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DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA. LEITURA CRÍTICA DO INQUÉRITO À ARQUITECTURA REGIONAL. Caderno 2

ALMEIDA, Pedro Vieira de

Abstract

O reconhecimento de toda a importância à espessura enquanto instrumento de uma expressividade especial vai permitir reconhecer seguidamente aquilo a que podemos chamar uma poética de paredes delgadas e uma poética de paredes espessas. A espessura é, portanto, o primeiro “parâmetro em surdina” de que trata este trabalho. O segundo “parâmetro em surdina” considerado nesta investigação é uma qualidade específica de espaço que podemos investir de responsabilidades particulares seja no campo expressivo seja no campo das preocupações sociais. Concretamente trata-se do espaço-transição. A reflexão sobre as implicações espaciais destes dois parâmetos é seguida da análise de exemplos referênciaveis internacionais e da arquitectura portuguesa, numa proposta de releitura crítica que vem demonstrar a importância da espessura e do espaço-transição enquanto valores expressivos da arquitectura.

Full text

Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA Ped o Viei a de Almeida CADERNO 2 Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a egional Ped o Viei a de Almeida DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA CADERNO 2 Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a egional Publicação sujei a a pee e iew Edições Casei as / 17 Tí ulo: DOIS PARÂMETROS DE ARQUITECTURA POSTOS EM SURDINA. Lei u a c í ica do Inqué i o à a qui ec u a egional. CADERNO 2 Au o : Ped o Viei a de Almeida © Ped o Viei a de Almeida, CESAP/CEAA, 2011 A anjo g á ico: Jo ge Cunha Pimen el Composição: Joana Cou o Edição: Cen o de Es udos A naldo A aújo da CESAP/ESAP P op iedade: Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o R. do In an e D. Hen ique, 131 4050-298 PORTO, PORTUGAL Tele : +351 223 392 100/40 Fax: +351 223 392 101 Imp essão e acabamen o: LITOPORTO A es G á icas Lda 1ª edição, Po o, Junho de 2013 Ti agem: 500 exempla es ISBN: 978-972-8784-45-4 Depósi o Legal: Es e li o oi ealizado no âmbi o do p ojec o A "A qui ec u a Popula em Po ugal". Uma Lei u a C í ica endo enquan o al sido inanciado po undos FEDER a a és do P og ama Ope acional Fac o es de Compe i i idade – COMPETE (FCOMP-01-0124- FEDER-008832) e po Fundos Nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/AUR- AQI/099063/2008). Cen o de Es udos A naldo A aújo Escola Supe io A ís ica do Po o La go de S. Domingos, 80 4050-545 PORTO PORTUGAL Tele .: 223392130 / Fax.: 223392139 e-mail: [email p o ec ed] www.ceaa.p A equipa do p ojec o A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a C í ica, que deco e en e 1 de Ab il de 2010 e 31 de Ma ço de 2013, com p olongamen o a é 30 de Junho de 2013, é cons i uída po Ped o Viei a de Almeida (in es igado esponsá el), Alexand a Ca doso, Joana Cunha Leal e Ma ia Helena Maia e em como consul o es Jose ina Gonzalez Cube o, Ma iann Simon e Miguel Angel de la Iglésia. O p ojec o é inanciado po undos FEDER a a és do P og ama Ope acional Fac o es de Compe i i idade – COMPETE (FCOMP-01-0124- FEDER-008832) e po Fundos Nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (PTDC/AUR-AQI/099063/2008). O ex o da p esen e publicação oi edi ado po Ma ia Helena Maia. Es e é o segundo dos 4 cade nos em que escolhemos publica os esul ados do p ojec o A “A qui ec u a Popula em Po ugal”. Uma Lei u a C í ica. Os dois p imei os, cons i uem a I Pa e des e abalho, que Ped o Viei a de Almeida quis publica nas Edições Casei as do CEAA, po aduzi em o malmen e aquilo de que se a a: a ap esen ação do esul ado de uma in es igação que nele não se ence a. Isso ob igou à di isão do ex o em dois olumes – o o ma o da colecção não pe mi e publica acima de 80 páginas – o que explica que as 3 pa es em que se o ganizam as conclusões enham esul ado em 4 olumes. Qua o olumes mais um, pa a se mos igo osos, po que a es es se jun a um ex o p é io na sua edacção, mas undamen al pa a a comp eensão da p opos a de Ped o Viei a de Almeida da espessu a como pa âme o exp essi o da a qui ec u a. Re i o-me à A Noção de Espessu a na Linguagem A qui ec ónica, publicado nes a mesma colecção. Os Cade nos 3 e 4, embo a com alguns pequenos exce os de Viei a de Almeida são já da au o ia da equipa, Alexand a Ca doso, Joana Cunha Leal e eu p óp ia, que neles p ocu amos da con a da II e III pa es do abalho ealizado. Do conjun o dos olumes publicados, o Cade no 2 é indiscu i elmen e o mais p oblemá ico. Coube-me edi a es e ex o de Ped o Viei a de Almeida. Ao con á io do que semp e acon eceu, não se a ou de comple a e e ências bibliog á icas e e e a sua e são inal, com a coni ência e a pa icipação do au o . T a ou-se de decidi como publica um ex o que a mo e impediu Viei a de Almeida de e mina . Com mui as dú idas, que aqui assumo, acabei po decidi deixa que o lei o se con on asse com o ex o al como o Ped o o deixou, p ocu ando sob e ele in e i apenas o indispensá el. Assim, às no as do au o soma am-se inúme as no as do edi o , em que se p ocu ou egis a as ano ações de abalho in oduzidas pelo au o pa a desen ol imen o u u o, sem que a sua p esença no co po do ex o complicassem a lei u a co ida do mesmo. Também en endi se ú il jun a em algumas no as, in o mação p o enien e de NOTA INTRODUTÓRIA ou os abalhos de Ped o Viei a de Almeida que me pa eceu pe inen e pa a uma melho comp eensão do ex o incomple o. As e e ências bibliog á icas o am comple adas como semp e o am e po an o sem que isso me pa ecesse me ece e e ência especial, excep o nos casos em que se me le an a am dú idas. Nos casos em que não encon ei a e e ência, op ei po publica a ano ação do au o , al como es e a deixou. Também hou e que esol e algumas disc epâncias en e o índice e os sub í ulos do ex o, bem como a epe ição de pa e do ex o. Es as si uações ão assinaladas caso a caso. Um a amen o u u o da sua as a ob a, pode á i a pe mi i uma eedição mais comple a. Es a oi a que me oi possí el p oduzi nes e momen o. Espe o que seja me ecedo a da qualidade do abalho do Ped o. Po que esse é insubs i uí el. Sen imos mui o a al a dele. Ma ia Helena Maia 15 “ca ác e ” que se lhe sob epõe e de ine a “a mos e a” dessa g elha posicional. Mas is o não de e mina logo uma a al inde e minação c í ica? Não c eio naquela sequência e -se dado qualque espos a ao ema em discussão, mas apenas e aumen ado os ac o es de inde inição. Po um lado acei ando po um momen o a seca de inição de espaço de Schulz (espaço=g elha idimensional) em algum sen ido assegu a que o concei o de “ca ác e ”, ou de “a mos e a” é mais ge al ou menos ge al que o concei o de “o ganização idimensional”? É que são uni e sos de di e en e na u eza e po isso não di ec amen e compa á eis en e si. De endo que o espaço da a qui ec u a p ecisa em absolu o de hipó eses de abalho que o en em explica den o de um quad o de “conc e udes”, a as ando o almen e qualque e anescen e caminho de explicações endencialmen e anscenden es. Nes e pa icula pa ece-me mais suges i a e c i icamen e e icaz a 13 in e p e ação de Jean Baud illa d que abo dando ainda que um pouco ma ginalmen e o p oblema do espaço em a qui ec u a, en ende nele implicados os objec os que se “ ega den , s'impliquen ” inca nando no espaço “ des liens a ec i s”. Pe cebido o espaço ambém como ede de ensões, es a ede es abelece-se não como malha posicional, geomé ica, abs ac a como em Schulz, mas 14 enquan o ede de o dem ins in i a, simbólica, mo al a iculando ainda 15 alo es de “ in imidade de um luga ” Ainda que no meu pon o de is a seja in e p e ação ainda insu icien e, pelo ac o de in oduzi uma ede de alo es de ca ác e de e minadamen e psicológico, es a suges ão de Baud illa d pa ece mui o mais adequada que a “explicação” o necida po Schulz. 16 Mon ane em Mode nidade Supe ada , abo da ambém o ema do espaço em a qui ec u a des acando um chamado “espaço adicional” de um “espaço das 17 angua das” Ainda que e apenas com ca ác e ins umen al, possa admi i momen aneamen e a sepa ação p opos a, e i icamos desde logo que es a e e e o “espaço” não p ocu ando en ende-lo na sua es u u a enquan o ma é ia-supo e de exp essão a qui ec ónica, o que Schulz apesa de udo cla amen e en a a aze , mas como elemen o desde logo inculado a uma sua u ilização num discu so pa icula . Do p imei o – do “que chama espaço adicional” – Mon ane di-lo “di e enciado olume icamen e, de o ma iden i icá el, descon ínuo, delimi ado, especí ico, ca esiano e es á ico”. Do segundo – do que chama ”espaço das angua das” – a i ma se “ espaço li e, luido, le e, con ínuo, abe o, in ini o, secula izado, anspa en e, 13. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des Objec s. La consomma ion des signes. Pa is: Gallima d, 1968, pág. 22 14. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des Objec s…, pág. 25 15. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des Objec s…, pág. 34 16. José Ma ia MONTANER – Mode nidade Supe ada. Ba celona: Gus a o Gili, 2001 (1997), pág. 31 17. José Ma ia MONTANER – Mode nidade Supe ada. …, pág. 28 16 abs ac o, new oniano”. Não enho a ce eza quan o à compa ibilidade e coe ência in e na des as ca ac e izações. A i ma ainda que udo ai culmina na “concepção in e nacional” do espaço. Pa a quem julga necessá io es abelece aquela di e ença en e “espaço- adicional” e “espaço das angua das,” não pode senão esul a con adi ó io que depois suponha o culmina de uma e olução endencial num “espaço exp essi o” de ca ac e ís icas in e nacionais, o que jus amen e mais do que discu í el, pa ece absu do como noção. Não pode ha e uma noção de espaço exp essi o com alidade in e nacional, e al ez que o melho con ibu o dos es udos an opológicos pa a a A qui ec u a enha sido p ecisamen e o da a conhece as limi ações mui o cla as no âmbi o des as especulações a qui ec ónicas. Sob e udo quando en endemos ala do “espaço” como in eg ando di e si icadas exp essi idades a qui ec ónicas. Po ou o lado Mon ane di e encia “cla amen e” as noções de “espaço” e de “luga ” explicando que o “espaço” em uma condição ideal, eó ica, gené ica e inde inida” ac escen ando que o “espaço mode no“ se baseia em medidas, em elações de posição, é quan i a i o e se desdob a median e geome ias idimensionais, é abs a o, lógico, cien í ico, ma emá ico e que co esponde a uma cons ução men al ”ac escen ando que ende a se “in ini o e ilimi ado”. Associa es e “espaço” assim de inido à es u u a Dom-Ino, em ge al a Le Co busie e a Mies an de Rohe. O “luga ” se ia pa a Mon ane , de inido po e um ca ác e “conc e o, empí ico, exis encial, a iculado, de inido a é aos de alhes”. O luga ainda se ia de inido pela qualidade das coisas e “pelos alo es simbólicos e his ó icos”, e es á ambien al e enomenologicamen e 18 elacionado com o co po humano . Pa ece-me aqui e iden e a in luência de No be g-Schulz sob e udo quando Mon ane conside a que o espaço se baseia em medidas e em elações de posição. Es e é o espaço en endido como “g elha posicional”. Mas o que e a já discu í el na o mulação de Schulz aqui su ge ainda ag a ado po se e e i especi icamen e ao “espaço mode no” como ca ego ia em si, o que a é ica documen ado pela ap oximação que az en e Le Co busie e Mies, o p imei o que se en endia “poe a” e que de endia que o papel da a qui ec u a e a emociona e nesse uni e so en ou manusea aquilo a que chama a “l'éspace indicible” e o segundo que ejei a a qualque emoção na a qui ec u a bem como a p óp ia noção espacial. Da obse ação cuidada dos adjec i os com que p e ende delimi a as noções 18. José Ma ia MONTANER- Mode nidade Supe ada… pág. 32 17 de “espaço” e “luga ” não deixam de sob essai aquelas quali icações que pa ecem de sen ido ince o. Pode emos al ez conclui que se al ez sejam as ca ac e ís icas de um “espaço mode no” pa a Mon ane e endo odo o di ei o de assim o en ende , de ac o essas ca ac e ís icas apenas a ele Mon ane , dizem espei o, sem que o possamos di ec amen e gene aliza , nem al ez o possamos acei a . Não me pa ece ha e um espaço “mode no” com de e minan es es u u ais di e enciadas e especí icas. No en an o que hoje pa ece cla o, a a és dos a gumen os coligidos na li e a u a especializada e sob e udo a a és da conc e a expe iência e do p óp io sen i ao le a qui ec u a, que o elemen o espaço pe manece decisi a- men e como o ac o aglu inan e das múl iplas a iá eis in e enien es na a qui ec u a ainda que a in e p e ação que dele as pessoas possam aze es eja longe de encon a consenso, numa qualque es abilidade in e p e a i a. Mas es e ac o aglu inan e não pode se a “g elha geomé ica” das posições de elemen os. Cla o que o espaço não esgo a a a qui ec u a, e Ze i oi o p imei o a a i má-lo logo de imedia o ao p opo a sua in e p e ação espacialis a no Sabe Ve a 19 20 A qui ec u a o que mui as ezes se não que le . E iden e que há ou as a iá eis in e enien es. Mas se bem que di e sos no seu con ibu o pa a o signi icado conjun o, odos os elemen os a conside a não se sob epõem ao espaço. Amoldam-se no odo exp essi o, con ibuindo pa a uma sua de inição o mal. In eg am-se nele e nele azem sen ido. A deco ação, os de alhes, podem se excessi os se os le mos como apos os à es u u a espacial, de manei a adi i a. Mas são mesmo indispensá eis quando e semp e que con ibuam ainda que seja apenas pa a uma ib ação pa icula como sub il in e enção na modelação espacial. Po isso o espaço su ge no conjun o como o ac o que em in eg a e da sen ido exp essi o àquelas a iá eis. O espaço como alo es u u an e 2)- Como ma é ia de polémica no âmbi o eó ico-c í ico já não me pa ece ú il seque , ap o unda discussão sob e a sua p esença e ec i a na linguagem a qui ec ónica. Ago a, suponho de e mos con ibui pa a uma abo dagem ão acional quan o pude mos da sua cons i uição, a aliando as consequências de aí esul an es que como implíci a p oblema ização da a qui ec u a que como ec o de explici ação da sua mesma linguagem. 