1. Médica In e na de Medicina Ge al e Familia . USF São Nicolau, ACeS do Al o A e.
2. Memb o dos Co pos Sociais da Associação Po uguesa de Medicina da Adição.
3. Médico Assis en e de Medicina Ge al e Familia . USF Tondela, ACeS Dão La ões.
4. Coo denado da Equipa P oje o In es igação. ACeS Dão La ões.
5. Coo denado da Comissão Execu i a pa a a á ea de Missão In es igação em P o-
blemas Ligados ao Álcool. Cen o Académico Clínico das Bei as.
6. Consul o não pe manen e da O ganização Mundial da Saúde pa a a o mação e
in es igação em P oblemas Ligados ao Álcool.
7. P o esso a Auxilia . Faculdade de Medicina, Uni e sidade de Lisboa.
8. P esiden e da Associação Po uguesa de Medicina da Adição.
INTRODUÇÃO
Oconsumo de álcool ocupa a ualmen e uma
posição ele an e, não só como a o de is-
co de mais de 200 pa ologias, mas ambém
como impo an e in e enien e em aci-
den es de iação e de abalho, iolência domés ica,
c iminalidade, a eção de elações conjugais, en e ou-
os.1-3 Na União Eu opeia, ≈14% de odas as mo es em
homens e 8% em mulhe es en e os 15 e os 64 anos es-
ão elacionadas com o álcool,2cons i uindo um dos
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470
Vânia de Oli ei a,1-2 F ede ico Rosá io,3-6 C is ina Ribei o7-8
Medicina ge al e amilia e
a i udes ela i as a p oblemas
ligados ao álcool: a impo ância
da o mação no âmbi o da
ESCOLA DE MEDICINA GERAL E
FAMILIAR (PRIMAVERA 2016)
RESUMO
Obje i os: Os cuidados de saúde p imá ios (CSP) são o e eno ideal pa a as eio e a amen o de doen es com P oblemas
Ligados ao Álcool (PLA). Es e es udo p e endeu a alia as a i udes dos pa icipan es da ESCOLA DEMEDICINA GERAL E FAMILIAR
(PRIMAVERA 2016) ela i as a PLA e compa a as a i udes dos pa icipan es do cu so de Alcoologia com os dos es an es cu sos.
Mé odos: Fo am a aliadas as a i udes dos pa icipan es a a és do Sho Alcohol and Alcohol P oblems Pe cep ion Ques ion-
nai e (SAAPPQ). Fo am in es igadas as associações en e sexo, idade e local de abalho e ainda com os esul ados do SAAPPQ.
Resul ados: Ob i e am-se 250 ques ioná ios elegí eis. A idade média oi de 28,1 ± 2,2 anos; 86,2% e am do sexo eminino. A
Adminis ação Regional de Saúde (ARS) mais ep esen ada oi a de Lisboa e Vale do Tejo. P é-cu so, as a i udes dos pa icipan-
es dos dois g upos o am semelhan es, exce o na Adequação e Segu ança. Os pa icipan es do cu so de Alcoologia sen em-se
segu os ao abalha em com es es doen es. Con udo, apenas 65% des es pon ua am acima do pon o médio no Comp omisso
Te apêu ico. Pós-cu so obje i a am-se alo es signi ica i amen e supe io es em odas as subescalas pa a os pa icipan es do
cu so de Alcoologia, endo a o alidade pon uado acima do pon o médio na Segu ança e Comp omisso Te apêu ico.
Conclusões: As a i udes dos pa icipan es do cu so de Alcoologia pe an e doen es com PLA melho a am signi ica i amen e
após a o mação em odas as subescalas. Cu sos que enham em con a não só conhecimen o e capacidade écnica, como ou-
as a i udes, pode ão melho a o as eio e a amen o de doen es com PLA. Pode á se necessá ia uma a enção cu icula es-
pecí ica nos domínios da Au oes ima e Sa is ação pa a melho a esul ados u u os.
