1
julho 2022
Es udo Fo ma i o
ED-Comunica :
do Conhecimen o
à Mobilização
Pob eza e
Desigualdades
© Paulo Pimen a
A u gência
de le o mundo:
A coleção Es udos
Fo ma i os ED-Comunica
A u gência de le o mundo – Es udos Fo ma i os
ED-Comunica é uma coleção de seis es udos de
Educação pa a o Desen ol imen o e Cidadania
Global (EDCG). Con ida a eno a e a ualiza o
olha sob e ealidades e ques ões ne álgicas que,
não sendo no as, pe manecem como desa ios es u-
u ais das sociedades globalizadas em que i emos
hoje: Pob eza e Desigualdades; Jus iça Social; De-
sen ol imen o; In e dependências e Globalização;
Cidadania Global; Paz.
Os seis emas que se ão a ados ao longo dos Es u-
dos Fo ma i os ED-Comunica de i am do Re e-
encial de Educação pa a o Desen ol imen o (2016),
do a an e designado Re e encial de ED, documen o
o ien ado e de enquad amen o da in e enção pe-
dagógica da EDCG, na educação p é-escola e ensi-
nos básico e secundá io. Assim, cada es udo p ocu a-
á ap o unda e a ualiza a o ma como es es emas
são a ados no Re e encial de ED. Enquan o es e oi
especi icamen e concebido pa a educado es/as e es-
colas, es a sé ie de seis es udos azem p opos as que
p ocu am ala ga a ab angência do Re e encial
pa a no os públicos.
Es a coleção é um dos esul ados do p oje o “ED-
-Comunica : do conhecimen o à mobilização”,
co inanciado pelo Camões, I.P., coo denado pela
ADRA Po ugal e implemen ado em pa ce ia com
se e ONGD po uguesas: AIDGLOBAL, Associa-
ção Pa – Respos as Sociais, Fundação Cidade de
Lisboa, Fundação Gonçalo da Sil ei a, Ins i u o
Ma quês de Valle Flô , Mundo a So i e Ros o
Solidá io.
O obje i o cen al do p oje o é p omo e a a i ma-
ção e ap op iação da EDCG em Po ugal, no sen i-
do de con ibui pa a p ocessos de ans o mação
social com is a a uma sociedade mais democ á ica,
pa icipa i a e jus a. Di ige-se p io i a iamen e a
a o es do desen ol imen o, das o ganizações da
sociedade ci il, das au a quias e da comunicação
social, bem como à população em ge al.
ÍNDICE P. 4 Glossá io
P. 4 Ag adecimen os
P. 5 P e ácio
P. 5-7 O po quê e o pa a quê
de le es e es udo
P. 8 O que signi ica
i e em pob eza?
P. 9-11 A pob eza i ida
P. 12-15 As isões académicas
e ins i ucionais
P. 16-18 E as desigualdades?
Como in e e em com a pob eza?
P. 18-23 E pa a si, lei o /a,
o que é pob eza?
P. 24 O cock ail
pob eza
e desigualdades
P. 25-29 A pob eza em núme os
P. 30-31 Mi os e ac os
P. 32-34 Pa adoxos e pe plexidades
P. 34-35 Linhas Ve melhas
P. 36 Não bas a ali ia
os sin omas, es á
na ho a de a a
as causas
P. 37-39 Que causas?
P. 40-43 Que es a égias?
P. 44-49 Algumas pe spe i as
P. 50 O que es á
ao meu alcance
aze ?
P. 52-53 Ro ei o au o e lexi o
pela len e de EDCG
P. 54-55 EDCG pa a agen es
municipais e da sociedade ci il
P. 56-57 EDCG pa a a Sociedade
em ge al
P. 58 Re e ências
1 2 3 4
ADRA Associação Ad en is a
pa a o Desen ol imen o, Recu sos e Assis ência
EAPN Eu opean An i-Po e y
Ne wo k/Rede Eu opeia An i-Pob eza
EDCG Educação pa a o Desen ol imen o
e Cidadania Global
ENED Es a égia Nacional
de Educação pa a o Desen ol imen o
FGS Fundação Gonçalo da Sil ei a
IMVF Ins i u o Ma quês de Valle Flô
INE Ins i u o Nacional de Es a ís ica
OCDE O ganização pa a a Coope ação
e Desen ol imen o Económico
ODS Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el
OIT O ganização In e nacional do T abalho
ONGD O ganização Não Go e namen al
pa a o Desen ol imen o
ONU O ganização das Nações Unidas
PNUD P og ama das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o
PPONGD Pla a o ma Po uguesa das ONGD
RSI Rendimen o Social de Inse ção
UE União Eu opeia
Glossá io Ag adecimen os
A elabo ação des e es udo adicou num p ocesso de
ap endizagem colabo a i o com a pa ce ia do p oje o,
ala gado à pa icipação de ó uns de auscul ação
e e lexão di e sos, no sen ido de inclui isões e
linguagens plu ais. As au o as gos a iam de ag adece
a odas as pessoas que con ibuí am pa a alimen a a
e lexão que deu o ma a es e es udo: Ana Cas anhei a
(IMVF), Ana Luísa Ma inho (A3S), Bea iz B aga
(ADRA), Cá men Maciel (ADRA), Ca a ina
Gonçal es (Ros o Solidá io), G aça Lou enço (EAPN),
Jo di Es i ill (A3S), Jo ge Ca doso (FGS), Júlio Pai a
(EAPN), Joana Bas os (Câma a Municipal do Po o),
Luísa Teo ónio Pe ei a (especialis a em EDCG),
Ma ia Capucho (Mundo A So i ), Ma ia José Vicen e
(EAPN), Ma ia Vlachou (Acesso Cul u a), Mónica
San os Sil a (IMVF), Sand a A aújo (EAPN), Sand a
Fe nandes (FGS), Sé gio Ai es (sociólogo, pe i o
na á ea da pob eza e exclusão social), Síl ia F anco
(FGS), So ia Lopes (AIDGLOBAL), Ru e Machado
(Fundação Cidade de Lisboa), Vinícius Ramos
(PAR-Respos as Sociais), Ru e Se onha (AETP –
Associação de Escolas do To ne e P ado).
5
P e ácio
A indignidade da pob eza
e da desigualdade!
Há ques ões di íceis de
en en a . Tan o que mui-
as pessoas p e e em não
as coloca , ou as desis em
após anos a lu a . Ou as
ainda encon am um lu-
ga que não o do a assa-
lamen o, da anes esia, do
ce icismo, do cinismo ou
de ou as emoções e sen i-
men os que edundam em
iné cia. Se á que as minhas
ações con ibuem pa a
aumen a ou diminui
es es p oblemas? Ou se á
que algumas ezes con i-
buímos pa a aumen a e
ou as pa a diminui ? Que
pode emos nós, indi i-
dual e cole i amen e, pa a
in luencia p oblemas com
amanha complexidade
e magni ude?
Mais um es udo sob e pob eza e desigual-
dades… Es e pode á se um pensamen o que
a a essa a men e de quem nos lê, pa icu-
la men e en e aquelas pessoas que es ão
amilia izadas com o es udo, a in e enção
ou a e lexão sob e es es emas. O con i e à
lei u a é, no en an o, pa a odas as pessoas.
De ac o, nos úl imos anos a p odução de
in o mação e conhecimen o sob e es es e-
mas em sido in ensa. Quem menos deb u-
çou a sua a enção sob e os mesmos, pode á
encon a hoje di iculdade em seleciona a
in o mação que mais lhe in e essa, pe an e
a abundância de on es a ní el nacional e
in e nacional. O ganizações in e nacionais
como a ONU, a OIT, a OCDE ou o Banco
Mundial, p oduzem há décadas es udos
e es a ís icas sob e es es enómenos.
E quem nos lê?
O que pensa sob e o assun o?
O que sen e pe an e a pob eza
e a desigualdade?
E como ende a agi (ou não)
no seu dia a dia?
Es as páginas são um con-
i e a pa a pa a e isi a
o olha , o sen i e al ez
mesmo a agi , sob e es a
ealidade.
O i ine á io que aqui
p opomos con oca a es a
descobe a.
E o que a EDCG em a
e com is o?
O Po quê
e o Pa a Quê
de Le es e Es udo
O Po quê e Pa a Quê de Le es e Es udo
Pa a quem es uda es es assun os, é com
sa is ação que encon a hoje um g ande ma-
nancial de es a ís icas, es udos, publicações,
o mações, con e ências, podcas s, ídeos, il-
mes, campanhas de sensibilização… In o ma-
ção e conhecimen os p oduzidos sob di e en-
es pon os de is a, com di e en es obje i os
e dedicando-se a sub emas especí icos.
Conc e amen e, em Po ugal, pensamos se
impo an e assinala o caminho pe co ido
desde a década de 1980, quando su gi am
os p imei os es udos académicos sob e
pob eza pela au o ia de Manuela Sil a, Al-
edo B u o da Cos a, José Pe ei inha, en e
ou os. Es udos em que as ques ões en ão
colocadas e am de ca ác e explo a ó io,
ais como as de esponde a como de ini e
medi a pob eza, ou qual é o ní el de pob e-
za e quais as ca ac e ís icas do enómeno em
Po ugal. Hoje es amos, cla amen e, nou o
pa ama de ques ionamen os, que sob e a
pob eza em Po ugal, que no mundo.
Qual en ão o p opósi o des e es udo? In e-
essa-nos ap esen a uma isão a ualizada
sob e os emas a pa i da in o mação e do
conhecimen o mais ecen es. Sim. Mas in e-
essa-nos ainda mais a pa ilha da busca de
espos as e o con i e à e lexão sob e como
podemos hoje en en a a complexidade de
di e sos enómenos ais como os da pob e-
za e das desigualdades. Assim, não se a a
p imei amen e de ap esen a no os dados
es a ís icos ou esul ados de no as in es i-
gações e linhas de e lexão académica. São
mui as as ins i uições e es udiosos que se
dedicam de o ma especializada a es a a e a
undamen al pa a conhece mos a ealidade
dos enómenos sociais em causa.
