scieee Science in your language
[po] (orig)

Aquisição do complemento direto preposicionado em crianças bilingues português europeu/espanhol ibérico

Abstract

Relativamente a crianças monolingues, o uso mais prototípico do complemento direto preposicionado (o uso da preposição a para marcar a animacidade) dá-se antes dos três anos de idade (Rodríguez-Mondoñedo 2008). No entanto, poucos são os estudos que se debruçam sobre a aquisição deste fenómeno em crianças bilingues. A presente dissertação foca-se na aquisição do complemento direto preposicionado em crianças bilingues português europeu-espanhol ibérico, residentes em Portugal, com 4 e 5 anos. Foi utilizado um teste de produção induzida que considerava a variável animacidade, tendo em conta a escala de Aissen (2003). Procurou-se também determinar se o tipo de input a que a criança está exposta em casa tinha influência no seu desempenho. Os resultados obtidos mostram que as crianças até aos 5 anos ainda não dominam completamente todas as propriedades associadas ao complemento direto preposicionado, confirmando a complexidade do fenómeno que envolve a interface entre diferentes tipos de conhecimento gramatical. As crianças manifestaram mais dificuldades na realização de complementos diretos animados (humanos e não humanos) do que na realização de complementos diretos não animados. As crianças cujos pais tinham ambos o espanhol como língua materna e que interagiam com a criança nessa língua tiveram melhores desempenhos do que as crianças que tinham pais falantes nativos de línguas maternas diferentes.

Read accessible full text

Aquisição do complemento direto preposicionado em crianças bilingues português europeu/espanhol ibérico

Author: Silva, Cristiana Malcata Antunes Alves da
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/22136/3/Aquisi%c3%a7%c3%a3o%20do%20complemento%20direto%20preposicionado%20em%20crian%c3%a7as%20bilingues%20portugu%c3%aas%20europeu-espanhol%20ib%c3%a9rico.pdf
Aquisição do complemen o di e o p eposicionado em c ianças
bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico
C is iana Malca a An unes Al es da Sil a
Maio, 2017
Disse ação
em Ciências da Linguagem
C is iana Malca a An unes Al es da Sil a
Aquisição do complemen o di e o p eposicionado em
c ianças bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico
Maio, 2017
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a
o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia Lobo e da P o esso a
Dou o a Ana Madei a
Ao meu a ô José Malca a
AGRADECIMENTOS
O meu since o ag adecimen o a odas as pessoas que con ibuí am pa a a conc e ização
des a disse ação. O apoio de inúme as pessoas oi undamen al nes e abalho.
Às P o esso as Dou o as Ma ia Lobo e Ana Madei a, o ien ado as da disse ação, ica o
meu ag adecimen o po odo o apoio e con ibuições pa a o abalho. Mui o ob igada po
oda a ajuda ao longo des es meses.
Que o deixa ambém um ag adecimen o a odos os pais que pe mi i am a aplicação do
meu es e aos ilhos. Sem eles, não e ia esul ados.
Um ag adecimen o mui o especial a odos os amilia es e amigos pelo apoio e incen i o.
Ob igada a odos aqueles que es i e am p esen es, de algum modo, nes e meu pe cu so
académico. Ao And é, ag adeço oda a a enção dedicada e o ac o de me e
p opo cionado mui os so isos, mesmo em al u as mais di íceis. Ao meu io, ag adeço o
ac o de me e p opo cionado um excelen e ambien e de abalho. Ob igada à minha ia
G aça, que semp e me apoiou e incen i ou não só na esc i a des a disse ação, mas ao
longo de odo o meu pe cu so académico, disponibilizando uma ajuda in ini a. À minha
mãe, deixo o maio ag adecimen o po odo o amo , po oda a a enção, po odo o
incen i o, po oda ajuda em qualque dia e a qualque ho a e po se a minha melho
amiga.
O meu sen ido ag adecimen o a odos aqueles que azem pa e da minha ida e que, em
algum momen o, con ibuí am pa a me es imula não só in elec ualmen e, mas ambém
emocionalmen e.
AQUISIÇÃO DO COMPLEMENTO DIRETO PREPOSICIONADO EM
CRIANÇAS BILINGUES PORTUGUÊS EUROPEU-ESPANHOL IBÉRICO
DISSERTAÇÃO EM CIÊNCIAS DA LINGUAGEM
CRISTIANA MALCATA ANTUNES ALVES DA SILVA
RESUMO
Rela i amen e a c ianças monolingues, o uso mais p o o ípico do complemen o
di e o p eposicionado (o uso da p eposição a pa a ma ca a animacidade) dá-se an es dos
ês anos de idade (Rod íguez-Mondoñedo 2008). No en an o, poucos são os es udos que
se deb uçam sob e a aquisição des e enómeno em c ianças bilingues. A p esen e
disse ação oca-se na aquisição do complemen o di e o p eposicionado em c ianças
bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico, esiden es em Po ugal, com 4 e 5 anos.
Foi u ilizado um es e de p odução induzida que conside a a a a iá el animacidade,
endo em con a a escala de Aissen (2003). P ocu ou-se ambém de e mina se o ipo de
inpu a que a c iança es á expos a em casa inha in luência no seu desempenho. Os
esul ados ob idos mos am que as c ianças a é aos 5 anos ainda não dominam
comple amen e odas as p op iedades associadas ao complemen o di e o p eposicionado,
con i mando a complexidade do enómeno que en ol e a in e ace en e di e en es ipos
de conhecimen o g ama ical. As c ianças mani es a am mais di iculdades na ealização
de complemen os di e os animados (humanos e não humanos) do que na ealização de
complemen os di e os não animados. As c ianças cujos pais inham ambos o espanhol
como língua ma e na e que in e agiam com a c iança nessa língua i e am melho es
desempenhos do que as c ianças que inham pais alan es na i os de línguas ma e nas
di e en es.
Pala as-cha e: complemen o di e o p eposicionado, bilinguismo, animacidade,
in e ace, inpu , língua ma e na

ABSTRACT
Rega ding monolingual child en, he acquisi ion o Di e en ial Objec Ma king
(DOM) occu s be o e he age o h ee (Rod íguez-Mondoñedo 2008). Howe e , ew
s udies ha e add essed he acquisi ion o his phenomenon in bilingual child en. The
p esen s udy ocuses on he acquisi ion o DOM in Eu opean Po uguese-Ibe ian Spanish
bilingual child en li ing in Po ugal. The pa icipan s pe o mance was es ed h ough an
elici ed p oduc ion es ha conside ed he animacy a iable in his s uc u e aking in o
accoun o he Aissen scale (2003). The ac ha i en ol es in e ace p ope ies which
may make i ha de o acqui e, was also conside ed, as was he ele ance o ce ain inpu
aspec s such as he pa en s’ na i e language which may in luence he acquisi ion o his
s uc u e. The esul s showed ha he child en unde 5 yea s old do no ye ully mas e
he DOM p ope ies in es iga ed, con i ming he complexi y o he phenomenon owa ds
he in e aces in ol ed. The scale o animacy seems ele an du ing he p ocess o
acquisi ion as 5-yea -old child en al eady appea o dis inguish human and nonhuman
anima e objec s. The child en whose pa en s ha e bo h Spanish as hei na i e language
and communica e wi h he child in Spanish ha e be e esul s han hose pa en s ha e
di e en na i e languages.
Key-wo ds: di e en ial objec ma king, bilingualism, animacy, in e ace, inpu , na i e
language
Índice
1. In odução..............................................................................................................1
2. Enquad amen o eó ico-desc i i o.........................................................................4
2.1.Tipos de bilinguismo........................................................................................4
2.2.Aquisição bilingue...........................................................................................7
2.3.Complemen o di e o p eposicionado em espanhol ibé ico.............................14
2.4.Complemen o di e o p eposicionado em po uguês eu opeu..........................24
2.5.Aquisição do complemen o di e o p eposicionado........................................25
2.5.1. Aquisição monolingue.......................................................................26
2.5.2. Aquisição po alan es de língua de he ança.......................................28
2.5.3. Aquisição de L2.................................................................................30
3. Me odologia.........................................................................................................38
3.1.Hipó eses.......................................................................................................38
3.2.Ta e a.............................................................................................................39
3.3.P ocedimen os ado ados................................................................................42
3.4.Pa icipan es...................................................................................................42
3.5.Codi icação de espos as................................................................................46
4. Resul ados............................................................................................................48
4.1.Po condição..................................................................................................48
4.1.1. [+hum]...............................................................................................48
4.1.2. [+anim][-hum]...................................................................................51
4.1.3. [-anim]...............................................................................................53
4.2.Po g upo........................................................................................................55
4.2.1. C ianças bilingues com pai e mãe com LM dis in a............................56
4.2.1.1.4 anos...........................................................................................56
4.2.1.2.5 anos...........................................................................................57
4.2.2. C ianças bilingues com pai e mãe com LM espanhol ibé ico.............58
4.3.Po LM da mãe...............................................................................................59
5. Discussão dos esul ados e conclusões.................................................................63
6. Re e ências bibliog á icas....................................................................................72
Anexos.......................................................................................................................78
Figu as, abelas, g á icos e anexos:
Figu a 1 - Ma cação ela i a segundo os aços de animacidade e de ini ude – Página 23
Tabela 1 – Núme o, idades e a espe i a média dos ês g upos de pa icipan es – Página
43
Tabela 2 – Núme o de pai e mãe pa a cada LM – Página 44
Tabela 3 – Pe cen agem das línguas aladas en e os pais, po cada g upo de c ianças –
Página 44
Tabela 4 – Pe cen agem das línguas aladas en e i mãos, po cada g upo de c ianças –
Página 45
Tabela 5 – Pe cen agem dos países em que passam é ias, po cada g upo de c ianças –
Página 46
Tabela 6 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 4 anos – Página
56
Tabela 7 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com
LM dis in a) – Página 57
Tabela 8 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com
a mesma LM) – Página 59
G á ico 1 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [+ humano] –
Página 48
G á ico 2 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [+ humano] –
Página 49
G á ico 3 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) na
condição [+ humano] – Página 50
G á ico 4 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na
condição [+ humano] – Página 50
G á ico 5 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- humano] [+
animado] – Página 51
G á ico 6 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- humano] [+
animado] – Página 52
G á ico 7 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) na
condição [- humano] [+ animado] – Página 52
G á ico 8 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na
condição [- humano] [+ animado] – Página 53
G á ico 9 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- animado] –
Página 53
G á ico 10 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- animado] –
Página 54
G á ico 11 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com língua ma e na
di e en e) na condição [- animado] – Página 55
G á ico 12 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na
condição [- animado] – Página 55
G á ico 13 – Resul ados das c ianças de 4 anos nas ês condições – Página 56
G á ico 14 – Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) nas ês
condições – Página 57
G á ico 15 – Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) nas ês condições
– Página 58
G á ico 16 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e
pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+humano]
– Página 60
G á ico 17 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e
pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+animado]
[- humano] – Página 60
G á ico 18 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e
pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [- animado]
– Página 61
Anexo 1 – Tes e pela o dem aplicada às c ianças – Página 78
5
ou mais línguas e le em um papel ele an e no dia-a-dia de um indi íduo. E e i amen e,
uma c iança bilingue c esce com uma exposição a ambas a línguas, que ão assumindo
um papel ele an e na sua ida quo idiana. No en an o, essa ele ância é di e en e de
alan e pa a alan e e muda ao longo da sua ida. Algumas c ianças apenas desen ol em
compe ências ece i as numa de e minada língua pelo con ac o eduzido que êm com
es a. Pa a o au o , es es casos não co espondem a si uações de bilinguismo, uma ez que
uma das línguas em um papel in e io ao da ou a.
Pa a Pe ei a (2011), o bilinguismo, de um pon o de is a discu si o, é igualmen e
algo complexo, uma ez que assen a numa p á ica de anslanguaging que, segundo
Bake (2003), co esponde a um enómeno como «“an a angemen ha no malizes
bilingualism wi hou diglossic unc ional sepa a ion (Ga cía, Ba le & Klei gen,
2007:219) e que consis e na li e ges ão das línguas e mo imen ação en e elas, em cada
momen o, de aco do com o g au de p o iciência linguís ica dos alan es no con ex o
especí ico, em unção das in enções de comunicação e de au o-iden i icação e do ipo de
negociação a es abelece no diálogo com os ou os».
Es e concei o em-se e elado, po an o, algo di ícil de de ini . T a a-se de um
concei o con o e so e não há consenso quan o a um concei o que possa se gene alizado.
Tal como a i ma Lengyel (2001), o bilinguismo não oco e de uma o ma uni o me, azão
pela qual não há uma só de inição uni e sal que possa se acei e. O ac o de coexis e em
duas línguas nes a si uação é o único aspe o comum em odas as de inições.
Rela i amen e a e ei os de in e e ência que podem oco e no bilinguismo,
Mackey (1962) ap esen a-nos di e sos ipos – cul u al, semân ica, lexical, g ama ical e
onológica. No que diz espei o a in e e ências g ama icais, o au o inclui ês
pa âme os: a in odução no discu so de alan es bilingues de unidades e es u u as de
pa es de ou a língua, as ca ego ias g ama icais e as o mas uncionais.
No caso da in odução no discu so de unidades e es u u as de pa es de ou as
línguas, dá-se o exemplo de um alan e pode “c ia ” no os i ens. Quando se ou e um
alan e bilingue ancês-inglês dize algo como Je n’ai pas pu le con ac e , e i ica-se
que o mesmo es á a c ia um no o e bo que ans e e da língua inglesa a a és de uma
ase como I wasn’ able o con ac him. Rela i amen e às ca ego ias g ama icais, em-se
como exemplo a ca ego ia do géne o que acilmen e pode se con undida. Quan o às
o mas uncionais, incluem-se unidades como p eposições, conjunções ou de e minan es,