Pala as-cha e: Álcool; A i udes; Medicina ge al e amilia ; SAAPPQ; Fo mação.
cinco p incipais a o es de isco de doença, incapaci-
dade e mo e no mundo.1T aduz-se, po an o, num
es udoso iginais DOI: 10.32385/ pmg . 36i6.12758
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peso conside á el em despesas de saúde e anos po en-
ciais de ida pe didos.1-2,4
Os cuidados de saúde p imá ios (CSP) e elam-se o
e eno ideal pa a o co e o as eio e a amen o des-
es doen es, na medida em que englobam uma impo -
an e pa cela da comunidade e cons i uem um p imei-
o ní el de abo dagem em e mos de saúde.5-7
No con ex o dos CSP, as écnicas de de eção e in e -
enções b e es consis em num conjun o de in e en-
ções psicossociais que êm como obje i o ajuda os
doen es com p oblemas ligados ao álcool (PLA) não só
a econhece em o p oblema, como ainda mo i á-los e
apoiá-los a ende eçá-lo.8Em e mos de du ação das
sessões, es as são in encionalmen e b e es e limi adas,
po o dem a maximiza a sua iabilidade enquan o in-
e enção a se u ilizada ao ní el dos CSP,9podendo a-
ia desde mui o b e es (cinco minu os) a é sessões um
pouco mais du adou as (15-30 minu os).10 Podem se
suma izadas a a és dos cinco A’s do aconselhamen o
compo ame al: a alia o consumo de álcool com uma
das e amen as de as eio, como sejam o AUDIT, ISCA
e CAGE;11-13 aconselha ao doen e pa a que eduza os ní-
eis de consumo pa a ní eis mode ados; a alia a ase
do es adio de mudança em que o doen e se encon a;
ajuda o doen e com a aquisição de mo i ações, écni-
cas de au oajuda ou apoios necessá ios pa a a mudan-
ça compo amen al; e acompanha o doen e ao longo
do p ocesso de mudança.10 Os seus e ei os podem du-
a a é ce ca de 48 meses.14
No âmbi o dos CSP es ão já comp o adas a e icácia
e o cus o-e e i idade de écnicas de De eção e In e -
enções B e es pa a o consumo excessi o de álcool
(Núme o Necessá io T a a = 8),7,14-20 baseado em e i-
dência ob ida a pa i de es udos con olados alea o i-
zados conduzidos em á ios países.21-22 Con udo, alguns
au o es ques ionam o bene ício des as écnicas a ní el
populacional, bem como o seu impac o inal ao ní el
da saúde pública, e idenciando alhas con empladas
em es udos que demons am a sua e e i idade e suge-
indo a necessidade de en ol e es es doen es num
con ex o de cuidados longi udinais e epe idos.9,23 Ain-
da assim, es as écnicas con inuam a se ecomenda-
das po en idades como a O ganização Mundial da Saú-
de e a Di eção-Ge al da Saúde,1,15,24 apesa de a maio ia
dos médicos de amília (MF) não as inclui na sua p á-
ica clínica.2,5-6,25-26
Vá ios au o es apon am ba ei as iden i icadas à u i-
lização das écnicas de De eção e In e enções B e es.
Algumas associadas a cons angimen os ambien ais,
nomeadamen e a al a de empo, a al a de ma e ial de
aconselhamen o e a al a de apoio; ou as associadas a
cons angimen os do médico – medo em an agoniza
o doen e, bem como as p óp ias a i udes do médico
pa a com o doen e com PLA.5,26-31 Em elação a es e úl-
imo aspe o, alguns au o es demons am que uma me-
lho a i ude dos médicos em elação aos doen es com
PLA es á associada a um meno núme o de ba ei as em
abalha com es es doen es,32 podendo mesmo in-
luencia o núme o de as eios e a diminuição do con-
sumo de álcool po pa e des es doen es.5,28,33
O es udo de Ribei o mos a ambém que a maio ia dos
médicos em posição pa a ealiza in e enções nes e âm-
bi o e e e a al a de o mação como uma das p incipais
ba ei as, esul ados consis en es com os ob idos nou os
países.2,5-6,25-26 Pa alelamen e, ainda que em Po ugal se-
jam escassos os es udos e e en es à in luência da o ma-
ção nas a i udes dos MF, o es udo de Família, San os e Ro-
sá io epo a que, du an e o p ocesso de especialização,
as a i udes dos in e nos de MGF pa a com os doen es com
consumo excessi o de álcool man êm-se inal e adas.6
Coloca-se, assim, em causa a ele ância da inclusão
de módulos de eino du an e o in e na o capazes de
melho a as a i udes dos in e nos de MGF pa a com
doen es com PLA. O p esen e es udo p e ende e i ica
qual o impac o da o mação em Alcoologia da ESCOLA DE
MEDICINA GERAL E FAMILIAR (PRIMAVERA 2016) ela i amen e
às a i udes dos in e nos pa icipan es pe an e PLA, com-
pa ando o g upo de pa icipan es do cu so di ecionado
pa a es a emá ica com o g upo dos pa icipan es dos
es an es cu sos, an es e após a ealização dos mesmos.
