossoy, que discu em os usos da o og a ia documen al, e de Biondi, sob e a ep esen ação da do e do so imen o no o ojo nalismo. A pesquisa p opõe duas ca ego ias de análise das imagens o og á icas de Despojos de Gue a, em que as na u ezas ma e ial e empo al se complemen am. Conclui-se que a o og a ia documen al pe mi e que memó ias de a os an igos pe maneçam a uais a a és de sua ma e ialização em imagens e, além disso, as escolhas dos elemen os cons i u i os da imagem o og á ica pelo o óg a o são undamen ais pa a que de e minada mensagem seja ansmi ida. A análise das imagens, po an o, de e conside a as elações en e ais elemen os. Pala as-cha e: o ojo nalismo, o og a ia documen al, Gue a Colonial, Leonel de Cas o, Despojos de Gue a. Abs ac Ve e ans o he Po uguese Colonial Wa a e back on he media agenda h ough he p ojec “Despojos de Gue a” 1. Pesquisa inanciada pela Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal de Ní el Supe io CAPES, e . p oc. 88881.623498/2021- 01. Es a in es igação é pa e da ese de dou o amen o de Denise Guima ães-Guedes e ealizada na e apa “sanduíche”, desen- ol ida jun o à Uni e sidade Fe nando Pessoa, Po ugal, sob coo denação do p o esso Jo ge Ped o Sousa. 212 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa (Spoils o Wa ), by Po uguese pho ojou nalis Leonel de Cas o. The p ojec b ings o he p esen ime he sca s o he e e ans, as well as hei li e s o ies, h ough cu en po ai s and indi idual memo ies. The pho og aphs, Using a collodion p ocess, analogic, pho og aphs p esen e e ans and he ma ks o he wounds ha in e up ed hei li es in hei you h. Thus, his s udy in ends o e lec on he cons i u ion o memo ies o wa mu ila ion h ough documen a y pho og aphy and how hese memo ies dialogue wi h p esen ime. I is based on a quali a i e analysis o he pho odocumen a y discou se and o he discou se o he c ea o o he p ojec , Leonel de Cas o, collec ed in an in e iew, in he ligh o a heo e ical e e en ial buil om he con ibu ions o Son ag, Cos a, Baeza, Ba hes and Kossoy, who discuss he uses o documen a y pho og aphy, and o Biondi, abou he ep esen a ion o pain and su e ing in pho ojou nalism. The esea ch p oposes wo ca ego ies o analysis o he pho og aphic images o Despojos de Gue a, in which ma e ial and empo al na u es complemen each o he . Conclusions poin ou he ideas ha documen a y pho og aphy allows memo ies o old ac s o emain p esen h ough hei ma e ializa ion in images and, u he mo e, ha pho og aphe ’s choices o he cons i u i e elemen s o he pho og aphic image a e undamen al o a ce ain message o be ansmi ed. The analysis o he images, he e o e, mus conside he ela ions be ween such elemen s. Keywo ds: pho ojou nalism, documen a y pho og aphy, Colonial Wa , Leonel de Cas o, Despojos de Gue a. 1. In odução A ideia des e a igo su giu da lei u a de o og a ias de Leonel de Cas o2, in eg an es de epo agem publicada na e is a po uguesa JN His ó ia, pe encen e ao Jo nal de No ícias3, “Vidas moldadas a e o e ogo”. O o óg a o po uguês egis ou, com a écnica do colódio úmido, um g upo de soldados sob e i en es que o am e idos g a emen e du an e a Gue a Colonial, oco ida en e os anos de 1961 e 1974, pa a o p oje o “Despojos de Gue a”, de sua au o ia. As o og a ias de Cas o eme em a ou as imagens, publicadas em 1924, no li o “K ieg dem K iege!” (Gue a con a gue a!), o ganizado pelo paci is a alemão E ns F ied ich. O li o possui 180 o og a ias, sendo que 24 delas são de os os de soldados mu ilados sob e i en es da P imei a Gue a Mundial. As duas publicações ap esen am imagens da gue a pouco usuais. O mais equen e é encon a mos imagens dos campos de ba alha, cená ios de des uição, co pos anônimos e sem ida, além das ações de con li o. Ao ap esen a sob e i en es e, acima de udo, soldados, as imagens e elam a gue a