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Risco de fraturas ósseas por ingestão de leite de vaca

Abstract

Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de Medicina

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Risco de fraturas ósseas por ingestão de leite de vaca

Author: Cordeiro, Mariana de Freitas da Cunha Robalo
Year: 2020
Source: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/89639/1/TrabalhoFinalMarianaRobaloCordeiro.pdf
MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA – TRABALHO FINAL
MARIANA DE FREITAS DA CUNHA ROBALO CORDEIRO
RISCO DE FRATURAS ÓSSEAS POR INGESTÃO DE LEITE DE VACA
ARTIGO DE REVISÃO
ÁREA CIENTÍFICA DE MEDICINA
T abalho ealizado sob a o ien ação de:
PROFESSORA DOUTORA LÈLITA DA CONCEIÇÃO DOS SANTOS
DR. JOÃO FILIPE FERREIRA GOMES
NOVEMBRO/2018
ii
ÍNDICE
RESUMO..................................................................................................................................iii
ABSTRACT .............................................................................................................................iii
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................1
2. MATERIAIS E MÉTODOS ..................................................................................................2
3. RESULTADOS ....................................................................................................................3
3.1. OSSO ...............................................................................................................3
3.2. MÚSCULO ESQUELÉTICO .............................................................................7
3.3. VITAMINA D .....................................................................................................7
3.4. LEITE DE VACA ..............................................................................................8
3.5. LEITE E OSSO NO ADULTO ..........................................................................9
3.6. CONSUMO DE LEITE NO ADULTO .............................................................11
3.7. LEITE E RISCO DE FRATURAS ÓSSEAS NO ADULTO .............................11
4. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO ..........................................................................................16
5. AGRADECIMENTOS ........................................................................................................18
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................19
iii
RESUMO
O en elhecimen o da população az com que as exigências e e en es ao es udo de
doenças c ónicas sejam maio es. Es ando o doen e idoso mais susce í el a a u as ósseas
e à subnu ição, é undamen al a alia o impac o da inges ão de lei e de aca nas a u as.
A pesquisa sis emá ica da li e a u a pe mi iu encon a 50 a igos ele an es sob e o ema.
Foi en ão ei a uma e isão sob e a associação da inges ão de lei e de aca e o isco de
a u as ósseas no adul o.
Os esul ados ob idos são con o e sos, a iando en e a e idência de uma associação
bené ica, neu a e ad e sa.
A in es igação na á ea nu icional é semp e di ícil pelo que, em pa icula nes e ema, e ão
de se agua da esul ados de mais es udos pa a conclusões segu as.
Pala as-Cha e
Adul o, Lei e de Vaca, F a u as Ósseas
ABSTRACT
Aging o he popula ion equi es mo e s udies o ch onic diseases. Since he elde ly pa ien
is mo e p edisposed o bone ac u es and malnu i ion, i is essen ial o e alua e he impac
o cow's milk in ake on ac u es.
A e a sys ema ic sea ch o he li e a u e on he subjec , 50 ele an a icles we e ound. A
e iew was made on he associa ion o cow's milk in ake and he isk o bone ac u es in
adul s.
The esul s ob ained a e con o e sial, anging om e idence o a bene icial, neu al and
ad e se associa ion.
Resea ch in nu i ion is always di icul , he e o e, pa icula ly on his opic, esul s om mo e
s udies needed o be awai ed so ha conclusions can be eliable.
Keywo ds
Adul , Cow Milk, Bone F ac u es
1
1. INTRODUÇÃO
Vi emos num mundo globalizado, onde a in eg ação económica, social, cul u al e polí ica
p opicia um desen ol imen o do conhecimen o a um i mo galopan e. É inegá el que ao
longo dos empos se em e i icado uma cons an e mudança e a ualização do sabe nas
di e sas á eas, em elação à qual a medicina não é exceção. F u o de oda es a e olução,
acompanhada da melho ia das condições e qualidade de ida dos indi íduos, su ge um
aumen o signi ica i o da idade média da população mundial. Es a ques ão do
en elhecimen o da população, az com que su jam no as exigências ela i as à abo dagem
do doen e idoso, sob e udo no que conce ne a doenças c ónicas.
