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DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA. LEITURA CRÍTICA DO INQUÉRITO À ARQUITECTURA REGIONAL. Caderno 2

Abstract

O reconhecimento de toda a importância à espessura enquanto instrumento de uma expressividade especial vai permitir reconhecer seguidamente aquilo a que podemos chamar uma poética de paredes delgadas e uma poética de paredes espessas. A espessura é, portanto, o primeiro “parâmetro em surdina” de que trata este trabalho. O segundo “parâmetro em surdina” considerado nesta investigação é uma qualidade específica de espaço que podemos investir de responsabilidades particulares seja no campo expressivo seja no campo das preocupações sociais. Concretamente trata-se do espaço-transição. A reflexão sobre as implicações espaciais destes dois parâmetos é seguida da análise de exemplos referênciaveis internacionais e da arquitectura portuguesa, numa proposta de releitura crítica que vem demonstrar a importância da espessura e do espaço-transição enquanto valores expressivos da arquitectura.

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DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA. LEITURA CRÍTICA DO INQUÉRITO À ARQUITECTURA REGIONAL. Caderno 2

Author: ALMEIDA, Pedro Vieira de
Publisher: CEAA/ESAP-CESAP
Year: 2013
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/5c2bfe88-1bc9-492f-871c-d676d5e94391/download
Cen o de Es udos A naldo A aújo
Escola Supe io A ís ica do Po o
DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA
POSTOS EM SURDINA
Ped o Viei a de Almeida
CADERNO 2
Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a egional
Ped o Viei a de Almeida
DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA
POSTOS EM SURDINA
CADERNO 2
Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a egional
Publicação sujei a a pee e iew
Edições Casei as / 17
Tí ulo:
DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS
EM SURDINA. Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a
egional. CADERNO 2
Au o :
Ped o Viei a de Almeida
© Ped o Viei a de Almeida, CESAP/CEAA, 2011
A anjo g á ico:
Jo ge Cunha Pimen el
Composição:
Joana Cou o
Edição:
Cen o de Es udos A naldo A aújo da CESAP/ESAP
P op iedade:
Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o
R. do In an e D. Hen ique, 131
4050-298 PORTO, PORTUGAL
Tele : +351 223 392 100/40
Fax: +351 223 392 101
Imp essão e acabamen o:
LITOPORTO A es G á icas Lda
1ª edição, Po o, Junho de 2013
Ti agem: 500 exempla es
ISBN: 978-972-8784-45-4
Depósi o Legal:
Es e li o oi ealizado no âmbi o do p ojec o A
"A qui ec u a Popula em Po ugal". Uma Lei u a C í ica
endo enquan o al sido inanciado po undos FEDER
a a és do P og ama Ope acional Fac o es de
Compe i i idade – COMPETE (FCOMP-01-0124-
FEDER-008832) e po Fundos Nacionais a a és da FCT
– Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/AUR-
AQI/099063/2008).
Cen o de Es udos A naldo A aújo
Escola Supe io A ís ica do Po o
La go de S. Domingos, 80
4050-545 PORTO PORTUGAL
Tele .: 223392130 / Fax.: 223392139
e-mail: [email p o ec ed]
www.ceaa.p

A equipa do p ojec o A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a
C í ica, que deco e en e 1 de Ab il de 2010 e 31 de Ma ço de 2013, com
p olongamen o a é 30 de Junho de 2013, é cons i uída po Ped o Viei a de
Almeida (in es igado esponsá el), Alexand a Ca doso, Joana Cunha Leal e
Ma ia Helena Maia e em como consul o es Jose ina Gonzalez Cube o,
Ma iann Simon e Miguel Angel de la Iglésia.
O p ojec o é inanciado po undos FEDER a a és do P og ama
Ope acional Fac o es de Compe i i idade – COMPETE (FCOMP-01-0124-
FEDER-008832) e po Fundos Nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a
Ciência e Tecnologia (PTDC/AUR-AQI/099063/2008).
O ex o da p esen e publicação oi edi ado po Ma ia Helena Maia.
Es e é o segundo dos 4 cade nos em que escolhemos publica os esul ados do
p ojec o A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a C í ica.
Os dois p imei os, cons i uem a I Pa e des e abalho, que Ped o Viei a de
Almeida quis publica nas Edições Casei as do CEAA, po aduzi em
o malmen e aquilo de que se a a: a ap esen ação do esul ado de uma
in es igação que nele não se ence a.
Isso ob igou à di isão do ex o em dois olumes – o o ma o da colecção não
pe mi e publica acima de 80 páginas – o que explica que as 3 pa es em que
se o ganizam as conclusões enham esul ado em 4 olumes.
Qua o olumes mais um, pa a se mos igo osos, po que a es es se jun a um
ex o p é io na sua edacção, mas undamen al pa a a comp eensão da
p opos a de Ped o Viei a de Almeida da espessu a como pa âme o
exp essi o da a qui ec u a. Re i o-me à A Noção de Espessu a na Linguagem
A qui ec ónica, publicado nes a mesma colecção.
Os Cade nos 3 e 4, embo a com alguns pequenos exce os de Viei a de
Almeida são já da au o ia da equipa, Alexand a Ca doso, Joana Cunha Leal e
eu p óp ia, que neles p ocu amos da con a da II e III pa es do abalho
ealizado.
Do conjun o dos olumes publicados, o Cade no 2 é indiscu i elmen e o
mais p oblemá ico.
Coube-me edi a es e ex o de Ped o Viei a de Almeida.
Ao con á io do que semp e acon eceu, não se a ou de comple a e e ências
bibliog á icas e e e a sua e são inal, com a coni ência e a pa icipação do
au o .
T a ou-se de decidi como publica um ex o que a mo e impediu Viei a de
Almeida de e mina .
Com mui as dú idas, que aqui assumo, acabei po decidi deixa que o lei o
se con on asse com o ex o al como o Ped o o deixou, p ocu ando sob e ele
in e i apenas o indispensá el.
Assim, às no as do au o soma am-se inúme as no as do edi o , em que se
p ocu ou egis a as ano ações de abalho in oduzidas pelo au o pa a
desen ol imen o u u o, sem que a sua p esença no co po do ex o
complicassem a lei u a co ida do mesmo.
Também en endi se ú il jun a em algumas no as, in o mação p o enien e de
NOTA INTRODUTÓRIA
ou os abalhos de Ped o Viei a de Almeida que me pa eceu pe inen e pa a
uma melho comp eensão do ex o incomple o.
As e e ências bibliog á icas o am comple adas como semp e o am e
po an o sem que isso me pa ecesse me ece e e ência especial, excep o nos
casos em que se me le an a am dú idas. Nos casos em que não encon ei a
e e ência, op ei po publica a ano ação do au o , al como es e a deixou.
Também hou e que esol e algumas disc epâncias en e o índice e os
sub í ulos do ex o, bem como a epe ição de pa e do ex o. Es as si uações
ão assinaladas caso a caso.
Um a amen o u u o da sua as a ob a, pode á i a pe mi i uma eedição
mais comple a.
Es a oi a que me oi possí el p oduzi nes e momen o.
Espe o que seja me ecedo a da qualidade do abalho do Ped o.
Po que esse é insubs i uí el.
Sen imos mui o a al a dele.
Ma ia Helena Maia
15
“ca ác e ” que se lhe sob epõe e de ine a “a mos e a” dessa g elha
posicional.
Mas is o não de e mina logo uma a al inde e minação c í ica?
Não c eio naquela sequência e -se dado qualque espos a ao ema em
discussão, mas apenas e aumen ado os ac o es de inde inição.
Po um lado acei ando po um momen o a seca de inição de espaço de Schulz
(espaço=g elha idimensional) em algum sen ido assegu a que o concei o
de “ca ác e ”, ou de “a mos e a” é mais ge al ou menos ge al que o concei o
de “o ganização idimensional”?
É que são uni e sos de di e en e na u eza e po isso não di ec amen e
compa á eis en e si.
De endo que o espaço da a qui ec u a p ecisa em absolu o de hipó eses de
abalho que o en em explica den o de um quad o de “conc e udes”,
a as ando o almen e qualque e anescen e caminho de explicações
endencialmen e anscenden es.
Nes e pa icula pa ece-me mais suges i a e c i icamen e e icaz a
13
in e p e ação de Jean Baud illa d que abo dando ainda que um pouco
ma ginalmen e o p oblema do espaço em a qui ec u a, en ende nele
implicados os objec os que se “ ega den , s'impliquen ” inca nando no
espaço “ des liens a ec i s”.
Pe cebido o espaço ambém como ede de ensões, es a ede es abelece-se
não como malha posicional, geomé ica, abs ac a como em Schulz, mas
14
enquan o ede de o dem ins in i a, simbólica, mo al a iculando ainda
15
alo es de “ in imidade de um luga ”
Ainda que no meu pon o de is a seja in e p e ação ainda insu icien e, pelo
ac o de in oduzi uma ede de alo es de ca ác e de e minadamen e
psicológico, es a suges ão de Baud illa d pa ece mui o mais adequada que a
“explicação” o necida po Schulz.
16
Mon ane em Mode nidade Supe ada , abo da ambém o ema do espaço em
a qui ec u a des acando um chamado “espaço adicional” de um “espaço das
17
angua das”
Ainda que e apenas com ca ác e ins umen al, possa admi i
momen aneamen e a sepa ação p opos a, e i icamos desde logo que es a
e e e o “espaço” não p ocu ando en ende-lo na sua es u u a enquan o
ma é ia-supo e de exp essão a qui ec ónica, o que Schulz apesa de udo
cla amen e en a a aze , mas como elemen o desde logo inculado a uma
sua u ilização num discu so pa icula .
Do p imei o – do “que chama espaço adicional” – Mon ane di-lo
“di e enciado olume icamen e, de o ma iden i icá el, descon ínuo,
delimi ado, especí ico, ca esiano e es á ico”.
Do segundo – do que chama ”espaço das angua das” – a i ma se “ espaço
li e, luido, le e, con ínuo, abe o, in ini o, secula izado, anspa en e,
13. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des
Objec s. La consomma ion des signes. Pa is:
Gallima d, 1968, pág. 22
14. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des
Objec s…, pág. 25
15. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des
Objec s…, pág. 34
16. José Ma ia MONTANER – Mode nidade
Supe ada. Ba celona: Gus a o Gili, 2001 (1997),
pág. 31
17. José Ma ia MONTANER – Mode nidade
Supe ada. …, pág. 28

16
abs ac o, new oniano”.
Não enho a ce eza quan o à compa ibilidade e coe ência in e na des as
ca ac e izações.
A i ma ainda que udo ai culmina na “concepção in e nacional” do espaço.
Pa a quem julga necessá io es abelece aquela di e ença en e “espaço-
adicional” e “espaço das angua das,” não pode senão esul a con adi ó io
que depois suponha o culmina de uma e olução endencial num “espaço
exp essi o” de ca ac e ís icas in e nacionais, o que jus amen e mais do que
discu í el, pa ece absu do como noção.
Não pode ha e uma noção de espaço exp essi o com alidade in e nacional,
e al ez que o melho con ibu o dos es udos an opológicos pa a a
A qui ec u a enha sido p ecisamen e o da a conhece as limi ações mui o
cla as no âmbi o des as especulações a qui ec ónicas.
Sob e udo quando en endemos ala do “espaço” como in eg ando
di e si icadas exp essi idades a qui ec ónicas.
Po ou o lado Mon ane di e encia “cla amen e” as noções de “espaço” e de
“luga ” explicando que o “espaço” em uma condição ideal, eó ica, gené ica
e inde inida” ac escen ando que o “espaço mode no“ se baseia em medidas,
em elações de posição, é quan i a i o e se desdob a median e geome ias
idimensionais, é abs a o, lógico, cien í ico, ma emá ico e que co esponde
a uma cons ução men al ”ac escen ando que ende a se “in ini o e
ilimi ado”.
Associa es e “espaço” assim de inido à es u u a Dom-Ino, em ge al a Le
Co busie e a Mies an de Rohe.
O “luga ” se ia pa a Mon ane , de inido po e um ca ác e “conc e o,
empí ico, exis encial, a iculado, de inido a é aos de alhes”.
O luga ainda se ia de inido pela qualidade das coisas e “pelos alo es
simbólicos e his ó icos”, e es á ambien al e enomenologicamen e
18
elacionado com o co po humano .
Pa ece-me aqui e iden e a in luência de No be g-Schulz sob e udo quando
Mon ane conside a que o espaço se baseia em medidas e em elações de
posição.
Es e é o espaço en endido como “g elha posicional”.
Mas o que e a já discu í el na o mulação de Schulz aqui su ge ainda
ag a ado po se e e i especi icamen e ao “espaço mode no” como
ca ego ia em si, o que a é ica documen ado pela ap oximação que az en e
Le Co busie e Mies, o p imei o que se en endia “poe a” e que de endia que o
papel da a qui ec u a e a emociona e nesse uni e so en ou manusea aquilo
a que chama a “l'éspace indicible” e o segundo que ejei a a qualque
emoção na a qui ec u a bem como a p óp ia noção espacial.
Da obse ação cuidada dos adjec i os com que p e ende delimi a as noções 18. José Ma ia MONTANER- Mode nidade
Supe ada… pág. 32
17
de “espaço” e “luga ” não deixam de sob essai aquelas quali icações que
pa ecem de sen ido ince o.
Pode emos al ez conclui que se al ez sejam as ca ac e ís icas de um
“espaço mode no” pa a Mon ane e endo odo o di ei o de assim o en ende ,
de ac o essas ca ac e ís icas apenas a ele Mon ane , dizem espei o, sem que
o possamos di ec amen e gene aliza , nem al ez o possamos acei a .
Não me pa ece ha e um espaço “mode no” com de e minan es es u u ais
di e enciadas e especí icas.
No en an o que hoje pa ece cla o, a a és dos a gumen os coligidos na
li e a u a especializada e sob e udo a a és da conc e a expe iência e do
p óp io sen i ao le a qui ec u a, que o elemen o espaço pe manece decisi a-
men e como o ac o aglu inan e das múl iplas a iá eis in e enien es na
a qui ec u a ainda que a in e p e ação que dele as pessoas possam aze es eja
longe de encon a consenso, numa qualque es abilidade in e p e a i a.
Mas es e ac o aglu inan e não pode se a “g elha geomé ica” das posições
de elemen os.
Cla o que o espaço não esgo a a a qui ec u a, e Ze i oi o p imei o a a i má-lo
logo de imedia o ao p opo a sua in e p e ação espacialis a no Sabe Ve a
19 20
A qui ec u a o que mui as ezes se não que le .