P e ende-se a alia as seguin es hipó eses:
1. Di e ença, p é-cu so, en e as a i udes dos in e nos
pa icipan es do cu so de Alcoologia e sus ou os
cu sos. É expec á el que as a i udes dos in e nos pa -
icipan es do cu so de Alcoologia sejam melho es do
que os es an es, endo à pa ida um maio in e es-
se em elação a doen es com PLA.
2. Di e ença, p é e sus pós-cu so, en e as a i udes dos
in e nos pa icipan es do cu so de Alcoologia e sus
in e nos dos ou os cu sos. Espe a-se que, no inal
dos cu sos, os in e nos do cu so de Alcoologia e-
nham a i udes signi ica i amen e melho es do que os
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472 es udoso iginais
dos es an es cu sos po , nos p imei os, se minis-
ado um p og ama de o mação com esse in ui o.
MÉTODOS
População e amos a
A amos a des e es udo é cons i uída pelos in e nos
pa icipan es da ESCOLA DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR
(PRIMAVERA 2016)que, po sua inicia i a, se insc e e am
nos cu sos minis ados no e en o. Todos os cu sos de-
co e am em simul âneo, com a mesma ca ga ho á ia
– ce ca de 33 ho as.
Excluí am-se os especialis as pa icipan es da ESCO-
LA DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (PRIMAVERA 2016)pa a ga-
an i que possí eis di e enças nas a i udes ela i as a
PLA não es i essem elacionadas com um maio nú-
me o de anos de p á ica clínica. Excluí am-se ambém
os ques ioná ios p eenchidos po pa icipan es apenas
no úl imo dia do e en o.
Ca ac e ís icas da o mação
O cu so de Alcoologia oi cons i uído po uma com-
ponen e eó ica e eó ico-p á ica, incidindo em alguns
emas cha e – con ex ualização dos PLA nos CSP, epide-
miologia, ní eis de isco, ques ioná ios de de eção, ases
de mudança, in e enções b e es, álcool e g a idez, ál-
cool e jo ens, abo dagem amilia , a amen o e e e en-
ciação. Todos os emas o am seguidos po um pe íodo
de discussão abe a aos pa icipan es e po di e en es
o ma os de exe cícios p á icos – aplicação de ques io-
ná ios de de eção, ole-playing, casos clínicos, e c.
Os es an es pa icipan es i e am o mação nos se-
guin es cu sos: aconselhamen o em CSP, a ualização e
eino em doenças espi a ó ias, cuidados palia i os,
saúde dos adolescen es, a ualização em diabe es.
Tipo de es udo
Es udo longi udinal obse acional con olado.
Colhei a de dados
O ques ioná io oi dis ibuído no p imei o dia da ESCO-
LA DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (PRIMAVERA 2016)a odos os
pa icipan es, em o ma o papel. Es e oi au op eenchido
an es do início dos cu sos, sendo ecolhido no mesmo dia.
No inal do úl imo dia do e en o, o ques ioná io oi
no amen e dis ibuído a odos os pa icipan es. Da
mesma o ma, a ecolha oi ei a no mesmo dia.
Ins umen os de medição
Va iá eis sociodemog á icas
Fo am a aliadas as seguin es a iá eis sociodemo-
g á icas: sexo; idade; ca ego ia p o issional; local de a-
balho (cidade/localidade onde abalha) que, pa a e ei-
os de es a ís ica, oi ag upado po Adminis ação Re-
gional de Saúde (ARS).
Medição das a i udes
Fo am a aliadas as a i udes a a és da espos a ao
ques ioná io Sho Alcohol and Alcohol P oblems Pe cep-
ion Ques ionnai e (SAAPPQ). O SAAPPQ é um ins u-
men o alidado, como demons a a li e a u a.5,28,34 U iliza
uma escala de Like de se e ní eis, de inidos desde «Dis-
co do plenamen e» a «Conco do plenamen e», po o ma
a co a 10 ques ões. As espos as são pos e io men e so-
madas duas a duas, po o ma a c ia cinco domínios (Ta-
bela 1): Adequação, a qual a alia a é que pon o o médico
ac edi a possui conhecimen o e habilidades su icien es
pa a lida com doen es com PLA; Legi imidade, a qual
a e e a é que pon o o médico conside a de e minados as-
pe os do seu abalho como sendo sua esponsabilidade;
Mo i ação, que de e mina a é que pon o o médico que
abalha com doen es com PLA; Au oes ima, que a alia
a é que pon o o médico en ende a sua au ocon iança pe-
an e doen es com PLA; Sa is ação, a qual de e mina a é
que pon o o médico se sen e ecompensado quando a-
balha com doen es com PLA. O a o la en e ‘Segu ança’
é ob ido pela soma da Adequação e Legi imidade; a soma
da Mo i ação, Au oes ima e Sa is ação pe mi e ob e o a-
o la en e ‘Comp omisso Te apêu ico’. As pe gun as e e-
en es à Au oes ima e a segunda pe gun a e e en e à Mo-
i ação são o muladas pela nega i a, pelo que as suas
pon uações o am in e idas an es da análise dos dados.