A nossa p opos a é ins iga no os e
múl iplos olha es sob e o mundo,
con idando a um ques ionamen o
indi idual e cole i o sob e os nossos
sis emas de alo es e conhecimen os.
Con ida a que cada pessoa pa a da sua
expe iência e, a a és do con ac o com os
ecu sos aqui ap esen ados, se desa ie a
e le i , dialoga , ap ende e con ibui
pa a en en a os desa ios cole i os que
i emos. Pa a que, no con ex o complexo
de in o mação e desin o mação massi a que
se em acen uado nos úl imos anos, não p e-
aleçam a impo ência, a iné cia ou mesmo
sen imen os e compo amen os des u i os.
E como oi ei o es e es udo? Po quem?
Quem é es e nós que as linhas an e io es
e ocam?
O nós e ocado nes e es udo começou po se
a pa ce ia de ONGD p omo o a do p oje o
“ED-Comunica : do conhecimen o à mobi-
lização”, com o co inanciamen o do Camões
– Ins i u o da Coope ação e da Língua, I.P.,
ao qual se jun ou a A3S pa a a elabo ação de
seis es udos o ma i os de EDCG.
O enunciado de pa ida ganhou o ma no
deba e en e a A3S e a pa ce ia p omo o a.
Foi o de sabe como podemos olha hoje
pa a di e en es emas, a pa i da “len e”,
dos p ocessos de ques ionamen o c í ico
e ap endizagem que ca ac e izam
a abo dagem da EDCG. Ou seja, a pa i
de uma len e de in e p e ação das eali-
dades complexas que nos odeiam, eco-
nhecendo o mundo globalizado em que
i emos, com odas as suas u gen es e exce-
cionais opo unidades e ameaças, p ocu a
cons ui espos as que isam alcança um
maio equilíb io social, económico
e ambien al.
Como podemos lança semen es de
egene ação, de ans o mação so-
cial, de um cuidado com os ou os
humanos e o plane a em ge al?
7
A espos a é um caminho: ala gando o nós.
Fizemos pesquisa bibliog á ica e documen-
al sob e os emas e sob e a o ma como
es es êm indo a se a ados e comunica-
dos nos úl imos anos po á ias on es ao
ní el nacional e in e nacional: o ganizações
go e namen ais e não go e namen ais;
cen os de in es igação e au o es consag a-
dos no es udo dos emas. En e is ámos
um conjun o de pessoas iden i icadas pela
A3S e pela pa ce ia, especialis as nos emas
e na á ea da comunicação. Deba emos uma
e são inal e in e cala de abalho des e
es udo com ou os especialis as. Deba emos
in ensamen e com a pa ce ia.
O es udo “Pob eza e Desigualdades” é o
p imei o de um conjun o de seis que se ão
ealizados nes a coleção, A u gência de le
o mundo – Es udos Fo ma i os ED Comuni-
ca . Como sepa a e a icula emas que
se in e ligam ão p o undamen e? Como
a icula os emas em es udo com ou os
que êm indo a assumi exp essão ele an e
nos úl imos anos ais como as al e ações
climá icas, a igualdade de géne o, a a i ma-
ção de no as iden idades sexuais e de no as
agendas po múl iplos mo imen os sociais?
Como p ossegui nos p óximos es udos
com ambição de ansdisciplina idade e de
c uzamen o de olha es e linguagens que nos
guiou ao longo des e p ocesso a é ao mo-
men o? É nes e caminho de ap endizagem
que nos encon amos.
Es a publicação p opõe às e aos lei o es
que se jun em a es e i ine á io de ques io-
namen o e ap endizagem. Não em que
conco da com o que aqui se ap esen a.
O con i e é pa a ques iona os li-
mi es e as implicações do seu olha
e deixa -se en ol e no seu p ó-
p io p ocesso de ap endizagem.
Cada p o issional que se elaciona de o ma
di e a ou indi e a com es as ques ões, mas
ambém cada cidadão e cidadã no seu dia a
dia, pode na sua p á ica e no seu quo idiano
ap op ia -se, implemen a e amplia as in-
dagações suge idas ao longo des e documen-
o, adequando aos seus p óp ios con ex os.
O i ine á io que aqui p opomos começa
po e isi a os concei os, no capí ulo 1,
não apenas do pon o de is a eó ico, mas
ambém do pon o de is a das suas i ên-
cias e signi icados.
Quem de ine o que se en ende po pob eza e
desigualdade? O que já sabemos hoje sob e es as
ques ões, após décadas de in es igação, p odução
es a ís ica e deba es? Não se á a p óp ia de i-
nição uma o ma de delimi a em que e mos
se pode pensa e ala sob e es as ques ões? A
delimi ação des es ou dou os concei os não se-
ão uma o ma de pode ? Quem em o pode de
de ini concei os? De de ini o que é a pob eza?
E onde es á cada um/a de nós nes a e lexão?
No segundo capí ulo, p opomos a ança
dos concei os pa a o olha sob e a ealidade.
Sob e núme os e con igu ações da pob eza
e das desigualdades, sob e a p e alência de
ep esen ações es e eo ipadas sem unda-
men ação em ac os eais, sob e pa adoxos
e pe plexidades e sob e os limi es de insus-
en abilidade que nos ameaçam, humanida-
de e plane a.
O e cei o capí ulo con ida ao ap o unda
do ques ionamen o. Po quê? Po que es amos
na si uação em que es amos? Po que con i-
nuamos a agi mais sob e as consequências da
desigualdade e da pob eza do que sob e as suas
causas? Que g andes linhas de pensamen o e
ação coexis em hoje pe an e es es desa ios? E
onde se posiciona cada um/a de nós pe an e os
di e en es a gumen os?
Po úl imo, no qua o capí ulo, concen a-
mo-nos na p ocu a do que podemos nós
aze , indi idual e cole i amen e, a pa i de
uma pe spe i a de EDCG.
O que signi ica
i e em pob eza?
P. 9-11 A pob eza i ida
P. 12-15 As isões académicas e ins i ucionais
P. 16-18 E as desigualdades? Como in e e em com a pob eza?
P. 18-23 E pa a si, lei o /a, o que é pob eza?
1
9
A pob eza i ida
Começamos o nosso i ine á io po
ques iona os concei os e signi icados
de pob eza, con ocando ês isões
dis in as: a das pessoas que a
expe ienciam; as isões académicas
e ins i ucionais; e a pe spe i a a i a
de cada um/a de nós.
Quem melho pode á explica a po-
b eza? Pode emos comp eende es e
enómeno sem escu a quem o i e?
Uma das mudanças nas abo dagens
ecen es à pob eza é o econhecimen-
o da necessidade de ou i e en ol e
as p óp ias pessoas que a expe ien-
ciam na p imei a pessoa.
Tânia
“Es a a depende de alguém, não. Nunca! Pa a mim é a coisa mais us an e é es a a depende de alguém. Eu gos o de e o meu abalho,
a minha o ina, i pa a o meu abalho, aze o meu abalho em condições e chega ao inal do mês e ecebe o meu salá io. Isso de es a
em casa pa a depende de alguém, isso não” – (Cas o e al., 2012, p. 52).
“Quando a pessoa es á desemp egada –
e es á desemp egada 1 mês, 2 meses 3 meses,
4 meses, 5 meses, 6 meses - não é só: “ah,
a pessoa acomoda-se a ica em casa e não
que e oma a ida lá o a”. Não em mui o
a e po aí. Tem a e com: u pa a saí es
de casa ens que come melho , ou ens que
le a comida, ou ens que comp a comida.
Eu lemb o-me de dize que inha almoça
a casa, da a ol a e esconde -me no ja dim
a come a ma mi a que le a a pa a ninguém
e o que é que eu comia, po que a gen e
não em posses, especialmen e no p imei o
mês, a pessoa não em posses! (...)
En e an o eu comecei a e p oblemas
com o abalho po causa da ma e nidade,
po que enquan o e a ácil a anja aba-
lho quando eu não inha ilhos, ou quando
só inha um, com o ac o de eu chega à
en e is a e me pe gun a em: “Tem ilhos?”
“Tenho ês”. “Ah, pois, a gen e depois con-
ac a.” E a coisa ica a po ali.
(...) A coisa mais ho í el que já me disse-
am oi uma écnica da ação social que me
disse que se eu não podia abalha po que
inha que ica com os meus ilhos, que os
desse pa a adoção. E nessa al u a iquei sem
chão!
(...) Eu i e que chega a um aco do comi-
go mesma: um mês eu paga a a enda e no
ou o mês eu paga a a água e luz e gás de
dois meses e comida. E inha que i pedi
comida às ins i uições – à Mise icó dia,
C uz Ve melha, Cá i as – pa a pode da
alimen ação aos meus ilhos. E i e nes e
limbo ma a-nos um bocadinho odos os
dias, emocionalmen e, psicologicamen e
e a é mesmo isicamen e. Eu lemb o-me
que cheguei a um pon o em que eu inha
medo de do mi , eu inha medo que algum
ca o me pa asse à po a, eu inha medo
que alguém me ocasse à campainha. E e am
a aques de pânico iolen os! Eu inha medo
que os meus ilhos ossem pa a a escola
e que mos i assem enquan o eles es a am
na escola (...)”
Ve es e e ou os es e-
munhos no documen-
á io “Eu sou”, de Filipe
Gaspa e B uno Mo ei a
(EAPN, 2021)
O que signi ica i e em pob eza?
1E as desigualdades?
Como in e e em
com a pob eza?
Pa indo de uma noção do senso comum,
podemos a i ma que as desigualdades
sociais são as di e enças nos ní eis de bem-
-es a e qualidade de ida que esul am das
di e enças nas condições de acesso a di ei os
e ao usu u o de bens e se iços, den o de
uma de e minada sociedade ou en e países.