E iden e que há ou as a iá eis in e enien es.
Mas se bem que di e sos no seu con ibu o pa a o signi icado conjun o, odos
os elemen os a conside a não se sob epõem ao espaço.
Amoldam-se no odo exp essi o, con ibuindo pa a uma sua de inição
o mal.
In eg am-se nele e nele azem sen ido.
A deco ação, os de alhes, podem se excessi os se os le mos como apos os à
es u u a espacial, de manei a adi i a.
Mas são mesmo indispensá eis quando e semp e que con ibuam ainda que
seja apenas pa a uma ib ação pa icula como sub il in e enção na
modelação espacial.
Po isso o espaço su ge no conjun o como o ac o que em in eg a e da
sen ido exp essi o àquelas a iá eis.
O espaço como alo es u u an e
2)- Como ma é ia de polémica no âmbi o eó ico-c í ico já não me pa ece ú il
seque , ap o unda discussão sob e a sua p esença e ec i a na linguagem
a qui ec ónica.
Ago a, suponho de e mos con ibui pa a uma abo dagem ão acional
quan o pude mos da sua cons i uição, a aliando as consequências de aí
esul an es que como implíci a p oblema ização da a qui ec u a que como
ec o de explici ação da sua mesma linguagem.
19. B uno ZEVI – Sabe Ve la A qui ec u a. Buenos
Ai es: Ed Poseidon, 1951 (1948), pág. 20.
20. Como o ez o p óp io Sc u on no li o Es é ica
da A qui ec u a (Lisboa: Edições 70, 1983 (1979),
pág.57).
18
A inal do que se ala quando se ala de espaço?
Ce o que não enho a p e ensão de a ingi a es e espei o o ní el de
enunciação de um sis ema in ei amen e “cohe en a ec lui même, in iè emen
21
uni ié” como Baud illa d e e iu.
Cla o que o espaço é múl iplo.
O seu en endimen o p opõe-se de imedia o limi ado ao ní el do senso comum
enquan o luido ecep áculo das coisas e dos se es sendo mesmo
exclusi amen e a es e ní el que é en endido pela g ande maio ia das pessoas
no seu quo idiano.
Mas é di e en e o seu signi icado já não digo seque en e di e en es sis emas
cul u ais, mas a é en e di e en es sec o es e di e en es in e esses
22
p o issionais, ainda que in eg ados no mesmo caldo cul u al .
Como exemplo di ei que o espaço que ao sociólogo impo a é em ge al
omado como um dado, não sujei o a qualque ipo de pa icula
ques ionamen o.
Gene icamen e a sociologia não se in e oga sob e a na u eza do espaço.
O espaço sociológico é no ge al um espaço do senso comum.
Já pa a um an opólogo se le an am ou os p oblemas a é po que econhece
23
que não sendo o espaço “euclidiano pa a odas as cul u as” um dos emas de
es udo e in es igação es a á p ecisamen e no pe cebe a na u eza e os
con o nos dessa di e ença.
Há ou o en endimen o do espaço que se á o de uma sua lei u a a ní el dos
alo es mí icos implicados, alo es que de alguma manei a ão
pe manecendo ao longo da his ó ia.
Aí o in e esse gené ico das p opos as de Jean Pie e Ve nan , a pa i da
24
análise da es u u a do espaço na G écia Clássica .
Um qua o es a o de lei u a espacial, é aquele que pode se ilus ada pela
p opos a de Vi ó io G ego i, que pa e da noção da “colocação da ped a”,
como ges o p imei o do assinala de um local e “c ia ” espaço.
Aqui a a-se já de uma e dadei a p opos a pa a uma delibe ada es u u ação
espacial.
E i á po isso a me ece maio a enção.
Mas se os casos que ci ei se e e em a uma noção global do espaço, há depois
que en ende ambém uma sua modelação in e na enquan o “espaço
exp essi o” da a qui ec u a.
Aí al ez não pa eça, mas acili a a análise o conside a as ca ego ias de
espaço in e no, espaço ex e no e espaço ansição.
Sublinho que o e mo “espaço-exp essi o” que u ilizo, p e ende e um
sen ido mais de inido e exigen e do que “espaço-exis encial” que No be g-
Schulz e e e.
A noção de “espaço exis encial” co esponde a odo aquele onde deco e a
21. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des
Objec s…, pág. 11
22. Ped o Viei a de ALMEIDA – Da Teo ia. Oi o
Lições. Po o: CEAA, 2005
23. Jean STOTZEL – La Psycologie Sociale. Pa is :
Flamma ion, 1963, pág. 60
24. Jean Pie e VERNANT – My he e Pensée Chez
les G ecs. É udes de psychologie his o ique. Pa is :
F ançois Mespe o, 1965.
19
nossa ida quo idiana e dele podemos a é nem se conscien es, o que
no malmen e acon ece.
A noção de “espaço exp essi o” de ine já um espaço de que somos ealmen e
conscien es e que sabemos in e p e a nos seus alo es p óp ios.
Deco e de aqui que se odo o espaço em que se i e é po de inição um
“espaço-exis encial”, nem odo o “espaço-exis encial” esul a se “espaço
exp essi o”.
Po an o e e a aqui que que ia chega , se odo o espaço da a qui ec u a
co esponde a um “espaço exis encial”, nem odo o espaço exis encial é
a qui ec u a.
Pa a que se e i ique e ec i amen e “A qui ec u a”, o espaço em de se
es u u a enquan o “ma e ial exp essi o”.
Mas e e indo um “espaço exp essi o” quando alo de a qui ec u a, es ou
ainda a e o ça a ideia de Paolo Po oghesi de que es a, a a qui ec u a, de e
se en endida como um “sis ema de luga es” o que a as a de imedia o oda a
complexidade e implicações da noção de espaço-in luência de pessoas e de
coisas.
Es ou conscien e de que a noção de espaço-in luência de pessoas é mais
acilmen e acei e, a é po que mui o apoiada em di e sos con ibu os nesse
sen ido.
Com maio esis ência ce amen e depa a á a noção de espaço-in luência de
coisas.
O que no en an o enho po absolu amen e de e minan e.
Po que só a conjugação dinâmica dos dois pe mi e ala de espaço exp essi o
po an o em espaço a qui ec ónico.
Pa a uma ac ilidade do olha
3)- In oduz-se aqui um ou o p oblema que Pallasmaa le an a e que me ece
pa icula e e ência.
Em Los Ojos de la Piel ci a de Da id Michel Le in a c í ica àquilo que es e
25
designa po “ocula cen ismo” da nossa cul u a .
26
Lamen a Ba hes nou o luga a não exis ência de uma His ó ia dos
27
Olha es .
28
Num campo mais especí ico, o da His ó ia da A e, Jean Pa is mani es a a
sua su p esa pela não exis ência de uma His ó ia da Pin u a baseada no exame
da ede de olha es e p opõe mesmo a conside ação de uma unção no a na
composição ge al em pin u a que se ia o desempenhada po pe sonagens que
ele suges i amen e designa po “po e ega ds” e inicia esse ipo de análise
com uma b ilhan e aplicação do p incípio a exemplos que êem desde o
século V.
Sem nega alguns e ei os pe e sos des e p edomínio da isão sob e udo a
25. V. Juhani PALLASMAA – Los Ojos de la Piel.
Ba celona: Gus a o Gili, 2006 (2005), pág.18
26. Roland BARTHES – A Câma a Cla a. Lisboa:
Edições 70, 2006 (1980), pág. 20
27. No documen o o iginal, seguia-se um conjun o
de pon os que indica am o in ui o de p olonga os
a gumen os. No a do edi o
28. Jean PARIS – L' Espace e le Rega d. Pa is: Ed.
Seuil, 1965
20
pa i do Renascimen o, aquilo a que B uno Ze i designa al ez com algum
29
exage o a “heca ombe” do século XV , não sei po um lado se e dadei a-
men e não exis e aqui ambém um p o undo engano nas análises
subsequen es, a é po que pode íamos conside a simplesmen e que o
p edomínio da isão sob e ou os sen idos, não esul a de qualque cap icho
ou alegada mudança de men alidade in oduzida pela pe spec i a, mas que
apa ece na his ó ia mui o p agma icamen e “legi imada” se al osse
necessá io pela sua “ uncionalidade” insubs i uí el nos pe manen es e
gene alizados jogos de gue a com que a humanidade em indo aos
opeções a c ia o seu des ino.
No en an o suponho que as e en uais esponsabilidades de um
“ocula cen ismo” na nossa cul u a, as esponsabilidades de que ala Le in
de em se examinadas mais na pe spec i a de Guy Debo d is o é enquan o
objec i as aduções de de e minadas concepções do mundo, po an o mais
enquan o consequências mais do que como causas e icien es dessa mesma
30
concepção .
31
“Ponhamos o olha sob o con olo do ac o” p opunha Ta lin em 1913 .
A p opos a pa ece cla a e objec i a.
No en an o es e enunciado não deixa de man e alguma ca ga de
ambiguidade.
O ac o su ge ali como ac o “con olado ” do olha , no sen ido de e
ascendência sob e?
Ou a a-se de econhece que o olha em, ele p óp io, p op iedades ác eis
que impo a oma em con a?
Não sei se co esponde á à p opos a de Ta lin, mas pa a mim só es a segunda
hipó ese em e dadei o sen ido c í ico.
C eio exis i em hoje acilmen e de ec á eis, ní idos sinais de uma
“desquali icação” do olha no plano c í ico que pa ecem a é pe u ban es.
Es a “desquali icação” em indo a ep esen a e de manei a cada ez mais
acele ada não só uma ausência de ec o es ác eis, mas simul aneamen e uma
pe da quase o al daquilo que é o alo in eg ado da noção de isão pe i é ica
e o alo da noção de p o undidade, ambas de p o undo signi icado
a qui ec ónico.
Po an o bem ao con á io da p opos a de Pallasmaa de se en a eduzi o
sen ido da isão a p opo ções mais modes as no leque dos sen idos, e pa a
isso en a encon a ecei as compensa ó ias, pa ece impo -se p ecisamen e
o caminho in e so, is o é, p ocu a sob e udo a ní el académico, sensibiliza
e de odas as manei as p omo e o melho que se pude um e o ço e
en iquecimen o das dimensões e capacidades da isão, bem como a
consciência dos g aus de esponsabilidade que se impõe se em nela
c i icamen e adqui idos.
Conc e amen e impo a ecupe a e o alece uma “ ac ilidade do
29. B uno ZEVI – Lee , Esc ibi , Fala A qui ec u a.
Ba celona: Ediciones Aós o e, 1999 (1997), pág. 39
30. V. Guy DEBORD – La Socie é du Spec acle.
Pa is: Edi ions Champ Lib e 1971(1967), pág. 17
31. Ci in Ana oli Ana ole ich STRIGALEV – “De
la Pin u a a la Cons uccion de la Ma e ia” (1984) in
Cons u i ismo Ruso. Sob e la a qui ec u a de las
angua dias uso-so ie icas hacia 1917. Ba celona:
Ediciones del Se bal, 1994, pág. 126

olha ”.
A pe da des a “ ac ilidade do olha ”, a pe da da noção de um olha que oca
que apalpa a ealidade e á sido mode namen e, al ez o aspec o mais
empob ecedo no pon o de is a plás ico, comp ome endo sob e udo oda a
expe iência a qui ec ónica.
Ao longo dos anos enho pedagogicamen e insis ido, no e o ço daquilo a que
enho chamado “o olha de Fayum” como um olha de esponsabilidade ác il
ca ac e is icamen e suges i o das múmias a dias do Egip o.
É ainda Pallasmaa que em epíg a e ci a uma ase de Goe he “as mãos que em
e , o olha que aca icia ”.
In e essa-me sob e udo a segunda pa e da ase.
“O olha que aca icia ”.
Tal ez es i esse aqui a espos a à ques ão le an ada po Michel Le in –
ci ada po Pallasmaa – ace ca da possibilidade de exis i em sinais de se es a a
es u u a uma no a e mais esponsá el manei a de olha .
E a bom que osse e dadei o, embo a me pe mi a du ida .
C eio mesmo ha e hoje a u gen e necessidade, que o ac edi a que
32
pa icula men e pa a os a qui ec os de ap ende a olha de manei a ác il
is o é, de p omo e neles uma manei a de olha que saiba se aca iciado a da
ealidade.
No undo, um olha que inalmen e saiba e dadei amen e e .
Resis ência à Noção Espacial
4)- Se en endo como e e i a ás, que se ia sem eal sen ido e já ex empo âneo
pa i ago a numa c uzada em de esa de uma in e p e ação espacialis a da
a qui ec u a, já c eio de e anca opo unidade a en a i a de pe cebe
algumas das azões da esis ência que g ande pa e dos a qui ec os chamados
33
“p á icos”, senão mesmo a maio ia, hoje ap esen a àquela in e p e ação .
Na ealidade esse ipo de eacção já inha começado com as ambiguidades
c í icas em que se en olou o mode nismo c endo eu e em elas sido em g ande
pa e esponsá eis po algumas das agilidades e incoe ências que aquele
mesmo mo imen o ap esen ou, sob e udo aquelas e e idas a uma e iden e
endência no ma i a.
Mas hoje econhecendo que de ac o as g andes esponsabilidades da
a qui ec u a e po an o as g andes esponsabilidades dos a qui ec os como
p o issionais, eem uma incada exp essão espacial seja a ní el mais
ca ac e izadamen e a qui ec ónico seja a ní el mais ala gadamen e u bano, a
ecusa da base espacial da linguagem a qui ec ónica decla ando-a uma
concepção ul apassada, ine i a elmen e su ge como a gumen o “escapis a”
que de alguma manei a pa ece i libe a os a qui ec os de comp omissos e
p oblemas aos quais de ac o não sabem como da espos a c edí el no
32. E não é di ícil de es o a anja exe cícios
simples, induzindo a uma p og essi a comp eensão
dos di e en es g aus e esponsabilidades do olha .
33. Neil LEACH – “A chi ec u e and Re olu ion” in
A chi ec u e and Re olu ion. Con empo a y
pe spec i es on cen al and eas e n Eu ope. Edi ed
by Neil Leach. London and New Yo k: Rou ledge,
1999, pág.119
21
mundo mode no.
E essa necessidade de dec e a ul apassados p oblemas, po que no undo se
lhes não sabe esponde , pode se ilus ado que pelo es o ço de c ia um
sen imen o de his e ia p o issional em ené ica acele ação cons an e em
o no da p o issão, ou com as lamen ações de Pe e Eisenman que ê na noção
de unção um limi e pa a a possibilidade de ob e uma e dadei a linguagem
a qui ec ónica.
