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PERSONA. Revista do Departamento de Teatro e Cinema da ESAP

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PERSONA. Revista do Departamento de Teatro e Cinema da ESAP

Publisher: CESAP-ESAP
Year: 2014
Source: https://comum.rcaap.pt/bitstreams/f090b895-dbf6-4bd9-b00e-cb70da140cfa/download
1
CAPA
DIRETOR:
Mes e Ma co Mi anda
EDITORA CONVIDADA:
Edua da Ne es
COMISSÃO CIENTÍFICA:
P o .ª Dou o a Anabela Oli ei a, P o . Dou o Cos a
Valen e, P o . Mes e Jo ge Palinhos,
P o . Dou o José Manuel Cou o, Dou o Luís Noguei a,
P o .ª Dou o a Ma a F ei as e P o . Dou o Melo Fe ei a
REVISORES CIENTÍFICOS Nº 2:
Ama an e Ab amo ici, Nayia Yiakoumaki, Nuno Rod igues,
Jo ge Lou aço Figuei a e Susana Caló
COMISSÃO EDITORIAL:
Mes e Ma co Mi anda, Mes e Isolino Sousa e
Encenado Robe o Me ino
SECRETARIADO
Liliana Ga cês
DESIGN GRÁFICO E PAGINAÇÃO
So ia Mi anda
PROPRIETÁRIO / EDITOR:
CESAP – Coope a i a de Ensino Supe io A ís ico do Po o, C l
Rua do In an e D. Hen ique, nº 131, 4050-298 Po o
NIF/NIPC: 501 350 195
SEDE DE REDACÇÃO:
Depa amen o de Tea o e Cinema da ESAP
La go de S. Domingos, nº 80, 4050-545 Po o (Sala 1º Mouzinho)
Con ac o: [email p o ec ed]
Nº DO REGISTO DA ERC
126413
ÍNDICE
EDITORIAL
| EDUARDA NEVES
> 5
ENTREVISTA
| KIRSTEN DEHLHOLM
> 8
CARBON INTO DIMOND
| JERINA HAJNO
> 19
CAVERNAS DA CONTEMPORANEIDADE: DESLOCAMENTOS
A PARTIR DO DISPOSITIVO PARIETAL
| SÍLVIA PINTO
> 29
THE EXILIC AESTHETIC: ARTICULATIONS
OF PATRIOTISM BY THE EXPATRIATE
| ANDREW GAYED
> 38
O ROSTO É UM MAPA: SELF-PERFORMANCE
DE JÜRGEN KLAUKE
| EDUARDA NEVES
> 56
PERFORMATIVIDADES DO EU E NOSTALGIA
DAS VANGUARDAS: LORCA AL VACÍO,
DO TEATRO DE CÁMARA CERVANTES
| CLÁUDIO CASTRO FILHO
> 65
“FEMALE” DE TÂNIA DINIS
PERFORMAR EM TOM ACADÊMICO PARADESMANTELAR
O ESPAÇO INSTITUCIONAL
| TALES FREY
> 78
A ESCOLA DO PORTO
UMA APRESENTAÇÃO
| NUNO MALHEIRO
> 83
O CHICO FININHO : A RUPTURA
| NUNO MALHEIRO
> 89
ODISSEUS : O REGRESSO
| NUNO MALHEIRO
> 107
BIENAL VIRTUAL
| SILVESTRE PESTANA E CELESTE CERQUEIRA
> 129
FICOU AO CRITERIO DOS AUTORES A ADOPÇÃO
OU NÃO, DO CHAMADO ACORDO ORTOGRÁFICO
O nº 2 da Re is a Pe sona,
Film, Thea e.
Expe imen s and Displacemen s
, p opõe-se
equaciona algumas das elações c í icas en e
es es domínios, a pa i do e i ó io da a e.
Enquan o pla a o mas concep uais pa a á ios
campos disciplina es, an o as p á icas
ílmicas como as p á icas ea ais se a i mam
como espaços de pe meabilidade na cena a ís ica
con empo ânea, assim con ibuindo pa a a complexa
e singula His ó ia dos modos de ep esen a .
Deses abilizando a unicidade dos códigos e
ca ego ias ou o a ene á eis, ilme e ea o
pa ilham o luxo das o mas e a a essam zonas
de on ei a.
Dando con inuidade à es u u a da publicação,
(1) En e is a, (2) A igos, (3) C iação e g aças
às con ibuições nacionais e in e nacionais aqui
ap esen adas, espe amos p opo ciona aos lei o es
e amen as pa a uma mobilizado a e lexão.
Edua da Ne es

Licenciada em Filoso ia pela Uni e sidade do Po o
e Dou o ada em Filoso ia com a ese
Sob e o au o- e a o. Fo og a ia e
modos de subjec i ação
. Publica e desen ol e in es igação na á ea das
A es Visuais e A es Pe o ma i as. In es igado a Responsá el do G upo
de In es igação A e e Es udos C í icos do CEAA (www.ceaa.p ).Edi o a
con idada do nº 2 da Re is a Pe sona –Filme, Tea o. Expe imen ações
e Deslocamen os, 2014.É, ac ualmen e, P esiden e do Conselho Ge al e
Vice-P esiden e do Conselho Cien í ico da ESAP, (www.esap.p ) ins i uição
da qual é docen e desde 1987, leccionando nas á eas da Es é ica, A es
Visuais e A es Pe o ma i as. Em 2014,concebeu e p og amou o p ojec o
ALGUMAS RAZÕES PARA UM ARTE NÃO DEMISSIONÁRIA,
apoiado pela DGa es.
NOTA BIOGRAFICA | EDUARDA NEVES
8
KIRSTEN
DEHLHOLM
en e is a
Quais as suas imp essões
sob e o úl imo espec áculo,
Wa Sum Up, ago a que
es eou, andou em dig essão
e oi ap esen ado em
Copenhaga? O que pode dize
des a p odução em elação
ao epo ó io do Ho el P o
Fo ma?
Pa a mim, es e espec áculo
conc e iza a minha ambição
de uma g ande p odução. Isso
signi ica um espec áculo que
possa anda em dig essão, em
g andes palcos, e que ab ace um
g ande público pelos seus meios
e pelo seu ema. O ema é e e no
– a gue a exis e desde que há
humanidade, um g ande ema.
G ande pa e de nós conhece
es e ema de longe, poucos de
nós es i e am mesmo na linha da
en e, e especialmen e nes e
can o do mundo não pensamos
na gue a como algo em que
es ejamos en ol idos. Mas desde
há alguns anos a Dinama ca
é ambém um país em gue a,
p imei o no I aque e depois no
A eganis ão, e assim ecebemos
soldados mo os. En ão es e e a
um ema cada ez mais p óximo de
mim, sob e o qual e a necessá io
olha e a a . No Ho el P o
Fo ma usamos semp e g andes
emas pa a as nossas p oduções e
a gue a é um g ande ema.
A companhia dinama quesa Ho el P o Fo ma é mundialmen e conhecida pelos seus
espec áculos al amen e isuais e musicais. Fundada em 1985, o Ho el P o Fo ma
sucede ao Billeds o ea e. Recen emen e o seu abalho em sido ma cado po
encomendas de g andes ea o eu opeus. Em Ou ub o de 2013 es eou a ópe a
de Wagne , Pa si al, no Tea o Wielki em Poznan na Polónia. Em Janei o de
2014 ap esen ou Rienzi. Rise and Fall, ambém de Wagne , sendo es e um dos
e en os da abe u a o icial de Riga Capi al Eu opeia da Cul u a. Em Ma ço
es eou o Cosmos+, o seu p imei o espec áculo pa a c ianças, e adul os, no
Tea o Nacional da Li uânia em Vilnius. Em Junho de 2015 ap esen a á as ês
ópe a de Rachmanino , num espec áculo in i ulado Rachmanino T oika na La
Monnaie De Mun , ópe a de B uxelas.
9
Cla o que nunca se ia capaz de
c ia um espec áculo como se
osse um ilme de gue a, e ia
de abo dá-lo e ab açá-lo de
o ma mais abs ac a, con udo
ninguém pode ia du ida sob e
a emá ica des e. O espec áculo
con ém mui os elemen os,
como odos os espec áculos,
mas es es chega am a é mim
de uma o ma mui o na u al.
P imei o a música, colabo a
com o co o – p imei amen e
só com um composi o , depois
com um segundo composi o , o
qual nós p opusemos, ou seja,
dois composi o es de o mação
dis in a, um clássico, ou o
pop. De seguida o ascínio pela
Manga, uma exp essão ac ual,
uma mani es ação absolu amen e
con empo ânea, bas an e
popula no Japão mas ambém na
Eu opa. Es a em mui os ãs,
é um enómeno de cul o en e
g upos de jo ens. É algo em
que nunca es i e in e essada,
enho de admi i . Nunca es i e
in e essada em banda desenhada,
ou e is as aos quad adinhos.
Há an a iolência, mesmo
mui a iolência, exage ada; é
udo plano, unidimensional. À
pa e disso espei o bas an e
o o ício do desenho, espei o e
sigo a e olução des e enómeno.
Po aciden e encon ei uma
sé ie de li os chamados “Como
desenha Manga?”, e aí pe cebi
que pode ia usa esse ma e ial,
que é Manga, mas não é a o ma
con encional de con a uma
his ó ia. Aqui amos di ec os à
essência de desenha : um co po,
uma ace, uma a ma, eições do
os o; usando es e meio simples
pode ia con a a minha his ó ia
da gue a de uma o ma bas an e
comp eensí el. Pode-se dize de
uma o ma simples. Is o se ia
opos o a oda a complexidade
de um espec áculo: mis u a de
p ojecções, mo imen os, luzes
e música, cla o. De um lado
emos es a o ma cla a de con a
uma his ó ia, do ou o lado
mui as, mui as camadas a a és
da luz e música. Ago a que es e
espec áculo es á e minado,
es ou con en e com o esul ado,
po que sin e iza an os anos
de expe iência em p oduções
do Ho el P o Fo ma, po ém
ainda conseguimos caminha em
di ecção a algo no o: en amos
no os mé odos, omos mais
ex a agan es. Penso que es a
é uma no a exp essão do Ho el
P o Fo ma. Vejo-a como uma no o
clássico do Ho el P o Fo ma, mas
ce amen e um desen ol imen o
de um clássico da companhia.
Es ou mui o sa is ei a com
es e espec áculo. Penso que
omos bem sucedidos em udo:
na d ama u gia, nos meios, na
es é ica. Sei que nem oda a
gen e conco da com isso, alguns
pensam que é mui o es á ico, que
não con a a e dadei a his ó ia
da gue a, mas ambém ecebemos
boas eacções. Pela minha pa e
es ou mui o eliz e o mais
impo an e passa po es a
con encida sob e a o alidade do
abalho.
16
A o dem é uma espécie de espaço.
A o dem é como o espaço e se
eu não enho o meu espaço es ou
pe dida.
Vamos chama a expe iência
do assis i a um espec áculo
do Ho el P o Fo ma uma
expe iência es é ica. O
mundo de hoje necessi a de
expe iências es é icas?
O mundo necessi a de beleza e
os espec áculos do Ho el P o
Fo ma são beleza, es ão cheios
de beleza mesmo quando alam de
gue a. É a beleza mais do que
a es é ica, po que a es é ica
pa a mim não é su icien e. Há
qualque coisa subjacen e, e é a
beleza. Uma ez i uma imagem de
uma pon e num jo nal sueco e a
legenda dizia: “Tão bela que em
de cho a .” Só isso: uma pon e
ão bela que em de cho a .
Do pon o de is a de alguém
do Sul da Eu opa pa ece-me
que há uma essência gené ica
escandina a ou nó dica nas
c iações do Ho el P o Fo ma.
Sen e-se in luenciada po uma
cul u a ma e ial local, pelo
design e a qui ec u a, po
exemplo? Ou es as a iá eis
não es ão p esen es?
Eu nasci e i i aqui. Ac edi o
que a a iá el escandina a es á
nos meus genes, no meu sangue,
de alguma o ma. E uma o dem
escandina a ambém; há uma
ce a o dem na Escandiná ia.
Julgo que a ia algo di e en e
se es i esse em F ança ou em
Po ugal. O que nós azemos
não se assemelha com o es o
da c iação a ís ica na
Escandiná ia, não consigo e
pa alelos. Mas consigo e os
nossos espec áculos opos os ou
compa ados com ou os ipos de
espec áculos nou os países, com
ou as es é icas. Is o é algo
que não consigo e i a .
MARIA CARNEIRO
Copenhaga, No emb o 2011

17
Ma ia Ca nei o é licenciada em Es udos A ís icos - A es do Espec áculo pela
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa e mes e em Tea o - Encenação,
P odução pela Escola Supe io A ís ica do Po o. É in es igado a do G upo de
Es udos de A qui ec u a do Cen o de Es udos A naldo de A aújo com abalho
desen ol ido em o no do ea o e a qui ec u a e ea o e imagem. Es agiou
no The Cen e o Pe o mance Resea ch no País de Gales, e na companhia
dinama quesa Ho el P o Fo ma,onde oi ambém assis en e da
encenado a Ki s en Dehlholm.
BIO MARIA CARNEIRO
Ki s en Dehlholm é undado a e di ec o a a ís ica da companhia Ho el P o Fo ma
com sede em Copenhaga. Com o mação em a es plás icas Ki s en Dehlholm abalha
com ea o e a e da pe o mance desde 1977. O seu abalho mais ac ual incluí
a c iação de concei os e encenação de espec áculos pa a o Ho el P o Fo ma,
es es ap esen ados mundialmen e. A companhia p oduz ambém ins alações. Cada
espec áculo consis e numa no a expe imen ação, a qual engloba uma encenação
dupla: de con eúdos e do espaço. A a qui ec u a e a adição dos espaços
de ap esen ação são pa cei os na cons ução dos espec áculos. Pe cepção,
pe spec i a e emas do mundo ac ual en elaçam-se num a ob a de a e concep ual
e isual. Cada espec áculo é o esul ado de uma colabo ação p óxima com
p o issionais de di e en es disciplina – a es isuais, a qui ec u a, música,
li e a u a, ciências humanas, media digi ais e ciências na u ais. Os p ojec os
do Ho el P o Fo ma são bas an e a iados, pois an o o espaço, os colabo ado es,
e os pe o me s mudam de espec áculo pa a espec áculo. Ki s en Dehlholm e o
Ho el P o Fo ma êm c iado espec áculos pa a museus, edi ícios públicos, assim
como pa a ea os e casas de ópe a mundialmen e.
BIO KIRSTEN DEHLHOLM
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CARBON INTO
DIAMOND
Fan as ic Time and Subal e n Aes he ics in he O oli h
G oup’s O oli h II and Ch is Ma ke ’s Le e om Sibe ia
Je ina Hajno
STORIES FROM LIGHT AGES AWAY
”As we sailed down he Lena again on ou way back, we didn’ ecognize he ,
he big lazy sis e o a ew mon hs ago had now become his black gi l s udded wi h
imi a ion jewels, shimme ing wi h sunligh ha was absen om he sky”, ema ks
Ch is Ma ke in his ilm Le e om Sibe ia. Views om he boa s e ch ou in he
wa e s in a sequence quo ed in O oli h II as a boa sails he coas line o Mumbai.
O oli h II is he O oli h G oup’s echo o Le e om Sibe ia and i add esses a
sha ed Ma xis pas and simila c i ical poin s ha indica e wha we once we e.
O oli h II and Le e om Sibe ia exhibi aces o each o he . I b ie ly y
o un a el how he ilms build u u is ic s o ies by balancing he imagina y upon
he li ed expe ience o cha ac e s and places. I ound Ch is Ma ke ’s po ayal
o i e Lena ee ily simila o how I hough o i e Bis ica whe e I g ew up.
I associa ed he i e ’s name wi h legends o s ange c ea u es ha hoa ded he
wa e s and le he ields nea by isk going d y and he illage s going hi s y.
I’ e hea d ha i e s o B i ish Columbia a e s eeped in olk legends no oo
a o om Ma ke ’s desc ip ion o Lena as magical and ha bo ing my hical s o ies
in he dep hs. The O oli h G oup oo look a hidden li es excep hey ilm he
unde g ound a chi ec u es o Mumbai ins ead and y o na a e a s o y ha may
inspi e di e en and be e u u e pa hs.
20
Concealing in e ac ion be ween he ilms’ su ace s o y and i s co esponding
inne con en expe ience om he iewe is a no iceable s o y elling s a egy in
bo h ilms. An excep ion is when Ma ke poin s ou he ansi ion o Sibe ian gold
digge s who go om sie ing o gold o sie ing o eedom and no e en no icing
ha he shi has aken place.
Ano he pa e n uns h ough he ilms in he blu ing o e hical and ime
bounda ies. Saga ’s ee mo emen be ween posing as he own ances o speaking o us
om he u u e and he being a ilmmake down and ou in Mumbai’s slums. I is no
su p ise ha O oli h II and Le e om Sibe ia add ess audiences li ing in he
u u e.
I ely on en olding - un olding aes he ics o heo e ical suppo and hope
o c ea i ely accep encoun e s wi h he ilms’ a expe ience. Ma ks sugges s
h ee deg ees o encoding o inne expe ience: expe ience i sel , in o ma ion, and
image (Lau a Ma ks, 2011). To he his means ha only some images eme ge om
he subjec a any gi en ime. Some come di ec ly om expe ience like images o
Ch is Ma ke ’s came a c ew ollowing a bea a ound Sibe ia. I in e p e hese as
pe sonally li ed images and he e see Ma ks’ in o ma ion encodings as lowing in
and ou o each o he in o de o a oid any igh ca ego ies. Howe e he h ee-
ply model allows me o es ablish s a ing poin s in my app oach. O oli h II s a s
on a compu e sc een hen goes on o add in a chi al oo age, only la e o expand
in o conside a ions o communis u opias. Ma ke and he O oli h G oup op o
mul ilaye ed s o ylines ha combine he ed sca es o he pionee s, dee ad e s
and mammo h nu se y hymes all in one ake.
OTOLITH II AND
LETTER FROM SIBERIA
Le e F om Sibe ia is a no iceable in luence on he O oli h G oup’s O oli h
II and Ch is Ma ke is a key in luence on he duo’s o e all app oach o ilm.
Ma ke builds documen a y s o ies by s a ing a he su ace, as when he ames
old pho og aphs o he Sibe ian gold ush and pho og aphs o he ans-Sibe ian
in all i s pas luxu y and glo y. In Le e F om Sibe ia he hen edi s in s ee
iews and audio commen a y on how he ci y changed i s name o a i e ha isn’
all ha close, bu ‘you can’ ha e e e y hing’. His combina ion o e s he
iewe an unexpec ed u n o na a i e in he mixing o clichéd luxu y and s ee
pho og aphs. Ma ke also shows a p e e ence o shades o g ey in cha ac e iza ion
and dismisses pola i ies. His s o y shoo s ou in many di ec ions while he choice
o medium uns he gamu om anima ion o collage.
21
Le e F om Sibe ia is Ma ke ’s a emp o ela e So ie Sibe ia o Wes e n
audiences in he ea ly decades o he u opia. He na a es he elec i ica ion and
he public oad wo ks o e images o he same. I ound i help ul o wa ch O oli h
II as ollow up o Le e F om Sibe ia. Saga ’s na a ion ocuses on aul y u ban
planning o Indian ci yscapes and o e s oo age o c owded spaces in undown u ban
p ojec s.
The mos appealing ea u e o Ma ke ’s and Saga ’s app oach o ilm na a i e
is i allows you o ully accep o ejec Ma ke ’s Sibe ian s o y. I ind i
close o my abula ions o a uni o med collec i e expe ience, shames o hindsigh ,
and e en joys ela ed o li ing ou one’s childhood. I ind Ma ke ’s Sibe ian
ab ica ion much close o my pe sonal expe ience and pe spec i e han o he
e sions o ilmmaking ha y o ake on Ma xis pas in classical documen a ies
ha I’ e come ac oss.
The di e siona y o m o na a i e is no exclusi e o ilm. One may come
ac oss Canadian and Fi s Na ions S udies ha blu lines be ween pola ex emes
simila ly. A su ey o Wes Coas Fi s Na ions’ na a i es e eals image y ha
suppo s no cu -and-d y e hical a i udes. The T ans o me s’ decision o u n
cha ac e s hey a bi a ily dislike in o landscape agmen s on a whim sounds as
ea ul as some laye s o u opian li ed expe iences. Blu ing lines and e e sing
s o y di ec ion allows o c ea i e app oaches ha help you d aw om li ed
expe ience. The mo e balanced o m o his app oach builds a con empo a y amewo k
ha is mul ilaye ed and may e en eplace shee da a-s acking p one o s a is ical
monopoly. A Simon F ase Uni e si y o ins ance Fi s Na ions S udies al eady
d aw om disciplines as a ied as women, ace and gende and go o include a
his o y and li e a u e o coun e balance uni- isiona y ways o aming colonial
his o y.
B inging my poin back o ilm, Ma ke had al eady accep ed ha ic ional
na a i e was going o be his choice in how o ela e he jou ney h ough Sibe ia.
“While eco ding hese images o he Yaku sk capi al as objec i ely as possible,
I ankly wonde ed whom hey would sa is y”, he says. He hen a emp s h ee
egis e s o e he same images o wo ke s laying he s ee s o he capi al. The
i s egis e is en husias ic and he second is pessimis ic. The hi d is de ailed
o he poin o absu di y (such as “among hem his Yaku , a lic ed wi h an
eye diso de ”). Ma ke ’s pe spec i es on he images shi along wha seems like
a winding na a i e line ha eminds me o ilms whose s o yline is close o
agmen ilm a he han ull na a i es.
Ma ke ’s edi ing is pe sonal and based on cu ing he s o y down o agmen s
and using image associa ion in o de o b ing sligh ly ela ed s o ies oge he .
Saga oo accep s ha he human capi al she ies o ilm is no possible o eco d
objec i ely and some imes is no e en obse able on ilm. Bo h ilmmake s eely
a el be ween mammo h ai y ales and Indian ex ile ac o ies. I pe sonally ind
hei ea men s o non-linea ime and ways o e-cons uc ing landscape in he
wo ilms as one o he mos allu ing ea u es he wo ha e in common.