Se a pob eza eme e, como acabamos de e ,
pa a múl iplas dimensões de p i ação, de
exclusão e ulne abilidade,
as desigualdades eme em pa a a
o ma como di e en es ecu sos
es ão dis ibuídos na sociedade.
A desigualdade é, po an o, um concei o
complemen a e es u u an e em elação
aos concei os abo dados an e io men e,
que nos ajuda a comp eende como é que se
dis ibui o acesso aos ecu sos pela popula-
ção e, po es a ia, p ocu a es a égias pa a
eduzi as assime ias nes e acesso.
Desigualdades económicas e de endimen o,
de conhecimen os e li e acia, nas condições
de habi ação, saúde, educação ou pa ici-
pação polí ica. Também desigualdades de
géne o, de idade, de o igem é nica, en e
mui as ou as.
À semelhança do sucedido com a pob eza,
o es udo das desigualdades em ambém
indo a conhece a anços ele an es. São
di e sas as abo dagens eó icas, mais ou
menos explici as, que êm enquad ado o de-
sen ol imen o des e concei o (CASE, 2022).
Abo dagens que se ocam na ep odução
das es u u as e assime ias de pode , ou as
baseadas nos di ei os da igualdade no acesso
aos ecu sos, ou as nos desa ios do Obje-
i os de Desen ol imen o Sus en á el ou,
ainda, no desen ol imen o das capacidades
das populações em si uação de ulne abili-
dade.
O ema das desigualdades con oca-nos as-
sim ou os concei os cha e, ais como os de
igualdade ou equidade.
E se á que podemos ala de odos
es es concei os sem ala de pode ?
Es es são emas que encon a ão maio de-
sen ol imen o em p óximos es udos des a
coleção, como designadamen e, no es udo
dedicado à jus iça social. Pa a e ei os do
p esen e es udo con oca emos pa a e lexão
apenas a pe spe i a da elação en e desi-
gualdades sociais e pob eza.
Vá ios es udos êm p ocu ado ap o unda
es a ques ão, demons ando que são as desi-
gualdades sociais, e não a pob eza em si, que
es ão na o igem de á ios p oblemas sociais:
iolência, oxicodependência, obesidade e
doenças men ais são mais equen es em
países e comunidades onde a dispa idade de
endimen os é maio (Wilkinson
e Picke , 2010). As e idências es a ís icas
demons am que quan o mais desiguais,
mais pob es são os países.
As desigualdades são uma causa
es u u al de pob eza.
17
Quan o mais desiguais,
mais pob es são os países
CZES
RO
26
24
22
20
18
16
14
12
10
8
24 26 28 30 32 34 36
CZ
SK
BE
SE
SI
MT
HU
AT
DK
LU
HR
UK
IT
UE28
I landa
30,7 DES.
15,3 POB.
LT
Es ónia
35,6 DES.
21,8 POB.
NL
Menos desigual Mais desigual
Coe icien e de Gini %
Taxa de pob eza %
Po ugal
34,5 DES.
19,5 POB.
Chip e
34,8 DES.
14,4 POB.
F ança
29,2 DES.
13,3 POB.
Finlândia
25,6 DES.
12,8 POB.
Fon e: Pla a o ma Po ugal
Desigual (dados de 2013)
O que signi ica i e em pob eza?
E pa a si, lei o /a,
o que é pob eza?
Qual o seu olha
sob e a pob eza?
Po que pe sis e?
É ine i á el?
As pessoas são pob es ou
i em em si uação
de pob eza?
P e endemos ins iga à e lexão sob e
como nos elacionamos com a pob eza
e com as suas causas, conside ando
cinco eixos ep esen ados no ba óme o
seguin e.
1Como é que a pob eza,
desigualdades e di ei os
humanos se elacionam
nes a his ó ia eal?
«Saman ha é uma apa iga Roma [de e nia
cigana] com 11 anos de idade que i e com
os seus pais. Ela em dois i mãos e uma
i mã mais elha. Tan o o seu pai, como a
sua mãe, es ão no desemp ego. A amília
não em documen os legais da e a na qual
cons uiu a sua casa. Não êm canalização,
po isso êm de ecolhe água de um ibei o
p óximo ou do cano ex e io do izinho. As
duas amílias ambém pa ilham uma “pu-
xada” ilegal de o necimen o elé ico. Po
ezes, as amílias izinhas zangam-se. Quan-
do isso oco e, os pais de Saman ha não a
deixam ecolhe água do cano do izinho.
Saman ha es á a e di iculdades na escola.
Ela oi c iada a ala a língua dos seus pais
e só conhece o básico da língua nacional
usada na escola.
F equen emen e, quando ela não comp een-
de aquilo que es á a se di o, a sua p o esso-
a zanga-se com ela e g i a-lhe em en e à
u ma. Os/as colegas de escola iem-se dela,
assediam-na e excluem-na de mui as a i i-
dades. Com equência, azem comen á ios
como “as pessoas Roma oubam e são sujas”.
Saman ha odeia i à escola e não en ende
po que em de i . A sua i mã concluiu a
escola, mas não consegue um emp ego...»
Como pode íamos
con inua es a
his ó ia de o ma
a en en a as
causas es u u ais
dos p oblemas
de Saman ha?
Fon e: Amnis ia
In e nacional, 2011.
19
Ba óme o do meu posicionamen o
em elação à Pob eza
Modos
de Sen i
Modos de
Ve e Pensa
Modos
de Pode
Modos
de Se
Modos
de Agi
Que emoções e sen-
imen os enho em
elação à pob eza?
T is eza; an-
gús ia; indi e-
ença; medo;
impo ência?
O que penso em
elação à pob eza?
É culpa das
pessoas; é uma
injus iça da so-
ciedade; o p o-
g esso econó-
mico pe mi i á
ul apassá-la?
Qual o meu luga
de ala e pode
pa a in e i ?
É uma ealida-
de p óxima/
dis an e; posso
pa icipa /in-
luencia deci-
sões polí icas;
enho pode
pa a muda ?
Como me elaciono
e qual o meu ní el
de comp ome i-
men o com es a
ealidade?
Não es á no
meu ada ; e-
nho em consi-
de ação; que o
muda a eali-
dade?
Como in e enho
na ealidade?
Faço dona i os;
pa icipo de
o ganizações
e mo imen os;
o o de o ma
conscien e;
aço p essão
polí ica?
O que signi ica i e em pob eza?
1
Os modos de sen i dizem espei o às nos-
sas eações, emoções, sensações pe an e as
si uações de pob eza: en e a empa ia, pena,
medo? En e a espe ança ou impo ência?
Os modos de e e pensa eme em pa a as
nossas con icções e alo es em elação à
pob eza, os quais são cons uídos a pa i da
sociedade em que nos inse imos, mas am-
bém podem se pe spe i ados a pa i de
di e en es undamen os eó icos.
Os modos de pode e e em-se ao luga que
ocupamos na sociedade e ao pode que
emos pa a con ibui pa a a mudança. É
uma ealidade que me diz espei o? Tenho
algum pode pa a chama a a enção pa a es a
ealidade; ou enho uma posição p i ilegiada
em que posso in luencia ou pa icipa de
decisões com impac o sob e es a ealidade?
Comp eendo que exis em di e en es isões
no mundo sob e o que é a pob eza? Que
isões nos azem os es emunhos acima
ap esen ados a pa i da No a Zelândia, da
Zâmbia, do B asil e de Po ugal?
Os modos de se dizem espei o à o ma como
me elaciono com as pessoas e com o mundo
ao meu edo e ao meu ní el de comp ome-
imen o com es a ealidade. É algo que não
es á no meu ada , que enho em conside -
ação ou que que o muda ? Reconheço que
sou uma pa e in e dependen e do p oblema
e da solução?
Finalmen e, os modos de agi e e em-se a
como in e enho sob e es a ealidade. Pe -
an e o meu ní el de supo e e o pode que
enho pa a muda , como ajo e e i amen e?
De o ma palia i a ou ans o ma i a?
Sabe mais...
Po ugal em uma Es a égia Nacio-
nal de Comba e à Pob eza 2021-2030,
desen ol ida a pa i de con ibu os de
di e sas en idades e pe sonalidades
com pe cu sos ele an es no domínio
do comba e à pob eza e à exclusão
social, abo dando a pob eza como um
enómeno que exige uma a uação
in eg ada das di e en es á eas se o iais
no domínio da in e enção pública, em
es ei a a iculação com o Pila Eu opeu
dos Di ei os Sociais e com os Obje i os
de Desen ol imen o Sus en á el da
Agenda 2030.
É possí el acompanha a e olução
ecen e dos indicado es de pob eza, de-
sigualdade e exclusão social na pla a o -
ma Po ugal Desigual, coo denada po
Ca los Fa inha Rod igues.
A Rede Eu opeia An i-Pob eza (EAPN)
desen ol e um abalho de e e ência a
ní el nacional e eu opeu, com di e sos
p oje os, es udos, campanhas e ecu sos
sob e es as emá icas.
A EAPN é p omo o a do Obse a ó io
Nacional de Lu a Con a a Pob eza.
21
Que ep esen ações
de pob eza
es as imagens
e campanhas
nos ansmi em?
Po e y Awa eness, 2018
Campanha Always B asil, 2021
Be e Aid, s.d.
Campanha F u a T opical Jus a, IMVF 2015
O que signi ica i e em pob eza?
23
EAPN Po ugal, 2021
Re is a Time, 2005
O cock ail pob eza
& desigualdades
P. 23-27 A pob eza em núme os
P. 28-29 Mi os e ac os
P. 30-32 Pa adoxos e pe plexidades
P. 32-33 Linhas Ve melhas
2
25
Dis ibuição da população en e di e en es limia es de pob eza,
no mundo, 1981 - 2017
1981 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2017
100%
80%
60%
40%
20%
0%
acima de $10/dia
5,50 – $10/dia
3,20 – $5,50/dia
1,90 – $3,20/dia
abaixo de $1,90/dia
A pob eza
em núme os
Nes e segundo capí ulo, p opomos
a ança dos concei os pa a o con-
on o com a ealidade da pob eza
e desigualdades. Con idamos a
olha pa a os núme os e e idências,
pa a os mi os e es e eó ipos que
p e alecem, pa a os pa adoxos e
pe plexidades que pe sis em e pa a
as linhas e melhas de insus en a-
bilidade económica, social
e ambien al.
