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PROPOSTA DE HARMONIZAÇÃO GRÁFICA DA
TOPONÍMIA DE ANGOLA
O Caso do Município de Malanje
Helde Pande Alexand e
Ma ço, 2015
Disse ação de Mes ado em Te minologia e Ges ão
da In o mação da Especialidade
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Te minologia e Ges ão da In o mação da Especialidade, ealizada sob a o ien ação
cien í ica da P o esso a Dou o a Ma ia Te esa Rijo da Fonseca Lino.
Decla o que es a disse ação é o esul ado da minha in es igação pessoal e
independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas es ão de idamen e
mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia.
O candida o,
____________________________________
Lisboa, .... de ............... de ...............
Decla o que es a Disse ação se encon a em condições de se ap eciado pelo jú i a
designa .
A o ien ado a,
_____________________________________
Lisboa, .... de ............... de ..............
À memó ia de Félix Domingos, pai, companhei o
incondicional;
À Domingas José Pande, mãe, mulhe sac i icada e
incansá el;
À Rosa Alexand e, digníssima e amada mulhe ;
À memó ia de F ancisco José Ganga, um amigo do
ou o lado da ida.
AGRADECIMENTOS
A Deus Pai Todo-Pode oso e a C is o Jesus, meu Senho e Sal ado , pelo dom da ida, amo ,
g aça e sal ação.
À minha mãe, Domingas José Pande, que mui o lu ou pela minha o mação.
À Rosa Alexand e, minha mulhe , pela e nu a e a ec o.
A odos os meus i mãos, pelo apoio e incen i o.
À P o esso a Dou o a Te esa Lino, pela o ien ação e pelas co ecções que en iquece am o
abalho.
À dou o a Paula Hen iques, pelos conselhos e incen i os.
Ao engenhei o Cae ano Co eia e ao Minis é io da Adminis ação do Te i ó io, po odo o
apoio p es ado.
Ao P o esso Dou o Manuel Muanza e à dou o a Débo a Gou gel, po me e em p opos o
pa a es a o mação.
Ao Go e no da P o íncia de Malanje e à Adminis ação Municipal de Malanje, po me e em
pe mi ido le a a cabo o p esen e abalho.
À amília do senho João F ancisco Ndala, ao Ma eus Ma ques e ao João Se o e, pela
hospi alidade du an e o pe íodo de ecolha de dados, na cidade de Malanje.
Aos meus líde es espi i uais e i mãos na é, pelos sábios conselhos e pelos p eciosos
enco ajamen os.
Ao Ru ino João Mbubi, amigo e conselhei o.
Ao INAGBE, Ins i u o Nacional de Ges ão de Bolsas de Es udo, po e supo ado
inancei amen e es a o mação.
Aos meus amigos, colegas e a odos que di ec a ou indi ec amen e con ibuí am pa a a
ealização do p esen e abalho.
PROPOSTA DE HARMONIZAÇÃO GRÁFICA DA TOPONÍMIA DE ANGOLA: O
CASO DO MUNICÍPIO DE MALANJE
RESUMO
Nes a disse ação emos a p eocupação de apon a de e minados c i é ios pa a a esc i a dos
opónimos de o igem a icana. En endemos que os opónimos, apesa do seu ca ác e de
iden i icado , são pala as como as demais da língua e es ão sujei os aos mesmos enómenos
linguís icos, inclusi e aos emp és imos. Des e modo, julgamos que as eg as o og á icas
de em obedece ao sis ema linguís ico a que se p e ende aplica e, po isso mesmo,
conside amos inadequado que eg as o og á icas do Kimbundu ou de ou as línguas
angolanas de o igem a icana condicionem a esc i a dos opónimos na língua Po uguesa. Pa a
isso, p ocedemos a uma pesquisa documen al, pa a a ecolha de dados, e a pesquisa de campo,
pa a con ac os com as au o idades adminis a i as e adicionais do município de Malanje.
Recolhemos ce ca 170 opónimos que se i am de co pus pa a a ealização des e abalho,
en e os quais alguns de o igem kimbundu, ou os de o igem po uguesa e alguns híb idos.
Ap esen amos uma classi icação dos opónimos de aco do com o seu signi icado,
iden i icamos a sua es u u a mo ológica e p opomos ce os c i é ios que de em se
conside ados na esc i a des es opónimos, endo em con a que as eg as de o og a ia do
Po uguês que as eg as de o og a ia do Kimbundu.
Pala as-cha e: Topónimo, oponímia, g a ia, Kimbundu, Po uguês
PROPOSAL TO HARMONISE SPELLING OF ANGOLAN TOPONYMY: CASE OF
MALANJE MUNICIPALITY
ABSTRACT
This disse a ion aims o es ablish c i e ia o he spelling o Angolan oponyms o A ican
o igin. In spi e o hei speci ic cha ac e is ics, we belie e ha oponyms a e wo ds like any
o he s in he language and hey a e all subjec o linguis ic phenomena, including loanwo ds.
