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Aquisição do complemento direto preposicionado em crianças bilingues português europeu/espanhol ibérico

Silva, Cristiana Malcata Antunes Alves da

Abstract

Relativamente a crianças monolingues, o uso mais prototípico do complemento direto preposicionado (o uso da preposição a para marcar a animacidade) dá-se antes dos três anos de idade (Rodríguez-Mondoñedo 2008). No entanto, poucos são os estudos que se debruçam sobre a aquisição deste fenómeno em crianças bilingues. A presente dissertação foca-se na aquisição do complemento direto preposicionado em crianças bilingues português europeu-espanhol ibérico, residentes em Portugal, com 4 e 5 anos. Foi utilizado um teste de produção induzida que considerava a variável animacidade, tendo em conta a escala de Aissen (2003). Procurou-se também determinar se o tipo de input a que a criança está exposta em casa tinha influência no seu desempenho. Os resultados obtidos mostram que as crianças até aos 5 anos ainda não dominam completamente todas as propriedades associadas ao complemento direto preposicionado, confirmando a complexidade do fenómeno que envolve a interface entre diferentes tipos de conhecimento gramatical. As crianças manifestaram mais dificuldades na realização de complementos diretos animados (humanos e não humanos) do que na realização de complementos diretos não animados. As crianças cujos pais tinham ambos o espanhol como língua materna e que interagiam com a criança nessa língua tiveram melhores desempenhos do que as crianças que tinham pais falantes nativos de línguas maternas diferentes.

Full text

Aquisição do complemen o di e o p eposicionado em c ianças bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico C is iana Malca a An unes Al es da Sil a Maio, 2017 Disse ação em Ciências da Linguagem C is iana Malca a An unes Al es da Sil a Aquisição do complemen o di e o p eposicionado em c ianças bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico Maio, 2017 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia Lobo e da P o esso a Dou o a Ana Madei a Ao meu a ô José Malca a AGRADECIMENTOS O meu since o ag adecimen o a odas as pessoas que con ibuí am pa a a conc e ização des a disse ação. O apoio de inúme as pessoas oi undamen al nes e abalho. Às P o esso as Dou o as Ma ia Lobo e Ana Madei a, o ien ado as da disse ação, ica o meu ag adecimen o po odo o apoio e con ibuições pa a o abalho. Mui o ob igada po oda a ajuda ao longo des es meses. Que o deixa ambém um ag adecimen o a odos os pais que pe mi i am a aplicação do meu es e aos ilhos. Sem eles, não e ia esul ados. Um ag adecimen o mui o especial a odos os amilia es e amigos pelo apoio e incen i o. Ob igada a odos aqueles que es i e am p esen es, de algum modo, nes e meu pe cu so académico. Ao And é, ag adeço oda a a enção dedicada e o ac o de me e p opo cionado mui os so isos, mesmo em al u as mais di íceis. Ao meu io, ag adeço o ac o de me e p opo cionado um excelen e ambien e de abalho. Ob igada à minha ia G aça, que semp e me apoiou e incen i ou não só na esc i a des a disse ação, mas ao longo de odo o meu pe cu so académico, disponibilizando uma ajuda in ini a. À minha mãe, deixo o maio ag adecimen o po odo o amo , po oda a a enção, po odo o incen i o, po oda ajuda em qualque dia e a qualque ho a e po se a minha melho amiga. O meu sen ido ag adecimen o a odos aqueles que azem pa e da minha ida e que, em algum momen o, con ibuí am pa a me es imula não só in elec ualmen e, mas ambém emocionalmen e. AQUISIÇÃO DO COMPLEMENTO DIRETO PREPOSICIONADO EM CRIANÇAS BILINGUES PORTUGUÊS EUROPEU-ESPANHOL IBÉRICO DISSERTAÇÃO EM CIÊNCIAS DA LINGUAGEM CRISTIANA MALCATA ANTUNES ALVES DA SILVA RESUMO Rela i amen e a c ianças monolingues, o uso mais p o o ípico do complemen o di e o p eposicionado (o uso da p eposição a pa a ma ca a animacidade) dá-se an es dos ês anos de idade (Rod íguez-Mondoñedo 2008). No en an o, poucos são os es udos que se deb uçam sob e a aquisição des e enómeno em c ianças bilingues. A p esen e disse ação oca-se na aquisição do complemen o di e o p eposicionado em c ianças bilingues po uguês eu opeu-espanhol ibé ico, esiden es em Po ugal, com 4 e 5 anos. Foi u ilizado um es e de p odução induzida que conside a a a a iá el animacidade, endo em con a a escala de Aissen (2003). P ocu ou-se ambém de e mina se o ipo de inpu a que a c iança es á expos a em casa inha in luência no seu desempenho. Os esul ados ob idos mos am que as c ianças a é aos 5 anos ainda não dominam comple amen e odas as p op iedades associadas ao complemen o di e o p eposicionado, con i mando a complexidade do enómeno que en ol e a in e ace en e di e en es ipos de conhecimen o g ama ical. As c ianças mani es a am mais di iculdades na ealização de complemen os di e os animados (humanos e não humanos) do que na ealização de complemen os di e os não animados. As c ianças cujos pais inham ambos o espanhol como língua ma e na e que in e agiam com a c iança nessa língua i e am melho es desempenhos do que as c ianças que inham pais alan es na i os de línguas ma e nas di e en es. Pala as-cha e: complemen o di e o p eposicionado, bilinguismo, animacidade, in e ace, inpu , língua ma e na ABSTRACT Rega ding monolingual child en, he acquisi ion o Di e en ial Objec Ma king (DOM) occu s be o e he age o h ee (Rod íguez-Mondoñedo 2008). Howe e , ew s udies ha e add essed he acquisi ion o his phenomenon in bilingual child en. The p esen s udy ocuses on he acquisi ion o DOM in Eu opean Po uguese-Ibe ian Spanish bilingual child en li ing in Po ugal. The pa icipan s pe o mance was es ed h ough an elici ed p oduc ion es ha conside ed he animacy a iable in his s uc u e aking in o accoun o he Aissen scale (2003). The ac ha i en ol es in e ace p ope ies which may make i ha de o acqui e, was also conside ed, as was he ele ance o ce ain inpu aspec s such as he pa en s’ na i e language which may in luence he acquisi ion o his s uc u e. The esul s showed ha he child en unde 5 yea s old do no ye ully mas e he DOM p ope ies in es iga ed, con i ming he complexi y o he phenomenon owa ds he in e aces in ol ed. The scale o animacy seems ele an du ing he p ocess o acquisi ion as 5-yea -old child en al eady appea o dis inguish human and nonhuman anima e objec s. The child en whose pa en s ha e bo h Spanish as hei na i e language and communica e wi h he child in Spanish ha e be e esul s han hose pa en s ha e di e en na i e languages. Key-wo ds: di e en ial objec ma king, bilingualism, animacy, in e ace, inpu , na i e language Índice 1. In odução..............................................................................................................1 2. Enquad amen o eó ico-desc i i o.........................................................................4 2.1.Tipos de bilinguismo........................................................................................4 2.2.Aquisição bilingue...........................................................................................7 2.3.Complemen o di e o p eposicionado em espanhol ibé ico.............................14 2.4.Complemen o di e o p eposicionado em po uguês eu opeu..........................24 2.5.Aquisição do complemen o di e o p eposicionado........................................25 2.5.1. Aquisição monolingue.......................................................................26 2.5.2. Aquisição po alan es de língua de he ança.......................................28 2.5.3. Aquisição de L2.................................................................................30 3. Me odologia.........................................................................................................38 3.1.Hipó eses.......................................................................................................38 3.2.Ta e a.............................................................................................................39 3.3.P ocedimen os ado ados................................................................................42 3.4.Pa icipan es...................................................................................................42 3.5.Codi icação de espos as................................................................................46 4. Resul ados............................................................................................................48 4.1.Po condição..................................................................................................48 4.1.1. [+hum]...............................................................................................48 4.1.2. [+anim][-hum]...................................................................................51 4.1.3. [-anim]...............................................................................................53 4.2.Po g upo........................................................................................................55 4.2.1. C ianças bilingues com pai e mãe com LM dis in a............................56 4.2.1.1.4 anos...........................................................................................56 4.2.1.2.5 anos...........................................................................................57 4.2.2. C ianças bilingues com pai e mãe com LM espanhol ibé ico.............58 4.3.Po LM da mãe...............................................................................................59 5. Discussão dos esul ados e conclusões.................................................................63 6. Re e ências bibliog á icas....................................................................................72 Anexos.......................................................................................................................78 Figu as, abelas, g á icos e anexos: Figu a 1 - Ma cação ela i a segundo os aços de animacidade e de ini ude – Página 23 Tabela 1 – Núme o, idades e a espe i a média dos ês g upos de pa icipan es – Página 43 Tabela 2 – Núme o de pai e mãe pa a cada LM – Página 44 Tabela 3 – Pe cen agem das línguas aladas en e os pais, po cada g upo de c ianças – Página 44 Tabela 4 – Pe cen agem das línguas aladas en e i mãos, po cada g upo de c ianças – Página 45 Tabela 5 – Pe cen agem dos países em que passam é ias, po cada g upo de c ianças – Página 46 Tabela 6 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 4 anos – Página 56 Tabela 7 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com LM dis in a) – Página 57 Tabela 8 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) – Página 59 G á ico 1 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [+ humano] – Página 48 G á ico 2 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [+ humano] – Página 49 G á ico 3 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) na condição [+ humano] – Página 50 G á ico 4 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição [+ humano] – Página 50 G á ico 5 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- humano] [+ animado] – Página 51 G á ico 6 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- humano] [+ animado] – Página 52 G á ico 7 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) na condição [- humano] [+ animado] – Página 52 G á ico 8 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição [- humano] [+ animado] – Página 53 G á ico 9 – Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- animado] – Página 53 G á ico 10 – Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- animado] – Página 54 G á ico 11 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com