Consen imen o in o mado
O ques ioná io con ém uma á ea de acei ação de
pa icipação no es udo, bem como de au o ização pa a
u ilização e di ulgação de dados.
Con idencialidade
Foi ga an ida a con idencialidade e anonima o aos
pa icipan es a a és da u ilização de um código de
iden i icação – p imei a e segunda le a do nome da
mãe, p imei a e segunda le a do nome do pai, ês úl-
imos dígi os do seu núme o do CC/BI.
Ap o ações é icas
O p o ocolo do es udo oi ap o ado pela Comissão
de É ica do Cen o Académico de Medicina de Lisboa.
Análise de dados
Após a ecolha dos ques ioná ios em o ma o ísico
oi c iada uma base de dados in o má ica em S a is i-
cal Package o he Social Sciences (SPSS), a pa i da
qual oi ei a a ca ac e ização dos indi íduos es udados,
a aliando a idade média com os espe i os des ios-pa-
d ão, dis ibuição de equência do sexo e Adminis a-
ção Regional de Saúde (ARS) na qual abalha.
As espos as ao SAAPPQ o am a adas de modo a
a alia as cinco dimensões – Adequação, Legi imidade,
Mo i ação, Au oes ima, Sa is ação –, assim como os a-
o es la en es ‘Segu ança’ e ‘Comp omisso Te apêu ico’
na população o al. Es as a iá eis o am desc i as p é
e pós-cu so pa a cada um dos g upos conside ados: pa -
icipan es do cu so de Alcoologia e dos es an es cu sos.
A associação en e as a iá eis nominais oi es ada
eco endo ao es e exac o de Fishe . Di e enças en e
a idade de aco do com o sexo o am es adas com o es-
e de S uden pa a amos as independen es. Associa-
ções en e a i udes e sexo o am es adas com o es e
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es udoso iginais
de Mann-Whi ney. As a i udes en e o g upo dos pa i-
cipan es do cu so de Alcoologia e o g upo dos es an-
es cu sos o am compa adas p é e pós-cu so com o es-
e de Mann-Whi ney. Um alo P< 0,05 oi usado como
pon o de co e pa a ní el de signi icância.
RESULTADOS
Ca ac e ís icas da amos a
A axa de espos a oi de 83,5%. Fo am ob idos 272 ques-
ioná ios no o al dos dois dias, dos quais se exclui am 22
(8,1%) po cump i em c i é ios de exclusão – 10 po se em
p eenchidos po especialis as e 12 po se em p eenchidos
apenas no úl imo dia do e en o. Dos 250 ques ioná ios ele-
gí eis, 18 co esponde am a pa icipan es que não es-
ponde am ao ques ioná io pós- o mação (Figu a 1).
A amos a inal (n=116) inha uma idade média de
28,1 ± 2,2 anos, com uma idade mínima de 25 anos e
máxima de 38 anos. A maio ia dos pa icipan es e a do
sexo eminino (86,2%). As ARS mais ep esen adas o-
am Lisboa e Vale do Tejo (36,5%), seguida po No e
(28,7%) e Cen o (27,0%). Não o am encon adas di e-
enças signi ica i as en e os pa icipan es do cu so de
Alcoologia e os dos ou os cu sos quan o ao sexo, ida-
de e ARS (Tabela 2).
Fa o La en e Domínio Pe gun a
Segu ança Adequação Sin o que sei o su icien e ace ca das causas dos p oblemas ligados ao álcool pa a desempenha
o meu papel quando lido com consumido es de bebidas alcoólicas p oblemá icos
Sin o que consigo aconselha ap op iadamen e os meus doen es ace ca do consumo de ácool
e dos seus e ei os
Legi imidade Sin o que não enho mui os mo i os de o gulho quando lido com consumido es de bebidas
alcoólicas
Tendo udo em conside ação, sin o-me inclinado a sen i insucesso quando lido com
consumido es de bebidas alcoólicas
Comp omisso Mo i ação Que o abalha com consumido es de bebidas alcoólicas
Te apêu ico Pessimismo é a a i ude mais ealis a a ado a pe an e consumido es de bebidas alcoólicas
p oblemá icos
Au oes ima Sin o que enho o di ei o de ques iona os doen es ace ca dos seus hábi os alcoólicos, quando
necessá io
Sin o que os meus doen es ac edi am que enho o di ei o de os ques iona sob e os seus
hábi os alcoólicos quando necessá io
Sa is ação Em ge al, é g a i ican e abalha com consumido es de bebidas alcoólicas
Em ge al, gos o de abalha com consumido es de bebidas alcoólicas p oblemá icos
TABELA 1. Sho Alcohol and Alcohol P oblems Pe cep ion Ques ionnai e
Alcoologia. A o alidade
dos in e nos do cu so de
Alcoologia pon uou aci-
ma do pon o médio na
Segu ança, e elando
sen i em como pa e do
seu abalho a ges ão de
doen es com PLA, pa a
além de c e em e co-
nhecimen o e capacida-
de pa a al. É ambém
e iden e uma melho ia
no Comp omisso Te a-
pêu ico, em pa icula
no que conce ne à sua
on ade em abalha
com es es doen es.