Com es a posição Eisenman en a inequi ocamen e ob e uma a qui ec u a
sem qualque cons angimen o, sem qualque p og ama, sem qualque
34
comp omisso .
Igualmen e Be na d Tschumi em eclama o desen ol imen o de uma
“a chi ec u e o pleasu e” uma a qui ec u a “obcessed wi h i sel ”.
O que eu di ia se hoje, uma a qui ec u a mui o con ic amen e i esponsá el.
Pode dize -se ha e hoje in e nacionalmen e, uma g ande p essão no sen ido
da a i mação desca ada daquilo a que se em chamado um domínio de um
pensamen o “a e -a e ”, como uma e dadei a necessidade de au o
legi imação que esconde de ac o ao que penso, uma p ocu a de acili ismo
pa a não dize i esponsabilidade, uma ecusa a qualque comp omisso em
elação a p oblemas de ma cado ca ác e colec i o e social.
Po azões ób ias.
E um dos g andes pe igos daquelas posições como as de Eisenman, Tschumi
e ou os, é o de e em mul idões ainda que um pouco a a an adas e
35
insuspei adas de seguido es .
Do lado dos p o issionais apa ece como uma desculpa-jus i icação pa a um
a i a pa a can o aquilo que em sido o empenhamen o social de oda a p á ica
a qui ec ónica, a ogando-se da libe dade pu amen e plás ica possí el na
36
escul u a .
E mesmo alguns bons a qui ec os caí am na espa ela dessa p e ensa
libe dade, que é a inal e apenas a libe dade de adesão a alo es pu amen e de
me cado.
Suponho que es e ipo ex emo de posições e de idas sequelas, co esponde
ao que Pallasmaa e e e quando ala da “p opagação cance osa” do
37
supe icial imaginá io a qui ec ónico ac ual .
Se como obse ou algu es Aldo Van Eyck os a qui ec os “es ão iciados na
mudança”, eu aqui a isca ia p ecisa que es ão sim iciados, ou a g ande
maio ia es á iciada, num cul o da i esponsabilidade, omada de es o como
mui o ac ual, a ançada e descomp ome idamen e mui o jo em, pelo que o
“ ício” que Van Eyck apon a, não é senão uma consequência e
simul aneamen e um a gumen o supos amen e legi imado .
38
Es u u a Composicional do Espaço
5)- Pa o do p incípio que de alguma manei a ui ob igado a abo da no
34. Neal LEACH – pág. 26
35. Já emos alguns exemplos em Po ugal: de Solá
Mo ales. O “edi ício T anspa en e” jun o a
Ma osinhos, ou mesmo de Tá o a a o e da “Casa
dos 24”,jun o à Sé. Também alguns ecu sos usados a
ní el académico como a simples in ocação do
“open-space”, como o ma de e i a esponde a
di iculdades conc e as, o que po si só é e elado
36. Só pa a da um exemplo, o chamado “Edi ício
T anspa en e” no Po o de Solá Mo ales, com a
ag a an e de mesmo ou sob e udo escul u almen e,
se de qualidade mais que du idosa.
37. Juhani PALLASMAA – Los Ojos de la Piel.
Ba celona: Gus a o Gili, 2006 (2005), pág. 22.
38. Exis e uma disc epância en e o sub í ulo dado no
ex o e aquele que é p e is o no índice: P opos a
pa a uma es u u a composicional. Op ei po man e
os dois sub í ulos uma ez que se complemen am.
No a do edi o .
22
pa ág a o IV- 2 e que i memen e man enho desde o p imei o abalho que
dediquei ao espaço exp essi o da a qui ec u a no início da década de
39
sessen a , que es e é independen e da ideia eó ico ma emá ico de um
concei o uni e sal de espaço, e conside o que o espaço exp essi o da
a qui ec u a co esponde a um ecido i egula men e enco pado
di e samen e consis en e que maio i a iamen e esul a do c uzamen o do
espaço-in luência de pessoas e espaço-in luência de objec os, udo num
quad o de e e ência em que a e ical su ge como uma di ecção p i ilegi-
40
ada .
Es a abo dagem do espaço da a qui ec u a enquan o ca ego ia exp essi a – aí
sublinhando que nada em a e , absolu a e de ini i amen e com a ca ego ia
lógico ma emá ica – pa ece-me mais ú il enquan o ope acionalidade c í ica
do que a sua simples oposição concep ual, den o de um sis ema complacen e
que de alguma manei a os elacione.
En e an o pa a o que nos in e essa discu i , o que e dadei amen e se opõe à
noção de “espaço-exp essi o” da a qui ec u a cons i uindo um exemplo
41
pe ei o daquilo que Bachela d de iniu como “obs áculo epis emológico” ,
não é uma noção de espaço “senso comum”, mas a desconside ada u ilização
de uma pu a concepção lógico ma emá ica.
A dis inção que azem alguns au o es en e “luga ” como e e indo apenas a
ca ego ia exp essi a e ese ando o e mo “espaço” pa a a segunda, a
ca ego ia lógico ma emá ica pa ece-me sem ú il sen ido c í ico e em e ela
um dos aspec os al ez mais pe niciosos da in luência do abalho de
No be g-Schulz.
A p imei a noção an e io men e e e ida, a de espaço-in luência de pessoas,
oi-me suge ido pelo abalho de Na álio Fi sz , cujos esquemas me o am
dados a conhece num dos p imei os núme os da e is a L´A chi e u a de
42
B uno Ze i .
U ilizei-a depois la gamen e no con ex o do abalho mui o incipien e que
43
desen ol i em 60 .
De es o pos e io men e aquela in uição de Fi sz oi-me in ei amen e
con i mada pelos abalhos de mic o sociologia de Ab aão Moles e Elisabe h
44
Rhome e pela noção que p opõem de “quan um espacial” .
Po seu lado a ideia de um pa alelo espaço-in luência dos objec os su giu
na u almen e como esul ado de uma não menos incipien e in es igação
ainda an e io em que es a a en ol ido eu p óp io nesse início dos anos 60 no
domínio da escul u a e no qual p ocu a a desen ol e uma linguagem
escul ó ica não es u u ada como esul ado da manipulação exp essi a de
45
olumes, mas como esul ado de uma manipulação exp essi a de espaços .
Es a e a pa a mim e con inua a se , uma das di e enças undamen ais que se
pode iam es abelece en e as duas exp essões escul ó ica e a qui ec ónica, a
p esença ou não, da associação numa mesma es u u a exp essi a dos dois
39. d. Ped o Viei a de ALMEIDA – Ensaio Sob e
Algumas Ca ac e ís icas do Espaço em A qui ec u a
e Elemen os que o In o mam. C.O.D.A. Po o:
ESBAP, 1963
40. Aqui o au o inha ano ado “(Giedion, No be g-
Schulz, Rapopo )(12)”, eme endo pa a e en ual
a iculação a ac escen a ao ex o. No a do edi o
41. Gas ão BACHELARD - La o ma ion de l'esp i
scien i ique. Pa is: J. V in, 1980
42. L´A chi e u a, nº 8.
43. Se bem que o au o eme a pa a o nº 8 da e is a,
a e e ência que ecolhemos eme e pa a: Na álio
FIRST – “P oblema ica dello Spazio
A chi e onico”, L'A, nº 45. Ve Ped o Viei a de
ALMEIDA – Ensaio Sob e Algumas Ca ac e ís icas
do Espaço em A qui ec u a… No a do edi o .
44. Ab aham MOLES e Elisabe h ROHMER —
Laby in es du Vécu: l'espace, ma iè e d'ac ions.
Pa is: Lib ai ie des Mé idiens, 1982, pág. 103 e seg.
45. P e endia se uma espécie de escul u a
“especí ica do luga ” em que a luz do sol não se
limi a a a ilumina passi amen e um jogo de
olumes, mas pa icipa a ac i a e dinamicamen e no
jogo da exp essi idade dos espaços, que e am
assimilados como a e dadei a base da
exp essi idade eque ida, embo a e iden emen e na
sua de inição con asse com a p esença e colabo ação
es u u an e das massas conc e as.
23
ní eis de espaço-in luência: o de pessoas e de objec os na a qui ec u a, ou só
46
o espaço-in luência de objec os na escul u a .
Ainda na mesma ob a de Moles e Rhome encon ei mais adian e a ase que
de alguma manei a me pa ecia i indica es a no pe cu so ce o.
Esc e em: “En g os, comme les hommes, les obje s possèden d'un co é un
co- olume ou un co-su ace, de l'au e un ai e de ayonnemen p op e, ès
47
a iable d'un obje à un au e” .
É e iden e que no o al exis em ou as a iá eis de g ande impo ância na
ca ac e ização e modelação do espaço.
Cla o que a luz, mas ambém o som, a empe a u a, os chei os, os ma e iais, a
ma é ia, são ainda que com di e en es ní eis de in ensidade, adju an es na
g aduação das densidades espaciais.
Só que a sua ansmissão ope acional em e mos de exp essão de ém em ge al
48
g ande di iculdade sob e udo a ní el pedagógico .
Po “espaços in luência” en endo conc e amen e a exis ência de uma espécie
de “halo”, que nada e á a e com a amosa “au a” benjaminiana de eco e
mais é ico, com ca ác e alo a i o e que se liga à ob a de a e conside ada de
49
exis ência mi icamen e única e i epe í el en endida numa g elha p óp ia de
essencialidades e au o idade pa icula .
O “halo” de que alo co esponde à pe cepção, sublinho que mui o ísica,
quase palpá el, de uma espécie de plasma em o no das pessoas e das coisas,
como se o a uma emanação, “un ai e de ayonemen ” uma i adiação po elas
o iginada, que se e i ica mais o e jun o das pessoas e coisas que lhe são
o igem e su ge cada ez mais débil à medida que se a as a dessa o igem.
Es e halo em a e e iden emen e com o mas, mas desde logo com a p óp ia
50
ma é ia .
Pa a da uma imagem mais co ec a pode ia en a apoia -me num
pa alelismo com um campo de o ças elec o-magné icas, ou o ças
g a i acionais, mas ago a udo en endido exclusi amen e no quad o de um
uni e so plás ico, is o é, pe cebido enquan o exp essão.
En e an o pe mi o-me aqui aze apenas e e ência àquela a i mação de
Bachela d que en endo como ex emamen e suges i a e sob e a qual
e iden emen e não ou desen ol e conside ações, de que en e “coisas” e
espaço não exis e uma di e ença quali a i a mas apenas quan i a i a.
Se bem in e p e o Bachela d, udo não co esponde ia senão a luxos
ene gé icos es u u ando-se densos enquan o “coisas”, ou luidos enquan o
51
“espaços” .
.
A elação ene gia-objec o em si, cla o que não em nada de no o.
52 53
Já se obse ou que pa a Kandinsky , “objec s became ields o ene gy” .
Se alo, como já acen uei, apenas do en endimen o que emos dos objec os,
num cla o enquad amen o plás ico e se an e io men e i e de e i a o escolho
46. De aí uma disco dância que me apa ecia como
pe u ban e naquela al u a em elação a B uno Ze i
quando ele a i ma a que as ob as de “a qui ec u a”
na G écia e am de ac o ob as de escul u a. De ac o
udo depende do pon o de is a p i ilegiado. Na
G écia se podemos conside a que as cons uções
não são a qui ec u a po não e em espaço in e no,
elas eem uma de ini i a p esença no espaço u bano
que lhes pode á da uma de ini i a in e enção
a qui ec ónico-u banís ica
47. Ab aham MOLES e Elisabe h ROHMER —
Laby in es du Vécu…, pág. 118
48. Cla o que se pode ala de Aal o e usa os
es emunhos da Vila Mai ea, mas é du idoso que
alunos acei em a e e ência ou seque a pe cebam.
49. V. Wal e BENJAMIN – “La pe dida del «au a»
en la ob a de a e: una nue a condicion de la e a
ecnica” in His o ia de la A qui ec u a (An ologia
C í ica) de Luciano Pa e a. Mad id: Celes e
Ediciones, 1997, pág. 34-37
50. Nes e pon o do ex o, Viei a de Almeida ano ou:
“( Pin u a Me a ísica,Chi ico, mau nome / .
Réalismes pag 26- Jean Clai “co é spec al de ou e
chose”) (VER Jean Chenou)”. Is o signi ica que o
au o p e endia desen ol e o ex o, a iculando-o
com o abalho de Chi ico, discu indo a designação
de Pin u a Me a ísica, que conside a a não mui o
eliz, a é po que lhe pa ecia mais ma can e a elação
com o lado espec al da ealidade que Geo gio de
Chi ico (“Sull'A e me a isica”, Valo i Plas ici, nº 3,
1919) e F eud (“Das Unheimliche”, Imago, 1919)
o mulam no mesmo ano. V. Jean CLAIR –
“Me a isica e Unheimlichkei ” in Les Realismes
1919-1939. Pa is: Cen e Geo ges Pompidou, 1980,
pág. 26. No a do edi o
51. Aqui o au o ano ou no ex o alguns aspec os a
desen ol e : “(Asna Picasso Bá ba a Hep hwo h,
Pe sne . melho A gan)”. Segue-se na linha
seguin e: (G ego i e a ped a - e e i o quad o de
C is ino) (VER)” Es a úl ima e e ência eme e pa a
ex os an e io es, onde já inha sido e e ida a análise
de G ego i que, pa a o au o , se a icula “com o
esquema da p óp ia linguagem espacial,
independen emen e do que ela enha signi ica , já
que e e e o p óp io nascimen o do espaço como
es u u a exp essi a, is o é, com a ins au ação
espacial, enquan o sinal de posse de um luga ./ O
p imei o ges o a qui ec ónico e á sido, pa a
G ego i, o da colocação da ped a que signi ica e
econhece, de e mina e ins au a, um luga . / Aí
nasce á o espaço exp essi o, aí nasce á a
a qui ec u a” (Ped o Viei a de ALMEIDA –
Apon amen os…, p. 41. C . ambém en e is a de
G ego i ao jo nal Exp esso) No a do edi o
52. O l AISCHER – “The Bauhaus and Ulm” in The
Bauhaus Con li s 1919-2009. Con o e sies and
Coun e pa s. Os ilde n: Ha je Can z Ve lag, 2009,
pág. 179.
53. No o iginal seguia-se a ano ação: “ (Picasso
Colóquio) ” No a do edi o .
24
que a a qui ec u a em si cons i ui.