6
po exemplo. Mackey (1962) e e e que acilmen e se egis am e ei os de ans e ência
quando as duas línguas adqui idas pelo alan e bilingue ap esen am di e enças a ní el de
ma cação, como o caso da ma cação de classes dos nomes pelos de e minan es em
bilingues ancês-inglês.
No en an o, con a iamen e a es es, há ou os au o es que apon am pa a di e sos
ipos de bilinguismo.
Segundo Muñoz (2011), exis e uma di e ença cla a en e bilinguismo simul âneo
e bilinguismo consecu i o. O p imei o ca ac e iza-se po uma aquisição das duas línguas
desde o momen o do nascimen o ou numa idade que não ul apasse os dois anos de idade
e que oco e, habi ualmen e, quando o pai e a mãe alam com a c iança em línguas
dis in as. O segundo co esponde a uma aquisição de uma das duas línguas a é aos qua o
anos, ap oximadamen e. Assim, a segunda língua se ia adqui ida numa ase pos e io em
que a c iança já em conhecimen os básicos e undamen ais da p imei a língua.
Assim, uma ez que as c ianças bilingues simul âneas são expos as a mais do que
uma língua du an e os p imei os anos de ida, êm, no o al, menos exposição a cada uma
delas do que as c ianças monolingues (Pa e son, 2002).
No que diz espei o a concei os como o bilinguismo ideal e o bilinguismo pa cial,
sabe-se que o segundo é aquele que se encon a em alan es que comp eendem e alam
ambas as línguas, ha endo uma que sob essai, is o é, que é p edominan e, enquan o que
o bilinguismo ideal passa po aqueles que con olam ambas as línguas ao ní el de alan es
na i os (Romaine 1989).
Dois ou os ipos de bilinguismo abo dados po Edwa ds (1992) co espondem a
bilinguismo adi i o – quando, ao adqui i uma segunda língua, es a é “adicionada” ao
epo ó io linguís ico do alan e - e bilinguismo sub a i o – quando a segunda língua
adqui ida subs i ui a p imei a língua ou az com que haja uma pe da de compe ências na
mesma. Segundo o au o , es es ipos de bilinguismo en ol em ques ões de
“ alo /impo ância” pa a o alan e. Assim, enquan o no p imei o caso ambas as línguas
são enca adas como igualmen e impo an es e endo a mesma u ilidade pa a o alan e, o
bilinguismo sub a i o já sob e alo iza uma delas, o que az com que haja uma cla a
p edominância de uma sob e a ou a.
7
No que diz espei o à dis inção en e bilinguismo p imá io e secundá io, a
dis inção co esponde ao ac o de o p imei o se e e i à aquisição da língua de uma o ma
na u al e espon ânea, enquan o o segundo co esponde a uma u ilização de mé odos de
ensino o mais e de o mas menos na u ais.
2.2. Aquisição bilingue
Aos olhos de au o es como Wein eich (1953), a al e nância en e línguas
deco en e do bilinguismo é enca ada como um a o nega i o pelo ac o de nos
depa a mos com possí eis in e e ências que, consequen emen e, pode ão des a o ece a
compe ência em alguma das línguas.
No en an o, Ronja (1913) encon ou semelhanças en e a aquisição de mais do
que uma língua po pa e de bilingues simul âneos e a aquisição monolingue. De um modo
ge al, na á ea da li e a u a dedicada à in es igação linguís ica que se cen a na aquisição
mul ilingue, em-se indo a e i ica um consenso no que diz espei o à capacidade que
uma c iança bilingue em de dis ingui as suas línguas desde cedo e de pode i a a ingi
um conhecimen o g ama ical igual ao de c ianças monolingues (Meisel 1989; Köppe
1997). No en an o, embo a os dois sis emas linguís icos possam se dis inguidos
p ecocemen e, exis e a hipó ese que de ende que o desen ol imen o g ama ical de uma
das línguas pode se , e e i amen e, in luenciado pela ou a (Mülle & Hulk 2001).
Inúme os es udos de endem a ideia de que, na aquisição bilingue, ce os domínios
g ama icais são mais ulne á eis à oco ência de in e e ências do que ou os. No pon o
de is a de Mülle & Hulk (2001), as á eas es u u ais mais sensí eis a p ocessos de
ans e ência de uma língua pa a a ou a ca ac e izam-se po se encon a em si uadas em
zonas de in e ace onde se cons a a uma in e ação en e módulos g ama icais e módulos
ex ag ama icais – sin axe e p agmá ica, po exemplo – e po ap esen a em uma ce a
“ambiguidade” es u u al. Assim sendo, se hou e uma es u u a susce í el de
co esponde a mais do que uma análise g ama ical na língua A e se na língua B hou e
e idência ampla pa a uma das análises, isso pode á condiciona a análise que a c iança
az na língua A.
No que diz espei o a enómenos que en ol em a in e ace sin axe-discu so,
ambém se pode e i ica uma g ande ulne abilidade du an e o p ocesso de aquisição de
uma língua, o que az com que haja a possibilidade de su gi em “ ans e ências” de uma
língua pa a a ou a (Pa adis & Na a o 2003; Se a ice, So ace & Paoli 2004).
8
So ace (2004) p opõe, a a és da Hipó ese de In e ace, que é mais complexo
adqui i p op iedades que es ejam na in e ace en e a sin axe e ou os domínios do que
p op iedades es i amen e sin á icas. A hipó ese p e ende explica di e gências en e
bilingues e monolingues no que diz espei o a es u u as de in e ace. No en an o, á ias
pesquisas êm indo a con es a es a hipó ese, indicando que essas di e gências en e
monolingues e bilingues não podem se jus i icadas apenas com base em ques ões
elacionadas com a p esença de in e aces (Bohnacke 2007; Cuza 2012).
E ei os de ans e ências de uma língua pa a a ou a podem oco e em qualque
sen ido ou mesmo em simul âneo e ambém se conside a a hipó ese de uma língua pode
in luencia a elocidade de aquisição da ou a, deixando em abe o o ac o de se pode
da uma acele ação ou um a aso (Pa adis & Genesee 1996).
Flo es (2011) apon a aspe os elacionados com a exp essão do sujei o e do obje o
como os mais es udados no âmbi o da aquisição bilingue e az e e ência às di iculdades
na ealização do sujei o numa língua [+] p o-d op quando a ou a língua que os alan es
dominam é [-] p o d op, is o que a endência é pa a gene aliza a ealização oné ica do
sujei o na língua de sujei o nulo. Es e ac o e ela que a língua [-] p o-d op em uma cla a
in luência sob e a língua [+] p o-d op. T a a-se, assim, de um exemplo de uma in luência
unidi ecional.
Ainda ela i amen e a es e pon o que en ol e ce os domínios linguís icos,
suge e-se que há e ei os de pe il, is o é, c ianças que po si só pode ão se mais a ançadas
numa á ea do que nou a, e es es podem se signi ica i os. Assumindo es a possibilidade,
uma c iança pode á não es a a consegui con ola ce os aspe os numa dada língua não
po in luência de ou a língua, mas po que ela mesma ap esen a mais di iculdades em
de e minado domínio linguís ico. No en an o, e ão de se ei as mais in es igações pa a
sabe se e ei os de inpu su gem de modo semelhan e em di e en es domínios (Unswo h
2016).
Fa o es ex alinguís icos como a quan idade e o ipo de con ac o e elam-se
undamen ais no p ocesso de aquisição e da e enção de uma língua e das suas
compe ências po pa e de alan es bilingues (So ace e Se a ice 2009). Se uma c iança
bilingue, em ase de aquisição, es i e conside a elmen e menos expos a a uma língua,
não desen ol e á, à pa ida, uma compe ência ão es á el na língua menos usada como a
que i á a desen ol e naquela cuja exposição é supe io .
9
O es udo de Chan (2010), po exemplo, demons a uma maio di iculdade po
pa e das c ianças bilingues can onês-inglês no uso de cons uções de duplo obje o com
um dos e bos da língua can onesa do que po pa e de c ianças monolingues can onês e
jus i ica es e ac o po o inpu das p imei as se in e io ao das segundas.
Thomas e al. (2014) es uda am a aquisição da mo ologia de plu al no galês e
e i ica am que as c ianças bilingues que inham a língua inglesa como única língua em
con ex o amilia , aos 11 anos de idade, ainda es a am a en a u iliza co e amen e as
o mas, con a iamen e às que inham ido con ac o apenas com a língua galesa em casa.
Os mesmos au o es chega am ainda a e i ica que mesmo os adul os que c esce am com
ambas as línguas desde o nascimen o não e am ão p ecisos quando u iliza am a
mo ologia do plu al como os que c esce am apenas com o galês em casa e adqui i am o
inglês mais a de. Assim, Thomas e al. (2014) e e em que pa a enómenos mais
complexos como es e – mo ologia do plu al na língua galesa – a exposição à língua desde
o nascimen o pode se insu icien e pa a que haja uma aquisição comple a, endo em con a
que os e ei os de inpu eduzido pa ecem p olonga -se.
A quan idade de inpu a que uma c iança é expos a é, assim, ex emamen e
ele an e no âmbi o da aquisição bilingue. É mui o di ícil que uma c iança enha
exa amen e a mesma quan idade de inpu pa a ambas as línguas. Des e modo,
ine i a elmen e, a c iança es a á mais expos a a uma língua do que a ou a.
No en an o, e al como já oi e e ido acima, ainda que a c iança enha uma língua
com ní eis de p o iciência mais baixos, ela em a capacidade de iguala o seu
conhecimen o g ama ical ao de c ianças monolingues. Assim sendo, embo a a exposição
a uma de e minada língua po pa e de c ianças bilingues seja in e io à dos monolingues,
mui as dessas c ianças bilingues são capazes de desen ol e sis emas linguís icos
idên icos aos dos monolingues, em pelo menos uma língua (MacLeod e al. 2011,
Schau eli 1992) ou a é em ambas as línguas (Mack 2003, Fabiano Smi h & Golds ein
2010).
No e-se que, embo a o g au de aquisição de uma língua po pa e de uma c iança
bilingue enha ap esen ado uma elação com a quan idade de inpu a que as c ianças es ão
expos as, o es udo de Pa adis (2011) não encon ou uma elação en e a quan idade de
inpu e os esul ados na língua que as c ianças es a am a adqui i , suge indo-se que a
esponsabilidade pode ia ecai numa baixa p o iciência de ce os alan es esponsá eis
10
po esse mesmo inpu . Assim, não é apenas a quan idade que em ele ância em e mos
de aquisição, mas ambém a qualidade, o nando-se e iden e que um adul o que enha um
ní el de p o iciência ele ado numa língua o nece á um melho inpu pa a a c iança, o
que acili a o p ocesso de aquisição (Ho e & Co e 2013).
A in e ação é um aspe o que em indo a se elacionado com o inpu . A hipó ese
de in e ação de Long (1983, 1985, 1996) deb uça-se sob e a impo ância do discu so no
desen ol imen o g ama ical e do inpu como condição undamen al pa a a aquisição de
uma L2. Es e au o de ende que a in e ação acili a a aquisição, is o que odo o conjun o
de modi icações linguís icas que ão oco endo ao longo do discu so ai desencadea o
inpu necessá io.
Nes e con ex o de aquisição bilingue, é igualmen e impo an e e e i aspe os
elacionados com o ag egado amilia e com o es a u o da língua.
O ac o de uma c iança, em idade p é-escola , se o na bilingue ou
p edominan emen e alan e monolingue da língua maio i á ia es á o emen e associado
à quan idade de inpu que ecebe em con ex o amilia e com o es a u o da/s língua/s o a
de casa. (MacLeod e al. 2013) Assim, o ac o de se c esce num ambien e bilingue não
de e mina que a c iança se o ne bilingue em idade escola . Mui as delas o nam-se
luen es na língua maio i á ia e e êm apenas um conhecimen o passi o da ou a língua
(Wong-Fillmo e 1991).
De modo a en a ob e a mesma quan idade de inpu de cada uma das línguas no
p ocesso de aquisição, ala-se na ecomendação da u ilização do sis ema “one pa en -one
language”, mas não há e idências de que possa se su icien e. Embo a não abo de
ques ões sin á icas, mas de ca ac e lexical, o es udo de MacLeod e al. (2013) eio indica
que es a suges ão pode mesmo se insu icien e pa a assegu a uma exposição igualmen e
consis en e pa a duas línguas no desen ol imen o da linguagem po pa e de bilingues
simul âneos. O es udo demons ou que, mesmo nes es con ex os, a exposição a cada uma
das línguas pode se desequilib ada e, consequen emen e, uma das línguas acaba po
e ela desen ol imen os a dios.
Os mesmos au o es indicam que pode á se impo an e que as c ianças ecebam o
inpu da língua mino i á ia, em casa, po pa e de ambos os pais, já que, o a de casa, a
exposição à língua maio i á ia é conside a elmen e supe io . No en an o, de um modo
ge al, não se sabe ao ce o qual é a quan idade de inpu da língua mino i á ia que uma