22
CLICHÉ AS KEY
TO UNLOCKING THE STORY
A he in o ma ion le el in bo h ilms as iewe s we ace o e -consumma ed
images. Acco ding o Lau a Ma ks (2011) he images ha each us om in o ma ion
a e u he emo ed om expe ience. I in e p e his o mean ha expe ien ially
in e ac ing wi h hese images engages ou pe sonal sensibili ies. The e a e speci ic
poin s o con ac be ween clichéd images and a iewe , which hen may ac i a e
he iewe ’s pas pe sonal his o y. This in e ac ion-ac i a ion is one o he mos
ui ul and c ea i e ou comes in en isioning aes he ics h ough Ma ks’s me hod.
A good example I can d aw om pe sonal expe ience is ha o looking ou o e
he beau i ul sou hwes coas o No way and hea ing a classma e’s commen on he
landscape and desc ibe li ing he e as ‘li ing in a pos ca d’. I seemed o me
like such a unique hing o say abou boa ding in some place ha he ph ase s ayed
wi h me o long. I seems as i when combined wi h speci ic ways o o ganizing he
landscape se ings in my memo y he ph ase ac i a es sensibili es ha a e pe sonal
o me.
A his laye o in o ma ion Ma ke oys wi h Russian clichés and Saga
ecombines Indian ones. “My news eel would begin wi h hese images o win e ”,
Ma ke says while Saga u ns o ilming old s ill pho og aphs o people in a ha
shop. Ma ke bo ows om b oadcas media in his news eel and i seems his app oach
is in luenced by b oadcas media because i eminds o quickly edi ed idbi s o
in o ma ion ha a e he adema k o c ea i e se ices campaigns in places like
CBS and PBS and o he la ge scale No h Ame ican b oadcas e s. Saga ’s me hod in
add essing Indian clichés seems o lean close o museum me hods, maybe because he
me hodologies bo ow om a chi al and p ese a ion inspi a ions, like u ilizing
old ex ile oo age. They all seem a close o a his o y.
As a esul o combina ions o a o ms and ins ances o ime a elling
I ind he ilms ope a e as a o ms in-be ween gen es (be ween ic ion and
documen a y) and in-be ween imes (be ween old pho os and p esen oo age). The
ilms a e ee o m and in dialogue wi h o he a s, like anima ion and s ill
pho os. These a s a e alien o ilm p ope and call ou a en ion o wis s in
he plo o o new cha ac e s. These wis s may be as andom as he sequence whe e
Sibe ian police o ice s o e o accompany Ma ke a ound he capi al. This is one
o he mos impo an o ms o c ea ing ic ion in Ma ke : he picks some hing om
he e e yday, like he policemen, o a cliché, like he luxu ious ans-Sibe ian.
He hen associa es hese images wi h o he segmen s o he s o y and ies hem
in h ough oice-o e na a ion. I seems o wo k well owa ds a highly c ea i e
pu pose and esul . Saga uses his me hod when she ilms clichéd ed phone boo hs
associa ed wi h B i ain.
23
She embellishes he cliché in ilm-se con ex s since he ed phone boo hs se e
he pu pose o a ilm p op ins ead o a ou is ic place o in e es . As I hink o
gold digge s’ li es Ma ke ’s humo is wha i s pops o mind: “As o women, hey
say he e we e none a all in he beginning, which is a sad hough , and ha la e
he e was only one… sounds e en wo se,” he ema ks casually o hose on ie -
se ings di icul beginnings.
When he O oli h G oup cap u e nigh images o co ne s o he island ci y
o Mumbai and Saga no es: “ he e a e a oo many images like his”, I hea
e e be a ions o Ma ke ’s app oach. Foo age o Anjalika Saga is e eshing and i
gi es he iewe pause o e lec on he in e up ion o classical na a i e since
she has inse ed he sel in he ilm.
I is nea ly impossible o unco e pa s o an expe ience unmedia ed by clichéd
images. Fo ins ance, i is di icul o e en add ess Ma xism wi hou employing
some philosophical commonplace. This ealiza ion may ha e led he ilmmake s o
ake clichés and use hem c ea i ely and u n hem in o a key ha can unlock and
p omo e he s o y. As an example, O oli h II b ings a sequence whe e he came a pans
un egula ed slums o Mumbai. “The e is li le da a a ailable on he slums … hey’ e
c ucibles, psychological ield lapse o es ing new ways o being human; s ess
loads enough o u n ca bon in o diamond.” When I ake in he expe ience o his
na a ed agmen and hink o o he u opias, say ha o an isola ed a angemen
o in e nmen camps in B.C.’s in e io du ing and ollowing Wo ld Wa II, I ealize
ha he e is some ela ion be ween he psychological s a e o hose who li e in
i and he conc e e and angible o m o he u opia ha c ea es i . The ela ion
be ween he psychological s a e o one’s inne li e and he ou e landscape o he
u opia is simila o he ela ion be ween con en and o m in any c ea ion.
O oli h II opens on g anula images. This has he side e ec o highligh ing
he ma e iali y o ilm. Sho s o licke ing images a e in e spe sed wi h he
i les. A e a b ie commen on human capi al, he ilm cu s o old oo age
o wo king ex ile machines. La e on in O oli h II an es ablishing sho ames
a chi al images o ex iles wi hin a compu e ame. F om his sequence on O oli h
II un olds he a cheology and his o iog aphy o he image, as Agnes Pe ho explains
in he book:
F om his pe spec i e cinema is no de ined by i s s o y elling
capaci y…bu mos o all by i s possibili ies o anscendence, o
media ing – as p e iously men ioned – i s o all eali y and/
o memo y…no only a conscious acknowledgemen o cinema’s cul u al
associa ions bu also explici ly, he inco po a ion and e-
ashioning o o he media and a s.
(Agnes Pe ho, 2011, pg.324)
24
I ind in O oli h II a beau i ul sequence showing Anjalika Saga cuddling a
baby. This sequence is amed as i played on he big sc een, and he big sc een
is u he amed by a came a enhancing he imp ession ha he e a e concen ic
ames which su ound one ano he . This u he highligh s ilm labo since each
consecu i e ame con ains labo om he making o he p e ious ame. I hough
he imp ession was simila o how an i em sa ed o pe sonal alue is en olded
in laye s o wo k in cinema a cheology. In o de o cla i y wha I mean by ilm
a cheology I will use he example o LinkedIn since i is amilia o mos . On
ha ne wo k a pho og aph is no only a simple image o you. I is also endowed
wi h labo because LinkedIn is a p o essional ne wo king si e. A mo e amusing
example would be a pos ca d o pho og aphs o musicians, like he Rolling S ones
pe o ming on s age. I e y a ely no ice he labo in a pe o mances, bu
hinking his h ough ilm a cheology will b ing labo in o ocus. In e es ingly,
i is a simple amed image like ha on a p o ile on LinkedIn ha helps unlock
laye s o a cheology, which u he ac as laye s o a s o y.
Remedia ion o di e en a o ms in O oli h II seems like an expe imen al
way o building up new cinema ic quali ies o he ilm. By emedia ion he e I
mean ha wo a o ms, like a s ill pho og aph and a ilm sequence o ins ance,
a e in eg a ed in o one ano he and oge he ha e he e ec o enhancing he
imp ession o immediacy and hold ou a en ion o longe . Some imes e en a commen
o m a iend o acquain ance wo ks like na a ion ha , when men ally played back
some ime la e i has he e ec o c ea ing a ges al shi in pe cep ion. This
may yield a di e en isual image al oge he and di e en pe sonal expe ience o
one’s memo ies ad li ed pas expe ience as a esul .
O oli h II builds on i sel by enewing ou a ec i e expe iences, ha is
ou abili y o expe ience emo ional s a es and eelings. I is closely ied o
expe ien ial ela ions en olded in he s a es o emedia ion. Th ough associa i e
ilmmaking clichés en e in dialogue wi h wha Deleuze calls he i ual*. Bo h,
O oli h II and Le e om Sibe ia a emp o c ea e new pe sonal space- ime o
he iewe and gi e him o he he luxu y o pause and expe ience he new eelings
and psychological s a es.
This associa i e me hod ha seems o c eep up om unde nea h bo h ilms’
isual su ace keeps a cons an open dialogue wi h he ‘o he ’ and less ob ious
aes he ic o ms o pa icipan s. I see some simila i ies be ween his me hod and
Bunuel and Dali’s way o c ea ing h ough disjoin ed b ains o ming in su ealism.
Howe e , he wo me hods do no sha e heo e ical and philosophical ounda ions
and a e only supe icially simila . I seems as hough he me hod used enables
and inspi es he ilmmake s o y and ein e p e he p esen , he pas , and he
an as ical u u e.
*Angelo Res i o explains Deleuze’s concep o he sho in “In o he B each:Be ween he Mo emen Image and he Time Image”/ “The B ain is he S een”, as ollows: “Fo Deleuze,
he sho aces in wo di ec ions: owa d pa s wi hin he ame, and owa d a “whole” ou side he ame. 17 The cinema, ha is, always posi s a i ual wholeness o con inuum
o he wo ld (wha Bazin calls “ he my h o o al cinema”), while a he same ime necessa ily— by he e y equi emen o he mo ion-pic u e came a— subjec ing he whole o
discon inui y, dissemina ion.” Pg. 176
25
BECOMING IN OPENNESS
Ch is Ma ke is one o he be e -known ilmmake s who used he s a egy o
open cinema medium. He did so by ecombining and emedia ing images and clichés.
This way he pas li ed expe ience o memo ies we e enewed and ein e p e ed
h ough a ec on a pe sonal le el. The ‘open’ medium s a egy in O oli h II and
Le e om Sibe ia is also openness o he on ie .
The on ie i sel is openness and Le e om Sibe ia comes close o
being an open medium especially wi h Ma ke ’s e e ences o he Wes e n gen e and
associa ions wi h he on ie .
Simila ly, O oli h II i s looks a su ace ac i i y in he slums and holds
back om inne expe ience. We see oo age o Mumbai’s slums h eaded oge he
h ough associa i e mon age. The e is someone making po e y, ano he sewing, and
o he s cleaning. Only la e does Saga in e g a e he li ed expe ience wi h he
isual, such as when she commen s on ‘don’ make he same mis akes we did’, o when
he ances o s call o wa n he abou o he issues.
Vin age pho og aphs and oo age o on ie s a e in e cu wi h images o new
labo in Sibe ia in Le e F om Sibe ia, whe e elec i ica ion akes place. The
wo k on he ilm se s o Mumbai in O oli h II is in e cu wi h sewing and p essing
mud wi h ba e ee . Nego ia ions and ecombina ion o images such as hese belong
o di e en laye s o ilmed expe ience, whe e he pas o en oozes ou s aigh
in o he p esen o shoo s ou o he u u e, like when Saga add esses he sel
in he u u e in ha clip whe e she cuddles he baby. This opening in o di e en
imes o pas and u u e is loca ed a he in e sec ion whe e he wo di e ing
images mee and gi e ise o con as . I is simila o pe sonal ecollec ions,
whe e you memo ies come o h o he p esen and you cu en s a e helps edi ec
hem and ein e p e hem.
The ‘open’ medium in O oli h II in oduces unce ain y in he plo line. I
ind i ascina ing how when wo images belonging o wo e y di e ing con ex s
mee hey ha e he abili y o c ea e up u e h ough he encoun e . I he mee ing
o he wo is signi ican enough i se s he plo ee om he o e ly de e minis ic
causali y o so-called classical na a i e. This o me is he mos appealing common
ea u e in Ma ke and he O oli h: hei s a egy c ea es pe sonal a is ic space
o he iewe o expe ience as en iched a ec i e possibili ies. When he ilm
links memo y, like ha o mouse and dee , o skiing and sailing, wi h o he poin s
o e e ence, hen you g ow as an indi idual when you enego ia e you memo ies.
I’ e enego ia ed many pe sonal momen s o my las ew yea s in an unexpec ed
encoun e wi h philosophy.
32
A a qui e u a sub e ânea unciona como o “ en e da baleia” de Rebecca Ho n
(Fig. 2), o “san uá io ideal” (G oenen, 2003: 53) que ai ecebe odas as ou as
in e enções: o desenho e a pin u a, que c iam o palimpses o dos g a ismos
sob epos os, cujo supo e é a escul u a p é-exis en e ou ec iada sob e as pa edes
e os e os; a exigência de especí icas posições do olha pede a a e do o óg a o,
po ém o pe cu so desc e e o p incípio da a e em p ocesso, ca ac e ís ica da
ins alação; a p ojeção de somb as em mo imen o le a-nos, pa a o mundo da cenog a ia,
do ea o, do cinema, ou mais especi icamen e, pa a os ambien es p oje ados da a e
con empo ânea.
A iluminação a i icial é, desde semp e, pa e in eg an e do cul o dos
mo os, dos mis é ios, das celeb ações, das es as no u nas e das ep esen ações
ea ais. Segundo Sedlmaye (1985: 50), é a pa i des a iluminação, p oduzida
po elas, a cho es e candeei os a óleo (que a é ao século XIX é mais ou menos
mo imen ada), que se desen ol e uma a e que compõe as p óp ias ob as, alendo-se
das on es luminescen es. Es a culmina á no ogo-de-a i ício das es as ba ocas,
o que du an e um b e e pe íodo de empo, assume a impo ância de uma a e maio .
É no Ba oco que assis i emos à ans o mação não apenas das p aças públicas e
da a e em ge al, em “palcos” de uma luminosidade exube an e, e pa adoxalmen e, à
e olução es ilís ica que inaugu a á os dois es ilos mais escu os e cenog á icos
da his ó ia da pin u a – a pin u a no u na e a pin u a eneb is a de Ca a aggio.
Denominamos “ca e nas da con empo aneidade”: o ea o, o cinema e as ins alações
ou ambien es p oje ados da a e con empo ânea. Pa a Sedlmaye (1985: 50), a pa i
do Ba oco, a “úl ima ca e na” é o espaço sem janelas do ea o, uma ez que a
cena é pa a o encenado , o campo da a e de iluminação, po excelência. Seguindo o
aciocínio do au o , o “espaço sem janelas” do cinema le a -nos-á a a a essa ainda
mais p o undamen e, o limia da escu idão pa a a luz. No cinema ambém en amos,
no dize de Edga Mo in, “nas e as de uma g u a a i icial” pa a, anquea o
espaço e o empo numa a en u a e an e (Mo in, 1997: 21). Po ém, as ca ac e ís icas
indi iduadas no disposi i o pa ie al, na úl ima década, elacionam-se ainda mais
in imamen e com a a e p oje ada dos anos 1960-70, em i ude dos mecanismos de
pe ceção que essa despe a.
O aspe o cenog á ico, an o do disposi i o pa ie al como do espaço/ambien e
p oje ado, é ão es u u al e decisi o pa a a ap oximação dos dois espaços, que nos
pa ece ele an e aze , an es de mais, o le an amen o e imológico da e minologia
associada a es a luminosidade cenog á ico- ea al. A pala a “ ea o” de i a do
g ego hea on, que signi ica “luga pa a olha ”. Cu iosamen e, o e mo heb aico
pa a “luz”, mechezah, signi ica, “luga da isão” e simul aneamen e, “janela”.
Pelo con á io, a pala a “cena” de i a do g ego skena, que signi ica “ enda” ou
“cabana” e pe ence à mesma amília e imológica de skia, “somb a”, “ab igo”, “algo
que p o ege do sol”. Assim, podemos dize que a “cenog a ia” concebe (desenha/
esc e e) o luga pa a onde se ai olha ; o luga onde os homens se e ugiam na
escu idão pa a agua da em o momen o da apa ição da “luz” (o , do heb aico, “se ou
o na -se luz”), pela qual, algo em nós se ans o ma e na qual, supos amen e, nos
ans o ma íamos.

33
O pe íodo en e 1964-77 egis ou uma mudança adical no pensamen o a ís ico,
le ada a cabo po mo imen os como a Pop A e, Minimalismo ou A e Conce ual e po
p á icas como a pe o mance, o ídeo ou a imagem p oje ada. A eme gência des as
p á icas a ís icas, às quais, a pa i da década de 1980, se con encionou chama
“ins alações”, “des-de iniu” (Ha old Rosenbe g) a conceção de a e igen e, deixando
a a e numa inde inição empo á ia, cuja ince eza ab iu no as possibilidades de
expe imen ação, e lexão e ede inição.
Ala gando o adicional concei o de ob a àquele de ob a-p ocesso e in eg ando
os meios colocados à disposição pela ecnologia, aquilo que se mos a, passou a
unciona *. C uzando as on ei as en e as á ias disciplinas – as a es plás icas,
as a es pe o ma i as, a a qui e u a e o cinema – a ins alação, enquan o disciplina
híb ida - “in e ex ual” (Julia K is e a) - ques iona e ede ine a au onomia dos
concei os de ob a, Escola, Mo imen o ou Es ilo, p omo endo uma con ínua ap oximação
en e a a e e a ida. (Oli ei a, 1996: p e ácio).
A pa i des a poé ica de in eg ação en e a a e e a ida, com o igem no
Dadaísmo e em pa icula nas ob as de Ma cel Duchamp, a a e da segunda me ade
do século XX conheceu o co po do a is a usado como sujei o e como objec o do seu
abalho, iu a e a e o espaço público ans o mados em ob a e o concei o de ob a
ans o mado em pe cu so, ci cui o e e en o. A a e con empo ânea ala gou e eno ou
as an igas adições do au o- e a o a a és dos a is as do co po; es endeu o ema
da paisagem na a e a a és da Land A ; ea ualizou a na u eza mo a e e alo izou
os e ei os de luz e somb a dos no os media luminosos**. A exposição “In o he Ligh :
he p ojec ed image in Ame ican a ”, no Whi ney Museum em 2001, que omamos aqui
como e e ência, eio mos a o papel c ucial das imagens/ins alações p oje adas,
onde a in e a i idade é chamada a desempenha um papel, na c iação da no a linguagem
a ís ica e na ede inição da p óp ia a e.
Seguindo o ap o undado es udo de Ch issie Iles (2001), a pa i do momen o em
que os a is as começa am a u iliza diaposi i os, ídeo e p ojeções holog á icas
pa a documen a , e le i e ans o ma os pa âme os do espaço ísico, o espaço
pic ó ico undado na pe spe i a linea , onde o pon o de uga ixo di a a há
qua ocen os anos a posição do espec ado , começou a se abalado. Na década de
1960, o espaço pic ó ico oi isicamen e desman elado pelo Minimalismo. Os a is as
minimalis as, como Donald Judd, Dan Fla in, Ca l And e, Robe Smi hson, Sol
LeWi , en e ou os, en ol e am o espec ado numa expe iência de elação espácio-
empo al en e os obje os e a gale ia, ans o mando o espaço idimensional num
campo pe ce i o.
* O e mo ins alla ion suge e a noção de exibição, disposi i o ou apa a o.
** Paul Vi ilio (2005) u iliza an o a exp essão “a s o ligh ” como “a -ligh ”, enquan o Ha mu Bohme (1993), e e indo-se à ob a de James Tu el, denomina “A Ligh ”.
34
To na-se cla o em que medida a ins alação, que o Minimalismo inaugu a, é
indissociá el de um de e minado espaço – que in ade a ob a ou é in adido po ela –
podendo ans o ma -se conside a elmen e em unção do espaço em que é ap esen ada.
Po esse mo i o, a ins alação é uma a i idade que mui as ezes sai do es údio ou da
gale ia pa a u iliza espaços al e na i os, a i ando o seu po encial ou signi icado
ep imido. No co ação da ins alação es á o “Espaço como P axis” (Golbe g, 1975) – o
espaço em diálogo com as pessoas e as coisas.
Assim, o cubo b anco da gale ia oi desman elado pela escala dos obje os. Po
sua ez, com a imagem p oje ada pós-minimalis a, os a is as deslocam as coo denadas
do no o campo de pe ceção – o cubo b anco da gale ia – pa a a caixa neg a do
cinema, c iando um híb ido no qual cada modelo passa a in o ma e a modi ica as
ca ac e ís icas do ou o. Nes e ipo de ins alações, a enomenologia do espaço,
al como é de inido pela escul u a minimalis a, unde-se com o “inconscien e ó ico”
de inido po Wal e Benjamin (1992: 104-105):
É mui o impo an e obse a que as dimensões ge almen e g andes
da ob a e a escala a qui e ónica pe mi em que o escul o domine o
ambien e. Po ezes é a escul u a que in ade o espaço do espec ado ,
ou as é o espec ado que é in oduzido no espaço escul ó ico.
F equen emen e, a escul u a unciona de um modo ambíguo, is o é,
ge a uma deslocação espacial do espec ado , com alo es complexos.
Como a maio pa e dessas escul u as é ei a pa a in e io es,
é p ecisamen e na sua eno me dimensão, no seu assal o à escala
ín ima que es á implici amen e con ida uma c í ica social. Os
colecionado es e mesmo a maio ia dos museus não possuem o espaço
necessá io pa a es as ob as.
(McShine, Kynas on, P ima y S uc u es: Younge Ame ican and B i ish
Sculp o s, Jewish Museum: New Yo k, 1966.)
Com o g ande plano aumen a-se o espaço, com o alen i o mo imen o
adqui e no as dimensões. […] Assim se o na comp eensí el que
a na u eza da linguagem da câma a seja di e en e da do olho
humano. Di e en e, p incipalmen e, po que em ez de um espaço
p eenchido conscien emen e pelo homem, su ge ou o p eenchido
inconscien emen e. […] a câma a in e ém com os seus meios
auxilia es, os seus “me gulhos” e subidas, as suas in e upções e
isolamen os, os seus alongamen os e acele ações, as suas ampliações
e eduções. A câma a le a-nos ao inconscien e óp ico, al como a
psicanálise ao inconscien e das pulsões.
35
Na década de 1970, sob a in luência de ob as decisi as de Ma cel Duchamp,
(como La Ma iée Mise à Nu pa Ses Céliba ai es, Même, comumen e conhecida po
G ande Vid o (1915-23) e A Rega de (L’Au e Cô e du Ve e) d’Un Œil, De P és,
Pendan P esque une Heu e, conhecido po Pequeno Vid o (1918)), onde as supe ícies
anspa en es suge em an o a ideia de p ojeção como a da qua a dimensão do empo,
assim como pelas suas expe iências ó icas com múl iplas pe spe i as, Robe Mo is,
B uce Nauman e Dan G aham es ão en e os p imei os a is as a in e essa em-se pela
isiologia da pe ceção que se i á de base à a e p oje ada.
As imagens/ins alações p oje adas ques ionam e ede inem an o o espaço
escu o do cinema como o cubo b anco da gale ia. Enquan o o cinema induz, g aças à
penumb a do ambien e e à quan idade de in o mação a pe ceciona , a um es ado de
hipnose, as p ojeções e os ec ãs de ídeo cob em as pa edes, os ângulos e os e os
das gale ias, como au ên icos escos de luz. Os ambien es p oje ados molda am a
nossa pe ceção, ans o mando adicalmen e a o ma como passamos a olha e passamos
a pensa a a e con empo ânea. Dan Fla in, James Tu el e Rebecca Ho n es ão en e
os a is as mais ele an es des a a e no pano ama a ual da a e con empo ânea.
36
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La P éhis oi e du Cinéma. O igines paléoli hiques de la na a ion g aphique e du
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Licenciada em A es Plás icas – Pin u a, pela Accademia di Belle A i di
Bologna, com a classi icação summa cum laude, em 2001.
A is a Plás ica, desde 2001, endo ealizado exposições indi iduais e cole i as
no Po o, em Bolonha, Be lim, Ba celona e Ro e dão (no âmbi o “Po o – Ro e dão
Capi ais da Cul u a 2001”). Em 2006, ecebeu o apoio da Fundação Calous e
Gulbenkian pa a a exposição Enc uzilhada. Assis en e na Escola Supe io
A ís ica do Po o - Guima ães, desde 2001, endo assumido, pa a além da
docência, a posição académica de Vice-P esiden e do Conselho Pedagógico, en e
2008 e 2013, e Memb o do Conselho Ge al, desde 2013.
In es igado a do CECS - Cen o de Es udos de Comunicação e
Sociedade - da Uni e sidade do Minho, desde 2009.
Bolsei a da FCT - Fundação pa a a Ciência e Tecnologia - en e 2009 e 2013,
enquan o dou o anda em Ciências da Comunicação, na especialidade de Semió ica
Social, da Uni e sidade do Minho. Tese de dou o amen o in i ulada Pa a uma
Semió ica da Luz, em p ocesso de conclusão.
Visi ing Schola : DAMS – Dipa imen o di A i, Musica e Spe acolo –
dell’Uni e si á degli S udi di Bologna, em 2010; New Yo k Uni e si y, em 2011.
Pa icipação em cong essos nacionais e in e nacionais,
com a igos inédi os, desde 2010.
Pa a mais in o mações, consul a : www.sil iapin o.com.p
BIO SÍLVIA PINTO
37