En e an o pe an e as in e ogações c í icas me que ui p og essi amen e
p opondo sob e es es mesmos emas, ape cebi-me da necessidade de
enquad a a uncionalidade dos chamados “espaços pe didos”.
Jus amen e po que es es espaços, pa ecem co esponde à con luência sem
a i o en e a noção de “ o ma” e a noção de “ unção”
E acabei po pe cebe na impo ância mesma dos espaços- ansição no ogo,
pa a além do seu imedia o ca ác e exp essi o, e de a iculação com a
en ol en e, a sua unção cla a como ep esen ando aquilo que em
a qui ec u a pode ia e dadei amen e p opo uma libe dade de ap op iação
no habi a .
No “espaço de ansição” p opõe-se a inal, o mais exigen e e igo oso
en endimen o da noção de “ unção”, e a mais elabo ada e equin ada noção de
“ o ma”.
O espaço de ansição e a o elemen o que em a qui ec u a, sem “ga an i ”
e iden emen e o “exe cício da libe dade” e a o elemen o que de ini i amen e
em a qui ec u a se pode ia cons i ui como “ins ância” de libe dade.
Não só, mas a é po que o espaço- ansição co esponde no seu mais
exigen e quad o de en endimen o a uma e dadei a noção de espaço-
unção, em que o espaço é po si só sem qualque ou a adsc ição, a sua
74
p óp ia unção.
Nes e con ex o a pe gun a de Leach ”can he e e e be a democ a ic
a chi ec u e?” não pa ecia adequada ao p oblema e de imedia o su gia como
edu o a.
Não se á ce amen e a a qui ec u a conside ada globalmen e, que pode
e es i os alo es da democ acia.
A pe gun a al como a o mulou Leach, não podia e espos a di ec a e
consis en e.
Mas essa mesma pe gun a e ia sido mais ú il no plano eó ico, se i esse sido
o ien ada no sen ido de sabe “que elemen os na a qui ec u a podem con e
alo es democ á icos?”.
75
Quando F. Ll. W igh , Vincen Scully e G ópius esc e em sob e o ema, a
meu e inco em odos no mesmo e o que oi o de conside a em a
a qui ec u a como uma o alidade, sem se p eocupa em com a sua simul ânea
análise in e na, que o dize os seus elemen os cons i uin es.
Enca ando a a qui ec u a de uma o ma global c i icamen e indi isa,
qualque posição negando ou a i mando as suas elações sociais e polí icas,
em oda a azão de se , ou pelo con á io não em nenhuma e an o az.
Dizendo de ou a manei a, a e o-me a pensa que a discussão nes a base,
esul a p a icamen e inú il.
74. V. Ped o Viei a de ALMEIDA – Apon amen os
pa a uma Teo ia de A qui ec u a. Lisboa: Ho izon e,
2008.
75. V. Wal e GROPIUS – Apollon dans la
démoc a ie / La nou elle a chi ec u e e le Bauhaus.
Conjun o de ex os com P e ácio de Michel Ragon.
B uxelles : La Connaissance, 1969 (1935).
31

Lemb a Foucaul que “nunca pode á se ine en e à es u u a das coisas o
ga an i o exe cício da libe dade”
76
E ac escen a: “a ga an ia da libe dade é a libe dade” .
Ce o.
Mas como é possí el dize pa a a noção de sublime, embo a acei ando a
obse ação kan eana de que o sublime não se c ia nem se p opõe, podemos
77
discu i e p opo “ins âncias de sublimidade” enquan o causas e icien es .
De igual modo as coisas em si cla o que não “ga an em” o exe cício da
libe dade, mas ainda que o não possam aze , pe mi em-no e mesmo em
g ande medida o induzem.
Assim alguma azão e á Leach quando sublinha que a a qui ec u a em si não
pode se libe ado a ou ep essi a.
Mas a a qui ec u a pode con e causas e icien es de ep essão ou de
libe ação, que po exemplo pode se de e minan e analisa num quad o
eó ico-c í ico de uma Pos -Mode nidade, seja pa a e i a as p imei as, seja
pa a omen a as segundas.
Res a a sabe quais os elemen os da linguagem a qui ec ónica, que podiam
en ão assumi uma ou ou a des as endências.
E é, c eio, a exis ência des es ac o es que en e ou os podem de e mina
uma chamada “ esponsabilidade social da a qui ec u a” que ago a passou a
se de bom- om e e i com so isos de condescendência.
Pa ece e iden e que há um ní el de esponsabilidade social da a qui ec u a,
que apenas pode es a na conside ação simples do objec i o signi icado
social dos seus p og amas.
Mas po ou o lado há a espos a conc e a de alguns ec o es in eg an es da
linguagem a qui ec ónica, que po si con o mam o que se pode designa
como sendo um e dadei o “inci amen o à libe dade” de ap op iação e po
isso e es i em-se de g ande e especí ica esponsabilidade social.
E nes e caso po udo quan o apon ei a é ago a, suponho se es e o g ande
papel do espaço- ansição, que nisso adqui e aqui um exp essi o signi icado
pedagógico e a é cí ico.
Sem pode p ecisa melho , c eio que oi desde a abo dagem p elimina da
78
ob a de R. Lino, po an o dois ou ês anos an es da edacção do ex o de 70
que se me o na am e iden es a impo ância que da espessu a que dos
espaços- ansição na a iculação da linguagem a qui ec ónica.
Embo a i esse uncionado pa a mim quase como uma súbi a “ e elação”
que me inha a a á ias ideias sol as que ainda não inham encon ado en e
si um io condu o de uma lei u a a iculada, não omei imedia a consciência
da sua mú ua in eg ação e ope acionalidade, o que só se eio a e idencia de
manei a p og essi a e ao longo do empo.
Assim em 70 ao e e i o Pa ilhão do B asil de Lino pa eceu-me de assinala
o sen ido de espaço- ansição no a amen o da en ada, a é po se na
76. Michel FOUCAULT – “Espace, sa oi e
pou oi ” in Di s e Ec i s IV. Pa is: Gallima d, 1994,
pág. 276.
77. V. Ped o Viei a de ALMEIDA - Os Concu sos de
Sag es. Rep esen ação 35. Condicionan es e
consequências. Tese de Dou o amen o em
A qui ec u a, Uni e sidade de Valladolid, 1998, ol.
1. Depois pa cialmen e publicada em olume com o
í ulo A qui ec u a No Es ado No o. Uma Lei u a
C í ica po Li os Ho izon e em 2002.
78. V. Ped o Viei a de ALMEIDA – “Raul Lino,
A qui ec o Mode no” in Raul Lino. Exposição
e ospec i a da sua ob a. Lisboa: Fundação
Calous e Gulbenkian, 1970, p. 115-188
32
Exposição o único Pa ilhão em que al elemen o exp essi o e a a ado.
79
Mais a de em es udo da ado de 98 en ei e o ça essa lei u a.
De endo que no conjun o da linguagem a qui ec ónica, é o espaço que em
assumi aqueles ec o es de “ esponsabilidade social” na medida em que
conc e amen e e es e alo es de “uso”.
E se á o espaço ansição, que ainda que não ga an indo o exe cício da
libe dade, o pe mi e e o suge e.
É nes e p eciso pon o que melho se pode á en a em discussão sob e o ema
da “democ acia” na a qui ec u a.
Quando Tzonis ala de uma a qui ec u a “não op essi a” a ní el de “uso”
80
quan o a mim ine i a elmen e eme e pa a a noção de espaço- ansição .
Mas es e espaço- ansição po impo an e que seja não pode unciona
isolado.
Pa a que haja ansição em de se de ini en e quê essa ansição se e i ica.
O espaço- ansição exige pa icula men e um espaço in e no
es u u ado e um espaço ex e no o e e bem de inido.
Po isso in e essa-me ago a analisa es es aspec os em exemplos conhecidos
que de uma manei a ou ou a me pa ecem es a em a se a aliados den o de
pa âme os não o almen e adequados.
79. Ped o Viei a de ALMEIDA – Os Concu sos de
Sag es….
80. Viei a de Almeida p e endia desen ol e es e
pon o, como se pode cons a a pela ano ação
“(ala ga )” que aqui inse ia, eme endo pa a o seu
a igo, publicado em 1965, “O espaço pe dido –
P opos a pa a a sua e alo ização c í ica”, Jo nal de
Le as e A es, nº 174 de 27 /1/65 (p.10-14), nº 177
de 17/2/65 (p.8-9), nº 191 de 26/5/65 (p.8-10) e nº
201 de 4 /8/65 (p.8-10).
33
V EXEMPLOS REFERENCIÁVEIS
Po an o chegados a es e pon o, já cump ida a é ape de escla ecimen os
p é ios sob e algumas ques ões que podíamos conside a no conjun o como
signi ica i as pa a os pon os de is a que p e endíamos ap o unda , e que no
undo es ão da base de oda a p ospecção espei an e a es e abalho, podemos
e e i ago a com maio p o ei o, alguns exemplos conc e os da His ó ia da
A qui ec u a que pa a além da lei u a que azemos a a és da lei u a que
p opomos da nossa A qui ec u a Regional, ago a pelo lado e udi o al ez
si am pa a ilus a e c edibiliza a in e p e ação que gene icamen e
azemos.
E são bem signi ica i os os enganos a que pode conduzi o desconhecimen o
ou a não alo ização das duas poé icas das pa edes delgadas e das pa edes
espessas.
F ank Lloyd W igh
1)- Fala de W igh , é ala conc e amen e de um a qui ec o que a á ios
í ulos se ap esen a como pionei o numa a i mação de uma linguagem de
con empo aneidade em que a noção de espaço é undamen al.
Mas W igh como oi semp e sendo glosado, ap esen a á ias e sucessi as
ca ei as p o issionais que lhe o am possibili adas pela sua longa ida e po
uma in en i idade e c ia i idade ulgu an es.
Re e ido como o melho a qui ec o do século XIX – enquan o pionei o – ou o
melho do século XX – enquan o p o e a – a sua p esença é de e minan e nos
dois séculos.
Mas as suas “ca ei as” ainda que odas de indiscu í el mé i o, ap esen am
mui os ac o es di e gen es mesmo con adi ó ios, que nos pe mi em
escolhe aquelas em que nos sen imos mais ep esen ados e aquelas que mau
g ado a gené ica qualidade de odas, já não eem o condão de nos en usiasma
excessi amen e.
Tenho pa a mim que o melho pe íodo e o mais ca ac e ís ico na ob a de
W igh é o da dob a do século, e que odos os esquemas conhecidos
gene icamen e como “Casas da P ada ia” são o que co espondem à sua mais
au ên ica e ica inspi ação.
Ainda que econhecendo oda a qualidade pa en e em oda a p odução
35
w igh iana, é e dade que g ande pa e dos abalhos a pa i g osso modo da
segunda década do século in e, ap esen am não poucas ezes sinais de e em
sido concebidos quase como desa ios pos os a si mesmo, em unção do que
sen ia se em “ en os de e olução” cons i uindo uma espécie de
demons ação de que ambém e a capaz de aze uma a qui ec u a, que
espondesse mais di ec amen e a ou o ipo de p oblemas que di e en es
a qui ec os es a am a le an a sob e udo na Eu opa, que ele azia po
desdenha , p eocupação que pa ece um an o a i icial e que de alguma
manei a em diminui o li e desen ol imen o da sua linguagem p óp ia.
Reconheço que ixando de alguma manei a o meu in e esse no W igh das
“Casas da P ada ia”, es ou a p i ilegia um W igh das casas sólidas, nascidas
da e a, ex ensas e com ele ados pad ões de habi abilidade.
Mais de alhadamen e es a a iá el que c eio de e minan e na concepção
a qui ec ónica, e pa icula men e signi ica i a em alguns pe íodos his ó icos
sob e udo na ob a de alguns a qui ec os especí icos, acho con enien e
en ende-la em duas e en es complemen a es que po isso penso
undamen ais: a da p i acidade e a da ap op iação.
E nas “casas da P ada ia” podemos encon a uma eno me iqueza ocabula ,
seja na e en e da p i acidade seja na e en e da ap op iação, com um
espaço in e io di e si icado em que a dimensão da p o undidade su ge
undamen al, com o e e suges i a modelação de espaços in e nos, a a és
do sábio con olo dos espaços núcleo, longos e incisi os espaços
complemen a es e bem de inidos e in eg ados espaços ansição.
Faz pa e des a imagem, a noção de uma pode osa poé ica de “pa edes
espessas” que con e em ao odo uma unidade de concepção que anspa ece
na i me mas se ena dignidade que elas pa ecem ansmi i .
Como não é minha p eocupação his o iciza a a qui ec u a no e-ame icana,
o ac o de W igh não se ípico ep esen an e das ca ac e ís icas des a não
em nes e con ex o qualque ele ância.
In e essa-me em W igh sob e udo aquilo em que ele pode se único e
p o undamen e ino ado .
E aqui enho de aze uma e e ência ao Museu Guggenheim que embo a não
sendo di ec o de edo da poé ica de pa edes espessas, só nesse p eciso
uni e so exp essi o az sen ido já que eme e pa a e e ências p imo diais da
a qui ec u a em ge al, pa a as quais a poé ica das pa edes delgadas pa ece
menos ocacionada.
O Museu Guggenheim su ge mesmo como emblemá ico de uma a i ude que
só ejo depois e omada.
Nes e Museu o espaço in e io é en endido como o e dadei o sujei o do
discu so, como já an es W igh o inha ensaiado na loja Mo is e é aqui
impo an e que se de ina como um espaço de di ec a ma ix eminina
enquan o espaço ma e nal, espaço ú e o, no qual W igh eúne ainda ou as
36

e e ências con e gen es como o desenho do lago no á io de en ada que é
81
uma ésica piscis, o que de es o o p óp io W igh sublinha .
E iden e que não é possí el esquece aqui aquelas g a u as upes es
ge almen e conhecidas po “ ec i o mes”, com isso sublinhando a sua
possí el e e ência à a qui ec u a, podem ambém se lidas como suge iu
82
Le oi-Gou han , como ep esen ações do sexo eminino.
Essa ap oximação sublinha po sua ez o que há ou pode ha e de ca ác e
sexual não só em W igh mas mui o p o undamen e na p óp ia na u eza da
a qui ec u a.
Sem me que e ala ga ago a sob e o assun o, sob e o qual e ei de ol a ,
limi o-me apenas a egis a o p oblema, signi ica i o pa a um lei o de
espaços, p oblema que es á ep esen ado em inúme os a qui ec os, podendo
se examinado basicamen e em odos aqueles que oma am o espaço in e io
como o e dadei o p o agonis a da sua a qui ec u a.