11
c iança p ecisa de ecebe pa a se o na bilingue e não apenas alan e monolingue da
língua maio i á ia. Além disso, embo a a p esença da língua mino i á ia, em con ex o
amilia , possa se mui o impo an e no p ocesso de aquisição, es e ac o não ga an e o
con ínuo desen ol imen o linguís ico, uma ez que ou os a o es de ca á e social ou
educacional podem se mais ele an es (Sheng, Lu & Kan 2011).
Long (1996) ambém não é a a o da ideia one pa en -one language e a gumen a
que a sepa ação do inpu , nes es casos, pode se esponsá el pela c iação de um ambien e
socialmen e an ina u al pa a o uso da linguagem e, consequen emen e, es e ac o pode á
le a a uma alha na aquisição de compe ências em á eas da p agmá ica po pa e das
c ianças bilingues.
Pa a além dos mo i os e e idos acima, pa a Flo es e al. (2016), c ianças com
ag egados amilia es “mis os”, is o é, com mais do que uma língua em casa, pode ão
ap esen a uma maio endência pa a adqui i mais len amen e uma língua do que aquelas
que êm con ac o apenas com uma.
Embo a a exposição a ambas as línguas possa não se consis en e, possa ha e um
ambien e socialmen e an ina u al pa a o uso da linguagem e a aquisição de cada língua
possa se mais len a, o sis ema “one pa en -one language” pode á ajuda no
desen ol imen o bilingue, uma ez que pe mi e à c iança di e encia , desde cedo, as duas
línguas que ou e, pois em de sepa a o inpu que é dado pelos pais. Genesee e al. (1995)
elabo a am um es udo que demons ou que c ianças bilingues inglês- ancês, com idades
comp eendidas en e os 1;10 e 2;2 anos, escolhiam a língua inglesa pa a se di igi em à
mãe e a ancesa pa a o pai - is o se , espe i amen e, a língua que cada um ala a -
demons ando, pa a além disso, compe ência em ambas as línguas.
Nes a si uação que eme e pa a cada um dos pais ala a sua p óp ia língua,
ge almen e, uma delas é a social ou maio i á ia e co esponde ao caso p o o ípico de
c ianças bilingues simul âneas. Pelo con á io, no caso de c ianças bilingues
consecu i as, habi ualmen e, ambos os pais alam a língua mino i á ia em casa. No
en an o, is o não in alida que um deles não possa op a po ala a língua maio i á ia em
casa ambém. Pa a além des a possibilidade, a en ada da língua maio i á ia – ou social –
em casas de c ianças bilingues ambém se pode e i ica a a és de i mãos (Unswo h
2016).
12
An es de abo da a impo ância que os i mãos podem e no inpu da c iança, no e-
se que há ce os es udos – Phillips 1973; Snow 1977 - que apon am di e enças en e a
in e ação ma e na e pa e na com os ilhos.
O mo he ese – ipo de discu so u ilizado pelas mães com a c iança – em a unção
de en ol e a c iança na in e ação, de modo a consegui comunica melho com a mesma,
e é enca ado como um ipo de inpu ca ac e ís ico da ala das mães que, po se sensí el
ao ní el linguís ico do ilho, p ocu a i ao encon o das suas capacidades sociais e
cogni i as, assim como dos seus in e esses (Pine 1994). Segundo Lie en (1994), es e ipo
de discu so – o mo he ese – es á associado a a o es cul u ais, uma ez que nem semp e
é a mãe quem em o papel de cuida da c iança nos p imei os anos de ida. O mo he ese
é u ilizado po qualque pessoa que se encon e a exe ce a unção ma e na.
As mães, de um modo ge al, endem a u iliza p ocedimen os que acili am a
comp eensão – en a iza pala as essenciais, diminui a elocidade da ala, epe i o que
disse am pa a que a c iança en enda melho -, u ilizam um ipo de discu so sin a icamen e
simples e endem a p oduzi ases e e en es ao momen o a ual – conjugação do empo
p esen e, e e ência a obje os ou a i idades habi uais e con ínuas (Snow 1977). McCabe
& Pe e son (1991) enca am a elabo ação de ques ões – ou a es a égia habi ual no
discu so das mães - como algo que in luencia a c iança a elabo a p oduções mais longas
e coe en es, pa a além de se uma o ma de passa a pala a pa a o ilho.
O es udo de Fago & Hagan (1991), ealizado com quase 300 c ianças numa aixa
e á ia dos 18 meses aos 5 anos, mos ou que discu sos, po pa e das mães, que con enham
epe ições e e o mulações dos enunciados são mo i ado es, já que es imulam a
comunicação com a c iança. Especi icamen e em elação às e o mulações, Nelson
(1977) compa ou dois g upos de c ianças – um que inha sido expos o a uma quan idade
signi ica i a de e o mulações e ou o que não es e e expos o a nenhuma e o mulação –
que ou i am exa amen e a mesma quan idade de discu so e e i icou que as que es i e am
sujei as a e o mulações usa am o mas mais complexas nas ases ao longo do es e do
que as do ou o g upo.
Segundo Glei man e al. (1984), es e ipo de discu so exe ce um papel ele an e
na aquisição da linguagem, sob e udo na á ea da sin axe. Pa a Con i-Ramsden (1990), a
ausência de e o mulações po pa e das mães chega mesmo a se apon ada como um dos
a o es esponsá eis pelo a aso na ala das c ianças.
13
Des e modo, e i ica-se que o p imei o oco de a enção da c iança, a ní el da
linguagem, é, eg a ge al, a mãe – ou quem que que es eja a oma esse luga -, o que az
com que es a exe ça uma in luência p i ilegiada no desen ol imen o da linguagem.
Embo a não haja mui os es udos sob e a in luência dos i mãos na aquisição e
desen ol imen o da linguagem em c ianças bilingues, sabe-se que es es ambém pode ão
se impo an es. Os i mãos mais elhos de em se enca ados não só como on es de inpu ,
mas ambém como po enciais agen es de mudança da linguagem po pa e de ou os
memb os da amília, endo em con a o es udo de B idges & Ho (2014), com c ianças
bilingues espanhol-inglês esiden es nos Es ados Unidos, que e i icou que aquelas que
inham i mãos mais elhos a equen a uma escola de língua inglesa inham mais inpu
dessa mesma língua em casa – não só po pa e dos p óp ios i mãos, mas ambém das
mães – do que c ianças sem i mãos ou com i mãos mais no os que ainda não es i essem
em idade escola .
O inpu pode ambém p o i de ou os g upos o a do con ex o amilia , como os
colegas de escola. Es udos como os de Jia & Fuse (2007) êm demons a que a in luência
po pa e dos colegas pode se impo an e não só na língua mino i á ia, como na
maio i á ia.
Assim, as on es de inpu podem se á ias, ha endo alguns casos em que são
es i as a apenas um conjun o de pessoas ou a um luga . Rela i amen e a es e ema, ce os
es udos demons a am que ou i uma língua po pa e de alan es na i os di e en es é
mais a o á el pa a o desen ol imen o da mesma do que se a c iança es i e semp e
expos a ao mesmo núme o de alan es e du an e o mesmo núme o de ho as, is o é, a
mudança de con ex o em que es á expos a a uma língua ( an o a ní el de alan es como
de locais ou a é de ho as especí icas) acili a a aquisição de uma língua compa a i amen e
com aqueles que a adqui em apenas a a és de de e minados alan es a uma ho a do dia
especí ica e num local habi ual (Place & Ho 2011).
A ideia que, no ge al, é de endida em es udos da á ea é que as c ianças êm de
ecebe inpu su icien e e consis en e, assim como p ecisam de es a sujei as a uma
in e ação em cada uma das línguas ambém ela su icien e e consis en e, pa a que possam
u iliza cada uma, demons ando uma aquisição comple a, embo a a ideia de su icien e,
no que diz espei o ao inpu e a in e ações, seja algo que ainda es á po de ini (Unswo h
2016).
14
Impo a ambém e e i que an o pa a c ianças monolingues como bilingues, o
pe íodo desde o nascimen o a é aos cinco anos de idade se e ela undamen al, uma ez
que a linguagem a que as mesmas são sujei as du an e es e empo pa ece se a mais
de e minan e (Ho e & Co e 2013).
2.3. Complemen o di e o p eposicionado em espanhol ibé ico
O complemen o di e o p eposicionado é um enómeno linguís ico que oco e em
algumas línguas como o espanhol, o omeno, o u co ou o pe sa e consis e na ma cação
dos complemen os di e os– no caso da língua espanhola, a ma ca é a p eposição a. Há
complemen os di e os que são ma cados a a és dessa p eposição (1a) e ou os que não
são (1b), não sendo alea ó ia a oco ência ou ausência da mesma.
(1) a. Ma ía io al niño es a mañana. (Chamo o, S u & So ace 2015: 108)
“A Ma ia iu o menino es a manhã.”
b. Juan des uyó la ciudad. (Rod íguez-Mondoñedo 2008: 113)
“O Juan des uiu a cidade.”
Na língua espanhola, a oco ência da p eposição a dá-se em inúme os con ex os e
não apenas nos que en ol em o complemen o di e o p eposicionado, sendo di ícil
p ecisa odos os a o es sin á icos, semân icos e discu si os que podem in e i . Também
é possí el encon a es a p eposição an es de complemen os indi e os como ma ca de
da i o:
(2) Juan en ió lo es a Ma ía. (Ticio & A am 2015: 385)
“O Juan en iou lo es à Ma ia.”
No e-se que os obje os di e os e indi e os são es u u almen e idên icos po se em
a gumen os não sujei os - di ec and indi ec objec s a e s uc u ally simila in being
non-subjec a gumen s (Aissen 2003:11) - e que os complemen os indi e os são, na sua
maio ia, humanos ou animados e de inidos, sendo es as p op iedades semân icas que
a o ecem a oco ência do complemen o di e o p eposicionado, al como se desc e e á
de seguida (Aissen 2003).
Haspelma h (2008:2) enca a o enómeno do complemen o di e o p eposicionado
como uma di e ença na o ma de ma cação do caso explíci o que depende de p op iedades
21
que deno am algo que ai oco endo po “ ases”, sem um limi e ob iga ó io) e es ados
( e bos como conhece , que não são sujei os a pe íodos de mudança enquan o deco em,
ou seja, a ação não ai so endo ans o mações – quem conhece, conhece semp e) – são
a élicos. Assim, az-se es a di isão, is o que e bos in eg ados no g upo dos élicos
p essupõem um pon o inal no que diz espei o ao empo, con a iamen e aos que
encon amos no g upo dos a élicos.
Com base nes a di isão, o e bo embo acha enquad a-se no g upo dos élicos
e, ao se classi icado como al, o seu complemen o é ma cado com a p eposição a,
independen emen e de o sujei o se [+animado] ou [-animado], al como em (19).
Se se i e em con a os ou os ipos de e bos – a élicos (18) -, e i ica-se que a
oco ência da p eposição a es á dependen e da animacidade do sujei o. Assim, em e bos
como conoce , a p esença da p eposição a é ob iga ó ia pe an e um sujei o com o aço
[+animado] – Inés conoce a a ios a is as -, con a iamen e aos casos em que o sujei o
não é animado, já que a oco ência da p eposição, nes es con ex os, o igina á uma
es u u a ag ama ical – El cine conoce (*a) a ios a is as.
Ainda ela i amen e à elicidade dos e bos, To ego (1999) chama a a enção pa a
o ac o de a p eposição a pode al e a ce os aspe os semân icos dos e bos ela i os a
a i idades – insul a , beija – ou es ados – conhece . Assim, a oco ência da p eposição
ai ans o ma os e bos a élicos em élicos ( eja-se os exemplos em (20) e (21)).
(20) a. Besa on {a/Ø} un niño. (To ego 1999:1788)
“Beija am um apaz” (=um apaz em especí ico) / “Beija am um apaz” (=um apaz
qualque ).
b. Conoció {a/Ø} un músico de jazz. (To ego 1999: 1788)
“Conheceu um músico de jazz” (=um músico em especí ico) / “Conheceu um
músico de jazz” (=um músico de jazz qualque ).
(21) a. Besa on {a/*Ø} un niño en un segundo. (To ego 1999:1788)
“Beija am um apaz num segundo”.
b. Conoció {a/*Ø} un músico de jazz en una ho a. (To ego 1999:1788)
“Conheceu um músico de jazz numa ho a”.

22
No e-se que a in odução de exp essões ad e biais como en un segundo ou en una ho a,
eme em pa a a du ação do momen o em que a ação deco eu.
C) O ac o de o complemen o se a e ado pela ação exp essa pelo e bo.
(22) a. El policía io (a) un delincuen e. (Guija o-Fuen es & Pi es 2015:13)
“O policía iu um delinquen e”.
b. El policía golpeó *(a) el delincuen e. (Guija o-Fuen es & Pi es 2015:13)
“O policía a acou o delinquen e”.
Nos exemplos e e idos acima, a oco ência da p eposição é condicionada pelo
ac o de o obje o se ou não a e ado pela ação deno ada pelo e bo, is o é, quando se
e i ica que o complemen o so eu uma mudança de es ado – ísica ou psicológica –
deco en e da ação do p edicado, conside a-se que o obje o oi “a e ado” e, po an o, há
a necessidade da inse ção da p eposição (22b). Pelo con á io, quando o obje o não oi
“a e ado”, não é necessá ia a oco ência da p eposição a (22a). No e-se, no en an o, que
o complemen o é inde inido em (22a) – a en e-se pa a a endência pa a a opcionalidade
da p eposição com complemen os di e os inde inidos – e de inido em (22b).
As ag ama icalidades na es u u a do complemen o di e o p eposicionado não são
consensuais en e au o es. Embo a enhamos is o que, endo em con a ce os aspe os
como os e e idos acima – animacidade (en ol endo os aços [+/- humano] ou apenas
[+/- animado]) ou especi icidade, po exemplo -, a p eposição é exigida ou não é
pe mi ida (Leone i 2003), ou os au o es de endem uma e cei a hipó ese – a da
opcionalidade. Des e modo, passamos a e con ex os em que a p eposição a é exigida,
ou os em que não é pe mi ida e ou os em que é opcional (Aissen 2003; Guija o-Fuen es
2012). Es a e cei a ca ego ia aplica-se a complemen os di e os especí icos e animados
não humanos, po exemplo.
A igu a seguin e, elabo ada po Aissen (2003), ap esen a-nos uma escala de
ma cação dos complemen os di e os com base em dimensões de animacidade e
de ini ude.
23
Mos ma ked o objec s

Human P onoun
Human PN Anima e P onoun
Human De ini e Anima e PN Inanima e P onoun
Human Speci ic Anima e De ini e Inanima e PN
Human Non-Speci ic Anima e Speci ic Inanima e De ini e
Anima e Non-Speci ic Inanima e Speci ic
Inanima e Non-Speci ic