DISCUSSÃO
Es e es udo pe mi e
a e i que, na baseline, as a i udes dos pa icipan es dos
dois g upos (cu so de Alcoologia e sus es an es cu -
sos) são semelhan es em odas as subescalas a aliadas,
com exceção da Adequação e do a o la en e Segu an-
ça; após ecebe em a o mação, os pa icipan es do cu -
so de Alcoologia melho a am signi ica i amen e as suas
a i udes em odas as subescalas a aliadas no SAAPPQ.
Na baseline as a i udes dos in e nos de ambos os
g upos e ela am-se semelhan es em odas as subes-
calas, exce o na Adequação e a o la en e Segu ança.
Tendo em con a que os pa icipan es op a am olun-
a iamen e pelos cu sos equen ados, se ia expec á el
que aqueles que escolhe am o cu so de Alcoologia i-
essem um maio in e esse em elação à emá ica do ál-
cool e, consequen emen e, a i udes mais posi i as.
Uma possí el jus i icação pa a al não oco e , em pa -
icula ao ní el da Adequação, pode á p ende -se com
o ac o dos pa icipan es do cu so de Alcoologia e em
apos ado nes a o mação po sen i em necessidade de
melho a os seus conhecimen os e capacidades em li-
da com doen es com PLA. Po ou o lado, é possí el
que a au ope ceção dos pa icipan es dos es an es cu -
sos não co esponda aos seus conhecimen os eais, na
medida em que os médicos pode ão mos a elu ân-
cia em admi i ou iden i ica a sua p óp ia alha nes as
ci cuns âncias, podendo e sob es imado es es
A i udes dos médicos de amília ela i amen e a
doen es com P oblemas Ligados ao Álcool
Resul ados p é-cu so
Exce uando-se a subescala Adequação e, conse-
quen emen e, o a o la en e Segu ança, as a i udes dos
pa icipan es de ambos os g upos o am semelhan es
(Tabela 3).
Os in e nos do cu so de Alcoologia conside a am se
sua esponsabilidade lida com doen es com PLA, bem
como e o conhecimen o e capacidade necessá ios pa a
al, com 80,0% a ap esen a em alo es acima do pon o
médio. Apesa de mo i ados pa a es a a e a, es es p o is-
sionais exp essa am neu alidade quan o à sua au oes i-
ma em abalha em com doen es com PLA, bem como no
sen imen o de ecompensa quando o azem. Ainda as-
sim, a maio ia dos in e nos (65%) pon ou acima do pon-
o médio na subescala Comp omisso Te apêu ico.
Pa alelamen e, os pa icipan es dos es an es cu sos
e elam sen i em-se mais ap os no aconselhamen o
des es doen es, o que se aduz numa maio Segu an-
ça no desempenho das suas a e as.
Resul ados pós-cu so
Pós-cu so obje i am-se alo es signi ica i amen e
supe io es em odas as subescalas a aliá eis pelo
SAAPPQ pa a o g upo dos pa icipan es do cu so de
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474 es udoso iginais
Amos a o al Cu so Alcoologia Ou os cu sos
(n=116) (n=17) (n=99) Valo p
Sexo Masculino 16 3 13 NS***
Feminino 100 14 86
Idade Média 28,1 27,3 28,2 NS****
DP** 2,2 1,8 2,2
ARS* No e 33 2 31 NS***
Cen o 31 7 24
Lisboa e Vale do Tejo 42 6 36
Ou o 918
Não esponde am 110
TABELA 2. Desc ição ge al das a iá eis sócio-demog á icas, po g upo
* ARS = Adminis ação Regional de Saúde
** DP = Des io-pad ão
*** Tes e exac o de Fishe ; NS = Não signi ica i o
**** Tes e de S uden pa a amos as independen es; NS = Não signi ica i o
alo es.35 Ainda na
baseline, a on ade
em abalha com
doen es com PLA e o
sen imen o de e-
compensa ob ido pe-
los pa icipan es do
cu so de Alcoologia
pa ecem não acom-
panha a segu ança
mani es ada no de-
sempenho das suas
unções. Es es esul-
ados são consis en-
es com os ob idos
em es udos an e io-
es,5-6,26-27 sendo co-
mum os MF não só
ac edi a em e co-
nhecimen o pa a al,
como conside a em
se sua esponsabili-
dade lida em com es-
es doen es, ainda
que e elem pouca
au oes ima e sa is a-
ção.