sob um ou o iés, ou seja, daqueles que são, pela na u eza de sua a uação, p o agonis as, po ém, ambém í imas. A a és da o og a ia, esses homens que coloca am suas idas a se iço da pá ia ganham os os, iden idade, e expõem suas mais p o undas e dolo osas cica izes de gue a. P e ende-se aqui disco e sob e o abalho “Despojos de Gue a”, publicado quase uma cen ena de anos depois de “K ieg dem K iege!”, e que chama ao p esen e as do es e mu ilações do passado. A o og a ia documen al, nesse aspec o, é essencial pa a que se açam conhece ou as ealidades e pa a que a memó ia isual dos a os pe maneça i a. O e e encial eó ico az e lexões dos au o es Susan Son ag, Joan Cos a, Bo is Kossoy, Roland 2. Leonel de Cas o é jo nalis a g aduado pela Escola Supe io de Jo nalismo e a ualmen e desen ol e pesquisa de dou o amen o em Jo nalismo e In o mação, na Uni e sidade do Minho. É o ojo nalis a no Jo nal de No ícias desde 1996. 3. JN – His ó ia, n.º 35, dezemb o de 2021. 213 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa Ba hes e Pepe Baeza, den e ou os, além de pesquisa da au o a Angie Biondi (2016), que ques iona de que manei a o o ojo nalismo o na isí el o so imen o humano. A au o a p opõe algumas ca ego ias de análise que inspi am a me odologia ado ada nes e a igo pa a análise das o og a ias de Cas o, de manei a que, pa a analisa as imagens de “Despojos de Gue a”, são p opos as camadas que ansi am en e elemen os obje i os e subje i os, le ando em con a as elações en e esses elemen os. Além disso, ap esen a as e lexões do o ojo nalis a e idealizado do p oje o “Despojos de Gue a”, colhidas em en e is a. Po im, es e a igo con ida o lei o a uma e lexão sob e como a abo dagem do ema na o og a ia documen al o na p esen es os enômenos do con inuum espaço- empo al (Cos a, 1994) e ins au a memó ias du adou as de e en os his ó icos. 2. Memó ias (in) isí eis Desde sua in enção, a o og a ia con ibui pa a cons ui a memó ia da humanidade e de udo o que a en ol e. Tal como sus en a Reye o (2007), a imagem o og á ica pe mi e incula o passado ao p esen e, p oduz memó ia, p óp ia ou cole i a, sendo nes e enquad amen o que aqui se conside a o papel da o og a ia na cons ução da memó ia. A memó ia implica, como diz Jelin (2002), o que se eco da e o que se esquece, na a i as e pe sonagens, a os, silêncios, ges os, sabe es, emoções, azios e a u as. Po asladação ao uni e so o og á ico, o passado, seja da p óp ia o og a ia, seja das pe sonagens, espaços ou ações ep esen adas no espaço o og á ico, eme ge da imagem o og á ica no p esen e do a o do olha , o momen o em que a o og a ia é obse ada e in e p e ada, o momen o em que ge a signi icado, den o de um con ex o cul u al especí ico e das i ências que o obse ado expe imen ou. A mensagem o og á ica, es u u ada in encionalmen e po um o óg a o, como acon ece no caso da ob a o og á ica aqui es udada, p opõe signi icados sob e o passado, sob e pe sonagens cuja si uação p esen e esul a do seu passado, po meio de ecu sos linguís icos especí icos que, em g ande medida, êm uma lei u a cul u al, como sejam: a pose dos sujei os o og a ados; a p esença de obje os como o es uá io (ou a sua ausência); o embelezamen o da imagem, po meio da iluminação ou ou os ecu sos exp essi os; a adição de ca ga es é ica po meio da composição; a sin axe p oduzida pela associação de imagens; e a uncagem (Ba hes, 1984a, 1984b). A imagem o og á ica exis e, po an o, como um ex o isual susce í el de se analisado e in e p e ado, desde a sua p óp ia g amá ica, sim, mas ambém à luz de um en o no cul u al, con o me Ba hes (1984a, 1984b) de endeu e ou os au o es e o ça am (Dubois, 1994). Nesse sen ido, a imagem o og á ica p oduzida in encionalmen e, ainda que ep esen e uma singula idade, um co e a i icial no con ínuo do espaço- empo, pe