E se i éssemos ins umen os - concei os e p ocessos álidos de
p odução de conhecimen o sob e a ealidade - que nos pudessem
da con a da exp essão, con igu ação ou in ensidade dos enómenos
de ‘Mana’, de ‘au ossus en ação’ ou de ‘pe da de conexão’? Ou seja,
a pa i das conceções de pob eza azidas pelos es emunhos da
No a Zelândia, Zâmbia ou B asil, que e ocámos no p imei o capí-
ulo, no pon o – A pob eza i ida. Como se dis ibuem os ní eis de
‘Mana’ pelas di e sas egiões do plane a? E que elação êm os ní eis
de ‘Mana’ com os ní eis de pob eza es udada pelas isões académi-
cas e ins i ucionais in e nacionais? Se ia mui o in e essan e ap o-
unda es e diálogo. Toda ia são as isões académicas e ins i ucio-
nais que p edominam na p odução e di ulgação de conhecimen o
e in o mação de que dispomos hoje pa a aça um quad o global.
Exis em hoje quase oi o mil milhões de pessoas no mundo2, das
quais mais de 60% i em em si uação de pob eza.
A ní el mundial, a p opo ção de pessoas a i e abaixo dos di e en-
es limia es de pob eza ($1.90, $3.20, $5.50, $10)3 es á em declínio.
Ainda assim, a maio ia da população mundial (mais de 60%!) au e e
um endimen o exíguo, i endo com menos de 300 dóla es po mês.
2
Con o me dados
em a ualização
pe manen e da
Wo ldome e
www.wo ldome-
e s.in o/p
3
Valo es que
a iam nas di e-
en es egiões do
plane a.
Fon e: Ou Wo ld in Da a, com
base em dados do Wo ld Bank/
Po calNe (2021). Valo es em
dóla es.
A concen ação de iqueza numa ín ima pa e da população con inua
a c esce , pe an e a pe sis ência de ní eis de pob eza indignos e mesmo
o acen ua da pob eza ex ema em algumas egiões do plane a, como
dão con a os dados ecen es da o ganização in e nacional Ox am.
Numa comunicação mais ecen e, in i ulada “Luc ando com a do ”,
a mesma o ganização e idencia, com base no c uzamen o de di e sas
on es de in o mação, que du an e a pandemia de Co id-19, a o una
dos bilioná ios do mundo “a ingiu picos es on ean es e sem p eceden-
es. A pandemia — um empo cheio de do pa a a maio ia da huma-
nidade — em sido um dos melho es momen os na his ó ia pa a os
bilioná ios” (Ox am, 2022).
Pa adoxos e pe plexidades
O cock ail pob eza & desigualdades
2
1. Se sabemos que as desigualdades são uma causa es u u al de pob eza po que con inuam
as nossas polí icas públicas a pe mi i que as desigualdades a injam ní eis insus en á eis?
Fon e: Ox am
B asil, 2020.
Fon e: Ox am
B asil, 2019.
33
2. Fome e obesidade
Fal a de
alimen os
36
milhões
Mui a
comida
29
milhões
Mo es odos os anos,
no mundo:
O Mundo Hoje
Po cada pessoa subnu ida,
exis em duas pessoas obesas
ou com excesso de peso
868
milhões
1,5
mil
milhões
Pessoas obesas ou
com excesso de peso
Pessoas
subnu idas
Fon e:
BCFN, 2012.
Globalmen e, po cada pessoa subnu ida
exis em duas pessoas que são obesas ou com
excesso de peso. O núme o de pessoas que
mo e po excesso de comida ap oxima-se
apidamen e do núme o de pessoas que
mo e po al a de alimen o!
Ha e á e idência maio de que que a po-
b eza se indissociá el das múl iplas desi-
gualdades exis en es a di e en es escalas no
mundo?
Pa adoxal e simul aneamen e, a obesidade
eme ge cada ez mais como uma no a ace a
da pob eza. Sendo ce o que a e a popula-
ção com capacidade de comp a e consumo,
é ambém ce o que a e a população com
meno es ecu sos, na medida em que se
gene aliza a p odução e o acesso a comi-
da p ocessada, mais ba a a e amplamen e
publici ada. Assim, são equen emen e
as pessoas com menos endimen os, que
consomem bens alimen a es com meno
qualidade e assim se con on am com c es-
cen es ní eis de obesidade. Como al, emos
a complexidade ine en e a uma dimensão
singula da pob eza - a nu icional -, e a sua
in e dependência com as ans o mações
nos sis emas alimen a es, e com as polí icas
públicas e modelos de negócio associados a
es es sis emas.
O cock ail pob eza & desigualdades
23. A pe sis ência de ní eis de pob eza
indignos, não obs an e décadas de es udos,
es a ís icas, polí icas, p og amas, p oje os
“Cen enas, se não milha es, de p oje os,
dezenas e dezenas de publicações e in-
es igações, cen enas de es o ços eali-
zados po oda a Eu opa pa ecem es a
ago a esquecidos na memó ia de mui os.
Não hou e uma polí ica sis emá ica de
ecupe ação des a he ança. Não exis e
uma biblio eca especializada e mui os
cen os de documen ação pe de am-se.
Os a qui os são pa ciais e escassos e,
quando são p ese ados, isso de e-se à
boa on ade daqueles que os êm ao seu
cuidado. Não exis e uma ede a i a que
pe mi a acumula e ansmi i o conhe-
cimen o adqui ido, e nunca oi pos a em
ma cha uma e dadei a capacidade de
obse ação, moni o ização e ap endi-
zagem. Nes as condições não es a emos
condenados a começa do p incípio sem-
p e que uma “no a” Es a égia é o mu-
lada?” (Es i ill e Ai es 2007, p. 22).
Linhas
Ve melhas
1. Sus en abilidade social:
o c escimen o populacional
exponencial
O c escimen o populacional exponencial
coloca limi es à disponibilidade de ecu sos
pa a a sob e i ência da população mundial.
Embo a a ualmen e uma dis ibuição equi-
a i a dos ecu sos disponí eis pe mi isse
e adica a pob eza no imedia o, a e dade
é que quan os mais somos, menos são os e-
cu sos disponí eis po pessoa. As egiões do
mundo com ní eis mais ele ados de pob eza
endem ambém a ap esen a um ele ado
c escimen o populacional, con ibuindo
pa a o acen ua das desigualdades en e
países e egiões.
No Rela ó io do Desen ol imen o Huma-
no de 2020, econhece-se a e a a ual como
“an opoceno”, is o é, a p imei a época de i-
nida pelas opções humanas, em que o isco
p edominan e pa a a nossa sob e i ência
somos nós p óp ios (PNUD, 2020).
2. Sus en abilidade ambien al:
o modelo ex a i is a e a c ise
climá ica
O c escimen o populacional es á di e a-
men e elacionado com a sus en abilidade
ambien al, designadamen e com a edução
da biodi e sidade, o consumo de ecu sos
na u ais e o aumen o da emissão de gases do
e ei o de es u a que le am ao aquecimen o
global.
Todos os anos, o Dia da Sob eca ga da Te a
ale a-nos pa a o dia em que se esgo am os
ecu sos na u ais que o plane a Te a em
capacidade pa a eno a du an e 12 meses.
Es e dia acon ece mais cedo a cada ano
(com exceção do p imei o ano da pandemia
de Co id-19 em que o con inamen o ez cai
as emissões poluen es), signi icando que
es amos cada ez mais a i e de c édi o
ambien al e a usa os ecu sos que se iam
pa a as ge ações seguin es.
O modelo ex a i is a de desen ol imen o
baseado na sob e-explo ação dos ecu sos
na u ais é insus en á el. A a ual c ise cli-
má ica ameaça os ecossis emas do plane a,
a biodi e sidade e o u u o das p óximas
ge ações.
Também aqui as desigualdades sociais e
mundiais comp eendem uma dimensão de
in e dependência com as al e ações cli-
má icas. Es udos ecen es mos am que a
desigualdade de endimen os a ní el mun-
“An opoceno”, is o é, a p imei a época
de inida pelas opções humanas, em
que o isco p edominan e pa a a nossa
sob e i ência somos nós p óp ios.
35
60
dial é acompanhada de ní eis desiguais de
emissões de ca bono, em que os países e
g upos populacionais mais icos es ão, em
ge al, associados a maio es ní eis de emis-
sões (Chancel, 2021). No en an o, equen-
emen e as populações mais a e adas são
as mais ulne á eis. São, po exemplo, os
po os indígenas que eem os seus ecossis-
emas de as ados pa a o aumen o das á eas
de p odução alimen a ou são as populações
ibei inhas e de pequenos es ados insula es
que eem os s ocks de cap u a de peixe e-
duzidos e a subida do ní el médio das águas
a subi e coloca em causa os seus e i ó ios
de habi ação.
3. Sus en abilidade económica:
o c escimen o económico como
solução ine icaz
No con ex o eu opeu, o inal do século
XX cons i uiu uma omada de consciência
ace à não e adicação da pob eza e da sua
pe sis ência mesmo den o de sociedades
mais icas. Sessen a anos de c escimen o
económico con inuo demons a am que
es e po si só não é su icien e pa a ga an i
ní eis acei á eis de bem-es a pa a odos os
cidadãos (Es i ill e Ai es, 2007).