Quan o ao pós-
cu so, es e es udo
pe mi e conclui que
os pa icipan es do
cu so de Alcoologia
melho a am signi i-
ca i amen e as suas
a i udes em odas as subescalas a aliadas. Es es esul-
ados enquad am-se com o expec á el, endo em con-
a que se p e ê que a aquisição de conhecimen os no
con ex o de p og amas de o mação com as ca a e ís-
icas des e po encie melho ias signi ica i as nas a i u-
des dos MF pa a com doen es com consumos de isco
ou noci os de álcool.
A Adequação oi a subescala cujo esul ado e oluiu
de uma o ma mais posi i a, sendo que a o alidade
dos in e nos pon uou acima do pon o médio após a
o mação. Es es esul ados demons am que, a a és
da aquisição das compe ências ansmi idas po cu sos
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es udoso iginais
como es e, os in e nos se sen em su icien emen e ca-
pazes e com conhecimen o pa a lida em com doen es
com PLA. Da mesma o ma, odos os in e nos pon ua-
am acima do pon o médio na subescala Legi imidade,
e elando sen i em-se esponsá eis pela ges ão des es
doen es. Es as subescalas pe mi em a e i uma melho-
ia signi ica i a da Segu ança dos pa icipan es, esul-
ados consis en es com os ob idos nou os es udos,5,28
o que ei e a a impo ância da ins ução na cons ução
do p o issional. Também no Comp omisso Te apêu i-
co o am ob idos esul ados e olu i os a o á eis,
com uma melho ia mais signi ica i a na subescala
SAAPPQ* P é-cu so Pós-cu so
Alcoologia Ou os Alcoologia Ou os
Adequação Média + (DP) 7,5 (1,8) 9,0 (2,0) 11,0 (1,3) 8,7 (2,0)
% acima do pon o médio** 35,0 61,4 100,0 54,5
Valo p0,001*** 0,000**** 0,015****
Au oes ima Média + (DP) 7,7 (1,8) 8,3 (2,0) 8,9 (1,6) 8,6 (2,2)
% acima do pon o médio** 30,0 41,2 64,7 50,5
Valo pNS*** 0,012**** NS****
Mo i ação Média + (DP) 10,0 (1,7) 9,8 (2,0) 11,6 (1,3) 9,5 (1,7)
% acima do pon o médio** 80,0 74,1 100,0 78,8
Valo pNS*** 0,002**** NS****
Legi imidade Média + (DP) 11,2 (1,8) 11,4 (1,7) 12,1 (1,5) 10,7 (1,8)
% acima do pon o médio** 95,0 93,9 100,0 89,9
Valo pNS*** 0,026**** 0,000****
Sa is ação Média + (DP) 7,8 (2,2) 7,1 (2,0) 8,9 (1,0) 7,3 (1,8)
% acima do pon o médio** 25,0 18,4 64,7 19,4
Valo pNS*** 0,004**** 0,022****
Segu ança Média + (DP) 18,7 (2,6) 20,4 (2,8) 23,2 (1,9) 19,4 (2,9)
% acima do pon o médio** 80,0 52,6 100,0 83,8
Valo p0,007*** 0,000**** 0,000****
Comp omisso Média + (DP) 25,5 (4,5) 25,3 (4,6) 29,5 (3,0) 25,4 (4,2)
Te apêu ico % acima do pon o médio** 65,0 56,2 100,0 57,1
Valo pNSc 0,001 d NS
TABELA 3. Valo es do SAAPPQ po cu so equen ado, p é e pós-cu so
* SAAPPQ = Sho Alcohol and Alcohol P oblem Pe cep ion Ques ionnai e
** Os pon os médios são os seguin es: Adequação, Au oes ima, Mo i ação, Legi imidade = 8; Segu ança = 16;
Comp omisso Te apêu ico = 24
*** Tes e U de Mann-Whi ney de amos as independen es, dis ibuição en e os 2 g upos; NS = não signi ica i o
**** Tes e de Wilcoxon de amos as elacionadas, di e ença p é e sus pós-cu so den o de cada g upo; NS = não sig-
ni ica i o
Au oes ima. Obje i am-se p o issionais mais con ian-
es nas suas capacidades e com mais mo i ação após a
o mação, o que é co obo ado po ou os es udos.5,28
Vá ios au o es e idenciam que a al a de eino dos
p o issionais cons i ui uma impo an e ba ei a no com-