38
THE EXILIC
AESTHETIC
A icula ions o Pa io ism by he Expa ia e
And ew Gayed
INTRODUCTION
Edwa d Said’s w i ing has augh us ha human beings make hei own his o y,
and hey also make hei own cul u es and e hnic iden i y. Su i al in ac
is abou he connec ions be ween hese hings. Yousse Nabil’s sel -po ai s
will be he si e o explo a ion ha will d i e my heo e ical ideas o exile and
iden i y.* I will demons a e and suppo exile as being an iden i y ca ego y,
and os e new meanings o exilic iden i y and hemes o mig a ion wi h Yousse
Nabil’s ib an pho og aphs being a case s udy o my analysis. Mos impo an ly,
I will discuss how wha I call an Exilic Aes he ic is c ea ed h ough Yousse
Nabil’s sel -iden i ica ion in his media ed pho og aphs, a icula ing cul u al
dicho omies acing he Middle Eas e n diaspo a in No h Ame ica h ough his own
isual na a i e.
Bo n in Cai o in 1972, Nabil g ew up in Egyp as pa o he Muslim majo i y.
While s udying F ench Li e a u e and A s a Ain Shams Uni e si y in Cai o in 1992,
Nabil was con on ed by Ame ican pho og aphe , Da id LaChapelle, abou ilming in
Egyp and inding Egyp ian models. Nabil hen wo ked wi h LaChapelle om 1993
o 1994 in New Yo k, la e going back o Cai o o inish his s udies and mili a y
se ice. In 1997, Nabil me Pe u ian ashion pho og aphe , Ma io Tes ino in Cai o,
hen wen o Pa is and wo ked wi h him be ween 1997 and 1998. I was a e his
ime ha Nabil wan ed o e u n o Cai o and s a exhibi ing his wo k.
* A ob a oi ealizada pa a o núcleo de No a Teled ama u gia da TV Cul u a. No si e da TV, a sua ap esen ação essal a a con aminação do co idiano e do documen á io po
aspec os iccionais como uma das p incipais ônicas da ob a.
39
Shi in Nesha ,* Nabil s a es ha i was mainly in 2003 ha he s a ed p oducing
sel -po ai s; i was he yea he le Egyp o li e in F ance. I is du ing his
pi o al momen in Yousse Nabil’s a p oduc ion ha I wan o ocus and assess
he na a i e unc ion o his sel -po ai s, and how hey os e new hemes o
mig a ion and bo de c ossing.
FORMAL AESTHETICS
I would like o ake he ime o discuss he o mal elemen s Nabil employs
in his a is ic p ac ice. His pho og aphs comp ise o hand- in ed sil e gela in
p in s, dis up ing ou no ion o he pho og aphic medium. Hand pain ed pho og aphy
is a adi ional Egyp ian pho og aphic echnique, ha was widely used om hand
pain ed amily po ai s o hand pain ed mo ie pos e s in Cai o’s s ee s; i is
an old echnique ha was s ill p ac iced in Egyp in he 1970s and 1980s. Yousse
Nabil wen o one o he las po ai s udios p ac icing his me hod o pho og aphy
“ o lea n his old echnique and be able o add a con empo a y edge o i in
[his] wo k.”** As Michael S e enson discusses Nabil’s oeu e as being pa o he
discou se o bo h pho og aphy and pain ing, his has been loca ed wi hin he Wes e n
a p ac ices o Da id Hockney and Wol gang Tillmans,*** bu sub ly shi ing he
way in imacy is ep esen ed, some hing a ely acknowledged in Wes e n a p ac ice
and adi ional po ai u e. Fo mally, hese pho og aphs a e hen no mean o
be ue- o-li e ep esen a ions as he medium would sugges , bu hand- in ing he
images ans o ms hem in o an uncanny and illuso y ealm ha is no longe wi hin
he bounds o adi ional pho og aphy. Hand in ing is a me hod o manipula ing
hese pe sonal images as a sub e si e way o ans o m eali y and in e jec li ed
expe ience and sel -na a ion o one’s pe sonal eali y. I a gue ha his hand
in ing is Use ul o he des abiliza ion o linea na a i e, and achie es wha Homi
K. Bhabha desc ibes in his w i ing as a necessa y ool o inco po a ing subal e n
na a i es; a up u ing o “ he pas being linked o he necessa y u u e.”**** In
his way, I will discuss how hese a wo ks e lec iden i y na iga ed h ough
exile and mig a ion, and os e new ways o unde s anding expa ia es and he
b oade mig an popula ion.
* Ame , Ghada, Fa en Hamama, Yousse Nabil, Shi in Nesha , and Oc a io Zaya.
I Won’ Le You Die
. Os ilde n, Ge many: Ha je Can z Ve lang, 2008. Page 10.
** Sans, Je emy.
As Close As I Can Ge
. In e iew wi h Yousse Nabil, Venice. June 2007. Access on a is websi e. h p://www.yousse nabil.com/a icles/as_close_as_i_can_ge .
h ml
*** Emin, T acy, Yousse Nabil, Simon Njami, Ma k Sealy, and Michael S e enson.
Sleep in My A ms
. Sou h A ica: Cape Town, 2007. Page 88.
**** Homi K. Bhabha,
The Loca ion o Cul u e
. New Yo k: Rou ledge, 2008. Page 205.
40
EXILE AS IDENTITY
Exile in he con empo a y con ex o he Wes e n Empi e* e lec s he scale
o mode n wa a e, impe ialism, and he quasi- heological ambi ions o opp essi e
egimes o powe , pe pe ua ing he high numbe o e ugees, displaced pe sons,
and need o mass immig a ion. Exile, as explained in Said’s ounda ional ex ,
Re lec ions on Exile, is desc ibed as being p oduced by human beings o human beings,
a s a e o being ha is mean o ea people om he nou ishmen o adi ion,
amily and geog aphy.** Said makes powe ul di e en ia ions be ween exiles,
e ugees and expa ia es, di e en ia ions ha I will challenge in unde s anding
exile as an iden i y ca ego y, and complica e i s a icula ions in poli ical a
p oduc ion.
While i is ue ha anyone p e en ed om e u ning home is an exile, exile
o igina ed in he age-old p ac ice o banishmen . Once banished, he exile li es an
anomalous and mise able li e, wi h he s igma o being an ou side . Re ugees, on
he o he hand, a e a c ea ion o he wen ie h-cen u y s a e. Acco ding o Said,
expa ia es olun a ily li e in an alien coun y, usually o pe sonal o social
easons.*** He e, he key wo d I wish o discuss is he use o he e m olun a y;
I wish o complica e he bounda ies p edica ed by Said, dic a ing he dis inc ions
be ween expa ia e and exile. Fo , hese poli icized ca ego ies o “ olun a y” and
“in olun a y” do no accoun o mig a ion and sepa a ion as a pu pose ul mode o
su i al, necessa y o human sa e y. Yousse Nabil a icula es his own expe ience
wi h bo de -c ossing and diaspo ic iden i y in his in e iew wi h Shi in Nesha ,
s a ing:
This quo e a icula es ha he ac o lea ing a place in and o i sel is a
poli ically cha ged ac ion, o we lea e ou o necessi y. This no ion o necessi y
is one ha I ind oo limi ed in Said’s de ini ions dema ca ing he expa ia es
and hose expe iencing exile.
* Pua , Jasbi K. Te o is
Assemblages: Homona ionalism in Quee Times
. Du ham: Duke Uni e si y P ess, 2007.
** Edwa d W. Said,
Re lec ions on Exile and O he Essays.
Camb idge, Mass: Ha a d Uni e si y P ess, 2000.
*** Said, Edwa d.
Re lec ions on Exile and O he Essays.
Camb idge, Mass: Ha a d Uni e si y P ess, 2000. Page 181.
“I hink you lea e you coun y only when you ha e o, when you eel
ha you can’ li e he e anymo e. You lea e and y o ind ano he
place, whe e o he people sha e you ideas, you hough s, and you
p oblems. In a way hese people become like amily and you c ea e
you own coun y a ound you, and his is wha each o us did in a
di e en way.”
(Ame , Ghada, Fa en Hamama, Yousse Nabil, Shi in Nesha , and Oc a io Zaya. I
Won’ Le You Die. Os ilde n, Ge many: Ha je Can z Ve lang, 2008. Page 12.).
41
Fo he bounda ies become blu y when one is willingly lea ing o pe sonal
sa e y, and he e is a seemingly unin en ional hie a chy o opp ession c ea ed when
discussing mig a ion in hese e ms. In his way, I will discuss exile in his pape
as a blu ing o he de ini ions p edica ed by Said, a mix u e o bo h expa ia ism
and exile, comp ising o an exilic iden i y ha e lec s he auma o mig a ion
based on su i al and pe sonal necessi y. When b oadening Said’s no ions o exile
and expa ia ion, we can discuss hei ela ion o one ano he o os e a new
meaning o exilic iden i y; one ha doesn’ exclude and limi he p ecu so s
o pe sonal iden i ica ion based on su i al, and one ha c ea es an iden i y
ca ego y ha c osses boa de s, and b eaks ba ie s o hough and expe ience.
Na ionalism needs o be con ex ually unde s ood as an essen ial associa ion
wi h exile. Said’s de ini ion o na ionalism, one ha I will use o he pu pose o
his sec ion, is an asse ion o belonging in and o a place, people, and he i age;
i a i ms he home c ea ed by a communi y o language, cul u e and cus oms. All
na ionalisms in hei ea ly s ages de elop as a condi ion o es angemen . In
ime, success ul na ionalisms consign u h exclusi ely o hemsel es and elega e
alsehood and in e io i y o ou side s.* The pe ilous e i o y o no belonging
and i s si e as iden i y o ma ion is he aspec I am in es iga ing. This is whe e
people we e banished in pas his o ies, and whe e in he pos 9-11 e a, immense
collec ions o peoples loi e as e ugees and displaced pe sons. Na ionalisms a e
abou g oups, bu in he e y acu e sense, exile is soli ude expe ienced ou side he
g oup. Exile canno be discou sed independen ly om na ionalism and na ionhood,
o he discussion needs o ha e almos a cause and e ec ela ionship; one ha
acknowledges exile as being a byp oduc o na ionalism’s ins umen s o o he ing
hose ha all ou side i s s uc u es.
I will analyze heo ies o he na ion in ela ion o he aes he ic unc ion
o Yousse Nabil’s pho og aphs o displace linea concep ions o na ionhood and
homeland. The c ux o his a gumen elies on a as being used as a signi ie , a
me apho o na ional cons uc ion ha can include he na a i es o he subal e n.
Foucaul ou lines subal e n as being a se o subjuga ed knowledge’s o peoples
ha ha e been disquali ied as inadequa e;** and wi h Gaya i Spi ak’s ex , Can
he Subal e n Speak in mind, he Exilic Aes he ic will be he ca alys o his
me apho o c ea e a language o he subal e n o exp ess hemes o mig a ion and
exile h ough isual a p oduc ion. Me apho — as he e ymology o he G eek wo d
meaning “ o ans e ” would sugges — ans e s he meaning o home and belonging by
c ossing bo de s o cul u al di e ences ha cons uc ed na ionalisms. Howe e ,
i is his use o he me apho ha Homi K. Bhabha complica es in his w i ing on
Dissemina ion, o he insis s ha he me apho mus be a non-linea na a i e ha
highligh s he in e sec ions o ime and place ha p oblema ize he mode ni y o
he Wes e n na ion.*** Fo isual ep esen a ion o unc ion as he sub e sion o
s a e and na ionhood while simul aneously being a oice o subal e n iden i y,
F ede ic Jameson’s no ion o ‘si ua ional consciousness’**** o na ional allego y is
o use o ou heo y.
* Said, Edwa d.
Re lec ions on Exile and O he Essays.
Camb idge, Mass: Ha a d Uni e si y P ess, 2000. Page 176.
** Spi ak, Gaya i Chak a o y.
In o he wo lds: essays in cul u al poli ics
. New Yo k: Rou ledge, 1988. Page 25.
*** Homi K. Bhabha,
The Loca ion o Cul u e.
New Yo k: Rou ledge, 2008. Page 205.
**** Homi K. Bhabha,
The Loca ion o Cul u e.
New Yo k: Rou ledge, 2008. Page 205.
48
Nex , Be ge desc ibes pho og aphy as being in en ed o wo easons. The
i s is an ideological use, which ea s he posi i is e idence o a pho og aph
ep esen ing u h, and he second is a popula bu p i a e use which che ishes
a pho og aph o subs an ia e a subjec i e eeling.* He e, I a gue ha Yousse
Nabil does no i me ely in ei he ca ego y; o , while he mos ob ious ca ego y
his sel -po ai s belong is he la e , I a gue ha his sel -na a ion o his
pho og aphs asse ing his own iden i y na a i e can also be seen in he posi i is
ca ego y o pho og aphy, one ha exis s o ep esen u h. Abs ac ly, his
ep esen a ion o u h is one ha ela es o he Exilic Aes he ic, a o m o
ep esen a ion om he ma gins, and as we lea ned om Said, he “exile’s li e is
aken up wi h compensa ing o diso ien ing loss by c ea ing a new wo ld o ule.”
**
He e, his new wo ld o ule is one ha me ges bo h Said’s heo iza ion
on exilic expe ience and Be ge ’s model o pho og aphic ep esen a ion o help
illumina e he language c ea ed by a is s in ma ginal s a es o exis ence, and how
an Exilic Aes he ic is one ha , while may no be c ea ed in en ionally so, helps
unde s and a p oduc ion as a way o sel -iden i ica ion and asse ion o he sel
while a icula ing hemes o mig a ion and diaspo ic iden i y.
* Be ge , John and Jean Moh .
Ano he Way o Telling
. 1s Ame ican ed. New Yo k: Pan heon, 1982. Page 111
**Said, Edwa d.
Re lec ions on Exile and O he Essays.
Camb idge, Mass: Ha a d Uni e si y P ess, 2000. Page 145.

49
APPENDIX A
Ne e Wan ed o Lea e—Sel -Po ai , Pa is 2007
Hand colo ed gela in sil e p in
Cou esy o he a is and Na halie Obadia Galle y, Pa is/ B ussels.
50
APPENDIX B
Will I E e Come Again—Sel -Po ai , Ha ana, 2005
Hand colo ed gela in sil e p in
Cou esy o he a is and Na halie Obadia Galle y, Pa is/ B ussels.
51
APPENDIX C
I Lea e Again—Sel -Po ai , Sa dinia, 2005
Hand colo ed gela in sil e p in
Cou esy o he a is and Na halie Obadia Galle y, Pa is/ B ussels.
52
APPENDIX D
My Time To Go—Sel -po ai , Venice, 2007
Hand colo ed gela in sil e p in
Cou esy o he a is and Na halie Obadia Galle y, Pa is/ B ussels.
53
APPENDIX E
Sel -Po ai wi h Roo s, Los Angeles, 2008
Hand colo ed gela in sil e p in
Cou esy o he a is and Na halie Obadia Galle y, Pa is/ B ussels.

54
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Eas e n Con empo a y A , wi h a ocus on pho og aphic a being p oduced by
he No h Ame ican diaspo a. This includes Middle Eas e n a is s (such as
himsel ) wo king om Canada and he Uni ed S a es, c ea ing a wo k su ounding
diaspo ic iden i y; his esea ch emphasizes hemes o mig a ion, and he
poli ical a wo k ha is associa ed wi h he diaspo ic communi y. Gayed has
been he ecipien o no able awa ds including he Social Science and Humani ies
Resea ch Council o Canada Awa d, and chap e s o his disse a ion ha e been
p esen ed a con e ences in e na ionally, including Yo k Uni e si y, Ca le on
Uni e si y and wo alks a Ox o d Uni e si y.
BIO ANDREW GAYED
55
56
O ROSTO
É UM MAPA
Sel -pe o mance de Jü gen Klauke
Edua da Ne es
A e são inglesa des e ex o se á publicada em 2015, pela Kuns akademie - Mun-
s e , em cuja ins i uição oi o iginalmen e ap esen ado, no âmbi o do Encon o
In e nacional De Ko pe im We k on Gilles Deleuze und Michel Foucaul ,
No emb o de 2013.
“O os o é um con o de e o ”.*
“O os o é uma polí ica”.**
“O que acon ece ac ualmen e e o que somos nós, nós, que al ez não sejamos nada
mais além daquilo que acon ece ac ualmen e?”***
Sob e udo a pa i das úl imas décadas do século XX, o co po a i ma-se como espaço
de expe iência em múl iplos e i ó ios da p á ica a ís ica. Nes e con ex o, a imagem
o og á ica po encia á a expe imen ação no campo da a e, pa icipando das complexas
ap oximações discu si as ao co po. A necessidade de expô os discu sos pessoais,
mediando-os a a és do co po p óp io, es abelecê-lo-á como luga de p odução de
signi icado e dissidência. Figu as de ins abilidade in e ogam e ans o mam os códigos
das ep esen ações de si. A o og a ia, con e indo sen ido aos egimes isuais que os
a is as con e em em ins umen os de esis ência, mos a-nos o ou o que o co po é.
A con empo aneidade, o e ecendo-nos o co po como p ojec o de lu as imp e ísi eis
e obscu as, con igu a as nossas deso dens e con adições. A in e acção en e
deso dem co po al e deso dem social expõe-se em imagens que desc e em impe eições,
di e enças, ansg essões e mu ilações. Nes e âmbi o, desde a década de se en a
que o p og ama a ís ico do alemão Jü gen Klauke (1943-) se exp ime nos domínios
da pe o mance, acção, o og a ia, desenho, li o de a is a, ídeo ou ilme.
* Gilles Deleuze, Félix Gua a i,
Capi alisme e Schizoph énie 2. Mille Pla eaux.
Pa is: Les Édi ions de Minui , 1980, p.202.
** Gilles Deleuze, Félix Gua a i,
Capi alisme e Schizoph énie 2,…
p. 206.
*** Michel Foucaul ,
Mic o ísica do Pode .
Rio de Janei o: Edições G aal, 1985 p.134.
57
Assumindo a au onomia do meio o og á ico no campo das a es isuais, é a a és
dele que egis a as suas sequências e pe o mances encenadas. Tal não signi ica
que se de ina como o óg a o mas, an es, como a is a in e media ou de acção. A
o og a ia cons i ui apenas mais um meio a a és do qual con e e as suas ideias
em imagens.*
A i mando o luga da o og a ia no campo da a e, Klauke epensa simul aneamen e
o p oblema da ep esen ação e das o mas de ep esen ação de si. É no espaço
discu si o dos a is as que con ibuem pa a a explosão de on ei as, que o a is a
nos p opõe o (seu) co po na condição de pe o me , à semelhança de a is as como
Valie Expo , He man Ni sch, S ua B isley, Ana Mendie a, U s Lü hi, Ulay e
Ab amo ic, en e ou os.
Concep ualmen e in luenciado pelos abalhos de Hans Bellme e Molinie ,
Klauke neles econhece** a ausência de um p og ama c is ão da culpa. Nes es au o es,
al como nos p og amas a ís icos de Max Beckmann, F ancis Bacon, Sou ine e Joseph
Beuys encon a á mo i ações o mais e c í icas. Mas é a ida implicada na a e que
cons i ui o seu ho izon e maio . É a conco dância en e ambas que Klauke p e ende
como o al.
Segundo Weibel*** (2001) Klauke, omando-se a si mesmo como objec o de iden idades
iccionadas, expõe o co po como elemen o cen al da sua p odução a ís ica. Da
polí ica do co po à polí ica do sexo, é semp e a ques ão das iden idades que es á
p esen e. Desde Ich & Ich, 1972, Fisionomina (1972-73), Masculin/Fémin (1974), Ro
(1974), D . Mülle Sex-Shop (1977), a é às sé ies o og á icas T ans o me (1970-
75), ou ob as como Fo malisie ung de Langeweile (1980-81), P osecu i as (1987-88),
Sonn agesneu osen (1990-92), a é Äs he ische Pa anoia (2003-06), que Klauke assume
o seu co po como supe ície de p ojecção de pon os de is a. A impossibilidade de
uma iden idade ixa, as elações en e sexo e sexualidade, masculino- eminino, a
dissolução do sujei o, o pode ep essi o e disciplinado das ins i uições, o édio
e a solidão ou a p óp ia mo e, cons i uem-se em igu as ágico-cómicas do co po
con empo âneo.
As imagens da exposição
Le désas e du moi. Oeu es écen es, 1996-2001
,
ealizada na Maison Eu opéenne de la Pho og aphie, Pa is, 2001, assinalam que as
ques ões da iden idade, as elações p ecá ias, dessexualizadas, en e os sujei os
e as coisas dominam as suas imagens de ca ác e pe o má ico. A isicalidade dos
co pos, ma cada de o ma imp ecisa, inde inida e, po ezes, des ocada, con apõe-
se à o e in ocação e isibilidade do co po e do sexo, mais e iden e na sua
p odução a ís ica da década de se en a. No en an o, em nenhum dos casos podemos
ala de ap oximações a uma qualque ep esen ação clássica do co po ou a um
pa adigma humanis a.
*Com e ei o, é Klauke que des aca o ca ác e hipóc i a do documen al, que a a essa a his ó ia da o og a ia e que na ac ualidade é exponenciado com os media elec ónicos:
“Conside ando que hoje oda a gen e, em maio ou meno medida, anspo a consigo algum apa elho que cap a imagens, chegam a é nós in e essan es imagens p oceden es de
câma as de igilância, ei as po soldados e u is as, ou seja, p o anos que es a am nalgum luga num momen o opo uno.”(...)No en an o, diz, “a a e es á cons an emen e pa a lá
dis o, acima e sob a supe ície do eal.Não negocia á, mas i i a á, pe u ba á e coloca á ques ões onde, po comodidade ou medo, não se colocam.” Ju gen, Klauke, Heinz-No -
be Jocks, Ju gen Klauke habla con Heinz-No be Jocks, Mad id: La Fáb ica Edi o ial, 2007,p.47.
** Ju gen, Klauke, Heinz-No be Jocks,
Ju gen Klauke habla con Heinz-No be Jocks
….p.19.
*** Pe e Weibel, “L’A de Klauke. En e poli ique co po elle sub e si e e ac ions pe o ma i es”, in
Jü gen Klauke. Le désas e du moi
. Oeu es écen es, 1996-2001. (Pa is:
Maison Eu opéenne de la Pho og aphie, 2001).
64