The e o e, we belie e ha spelling ules depend on he linguis ic sys em in which we wish o
apply hem and so we conside i inapp op ia e o he spelling ules o he Kimbundu
language o condi ion he w i ing o Angolan oponyms in Po uguese. Documen a y esea ch
was unde aken o collec da a as well as ieldwo k o con ac he adminis a i e and ibal
au ho i ies in Malanje municipali y. O e 170 oponyms we e collec ed (some in he
Kimbundu language, some in Po uguese and o he s hyb id) which se ed as a co pus o his
wo k. We also p esen a classi ica ion o oponyms acco ding o hei meaning, iden i y he
mo phological s uc u e and p opose some c i e ia o co ec ly w i e he oponyms bo h in
Po uguese and Kimbundu languages.
Key-wo ds: Toponym, Toponymy, spelling, Kimbundu, Po uguese
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
1. ESTUDO DA TOPONÍMIA NO DOMÍNIO DA LEXICOLOGIA .................................... 3
1.1. Lexicologia e léxico .................................................................................................... 3
1.2. Lexicologia, Onomás ica e Toponímia......................................................................... 6
1.3. B e e Abo dagem ao Léxico do Po uguês e do Kimbundu ......................................... 9
1.4. A Toponímia como Objec o de Es udo da Lexicologia .............................................. 15
1.4.1. Aspec os cul u ais da Toponímia ........................................................................ 20
2. ENQUADRAMENTO LINGUÍSTICO DA PROVÍNCIA DE MALANJE ...................... 23
2.1. Ca ac e ização Geo e E nolinguís ica ......................................................................... 23
2.2. Ca ac e ização Sociolinguís ica ................................................................................. 25
2.3. Ca ac e ização da Língua Kimbundu ......................................................................... 28
2.3.1. O al abe o e a oné ica ........................................................................................ 29
2.3.2. O om ................................................................................................................. 33
2.3.3. Aspec os Mo ossin ác icos ................................................................................ 33
3. METODOLOGIA DA CONSTITUIÇÃO DE CORPUS DE TOPÓNIMOS ..................... 39
3.1. Delimi ação da Região .............................................................................................. 39
3.2. Tipologia de Documen os .......................................................................................... 39
3.3. Ap esen ação e Discussão de Dados .......................................................................... 41
3.3.1. Es u u a mo ológica dos opónimos .................................................................. 49
3.4 Fichas Lexicog á ico-Toponímicas ............................................................................. 54
4. PROPOSTA DE HARMONIZAÇÃO GRÁFICA DOS TOPÓNIMOS ............................ 60
4.1. P essupos os Legais ................................................................................................... 62
4.2. T abalhos An eceden es ............................................................................................. 63
4.3. Casos Consensuais .................................................................................................... 64
4.4. C i é ios de Apo uguesamen o ................................................................................. 64
4.5. C i é io de Esc i a segundo as LAOAs ...................................................................... 67
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 69
SUGESTÕES....................................................................................................................... 71
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 72
ANEXOS ................................................................................................................................ i
ÍNDICE DE QUADROS
Quad o 1 - Classi icação dos opónimos segundo a GEPB ................................................... 17
Quad o 2 - Classi icação axionómica dos opónimos de Na u eza Física, segundo Dick ...... 18
Quad o 3 - Classi icação dos opónimos de Na u eza An opo-Cul u al, segundo Dick ........ 19
Quad o 4 – Quad o oné ico das ogais do Kimbundu .......................................................... 32
Quad o 5 – Quad o oné ico das consoan es do Kimbundu ................................................... 33
Quad o 6 – P e ixos de classes, segundo Cha elain............................................................... 34
Quad o 7 – P e ixos de classes, segundo Fe nandes e N ondo (2002) ................................... 35
Quad o 8 – P e ixos de conco dância ................................................................................... 38
Quad o 9 - Quad o de opónimos ......................................................................................... 49
Quad o 10 - Topónimos o mados pelo p ocesso de de i ação ............................................. 50
Quad o 11 – Topónimos o mados pelos p e ixos ki- e ka- ................................................... 51
Quad o 12 – Topónimos o mados pelo p ocesso de composição ......................................... 53
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1.2. Lexicologia, Onomás ica e Toponímia
O léxico duma língua é compos o po unidades lexicais que êm impo ância
e e encial – e bos, subs an i os e adjec i os – ou uncional – conjunções, p eposições,
a igos. Po isso mesmo, Eugénio Cose iu (1979:17) de ende que “nem udo o que é uma
„pala a‟ pe ence ao léxico como objec o da lexemá ica, uma ez que há pala as
(„ca ego emas‟, „ins umen os‟) que não êm qualque signi icado lexical”. Pa a o p esen e
abalho impo a sob e udo as unidades lexicais e e enciais, especi icamen e os subs an i os
ou nomes. Den e os nomes, in e essa-nos pa icula men e os nomes p óp ios, pois é à ol a
des a classe de pala as que se desen ol e o nosso abalho, apesa do ac o de os dicioná ios
de língua co en e, que são o esul ado inal do abalho lexicog á ico, equen emen e não
incluí em nomes p óp ios como en adas.