19. B uno ZEVI – Sabe Ve la A qui ec u a. Buenos Ai es: Ed Poseidon, 1951 (1948), pág. 20. 20. Como o ez o p óp io Sc u on no li o Es é ica da A qui ec u a (Lisboa: Edições 70, 1983 (1979), pág.57). 18 A inal do que se ala quando se ala de espaço? Ce o que não enho a p e ensão de a ingi a es e espei o o ní el de enunciação de um sis ema in ei amen e “cohe en a ec lui même, in iè emen 21 uni ié” como Baud illa d e e iu. Cla o que o espaço é múl iplo. O seu en endimen o p opõe-se de imedia o limi ado ao ní el do senso comum enquan o luido ecep áculo das coisas e dos se es sendo mesmo exclusi amen e a es e ní el que é en endido pela g ande maio ia das pessoas no seu quo idiano. Mas é di e en e o seu signi icado já não digo seque en e di e en es sis emas cul u ais, mas a é en e di e en es sec o es e di e en es in e esses 22 p o issionais, ainda que in eg ados no mesmo caldo cul u al . Como exemplo di ei que o espaço que ao sociólogo impo a é em ge al omado como um dado, não sujei o a qualque ipo de pa icula ques ionamen o. Gene icamen e a sociologia não se in e oga sob e a na u eza do espaço. O espaço sociológico é no ge al um espaço do senso comum. Já pa a um an opólogo se le an am ou os p oblemas a é po que econhece 23 que não sendo o espaço “euclidiano pa a odas as cul u as” um dos emas de es udo e in es igação es a á p ecisamen e no pe cebe a na u eza e os con o nos dessa di e ença. Há ou o en endimen o do espaço que se á o de uma sua lei u a a ní el dos alo es mí icos implicados, alo es que de alguma manei a ão pe manecendo ao longo da his ó ia. Aí o in e esse gené ico das p opos as de Jean Pie e Ve nan , a pa i da 24 análise da es u u a do espaço na G écia Clássica . Um qua o es a o de lei u a espacial, é aquele que pode se ilus ada pela p opos a de Vi ó io G ego i, que pa e da noção da “colocação da ped a”, como ges o p imei o do assinala de um local e “c ia ” espaço. Aqui a a-se já de uma e dadei a p opos a pa a uma delibe ada es u u ação espacial. E i á po isso a me ece maio a enção. Mas se os casos que ci ei se e e em a uma noção global do espaço, há depois que en ende ambém uma sua modelação in e na enquan o “espaço exp essi o” da a qui ec u a. Aí al ez não pa eça, mas acili a a análise o conside a as ca ego ias de espaço in e no, espaço ex e no e espaço ansição. Sublinho que o e mo “espaço-exp essi o” que u ilizo, p e ende e um sen ido mais de inido e exigen e do que “espaço-exis encial” que No be g- Schulz e e e. A noção de “espaço exis encial” co esponde a odo aquele onde deco e a 21. Jean BAUDRILLARD – Le Sis ème des Objec s…, pág. 11 22. Ped o Viei a de ALMEIDA – Da Teo ia. Oi o Lições. Po o: CEAA, 2005 23. Jean STOTZEL – La Psycologie Sociale. Pa is : Flamma ion, 1963, pág. 60 24. Jean Pie e VERNANT – My he e Pensée Chez les G ecs. É udes de psychologie his o ique. Pa is : F ançois Mespe o, 1965. 19 nossa ida quo idiana e dele podemos a é nem se conscien es, o que no malmen e acon ece. A noção de “espaço exp essi o” de ine já um espaço de que somos ealmen e conscien es e que sabemos in e p e a nos seus alo es p óp ios. Deco e de aqui que se odo o espaço em que se i e é po de inição um “espaço-exis encial”, nem odo o “espaço-exis encial” esul a se “espaço exp essi o”. Po an o e e a aqui que que ia chega , se odo o espaço da a qui ec u a co esponde a um “espaço exis encial”, nem odo o espaço exis encial é a qui ec u a. Pa a que se e i ique e ec i amen e “A qui ec u a”, o espaço em de se es u u a enquan o “ma e ial exp essi o”. Mas e e indo um “espaço exp essi o” quando alo de a qui ec u a, es ou ainda a e o ça a ideia de Paolo Po oghesi de que es a, a a qui ec u a, de e se en endida como um “sis ema de luga es” o que a as a de imedia o oda a complexidade e implicações da noção de espaço-in luência de pessoas e de coisas. Es ou conscien e de que a noção de espaço-in luência de pessoas é mais acilmen e acei e, a é po que mui o apoiada em di e sos con ibu os nesse sen ido. Com maio esis ência ce amen e depa a á a noção de espaço-in luência de coisas. O que no en an o enho po absolu amen e de e minan e. Po que só a conjugação dinâmica dos dois pe mi e ala de espaço exp essi o po an o em espaço a qui ec ónico. Pa a uma ac ilidade do olha 3)- In oduz-se aqui um ou o p oblema que Pallasmaa le an a e que me ece pa icula e e ência. Em Los Ojos de la Piel ci a de Da id Michel Le in a c í ica àquilo que es e 25 designa po “ocula cen ismo” da nossa cul u a . 26 Lamen a Ba hes nou o luga a não exis ência de uma His ó ia dos 27 Olha es . 28 Num campo mais especí ico, o da His ó ia da A e, Jean Pa is mani es a a sua su p esa pela não exis ência de uma His ó ia da Pin u a baseada no exame da ede de olha es e p opõe mesmo a conside ação de uma unção no a na composição ge al em pin u a que se ia o desempenhada po pe sonagens que ele suges i amen e designa po “po e ega ds” e inicia esse ipo de análise com uma b ilhan e aplicação do p incípio a exemplos que êem desde o século V. Sem nega alguns e ei os pe e sos des e p edomínio da isão sob e udo a 25. V. Juhani PALLASMAA – Los Ojos de la Piel. Ba celona: Gus a o Gili, 2006 (2005), pág.18 26. Roland BARTHES – A Câma a Cla a. Lisboa: Edições 70, 2006 (1980), pág. 20 27. No documen o o iginal, seguia-se um conjun o de pon os que indica am o in ui o de p olonga os a gumen os. No a do edi o 28. Jean PARIS – L' Espace e le Rega d. Pa is: Ed. Seuil, 1965 20 pa i do Renascimen o, aquilo a que B uno Ze i designa al ez com algum 29 exage o a “heca ombe” do século XV , não sei po um lado se e dadei a- men e não exis e aqui ambém um p o undo engano nas análises subsequen es, a é po que pode íamos conside a simplesmen e que o p edomínio da isão sob e ou os sen idos, não esul a de qualque cap icho ou alegada mudança de men alidade in oduzida pela pe spec i a, mas que apa ece na his ó ia mui o p agma icamen e “legi imada” se al osse necessá io pela sua “ uncionalidade” insubs i uí el nos pe manen es e gene alizados jogos de gue a com que a humanidade em indo aos opeções a c ia o seu des ino. No en an o suponho que as e en uais esponsabilidades de um “ocula cen ismo” na nossa cul u a, as esponsabilidades de que ala Le in de em se examinadas mais na pe spec i a de Guy Debo d is o é enquan o objec i as aduções de de e minadas concepções do mundo, po an o mais enquan o consequências mais do que como causas e icien es dessa mesma 30 concepção . 31 “Ponhamos o olha sob o con olo do ac o” p opunha Ta lin em 1913 . A p opos a pa ece cla a e objec i a. No en an o es e enunciado não deixa de man e alguma ca ga de ambiguidade. O ac o su ge ali como ac o “con olado ” do olha , no sen ido de e ascendência sob e? Ou a a-se de econhece que o olha em, ele p óp io, p op iedades ác eis que impo a oma em con a? Não sei se co esponde á à p opos a de Ta lin, mas pa a mim só es a segunda hipó ese em e dadei o sen ido c í ico. C eio exis i em hoje acilmen e de ec á eis, ní idos sinais de uma “desquali icação” do olha no plano c í ico que pa ecem a é pe u ban es. Es a “desquali icação” em indo a ep esen a e de manei a cada ez mais acele ada não só uma ausência de ec o es ác eis, mas simul aneamen e uma pe da quase o al daquilo que é o alo in eg ado da noção de isão pe i é ica e o alo da noção de p o undidade, ambas de p o undo signi icado a qui ec ónico. Po an o bem ao con á io da p opos a de Pallasmaa de se en a eduzi o sen ido da isão a p opo ções mais modes as no leque dos sen idos, e pa a isso en a encon a ecei as compensa ó ias, pa ece impo -se p ecisamen e o caminho in e so, is o é, p ocu a sob e udo a ní el académico, sensibiliza e de odas as manei as p omo e o melho que se pude um e o ço e en iquecimen o das dimensões e capacidades da isão, bem como a consciência dos g aus de esponsabilidade que se impõe se em nela c i icamen e adqui idos. Conc e amen e impo a ecupe a e o alece uma “ ac ilidade do 29. B uno ZEVI – Lee , Esc ibi , Fala A qui ec u a. Ba celona: Ediciones Aós o e, 1999 (1997), pág. 39 30. V. Guy DEBORD – La Socie é du Spec acle. Pa is: Edi ions Champ Lib e 1971(1967), pág. 17 31. Ci in Ana oli Ana ole ich STRIGALEV – “De la Pin u a a la Cons uccion de la Ma e ia” (1984) in Cons u i ismo Ruso. Sob e la a qui ec u a de las angua dias uso-so ie icas hacia 1917. Ba celona: Ediciones del Se bal, 1994, pág. 126 olha ”. A pe da des a “ ac ilidade do olha ”, a pe da da noção de um olha que oca que apalpa a ealidade e á sido mode namen e, al ez o aspec o mais empob ecedo no pon o de is a plás ico, comp ome endo sob e udo oda a expe iência a qui ec ónica. Ao longo dos anos enho pedagogicamen e insis ido, no e o ço daquilo a que enho chamado “o olha de Fayum” como um olha de esponsabilidade ác il ca ac e is icamen e suges i o das múmias a dias do Egip o. É ainda Pallasmaa que em epíg a e ci a uma ase de Goe he “as mãos que em e , o olha que aca icia ”. In e essa-me sob e udo a segunda pa e da ase. “O olha que aca icia ”. Tal ez es i esse aqui a espos a à ques ão le an ada po Michel Le in – ci ada po Pallasmaa – ace ca da possibilidade de exis i em sinais de se es a a es u u a uma no a e mais esponsá el manei a de olha . E a bom que osse e dadei o, embo a me pe mi a du ida . C eio mesmo ha e hoje a u gen e necessidade, que o ac edi a que 32 pa icula men e pa a os a qui ec os de ap ende a olha de manei a ác il is o é, de p omo e neles uma manei a de olha que saiba se aca iciado a da ealidade. No undo, um olha que inalmen e saiba e dadei amen e e . Resis ência à Noção Espacial 4)- Se en endo como e e i a ás, que se ia sem eal sen ido e já ex empo âneo pa i ago a numa c uzada em de esa de uma in e p e ação espacialis a da a qui ec u a, já c eio de e anca opo unidade a en a i a de pe cebe algumas das azões da esis ência que g ande pa e dos a qui ec os chamados 33 “p á icos”, senão mesmo a maio ia, hoje ap esen a àquela in e p e ação . Na ealidade esse ipo de eacção já inha começado com as ambiguidades c í icas em que se en olou o mode nismo c endo eu e em elas sido em g ande pa e esponsá eis po algumas das agilidades e incoe ências que aquele mesmo mo imen o ap esen ou, sob e udo aquelas e e idas a uma e iden e endência no ma i a. Mas hoje econhecendo que de ac o as g andes esponsabilidades da a qui ec u a e po an o as g andes esponsabilidades dos a qui ec os como p o issionais, eem uma incada exp essão espacial seja a ní el mais ca ac e izadamen e a qui ec ónico seja a ní el mais ala gadamen e u bano, a ecusa da base espacial da linguagem a qui ec ónica decla ando-a uma concepção ul apassada, ine i a elmen e su ge como a gumen o “escapis a” que de alguma manei a pa ece i libe a os a qui ec os de comp omissos e p oblemas aos quais de ac o não sabem como da espos a c edí el no 32. E não é di ícil de es o a anja exe cícios simples, induzindo a uma p og essi a comp eensão dos di e en es g aus e esponsabilidades do olha . 