É a pa i da década de 70 que a comunida-
de eu opeia começa a da a enção à pob e-
za enquan o obje o de polí ica eu opeia,
lançando em 1975 o p imei o P og ama
Eu opeu de lu a con a a Pob eza. O es udo
de Es i ill e Ai es (2007) az um balanço dos
caminhos pe co idos desde en ão a é 2007
e dos á ios p og amas, p oje os pilo o,
in es igações e publicações que sucessi a-
men e en a am apon a quais as melho es
es a égias de comba e à pob eza e à exclu-
são social. Cons a am que não hou e uma
polí ica sis emá ica de ecupe ação, capi a-
lização e ansmissão dessas ap endizagens,
sendo os es o ços cole i os pa a eduzi a
pob eza ob igados con inuamen e a come-
ça do início e ol a a ilha caminhos já
desb a ados.
A ó mula “c esce pa a dis ibui ” e assim
acaba com a pob eza não em conseguido
esul ados. A al e na i a “dis ibui pa a
c esce ” pode á se mais e dade, mas ainda
não oi es ada de o ma cole i a ao ní el da
União Eu opeia (Es i ill e Ai es (2007).
anos de c escimen o
económico con inuo demons a am
que es e po si só não é su icien e
pa a ga an i ní eis acei á eis de
bem-es a pa a odos os cidadãos.
60
Não bas a ali ia os sin omas,
es á na ho a de a a as causas
P. 37-39 Que causas?
P. 40-43 Que es a égias?
P. 44-49 Algumas pe spe i as
3
37
5
4
3
2
1
0
1
2
3
4
5
12345 1 2 3 4 5
Fal a de so eInjus iça na
sociedade
Uma pa e ine i á el do
p og esso mode no
P eguiça ou
al a de on ade
Po que é que
as pessoas
são pob es?
Um p oblema espinhoso
«Robe Chambe s, especialis a em desen ol-
imen o u al e me odologias pa icipa i as,
dá o exemplo da subnu ição in an il. Mui os
p og amas de dis ibuição de suplemen os nu-
icionais e ela am esul ados mui o aquém
do espe ado. Po quê? O p oblema da má nu-
ição in an il não esul a apenas de uma die a
de ici á ia em nu ien es a iados. Também
é consequência da p e alência gene alizada
de doenças in es inais c ónicas, as quais edu-
zem a capacidade de abso ção de nu ien es.
As acas edes de in aes u u as de sanea-
men o básico con ibuem pa a a p oli e ação
des as doenças. Mas a di iculdade em muda
compo amen os de higiene e saneamen o
ambém. É um p oblema espinhoso (a nossa
adução pa a wicked p oblem).
Ao pe gun a se “podemos conhece melho ”,
Chambe s suge e que só conseguimos en en-
a es e ipo de p oblemas se econhece mos
que pa icipamos na in e enção – como
agen es ou sujei os – e que essa in e enção é
um p ocesso cole i o e in e a i o. Is o signi ica
que, em odas as in e enções, há epis emolo-
gias múl iplas, po isso os nossos p ocessos
de ap endizagem de em e isso em con a.
A ap endizagem e lexi a é um p ocesso
con ínuo de ques ionamen o e in e ação com
as ealidades ope acionais em que in e imos.
Pe mi e-nos abandona a p esunção de que
as soluções écnicas, mui as ezes p e e idas
po inanciado es e implemen ado es, são
só écnicas e nunca polí icas, o ganizacionais
ou dis ibu i as.» (Be na do e Sil a, 2019)
Mas quais são a inal
as causas da pob eza
e das desigualdades?
P opo mos que se
de enha uns minu os
pa a aze um exe cício.
Fon e: Lenses on he wo ld
(Tide/ Global Lea ning, 2016).
Depois de, no p imei o capí ulo, nos e mos deb uçado sob e alguns signi-
icados e concei os associados à pob eza e, no segundo capí ulo, nos e mos
con on ado com os ac os, as pe plexidades e limi es de insus en abilida-
de, es e capí ulo con ida a da mais um passo pa a ap o unda o ques iona-
men o sob e es es p oblemas e sob e as o mas de o en en a . De enhamo-
-nos sob e mais um exemplo des e “p oblema espinhoso”.
Que
causas?
Não Bas a Ali ia os Sin omas, es á na Ho a de T a a as Causas
3
No capí ulo an e io , ap esen amos um
g á ico com a e olução da axa de isco de
pob eza em Po ugal (an es e após ans-
e ências sociais) desde 1994. Pa a além de
e idencia a pe manência sis emá ica de
ele ados ní eis des e enómeno na socieda-
de po uguesa, esse g á ico demons a am-
bém o ele ado pode das polí icas públicas
na edução ou mi igação des e p oblema na
condição de ida das pessoas. E e i amen-
e, an es das ans e ências dos subsídios e
apoios públicos di e sos (subsídios à a-
mília, apoio escola , apoios às si uações de
doença ou incapacidade pe an e o abalho,
Rendimen o Social de Inse ção, e c.), ce ca
de 40% da população es á em isco de po-
b eza e, após a ans e ência, es a pe cen a-
gem desce pa a me ade, ou seja, alo es em
o no dos 20%.
As polí icas sociais em Po ugal, como na
União Eu opeia, o am desen ol idas endo
po base uma isão sob e a pob eza que
ambém já enunciamos no capí ulo an e-
io . Nas pala as de Ai es e Es i ill (2007)
a ó mula “c esce pa a dis ibui ”. Ou seja,
a c ença de que o c escimen o económico
i ia, po si só, le a ao desen ol imen o do
Bem-Es a das populações. Ao emp ego
segu o, à p o eção social, à saúde, à educa-
ção…. As úl imas décadas êm demons ado
a alência des a solução, como os núme os e
a complexidade des as ques ões e idenciam.
Foi uma ó mula com esul ados mui o im-
po an es em mui os países eu opeus depois
da Segunda Gue a Mundial, mas o Mundo
ambém mudou mui o, a economia mudou,
a o ma como nos anspo amos, comuni-
camos, os es ilos de ida …
A globalização é cla amen e uma pala a-
-cha e pa a desc e e mos o con ex o em
que i emos hoje. Hoje, mais do que há
50 anos a ás, sabemos que a nossa ida
no dia a dia é in luenciada po enómenos
que se passam à escala global. Podemos e
maio e idência do que es á a acon ece
nes e momen o com a subida ápida dos
p eços esul an e dos impac es da Gue a
na Uc ânia? Ou da pandemia de COVID 19
que ainda o ano passado ez con ina cida-
des, países e egiões em odo o plane a de
o ma inimaginá el? Aliás, sublinhe-se, com
e ei os su p eenden es do pon o de is a da
capacidade de egene ação dos ecossis emas!
A globalização em sido um p ocesso
que em acele ado exponencialmen e nas
úl imas décadas, en e ou os a o es pelo
desen ol imen o ecnológico que pe mi e
uma mudança es u u al dos anspo es e
da comunicação. As edes sociais êm sido
um a o cha e.
Se pensa mos bem, po ém, es e p ocesso
em de ás. Quando começou a globali-
zação? Se calha é di ícil esponde com
igo a es a ques ão. Mas pensemos na nossa
his ó ia e no nosso imaginá io nacional: o
que ize am os nossos na egado es do século
XV? Á ica, B asil, Índia, Macau, Timo .
Ce amen e que quem nos lê conco da á
que quem nasce numa amília com ecu sos
em qualque luga no mundo, em meno
isco de ulne abilidade de quem nasce
sem esses ecu sos. É ce o que ambém há
si uações em que as ci cuns âncias especí-
icas que a e am de e minadas pessoas ou
amílias, espole am si uações de pob eza.
Si uações como po exemplo um aciden e
incapaci an e, um di ó cio ou o desemp e-
go, que equen emen e en ol em as pes-
soas em ciclos iciosos de ulne abilidade.
Nos anos de 1970 e 80, ala a-se de “no os
pob es”, po oposição aos “ elhos pob es”,
aqueles que he dam condições indignas de
ida dos seus p ogeni o es e, po ezes, de
sucessi as ge ações amilia es.
Mas se pensa mos à escala global, se á que
a si uação é simila en e países? Ou seja,
se á que os países com mais ecu sos são
ambém os menos ulne á eis à pob eza
e os com menos ecu sos os mais ulne-
á eis? Tal ez es a compa ação não seja
ão simples. Tal ez i éssemos que de ini
ecu sos… Mas se olha mos pelo p isma
do endimen o, ou seja, da iqueza, se á
que podemos dize que os países mais icos
39
endem a ep oduzi o seu luga p i ilegia-
do na o dem mundial e que os países mais
pob es a ep oduzi o seu luga desp i i-
legiado e ulne á el? E se á que não de e-
íamos e le i sob e como é que os países
menos ulne á eis o am acumulando a sua
iqueza ao longo da his ó ia? Como se á que
se ge a am as desigualdades g i an es que
emos hoje en e países?
Es es e ou os ques ionamen os êm de di-
e sos pon os do globo. Vejamos as pe gun-
as colocadas po And eo i e al. (2019):
Como é que a p ospe idade ma e ial num
lado pode se c iada po pob eza nou o
lado? Como é que os países pob es (ou
melho , empob ecidos) e as suas populações
subsidiam os nossos con o os, segu anças
e p aze es? De que o ma bene iciamos de
explo ação, exp op iação, des i uição? De
que o ma somos ambém cúmplices des es
p ocessos? Po que não alamos abe amen e
nes as ques ões?
Em causa es á a o ganização es u u al das
nossas sociedades e economias e a in e -
dependência das ealidades a ní el local e
nacional com as dinâmicas a ní el global,
bem como a nossa cumplicidade a ní el
indi idual associada aos cus os escondidos
dos nossos es ilos de ida.
A nossa pegada
Exis em algumas e amen as que nos pe mi em e uma
ideia ge al de como os nossos pad ões de consumo êm
cus os escondidos e assen am em o mas de explo ação
ambien al e humana.
Calculado a da Pegada
Ecológica: www.
oo p in calcula o .o g
Calculado a da
Pegada de Esc a idão:
sla e y oo p in .o g
Que
es a égias?