língua ma e na di e en e) na condição [- animado] – Página 55 G á ico 12 – Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição [- animado] – Página 55 G á ico 13 – Resul ados das c ianças de 4 anos nas ês condições – Página 56 G á ico 14 – Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) nas ês condições – Página 57 G á ico 15 – Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) nas ês condições – Página 58 G á ico 16 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+humano] – Página 60 G á ico 17 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+animado] [- humano] – Página 60 G á ico 18 – Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [- animado] – Página 61 Anexo 1 – Tes e pela o dem aplicada às c ianças – Página 78 5 ou mais línguas e le em um papel ele an e no dia-a-dia de um indi íduo. E e i amen e, uma c iança bilingue c esce com uma exposição a ambas a línguas, que ão assumindo um papel ele an e na sua ida quo idiana. No en an o, essa ele ância é di e en e de alan e pa a alan e e muda ao longo da sua ida. Algumas c ianças apenas desen ol em compe ências ece i as numa de e minada língua pelo con ac o eduzido que êm com es a. Pa a o au o , es es casos não co espondem a si uações de bilinguismo, uma ez que uma das línguas em um papel in e io ao da ou a. Pa a Pe ei a (2011), o bilinguismo, de um pon o de is a discu si o, é igualmen e algo complexo, uma ez que assen a numa p á ica de anslanguaging que, segundo Bake (2003), co esponde a um enómeno como «“an a angemen ha no malizes bilingualism wi hou diglossic unc ional sepa a ion (Ga cía, Ba le & Klei gen, 2007:219) e que consis e na li e ges ão das línguas e mo imen ação en e elas, em cada momen o, de aco do com o g au de p o iciência linguís ica dos alan es no con ex o especí ico, em unção das in enções de comunicação e de au o-iden i icação e do ipo de negociação a es abelece no diálogo com os ou os». Es e concei o em-se e elado, po an o, algo di ícil de de ini . T a a-se de um concei o con o e so e não há consenso quan o a um concei o que possa se gene alizado. Tal como a i ma Lengyel (2001), o bilinguismo não oco e de uma o ma uni o me, azão pela qual não há uma só de inição uni e sal que possa se acei e. O ac o de coexis e em duas línguas nes a si uação é o único aspe o comum em odas as de inições. Rela i amen e a e ei os de in e e ência que podem oco e no bilinguismo, Mackey (1962) ap esen a-nos di e sos ipos – cul u al, semân ica, lexical, g ama ical e onológica. No que diz espei o a in e e ências g ama icais, o au o inclui ês pa âme os: a in odução no discu so de alan es bilingues de unidades e es u u as de pa es de ou a língua, as ca ego ias g ama icais e as o mas uncionais. No caso da in odução no discu so de unidades e es u u as de pa es de ou as línguas, dá-se o exemplo de um alan e pode “c ia ” no os i ens. Quando se ou e um alan e bilingue ancês-inglês dize algo como Je n’ai pas pu le con ac e , e i ica-se que o mesmo es á a c ia um no o e bo que ans e e da língua inglesa a a és de uma ase como I wasn’ able o con ac him. Rela i amen e às ca ego ias g ama icais, em-se como exemplo a ca ego ia do géne o que acilmen e pode se con undida. Quan o às o mas uncionais, incluem-se unidades como p eposições, conjunções ou de e minan es, 6 po exemplo. Mackey (1962) e e e que acilmen e se egis am e ei os de ans e ência quando as duas línguas adqui idas pelo alan e bilingue ap esen am di e enças a ní el de ma cação, como o caso da ma cação de classes dos nomes pelos de e minan es em bilingues ancês-inglês. No en an o, con a iamen e a es es, há ou os au o es que apon am pa a di e sos ipos de bilinguismo. Segundo Muñoz (2011), exis e uma di e ença cla a en e bilinguismo simul âneo e bilinguismo consecu i o. O p imei o ca ac e iza-se po uma aquisição das duas línguas desde o momen o do nascimen o ou numa idade que não ul apasse os dois anos de idade e que oco e, habi ualmen e, quando o pai e a mãe alam com a c iança em línguas dis in as. O segundo co esponde a uma aquisição de uma das duas línguas a é aos qua o anos, ap oximadamen e. Assim, a segunda língua se ia adqui ida numa ase pos e io em que a c iança já em conhecimen os básicos e undamen ais da p imei a língua. Assim, uma ez que as c ianças bilingues simul âneas são expos as a mais do que uma língua du an e os p imei os anos de ida, êm, no o al, menos exposição a cada uma delas do que as c ianças monolingues (Pa e son, 2002). No que diz espei o a concei os como o bilinguismo ideal e o bilinguismo pa cial, sabe-se que o segundo é aquele que se encon a em alan es que comp eendem e alam ambas as línguas, ha endo uma que sob essai, is o é, que é p edominan e, enquan o que o bilinguismo ideal passa po aqueles que con olam ambas as línguas ao ní el de alan es na i os (Romaine 1989). Dois ou os ipos de bilinguismo abo dados po Edwa ds (1992) co espondem a bilinguismo adi i o – quando, ao adqui i uma segunda língua, es a é “adicionada” ao epo ó io linguís ico do alan e - e bilinguismo sub a i o – quando a segunda língua adqui ida subs i ui a p imei a língua ou az com que haja uma pe da de compe ências na mesma. Segundo o au o , es es ipos de bilinguismo en ol em ques ões de “ alo /impo ância” pa a o alan e. Assim, enquan o no p imei o caso ambas as línguas são enca adas como igualmen e impo an es e endo a mesma u ilidade pa a o alan e, o bilinguismo sub a i o já sob e alo iza uma delas, o que az com que haja uma cla a p edominância de uma sob e a ou a. 7 No que diz espei o à dis inção en e bilinguismo p imá io e secundá io, a dis inção co esponde ao ac o de o p imei o se e e i à aquisição da língua de uma o ma na u al e espon ânea, enquan o o segundo co esponde a uma u ilização de mé odos de ensino o mais e de o mas menos na u ais. 2.2. Aquisição bilingue Aos olhos de au o es como Wein eich (1953), a al e nância en e línguas deco en e do bilinguismo é enca ada como um a o nega i o pelo ac o de nos depa a mos com possí eis in e e ências que, consequen emen e, pode ão des a o ece a compe ência em alguma das línguas. No en an o, Ronja (1913) encon ou semelhanças en e a aquisição de mais do que uma língua po pa e de bilingues simul âneos e a aquisição monolingue. De um modo ge al, na á ea da li e a u a dedicada à in es igação linguís ica que se cen a na aquisição mul ilingue, em-se indo a e i ica um consenso no que diz espei o à capacidade que uma c iança bilingue em de dis ingui as suas línguas desde cedo e de pode i a a ingi um conhecimen o g ama ical igual ao de c ianças monolingues (Meisel 1989; Köppe 1997). No en an o, embo a os dois sis emas linguís icos possam se dis inguidos p ecocemen e, exis e a hipó ese que de ende que o desen ol imen o g ama ical de uma das línguas pode se , e e i amen e, in luenciado pela ou a (Mülle & Hulk 2001). Inúme os es udos de endem a ideia de que, na aquisição bilingue, ce os domínios g ama icais são mais ulne á eis à oco ência de in e e ências do que ou os. No pon o de is a de Mülle & Hulk (2001), as á eas es u u ais mais sensí eis a p ocessos de ans e ência de uma língua pa a a ou a ca ac e izam-se po se encon a em si uadas em zonas de in e ace onde se cons a a uma in e ação en e módulos g ama icais e módulos ex ag ama icais – sin axe e p agmá ica, po exemplo – e po ap esen a em uma ce a “ambiguidade” es u u al. Assim sendo, se hou e uma es u u a susce í el de co esponde a mais do que uma análise g ama ical na língua A e se na língua B hou e e idência ampla pa a uma das análises, isso pode á condiciona a análise que a c iança az na língua A. No que diz espei o a enómenos que en ol em a in e ace sin axe-discu so, ambém se pode e i ica uma g ande ulne abilidade du an e o p ocesso de aquisição de uma língua, o que az com que haja a possibilidade de su gi em “ ans e ências” de uma língua pa a a ou a (Pa adis & Na a o 2003; Se a ice, So ace & Paoli 2004). 8 So ace (2004) p opõe, a a és da Hipó ese de In e ace, que é mais complexo adqui i p op iedades que es ejam na in e ace en e a sin axe e ou os domínios do que p op iedades es i amen e sin á icas. A hipó ese p e ende explica di e gências en e bilingues e monolingues no que diz espei o a es u u as de in e ace. No en an o, á ias pesquisas êm indo a con es a es a hipó ese, indicando que essas di e gências en e monolingues e bilingues não podem se jus i icadas apenas com base em ques ões elacionadas com a p esença de in e aces (Bohnacke 2007; Cuza 2012). E ei os de ans e ências de uma língua pa a a ou a podem oco e em qualque sen ido ou mesmo em simul âneo e ambém se conside a a hipó ese de uma língua pode in luencia a elocidade de aquisição da ou a, deixando em abe o o ac o de se pode da uma acele ação ou um a aso (Pa adis & Genesee 1996). Flo es (2011) apon a aspe os elacionados com a exp essão do sujei o e do obje o como os mais es udados no âmbi o da aquisição bilingue e az e e ência às di iculdades na ealização do sujei o numa língua [+] p o-d op quando a ou a língua que os alan es dominam é [-] p o d op, is o que a endência é pa a gene aliza a ealização oné ica do sujei o na língua de sujei o nulo. Es e ac o e ela que a língua [-] p o-d op em uma cla a in luência sob e a língua [+] p o-d op. T a a-se, assim, de um exemplo de uma in luência unidi ecional. Ainda ela i amen e a es e pon o que en ol e ce os domínios linguís icos, suge e-se que há e ei os de pe il, is o é, c ianças que po si só pode ão se mais a ançadas numa á ea do que nou a, e es es podem se signi ica i os. Assumindo es a possibilidade, uma c iança pode á não es a a consegui con ola ce os aspe os numa dada língua não po in luência de ou a língua, mas po que ela mesma ap esen a mais di iculdades em de e minado domínio linguís ico. No en an o, e ão de se ei as mais in es igações pa a sabe se e ei os de inpu su gem de modo semelhan e em di e en es domínios (Unswo h 2016). Fa o es ex alinguís icos como a quan idade e o ipo de con ac o e elam-se undamen ais no p ocesso de aquisição e da e enção de uma língua e das suas compe ências po pa e de alan es bilingues (So ace e Se a ice 2009). Se uma c iança bilingue, em ase de aquisição, es i e conside a elmen e menos expos a a uma língua, não desen ol e á, à pa ida, uma compe ência ão es á el na língua menos usada como a que i á a desen ol e naquela cuja exposição é supe io . 