Assim sendo, a Lexicologia ese a à Onomás ica o es udo dos nomes p óp ios.
Di idida em duas pa es – An oponímia e Toponímia –, a Onomás ica é a pa e da
Lexicologia que se dedica ao es udo dos nomes p óp ios. A An oponímia dedica-se ao es udo
dos nomes p óp ios humanos. A Toponímia, po sua ez, dedica-se ao es udo dos nomes
p óp ios dos luga es e aciden es geog á icos. Pa a o nosso abalho, apenas o segundo aspec o
da Onomás ica se con o ma com os nossos objec i os.
Os nomes p óp ios possuem uma o e ligação com os en es que designam. Como
sublinha S ephen Ullmann (1977:149), “Os nomes desempenham nas elações humanas um
papel ão impo an e que são equen emen e do ados de pode es mágicos e odeados de
complicadas supe s ições e abus”. Embo a os nomes p óp ios obedeçam às mesmas eg as da
língua como os nomes comuns (c . Vasconcellos, 1934:148), “O concei o de nome p óp io
es á assim p o undamen e a eigado na adição, e, na ida diá ia, não emos di iculdade em
econhece ais nomes e os dis ingui dos subs an i os comuns, esc e endo-os com
maiúscula” (Ullmann, 1977:151).
Ullmann p ossegue a sua e lexão ap esen ando cinco c i é ios ge almen e apon ados
pa a dis ingui os nomes p óp ios dos nomes comuns, nomeadamen e unicidade,
iden i icação, designação con a cono ação, som dis in i o e c i é ios g ama icais. O p imei o
c i é io – unicidade – é suge ido po Dionísio T ácio e em a e com o ac o de um nome
p óp io signi ica um se (pessoa ou luga ) de o ma indi idual (c . Ullmann, 1977:151).
Toda ia, es e c i é io “não oma em conside ação o ac o de que mui as pessoas di e en es e
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não elacionadas, e mesmo á ios luga es di e en es, podem e o mesmo nome” (Ullmann,
1977:152). O segundo c i é io – iden i icação – enca a os nomes p óp ios como ma ca de
iden i icação. De aco do com es e c i é io, ap esen ado po John S ua Mill, “um nome
p óp io se e apenas pa a iden i ica uma pessoa ou objec o, singula izando-os de en e as
en idades semelhan es” (Ullmann, 1977:152).
O e cei o c i é io – designação con a cono ação –, ambém ap esen ado po S ua
Mill, desc e e os nomes p óp ios como es u u as designa i as e os comuns como
cono a i as. “Os nomes p óp ios não são cono a i os: designam os indi íduos que po ele são
chamados; mas não indicam nem implicam nenhum a ibu o como pe encen e a es es
indi íduos” (Mill, 1879 ci ado po Ullmann, 1977:154). Ullmann, oda ia, azendo e e ência
a O o Jespe sen, de ende que, quando aplicado em con ex o especí ico, os nomes p óp ios
podem cono a , uma ez que es es “es ão cheios de icas cono ações quando se aplicam a
pessoas ou luga es conhecidos, que pelo locu o que pelo ou in e” (Ullmann, 1977:154-
155).
O qua o c i é io – som dis in i o –, segundo Ullmann (1977:155), p opos o po Si
Alan Ga dine , é “uma ca ac e ís ica de odas as pala as (excep o no caso bas an e especial
dos homónimos)”, dado o ac o de elas “ e em uma con igu ação dis in i a p óp ia, que as
di e encia de ou os e mos”. O quin o e úl imo c i é io ap esen ado po Ullmann diz espei o
a de e minadas especi icidades g ama icais a que os nomes p óp ios es ão sujei os e que
a iam de uma língua pa a ou a, como, po exemplo, a plu alização dos nomes p óp ios que
só acon ece em casos especiais e a de e minação do nome p óp io a a és do a igo. Diz o
au o que “A sin axe do a igo e de ou os «de e minan es» é, ealmen e, um dos mais
espalhados c i é ios g ama icais que dis inguem os nomes p óp ios dos subs an i os comuns”
(Ullmann, 1977:157).