O doen e idoso encon a-se mais p edispos o a a u as ósseas, em g ande pa e de ido à
inexo á el edução da o ça e da massa ósseas, assim como da muscula u a esquelé ica. A
aquisição e a manu enção das massas óssea e esquelé ica são in luenciadas po a o es
ambien ais, den o dos quais o a o nu icional desempenha um papel undamen al. Sabe-
se que os nu ien es que êm um maio impac o isiológico nas es u u as músculo-
esquelé icas, a a és de mecanismos bem de inidos, são o cálcio (Ca), a i amina D, o
os a o ino gânico (Pi) e a p o eína, sendo es es cons i uin es do lei e. Des a o ma, o na-se
i al e conhecimen o do impac o da inges ão de lei e na nossa saúde, sob e udo em ace
do aumen o da sua p odução e consumo ao longo dos úl imos anos.(1, 2)
Po ou o lado, uma g a e consequência da baixa densidade mine al óssea é a a u a da
anca, na medida em que exige in e enções ci ú gicas de ele ado cus o e longos pe íodos
de eabili ação, o que condiciona um aumen o do isco de mo alidade.(3)
Me a-análises sob e a associação en e a inges ão de lei e e o isco de a u as ósseas não
e elam um pad ão de isco cla o, assim como não exis em e idências ela i as a es e
pad ão baseadas em ensaios clínicos andomizados.(1) Su ge, assim, a necessidade e
in e esse em ealiza um es udo de e isão sis emá ica ace ca da li e a u a exis en e
ela i a a es a emá ica.
O p incipal obje i o des e es udo é a alia o isco de a u as ósseas no adul o po inges ão
de lei e de aca.
2
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Foi ealizada uma e isão da li e a u a elacionada com o ema inges ão de lei e e o isco de
a u as ósseas.
P ocedeu-se a uma pesquisa de e e ências bibliog á icas nas bases de dados PubMed e
Embase publicadas en e o pe íodo de janei o de 2008 e junho de 2018, endo sido
p i ilegiados os a igos esc i os em língua po uguesa, inglesa e espanhola.
Reco endo aos e mos Medical Subjec Headings (MESH), oi u ilizada a seguin e equação
na PubMed: "Milk" AND "Bone Densi y" OR "Milk” AND "F ac u es, Bone" AND "Risk”,
ob endo 29 e e ências, e a seguin e equação na Embase: 'milk' AND ' ac u e' AND ' isk'
AND ‘humans’ OR 'milk' AND ' ac u e' AND ' isk' AND ‘humans’ OR 'milk’ AND 'bone
densi y' AND AND ‘humans’, ob endo 203 e e ências, o que esul ou num o al de 232
e e ências, sendo que 14 e am duplicadas, o que culminou em 218 e e ências.
Após a lei u a do í ulo e do esumo des as 218 e e ências, o am eliminados 173 a igos
eco endo aos seguin es c i é ios de exclusão: (i) não e e ência à inges ão de lei e, (ii)
não e e ência ao isco de a u as ósseas, (iii) e e ência ao alei amen o ma e no, (i )
pa icipan es dos es udos com idade in an il e ( ) casos clínicos. Com es a exclusão o am
selecionadas 45 e e ências. Po im, as lis as de e e ência dos es udos selecionados
o am manualmen e pesquisadas, a im de de e a quaisque es udos ele an es adicionais,
endo sido adicionadas 5 e e ências pa a a alia a sua eligibilidade. No o al, o am
a aliadas 50 e e ências na sua ín eg a, das quais se incluí am 26 na e isão pa a a
ex ação de conclusões ele an es pa a o ema em causa.