33. Neil LEACH – “A chi ec u e and Re olu ion” in A chi ec u e and Re olu ion. Con empo a y pe spec i es on cen al and eas e n Eu ope. Edi ed by Neil Leach. London and New Yo k: Rou ledge, 1999, pág.119 21 mundo mode no. E essa necessidade de dec e a ul apassados p oblemas, po que no undo se lhes não sabe esponde , pode se ilus ado que pelo es o ço de c ia um sen imen o de his e ia p o issional em ené ica acele ação cons an e em o no da p o issão, ou com as lamen ações de Pe e Eisenman que ê na noção de unção um limi e pa a a possibilidade de ob e uma e dadei a linguagem a qui ec ónica. Com es a posição Eisenman en a inequi ocamen e ob e uma a qui ec u a sem qualque cons angimen o, sem qualque p og ama, sem qualque 34 comp omisso . Igualmen e Be na d Tschumi em eclama o desen ol imen o de uma “a chi ec u e o pleasu e” uma a qui ec u a “obcessed wi h i sel ”. O que eu di ia se hoje, uma a qui ec u a mui o con ic amen e i esponsá el. Pode dize -se ha e hoje in e nacionalmen e, uma g ande p essão no sen ido da a i mação desca ada daquilo a que se em chamado um domínio de um pensamen o “a e -a e ”, como uma e dadei a necessidade de au o legi imação que esconde de ac o ao que penso, uma p ocu a de acili ismo pa a não dize i esponsabilidade, uma ecusa a qualque comp omisso em elação a p oblemas de ma cado ca ác e colec i o e social. Po azões ób ias. E um dos g andes pe igos daquelas posições como as de Eisenman, Tschumi e ou os, é o de e em mul idões ainda que um pouco a a an adas e 35 insuspei adas de seguido es . Do lado dos p o issionais apa ece como uma desculpa-jus i icação pa a um a i a pa a can o aquilo que em sido o empenhamen o social de oda a p á ica a qui ec ónica, a ogando-se da libe dade pu amen e plás ica possí el na 36 escul u a . E mesmo alguns bons a qui ec os caí am na espa ela dessa p e ensa libe dade, que é a inal e apenas a libe dade de adesão a alo es pu amen e de me cado. Suponho que es e ipo ex emo de posições e de idas sequelas, co esponde ao que Pallasmaa e e e quando ala da “p opagação cance osa” do 37 supe icial imaginá io a qui ec ónico ac ual . Se como obse ou algu es Aldo Van Eyck os a qui ec os “es ão iciados na mudança”, eu aqui a isca ia p ecisa que es ão sim iciados, ou a g ande maio ia es á iciada, num cul o da i esponsabilidade, omada de es o como mui o ac ual, a ançada e descomp ome idamen e mui o jo em, pelo que o “ ício” que Van Eyck apon a, não é senão uma consequência e simul aneamen e um a gumen o supos amen e legi imado . 38 Es u u a Composicional do Espaço 5)- Pa o do p incípio que de alguma manei a ui ob igado a abo da no 34. Neal LEACH – pág. 26 35. Já emos alguns exemplos em Po ugal: de Solá Mo ales. O “edi ício T anspa en e” jun o a Ma osinhos, ou mesmo de Tá o a a o e da “Casa dos 24”,jun o à Sé. Também alguns ecu sos usados a ní el académico como a simples in ocação do “open-space”, como o ma de e i a esponde a di iculdades conc e as, o que po si só é e elado 36. Só pa a da um exemplo, o chamado “Edi ício T anspa en e” no Po o de Solá Mo ales, com a ag a an e de mesmo ou sob e udo escul u almen e, se de qualidade mais que du idosa. 37. Juhani PALLASMAA – Los Ojos de la Piel. Ba celona: Gus a o Gili, 2006 (2005), pág. 22. 38. Exis e uma disc epância en e o sub í ulo dado no ex o e aquele que é p e is o no índice: P opos a pa a uma es u u a composicional. Op ei po man e os dois sub í ulos uma ez que se complemen am. No a do edi o . 22 pa ág a o IV- 2 e que i memen e man enho desde o p imei o abalho que dediquei ao espaço exp essi o da a qui ec u a no início da década de 39 sessen a , que es e é independen e da ideia eó ico ma emá ico de um concei o uni e sal de espaço, e conside o que o espaço exp essi o da a qui ec u a co esponde a um ecido i egula men e enco pado di e samen e consis en e que maio i a iamen e esul a do c uzamen o do espaço-in luência de pessoas e espaço-in luência de objec os, udo num quad o de e e ência em que a e ical su ge como uma di ecção p i ilegi- 40 ada . Es a abo dagem do espaço da a qui ec u a enquan o ca ego ia exp essi a – aí sublinhando que nada em a e , absolu a e de ini i amen e com a ca ego ia lógico ma emá ica – pa ece-me mais ú il enquan o ope acionalidade c í ica do que a sua simples oposição concep ual, den o de um sis ema complacen e que de alguma manei a os elacione. En e an o pa a o que nos in e essa discu i , o que e dadei amen e se opõe à noção de “espaço-exp essi o” da a qui ec u a cons i uindo um exemplo 41 pe ei o daquilo que Bachela d de iniu como “obs áculo epis emológico” , não é uma noção de espaço “senso comum”, mas a desconside ada u ilização de uma pu a concepção lógico ma emá ica. A dis inção que azem alguns au o es en e “luga ” como e e indo apenas a ca ego ia exp essi a e ese ando o e mo “espaço” pa a a segunda, a ca ego ia lógico ma emá ica pa ece-me sem ú il sen ido c í ico e em e ela um dos aspec os al ez mais pe niciosos da in luência do abalho de No be g-Schulz. A p imei a noção an e io men e e e ida, a de espaço-in luência de pessoas, oi-me suge ido pelo abalho de Na álio Fi sz , cujos esquemas me o am dados a conhece num dos p imei os núme os da e is a L´A chi e u a de 42 B uno Ze i . U ilizei-a depois la gamen e no con ex o do abalho mui o incipien e que 43 desen ol i em 60 . De es o pos e io men e aquela in uição de Fi sz oi-me in ei amen e con i mada pelos abalhos de mic o sociologia de Ab aão Moles e Elisabe h 44 Rhome e pela noção que p opõem de “quan um espacial” . Po seu lado a ideia de um pa alelo espaço-in luência dos objec os su giu na u almen e como esul ado de uma não menos incipien e in es igação ainda an e io em que es a a en ol ido eu p óp io nesse início dos anos 60 no domínio da escul u a e no qual p ocu a a desen ol e uma linguagem escul ó ica não es u u ada como esul ado da manipulação exp essi a de 45 olumes, mas como esul ado de uma manipulação exp essi a de espaços . Es a e a pa a mim e con inua a se , uma das di e enças undamen ais que se pode iam es abelece en e as duas exp essões escul ó ica e a qui ec ónica, a p esença ou não, da associação numa mesma es u u a exp essi a dos dois 39. d. Ped o Viei a de ALMEIDA – Ensaio Sob e Algumas Ca ac e ís icas do Espaço em A qui ec u a e Elemen os que o In o mam. C.O.D.A. Po o: ESBAP, 1963 40. Aqui o au o inha ano ado “(Giedion, No be g- Schulz, Rapopo )(12)”, eme endo pa a e en ual a iculação a ac escen a ao ex o. No a do edi o 41. Gas ão BACHELARD - La o ma ion de l'esp i scien i ique. Pa is: J. V in, 1980 42. L´A chi e u a, nº 8. 43. Se bem que o au o eme a pa a o nº 8 da e is a, a e e ência que ecolhemos eme e pa a: Na álio FIRST – “P oblema ica dello Spazio A chi e onico”, L'A, nº 45. Ve Ped o Viei a de ALMEIDA – Ensaio Sob e Algumas Ca ac e ís icas do Espaço em A qui ec u a… No a do edi o . 44. Ab aham MOLES e Elisabe h ROHMER — Laby in es du Vécu: l'espace, ma iè e d'ac ions. Pa is: Lib ai ie des Mé idiens, 1982, pág. 103 e seg. 45. P e endia se uma espécie de escul u a “especí ica do luga ” em que a luz do sol não se limi a a a ilumina passi amen e um jogo de olumes, mas pa icipa a ac i a e dinamicamen e no jogo da exp essi idade dos espaços, que e am assimilados como a e dadei a base da exp essi idade eque ida, embo a e iden emen e na sua de inição con asse com a p esença e colabo ação es u u an e das massas conc e as. 23 ní eis de espaço-in luência: o de pessoas e de objec os na a qui ec u a, ou só 46 o espaço-in luência de objec os na escul u a . Ainda na mesma ob a de Moles e Rhome encon ei mais adian e a ase que de alguma manei a me pa ecia i indica es a no pe cu so ce o. Esc e em: “En g os, comme les hommes, les obje s possèden d'un co é un co- olume ou un co-su ace, de l'au e un ai e de ayonnemen p op e, ès 47 a iable d'un obje à un au e” . É e iden e que no o al exis em ou as a iá eis de g ande impo ância na ca ac e ização e modelação do espaço. Cla o que a luz, mas ambém o som, a empe a u a, os chei os, os ma e iais, a ma é ia, são ainda que com di e en es ní eis de in ensidade, adju an es na g aduação das densidades espaciais. Só que a sua ansmissão ope acional em e mos de exp essão de ém em ge al 48 g ande di iculdade sob e udo a ní el pedagógico . Po “espaços in luência” en endo conc e amen e a exis ência de uma espécie de “halo”, que nada e á a e com a amosa “au a” benjaminiana de eco e mais é ico, com ca ác e alo a i o e que se liga à ob a de a e conside ada de 49 exis ência mi icamen e única e i epe í el en endida numa g elha p óp ia de essencialidades e au o idade pa icula . O “halo” de que alo co esponde à pe cepção, sublinho que mui o ísica, quase palpá el, de uma espécie de plasma em o no das pessoas e das coisas, como se o a uma emanação, “un ai e de ayonemen ” uma i adiação po elas o iginada, que se e i ica mais o e jun o das pessoas e coisas que lhe são o igem e su ge cada ez mais débil à medida que se a as a dessa o igem. Es e halo em a e e iden emen e com o mas, mas desde logo com a p óp ia 50 ma é ia . Pa a da uma imagem mais co ec a pode ia en a apoia -me num pa alelismo com um campo de o ças elec o-magné icas, ou o ças g a i acionais, mas ago a udo en endido exclusi amen e no quad o de um uni e so plás ico, is o é, pe cebido enquan o exp essão. En e an o pe mi o-me aqui aze apenas e e ência àquela a i mação de Bachela d que en endo como ex emamen e suges i a e sob e a qual e iden emen e não ou desen ol e conside ações, de que en e “coisas” e espaço não exis e uma di e ença quali a i a mas apenas quan i a i a. Se bem in e p e o Bachela d, udo não co esponde ia senão a luxos ene gé icos es u u ando-se densos enquan o “coisas”, ou luidos enquan o 51 “espaços” . . A elação ene gia-objec o em si, cla o que não em nada de no o. 52 53 Já se obse ou que pa a Kandinsky , “objec s became ields o ene gy” . Se alo, como já acen uei, apenas do en endimen o que emos dos objec os, num cla o enquad amen o plás ico e se an e io men e i e de e i a o escolho 46. De aí uma disco dância que me apa ecia como pe u ban e naquela al u a em elação a B uno Ze i quando ele a i ma a que as ob as de “a qui ec u a” na G écia e am de ac o ob as de escul u a. De ac o udo depende do pon o de is a p i ilegiado. Na G écia se podemos conside a que as cons uções não são a qui ec u a po não e em espaço in e no, elas eem uma de ini i a p esença no espaço u bano que lhes pode á da uma de ini i a in e enção a qui ec ónico-u banís ica 47. Ab aham MOLES e Elisabe h ROHMER — Laby in es du Vécu…, pág. 118 48. Cla o que se pode ala de Aal o e usa os es emunhos da Vila Mai ea, mas é du idoso que alunos acei em a e e ência ou seque a pe cebam. 49. V. Wal e BENJAMIN – “La pe dida del «au a» en la ob a de a e: una nue a condicion de la e a ecnica” in His o ia de la A qui ec u a (An ologia C í ica) de Luciano Pa e a. Mad id: Celes e Ediciones, 1997, pág. 34-37 50. Nes e pon o do ex o, Viei a de Almeida ano ou: “( Pin u a Me a ísica,Chi ico, mau nome / . Réalismes pag 26- Jean Clai “co é spec al de ou e chose”) (VER Jean Chenou)”. Is o signi ica que o au o p e endia desen ol e o ex o, a iculando-o com o abalho de Chi ico, discu indo a designação de Pin u a Me a ísica, que conside a a não mui o eliz, a é po que lhe pa ecia mais ma can e a elação com o lado espec al da ealidade que Geo gio de Chi ico (“Sull'A e me a isica”, Valo i Plas ici, nº 3, 1919) e F eud (“Das Unheimliche”, Imago, 1919) o mulam no mesmo ano. V. Jean CLAIR – “Me a isica e Unheimlichkei ” in Les Realismes 1919-1939. Pa is: Cen e Geo ges Pompidou, 1980, pág. 26. No a do edi o 51. Aqui o au o ano ou no ex o alguns aspec os a desen ol e : “(Asna Picasso Bá ba a Hep hwo h, Pe sne . melho A gan)”. Segue-se na linha seguin e: (G ego i e a ped a - e e i o quad o de C is ino) (VER)” Es a úl ima e e ência eme e pa a ex os an e io es, onde já inha sido e e ida a análise de G ego i que, pa a o au o , se a icula “com o esquema da p óp ia linguagem espacial, independen emen e do que ela enha signi ica , já que e e e o p óp io nascimen o do espaço como es u u a exp essi a, is o é, com a ins au ação espacial, enquan o sinal de posse de um luga ./ O p imei o ges o a qui ec ónico e á sido, pa a G ego i, o da colocação da ped a que signi ica e econhece, de e mina e ins au a, um luga . / Aí nasce á o espaço exp essi o, aí nasce á a a qui ec u a” (Ped o Viei a de ALMEIDA – Apon amen os…, p. 41. C . ambém en e is a de G ego i ao jo nal Exp esso) No a do edi o 52. O l AISCHER – “The Bauhaus and Ulm” in The Bauhaus Con li s 1919-2009. Con o e sies and Coun e pa s. Os ilde n: Ha je Can z Ve lag, 2009, pág. 179. 53. No o iginal seguia-se a ano ação: “ (Picasso Colóquio) ” No a do edi o . 