65
PERFORMATIVIDADES
DO EU E NOSTALGIA
DAS VANGUARDAS
Lo ca al acío, do Tea o de Cáma a Ce an es
Claudio Cas o Filho
1 | POÉTICAS DO IMPOSSÍVEL NO ´TEATRO
DO PORVIR` DE FEDERICOGARCÍA LORCA
Já desde inais do século XX, que o chamado ´ ea o impossí el` (c . J.
Huélamo, 1996 e S. Sailla d & M. Ramond, 1998) de Fede ico Ga cía Lo ca em
compe ido, em isibilidade, com o seu ea o mais canónico, do qual são exemplo
c is alino as conhecidas agédias u ais (
Bodas de sangue, Ye ma, A casa de Be na da
Alba
). Tal endência apa ece an o no campo c í ico quan o no p agmá ico: po um
lado, os es udos lo quianos pa ecem e descobe o nas ´comédias i ep esen á eis`
do au o g anadino a sua e dadei a singula idade como d ama u go; po ou o,
os cole i os ea ais con empo âneos êm-se in e essado ambém po um Lo ca de
es é ica sub e si a, alheado dos es e eó ipos de gi ane ía que ce as lei u as dos
seus d amas andaluzes plasma am (às ezes injus amen e) no que se conside ou, a é
en ão, um ea o au en icamen e lo quiano.
É in e essan e pe cebe que es a no a abo dagem do ea o lo quiano nos
es udos e palcos a uais es eja cen ada num epe ó io d ama ú gico ão sucin o
como de ac o é o das comédias i ep esen á eis, que con a com não mais do que duas
peças acabadas (
O público
, de 1930, e
Assim que passem cinco anos
, de 1931) e uma
não concluída (Comédia sem í ulo). Ainda assim, o que os es udos mais ecen es
êm en ado comp o a é que jus amen e nesse conjun o excecional e singula do
d ama lo quiano es ão as e dadei as cha es de lei u a da sua mi ada ea al. Ou
seja, o ea o impossí el de Ga cía Lo ca con o ma não apenas uma d ama u gia sem
p eceden es (se o compa amos com a p odução espanhola dos inícios do século XX),
mas p opõe ambém uma es é ica ea al, no sen ido mais ilosó ico do e mo, uma
ez que Lo ca plasmou nele mui as das suas inquie ações e e lexões sob e uma
possí el no a ea alidade. Es a a em pau a a ecusa da ep esen ação nos moldes
a is o élicos e a busca de um no o es a u o ea al pa a a pala a poé ica, cuja
conc e ude a po ia em pé de igualdade com a exp essão da imagem cénica e do co po
do a o .
66
Em úl ima análise, Lo ca alinha-se com au o es e encenado es que, desde
inais do século XIX, explo a am a ques ão da au onomia do espe áculo ea al
en e à adição d ama ú gica; comba e-se o ex ocen ismo na mesma medida em
que se ei e a a po ência de ea alidade ine en e ao p óp io ex o, que passa a
si ua -se pa a além da sua condição de ac o li e á io. A p osa pessoal de Lo ca
dos inais da década de 1920 cla amen e demons a a sua ecusa do d ama mode nis a
de modelo ma quiniano – e equi alen e, em Po ugal, ao chamado ea o simbolis a
(c . Lou enço, 2005, pp. 93-105) – que igo a a na cena mad ilena daqueles anos.
Se, po um lado, Lo ca p ocu a á inse i -se no ci cui o p o issional da sua época
(e log a-lo-á a a és de uma con ínua colabo ação com a companhia de Ma ga i a
Xi gu), po ou o, o poe a g anadino encon a á em cole i os ea ais de ca iz mais
expe imen al – como o g upo El Ca acol, de Ri as Che i , e o Club Tea al An is o a,
de Pu a Ucelay – um e eno ecundo onde cul i a as semen es do que ac edi a a se
um ea o do po i .
Não po acaso, essa busca de um ea o alheio aos modelos p econcebidos ai
in ensi ica -se nos começos da década de 1930: Lo ca az, na bagagem da sua es ada
no a-io quina (1929-1930), ascunhos em adian ada ase do seu ea o i eden o.
Es udos como os de M. Ucelay (2006, pp. 12-16, 36-47, 127-133) pe mi em-nos
isualiza o impac o que a cena o -B oadway exe ceu sob e o poe a num momen o
his ó ico ma cado, po um lado, pela c ise do modelo capi alis a ame icano e, po
ou o, pela con unden e eme gência de No a Io que como epicen o das angua das
a ís icas ociden ais. Nesse con ex o, Lo ca ei e a á a sua busca de um ea o
poé ico, no qual se con on a os limi es da ep esen ação, e o ea al, no sen ido
li e á io mas ambém pe o ma i o do e mo, se con e e num e eno híb ido e
me a ó ico.
Ainda no con ex o no a-io quino, não se pode deixa de conside a a in luência,
sob e a no a pe spe i a lo quiana, de companhias como a de I ene Lewisohn: a
Neighbo hood Playhouse con a a com Ma ha G aham a encabeça o seu elenco e, no
cen o mesmo dos seus espe áculos lí icos, si ua a-se uma comp eensão da pala a pa a
além do seu signi icado ex ual, mas que le a a em con a o i mo ocal e a po ência
de mo imen o que emana am da esc i a poé ica. Nesse sen ido, a dimensão me a ó ica
do co po do pe o me e da plás ica cénica enquad a-se na conceção lo quiana de um
ea o pu o, à qual se ac escen a, ainda, odo o deba e angua dis a, ao edo de
um no o ea o, igen e nos cí culos cul u ais do no e e les e eu opeus.
Embo a se enha cons uído o senso comum de que o su ealismo e ia sido
o e e en e p incipal pa a uma mudança de a i ude de Lo ca ace ao ea o e à
poesia (ideia que cada ez mais cai em desuso, pelo menos desde o es udo de M.
Ga cía-Posada, (1989, pp. 7-9), não se pode menosp eza a a enção dada pelo poe a
a escolas ea ais como o exp essionismo alemão, o ea o épico de Pisca o e o
ea o p ole á io usso (c . Ga cía Lo ca, 1997, ol. III, pp. 596-601). Há que se
e em con a, ainda, a iden i icação mani es a pelo au o g anadino com au o es
cujo ea o es á balizado na poe ização da cena e na agmen ação do eu, como é o
caso de S indbe g, Pi andello e Coc eau. Lo quis as como M. Ga cía-Posada (1997,
p. 32) ac escen a ão à lis a os nomes de Ibsen, Tchéko e Galdós.
67
Tal ez nes e pon o es eja uma das azões da igência de um Lo ca ansg esso
da no ma no palco con empo âneo: es udos como os de R. Abi ached (2011) e M. L.
Candeias (2012) si ua ão no jogo simbólico e me a ea al do mode no d ama eu opeu,
em con o midade com oda uma no a conceção das noções de eu, pe sonagem e sujei o,
a génese de algumas das inquie ações do ea o con empo âneo.
A ideia de um ea o i ep esen á el, ou mesmo impossí el, que ganha es a u o
conce ual nas comédias lo quianas de 1930-1931, ecai an o sob e a c ise da
ep esen ação despole ada pelas angua das como sob e a conceção do p óp io Lo ca
de que o ea o, na qualidade de a e de in e enção social, de ia impo -se ao
público, e não o con á io. Po es a azão, a apos a do au o num ea o que
de ubasse o cânone a is o élico olha a pa a ou o empo (daí as suas noções de a e
do u u o, de ea o do po i ) como ambém ou o espaço (um espaço sob a a eia,
abe o à expe imen ação poé ica e libe o da qua a pa ede). Po conseguin e, há
que se e em con a que a emá ica en en ada po esse ea o de o mas expandidas
colide con a as expe a i as do público do d ama bu guês mais adicional. Não
po acaso, as pe sonagens do ea o impossí el lo quiano são mo idas pela angús ia
exis encial de não se econhece em a si mesmas: o poe a põe-nos dian e dos olhos
pessoas incomple as, ágeis, ma ginais, incompa í eis com o empo p esen e e as
con enções mo ais socialmen e acei es. T a a-se de uma exp essão sui gene is do
eu, que o es ende a um uni e so de indecisão en e sujei o e obje o, ealidade e
sonho, ida e mo e, e dade e icção.
Po udo o que a é aqui expusemos, no a-se já que mui o da complexidade do
uni e so poé ico ence ado na ob a d amá ica de Lo ca chegou, em boa o ma, ao
palco con empo âneo, o que pode ambém explica o c escen e in e esse da cena
a ual pelo seu ea o sob a a eia – embo a o seu d ama de acen o indiscu i elmen e
andaluz enha, ambém ele, a encon a igo osas elei u as con empo âneas, como
deixam cla o as ecen es encenações mad ilenas de Ye ma, po Miguel Na os, no
Tea o Ma ía Gue e o (2013), de Bodas de sangue, po Jo ge Eines, no Tea o Valle-
Inclán (2013-2014) e de A casa de Be na da Alba, po I ina Koube skaya e Hugo Pé ez
de la Pica, no Tea o Español (2014). Nesse igo oso pano ama de busca de no os
acen os da le a lo quiana e á luga não apenas a encenação do seu epe ó io
i ep esen á el, senão ambém eesc i as que omam o uni e so ea al i eden o do
ba do g anadino mais como pon o de pa ida do que de chegada, já que p opõem no as
a iculações d ama ú gicas e pe o ma i as a pa i dos esc i os angua dis as do
au o . É nes a úl ima endência que se enquad a o espe áculo Lo ca al acío, do
cole i o Tea o de Cáma a Ce an es, encenado po Sonia Sebas ián e com d ama u gia
de Ma ía Velasco, es eado em no emb o de 2012 na Sociedad Ce an ina de Mad id.
68
2 | LORCA AL VACÍO:
ESCRITURA PERFORMATIVA
Um dos p imei os aspe os que nos chama a a enção em
Lo ca al acío
é, sem
dú ida, o seu ca iz in e ex ual, seja no espei an e à d ama u gia, seja no que
se e e e à encenação. O que o espe áculo nos p opõe e e escu a , po um lado,
sabe a no o, mas, po ou o, a inge-nos pela memó ia, já que se dão a econhece ,
ali, imagens poé icas, ascunhos de pe sonagens, ozes, ges os, imp essões que
azem pa e de uma memó ia cole i a do ex enso “labi in o ex ual” (c . J. Huélamo,
1996) lo quiano. Assim, a p imei a imp essão do espec ado é a de que o espe áculo
nos con oca a um con on o com o nosso epe ó io pessoal, no qual iden i icamos
oda uma he ança cul u al ad inda do uni e so de Lo ca e de udo o que nele es á
implicado. Um cená io-ins alação de o e componen e escul ó ica (c iação de Hisae
Ikenaga e Juan Zamo a), no qual mó eis e obje os eme gem desde um chão cobe o de
a eia, deixa cla o que se ai emo e uma memó ia sepul ada, um passado em uínas.
No en an o, os despojos do uni e so lo quiano que essu gem des a a eia con ulsa
encon am-se, desde logo, deslocados do seu pon o de o igem e des anecidos com o
passa do empo.
Há uma e iginosa mescla de e e enciais poé icos que p opõe no as si uações
semân icas pa a a le a lo quiana: o poe a Fede ico Ga cía Lo ca é delibe adamen e
des onado do seu pos o de clássico mode no e, como numa pa ida de ca as onde os
naipes se ba alham à so e ou ao aza , ê a sua p óp ia esc i a aída, con e ida
em ou as ex ualidades, li e á ias e/ou cénicas. Os con ínuos desdob amen os
ex uais p opos os po Lo ca al acío ecupe am elhas discussões em o no da mo e
do au o (c . M. M. Baj ín, 1999, pp. 13-190; R. Ba hes, 1988; M. Foucaul , 1999,
pp. 95-125) e p o ocam um o e sen ido de es anhamen o sob e o mesmo espec ado
que, num p imei o olha , se ha ia iden i icado com uma ob a que lhe soa a amilia .
A mo e do poe a como ema pe o ma i o do espe áculo de Sonia Sebas ián põe em
p imei o plano a mode na c ise do au o e da au o idade, mas ambém se e de
me á o a pa a o p óp io assassina o de Ga cía Lo ca, um dos emas que a a essam
Lo ca al acío.
Ao analisa mos com mais p ecisão o espe áculo, a igu a da Noi a des aca-
se en e ais desdob amen os ex uais. Ainda que não se possa p ecisa um eco e
emá ico uní oco da ob a de Lo ca, o uni e so eminino que emoldu a o ea o do
g anadino compa ece de o ma mui o con unden e no ecido d ama ú gico da mon agem.
Con a-nos a encenado a Sonia Sebas ián que, an es mesmo de que Lo ca al acío se
ap oximasse duma es é ica mais alinhada ao Lo ca di o su ealis a, e a sua in enção
in es iga as poé icas do eminino que se en ec uzam na ob a do au o .
69
Pode se que es a
Noi a de Lo ca al acío
enha su gido da
Noi a de Assim
que passem
cinco anos, já que, a inal, a p imei a a anja os cabelos com as mesmas anças
imaginá ias da segunda (c . F. Ga cía Lo ca, 1997, ol. II, pp. 334, 354). Ainda
assim, não se pode nega que a sua p esença poé ica inco po a elemen os me a ó icos
da Noi a de Bodas de sangue ou, inclusi e, de Dona Rosi a (na peça homónima), a
mais au ên ica noi a que não pôde sê-lo da d ama u gia de Lo ca.
Uma ez que as igu as que enunciam a p esença dessa Noi a múl ipla são
Julie a (in e p e ada po I ene Se ano), Helena (po Te esa Vallejo) – ambas
de O público, mas ambém do uni e so de Shakespea e e da mi ologia clássica que
inspi a am Lo ca – e a Da ilóg a a de
Assim que passem
(a pa i da qual a a iz
Na alie Pino cons ói uma espécie de ca ica u a de Ma ga i a Xi gu), o espe áculo
acaba po ag ega , de o ma polissémica, di e sas ozes que, no seu conjun o,
cons i ui ão um pe ei o a qué ipo. A a és de uma Noi a in isí el, que su ge no
agmen o 7 de Lo ca al acío, essoam as ozes de odas as pe sonagens do uni e so
de Lo ca que ca ega am, como uma mancha na pele, a sina da us ação amo osa.
A Noi a su ge, assim, não na qualidade de pe sonagem p op iamen e di a, mas como
signo poé ico cuja conc e ude pe o ma i a se e ela numa co oa (a co oa de lo es
de la anjei a, signo lo quiano das bodas e, ao mesmo empo, mo e) cujos agmen os
des oçados compa ilha, à manei a de um co o g ego, odo o elenco.
3 | FRAGMENTAÇÃO DA
PERSONAGEM E
DESDOBRAMENTOS DO EU
No a-se, po an o, que a já mencionada ideia descons u o a de agmen ação
da pe sonagem es á, em
Lo ca al acío
, in imamen e elacionada com a noção – mui o
p óp ia, aliás, do ea o impossí el lo quiano – de uma mul iplicação do eu poé ico
e cénico. No con ex o con empo âneo, essa dinâmica de implosão/explosão do eu ica
pa en e numa espécie de a u a da pala a e, ao mesmo empo, numa ulne abilidade
do co po em cena: eis os mecanismos ea ais que azem à ona o limi e débil en e
iden idade e icção.

70
É in e essan e pe cebe mos que esse ca iz agmen á io do sujei o em cena, a im
à conceção de campo expandido que ca ac e iza o ea o con empo âneo (c . J. A.
Sánchez, 2008), se alinha em g ande medida ao que E. R. Mo aes (2002, p. 55)
conside a uma sín ese possí el do espí i o mode no, numa alusão às angua das
his ó icas que ma ca am a i agem do século XIX pa a o XX: “o sujei o de e se
agmen a , pe de sua unidade e desloca comple amen e seu pon o de is a”. As
bases desse p ocesso de agmen ação in e mi en e de signos e ozes, que ma ca a
poé ica pe o ma i a do espe áculo do Tea o de Cáma a Ce an es, e elam-se já na
p opos a colabo a i a le ada a cabo du an e a cons ução de
Lo ca al acío
. Segundo
ela a a encenado a:
Ou seja, mais que ecupe a ou ep esen a o uni e so d amá ico de Lo ca, o
que se p opôs ao elenco oi um abalho de c iação espon ânea sob e um complexo
manancial de pe sonagens a pa i do qual su gi am no as ques ões e no os sujei os
cénicos. Pe cebe-se, numa lógica colabo a i a e p ocessual, a ideia de jogo: um
jogo en e o eu e os an os ou os que sob e esse mesmo eu in e êm. O esul ado
cénico desse eu compa ilhado/mul iplicado desloca a noção de au o ia pa a um
espaço de cole i idade c iado a. Reco da-nos José An onio Sánchez (2008, p. 13) que
a ideia de comunidade u ilizada nos p ocessos de c iação a ís ica se iu de eixo à
poé ica ea al exp essionis a (o que se no a em au o es como Kaise e Tolle ), bem
como a cole i os ea ais que a é aos dias que co em se em de pa adigma pa a o
ea o con empo âneo; se á es e o caso do Li ing Thea e, em cuja p á ica c iado a
se subs i uiu a didascália unila e al do ea o de modelo a is o élico pela noção
de expe iência compa ilhada.
Semelhan e pe spe i a se ai obse a , desde as suas o igens, no ea o
impossí el lo quiano, e podemos oma como exemplo o con ex o de c iação de Assim
que passem cinco anos. Chega am-nos, des a ob a, dois dis in os documen os: um
agmen o da ado em 1931 e ou a e são, conside ada, es a sim, o manusc i o
de ini i o, co igida e ano ada, p o a elmen e en e 1933-1936.
A ellos [los ac o es] les en egamos unos ein e pe sonajes que
enían que e el uni e so con el uni e so lo quiano, de los
cuales cada uno enía que hace una imp o isación y p opues a
sob e uno de ellos. Cada ac o eligió al que quiso y plan eó su
p opia imp o isación. A pa i de ahí Ma ía [Velasco] y yo nos
pusimos a abaja y en e los ocho uimos c eando es os pe sonajes
ma a illosos y au én icos
(Sonia Sebas ián, em en e is a ao au o , 21 ou . 2013).
71
No caso do ex o de ini i o, a sob eposição de camadas ex uais e pa a ex uais
e ela a complexidade que e á ma cado o p ocesso de encenação que o Club Tea al
An is o a en ou emp eende mas que, com a eclosão da Gue a Ci il, não chegou a
conc e iza . Uma ez con on ado o eu li e á io com o eu pe o má ico do in é p e e,
as deslocações e desdob amen os de sen ido pa ecem já ine i á eis e, no caso de
Assim que passem, p oduzi am mudanças no ex o su icien emen e exp essi as pa a que
possamos a i ma que, na conceção de Lo ca, o palco e a mesmo o des ino almejado
pa a os seus esc i os angua dis as, que se si uam, assim, mais além do ac o
li e á io. No caso do espe áculo de Sonia Sebas ián que aqui nos in e essa, não se
pode desp eza o seu ca iz exp essionis a, que b o a, se calha , da mesma semen e
su ealis a que in e essou à encenado a e que, de aco do com au o es como R. A.
Ca dwell (2005, pp. 47-80), se in eg a no leque de e e ências do ea o impossí el
lo quiano.
Desde essa mesma pe spe i a de um eu múl iplo, que con o ma as pe sonagens
em
Lo ca al acío
, su ge um in e essan e sin oma ex ual no manusc i o de Ma ía
Velasco, que consis e na oscilação de um mesmo sujei o emisso que, não obs an e,
se desdob a em di e en es ozes: há momen os em que as didascálias apon am como
oz d amá ica o nome de uma pe sonagem, mas há ou os em que essa mesma oz su ge
iden i icada com o nome ci il do a o ou a iz que i á p o e i-la. Ou seja, oco e
um anco diálogo en e um eu poé ico, plasmado nas igu as iccionais, e um eu
indi idual, que algo exp essa do uni e so subje i o do in é p e e. Nes e limia
en e ealidade e iccionalidade, ambém ele eco en e num Lo ca angua dis a,
encon am-se mui os dos simulac os pos os em mo imen o em Lo ca al acío.
Há que a en a que uma das ma cas mais isí eis dos jogos lo quianos de
simulação es á no ac o de que, pa a o poe a g anadino, os limi es en e eal e
icção p opõem um ques ionamen o não apenas es é ico, mas ambém polí ico. Ob as
como
O público
e
Assim que passem cinco anos
– quando en en am a de ocada da
qua a pa ede e, mais, apo am à dinâmica do d ama o espaço- empo do espec ado
– p o ocam um jogo me a ea al que não só deixa pa en e a mecânica poé ica que
subjaz ao d ama, mas, igualmen e, denuncia a a i icialidade das con enções mo ais
do espaço social; daí o acolhimen o, no ea o impossí el, de ipos e es e eó ipos
a ins à ealidade dos socialmen e p osc i os.
Nesse pano ama, a ideia lo quiana de um eu em cons an e mu ação (que se
exp essa pela supe ície das másca as e não se deixa cap u a po uma conceção
ixa de subje i idade) e ela-se mui o p esen e no espe áculo de Sonia Sebas ián.
Di e sos exemplos pode iam ilus a a ques ão, mas é no abalho do a o Esosa
Omo que mais se pe cebe a incidência de um eu não c is alizado, que epe idamen e
se desdob a em di e sos ascunhos subje i os. A inse ção e e i a de Omo no jogo
pe o ma i o conc e iza -se-á no agmen o 8, logo em seguida ao já mencionado
quad o da Noi a. A didascália assim desc e e a cena: “... apa ece el An idis u bios,
odos callan y eculan admi ados po su igu a escul ó ica y sus músculos de muñeco
hinchable”.
72
Suge e-se, nes e pon o, uma imagem mui o acilmen e econhecí el no labi in o
lo quiano, mas ambém na ealidade social con empo ânea: po um lado, ecupe a-
se a igu a do Jogado de Râguebi, de
Assim que passem cinco anos
, es e eó ipo da
masculinidade exace bada e do e o ismo la en e; po ou o, a igu a do polícia
an i-dis ú bios igu a como ca ica u a a ual de uma democ acia em c ise. Mais uma
ez, os e e en es lo quianos su gem sob e o palco a um i mo caleidoscópico, já
que no ex o de Julie a – que en a, com pouco sucesso, dialoga com esse mudo
agen e de segu ança pública (sinal, al ez, da p óp ia mudez dos op esso es em ace
dos p o es os dos op imidos) – cabe ão não somen e as pala as da Noi a de Assim
que passem (o que con i ma o pa en esco des e An idis u bios com o Jogado da peça
de 1931), mas ambém agmen os ex uais de ou as ma izes da ob a de Lo ca. Ao
ag ega elemen os de diálogos lo quianos como A donzela, o ma inhei o e o es udan e
ou O passeio de Bus e Kea on, a cena p opos a po Lo ca al acío desloca os seus
p óp ios e e en es pa a o a do seu cen o o ganizado .
No en an o, passados qua o quad os e chegado o agmen o 12, a igu a
emudecida in e p e ada po Esosa Omo con e e-se num duplo con á io ao es e eó ipo
que p imei amen e ínhamos is o. A didascália, des a ez, iden i ica-o como Neg o
e o seu discu so, de con unden e ca iz ei indica i o, al e a po comple o o seu
pon o de is a no ecido d ama ú gico. Se, an es, es ido com capace e e cace e e,
ínhamos em cena um sujei o cujo co po p olongado ei e a a a sua silenciosa e
su da condição de op esso , o que ago a emos aduz um sujei o social que, à
manei a do dis anciamen o de B ech , e le e sob e a ealidade a pa i do luga
de op imido.
A despei o da ónica social, o quad o em ques ão e i a a ingi o pan le á io,
mas op a po uma poe ização da mensagem polí ica ao oma a imagem mí ica da Lua,
ela mesma eco en e na poesia de Lo ca, como pon o de in lexão. Po ou o lado, o
ex o de Velasco põe em causa o ilusionismo e a mis i icação que cos uma inspi a
a Lua quando Esosa Omo a i ma que “el homb e ha llegado a la Luna, pe o no ha
llegado a Á ica”. A sen ença a inge especial con undência uma ez p o e ida po um
in é p e e de o igem a icana, que emp es a às pala as o seu so aque es angei o
e a sua expe iência i al en e a uma ealidade (a ealidade mesma do espec ado )
que, dia após dia, e ela o alhanço da emp esa colonialis a. A descons ução cénica
coincide com a discu si a, já que no p incípio do mesmo agmen o 12 a igu a do
Poe a (in e p e ada po Aa ón Loba o) dispõe os a o es como se es i essem na Alego ia
da Ca e na de Pla ão: a cena desloca-se, no seu decu so, de um plano alegó ico e
a mos é ico pa a uma con on ação com a ealidade his ó ica e o p esen e imedia o.
Na igu a do Poe a, aliás, des elam-se signi ica i os expedien es da encenação,
que, na colagem de di e en es quad os independen es, cons ói uma a mos e a ípica
do ea o de caba é, na qual o Poe a, al e ego do p óp io Lo ca, az as ezes de
mes e de ce imónias ao cos u a os di e sos núme os pe o ma i os.
73
4 | LINGUAGENS DO IMPOSSÍVEL:
ESPAÇO E IMAGEM
EM LORCA AL VACÍO
Uma das p incipais ca ac e ís icas que azem de Lo ca al acío um espe áculo
alinhado às es é icas do caba e e as suas a ian es es á, sem dú ida, na mescla de
linguagens a ís icas que ma ca o espe áculo. O já mencionado ca iz colabo a i o
do p ocesso le ado a cabo po Sonia Sebas ián pa iu, po an o, de um núcleo a i o
de a is as de di e en es disciplinas – poesia, ea o, ci co, música, dança,
a es isuais – que buscou, em cena, cons ui uma pe o mance a im ao uni e so
unde g ound do music-hall dos anos 1920. Es á, po an o, pa en e uma ce a nos algia
angua dis a de o mas ea ais não econhecí eis nos palcos de adição e udi a.
O uni e so plu al aba cado pelo espe áculo pa ece, en ão, ex emamen e adequado a
uma es é ica que p opõe, desde as angua das, um diálogo pe o ma i o en e poesia
e polí ica, segundo nos explica M. A. G ande Rosales (2004, p. 279):
Pe cebe-se, ou a ez, que o acen o con empo âneo de
Lo ca al acío
bebe dos
ques ionamen os já le an ados po Ga cía Lo ca na sua es é ica do impossí el. A
ideia wagne iana de uma ob a de a e o al, ao lado das discussões de Appia e C aig
sob e a ma e ialidade do co po do a o , es e e na pau a dos cí culos li e á ios e
ea ais equen ados po Lo ca. Em G anada, ais discussões anima am o mo imen o de
ecupe ação e eno ação do ea o de ma ione as andaluz encabeçado po He menegildo
Lanz, Manuel de Falla e o p óp io Ga cía Lo ca (c . Y. V. Ma ínez, 2013, pp. 9-47).
Em Mad id, Cip iano Ri as Che i , uma das igu as mais p óximas de Lo ca à época
da sua consolidação no ea o, e á sido uma espécie de po a- oz das es é icas
de angua da eu opeias nos cí culos ea ais da capi al espanhola; ale a pena
des aca o seu in e essan e ânsi o, naquela al u a, en e o ea o p o issional
(como encenado e emp esá io da companhia de Ma ga i a Xi gu) e o expe imen al (à
en e do g upo El Ca acol).
Los mo imien os de angua dia, desde el escándalo y la con icción
polí ica, delei ándose en las o mas in e io es de en e enimien o
popula como el music-hall, el caba e o el ci co, emp endie on
un asal o sin p eceden es con a la cul u a bu guesa, pa a ellos
una mezcla desp eciable de alo es eacciona ios y sen imen alismo
deg adado.
80
Tânia, em caminhos opos os, discu sa academicamen e sob e um p ocesso
a ís ico de c iação e já es á, ambém, ap esen ando-se enquan o “obje o” de a e
com odos os elemen os que compõem sua pe o mance. Lamen a o lapso que a a as ou
de uma possí el pe manência no ambien e ins i ucional, pa a, den o dele, aze com
que no emos o quan o o e éme o supe ou o angí el nesse caso que ela nos de alha,
o quan o a ação ao i o pode a uina com a ixa ideia do angí el. Com “Female”,
nesse sen ido, sem has ea essa bandei a, Tânia despe a-nos pa a obse a mos as
qualidades de uma ob a de a e i a, quando, em om inclusi e c í ico, deixa os
obje os ge ados a pa i da sua ap esen ação como ins alação.
Na sua pe o mance-pales a, Tânia Dinis posiciona-sa conscien e de eo ias
le an adas po K is ine S iles sob e es ígios que podem se is os como “expansões”
dos p óp ios a os pe o má icos, inculados a eles como “comissu as”, ao mesmo
empo que demons a aquilo que Peggy Phelan a i ma com eemência em elação à
impossibilidade de desdob a uma pe o mance em obje os, pois pa a ela esse é
um ipo de ação que não pe mi e epe ição e, po isso, ence a-se no p óp io
a o. A inal, pa a essa au o a, a singula exis ência da pe o mance só exis e no
p esen e.
ADORNO, Theodo W.,
Teo ia Es é ica
. T adução de A u Mou ão, Lisboa: Edições 70, 1993.
BALDACCHINO, J. (2009).
Opening he pic u e: On he poli ical esponsibili y o a s-based esea ch: A e iew essay.
In e na ional Jou nal o Educa ion & he A s
, Volume 10 (Re iew 3) / 01 de Fe e ei o de 2009. Disponí el em: h p://
www.ijea.o g/ 10 3/ (Consul a ealizada em 15 de Julho de 2013)
PHELAN, Peggy.
Unma ke : The poli ics o Pe o mance.
London/New Yo k: Rou ledge, 1993.
SELZ, Pe e ; STILES, K is ine.
Theo ies and documen s o Con empo a y A : a sou cebook o a is ’s w i ings.
Los
Angeles: Uni e si y o Cali o nia P ess, 1996.
BIBLIOGRAFIA
TALES FREY (Ca andu a-São Paulo, B asil. 1982). Vi e e abalha en e o B asil
e Po ugal. A is a pe o má ico, ideoa is a, c í ico de a e e encenado .
Ac ualmen e, es á em ase de conclusão de um Dou o amen o em Es udos Tea ais
e Pe o ma i os pela Uni e sidade de Coimb a em Po ugal, onde desen ol eu
a ese-p oje o (P ac ice-led Resea ch) “Pe o mance e i ualização: moda e
eligiosidade em egis os co po ais”.
Fez Mes ado em Es udos A ís icos – Teo ia e C í ica da A e pela Faculdade
de Belas A es da Uni e sidade do Po o e uma especialização em P á icas
A ís icas Con empo âneas pela mesma ins i uição. É o mado em A es Cênicas
com habili ação em Di eção Tea al pela Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o,
ins i uição onde man e e ínculo pa a equen a uma g aduação em Indumen á ia
na Escola de Belas A es da UFRJ.
Ap esen ou abalhos a ís icos na A gen ina, no B asil, no Canadá, na China,
em Cuba, nos Es ados Unidos da Amé ica, Ingla e a, F ança, Alemanha, Malásia,
México, Polónia, Pe u, Po ugal, Sé ia, Suécia e Tailândia.
BIO TALES FREY