mi e ao obse ado le o ien adamen e os agmen os do passado que são expos os ao seu olha , p oduzindo memó ia jus amen e como es ígio do passado que e oca, como imp essão de uma coisa que deixou a sua ma ca na o og a ia, como he ança do passado (F eedbe g, 1992; Edwa ds, 1999; Candau, 2000; Kossoy, 2012). Ainda que o ex o, po mais elabo ado e de alhis a que seja, en e econs i ui imagens e a os, a o og a ia, como e lexo conc e o do mundo (F eund, 1983, p.96), en ega de alhes isuais e, mui as ezes, com uma agudeza con umaz. Em 1924, um li o publicado pelo paci is a E ns F ied ich ap esen a a ao público o og a ias da P imei a Gue a Mundial, a maio ia e i ada de a qui os 214 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa mili a es e médicos da Alemanha, mui as delas censu adas. Den e as 180 o og a ias dos ho o es, como a de as ação de cidades, soldados mo os e eículos des oçados, há uma seleção de 24 imagens com os os de soldados sob e i en es. Son ag (2003) a i ma que, de odo o li o, são essas as páginas mais “insupo á eis” e complemen a com a obse ação, na ase seguin e: “de pa i o co ação”. Na época, após denúncias ao go e no, li os o am e i ados das li a ias em algumas cidades e o o ganizado , p ocessado. O li o, ainda assim, oi eedi ado dez ezes e aduzido pa a ou os idiomas. Quase um século depois, o o ojo nalis a Leonel de Cas o p oduziu uma sensí el sé ie de o og a ias de soldados que sob e i e am à Gue a Colonial, oco ida en e os anos 1961 e 1974, du an e o egime salaza is a. Os sob e i en es, e idos g a emen e du an e a gue a, mos am à câme a as cica izes e sequelas pe manen es, que impac am di e amen e em sua qualidade de ida a é os dias de hoje. As dezesse e o og a ias que compõem a epo agem publicada na e is a JN His ó ia azem pa e de uma sé ie de e a os, p oje o em andamen o que le a o nome de “Despojos de Gue a”, abalho já p emiado na ca ego ia Re a os, do P émio Pic u es o he Yea In e na ional, em 2021. Sepa adas po dezenas de anos, as o og a ias o ganizadas po E ns F ied ich e as p oduzidas po Leonel de Cas o possuem cong uências que as unem em um espaço comum, de homens que es i e am em uma mesma posição de lu a pelo seu país. Nas p imei as, as o og a ias êm um cunho quase cien í ico, de egis o das iolen as mu ilações nos os os dos soldados. Nas o og a ias de Cas o, en e an o, a écnica e o igo na composição azem com que o ema denso seja comp eendido em ou as es e as além da documen al. Em ambos, a pe manência de um es ado de con inuidade com o qual odos de emos lida como espec ado es. As imagens de “Despojos de Gue a” ap esen am mais um lado desumano da gue a: aquele que sob e i e no co po dos ex-comba en es po décadas e não pode se econs uído. Ao mesmo empo, as o og a ias e elam udo o que há de mais humano em cada um dos e a ados, a pa i das cica izes que e idenciam o so imen o expe ienciado e a dignidade com que se mos am à câme a. 2.1. Leonel de Cas o e a his ó ia de “Despojos de Gue a” O o ojo nalis a po uguês Leonel de Cas o con a his ó ias a a és das imagens. Bas a um olha sob e seu abalho o og á ico, expos o em sua homepage na in e ne , pa a no a que suas o og a ias azem pa e de algo ainda maio que uma boa epo agem o og á ica. Cas o cap u a, com maes ia, algo que pala as não pode iam exp essa , mesmo em sua melho gênese. E ainda assim, as pala as azem pa e de sua o og a ia, não como legenda, mas o complemen o de que necessi a na a e de con a as his ó ias. Em “Despojos de Gue a”, Cas o mos a que há mui as manei as de e . O p oje o, ainda em andamen o, oi iniciado em agos o de 2020, du an e a pandemia. O desejo de o og a a os ex-comba en es da Gue a Colonial, no en an o, exis e há mais empo. Segundo o o óg a o (comunicação pessoal, Fe e ei o 1, 2022), ela os e his ó ias sob e a Gue a