9 O es udo de Chan (2010), po exemplo, demons a uma maio di iculdade po pa e das c ianças bilingues can onês-inglês no uso de cons uções de duplo obje o com um dos e bos da língua can onesa do que po pa e de c ianças monolingues can onês e jus i ica es e ac o po o inpu das p imei as se in e io ao das segundas. Thomas e al. (2014) es uda am a aquisição da mo ologia de plu al no galês e e i ica am que as c ianças bilingues que inham a língua inglesa como única língua em con ex o amilia , aos 11 anos de idade, ainda es a am a en a u iliza co e amen e as o mas, con a iamen e às que inham ido con ac o apenas com a língua galesa em casa. Os mesmos au o es chega am ainda a e i ica que mesmo os adul os que c esce am com ambas as línguas desde o nascimen o não e am ão p ecisos quando u iliza am a mo ologia do plu al como os que c esce am apenas com o galês em casa e adqui i am o inglês mais a de. Assim, Thomas e al. (2014) e e em que pa a enómenos mais complexos como es e – mo ologia do plu al na língua galesa – a exposição à língua desde o nascimen o pode se insu icien e pa a que haja uma aquisição comple a, endo em con a que os e ei os de inpu eduzido pa ecem p olonga -se. A quan idade de inpu a que uma c iança é expos a é, assim, ex emamen e ele an e no âmbi o da aquisição bilingue. É mui o di ícil que uma c iança enha exa amen e a mesma quan idade de inpu pa a ambas as línguas. Des e modo, ine i a elmen e, a c iança es a á mais expos a a uma língua do que a ou a. No en an o, e al como já oi e e ido acima, ainda que a c iança enha uma língua com ní eis de p o iciência mais baixos, ela em a capacidade de iguala o seu conhecimen o g ama ical ao de c ianças monolingues. Assim sendo, embo a a exposição a uma de e minada língua po pa e de c ianças bilingues seja in e io à dos monolingues, mui as dessas c ianças bilingues são capazes de desen ol e sis emas linguís icos idên icos aos dos monolingues, em pelo menos uma língua (MacLeod e al. 2011, Schau eli 1992) ou a é em ambas as línguas (Mack 2003, Fabiano Smi h & Golds ein 2010). No e-se que, embo a o g au de aquisição de uma língua po pa e de uma c iança bilingue enha ap esen ado uma elação com a quan idade de inpu a que as c ianças es ão expos as, o es udo de Pa adis (2011) não encon ou uma elação en e a quan idade de inpu e os esul ados na língua que as c ianças es a am a adqui i , suge indo-se que a esponsabilidade pode ia ecai numa baixa p o iciência de ce os alan es esponsá eis 10 po esse mesmo inpu . Assim, não é apenas a quan idade que em ele ância em e mos de aquisição, mas ambém a qualidade, o nando-se e iden e que um adul o que enha um ní el de p o iciência ele ado numa língua o nece á um melho inpu pa a a c iança, o que acili a o p ocesso de aquisição (Ho e & Co e 2013). A in e ação é um aspe o que em indo a se elacionado com o inpu . A hipó ese de in e ação de Long (1983, 1985, 1996) deb uça-se sob e a impo ância do discu so no desen ol imen o g ama ical e do inpu como condição undamen al pa a a aquisição de uma L2. Es e au o de ende que a in e ação acili a a aquisição, is o que odo o conjun o de modi icações linguís icas que ão oco endo ao longo do discu so ai desencadea o inpu necessá io. Nes e con ex o de aquisição bilingue, é igualmen e impo an e e e i aspe os elacionados com o ag egado amilia e com o es a u o da língua. O ac o de uma c iança, em idade p é-escola , se o na bilingue ou p edominan emen e alan e monolingue da língua maio i á ia es á o emen e associado à quan idade de inpu que ecebe em con ex o amilia e com o es a u o da/s língua/s o a de casa. (MacLeod e al. 2013) Assim, o ac o de se c esce num ambien e bilingue não de e mina que a c iança se o ne bilingue em idade escola . Mui as delas o nam-se luen es na língua maio i á ia e e êm apenas um conhecimen o passi o da ou a língua (Wong-Fillmo e 1991). De modo a en a ob e a mesma quan idade de inpu de cada uma das línguas no p ocesso de aquisição, ala-se na ecomendação da u ilização do sis ema “one pa en -one language”, mas não há e idências de que possa se su icien e. Embo a não abo de ques ões sin á icas, mas de ca ac e lexical, o es udo de MacLeod e al. (2013) eio indica que es a suges ão pode mesmo se insu icien e pa a assegu a uma exposição igualmen e consis en e pa a duas línguas no desen ol imen o da linguagem po pa e de bilingues simul âneos. O es udo demons ou que, mesmo nes es con ex os, a exposição a cada uma das línguas pode se desequilib ada e, consequen emen e, uma das línguas acaba po e ela desen ol imen os a dios. Os mesmos au o es indicam que pode á se impo an e que as c ianças ecebam o inpu da língua mino i á ia, em casa, po pa e de ambos os pais, já que, o a de casa, a exposição à língua maio i á ia é conside a elmen e supe io . No en an o, de um modo ge al, não se sabe ao ce o qual é a quan idade de inpu da língua mino i á ia que uma 11 c iança p ecisa de ecebe pa a se o na bilingue e não apenas alan e monolingue da língua maio i á ia. Além disso, embo a a p esença da língua mino i á ia, em con ex o amilia , possa se mui o impo an e no p ocesso de aquisição, es e ac o não ga an e o con ínuo desen ol imen o linguís ico, uma ez que ou os a o es de ca á e social ou educacional podem se mais ele an es (Sheng, Lu & Kan 2011). Long (1996) ambém não é a a o da ideia one pa en -one language e a gumen a que a sepa ação do inpu , nes es casos, pode se esponsá el pela c iação de um ambien e socialmen e an ina u al pa a o uso da linguagem e, consequen emen e, es e ac o pode á le a a uma alha na aquisição de compe ências em á eas da p agmá ica po pa e das c ianças bilingues. Pa a além dos mo i os e e idos acima, pa a Flo es e al. (2016), c ianças com ag egados amilia es “mis os”, is o é, com mais do que uma língua em casa, pode ão ap esen a uma maio endência pa a adqui i mais len amen e uma língua do que aquelas que êm con ac o apenas com uma. Embo a a exposição a ambas as línguas possa não se consis en e, possa ha e um ambien e socialmen e an ina u al pa a o uso da linguagem e a aquisição de cada língua possa se mais len a, o sis ema “one pa en -one language” pode á ajuda no desen ol imen o bilingue, uma ez que pe mi e à c iança di e encia , desde cedo, as duas línguas que ou e, pois em de sepa a o inpu que é dado pelos pais. Genesee e al. (1995) elabo a am um es udo que demons ou que c ianças bilingues inglês- ancês, com idades comp eendidas en e os 1;10 e 2;2 anos, escolhiam a língua inglesa pa a se di igi em à mãe e a ancesa pa a o pai - is o se , espe i amen e, a língua que cada um ala a - demons ando, pa a além disso, compe ência em ambas as línguas. Nes a si uação que eme e pa a cada um dos pais ala a sua p óp ia língua, ge almen e, uma delas é a social ou maio i á ia e co esponde ao caso p o o ípico de c ianças bilingues simul âneas. Pelo con á io, no caso de c ianças bilingues consecu i as, habi ualmen e, ambos os pais alam a língua mino i á ia em casa. No en an o, is o não in alida que um deles não possa op a po ala a língua maio i á ia em casa ambém. Pa a além des a possibilidade, a en ada da língua maio i á ia – ou social – em casas de c ianças bilingues ambém se pode e i ica a a és de i mãos (Unswo h 2016). 12 An es de abo da a impo ância que os i mãos podem e no inpu da c iança, no e- se que há ce os es udos – Phillips 1973; Snow 1977 - que apon am di e enças en e a in e ação ma e na e pa e na com os ilhos. O mo he ese – ipo de discu so u ilizado pelas mães com a c iança – em a unção de en ol e a c iança na in e ação, de modo a consegui comunica melho com a mesma, e é enca ado como um ipo de inpu ca ac e ís ico da ala das mães que, po se sensí el ao ní el linguís ico do ilho, p ocu a i ao encon o das suas capacidades sociais e cogni i as, assim como dos seus in e esses (Pine 1994). Segundo Lie en (1994), es e ipo de discu so – o mo he ese – es á associado a a o es cul u ais, uma ez que nem semp e é a mãe quem em o papel de cuida da c iança nos p imei os anos de ida. O mo he ese é u ilizado po qualque pessoa que se encon e a exe ce a unção ma e na. As mães, de um modo ge al, endem a u iliza p ocedimen os que acili am a comp eensão – en a iza pala as essenciais, diminui a elocidade da ala, epe i o que disse am pa a que a c iança en enda melho -, u ilizam um ipo de discu so sin a icamen e simples e endem a p oduzi ases e e en es ao momen o a ual – conjugação do empo p esen e, e e ência a obje os ou a i idades habi uais e con ínuas (Snow 1977). McCabe & Pe e son (1991) enca am a elabo ação de ques ões – ou a es a égia habi ual no discu so das mães - como algo que in luencia a c iança a elabo a p oduções mais longas e coe en es, pa a além de se uma o ma de passa a pala a pa a o ilho. O es udo de Fago & Hagan (1991), ealizado com quase 300 c ianças numa aixa e á ia dos 18 meses aos 5 anos, mos ou que discu sos, po pa e das mães, que con enham epe ições e e o mulações dos enunciados são mo i ado es, já que es imulam a comunicação com a c iança. Especi icamen e em elação às e o mulações, Nelson (1977) compa ou dois g upos de c ianças – um que inha sido expos o a uma quan idade signi ica i a de e o mulações e ou o que não es e e expos o a nenhuma e o mulação – que ou i am exa amen e a mesma quan idade de discu so e e i icou que as que es i e am sujei as a e o mulações usa am o mas mais complexas nas ases ao longo do es e do que as do ou o g upo. Segundo Glei man e al. (1984), es e ipo de discu so exe ce um papel ele an e na aquisição da linguagem, sob e udo na á ea da sin axe. Pa a Con i-Ramsden (1990), a ausência de e o mulações po pa e das mães chega mesmo a se apon ada como um dos a o es esponsá eis pelo a aso na ala das c ianças. 13 Des e modo, e i ica-se que o p imei o oco de a enção da c iança, a ní el da linguagem, é, eg a ge al, a mãe – ou quem que que es eja a oma esse luga -, o que az com que es a exe ça uma in luência p i ilegiada no desen ol imen o da linguagem. Embo a não haja mui os es udos sob e a in luência dos i mãos na aquisição e desen ol imen o da linguagem em c ianças bilingues, sabe-se que es es ambém pode ão se impo an es. Os i mãos mais elhos de em se enca ados não só como on es de inpu , mas ambém como po enciais agen es de mudança da linguagem po pa e de ou os memb os da amília, endo em con a o es udo de B idges & Ho (2014), com c ianças bilingues espanhol-inglês esiden es nos Es ados Unidos, que e i icou que aquelas que inham i mãos mais elhos a equen a uma escola de língua inglesa inham mais inpu dessa mesma língua em casa – não só po pa e dos p óp ios i mãos, mas ambém das mães – do que c ianças sem i mãos ou com i mãos mais no os que ainda não es i essem em idade escola . O inpu pode ambém p o i de ou os g upos o a do con ex o amilia , como os colegas de escola. Es udos como os de Jia & Fuse (2007) êm demons a que a in luência po pa e dos colegas pode se impo an e não só na língua mino i á ia, como na maio i á ia. Assim, as on es de inpu podem se á ias, ha endo alguns casos em que são es i as a apenas um conjun o de pessoas ou a um luga . Rela i amen e a es e ema, ce os es udos demons a am que ou i uma língua po pa e de alan es na i os di e en es é mais a o á el pa a o desen ol imen o da mesma do que se a c iança es i e semp e expos a ao mesmo núme o de alan es e du an e o mesmo núme o de ho as, is o é, a mudança de con ex o em que es á expos a a uma língua ( an o a ní el de alan es como de locais ou a é de ho as especí icas) acili a a aquisição de uma língua compa a i amen e com aqueles que a adqui em apenas a a és de de e minados alan es a uma ho a do dia especí ica e num local habi ual (Place & Ho 2011). A ideia que, no ge al, é de endida em es udos da á ea é que as c ianças êm de ecebe inpu su icien e e consis en e, assim como p ecisam de es a sujei as a uma in e ação em cada uma das línguas ambém ela su icien e e consis en e, pa a que possam u iliza cada uma, demons ando uma aquisição comple a, embo a a ideia de su icien e, no que diz espei o ao inpu e a in e ações, seja algo que ainda es á po de ini (Unswo h 2016). 14 Impo a ambém e e i que an o pa a c ianças monolingues como bilingues, o pe íodo desde o nascimen o a é aos cinco anos de idade se e ela undamen al, uma ez que a linguagem a que as mesmas são sujei as du an e es e empo pa ece se a mais de e minan e (Ho e & Co e 2013). 