81
82
A ESCOLA DO
PORTO
Uma ap esen ação
Figu a 1 – Fo og a ia de Sé io Fe nandes i ada em Alcáce Quibi ,
du an e uma odagem com os seus alunos.
Nuno Malhei o
83
Quando em 1991, Sé io Fe nandes acei ou o con i e pa a a docência da disciplina
de Realização, ao Cu so de Cinema e Vídeo da Escola Supe io A ís ica do Po o,
inha omado uma única e i me decisão ace a esse no o desa io: nunca mos a aos
seus alunos, qualque um dos mui os publici á ios e documen á ios ins i ucionais,
que inha ealizado enquan o di ec o da p odu o a Bei Film.
Es a decisão ep esen a a o culmina de um p ocesso de p og essi o es aziamen o da
in ensa ac i idade come cial que inha ma cado os p imei os anos dessa p odu o a,
em de imen o da p odução de p ojec os cujo único objec i o e a a sa is ação de uma
necessidade de exp essão pessoal e a ís ica.
O início da ac i idade docen e de Sé io Fe nandes oi, po an o, ma cado po
uma eno me abe u a a no as p opos as es é icas que se ha monizassem com a p o unda
p ocu a exis encial e c ia i a que ca ac e izou esse pe íodo da sua ida. Uma
p ocu a que, em e mos de imagem, se consubs ancia a num ce o desejo de e o no a
uma pu eza p imi i a, que a libe asse de odos os cons angimen os ligados à sua
explo ação come cial.
Como homem do e eno que semp e oi, Sé io Fe nandes pau ou a sua ac i idade
como docen e po uma o ien ação p á ica e c ia i a, apoiada num discu so ené gico e
ins in i o que semp e sus en ou com base na o ça das suas con icções e na solidez
do seu pe cu so.
A p olí ica p odução ílmica que esul ou des a o ien ação é o aspec o mais angí el
e comp o ado da paixão com que se en egou ao seu papel de p o esso .
A p imei a des as p oduções oi “Vi a o Po o”, í ulo que e a uma cla a
e ocação do ilme “Que Vi a México!” de Se gei Eisens ein.
A ideia cen al de “Vi a o Po o” consis ia em en a jun a numa única ob a uma
colecção de ec iações de á ios ilmes do pionei o do cinema po uguês, Au élio
da Paz dos Reis.
T a a a-se pois de um ilme colec i o no qual cada uma das ec iações e a ealizada
po um aluno di e en e.
O impac o que es as opções es é icas e pedagógicas i e am em Sé io Fe nandes
e nos seus alunos oi de al o dem que es e p imei o ilme acaba ia po in luencia
decisi amen e odo o abalho que du an e os p óximos 22 anos desen ol e ia enquan o
p o esso e ealizado .
A inegá el impo ância des e ilme me ece po an o que sob e ele lancemos uma
análise mais ap o undada, sem a qual se o na di ícil pe cebe os undamen os
eó icos e a ís icos que es ão na base do que se pode á chama a escola do Po o.
Comecemos en ão po analisa as implicações es é icas deco en es da ec iação
dos ilmes de Au élio da Paz dos Reis:
A es abilidade ao ní el do enquad amen o e pon o de is a da câma a, que ca ac e iza a
o cinema p imi i o, en a iza a as suas a inidades com o ea o, a pin u a e a
o og a ia.
84
Essas a inidades diluí am-se inega elmen e com a in enção da mon agem, cujo
apa ecimen o es á p imo dialmen e ligado à explo ação do po encial na a i o das
imagens-mo imen o, a a és do desen ol imen o empí ico de uma linguagem que se
o nou cada ez mais especi icamen e cinema og á ica.
Foi es a p imi i a ligação do cinema ao quad o ea al, pic ó ico ou o og á ico
que an o ascinou Sé io Fe nandes e os seus alunos, na medida em que se ape cebe am
que, ao es abiliza em a câma a, es a am ambém a eduzi ao essencial o seu papel
écnico especí ico enquan o ealizado es cinema og á icos, o que concep ualmen e
os libe a a pa a a cons ução de uma imagem que podia explo a de o ma mui o
in ui i a o po encial poé ico das imagens-mo imen o, a a és da sua ligação com
odas as ou as o mas de exp essão a ís ica.
Po ia da secunda ização da sua dimensão na a i a, a imagem que esul a des a
abo dagem é quase semp e al amen e subjec i a e quase semp e con ida o espec ado
a um olha con empla i o.
Podemos en ão ala de um au ên ico Quad o A ís ico Cinema og á ico, cuja linhagem
só pode á se encon ada nas g andes A es do Silêncio.
Po ou o lado, não nos esqueçamos que es e p imei o ilme colec i o, p oduzido
po Sé io Fe nandes no âmbi o da sua disciplina de Realização, e a na ealidade um
ilme compos o po á ios ilmes, ealizados po ou os an os alunos, o que só
oi possibili ado po , na p á ica, esse al Quad o A ís ico Cinema og á ico se
um plano-sequência.
Es a coincidência, ou melho , es a igualdade, (1 ilme = 1 Quad o = 1 ealizado ),
e e impo an es epe cussões no mé odo pedagógico desen ol ido po Sé io Fe nandes,
mé odo esse que, po sua ez, é ambém indissociá el da sua concepção dionisíaca
da c iação e p á ica a ís icas.
Na e dade, os mais de 100 ilmes que p oduziu e o ien ou enquan o p o esso ,
obedece am odos à mesma ma iz es é ica que eme giu des a expe iência inicial e
cujos ec o es undamen ais são, como já imos, o Quad o A ís ico Cinema og á ico
e a ealização colec i a.
Um dos aspec os essenciais associados à p odução des es ilmes colec i os,
é a p ocu a de uma unidade poé ica e concep ual, cons uída com base nas di e sas
sensibilidades dos seus ealizado es.
Facilmen e se conclui que es a unidade só é ilmicamen e conc e izá el a a és de
uma p o unda comunhão a ís ica, pa ilhada po odos os ealizado es, ao longo das
di e sas e apas da p odução.
E a p ecisamen e a p omoção des a comunhão a ís ica, aquela que Sé io Fe nandes
conside a a se a sua p incipal missão enquan o p o esso .
Uma missão que semp e p ocu ou desempenha com base na ansmissão de p incípios
é icos sus en ados na solida iedade e no espei o, mas p incipalmen e a a és do
genuíno a ec o e amizade que semp e pau a am a sua elação com os alunos.
Se en ende mos que a unidade concep ual dos ilmes colec i os odados em Quad os
A ís icos Cinema og á icos é comple amen e dependen e da comunhão poé ica e
exis encial c iada en e os seus á ios ealizado es, podemos concebe a sua
au o ia como pe encen e a uma en idade abs ac a e espi i ual.
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Essas a inidades diluí am-se inega elmen e com a in enção da mon agem, cujo
apa ecimen o es á p imo dialmen e ligado à explo ação do po encial na a i o das
imagens-mo imen o, a a és do desen ol imen o empí ico de uma linguagem que se
o nou cada ez mais especi icamen e cinema og á ica.
Foi es a p imi i a ligação do cinema ao quad o ea al, pic ó ico ou o og á ico
que an o ascinou Sé io Fe nandes e os seus alunos, na medida em que se ape cebe am
que, ao es abiliza em a câma a, es a am ambém a eduzi ao essencial o seu papel
écnico especí ico enquan o ealizado es cinema og á icos, o que concep ualmen e
os libe a a pa a a cons ução de uma imagem que podia explo a de o ma mui o
in ui i a o po encial poé ico das imagens-mo imen o, a a és da sua ligação com
odas as ou as o mas de exp essão a ís ica.
Po ia da secunda ização da sua dimensão na a i a, a imagem que esul a des a
abo dagem é quase semp e al amen e subjec i a e quase semp e con ida o espec ado
a um olha con empla i o.
Podemos en ão ala de um au ên ico Quad o A ís ico Cinema og á ico, cuja linhagem
só pode á se encon ada nas g andes A es do Silêncio.
Po ou o lado, não nos esqueçamos que es e p imei o ilme colec i o, p oduzido
po Sé io Fe nandes no âmbi o da sua disciplina de Realização, e a na ealidade um
ilme compos o po á ios ilmes, ealizados po ou os an os alunos, o que só
oi possibili ado po , na p á ica, esse al Quad o A ís ico Cinema og á ico se
um plano-sequência.
Es a coincidência, ou melho , es a igualdade, (1 ilme = 1 Quad o = 1 ealizado ),
e e impo an es epe cussões no mé odo pedagógico desen ol ido po Sé io Fe nandes,
mé odo esse que, po sua ez, é ambém indissociá el da sua concepção dionisíaca
da c iação e p á ica a ís icas.
Na e dade, os mais de 100 ilmes que p oduziu e o ien ou enquan o p o esso ,
obedece am odos à mesma ma iz es é ica que eme giu des a expe iência inicial e
cujos ec o es undamen ais são, como já imos, o Quad o A ís ico Cinema og á ico
e a ealização colec i a.
Um dos aspec os essenciais associados à p odução des es ilmes colec i os,
é a p ocu a de uma unidade poé ica e concep ual, cons uída com base nas di e sas
sensibilidades dos seus ealizado es.
Facilmen e se conclui que es a unidade só é ilmicamen e conc e izá el a a és de
uma p o unda comunhão a ís ica, pa ilhada po odos os ealizado es, ao longo das
di e sas e apas da p odução.
E a p ecisamen e a p omoção des a comunhão a ís ica, aquela que Sé io Fe nandes
conside a a se a sua p incipal missão enquan o p o esso .
Uma missão que semp e p ocu ou desempenha com base na ansmissão de p incípios
é icos sus en ados na solida iedade e no espei o, mas p incipalmen e a a és do
genuíno a ec o e amizade que semp e pau a am a sua elação com os alunos.
Se en ende mos que a unidade concep ual dos ilmes colec i os odados em Quad os
A ís icos Cinema og á icos é comple amen e dependen e da comunhão poé ica e
exis encial c iada en e os seus á ios ealizado es, podemos concebe a sua
au o ia como pe encen e a uma en idade abs ac a e espi i ual.

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Sé io Fe nandes designou es a en idade de Co o T ágico, numa cla a alusão ao Co o
Di i âmbico Dionisíaco, que sabemos e es ado na o igem da T agédia g ega.
No en an o, a consolidação des e Co o T ágico, não pode nem de e se en endida como
um expedien e que possibili a a a conc e ização des es ilmes colec i os, mas an es
como uma consequência na u al de uma in ensa ac i idade c ia i a mul idisciplina ,
cong egada em o no da igu a u ela e ca ismá ica do p o esso .
Es a mul idisciplina iedade c ia i a, cuja sín ese es é ica pode aliás se encon ada
no p óp io Quad o A ís ico Cinema og á ico, mani es a a-se de o ma e iden e nas
exibições des es ilmes.
As pe o mances e exposições que quase semp e as acompanha am, sublinha am e
p omo iam o seu espí i o es i o, e a sua dis ibuição po di e sas ins i uições,
con ex os e geog a ias, unciona a como um ca alisado de no os p ojec os e de
no as ligações a ís icas.
Es e o íssimo dinamismo que e e como mo e inicial os ilmes colec i os da
Escola Supe io A ís ica do Po o, desde mui o cedo se emancipou des a ligação
ins i ucional, a a és de uma imensa eia de colabo ações pa alelas en e os á ios
ealizado es, mas sob e udo como consequência do ca ác e simul aneamen e ag egado
e di uso (po que poé ico) do Co o T ágico que es a a na sua o igem.
O g upo de c iado es ligados po laços de g ande a ec i idade, que eme giu des a
dinâmica, e cuja p incipal e e ência a ís ica e ilosó ica es a a indubi a elmen e
pe soni icada no p o esso Sé io Fe nandes, icou conhecido em di e sos meios como
a escola do Po o.
Os dois ex os que se seguem azem pa e de uma ilogia, que p e ende
sin e iza o pe cu so A ís ico do mes e Sé io Fe nandes, sendo ambém pa e
in eg an e de uma ese de dou o amen o, o ien ada pelo p o esso Sé gio Dias
B anco.
O ex o que comple a es a ilogia, (“Po o Po o” – a sín ese), se á opo unamen e
publicado no si e des a e is a.
Figu a 2 – O mes e Sé io Fe nandes com os seus alunos Jaime Ri-
bei o e Miguel Oli ei a, du an e uma aula no es au an e Baião.
87
88
O CHICO FININHO
a up u a
A p o unda eligiosidade lusi ana, cuja exp essão sublime pode se achada na
poesia dos nossos cancionei os popula es, é al ez um dos mais pe ei os exemplos
de sín ese ha moniosa en e o espi i ualismo semí ico e o paganismo a iano.
A es e espei o, bas a-nos eco da a impo ância do cul o ma iano em Po ugal
e a sua ób ia ligação aos cul os da e ilidade eminina, que en a iza am a
espi i ualidade da mulhe a a és da sua p ojecção no mundo na u al, ou seja,
a a és do en endimen o da Te a como e dadei a Mãe de oda a ida.
Da mesma o ma que a eligiosidade pagã p ojec a a cosmicamen e a mulhe no mundo
na u al, ambém o u bano Sé io Fe nandes semp e iden i icou e sen iu a cidade do
Po o como uma e dadei a Mãe.
Es a o e conexão espi i ual à cidade, al ez enha sido pa adoxalmen e possibili ada
pela sua p ecoce ligação ao escu ismo a a és do G upo 8 da Sé.
Com e ei o, o escu ismo moldou o ca ác e de Sé io Fe nandes; a as ando-o dos
aspec os mais iciosos da i ência u bana, in oduzindo-lhe o gos o pelo ea o
e pela dança (pauli ei os), e p omo endo amizades alice çadas num con í io sadio…
Mas, de odos os aspec os ligados à expe iência do escu ismo, o mais impo an e
oi sem dú ida, o despe a de uma sensibilidade aguda em elação a udo o que é
g andioso e in empo al.
“Eu i i semp e no cen o da cidade do Po o, semp e ali… Eu sou
u bano igo osamen e a 100% no Po o. Po an o conheço as ped as,
odas aquelas ped as…” (Sé io Fe nandes).
“O escu ismo oi a g ande escola da minha ju en ude. Deu-me odas as
e amen as pa a eu me po encia espi i ualmen e. Eu ecebi ali um
oxigénio que me deu pa a oda a ida.” (Sé io Fe nandes).
Nuno Malhei o
89
Uma sensibilidade nu ida pela comunhão com a Na u eza, que ca ac e iza a os
inúme os acampamen os que ez…
Uma sensibilidade espelhada numa isão p o unda e espi i ual, da cidade onde nasceu
e c esceu…
Quem alguma ez pe co eu as uas do Po o, não conseguiu dece o ica
indi e en e à indesc i í el au a que anspi a da sua humidade g aní ica, essa
peculia con enção que sub ilmen e insinua os mis é ios de uma his ó ia so ida e
an iga, esculpida no ca ác e esilien e, anco e a e no das suas gen es.
No Po o, cada edi ício, cada ja dim, cada ua, cada es á ua, pa ecem ungidos de
um silêncio que inspi a no anseun e uma e e ência au ên ica e imp e is a.
É es e sen imen o poé ico, es a comunhão sec e a de uma iden idade o íssima e
milena , que em ab açado e inspi ado Sé io Fe nandes ao longo da sua ida.
Mas es a cidade oi pa a ele mui o mais que um local de passagem…
O Po o de Sé io Fe nandes é uma en idade cósmica, uma Mãe espi i ual, um
o ganismo gigan eo e i o cujo co po e alma êm nu ido e acompanhado a sua his ó ia
indi idual.
O Po o de Sé io Fe nandes é um caleidoscópio de memó ias sen idas, incessan emen e
animadas da espe ança que as ac ualiza e p ojec a no u u o.
Todas as suas uas, odos os seus ecan os ca egados de his ó ia ágica, ocul am
ambém agmen os, eco dações saudosas da sua ida: a casa dos pais na Rua No a da
Al ândega, onde pensa e sido concebido; a ma e nidade Júlio Dinis, onde nasceu;
a ig eja de S. Nicolau, onde oi bap izado; a casa dos a ós na T a essa do Fe az,
onde c esceu mimado pelas ias Ana e Mimi; a escola p imá ia na Rua de S. Miguel;
as “gue as” dos g upos da Sé, da Vi ó ia, da Ribei a; o Paço Episcopal, o G upo 8,
e o li o que ecebeu das mãos do bispo D. An ónio; a adolescência passada en e a
Rua do Almada e a A enida dos Aliados; a sua agência em Víma a Pe es; o esc i ó io
da Bei na Rod igues de F ei as…
É es e Po o p o undo e pessoal, an igo e e e no, que Sé io Fe nandes ilma
epe idamen e enquan o ealizado , e “O Chico Fininho” oi po en u a, a sua
p imei a en a i a e dadei amen e A ís ica de o exp imi po meio do cinema.
O ilme começa p ecisamen e com uma sé ie de planos ixos des e “miolo”
po uense, que oi a casa da sua in ância e ju en ude.
A ausência de mo imen o da câma a, a ausência de mo imen o nos planos, os ipos de
enquad amen o escolhidos, a sua mon agem indi e en e à na a i a linea ; pa ecem
uma p emonição ins in i a, dos p incípios es é icos associados ao desen ol imen o
do Quad o A ís ico Cinema og á ico…
Assim, quando na música que acompanha es a abe u a se ou e, “Saiu decidida pa a a
ua / com uma ca ei a cas anha / e o saia casaco escu o”, sen imos se a p óp ia
alma da cidade, hie á ica e eminina, que se a en u a no seu “ex e io ”, no seu
p esen e, nesse ano de 1981 que é simul aneamen e o da odagem e o da acção do
ilme.
96
Mas como é que es a audácia, cujas consequências ul apassa am o me o plano
p o issional, se encon a e lec ida no ilme?
Quando na cena das en e is as o epó e consegue inalmen e apanha o
esqui o Chico Fininho, podemos e po de ás dos pe sonagens, encos ada à pa ede
de uma esquina anónima, uma banca de jo nais onde as p imei as páginas anunciam
a mo e de Bobby Sands, um ac i is a do IRA ecen emen e alecido numa p isão
b i ânica, em esul ado de uma g e e de ome.
Es e po meno apa en emen e insigni ican e é no en an o elucida i o, do p o undo
eo polí ico associado à escolha do Chico Fininho pa a pe sonagem cen al do
ilme, ac o que aliás pode se in e ido a a és do eloquen e pe il, que as
suas espos as descon aídas pe mi em aça : o Chico Fininho é um desemp egado
hedonis a, que não ac edi a numa mudança adical na sociedade, nem nas an agens
da in eg ação de Po ugal na CEE; o Chico Fininho não liga ao u ebol (o “ci co”!),
nem às ipas à moda do Po o (o “pão” dos seus pais!), nem seque ao andamen o da
campanha elei o al (polí ica)…
A a és da escolha des e pe sonagem ep esen a i o de uma ju en ude pob e, ociosa
e desiludida, que encon a na ebeldia ma ginal do Rock a sua única e dadei a
libe dade, a sua única o ma de sublima a e ol a con a uma sociedade injus a,
Sé io Fe nandes a i ma a sua p óp ia e ol a, a sua p óp ia desilusão ela i amen e
a um país cheio de con adições, onde o idealismo pós- e olucioná io inha
de inhado em mudanças supe iciais, que cosme icamen e ocul a am um desin e essan e
conse ado ismo de men alidades e desigualdades…
Na e dade, ao aze um ilme que e a a de o ma ib an e, poé ica e não
mo alis a, um es ilo de ida usualmen e associado à ma ginalidade, Sé io Fe nandes
assume uma a i ude al amen e polí ica, no sen ido em que ousa mos a a ida dos
“ esos”, dos desac edi ados, dos ebeldes desiludidos, em suma, Sé io decide da
oz àqueles a quem o no o egime “democ á ico” pe sis e em ecusa o empo de
an ena…
Po ou o lado, a ealização de “O Chico Fininho” ep esen a a pa a Sé io
Fe nandes a insu eição con a um aspec o mais pessoal des a “censu a encapo ada”:
as limi ações es é icas e c ia i as ine en es à ealização de publici á ios e
documen á ios ins i ucionais.
“Mas esse não e a com ce eza o meu p ojec o (publici á ios/
ins i ucionais). Aliás, a minha ajec ó ia eio demons a isso.
Po que não cabe na cabeça de ninguém…Não cabe mesmo na cabeça de
ninguém!... Foi um momen o meu, ins in i o! Um momen o de loucu a…
que no meio des a dinâmica oda, no meio des a p odu o a que
unciona a mui o bem a es e ní el, (publicidade, e c, e c…), e que
e a mui o concei uada, eu po exemplo me lemb asse de aze o “Chico
Fininho”. É e iden e! Foi uma ped a no cha co em odos os aspec os:
inancei o, ao ní el pessoal, e c… Po que mexeu com is o udo e
mexeu comigo. E ec i amen e, eu com esse ilme… Foi um au ên ico
emo de e a! Depois con inuei a aze publicidade mas nunca nada
oi igual…” (Sé io Fe nandes).