Colonial pelos jo nalis as são a os. Enquan o que ou os países exibiam gue a, no adamen e a do Vie nã, em o og a ias publicadas em e is as e jo nais, Po ugal, na ocasião, escondia o lado mais c uel da gue a. Isso po que, du an e a di adu a, não e am pe mi idos jo nalis as nos con li os e as poucas o og a ias exis en es são imagens p o ocola es, a exibi soldados em seus uni o mes, a mas e em momen os de laze . Os ex-comba en es, sob e i en es e idos e mu ilados, e am escondidos pa a que não ossem 215 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa um deses ímulo a ou os jo ens con ocados pa a a gue a4. Essa comunidade de ex-soldados é hoje ep esen ada pela Associação dos De icien es das Fo ças A madas (AFDA). A condição dos ex-comba en es le ou o o ojo nalis a a e le i sob e a impo ância de documen a a his ó ia desses que i e am as idas in e ompidas aos 20 e poucos anos du an e a gue a. São homens, en e 70 e 90 anos, que, a pa i dos e imen os, i e am que ein en a seu modo de ida. Pa a o og a á-los, Cas o desca ou o mé odo mais a ual de cap u a o og á ica, a o og a ia ele ônica (digi al), pois não o ag ada a a ideia de qualque esul ado que implicasse em uma o ma de olha oyeu , explica. Mas al a a, de aco do com o o óg a o, encon a uma écnica que osse adequada à abo dagem desejada e que unisse a o og a ia documen al ao senso de dignidade que o o ojo nalis a que ia imp imi nas imagens. Além disso, a écnica e ia que se compa í el com as ou as e apas do p oje o, que en ol e ambém o og a ia analógica em o ma o 9 x 125. A escolha do colódio úmido deu-se como uma al e na i a ao imedia ismo da o og a ia digi al. O colódio é, po sua na u eza, uma écnica len a, que eque p epa o de químicas, sensibilização do supo e o og á ico, empo de exposição mais longo e e elação manual6. O esul ado o e ecido pelo colódio oi ambém de e minan e pa a a escolha do o ojo nalis a. As ma cas deco en es da manipulação das chapas de alumínio (supo e u ilizado) e da e elação ge am impe eições es a egicamen e u ilizadas como linguagem, que, segundo Cas o, con ex ualizam o ema da gue a e azem a ideia dos “es ilhaços” às composições. A écnica ma ca ambém a in e upção nas idas dos ex-comba en es, mas ap esen a-os nos dias a uais. 3. A o og a ia documen al O o ojo nalismo em o impo an e papel de documen a e mos a a ealidade em suas múl iplas aces; sua p incipal ca ac e ís ica é o comp omisso com a e dade. O esul ado imagé ico, po ém, se á semp e u o das in e ações en e o óg a o, obje o e meio écnico, como a i ma Cos a (1994). O o óg a o pode, a pa i de suas escolhas, molda a manei a como a mensagem o og á ica se á ansmi ida, desde a concepção a é a execução. Na o og a ia documen al, e en e do o ojo nalismo, os emas podem se explo ados com maio libe dade, an o em elação à exp essi idade do au o , quan o no que diz espei o aos p azos, o que pe mi e o ap o undamen o em emas não ac uais. Os canais de di usão da o og a ia documen al não es ão es i os às emp esas jo nalís icas, possibili ando sua di ulgação ambém em li os e 4. A gue a colonial deixou ce ca de 10 mil mili a es mo os nas ês en es de ba alha na Á ica (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau), 30 mil e idos g a es e mais de 120 mil pós- aumá icos (Ca los, 2019, 2021). 5. O p oje o p e ê ou as e apas, algumas delas já em execução, como a isi a de Leonel de Cas o aos locais em que os soldados o am e idos e o le an amen o de in o mações ( o og a ias, epo agens) sob e a ida das í imas an es dos aciden es. Há ainda as o og a ias analógicas, ealizadas em médio o ma o, de ex-comba en es ambém da Gue a Colonial, mas que lu a am na gue ilha, em mo imen os independen is as, que ambém so e am aciden es e se o na am de icien es. Pa e dessas o og a- ias oi publicada na Re is a Magazine, in eg an e do Jo nal de No ícias, em agos o de 2021, núme o 1524. 