Não Bas a Ali ia os Sin omas, es á na Ho a de T a a as Causas
3
Uma ques ão cha e é, po an o, a de como
podemos ompe es es ciclos iciosos. Pode-
mos o na cí culos iciosos em i uosos?
Vimos que as polí icas públicas e sociais
dos Es ados conseguem mi iga a é ce o
pon o as consequências nas pessoas e nas
amílias que i enciam si uações de pob e-
za. Não esponde a si uações pon uais ou
empo á ias de eme gência e não esponde
às necessidades das populações em si ua-
ção de ep odução ge acional da pob eza é
uma iolação dos di ei os humanos. Nes e
sen ido, con inua es e caminho pa ece uma
necessidade e uma e idência, pois não esol-
e es u u almen e o p oblema, mas a enua.
Pa a mui as pessoas e amílias pode se e e-
i amen e a “ ábua de sal ação” pa a inicia
aje ó ias de inse ção social, pa a acili a
p ocessos que pode ão, com maio ou me-
no ziguezague, con ibui pa a c ia ciclos
i uosos. Mas é possí el i mais longe.
As es a égias que en en am es e p oblema,
seguidas po au o idades públicas, po o ga-
nismos in e nacionais, po o ganizações não
go e namen ais e de economia social, pelo
se o emp esa ial e pela sociedade ci il em
ge al, podem se classi icadas em ep odu i-
as, palia i as, p e en i as e emancipa ó ias
(Es i ill, 2003).
As es a égias mais ep odu o as êm po base
o a gumen o da inu ilidade dos es o ços
(“semp e exis i ão pob es”, “ az pa e da con-
dição humana” e de se “um mal necessá io”),
sendo sob e udo desencadeadas em espos a
às p essões popula es, mas no essencial limi-
ando-se a masca a a ealidade.
As es a égias mais palia i as (ca idade,
assis ência, ilan opia) deb uçam-se sob e
a mi igação dos sin omas e e ei os mais
lag an es, nomeadamen e pe an e g an-
des ca ás o es (como gue as ou e en os
na u ais), sendo pa icula men e mobili-
zado as dos compo amen os indi iduais.
Têm um papel ele an e pa a ga an i ní eis
mínimos de subsis ência, mas não a uam ao
ní el das causas dos p oblemas.
Nas es a égias de ca á e p e en i o já se
p ocu a a aca as causas mais imedia as ou
ap oxima das causas es u u ais dos enó-
menos (po exemplo, quando o RSI é acom-
panhado do comp omisso de as c ianças
equen a em a escola).
Po im, nas es a égias mais emancipado as
isa-se ans o ma as causas e in e p e a
e implica as pessoas nesses p ocessos, com
des aque pa a o p o agonismo e pa a a a-
lo ização dos sabe es daquelas mais di e a-
men e a e adas.
41
Quando começamos en ão a agi mais in-
ensamen e nas causas es u u ais? Nomea-
damen e na desigualdade de endimen os
den o de um mesmo país, nas desigualda-
des en e homens e mulhe es, en e países?
Quando expe imen amos a ó mula de Es-
i ill e Ai es (2007) “dis ibui pa a c esce ”?
Pa a es es au o es é impo an e e p esen e
os sis emas de elações de pode e ques io-
na o pa adigma económico dominan e,
conside ando que o c escimen o só az sen-
ido se es i e ao se iço das pessoas. Com-
ba e a pob eza ex ema implica ques iona
se não se á ambém necessá io comba e a
iqueza ex ema.
Con inua a se undamen al consegui e
uma melho a iculação das polí icas de
comba e à pob eza, no sen ido de abo -
dagens mais ansdisciplina es e in e sec-
o iais, que in eg em o conjun o das suas
dimensões económicas, sociais, polí icas,
cul u ais e ambien ais. A Agenda 2030 das
Nações Unidas cons i ui uma conquis a
impo an e nesse sen ido, po se a p imei a
agenda global e holís ica de desen ol i-
men o, ado ando um en oque mul idimen-
sional cuja implemen ação exige medidas
de polí ica mais in eg adas, bem como a
in eg ação de es o ços de odos os se o es
da sociedade: público, emp esa ial, socieda-
de ci il, coope ação in e nacional. Também
as polí icas in eg ais que se êm des acado
sob e udo no con ex o La ino-Ame icano
(caso do Plano B asil Sem Misé ia), a uando
ambém ao ní el do incen i o à c iação de
emp ego o mal, e elam-se pa icula men-
e p omisso as.
Embo a o nosso en oque es eja sob e udo
nas polí icas públicas, as nossas a i udes
indi iduais e as dos mais a iados a o es
(adminis ação local, o ganismos e edes
in e nacionais, o ganizações não go e -
namen ais e de economia social, se o
emp esa ial, o ganizações emp esa iais e
sindicais, sociedade ci il em ge al) podem
posiciona -se e ado a di e en e es a égias
pa a en en a a pob eza e as desigualdades,
como nos in e pela o quad o seguin e.
Nós damos pa a ajuda
os pob es, mas a pob eza
p e alece. Po que se á?
Ca idade s T ans o mação
G ande pa e do nosso “da ” limi a-se
a causas “segu as”, uma ez que apoia-
mos se iços que p opo cionam aju-
da imedia a ou eme gencial, mas não
põem em causa o s a us quo. Os nossos
es o ços ali iam empo a iamen e os
p oblemas, mas no inal pe mi em que
os sin omas que emos hoje c esçam
amanhã. A ilan opia e o ça o que é,
em ez de abalha pa a o que pode ia
se . Ela incide nos sin omas ou esul ados
imedia os de p oblemas sociais e eco-
nómicos, em ez de se cen a nas suas
causas p o undas. É po isso que os es o -
ços da ca idade mui as ezes não conse-
guem alcança soluções du adou as.
Obje i o da EDCG Desen ol e o capi al humano,
conhecimen o
e capacidade das pessoas
Capaci a os indi íduos pa a a ação
(ou pa a se o na em cidadãos a i os),
de aco do com uma de inição p é ia
do que são boas condições de ida
e do que é um mundo ideal
Capaci a os indi íduos pa a a e lexão
c í ica sob e os legados e os p ocessos
das suas cul u as, pa a imagina em soluções
u u as di e en es e pa a assumi em espon-
sabilidade sob e as suas decisões e ações
Desen ol e a in eligência me abólica,
queb a pad ões; muda o sis ema
Es a égias pa a EDCG Palia i as e pon uais; “apad i-
nhamen o” – oco nos p oblemas
indi iduais sem abo da o con ex-
o social e as causas es u u ais;
En oques que p omo em o conhe-
cimen o unidi ecional e ac í ico.
Sensibilização pa a as ques ões globais
e p omoção de campanhas
P omoção do comp omisso com as ques ões
e pe spe i as globais e o es abelecimen o de
uma elação é ica pa a a di e ença, consi-
de ando a complexidade do sis ema e as
elações de pode desiguais
Desen ol e p á icas de a enção, in enção
e sin onia com o me abolismo i o mais
amplo do qual azemos pa e
Po enciais bene ícios
da EDCG
Ali ia os sin omas Maio consciência pa a alguns p oblemas,
apoio a campanhas, maio mo i ação
pa a ajuda / aze alguma coisa (pa icipa ),
sen i -se bem
Pensamen o c í ico, independen e
e in o mado e ação é ica e esponsá el
Ap endizagens mais p o undas a a és
de expe imen ação, imp o isação
e e lexi idade cole i as
Po enciais p oblemas Pa e nalismo/neocolonialismo;
sepa ação de “nós” e dos “ou os”;
ep odução das desigualdades
Sen imen os de au o-impo ância,
p esunção e de sup emacia cul u al,
e o ço dos p essupos os e das elações
coloniais e e o ço da alienação pa cial
e da ação ac í ica
Culpa, con li o in e no e ex e no, ma asmo,
queb a do comp omisso po omen o
de isão c í ica, sen imen o de desampa o.
Riscos associados à con on ação de ideias
de u u a com amilia es ou com a comuni-
dade e sociedade em ge al (em casos, ex e-
mos iscos de mo e como o caso de jo na-
lis as que expõem si uações c í icas
em con ex o de egimes não democ á icos)
Ausência de uma aplicação p á ica imedia-
is a; capacidade de ab aça a complexidade
e esponsabilidade sem desmo ona ; necessi-
dade de e lexi idade e disponibilidade pa a
ap ende com espos as conscien es e incons-
cien es e com o po i
PERSPETIVA (NEO)LIBERAL
Não Bas a Ali ia os Sin omas, es á na Ho a de T a a as Causas
3
Campanha #GoEAThical
– A nossa alimen ação,
o nosso u u o!
O que é que a nossa alimen ação em a e
com pob eza e desigualdades? Como é que
uma e eição pode ansmi i as elações de
in e dependência que se es abelecem a ní el
local e global?
A Campanha pan-eu opeia #Ou Food.Ou-
Fu u e p omo e um desen ol imen o mais
jus o, digno e sus en á el, colocando jo ens
a ques iona qual a o igem dos alimen os que
consomem, e de que o ma é que a indús ia
ag oalimen a pe pe ua um sis ema desigual
à escala mundial.
“Condições de ida desumanas” | “Violência
sexual e de géne o” | “P eca iedade” | “T aba-
lho in an il e abalho esc a o” – Es es são
os ing edien es in isí eis que se escodem
a ás do a ual sis ema alimen a global. E a-
dica a pob eza e diminui as desigualdades
den o e en e países é ambém consumi de
o ma mais conscien e, sus en á el e é ica.
A EDCG dá-nos essas e amen as.
Fon e:
Ins i u o Ma quês
de Valle Flo .