Leas ma ked o objec s
Figu a 1 – Ma cação ela i a segundo os aços de animacidade e de ini ude (Aissen 2003: 457)
Com base na igu a de cima, Aissen (2003) a i ma que a zona supe io do esquema
co esponde aos obje os ob iga o iamen e ma cados, a zona in e média àqueles cuja
ma cação é enca ada como opcional e, po im, a zona mais abaixo aos que ejei am a
oco ência da p eposição a.
No caso do espanhol, a opcionalidade dá-se com obje os com os aços de [+
animado][- humano] e [+ de inido] e ambém com obje os humanos inde inidos. O ac o
de o e bo do p edicado se élico ou a élico é ele an e na oco ência da p eposição com
obje os humanos inde inidos (To ego 1998).
Aissen (2003) apon a a si uação do complemen o di e o p eposicionado no
espanhol mode no como algo complexo, omando como ce o que a oco ência da
p eposição é, essencialmen e, ob iga ó ia com obje os humanos especí icos de inidos e
inde inidos.
De um modo ge al, e i ica-se que quan o meno é a animacidade e a
especi icidade de ce os sin agmas, meno é a endência pa a a ma cação do complemen o
di e o. Vejam-se os seguin es exemplos:
(23) Te buscaba *(a) i.
“P ocu a a- e a i”.
(24) Buscaba *(a) mi he mano.
24
“P ocu a a o meu i mão”.
(25) Buscaba (a) un olun a io.
“P ocu a a um olun á io”.
(26) Buscaba (a) olun a ios.
“P ocu a a olun a ios”
(27) Buscaba (*a) mi chaque a.
“P ocu a a o meu casaco”.
(Oli a 2015:3)
Nos dois p imei os casos (23) (24), an o o aço [+animado] como o [+especí ico]
são o emen e e iden es, pelo que a oco ência da p eposição não pode se dispensada a
im de ga an i a g ama icalidade da ase. Já nos dois casos seguin es (25) (26), podemos
e mais do que uma in e p e ação, especí ica ou não especí ica, dependendo da
oco ência ou ausência do a, espe i amen e. Assim, is o que há mais do que uma lei u a,
ambas as si uações são possí eis sem ge a es u u as ag ama icais. Podemos enca a o
complemen o un olun a io / olun a ios como e e indo-se a alguém já conhecido ou
alguém que se que e e i especi icamen e – buscaba a un olun a io / a olun a ios –
ou podemos enca á-lo como alguém inespecí ico, is o é, um olun á io qualque –
buscaba un olun a io/ olun a ios. Po im, no úl imo caso (27), dá-se uma
impossibilidade da p esença de um obje o di e o p eposicionado, uma ez que es e
e e en e é cla amen e inanimado – no e-se que Buscaba a mi chaque a se pode ia o na
g ama ical em con ex os mui o pon uais, como em casos em que lhe a ibuíssem aços
de animacidade (con ex os li e á ios, po exemplo).
Os casos de a iabilidade, al como se e i icou, não são poucos e não exis e uma
eo ia ge al que possa da con a de odos os casos que exigem ca ego icamen e uma ou
ou a hipó ese e ambém dos que admi em ambas, o que o na a explicação de con ex os
de complemen o di e o p eposicionado um pouco complexa.
2.4. Complemen o di e o p eposicionado em po uguês eu opeu
25
Con a iamen e ao que oco e na língua espanhola, a oco ência do obje o di e o
p eposicionado na língua po uguesa é mui o pon ual, limi ando-se a o mas que se
podem conside a ixadas.
Segundo Cunha & Cin a (1986), es a oco ência pode á su gi com e bos que
exp imem sen imen os (28), pa a e i a ce as ambiguidades (29) ou quando é an epos o
(30):
(28) Só não ama a a Jo ge como ama a ao ilho. (A cos 1974, apud Cunha & Cin a
1986: 143)
(29) Sabeis, que ao Mes e ai ma á-lo. (Mesqui a 1892, apud Cunha & Cin a 1986: 143)
(30) a. A médico, con esso e le ado nunca enganes. (Cunha & Cin a 1986:143)
b. A homem pob e, ninguém oube. (Cunha & Cin a 1986:143)
O obje o di e o, em po uguês eu opeu, é ob iga o iamen e p eposicionado apenas
quando se encon a exp esso po um p onome pessoal oblíquo ónico:
(31) Não a i, C is o, odeio ou e não que o. (Pessoa 1960, apud Cunha & Cin a 1986:
143)
(32) Rubião iu em duas osas ulga es uma es a impe ial, e esqueceu a sala, a mulhe e
a si. (Assis 1959, apud Cunha & Cin a 1986: 143)
No malmen e, quando se es á pe an e es u u as ligadas a e bos como ado a ,
ama , bendize ou es ima , a p eposição a con ida no complemen o di e o em como
p incipal unção a ên ase de um cons i uin e:
(33) Os c en es amam a Deus.
(34) Es ima mui o aos eus pais.
(Cas elei o 2007)
Conside a-se, assim, que na língua po uguesa não se e i ica uma es a égia
sis emá ica de ma cação de complemen o di e o a a és de p eposição; com exceção dos
complemen os p onominais, os complemen os di e os p eposicionados em po uguês
co espondem a es u u as ma cadas es ilis icamen e.
2.5. Aquisição do complemen o di e o p eposicionado
26
2.5.1. Aquisição monolingue
O es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008) mos a que a aquisição do obje o
di e o p eposicionado se dá mui o p ecocemen e em c ianças monolingues – an es dos
ês anos de idade. Ao analisa dados de p odução espon ânea e longi udinais de seis
c ianças com idades comp eendidas en e os 0;9 e 2;11, o au o e i icou que as mesmas
p oduzi am um núme o de e os signi ica i amen e baixo – 6 ela i os à inse ção da
p eposição a em con ex os que não o pe mi iam e 10 e os de omissão pe an e
complemen os animados e especí icos nos quais a oco ência da p eposição e a
ob iga ó ia -, endo ob ido uma axa de ace os de 93,38%.
Pe an e es es esul ados, a aquisição do obje o di e o p eposicionado não pa ece
le an a p oblemas no que diz espei o a c ianças monolingues.
Es e es udo se iu ambém pa a ques iona ainda a p opos a de Aissen (2003)
ela i amen e às escalas en ol idas – animacidade e de ini ude – na aquisição do
complemen o di e o p eposicionado. Pa a Rod íguez-Mondoñedo, es a eo ia supõe que
uma c iança não em uma g amá ica p é-es abelecida, mas que, du an e as ases iniciais
de aquisição, ai acolhe duas g amá icas di e en es e, pos e io men e, descob e a
g amá ica adequada – algo que o au o conside a mui o imp o á el.
Assim, no seu es udo, deixou de pa e os con ex os apon ados como opcionais po
Aissen (2003) – como aqueles que en ol em complemen os di e os com os aços [-
humano] [+ animado] -, analisando g ama icalidades e ag ama icalidades em con ex os
como [+ animado] [+ especí ico], [+ animado] [- especí ico] (nes es dois casos, o aço
[+ humano] es a a semp e p esen e), [- animado] [+ especí ico] e [- animado] [-
especí ico].
Abo dando os esul ados do es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008) de um modo
mais ap o undado, cons a amos que a p imei a c iança p oduziu dois e os de omissão e
dois usos ag ama icais do uso da p eposição a, em 441 complemen os di e os p oduzidos;
a segunda c iança p oduziu se e e os de omissão e comissão (is o é, in odução da
p eposição em con ex os não exigidos) da p eposição a, em 335 complemen os di e os
p oduzidos; a e cei a c iança apenas p oduziu um e o em 45 complemen os di e os
p oduzidos; a qua a c iança ap esen ou qua o e os num o al de 169 complemen os
di e os. As ou as duas c ianças não p oduzi am ases nas quais se e i icasse a p esença

27
do complemen o di e o p eposicionado, embo a se enha e i icado a oco ência de ases
com complemen os não ma cados em que a p odução de e os oi nula.
Pa a o au o , os esul ados ob idos não con i mam a p opos a de Aissen (2003),
uma ez que o modelo eó ico OT (Op imali y Theo y), assumido pela au o a na aquisição
do complemen o di e o p eposicionado, não mos ou e idências nos esul ados. Es e
modelo eó ico le a ia à conclusão de que a c iança i ia desen ol e um núme o de
g amá icas di e en es da g amá ica al o, an es da aquisição inal das es ições, o que
le a ia a que as c ianças come essem ag ama icalidades du an e o seu desempenho, o que
não se e i ica, endo em con a a idade p ecoce em que u ilizam a es u u a e o uso
p a icamen e sem e os com complemen os di e os animados. O au o ac escen a que os
poucos e os encon ados não es ão ligados a uma al a de conhecimen o das c ianças
sob e a co e a aplicação da es u u a.
Rela i amen e a es e aspe o, Ticio & A am (2015) indicam que o es udo de
Rod íguez-Mondoñedo (2008), embo a seja longi udinal, não mos a se, ao longo da
aquisição do complemen o di e o p eposicionado, as c ianças ma cam alguns ipos de
complemen os mais p ecocemen e do que ou os (Ticio & A am 2015:390).
Es e é o único es udo e e ido na li e a u a ela i amen e a es e enómeno
linguís ico pa a c ianças monolingues de espanhol e, ela i amen e à capacidade de
usa em a es u u a em p odução espon ânea, os esul ados são cla os.
Ticio & A am (2015), mais a de, elabo am um es udo com c ianças
monolingues em duas línguas di e en es – o espanhol e o omeno -, con as ando o seu
desempenho ela i amen e à aquisição do enómeno.
O obje i o do es udo – análise de um co pus longi udinal de ala espon ânea - se ia
iden i ica a é que pon o as c ianças, em ase de aquisição, e le em a hie a quia das
escalas abo dadas po Aissen (2003). As c ianças espanholas do es udo, com idades
comp eendidas en e os 1;1 e os 2;5 anos de idade, ie am a con i ma o su gimen o
p ecoce do uso do complemen o di e o p eposicionado, mos ando ma ca os obje os
co e amen e, de aco do com as es ições semân icas que a língua exige. O mesmo
oco eu com as c ianças omenas, uma ez que ma ca am co e amen e os complemen os,
apesa do al o g au de opcionalidade que exis e nes a es u u a, na língua omena.
Rela i amen e à animacidade, os dados mos a am uma p e e ência pela ma cação de
complemen os animados. Embo a os e ei os de animacidade sejam mais o es em
28
espanhol do que em omeno, as c ianças omenas chega am a é a ap esen a esul ados
de complemen os animados ma cados mais ele ados do que as c ianças espanholas. No
en an o, no que diz espei o à escala de animacidade - [+ humano] > [+ animado] > [-
animado] -, e i icou-se que es a o dem não se encon a espelhada na o dem de aquisição,
uma ez que as c ianças ma ca am complemen os humanos e animados não humanos
simul aneamen e, ou seja, não demons a am uma hie a quia na sua ma cação. Con udo,
as au o as chamam a a enção pa a o ac o de o co pus con e um núme o eduzido de
complemen os ma cados, de um modo ge al, e, den o des es, um núme o mui o pequeno
de obje os com os aços [- humano] [+ animado].
2.5.2. Aquisição po alan es de língua de he ança
Rela i amen e aos alan es que êm o espanhol como língua de he ança, Mon ul
(2004) elabo ou um es udo no qual in es igou a aquisição da p eposição a em bilingues
de um ní el in e médio e a ançado. Es a au o a le an ou a hipó ese de que es es alan es
e iam acilidade pe an e es u u as elacionadas com sujei os nulos e obje os clí icos. No
en an o, e iam alguns p oblemas em á eas que en ol essem ca ac e ís icas p agmá icas
de sujei os nulos e sujei os exp essos, o uso do complemen o di e o p eposicionado com
complemen os di e os animados e es ições semân icas de opicalização ou deslocação à
esque da clí ica, com base na ideia de que ce as es u u as linguís icas que pe encem a
in e aces elacionadas com a sin axe são mais di íceis de adqui i .
Após uma a e a de p odução o al que en ol ia o ela o de uma his ó ia po pa e
de alan es monolingues de di e en es países de língua espanhola e alan es de espanhol
língua de he ança de o igem mexicana esiden es nos Es ados Unidos, a hipó ese oi
con i mada, uma ez que es e úl imo g upo p oduziu p onomes de sujei o nulo e de sujei o
exp esso e demons ou domina co e amen e os clí icos acusa i os e da i os.
Rela i amen e à dis ibuição p agmá ica de sujei os nulos e exp essos, os esul ados
di e i am en e os g upos; de igual modo, oi no ó ia a in luência da língua inglesa po
pa e dos alan es de espanhol língua de he ança ela i amen e ao complemen o di e o
p eposicionado.
Assim, e i icou-se que a aquisição de es u u as que en ol em apenas a
componen e sin á ica não é p oblemá ica, mas a aquisição das que en ol em p op iedades
de uma in e ace sin axe-semân ica sim. Des e modo, o complemen o di e o
29
p eposicionado é uma das es u u as que podem desencadea p oblemas, uma ez que
en ol e a in e ace sin axe-semân ica.
Ainda na á ea dos es udos com alan es de he ança, Mon ul & Bowles (2009)
p e ende am in es iga a ex ensão da aquisição incomple a do complemen o di e o
p eposicionado po pa e de alan es de espanhol de he ança, em con as e com
monolingues. O es udo consis iu na análise de p oduções de ambos os g upos, assim como
na aplicação de um es e de acei abilidade. Os alan es de espanhol como língua de
he ança que ealiza am es e es e, com idades comp eendidas en e os 18 e os 30 anos de
idade, nasce am e esidiam nos Es ados Unidos, endo sido expos os à língua inglesa an es
dos 6 anos – no e-se que es e g upo e a compos o po alan es cujo ní el de p o iciência
em espanhol e a al o ou baixo, com base num es e ealizado p e iamen e, ou seja, não
o am pos os de lado alan es cujos ní eis de p o iciência e am in e io es. Rela i amen e
aos monolingues, com idades en e os 21 e 57 anos, i iam em Espanha, na A gen ina ou
no México.
O es e de acei abilidade aplicado con inha ag ama icalidades deco en es da
ausência da p eposição a an es de complemen os animados e especí icos (35) e em
cons uções com dois complemen os (36) e as espos as podiam se dadas numa escala de
5 alo es.
(35) *Pa icia conoce mi he mana.
(36) *Ma isa dio Ped o un egalo.
O es e de p odução o al consis iu na desc ição po meno izada de uma his ó ia
que e a ap esen ada aos pa icipan es a a és de uma sequência de imagens.
Os pa icipan es ap esen a am omissões em con ex os ob iga ó ios, mos ando um
conhecimen o incomple o da ma cação da p eposição a. Es e conhecimen o incomple o
pode á a e a p o undamen e a compe ência linguís ica dos alan es de espanhol língua
de he ança e não se apenas um p oblema de p odução o al. No e-se que, no es e de
acei abilidade, os esul ados demons a am que os alan es acei a am ases que omi iam
a p eposição com complemen os di e os animados e especí icos.
Pe an e es es esul ados, Mon ul & Bowles (2009) aplica am um no o es e de
acei abilidade que inha como obje i o e i ica se a p eposição a e a p oblemá ica em
con ex os de uso do complemen o di e o p eposicionado, uma ez que, no es e
30
an e io men e aplicado, apenas uma condição es a a o conhecimen o des e enómeno.
Assim, nes e segundo es e, os pa icipan es e iam de julga ases, numa escala de 1 a 5,
que en ol iam o enómeno em es udo com complemen os animados e inanimados e ainda
algumas cons uções da i as. Es es pa icipan es e am alan es de espanhol língua de
he ança, com idades comp eendidas en e os 18 e 26 anos, nascidos nos Es ados Unidos,
cuja ascendência, maio i a iamen e, e a mexicana. Ha ia, no en an o, alguns casos de
alan es cujos pais e am p o enien es de ou os países da Amé ica La ina como Po o
Rico, El Sal ado e Gua emala.
Os esul ados demons a am que os alan es aziam juízos co e os pe an e
complemen os indi e os, mas con inuou a e i ica -se uma acei abilidade em o ações
ag ama icais com a es u u a do complemen o di e o p eposicionado en ol ida, an o com
complemen os animados como com inanimados.
Um dos aspe os in e essan es e e idos po Mon ul & Bowles (2009) na discussão
dos esul ados ob idos eside no p óp io ma cado em si – a p eposição a. No e-se que
es amos pe an e uma p eposição que é apenas uma ogal e que, acus icamen e, não é
mui o salien e. A p eposição o na-se ainda menos no ó ia quando es amos pe an e
o mas e bais que e minem em /a/, como po exemplo Llama a Juan, o que pode á
eduzi o inpu .
No e-se que Mon ul & Bowles (2010) es a am os mesmos alan es após uma
ins ução g ama ical de como usa co e amen e a p eposição na es u u a em causa e
o am-lhes dados exe cícios pa a p a ica . Após essa explicação, as in uições des es
alan es – deco en es da aplicação de um es e de acei abilidade - e a p odução de ases
com o uso da p eposição – deco en es da ealização de um exe cício de p á ica do qual
ecebiam eedback posi i o ou nega i o imedia o - o am signi ica i amen e melho es, o
que demons ou que, pelo menos a cu o p azo, a ins ução acili a a ap endizagem das
p op iedades des a es u u a.
2.5.3. Aquisição de L2
Rela i amen e à aquisição do complemen o di e o p eposicionado po alan es de
espanhol L2, ealiza am-se inúme os es udos.
Guija o-Fuen es & Ma inis (2007) elabo a am um es udo con as i o sob e a
aquisição do complemen o di e o p eposicionado en e ap enden es ingleses de L2
37
da uma comple a aquisição p ecoce, segundo Guija o-Fuen es & Pi es (2015). Quando
es amos pe an e c ianças que es ão inse idas em comunidades bilingues (não oco endo
o enómeno em es udo em uma das línguas), as axas de e o são e iden es. Em e mos
de ag ama icalidades, a queda da p eposição a em con ex os ob iga ó ios sob essai mais
do que a colocação da mesma em con ex os que não a exigem.
Além de se e indo a e i ica , de um modo ge al, que o enómeno que en ol e
a aquisição do complemen o di e o p eposicionado é e e ido na li e a u a como algo
di ícil de adqui i pa a alan es de ou as línguas que se encon em a ap ende espanhol
como L2 (Guija o-Fuen es 2012), obse a-se que ambém o é pa a aqueles que êm a
língua espanhola como língua de he ança (Mon ul & Bowles 2009, 2010). Es e ac o
pode jus i ica -se pela edução do inpu , in luência de ou a língua cuja es u u a seja mais
económica e complexidade semân ica en ol ida na es u u a em causa. A ausência da
p eposição em con ex os que exigiam a sua ob iga o iedade oi algo conside a elmen e
no ó io em alan es de língua de he ança, inclusi e nos que inham uma p o iciência
a ançada na língua espanhola (Mon ul & Bowles 2009).
Des aca-se, além disso, o ac o de o inpu na u al pode não desempenha um
papel ão ele an e na aquisição do complemen o di e o p eposicionado (Guija o-
Fuen es & Ma inis 2009). Salien a-se ambém a impo ância da explicação g ama ical
como um mé odo mais e icaz (Zyzik & Pascual 2012), e o aço semân ico ela i o à
animacidade como um a o de peso na aquisição des a es u u a (Guija o-Fuen es &
Pi es 2015).