6. Leonel Cas o u ilizou empos de exposição de 8 segundos, em média, algo que só oi possí el de ido à iluminação de 8000 Wa s de po ência (a sensibilidade à luz é de ce ca de 0,75 ISO). Todo o p ocesso o og á ico le a em o no de 10 minu os pa a a ealização de uma o og a ia. O equipamen o u ilizado - câme a e obje i a - é o iginal e oi adqui ido nas cidades de Ams e dã e Alemanha. 216 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa exposições (Baeza, 2001). Es as ca ac e ís icas, aliadas à consciência do o óg a o ace ca da ealidade que o ce ca e o desejo de mos á-la azem da o og a ia documen al um eículo impo an e pa a que a os ele an es, a uais ou não, possam se explo ados em p o undidade. Sojo (1998) des aca que a o og a ia documen al pode compo um ensaio o og á ico com di e sas o og a ias, em que a ideia p incipal es á p esen e em odo o abalho, mas não impede a iações em o no do concei o o iginal. Nesse sen ido, a es u u ação do abalho é undamen al pa a que se man enha a coe ência isual do p oje o. No p ocesso de cons ução das imagens, o o óg a o es abelece c i é ios que não modi icam o s a us documen al, no en an o, ac escen am camadas subje i as de in e p e ação na imagem. A ob a o og á ica esul a á da pe sonalidade e da in encionalidade comunica i a e exp essi a do o óg a o, a pa i de suas escolhas que, po sua ez, são baseadas em sua posição é ica, manei a de concebe , ep esen a e e o mundo e suas capacidades exp essi as (Cos a, 1994). Cos a (1994) des aca ainda que a o og a ia jo nalís ica p opo ciona maio quan idade de in o mação po segundo, quando compa ada à desc ição o al ou esc i a de um mesmo acon ecimen o, além de o e ece ao obse ado uma in inidade de explo ações di e sas, esul ado do g ande núme o de elações in a icônicas. 4. Co pus de gue a - da na u eza ma e ial à análise subje i a Há di e sas eo ias sob e a in e p e ação e análise de imagens, mas o que es e a igo p e ende é ins iga a e lexão sob e a análise no campo da subje i idade, is o que a imagem o og á ica não é a ealidade, mesmo que a p imei a segu amen e não exis i ia sem a segunda. Logo, a imagem é uma ep esen ação e, po an o, a obje i idade é ambém ilusó ia (Cos a, 1994, p. 127). Além disso, o gêne o documen al ap esen a linguagem, es ilo au o al e subje i idade p óp ios, como a i ma Baeza (2001), de manei a que es abelece eg as de es ilo e códigos es i os é um isco de limi ação da mensagem. Ademais, em análise de uma sé ie de imagens, como é o caso, mais que aplica ó mulas de análise p é-concebidas, de e-se conside a as in enções comunica i as, ca ac e ís icas es ilís icas, e e ências ou uso de ecu sos e ó icos, inalidades de uso e a análise do con ex o no qual as imagens es ão inse idas. Baeza (2001, p. 171) a i ma ainda que a lei u a de uma imagem en ol e odas as dimensões da in eligência humana, “e nela há que inclui , ademais, a sabedo ia emocional pa a con e e a dialé ica em endimen o i al, em sín ese holís ica, globalizado a, da comp eensão da imagem como emancipação da expe iência e do p óp io sen ido do mundo”. Po sua na u eza, a o og a ia ans o ma a dimensão empo al em dimensão espacial, ao sepa a um conjun o de in o mações do luxo dos acon ecimen os e ixá-lo em um supo e de ini i o (Cos a, 1994). A o og a ia, a i ma Cos a (1994, p. 127), “ ol a a aze p esen es coisas ausen es, que es ão ou es a am nou o luga e nou o empo”. Nesse sen ido, as o og a ias de Despojos de Gue a azem ao momen o a ual as do es i idas na Gue a Colonial po meio do “bloqueio da sequencialidade e con inuidade do eal” (Cos a, 1994, p. 127) no egis o de um agmen o da ealidade que condensa em si oda uma his ó ia. Nunca sabe emos o que aqueles co pos o og a ados expe iencia am e, embo