3
3. RESULTADOS
3.1. OSSO
O osso é essencialmen e compos o po mine ais (60%), uma ma iz o gânica (30%) e água
(10%). Os p incipais componen es dos c is ais mine ais ósseos são o Ca e o Pi, enquan o
que a ma iz o gânica é essencialmen e o mada po p o eínas de colagénio.(4)
A eabso ção e a o mação óssea oco em con inuamen e a a és de um p ocesso de
emodelação du an e a ida adul a. (Figu a 1) Es e é con olado po ês ipos de células
ósseas: os os eoblas os, esponsá eis pela o mação da ma iz o gânica e a deposição de
Ca e Pi nas ib as de colagénio, os os eoclas os, esponsá eis pela eabso ção da ma iz
o gânica e dos mine ais, e os os eóci os, esponsá eis pela o mação de uma ede sincicial
ex ensa que in e age an o com os os eoblas os como com os os eoclas os.(4, 5)
Figu a 1. Remodelação óssea.
O c escimen o ósseo inicia-se com o desen ol imen o do esquele o du an e a ida e al e
con inua a é ao inal da segunda década de ida, quando o p ocesso de ma u ação es á
comple o e o pico de massa ósseo é a ingido. Na ida adul a, a densidade mine al óssea
(DMO) é de e minada pelo pico de massa óssea e pela quan idade de osso pe dida
subsequen emen e.(6)
A gené ica ep esen a o de e minan e majo do a ingimen o do pico de massa óssea. Ainda
assim, a nu ição é conside ada um a o ambien al undamen al pa a es e p ocesso.(6)
Fo mação
da ma iz
óssea
Reabso ção
Os eoclas o
Pe cu so do
os eoblas o
Os eoblas o
madu o
No o osso
4
A in eg idade es u u al e a composição do ecido ósseo são cla amen e dependen es do
apo e nu icional de Ca, Pi e p o eínas. A ca ência do apo e de um dos ês nu ien es
e e idos, mesmo com ní eis no mais dos es an es, esul a numa se e a de iciência da
es u u a óssea associada à pe da de o ça óssea. Pa a além disso, es es nu ien es
necessi am de um s a us no mal de i amina D pa a desempenha em a sua unção na
es u u a óssea.(4)
A p o eína p o enien e da die a o nece ao o ganismo aminoácidos essenciais pa a a
o mação da ma iz óssea. O aminoácido a ginina é capaz de es imula a p odução do a o
de c escimen o semelhan e à insulina ipo I (IGF-I) pelas células os eoblás icas. Es a
ho mona em um e ei o anabólico no osso, p omo endo a p oli e ação das células
os eoblás icas e a sín ese de colagénio, sendo um a o essencial pa a o c escimen o
longi udinal do osso.(4,6) Po ou o lado, o aumen o de IGF-I ci culan e es imula a p odução
enal de 1,25(OH)D, que, consequen emen e, es imula a abso ção in es inal de Ca e Pi.
Além disso, o IGF-I ai aumen a a eabso ção enal de Pi. Des a o ma, o IGF-I in luencia
posi i amen e o p ocesso de mine alização óssea.(4)
A DMO e o con eúdo mine al ósseo (CMO) são ma cado es subs i u i os pa a a o ça
óssea, enquan o que a incidência de a u a é a p incipal medida uncional.(6)
FRATURAS ÓSSEAS
O local mais equen e das a u as ósseas ap esen a uma a iabilidade g ande consoan e a
aixa e á ia conside ada.(7) As a u as da anca, da ex emidade p oximal do úme o e as
e eb ais são as de maio incidência na população mais idosa.(7,8)
As a u as da anca são as mais comuns em idades supe io es ou iguais a 80 anos.(7)
Ce ca de 50% das a u as da anca esul am em incapacidade uncional pe manen e e em
ap oximadamen e 20% dos casos e i ica-se e olução le al.(9)
Os homens êm maio isco de a u a a anca do que as mulhe es.(3)
O isco de a u a óssea é de e minado pela massa, geome ia e mic oes u u a ósseas, que
esul am do pico de massa óssea e da quan idade de osso pe dida subsequen emen e.(6)
Os a o es de isco pa a as a u as ósseas a iam con o me o local da a u a em causa,
sendo as a u as da anca o local melho es udado em elação aos seus a o es de isco.(7)
Exis em a o es de isco da anca modi icá eis e ou os não modi icá eis.(7,8) Na Tabela 1
encon am-se esumidos os p incipais a o es de isco.