38
3. Me odologia
No p esen e es udo, in es igou-se os con ex os de inse ção e omissão da
p eposição a pe an e complemen os di e os. Manipulou-se apenas a a iá el da
animacidade (complemen os humanos, animados não humanos e não animados), de modo
a e i ica se alguns são ma cados mais p ecocemen e, além de en a pe cebe se alguns
con ex os são mais p oblemá icos do que ou os.
Os pa icipan es o am di ididos em g upos, com o p opósi o de e i ica se
alguns deles se des acam na ma cação dos complemen os di e os. Assim, es abelece am-
se cons as es endo em con a as idades das c ianças (4 ou 5 anos), as di e en es LMs dos
pais (pai com a LM di e en e da mãe ou ambos os pais com o espanhol como LM) e a
exposição ao inpu ma e no (espanhol ou po uguês).
3.1. Hipó eses
Com base nos es udos e e idos no capí ulo 2, o mula am-se as seguin es
hipó eses pa a o p esen e es udo:
Hipó ese 1 – Sendo o enómeno do complemen o di e o p eposicionado enca ado
como complexo po en ol e a in e ace sin axe-semân ica e se , po an o, mais
susce í el de so e e ei os de ans e ência (Mülle & Hulk 2001), espe a-se que as
p op iedades des a cons ução sejam adqui idas mais a diamen e pelas c ianças bilingues
pelo ac o de es a em expos as a um inpu mais eduzido do que as c ianças monolingues
(no e-se que, segundo o es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008), as c ianças
monolingues com idade in e io a 3 anos egis am um núme o eduzido de e os em
p odução espon ânea). Nes e sen ido, espe a-se ainda que as c ianças de 4 anos
ap esen em axas de e o mais ele adas do que as c ianças de 5 anos.
Hipó ese 2 – A ma cação dos complemen os di e os nas duas p imei as condições
- [+ humano] e [+ animado] [- humano] não de e á se mui o di e en e, is o que, embo a
se enha conhecimen o da exis ência de uma escala de animacidade e e ida po Aissen
(2003) - [+ humano] > [+ animado] > [- animado] -, o es udo de Ticio & A am (2015)
com c ianças monolingues de espanhol ibé ico indicou que a o dem de aquisição não
espelha a essa mesma escala.
Hipó ese 3 – P e ê-se que haja mais des ios em con ex os de complemen o di e o
p eposicionado (omissão da p eposição com complemen os di e os com o aço [+
39
animado]) do que em con ex os em que a p eposição não é exigida (inse ção da
p eposição com complemen os di e os com o aço [-animado]), uma ez que o es udo de
Guija o-Fuen es & Ma inis (2007) mos a que, pe an e complemen os di e os não
animados, os alan es não ap esen am di iculdades nas espos as, demons ando uma boa
pe ceção ela i amen e à não ma cação des es complemen os; no en an o, com
complemen os animados, obse a am-se ausências da p eposição a.
Hipó ese 4 – Os esul ados po pa e das c ianças que êm os pais com a mesma
LM (espanhol ibé ico) de e ão ap esen a menos des ios do que os das c ianças cujos
pais êm LM di e en es en e eles, endo em con a a sua maio exposição ao inpu
espanhol.
Hipó ese 5 – As c ianças cujas mães êm o espanhol como LM de e ão ap esen a
melho es desempenhos do que as que êm o pai com a LM espanhola, uma ez que se
conside a que a mãe, de um modo ge al, em uma maio in luência no desen ol imen o
da linguagem da c iança do que o pai (Phillips 1973; Snow 1977; Glei man e al. 1984;
Pine 1994).
3.2. Ta e a
Pa a consegui induzi a u ilização da es u u a que en ol e o complemen o di e o
p eposicionado, elabo ou-se um es e que e a compos o po di e sos desenhos ( e
anexos 1 e 2). Es es o am elabo ados de aco do com a população-al o do es udo – as
c ianças – e, po essa azão, con inham ep esen ações acessí eis e numa emá ica in an il,
is o é, um es ilo de desenhos que ai ao encon o do que é habi ual encon a -se nes as
aixas e á ias. An es de se ap esen a o es e às c ianças, ez-se uma pilo agem com
adul os e com algumas c ianças monolingues de po uguês, de modo a ga an i que as
ações es a iam bem ilus adas, não dando luga a dú idas, e que e am u ilizados os e bos
e os complemen os p e endidos em cada con ex o. Após a eliminação de i ens que
le an a am p oblemas nes e passo da pilo agem, aplicou-se o es e às c ianças
pa icipan es no es udo.
Os desenhos e am mos ados às c ianças no ec ã do compu ado . Assim, à c iança
e a ap esen ada uma de e minada pe sonagem – podendo es a se ou não humana - e, de
seguida, ap esen a am-se os ou os elemen os necessá ios pa a a cons ução da o ação –
podendo, nes e caso, se [+ humano], [+animado] ou a é [-animado]. Após a ap esen ação
dos in e enien es, e a en ão ap esen ada a imagem que con inha a ação que en ol ia a
40
ase-al o. Depois de uma amilia ização da c iança com os desenhos iniciais,
pe gun a a-se à mesma o que es a a X – a p imei a pe sonagem que lhe e a ap esen ada
- a aze , espe ando que a c iança desse uma espos a na qual u ilizasse o e bo e os
complemen os di e os p e endidos e que os ma casse ou não com a p eposição a,
con o me as es ições semân icas en ol idas.
O es e ap esen a a ês condições, cada uma com seis i ens. As condições e am
as seguin es:
a) Complemen o di e o com o aço [+ humano] – Exemplo: Aquí enemos un niño.
También enemos una niña y una mangue a. ¿Que hace el niño? Respos a
espe ada: El niño moja a la niña.
b) Complemen o di e o com os aços [+animado] [-humano] – Exemplo: Aquí
enemos un pe o. También enemos una se pien e. ¿Que hace el pe o? Respos a
espe ada: El pe o mue de (a) la se pien e.
c) Complemen o di e o com o aço [-animado] – Exemplo: Aquí enemos una niña.
También enemos una caja ce ada. ¿Que hace la niña? Respos a: La niña ab e
la caja.
Pa a além dos 18 i ens co esponden es aos con ex os acima e e idos, ha ia
ambém mais seis co esponden es a dis a o es. Es es induziam a espos as com e bos
e lexi os – La niña se peina -, com ou as p eposições – El pi a a es á na egando con/en
el ba co – e com a p eposição a como ma ca de da i o – El abuelo le un lib o a su nie o.
Assim sendo, em-se um o al de 24 i ens.
O es e não manipula a a a iá el de especi icidade, que ambém condiciona a
oco ência do enómeno linguís ico em es udo, endo em con a que odos os
complemen os di e os e am especí icos. De igual modo, o aço [+ de inido] es e e
semp e p esen e em odos os i ens.
Quan o ao aço de animacidade, só o podemos apon a nos dois p imei os
con ex os acima e e idos – a) e b). Po esse mo i o, é p ecisamen e nes es casos que se
espe a a oco ência da p eposição. Es a subdi isão den o do pon o da animacidade - [+
humano] e [+ animado] [- humano] se i á pa a uma possí el co obo ação ou e u ação
da impo ância de uma escala de animacidade (Aissen 2003) na aquisição do
41
complemen o di e o p eposicionado. No úl imo caso, pe an e um complemen o não
animado, espe a-se uma exclusão da oco ência de a.
As a i idades ep esen adas nas imagens p e endiam induzi o uso de di e en es
e bos. Com o aço [+ humano], espe a -se-iam e bos como cub i , mi a , sal a ,
moja , p ende e enseña . Com os aços [+ animado] e [- humano], espe a -se-iam
e bos como empuja , mo de , lame , come , a apa e pisa . Po sua ez, com o aço
[- animado], os e bos ab i , mo de , mi a , limpia , pin a e co a se iam os espe ados.
Seguem-se ês exemplos ilus a i os de cada um dos con ex os, com a indicação
da ase que e a di a à c iança em conco dância com a imagem que apa ecia.
[+ humano] :
Aquí enemos un niño. También enemos una niña y una mangue a.¿Qué hace el niño?
Respos a espe ada: Moja a la niña.
[+ animado] [- humano] :
Aquí enemos un pe o. También enemos una se pien e. ¿Qué hace el pe o?
Respos a espe ada: Mue de (a) la se pien e.
42
[- animado] :
Aquí enemos una niña. También enemos uma caja ce ada. ¿Qué hace la niña?
Respos a espe ada: Ab e la caja.
Assim, pode-se espe a a oco ência da p eposição a nas duas p imei as condições
do es e – 6 na p imei a condição e ou as 6 na segunda (embo a nes es úl imos o seu uso
seja opcional).
3.3. P ocedimen os ado ados
Os es es o am aplicados po mim, em espaço escola , indi idualmen e. A
abo dagem com as c ianças oi semp e ei a na língua espanhola, mesmo com aquelas
que e iam mais inpu po uguês, de modo a e i a o con ac o com a língua po uguesa.
Os p ocedimen os o am iguais pa a odas as c ianças e as salas de aplicação do
es e, embo a ossem di e en es con o me os dias, co espondiam semp e a locais onde
não ha ia qualque ipo de uídos ex e nos que pudessem in e e i com a aplicação do
mesmo.
Todos os enca egados de educação das c ianças em es udo au o iza am a
ealização do es e e esponde am a um b e e ques ioná io sociolinguís ico com o
p opósi o de da con a do ipo de inpu a que a c iança es á expos a e de ob e mais dados
sob e a mesma, como o sexo ou a idade, po exemplo.
3.4. Pa icipan es
As c ianças bilingues de po uguês eu opeu-espanhol ibé ico en ol idas no es udo
são esiden es em Po ugal, na zona de Lisboa, e equen am o ins i u o de língua
espanhola “Gine de los Ríos”, si uado ambém na zona de Lisboa.
Tes a am-se 11 c ianças de 5 anos e 9 c ianças de 4 anos com pai e mãe alan es
de di e en es línguas ma e nas – po uguês eu opeu num caso e espanhol ibé ico no ou o
-, e 6 c ianças de 5 anos cujos pais inham ambos a mesma língua ma e na – espanhol
ibé ico. No e-se que, con o me indicações ob idas a a és do ques ioná io