En e an o, Ullmann ealça que, dos cinco c i é ios ap esen ados, o segundo pa ece se
o mais ú il, já que “A di e ença essencial en e os subs an i os comuns e os nomes p óp ios
eside na sua unção: os p imei os são unidades signi ica i as, os segundos simples ma cas de
iden i icação” (Ullmann, 1977:160). Ao ealça o papel iden i icado dos nomes p óp ios,
Ullmann e oca a ideia clássica de que o nome p óp io é is o como “ ó ulo ixado numa
pessoa ou numa coisa pa a a iden i ica , dis inguindo-a de elemen os simila es” (Ullmann,
1977:153).
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A p opósi o da ideia de ó ulo, Dick, pa indo dos concei os g egos de onoma e logos,
p ocu a “es uda o nome como a o gené ico, ao qual chamamos „sis ema onomás ico‟, pelas
elações que os nomes aí es abelecem, ma cando odo o o denamen o g ama ical e de
signi icados” (Dick, 2007:145). En ende a au o a que “Is o é possí el po que o nome não é
apenas um ó ulo ou e ique a colada sob e o obje o” (Dick, 2007:145).
Os opónimos ge almen e nascem da língua co en e, o que os eme e pa a o es udo da
Lexicologia. Po ém, quando se o nam al os de es udos especializados, é azoá el que
ambém sejam objec o de es udo da Te minologia, uma ez que, nes es casos, passam a se
conside ados e mos, já que, co obo ando a a i mação de Dick, “conside amos a Toponímia
– nes e caso em oco – uma linguagem de especialidade” (Dick in: Seab a, 2006:99).
Vis o des a o ma, es amos pe an e uma ques ão que ap esen a uma ce a
complexidade e eque , ce amen e, um enquad amen o da abo dagem que se p e ende aze
no que diz espei o aos opónimos: se uma abo dagem no âmbi o da Lexicologia ou da
Te minologia. Pa a odos os e ei os, a nossa abo dagem é essencialmen e linguís ica, não
sendo, pa a já, p io i á ia a dimensão concep ual da Te minologia.
Do g ego opos (luga ) e onomas (nome), a Toponímia é en endida como o es udo da
o igem, e olução e signi icação dos opónimos. Há au o es, con udo, que usam e mos como
Co onímia Nomina i a, Nomencla u a Geog á ica ou Geonímia pa a a análise da e imologia
dos nomes dos luga es (Seemann, 2005:211). Segundo cons a a Dick, “A Toponímia
desen ol eu-se acompanhando um ocabulá io geog á ico de oco ências, pois geog á ico e a
o seu objec o de es udo ( opos = luga ), na dis ibuição en e elemen os ísicos e an ópicos da
paisagem, mas em elação in e semió ica” (Dick in: Seab a, 2006:98).
Tal como já dissemos acima, a língua dispõe de di e sos ecu sos de o mação de
pala as. Nes e es udo de caso, da emos especial a enção aos emp és imos, pois es a emos a
a a duma si uação de con ac o de línguas – pa a o p esen e abalho, o Kimbundu e o
Po uguês. Nes e aspec o, oca -nos-emos sob e udo na in e e ência do Po uguês no
Kimbundu, e ice- e sa, pa icula men e no caso dos opónimos.
9
1.3. B e e Abo dagem ao Léxico do Po uguês e do Kimbundu
A si uação sociolinguís ica de Angola, sob e udo a ques ão do con ac o linguís ico
en e o Po uguês e as línguas locais, em sido al o de di e sos es udos. Vic o ino Reis
desc e e o con ac o de línguas como “o p ocesso de in e acção en e duas ou mais línguas, do
qual esul am in luências na es u u a e no ocabulá io das línguas em con ac o” (Reis,
2006:44). Des e modo, o con ac o en e o Po uguês e o Kimbundu em p oduzido
in e e ências an o numa como nou a língua. Amélia Mingas (2000) de ende que,
ela i amen e ao Kimbundu, e á sido a língua Po uguesa a que mais so eu com o enómeno
da in e e ência. Es as in e e ências dão-se a á ios ní eis, mo ológico, sin ác ico, oné ico
ou lexical.
Uma das p o á eis ma cas da in e e ência do Po uguês no Kimbundu a ní el
onológico é o onema [ɾ], inexis en e no Kimbundu, que su ge sob e udo como al e na i a do
som [d] (c . Mingas, 2000:63), em pala as como ki i i/kididi (luga ), i emu/di emu (enxada),
i umba e/di umba e (plan a medicinal). Des e modo, o p e ixo kimbundu de classe 5 (di-)
passa a se ealizado de o ma al e na i a como i-. Po exemplo, no seu Dicioná io
Kimbundu-Po uguês, An ónio de Assis Junio usa o p e ixo como i- e não di-. En e an o,
Assis Junio obse a que “O , ou i (semp e acompanhado de i), endo um só alo no
p incípio como no meio das pala as, é semp e b ando soando ap oximadamen e como di,
con o me pa ece se equen e nas e as do in e io ” (Junio , s/d:4). Assis Junio ac esce que
“não al a quem julgue opo una a subs i uição po di e sua consequen e eliminação do
al abe o” (Junio , s/d:4). De qualque modo, como e emos adian e, o al abe o ac ualmen e
con encionado pa a o Kimbundu não inclui o g a ema < > nem o onema [ɾ].