2.3. Complemen o di e o p eposicionado em espanhol ibé ico O complemen o di e o p eposicionado é um enómeno linguís ico que oco e em algumas línguas como o espanhol, o omeno, o u co ou o pe sa e consis e na ma cação dos complemen os di e os– no caso da língua espanhola, a ma ca é a p eposição a. Há complemen os di e os que são ma cados a a és dessa p eposição (1a) e ou os que não são (1b), não sendo alea ó ia a oco ência ou ausência da mesma. (1) a. Ma ía io al niño es a mañana. (Chamo o, S u & So ace 2015: 108) “A Ma ia iu o menino es a manhã.” b. Juan des uyó la ciudad. (Rod íguez-Mondoñedo 2008: 113) “O Juan des uiu a cidade.” Na língua espanhola, a oco ência da p eposição a dá-se em inúme os con ex os e não apenas nos que en ol em o complemen o di e o p eposicionado, sendo di ícil p ecisa odos os a o es sin á icos, semân icos e discu si os que podem in e i . Também é possí el encon a es a p eposição an es de complemen os indi e os como ma ca de da i o: (2) Juan en ió lo es a Ma ía. (Ticio & A am 2015: 385) “O Juan en iou lo es à Ma ia.” No e-se que os obje os di e os e indi e os são es u u almen e idên icos po se em a gumen os não sujei os - di ec and indi ec objec s a e s uc u ally simila in being non-subjec a gumen s (Aissen 2003:11) - e que os complemen os indi e os são, na sua maio ia, humanos ou animados e de inidos, sendo es as p op iedades semân icas que a o ecem a oco ência do complemen o di e o p eposicionado, al como se desc e e á de seguida (Aissen 2003). Haspelma h (2008:2) enca a o enómeno do complemen o di e o p eposicionado como uma di e ença na o ma de ma cação do caso explíci o que depende de p op iedades 21 que deno am algo que ai oco endo po “ ases”, sem um limi e ob iga ó io) e es ados ( e bos como conhece , que não são sujei os a pe íodos de mudança enquan o deco em, ou seja, a ação não ai so endo ans o mações – quem conhece, conhece semp e) – são a élicos. Assim, az-se es a di isão, is o que e bos in eg ados no g upo dos élicos p essupõem um pon o inal no que diz espei o ao empo, con a iamen e aos que encon amos no g upo dos a élicos. Com base nes a di isão, o e bo embo acha enquad a-se no g upo dos élicos e, ao se classi icado como al, o seu complemen o é ma cado com a p eposição a, independen emen e de o sujei o se [+animado] ou [-animado], al como em (19). Se se i e em con a os ou os ipos de e bos – a élicos (18) -, e i ica-se que a oco ência da p eposição a es á dependen e da animacidade do sujei o. Assim, em e bos como conoce , a p esença da p eposição a é ob iga ó ia pe an e um sujei o com o aço [+animado] – Inés conoce a a ios a is as -, con a iamen e aos casos em que o sujei o não é animado, já que a oco ência da p eposição, nes es con ex os, o igina á uma es u u a ag ama ical – El cine conoce (*a) a ios a is as. Ainda ela i amen e à elicidade dos e bos, To ego (1999) chama a a enção pa a o ac o de a p eposição a pode al e a ce os aspe os semân icos dos e bos ela i os a a i idades – insul a , beija – ou es ados – conhece . Assim, a oco ência da p eposição ai ans o ma os e bos a élicos em élicos ( eja-se os exemplos em (20) e (21)). (20) a. Besa on {a/Ø} un niño. (To ego 1999:1788) “Beija am um apaz” (=um apaz em especí ico) / “Beija am um apaz” (=um apaz qualque ). b. Conoció {a/Ø} un músico de jazz. (To ego 1999: 1788) “Conheceu um músico de jazz” (=um músico em especí ico) / “Conheceu um músico de jazz” (=um músico de jazz qualque ). (21) a. Besa on {a/*Ø} un niño en un segundo. (To ego 1999:1788) “Beija am um apaz num segundo”. b. Conoció {a/*Ø} un músico de jazz en una ho a. (To ego 1999:1788) “Conheceu um músico de jazz numa ho a”. 22 No e-se que a in odução de exp essões ad e biais como en un segundo ou en una ho a, eme em pa a a du ação do momen o em que a ação deco eu. C) O ac o de o complemen o se a e ado pela ação exp essa pelo e bo. (22) a. El policía io (a) un delincuen e. (Guija o-Fuen es & Pi es 2015:13) “O policía iu um delinquen e”. b. El policía golpeó *(a) el delincuen e. (Guija o-Fuen es & Pi es 2015:13) “O policía a acou o delinquen e”. Nos exemplos e e idos acima, a oco ência da p eposição é condicionada pelo ac o de o obje o se ou não a e ado pela ação deno ada pelo e bo, is o é, quando se e i ica que o complemen o so eu uma mudança de es ado – ísica ou psicológica – deco en e da ação do p edicado, conside a-se que o obje o oi “a e ado” e, po an o, há a necessidade da inse ção da p eposição (22b). Pelo con á io, quando o obje o não oi “a e ado”, não é necessá ia a oco ência da p eposição a (22a). No e-se, no en an o, que o complemen o é inde inido em (22a) – a en e-se pa a a endência pa a a opcionalidade da p eposição com complemen os di e os inde inidos – e de inido em (22b). As ag ama icalidades na es u u a do complemen o di e o p eposicionado não são consensuais en e au o es. Embo a enhamos is o que, endo em con a ce os aspe os como os e e idos acima – animacidade (en ol endo os aços [+/- humano] ou apenas [+/- animado]) ou especi icidade, po exemplo -, a p eposição é exigida ou não é pe mi ida (Leone i 2003), ou os au o es de endem uma e cei a hipó ese – a da opcionalidade. Des e modo, passamos a e con ex os em que a p eposição a é exigida, ou os em que não é pe mi ida e ou os em que é opcional (Aissen 2003; Guija o-Fuen es 2012). Es a e cei a ca ego ia aplica-se a complemen os di e os especí icos e animados não humanos, po exemplo. A igu a seguin e, elabo ada po Aissen (2003), ap esen a-nos uma escala de ma cação dos complemen os di e os com base em dimensões de animacidade e de ini ude. 23 Mos ma ked o objec s  Human P onoun Human PN Anima e P onoun Human De ini e Anima e PN Inanima e P onoun Human Speci ic Anima e De ini e Inanima e PN Human Non-Speci ic Anima e Speci ic Inanima e De ini e Anima e Non-Speci ic Inanima e Speci ic Inanima e Non-Speci ic  Leas ma ked o objec s Figu a 1 – Ma cação ela i a segundo os aços de animacidade e de ini ude (Aissen 2003: 457) Com base na igu a de cima, Aissen (2003) a i ma que a zona supe io do esquema co esponde aos obje os ob iga o iamen e ma cados, a zona in e média àqueles cuja ma cação é enca ada como opcional e, po im, a zona mais abaixo aos que ejei am a oco ência da p eposição a. No caso do espanhol, a opcionalidade dá-se com obje os com os aços de [+ animado][- humano] e [+ de inido] e ambém com obje os humanos inde inidos. O ac o de o e bo do p edicado se élico ou a élico é ele an e na oco ência da p eposição com obje os humanos inde inidos (To ego 1998). Aissen (2003) apon a a si uação do complemen o di e o p eposicionado no espanhol mode no como algo complexo, omando como ce o que a oco ência da p eposição é, essencialmen e, ob iga ó ia com obje os humanos especí icos de inidos e inde inidos. De um modo ge al, e i ica-se que quan o meno é a animacidade e a especi icidade de ce os sin agmas, meno é a endência pa a a ma cação do complemen o di e o. Vejam-se os seguin es exemplos: (23) Te buscaba *(a) i. “P ocu a a- e a i”. (24) Buscaba *(a) mi he mano. 24 “P ocu a a o meu i mão”. (25) Buscaba (a) un olun a io. “P ocu a a um olun á io”. (26) Buscaba (a) olun a ios. “P ocu a a olun a ios” (27) Buscaba (*a) mi chaque a. “P ocu a a o meu casaco”. (Oli a 2015:3) Nos dois p imei os casos (23) (24), an o o aço [+animado] como o [+especí ico] são o emen e e iden es, pelo que a oco ência da p eposição não pode se dispensada a im de ga an i a g ama icalidade da ase. Já nos dois casos seguin es (25) (26), podemos e mais do que uma in e p e ação, especí ica ou não especí ica, dependendo da oco ência ou ausência do a, espe i amen e. Assim, is o que há mais do que uma lei u a, ambas as si uações são possí eis sem ge a es u u as ag ama icais. Podemos enca a o complemen o un olun a io / olun a ios como e e indo-se a alguém já conhecido ou alguém que se que e e i especi icamen e – buscaba a un olun a io / a olun a ios – ou podemos enca á-lo como alguém inespecí ico, is o é, um olun á io qualque – buscaba un olun a io/ olun a ios. Po im, no úl imo caso (27), dá-se uma impossibilidade da p esença de um obje o di e o p eposicionado, uma ez que es e e e en e é cla amen e inanimado – no e-se que Buscaba a mi chaque a se pode ia o na g ama ical em con ex os mui o pon uais, como em casos em que lhe a ibuíssem aços de animacidade (con ex os li e á ios, po exemplo). Os casos de a iabilidade, al como se e i icou, não são poucos e não exis e uma eo ia ge al que possa da con a de odos os casos que exigem ca ego icamen e uma ou ou a hipó ese e ambém dos que admi em ambas, o que o na a explicação de con ex os de complemen o di e o p eposicionado um pouco complexa. 2.4. Complemen o di e o p eposicionado em po uguês eu opeu 25 Con a iamen e ao que oco e na língua espanhola, a oco ência do obje o di e o p eposicionado na língua po uguesa é mui o pon ual, limi ando-se a o mas que se podem conside a ixadas. Segundo Cunha & Cin a (1986), es a oco ência pode á su gi com e bos que exp imem sen imen os (28), pa a e i a ce as ambiguidades (29) ou quando é an epos o (30): (28) Só não ama a a Jo ge como ama a ao ilho. (A cos 1974, apud Cunha & Cin a 1986: 143) (29) Sabeis, que ao Mes e ai ma á-lo. (Mesqui a 1892, apud Cunha & Cin a 1986: 143) (30) a. A médico, con esso e le ado nunca enganes. (Cunha & Cin a 1986:143) b. A homem pob e, ninguém oube. (Cunha & Cin a 1986:143) O obje o di e o, em po uguês eu opeu, é ob iga o iamen e p eposicionado apenas quando se encon a exp esso po um p onome pessoal oblíquo ónico: (31) Não a i, C is o, odeio ou e não que o. (Pessoa 1960, apud Cunha & Cin a 1986: 143) (32) Rubião iu em duas osas ulga es uma es a impe ial, e esqueceu a sala, a mulhe e a si. (Assis 1959, apud Cunha & Cin a 1986: 143) No malmen e, quando se es á pe an e es u u as ligadas a e bos como ado a , ama , bendize ou es ima , a p eposição a con ida no complemen o di e o em como p incipal unção a ên ase de um cons i uin e: (33) Os c en es amam a Deus. (34) Es ima mui o aos eus pais. (Cas elei o 2007) Conside a-se, assim, que na língua po uguesa não se e i ica uma es a égia sis emá ica de ma cação de complemen o di e o a a és de p eposição; com exceção dos complemen os p onominais, os complemen os di e os p eposicionados em po uguês co espondem a es u u as ma cadas es ilis icamen e. 2.5. Aquisição do complemen o di e o p eposicionado 26 2.5.1. Aquisição monolingue O es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008) mos a que a aquisição do obje o di e o p eposicionado se dá mui o p ecocemen e em c ianças monolingues – an es dos ês anos de idade. Ao analisa dados de p odução espon ânea e longi udinais de seis c ianças com idades comp eendidas en e os 0;9 e 2;11, o au o e i icou que as mesmas p oduzi am um núme o de e os signi ica i amen e baixo – 6 ela i os à inse ção da p eposição a em con ex os que não o pe mi iam e 10 e os de omissão pe an e complemen os animados e especí icos nos quais a oco ência da p eposição e a ob iga ó ia -, endo ob ido uma axa de ace os de 93,38%. Pe an e es es esul ados, a aquisição do obje o di e o p eposicionado não pa ece le an a p oblemas no que diz espei o a c ianças monolingues. Es e es udo se iu ambém pa a ques iona ainda a p opos a de Aissen (2003) ela i amen e às escalas en ol idas – animacidade e de ini ude – na aquisição do complemen o di e o p eposicionado. Pa a Rod íguez-Mondoñedo, es a eo ia supõe que uma c iança não em uma g amá ica p é-es abelecida, mas que, du an e as ases iniciais de aquisição, ai acolhe duas g amá icas di e en es e, pos e io men e, descob e a g amá ica adequada – algo que o au o conside a mui o imp o á el. Assim, no seu es udo, deixou de pa e os con ex os apon ados como opcionais po Aissen (2003) – como aqueles que en ol em complemen os di e os com os aços [- humano] [+ animado] -, analisando g ama icalidades e ag ama icalidades em con ex os como [+ animado] [+ especí ico], [+ animado] [- especí ico] (nes es dois casos, o aço [+ humano] es a a semp e p esen e), [- animado] [+ especí ico] e [- animado] [- especí ico]. Abo dando os esul ados do es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008) de um modo mais ap o undado, cons a amos que a p imei a c iança p oduziu dois e os de omissão e dois usos ag ama icais do uso da p eposição a, em 441 complemen os di e os p oduzidos; a segunda c iança p oduziu se e e os de omissão e comissão (is o é, in odução da p eposição em