5
Tabela 1. Fa o es de isco pa a a a u a da anca. Adap ado de LeBlanc e al.(8)
Não modi icá eis
Modi icá eis
Idade > 65 anos
Baixa DMO (os eopo ose)
His ó ia amilia de a u a da anca
Quedas
Sexo eminino
Reduzida a i idade ísica
Baixo ní el socioeconómico
De iciência em Vi amina D
His ó ia de a u a da anca
Medicação c ónica:
Le o i oxina, diu é icos da ansa, inibido es
da bomba de p o ões e ISRS
DMO = densidade mine al óssea
ISRS = inibido es sele i os da ecap ação de se o onina
OSTEOPOROSE
A os eopo ose é uma doença de inida po uma baixa DMO, com sco e T ≤ -2,5,
acompanhada pela de e io ação da qualidade do ecido ósseo, o que le a a uma edução
da o ça mecânica do osso e, po isso, a um isco aumen ado de a u a.(9,10)
Es a doença em sido desc i a como a “doença pediá ica com consequências ge iá icas”,
na medida em que uma baixa inges ão de lei e e, consequen emen e, baixa inges ão de
mine ais du an e a in ância e a adolescência es á associada a um isco aumen ado de
a u as os eopo ó icos em idades mais a ançadas, sob e udo nas mulhe es.(6)
Os p incipais a o es de isco pa a os eopo ose e a u as de agilidade são: mulhe pós-
menopáusica, menopausa p ecoce, mena ca a dia, baixo peso e es a u a, co ico e apia
p olongada, seden a ismo acen uado, inges ão escassa de lac icínios e de p o eínas,
his ó ia amilia de os eopo ose ou a u as e doenças causado as de os eopo ose (mal-
abso ção, hipogonadismo p imá io ou secundá io, gas ec omia, hipe i oidismo,
hipe pa a i oidismo, alcoolismo c ónico).(4,11)
Es e a igo de e isão não isa abo da a elação da inges ão de lei e com as a u as
ósseas em indi íduos com os eopo ose, uma ez que es a pa ologia al e a a elação em
causa.(1,3,9,12,13)
6
SUBNUTRIÇÃO NO IDOSO E O OSSO
A subnu ição é equen emen e obse ada na população idosa. Os idosos êm uma
inges ão diminuída de i amina D, cálcio e p o eína, que es á associada a uma edução da
massa mine al óssea e a um aumen o das a u as po agilidade.(4) Uma ou a
consequência des a si uação é a diminuição da abso ção de Ca e Pi in es inais, o que le a
a um excesso de p odução da ho mona pa a i oide, que, po sua ez, aumen a a
eabso ção óssea.(4)(Diag ama 1)
A de iciência no apo e de i amina D, cálcio e Pi condiciona um de ei o na deposição
mine al óssea, conhecido como os eomalacia, ou a o al pe da da ma iz o gânica
mine alizada, que é uma das ca ac e ís icas da os eopo ose.(4,14)
Diag ama 1. Subnu ição e pa ogénese do isco de a u a da anca. Adap ado de Bonjou e
al.(4)
A diminuição da inges ão de p o eínas le a a uma diminuição dos ní eis ci culan es do a o
IGF-I, pa a além da diminuição na u al des e a o que acon ece com a idade. Des a o ma,
a subnu ição p o eica explica, em pa e, o declínio da o mação óssea.(4)
Insu icien e apo e de Ca, Pi, i amina D e p o eína