ba e ao álcool,2,5-6 o que se aduz não só numa ine icaz
iden i icação des es doen es como ambém numa insu-
icien e in e enção.5-6 São lag an es alguns obs áculos
e limi ações à abo dagem des a p oblemá ica po pa e
des es p o issionais,2,5-6 de al o ma que as a i udes dos
in e nos pe an e doen es com PLA man êm-se inal e a-
das ao longo do in e na o.6Assim, de aco do com os e-
sul ados ob idos nes e es udo, coloca-se como hipó ese
que uma o mação que enha em con a não só o conhe-
cimen o e capacidade écnica, como ambém as a i udes
dos MF, seja passí el de aumen a a Segu ança e Com-
p omisso Te apêu ico pa a com doen es com PLA.5-6,18
Na componen e ‘conhecimen o’, pa ece ele an e a
abo dagem da in o mação exis en e ace ca dos a ia-
dos mecanismos e danos p o ocados pelo álcool, nas
di e en es es e as do doen e – pa ologias, a eção da
componen e elacional, p o issional, e c. –, bem como
em casos especí icos – adolescência, g a idez, e c. Os
MF de em ainda se in o mados quan o à e idência
exis en e ace ca de p og amas de p e enção, as eio e
a amen o de doen es com PLA.
Quan o à ‘capacidade écnica’ de e ão indica -se ins-
umen os de iagem de consumos de álcool alidados,
como o AUDIT,11 ISCA12 e CAGE.13 É ainda ú il a abo -
dagem de écnicas de De eção e In e enções B e es,
cuja e icácia e cus o-e e i idade se ap esen a já com-
p o ada (Núme o Necessá io T a a = 8).2,14-15 Es as éc-
nicas êm uma du ação ap oximada de 15 minu os e são
acompanhadas po ma e ial esc i o pa a o doen e, sen-
do que os seus e ei os podem du a a é 48 meses.14 Pa-
alelamen e, os MF de em se capazes de iden i ica si-
uações que necessi em de e e enciação pa a ou os
ní eis de abo dagem e apêu ica.
Po im, as ‘a i udes’ pa a com doen es com PLA po-
dem se abo dadas a a és de écnicas de ole-playing
que simulem si uações eais da p á ica clínica e que
pe mi am abalha as di e en es es e as da pos u a do
MF pe an e doen es com PLA. A u ilização de ques io-
ná ios como o SAAPPQ pode á se ú il na au oa alia-
ção dos p o issionais pa a com es a emá ica, pe mi-
indo comp eende quais os aspe os cuja abo dagem
se ia mais bené ica. De aco do com os esul ados pós-
-cu so ob idos nes e es udo, os MF ap esen am maio
Segu ança do que Comp omisso Te apêu ico pa a li-
da em com doen es com PLA, pa icula men e nos do-
mínios da Au oes ima e Sa is ação. Em o mações u-
u as, pode á se necessá ia uma a enção cu icula es-
pecí ica nes as á eas a im de ob e esul ados mais po-
si i os na p á ica clínica.
Pa a que as axas de de eção e a amen o de doen es
com PLA a injam ní eis cada ez mais sa is a ó ios se ia
impo an e abo da as a i udes dos MF,5-6 a im de au-
men a a sua segu ança, empenho e dedicação, o nan-
do es a a e a mais g a i ican e e sa is a ó ia pa a ambas
as pa es. Como demons ado a a és do cu so de Alcoo-
logia da ESCOLA DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR PRIMAVERA
2016, al o mação é passí el de se lecionada em ce ca de
33 ho as. Es udos adicionais são necessá ios pa a com-
p eende a elação en e o co en e eino médico em Al-
coologia o necido du an e o in e na o e as a i udes dos
MF, bem como pa a a e i qual o melho enquad amen-
o empo al des a o mação no a ual cu ículo médico.