con ex os não exigidos) da p eposição a, em 335 complemen os di e os p oduzidos; a e cei a c iança apenas p oduziu um e o em 45 complemen os di e os p oduzidos; a qua a c iança ap esen ou qua o e os num o al de 169 complemen os di e os. As ou as duas c ianças não p oduzi am ases nas quais se e i icasse a p esença 27 do complemen o di e o p eposicionado, embo a se enha e i icado a oco ência de ases com complemen os não ma cados em que a p odução de e os oi nula. Pa a o au o , os esul ados ob idos não con i mam a p opos a de Aissen (2003), uma ez que o modelo eó ico OT (Op imali y Theo y), assumido pela au o a na aquisição do complemen o di e o p eposicionado, não mos ou e idências nos esul ados. Es e modelo eó ico le a ia à conclusão de que a c iança i ia desen ol e um núme o de g amá icas di e en es da g amá ica al o, an es da aquisição inal das es ições, o que le a ia a que as c ianças come essem ag ama icalidades du an e o seu desempenho, o que não se e i ica, endo em con a a idade p ecoce em que u ilizam a es u u a e o uso p a icamen e sem e os com complemen os di e os animados. O au o ac escen a que os poucos e os encon ados não es ão ligados a uma al a de conhecimen o das c ianças sob e a co e a aplicação da es u u a. Rela i amen e a es e aspe o, Ticio & A am (2015) indicam que o es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008), embo a seja longi udinal, não mos a se, ao longo da aquisição do complemen o di e o p eposicionado, as c ianças ma cam alguns ipos de complemen os mais p ecocemen e do que ou os (Ticio & A am 2015:390). Es e é o único es udo e e ido na li e a u a ela i amen e a es e enómeno linguís ico pa a c ianças monolingues de espanhol e, ela i amen e à capacidade de usa em a es u u a em p odução espon ânea, os esul ados são cla os. Ticio & A am (2015), mais a de, elabo am um es udo com c ianças monolingues em duas línguas di e en es – o espanhol e o omeno -, con as ando o seu desempenho ela i amen e à aquisição do enómeno. O obje i o do es udo – análise de um co pus longi udinal de ala espon ânea - se ia iden i ica a é que pon o as c ianças, em ase de aquisição, e le em a hie a quia das escalas abo dadas po Aissen (2003). As c ianças espanholas do es udo, com idades comp eendidas en e os 1;1 e os 2;5 anos de idade, ie am a con i ma o su gimen o p ecoce do uso do complemen o di e o p eposicionado, mos ando ma ca os obje os co e amen e, de aco do com as es ições semân icas que a língua exige. O mesmo oco eu com as c ianças omenas, uma ez que ma ca am co e amen e os complemen os, apesa do al o g au de opcionalidade que exis e nes a es u u a, na língua omena. Rela i amen e à animacidade, os dados mos a am uma p e e ência pela ma cação de complemen os animados. Embo a os e ei os de animacidade sejam mais o es em 28 espanhol do que em omeno, as c ianças omenas chega am a é a ap esen a esul ados de complemen os animados ma cados mais ele ados do que as c ianças espanholas. No en an o, no que diz espei o à escala de animacidade - [+ humano] > [+ animado] > [- animado] -, e i icou-se que es a o dem não se encon a espelhada na o dem de aquisição, uma ez que as c ianças ma ca am complemen os humanos e animados não humanos simul aneamen e, ou seja, não demons a am uma hie a quia na sua ma cação. Con udo, as au o as chamam a a enção pa a o ac o de o co pus con e um núme o eduzido de complemen os ma cados, de um modo ge al, e, den o des es, um núme o mui o pequeno de obje os com os aços [- humano] [+ animado]. 2.5.2. Aquisição po alan es de língua de he ança Rela i amen e aos alan es que êm o espanhol como língua de he ança, Mon ul (2004) elabo ou um es udo no qual in es igou a aquisição da p eposição a em bilingues de um ní el in e médio e a ançado. Es a au o a le an ou a hipó ese de que es es alan es e iam acilidade pe an e es u u as elacionadas com sujei os nulos e obje os clí icos. No en an o, e iam alguns p oblemas em á eas que en ol essem ca ac e ís icas p agmá icas de sujei os nulos e sujei os exp essos, o uso do complemen o di e o p eposicionado com complemen os di e os animados e es ições semân icas de opicalização ou deslocação à esque da clí ica, com base na ideia de que ce as es u u as linguís icas que pe encem a in e aces elacionadas com a sin axe são mais di íceis de adqui i . Após uma a e a de p odução o al que en ol ia o ela o de uma his ó ia po pa e de alan es monolingues de di e en es países de língua espanhola e alan es de espanhol língua de he ança de o igem mexicana esiden es nos Es ados Unidos, a hipó ese oi con i mada, uma ez que es e úl imo g upo p oduziu p onomes de sujei o nulo e de sujei o exp esso e demons ou domina co e amen e os clí icos acusa i os e da i os. Rela i amen e à dis ibuição p agmá ica de sujei os nulos e exp essos, os esul ados di e i am en e os g upos; de igual modo, oi no ó ia a in luência da língua inglesa po pa e dos alan es de espanhol língua de he ança ela i amen e ao complemen o di e o p eposicionado. Assim, e i icou-se que a aquisição de es u u as que en ol em apenas a componen e sin á ica não é p oblemá ica, mas a aquisição das que en ol em p op iedades de uma in e ace sin axe-semân ica sim. Des e modo, o complemen o di e o 29 p eposicionado é uma das es u u as que podem desencadea p oblemas, uma ez que en ol e a in e ace sin axe-semân ica. Ainda na á ea dos es udos com alan es de he ança, Mon ul & Bowles (2009) p e ende am in es iga a ex ensão da aquisição incomple a do complemen o di e o p eposicionado po pa e de alan es de espanhol de he ança, em con as e com monolingues. O es udo consis iu na análise de p oduções de ambos os g upos, assim como na aplicação de um es e de acei abilidade. Os alan es de espanhol como língua de he ança que ealiza am es e es e, com idades comp eendidas en e os 18 e os 30 anos de idade, nasce am e esidiam nos Es ados Unidos, endo sido expos os à língua inglesa an es dos 6 anos – no e-se que es e g upo e a compos o po alan es cujo ní el de p o iciência em espanhol e a al o ou baixo, com base num es e ealizado p e iamen e, ou seja, não o am pos os de lado alan es cujos ní eis de p o iciência e am in e io es. Rela i amen e aos monolingues, com idades en e os 21 e 57 anos, i iam em Espanha, na A gen ina ou no México. O es e de acei abilidade aplicado con inha ag ama icalidades deco en es da ausência da p eposição a an es de complemen os animados e especí icos (35) e em cons uções com dois complemen os (36) e as espos as podiam se dadas numa escala de 5 alo es. (35) *Pa icia conoce mi he mana. (36) *Ma isa dio Ped o un egalo. O es e de p odução o al consis iu na desc ição po meno izada de uma his ó ia que e a ap esen ada aos pa icipan es a a és de uma sequência de imagens. Os pa icipan es ap esen a am omissões em con ex os ob iga ó ios, mos ando um conhecimen o incomple o da ma cação da p eposição a. Es e conhecimen o incomple o pode á a e a p o undamen e a compe ência linguís ica dos alan es de espanhol língua de he ança e não se apenas um p oblema de p odução o al. No e-se que, no es e de acei abilidade, os esul ados demons a am que os alan es acei a am ases que omi iam a p eposição com complemen os di e os animados e especí icos. Pe an e es es esul ados, Mon ul & Bowles (2009) aplica am um no o es e de acei abilidade que inha como obje i o e i ica se a p eposição a e a p oblemá ica em con ex os de uso do complemen o di e o p eposicionado, uma ez que, no es e 30 an e io men e aplicado, apenas uma condição es a a o conhecimen o des e enómeno. Assim, nes e segundo es e, os pa icipan es e iam de julga ases, numa escala de 1 a 5, que en ol iam o enómeno em es udo com complemen os animados e inanimados e ainda algumas cons uções da i as. Es es pa icipan es e am alan es de espanhol língua de he ança, com idades comp eendidas en e os 18 e 26 anos, nascidos nos Es ados Unidos, cuja ascendência, maio i a iamen e, e a mexicana. Ha ia, no en an o, alguns casos de alan es cujos pais e am p o enien es de ou os países da Amé ica La ina como Po o Rico, El Sal ado e Gua emala. Os esul ados demons a am que os alan es aziam juízos co e os pe an e complemen os indi e os, mas con inuou a e i ica -se uma acei abilidade em o ações ag ama icais com a es u u a do complemen o di e o p eposicionado en ol ida, an o com complemen os animados como com inanimados. Um dos aspe os in e essan es e e idos po Mon ul & Bowles (2009) na discussão dos esul ados ob idos eside no p óp io ma cado em si – a p eposição a. No e-se que es amos pe an e uma p eposição que é apenas uma ogal e que, acus icamen e, não é mui o salien e. A p eposição o na-se ainda menos no ó ia quando es amos pe an e o mas e bais que e minem em /a/, como po exemplo Llama a Juan, o que pode á eduzi o inpu . No e-se que Mon ul & Bowles (2010) es a am os mesmos alan es após uma ins ução g ama ical de como usa co e amen e a p eposição na es u u a em causa e o am-lhes dados exe cícios pa a p a ica . Após essa explicação, as in uições des es alan es – deco en es da aplicação de um es e de acei abilidade - e a p odução de ases com o uso da p eposição – deco en es da ealização de um exe cício de p á ica do qual ecebiam eedback posi i o ou nega i o imedia o - o am signi ica i amen e melho es, o que demons ou que, pelo menos a cu o p azo, a ins ução acili a a ap endizagem das p op iedades des a es u u a. 2.5.3. Aquisição de L2 Rela i amen e à aquisição do complemen o di e o p eposicionado po alan es de espanhol L2, ealiza am-se inúme os es udos. Guija o-Fuen es & Ma inis (2007) elabo a am um es udo con as i o sob e a aquisição do complemen o di e o p eposicionado en e ap enden es ingleses de L2 37 da uma comple a aquisição p ecoce, segundo Guija o-Fuen es & Pi es (2015). Quando es amos pe an e c ianças que es ão inse idas em comunidades bilingues (não oco endo o enómeno em es udo em uma das línguas), as axas de e o são e iden es. Em e mos de ag ama icalidades, a queda da p eposição a em con ex os ob iga ó ios sob essai mais do que a colocação da mesma em con ex os que não a exigem. Além de se e indo a e i ica , de um modo ge al, que o enómeno que en ol e a aquisição do complemen o di e o p eposicionado é e e ido na li e a u a como algo di ícil de adqui i pa a alan es de ou as línguas que se encon em a ap ende espanhol como L2 (Guija o-Fuen es 2012), obse a-se que ambém o é pa a aqueles que êm a língua espanhola como língua de he ança (Mon ul & Bowles 2009, 2010). Es e ac o pode jus i ica -se pela edução do inpu , in luência de ou a língua cuja es u u a seja mais económica e complexidade semân ica en ol ida na es u u a em causa. A ausência da p eposição em con ex os que exigiam a sua ob iga o iedade oi algo conside a elmen e no ó io em alan es de língua de he ança, inclusi e nos que inham uma p o iciência a ançada na língua espanhola (Mon ul & Bowles 2009). Des aca-se, além disso, o ac o de o inpu na u al pode não desempenha um papel ão ele an e na aquisição do complemen o di e o p eposicionado (Guija o- Fuen es & Ma inis 2009). Salien a-se ambém a impo ância da explicação g ama ical como um mé odo mais e icaz (Zyzik & Pascual 2012), e o aço semân ico ela i o à animacidade como um a o de peso na aquisição des a es u u a (Guija o-Fuen es & Pi es 2015). 38 3. Me odologia No p esen e es udo, in es igou-se os con ex os de inse ção e omissão da p eposição a pe an e complemen os di e os. Manipulou-se apenas a a iá el da animacidade (complemen os humanos, animados não humanos e não animados), de modo a e i ica se alguns são ma cados mais p ecocemen e, além de en a pe cebe se alguns con ex os são mais p oblemá icos do que ou os. Os pa icipan es o am di ididos em g upos, com o p opósi o de e i ica se alguns deles se des acam na ma cação dos complemen os di e os. Assim, es abelece am- se cons as es endo em con a as idades das c ianças (4 ou 5 anos), as di e en es LMs dos pais (pai com a LM di e en e da mãe ou ambos os pais com o espanhol como LM) e a exposição ao inpu ma e no (espanhol ou po uguês). 