97
Nes e sen ido a escolha do Chico Fininho é um au ên ico g i o dionisíaco, a esolução
A ís ica de um pa oxismo mudo e pessoal, esul an e de uma ensão p o unda
en e o ças opos as: o desejo de c ia em plena Libe dade e a esponsabilidade
p o issional e ins i ucional, que a sua ac i idade e es a u o lhe exigiam.
Ao ealiza “O Chico Fininho”, Sé io Fe nandes en a a delibe adamen e em o a de
colisão, com os alo es e imagem que a sua p o issão e posição social ep esen a am
e se iam, a a és de um ilme sob e um pe sonagem ma ginal, no qual p ojec a a
de o ma “suicida”, oda a sua e ol a con a uma sociedade que ão lucidamen e
conhecia e analisa a, mas na qual in imamen e desac edi a a.
Com es e ilme, Sé io Fe nandes p ocu ou e ec i amen e assumi as suas p óp ias
con adições e libe a a sua na u eza A ís ica, a a és de um pe sonagem
dionisíaco que é simul aneamen e consequência e negação, do Po ugal que, ( al ez
in olun a iamen e), inha ajudado a cons ui .
A impo ância des a a i ude, des a decisão, é an o mais inegá el, na medida em
que simboliza a escolha undamen al, que p eside à a i mação de qualque A is a:
a escolha en e a libe dade de pensamen o e de acção, e a se il e con o á el
ansigência à di adu a dos pode es ins i uídos e dos luga es comuns.
Es a impo ância é nes e caso ainda e o çada, pela g i an e ac ualidade do
pe sonagem Chico Fininho, e pela pe sis en e dependência me can ilis a ou polí ica
subjacen e ao inanciamen o das ob as cinema og á icas, um p oblema que anos mais
a de se ia anscendido po Sé io Fe nandes, a a és do ap imo amen o es é ico do
Quad o A ís ico Cinema og á ico, ealizado em conjun o com an os jo ens, ambém
eles sequiosos de Libe dade, umo e au en icidade…
Pa a além da escolha do Chico Fininho pa a pe sonagem p incipal do ilme,
a a ojada apos a es é ica do ealizado Sé io Fe nandes e lec iu-se ambém na
p óp ia o ma como es e oi concebido e odado, numa cla a up u a com oda a
igidez e conse ado ismo que ca ac e izam o cinema publici á io.
De en e odas as decisões en ol idas na ealização do ilme, al ez a mais
basila e de inido a do seu ca ác e e o iginalidade, enha sido a de oda um ilme
sem a gumen o.
A ealização de publici á ios e documen á ios ins i ucionais ob iga a Sé io
Fe nandes a um g ande igo no isionamen o e plani icação desses ilmes, onde cada
plano, cada ex o, cada som, e am ace ados ao po meno no in ui o de se p oduzi um
ilme que ansmi isse de o ma sin é ica, cla a e segu a, a imagem ins i ucional
p e endida pelos seus clien es.
“Eu que ia aze um ilme pa a ompe com oda aquela igidez e
conse ado ismo, que a publicidade em que e (…) Eu lemb o-me po
exemplo que disse a um dos g andes ope ado es do cinema po uguês,
(eu sei que ele ainda ala nisso), na cena da disco eca: “Eu que o
que u e a i es pa a o chão a ilma ”. O a isso e a impossí el na
publicidade!” (Sé io Fe nandes).
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Com “O Chico Fininho”, Sé io Fe nandes p e ende emancipa -se comple amen e
des a a i icialidade, ca ac e ís ica a odo o cinema come cial, mas especialmen e
exace bada no absolu o igo de análise e sín ese cul u al, a que a publicidade
indiscu i elmen e ob iga.
Não nos esqueçamos que o ilme começa p ecisamen e com uma equipa de epo agem à
p ocu a do Chico Fininho, sem dú ida uma cla a me á o a de uma ou a p ocu a mais
ín ima do seu ealizado , uma p ocu a de libe dade c ia i a p ojec ada não só no
pe il do seu pe sonagem, mas ambém na o ma como es e é abo dado e desen ol ido
a a és da na a i a ílmica.
Sé io Fe nandes que ia pois c ia um ilme que e lec isse a odos os ní eis a sua
p óp ia iagem in e io , a sua up u a com a a i icialidade dos publici á ios.
Pa a o consegui , concep ualizou-o como uma iagem pelo mundo do Chico Fininho,
a a és de uma na a i a cujo desen ol imen o osse ele p óp io uma iagem, um
p ocesso de descobe a po meio do qual as cenas e os diálogos c escessem de o ma
na u al e o gânica.
Pa a conc e iza es a isão, Sé io alugou uma sala num es au an e da baixa
po uense onde, depois dos almoços, se eunia com os ac o es em ensaios onde a
sequência das cenas, os diálogos e as encenações nasciam de um p ocesso c ia i o e
dinâmico, pa ilhado en e os di e sos in e enien es.
A qualidade des e abalho e a pe inência des a abo dagem es ão bem explíci os
na na u alidade, o ça e espon aneidade que ca ac e iza os diálogos do ilme,
a ibu os que em g ande medida se de e am à colabo ação dos ac o es que e am, à
excepção de Ví o No e, au ên icos “ eaks”; jo ens equen ado es dos locais
mencionados e mos ados na película.
Aliás, a ex ema iqueza e e osimilhança des es diálogos, que exempla men e
exp essam os gos os, as a i udes, a gí ia e a mundi idência social e polí ica des a
ju en ude ebelde, só oi possí el de alcança po que eles o am esc i os po essa
mesma ju en ude e não po um qualque a gumen is a lu ando po ep esen á-la com
base em meia dúzia de clichés.
Es a au en icidade que emana da e osimilhança das si uações, da solidez dos
pe sonagens, da na u alidade da linguagem e da ealidade dos locais, az de “O
Chico Fininho” um ilme com chei o a ida e a ua… (no e-se po ém a cu iosa i onia
de Ví o No e, que aqui se es ea a no cinema, se o único Chico Fininho “ also”!)…
A consequência na u al des a abo dagem c ia i a é um ilme sem en edo, cuja acção
encon a no quo idiano, a o ma ideal pa a ca ac e iza e enal ece a dimensão
colec i a do Chico Fininho, ao in és de explo a a dimensão psicológica indi idual
dos seus pe sonagens, com base numa es u u a d amá ica con encional.
“E oi po isso que aquando da es eia do ilme em Lisboa, o Rui
disse: “Ah, nes e ilme não se passa nada, não há es ó ia!” Pois,
não há! Que es ó ia é que o Chico Fininho pode e ? A es ó ia es á
lá no ilme! São eles a i em de eléc ico a é à Foz pa a apanha em
Sol, a uma em umas ganzas, a i em e um conce o na disco eca,
e p on o! É isso, mais nada…! Ele que ia que eu pusesse o Chico
Fininho a aze ginás ica à 7 da manhã po causa da o ma ísica,
como os Belmi os?!” (Sé io Fe nandes).
99
“O Chico Fininho” é, nes e sen ido, um ilme bas an e desp e ensioso, uma ez
que, ao p escindi de odos os a i ícios d amá icos e na a i os con encionais,
sac i ica a explo ação de uma p oblemá ica, bem como a densidade psicológica
indi idual dos pe sonagens, a um simples e hones o a amen o da sua dimensão
a que ípica e colec i a, a a és de um olha poé ico sob e o quo idiano que os une
à cidade.
É in e essan e no a que o pé iplo da upe de “ eaks” que o ilme acompanha,
obedece à geog a ia da cidade, o que demons a a in enção de ilma um Po o “ eal”,
nes e caso, um Po o “ma ginal”, popula e genuíno.
“O Chico Fininho” é en ão, an es de mais, um ilme sob e esse “miolo” po uense
que oi “Mãe” e be ço de Sé io Fe nandes, um olha poé ico sob e esse Po o an igo,
conc e izado a a és de um pe sonagem em que, pa a além do p esen e da p óp ia
cidade, essoa am ambém os anseios e ensões pessoais, que ma ca am o p esen e do
ealizado .
Um dos aspec os mais cu iosos elacionados com es a película, em exac amen e
a e com o ac o de ela não e sido es eada na cidade que a inspi ou, aquando
da sua dis ibuição come cial.
Com e ei o, após a es eia em Lisboa, onde oi simul aneamen e p ojec ado nos
cinemas Ci y e Vox, a Mundial Filmes (que já dis ibuía os documen á ios pa a
cinema da Bei), en ou que “O Chico Fininho” es easse no Po o a a és do Lumiè e,
o que não oi possí el, ace à inequí oca ecusa em exibi o ilme po pa e do
dono do cinema.
Es a apa en e con adição encon a um pa alelo in e essan e no ac o de
ambém nunca o insigne Almeida Ga e e sido elei o depu ado pelo Po o, uma
associação aliás ainda equen emen e glosada po Sé io Fe nandes.
Mas as con adições em o no do “Chico Fininho” não se esgo a am nos en a es
encon ados ao ní el da sua di usão, pelo con á io; elas es ende am-se ao domínio
da sua pe cepção pública, em esul ado de uma a aliação c í ica que o des alo izou
pelo ac o de não e a gumen o, ou seja, o ilme oi a acado e des alo izado como
uma p odução amado a, p ecisamen e po ia da sua opção es é ica mais basila e
a ojada…
Es a c í ica edu o a assen e numa a i ude p econcei uosa e p o inciana,
e a an o mais insus en á el, na medida em que e a di igida a um ealizado
especializado numa á ea de econhecida exigência, acos umado po an o a uma
plani icação p o issional e me iculosa dos seus p ojec os e que, exac amen e
em i ude desse p o undo conhecimen o p á ico, decidiu aze um ilme em que
A is icamen e se p ocu a a libe a dessa pad onização.
“Eu no undo quis ilma esse lado da cidade, eu di ia “ma ginal”.
Como naquele ex o an ás ico do Miguel Oli ei a, o al “segundo
Po o” con a o “p imei o Po o”, o Po o bu guês, o Po o da
Lello, do Majes ic…Po an o, isso é ins in i o em mim, po que eu sou
p odu o desse “segundo Po o. Eu c esci ali na ua da Vi ó ia, ui
escu ei o na Sé, e c… (…) Eu enho uma i ência pelo casco do Po o,
pela Bainha ia, pela ua Escu a… O meu pai can a a o Fado, e a um
adis a ex ao diná io… Eu nessa al u a e a adep o do Salguei os,
po exemplo, lemb o-me pe ei amen e! O Salguei os, clube do po o…”
(Sé io Fe nandes).
100
Lemb emos no amen e o g ande Ga e , que já em “Viagens na Minha Te a”
e ela a o seu desencan o pós- e olucioná io, a a és de uma e lexão lúcida e
madu a, que expunha os pod es de um egime con olado po uma bu guesia igno an e
e es angei ada, á ida de pode e dinhei o…
Tal como a ob a-p ima de Ga e , ambém “O Chico Fininho” é um ilme pós-
e olucioná io, uma película ealizada na “ essaca” do 25 de Ab il… E odos sabemos
como é mais con o á el c i ica os egimes de un os…
É caso pa a se dize que Sé io Fe nandes e e a co agem e o engenho, de ealiza
um ilme sob e o “segundo” Po o, sem consegui no en an o e i a a eacção do
“p imei o”…
Res a-lhe a consolação de, passados mais de 30 anos, a sua ob a conse a ainda
oda a escu a e ac ualidade…
A decisão de aze um ilme sem a gumen o, apesa das insinuações maledicen es
da c í ica, es a a pe ei amen e em sin onia com o desejo de ealiza uma película
cuja mo i ação es é ica e a ís ica, (a busca de libe dade; a uga do balizamen o
cul u al da publicidade) osse in ei amen e cong uen e com o seu esquema de p odução
e dinâmica de odagem.
Es es p incípios o ien ado es es ão, po sua ez, ligados a uma concepção do cinema
enquan o a e c ia i amen e emancipada de uma pad onização écnica e o mal,
mo i ada pelas exigências da sua come cialização, uma concepção que na ajec ó ia
de Sé io Fe nandes encon a ia o seu e lexo mais idedigno no Quad o A ís ico
Cinema og á ico…
Figu a 2 – Ca az (não o icial) do ilme: O ebelde
Chico Fininho, (Ví o No e), pa ece conduzi -nos ao
longo de uma película sob e esse “segundo” Po o, que
pa ilha com o ealizado Sé io Fe nandes.
101
Em “O Chico Fininho” es as ideias aduzi am-se na p ocu a de uma odagem ápida
e ins in i a, po o ma a melho se i a o ça, au en icidade e e osimilhança,
que o ealizado p e endia cap a .
Es a odagem ápida e ins in i a (o “co po” do ilme oi odado em menos de
uma semana), na qual o enaz ealizado puxou delibe adamen e a sua jo em equipa e
ac o es ao limi e, (Sé io que ia mesmo que os ac o es “es ou assem”) oi acau elada
com uma sé ie de cuidados ao ní el da p epa ação da odagem, ais como: o uso do
s eadycam, (pionei o no cinema po uguês), que pe mi ia uma acele ação da odagem,
e pa a o qual o ope ado José E nes o Mon ei o e e que ecebe o mação; o ecu so
a duas equipas de iluminação, das quais uma ia semp e p epa ando a cena seguin e;
os cuidados com o ca e ing po o ma a e i a pa agens e a asos mo i ados pelas
e eições; e c…
Pa a além de odas as p ecauções elacionadas com a cele idade da odagem,
es e ilme (cuja p odução oi apelidada de amado a!), ca ac e izou-se ambém po uma
selecção c i e iosa da equipa écnica, da qual des acamos a escolha de uma equipa
de ope ado es do cinema (Ca los Mena e Ped o E e na imagem; Ben o Galan e da Palma
no som), pa a a câma a que azia enquad amen os ixos e a escolha de uma equipa de
som da ele isão (habi uada à mobilidade das epo agens), pa a o s edycam ope ado
po José E nes o Mon ei o, bem como o cuidado com di e sos po meno es écnicos,
como o uso de um camião ge ado e a u ilização de películas di e enciadas pa a
in e io es e ex e io es.
A c i e iosa selecção da equipa écnica es endeu-se ambém, aliás, à di ecção
de o og a ia, pa a a qual Sé io Fe nandes oi ao B asil busca João Bou dain de
Macedo, pelo mo i o de es e nunca e o og a ado a co es!...
O “classicismo” des e di ec o de o og a ia, (que e a o elemen o mais idoso da
equipa de odagem e que, po coincidência, nasce a ambém no Po o e e a ilho do
p imei o di ec o de o og a ia po uguês da In ic a Film, A u Cos a de Macedo),
chocou po di e sas ezes com a apidez ins in i a que Sé io Fe nandes p e endia
pa a a odagem, ac o que, apesa de algumas icções pos e io men e sanadas,
acabou po não a ec a a excelen e qualidade da o og a ia a p e o-b anco que
podemos admi a no ilme.
Após a cena das en e is as, o ilme ans o ma-se em iagem dionisíaca pelo
Po o do Chico Fininho…
“Po exemplo, há lá uma pa e em que eles es ão a omi a . Es ão
mesmo a omi a !” (Sé io Fe nandes).

102
A upe segue de eléc ico pa a a Foz: o Cenou a acende um ciga o, igno ando
o a iso que p oíbe de uma : “Vem aí o pica”; a imaginação ambém é uma o ma de
ebeldia, “Eu não es ou a uma aí den o. Es ou a uma cá o a.”; quem paga os
bilhe es?; con usão, b incadei a, cumplicidades implíci as, “Chico, paga aí o meu”;
mas o Chico não em no a… ninguém em no a; udo se acaba po esol e , a inal que
impo a o dinhei o pa a quem não o em, nem o p ocu a?; o que a upe que é música,
mas o ádio não unciona!; não az mal, o Chico esol e o p oblema, “Chico, u a é
pe cebes disso!”; cla o, é o Chico Fininho, o “Maio da Can a ei a”!...
Na cena do mu o, o g upo apa ece unido na sua uga, na sua agmen ação…
“Olha o obo / Olha o obo / É p’ ó menino e p’ á menina aló / T abalha mui o
e gas a pouco aló”; o ádio debi a sons an asmagó icos, p eenche o silêncio dos
diálogos desnecessá ios, como um es anho a au o azendo as no as de um mundo
que só se supo a à dis ância; es upe acção; a dilosos dis a ces do isolamen o em
en e a um ma que o ilme não e ela; con a-campo ausen e; des e o in ini o de
uma ibo soli á ia…
Ainda é cedo! Toca a i pa a o Chalé Suisso!
Con e sas; es ó ias; uma descomp ome ida pa ilha de um ócio adocicado com
ce ejas e emoços; combina-se a ida à disco eca, a inal a noi e ambém oi ei a
pa a se i ida; esquemas e pe ipécias de quem i e nas ma gens; ag essi idade e
pa e nalismo masculinos, ai essa cul u a que apa ece semp e sem con i e…
Ago a sim é ho a de i embo a! “Vamos a é à ga agem do Tino?”, “Ya, ou na dela,
acho que em ha ido lá al as cu ições.”.
Fazem-se as con as… a mesma es ó ia de semp e… do con í io espe ino icou a
união, a solidá ia amizade dos esos!
E a upe lá ai pa a o ensaio dos Cosmé icos: “Pá, num enho dinhei o, ou a pé,”,
diz o Chico; “É e dade, amos a pé.”; e odos o seguem…
“Vou na onda que é a ida / Com uma bandei a escondida, a oca / Como hei de es a ,
en e essa ma cha pe dida / En e essa ma cha pe dida / En e essa ma cha pe dida”;
o Rock dos Cosmé icos acompanha a ma cha dessa upe di e ida, emb iagada pela
doce inconsciência da ju en ude.
O ilme é como um io, uma iagem dionisíaca, musical…
Vai começa o ensaio, cada um p ocu a o melho luga ; a banda engana-se,
“Pedimos desculpa. Vamos oca ou a ez.”; “Vi o já o a de mim / Desde que mo o
de amo / Po que i o no ock / Que me escolheu pa a si / Quando o co ação lhe dei
/ Com e no amo lhe ag adei / Que mo o po que não mo o”, es a o iginal adap ação
de um poema de Te esa de Jesus, é o exemplo pe ei o da c ia i idade das bandas
po uguesas dessa época, um exemplo ainda mais signi ica i o is o a a -se de uma
banda de ga agem…
A câma a inspecciona a sala de ensaios com cu iosidade, que e ela a sua
“ ealidade”, a sua ida; o ilme é um au ên ico “pá a- aios” que pa ece abso e
a explosão de um empo e a loucu a de um ealizado . Na e dade, os Cosmé icos
sepa a am-se pouco após a sua conclusão, ambém a p óp ia Disco eca Iodo a ingia
aqui um e éme o apogeu…
103
A me á o a pe ei a des e anse que demanda po au en icidade apa ece nes a cena,
quando a upe an asiada posa pa a a o og a ia e a película passa do p e o-b anco
pa a a co , “congelando” po b e es ins an es, nos quais oda a an asia pa ece
que e ganha ida, e ans o ma -se em eco dação…
Es a cena é, po ou o lado, simbólica de um dos aspec os mais posi i os
associados ao mo imen o do Rock Po uguês, que se a i mou na ansição dos anos
70 pa a os anos 80 e no qual as bandas po uenses assumi am papel de g ande
p o agonismo: a p oli e ação de g upos ju enis que encon a am na linguagem simples
e di ec a do Rock, uma o ma c ia i a de exp essa em os seus p oblemas, os seus
anseios, as suas c í icas…
O Chico Fininho é, pois, uma igu a icónica do imaginá io associado a es e mo imen o
que su ge na “ essaca” do 25 de Ab il, o que po si só explica a g ande impo ância
que a música (mais especi icamen e o Rock Po uguês dessa época), assume no ilme.
Te minou o ensaio, o Chico ai pa a casa; a elling pelas uas da Can a ei a;
en amos no seu qua o pequeno e mise á el; no a inspecção da câma a cu iosa;
o Chico d oga-se com a g axa, calça as bo as e dei a-se; a ida é uma iagem
inin e up a pa a o Dionysos da Can a ei a…
E p on o!, já es amos no conce o dos Taxi; ou e-se “Quando ligo o 1º canal / Semp e
o anúncio do sabão al / E se mudo pa a o 2º / En ão é que é o im do mundo / Quem
ê, T.V. / So e mais que no W.C.”, um ema que an o i i ou um memb o do jú i,
num dos es i ais onde o ilme passou; mais um dos á ios, a pa i dos quais o
publici á io Sé io Fe nandes se associa ao p o es o con a o azio da sociedade de
consumo!
Es e ilme sob e um dia na ida do Chico Fininho acaba, como não podia deixa
de se , com uma cena passada numa disco eca, (a conhecida e já ex in a disco eca
Iodo, si uada jun o à p aia de F ancelos, pe o da u u a esidência do ealizado )…
Após algumas músicas e pe ipécias, az-se silêncio. Os co pos congelam nas
suas poses es udadas e con o cidas, a câma a pe co e em a elling oda a pis a
de dança pa ecendo p ocu a o sen ido daquela es anha celeb ação da decadência.
No plano seguin e ê-se o co po imó el do Chico Fininho, dei ado no chão da
disco eca já azia.
Um no o silêncio en a g i a -nos a impo ência subjacen e a es a ma ginalidade, a
es a es upe acção, a es a uga pa a o azio…
O Chico Fininho pa ece o má i de uma eligião p o ana, uma í ima sac i icial
e inocen e de um caos que pe sis e… semp e.
Ou e-se: “Todos o açam, coisas e adas / Mas o que deixas é quase nada / Silêncio
u bo, que não me acalma”.
104
O ilme e mina com um plano da upe, cansada e in oxicada, pe co endo uma
es ada azia ao aia da manhã.
Os seus co pos pa ecem elemen os es anhos e insigni ican es, no con as e com a
imensidão que os odeia.
A es ada que pe co em pa ece não conduzi a lado algum…
105
112
É nos op imidos, nos esc a os, nos pob es de C is o, nos mais expos os às ag u as
da ida e à du eza da e a, é nos que po udo is o mais alo izam as suas dádi as,
que o espí i o dionisíaco se mani es a em odo o seu ulgo , inspi ando a poesia,
animando a es a, ma ando a sede aos mais sequiosos po Libe dade, al como na
“Vindima”, esse c is al pe ei o do omance po uguês, onde To ga az do Dou o um
an i ea o cósmico, cuja alma ágica é can ada po um Co o Dionisíaco: a oga de
San a Ma a de Penaguião.
Em “Coé o as”, p ojec o ílmico inspi ado na homónima T agédia de Ésquilo,
ambém Sé io Fe nandes p ocu a a can a o Dou o a a és de um Co o Dionisíaco,
nes e caso o Rancho de Mou a Mo a, no concelho da Régua.
Ao escolhe es e Rancho pa a seu Co o, Sé io az a sín ese do espí i o p é-soc á ico
p esen e no pensamen o de Pascoaes e na T agédia esquiliana, pois elege a poesia
popula como o ecep áculo pu o da sabedo ia elú ica, a única capaz de exp imi a
essência ágica dos acon ecimen os na ados.
A plani icação do ilme es a a di idida em 10 cenas sob e os socalcos do Dou o,
onde al como na ob a-p ima de To ga, o cená io na u al nos é ap esen ado como um
an i ea o cósmico, que o Co o de esc a as (coé o as), nes e caso o Rancho de Mou a
Mo a, a a essa can ando a paixão e a do que se es ai no io e alimen a a e a…
Com “Coé o as” Sé io az a G écia p é-soc á ica pa a a Régua, e ocando poe icamen e
no sangue de Agamémnon, Egis o e Cli emnes a, não só as suas p óp ias aízes
amilia es, (que se encon am odas no Dou o), como ambém as suas aízes
ci ilizacionais p o undas, que a a és da iden i icação do Co o T ágico com o
Rancho de Mou a Mo a, que a a és do ele o que es e assume, ac o que o liga ao
o iginal espí i o ágico, pos e io men e mi igado em Só ocles e Eu ípedes.
A digni icação do Co o e o consequen e ca ác e poé ico do ilme, e am ainda
e o çados pela sua plani icação, na qual cada uma das cenas equi alia a um
Quad o Cinema og á ico, numa abo dagem que já e lec ia plenamen e os undamen os
es é icos pos e io men e desen ol idos po Sé io e seus alunos.
Não obs an e os inegá eis mé i os a ís icos dess e p ojec o, ele acabou po
não se conc e iza mo men e de ido à al a de inanciamen o po pa e do Ins i u o
Po uguês de Cinema, cujo apoio oi solici ado (e semp e ecusado), a a és de
concu sos consecu i os en e 1986 e 1988.
Apesa de odas as di iculdades, Sé io não desis iu p ocu ando le a a an e o
p ojec o a a és de ajudas e inanciamen os ex e nos (Câma a da Régua, Casa do
Dou o), azendo ensaios com o Rancho de Mou a Mo a, ap imo ando di e sos aspec os
da p odução e plani icação do ilme, a é que, já cansado, acabou po aze uma
e são de “Coé o as” em ídeo.
Es a e são aduziu-se numa cu a-me agem cuja es eia deco eu no Cinanima,
es i al do qual Sé io oi memb o do jú i du an e la gos anos, e oi conside ada
po An ónio Cos a Valen e, como o p imei o ilme po uguês ei o com ecu so a
animação compu o izada 2D.
É necessá io menciona que a u ilização des a écnica oi mo i ada po aspec os
a ís icos, elacionados com a sín ese a que a cu a-me agem ob igou, o que o na
a dico omia en e o angua dismo dos meios usados, e a p imi i a o iginalidade da
T agédia que a inspi ou, apenas apa en e.