Do pon o de is a lexical, o con ac o en e o Po uguês e o Kimbundu em ge ado
mui os emp és imos. Mui as dessas pala as aduzem ealidades ou ideias não exis en es
numa ou nou a cul u a. Po exemplo, não ha endo ca os no con ex o cul u al kimbundu, o
Kimbundu eco e ao Po uguês pa a pode exp essa al ealidade. Des e modo, emos no
Kimbundu a pala a dikalu, o mada pelo p e ixo singula di- e o adical kalu, do Po uguês
ca o.
Ou os exemplos:
Kimbundu
Po uguês
Dikalu
ca o
apalelu
apa elho
10
Xikola
escola
Mbolo
pão (de bolo)
dibesa
bênção
mbinza
camisa
Lwoso
a oz
ngeleja
ig eja
kulemala
ema
kukandala
can a
kuso ela
So e
Como podemos obse a , ao en a em no léxico do Kimbundu, as pala as
con o mam-se à mo ologia e à oné ica do Kimbundu. Po exemplo, ao passa pa a o léxico
do Kimbundu, a pala a ca o so e al e ação do onema [R] pa a [l], já que o onema [R] não
exis e na língua Kimbundu. Além disso, à pala a é an epos a o p e ixo singula di-, que az o
plu al em ma- (makalu). Quando às pala as não se an epõe um p e ixo, o singula é ma cado
pelo mo ema Ø, de classe 9, como em ngeleja, mbinza, mbolo, que o mam plu al em ji-, de
classe 10, jingeleja, jimbinza, jimbolo.
O con ac o en e o Po uguês e o Kimbundu ez com que di e sos an opónimos
po ugueses en assem, po co up ela, no léxico do Kimbundu, como ap esen amos a segui .
Kimbundu
Po uguês
Ada
Adão
Nguxi
Agos inho
Sesa
Conceição
Ngalaxi
Eng ácia
Xiku
F ancisco
Kimadi
Guioma
Naxu
Inácio
Zua
João
Ze a
Jose a
Madiyana
Ma iana
Loza
Rosa
Mbaxi
Sebas ião
Sandu
San os
Madiya
Ma ia
Jezu
Jesus2
Ou o aspec o que se e i ica nos exemplos e e idos (mbolo e ngeleja) é al e ação das
consoan es o ais [b] e [g] pa a as consoan es p é-nasais [mb] e [ŋg], dado o ac o de [b] se
a es ada ge almen e no meio de pala a e [g] não se a es ada no Kimbundu.
2
C . Gama, José Mo eno P. da. Luanda F agmen os de Memó ias. Edição do Au o . Luanda. 2006. pp. 66-67
11
De o ma in e sa, a in e e ência do Kimbundu no Po uguês não se ci cunsc e e
apenas ao ní el lexical, mas ambém ao onológico, mo ológico e sin ác ico. Di e sas
pala as do Kimbundu passam pa a o Po uguês, sendo que mui as delas são adequadas à
es u u a lexical do Po uguês. Po ou o lado, e i ica-se no Po uguês, sob e udo na a ian e
angolana do Po uguês, es u u as sin ác icas ma cadas pela in e e ência do Kimbundu.
A ní el da Sin axe, a in e e ência do Kimbundu no Po uguês é ma cada no modelo
de cons ução da ase, como, po exemplo, a an eposição do p onome pessoal complemen o
em elação ao e bo. Nes a con o midade, em de se dize :
En eguei-lhe a cha e.
Diz-se:
*lhe en eguei a cha e.
Re i a-se ainda que o alan e do Kimbundu ge almen e não az dis inção en e os
p onomes pessoais complemen os di ec o (o) e indi ec o (lhe). Nes es casos, o p onome lhe é
usado que como complemen o di ec o que como indi ec o. Em ez de se dize :
Vi-o quando passa a.
Diz-se:
*Lhe i quando passa a.
Ou o aspec o que ma ca a in e e ência do Kimbundu no Po uguês é a ques ão da
conco dância em géne o e núme o. Dado o ac o de a ma ca do núme o, no Kimbundu, exis i
no p e ixo, o alan e des a língua anspo a a mesma lógica pa a o Po uguês.