24 que a a qui ec u a em si cons i ui. En e an o pe an e as in e ogações c í icas me que ui p og essi amen e p opondo sob e es es mesmos emas, ape cebi-me da necessidade de enquad a a uncionalidade dos chamados “espaços pe didos”. Jus amen e po que es es espaços, pa ecem co esponde à con luência sem a i o en e a noção de “ o ma” e a noção de “ unção” E acabei po pe cebe na impo ância mesma dos espaços- ansição no ogo, pa a além do seu imedia o ca ác e exp essi o, e de a iculação com a en ol en e, a sua unção cla a como ep esen ando aquilo que em a qui ec u a pode ia e dadei amen e p opo uma libe dade de ap op iação no habi a . No “espaço de ansição” p opõe-se a inal, o mais exigen e e igo oso en endimen o da noção de “ unção”, e a mais elabo ada e equin ada noção de “ o ma”. O espaço de ansição e a o elemen o que em a qui ec u a, sem “ga an i ” e iden emen e o “exe cício da libe dade” e a o elemen o que de ini i amen e em a qui ec u a se pode ia cons i ui como “ins ância” de libe dade. Não só, mas a é po que o espaço- ansição co esponde no seu mais exigen e quad o de en endimen o a uma e dadei a noção de espaço- unção, em que o espaço é po si só sem qualque ou a adsc ição, a sua 74 p óp ia unção. Nes e con ex o a pe gun a de Leach ”can he e e e be a democ a ic a chi ec u e?” não pa ecia adequada ao p oblema e de imedia o su gia como edu o a. Não se á ce amen e a a qui ec u a conside ada globalmen e, que pode e es i os alo es da democ acia. A pe gun a al como a o mulou Leach, não podia e espos a di ec a e consis en e. Mas essa mesma pe gun a e ia sido mais ú il no plano eó ico, se i esse sido o ien ada no sen ido de sabe “que elemen os na a qui ec u a podem con e alo es democ á icos?”. 75 Quando F. Ll. W igh , Vincen Scully e G ópius esc e em sob e o ema, a meu e inco em odos no mesmo e o que oi o de conside a em a a qui ec u a como uma o alidade, sem se p eocupa em com a sua simul ânea análise in e na, que o dize os seus elemen os cons i uin es. Enca ando a a qui ec u a de uma o ma global c i icamen e indi isa, qualque posição negando ou a i mando as suas elações sociais e polí icas, em oda a azão de se , ou pelo con á io não em nenhuma e an o az. Dizendo de ou a manei a, a e o-me a pensa que a discussão nes a base, esul a p a icamen e inú il. 74. V. Ped o Viei a de ALMEIDA – Apon amen os pa a uma Teo ia de A qui ec u a. Lisboa: Ho izon e, 2008. 75. V. Wal e GROPIUS – Apollon dans la démoc a ie / La nou elle a chi ec u e e le Bauhaus. Conjun o de ex os com P e ácio de Michel Ragon. B uxelles : La Connaissance, 1969 (1935). 31 Lemb a Foucaul que “nunca pode á se ine en e à es u u a das coisas o ga an i o exe cício da libe dade” 76 E ac escen a: “a ga an ia da libe dade é a libe dade” . Ce o. Mas como é possí el dize pa a a noção de sublime, embo a acei ando a obse ação kan eana de que o sublime não se c ia nem se p opõe, podemos 77 discu i e p opo “ins âncias de sublimidade” enquan o causas e icien es . De igual modo as coisas em si cla o que não “ga an em” o exe cício da libe dade, mas ainda que o não possam aze , pe mi em-no e mesmo em g ande medida o induzem. Assim alguma azão e á Leach quando sublinha que a a qui ec u a em si não pode se libe ado a ou ep essi a. Mas a a qui ec u a pode con e causas e icien es de ep essão ou de libe ação, que po exemplo pode se de e minan e analisa num quad o eó ico-c í ico de uma Pos -Mode nidade, seja pa a e i a as p imei as, seja pa a omen a as segundas. Res a a sabe quais os elemen os da linguagem a qui ec ónica, que podiam en ão assumi uma ou ou a des as endências. E é, c eio, a exis ência des es ac o es que en e ou os podem de e mina uma chamada “ esponsabilidade social da a qui ec u a” que ago a passou a se de bom- om e e i com so isos de condescendência. Pa ece e iden e que há um ní el de esponsabilidade social da a qui ec u a, que apenas pode es a na conside ação simples do objec i o signi icado social dos seus p og amas. Mas po ou o lado há a espos a conc e a de alguns ec o es in eg an es da linguagem a qui ec ónica, que po si con o mam o que se pode designa como sendo um e dadei o “inci amen o à libe dade” de ap op iação e po isso e es i em-se de g ande e especí ica esponsabilidade social. E nes e caso po udo quan o apon ei a é ago a, suponho se es e o g ande papel do espaço- ansição, que nisso adqui e aqui um exp essi o signi icado pedagógico e a é cí ico. Sem pode p ecisa melho , c eio que oi desde a abo dagem p elimina da 78 ob a de R. Lino, po an o dois ou ês anos an es da edacção do ex o de 70 que se me o na am e iden es a impo ância que da espessu a que dos espaços- ansição na a iculação da linguagem a qui ec ónica. Embo a i esse uncionado pa a mim quase como uma súbi a “ e elação” que me inha a a á ias ideias sol as que ainda não inham encon ado en e si um io condu o de uma lei u a a iculada, não omei imedia a consciência da sua mú ua in eg ação e ope acionalidade, o que só se eio a e idencia de manei a p og essi a e ao longo do empo. Assim em 70 ao e e i o Pa ilhão do B asil de Lino pa eceu-me de assinala o sen ido de espaço- ansição no a amen o da en ada, a é po se na 76. Michel FOUCAULT – “Espace, sa oi e pou oi ” in Di s e Ec i s IV. Pa is: Gallima d, 1994, pág. 276. 77. V. Ped o Viei a de ALMEIDA - Os Concu sos de Sag es. Rep esen ação 35. Condicionan es e consequências. Tese de Dou o amen o em A qui ec u a, Uni e sidade de Valladolid, 1998, ol. 1. Depois pa cialmen e publicada em olume com o í ulo A qui ec u a No Es ado No o. Uma Lei u a C í ica po Li os Ho izon e em 2002. 78. V. Ped o Viei a de ALMEIDA – “Raul Lino, A qui ec o Mode no” in Raul Lino. Exposição e ospec i a da sua ob a. Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1970, p. 115-188 32 Exposição o único Pa ilhão em que al elemen o exp essi o e a a ado. 79 Mais a de em es udo da ado de 98 en ei e o ça essa lei u a. De endo que no conjun o da linguagem a qui ec ónica, é o espaço que em assumi aqueles ec o es de “ esponsabilidade social” na medida em que conc e amen e e es e alo es de “uso”. E se á o espaço ansição, que ainda que não ga an indo o exe cício da libe dade, o pe mi e e o suge e. É nes e p eciso pon o que melho se pode á en a em discussão sob e o ema da “democ acia” na a qui ec u a. Quando Tzonis ala de uma a qui ec u a “não op essi a” a ní el de “uso” 80 quan o a mim ine i a elmen e eme e pa a a noção de espaço- ansição . Mas es e espaço- ansição po impo an e que seja não pode unciona isolado. Pa a que haja ansição em de se de ini en e quê essa ansição se e i ica. O espaço- ansição exige pa icula men e um espaço in e no es u u ado e um espaço ex e no o e e bem de inido. Po isso in e essa-me ago a analisa es es aspec os em exemplos conhecidos que de uma manei a ou ou a me pa ecem es a em a se a aliados den o de pa âme os não o almen e adequados. 79. Ped o Viei a de ALMEIDA – Os Concu sos de Sag es…. 80. Viei a de Almeida p e endia desen ol e es e pon o, como se pode cons a a pela ano ação “(ala ga )” que aqui inse ia, eme endo pa a o seu a igo, publicado em 1965, “O espaço pe dido – P opos a pa a a sua e alo ização c í ica”, Jo nal de Le as e A es, nº 174 de 27 /1/65 (p.10-14), nº 177 de 17/2/65 (p.8-9), nº 191 de 26/5/65 (p.8-10) e nº 201 de 4 /8/65 (p.8-10). 33 V EXEMPLOS REFERENCIÁVEIS Po an o chegados a es e pon o, já cump ida a é ape de escla ecimen os p é ios sob e algumas ques ões que podíamos conside a no conjun o como signi ica i as pa a os pon os de is a que p e endíamos ap o unda , e que no undo es ão da base de oda a p ospecção espei an e a es e abalho, podemos e e i ago a com maio p o ei o, alguns exemplos conc e os da His ó ia da A qui ec u a que pa a além da lei u a que azemos a a és da lei u a que p opomos da nossa A qui ec u a Regional, ago a pelo lado e udi o al ez si am pa a ilus a e c edibiliza a in e p e ação que gene icamen e azemos. E são bem signi ica i os os enganos a que pode conduzi o desconhecimen o ou a não alo ização das duas poé icas das pa edes delgadas e das pa edes espessas. F ank Lloyd W igh 1)- Fala de W igh , é ala conc e amen e de um a qui ec o que a á ios í ulos se ap esen a como pionei o numa a i mação de uma linguagem de con empo aneidade em que a noção de espaço é undamen al. Mas W igh como oi semp e sendo glosado, ap esen a á ias e sucessi as ca ei as p o issionais que lhe o am possibili adas pela sua longa ida e po uma in en i idade e c ia i idade ulgu an es. Re e ido como o melho a qui ec o do século XIX – enquan o pionei o – ou o melho do século XX – enquan o p o e a – a sua p esença é de e minan e nos dois séculos. Mas as suas “ca ei as” ainda que odas de indiscu í el mé i o, ap esen am mui os ac o es di e gen es mesmo con adi ó ios, que nos pe mi em escolhe aquelas em que nos sen imos mais ep esen ados e aquelas que mau g ado a gené ica qualidade de odas, já não eem o condão de nos en usiasma excessi amen e. Tenho pa a mim que o melho pe íodo e o mais ca ac e ís ico na ob a de W igh é o da dob a do século, e que odos os esquemas conhecidos gene icamen e como “Casas da P ada ia” são o que co espondem à sua mais au ên ica e ica inspi ação. Ainda que econhecendo oda a qualidade pa en e em oda a p odução 35 w igh iana, é e dade que g ande pa e dos abalhos a pa i g osso modo da segunda década do século in e, ap esen am não poucas ezes sinais de e em sido concebidos quase como desa ios pos os a si mesmo, em unção do que sen ia se em “ en os de e olução” cons i uindo uma espécie de demons ação de que ambém e a capaz de aze uma a qui ec u a, que espondesse mais di ec amen e a ou o ipo de p oblemas que di e en es a qui ec os es a am a le an a sob e udo na Eu opa, que ele azia po desdenha , p eocupação que pa ece um an o a i icial e que de alguma manei a em diminui o li e desen ol imen o da sua linguagem p óp ia. Reconheço que ixando de alguma manei a o meu in e esse no W igh das “Casas da P ada ia”, es ou a p i ilegia um W igh das casas sólidas, nascidas da e a, ex ensas e com ele ados pad ões de habi abilidade. Mais de alhadamen e es a a iá el que c eio de e minan e na concepção a qui ec ónica, e pa icula men e signi ica i a em alguns pe íodos his ó icos sob e udo na ob a de alguns a qui ec os especí icos, acho con enien e en ende-la em duas e en es complemen a es que po isso penso undamen ais: a da p i acidade e a da ap op iação. E nas “casas da P ada ia” podemos encon a uma eno me iqueza ocabula , seja na e en e da p i acidade seja na e en e da ap op iação, com um espaço in e io di e si icado em que a dimensão da p o undidade su ge undamen al, com o e e suges i a modelação de espaços in e nos, a a és do sábio con olo dos espaços núcleo, longos e incisi os espaços complemen a es e bem de inidos e in eg ados espaços ansição. Faz pa e des a imagem, a noção de uma pode osa poé ica de “pa edes espessas” que con e em ao odo uma unidade de concepção que anspa ece na i me mas se ena dignidade que elas pa ecem ansmi i . Como não é minha p eocupação his o iciza a a qui ec u a no e-ame icana, o ac o de W igh não se ípico ep esen an e das ca ac e ís icas des a não em nes e con ex o qualque ele ância. In e essa-me em W igh sob e udo aquilo em que ele pode se único e p o undamen e ino ado . E aqui enho de aze uma e e ência ao Museu Guggenheim que embo a não sendo di ec o de edo da poé ica de pa edes espessas, só nesse p eciso uni e so exp essi o az sen ido já que eme e pa a e e ências p imo diais da a qui ec u a em ge al, pa a as quais a poé ica das pa edes delgadas pa ece menos ocacionada. O Museu Guggenheim su ge mesmo como emblemá ico de uma a i ude que só ejo depois e omada. Nes e Museu o espaço in e io é en endido como o e dadei o sujei o do discu so, como já an es W igh o inha ensaiado na loja Mo is e é aqui impo an e que se de ina como um espaço de di ec a ma ix eminina enquan o espaço ma e nal, espaço ú e o, no qual W igh eúne ainda ou as 36 e e ências con e gen es como o desenho do lago no á io de en ada que é 81 uma ésica piscis, o que de es o o p óp io W igh sublinha . E iden e que não é possí el esquece aqui aquelas g a u as upes es ge almen e conhecidas po “ ec i o mes”, com isso sublinhando a sua possí el e e ência à a qui ec u a, podem ambém se lidas como suge iu 82 Le oi-Gou han , como ep esen ações do sexo eminino. Essa ap oximação sublinha po sua ez o que há ou pode ha e de ca ác e sexual não só em W igh mas mui o p o undamen e na p óp ia na u eza da a qui ec u a. Sem me que e ala ga ago a sob e o assun o, sob e o qual e ei de ol a , limi o-me apenas a egis a o p oblema, signi ica i o pa a um lei o de espaços, p oblema que es á ep esen ado em inúme os a qui ec os, podendo se examinado basicamen e em odos aqueles que oma am o espaço in e io como o e dadei o p o agonis a da sua a qui ec u a. Posso gene icamen e – a a és de uma ipologia que nes e pa icula que me enho pe mi ido es abelece ela i a às manei as de enca a o espaço na a qui ec u a – de e mina como g upo à pa e os a qui ec os ins au ado