Posso gene icamen e – a a és de uma ipologia que nes e pa icula que me
enho pe mi ido es abelece ela i a às manei as de enca a o espaço na
a qui ec u a – de e mina como g upo à pa e os a qui ec os ins au ado es de
espaço, dos quais ce amen e W igh se á um dos maio es ep esen an es,
senão o maio e mais decidido ep esen an e.
Um segundo g upo des a ipologia se ia o mado pelos a qui ec os apenas
o ien ado es de espaço que é omado como ge al e p é-exis en e.
Ve emos como Mies in eg a po in ei o es e segundo g upo que no undo
ainda se inse e o almen e num ou o mais as o esse mui o ala gado, dos
a qui ec os que simplesmen e desconhecem o espaço como p o agonis a da
linguagem exp essi a da a qui ec u a e pa a quem a a qui ec u a se esume a
objec os isolados, conside ados apenas pelas suas qualidades olumé icas.
Mas como se ia na u al não é o almen e ní ida a sepa ação en e g upos já
que a a i ude dos a qui ec os nem semp e é de o al coe ência e a sua ob a
so e equen emen e, adicais ainda que legí imas e oluções.
As mo i ações das di e en es “ca ei as” de W igh , que não pa ece e em
ido in luência semp e posi i a na coe ência eó ica do seu posicionamen o, a
qual pa ece e iden e baixa mui o de qualidade nas suas ob as de 50.
De qualque manei a pa ece-me que com odas as suas ambiguidades que se
lhe possam apon a , nomeadamen e nesse plano eó ico, W igh oi sob e udo
nas p imei as décadas em o no de 1900 um ins au ado de espaços, caminho
po ele desb a ado de manei a ex emamen e b ilhan e.
A incomp eensí el ap oximação que dele se ez à ob a de Mies, oi de alguma
manei a omen ada pelo p óp io W igh em N.Y. que numa lição a alunos em
1952, desen ol e esquemas g á icos que di ec amen e se podem en ende
como de edo es de abo dagem miesiana.
Pa a além da p óp ia ca ac e ização do espaço é signi ica i o, ou é-o pa a
mim que no melho W igh , possa quase semp e en ende -se uma la ga
81. (VER)
82. V. And é LEROI-GOURHAN – As Religiões da
P é-His ó ia. Lisboa: Edições 70, 1985 (1964)
37
83
comp eensão das espessu as enquan o alo exp essi o .
Mies an de Rohe
2)- Cons i ui ao que penso um exemplo ex emo do ipo de lei u as que
conside o gene icamen e desadequadas, o caso da ob a de Mies Van de
Rohe, que embo a já quase que exaus i amen e es udado, no en an o pa ecia-
me me ece uma análise que a es u u asse em pa âme os di e en es dos
habi ualmen e u ilizados, o que não ou ago a seque en a , no apon amen o
de lei u a que aqui me limi o a esboça mui o b e emen e, mas que me
pe manecem po encialmen e como pon os impo an es a abo da num es udo
que lhe osse e ec i amen e dedicado.
Em boa e dade c eio que a sua a qui ec u a e ao con á io de opiniões mui o
di ulgadas não ep esen a qualque domínio espacial consis en e, nem isso
apa en emen e o pa ece e in e essado seque , po p i ilegia uma isão
a qui ec ónica limi adamen e olumé ica. (ala ga ) ob iamen e inculada
ao mo imen o Neo-Plás ico.
Ze i conside a-o “o expoen e máximo da sin axe neo-plás ica” e o Pa ilhão
de Ba celona “uma ob a-p ima des a poé ica”.
Con on ado numa en e is a com es a ap oximação ao neo-plas icismo,
Mies eage com alguma b usquidão espondendo que essa ap oximação “não
84
em nenhum sen ido” .
Pa ece no en an o e de se acei a in ei amen e aquelas duas classi icações de
Ze i.
Mas es a á incluída alí alguma noção de espaço-exp essi o?
Wal e Benjamim az uma obse ação gené ica sob e a qualidade de espaço
desen ol ido na Bauhaus que me pe mi o du ida se se ia seque possí el
aplicá-la à ob a de Mies.
A i ma Benjamim e em-se ali c iado, na Bauhaus, “espaços em que a
85
expe iência e a impossí el” .
86
A obse ação em azão de se .
Mas em Mies p o esso e úl imo Di ec o da Bauhaus, não esquecendo, o que
é equen e, oda a ambiguidade da sua in e enção no desempenho desse
ca go, a noção de espaço moldado que é o que ago a en amos a a , pu a e
simplesmen e não exis ia com as consequências que de aí ad i iam.
Mas não e a só a moldagem exp essi a de um espaço que lhe e a es anha.
E a a p óp ia noção de espaço que ele pa ecia desconhece e azia po
desconhece .
No en an o al ez hou esse em Mies nesse desconhecimen o alguma és ia
de coe ência ainda que in olun á ia, já que es a noção espacial e a ambém
83. (VER)/ ( “a i a pela janela o a as es u u as
a qui ec ónicas depois de ápido consumo como la as
azias <Ado no> ci em Polémicas… pág 521).
84. Con e sas com Mies an de Rohe. Ba celona:
Gus a o Gili, 2006 (1960), pág. 41
85. Jö n ETZOLD – “Hono ing he Dead Fa he ?
The si ua ionis s as hei s o he Bauhaus” in The
Bauhaus Con li s 1919-2009. Con o e sies and
Coun e pa s. Os ilde n: Ha je Can z Ve lag, 2009,
p.154.
86. V. Ado no em elação à Bauhaus
38
o malmen e ecusada pela sin axe neo-plás ica.
Pa a o dize b e emen e, es ou con encido Mies an De Rohe nunca e sido
– po con icção ou ipo de sensibilidade – enquan o a qui ec o um
ins au ado de espaços, mas apenas um mui o alen oso o ien ado de
espaços do senso comum sob e cuja na u eza ele nunca e dadei amen e se
ques ionou.
Ainda que B uno Ze i de enda que Mies enha chegado a alguma noção de
87
espaço po ias p óp ias .
O que en e às ob as since amen e du ido.
Seja dessas alegadas ias pa icula es, seja da conclusão de que nesse
domínio ele i esse chegado osse onde osse.
Suponho no limi e que Mies pode de ac o e p essen ido algumas ezes,
alguns ac o es de espaço no Pa ilhão de Ba celona, a a és da magní ica
colocação da escul u a de Geo g Kolbe que não só ma ca um pólo impo an e
no dinâmico equilíb io plás ico do espelho de água que ema a o pa ilhão,
como unciona ainda como esplêndido e e encial de p o undidade pa a
88
quem se si ua jun o do comp ido banco no ex e io .
E a p o undidade pe manece na a qui ec u a como uma dimensão
undamen al.
Só que Mies consegue aquele a amen o, ugidio ainda que sensí el, an o
quan o eu saiba, apenas no Pa ilhão de Ba celona.
E es e pe manece peça isolada, nunca mais sendo abo dado na ob a de Mies
nada com a coe ência e a o ça daquele Pa ilhão.
Que Mies enha eagido con a composições espaciais mui o elabo adas com
pa icula des aque depois da sua chegada aos E.U, a pa i da qual “os seus
89
espaços se e ão o nado cada ez menos ensos” como p opõe Colin Rowe ,
a e o-me ambém a pensa se uma lei u a com duas cha nei as de engano.
P imei o po e em sido a as as ezes que em oda a sua ob a, Mies abo da
seque a espacialidade da a qui ec u a com alguma consis ência.
Mesmo no caso de Ba celona que é um desses a os casos, as indicações
espaciais demons am se excessi amen e ímidas e isoladas.
A isca ia mesmo a dize casuais.
Segundo po que em consequência em odo o pe cu so de Mies, os espaços
não se ão em qualque momen o menos ou mais ensos.
Se azendo uso de alguma mode ação Paul Rudol seu aluno já em Chicago
90
conside a em en e is a ”limi adas” as suas noções espaciais .
Se ao ala do Seag am Building de 58 Ze i a i ma a que “Quan o ao espaço
91
esse não exis e” ape ece ac escen a que são essas as ca ac e ís icas de odo
o abalho de Mies.
De aí que não possa en ende e em os E.U. de inido qualque cha nei a
pa icula men e signi ica i a.
87. B uno ZEVI – His ó ia da A qui ec u a
Mode na. Lisboa: A cádia, 1973, pág. 487
88. V. A. Von HILDEBRAND – El p oblema de la
o ma en la ob a de a e. Mad id: Viso , 1988. [nes a
ob a Hildb and (p. 15) e lec e sob e a ques ão da
p o undidade. No a do edi o ]
89. Colin ROWE - Manei ismo e A qui ec u a
Mode na. Ba celona: Gus a o Gili, 1999 (1976),
pág. 138
90. Jeanne M. DAVERN – “Con e sa ions wi h Paul
Rudol ” (A chi ec u al Reco d, ol. 170, Ma ch
1982, pág. 90-97) in Paul RUDOLPH – W i ings in
A chi ec u e. New Ha en: Yale School o
A chi ec u e, 2008, pág 108.
91. B uno ZEVI – His ó ia da A qui ec u a…, pág.
575
39
De ini i amen e, como pon o que enho po segu o a i mo que em Mies os
espaços nunca exis i am como ma e ial exp essi o.
Assim conco dando po in ei o com a classi icação de “ob a p ima” a ançada
po Ze i, não posso conside a Mies como e dadei amen e conscien e de
p oblemas espaciais.
Podemos al ez no limi e ala como excepção das duas casas, a Es e s e a
Langue, já do começo da década de in a.
É escla ecedo que Clai e Zimme mann obse e que nes as duas “As casas
92
es ão mais cen adas no seu in e io ”
A ão celeb ada “Casa de Campo em Tijolo” de 1924, “casa sem conclusão
93
nem oco” como especi ica Colin Rowe , esul a apenas como um g a ismo
neo-plás ico, sem e dadei a consis ência, numa daquelas es anhamen e
di e si icadas apos as a que Mies se dedicou nos seus céleb es “Cinco
P ojec os” da década de in e.
E não se á po acaso que Clai e Zimme man alguns anos depois, ao analisa o
Pa ilhão de Ba celona sen e necessidade de usa aspas ao e e i -se à
94
possibilidade de se en a no seu “in e io ” .
Po que de ac o não exis e em Ba celona p op iamen e uma noção de in e io .
E a al a de um espaço in e io exp essi o ambém in alida de imedia o como
imos, qualque iabilidade de um espaço- ansição.
Pa a um pa ilhão de ei a essas ca ac e ís icas pode iam se pe ei amen e
jus i icadas.
O e o e á sido mesmo en a passa a mesma lógica exclusi a de “planos
o ien ado es” de espaço pa a p og amas habi acionais e gene icamen e
adop a o sis ema, como ca ac e izando um es ilo pa icula .
Ze i ainda eme e como in luência neo-plás ica de an Doesbu g a
95
eliminação da noção de “den o” e “ o a” em elação à ob a miesiana , al
96
como ambém o az Colin Rowe que escla ece que Van Doesbu g p opõe
97
esolu amen e ”a abolição do cen o” .
Mas em a qui ec u a ao p ocede a essa eliminação do den o e do o a, bem
como o p ocede à abolição do cen o ou á abolição do espaço, é a p óp ia
98
noção de habi abilidade que se es á de ac o a comp ome e .
99
A “sup ema indi e ença pa a com a habi abilidade” que Caccia i lhe apon a
se á assim o di ec o e lexo dessa a i ude miesiana em elação ao espaço da
a qui ec u a.
De es o bas a e a Casa Tugendha de 28, ou a Casa Fa nswo h de 45 pa a
pe cebe essa obse ação de Caccia i.
Em Mies podemos ce amen e admi i a sua noção de espaço abs ac o e
mensu á el, onde se si uam coisas, is o é, enquan o “spazium” mas de o ma
100
alguma com a complexidade e iqueza de uma noção enquan o “ aum” .
Falando da sua ob a pa ece que es a dis inção heidegge iana em esul a
como pa icula men e escla ecedo a do que p e endo.
92. Clai e ZIMMERMANN – Mies an De Rohe.
Köln: Taschen, 2007, pág. 33. Sublinhado meu.
93. Colin ROWE – Manei ismo…, pág. 53
94. Clai e ZIMMERMAN – Mies an de Rohe...,
pág. 39
95. B uno ZEVI – Lee , escibi …, pág. 9
96.Colin ROWE – Manei ismo…, pág. 53
97. V. aqui o Eisenman no Mon ane
98. O au o inha aqui ano ado “ . Loos W igh –Le
Co busie .” o que pode signi ica a in ensão de dica
alguma a enção às ques ões des es a qui ec os como
exempli ica i a das ideias em jogo. No e-se que
Ped o Viei a de Almeida a ibuía g ande impo ância
à noção de habi abilidade, en endendo que “enquan o
noção eó ico-c í ica de la go espec o de
signi icados, [a noção de habi abilidade] pode e
de e se analisada não só enquan o pa âme o de
alo ação a qui ec ónica, mas mesmo enquan o
ins umen o de po encial e icácia no
desen ol imen o de uma p ojec ação c edí el”
(Ped o Viei a de Almeida, 2009) . Es e oi um ema
impo an e das suas aulas. Em 2009 oi ambém
objec o de uma p opos a pa a um encon o cien í ico,
ap esen ada em 2009 ao Cen o de Es udos A naldo
A aújo e que não hou e ainda opo unidade de
conc e iza . No a do edi o .
99. Massimo CACCIAIRI – “Eupalinos o
A chi ec u e“ (Opposi ions 21, Summe 1980) in
A chi ec u e Theo y since 1968. K. Michael HAYS
(ed.). Camb idge, Massachuse s/ London, England:
The MIT P ess, 2000, pág. 404.
100. Viei a de Almeida ano ou no ex o “( e e i aqui
o Van de Ven, ou o Bullnow. F amp on?)”. V.
Co nelius Van de VEN - El Espacio… e
BOLLNOW – Homb e y Espacio. Ba celona: Labo ,
1959. No a do edi o
40
Também não c eio que nos enhamos pa icula men e de penaliza po
123
pa ece ha e um sen imen o di uso de iden idade en e nós po ugueses .
Se emos nós apenas a e essa isão i ealis a da nossa cul u a?
Não e i ica Vi ó io G ego i ha e na cul u a I aliana uma “ambígua
endência pa a ugi á ealidade do país, seja p ocu ando p ojec a -se num
124
passado de glo iosos sonhos, seja p ojec ando-se num u u o quimé ico”?