Kimbundu
Po uguês
di-yala
homem(Ø)
ma-yala (mala)
Homens
(Ø)Ngu u
colhe (Ø)
ji-ngu u
Colhe es
ki-nama
pe na(Ø)
i-nama
Pe nas
mu-zumbu
lábio(Ø)
mi-zumbu
Lábios
mu-he u
mulhe (Ø)
a-he u
Mulhe es
Como podemos obse a , no Kimbundu, o singula e o plu al são ma cados po
p e ixos nominais, com excepção da classe 9, ma cada pelo p e ixo Ø. Di e en emen e, o
Po uguês ma ca apenas o plu al, sendo o singula semp e ma cado pelo mo ema Ø. Assim
12
sendo, no am-se sin agmas, em Po uguês, em que a ma ca do núme o ica exp essa apenas no
a igo (c . Mingas, 2000:66-67), como nos exemplos abaixo:
O polícia / Os polícia
O homem / os homem
Em ez de:
Os polícias
Os homens
O léxico da língua Kimbundu não possui o e bo e (c . Quin ão, 1934:22). Pa a
sup i a al a desse e bo na língua, eco e à locução e bal kukala ni (es a com). Des a
o ma, cons a am-se cons uções ásicas do ipo:
Es ou com ome. (Ngala ni nzala)
Es ou com um p oblema. (Ngala ni maka)
Es ou com in a anos. (Ngala ni makwinyi a a u mi u)
em ez de:
Tenho ome.
Tenho um p oblema.
Tenho in a anos.
Ainda do pon o de is a da cons ução da ase, po in e e ência do Kimbundu, as
ases in e oga i as pa ciais são cons uídas de manei a que a pa ícula in e oga i a
(p onome ou ad é bio in e oga i o) su ja no inal da ase. Acon ece que, no Kimbundu, a
pa ícula in e oga i a, em ases in e oga i as pa ciais, su gem no inal da ase. Como
consequência, e i icam-se ases do ipo:
Vais aonde? Fizes e como? Comes e (o) quê? (Wamukuya kwebi? Wabangi kyebi?
Wadi ihi?)
em ez de:
Aonde ais? Como izes e? (O) que comes e?
Po ou o lado, po in luência do ad é bio kimbundu ngo (só), e i icam-se ases do
ipo:
Me passa só a colhe . (ngi bane ngo o ngu u)
em ez de:
Po a o , passa-me a colhe .
13
Is o de e-se ao ac o de que, em ases como ngi bane ngo menya (me dá só água –
com o alo de “po a o , dá-me [um pouco de] água.), o ad é bio possui o alo semân ico
de “po a o ”. Logo, o alan e do Kimbundu, ao aduzi o seu pensamen o pa a o Po uguês,
selecciona os mesmos elemen os que selecciona em Kimbundu, não pe cebendo que, no
Po uguês, “só” não é sinónimo de “po a o ”.
Do pon o de is a do léxico, á ias são as unidades linguís icas do Kimbundu
lexicalizadas na a ian e do Po uguês de Angola, obedecendo a di e en es p ocessos. Os
e bos do Kimbundu, po exemplo, ao en a em no léxico do Po uguês, pe dem ge almen e o
p e ixo e bal (ku-) e ganham a desinência do in ini i o po uguês (- ) (c . Mingas, 2000:78),
como podemos e nos exemplos abaixo:
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Kukanga
Canga
ama a
Kukwa a
Cua a
aga a
Kuxinga
Xinga
ul aja , o ende
Kuxingila
Xinguila
In oca espí i os, cai em
anse
Kubaza
Baza
i -se embo a
Kusabula
Sabula
deli a , e ela um seg edo
Kubungula
Bungula
dança ( ei icei o)
Kuzunga
Zunga
ambula , odopia
En e an o, os e bos a segui ogem a es a lógica e en am no léxico do Po uguês de
o ma di e en e.
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Kulamba
Culamba
cozinha ,
Kulemba
Alemba
da p esen e de noi ado
Ku umba
Ca umba
da menos do que o de ido
Kuluwa
Calua
pa icipa numa e eição
sem se con idado3
Os nomes lexicalizados, segundo Amélia Mingas (2000:78), di idem-se em ês
g upos.
“O p imei o engloba os nominais que o am lexicalizados com o espec i o p e ixo singula de
classe; o segundo eag upa aqueles que en a am na a ian e angolana só com a es u u a da
sua o ma plu al e o úl imo in eg a os nominais lexicalizados sem [sic] pe da do espec i o
p e ixo. A a ian e compo a, po ou o lado, nomes que en a am no léxico do po uguês de
Angola com os dois p e ixos, o do singula e o do plu al” (Mingas, 2000:78-79).
3
O e bo kulwa signi ica gue ea , esis i , a a uma lu a. Ao se lexicalizado no Po uguês, e e e-se
sob e udo a pessoas que ão come à casa de ou em sem um p é io con i e ou às c ianças que azem e eição
o a de casa sem o consen imen o dos seus pais.