es de espaço, dos quais ce amen e W igh se á um dos maio es ep esen an es, senão o maio e mais decidido ep esen an e. Um segundo g upo des a ipologia se ia o mado pelos a qui ec os apenas o ien ado es de espaço que é omado como ge al e p é-exis en e. Ve emos como Mies in eg a po in ei o es e segundo g upo que no undo ainda se inse e o almen e num ou o mais as o esse mui o ala gado, dos a qui ec os que simplesmen e desconhecem o espaço como p o agonis a da linguagem exp essi a da a qui ec u a e pa a quem a a qui ec u a se esume a objec os isolados, conside ados apenas pelas suas qualidades olumé icas. Mas como se ia na u al não é o almen e ní ida a sepa ação en e g upos já que a a i ude dos a qui ec os nem semp e é de o al coe ência e a sua ob a so e equen emen e, adicais ainda que legí imas e oluções. As mo i ações das di e en es “ca ei as” de W igh , que não pa ece e em ido in luência semp e posi i a na coe ência eó ica do seu posicionamen o, a qual pa ece e iden e baixa mui o de qualidade nas suas ob as de 50. De qualque manei a pa ece-me que com odas as suas ambiguidades que se lhe possam apon a , nomeadamen e nesse plano eó ico, W igh oi sob e udo nas p imei as décadas em o no de 1900 um ins au ado de espaços, caminho po ele desb a ado de manei a ex emamen e b ilhan e. A incomp eensí el ap oximação que dele se ez à ob a de Mies, oi de alguma manei a omen ada pelo p óp io W igh em N.Y. que numa lição a alunos em 1952, desen ol e esquemas g á icos que di ec amen e se podem en ende como de edo es de abo dagem miesiana. Pa a além da p óp ia ca ac e ização do espaço é signi ica i o, ou é-o pa a mim que no melho W igh , possa quase semp e en ende -se uma la ga 81. (VER) 82. V. And é LEROI-GOURHAN – As Religiões da P é-His ó ia. Lisboa: Edições 70, 1985 (1964) 37 83 comp eensão das espessu as enquan o alo exp essi o . Mies an de Rohe 2)- Cons i ui ao que penso um exemplo ex emo do ipo de lei u as que conside o gene icamen e desadequadas, o caso da ob a de Mies Van de Rohe, que embo a já quase que exaus i amen e es udado, no en an o pa ecia- me me ece uma análise que a es u u asse em pa âme os di e en es dos habi ualmen e u ilizados, o que não ou ago a seque en a , no apon amen o de lei u a que aqui me limi o a esboça mui o b e emen e, mas que me pe manecem po encialmen e como pon os impo an es a abo da num es udo que lhe osse e ec i amen e dedicado. Em boa e dade c eio que a sua a qui ec u a e ao con á io de opiniões mui o di ulgadas não ep esen a qualque domínio espacial consis en e, nem isso apa en emen e o pa ece e in e essado seque , po p i ilegia uma isão a qui ec ónica limi adamen e olumé ica. (ala ga ) ob iamen e inculada ao mo imen o Neo-Plás ico. Ze i conside a-o “o expoen e máximo da sin axe neo-plás ica” e o Pa ilhão de Ba celona “uma ob a-p ima des a poé ica”. Con on ado numa en e is a com es a ap oximação ao neo-plas icismo, Mies eage com alguma b usquidão espondendo que essa ap oximação “não 84 em nenhum sen ido” . Pa ece no en an o e de se acei a in ei amen e aquelas duas classi icações de Ze i. Mas es a á incluída alí alguma noção de espaço-exp essi o? Wal e Benjamim az uma obse ação gené ica sob e a qualidade de espaço desen ol ido na Bauhaus que me pe mi o du ida se se ia seque possí el aplicá-la à ob a de Mies. A i ma Benjamim e em-se ali c iado, na Bauhaus, “espaços em que a 85 expe iência e a impossí el” . 86 A obse ação em azão de se . Mas em Mies p o esso e úl imo Di ec o da Bauhaus, não esquecendo, o que é equen e, oda a ambiguidade da sua in e enção no desempenho desse ca go, a noção de espaço moldado que é o que ago a en amos a a , pu a e simplesmen e não exis ia com as consequências que de aí ad i iam. Mas não e a só a moldagem exp essi a de um espaço que lhe e a es anha. E a a p óp ia noção de espaço que ele pa ecia desconhece e azia po desconhece . No en an o al ez hou esse em Mies nesse desconhecimen o alguma és ia de coe ência ainda que in olun á ia, já que es a noção espacial e a ambém 83. (VER)/ ( “a i a pela janela o a as es u u as a qui ec ónicas depois de ápido consumo como la as azias <Ado no> ci em Polémicas… pág 521). 84. Con e sas com Mies an de Rohe. Ba celona: Gus a o Gili, 2006 (1960), pág. 41 85. Jö n ETZOLD – “Hono ing he Dead Fa he ? The si ua ionis s as hei s o he Bauhaus” in The Bauhaus Con li s 1919-2009. Con o e sies and Coun e pa s. Os ilde n: Ha je Can z Ve lag, 2009, p.154. 86. V. Ado no em elação à Bauhaus 38 o malmen e ecusada pela sin axe neo-plás ica. Pa a o dize b e emen e, es ou con encido Mies an De Rohe nunca e sido – po con icção ou ipo de sensibilidade – enquan o a qui ec o um ins au ado de espaços, mas apenas um mui o alen oso o ien ado de espaços do senso comum sob e cuja na u eza ele nunca e dadei amen e se ques ionou. Ainda que B uno Ze i de enda que Mies enha chegado a alguma noção de 87 espaço po ias p óp ias . O que en e às ob as since amen e du ido. Seja dessas alegadas ias pa icula es, seja da conclusão de que nesse domínio ele i esse chegado osse onde osse. Suponho no limi e que Mies pode de ac o e p essen ido algumas ezes, alguns ac o es de espaço no Pa ilhão de Ba celona, a a és da magní ica colocação da escul u a de Geo g Kolbe que não só ma ca um pólo impo an e no dinâmico equilíb io plás ico do espelho de água que ema a o pa ilhão, como unciona ainda como esplêndido e e encial de p o undidade pa a 88 quem se si ua jun o do comp ido banco no ex e io . E a p o undidade pe manece na a qui ec u a como uma dimensão undamen al. Só que Mies consegue aquele a amen o, ugidio ainda que sensí el, an o quan o eu saiba, apenas no Pa ilhão de Ba celona. E es e pe manece peça isolada, nunca mais sendo abo dado na ob a de Mies nada com a coe ência e a o ça daquele Pa ilhão. Que Mies enha eagido con a composições espaciais mui o elabo adas com pa icula des aque depois da sua chegada aos E.U, a pa i da qual “os seus 89 espaços se e ão o nado cada ez menos ensos” como p opõe Colin Rowe , a e o-me ambém a pensa se uma lei u a com duas cha nei as de engano. P imei o po e em sido a as as ezes que em oda a sua ob a, Mies abo da seque a espacialidade da a qui ec u a com alguma consis ência. Mesmo no caso de Ba celona que é um desses a os casos, as indicações espaciais demons am se excessi amen e ímidas e isoladas. A isca ia mesmo a dize casuais. Segundo po que em consequência em odo o pe cu so de Mies, os espaços não se ão em qualque momen o menos ou mais ensos. Se azendo uso de alguma mode ação Paul Rudol seu aluno já em Chicago 90 conside a em en e is a ”limi adas” as suas noções espaciais . Se ao ala do Seag am Building de 58 Ze i a i ma a que “Quan o ao espaço 91 esse não exis e” ape ece ac escen a que são essas as ca ac e ís icas de odo o abalho de Mies. De aí que não possa en ende e em os E.U. de inido qualque cha nei a pa icula men e signi ica i a. 87. B uno ZEVI – His ó ia da A qui ec u a Mode na. Lisboa: A cádia, 1973, pág. 487 88. V. A. Von HILDEBRAND – El p oblema de la o ma en la ob a de a e. Mad id: Viso , 1988. [nes a ob a Hildb and (p. 15) e lec e sob e a ques ão da p o undidade. No a do edi o ] 89. Colin ROWE - Manei ismo e A qui ec u a Mode na. Ba celona: Gus a o Gili, 1999 (1976), pág. 138 90. Jeanne M. DAVERN – “Con e sa ions wi h Paul Rudol ” (A chi ec u al Reco d, ol. 170, Ma ch 1982, pág. 90-97) in Paul RUDOLPH – W i ings in A chi ec u e. New Ha en: Yale School o A chi ec u e, 2008, pág 108. 91. B uno ZEVI – His ó ia da A qui ec u a…, pág. 575 39 De ini i amen e, como pon o que enho po segu o a i mo que em Mies os espaços nunca exis i am como ma e ial exp essi o. Assim conco dando po in ei o com a classi icação de “ob a p ima” a ançada po Ze i, não posso conside a Mies como e dadei amen e conscien e de p oblemas espaciais. Podemos al ez no limi e ala como excepção das duas casas, a Es e s e a Langue, já do começo da década de in a. É escla ecedo que Clai e Zimme mann obse e que nes as duas “As casas 92 es ão mais cen adas no seu in e io ” A ão celeb ada “Casa de Campo em Tijolo” de 1924, “casa sem conclusão 93 nem oco” como especi ica Colin Rowe , esul a apenas como um g a ismo neo-plás ico, sem e dadei a consis ência, numa daquelas es anhamen e di e si icadas apos as a que Mies se dedicou nos seus céleb es “Cinco P ojec os” da década de in e. E não se á po acaso que Clai e Zimme man alguns anos depois, ao analisa o Pa ilhão de Ba celona sen e necessidade de usa aspas ao e e i -se à 94 possibilidade de se en a no seu “in e io ” . Po que de ac o não exis e em Ba celona p op iamen e uma noção de in e io . E a al a de um espaço in e io exp essi o ambém in alida de imedia o como imos, qualque iabilidade de um espaço- ansição. Pa a um pa ilhão de ei a essas ca ac e ís icas pode iam se pe ei amen e jus i icadas. O e o e á sido mesmo en a passa a mesma lógica exclusi a de “planos o ien ado es” de espaço pa a p og amas habi acionais e gene icamen e adop a o sis ema, como ca ac e izando um es ilo pa icula . Ze i ainda eme e como in luência neo-plás ica de an Doesbu g a 95 eliminação da noção de “den o” e “ o a” em elação à ob a miesiana , al 96 como ambém o az Colin Rowe que escla ece que Van Doesbu g p opõe 97 esolu amen e ”a abolição do cen o” . Mas em a qui ec u a ao p ocede a essa eliminação do den o e do o a, bem como o p ocede à abolição do cen o ou á abolição do espaço, é a p óp ia 98 noção de habi abilidade que se es á de ac o a comp ome e . 99 A “sup ema indi e ença pa a com a habi abilidade” que Caccia i lhe apon a se á assim o di ec o e lexo dessa a i ude miesiana em elação ao espaço da a qui ec u a. De es o bas a e a Casa Tugendha de 28, ou a Casa Fa nswo h de 45 pa a pe cebe essa obse ação de Caccia i. Em Mies podemos ce amen e admi i a sua noção de espaço abs ac o e mensu á el, onde se si uam coisas, is o é, enquan o “spazium” mas de o ma 100 alguma com a complexidade e iqueza de uma noção enquan o “ aum” . Falando da sua ob a pa ece que es a dis inção heidegge iana em esul a como pa icula men e escla ecedo a do que p e endo. 92. Clai e ZIMMERMANN – Mies an De Rohe. Köln: Taschen, 2007, pág. 33. Sublinhado meu. 93. Colin ROWE – Manei ismo…, pág. 53 94. Clai e ZIMMERMAN – Mies an de Rohe..., pág. 39 95. B uno ZEVI – Lee , escibi …, pág. 9 96.Colin ROWE – Manei ismo…, pág. 53 97. V. aqui o Eisenman no Mon ane 98. O au o inha aqui ano ado “ . Loos W igh –Le Co busie .” o que pode signi ica a in ensão de dica alguma a enção às ques ões des es a qui ec os como exempli ica i a das ideias em jogo. No e-se que Ped o Viei a de Almeida a ibuía g ande impo ância à noção de habi abilidade, en endendo que “enquan o noção eó ico-c í ica de la go espec o de signi icados, [a noção de habi abilidade] pode e de e se analisada não só enquan o pa âme o de alo ação a qui ec ónica, mas mesmo enquan o ins umen o de po encial e icácia no desen ol imen o de uma p ojec ação c edí el” (Ped o Viei a de Almeida, 2009) . Es e oi um ema impo an e das suas aulas. Em 2009 oi ambém objec o de uma p opos a pa a um encon o cien í ico, ap esen ada em 2009 ao Cen o de Es udos A naldo A aújo e que não hou e ainda opo unidade de conc e iza . No a do edi o . 99. Massimo CACCIAIRI – “Eupalinos o A chi ec u e“ (Opposi ions 21, Summe 1980) in A chi ec u e Theo y since 1968. K. Michael HAYS (ed.). Camb idge, Massachuse s/ London, England: The MIT P ess, 2000, pág. 404. 100. Viei a de Almeida ano ou no ex o “( e e i aqui o Van de Ven, ou o Bullnow. F amp on?)”