3.1. Hipó eses Com base nos es udos e e idos no capí ulo 2, o mula am-se as seguin es hipó eses pa a o p esen e es udo: Hipó ese 1 – Sendo o enómeno do complemen o di e o p eposicionado enca ado como complexo po en ol e a in e ace sin axe-semân ica e se , po an o, mais susce í el de so e e ei os de ans e ência (Mülle & Hulk 2001), espe a-se que as p op iedades des a cons ução sejam adqui idas mais a diamen e pelas c ianças bilingues pelo ac o de es a em expos as a um inpu mais eduzido do que as c ianças monolingues (no e-se que, segundo o es udo de Rod íguez-Mondoñedo (2008), as c ianças monolingues com idade in e io a 3 anos egis am um núme o eduzido de e os em p odução espon ânea). Nes e sen ido, espe a-se ainda que as c ianças de 4 anos ap esen em axas de e o mais ele adas do que as c ianças de 5 anos. Hipó ese 2 – A ma cação dos complemen os di e os nas duas p imei as condições - [+ humano] e [+ animado] [- humano] não de e á se mui o di e en e, is o que, embo a se enha conhecimen o da exis ência de uma escala de animacidade e e ida po Aissen (2003) - [+ humano] > [+ animado] > [- animado] -, o es udo de Ticio & A am (2015) com c ianças monolingues de espanhol ibé ico indicou que a o dem de aquisição não espelha a essa mesma escala. Hipó ese 3 – P e ê-se que haja mais des ios em con ex os de complemen o di e o p eposicionado (omissão da p eposição com complemen os di e os com o aço [+ 39 animado]) do que em con ex os em que a p eposição não é exigida (inse ção da p eposição com complemen os di e os com o aço [-animado]), uma ez que o es udo de Guija o-Fuen es & Ma inis (2007) mos a que, pe an e complemen os di e os não animados, os alan es não ap esen am di iculdades nas espos as, demons ando uma boa pe ceção ela i amen e à não ma cação des es complemen os; no en an o, com complemen os animados, obse a am-se ausências da p eposição a. Hipó ese 4 – Os esul ados po pa e das c ianças que êm os pais com a mesma LM (espanhol ibé ico) de e ão ap esen a menos des ios do que os das c ianças cujos pais êm LM di e en es en e eles, endo em con a a sua maio exposição ao inpu espanhol. Hipó ese 5 – As c ianças cujas mães êm o espanhol como LM de e ão ap esen a melho es desempenhos do que as que êm o pai com a LM espanhola, uma ez que se conside a que a mãe, de um modo ge al, em uma maio in luência no desen ol imen o da linguagem da c iança do que o pai (Phillips 1973; Snow 1977; Glei man e al. 1984; Pine 1994). 3.2. Ta e a Pa a consegui induzi a u ilização da es u u a que en ol e o complemen o di e o p eposicionado, elabo ou-se um es e que e a compos o po di e sos desenhos ( e anexos 1 e 2). Es es o am elabo ados de aco do com a população-al o do es udo – as c ianças – e, po essa azão, con inham ep esen ações acessí eis e numa emá ica in an il, is o é, um es ilo de desenhos que ai ao encon o do que é habi ual encon a -se nes as aixas e á ias. An es de se ap esen a o es e às c ianças, ez-se uma pilo agem com adul os e com algumas c ianças monolingues de po uguês, de modo a ga an i que as ações es a iam bem ilus adas, não dando luga a dú idas, e que e am u ilizados os e bos e os complemen os p e endidos em cada con ex o. Após a eliminação de i ens que le an a am p oblemas nes e passo da pilo agem, aplicou-se o es e às c ianças pa icipan es no es udo. Os desenhos e am mos ados às c ianças no ec ã do compu ado . Assim, à c iança e a ap esen ada uma de e minada pe sonagem – podendo es a se ou não humana - e, de seguida, ap esen a am-se os ou os elemen os necessá ios pa a a cons ução da o ação – podendo, nes e caso, se [+ humano], [+animado] ou a é [-animado]. Após a ap esen ação dos in e enien es, e a en ão ap esen ada a imagem que con inha a ação que en ol ia a 40 ase-al o. Depois de uma amilia ização da c iança com os desenhos iniciais, pe gun a a-se à mesma o que es a a X – a p imei a pe sonagem que lhe e a ap esen ada - a aze , espe ando que a c iança desse uma espos a na qual u ilizasse o e bo e os complemen os di e os p e endidos e que os ma casse ou não com a p eposição a, con o me as es ições semân icas en ol idas. O es e ap esen a a ês condições, cada uma com seis i ens. As condições e am as seguin es: a) Complemen o di e o com o aço [+ humano] – Exemplo: Aquí enemos un niño. También enemos una niña y una mangue a. ¿Que hace el niño? Respos a espe ada: El niño moja a la niña. b) Complemen o di e o com os aços [+animado] [-humano] – Exemplo: Aquí enemos un pe o. También enemos una se pien e. ¿Que hace el pe o? Respos a espe ada: El pe o mue de (a) la se pien e. c) Complemen o di e o com o aço [-animado] – Exemplo: Aquí enemos una niña. También enemos una caja ce ada. ¿Que hace la niña? Respos a: La niña ab e la caja. Pa a além dos 18 i ens co esponden es aos con ex os acima e e idos, ha ia ambém mais seis co esponden es a dis a o es. Es es induziam a espos as com e bos e lexi os – La niña se peina -, com ou as p eposições – El pi a a es á na egando con/en el ba co – e com a p eposição a como ma ca de da i o – El abuelo le un lib o a su nie o. Assim sendo, em-se um o al de 24 i ens. O es e não manipula a a a iá el de especi icidade, que ambém condiciona a oco ência do enómeno linguís ico em es udo, endo em con a que odos os complemen os di e os e am especí icos. De igual modo, o aço [+ de inido] es e e semp e p esen e em odos os i ens. Quan o ao aço de animacidade, só o podemos apon a nos dois p imei os con ex os acima e e idos – a) e b). Po esse mo i o, é p ecisamen e nes es casos que se espe a a oco ência da p eposição. Es a subdi isão den o do pon o da animacidade - [+ humano] e [+ animado] [- humano] se i á pa a uma possí el co obo ação ou e u ação da impo ância de uma escala de animacidade (Aissen 2003) na aquisição do 41 complemen o di e o p eposicionado. No úl imo caso, pe an e um complemen o não animado, espe a-se uma exclusão da oco ência de a. As a i idades ep esen adas nas imagens p e endiam induzi o uso de di e en es e bos. Com o aço [+ humano], espe a -se-iam e bos como cub i , mi a , sal a , moja , p ende e enseña . Com os aços [+ animado] e [- humano], espe a -se-iam e bos como empuja , mo de , lame , come , a apa e pisa . Po sua ez, com o aço [- animado], os e bos ab i , mo de , mi a , limpia , pin a e co a se iam os espe ados. Seguem-se ês exemplos ilus a i os de cada um dos con ex os, com a indicação da ase que e a di a à c iança em conco dância com a imagem que apa ecia. [+ humano] : Aquí enemos un niño. También enemos una niña y una mangue a.¿Qué hace el niño? Respos a espe ada: Moja a la niña. [+ animado] [- humano] : Aquí enemos un pe o. También enemos una se pien e. ¿Qué hace el pe o? Respos a espe ada: Mue de (a) la se pien e. 42 [- animado] : Aquí enemos una niña. También enemos uma caja ce ada. ¿Qué hace la niña? Respos a espe ada: Ab e la caja. Assim, pode-se espe a a oco ência da p eposição a nas duas p imei as condições do es e – 6 na p imei a condição e ou as 6 na segunda (embo a nes es úl imos o seu uso seja opcional). 3.3. P ocedimen os ado ados Os es es o am aplicados po mim, em espaço escola , indi idualmen e. A abo dagem com as c ianças oi semp e ei a na língua espanhola, mesmo com aquelas que e iam mais inpu po uguês, de modo a e i a o con ac o com a língua po uguesa. Os p ocedimen os o am iguais pa a odas as c ianças e as salas de aplicação do es e, embo a ossem di e en es con o me os dias, co espondiam semp e a locais onde não ha ia qualque ipo de uídos ex e nos que pudessem in e e i com a aplicação do mesmo. Todos os enca egados de educação das c ianças em es udo au o iza am a ealização do es e e esponde am a um b e e ques ioná io sociolinguís ico com o p opósi o de da con a do ipo de inpu a que a c iança es á expos a e de ob e mais dados sob e a mesma, como o sexo ou a idade, po exemplo. 3.4. Pa icipan es As c ianças bilingues de po uguês eu opeu-espanhol ibé ico en ol idas no es udo são esiden es em Po ugal, na zona de Lisboa, e equen am o ins i u o de língua espanhola “Gine de los Ríos”, si uado ambém na zona de Lisboa. Tes a am-se 11 c ianças de 5 anos e 9 c ianças de 4 anos com pai e mãe alan es de di e en es línguas ma e nas – po uguês eu opeu num caso e espanhol ibé ico no ou o -, e 6 c ianças de 5 anos cujos pais inham ambos a mesma língua ma e na – espanhol ibé ico. No e-se que, con o me indicações ob idas a a és do ques ioná io 43 sociolinguís ico ( e anexo 3), a língua que os pais u ilizam com as c ianças é a ma e na, podendo, em ce os casos, ha e a possibilidade de uma mãe ou pai, pa a além de abo da a c iança na sua língua, a abo da na ou a ambém. T a a-se de c ianças que endemos a ap oxima mais de um bilinguismo pa cial e não ideal, uma ez que, eg a ge al, comp eendem e alam ambas as línguas, mas há uma que sob essai, ou seja, que é p edominan e. Na maio ia dos casos, essa língua é o po uguês, is o que es as c ianças mani es am uma cla a p e e ência po ala em en e si nes a língua não só nos in e alos das aulas, como ambém du an e as mesmas. No e-se que es a a ibuição de um ipo de bilinguismo ao g upo de c ianças en ol ido no es udo é apenas “momen ânea”, is o que a língua que pa ece sob essai a ualmen e pode á não se a mesma que sob essai á mais a de. Além disso, a en e-se pa a o ac o de es a mos pe an e um g upo de c ianças que, ao es a em em ase de aquisição, di icul am o enquad amen o em de e minados g upos/ ipos de bilinguismo, sendo na u al que, du an e es a e apa, uma língua possa sob essai mais do que ou a, mas es e quad o não em de se man e . Na sua maio pa e, emos c ianças bilingues simul âneas, uma ez que a maio ia das c ianças adqui iu as duas línguas desde a nascença. No en an o, emos 3 casos de bilingues consecu i os ( al como de inidos em Muñoz 2011), no g upo dos 5 anos, cujos pais êm ambos o espanhol como língua ma e na, uma ez que o con ac o com a língua po uguesa su giu apenas quando ie am pa a Po ugal e, nessa al u a, já inham mais de dois anos de idade. Todas as c ianças do es udo se ap oximam do bilinguismo p imá io, endo em con a que a aquisição de ambas as línguas é ei a de uma o ma na u al e espon ânea. As idades das c ianças do es udo, assim como a média das mesmas, encon a-se ep esen ada na seguin e abela: Língua Ma e na dos Pais Nº de c ianças Idades Média de idades Di e en e (Po uguês Eu opeu – Espanhol Ibé ico) 9 4;3 – 4;11 4;7 Di e en e (Po uguês Eu opeu – Espanhol Ibé ico) 11 5;2 – 5;11 5;8 Igual (Espanhol Ibé ico) 6 5;2 – 5;11 5;7 44 Tabela 1 – Núme o, idades e a espe i a média dos ês g upos de pa icipan es Das 9 c ianças do g upo dos 4 anos, 3 êm o pai com LM espanhola e 6 o pai com LM po uguesa. Consequen emen e, no caso da LM da mãe, emos 6 com espanhol e 3 com po uguês. Rela i amen e ao g upo de 11 c ianças de 5 anos, há 4 que êm o pai com LM espanhola e 7 com LM po uguesa, o que az com que enhamos 7 mães cuja LM é o espanhol e 4 cuja LM é o po uguês. A abela seguin e indica o alo o al – dos 3 g upos de c ianças do es udo - do núme o de pai e mãe pa a cada LM, endo em con a a impo ância do inpu adqui ido a a és da mãe (Phillips 1973; Snow 1977; Pine 1994). Língua Ma e na dos pais Espanhol Po uguês Pai 13 13 Mãe 19 7 Tabela 2 – Núme o de pai e mãe pa a cada LM Os dados da abela e elam que, na maio ia dos casos, o inpu da língua espanhola que as c ianças ecebem em con ex o amilia p o ém mais das mães do que dos pais. O ques ioná io sociolinguís ico p