14
Rela i amen e ao e cei o g upo de nomes lexicalizados, pensamos que a au o a se
e e ia aos nomes que são lexicalizados sem o espec i o p e ixo, di e en e de “sem pe da do
espec i o p e ixo”, con o me a ci ação acima. Aliás, a nossa posição em po base o ac o de
que, an o no p imei o como no segundo g upo, os nomes lexicalizados possuem os
espec i os p e ixos, daí a dis inção en e singula e plu al. Ou ossim, o p imei o sub í ulo da
página 80 az jus à nossa abo dagem. Des a o ma, aos qua o g upos já ap esen ados,
ac escemos os nomes de base kimbundu aos quais se jun a um su ixo po uguês.
Nes a con o midade, são exemplos de pala as de que só a o ma singula oi
lexicalizada as seguin es:
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Kibe u
Quibe o
lu a
Kimbemba
Quimbemba
con e sa4
Kingila
Quínguila
cambis a in o mal
Kizaka
Quizaca
p a o ípico
Mbombo
Bombo
mandioca demolhada
Ndende
dendém, dendê
u o da palmei a
Dikixi
Diquíxi
mons o canibal (mi ologia)
Mu e e
Mu e e
p a o ípico
Mwamba
Muamba
p a o ípico
Muxoxo
muxoxo5
chio de boca
Ndenge
Ndengue
c iança, jo em
Exemplos de pala as cuja o ma do plu al apenas oi lexicalizada (Mingas, 2000:80)
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Imbamba
Imbamba
bagagem
Jindungu
Jindungo
baga pican e
Mabanga
Mabanga
espécie de ma isco
Malamba
Malamba
desg aça
Mawindu
Mauindo
espécie de pulga pene an e
Minyoka
Minhoca
e me
Exemplos de pala as de que an o a o ma singula quan o a plu al o am
lexicalizadas (Mingas, 2000:81)
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Dika
Dica
in o mação
Maka
Maca
p oblema, assun o
4
Nos úl imos empos, a unidade lexical quimbemba egis ou uma e olução semân ica, passando a signi ica
con í io, es im.
5
De muxoxo de i a o e bo muxoxa .
15
Exemplos de pala as lexicalizadas sem o p e ixo (Mingas, 2000:80)
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Dikamba
Camba
amigo
Diko a
Co a
mais elho
Exemplo de pala as com base kimbundu e su ixo po uguês
Kimbundu
Fo ma lexicalizada
Po uguês
Kimbanda
Quimbandei o
cu andei o
Mulemba
Mulembei a
á o e ondosa
Mu uma
Ma umei a
á o e ondosa
Kuzunga
Zunguei a
endedo a ambulan e
Ki anda
Qui andei a
endedo a
Kimbombo
Quimbombei o
endedo de quimbombo;
bebedo de quimbombo
Kuxinguila
Xinguilado
ad inho
Kuxixila
Xixila
e di iculdade em aze ou
anspo a alguma coisa
Além dos exemplos acima ap esen ados, há um ou o g upo de pala as complexas
que combinam unidades linguís icas do Kimbundu e do Po uguês, com ele o pa a unidades
linguís icas ligadas à gas onomia, como, po exemplo, muamba de galinha, muamba de
peixe, muamba de ca ne.
No âmbi o da oné ica, e i ica-se a in e e ência do Kimbundu na a iculação de
de e minados sons ocálicos e consonân icos. Po exemplo, a unidade linguís ica <manga> é
ealizada one icamen e como [ˈmaŋɡa] (ma-nga), em ez de [ˈmɐɡɐ] (man-ga). Is o acon ece
po que, na língua Kimbundu (1) as ogais são semp e o ais, po an o, não exis em ogais
nasais; (2) o g a ema <a> co esponde semp e a ogal cen al abe a [a], não exis e a ogal
cen al média [ɐ]; (3) a consoan e [ɡ] é semp e p ecedida de som nasal, po an o ealiza-se
[ŋɡ].
A consoan e la e al pala al [λ] é ge almen e ealizada como [l], como em <lhe>, ou
como [li], em casos como <malha>, <colhe >, <espelho>, one icamen e [΄malja], [coli΄e ],
[eʃ΄pɛlju].
1.4. A Toponímia como Objec o de Es udo da Lexicologia
No âmbi o do es udo da Lexicologia, a oponímia pode se is a como um ecu so de
en iquecimen o e eno ação do léxico, uma ez que, po in e médio da oponímia, o léxico da
22
Há casos em que, mesmo depois da al e ação de um dado opónimo, o nome an e io
con inua a coexis i com o ac ual. Em Luanda, po exemplo, e i ica-se a coexis ência dos
opónimos, La go 1.º de Maio e P aça da Independência (La go da Independência), La go do
Baleizão e La go Saidy Mingas, Es ada de Ca e e e A enida Deolinda Rod igues.