. V. Co nelius Van de VEN - El Espacio… e BOLLNOW – Homb e y Espacio. Ba celona: Labo , 1959. No a do edi o 40 Também não c eio que nos enhamos pa icula men e de penaliza po 123 pa ece ha e um sen imen o di uso de iden idade en e nós po ugueses . Se emos nós apenas a e essa isão i ealis a da nossa cul u a? Não e i ica Vi ó io G ego i ha e na cul u a I aliana uma “ambígua endência pa a ugi á ealidade do país, seja p ocu ando p ojec a -se num 124 passado de glo iosos sonhos, seja p ojec ando-se num u u o quimé ico”? E não c eio ambém que p ecisemos de conside a com algum d ama ismo, a iden idade como obs áculo úl imo, “ ochedo con a o qual se despedaça o 125 desejo de mudança” . Tenho mesmo alguma di iculdade em concilia a imagem desse ca ác e di uso e ne oen o da nossa iden idade com a imagem solidamen e compac a de ochedo, opondo-se a qualque mudança. Po ou o lado ac edi o, se á abusi o a icula de imedia o a noção de iden idade com ci cuns anciais discu sos nacionalis as de inspi ação mais ou menos omân ica, e decaden e. Isso e á sido o ca ác e da iden idade especi icamen e no século XIX, depois p olongado po mo i os de odos conhecidos em g ande pa e do século XX. Mas acabou. Se no pon o de is a es i o da his ó ia- ac ual al a iculação ainda pode á e algum sen ido, já no pon o de is a de uma lei u a c í ica me pe mi o du ida . Além do mais a noção de Iden idade de que se ala a no século XIX e pa e do século XX é es u u almen e di e en e daquela de que podemos ala hoje e que o c e que se á mesmo essa p og essi a e olução de signi icado que in e essa á acompanha , nes e momen o já com ou a u ilidade e ou a ope acionalidade. Es ou de es o con encido que desde que num quad o cul u al mais exigen emen e es u u ado cada ez mais se á di ícil deixa de aze esse 126 acompanhamen o . É que hoje e quase pa adoxalmen e, a noção de iden idade é cada ez mais necessá ia. Que es a nossa iden idade po uguesa es eja semp e “em c ise”, como ainda 127 e e e o au o az-me na u almen e pô um ou o p oblema mais ge al, que é o de sabe se não é da na u eza da p óp ia iden idade, o es a em cons an e c ise, is o é se é cul u almen e de ensá el, ú il ou seque possí el abo da a iden idade como uma noção es abilizada como uma ideia-coisa e não como um eixe-de-ideias que nos cabe ag ega num p ocesso em pe manen e ea aliação, semp e à p ocu a dos seus p óp ios limi es numa inin e up a econs ução in e na. 128 Que o supo que bem ao con á io do que pa ece incomoda o au o , a iden idade se de ine semp e como c ise iden i á ia. E c eio que só nes e caso, econhecida a dinâmica es u u an e p óp ia, a Iden idade deixa á de se uma ideia de manipulação po encialmen e pe igosa, 123. José GIL – Em busca da Iden idade… 124. V. Vi o io GREGOTTI – “La Mé aphysique, le No ecen o, le Ra ionalisme à l'Aube du Design I alien” in Les Realismes 1919-1939. Pa is: Cen e Geo ges Pompidou, 1980, pág. 336. T adução li e do au o . V. Ka e Nesbi pa a ex os ame icanos. 125. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 20 126. O au o inha ano ado “(VER o esquema de mode nidades) / (ac escen a aqui a si uação pa icula na globalização e numa pos - mode nidade)”. Pa a uma melho comp eensão das ideias pa a que eme e, ecomendam-se os abalhos Da Teo ia. Oi o Lições (Po o: ESAP, 2005) e “Sis emas de Teo ias – Esquemas de Mode nidades” (Espacio Tempo y Fo ma, nº 18-19. Mad id: UNED, 2005/2006, p. 307-20). No a do edi o . 127. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 58 128. V. José GIL – Em busca da Iden idade… 47 em si mesmo es agnan e na nossa cul u a ou na nossa exis ência pa a passa a se uma ideia-desa io, com uma ca ga p o ocado amen e p oblemá ica que a cada momen o ai exigi de nós as nossas espos as. Não emos de acei a nem o ica pa alisados en e à ideia de iden idade em si 129 mesma nem p ocu a iden i icá-la enquan o “obs áculo” Tal ez que só nessa al u a possamos ul apassa aquela “ elação i ealis a que 130 man emos connosco mesmos” de que ala Edua do Lou enço 131 Ce o que oi mal u ilizada em passado ecen e e em g ande pa e esponsá el po c imes que a odos en e gonham sob e udo po que pelos mesmos ou ou os mo i os – e há semp e p on a uma ca uchei a de mo i os di e sos que se podem in oca – não deixa am de se epe i a é hoje e em c escendo, sem que uma consciência colec i a os denuncie e cla amen e os ep o e. Mas cla o que isso não é a ibuí el à noção de “iden idade” em si, mas sim ao conc e o e pe e so uso que dessa noção se ez se em ei o e – não o esqueçamos – con inua a aze -se ei e adamen e. Casa po uguesa 3)- Nes e abalho que ago a ap esen amos, le an a am-se-nos inúme os p oblemas de índole eó ica que decidimos não a a , po se em de ce a manei a ma ginais à in es igação p og amada, mas que po ou o lado con inha mesmo assim e e i ainda que b e emen e, po alguns aspec os pa icula es. O es a ado ema da “casa po uguesa” es a á p ecisamen e nes e g upo. No en an o alguma e e ência em de se lhe aze . O que no nosso es udo abo dámos colec i amen e oi uma a aliação c í ica de a gumen os disc e os de a qui ec u a que conside ámos de ec á eis nos exemplos escolhidos, sem nunca os p ocu a eag upa no sen ido de encon a qualque o mulá io a qui ec ónico capaz de p omo e qualque ipo especí ico de habi ação popula . Cu iosamen e essa possibilidade de maio agilidade c í ica es a a desde logo p esen e em alguns dos p imei os ex os undado es da ques ão, ex os que es ão na o igem de oda a a as ada polémica que se de e ia a as a pelas 132 décadas seguin es . Pa ece no en an o que esse aspec o oi pos e io men e esquecido, ou só espo adicamen e elemb ado. Nes e pa icula al ez que um dos mais p uden es e lúcidos con ibu os, possa e sido já nos p imei os anos do século XX, o de João Ba ei a suge indo dubi a i amen e embo a, o ha e elemen os a qui ec ónicos que pa eciam ga an i alguma unidade à habi ação u al no e i ó io po uguês. Tal ez que osse pa a o “p oblema” a o mulação limi e. 129. José GIL – Em busca da Iden idade…, pág. 21 130. V. Edua do LOURENÇO – O Labi in o da saudade. Lisboa: Dom Quixo e, 1988 (1978), pág.19 131. Ve al ez aqui iden idades na Alemanha nazi. No a in oduzida pelo au o nes e pon o do ex o. No a do edi o . 132. Na linha seguin e o au o ano ou “(Aqui o conde A noso?)”. No a do edi o . 48 Toda a ques ão da casa po uguesa não deixa de su gi hoje como uma empes ade num copo de água, sob e udo pelo insis en e não escla ecimen o do que se es a a na ealidade a discu i e a in es iga . O í ulo da ques ão ep esen a a logo um engano de e minan e. Engano que oi se oi p olongando ao longo dos a gumen os aduzidos a a o ou con a, odos eles en ol idos no also e pa ió ico p oblema da e en ual ealidade da “casa po uguesa”. Embo a demons ando em mui os casos sensibilidade e a é capacidade in es igado a, os a gumen os esg imidos acaba am semp e po cai no 133 a olei o da exis ência ou não da mí ica “casa” . Po ou o lado ambém a ní el o icial, dos pa âme os aqui a ados como a “espessu a” e o espaço- ansição, sob e udo o p imei o pode e sido de e minan e pa a de ini g aus de adesão e ejeição no que espei a a linguagens de a qui ec u a. São nes e pa icula mui o e elado es alguns pa alelismos que em Po ugal podemos encon a com a e olução da si uação nomeadamen e em I ália. Pa icula men e o “No ecen ismo” – es ilo de solenes monumen alidades – que Ma ga ida Sa a i p omo e num mais ou menos explíci o pac o com o Es ado Fascis a, que Mussolini em a adop a publicamen e em 1923 e 134 1926 . Em Po ugal emos de e em con a a in luência de An ónio Fe o, que pa ece ób io que e desempenha en e nós ao ní el do Es ado No o o papel que Ma ga ida Sa a i desempenhou em Roma. E al ez a asado de uma década (?) Fe o que se que con ic o u u is a, mas 135 ce amen e mais adep o dos “Valo es Plás icos” – o que não deixa a de se con adi ó io no salaza ismo– em de en ende o país e a si uação po uguesa, pondo en e pa ên esis a acele ação u u is a e adop a um empo congelado do “No ecen ismo” mais adequado aos igu inos do Es ado No o, só que não es i o ao ní el da monumen alidade, mas ao ní el de oda a o ganização do e i ó io. Po ou o lado ambém no campo especi icamen e a qui ec ónico hou e en e nós gen e pa a quem a adição joga a de ac o como um alo ines imá el pa a a a i mação de alo es de mode nidade. Um alo cul u al decisi o. Só que esses poucos nunca o am de ac o ou idos, ou apenas ou idos de manei a dep ecia i a, po que au oma icamen e cono ados a ní el ideológico. Suponho que das pio es he anças – e emos á ias – que em Po ugal conse ámos do pe íodo do Es ado No o, e á sido essa ceguei a dico ómica que nos impediu o lança de uma discussão abe a, não p econcei uada, que de au o es que de emas. Au o es de quem se pode ia disco da ce amen e, emas que ine i a elmen e 133. Ano ação do au o : “( na Pos mode nidade.--- Fal a qualque coisa)”. No a do edi o . 134. Ped o Viei a de Almeida indica a de seguida como e e ências pa a desen ol imen o do ex o: “V. Abso ção em I ália, do acele ado empo Fu u is a aos “Valo es Plás icos”, na linguagem do No ecen o pausada, de exempla con enção. V. A espessu a como a iá el signi ica i a”. No a do edi o . 135. Aqui o au o inha ano ado “( e )”. No a do edi o . 49 se pode iam en ende segundo di e en es pe spec i as, mas sem que de imedia o se en asse me e a odos, au o es e emas em ga e as classi ica ó ias, po si mesmas logo bloqueado as de qualque análise sé ia. Pode íamos conside a esses au o es e emas, mui o ou pouco comp ome idos, mui o ou pouco comp ome edo es e incómodos, mas p ecisamen e po isso, po odo o g au de comp omisso e incomodidade que lhes o am a ibuídos, é que ambém oda a abe u a e oda a al a de inibido es p econcei os se impunham. Nes a al u a pode no en an o se de ec ado um g upo especí ico que gos a ia de des aca po me pa ece pode se i pa a uma melho comp eensão de oda a e olução des e pe íodo e que ep esen a o assumi de um p oblema um an o especí ico embo a enquad á el no conjun o de emas de que emos indo a ala . Esse g upo pa icula ex emamen e eduzido, é o que chamo dos a qui ec os p é-Pos -Mode nos. G upo dos a qui ec os p é-Pos -Mode nos 4) Sou po an o ob igado nes e momen o a aze uma e e ência sucin a a um ema que suponho me ece melho e mais p olongada a enção, o que penso i a desen ol e nou a opo unidade, ago a apenas deixando no a algumas e azões e a gumen os in odu ó ios que não p e endem mais que o nece alguma c edibilidade à hipó ese. A lógica de conside a em especial um g upo com es a designação, nada em de a bi á io e de i a na u almen e da noção que an e io men e a ancei de Pos -Mode nidade, e do que es a noção em implica de in eligen e abe u a ao diálogo in e -cul u al. Pa a além de nes e p eciso quad o in e p e a i o eles ap esen a em ca ac e ís icas de peso a conside a , ambém são igu as que indiscu i el- men e exe ce am g ande in luência no meio cul u al nacional. Na ealidade a a-se de um g upo mui o limi ado que em igo consen e apenas duas pe sonalidades Raúl Lino (1878-1974) – Ca los Ramos (1897- 1969). Podem alo iza -se um e ou o de manei a di e en e, conco dando ou não com as ideias de que quise am se in é p e es, mas não se pode du ida da sua o al since idade, nem do p o undo sulco que signi ica am no nosso pano ama. São di e en es os pe cu sos e as manei as pelas quais é possí el conjugá-los den o da mesma ca ego ia cul u al. Raúl Lino po o mação co esponde aquilo que se pode ia chama um es angei ado que sai de Po ugal mui o no o, e só eg essa ao país depois de comple ados os seus es udos. 50 Mas é essa mesma o mação que o ai inci a a desen ol e uma p á ica p o issional que exal a os alo es de habi a que encon a ainda exis en es, na a qui ec u a local, mas em p ocesso de p og essi a deg adação. De ac o é bem conhecido que o seu pe íodo de o mação se passou no es angei o, em p imei o luga em Ingla e a e depois na Alemanha. Reconhecendo embo a o signi icado da p imei a sob e udo na es u u a e o alecimen o de um sen imen o in e no de dignidade p óp ia – o “sel espec ” que o p óp io e e e – e da segunda sob e udo na la ga in luência cul u al exe cida po Alb ech Haup – o que em p incípio é indesmen í el – enho de endido que no en an o e ao con á io do que mui as ezes é e e ido, al ez po p imá io psi acismo não excessi amen e c í ico, não e á sido p op iamen e o ambien e alemão que e á ma cado de ini i amen e Raúl 136 Lino no pon o de is a p o issional mas mui o mais o ambien e aus íaco . De es o es a in luência aus íaca al ez não mui o analisada, oi mui o gene alizada em Po ugal, podendo e i ica -se num núme o mui o maio de a qui ec os e de ob as le adas a cabo. Mesmo nes e es i o g upo, Lino de ém uma posição algo pa icula , a é pela p ecisão das suas e e ências. Po exemplo apon a a como um e o, o ac o de se igno a quan o da 137 a qui ec u a e a de ido “à simples espessu a das suas pa edes” . E nas suas melho es ob as, como a Casa Mon sal a ou a Casa do Cip es e es á p esen e essa a i ude que não é só plás ica mas que undamen almen e ecob e uma es u u a exp essi a e espacial que po sua ez signi ica uma manei a de habi a . Pos e io men e o mesmo Lino em abo da á ias ezes o ema, a e endo- me eu a conside a que es a sensibilidade a alo es de espessu a, e á ido quase ine i á eis epe cussões em oda a sua posição p o issional, na medida em que como c eio, de e e con ibuído pa a o seu desen endimen o da linguagem mode nis a, que decididamen e explo a a uma isão adical de uma poé ica de pa edes delgadas. Como caso pa icula men e ele an e, ac edi o mesmo pode ali, nessa sua sensibilidade à espessu a esidi po exemplo, a explicação pa a aqueles qua o pe íodos na ob a de Lino, de p og essi a edução de e icácia da linguagem exp essi a que com algum a e imen o julguei pode de ec a em 1970. Es a edução co esponde ia assim a uma ce a al a de con icção p óp ia e a uma assimilação de algum ecle ismo o mal. Depois do pe íodo de “Fo mação e P opos a” que se p olonga a é aos anos 20 admi ia e en ado Raúl Lino num pe íodo de p imei a edução de linguagem. Um segundo pe íodo de edução de exp essi idade p olonga -se-ia po oda a década de 30 e um e cei o pe íodo inicia -se-ia com a Exposição do Mundo 138 Po uguês em 40 . 