113
Na e dade, Sé io Fe nandes u ilizou o compu ado pa a anima o mo imen o do
Co o pelos socalcos do Dou o, azendo um ilme sem ac o es, onde a na a i a só
apa ece explici amen e nos í ulos que sepa am os di e sos Quad os.
Semp e iel aos seus p incípios, Sé io eco eu à animação compu o izada como meio
po enciado do espí i o p é-soc á ico, c iando um ilme onde a na a i a se eduz
ao essencial, e onde a Te a e o Co o assumem o al p o agonismo.
Pode a é dize -se que nos Quad os de “Coé o as” udo é Co o, pois udo o que o ilme
nos mos a é o p óp io Dou o, esse ágico an i ea o na u al, sendo simbolicamen e
pe co ido, pela en idade espi i ual que melho comp eende e can a a sua alma.
Es a o íssima ligação ao ea o, mais especi icamen e às o igens da T agédia
g ega, assumi á uma c escen e impo ância na ob a de Sé io Fe nandes, pa a quem o
cinema passa simplesmen e a se o ea o ilmado.
No caso pa icula de “Coé o as”, ilme onde as pe sonagens e os ac o es não
apa ecem, o o iginal espí i o da T agédia su ge-nos na sua essência, a a és de
uma linguagem cinema og á ica de sín ese, ou seja, uma imagem que p ocu a aduzi
cinema og a icamen e a in ensidade e p o undidade da linguagem poé ica, uma imagem
que aspi a a se can o, uma imagem que aspi a a se Co o…
Do a an e o cinema de Sé io Fe nandes (que à época da ealização de ”Coé o as”
equen a a o Cu so de Tea o da Coope a i a Á o e I), a á a ansmu ação
A ís ica da T agédia o iginal pa a a imagem ilmada: es abilizando a câma a
e abolindo a i ania da acção sob e o ac o , p ocu ando na con enção a máxima
in ensidade exp essi a e poé ica, ea i ando a dimensão mágica, i ualís ica e
pe o ma i a que p esidiu ao nascimen o do ea o.
Um dos p ojec os ílmicos que pa ilha es a o ien ação es é ica é “Os
Lusíadas”, uma o iginal adap ação cinema og á ica do poema épico de Camões.
A sua acção deco e num ab igo an i-nuclea , após uma gue a que de as ou odo
o plane a. Den o des e ab igo di igido po Rape , (um compu ado do ado de
in eligência a i icial objec i a), uma mulhe de nome Maya, segue com ansiedade
as imagens do plane a des uído, que passam num painel- ídeo ligado ao ex e io
ia sa éli e.
Ime sa num abismo de do e is eza, sen indo o peso de uma in ini a solidão, Maya
p ocu a na dança a exp essão da indi idualidade do seu co po.
Passado algum empo, le ada pela sua imensa melancolia, ela pede a Rape que
lhe ale de uma ob a épica de amo , um g andioso poema que can e a memó ia de odas
as coisas.
Rape me gulha en ão na sua abulosa memó ia mecânica e ala-lhe de “Os Lusíadas”,
o cósmico poema de amo que can a a a en u a de um po o que descob iu a Te a,
e ambém do seu au o , Luís Vaz de Camões, o p íncipe dos poe as que na gélida
indi e ença e na pob eza, c iou aos Lusi anos uma exis ência e e na.
En usiasmada, Maya pede-lhe pa a ou i o poema, pedido a que ele acede, iajando no
empo e anspo ando desde o século XVI, co os dionisíacos que ecoam pelo ab igo
can ando o “Pei o Ilus e Lusi ano”, o poema de amo saudoso que edimiu os c imes
dos po ugueses. Sem es e poema, deduz Rape , Po ugal se ia um mise á el co po
ei o de ca ne e ape i es.
114
Conhecedo do p o undo signi icado mi ológico des a ob a, Rape ai compondo sons
pa a cada Can o do poema, azendo co esponde a cada uma das pa es, uma e apa da
his ó ia do mundo, desde o nascimen o às e as.
O co po de Maya ai-se libe ando p og essi amen e, buscando na dança o sen ido
p o undo de oda aquela memó ia colec i a. O seu bailado soli á io e uni e sal
p ossegue, a é que os seus úl imos mo imen os se undem no silêncio de mo e das
imagens do plane a des uído, enquan o a cósmica do camoniana ai chegando ao im…
Es e p ojec o ílmico de in ulga o iginalidade, ilus a de o ma exempla
odos os p incípios es é icos do cinema sonhado po Sé io Fe nandes.
Nele, o co po de Maya, elei o à condição de co po uni e sal, é ambém a me á o a
pe ei a de um cinema que ambiciona a o al espi i ualização do seu p óp io
mo imen o, pe seguindo a mani es ação do seu signi icado mais in enso e mais ín imo.
Na e dade, se o mo imen o cons i ui a base da especi icidade a ís ica do cinema,
en ão o co po de Maya, enclausu ado e in ini amen e só, dançando um poema que can a
a epopeia da descobe a do mundo, ascendendo pelo seu bailado saudoso à condição
de co po uni e sal, que e oca a memó ia de odos os co pos, de odas as coisas,
simboliza ambém um cinema que aspi a à comple a sublimação do seu p óp io mo imen o,
emancipando-o da ulga idade e da aciden alidade insigni ican e; con e indo-lhe
uma dimensão A ís ica e poé ica: um cinema que aspi a a se dança uni e sal!
Mais uma ez, es a isão encon a no Quad o A ís ico Cinema og á ico, a
sín ese pe ei a dos seus p incípios o ien ado es, consis indo a plani icação des e
p ojec o num único Quad o com a du ação de 6 ho as, onde odos os planos espaciais
e odas as dimensões empo ais se encon am objec i a e subjec i amen e no espaço
ílmico, que a a és da encenação e da cenog a ia, que a a és da poesia e da
música, numa abo dagem à ealização cinema og á ica indi e en e a qualque p essão
come cial ou comunicacional e que az da con enção e da simplicidade as e amen as
a ís icas a a és das quais a imagem se depu a de udo o que é acessó io, de udo
o que é “ uído”.
A elabo ação des e p ojec o esul ou mais uma ez de uma in ensa in es igação,
a pa i da qual Sé io Fe nandes omou con ac o com “ udo” o que a é à al u a se
inha esc i o sob e o poema épico, (Xa ie Cou inho, Jacin o P ado Coelho, Ga e ,
Jo ge de Sena, e c…), endo icado com a cla a ideia de que odo o poema es a a
ci ado, al como Jo ge de Sena,(e ou os) o ha iam já descobe o e a i mado.
Ap o ei ando os seus an e io es con ac os com a IBM, da qual se bem se lemb am,
inha já ecusado um con i e de abalho após a conclusão do seu cu so na Escola
de Elec omecânica, Sé io solici ou e man e e uma eunião com os esponsá eis
écnicos da emp esa em Po ugal em que, sem nunca e mencionado “Os Lusíadas”,
quis sabe quais as possibilidades de se in oduzi num compu ado um poema épico
pa a, a a és da sua análise in o má ica, consegui e i a conclusões objec i as
espei an es à sua es u u a a ís ica. Em espos a a es a pe gun a, oi-lhe
di o pelos engenhei os da IBM que al deside a o e a impossí el, ace ao es ado
emb ioná io da in eligência a i icial objec i a naquela época.
115
Anos mais a de, endo omado conhecimen o de uma análise in o má ica ao
poema de Camões, le ada a cabo pela Faculdade de Le as em conjun o com o núcleo de
compu ação elec ónica da Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o, Sé io solici ou
no a eunião com os esponsá eis da IBM, na qual lhes deu conhecimen o des e es udo,
e elando ambém e sido esse o poema no qual cogi a a aquando do seu p imei o
encon o.
Algum empo passado, a IBM in o mou-o que o abalho ealizado no B asil, se inha
cen ado apenas ao ní el da análise es a ís ica. Também a escolha da ac iz/
baila ina pa a es e p ojec o su ge associada a uma es ó ia in e essan e, que
en a emos esumi :
Décio de Ca alho, o ganizado da p imei a emissão pi a a de ele isão em Po ugal,
e a ambém o di ec o da DCL Videocen e , emp esa pionei a ao ní el da p odução
em ídeo e dos ideoclubes no nosso país, quando Sé io lhe alou no p ojec o “Os
Lusíadas” e de Maya Plise skaya, à época uma das mais epu adas baila inas ussas.
Enquan o di ec o des a emp esa, que man inha assíduas elações come ciais com a
Bei Film, Décio comp a a ilmes no es angei o, ans e indo-os pos e io men e po
elecinema pa a abas ece os ideoclubes.
Quando Sé io lhe con idenciou o seu in e esse em con a com a baila ina ussa,
pa a p o agonis a des e p ojec o, Décio p on i icou-se de imedia o a aze chega
o a gumen o a é ela, ap o ei ando os con ac os p i ilegiados que inha na an iga
União So ié ica, u o da sua ac i idade emp esa ial.
Um des es con ac os e a o p óp io minis o da cul u a so ié ico, igu a impo an íssima
nes e p ocesso, pois oi p ecisamen e po seu in e médio que o a gumen o, en e an o
aduzido pa a inglês, acabou po chega às mãos de Maya.
Ela icou encan ada com o p ojec o, especialmen e pelo ac o de nunca e dançado
um poema (pa a mais um poema épico) e acei ou de imedia o o con i e.
No en an o, a não conc e ização do ilme, cujos mo i os explo a emos um pouco mais
adian e, acabou po adia o seu sonho de dança poesia.
Foi apenas alguns anos mais a de, após e assumido a di ecção do Balle Real
de Es ocolmo, que Maya Plise skaya se ap oximou da conc e ização desse sonho, ao
co eog a a e dança a p osa poé ica de Tchekho , na adap ação pa a bailado de “A
Gai o a”.
Ou o dos aspec os ilus a i os do g ande igo que ca ac e izou a p epa ação
des e p ojec o, em a e com a escolha do g upo co al que i ia can a o poema
épico.
O po uguês do B asil é, g osso modo, o po uguês como e a alado no século XVI,
sendo no no des e do país que es a ca ac e ís ica se e ela de o ma mais ní ida.
Cien e des e ac o, Sé io ia cons i ui um g upo co al numa cidade do in e io
(Pe nambuco), com o objec i o de ap o ei a as simila idades eu ónicas com o
po uguês do século XVI.
Du an e es e pe íodo, Sé io es a a ambém a abalha com o pad e Xa ie Cou inho,
eminen e camonis a que de endia a exis ência de 5 e sões o iginais do poema, no
sen ido de em conjun o chega em a uma e são única.
Es a e são única, bem como o po uguês no des ino, se iam ac o es concomi an es no
a o ecimen o da c iação de uma sín ese, a mais ap oximada possí el à musicalidade
e con eúdo lí ico o iginais de “Os Lusíadas”.
116
Resumido que es á es e o iginal p ojec o de adap ação cinema og á ica de “Os
Lusíadas”, chegou a al u a de nos deb uça mos sob e os mo i os subjacen es à sua
não conc e ização, os quais, al como já inha sucedido no p ojec o o iginal de
“Coé o as”, se encon am ligados à ecusa do seu inanciamen o po pa e do IPC, a
cujo concu so oi ap esen ado consecu i amen e de 1984 a 1988.
Sem nos que e mos alonga demasiado sob e es e ópico, que mani es amen e se
des ia do ulc o des e abalho, começa emos po cons a a que é o p óp io ce ne
da exp essão a ís ica, ou seja, a sua libe dade, que ealmen e é pos o em causa,
semp e que es a se encon a dependen e do apoio ins i ucional.
Es a ques ão é mui o impo an e no cinema, uma a e que de ido à sua especi icidade
écnica, se encon a pa icula men e ulne á el às p essões come ciais da indús ia,
an as ezes pe soni icadas na igu a do p odu o , ou en ão a uma sé ie de obs áculos
de índole polí ica e bu oc á ica, quando o seu inanciamen o depende de um o ganismo
es a al.
Cingindo a nossa e lexão a es e segundo caso, que é o do cinema po uguês,
acilmen e pe cebemos que a a ibuição de subsídios depende á ine i a elmen e de
c i é ios, cuja de inição e lec i á semp e em úl ima análise, as idiossinc asias
e in e esses es abelecidos pelo equilíb io das o ças que sus êm uma es u u a de
pode .
E que conclusão se á líci o i a -se quando, um ealizado e p odu o de indiscu í el
c edibilidade, cump indo esses mesmos c i é ios, ê go a -se sis ema icamen e a
possibilidade de conc e ização dos seus p ojec os, sob p e ex os ca en es de
undamen o ju ídico?
Deixamos aqui a pe gun a pa a quem a quise e soube esponde , ac escen ando
apenas, e eg essando ago a ao âmbi o des e abalho, que al ez enha sido
p ecisamen e a aguda consciência das limi ações e ícios, associados à p odução
cinema og á ica (p opo cionada que pela sua expe iência de ealizado come cial,
que pelo en io de p ojec os pa a inanciamen o), um dos ac o es que mais mo i a am
Sé io Fe nandes na p ocu a de um cinema capaz de conse a a sua in eg idade
A ís ica, um cinema cujo espí i o se mani es a ia na escola do Po o e no Quad o
A ís ico Cinema og á ico.
Tal ez enha sido a é essa mesma in eg idade A ís ica, que le ou Sé io Fe nandes
a ecusa a edução de “Os Lusíadas” de 6 pa a 2 ho as, p opos a em eunião pelo
p esiden e do IPC, Luís Salgado de Ma os, como o ma de acili a a iabilização
do inanciamen o do p ojec o.
Pouco empo passado, e pe an e a mo e do pad e Xa ie Cou inho, oi o p óp io Sé io
Fe nandes a da como ence ado não só es e p ojec o, como ambém odo o capí ulo
de pedidos de inanciamen o ao IPC.
117
Pa a além de “Coé o as” e “Os Lusíadas”, a Bei Fim es abeleceu ambém
con ac os não o iciais com o IPC e ou as en idades, pa a a p odução de p ojec os
como: “A Passagem do No des e”, ilme sob e a pionei a a essia do es ei o de
Be ing pelo na egado po uguês Da id Melguei o, “O Rio das Amazonas”, p ojec o
em au o ia conjun a com Luís To es Fon es cujas odagens na sel a es a am já
concluídas, es ando ilma uma pa e iccional em es údio; e ambém o insóli o
“Ulisses”, uma película na qual Sé io se p opunha ilma página a página a ob a-
p ima de Joyce!
No que diz espei o a es e assun o, es a apenas ac escen a que, há mais de 25
anos Sé io Fe nandes ju ou nunca mais subi as escadas do IPC, p omessa que oi
man ida a é hoje…
Mas deixemos ago a de ini i amen e de pa e es as ques ões p osaicas, pa a
nos ol a mos a concen a na essência poé ica e ins in i a de um empo i ido sob
o signo da a en u a e da en ega incondicional à Vida, um empo em que os p ojec os
e as colabo ações a ís icas esul a am da pa ilha de um impolu o en usiasmo, cuja
única mo i ação esidia na comunhão de uma ene gia c ia i a e libe ado a, que mais
não é do que a p óp ia celeb ação da exis ência ei a A e.
A p o undíssima espi i ualidade que exala des a a i ude, desa ia-nos pois a enca a
a A e como a p óp ia cen elha di ina exis en e nos se es humanos, uma chama mágica
e pu i icado a que consome e ilumina odos os que eme a iamen e se en egam ao
mis é io de Exis i , uma águia cósmica e poé ica que se ele a sob e os ba ien os
co edo es do pode , onde as bu oc acias ins i ucionalizadas se encon am ao
se iço das aidades ú eis e das ambições mesquinhas.
Foi es a mesma isão, onde a Vida dá co po à A e e a A e sac aliza a Vida,
que p esidiu à c iação da “Sociedade A ís ica Sol Neg o e Lu a”, uma me eó ica
associação de a is as po uenses, da qual ize am pa e Sé io Fe nandes (cineas a),
Gilbe o Lasca ys (esc i o ), Ru ini F. (ac o ) e Isabel B amão (baila ina).
O a anque da ac i idade A ís ica des e g upo he e ogéneo e mul idisciplina , que
con ou ambém com a pa icipação pon ual de ou os c iado es, en e os quais o
pin o Íca o, icou egis ado numa o og a ia, (de que in elizmen e não dispomos),
na qual os memb os masca ados do núcleo undado , posa am pa a a objec i a de Luís
To es Fon es, em en e à po a da “Adega do Olho”, uma ípica asca po uense
si uada na T a essa da Rua das Flo es.
Como qualque associação A ís ica, is o é, como qualque associação espon ânea
cong egada em o no de um desejo de exp essão li e e descomp ome ida, de quaisque
in e esses sec á ios, co po a i os, economicis as ou de au o-p omoção, que na u al
e ins in i amen e se dis ancia e emancipa, de odos os condicionalismos di ados
pelas es ições, ícios e ambições e enas que go e nam os obscu os jogos
ins i ucionais do pode , o “Sol Neg o” nasceu de um g i o!