43
sociolinguís ico ( e anexo 3), a língua que os pais u ilizam com as c ianças é a ma e na,
podendo, em ce os casos, ha e a possibilidade de uma mãe ou pai, pa a além de abo da
a c iança na sua língua, a abo da na ou a ambém.
T a a-se de c ianças que endemos a ap oxima mais de um bilinguismo pa cial e
não ideal, uma ez que, eg a ge al, comp eendem e alam ambas as línguas, mas há uma
que sob essai, ou seja, que é p edominan e. Na maio ia dos casos, essa língua é o
po uguês, is o que es as c ianças mani es am uma cla a p e e ência po ala em en e si
nes a língua não só nos in e alos das aulas, como ambém du an e as mesmas.
No e-se que es a a ibuição de um ipo de bilinguismo ao g upo de c ianças
en ol ido no es udo é apenas “momen ânea”, is o que a língua que pa ece sob essai
a ualmen e pode á não se a mesma que sob essai á mais a de. Além disso, a en e-se pa a
o ac o de es a mos pe an e um g upo de c ianças que, ao es a em em ase de aquisição,
di icul am o enquad amen o em de e minados g upos/ ipos de bilinguismo, sendo na u al
que, du an e es a e apa, uma língua possa sob essai mais do que ou a, mas es e quad o
não em de se man e .
Na sua maio pa e, emos c ianças bilingues simul âneas, uma ez que a maio ia
das c ianças adqui iu as duas línguas desde a nascença. No en an o, emos 3 casos de
bilingues consecu i os ( al como de inidos em Muñoz 2011), no g upo dos 5 anos, cujos
pais êm ambos o espanhol como língua ma e na, uma ez que o con ac o com a língua
po uguesa su giu apenas quando ie am pa a Po ugal e, nessa al u a, já inham mais de
dois anos de idade.
Todas as c ianças do es udo se ap oximam do bilinguismo p imá io, endo em
con a que a aquisição de ambas as línguas é ei a de uma o ma na u al e espon ânea.
As idades das c ianças do es udo, assim como a média das mesmas, encon a-se
ep esen ada na seguin e abela:
Língua Ma e na dos Pais
Nº de c ianças
Idades
Média de idades
Di e en e (Po uguês Eu opeu –
Espanhol Ibé ico)
9
4;3 – 4;11
4;7
Di e en e (Po uguês Eu opeu –
Espanhol Ibé ico)
11
5;2 – 5;11
5;8
Igual (Espanhol Ibé ico)
6
5;2 – 5;11
5;7
44
Tabela 1 – Núme o, idades e a espe i a média dos ês g upos de pa icipan es
Das 9 c ianças do g upo dos 4 anos, 3 êm o pai com LM espanhola e 6 o pai com
LM po uguesa. Consequen emen e, no caso da LM da mãe, emos 6 com espanhol e 3
com po uguês.
Rela i amen e ao g upo de 11 c ianças de 5 anos, há 4 que êm o pai com LM
espanhola e 7 com LM po uguesa, o que az com que enhamos 7 mães cuja LM é o
espanhol e 4 cuja LM é o po uguês.
A abela seguin e indica o alo o al – dos 3 g upos de c ianças do es udo - do
núme o de pai e mãe pa a cada LM, endo em con a a impo ância do inpu adqui ido
a a és da mãe (Phillips 1973; Snow 1977; Pine 1994).
Língua Ma e na dos pais
Espanhol
Po uguês
Pai
13
13
Mãe
19
7
Tabela 2 – Núme o de pai e mãe pa a cada LM
Os dados da abela e elam que, na maio ia dos casos, o inpu da língua espanhola
que as c ianças ecebem em con ex o amilia p o ém mais das mães do que dos pais.
O ques ioná io sociolinguís ico p eenchido pelos pais se iu não só pa a da con a
do ipo de inpu da c iança, mas ambém pa a seleciona as mesmas pa a o es udo.
Assim, não se i e am em con a c ianças cujos pais i essem ambos o po uguês
como LM. Esse g upo de c ianças, ainda que es udem num ins i u o onde as aulas são,
maio i a iamen e, em espanhol, êm meno exposição ao mesmo, já que esidem num país
de língua po uguesa e o po uguês é ambém a língua usada em con ex o amilia .
Pa a além da LM dos pais e de e i ica qual a língua em que es es se di igiam à
c iança, ambém se e elou impo an e sabe em que língua os pais ala am en e si. Es es
esul ados di e i am, endo ha ido casos de pais que apenas alam espanhol en e eles,
ou os que apenas alam po uguês e ou os ainda que alam ambas as línguas um com o
ou o. Segue-se uma abela que indica os alo es, em pe cen agem, ela i os a es e pon o
do ques ioná io.
45
Tabela 3 – Pe cen agem das línguas aladas en e os pais, po cada g upo de c ianças
É di ícil p ecisa a língua que é mais usada pelos pais do g upo de c ianças com 4
anos (pais com LM dis in a), is o que a pe cen agem mais al a co esponde à ca ego ia
“ambas”. Nes e ipo de espos as, não é dado a conhece qual o inpu dominan e, uma ez
que apenas é indicado que os pais alam en e si ambas as línguas, não e e indo uma
maio ia ou p e e ência po alguma delas. Já no g upo dos 5 anos com as mesmas
ca ac e ís icas que o an e io , a in luência do po uguês em con ex os amilia es pa ece
se cla amen e supe io . No g upo de c ianças de 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico),
como se ia de espe a , os pais apenas alam espanhol en e eles, pois a língua ma e na de
ambos é p ecisamen e essa. Es a in o mação se á ele an e pa a da con a da quan idade
de inpu que a c iança ecebe em cada língua.
No caso de e em i mãos, quando ques ionados ela i amen e à língua que es es
ala am en e eles, os esul ados ap esen a am-se ambém di e en es en e si. A abela
abaixo, indica os alo es ob idos nes a ques ão.
Língua que os
i mãos alam en e
si
G upo dos 4 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
espanhol ibé ico)
Espanhol
33,3%
0%
66,7%
Po uguês
33,3%
36,4%
0%
Ambas
11,1%
54,5%
16,7%
Sem i mãos
22,2%
9,1%
16,7%
Tabela 4 – Pe cen agem das línguas aladas en e i mãos, po cada g upo de c ianças
Rela i amen e ao g upo dos 4 anos (pais com LM dis in a), não pa ece ha e
con as es en e as línguas. Po sua ez, no que diz espei o ao g upo de c ianças dos 5
anos (pais com LM dis in a), ol a-se a e i ica uma cla a dominância da língua
po uguesa em con ex os amilia es, uma ez que não há egis o de i mãos que alem
Língua que os
pais alam en e
si
G upo dos 4 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
espanhol ibé ico)
Espanhol
22,2%
0%
100%
Po uguês
33,3%
54,5%
0%
Ambas
44,5%
45,5%
0%
46
apenas em espanhol en e eles. No g upo dos 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico), al
como e a p e is o, há uma cla a dominância da língua espanhola.
Todas as c ianças do es udo cujos pais êm LM di e en e en e eles nasce am em
Po ugal e man êm con ac o com ambas as línguas desde o nascimen o.
Pelo con á io, odas as ou as que êm ambos os pais com a LM espanhola
nasce am em Espanha. Todas elas i e am o p imei o con ac o com o espanhol ibé ico
desde essa al u a. Rela i amen e à língua po uguesa, há con ac os mui o p ecoces – 3
c ianças que i e am con ac o com o po uguês ainda não inham um ano de ida, pois oi
nessa al u a que ie am pa a Po ugal – e con ac os mais a dios – uma c iança que e e
con ac o com a língua aos 3 anos e duas que i e am aos 4, na sequência da deslocação
pa a Po ugal.
Po im, pe gun ou-se ainda quais os locais onde, habi ualmen e, a c iança passa
as é ias da Páscoa, Ve ão e Na al. A abela seguin e dá con a dos esul ados que se
ob i e am:
Local onde a
c iança passa é ias
G upo dos 4 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
dis in a)
G upo dos 5 anos
(pais com LM
espanhol ibé ico)
Espanha
44,4%
27,3%
100%
Po ugal
11,1%
0%
0%
Po ugal e Espanha
44,4%
72,7%
0%
Tabela 5 – Pe cen agem dos países em que passam é ias, po cada g upo de c ianças
P a icamen e odas as c ianças en ol idas no es udo passam é ias em Espanha,
ainda que não seja na sua o alidade, pois há um núme o conside á el que passa em ambos
os países. Apenas no g upo de c ianças com 4 anos se encon a quem passe é ias
exclusi amen e em Po ugal.
3.5. Codi icação de espos as
Os ipos de espos as egis ados o am ag upados de ês o mas dis in as:
a) Inse ção da p eposição a – independen emen e de es a co e a ou não – El pe o
mue de a la se pien e ou *El pin o pin a a la silla. A única es ição e a a p eposição
an ecede um complemen o di e o e não es a ou a es u u a di e en e en ol ida como
Yo quie o i a la playa.
53
omissão: enquan o com [+ humano] 6 das c ianças mos am uma p e e ência cla a pela
inse ção da p eposição, com [-humano][+ animado] isso só se obse a com 3 c ianças.
Po im, no que diz espei o às c ianças de 5 anos cujos pais êm ambos a língua espanhola
como a LM, ob i e am-se os alo es que se mos am no g á ico 8:
G á ico 8 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição
[- humano] [+ animado]
Nes a condição, e i icou-se que ês c ianças p oduzi am ases com omissão da
p eposição – duas des as c ianças (as que mais omi em a p eposição – 5EEc e 5EEd) são
as que, na condição an e io , ambém já ap esen am omissões.
4.1.3. [- animado]
Os esul ados globais dos ês g upos ela i os ao con ex o [- animado] são ap esen ados
no g á ico 9:
G á ico 9 - Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- animado]
5EEa 5EEb 5EEc 5EEd 5EEe 5EE
Inse ção da p eposição 6 5 1 2 4 6
Ausência da p eposição 0 0 5 4 2 0
Es u u a sin á ica di e en e 0 1 0 0 0 0
0
1
2
3
4
5
6
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e
98% 100% 100%
2% 0% 0%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
4 anos (LM dos pais di e en e) 5 anos (LM dos pais di e en e) 5 anos (LM dos pais espanhol)
Ausência da p eposição Inse ção da p eposição

54
Tal como e a espe ado, os complemen os di e os com o aço semân ico [-
animado] não le an a am qualque p oblema, is o que, al como na língua po uguesa,
não pe mi em a oco ência da p eposição a. Assim, os ês g upos ap esen am al os
alo es na p odução de ases com ausência da p eposição, nes a condição – 98% e 100%.
Apenas o g upo de c ianças dos 4 anos ap esen a uma baixa pe cen agem
ela i amen e a espos as com a inse ção da p eposição, o que demons a que oi o único
no qual se e i icou uma p odução ag ama ical, nes a condição.
Rela i amen e às c ianças de 4 anos, os esul ados o am os seguin es:
G á ico 10 - Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- animado]
Nes e g upo de c ianças, apenas uma inse iu a p eposição num con ex o
inespe ado. As es an es op a am pela sua omissão.
No caso das c ianças de 5 anos cujos pais êm línguas ma e nas di e en es, os esul ados
o am es es:
4PEa 4PEb 4PEc 4PEd 4PEe 4PE 4PEg 4PEh 4PEi
Inse ção da p eposição 0 1 0 0 0 0 0 0 0
Ausência da p eposição 6 5 5 6 6 6 5 6 6
Es u u a sin á ica di e en e 0 0 1 0 0 0 1 0 0
0
1
2
3
4
5
6
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e
5PEa 5PEb 5PEc 5PEd 5PEe 5PE 5PEg 5PEh 5PEi 5PEj 5PEk
Inse ção da p eposição 00000000000
Ausência da p eposição 56555565666
Es u u a sin á ica di e en e 10111101000
0
1
2
3
4
5
6
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
55
G á ico 11 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com língua ma e na di e en e)
na condição [- animado]
Nes a condição, odas as c ianças des e g upo op a am pela ausência da
p eposição.
Po im, no que diz espei o às c ianças de 5 anos cujos pais êm ambos a língua espanhola
como a LM, ob i e am-se es es alo es:
G á ico 12 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição
[- animado]
Tal como no g upo an e io , es as c ianças ambém op a am apenas pela ausência
da p eposição, não ha endo egis os da sua inse ção. Es e con ex o é o que egis a uma
meno a iação indi idual nos ês g upos.
4.2. Po g upo
4.2.1. C ianças com pai e mãe com língua ma e na dis in a
4.2.1.1. 4 anos
O g á ico 13 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição,
com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es po pa e do g upo de
c ianças de 4 anos, po condição.
5EEa 5EEb 5EEc 5EEd 5EEe 5EE
Inse ção da p eposição 0 0 0 0 0 0
Ausência da p eposição 6 5 4 6 5 4
Es u u a sin á ica di e en e 0 1 2 0 1 2
0
1
2
3
4
5
6
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e
56
G á ico 13 - Resul ados das c ianças de 4 anos nas ês condições
A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com
ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po
condição.
Tabela 6 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 4 anos
Es as c ianças mani es a am, cla amen e, menos di iculdades pe an e
complemen os di e os não animados, com os quais a p eposição a não é pe mi ida.
No que diz espei o às ou as duas condições, e i ica-se que a pe cen agem de
p oduções com a inse ção da p eposição di e e pouco en e elas – 4,9%. O alo
co esponden e a p oduções que ap esen am a ausência da p eposição é mais e iden e em
con ex os com complemen os di e os [+animado][-humano] do que em [+humano].
No e-se que, nes as duas condições – complemen os di e os humanos e
complemen os di e os animados não humanos -, a ausência da p eposição ap esen a
semp e alo es supe io es à inse ção da mesma, apesa de se uma di e ença pequena, o
que mos a que há uma oscilação en e es as duas opções. No en an o, enquan o na
condição que en ol e complemen os di e os com o aço [+ humano], a ausência da
p eposição ep esen a ag ama icalidade, o mesmo não se pode dize da condição que
[+hum]
[+anim][-hum]
[-anim]
Inse ção da p eposição
20
21
1
Ausência da p eposição
21
27
51
Es u u a sin á ica di e en e
13
6
2
48,7% 43,8%
2%
51,3% 56,2%
98%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
[+hum] [+anim][-hum] [-anim]
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
57
en ol e complemen os di e os com os aços [+ animado] [- humano], endo em con a
que a inse ção da p eposição pode se enca ada como opcional nes e con ex o.
4.2.1.2. 5 anos
O g á ico 14 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção e ausência da
p eposição e com es u u as sin á icas di e en es po pa e do g upo de c ianças de 5 anos
com pai e mãe com LMs di e en es, po condição.
G á ico 14 - Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) nas ês
condições
A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com ausência
da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po condição.
[+hum]
[+anim][-hum]
[-anim]
Inse ção da p eposição
35
29
0
Ausência da p eposição
16
28
60
Es u u a sin á ica di e en e
15
9
6
Tabela 7 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com LM
dis in a)
Tal como no g upo de c ianças de 4 anos, es as c ianças ap esen am alo es mais
ele ados ela i amen e à ausência da p eposição na condição que en ol e complemen os
di e os não animados. Uma ez que não se egis ou um único caso de inse ção da
p eposição nes a condição, pode-se a i ma que não se deu con a de ag ama icalidades.
A si uação ela i amen e às ou as duas condições – complemen os di e os
humanos e animados não humanos – ap esen a alo es supe io es ela i amen e à
68,6%
50,9%
0%
31,4%
49,1%
100%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
[+hum] [+anim] [-hum] [-anim]
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
58
inse ção da p eposição e in e io es no que diz espei o à ausência da mesma
compa a i amen e com os esul ados das c ianças de 4 anos. Tal como no g upo de
c ianças de 4 anos, o alo ela i o à ausência da p eposição é in e io na p imei a
condição quando con as ado com o alo encon ado pa a a segunda – 31,4% e 49,1%,
espe i amen e. No e-se, no en an o, que enquan o o g upo dos 4 anos não em uma
p e e ência cla a po inse ção s. omissão em nenhuma das duas condições, o g upo dos
5 anos em uma p e e ência cla a po inse ção da p eposição na condição [+ humano],
mas não na condição [- humano][+ animado].
4.2.2. C ianças bilingues com pai e mãe com a mesma língua ma e na – espanhol
ibé ico (5 anos)
O g á ico seguin e ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da
p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es po pa e des e
g upo de c ianças, po condição.
G á ico 15 - Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) nas ês condições
A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com ausência
da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po condição.
[+hum]
[+anim][-hum]
[-anim]
Inse ção da p eposição
28
24
0
Ausência da p eposição
3
11
30
Es u u a sin á ica di e en e
5
1
6
Tabela 8 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com a
mesma LM)
90,4%
68,6%
0%
9,6%
31,4%
100%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
[+hum] [+anim][-hum] [-anim]
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição

59
Tal como no g upo de c ianças an e io , a condição que en ol e complemen os
di e os com o aço [-animado] ol a a e idencia uma o alidade de p oduções com a
ausência da p eposição, pelo que não se e i ica am ag ama icalidades.
A condição que en ol e o aço [+ humano], al como no g upo dos 5 anos (pais
com LM di e en e), e ela um maio núme o de cons uções com a inse ção da p eposição
a do que a que en ol e os aços [+animado] [- humano] – di e ença de 21,8%. A
pe cen agem de p oduções de ases com a ausência da p eposição pe an e complemen os
di e os animados não humanos ambém é mais ele ada do que pe an e complemen os
di e os humanos. No en an o, ela i amen e a es as duas condições, no e-se que as
pe cen agens co esponden es à inse ção da p eposição são mui o mais e iden es do que
nos ou os dois g upos de c ianças en ol idos no es udo. Es e g upo mos a uma
p e e ência pela inse ção da p eposição nas duas condições com complemen os
animados, que é menos ma cada com complemen os di e os não humanos do que com
humanos.
4.3. Po língua ma e na da mãe
Uma ez que se p e ende con as a c ianças cujo inpu da língua espanhola é
adqui ido po pa e da mãe com aquelas que adqui em o espanhol po pa e do pai, o
g upo de c ianças que em pais com a mesma língua ma e na oi sepa ado nes a análise.
O g á ico 16 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição,
com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição que en ol ia
complemen os di e os humanos.
G á ico 16 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai
com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+humano]
64,5% 59,9%
35,5% 40,1%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
60
O g á ico 17 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição,
com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição que en ol ia
complemen os di e os animados não humanos.
G á ico 17 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai
com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+animado] [- humano]
Po im, o g á ico 18 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da
p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição
que en ol ia complemen os di e os não animados.
G á ico 18 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai
com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [- animado]
Os esul ados ap esen ados nos úl imos ês g á icos não pe mi i am iden i ica
uma condição em que se e i icasse um con as e ele an e po pa e de um dos g upos
de c ianças ela i amen e ao ou o.
47% 50%
53% 50%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
1,4% 0%
98,6% 100%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês
Inse ção da p eposição Ausência da p eposição
61
Os alo es ap esen am semp e esul ados mui o p óximos en e as 13 c ianças
es adas com a mãe com o espanhol como LM e as 7 com a mãe com o po uguês como
LM. A maio di e ença co esponde à inse ção da p eposição pe an e complemen os
di e os humanos, mas, ainda assim, a a-se de uma di e ença eduzida – 4,6%.
Assim, embo a os alo es sejam di e en es en e os dois g upos, não se
e i ica am di e enças ele an es pa a pode a i ma que de e minado inpu ma e no
in luencia mais ou menos em alguma das ês condições es adas.
62
5. Discussão dos esul ados e conclusões
Com o es e de p odução induzida aplicado a es es g upos de c ianças, ob i e am-
se dados que pe mi em co obo a algumas das hipó eses abo dadas no capí ulo 3.
Pa a uma melho discussão global, u iliza -se-ão os dados ob idos em ou os
es udos e e idos an e io men e, de modo a e i ica se os esul ados que ob i emos
co espondem ao que oi encon ado em es udos an e io es.
No que diz espei o à p imei a hipó ese le an ada, de aco do com a qual se
espe a a uma aquisição mais a dia po pa e das c ianças bilingues, is o es a mos
pe an e uma es u u a que ap esen a di iculdades po en ol e a in e ace sin axe-
semân ica, e i ica am-se pe cen agens mais ele adas de des ios con as i amen e com
os esul ados ob idos po Rod íguez-Mondoñedo (2008) com c ianças monolingues. No
en an o, a idade das c ianças e a me odologia u ilizada nos dois es udos são di e en es –
enquan o Rod íguez-Mondoñedo (2008) se baseia em dados de p odução espon ânea de
c ianças com idades en e os 0;9 e os 2;11, o p esen e es udo u iliza dados de p odução
induzida com c ianças mais elhas. Assim, se ia necessá io aplica o es e do p esen e
es udo a c ianças monolingues, pa a con i ma se es e desen ol imen o a dio é
ca ac e ís ico do desen ol imen o bilingue e não o esul ado da aplicação de um es e
expe imen al, o que não oi possí el aze nes e abalho.
No e-se que es a ulne abilidade da aquisição do enómeno pode á não es a
apenas elacionada com as in e aces en ol idas na es u u a, mas ambém pode á se
de ida ao ac o de en ol e c ianças bilingues, endo em con a que o bilinguismo em si
mesmo pode des a o ece a compe ência em alguma das línguas (Wein eich 1953).
Hou e um desen ol imen o dos 4 pa a os 5 anos, embo a se enha e i icado que
o enómeno ainda não se encon a es abilizado aos 5 anos.
De ac o, as c ianças cujos pais êm LMs di e en es não dominam na sua o alidade
as es ições a que a es u u a do complemen o di e o p eposicionado obedece,
ap esen ando omissões da p eposição a com complemen os di e os humanos e
especí icos, pelo que a exposição à língua espanhola desde o nascimen o pode se
insu icien e na aquisição comple a do enómeno em es udo.
Tal como a i mam Thomas e al. (2014), os e ei os do inpu eduzido pa ecem
p olonga -se e esse ac o e le e-se na aquisição da es u u a. Nes e caso, conside a-se
69
desempenho. Assim, se ia possí el que se ob i essem melho es esul ados, caso hou esse
um e o ço do inpu da língua espanhola. Ainda assim, esse a o pode ia não se
su icien e, pelo que se ia in e essan e explo a os ipos de inpu que su gem nos di e en es
domínios linguís icos, a im de con i ma o ac o de ce as c ianças ap esen a em um
p og esso mais ápido em de e minada á ea (Unswo h 2016). Há que e em con a a
possibilidade de ha e ce os a o es indi iduais que a e am o desen ol imen o
linguís ico, al como há no desen ol imen o monolingue, is o é, c ianças mais p ecoces
e c ianças mais a dias.
Vá ias pesquisas u u as pode iam se ei as com o p opósi o de se ob e em
espos as mais escla ecedo as ela i amen e à aquisição des e enómeno.
Tendo em con a que o p esen e es udo mos ou que, em bilingues de po uguês
eu opeu-espanhol ibé ico esiden es em Po ugal, a comple a aquisição do complemen o
di e o p eposicionado não es á ainda es abilizada, conclui-se que es a de e á es abiliza
mais a diamen e. An es de ealiza es udos nesse sen ido e sabe o momen o exa o em
que essa es abilização se dá, se ia in e essan e aplica um es e semelhan e a c ianças
cujos pais i essem LMs dis in as – espanhol num caso e po uguês no ou o -, esiden es
em Espanha. Es e ac o pode ia demons a a impo ância do país de esidência ace ao
inpu que ecebem po pa e dos pais. Se ia ambém igualmen e in e essan e es a es as
mesmas c ianças na língua po uguesa, de modo a e i ica se as mesmas in oduzem a
p eposição a em con ex os não exigidos. Esse es e se ia ú il pa a de e a se, de ac o, as
c ianças conseguem p oduzi em odos os casos ases g ama icais ou se e le em na
língua e ei os da língua espanhola, o que demons a ia que nem semp e alo iza iam a
opção mais económica.
Den o des e es udo, se ia impo an e e mais dados ela i os aos pais das
c ianças. Se ia in e essan e aplica o es e aos mesmos, is o que mui os deles podem não
e adqui ido co e amen e a es u u a, o que se podia e le i nos esul ados dos ilhos.
A p ocu a de mais dados ela i os à qualidade de inpu das c ianças e dos
espe i os pais pode á esponde às di e enças que se encon am nos esul ados en e os
pa icipan es.
Também se ia undamen al es a monolingues de espanhol, endo em con a que
o ac o de o enómeno se p ecoce na p odução espon ânea não signi ica que não haja
p oblemas em a e as de p odução induzida.

70
Em es udos u u os, se ia impo an e es a ambém o domínio do aço de
especi icidade, já que não oi manipulado nes a in es igação.
Se á impo an e e o ça , em om de conclusão, que a aquisição do complemen o
di e o p eposicionado em bilingues con inua a e mui o po explo a .
71
6. Re e ências bibliog á icas
Aissen, J. (2003) Di e en ial objec ma king: iconici y s. economy. Na u al Language
and Linguis ic Theo y, 21, (3). P. 435 – 483.
Bake , C. (2003) Bili e acy and ansli e acy in Wales: Language planning and he Welsh
na ional cu iculum. In Nancy H.Ho nbe ge (eds.) (2003) Con inua o bili e acy : an
ecological amewo k o educa ional policy, esea ch, and p ac ice in mul ilingual
se ings. Cle edon: Mul ilingual Ma e s. Pp.71 - 90.
Bloom ield, L. (1933) Language. Chicago: Uni e si y o Chicago P ess.
Bohnacke , U. (2007) On he ‘ ulne abili y’ o syn ac ic domains in Swedish and
Ge man. Language Acquisi ion, 14 (1). Pp. 1 – 43.
B idges, K. & Ho , E. (2014) Olde sibling in luences on he language en i onmen and
language de elopmen o oddle s in bilingual homes. Applied Psycholinguis ics, 35. Pp.
225 - 241.
B ugè, L. & B ugge , G. (1996) On he Accusa i e A in Spanish. P obus, 8. Pp. 1 - 51.
Cas elei o, J. (2007) Dicioná io G ama ical de Ve bos Po ugueses. Lisboa: Tex o
Edi o es.
Chamo o, S u & So ace (2015) Selec i i y in L1 A i ion: Di e en ial Objec Ma king
in Spanish Nea -Na i e Speake s o English. Jou nal o Psycholinguis Resea ch, 44 (2).
Pp. 105 – 214.
Chan, A. (2010) The Can onese double objec cons uc ion wi h bei2 ‘gi e’ in bilingual
child en: The ole o inpu . In e na ional Jou nal o Bilingualism, 14 (1). Pp. 65 - 85.
Com ie, B. (1976) Aspe c: An In oduc ion o he S udy o Ve bal Aspec and Rela ed
P oblems. Camb idge: Camb idge Uni e si y P ess.
Con i-Ramsden, G. (1990) Ma e nal ecas s and o he con ingen eplies o language-
impai ed child en. Jou nal o Speech and Hea ing Diso de s, 55. Pp. 262 - 274.
Cunha, C. & Cin a, L. (1986) No a G amá ica do Po uguês Con empo âneo. Lisboa:
Edições João Sá da Cos a.
Cuza, A. (2012) C osslinguis ic in luence a he syn ax p ope : In e oga i e subjec - e b
in e sion in Spanish he i age speake s. The In e na ional Jou nal o Binlingualism. Pp. 1
– 26.
Di Biase, B. & Hinge , B. (2015) Explo ing he acquisi ion o di e en ial objec ma king
(DOM) in Spanish as a second language. In Di Biase, B. (eds.) G amma ical De elopmen
in Second Languages: Explo ing he bounda ies o P ocessabili y Theo y, Eu oSLA
Monog aphs Se ies 3. Pp. 213 - 242.
Dow y, D. (1979) Wo d meaning and Mon ague g amma . Do d ech : D. Reidel.
Edwa ds, J. (1992) Sub ac i e bilingualism: The Case o F anco-Ame icans in Main’s
S John Valley. Jou nal o Mul ilingual and De elopmen , 13 (6). Pp. 515 – 544.
72
Fabiano-Smi h, L. & Golds ein, B. (2010) Phonological acquisi ion in bilingual Spanish–
English speaking child en. Jou nal o Speech, Language, and Hea ing Resea ch, 53. Pp.
160 – 178.
Fago , B. & Hagan, R. (1991) Obse a ions o pa en al eac ions o sex-s e eo yped
beha io s: Age and sex e ec s. Child De elopmen , 62. Pp. 617 - 628.
Flo es, C. (2011) Domínios (in) ulne á eis da compe ência bilingue. In Flo es, C. (2011)
Múl iplos Olha es Sob e o Bilinguismo – T ans e salidades II. B aga: Edições Húmus.
Pp. 83 - 113.
Flo es, C., San os, A. L., Jesus, A. & Ma ques, R. (2016) Age and inpu e ec s in he
acquisi ion o mood in He i age Po uguese. Jou nal o Child Language. Pp. 1 – 34.
Ga cía, O., Ba le , L. & Klei gen, J. (2007) F om bili e acy o plu ili e acies. In Aue ,
P. & Wei, L. (eds.) (2007) Handbook o Mul ilingualism and Mul ilingual
Communica ion. No a Io que: Mou on de G uy e . Pp. 207 - 228.
Genesee, F., Nicoladis, E. & Pa adis, J. (1995) Language di e en ia ion in ea ly bilingual
de elopmen . Jou nal o Child Language, 22. Pp. 611 – 632.
Glei man, L., Newpo , E. & Glei man, H. (1984) The cu en s a us o he mo he ese
hypo hesis. Jou nal o Child Language, 11. Pp. 43 - 79.
Gogolin, I. (2005) Hin und He übe G enzen. T ansmig a ion und Sp achen iel al . In
Duxa, S., Hu, A. & Schmenk, B. (eds.), (2005) G enzen übe sch ei en. Menschen,
Sp achen, Kul u en. Tübingen: Gun he Na -Ve lag. Pp. 55 – 66.
Guija o-Fuen es, P. (2012) The acquisi ion o in e p e able ea u es in L2 Spanish:
Pe sonal a. Bilingualism: Language and Cogni ion, 15. Pp. 701 - 720.
Guija o-Fuen es, P. & Ma inis, T. (2007) Acqui ing he syn ax/seman ic in e ace in L2
Spanish: The pe sonal p eposi ion a. Eu osla Yea book 2007, 7. Pp. 67 – 87.
Guija o-Fuen es, P. & Ma inis, T. (2009). The Acquisi ion o he Pe sonal P eposi ion a
by Ca alan-Spanish and English-Spanish Bilinguals. In Collen ine, J. e al (eds.), Selec ed
P oceedings o he 11 h Hispanic Linguis ics Symposium. Some ille, MA: Cascadilla
P oceedings P ojec . Pp. 81 – 92.
Guija o-Fuen es, P. & Pi es, A. (2015) When he bu den o age does no wai : Ea ly and
La e L2 acquisi ion o Di e en ial Objec Ma king in Spanish. Psycholinguis ic E idence
and Linguis ic Theo y. Ed. V. To ens, Camb idge Schola s. Pp. 2 – 31.
Gü el, A. (2004) Selec i i y in L2-induced L1 a i ion: A psycholinguis ic accoun .
Jou nal o Neu olinguis ics, 17. Pp. 53 – 78.
Hame s, J. & Blanc, M. (2000). Bilinguali y and Bilingualism. Camb idge: Camb idge
Uni e si y P ess.
Haspelma h, M. (2008) Objec ma king, de ini eness and animacy. Syn ac ic uni e sals
and usage equency. Leipzig sp ing school on linguis ic di e si y.
73
Jia, G. & Fuse, A. (2007) Acquisi ion o English g amma ical mo phology by na i e
manda in speaking child en and adolescen s: Age- ela ed di e ences. Jou nal o Speech,
Language and Hea ing Resea ch, 50. Pp. 1280 - 1299.
Köppe, R. (1997) Sp ach ennung im ühen bilingualen E s sp ache we b
F anzösishsch/Deu sch. Tübingen: Na .
Lengyel, D. (2001) Kindliche Zweisp achigkei und Sp achbehinde enpädagogik.
Düsseldo : Landesa bei sgemeinscha de kommunalen Mig an en e e ungen
No d hein-Wes alen
Leone i, M. (2003) Speci ici y and objec ma king: he case o Spanish a. In Heusinge ,
K. & Kaise , G. (eds.) P oceedings o he Wo kshop Seman ic and Syn ac ic Aspec s o
Speci ici y in Romance Languages. Kons anz: Uni e si ä Kons anz, 113. Pp. 67 - 101.
Lie en, E. (1994) C osslinguis ic and c osscul u al aspec s o language add essed o
child en. In Gallaway, C. & Richa ds, B. (eds.), Inpu and in e ac ion in language
acquisi ion. London: Camb idge Uni e si y P ess. Pp. 56 – 73.
Long, M. (1983) Na i e speake /non-na i e speake con e sa ion and he nego ia ion o
comp ehensible inpu . Applied Linguis ics, 4. Pp. 126 – 141.
Long, M. (1985) Inpu and second language acquisi ion heo y. In Gass, S. & Madden,
C. (eds.) Inpu in second language acquisi ion. Rowley, MA: Newbu y House. Pp. 377 –
393.
Long, M. (1996) The ole o he linguis ic en i onmen in second language acquisi ion.
In Ri chie, W. & Bha ia, T. (eds.) Handbook o second language acquisi ion. New Yo k:
Academic P ess. Pp. 413 – 468.
Mack, M. (2003) The phone ic sys ems o bilinguals. In Banich, M. & Mack, M. (eds.)
Mind, B ain, and Language: Mul idisciplina y Pe spec i es. Mahwah, NJ: Law ence
E lbaum. Pp. 309 – 349.
Mackey, W. (1962) The desc ip ion o bilingualism. Canadian Jou nal o Linguis ics, 7.
Pp. 51 – 8.
MacLeod, A., Laukys, K., R achew, S. (2011) The impac o bilingual language lea ning
on whole-wo d complexi y and segmen al accu acy among child en aged 18 and 36
mon hs. In e na ional Jou nal o Speech-Language Pa hology, 13. Pp. 490 – 499.
MacLeod, A., Fabiano-Smi h, L., Boegne -Pagé, S. & Fon ollie , S. (2013) Simul aneous
bilingual language acquisi ion: The ole o pa en al inpu on ecep i e ocabula y
de elopmen . Child Language Teaching and The apy, 29 (1). Pp. 131 – 142.
MacNama a, J. (1969) How can one measu e he ex en o a pe son's bilingual
p o iciency. In Kelly, L. (eds.) (1971) Desc ip ion and Measu emen o Bilingualism.
To on o: Uni e si y o To on o P ess. Pp. 79 – 97.
McCabe, A. & Pe e son, C. (1991) Ge ing he s o y: A longi udinal s udy o pa en al
s yles in elici ing pe sonal na a i es and a de eloping na a i e skill. In McCabe, A. &
Pe e snon, C. (eds.) (1992) De eloping na a i e s uc u e. Hillsdale, NJ: Law ence
E lbaum. Pp. 217 – 253.
74
Meisel, J. M. (1989) Ea ly di e en ia ion o languages in bilingual child en. In
Hyl ens am, K. & Oble , L. (eds.) (1989) Bilingualism ac oss he li espan: Aspec s o
acquisi ion, ma u i y, and loss. Camb idge: CUP. Pp. 13 - 40.
Mon ul, S. (2004) Subjec and objec exp ession in Spanish he i age speake s: A case o
mo pho-syn ac ic con e gence. Bilingualism: Language and Cogni ion, 7. Pp. 1 – 18.
Mon ul, S. & Bowles, M. (2009) Back o basics: Di e en ial Objec Ma king unde
incomple e acquisi ion in Spanish he i age speake s. Bilingualism: Language and
Cogni ion, 12 (3). Pp. 363 – 383.
Mon ul, S. & Bowles, M. (2010) Is g amma ins uc ion bene icial o he i age language
lea ne s? Da i e case ma king in Spanish. The He i age Language Jou nal, 7. Pp. 47 –
73.
Muñoz, C. (2011) A aquisição de segundas línguas. Idade e con ex o de ap endizagem.
In Muñoz, C., A aújo, L. & Ceia, C. (2011) Ap ende uma Segunda Língua. Fundação
F ancisco Manuel dos San os. Po o: Po o Edi o a. Pp. 9 - 38.
Mülle , N. & Hulk, A. (2001) C osslinguis ic In luence in Bilingual Language
Acquisi ion: I alian and F ench as Recipien Languages. Bilingualism: Language and
Cogni ion, 4 (1). Pp. 1 - 21.
Nelson, K. (1977) Facili a ing child en’s syn ax acquisi ion. De elopmen al Psychology,
13. Pp. 101 - 107.
Oli a, M. (2015) La ma cación a iable de los obje os en español. P ominencia cogni i a
y elección g ama ical. ELUA. Es udios de Lingüís ica, 29. Pp. 9 – 33.
Oska e al. (2002) The No dic Languages. An In e na ional Handbook o he His o y o
he No h Ge manic Languages. The Mode n Language Re iew, 103 (4). Pp. 1760 – 1178.
Pa adis, J. (2011) The impac o inpu ac o s on bilingual de elopmen : quan i y e sus
quali y. Pee commen a y on A. So ace, Pinning down he concep o in e ace in
bilingualism. Linguis ic App oaches oBilingualism, 1. Pp. 67 - 70.
Pa adis, J. & Genesee, F. (1996) Syn ac ic acquisi ion in bilingual child en: au onomous
o independen ? S udies in Second Language Acquisi ion, 18. Pp. 1 - 15.
Pa adis, J. & Na a o, S. (2003) Subjec ealiza ion and c osslinguis ic in e e ence in he
bilingual acquisi ion o Spanish and English. Jou nal o Child Language, 30. Pp. 1 – 23.
Pa e son, J. (2002) Rela ionships o exp essi e ocabula y o equency o eading and
ele ision expe ience among bilingual oddle s. Applied Psycholinguis ics, 23. Pp. 493 –
508.
Pe ei a, D. (2011) Ap ende a se bilingue. In Flo es, C. (2011) Múl iplos Olha es Sob e
o Bilinguismo – T ans e salidades II. B aga: Edições Húmus. Pp. 15 - 43.
Phillips, J. (1973) Syn ax and ocabula y o mo he ’s speech o young child en: Age and
sex compa isons. Child De elopmen , 44. Pp. 182 - 185.