Fo mação e mine alização ósseas
Reabso ção óssea
Fo ça e massa muscula
Equilíb io
Fo ça e massa ósseas
Risco de queda
Risco de a u a da anca
13
Uma edução de 40% do isco de a u a da anca oi obse ada em mulhe es e homens
idosos da coo e o iginal de F amingham que consumiam mais do que 1 copo de lei e po
dia, em compa ação com os que inham inges ões mais baixas.(9)
Sahni e al. obse ou que os pa icipan es com ele ada inges ão de lei e (≥7 copos de
lei e/semana) inham menos 43% de isco de a u a da anca compa a i amen e com os que
inge iam ≤1 copos de lei e po semana e menos 39% se compa ados com inges ões >1 e
<7 copos de lei e po semana. No en an o, es as associações não são es a is icamen e
signi ica i as.(9)
Os esul ados de um es udo p ospe i o usando dados da Coo e O iginal de F amingham
e ela am di e enças quando a a iá el inges ão de lei e oi a ada como con ínua e sus
ca ego izada. Es as di e enças suge em que a elação en e o dec éscimo do isco de
a u a da anca com o aumen o da inges ão de lei e não é linea . De ac o, pa ece exis i um
limia a pa i do qual o isco de a u a é eduzido: ≥1 copo de lei e po semana.(9)
Bischo - Fe a i e al. não excluem um e ei o bené ico en e o consumo de lei e e o isco de
a u a da anca nos homens.(16)
Tabela 4. Compa ação dos es udos: inges ão de lei e e o isco de a u as.
Au o
Associação do lei e com a u as ósseas
Michaelsson e al.(22)
Risco aumen ado pa a as mulhe es
Kanis e al.(13)
Sem isco aumen ado pa a ambos os
sexos
Bischo -Fe a i e al.(16)
Sem associação pa a as mulhe es
Possí el associação bené ica pa a os
homens
Feskanich e al.(3)
Risco diminuído pa a ambos os sexos
Sahni e al.(9)
Risco diminuído pa a ambos os sexos
Pa a a alia a elação en e o lei e e as a u as ósseas, os au o es dos es udos ize am a
sepa ação en e a inges ão de lei e e os es an es lac icínios, na medida em que es es
ap esen am ca ac e ís icas e e ei os di e en es no o ganismo.(1,3,9,13,16)
As a u as de baixo impac o elacionadas com a baixa DMO, assim como a u as
pa ológicas como consequência de umo es, não o am incluídas nos es udos ealizados
nes e âmbi o, de o ma a não en iesa os esul ados.(1,3,9,13,16) Pa a além disso, os
modelos de es udo u ilizados pelos di e en es au o es pa a a alia a elação da inges ão de

14
lei e com o isco de a u a óssea, ambém o am ajus ados pa a di e en es a iá eis.
(Tabela 3)
De ac o, os ques ioná ios baseados apenas no consumo de lei e pa a a e i o isco de
a u a óssea não de em se conside ados álidos se usados isoladamen e.(1,3,9,13,16)
Os esul ados des es es udos não se aplicam a populações de e nias di e en es, a
populações de ele ada p e alência de in ole ância à lac ose, a c ianças ou a adolescen es.
(1,3,9,13,16)
Tabela 5. Es udos sob e a inges ão de lei e e o isco de a u as.