118
Nes e g i o, cujo co po omou o ma nas pala as do mani es o lançado e lido aos
be os, do cimo da a anda das Gale ias Palladium, (emblemá ico edi ício da Rua de
San a Ca a ina), e cujo eco ib ou num conjun o de singula es e en os a ís icos,
es a a con ida oda a ene gia de um espí i o que não se esgo ou na e eme idade do
“Sol Neg o”; um espí i o que pe du ou a a és do exemplo inspi ado do esis en e
Sé io Fe nandes, pa a mais a de u i ica na pu eza e in eg idade que ca ac e izam
os elacionamen os, colabo ações e ac i idades da denominada escola do Po o.
Um dos e en os p omo idos po es a peculia Associação A ís ica, oi um conjun o
de acções ealizadas sob o í ulo “Nascimen o do Sol Neg o no Dou o”, en e as
quais se inclui am: uma pe o mance ea al de Ru ino F. nas g ades do pa apei o da
pon e Luiz I; um ogo de a i ício que incendiou um Sol Neg o sob e o io, icando
es e e a cidade en ol os em chamas; e a ins alação de um al a dionisíaco nas Ca es
Sandeman, conc e izada po Sé io Fe nandes du an e uma celeb ação do “Sol Neg o”,
na qual Gilbe o Lasca ys p o e iu um ex ao diná io discu so sob e Pascoaes.
A ins alação des e al a dionisíaco, cujo sac á io e e angelho e am espec i amen e,
o quad o “Cisnes Neg os” de Manuel d’Assumpção e o manusc i o o iginal do “Reg esso
ao Pa aíso” de Pascoaes, es á aliás associada a uma es ó ia mui o in e essan e e
bem ilus a i a, do espí i o de a en u a e da o íssima ligação à pin u a, que
ca ac e iza am es e pe íodo da ida de Sé io Fe nandes.
O quad o que despe ou o espan o de Sé io Fe nandes oi p ecisamen e “Cisnes
Neg os”, a ob a-p ima com que Manuel d’Assumpção ganhou a Bienal de Veneza, o e ada
ao sob inho de Pascoaes pelo p óp io pin o que, al como Sé io, inha ido ba e à
po a da casa do poe a.
Algum empo passado sob e es a p imei a isi a a Pascoaes, a ex ema con iança
que Dona Amélia deposi a a em Sé io, possibili ou a deslocação des e quad o e do
manusc i o o iginal de “Reg esso ao Pa aíso” pa a as Ca es Sandeman.
Do conjun o de acções “Nascimen o do Sol neg o no Dou o” e do p óp io quad o “Cisnes
Neg os”, esul a iam duas cu as-me agens homónimas da au o ia de Sé io Fe nandes.
Es es dois ilmes nos quais Sé io ilma as pe o mances do “Sol Neg o” e, no
caso de “Cisnes Neg os”, a p óp ia pin u a de Manuel d’Assumpção, são ep esen a i os
de um conjun o de cu as-me agens que desa iam as classi icações con encionais,
a a és de uma ambiguidade en e a icção e o documen á io, que explo a as elações
do cinema com odas as o mas de exp essão a ís ica; uma abo dagem cuja sín ese se
conc e iza ia no Quad o A ís ico Cinema og á ico, e que nes e pe íodo se aduziu,
en e ou as ob as, nas o iginais cu as-me agens “A En ada de C is o no Po o
em 1989” e “Clamo em Emanações Luminosas na To e dos Clé igos”, ilme que inclui
um belíssimo poema esc i o pelo encenado Robe o Me ino.
“Um dia, an es do “Sol Neg o” uns empos, ou sozinho ba e à po a
de Pascoaes, pa a conhece a casa e o chão do poe a. Ba o à po a,
(aquilo es a a em mui o mau es ado), e apa eceu a Dona Amélia, que
é sob inha dele. Eu disse-lhe que inha uma g ande paixão pelo
Teixei a de Pascoaes e que gos a a de conhece a sua casa. Ela oi
mui o simpá ica e mandou-me en a … De epen e, en o na sala e
ejo um quad o de um pin o po quem eu já inha uma paixão o al
e absolu a, que é o nosso Manuel d’Assumpção. Um pin o que eu já
inha como um dos maio es, senão o maio pin o po uguês de odos
os empos.” (Sé io Fe nandes).
119
Ou o dos e en os p omo idos pelo “Sol Neg o” oi o “Concílio de A e na Casa
D. Hugo”, uma celeb ação A ís ica cuja inaugu ação icou ma cada pela sublime
in e p e ação de Schube , p o agonizada pelo eno Má io Anacle o, e que con ou
ambém com um conjun o de ins alações nas quais Sé io Fe nandes, azendo uso das
suas pin u as e escul u as, encenou uma uma sé ie de al a es, que dis ibuiu pelas
á ias di isões desse espaço nob e da eguesia da Sé.
A con e ência com o ilóso o Joaquim on Ha e Pe ez, p e is a pa a o ence amen o
des e “Concílio de A e”, acabou po não se ealiza de ido à al a de assis ência…
Apesa de odo o en usiasmo que p esidiu à sua undação, a ene gia des e
“Sol Neg o” oi-se esgo ando à medida que os e en os se iam sucedendo, e os seus
elemen os o iam abandonando…
Mas se o co po de qualque associação cong egada em o no de um sonho inde iní el,
es á condenado à e eme idade, o mesmo não pode á se di o ela i amen e à p o unda
ma ca deixada, pela pa ilha das i ências que o p ocu a am conc e iza .
Tal ez enha sido po es a azão que o úl imo e en o do “Sol neg o”, no qual
Sé io Fe nandes já se encon a a comple amen e sozinho, se in i ulou “Mo e e
Ressu eição do Sol Neg o”.
Nes a acção a ís ica que combinou a ins alação e a pe o mance, Sé io encenou
um eló io no ba “Meia Ca e”, em dos espaços mais emblemá icos da ida noc u na
po uense nos anos 80 e 90.
À meia-noi e, com as elas acesas jun o ao caixão, Sé io pe co eu odo o ba , es indo
o hábi o do “Sol Neg o” e ocando uma sine a, enquan o b ada a “Ressu eição!”,
de seguida, saiu pa a a P aça da Ribei a com uma ela acesa, desceu as Escadas da
Raínha e deposi ou o hábi o que es ia no io Dou o.
Es a a assim concluido o i ual de Ressu eição de Sé io Fe nandes, no espí i o do
“Sol Neg o”…
Es a de adei a acção A ís ica do “Sol Neg o”, soli a iamen e le ada a
cabo po Sé io Fe nandes, simboliza exempla men e o espí i o de eno ação, que
ca ac e izou es e pe íodo da sua ida.
Du an e os anos 80, Sé io emancipa-se de odos os condicionalismos ine en es
à sua ac i idade de publici á io, ele ando a sua elação com as di e sas o mas de
exp essão a ís ica, (que a publicidade lhe inha p opo cionado), a um plano de
p o unda espi i ualidade, p ocu ando a sua ecompensa na p óp ia Libe dade do ac o
de c iação.
“Quando eu digo que o espaço es á odo p eenchido, isso unciona
como os asos comunican es: sobes de um lado, desces do ou o,
não é? Po an o, quando eu começo a eduzi a minha ac i idade
come cial, que e a esgo an e, na u almen e o ou o lado subiu… Eu
di ia, o meu lado espi i ual… (…) Quando eu começo a baixa a minha
in ensidade de co po, o meu lado apolíneo, na u almen e o meu lado
dionisíaco subiu… Depois na Escola explodi!” (Sé io Fe nandes).
120
Um dos exemplos mais in e essan es des a ans o mação, (pa a além do p og essi o
abandono da o og a ia e do cinema come ciais), é o abandono das a es g á icas,
á ea na qual, ao ní el da publicidade, ealizou abalhos pa a as maio es companhias
do país, (das quais des acamos a p imei a monog a ia da Soa es da Cos a, e as
campanhas da Sepsa), em de imen o de uma i ânica ac i idade no campo das a es
plás icas, que du an e alguns anos o abso eu po comple o.
Na o igem do au ên ico anse c ia i o que omou con a de Sé io Fe nandes, e que o
le ou a desenha , esculpi e pin a desen eadamen e, es e e um acon ecimen o que,
pela singula idade das ci cuns âncias que o despole a am, apenas pode se apelidado
de mágico…
“E oi nessa al u a, (já não es ou bem a e qual e a o ano), que eu
es a a em Pa is, e po uma so e, daquelas so es que acon ecem na
ida de uma pessoa, o Museu de A e Mode na de No a Io que en ou
em ob as. E po an o, enquan o as ob as demo a am, eles deposi a am
odo o seu espólio, (especialmen e o Pollock), em Pa is, no Cen o
Geo ges Pompidou. Foi uma coincidência! Não é que eu ejo oda a
ob a do Pollock em Pa is?!... Bom, passei-me comple amen e! Lemb o-
me que iquei comple amen e… Nem sei qual e a o meu es ado… Lemb o-
me que deambula a pelo Cen o Geo ges Pompidou, e a é os segu anças
começa am a olha pa a mim! Pensa am que eu ia aze algum a aque
e o is a! (…) Eu en ei mui o na cena do Pollock, (que aliás eu já
conhecia, al como oda essa ase dos abs accionis as ame icanos,
do Kooning, do Go ky, e c…), só que, no caso do Pollock, i e a ob a
dele ali à minha en e… Toda a ob a! Foi um momen o único. (…)
E é ex ao diná io, (po que o Pollock como odos os a is as e e
uma ajec ó ia, e eu es udei-a exac amen e), que o quad o onde ele
a inje o zéni e da sua es u u a abs ac a, chamemos-lhe assim, é do
ano em que eu nasci, 46.” (Sé io Fe nandes).
Figu a 2 – Pin u a de Sé io Fe nandes onde é bem
no ó ia a in luência de Jackson Pollock.
121
O pe íodo du an e o qual Sé io se dedicou à pin u a e à escul u a, oi ma cado
po um in enso espí i o de descobe a e en ega à Vida, cujo e lexo se encon a
na cósmica abs acção dos seus quad os, mas sob e udo nas inúme as ped as e seixos
que azia da p aia pa a pin a , jun amen e com olhas, pedaços de madei a e ou os
inusi ados objec os.
Emb iagado pelo êx ase c ia i o de um empo mágico e poé ico, Sé io p ocu a pin a
a p óp ia Vida, sac alizando-a pela A e, ele ando-a a uma dimensão es é ica,
p ocu ando o seu sen ido mais ín imo e uni e sal…
A odagem de “Cisnes Neg os” ema a es e pe íodo, de p olí ica p odução ao
ní el da pin u a.
Pa a além das ins alações que mon ou na Casa D. Hugo, aquando do Concílio do
“Sol Neg o”, Sé io apenas expôs as suas ob as em duas ou as ocasiões: a p imei a,
na Gale ia de A e Po uguesa, (localizada no Shopping B asília), onde expôs os
seus azulejos numa ins alação mo i ada pelo ilme “Odisseus”; a ou a, anos mais
a de, na casa do seu amigo e ex-aluno, C is iano Pe ei a.
Ac ualmen e, e de há á ios anos a es a pa e, Sé io em po hábi o o e a as suas
pin u as e escul u as, po ocasião dos ani e sá ios dos seus amigos.
Um dos aspec os mais in e essan es elacionados com a pin u a de Sé io
Fe nandes, em a e com a p óp ia base u ilizada pa a g ande pa e das suas ob as.
“Eu não posso quan i ica o empo… Não posso! Não sei se o am 2
ou 3 anos, não sei… Sei que oi um pe íodo ex ao diná io. Ainda
hoje quando olho pa a aquilo, eu nem ac edi o! Da mesma o ma que,
quando olho pa a as cu as-me agens dessa al u a, eu não ac edi o
que i esse ei o aquilo. Vim comple amen e ascinado de Pa is,
e isso oi a ped a de oque que me le ou a, du an e uns anos, e
ei o o que iz… E ou as coisas, como a escul u a… Também iz
escul u a. Eu iquei ni idamen e em Es ado de A e. Es ado de A e!
T ouxe mui as coisas da p aia, madei as, ped as, seixos… Pin a a
udo! Pin ei isso udo… olhas de á o e, e c… Foi uma o gia! (…) E
lemb o-me pe ei amen e de as pessoas i em aqui ao meu es údio e
pedi em-me… E eu podia e epe ido aquilo quan as ezes quisesse,
(eu sabia aze aquilo), mas nunca epe i! Nunca iz nenhum abalho
epe i i o. Semp e na descobe a! Semp e na descobe a! (…) Fiz
coisas ex ao diná ias em id o, po exemplo, com écnicas que
eu p óp io descob i. (…) E eu podia e ei o daquilo um negócio…
Faze aquilo em sé ie pa a ende . Mas não, oi uma ase A ís ica.
A ís ica mesmo!” (Sé io Fe nandes).
“Todos os meus amigos, sem excepção, êm pin u a e escul u a minha.”
(Sé io Fe nandes).
128
O p ojec o Bienal Vi ual (Angel Isles 186, 200,22) que oi ap esen ado
du an e a 17ª Bienal de Ce ei a de 2013, insc e e-se nas dinâmicas a ís icas
desen ol idas po a a a es na pla a o ma do me a e so da SecondLi e, na con inuidade
da dinamização do p ojec o da Fundação V5 iniciada em 2009.
Nes a ap esen ação des acou-se a dinâmica das ac i idades a ís icas
desen ol idas pelos a a a es que se inse em essencialmen e em dois ipos de
si uações econhecí eis nes e ambien es : os en i onmen e a ob a – enquan o
objec o i ual. No p imei o caso, i emos as p opos as de a is as como as que
são ap esen adas pelo a a a Pa ick Moya (FR) e B yn Oh (IT) que ec iam os seus
espaços i uais au ónomos apoiados po uma e ó ica icionis a. Es a, apoiada po
uma c escen e complexidade subme e o a a a isi an e a uma espécie de segunda
ime são (se conside a mos a pla a o ma do Second Li e ela p óp ia ime si a) num
mundo p é igu ado e c iado pa a p opo ciona uma in ensa expe iência senso ial,
sendo es a, cla o, assumida e po encializada pelo a a a . Se ap o unda mos o nosso
g au de a enção, podemos econhece nos p ojec os i uais delineados pelos dois
a is as e e idos, enquan o es a égia espacial de desen ol imen o do p ocesso
c ia i o o eencon o inespe ado dos concei os de Me zbau (1923/1937) p opos os po
Ku Schwi e s. Não se a a aqui e apenas de um desen ol imen o cons u i o das
o mas mas o icciona um espaço em cons an e de i . No caso do uni e so p opos o
pelo a is a Pa ick Moya com o seu Museu Moya es e luxo dinâmico c ia i o expande-
se pa a uma ealidade aumen ada, no sen ido que es a albe ga a ob a ealizada no
mundo a oma izado e i ual. Es a dinâmica eme e pa a uma espécie de luxo líquido
que unde as duas ealidades con e gen es. Já não se a a de duas ealidades
pa alelas mas de uma só que lui en e o á omo e o bi .
BIENAL
VIRTUAL
Sil es e Pes ana e Celes e Ce quei a
in e mundos@me a e so
h p://www.ou doo ce ei a.com

129
Na ob a i ual p opos a pelo a is a B yn Oh ( IT ) encon amos uma
dinâmica na a i a dis in a em que es e explo a o sen ido senso ial do a a a ,
o e ecendo ao isi an e expe iências singula es consoan e o pe cu so pelos ambien es
c iados. B yn Oh pa a além de explo a a ep esen ação mimé ica da ealidade em
e mos de um apu ado e es imen o das o mas ( ex u as), desen ol e ambém espaços
ep esen acionais múl iplos e complexos em que cada ní el de acesso assume-se como
um me gulho num uni e so iccionado que in oca os uni e sos da magia e da an asia
ão insis en emen e explo ados e eco en es na p odução li e á ia.
Na segunda abo dagem do desen ol imen o da ob a – enquan o objec o i ual –
oi p opos o ao isi an e uma lei u a dis in a explo ando a pa ilha de expe iências
en e a is as / a a a es. Nes as lei u as in ensi icadas das ob as singula es
encon amos uma plu alidade de p opos as a ís icas, que inclui ob as de o e
endência su eal p opos as pelo a is a Eupalinos Ugajin (FR) às cons uções
a qui ec ónicas e espaciais elabo adas pela dupla de Capca Ragu & Meilo Mina au
(PT) que explo am o mas oní icas num espaço egulado pela mé ica como é a
modelação i ual. Ambos es es a is as ealçam a e en e ime si a da ob a,
mime izando um acesso in imis a mui o alo izado e eco en e no mundo iccionado
da ilus ação. T a a-se aqui de habi a a imagem. Po ou o lado, podemos a ende
às in il ações do empo e do espaço eal na i ualidade compósi a dos epo ó ios
cul u ais e linguís icos, implíci os nas ins alações dos a is as - a a a es Julio
Jus e Ocaña, aka Holala Al e (ES), e CEEles eSe a (PT).
As edes dos jogos i uais online em que a Second Li e se inse e pe mi e
uma mul iplicidade de ac os e compo amen os, que de aco do com a a is a Eli
Ayi e , aka Alpha Aue (TR) ap oximam-se da noção o mulada de he e ónimos, dado
que a cons ução do a a a pe mi e desdob amen os p esenciais con ínuos com um al o
coe icien e imagina i o. A Bienal Vi ual enquan o p ojec o a ís ico, p opõe aze
a pon e en e os múl iplos ecu sos dos jogos i uais, a cons ução subjec i is a
numa pe spec i a a ís ica e a pe soni icação do a a a como a is a que se assume
como objec o e sujei o p óp io des e meio.
Nes e sen ido, ap esen ou-se um conjun o de ob as com di e en es ní eis
de expe imen ação das e amen as acessí eis no sis ema do me a e so, como a
in e ação da ob a – a a a , alo ização de mo imen os de o mas animadas e uma
e icaz sinc onização en e o ma, co e espaço. Nes a exibição do me a e so ambém
se des acam os concei os de impe manência e luidez enquan o supo e e me á o a
do mundo cons uído pela ausência do peso e do sen ido g a i acional, como nos
ap esen am os a is as - a a a es Maya Pa is (UK) e Os e a us Ha en (FR).
130
De ido ao ca á e de impe manência das ob as e dos espaços, do habi a a
imagem, que se ans o ma cons an emen e e da o e p esença pe o ma i a que
es es espaços acul am, o na-se impo an e um egis o ílmico des es mesmos
espaços e acções i uais. Es es egis os, machinimas, de uma o ma dis in a das
p oduções de cinema de animação, pe mi em aos seus a a a es a is as uma e ó ica
da ap op iação desses espaços e pe o mances de um pon o de is a do p odu o de
signi icações. Nes e campo de acção a Bienal Vi ual ap esen ou um conjun o de
machinimas coo denados po And é Lopes (PT) e e en es a ob as ílmicas o almen e
ealizadas nos espaços i uais, explo ando e acen uando as suas po encialidades
na a i as. Nes a secção o am ap esen adas os machinimas de Tu sy Na A A hnA
(GR), B yn Oh (IT), Toxic Menges, T aceshops e Spy spyaeon (PT).
Também o am dinamizados di e sas ac i idades, em que se des aca as
in e enções pe o ma i as egula es da esponsabilidade do pe o me digi al
Pixel Reanima o (UK) com o seu p ojec o Machinic-Coded Iden i y-Theo y Poesis,
além das con ibuições de Kikas Babenco & Ma maduke A ado (PT) e Sa eMe Oh (HO),
assim como Isabel Vila e de (PT) eme endo odas es as in e enções a ís icas
pa a as po encialidades in e ac i as disponibilizadas nos espaços do me a e so.
Toda es a dinâmica da p odução da Bienal Vi ual oi acedida de duas o mas:
a do espaço i ual já e e ido (Angel Isles 186, 200,22), desenhado pelo a qui e o
Pie e-Di ie Fouqué (FR), e duas salas c iadas no Fó um da Bienal de Ce ei a pa a
que os isi an es pudessem acede e pe co e os espaços e ob as i uais a a és
dos a a a es c iados pa a o e en o.
Alguns dos a is as – a a a es , no âmbi o de uma pa icipação e lexi a, con ibuí am com
e lexões e ex os que escla eciam os p opósi os implíci os na suas ob as.
131
JULIO JUSTE OCAÑA,
AKA HOLALA ALTER (ES)
HTTP://WWW.JULIOJUSTE.COM
” Sin axis LoL”
A e, idioma, subsis ência
Es e conjun o de poemas de obje o
exp essi o ap esen a uma sequência
que mos a a p io idade de línguas
a i iciais c iadas pelo homem, pa a a p ospe idade ma e ial. Mais a de, apa eceu
a linguagem consubs ancial e bal ine en e ao in elec o, na u eza do homem.
1. Pin a pa a a caça. É cada ez mais e mais equen e e i ica que a nossa
cul u a é indissociá el das a es plás icas e da gas onomia. No Paleolí ico, o
i ual de pin u a an ecedeu o jogo, e, ine i a elmen e, a subsis ência.
2. F ase c ocan e. A linguagem de emo icons mudou-se pa a a pada ia. Uma me á o a
pa a a doçu a da linguagem.
3. O peso da esc i a. Na ealidade, um li o é uma memó ia ex e na. Con a iamen e
ao que se c ê, o conhecimen o pesa e ocupa espaço.
4. O ou o lado da música. Cons uí uma ace da música, combinando duas colcheias.
O os o so iden e da música em uma lu a e, es á à esque da na ua. Es e poema é
sob e si uações ma e iais ad e sas que a as am as nossas ocações a ís icas.
OSFERATUS HAVEN (FR)
HTTP://WWW.INSPIRITUM.ORG
Te a animada
A ideia do p oje o oco eu-me
enquan o assis ia ao no iciá io
sob e o mundo e a Eu opa. As
no ícias gi a am em o no de
emas como: a gue a, con li os
de in e esse, a pob eza, o
o ali a ismo... Mos ando os
países icos e subdesen ol idos... Eu disse a mim mesmo que, no inal, somos odos
da mesma es i pe. Apesa da iqueza do nosso solo, a di e sidade dos nossos usos e
cos umes...O que é mais boni o do que a ep esen ação de um mundo no qual i emos
pelas suas co es e o mas, dando o igem a comunidades, egiões, países e g upos de
países. O mundo é único. Con udo, os se es humanos es ão, ealmen e, elacionados
uns com os ou os. Mesmo que, mui as ezes, a nossa co da pele e a nossa língua
p o em o con á io. Es amos unidos e somos conduzidos pelo mesmo plane a e pela
mesma inalidade. O que que que se aça, e emos semp e de ol a pa a a e a.
132
Como:
1 - VISTA udo o que es á na ces a/o.
Ago a, u azes pa e da banda de Vepa ellas: O eu supe pode ? Tu podes CORRER
com a (usa ) esou a.
** O Cin o do Supe -he ói Vepa ella con ém udo que p ecisas
Pa a a i á-lo: digi e qualque uma das seguin es pala as num cha local assim que
o subindo
baba
do mi a
eco a
gi a
espelho
2 - Ligue o MEDIA STREAM pa a ou i a música VEPARELLA - compos o (e ocado) pa a
es a ins alação pelo, inc i elmen e alen oso, Ma ch Macbain
3 - Desligue o AO - (há animações des a pa e)
4 - ESCUREÇA
Pa a con o na :
Siga a ilha de maçãs, em seguida,
OLHE pa a as pequenas imagens de “ osei ais” (Rose-bush), elas são po as: clique
uma ez pa a ab i-las, clique no amen e pa a en a .
5- Clique com o bo ão esque do em qualque pa e, (alcance o sal o de hunde apple,
dei e-se na cama, pa a e se os sapa os se em, alcance a maçã pa a subi o cabelo
e gi a gi a gi a, expe imen e um ono e cuidado com a maça do seg edo escondido)
(+ Vep escondeu um co ação maldispos o num luga qualque pa a ocê encon a )
MAYA PARIS (UK)
HTTP://MAYAPARISBLUESTOCKING.BLOGSPOT.PT
VEPARELLA
Tesou a em punho e o supe -he ói é
libe ado num es anho aciden e de
cos u a e con ida- e a jun a -se a
ele/ela num céleb e con o de adas.
SNIP SNIP SNIP ( uído do co e)
133
MEILO MINOTAUR & CAPCAT RAGU
MATA BODY II
PORTUGAL
h p://delica essensl.wo dp ess.com/
PIXEL REANIMATOR
PIXEL (NEAREST TO CAMERA) PERFORMING
‘MACHINIC-CODED IDENTITY-THEORY POESIS’
– AN INTERVENTION – AT NELSONIA
ITÁLIA
h p://pixel eanima o .o g
KIKAS BABENCO & MARMADUKE ARADO E SAVEME
OH INSTANT SCENE RAY / INSTANT SCENE
DRUNK ROBOT
PORTUGAL / HOLANDA
h ps:// imeo.com/11756344
EUPALINOS UGAJIN
JS TOWER
FRANÇA
h p://eupalinosugajin.wo dp ess.com
ELIF AYITER, AKA ALPHA AUER
HOMENAGEM A FERNANDO PESSOA
TURQUIA
h p://ci ini as.com

134
JULIO JUSTE OCAÑA, AKA HOLALA ALTER
PINTAR CAZAR VERISON V/5 PORTUGAL
RODILLO GIRA
ESPANHA
h p://www.juliojus e.com
OSFERATUS HAVEN
LIVELY EARTH
FRANÇA
h p://www.inspi i um.o g
MAYA PARIS
VEPARELLA
SOM: MARCH MACBAIN.
REINO UNIDO
h p://www.you ube.com/wa ch? =Xdyu_LOJZoo
CEELESTESERRA
QUANDO É AMANHÃ? (SL)
PORTUGAL
h p://www.wha iswa .o g/
BRYN OH
VIRGINIA ALONE
CANADÁ
h p://b ynoh.blogspo .p
135
Celes e Ce quei a é a is a e desen ol e abalho na á ea das a es isuais.
Possui o Mes ado em A es Visuais – In e média pela Uni e sidade de É o a com a
ese “A in e disciplina idade em algumas ob as de a e con empo ânea” (2007) .
Nes e âmbi o, a sua p odução eó ico-p á ica ab ange no os ecu sos e p á icas
a ís icas como a dinamização do g upo “Wha is Wa ?” e mais ecen emen e, co-
p oduziu a Bienal Vi ual ap esen ada em Vila No a de Ce ei a e a Bienal de
G a u a do Dou o.
A sua p á ica a ís ica, abo da essencialmen e egis os pic u ais, que incluem
o ques ionamen o a pa i de ac os eencon ados nos a qui os o iciais da
Censu a em Po ugal en e 1933 e 1974. Nes e encon o com a memó ia his ó ica,
desen ol e es a égias de dis anciamen o e uma possibilidade de análise c í ica
sob e as acções sociais e o pensamen o colec i o igen e. Ul imamen e, em
ap o undado a mesma me odologia, aliando di e sas pesquisas de in o mação de
acesso pela Web aos supo es de desenho digi ais, nomeadamen e, as e amen as
disponí eis no Ipad.
BIO CELESTE CERQUEIRA
Sil es e Pes ana (1949) é um a is a isual e poe a expe imen al na u al da
Ilha da Madei a. Desde os ins dos anos 60 que pa icipa no Mo imen o de Poesia
Expe imen al Po uguesa endo publicado nesse âmbi o di e sos “ Poemas Ação “
e desen ol ido uma in es igação con inuada de a ualização dos ecu sos ecno
exp essi os do “ ACTO DO DIZER “ que incluem a pe o mance, a ins alação, a
ideopoesia, a poesia digi al. Desde 2009 em p omo ido na Bienal de Ce ei a e
na Bienal de G a u a do Dou o a p odução de Bienais Vi uais na pla a o ma do
Secondli e a a és da Fundação Vi ual V/5.
BIO SILVESTRE PESTANA
136