75
Pine, J. (1994) The language o p ima y ca egi e s. In Gallaway, C. & Richa ds, B. (eds.)
Inpu and in e ac ion in language acquisi ion. London: Camb idge Uni e si y P ess. Pp.
15 – 37.
Place, S. & Ho , E. (2011) P ope ies o dual language exposu e ha in luence 2-yea -
olds’ bilingual p o iciency. Child De , 82. Pp. 1834 – 1849.
Ri chie, W. & Bha ia, T. (1999) Handbook o Second Language Acquisi ion. Camb idge:
Academic P ess.
Rod íguez-Mondoñedo, M. (2008) The acquisi ion o di e en ial objec ma king in
Spanish. P obus, 20 (1). Pp. 111 - 145.
Romaine, S. (1989) Bilingualism. New Yo k: Basil Blackwell.
Ronja , J. (1913) Le dé eloppemen du langage obse é chez un en an bilingue. Pa is:
Lib ai ie Ancienne H. Champion.
Schau eli, A. (1992) A domain app oach o Tu kish ocabula y o bilingual Tu kish
child en in he Ne he lands. In Fase, W., Jaspae , K. & K oon, S. (eds.) Main enance and
Loss o Mino i y Languages. Ams e dam: John Benjamins. Pp. 117 – 135.
Snow, C. (1977) The de elopmen o con e sa ion be ween mo he s and babies. Jou nal
o Child Language, 4. Pp. 1 - 22.
So ace, A. (2004) Na i e language a i ion and de elopmen al ins abili y a he syn ax-
discou se in e ace: Da a, in e p e a ions and me hods. Language and Cogni ion, 7 (2).
Pp. 143 – 145.
So ace, A. & Filiace, F. (2006) Anapho a esolu ion in nea -na i e speake s o I alian.
Second Language Resea ch, 22. Pp. 339 - 368.
So ace, A. & Se a ice, L. (2009) In e nal and ex e nal in e aces in bilingual language
de elopmen : Beyond s uc u al o e lap. In e na ional Jou nal o Bilingualism, 13. Pp.
195 - 210.
Se a ice, L., So ace, A. & Paoli, S. (2004) C osslinguis ic in luence a he syn ax-
p agma ics in e ace: subjec s and objec s in English-I alian bilingual and monolingual
acquisi ion. Bilingualism: Language and Cogni ion, 7 (3). Pp. 183 – 205.
Sheng, L., Lu, Y. & Kan, P. (2011) Lexical de elopmen in manda in-English bilingual
child en. Bilingualism: Language and Cogni ion, 14. Pp. 579 - 587.
Sil e s ein, M. (1976) Hie a chy o ea u es and e ga i i y. In Dixon, R. (eds.)
G amma ical ca ego ies in Aus alian languages. Canbe a: Aus alian Ins i u e o
Abo iginal S udies. Pp. 112 – 171.
Thomas, E., Williams, N., Jones, L. A., Da ies, S. & Binks, H. (2014) Acqui ing complex
s uc u es unde mino i y language condi ions: Bilingual acquisi ion o plu al
mo phology in welsh. Bilingualism: Language and Cogni ion, 17 (3). Pp. 478 – 494.
Ticio, E. & A am, L. (2015) The acquisi ion o di e en ial objec ma king in Spanish
and Romanian: Seman ic scales o seman ic ea u es? Re ue oumaine de linguis ique, 4.
Pp. 383 - 402.
76
Tippe s, I. (2011) Di e en ial Objec Ma king: Quan i a i e E idence o Unde lying
Hie a chical Cons ain s ac oss Spanish Dialec s. In O iz-Lopez, L. (Eds.) Selec ed
P oceedings o he 13 h Hispanic Linguis ic Symposium. Some ille, MA: Cascadilla
P oceedings P ojec . Pp. 107 – 117.
To ego, E. (1998) The dependencies o Objec s. Camb idge, MA: MIT P ess.
To ego, E. (1999) El complemen o di ec o p eposicional. In: Bosque, I. & Demon e, V.
(eds.) G amá ica Desc ip i a de la Lengua Española, II. Mad id: Espasa-Calpe. Pp. 1779
– 1805.
Tsimpli, I., So ace, A., Heycock, C. & Filiaci, F. (2004) Fi s language a i ion and
syn ac ic subjec s: A s udy o G eek and I alian nea -na i e speake s o English.
In e na ional Jou nal o Bilingualism, 8. Pp. 257 - 277.
Unswo h, S. (2016) Quan i y and quali y o language inpu in bilingual language
de elopmen . In Nicoladis, E. & Mon ana i, S. (eds.) Li espan pe spec i es on
bilingualism. Mou on de G uy e /APA. Pp. 136 - 196.
Vendle , Z. (1967) Ve bs and imes. In Vendle , Z. (eds.) Linguis ics in Philosophy.
I haca: Co nell Uni e si y P ess. Pp. 97 - 121.
Ve ga a, M. (2013) The De elopmen o Di e en ial Objec Ma king in Spanish-English
Bilingual Child en. Disse ação de mes ado. Wes La aye e: Pu due Uni e si y.
Wei eich, U. (1953) Languages in Con ac : Findings and P oblems. New Yo k:
Linguis ic Ci cle o New Yo k.
Weissen iede , M. (1990) Va iable Uses o he Di ec -Objec Ma ke a. Hispania, 73. Pp.
223 – 231.
Wilson, F., Kelle , F. & So ace, A. (2009) An eceden p e e ences o anapho ic
demons a i es in L2 Ge man. In Chandlee, J., F anchini, M., Lo d, S. & Rheine , G.
(eds.) P oceedings o Bos on Uni e si y con e ence on language de elopmen , 33.
Some ille, MA: Cascadilla P ess. Pp. 634 -645.
Wong-Fillmo e, L. (1991) When Lea ning a Second Language Means Losing he Fi s .
Ea ly Childhood Resea ch Qua e ly, 6. Pp. 323 – 46.
Zyzik, E. & Pascual, L. (2012) Spanish Di e en ial Objec Ma king: An Empi ical S udy
o Implici and Explici Ins uc ion. S udies in Hispanic and Lusophone Linguis ics, 5 (2).
Pp. 387 – 422.
77
Anexo 1
Tes e pela o dem aplicada às c ianças.
Condição
Imagem
Es ímulo
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
g an oso y un osi o.
¿Qué hace el g an
oso?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
pe o y una
se pien e.
¿Qué hace el
pe o?
Dis a o
Aquí enemos una
niña con un es ido
e de, o a con un
es ido azul y un
elé ono.
¿Qué hace la niña
con el es ido
e de?
78
[+humano]
Aquí enemos un
pad e, su hijo y una
man a.
¿Qué hace el
pad e?
Dis a o
Aquí enemos una
niña y un peine.
¿Qué hace la niña?
[-animado]
Aquí enemos una
niña y una caja
ce ada.
¿Qué hace la niña?
85
Dis a o
Aquí enemos un
niño y una bañe a.
¿Qué hace el niño?
[+humano]
Aquí enemos una
p o eso a y cua o
alumnos.
¿Qué hace la
p o eso a?

86
Anexo 2
Tes e po condição.
Condição
Imagem
Es ímulo
[+humano]
Aquí enemos un
pad e, su hijo y una
man a.
¿Qué hace el
pad e?
[+humano]
Aquí enemos una
niña, un niño y
unos binocula es.
¿Qué hace la niña?
[+humano]
Aquí enemos una
niña que se es á
ahogando y un
soco is a.
87
¿Qué hace el
soco is a?
[+humano]
Aquí enemos un
niño, una niña y
una mangue a.
¿Qué hace el niño?
[+humano]
Aquí enemos un
polícia y un lad ón.
¿Qué hace el
polícia?
88
[+humano]
Aquí enemos una
p o eso a y cua o
alumnos.
¿Qué hace la
p o eso a?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
g an oso y un osi o.
¿Qué hace el g an
oso?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
pe o y una
se pien e.
89
¿Qué hace el
pe o?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
ga o ma ón y una
ga a blanca.
¿Qué hace el ga o
ma ón?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
pez g ande y
muchos peces
pequeños.
¿Qué hace el g an
pez?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
ga o y un a ón.
90
¿Qué hace el ga o?
[-humano]
[+animado]
Aquí enemos un
ele an e y una
ho miga.
¿Qué hace el
ele an e?
[-animado]
Aquí enemos una
niña y una caja
ce ada.
¿Qué hace la niña?
[-animado]
Aquí enemos un
pe o y un hueso.

91
¿Qué hace el
pe o?
[-animado]
Aquí enemos una
seño a y un cas illo
en la ele.
¿Qué hace la
seño a?
[-animado]
Aquí enemos una
seño a, una
en ana, un paño y
un sp ay de
limpieza.
¿Qué hace la
seño a?
92
[-animado]
Aquí enemos un
pin o , una silla, un
balde de pin u a y
una b ocha.
¿Qué hace el
pin o ?
[-animado]
Aquí enemos una
niña, una ije a y
una hoja de papel
oja.
¿Qué hace la niña?
Dis a o
Aquí enemos una
niña con un es ido
e de, o a con un
es ido azul y un
elé ono.
93
¿Qué hace la niña
con el es ido
e de?
Dis a o
Aquí enemos una
niña y un peine.
¿Qué hace la niña?
Dis a o
Aquí enemos un
pi a a y un ba co.
¿Qué hace el
pi a a?
94
Dis a o
Aquí enemos un
niño, su abuelo y un
lib o.
¿Qué hace el
abuelo?
Dis a o
Aquí enemos una
mad e, su hija y un
egalo.
¿Qué hace la
mad e?
Dis a o
Aquí enemos un
niño y una bañe a.