eenchido pelos pais se iu não só pa a da con a do ipo de inpu da c iança, mas ambém pa a seleciona as mesmas pa a o es udo. Assim, não se i e am em con a c ianças cujos pais i essem ambos o po uguês como LM. Esse g upo de c ianças, ainda que es udem num ins i u o onde as aulas são, maio i a iamen e, em espanhol, êm meno exposição ao mesmo, já que esidem num país de língua po uguesa e o po uguês é ambém a língua usada em con ex o amilia . Pa a além da LM dos pais e de e i ica qual a língua em que es es se di igiam à c iança, ambém se e elou impo an e sabe em que língua os pais ala am en e si. Es es esul ados di e i am, endo ha ido casos de pais que apenas alam espanhol en e eles, ou os que apenas alam po uguês e ou os ainda que alam ambas as línguas um com o ou o. Segue-se uma abela que indica os alo es, em pe cen agem, ela i os a es e pon o do ques ioná io. 45 Tabela 3 – Pe cen agem das línguas aladas en e os pais, po cada g upo de c ianças É di ícil p ecisa a língua que é mais usada pelos pais do g upo de c ianças com 4 anos (pais com LM dis in a), is o que a pe cen agem mais al a co esponde à ca ego ia “ambas”. Nes e ipo de espos as, não é dado a conhece qual o inpu dominan e, uma ez que apenas é indicado que os pais alam en e si ambas as línguas, não e e indo uma maio ia ou p e e ência po alguma delas. Já no g upo dos 5 anos com as mesmas ca ac e ís icas que o an e io , a in luência do po uguês em con ex os amilia es pa ece se cla amen e supe io . No g upo de c ianças de 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico), como se ia de espe a , os pais apenas alam espanhol en e eles, pois a língua ma e na de ambos é p ecisamen e essa. Es a in o mação se á ele an e pa a da con a da quan idade de inpu que a c iança ecebe em cada língua. No caso de e em i mãos, quando ques ionados ela i amen e à língua que es es ala am en e eles, os esul ados ap esen a am-se ambém di e en es en e si. A abela abaixo, indica os alo es ob idos nes a ques ão. Língua que os i mãos alam en e si G upo dos 4 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico) Espanhol 33,3% 0% 66,7% Po uguês 33,3% 36,4% 0% Ambas 11,1% 54,5% 16,7% Sem i mãos 22,2% 9,1% 16,7% Tabela 4 – Pe cen agem das línguas aladas en e i mãos, po cada g upo de c ianças Rela i amen e ao g upo dos 4 anos (pais com LM dis in a), não pa ece ha e con as es en e as línguas. Po sua ez, no que diz espei o ao g upo de c ianças dos 5 anos (pais com LM dis in a), ol a-se a e i ica uma cla a dominância da língua po uguesa em con ex os amilia es, uma ez que não há egis o de i mãos que alem Língua que os pais alam en e si G upo dos 4 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico) Espanhol 22,2% 0% 100% Po uguês 33,3% 54,5% 0% Ambas 44,5% 45,5% 0% 46 apenas em espanhol en e eles. No g upo dos 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico), al como e a p e is o, há uma cla a dominância da língua espanhola. Todas as c ianças do es udo cujos pais êm LM di e en e en e eles nasce am em Po ugal e man êm con ac o com ambas as línguas desde o nascimen o. Pelo con á io, odas as ou as que êm ambos os pais com a LM espanhola nasce am em Espanha. Todas elas i e am o p imei o con ac o com o espanhol ibé ico desde essa al u a. Rela i amen e à língua po uguesa, há con ac os mui o p ecoces – 3 c ianças que i e am con ac o com o po uguês ainda não inham um ano de ida, pois oi nessa al u a que ie am pa a Po ugal – e con ac os mais a dios – uma c iança que e e con ac o com a língua aos 3 anos e duas que i e am aos 4, na sequência da deslocação pa a Po ugal. Po im, pe gun ou-se ainda quais os locais onde, habi ualmen e, a c iança passa as é ias da Páscoa, Ve ão e Na al. A abela seguin e dá con a dos esul ados que se ob i e am: Local onde a c iança passa é ias G upo dos 4 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM dis in a) G upo dos 5 anos (pais com LM espanhol ibé ico) Espanha 44,4% 27,3% 100% Po ugal 11,1% 0% 0% Po ugal e Espanha 44,4% 72,7% 0% Tabela 5 – Pe cen agem dos países em que passam é ias, po cada g upo de c ianças P a icamen e odas as c ianças en ol idas no es udo passam é ias em Espanha, ainda que não seja na sua o alidade, pois há um núme o conside á el que passa em ambos os países. Apenas no g upo de c ianças com 4 anos se encon a quem passe é ias exclusi amen e em Po ugal. 3.5. Codi icação de espos as Os ipos de espos as egis ados o am ag upados de ês o mas dis in as: a) Inse ção da p eposição a – independen emen e de es a co e a ou não – El pe o mue de a la se pien e ou *El pin o pin a a la silla. A única es ição e a a p eposição an ecede um complemen o di e o e não es a ou a es u u a di e en e en ol ida como Yo quie o i a la playa. 53 omissão: enquan o com [+ humano] 6 das c ianças mos am uma p e e ência cla a pela inse ção da p eposição, com [-humano][+ animado] isso só se obse a com 3 c ianças. Po im, no que diz espei o às c ianças de 5 anos cujos pais êm ambos a língua espanhola como a LM, ob i e am-se os alo es que se mos am no g á ico 8: G á ico 8 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição [- humano] [+ animado] Nes a condição, e i icou-se que ês c ianças p oduzi am ases com omissão da p eposição – duas des as c ianças (as que mais omi em a p eposição – 5EEc e 5EEd) são as que, na condição an e io , ambém já ap esen am omissões. 4.1.3. [- animado] Os esul ados globais dos ês g upos ela i os ao con ex o [- animado] são ap esen ados no g á ico 9: G á ico 9 - Resul ados globais dos ês g upos de c ianças na condição [- animado] 5EEa 5EEb 5EEc 5EEd 5EEe 5EE Inse ção da p eposição 6 5 1 2 4 6 Ausência da p eposição 0 0 5 4 2 0 Es u u a sin á ica di e en e 0 1 0 0 0 0 0 1 2 3 4 5 6 Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e 98% 100% 100% 2% 0% 0% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 4 anos (LM dos pais di e en e) 5 anos (LM dos pais di e en e) 5 anos (LM dos pais espanhol) Ausência da p eposição Inse ção da p eposição 54 Tal como e a espe ado, os complemen os di e os com o aço semân ico [- animado] não le an a am qualque p oblema, is o que, al como na língua po uguesa, não pe mi em a oco ência da p eposição a. Assim, os ês g upos ap esen am al os alo es na p odução de ases com ausência da p eposição, nes a condição – 98% e 100%. Apenas o g upo de c ianças dos 4 anos ap esen a uma baixa pe cen agem ela i amen e a espos as com a inse ção da p eposição, o que demons a que oi o único no qual se e i icou uma p odução ag ama ical, nes a condição. Rela i amen e às c ianças de 4 anos, os esul ados o am os seguin es: G á ico 10 - Resul ados indi iduais das c ianças de 4 anos na condição [- animado] Nes e g upo de c ianças, apenas uma inse iu a p eposição num con ex o inespe ado. As es an es op a am pela sua omissão. No caso das c ianças de 5 anos cujos pais êm línguas ma e nas di e en es, os esul ados o am es es: 4PEa 4PEb 4PEc 4PEd 4PEe 4PE 4PEg 4PEh 4PEi Inse ção da p eposição 0 1 0 0 0 0 0 0 0 Ausência da p eposição 6 5 5 6 6 6 5 6 6 Es u u a sin á ica di e en e 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 2 3 4 5 6 Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e 5PEa 5PEb 5PEc 5PEd 5PEe 5PE 5PEg 5PEh 5PEi 5PEj 5PEk Inse ção da p eposição 00000000000 Ausência da p eposição 56555565666 Es u u a sin á ica di e en e 10111101000 0 1 2 3 4 5 6 Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 55 G á ico 11 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com língua ma e na di e en e) na condição [- animado] Nes a condição, odas as c ianças des e g upo op a am pela ausência da p eposição. Po im, no que diz espei o às c ianças de 5 anos cujos pais êm ambos a língua espanhola como a LM, ob i e am-se es es alo es: G á ico 12 - Resul ados indi iduais das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) na condição [- animado] Tal como no g upo an e io , es as c ianças ambém op a am apenas pela ausência da p eposição, não ha endo egis os da sua inse ção. Es e con ex o é o que egis a uma meno a iação indi idual nos ês g upos. 4.2. Po g upo 4.2.1. C ianças com pai e mãe com língua ma e na dis in a 4.2.1.1. 4 anos O g á ico 13 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es po pa e do g upo de c ianças de 4 anos, po condição. 5EEa 5EEb 5EEc 5EEd 5EEe 5EE Inse ção da p eposição 0 0 0 0 0 0 Ausência da p eposição 6 5 4 6 5 4 Es u u a sin á ica di e en e 0 1 2 0 1 2 0 1 2 3 4 5 6 Inse ção da p eposição Ausência da p eposição Es u u a sin á ica di e en e 56 G á ico 13 - Resul ados das c ianças de 4 anos nas ês condições A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po condição. Tabela 6 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 4 anos Es as c ianças mani es a am, cla amen e, menos di iculdades pe an e complemen os di e os não animados, com os quais a p eposição a não é pe mi ida. No que diz espei o às ou as duas condições, e i ica-se que a pe cen agem de p oduções com a inse ção da p eposição di e e pouco en e elas – 4,9%. O alo co esponden e a p oduções que ap esen am a ausência da p eposição é mais e iden e em con ex os com complemen os di e os [+animado][-humano] do que em [+humano]. No e-se que, nes as duas condições – complemen os di e os humanos e complemen os di e os animados não humanos -, a ausência da p eposição ap esen a semp e alo es supe io es à inse ção da mesma, apesa de se uma di e ença pequena, o que mos a que há uma oscilação en e es as duas opções. No en an o, enquan o na condição que en ol e complemen os di e os com o aço [+ humano], a ausência da p eposição ep esen a ag ama icalidade, o mesmo não se pode dize da condição que [+hum] [+anim][-hum] [-anim] Inse ção da p eposição 20 21 1 Ausência da p eposição 21 27 51 Es u u a sin á ica di e en e 13 6 2 48,7% 43,8% 2% 51,3% 56,2% 98% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% [+hum] [+anim][-hum] [-anim] Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 57 en ol e complemen os di e os com os aços [+ animado] [- humano], endo em con a que a inse ção da p eposição pode se enca ada como opcional nes e con ex o. 4.2.1.2. 5 anos O g á ico 14 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção e ausência da p eposição e com es u u as sin á icas di e en es po pa e do g upo de c ianças de 5 anos com pai e mãe com LMs di e en es, po condição. G á ico 14 - Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com LM di e en e) nas ês condições A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po condição. [+hum] [+anim][-hum] [-anim] Inse ção da p eposição 35 29 0 Ausência da p eposição 16 28 60 Es u u a sin á ica di e en e 15 9 6 Tabela 7 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com LM dis in a) Tal como no g upo de c ianças de 4 anos, es as c ianças ap esen am alo es mais ele ados ela i amen e à ausência da p eposição na condição que en ol e complemen os di e os não animados. Uma ez que não se egis ou um único caso de inse ção da p eposição nes a condição, pode-se a i ma que não se deu con a de ag ama icalidades. A si uação ela i amen e às ou as duas condições – complemen os di e os humanos e animados não humanos – ap esen a alo es supe io es ela i amen e à 68,6% 50,9% 0% 31,4% 49,1% 100% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% [+hum] [+anim] [-hum] [-anim] Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 58 inse ção da p eposição e in e io es no que diz espei o à ausência da mesma compa a i amen e com os esul ados das c ianças de 4 anos. Tal como no g upo de c ianças de 4 anos, o alo ela i o à ausência da p eposição é in e io na p imei a condição quando con as ado com o alo encon ado pa a a segunda – 31,4% e 49,1%, espe i amen e. No e-se, no en an o, que enquan o o g upo dos 4 anos não em uma p e e ência cla a po inse ção s. omissão em nenhuma das duas condições, o g upo dos 5 anos em uma p e e ência cla a po inse ção da p eposição na condição [+ humano], mas não na condição [- humano][+ animado]. 