AUTOR
TIPO DE
ESTUDO
DURAÇÃO
DO ESTUDO
POPULAÇÃO
COORTES
GÉNERO
IDADE
AVALIAÇÃO
DA INGESTÃO
DE LEITE
AJUSTE DE
VARIÁVEIS
Kanis e
al.(13)
Me a-análise
3-8 anos
19 países
UE
EVOS/EPOS,
CaMos,
DOES, Es udo
de Ro e dão,
Es udo de
She ield,
Coo e de
Go embu go II
M = 27298
H = 12265
21-103 anos
A aliação b u a
com a iá el
dico ómica:
menos de um
copo ou mais
idade
Feskanich
e al.(3)
P ospe i o
26 anos
EUA
Es udo da
Saúde das
En e mei as
M = 74672
34-59 anos
QFCA
A i idades
ec ea i as; IMC,
abaco,
suplemen ação de
Ca, suplemen ação
de i amina D,
suplemen ação de
e inol, i amina K,
álcool, ca eína e
inges ão caló ica;
consumo de ca ne;
uso de diu é icos
iazídicos,
a amen os
ho monais de
subs i uição;
incidência do
diagnós ico de
os eopo ose e
canc o du an e o
es udo; a i idade
ísica na
adolescência; IMC
aos 18 anos; al u a
15
Bischo -
Fe a i e
al.(16)
Me a-
análise
3-26 anos
EUA,
Eu opa,
Canada,
Aus ália,
Japão
7 es udos
p ospe i os
M = 195102
H = 75149
47-71 anos
Michaelsson
e al.(22)
P ospe i o
20 anos
Suécia
Coo e
Sueca de
Mamog a ia
Coo e
Sueca de
Homens
M = 61433
39-74 anos
H = 45339
45-79 anos
QFCA
Idade, IMC,
inges ão caló ica,
inges ão p o eica,
inges ão de e inol,
consumo de ca ne,
es ado ci il,
nulipa idade, ní el
educacional
Sahni e
al.(9)
P ospe i o
EUA
Coo e
o iginal de
F amingha
m
M + H = 830
68-96 anos
QFCA
Idade, IMC, al u a,
peso, inges ão
caló ica, inges ão de
Ca, inges ão de
i amina D,
suplemen ação de
Ca, inges ão de
iogu e, inges ão
queijo, inges ão de
na as,
suplemen ação de
i amina D, abaco,
uso de es ogénios,
escala de a i idade
ísica pa a o idoso
(PASE)
M = mulhe es; H = homens; IMC = índice de massa co po al; PASE = physical ac i i y scale o
elde ly; QFCA = ques ioná io de equência de consumo alimen a .
16
4. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
DISCUSSÃO
Di e sas azões podem se e ocadas pa a explica as di e enças encon adas na elação
en e o consumo de lei e e o isco de a u as ósseas.
Compa ações en e es udos obse acionais e me a-análises na á ea da nu ição são
p oblemá icas, sob e udo pelas di e en es de inições de consumo, classes de exposição e
g upos de e e ência. Po ou o lado, em odos os es udos obse acionais podem oco e
con undido es esiduais, apesa do igo oso con olo de po enciais a iá eis de con usão.
O ac o de as pessoas com maio p edisposição pa a a os eopo ose ende em a aumen a o
consumo de lei e in luencia os esul ados.(1)
É de no a que as concen ações dos di e sos nu ien es do lei e di e em com inúme os
a o es, o que a e a a gene alização dos esul ados.(1)
O es udo de Michaelsson e al. não en ou em linha de con a com o s a us basal de i amina
D nem com a coexis ência ou não de os eopo ose das mulhe es em es udo. Pa a além
disso, o ques ioná io u ilizado, FFQ, inha uma quan idade limi ada de opções de alimen os
e não oi alidado pa a o lei e. Assim, não de em se i adas conclusões ela i as a medidas
não alidadas.(23,24)
As dispa idades que o es udo de Michaelsson e al. encon ou en e os dois sexos pode ão
se explicadas pelas p óp ias ca ac e ís icas ine en es a cada sexo, mas ambém pelo ac o
de a coo e eminina do es udo e ealizado os ques ioná ios com maio equência.(1) A
ac escen a a is o, a exis ência de um isco ela i o maio nas mulhe es do que nos homens
não é sinónimo de que exis a uma di e ença signi ica i a en e os dois sexos.(24) Na
e dade, o isco ela i o pa a os homens é demasiado pequeno pa a se alo izado como
um sinal, uma ez que acilmen e pode se causado po a iá eis con undido as. De ac o,
um denominado ão g ande não pode se conside ado es a is icamen e signi ica i o. No
caso das mulhe es, o isco ela i o é su icien emen e g ande pa a se um e dadei o sinal.