136. É pena que ainda não se enha explo ado – pelo menos que eu saiba não oi ei o – no a qui o e na co espondência de Alb ech Haup ou mesmo de Raúl Lino, alguma e e ência mais explíci a a es a elação que e ia no á eis implicações em Po ugal. 137. Raul LINO – A Nossa Casa. Apon amen os sob e o bom gôs o na cons ução das casas simples. Lisboa: A lân ida, 1918, pág. 31 138. Na linha seguin e cons a a: “Em “Mon sal a ”… (Ca álogo pág. 140) (espessu a pág. 142) (o echa da Po a) Casa u bana)”. A e e ência ao ca álogo eme e pa a Raul Lino (Lisboa: Fundação Calous e Gulbenkian, 1970), não se endo iden i icado pa a que abalho eme e a e e ência à espessu a. No a do edi o . 51 Posso ago a en a explica que essa edução se e á icado a de e , segundo c eio, a uma na u al en a i a po ele ei a, no sen ido de in eg a p og essi amen e no seu discu so uma poé ica de pa edes delgadas, a impe an e ”skin and bones”, a i ude al ez um pouco inad e ida, conside ando que es a e a uma poé ica a que es u u almen e e a alheio o seu p óp io uni e so exp essi o. Lemb emo-nos ainda daquela sabo osa con e sa no B asil com Lúcio Cos a, 139 que Raul Lino con a na Au i e de Jo nada , con e sa em que aquele lhe e á obse ado que os eu opeus es a iam a os de uma adição que os op imi ia, e que le a á Lino a comen a com alguma pacho en a i onia que a ele pessoalmen e a adição nada pe u ba a, depois ac escen ando em comen á io pos e io , e pe cebido ali que Lúcio Cos a não que ia seque “ou i ala de adição”. Os p incípios po ele de endidos o am gene icamen e mal en endidos, ob igando-o po mais de uma ez a oma pública dis ância em elação sob e udo a p ojec os de gen e que al ez ac edi asse es a a segui-lhe os ensinamen os. O segundo a qui ec o signi ica i o nes a pe spec i a de pa icula equilíb io en e consciência c í ica local e in luência c í ica in e nacional pe ila-se Ca los Ramos, que de es o como a qui ec o ainda abalhou nos seus p imei os anos de p o issional no a elie de Lino. No seu caso, a si uação se compa ada com a de Lino ap esen a-se, como que in e ida. Ao con á io de Lino, Ramos é um a qui ec o de o mação nacional. No en an o in e p e ada com g ande in eligência c í ica e se iedade cul u al, es a o mação pe mi e-lhe ab i la gamen e o in e esse pa a p á icas p o issionais desen ol idas nou as pa agens. Ainda que os seus pa icula es pe cu sos sejam bem dis in os, ambos Lino e Ramos compa ilham de uma posição p o issional pa icula que se di ia ambígua, e que sob e udo ao empo não g anjea a mui as solida iedades. Es a “ambiguidade” em a e com uma mi igada eacção de ambos em elação ao mo imen o mode nis a, eacção mais emo i a e polémica da pa e de Raul Lino, mais mode ada e analí ica da pa e de Ramos, o que e a pe ei amen e jus i icado pelas di e en es pe sonalidades, pela di e ença de ca gos desempenhados, pela p óp ia di e ença de ge ações que ep esen a am. Como se ia ine i á el no nosso meio, em ambos o am “de ec ados” alegados indícios de um espí i o algo complacen e, senão mesmo pu as cedências em elação ao pode polí ico, acusações que pessoalmen e ejei o na o alidade, mas sob e as quais me não in e essa desen ol e quaisque a gumen os, po en ende que al nes e momen o, não ale a pena. .139. V. Raul LINO – Au i e de Jo nada. Lisboa: Ed. De Valen im de Ca alho, 1937, pág. 95 52 Seja como o em Po ugal Ca los Ramos e á sido além de Raul Lino, das poucas pessoas a en ende a Mode nidade na sua po encial complexidade cul u al de loosianamen e se exigi “da sua his ó ia, da sua adição”, como condição necessá ia, e de e ei o es o ços – de ce o nem odos po igual adequados nem igualmen e e icazes – pa a o exp essa em em e mos a qui ec ónicos e pedagógicos e po isso po essa mesma exigência, a desen ende -se com a obs inada e blocada nega i idade das posições excessi amen e simplis as e adicais, ainda que bem in encionadas que se lhe an epunham. Com uma esponsabilidade sob e udo pedagógica-ins i ucional, p imei o como p o esso e depois como Di ec o da Escola de Belas A es do Po o, Ramos e e de se a i ma num meio polí ico ad e so, o que não poucas ezes o e á ob igado a e ea c í icas e a en a compa ibilidades e consensos que sabia a sua esponsabilidade não pode ejei a . É po ou o lado conhecida a sua pales a c eio que de 1933 na Madei a na qual ele p opunha uma linguagem acen uadamen e mode na pa a p og amas de edi ícios públicos, mas ese ando uma linguagem mais popula men e acessí el em p og amas habi acionais de bai os económicos, o que sob e udo e i icando essas opções na sua ob a cons uída, deixa pe cebe a consciência que inha da necessidade não de uma denegação dos p incípios mode nis as, mas de uma conside á el ma gem de maleabilização e en iquecimen o na sua aplicação conc e a. Não po acaso e e indo mais a de B asília e ainda que a conside e uma “ lição eno me”, não deixa de comen a e elado amen e que há aspec os de ida de elação que não se ci cunsc e em a esquemas uncionais, ac escen ando que a ida humana nas suas exp essões mais sub is exige uma au onomia e uma libe dade que os planos não de em impedi . Es as a i udes de alguma manei a explicam o seu discu so em 1947 na inaugu ação da ODAM em que ele e e e ha e aquilo a que chama a “ge ação do comp omisso” na qual se conside a in eg ado, elici ando a no a ge ação, po nela já se em possí eis leques mais abe os de escolhas mais adicais em que a a enção c í ica ao local, e a a enção c í ica ao in e nacional pudesse se caldeado com meno es es ições impos as pelo meio. Po an o não podemos en ende es a obse ação como uma espécie de mea- culpa de ge ação. Pelo con á io ela pe mi e pe cebe quan o pa a Ramos a de inição de uma posição p o issional co ec a inha de co esponde a um lúcido e dinâmico diálogo en e aquilo que e am os p incípios de assumidas posições in e nacionais e uma consis en e a enção a alo es locais, o que o ma alguma co espondia à lei u a da gene alidade dos jo ens en usias as ade en es da no a linguagem. Na sua apa en e modés ia, Ramos es a a a e bas an e mais longe. 53 E em 1933 como epíg a e dum ex o seu sob e a qui ec u a inha ci ado uma ase que pa ece esumi odo um p og ama de uma in enção de um esponsá el In e nacionalismo C í ico: ”Péné a ion in e na ionale, In e p é a ion na ionale, cés ou le sec e de l´ha monie du monde de demain”. É e iden e que Ramos não c iou a ase, apenas a ci a, mas en ende-la como aplicá el ao uni e so da A qui ec u a ep esen a uma es u u a c í ica mui o pa a além do espí i o co en e. Se a is o jun a mos a sua á ias ezes decla ada a enção às exp essões locais, 140 emos o mado o caldo de cul u a de uma e dadei a Pos -Mode nidade . É e iden e que pa a ambos Raúl Lino e Ca los Ramos, aquela complexidade cul u al que Loos e e ia, – mais p essen ida que p op iamen e eo isada – inha ecusa em absolu o aquela alsa dico omia ão in ocada na época en e Mode nidade-T adição. De es o nem a “Mode nidade” que a ambos impo a a se de inia nos pa âme os en ão co en es, nem a “T adição” que ambos e e iam, inha osse o que osse a e – se ia mesmo o opos o – daquela ou a “ adição” que não se ap esen a a senão como mis i icação, desbo ado e au o complacen e olclo e. Pa a eles “Mode nidade” e “T adição” não cons i uíam de odo en idades dico ómicas e é conc e amen e po es as azões que se o na suges i o jun a es es dois nomes como con igu ando um g upo dos a qui ec os com consciência de uma pos -Mode nidade, mas que po mé i o p óp io e no meio de ge al incomp eensão decidi am a i ma-lo mui o an es de meados do século XX. Po in eg idade cul u al, po “sel espec ”. De aqui o pode em se designados pelo eba ba i o nome de a qui ec os p é- Pos -Mode nos. Ou os Exemplos Po ugueses 5) Pa a os a qui ec os de inculação mode nis a o ema das pa edes espessas é quase semp e o almen e desconhecido, po meno consciência c í ica, de es o assumidamen e en endida como p o a de idelidade e mili ância democ á ica e angua dis a. No en an o con a iamen e ao que se pode ia al ez espe a , exis em em elação aos dois pa âme os que decidimos es uda á ios casos conc e os abo dá eis em Po ugal, dos quais alguns a é al amen e quali icados. Ce o que não excessi amen e en endidos enquan o al, o que a é se comp eende dada a gené ica obediência dos a qui ec os aos códigos mode nis as e dado que esses códigos o am usados em Po ugal como a gumen os de esis ência con a o Es ado No o. 140. Podiamos p e ende inclui nes e g upo, um Keil do Ama al endo em a enção a sua lei u a da mode na a qui ec u a Holandesa. Só que Keil me pa ece menos coe en e e sob e udo nunca endo e dadei amen e exp esso como es e equilíb io se es abelece ia. 54 E isso al ez a é jus i ique, que a sua abo dagem nunca seja o almen e on al, e se cub a de algum p uden e expe imen alismo. Mas es e ac o em mesmo con e i ainda maio impo ância a es es casos, já que neles se e ela uma sensibilidade espon ânea ao impac o exp essi o de uma poé ica de pa edes espessas o que os le ou embo a man endo uma ó mula cons u i a de pa edes delgadas, a desen ol e uma lógica exp essi a que às pa edes espessas inequi ocamen e se liga a. Des es casos suponho pode apon a a Ig eja de Águas de Nuno Teo ónio Pe ei a, como o p imei o ensaio conscien e nessa di ecção. A p imei a no ícia c í ica sob e es a Ig eja, de o-a a um suges i o a igo de 141 Nuno Po as publicado na e is a A qui ec u a . Nesse a igo Po as chamou a a enção pa a o con ole de luz na u al na “ osácea” do undo do pequeno emplo, no que aquela ob a mos a a se ancamen e ino ado a en e nós. Mais a de pude isi á-la e ap ecia-la em de alhe. Hoje conside o-a como de e e ência ob iga ó ia numa “his ó ia c í ica” da A qui ec u a Mode na em Po ugal. Ob a de ju en ude (os p imei os desenhos da am de 48) é gene icamen e no a amen o da luz que pa ece su gi como de mais madu a e suges i a linguagem. Mas se analisa mos com a enção podemos comp eende que essa modelação de luz esul a da abso ção de uma poé ica de pa edes espessas ali não abo dada di ec amen e mas en endida com i uosismo a a és do a amen o dado ao ec o also. É al ez ainda ligei amen e hesi an e nessa ma cação O que numa ob a que demons a a se pionei a, é pe ei amen e na u al. De es o mais a de aqueles apon amen os exp essi os eem conc e iza -se com maio solidez no abalho de Teo ónio Pe ei a, em p og amas de habi ação colec i a que em p incípio se di ia po p og ama esis i em à sedução daquela especí ica poé ica de pa edes espessas. Suponho no en an o que essa a i ude em impo ância decisi a. Es ou con encido de que é p ecisamen e a a és da en a i a de omen a nos ogos colec i os co en es o ipo de p oblemas e complexi icação do habi a que se di iam ípicos do ogo isolado, que se dá um g ande en iquecimen o na concepção a qui ec ónica e u banís ica, en iquecimen o que se desenha com maio de e minação a pa i da segunda me ade do século XX. Po que es a de e minação exigia a almen e a en a i a de isola e analisa com oda a lucidez os p oblemas da qualidade do habi a , pe cebendo-os com objec i idade c í ica. Há nes e aspec o uma espécie de in o mação c uzada de expe iências de que odos bene icia am. De aí que a ei e ada expe iência de p og amas de habi ação colec i a enha 141. V. Nuno PORTAS – “Dois No os Edi ícios Li ú gicos em Po ugal", A qui ec u a, nº 60, A qui ec u a Mode na Religiosa em Po ugal, Se emb o de 1957. 