4.2.2. C ianças bilingues com pai e mãe com a mesma língua ma e na – espanhol ibé ico (5 anos) O g á ico seguin e ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es po pa e des e g upo de c ianças, po condição. G á ico 15 - Resul ados das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) nas ês condições A seguin e abela indica o núme o de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es des e g upo de c ianças, po condição. [+hum] [+anim][-hum] [-anim] Inse ção da p eposição 28 24 0 Ausência da p eposição 3 11 30 Es u u a sin á ica di e en e 5 1 6 Tabela 8 – Núme o de espos as po condição, po pa e das c ianças de 5 anos (pais com a mesma LM) 90,4% 68,6% 0% 9,6% 31,4% 100% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% [+hum] [+anim][-hum] [-anim] Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 59 Tal como no g upo de c ianças an e io , a condição que en ol e complemen os di e os com o aço [-animado] ol a a e idencia uma o alidade de p oduções com a ausência da p eposição, pelo que não se e i ica am ag ama icalidades. A condição que en ol e o aço [+ humano], al como no g upo dos 5 anos (pais com LM di e en e), e ela um maio núme o de cons uções com a inse ção da p eposição a do que a que en ol e os aços [+animado] [- humano] – di e ença de 21,8%. A pe cen agem de p oduções de ases com a ausência da p eposição pe an e complemen os di e os animados não humanos ambém é mais ele ada do que pe an e complemen os di e os humanos. No en an o, ela i amen e a es as duas condições, no e-se que as pe cen agens co esponden es à inse ção da p eposição são mui o mais e iden es do que nos ou os dois g upos de c ianças en ol idos no es udo. Es e g upo mos a uma p e e ência pela inse ção da p eposição nas duas condições com complemen os animados, que é menos ma cada com complemen os di e os não humanos do que com humanos. 4.3. Po língua ma e na da mãe Uma ez que se p e ende con as a c ianças cujo inpu da língua espanhola é adqui ido po pa e da mãe com aquelas que adqui em o espanhol po pa e do pai, o g upo de c ianças que em pais com a mesma língua ma e na oi sepa ado nes a análise. O g á ico 16 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição que en ol ia complemen os di e os humanos. G á ico 16 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+humano] 64,5% 59,9% 35,5% 40,1% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 60 O g á ico 17 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição que en ol ia complemen os di e os animados não humanos. G á ico 17 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [+animado] [- humano] Po im, o g á ico 18 ap esen a as pe cen agens de espos as com inse ção da p eposição, com ausência da mesma e com es u u as sin á icas di e en es na condição que en ol ia complemen os di e os não animados. G á ico 18 - Resul ados das c ianças com pais com LMs di e en es (mãe com espanhol e pai com po uguês/mãe com po uguês e pai com espanhol) na condição [- animado] Os esul ados ap esen ados nos úl imos ês g á icos não pe mi i am iden i ica uma condição em que se e i icasse um con as e ele an e po pa e de um dos g upos de c ianças ela i amen e ao ou o. 47% 50% 53% 50% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 1,4% 0% 98,6% 100% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% LM da mãe - espanhol LM da mãe - po uguês Inse ção da p eposição Ausência da p eposição 61 Os alo es ap esen am semp e esul ados mui o p óximos en e as 13 c ianças es adas com a mãe com o espanhol como LM e as 7 com a mãe com o po uguês como LM. A maio di e ença co esponde à inse ção da p eposição pe an e complemen os di e os humanos, mas, ainda assim, a a-se de uma di e ença eduzida – 4,6%. Assim, embo a os alo es sejam di e en es en e os dois g upos, não se e i ica am di e enças ele an es pa a pode a i ma que de e minado inpu ma e no in luencia mais ou menos em alguma das ês condições es adas. 62 5. Discussão dos esul ados e conclusões Com o es e de p odução induzida aplicado a es es g upos de c ianças, ob i e am- se dados que pe mi em co obo a algumas das hipó eses abo dadas no capí ulo 3. Pa a uma melho discussão global, u iliza -se-ão os dados ob idos em ou os es udos e e idos an e io men e, de modo a e i ica se os esul ados que ob i emos co espondem ao que oi encon ado em es udos an e io es. No que diz espei o à p imei a hipó ese le an ada, de aco do com a qual se espe a a uma aquisição mais a dia po pa e das c ianças bilingues, is o es a mos pe an e uma es u u a que ap esen a di iculdades po en ol e a in e ace sin axe- semân ica, e i ica am-se pe cen agens mais ele adas de des ios con as i amen e com os esul ados ob idos po Rod íguez-Mondoñedo (2008) com c ianças monolingues. No en an o, a idade das c ianças e a me odologia u ilizada nos dois es udos são di e en es – enquan o Rod íguez-Mondoñedo (2008) se baseia em dados de p odução espon ânea de c ianças com idades en e os 0;9 e os 2;11, o p esen e es udo u iliza dados de p odução induzida com c ianças mais elhas. Assim, se ia necessá io aplica o es e do p esen e es udo a c ianças monolingues, pa a con i ma se es e desen ol imen o a dio é ca ac e ís ico do desen ol imen o bilingue e não o esul ado da aplicação de um es e expe imen al, o que não oi possí el aze nes e abalho. No e-se que es a ulne abilidade da aquisição do enómeno pode á não es a apenas elacionada com as in e aces en ol idas na es u u a, mas ambém pode á se de ida ao ac o de en ol e c ianças bilingues, endo em con a que o bilinguismo em si mesmo pode des a o ece a compe ência em alguma das línguas (Wein eich 1953). Hou e um desen ol imen o dos 4 pa a os 5 anos, embo a se enha e i icado que o enómeno ainda não se encon a es abilizado aos 5 anos. De ac o, as c ianças cujos pais êm LMs di e en es não dominam na sua o alidade as es ições a que a es u u a do complemen o di e o p eposicionado obedece, ap esen ando omissões da p eposição a com complemen os di e os humanos e especí icos, pelo que a exposição à língua espanhola desde o nascimen o pode se insu icien e na aquisição comple a do enómeno em es udo. Tal como a i mam Thomas e al. (2014), os e ei os do inpu eduzido pa ecem p olonga -se e esse ac o e le e-se na aquisição da es u u a. Nes e caso, conside a-se 69 desempenho. Assim, se ia possí el que se ob i essem melho es esul ados, caso hou esse um e o ço do inpu da língua espanhola. Ainda assim, esse a o pode ia não se su icien e, pelo que se ia in e essan e explo a os ipos de inpu que su gem nos di e en es domínios linguís icos, a im de con i ma o ac o de ce as c ianças ap esen a em um p og esso mais ápido em de e minada á ea (Unswo h 2016). Há que e em con a a possibilidade de ha e ce os a o es indi iduais que a e am o desen ol imen o linguís ico, al como há no desen ol imen o monolingue, is o é, c ianças mais p ecoces e c ianças mais a dias. Vá ias pesquisas u u as pode iam se ei as com o p opósi o de se ob e em espos as mais escla ecedo as ela i amen e à aquisição des e enómeno. Tendo em con a que o p esen e es udo mos ou que, em bilingues de po uguês eu opeu-espanhol ibé ico esiden es em Po ugal, a comple a aquisição do complemen o di e o p eposicionado não es á ainda es abilizada, conclui-se que es a de e á es abiliza mais a diamen e. An es de ealiza es udos nesse sen ido e sabe o momen o exa o em que essa es abilização se dá, se ia in e essan e aplica um es e semelhan e a c ianças cujos pais i essem LMs dis in as – espanhol num caso e po uguês no ou o -, esiden es em Espanha. Es e ac o pode ia demons a a impo ância do país de esidência ace ao inpu que ecebem po pa e dos pais. Se ia ambém igualmen e in e essan e es a es as mesmas c ianças na língua po uguesa, de modo a e i ica se as mesmas in oduzem a p eposição a em con ex os não exigidos. Esse es e se ia ú il pa a de e a se, de ac o, as c ianças conseguem p oduzi em odos os casos ases g ama icais ou se e le em na língua e ei os da língua espanhola, o que demons a ia que nem semp e alo iza iam a opção mais económica. Den o des e es udo, se ia impo an e e mais dados ela i os aos pais das c ianças. Se ia in e essan e aplica o es e aos mesmos, is o que mui os deles podem não e adqui ido co e amen e a es u u a, o que se podia e le i nos esul ados dos ilhos. A p ocu a de mais dados ela i os à qualidade de inpu das c ianças e dos espe i os pais pode á esponde às di e enças que se encon am nos esul ados en e os pa icipan es. Também se ia undamen al es a monolingues de espanhol, endo em con a que o ac o de o enómeno se p ecoce na p odução espon ânea não signi ica que não haja p oblemas em a e as de p odução induzida. 70 Em es udos u u os, se ia impo an e es a ambém o domínio do aço de especi icidade, já que não oi manipulado nes a in es igação. Se á impo an e e o ça , em om de conclusão, que a aquisição do complemen o di e o p eposicionado em bilingues con inua a e mui o po explo a . 71 6. Re e ências bibliog á icas Aissen, J. (2003) Di e en ial objec ma king: iconici y s. economy. Na u al Language and Linguis ic Theo y, 21, (3). P. 435 – 483. Bake , C. (2003) Bili e acy and ansli e acy in Wales: Language planning and he Welsh na ional cu iculum. In Nancy H.Ho nbe ge (eds.) 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[-animado] Aquí enemos una niña y una caja ce ada. ¿Qué hace la niña? 85 Dis a o Aquí enemos un niño y una bañe a. ¿Qué hace el niño? [+humano] Aquí enemos una p o eso a y cua o alumnos. ¿Qué hace la p o eso a? 86 Anexo 2 Tes e po condição. Condição Imagem Es ímulo [+humano] Aquí enemos un pad e, su hijo y una man a. ¿Qué hace el pad e? [+humano] Aquí enemos una niña, un niño y unos binocula es. ¿Qué hace la niña? [+humano] Aquí enemos una niña que se es á ahogando y un soco is a. 87 ¿Qué hace el soco is a? [+humano] Aquí enemos un niño, una niña y una mangue a. ¿Qué hace el niño? [+humano] Aquí enemos un polícia y un lad ón. ¿Qué hace el polícia? 88 [+humano] Aquí enemos una p o eso a y cua o alumnos. ¿Qué hace la p o eso a? [-humano] [+animado] Aquí enemos un g an oso y un osi o. ¿Qué hace el g an oso? [-humano] [+animado] Aquí enemos un pe o y una se pien e. 89 ¿Qué hace el pe o? [-humano] [+animado] Aquí enemos un ga o ma ón y una ga a blanca. ¿Qué hace el ga o ma ón? [-humano] [+animado] Aquí enemos un pez g ande y muchos peces pequeños. ¿Qué hace el g an pez? [-humano] [+animado] Aquí enemos un ga o y un a ón. 90 ¿Qué hace el ga o? [-humano] [+animado] Aquí enemos un ele an e y una ho miga. ¿Qué hace el ele an e? [-animado] Aquí enemos una niña y una caja ce ada. ¿Qué hace la niña? [-animado] Aquí enemos un pe o y un hueso. 91 ¿Qué hace el pe o? [-animado] Aquí enemos una seño a y un cas illo en la ele. ¿Qué hace la seño a? [-animado] Aquí enemos una seño a, una en ana, un paño y un sp ay de limpieza. ¿Qué hace la seño a? 92 [-animado] Aquí enemos un pin o , una silla, un balde de pin u a y una b ocha. ¿Qué hace el pin o ? [-animado] Aquí enemos una niña, una ije a y una hoja de papel oja. ¿Qué hace la niña? Dis a o Aquí enemos una niña con un es ido e de, o a con un es ido azul y un elé ono. 93 ¿Qué hace la niña con el es ido e de? Dis a o Aquí enemos una niña y un peine. ¿Qué hace la niña? Dis a o Aquí enemos un pi a a y un ba co. ¿Qué hace el pi a a? 94 Dis a o Aquí enemos un niño, su abuelo y un lib o. ¿Qué hace el abuelo? Dis a o Aquí enemos una mad e, su hija y un egalo. ¿Qué hace la mad e? Dis a o Aquí enemos un niño y una bañe a.