E não c eio ambém que p ecisemos de conside a com algum d ama ismo, a
iden idade como obs áculo úl imo, “ ochedo con a o qual se despedaça o
125
desejo de mudança” .
Tenho mesmo alguma di iculdade em concilia a imagem desse ca ác e
di uso e ne oen o da nossa iden idade com a imagem solidamen e compac a
de ochedo, opondo-se a qualque mudança.
Po ou o lado ac edi o, se á abusi o a icula de imedia o a noção de
iden idade com ci cuns anciais discu sos nacionalis as de inspi ação mais ou
menos omân ica, e decaden e.
Isso e á sido o ca ác e da iden idade especi icamen e no século XIX, depois
p olongado po mo i os de odos conhecidos em g ande pa e do século XX.
Mas acabou.
Se no pon o de is a es i o da his ó ia- ac ual al a iculação ainda pode á e
algum sen ido, já no pon o de is a de uma lei u a c í ica me pe mi o du ida .
Além do mais a noção de Iden idade de que se ala a no século XIX e pa e do
século XX é es u u almen e di e en e daquela de que podemos ala hoje e
que o c e que se á mesmo essa p og essi a e olução de signi icado que
in e essa á acompanha , nes e momen o já com ou a u ilidade e ou a
ope acionalidade.
Es ou de es o con encido que desde que num quad o cul u al mais
exigen emen e es u u ado cada ez mais se á di ícil deixa de aze esse
126
acompanhamen o .
É que hoje e quase pa adoxalmen e, a noção de iden idade é cada ez mais
necessá ia.
Que es a nossa iden idade po uguesa es eja semp e “em c ise”, como ainda
127
e e e o au o az-me na u almen e pô um ou o p oblema mais ge al, que é
o de sabe se não é da na u eza da p óp ia iden idade, o es a em cons an e
c ise, is o é se é cul u almen e de ensá el, ú il ou seque possí el abo da a
iden idade como uma noção es abilizada como uma ideia-coisa e não como
um eixe-de-ideias que nos cabe ag ega num p ocesso em pe manen e
ea aliação, semp e à p ocu a dos seus p óp ios limi es numa inin e up a
econs ução in e na.
128
Que o supo que bem ao con á io do que pa ece incomoda o au o , a
iden idade se de ine semp e como c ise iden i á ia.
E c eio que só nes e caso, econhecida a dinâmica es u u an e p óp ia, a
Iden idade deixa á de se uma ideia de manipulação po encialmen e pe igosa,
123. José GIL – Em busca da Iden idade…
124. V. Vi o io GREGOTTI – “La Mé aphysique, le
No ecen o, le Ra ionalisme à l'Aube du Design
I alien” in Les Realismes 1919-1939. Pa is: Cen e
Geo ges Pompidou, 1980, pág. 336. T adução li e
do au o . V. Ka e Nesbi pa a ex os ame icanos.
125. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 20
126. O au o inha ano ado “(VER o esquema de
mode nidades) / (ac escen a aqui a si uação
pa icula na globalização e numa pos -
mode nidade)”. Pa a uma melho comp eensão das
ideias pa a que eme e, ecomendam-se os abalhos
Da Teo ia. Oi o Lições (Po o: ESAP, 2005) e
“Sis emas de Teo ias – Esquemas de Mode nidades”
(Espacio Tempo y Fo ma, nº 18-19. Mad id: UNED,
2005/2006, p. 307-20). No a do edi o .
127. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 58
128. V. José GIL – Em busca da Iden idade…
47

em si mesmo es agnan e na nossa cul u a ou na nossa exis ência pa a passa a
se uma ideia-desa io, com uma ca ga p o ocado amen e p oblemá ica que a
cada momen o ai exigi de nós as nossas espos as.
Não emos de acei a nem o ica pa alisados en e à ideia de iden idade em si
129
mesma nem p ocu a iden i icá-la enquan o “obs áculo”
Tal ez que só nessa al u a possamos ul apassa aquela “ elação i ealis a que
130
man emos connosco mesmos” de que ala Edua do Lou enço
131
Ce o que oi mal u ilizada em passado ecen e e em g ande pa e
esponsá el po c imes que a odos en e gonham sob e udo po que pelos
mesmos ou ou os mo i os – e há semp e p on a uma ca uchei a de mo i os
di e sos que se podem in oca – não deixa am de se epe i a é hoje e em
c escendo, sem que uma consciência colec i a os denuncie e cla amen e os
ep o e.
Mas cla o que isso não é a ibuí el à noção de “iden idade” em si, mas sim ao
conc e o e
pe e so uso que dessa noção se ez se em ei o e – não o esqueçamos –
con inua a aze -se ei e adamen e.
Casa po uguesa
3)- Nes e abalho que ago a ap esen amos, le an a am-se-nos inúme os
p oblemas de índole eó ica que decidimos não a a , po se em de ce a
manei a ma ginais à in es igação p og amada, mas que po ou o lado
con inha mesmo assim e e i ainda que b e emen e, po alguns aspec os
pa icula es.
O es a ado ema da “casa po uguesa” es a á p ecisamen e nes e g upo.
No en an o alguma e e ência em de se lhe aze .
O que no nosso es udo abo dámos colec i amen e oi uma a aliação c í ica
de a gumen os disc e os de a qui ec u a que conside ámos de ec á eis nos
exemplos escolhidos, sem nunca os p ocu a eag upa no sen ido de
encon a qualque o mulá io a qui ec ónico capaz de p omo e qualque
ipo especí ico de habi ação popula .
Cu iosamen e essa possibilidade de maio agilidade c í ica es a a desde logo
p esen e em alguns dos p imei os ex os undado es da ques ão, ex os que
es ão na o igem de oda a a as ada polémica que se de e ia a as a pelas
132
décadas seguin es .
Pa ece no en an o que esse aspec o oi pos e io men e esquecido, ou só
espo adicamen e elemb ado.
Nes e pa icula al ez que um dos mais p uden es e lúcidos con ibu os,
possa e sido já nos p imei os anos do século XX, o de João Ba ei a
suge indo dubi a i amen e embo a, o ha e elemen os a qui ec ónicos que
pa eciam ga an i alguma unidade à habi ação u al no e i ó io po uguês.
Tal ez que osse pa a o “p oblema” a o mulação limi e.
129. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 21
130. V. Edua do LOURENÇO – O Labi in o da
saudade. Lisboa: Dom Quixo e, 1988 (1978), pág.19
131. Ve al ez aqui iden idades na Alemanha nazi.
No a in oduzida pelo au o nes e pon o do ex o.
No a do edi o .
132. Na linha seguin e o au o ano ou “(Aqui o conde
A noso?)”. No a do edi o .
48
Toda a ques ão da casa po uguesa não deixa de su gi hoje como uma
empes ade num copo de água, sob e udo pelo insis en e não escla ecimen o
do que se es a a na ealidade a discu i e a in es iga .
O í ulo da ques ão ep esen a a logo um engano de e minan e.
Engano que oi se oi p olongando ao longo dos a gumen os aduzidos a a o
ou con a, odos eles en ol idos no also e pa ió ico p oblema da e en ual
ealidade da “casa po uguesa”.
Embo a demons ando em mui os casos sensibilidade e a é capacidade
in es igado a, os a gumen os esg imidos acaba am semp e po cai no
133
a olei o da exis ência ou não da mí ica “casa” .
Po ou o lado ambém a ní el o icial, dos pa âme os aqui a ados como a
“espessu a” e o espaço- ansição, sob e udo o p imei o pode e sido
de e minan e pa a de ini g aus de adesão e ejeição no que espei a a
linguagens de a qui ec u a.
São nes e pa icula mui o e elado es alguns pa alelismos que em Po ugal
podemos encon a com a e olução da si uação nomeadamen e em I ália.
Pa icula men e o “No ecen ismo” – es ilo de solenes monumen alidades –
que Ma ga ida Sa a i p omo e num mais ou menos explíci o pac o com o
Es ado Fascis a, que Mussolini em a adop a publicamen e em 1923 e
134
1926 .
Em Po ugal emos de e em con a a in luência de An ónio Fe o, que pa ece
ób io que e desempenha en e nós ao ní el do Es ado No o o papel que
Ma ga ida Sa a i desempenhou em Roma.
E al ez a asado de uma década (?) Fe o que se que con ic o u u is a, mas
135
ce amen e mais adep o dos “Valo es Plás icos” – o que não deixa a de se
con adi ó io no salaza ismo– em de en ende o país e a si uação po uguesa,
pondo en e pa ên esis a acele ação u u is a e adop a um empo congelado
do “No ecen ismo” mais adequado aos igu inos do Es ado No o, só que não
es i o ao ní el da monumen alidade, mas ao ní el de oda a o ganização do
e i ó io.
Po ou o lado ambém no campo especi icamen e a qui ec ónico hou e en e
nós gen e pa a quem a adição joga a de ac o como um alo ines imá el
pa a a a i mação de alo es de mode nidade.
Um alo cul u al decisi o.
Só que esses poucos nunca o am de ac o ou idos, ou apenas ou idos de
manei a dep ecia i a, po que au oma icamen e cono ados a ní el ideológico.
Suponho que das pio es he anças – e emos á ias – que em Po ugal
conse ámos do pe íodo do Es ado No o, e á sido essa ceguei a dico ómica
que nos impediu o lança de uma discussão abe a, não p econcei uada, que
de au o es que de emas.
Au o es de quem se pode ia disco da ce amen e, emas que ine i a elmen e
133. Ano ação do au o : “( na Pos mode nidade.---
Fal a qualque coisa)”. No a do edi o .
134. Ped o Viei a de Almeida indica a de seguida
como e e ências pa a desen ol imen o do ex o: “V.
Abso ção em I ália, do acele ado empo Fu u is a aos
“Valo es Plás icos”, na linguagem do No ecen o
pausada, de exempla con enção. V. A espessu a
como a iá el signi ica i a”. No a do edi o .
135. Aqui o au o inha ano ado “( e )”. No a do
edi o .
49
se pode iam en ende segundo di e en es pe spec i as, mas sem que de
imedia o se en asse me e a odos, au o es e emas em ga e as
classi ica ó ias, po si mesmas logo bloqueado as de qualque análise sé ia.
Pode íamos conside a esses au o es e emas, mui o ou pouco
comp ome idos, mui o ou pouco comp ome edo es e incómodos, mas
p ecisamen e po isso, po odo o g au de comp omisso e incomodidade que
lhes o am a ibuídos, é que ambém oda a abe u a e oda a al a de
inibido es p econcei os se impunham.
Nes a al u a pode no en an o se de ec ado um g upo especí ico que gos a ia
de des aca po me pa ece pode se i pa a uma melho comp eensão de
oda a e olução des e pe íodo e que ep esen a o assumi de um p oblema um
an o especí ico embo a enquad á el no conjun o de emas de que emos
indo a ala .
Esse g upo pa icula ex emamen e eduzido, é o que chamo dos
a qui ec os p é-Pos -Mode nos.
G upo dos a qui ec os p é-Pos -Mode nos
4) Sou po an o ob igado nes e momen o a aze uma e e ência sucin a a um
ema que suponho me ece melho e mais p olongada a enção, o que penso
i a desen ol e nou a opo unidade, ago a apenas deixando no a algumas
e azões e a gumen os in odu ó ios que não p e endem mais que o nece
alguma c edibilidade à hipó ese.
A lógica de conside a em especial um g upo com es a designação, nada em
de a bi á io e de i a na u almen e da noção que an e io men e a ancei de
Pos -Mode nidade, e do que es a noção em implica de in eligen e abe u a
ao diálogo in e -cul u al.
Pa a além de nes e p eciso quad o in e p e a i o eles ap esen a em
ca ac e ís icas de peso a conside a , ambém são igu as que indiscu i el-
men e exe ce am g ande in luência no meio cul u al nacional.
Na ealidade a a-se de um g upo mui o limi ado que em igo consen e
apenas duas pe sonalidades Raúl Lino (1878-1974) – Ca los Ramos (1897-
1969).
Podem alo iza -se um e ou o de manei a di e en e, conco dando ou não
com as ideias de que quise am se in é p e es, mas não se pode du ida da sua
o al since idade, nem do p o undo sulco que signi ica am no nosso
pano ama.
São di e en es os pe cu sos e as manei as pelas quais é possí el conjugá-los
den o da mesma ca ego ia cul u al.
Raúl Lino po o mação co esponde aquilo que se pode ia chama um
es angei ado que sai de Po ugal mui o no o, e só eg essa ao país depois de
comple ados os seus es udos.
50
Mas é essa mesma o mação que o ai inci a a desen ol e uma p á ica
p o issional que exal a os alo es de habi a que encon a ainda exis en es, na
a qui ec u a local, mas em p ocesso de p og essi a deg adação.
De ac o é bem conhecido que o seu pe íodo de o mação se passou no
es angei o, em p imei o luga em Ingla e a e depois na Alemanha.
Reconhecendo embo a o signi icado da p imei a sob e udo na es u u a e
o alecimen o de um sen imen o in e no de dignidade p óp ia – o “sel
espec ” que o p óp io e e e – e da segunda sob e udo na la ga in luência
cul u al exe cida po Alb ech Haup – o que em p incípio é indesmen í el –
enho de endido que no en an o e ao con á io do que mui as ezes é e e ido,
al ez po p imá io psi acismo não excessi amen e c í ico, não e á sido
p op iamen e o ambien e alemão que e á ma cado de ini i amen e Raúl
136
Lino no pon o de is a p o issional mas mui o mais o ambien e aus íaco .
De es o es a in luência aus íaca al ez não mui o analisada, oi mui o
gene alizada em Po ugal, podendo e i ica -se num núme o mui o maio de
a qui ec os e de ob as le adas a cabo.
Mesmo nes e es i o g upo, Lino de ém uma posição algo pa icula , a é pela
p ecisão das suas e e ências.
Po exemplo apon a a como um e o, o ac o de se igno a quan o da
137
a qui ec u a e a de ido “à simples espessu a das suas pa edes” .
E nas suas melho es ob as, como a Casa Mon sal a ou a Casa do Cip es e
es á p esen e essa a i ude que não é só plás ica mas que undamen almen e
ecob e uma es u u a exp essi a e espacial que po sua ez signi ica uma
manei a de habi a .
Pos e io men e o mesmo Lino em abo da á ias ezes o ema, a e endo-
me eu a conside a que es a sensibilidade a alo es de espessu a, e á ido
quase ine i á eis epe cussões em oda a sua posição p o issional, na medida
em que como c eio, de e e con ibuído pa a o seu desen endimen o da
linguagem mode nis a, que decididamen e explo a a uma isão adical de
uma poé ica de pa edes delgadas.