Iden i icam-se algumas limi ações p esen es nes e
es udo. A amos a u ilizada pode á não se ep esen a-
i a de odos os in e nos de MGF do país, endo em con-
a que os pa icipan es des e e en o ep esen am in e -
nos com in e esse em adqui i mais conhecimen os e
compe ências e com disponibilidade inancei a pa a o
consegui . Po ou o lado, es e es udo não oi baseado
numa amos a alea o izada, uma ez que os pa ici-
pan es o am dis ibuídos pelos cu sos de aco do com
as suas escolhas pessoais. Con udo, à exceção da esca-
la Adequação, os pa icipan es e ela am-se homogé-
neos em odas as a iá eis es udadas. Não o am ainda
a e idas as escolas médicas equen adas po odos os
pa icipan es e espe i os cu ículos, sendo necessá ios
es udos adicionais pa a i a conclusões quan o à ela-
ção en e di e en es p og amas de o mação e as a i u-
des dos MF pa a com doen es com PLA. Admi e-se am-
bém que o p óp io p eenchimen o des e ques ioná io
enha in luenciado as opiniões dos pa icipan es.
CONCLUSÕES
As a i udes dos pa icipan es do cu so especí ico de
Alcoologia pe an e doen es com PLA melho a am sig-
ni ica i amen e após a o mação em odas as subesca-
las a aliá eis pelo SAAPPQ. Cu sos que enham em
Re Po Med Ge al Fam 2020;36:470-78
476 es udoso iginais
con a não só o conhecimen o e capacidade écnica,
como ambém as es an es a i udes dos MF, pode ão se
impo an es pa a melho a o as eio e a amen o de
doen es com consumos de isco e noci os de álcool. Em
o mações u u as, pode á se necessá ia uma a enção
cu icula especí ica nos domínios da Au oes ima e Sa-
is ação a im de ob e esul ados mais posi i os.
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CONFLITO DE INTERESSES
Os au o es decla am não e quaisque con li os de in e esse.
FINANCIAMENTO
Es e es udo não oi apoiado po qualque subsídio ou bolsa.
COMISSÃO DE ÉTICA
Es udo ealizado após pa ece a o á el do Cen o Académico de Medici-
na de Lisboa.
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Vânia de Oli ei a
E-mail: ania.oli ei [email p o ec ed]
h ps://o cid.o g/0000-0002-4992-0583
Recebido em 16-11-2019
Acei e pa a publicação em 05-10-2020
Re Po Med Ge al Fam 2020;36:470-78
478 es udoso iginais
ABSTRACT
GENERAL PRACTICE AND ATTITUDES TOWARDS PATIENTS WITH ALCOHOL-RELATED PROBLEMS: THE
IMPORTANCE OF TRAINING WITHIN THE SCOPE OF SPRING 2016 GENERAL PRACTICE SCHOOL
In oduc ion: P ima y heal h ca e ep esen s he ideal se ing o sc eening and ea men o pa ien s wi h Alcohol-Rela ed
P oblems. This s udy aims o assess he a i udes o he pa icipan s o he SCHOOL OFGENERAL PRACTICE (GP) SPRING 2016 con-
ce ning ARP and compa e he a i udes o he pa icipan s o he Alcohology cou se wi h pa icipan s om o he cou ses.
Ma e ial and Me hods:We assessed he a i udes o he pa icipan s using he Sho Alcohol and Alcohol P oblems Pe cep ion
Ques ionnai e (SAAPPQ). We in es iga ed associa ions be ween sex, age, and wo kplace, and wi h esul s om SAAPPQ.
Resul s:Two hund ed and i y eligible ques ionnai es we e ob ained. The a e age age was 28.1 ± 2.2 yea s old and 86.2% we e
emale. The mos ep esen ed wo kplace was Lisbon and Vale do Tejo. P e-cou se, GPs’ a i udes o bo h g oups we e homoge-
neous excep on Adequacy and Role Secu i y. The pa icipan s o he Alcohology cou se eel mo e secu e in wo king wi h he-
se pa ien s. Howe e , only 65% sco ed abo e midpoin in The apeu ic Commi men . Pos -cou se, he e we e signi ican ly hig-
he alues in all subscales o pa icipan s o he Alcohology cou se, wi h all sco ing abo e midpoin in Sa e y and The apeu ic
Commi men .
Discussion: The a i udes o he pa icipan s o he Alcohology cou se owa ds pa ien s wi h ARP signi ican ly imp o ed a e
aining in all e alua ed subscales.
Conclusions: Cou ses ha ake in o accoun no only GP’s knowledge and skills, bu also o he a i udes, may be impo an o
imp o e sc eening and ea men o pa ien s wi h ARP. Explici cu icula a en ion o Sel -es eem and Sa is ac ion may be e-
qui ed o imp o e u he esul s.
Keywo ds: Alcohol; A i udes; Gene al p ac ice; SAAPPQ; T aining.