55 sido ex emamen e signi ica i o. E nes e es o ço em de se des aca como abalho em absolu o de e minan e no sec o , as in es igações de Nuno Po as le adas a cabo logo no início da década de 60. Se é cla o que a habi ação isolada pe mi e ou o ipo de explo ações em e mos de e inamen os de linguagem e apu amen o de con eúdos é de ac o na habi ação colec i a de ipo social que os p oblemas su gem como mais e iden es e a exigi em soluções mais in eg adas e con idas. E nesse ângulo a impo ância gené ica dos Bai os dos Oli ais. E nos Oli ais Nuno Teo ónio Pe ei a sen iu a necessidade de usa de uma poé ica de pa edes espessas, adop ando-a nas pa edes ex e io es de o ma ainda que localizada, mas undamen al na o ganização do ogo. Com e ei o a pequena janela que na o ganização dos á ios ogos, em de e mina a zona de es a , ganha uma espessu a eal na modelação da pa ede jun o à abe u a, o que o ien a a is as pa a o ex e io e de e mina os alo es de habi abilidade a espei a ao con ola a iluminação in e io . Ac esce que a sua o ma e disposição pa icula es dão a pe cebe da in encionalidade do seu agenciamen o e de que ali não se a a de uma e dadei a abe u a como as ou as, apenas que de meno amanho, mas que com aquela abe u a se p e ende e o ça exp essi amen e a noção de “massa” mu á ia a é pelo ac o da abe u a se cons i ui como um e dadei o “bu aco” na pa ede. O conjun o das Casas de Ma osinhos de Ál a o Siza dos inais da década seguin e cons i ui o segundo exemplo e e i . T a a-se ambém de uma ob a de ju en ude – Siza e a ainda es udan e – que e ela não an o um absolu o domínio no a amen o do ema, mas sob e udo alguma pe plexidade pe an e o mesmo, ainda que esol ido de o ma b ilhan e. Tudo conco e, pa a con e i a Ma osinhos uma maio cla idade pa a uma análise. Nes as exis em sinais de uma ecusa de uma a qui ec u a maciça, no que se cons i ui como uma e e ência às p eocupações que de o ma enganada ou não, são p eocupações dos a qui ec os mode nis as. Tomo como exemplo apenas uma das casas, a é po que me pa ece se aquela em que é mais e iden e o agenciamen o dos elemen os que me in e essa ca ac e iza . Desde a solução da cobe u a que é esol ida com a opção de nunca o ma ângulos sólidos, a é aos alçados que acusam uma di e sidade ní ida de a amen o, sendo o alçado p incipal de edo da seca g amá ica “sachlich” p o enien e de G opius, e o alçado la e al de in o mação plás ica 56 Ce o que aqui os a qui ec os es a am con encidos de que se limi a am a 157 epe i ensinamen os que nos chega am de o a e nunca se discu iam . O exe cício da p o issão passa a um pouco po uma espécie de gue ilha ideológica e exp essi a, – que e a eiculada ainda que sublimina men e, mesmo na ap endizagem escola – na qual a é no pon ual endu ecimen o de a i udes de pa e a pa e, não se admi ia com acilidade o ap o undamen o do ipo de análise p a icada que en e an o udo pa ecia impo . Tal ez es a seja uma lei u a que não seja gene icamen e bem acolhida mas pa ece-me que mui os a qui ec os se habi ua am a esol e os p oblemas em esquemas de “manha” p o issional, a é po que es a am habi uados a esse jogo, ainda que ligei amen e deg adado a a és da p á ica longamen e man ida de ealização de uma plan a a que aziam co esponde alçados possí eis e à escolha do clien e: es ilo mode no ou es ilo adicional. Quando em si uação u bana, se o na a mais complexa a compa ibilização, da linguagem a qui ec ónica e in enções do p omo o , sob e udo quando es e e a o Es ado, esol iam-se as con adições pessoais ou p og amá icas usando uma exp essão compósi a e inde inida que po um lado po legí imas azões de a i ude o mal, lógica cons u i a, economia e es abilidade, op a a po um sis ema de “pa edes delgadas”, o que da a meia sa is ação aos a qui ec os, a que depois se ac escen a am pesadas moldu ações de ped a nas achadas a en ol e as abe u as, - janelas e sob e udo en adas ex e io es – que con e iam aos edi ícios uma solidez o mal, uma exp essão de poé ica de “pa edes espessas”, que embo a só apa en e, pa ecia pode sa is aze ainda que ambém incomple amen e, as não mais que “adi inhadas” in enções go e namen ais. O que de aqui esul a a e a quase de ce eza uma solução híb ida sem qualidade, em que os a qui ec os pode iam jus i ica os aspec os nega i os dos seus p ojec os a ibuindo pelo menos pa e das esponsabilidades a di ec i as o iciais, o que não que dize que isso co espondesse necessa iamen e a uma delibe ada desculpa p o issional “es a apada”. Cla o que o e á sido algumas ezes mas não o oi semp e. Po ou o lado es a hipó ese az comp eende os on ões e moldu as de 158 janelas como não só deco a i as . 159 No 1º Cong esso Nacional dos A qui ec os em 48 Jo ge Segu ado ez a ap esen ação da sua ideia de “aposen amen o”, que pa a quem hoje lê as Ac as pode su gi não mais do que uma no a designação que Segu ado adop a em ez de apa amen o. C eio que no p óp io Cong esso a sua p opos a oi ambém lida um pouco dessa manei a. De ac o é ágil o desen ol imen o que Segu ado en ão az do ema e não ajuda em nada a ou a in e p e ação mais consis en e. 157. Seguia-se a indicação: “( . N. Po as “aqui como la o a”… “Le Co busie no Colin Rowe)”. No a do edi o . 158. O au o ano a a aqui: “( . aqui o e o do Po as: “emb ulho de papel de his ó ia”)”. No a do edi o . 159. Jo ge SEGURADO – “A Solução Ve ical na Habi ação Colec i a e os Aposen amen os” in 1º Cong esso Nacional de A qui ec u a, Maio-Junho de 1948. Rela ó io da Comissão Execu i a. Teses, Conclusões e Vo os do Cong esso. Lisboa: Sindi aca o Nacional dos A qui ec os, 1948, pág. 229-35. 63 Alegadamen e e á sido po acaso que o e mo e á sido encon ado no Palmei im de Ingla e a. Po acaso ou não, o pode e oca i o conc e o do e mo “aposen amen o” é bem mais la go que o e mo “apa amen o”. O segundo – o “apa amen o”— limi a-se a suge i conside ações quan i a i as e geomé icas, di -se-iam hoje economicis as na o ganização in e na do ogo e na sua a iculação ex e na no ag upamen o dos ogos, podendo mesmo de aí i a em-se como o ez Le Co busie nas Uni és, ób ias consequências de ipo sociológico, ade en e a uma poé ica de “pa edes delgadas”. O p imei o – o “aposen amen o” – pa ece consag a qualque coisa como c i é ios quali a i os na p óp ia es u u ação in e na do ogo, numa pe spec i a de ipo an opológico mais ade en e a uma, poé ica de “pa edes espessas”. Sem que e aze des e um dado absolu o, pode ia en ão a ança como hipó ese de abalho, hipó ese que numa his ó ia da a qui ec u a mode nis a em Po ugal e ia necessa iamen e de e em conside ação, de que no pa icula p og ama da habi ação económica, o abalho dos a qui ec os p o issionalmen e mais conscien es e esponsá eis se aduzia no p ojec o, em da um con eúdo e nologicamen e signi ica i o, como se se a asse de uma poé ica de “pa edes espessas”, quando na ealidade po á ias azões que a é os ul apassa am, inham de abalha e ec i amen e in eg ados numa 160 g amá ica de edo a de uma poé ica de “pa edes delgadas” . Pon o de si uação 9) A as ados p econcei os maio es e undamen ados quan o possí el os p incípios que nos in o ma am, oi já possí el en a inicia o abalho de campo do “Inqué i o” com alguma anspa ência c í ica. Assim pa ece na u al – embo a ambém um pouco p o oca i o – o en ende como quali icado objec o de es udo, o ma e ial ecolhido no “Inqué i o do 161 Sindica o” que de es o nunca e á chegado a se es udado como me ecia . Is o é c i icamen e. E es a si uação de ausência de e lexão c í ica a é pode á e indo a au o iza a epe ição de e os de mé odo, ago a já sem qualque jus i icação, em inconsequen es abo dagens como as que se e i ica am em casos semelhan es nou as pa celas do e i ó io nacional. Se podem exis i de ac o algumas e icências à lei u a que naquela época oi possí el aze do “Inqué i o” isso não em signi ica que o mesmo não ep esen e na ealidade uma con ibuição aliosíssima pa a um melho conhecimen o de um Po ugal que es a a social e cul u almen e a desa- pa ece . 160. Viei a de Almeida p e endia aumen a es e pon o em á ios aspec os que egis a a nas linhas seguin es: “(An ónio Augus o Aguia ) Po uguês Sua e? (Mungu usa?) / (Mas ambém Al alade e en adas de p édios) (Viana de Lima “sola dos empos mode nos”) (Honó io de Lima V. ca álogo) / (A espessu a e a habi abilidade)” 161. Há mesmo assim abalhos que se deb uçam sob e o Inqué i o, mas analisando-o sob e udo nos aspec os ac uais da sua ealização. Temo no en an o que inclusi amen e nesses aspec os não se e elem excessi amen e iá eis, com alguma libe alidade acei ando es emunhos e p o as documen ais cuja c edibilidade c í ica es á longe de se i ecusá el. 64 E emos de alo iza o ac o de que al ez no úl imo momen o em que al ainda e a possí el, a a és de um pequeno g upo de a qui ec os se i essem egis ado p eciosas imagens, na maio ia de g ande sensibilidade, de alguns magní icos exemplos de a qui ec u a espon ânea, e nácula. Assim nes e momen o não se a a em elação ao “Inqué i o” do es abelece de uma c í ica in e na a en a pa icula men e ao que nele pa eça mais ou menos coe en e na sua elabo ação ou nas suas conclusões, nem de uma c í ica ex e na sob e udo comp ome ida com a análise e in e p e ação das condições cul u ais e polí icas da sua ealização e ec i a. As duas e en es es ão p esen es no abalho mas apenas quan o bas e pa a delas pode e i a algumas conclusões ge ais de índole c í ica. Esse é o objec i o. Te ei en e an o de escla ece que es a posição pa a mim em nada diminui as obse ações que enho ei o ao “Inqué i o”, já que nenhum dos abalhos que eu conheça e que se lhe e i a as eliminou cabalmen e, signi ica apenas que as não ou e oma ago a. Repi o po an o que ao di igi um segundo olha àquele ace o, não es amos de manei a nenhuma en a es abelece qualque plano de ap eciação di ec a ao “Inqué i o” em si mas mui o delibe adamen e a da como que con inuidade c í ica a um abalho, de que ele p óp io a inal cons i ui um dos p imei os deg aus. Ainda que o “Inqué i o” i esse como objec i o exp esso, ma ca i me posição sob e uma alegada in enção di igis a do Es ado, de au o i a iamen e impo uma a qui ec u a adicional de aiz nacionalis a. O que é discu í el. Ha e ia de ac o po pa e do Es ado No o a in enção de o mula uma a qui ec u a com aquelas ca ac e ís icas? Sem que e abo da de no o pa a não des ia do assun o p incipal des e es udo, es e p eciso ema polémico já ão la gamen e discu ido embo a ainda ão la gamen e con uso, podemos em odo o caso du ida que osse pelo menos assim cla a aquela in enção, ão simplis icamen e exp essa, pa a além de ou os aspec os igualmen e pe inen es que se impunha analisa , o que 162 nou as al u as en ámos conc e iza . Seja como o , a con icção absolu a sob e as e en uais in enções do Go e no e -se-á aduzido no “Inqué i o” e isso e dadei amen e impo a, numa sé ia limi ação au o-impos a po pa e dos seus au o es, mesmo que po hipó ese ex ema ainda que me amen e académica, se possa admi i e ha ido o es azões que a jus i icassem. Esse ac o pode á de ac o e eduzido à pa ida não só os limi es do e i ó io em es udo mas mesmo o a capacidade de p oblema ização e in e ogação que esses e i ó ios me eciam. 162. Viei a de Almeida inha nes e pon o ano ado a necessidade de “ ol a aqui a e i ica a si uação plu al na Alemanha Goebels Rosenbe g Da é. E em I ália Pin u a Me a ísica, Valo es Plás icos, No ecen ismo e a Ma ga ida Sa a i”. Reco de-se que à da a da sua mo e, o au o inha iniciado uma in es igação sob e An ónio Fe o e Ma ga ida Sa a i, que cons i uía ambém o ema da bolsa de pós-dou o amen o que nessa da a ecebeu da FCT. No a do edi o 65 E iden emen e que embo a nos enhamos se ido como ma e ial-base do espólio do Inqué i o, es e ai pe manece in ocado independen emen e dos esul ados a que o nosso abalho possa e chegado. Mesmo em ace de hipo é icos esul ados inconclusi os no nosso abalho isso em nada pode ia a ec a o Inqué i o em si. De qualque manei a es e es udo que ago a desen ol emos pode a é se en endido se assim se quise , como uma homenagem que embo a a dia se p es a ao “Inqué i o” aos seus p omo o es e agen es. Também cabe nele essa in enção. Olhando ago a pa a ás e endo a dimensão do esc i o sin o que es e ex o que apenas p e endia de alguma manei a alida um p ojec o de in es igação e assim da espos a a c í icas jus amen e ei as, acabou po ganha uma dimensão que de início não es a a minimamen e nas in enções do abalho. Final I PARTE 66 CEAA Edições Casei as 17 I As Edições Casei as, publicadas pelo Cen o de Es udos A naldo A aújo da ESAP, p e endem di ulga em pequenos cade nos, es udos académicos sujei os a e isão po pa es (pee e iew), elabo ados no seu âmbi o de in es igação e in e esses. O econhecimen o de oda a impo ância à espessu a enquan o ins umen o de uma exp essi idade especial ai pe mi i econhece seguidamen e aquilo a que podemos chama uma poé ica de pa edes delgadas e uma poé ica de pa edes espessas. A espessu a é, po an o, o p imei o “pa âme o em su dina” de que a a es e abalho. O segundo “pa âme o em su dina” conside ado nes a in es igação é uma qualidade especí ica de espaço que podemos in es i de esponsabilidades pa icula es seja no campo exp essi o seja no campo das p eocupações sociais. Conc e amen e a a-se do espaço- ansição. A e lexão sob e as implicações espaciais des es dois pa âme os é seguida da análise de exemplos e e ência eis in e nacionais e da a qui ec u a po uguesa, numa p opos a de elei u a c í ica que em demons a a impo ância da espessu a e do espaço- ansição enquan o alo es exp essi os da a qui ec u a.