Como caso pa icula men e ele an e, ac edi o mesmo pode ali, nessa sua
sensibilidade à espessu a esidi po exemplo, a explicação pa a aqueles
qua o pe íodos na ob a de Lino, de p og essi a edução de e icácia da
linguagem exp essi a que com algum a e imen o julguei pode de ec a em
1970.
Es a edução co esponde ia assim a uma ce a al a de con icção p óp ia e a
uma assimilação de algum ecle ismo o mal.
Depois do pe íodo de “Fo mação e P opos a” que se p olonga a é aos anos 20
admi ia e en ado Raúl Lino num pe íodo de p imei a edução de
linguagem.
Um segundo pe íodo de edução de exp essi idade p olonga -se-ia po oda a
década de 30 e um e cei o pe íodo inicia -se-ia com a Exposição do Mundo
138
Po uguês em 40 .
136. É pena que ainda não se enha explo ado – pelo
menos que eu saiba não oi ei o – no a qui o e na
co espondência de Alb ech Haup ou mesmo de
Raúl Lino, alguma e e ência mais explíci a a es a
elação que e ia no á eis implicações em Po ugal.
137. Raul LINO – A Nossa Casa. Apon amen os
sob e o bom gôs o na cons ução das casas simples.
Lisboa: A lân ida, 1918, pág. 31
138. Na linha seguin e cons a a: “Em
“Mon sal a ”… (Ca álogo pág. 140) (espessu a pág.
142) (o echa da Po a) Casa u bana)”. A e e ência
ao ca álogo eme e pa a Raul Lino (Lisboa:
Fundação Calous e Gulbenkian, 1970), não se endo
iden i icado pa a que abalho eme e a e e ência à
espessu a. No a do edi o .
51
Posso ago a en a explica que essa edução se e á icado a de e , segundo
c eio, a uma na u al en a i a po ele ei a, no sen ido de in eg a
p og essi amen e no seu discu so uma poé ica de pa edes delgadas, a
impe an e ”skin and bones”, a i ude al ez um pouco inad e ida,
conside ando que es a e a uma poé ica a que es u u almen e e a alheio o seu
p óp io uni e so exp essi o.
Lemb emo-nos ainda daquela sabo osa con e sa no B asil com Lúcio Cos a,
139
que Raul Lino con a na Au i e de Jo nada , con e sa em que aquele lhe e á
obse ado que os eu opeus es a iam a os de uma adição que os op imi ia,
e que le a á Lino a comen a com alguma pacho en a i onia que a ele
pessoalmen e a adição nada pe u ba a, depois ac escen ando em
comen á io pos e io , e pe cebido ali que Lúcio Cos a não que ia seque
“ou i ala de adição”.
Os p incípios po ele de endidos o am gene icamen e mal en endidos,
ob igando-o po mais de uma ez a oma pública dis ância em elação
sob e udo a p ojec os de gen e que al ez ac edi asse es a a segui-lhe os
ensinamen os.
O segundo a qui ec o signi ica i o nes a pe spec i a de pa icula equilíb io
en e consciência c í ica local e in luência c í ica in e nacional pe ila-se
Ca los Ramos, que de es o como a qui ec o ainda abalhou nos seus
p imei os anos de p o issional no a elie de Lino.
No seu caso, a si uação se compa ada com a de Lino ap esen a-se, como que
in e ida.
Ao con á io de Lino, Ramos é um a qui ec o de o mação nacional.
No en an o in e p e ada com g ande in eligência c í ica e se iedade cul u al,
es a o mação pe mi e-lhe ab i la gamen e o in e esse pa a p á icas
p o issionais desen ol idas nou as pa agens.
Ainda que os seus pa icula es pe cu sos sejam bem dis in os, ambos Lino e
Ramos compa ilham de uma posição p o issional pa icula que se di ia
ambígua, e que sob e udo ao empo não g anjea a mui as solida iedades.
Es a “ambiguidade” em a e com uma mi igada eacção de ambos em
elação ao mo imen o mode nis a, eacção mais emo i a e polémica da pa e
de Raul Lino, mais mode ada e analí ica da pa e de Ramos, o que e a
pe ei amen e jus i icado pelas di e en es pe sonalidades, pela di e ença de
ca gos desempenhados, pela p óp ia di e ença de ge ações que
ep esen a am.
Como se ia ine i á el no nosso meio, em ambos o am “de ec ados”
alegados indícios de um espí i o algo complacen e, senão mesmo pu as
cedências em elação ao pode polí ico, acusações que pessoalmen e ejei o
na o alidade, mas sob e as quais me não in e essa desen ol e quaisque
a gumen os, po en ende que al nes e momen o, não ale a pena.
.139. V. Raul LINO – Au i e de Jo nada. Lisboa: Ed.
De Valen im de Ca alho, 1937, pág. 95
52

Seja como o em Po ugal Ca los Ramos e á sido além de Raul Lino, das
poucas pessoas a en ende a Mode nidade na sua po encial complexidade
cul u al de loosianamen e se exigi “da sua his ó ia, da sua adição”, como
condição necessá ia, e de e ei o es o ços – de ce o nem odos po igual
adequados nem igualmen e e icazes – pa a o exp essa em em e mos
a qui ec ónicos e pedagógicos e po isso po essa mesma exigência, a
desen ende -se com a obs inada e blocada nega i idade das posições
excessi amen e simplis as e adicais, ainda que bem in encionadas que se lhe
an epunham.
Com uma esponsabilidade sob e udo pedagógica-ins i ucional, p imei o
como p o esso e depois como Di ec o da Escola de Belas A es do Po o,
Ramos e e de se a i ma num meio polí ico ad e so, o que não poucas ezes
o e á ob igado a e ea c í icas e a en a compa ibilidades e consensos que
sabia a sua esponsabilidade não pode ejei a .
É po ou o lado conhecida a sua pales a c eio que de 1933 na Madei a na
qual ele p opunha uma linguagem acen uadamen e mode na pa a p og amas
de edi ícios públicos, mas ese ando uma linguagem mais popula men e
acessí el em p og amas habi acionais de bai os económicos, o que
sob e udo e i icando essas opções na sua ob a cons uída, deixa pe cebe a
consciência que inha da necessidade não de uma denegação dos p incípios
mode nis as, mas de uma conside á el ma gem de maleabilização e
en iquecimen o na sua aplicação conc e a.
Não po acaso e e indo mais a de B asília e ainda que a conside e uma “
lição eno me”, não deixa de comen a e elado amen e que há aspec os de
ida de elação que não se ci cunsc e em a esquemas uncionais,
ac escen ando que a ida humana nas suas exp essões mais sub is exige uma
au onomia e uma libe dade que os planos não de em impedi .
Es as a i udes de alguma manei a explicam o seu discu so em 1947 na
inaugu ação da ODAM em que ele e e e ha e aquilo a que chama a
“ge ação do comp omisso” na qual se conside a in eg ado, elici ando a no a
ge ação, po nela já se em possí eis leques mais abe os de escolhas mais
adicais em que a a enção c í ica ao local, e a a enção c í ica ao in e nacional
pudesse se caldeado com meno es es ições impos as pelo meio.
Po an o não podemos en ende es a obse ação como uma espécie de mea-
culpa de ge ação.
Pelo con á io ela pe mi e pe cebe quan o pa a Ramos a de inição de uma
posição p o issional co ec a inha de co esponde a um lúcido e dinâmico
diálogo en e aquilo que e am os p incípios de assumidas posições
in e nacionais e uma consis en e a enção a alo es locais, o que o ma
alguma co espondia à lei u a da gene alidade dos jo ens en usias as
ade en es da no a linguagem.
Na sua apa en e modés ia, Ramos es a a a e bas an e mais longe.
53
E em 1933 como epíg a e dum ex o seu sob e a qui ec u a inha ci ado uma
ase que pa ece esumi odo um p og ama de uma in enção de um
esponsá el In e nacionalismo C í ico: ”Péné a ion in e na ionale,
In e p é a ion na ionale, cés ou le sec e de l´ha monie du monde de
demain”.
É e iden e que Ramos não c iou a ase, apenas a ci a, mas en ende-la como
aplicá el ao uni e so da A qui ec u a ep esen a uma es u u a c í ica mui o
pa a além do espí i o co en e.
Se a is o jun a mos a sua á ias ezes decla ada a enção às exp essões locais,
140
emos o mado o caldo de cul u a de uma e dadei a Pos -Mode nidade .
É e iden e que pa a ambos Raúl Lino e Ca los Ramos, aquela complexidade
cul u al que Loos e e ia, – mais p essen ida que p op iamen e eo isada –
inha ecusa em absolu o aquela alsa dico omia ão in ocada na época en e
Mode nidade-T adição.
De es o nem a “Mode nidade” que a ambos impo a a se de inia nos
pa âme os en ão co en es, nem a “T adição” que ambos e e iam, inha
osse o que osse a e – se ia mesmo o opos o – daquela ou a “ adição” que
não se ap esen a a senão como mis i icação, desbo ado e au o complacen e
olclo e.
Pa a eles “Mode nidade” e “T adição” não cons i uíam de odo en idades
dico ómicas e é
conc e amen e po es as azões que se o na suges i o jun a es es dois nomes
como con igu ando um g upo dos a qui ec os com consciência de uma
pos -Mode nidade, mas que po mé i o p óp io e no meio de ge al
incomp eensão decidi am a i ma-lo mui o an es de meados do século XX.
Po in eg idade cul u al, po “sel espec ”.
De aqui o pode em se designados pelo eba ba i o nome de a qui ec os p é-
Pos -Mode nos.
Ou os Exemplos Po ugueses
5) Pa a os a qui ec os de inculação mode nis a o ema das pa edes espessas é
quase semp e o almen e desconhecido, po meno consciência c í ica, de
es o assumidamen e en endida como p o a de idelidade e mili ância
democ á ica e angua dis a.
No en an o con a iamen e ao que se pode ia al ez espe a , exis em em
elação aos dois pa âme os que decidimos es uda á ios casos conc e os
abo dá eis em Po ugal, dos quais alguns a é al amen e quali icados.
Ce o que não excessi amen e en endidos enquan o al, o que a é se
comp eende dada a gené ica obediência dos a qui ec os aos códigos
mode nis as e dado que esses códigos o am usados em Po ugal como
a gumen os de esis ência con a o Es ado No o.
140. Podiamos p e ende inclui nes e g upo, um
Keil do Ama al endo em a enção a sua lei u a da
mode na a qui ec u a Holandesa. Só que Keil me
pa ece menos coe en e e sob e udo nunca endo
e dadei amen e exp esso como es e equilíb io se
es abelece ia.
54
E isso al ez a é jus i ique, que a sua abo dagem nunca seja o almen e
on al, e se cub a de algum p uden e expe imen alismo.
Mas es e ac o em mesmo con e i ainda maio impo ância a es es casos, já
que neles se e ela uma sensibilidade espon ânea ao impac o exp essi o de
uma poé ica de pa edes espessas o que os le ou embo a man endo uma
ó mula cons u i a de pa edes delgadas, a desen ol e uma lógica
exp essi a que às pa edes espessas inequi ocamen e se liga a.
Des es casos suponho pode apon a a Ig eja de Águas de Nuno Teo ónio
Pe ei a, como o p imei o ensaio conscien e nessa di ecção.
A p imei a no ícia c í ica sob e es a Ig eja, de o-a a um suges i o a igo de
141
Nuno Po as publicado na e is a A qui ec u a .
Nesse a igo Po as chamou a a enção pa a o con ole de luz na u al na
“ osácea” do undo do pequeno emplo, no que aquela ob a mos a a se
ancamen e ino ado a en e nós.
Mais a de pude isi á-la e ap ecia-la em de alhe.
Hoje conside o-a como de e e ência ob iga ó ia numa “his ó ia c í ica” da
A qui ec u a Mode na em Po ugal.
Ob a de ju en ude (os p imei os desenhos da am de 48) é gene icamen e no
a amen o da luz que pa ece su gi como de mais madu a e suges i a
linguagem.
Mas se analisa mos com a enção podemos comp eende que essa modelação
de luz esul a da abso ção de uma poé ica de pa edes espessas ali não
abo dada di ec amen e mas en endida com i uosismo a a és do a amen o
dado ao ec o also.
É al ez ainda ligei amen e hesi an e nessa ma cação
O que numa ob a que demons a a se pionei a, é pe ei amen e na u al.
De es o mais a de aqueles apon amen os exp essi os eem conc e iza -se
com maio solidez no abalho de Teo ónio Pe ei a, em p og amas de
habi ação colec i a que em p incípio se di ia po p og ama esis i em à
sedução daquela especí ica poé ica de pa edes espessas.
Suponho no en an o que essa a i ude em impo ância decisi a.
Es ou con encido de que é p ecisamen e a a és da en a i a de omen a nos
ogos colec i os co en es o ipo de p oblemas e complexi icação do habi a
que se di iam ípicos do ogo isolado, que se dá um g ande en iquecimen o na
concepção a qui ec ónica e u banís ica, en iquecimen o que se desenha com
maio de e minação a pa i da segunda me ade do século XX.
Po que es a de e minação exigia a almen e a en a i a de isola e analisa
com oda a lucidez os p oblemas da qualidade do habi a , pe cebendo-os com
objec i idade c í ica.
Há nes e aspec o uma espécie de in o mação c uzada de expe iências de que
odos bene icia am.
De aí que a ei e ada expe iência de p og amas de habi ação colec i a enha
141. V. Nuno PORTAS – “Dois No os Edi ícios
Li ú gicos em Po ugal", A qui ec u a, nº 60,
A qui ec u a Mode na Religiosa em Po ugal,
Se emb o de 1957.
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sido ex emamen e signi ica i o.
E nes e es o ço em de se des aca como abalho em absolu o de e minan e
no sec o , as in es igações de Nuno Po as le adas a cabo logo no início da
década de 60.
Se é cla o que a habi ação isolada pe mi e ou o ipo de explo ações em
e mos de e inamen os de linguagem e apu amen o de con eúdos é de ac o
na habi ação colec i a de ipo social que os p oblemas su gem como mais
e iden es e a exigi em soluções mais in eg adas e con idas.
E nesse ângulo a impo ância gené ica dos Bai os dos Oli ais.
E nos Oli ais Nuno Teo ónio Pe ei a sen iu a necessidade de usa de uma
poé ica de pa edes espessas, adop ando-a nas pa edes ex e io es de o ma
ainda que localizada, mas undamen al na o ganização do ogo.