49
Obje i o da EDCG Desen ol e o capi al humano,
conhecimen o
e capacidade das pessoas
Capaci a os indi íduos pa a a ação
(ou pa a se o na em cidadãos a i os),
de aco do com uma de inição p é ia
do que são boas condições de ida
e do que é um mundo ideal
Capaci a os indi íduos pa a a e lexão
c í ica sob e os legados e os p ocessos
das suas cul u as, pa a imagina em soluções
u u as di e en es e pa a assumi em espon-
sabilidade sob e as suas decisões e ações
Desen ol e a in eligência me abólica,
queb a pad ões; muda o sis ema
Es a égias pa a EDCG Palia i as e pon uais; “apad i-
nhamen o” – oco nos p oblemas
indi iduais sem abo da o con ex-
o social e as causas es u u ais;
En oques que p omo em o conhe-
cimen o unidi ecional e ac í ico.
Sensibilização pa a as ques ões globais
e p omoção de campanhas
P omoção do comp omisso com as ques ões
e pe spe i as globais e o es abelecimen o de
uma elação é ica pa a a di e ença, consi-
de ando a complexidade do sis ema e as
elações de pode desiguais
Desen ol e p á icas de a enção, in enção
e sin onia com o me abolismo i o mais
amplo do qual azemos pa e
Po enciais bene ícios
da EDCG
Ali ia os sin omas Maio consciência pa a alguns p oblemas,
apoio a campanhas, maio mo i ação
pa a ajuda / aze alguma coisa (pa icipa ),
sen i -se bem
Pensamen o c í ico, independen e
e in o mado e ação é ica e esponsá el
Ap endizagens mais p o undas a a és
de expe imen ação, imp o isação
e e lexi idade cole i as
Po enciais p oblemas Pa e nalismo/neocolonialismo;
sepa ação de “nós” e dos “ou os”;
ep odução das desigualdades
Sen imen os de au o-impo ância,
p esunção e de sup emacia cul u al,
e o ço dos p essupos os e das elações
coloniais e e o ço da alienação pa cial
e da ação ac í ica
Culpa, con li o in e no e ex e no, ma asmo,
queb a do comp omisso po omen o
de isão c í ica, sen imen o de desampa o.
Riscos associados à con on ação de ideias
de u u a com amilia es ou com a comuni-
dade e sociedade em ge al (em casos, ex e-
mos iscos de mo e como o caso de jo na-
lis as que expõem si uações c í icas
em con ex o de egimes não democ á icos)
Ausência de uma aplicação p á ica imedia-
is a; capacidade de ab aça a complexidade
e esponsabilidade sem desmo ona ; necessi-
dade de e lexi idade e disponibilidade pa a
ap ende com espos as conscien es e incons-
cien es e com o po i
EDCG SOFT EDCG CRÍTICA EDCG DE OUTRA FORMA
O que es á ao
meu alcance aze ?
P. 52-53 Ro ei o au o e lexi o pela len e de EDCG
P. 54-55 EDCG pa a agen es municipais e da sociedade ci il
P. 56-57 EDCG pa a a sociedade em ge al
4
51
Nes e úl imo capí ulo,
con idamos o/a lei o /a
a da mais um passo
pa a olha e en en a
a pob eza na sua
complexidade.
A EDCG “ isa a consciencialização e a
comp eensão das causas dos p oblemas do
desen ol imen o e das desigualdades a ní el
local e mundial, num con ex o de in e de-
pendência e globalização, com a inalidade
de p omo e o di ei o e o de e de odas as
pessoas e de odos os po os a pa icipa em
e con ibuí em pa a um desen ol imen o
in eg al e sus en á el.” (ME, 2016).
A EDCG em ei o um caminho mui o
ele an e na sociedade po uguesa desig-
nadamen e com a Es a égia Nacional de
Educação pa a o Desen ol imen o (ENED),
com os e e enciais de educação pa a os
á ios ciclos de ensino e com o abalho
desen ol ido po O ganizações da Socie-
dade Ci il, ONGD e Ins i uições de Ensino
Supe io jun o dos mais a iados públicos.
Sabe mais: Consul e a Es a égia Nacional
de Educação pa a o Desen ol imen o (ENED)
e a Ficha Temá ica de Educação pa a o Desen-
ol imen o e Cidadania Global da PPONGD.
A EDCG p e ende se um p ocesso
de ap endizagem ao longo da ida, po an o
não limi ado aos espaços de educação o -
mal ou não o mal, o ien ado pa a o desen-
ol imen o de pensamen o c í ico
e e lexi o, en endido como algo mu á el
e semp e em cons ução.
Esse olha c í ico, p oblema izado e de
econhecimen o das múl iplas in e de-
pendências (en e o local e o global, en e
nós e os ou os, en e o humano e o não
humano) é algo que se desen ol e ao longo
de uma empo alidade longa e que pode se
aplicado a qualque p oblemá ica. No caso
da pob eza, es e olha adica na iden i i-
cação de desigualdades sis émicas, a ní el
local, nacional e global. Radica ainda na
capacidade de econhece a nossa cumplici-
dade indi idual e cole i a com o p oblema
e no comp ome imen o de nos elaciona-
mos mais amplamen e com o mundo nas
suas mul iplas in e dependências, e com a
ideia de que a lu a con a a pob eza num
de e minado luga signi ica lu a con a a
pob eza e as desigualdades à escala global,
em bene ício mú uo de odos os se es hu-
manos e do plane a.
Se pe co eu es e caminho a é aqui,
ê-lo a pa i de uma p opos a
de i ine á io de ap endizagem pa a
a Educação pa a o Desen ol imen-
o e Cidadania Global (EDCG).
Sabe o que
é a EDCG?
O que es á ao Meu Alcance Faze ?
4
É ica T ans o mação
Social
O ganização
Cole i a Te i o ialidade
Dimensões
de EDCG
+ De que o ma a
si uação de pob eza
põe em causa a jus iça
social, a equidade e
os di ei os humanos?
+ Como podemos
omen a elações
sociais mais jus as
e democ á icas?
+ Como p omo e o
cuidado e comp omis-
so pa a com odas as
pessoas, em si uação
de pob eza ou não,
pa a com o Bem Es a
comum?
+ A é que pon o es amos
a p ocu a e implemen a
o mas ans o mado as dos
enómenos de pob eza, ou a
ep oduzi o mas que, mesmo
que bem in encionadas, pe -
pe uam as es u u as de pode
e edundam em consequências
palia i as mais do que ans-
o mado as?
+ Como é que a p ospe idade
ma e ial num lado pode se
c iada po pob eza nou o lado
ou nou as pa es do mundo?
+ Que polí icas, p og amas
e p á icas implemen a pa a
mi iga os e ei os da pob eza
ou en en a as suas causas
es u u ais?
+ Como a icula a
ação indi idual com
a ação cole i a pa a
c ia o mas ans o -
mado as de en en a
a pob eza?
+ Como nos o ganiza-
mos pa a a mudança
social?
+ Como implemen a
p ocessos ans e sais,
ho izon ais, in e dis-
ciplina es, in e se o-
ias na lu a con a
a pob eza?
+ Que elações exis-
em en e as mani-
es ações locais de
pob eza e dinâmicas
globais?
+ Como consolida
e amplia os mecanis-
mos de go e nação
e as es a égias de em-
powe men e pa ici-
pação, pa a in eg a
de o ma sis emá ica
as comunidades e
e i ó ios especí icos
e as suas o ganizações
no en en amen o
da pob eza?
Ro ei o Au o e lexi o pela len e de EDCG
+ Ques ões o ien ado as pa a olha , pensa e agi pe an e a pob eza
Em cima, ap esen a-se um pe cu so au o e lexi o pa a apoia qualque pessoa ou o ganização, a ques io-
na o seu olha , pensa e agi pe an e o enómeno e as ealidades especí icas da pob eza e desigualdades.6
53
P ocesso de
Ap endizagem
Pensamen o
C í ico
Expe imen ação
e Pa icipação
Al e idade e
In e dependência
+ Como é que a educação
pode con ibui pa a
a c iação/ ep odução
da pob eza ou pa a a sua
e adicação?
+ Como p omo e p oces-
sos ho izon ais e con ínuos
de co-cons ução de co-
nhecimen o com a impli-
cação de odas as pessoas
e o ganizações?
+ Como e o ça a capa-
cidade de memó ia e de
e enção, capi alização e
ansmissão de ap endiza-
gens em p ol dos es o ços
cole i os pa a a e adica-
ção da pob eza?
+ Es amos a analisa
a ealidade da pob eza
de o ma in eg ada?
+ De que o ma somos pa e
do p oblema?
+ Que ques ões impo an es
não es amos a coloca ?
+ Que di e en es pe spe i as
e abo dagens es ão em jogo?
+ O que nos dizem e es-
condem os indicado es
mobilizados sob e as isões
de pob eza e abo dagens
subjacen es?
+ Como en en a a com-
plexidade e muldimensio-
nalidade da pob eza numa
pe spe i a dialé ica de
ans o mação social?
+ Como p omo e
a pa icipação e c ia
condições pa a que as
pessoas que expe ienciam
a ealidade de pob eza
se sin am segu as pa a
pa icipa a aze ou i
a sua oz?
+ Como ge a e expe i-
men a no as possibilida-
des e polí icas de exis ên-
cia impensá eis den o
dos nossos quad os a uais
pa a supe a o colapso
ecosocial?
+ Como podemos in-
eg a nas nossas abo -
dagens ou os sabe es,
ou as linguagens, a a e,
a na u eza?
+ Como p omo e empa ia
e a esponsabilidade po
odos os se es humanos
e pelo plane a?
+ Como econhece e alo-
iza a di e ença e in e de-
pendência en e “eu”
e “os ou os”?
+ Como é que os países
e populações em si uação
de pob eza subsidiam os
nossos con o os, segu an-
ças e p aze es?
+ De que o ma bene icia-
mos e somos cúmplices de
p ocessos de explo ação,
exp op iação, des i uição?
+ Como a lu a con a
a pob eza se a icula com
a agenda da sus en abilida-
de ambien al?