a as memó ias das mu ilações pe maneçam a i as nesses co pos, é a o og a ia que az o passado à dimensão do empo p esen e. Po meio da o og a ia, as memó ias pe manecem i as. 217 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa Em pesquisa sob e a ep esen ação do so imen o no o ojo nalismo, Angie Biondi (2016) iden i icou ês igu ações emá icas pa a o co po so edo na imagem o ojo nalís ica: o co po supliciado, o co po assujei ado e o co po aba ido. As igu ações a endem, po sua ez, às ca ego ias ome, ca ás o e, doença, iolência e aciden e, que se em de base pa a a análise de o og a ias jo nalís icas selecionadas em sua ese. As ca ego ias p opos as po Biondi, embo a não sejam adequadas pa a o es udo p opos o nes e abalho, inspi am a elabo ação da me odologia aqui desen ol ida. O modelo ap esen ado pela au o a suge e a a i idade e lexi a a im de desa icula o p essupos o da obje i idade con encional. Po es e mo i o, oi escolhido po adequa -se aos p opósi os des e abalho, que enciona elabo a camadas de análise pa a que as imagens ap esen adas nes e a igo sejam comp eendidas em sua subje i idade. De aco do com Kossoy (2012) a o og a ia é “obje o-imagem”. Nesse sen ido, podemos apon a que a o og a ia exibe um co po ma e ial, em que se podem “de ec a ca ac e ís icas écnicas ípicas da época em que oi p oduzido” (Kossoy, 2012, p. 42). Nes e co po ma e ial, es ão p esen es os elemen os cons i u i os da imagem. An es mesmo de econs i ui os elemen os na a i os de suas no ícias, an es da o dem do egis o his ó ico do seu e en o ou de uma ecupe ação biog á ica dos pe sonagens, o que a o og a ia o e ece é uma composição ma e ial que con igu a um co po a a és de uma ma é ia exp essi a que en ol e, em conjun o, uma plás ica isual; co es, enquad amen os, iluminação, g anulação, planos, en im, que se ap esen am e se colocam pe an e o espec ado lhe con ocando ce a o dem de a e os. (Biondi, 2016, p. 65) Assim, a in e p e ação da imagem o og á ica, inicialmen e es u u ada pelo o óg a o, p opõe os signi icados pa a compo a mensagem o og á ica po meio do uso de ecu sos isuais, elabo ados nos di e en es ní eis de p odução da o og a ia. A o og a ia, a i ma Ba hes (1984b) é cons i uída po uma mensagem deno ada, um análogo mecânico do eal, e uma mensagem cono ada, que ope a ao ní el da ecepção, na manei a como a mensagem é lida e eque um exe cício de deci amen o a pa i de códigos cul u ais. Nesse sen ido, aspec os como pose dos sujei os o og a ados, p esença de obje os, uncagem, embelezamen o a a és do uso de ecu sos écnicos, sin axe e ucagem são apon ados pelo au o como p ocessos de codi icação, mui as ezes com es u u a deno ada-cono ada. Cos a (1994), po sua ez, a i ma que a imagem o og á ica é compos a de elemen os que, se analisados sepa adamen e, ap esen am um quad o es á ico, p óximo de um in en á io de si uação. As elações en e esses elemen os, no en an o, p oduzem ações e eações uns sob e os ou os, o que o au o chama de in e ações. Essas in e ações es ão p esen es em odas as imagens, mas agem de manei a di e en e em cada uma delas. Assim, em cada imagem pode ha e o p edomínio de um dos elemen os. No caso do o ojo nalismo, bem como na p á ica documen al que o o iginou, Biondi (2016) des aca sua concepção na eia de elações en e o óg a o, o og a ado e espec ado , de manei a que é p eciso conside a essa eia pa a e le i sob e as pe spec i as da mensagem o og á ica, além dos códigos con encionais. Nas análises con encionais, possi elmen e as ca ego ias comuns ossem emp egadas sa is a o iamen e. Po ém, a ên ase no gêne o jo nalís ico pode ia es ingi a análise a si uações isoladas, como a i ma Biondi (2016): 218 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa O econhecimen o dos códigos que ma ca am con encionalidades no modo de e