Com e ei o a pequena janela que na o ganização dos á ios ogos, em
de e mina a zona de es a , ganha uma espessu a eal na modelação da pa ede
jun o à abe u a, o que o ien a a is as pa a o ex e io e de e mina os alo es
de habi abilidade a espei a ao con ola a iluminação in e io .
Ac esce que a sua o ma e disposição pa icula es dão a pe cebe da
in encionalidade do seu agenciamen o e de que ali não se a a de uma
e dadei a abe u a como as ou as, apenas que de meno amanho, mas que
com aquela abe u a se p e ende e o ça exp essi amen e a noção de
“massa” mu á ia a é pelo ac o da abe u a se cons i ui como um e dadei o
“bu aco” na pa ede.
O conjun o das Casas de Ma osinhos de Ál a o Siza dos inais da década
seguin e cons i ui o segundo exemplo e e i .
T a a-se ambém de uma ob a de ju en ude – Siza e a ainda es udan e – que
e ela não an o um absolu o domínio no a amen o do ema, mas sob e udo
alguma pe plexidade pe an e o mesmo, ainda que esol ido de o ma
b ilhan e.
Tudo conco e, pa a con e i a Ma osinhos uma maio cla idade pa a uma
análise.
Nes as exis em sinais de uma ecusa de uma a qui ec u a maciça, no que se
cons i ui como uma e e ência às p eocupações que de o ma enganada ou
não, são p eocupações dos a qui ec os mode nis as.
Tomo como exemplo apenas uma das casas, a é po que me pa ece se aquela
em que é mais e iden e o agenciamen o dos elemen os que me in e essa
ca ac e iza .
Desde a solução da cobe u a que é esol ida com a opção de nunca o ma
ângulos sólidos, a é aos alçados que acusam uma di e sidade ní ida de
a amen o, sendo o alçado p incipal de edo da seca g amá ica “sachlich”
p o enien e de G opius, e o alçado la e al de in o mação plás ica
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Ce o que aqui os a qui ec os es a am con encidos de que se limi a am a
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epe i ensinamen os que nos chega am de o a e nunca se discu iam .
O exe cício da p o issão passa a um pouco po uma espécie de gue ilha
ideológica e exp essi a, – que e a eiculada ainda que sublimina men e,
mesmo na ap endizagem escola – na qual a é no pon ual endu ecimen o de
a i udes de pa e a pa e, não se admi ia com acilidade o ap o undamen o do
ipo de análise p a icada que en e an o udo pa ecia impo .
Tal ez es a seja uma lei u a que não seja gene icamen e bem acolhida mas
pa ece-me que mui os a qui ec os se habi ua am a esol e os p oblemas em
esquemas de “manha” p o issional, a é po que es a am habi uados a esse
jogo, ainda que ligei amen e deg adado a a és da p á ica longamen e
man ida de ealização de uma plan a a que aziam co esponde alçados
possí eis e à escolha do clien e: es ilo mode no ou es ilo adicional.
Quando em si uação u bana, se o na a mais complexa a compa ibilização,
da linguagem a qui ec ónica e in enções do p omo o , sob e udo quando es e
e a o Es ado, esol iam-se as con adições pessoais ou p og amá icas usando
uma exp essão compósi a e inde inida que po um lado po legí imas azões
de a i ude o mal, lógica cons u i a, economia e es abilidade, op a a po um
sis ema de “pa edes delgadas”, o que da a meia sa is ação aos a qui ec os, a
que depois se ac escen a am pesadas moldu ações de ped a nas achadas a
en ol e as abe u as, - janelas e sob e udo en adas ex e io es – que
con e iam aos edi ícios uma solidez o mal, uma exp essão de poé ica de
“pa edes espessas”, que embo a só apa en e, pa ecia pode sa is aze ainda
que ambém incomple amen e, as não mais que “adi inhadas” in enções
go e namen ais.
O que de aqui esul a a e a quase de ce eza uma solução híb ida sem
qualidade, em que os a qui ec os pode iam jus i ica os aspec os nega i os
dos seus p ojec os a ibuindo pelo menos pa e das esponsabilidades a
di ec i as o iciais, o que não que dize que isso co espondesse
necessa iamen e a uma delibe ada desculpa p o issional “es a apada”.
Cla o que o e á sido algumas ezes mas não o oi semp e.
Po ou o lado es a hipó ese az comp eende os on ões e moldu as de
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janelas como não só deco a i as .
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No 1º Cong esso Nacional dos A qui ec os em 48 Jo ge Segu ado ez a
ap esen ação da sua ideia de “aposen amen o”, que pa a quem hoje lê as
Ac as pode su gi não mais do que uma no a designação que Segu ado
adop a em ez de apa amen o.
C eio que no p óp io Cong esso a sua p opos a oi ambém lida um pouco
dessa manei a.
De ac o é ágil o desen ol imen o que Segu ado en ão az do ema e não
ajuda em nada a ou a in e p e ação mais consis en e.
157. Seguia-se a indicação: “( . N. Po as “aqui
como la o a”… “Le Co busie no Colin Rowe)”.
No a do edi o .
158. O au o ano a a aqui: “( . aqui o e o do Po as:
“emb ulho de papel de his ó ia”)”. No a do edi o .
159. Jo ge SEGURADO – “A Solução Ve ical na
Habi ação Colec i a e os Aposen amen os” in 1º
Cong esso Nacional de A qui ec u a, Maio-Junho de
1948. Rela ó io da Comissão Execu i a. Teses,
Conclusões e Vo os do Cong esso. Lisboa:
Sindi aca o Nacional dos A qui ec os, 1948, pág.
229-35.
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Alegadamen e e á sido po acaso que o e mo e á sido encon ado no
Palmei im de Ingla e a.
Po acaso ou não, o pode e oca i o conc e o do e mo “aposen amen o” é
bem mais la go que o e mo “apa amen o”.
O segundo – o “apa amen o”— limi a-se a suge i conside ações
quan i a i as e geomé icas, di -se-iam hoje economicis as na o ganização
in e na do ogo e na sua a iculação ex e na no ag upamen o dos ogos,
podendo mesmo de aí i a em-se como o ez Le Co busie nas Uni és, ób ias
consequências de ipo sociológico, ade en e a uma poé ica de “pa edes
delgadas”.
O p imei o – o “aposen amen o” – pa ece consag a qualque coisa como
c i é ios quali a i os na p óp ia es u u ação in e na do ogo, numa
pe spec i a de ipo an opológico mais ade en e a uma, poé ica de “pa edes
espessas”.
Sem que e aze des e um dado absolu o, pode ia en ão a ança como
hipó ese de abalho, hipó ese que numa his ó ia da a qui ec u a mode nis a
em Po ugal e ia necessa iamen e de e em conside ação, de que no
pa icula p og ama da habi ação económica, o abalho dos a qui ec os
p o issionalmen e mais conscien es e esponsá eis se aduzia no p ojec o,
em da um con eúdo e nologicamen e signi ica i o, como se se a asse de
uma poé ica de “pa edes espessas”, quando na ealidade po á ias azões que
a é os ul apassa am, inham de abalha e ec i amen e in eg ados numa
160
g amá ica de edo a de uma poé ica de “pa edes delgadas” .
Pon o de si uação
9) A as ados p econcei os maio es e undamen ados quan o possí el os
p incípios que nos in o ma am, oi já possí el en a inicia o abalho de
campo do “Inqué i o” com alguma anspa ência c í ica.
Assim pa ece na u al – embo a ambém um pouco p o oca i o – o en ende
como quali icado objec o de es udo, o ma e ial ecolhido no “Inqué i o do
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Sindica o” que de es o nunca e á chegado a se es udado como me ecia .
Is o é c i icamen e.
E es a si uação de ausência de e lexão c í ica a é pode á e indo a au o iza
a epe ição de e os de mé odo, ago a já sem qualque jus i icação, em
inconsequen es abo dagens como as que se e i ica am em casos
semelhan es nou as pa celas do e i ó io nacional.
Se podem exis i de ac o algumas e icências à lei u a que naquela época oi
possí el aze do “Inqué i o” isso não em signi ica que o mesmo não
ep esen e na ealidade uma con ibuição aliosíssima pa a um melho
conhecimen o de um Po ugal que es a a social e cul u almen e a desa-
pa ece .
160. Viei a de Almeida p e endia aumen a es e
pon o em á ios aspec os que egis a a nas linhas
seguin es: “(An ónio Augus o Aguia ) Po uguês
Sua e? (Mungu usa?) / (Mas ambém Al alade e
en adas de p édios) (Viana de Lima “sola dos
empos mode nos”) (Honó io de Lima V. ca álogo) /
(A espessu a e a habi abilidade)”
161. Há mesmo assim abalhos que se deb uçam
sob e o Inqué i o, mas analisando-o sob e udo nos
aspec os ac uais da sua ealização. Temo no en an o
que inclusi amen e nesses aspec os não se e elem
excessi amen e iá eis, com alguma libe alidade
acei ando es emunhos e p o as documen ais cuja
c edibilidade c í ica es á longe de se i ecusá el.
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E emos de alo iza o ac o de que al ez no úl imo momen o em que al
ainda e a possí el, a a és de um pequeno g upo de a qui ec os se i essem
egis ado p eciosas imagens, na maio ia de g ande sensibilidade, de alguns
magní icos exemplos de a qui ec u a espon ânea, e nácula.
Assim nes e momen o não se a a em elação ao “Inqué i o” do es abelece
de uma c í ica in e na a en a pa icula men e ao que nele pa eça mais ou
menos coe en e na sua elabo ação ou nas suas conclusões, nem de uma c í ica
ex e na sob e udo comp ome ida com a análise e in e p e ação das condições
cul u ais e polí icas da sua ealização e ec i a.
As duas e en es es ão p esen es no abalho mas apenas quan o bas e pa a
delas pode e i a algumas conclusões ge ais de índole c í ica.
Esse é o objec i o.
Te ei en e an o de escla ece que es a posição pa a mim em nada diminui as
obse ações que enho ei o ao “Inqué i o”, já que nenhum dos abalhos que
eu conheça e que se lhe e i a as eliminou cabalmen e, signi ica apenas que as
não ou e oma ago a.
Repi o po an o que ao di igi um segundo olha àquele ace o, não es amos
de manei a nenhuma en a es abelece qualque plano de ap eciação di ec a
ao “Inqué i o” em si mas mui o delibe adamen e a da como que
con inuidade c í ica a um abalho, de que ele p óp io a inal cons i ui um dos
p imei os deg aus.
Ainda que o “Inqué i o” i esse como objec i o exp esso, ma ca i me
posição sob e uma alegada in enção di igis a do Es ado, de au o i a iamen e
impo uma a qui ec u a adicional de aiz nacionalis a.
O que é discu í el.
Ha e ia de ac o po pa e do Es ado No o a in enção de o mula uma
a qui ec u a com aquelas ca ac e ís icas?
Sem que e abo da de no o pa a não des ia do assun o p incipal des e
es udo, es e p eciso ema polémico já ão la gamen e discu ido embo a ainda
ão la gamen e con uso, podemos em odo o caso du ida que osse pelo
menos assim cla a aquela in enção, ão simplis icamen e exp essa, pa a além
de ou os aspec os igualmen e pe inen es que se impunha analisa , o que
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nou as al u as en ámos conc e iza .
Seja como o , a con icção absolu a sob e as e en uais in enções do Go e no
e -se-á aduzido no “Inqué i o” e isso e dadei amen e impo a, numa sé ia
limi ação au o-impos a po pa e dos seus au o es, mesmo que po hipó ese
ex ema ainda que me amen e académica, se possa admi i e ha ido o es
azões que a jus i icassem.
Esse ac o pode á de ac o e eduzido à pa ida não só os limi es do e i ó io
em es udo mas mesmo o a capacidade de p oblema ização e in e ogação que
esses e i ó ios me eciam.
162. Viei a de Almeida inha nes e pon o ano ado a
necessidade de “ ol a aqui a e i ica a si uação
plu al na Alemanha Goebels Rosenbe g Da é. E em
I ália Pin u a Me a ísica, Valo es Plás icos,
No ecen ismo e a Ma ga ida Sa a i”. Reco de-se
que à da a da sua mo e, o au o inha iniciado uma
in es igação sob e An ónio Fe o e Ma ga ida
Sa a i, que cons i uía ambém o ema da bolsa de
pós-dou o amen o que nessa da a ecebeu da FCT.
No a do edi o
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E iden emen e que embo a nos enhamos se ido como ma e ial-base do
espólio do Inqué i o, es e ai pe manece in ocado independen emen e dos
esul ados a que o nosso abalho possa e chegado.
Mesmo em ace de hipo é icos esul ados inconclusi os no nosso abalho
isso em nada pode ia a ec a o Inqué i o em si.
De qualque manei a es e es udo que ago a desen ol emos pode a é se
en endido se assim se quise , como uma homenagem que embo a a dia se
p es a ao “Inqué i o” aos seus p omo o es e agen es.
Também cabe nele essa in enção.
Olhando ago a pa a ás e endo a dimensão do esc i o sin o que es e ex o
que apenas p e endia de alguma manei a alida um p ojec o de in es igação
e assim da espos a a c í icas jus amen e ei as, acabou po ganha uma
dimensão que de início não es a a minimamen e nas in enções do abalho.
Final I PARTE
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CEAA Edições Casei as 17 I
As Edições Casei as, publicadas pelo Cen o de Es udos A naldo
A aújo da ESAP, p e endem di ulga em pequenos cade nos,
es udos académicos sujei os a e isão po pa es (pee e iew),
elabo ados no seu âmbi o de in es igação e in e esses.
O econhecimen o de oda a impo ância à espessu a enquan o
ins umen o de uma exp essi idade especial ai pe mi i
econhece seguidamen e aquilo a que podemos chama uma
poé ica de pa edes delgadas e uma poé ica de pa edes espessas.
A espessu a é, po an o, o p imei o “pa âme o em su dina” de que
a a es e abalho.
O segundo “pa âme o em su dina” conside ado nes a
in es igação é uma qualidade especí ica de espaço que podemos
in es i de esponsabilidades pa icula es seja no campo
exp essi o seja no campo das p eocupações sociais.
Conc e amen e a a-se do espaço- ansição.
A e lexão sob e as implicações espaciais des es dois pa âme os é
seguida da análise de exemplos e e ência eis in e nacionais e da
a qui ec u a po uguesa, numa p opos a de elei u a c í ica que
em demons a a impo ância da espessu a e do espaço-
ansição enquan o alo es exp essi os da a qui ec u a.