6
Ro ei o inspi ada
no p oje o Escolas
T ans o mado as e
nas suas “Dimensões-
-cha e de análise de
p á icas de EDCG” e
nos desen ol imen-
os mais ecen es
do campo com
base nos abalhos
de And eo i e do
cole i o Ges u ing
Towa ds Decolonial
Fu u es (And eo i e
al. 2019).
EDCG pa a agen es
municipais e da
sociedade ci il
O papel de écnicos municipais, OSC e ONGD, é undamen al enquan o
p o issionais de e eno que conhecem de pe o a ealidade da pob eza.
Do mesmo modo, o papel des es p o issionais e o ganizações é undamen-
al pa a p omo e um o e en ol imen o e pa icipação da sociedade
e, em pa icula , das pessoas que i em em si uação de pob eza.
É ica T ans o mação
Social
O ganização
Cole i a Te i o ialidade
Con ibui pa a o o ale-
cimen o de alo es demo-
c á icos, designadamen e
con ocando di e en es
ozes, e assegu ando e-
p esen a i idade de géne o
e in e seccional nos seus
p ocessos de auscul ação,
decisão e in e enção
(sem, con udo, o na as
pessoas em o em, em que
con ocamos semp e as
mesmas pessoas que êm
o peso de ep esen a uma
comunidade in ei a, como
acon ece cons an emen e
com pessoas neg as, com
de iciência, e c.)
P ocu a comp eende
e en en a as causas
sis émicas da pob eza
e as elações de pode
e desigualdades que
lhe são subjacen es.
Equaciona ou os mode-
los económicos possí eis.
P omo e a coope ação
en e a o es, o ganizações,
depa amen os den o da
o ganização, omen ando
abo dagens ans e sais,
em ede, ansdiscipli-
na es, in e sec o iais (a po-
b eza não é só um assun o
do pelou o de ação social).
Pe mi i a empo alidade
mais len a associada aos
p ocessos de abalho em
ede e pa ce ia, alimen an-
do con inuamen e esses
p ocessos e a dialé ica
en e o ní el pessoal
e ins i ucional.
Valo iza e omen a a p oximidade
às pessoas nas á ias si uações de
pob eza exis en es no e i ó io e às
ins i uições do e i ó io, p omo en-
do p ocessos de cons ução cole i a
com as mesmas (p á icas, con eúdos,
conhecimen os, e c.).
P omo e que as suas o ganizações
sejam inclusi as e in eg em g upos
sub ep esen ados, nomeadamen e
nos p ocessos de ec u amen o de
ecu sos humanos e con a ação
de p es ado es de se iço.
Apos a em a i idades e se iços
que es ejam p óximos, acessí eis
e in eg ados na ealidade social
em que es ão si uados.
O que es á ao Meu Alcance Faze ?
4
55
sua a i idade em ONGD e o ganizações da sociedade ci-
il em ge al ou em o ganismos municipais; a população em
ge al. O obje i o não é se exaus i o nem ence a a espos a
às ques ões enunciadas, mas simplesmen e con ibui pa a
elucida como o o ei o pode se i pa a di e en es p ocessos
de au oques ionamen o e e lexi idade. O obje i o é e mina
eno ando o con i e com que iniciamos es e es udo, ins igan-
do cada pessoa a pa i da sua expe iência, indi idual e cole i-
a, e desa ia -se a e le i , dialoga , ap ende e con ibui pa a
en en a os desa ios cole i os com que nos con on amos.
P ocesso de
Ap endizagem
Pensamen o
C í ico
Expe imen ação
e Pa icipação
Al e idade e
In e dependência
Re o ça a capacidade
de memó ia, ansmissão
e mobilização do conheci-
men o dos/as p o issionais
no e eno, que de e se i
pa a p opo , decidi e
in e i .
Apos a num abalho
de in o mação e sensibili-
zação pa a a ans o ma-
ção social.
Adop a uma olha
in e seccional, ecolhendo
dados desag egados
e in e seccionais (géne o,
nacionalidade, o igem
é nico- acial, classe social,
idade, e c.) pa a unda-
men a as suas análises
e abo dagens.
Consolida mecanismos
de go e nação e es a égias
de empowe men e pa i-
cipação, c iando condições
pa a que as pessoas se
sin am segu as pa a pa i-
cipa , incluindo aquelas
em si uação de pob eza.
Expe imen a espos as
ino ado as e c ia i as.
Reconhece e alo iza e in eg a
as múl iplas iden idades e o mas
de olha e de pensa sob e a ealida-
de da pob eza.
P omo e con ex os de in e ação
en e desiguais (po exemplo,
encon os en e au a cas e pessoas
em si uação de pob eza).
Es abelece de o ma sis emá ica e
e idenciada uma a i a ligação en e
a lu a con a a pob eza e ou as
agendas, com des aque pa a
a da sus en abilidade ambien al.
Dimensões
de EDCG
A pob eza e desigualdades, enquan o p oblema es u u al, são
uma esponsabilidade cole i a que exige o comp ome imen o
de odos indi idual e, sob e udo, cole i amen e: en idades
go e namen ais a ní el local, nacional e in e nacional; se o
emp esa ial; ó gãos de comunicação social; o ganizações da
sociedade ci il; sociedade em ge al.
Aqui são ap esen ados alguns exemplos de aplicação do
o ei o inicialmen e p opos o, conside ando dois g upos em
pa icula : os p o issionais e olun á ios que desen ol em a
EDCG pa a a
Sociedade em ge al
Tendo em con a as á ias causas es u u ais e in e dependen es da pob eza,
a ans o mação social necessá ia à sua e adicação depende ambém do
comp ome imen o de odos os cidadãos e cidadãs, que podem con ibui de
di e en es o mas, designadamen e ap op iando-se da EDCG pa a e o ça
o seu olha c í ico e e lexi o sob e a ealidade.
É ica T ans o mação
Social
O ganização
Cole i a Te i o ialidade P ocesso de
Ap endizagem
Fomen a elações sociais
mais jus as, democ á icas e
equi a i as.
Es a a en o e denuncia
si uações de iolação de
di ei os humanos.
Ques iona as elações
de pode e os pa adigmas
e modelos exis en es na
sociedade.
Te uma pa icipação
polí ica a i a, o ando de
o ma conscien e nos/as
nossos/as ep esen an es
e exe cendo p essão no
sen ido de polí icas mais
jus as a ní el local, nacio-
nal e global.
O ganiza -se cole i amen-
e e uni -se em o no dos
es o ços cole i os de lu a
con a a pob eza e mudan-
ça sis émica.
Pa icipa a i amen e
na lu a con a a pob e-
za a a és de ações de
olun a iado e ou as
o mas de pa icipação
jun o de o ganizações
do seu e i ó io.
Ap ende a pe cebe os
e ei os e limi es das suas
pe spe i as, p ocu ando
desen ol e no os quad os
cogni i os, na a i as e
ep esen ações com base
numa isão sis émica do
mundo.
Ap ende a desen ol e
uma pe spe i a in e sec-
cional sob e a ealidade.
Es a abe o/a a um p o-
cesso con ínuo de ap endi-
zagem ao longo da ida.
O que es á ao Meu Alcance Faze ?
4
57
Pensamen o
C í ico
Expe imen ação
e Pa icipação
Al e idade e
In e dependência
Dimensões
de EDCG
P ocu a in o ma -se e
ap o unda o seu conheci-
men o sob e a ealidade,
eco endo a on es a ia-
das e ambém di e en es
dos pa es;
Obse a e e le i sob e
as di e en es mani es ações
de pob eza e a suas causas
e e ei os e desen ol e
o nosso posicionamen o
com base em a gumen os
igo osos, cla os;
Ques iona gene alizações
e es e eó ipos dissemina-
dos sem ac os c edí eis
que os supo em, não e-
p oduzindo discu sos de-
sin o mados e in e samen-
e, p ocu ando eba ê-los
com a gumen os apoiados
em ac os.
Mani es a -se jun o das
ins âncias e es u u as de
pa icipação exis en es,
numa lógica de cidadania
a i a.
P ocu a en ende como
nós ambém somos cúm-
plices e pa e do p oble-
ma e das suas causas, na
medida em que os nossos
es ilos de ida, con o os,
segu anças e p aze es êm
cus os escondidos em
g ande pa e supo ados
po países e populações em
si uação de pob eza.
T abalha a empa ia, o
espei o, a escu a e olha
a en o, a sin onia em
elação a odos os se es
humanos, independen e-
men e da sua o igem e das
suas opções, com especial
a enção às pessoas mais
ma ginalizadas e equen-
emen e in isí eis aos
nossos olhos.
P oje o DARE
– Day One Alliance
o Employmen
Po que o emp ego (ou a al a dele) es á di e a-
men e elacionado com si uações de pob eza
que, po sua ez, pe pe uam um sis ema desi-
gual a á ios ní eis, o DARE – Day One Al-
liance o Employmen en ol e jo ens NEET
(que não es udam nem abalham), com o
obje i o de desen ol e compe ências pessoais,
sociais e p o issionais de o ma a minimiza as
consequências nega i as do desemp ego ju e-
nil, o ien ando-os e apoiando-os em di e sos
ní eis, numa pe spe i a de alcance da melho ia
da sua qualidade de ida.
A EDCG e as suas me odologias pa icipa i as
êm aqui um papel essencial pa a capaci a
jo ens no seu p ocesso de planeamen o de
ca ei a, desen ol imen o de compe ências de
emp eendedo ismo e alidação da ap endiza-
gem, aumen ando assim as suas opo unidades
de emp ego.
Comba e o desemp ego jo em de longa du-
ação, enco aja pessoas a e oma a p ocu a
a i a de abalho, de ol e a dignidade que um
emp ego con e e a mulhe es cuidado as, adul-
os incapaci ados e a mino ias é nicas ambém
é con ibui pa a a edução das desigualdades.
Fon e:
Pa – Respos as Sociais.