(24,25)
O es udo de Feskanich e al. não incluiu no seu modelo de mul i a iá eis o ní el
socioeconómico amilia nem o endimen o dos pa icipan es, a o es que es ão associados
à equência de a u as ósseas.(26)
Os dados ela i os a a u as da anca u ilizados po Feskanich e al. o am dados pelo
p óp io pa icipan e a cada 2 anos ou a a és dos ce i icados de óbi o. A pe da de ollow-up
nos casos de au o- ela o é mui o p o á el, não só po que mui os pa icipan es são
ins i ucionalizados em idades mais a ançadas, mas ambém po que a mo alidade pós-
17
a u a da anca é mui o ele ada. Po ou o lado, sendo a mo alidade pós- a u a da anca
conside ada mui as ezes uma como bilidade, a incidência des as a u as é
subes imada.(26)
Kanis e al. êem os seus esul ados en aquecidos pelo ac o de não e em ajus ado o seu
modelo de es udo em elação à suplemen ação de cálcio inge ida pelos pa icipan es, assim
como negligencia am ou as on es de cálcio que não o lei e.
Sabe o pa imónio gené ico dos pa icipan es nes es es udos se ia in e essan e, na medida
em que o conhecimen o da pe sis ência ou não da enzima lac ase minimiza a o
en iesamen o dos esul ados. No en an o, p oblemas é icos e de logís ica o nam es es
dados di íceis de ob e .
CONCLUSÃO
O en elhecimen o da população em colocado no os desa ios à medicina. Sabe-se que a
população mais elha ap esen a uma maio p edisposição pa a a u as, sob e udo a a u a
da anca, sendo undamen al a alia a elação en e a inges ão de lei e e o isco de a u as
ósseas no adul o.
Os esul ados ob idos pa a a população eminina sob e es e ema são con o e sos: há dois
(3,9) es udos que mos am uma elação p o e o a do lei e com o isco de a u as, ou os
dois(13,16) es udos e elam uma elação neu a e apenas um es udo(1) mos a uma
elação p ejudicial. Em elação à população masculina, não se pode exclui uma possí el
associação bené ica en e o lei e e as a u as, mas são p ecisos mais dados pa a se
chega a conclusões es a is icamen e signi ica i as.
Pensa-se que de ido a in e ações complexas en e os nu ien es cons i uin es do lei e e a
na u eza mul i a o ial das a u as ósseas não enha sido ácil es abelece uma elação cla a
en e a inges ão de lei e e o isco de a u as ósseas. Ainda assim, suge e-se exis i uma
elação en e a lac ose do lei e e o isco de a u as.
Finalmen e, não podemos deixa de alo iza o ac o de que a in es igação na á ea
nu icional é semp e di ícil pelo que, em pa icula nes e ema, e ão de se ealizados mais
es udos, bem con olados e com seguimen o de g andes coo es populacionais pa a daí,
e en ualmen e, e i a mos conclusões segu as.
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5. AGRADECIMENTOS
Ag adeço à minha O ien ado a, P o esso a Dou o a Lèli a San os, pela eno me ajuda
pe manen e e pela o al disponibilidade, que o am undamen ais pa a a ealização des e
abalho.
Ag adeço ao meu Co-o ien ado , D . João Filipe Gomes, pela sua p es á el con ibuição
pa a a cons ução des e abalho.
Ag adeço à minha amília, em especial aos meus pais e i mã, po odo o apoio
incondicional.

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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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