o og a ias de imp ensa apenas como egis o de a os oco idos (...) não é su icien e po que não es á isolado ou independen e da si uação conc e a que lhe ca ac e iza - a expe iência do e . (p. 10) An es, po ém, da elação com o espec ado , Cos a (1994) essal a a elação en e o óg a o, obje o e meio écnico, elemen os que, combinados, são essenciais como linguagem e pa a o esul ado inal da imagem. Po conseguin e, buscamos conhece a eia dessas elações a pa i des a íade, bem como po meio da expe iência isual dos co pos nas o og a ias de Despojos de Gue a. Ressal a-se, no en an o, que a análise não desca a os elemen os que compõem a imagem, bem como a écnica o og á ica, a im de in eg a pa e do aciocínio subje i o. Ou o pon o impo an e é que, no âmbi o da subje i idade, ap esen amos algumas in e p e ações que não se ence am em si mesmas, de manei a que o abalho i ma-se como uma das inúme as possibilidades de análise. Nesse sen ido, pa a análise das o og a ias de Despojos de Gue a p opõe-se como me odologia duas ca ego ias que conside am a pe cepção da in encionalidade do o óg a o, con ex o e ca ac e ís icas es ilís icas, al como suge e Baeza (2001). Os aspec os isuais ma e ializados na imagem - sejam eles deco en es da écnica o og á ica ou do con eúdo, ambos esul ado da in encionalidade do o óg a o, - compõem a dimensão espacial, denominada nes e abalho como na u eza ma e ial/ diálogos com a ma e ialidade. A segunda ca ego ia a a do supo e ma e ial e suas ca ac e ís icas. No caso, a análise abo da os aspec os ela i os à empo alidade (ine en e ao a o em si), p esenciado pela câme a o og á ica, e à a empo alidade p esen e na imagem, além das associações en e as ques ões empo ais e o supo e ma e ial. Es a ca ego ia é aqui nomeada como na u eza empo al/ diálogos com a memó ia. 4.1. Na u eza ma e ial/ diálogos com a ma e ialidade A o og a ia é compos a po um co po ma e ial que ca ega consigo os elemen os isí eis deco en es da écnica e os concei os in encionados pelo o óg a o, “coisi icados”, inco po ados nessa supe ície palpá el. Fon cube a (2020, p. 45) lemb a que a na u eza ma e ial da o og a ia nos passa despe cebida, como um id o anspa en e de uma janela que nos sepa a do mundo lá o a e só é pe cebido quando se ompe. Assim oco e ambém com a o og a ia na a ualidade. A acuidade e o ealismo se sob epõem à pe cepção de que a ecnologia nos sepa a da ealidade e, des a o ma, as imagens hipe eais são a “ ealidade”. “A câme a az o espec ado pa a pe o, pa a demasiado pe o; com o auxílio de uma len e de aumen o — pois nes e caso as len es são duas —, a “ni idez e í el” das imagens o nece in o mação desnecessá ia e indecen e” (Son ag, 2003, p. 20). Nesse sen ido, a escolha da écnica do colódio úmido a as a a “ni idez e í el” de que ala Son ag (2003) e, consequen emen e, es abelece a dis ância que sepa a obje o e ealidade. A pa i das e lexões de Fon cube a e Son ag, é possí el iden i ica na écnica do colódio úmido a up u a de que ala Cas o, ao busca uma écnica menos oyeu . Em uma écnica udimen a como a do colódio úmido, a ma e ialidade da o og a ia é e o çada pelo não ealismo das imagens. A lemb ança de que en e sujei o e espec ado há um mecanismo é e o çada con inuamen e pelas ca ac e ís icas da imagem em colódio: o p e o e b anco, meno ni idez, algumas anhu as e ugas na supe ície ma e ial e ma cas nas la e ais das o os, deco en es do p ocesso de e elação. Ao op a pela écnica, Cas o e ela a his ó ia dos ex-comba en es ao 219 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa mesmo empo em que os p o ege da exposição demasiada. Como a i ma Simões (2021, p. 41), “com a abo dagem p opos a, a exposição das mazelas es á despida da c ueza oyeu is a, e en ualmen e iolen a e iolen ado a, que pode ia esul a do uso da o og a ia digi al”. A escolha da écnica suge e ainda ou as in e p e ações a pa i das ca ac e ís icas isuais, como as impe eições na ex u a e acabamen o das o og a ias (semp e lemb ando que quando compa adas às écnicas a uais, ex emamen e p ecisas em ní eis de ni idez, con as e e acabamen o). Po analogia, podemos p opo que há um diálogo en e a imagem das í imas, hoje com seus co pos sob e i en es e mu ilados, e o colódio que, po sua na u eza, en ega imagens que hoje são conside adas impe ei as, se compa adas às mais ecen es. A o og a ia é ambém um documen o his ó ico. E, como documen o, em ca ac e ís icas ma e iais a pa i de elemen os que o mam a imagem, como enquad amen o, iluminação, elemen os em cena, g ão, con as e e ni idez, den e ou os. Cada um dos elemen os não se á aqui analisado sepa adamen e, como já expos o, pa a não inco e no isco de se demasiado educionis a e, além disso, como essal a Cas o (comunicação pessoal, Fe e ei o 1, 2022), “a écnica não é o mais impo an e e sim a in e p e ação que azemos dela”. Nesse sen ido, iniciamos a análise de algumas o og a ias selecionadas, odas publicadas na epo agem da e is a His ó ia, com base nas ca ac e ís icas isuais das memó ias, ma e ializadas po Cas o. Há di e sos aspec os que são compa ilhados na sé ie de o og a ias que compõem “Despojos de Gue a”. Em odas, no a-se que o enquad amen o a ia de aco do com a pessoa o og a ada. A ên ase es á nas sequelas causadas pelos e imen os já cica izados ex e namen e e, como eg a, é possí el dep eende que a p eocupação do o óg a o oi que as cica izes es i essem odas den o do enquad amen o. Assim, há o og a ias em que é p io izado o bus o, nos casos de memb os supe io es bi-ampu ados ( igu a 1) e há imagens em que odo o co po es á no enquad amen o, nos casos de ampu ações em memb os in e io es e pa aplegia ( igu a 2). P edomina, nos enquad amen os, o g ande plano, ca ac e izado, segundo Sousa (2002), po se mais exp essi o e sele i o, além de não ap esen a mui os elemen os dispe si os em cena. O ângulo em que os ex-comba en es o am o og a ados é no mal - à al u a dos olhos-, com a iações mínimas de angulação, o que e o ça a isão obje i a sob e a cena (Sousa, 2002). Além disso, a posição da câme a coloca o espec ado e o og a ado à mesma al u a, sinaliza pa a a igualdade e con ida à empa ia. 226 ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN · Nº 57 · VERANO 2022 h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2022.i57.12 · ISSN: 1139-1979 · E-ISSN: 1988-5733 OS CORPOS DA GUERRA: FOTOGRAFIA E MEMÓRIA DE EX-COMBATENTES MUTILADOS NA GUERRA COLONIAL Denise Guima ães-Guedes & Jo ge Ped o Sousa Son ag, Susan (2003). Dian e da do dos ou os. Companhia das Le as. Sousa, Jo ge Ped o (2002). Fo ojo nalismo: uma in odução à his ó ia, às écnicas e à linguagem da o og a ia na imp ensa. Biblio eca Online de Ciências da Comunicação. h ps://bi .ly/3 HTouN Semblanza de los au o es Denise Guima ães-Guedes é dou o anda no P og ama de Pós G aduação em Comunicação na UNESP, com bolsa CAPES de dou o ado sanduíche na cidade do Po o, na Uni e sidade Fe nando Pessoa, no pe íodo de se emb o/2020 a e e ei o/2021. Jo ge Ped o Sousa ob e e seu dou o ado em Jo nalismo na Uni e sidade de San iago de Compos ela (Espanha, 1997), onde ambém ealizou sua pesquisa de pós-dou o ado (1999/2000). Ag egou-se na Uni e sidade de T ás- os-Mon es e Al o Dou o (2008), em Jo nalismo, e a ualmen e é p o esso ca ed á ico de Jo nalismo e Ciências da Comunicação na Uni e sidade Fe nando Pessoa (Po o, Po ugal) e in es igado in eg ado do ICNOVA – Ins i u o de Comunicação da NOVA. In es iga, p incipalmen e, sob e análise his ó ica do discu so jo nalís ico e his ó ia do jo nalismo. A sua ob a mais ecen e in i ula-se Po ugal: pequena his ó ia de um g ande jo nalismo I (Li os ICNOVA, 2021).