Fac os como es es, le am-nos a a i ma que os opónimos com os quais as pessoas se
iden i icam di icilmen e caem em desuso, mas con inuam a exis i , ainda que de o ma não
o icial. Po se a a de uma ma é ia complexa, já que não en ol e apenas uma pessoa, e dado
o ac o de que “Os nomes das localidades de inem an o os luga es quan o as pessoas”
(Seemann, 2005:209) os opónimos não de em se impos os, mas de em me ece a
ap o ação, ainda que áci a, da comunidade. Po isso, pa a nós, az odo o sen ido a a i mação
de Seemann de que “a denominação dos luga es é, de a o, um p ocesso polí ico-cul u al”
(Seemann, 2005:209). Aos opónimos que são ansplan ados e/ou aos que não e lec em a
iden idade da localidade ou aciden e geog á ico que designam, Dick chama de designação
supe pos a. Ainda a es e p opósi o, Dick (2007:142) conside a que os
“nomes são o mas de língua i uais, mui as ezes de na u eza plás ica, que se moldam às
egiões de duas manei as peculia es: ou designando-as segundo suas especi icidades mais
salien es, consubs anciadas, linguis icamen e, em suas p óp ias semias; ou ado ando uma
denominação a i icial, no sen ido de seu dis anciamen o em elação ao g upo. Em ou as
pala as, o nome deixou/deixa á de se con ex ualizado ou in oje ado pela comunidade po que
seguiu o caminho in e so, ad indo de o a pa a den o do meio”.
Pa a o p esen e abalho, ecolhemos um conjun o de opónimos que cons i uem o
co pus que se e de base pa a análise. Os opónimos ecolhidos e e em-se sob e udo a nomes
de comunas, sec o es, egedo ias, aldeias e de ios.
23
2. ENQUADRAMENTO LINGUÍSTICO DA PROVÍNCIA DE MALANJE
2.1. Ca ac e ização Geo e E nolinguís ica
O e i ó io angolano di ide-se em dezoi o egiões polí icas e adminis a i as
chamadas p o íncias, nomeadamen e Cabinda, Zai e, Uíje, Bengo, Luanda, Malanje, Cuanza
No e, Cuanza Sul, Lunda No e, Lunda Sul, Moxico, Benguela, Huambo, Bié, Huíla,
Namibe, Cuando Cubango e Cunene. Cada p o íncia subdi ide-se em municípios e es es, po
sua ez, em dis i os u banos e/ou comunas.
A p o íncia de Malanje é cons i uída po ca o ze municípios, designadamen e Malanje
(a capi al da p o íncia), Cacuso, Cangandala, Calandula, Quela, Qui ima, Muca i (Caculama),
Cambundi-Ca embo, Cunda-dia-Baze, Caombo, Ma imba, Cuaba Nzoji, Massango e
Luquembo. A p o íncia é lide ada poli icamen e po um go e nado p o incial, ao passo que
o município é di igido po um adminis ado municipal. Com e ei o, o opónimo Malanje
designa qua o ex ensões e i o iais e um io, designadamen e uma p o íncia, um município,
uma comuna e uma cidade, além do io Malanje.
Localizada na egião cen o-no e de Angola, a p o íncia de Malanje possui uma
supe ície de 903.302 km² e uma população de 968.135, segundo o Ins i u o Nacional de
Es a ís ica (INE), sendo o município de Malanje o mais populoso, com 486.870 habi an es,
po an o, mais de me ade do o al de habi an es de oda a p o íncia.
A p o íncia de Malanje in eg a a egião que em como língua local o Kimbundu,
sendo o po o designado de ambundu. Segundo Filipe Zau (2002:61), o g upo e nolinguís ico
ambundu “ oi a e nia que e e con ac os mais in ensos, com o mundo eu opeu”. Zau a i ma
ainda que o g upo ambundu “Foi ambém no século XVII, a p imei a nação a icana a se
sujei a a uma nação eu opeia. Tal ez po esse ac o, enham ambém sido os mais acul u ados
de odos os ou os g upos e nolinguís icos angolanos” (Zau, 2002:61; c . Mudiambo,
2014:39). Ainda segundo Zau (2002:Quad o 1.3), o g upo e nolinguís ico ambundu
comp eende os subg upos Dembos, Maungos, Calandulas, Negolas
6
, Gingas, Holos, Bondos,
Bângalas, Quissamas, Libolos, Hacos, Songos, Quibalas e Mussendes. A es es, Fe nandes e
N ondo (2002:44) ac escem os subg upos Lwanda, Hungu, N emo, Puna e Bambei o.
6
Negola é uma o ma apo uguesada de Ngola.
24
A língua Kimbundu é alada nas p o íncias de Malanje, Cuanza No e, Bengo,
Luanda
7
e No e do Cuanza Sul, além de zonas on ei iças das p o íncias do Zai e e Uíje e é
mui as ezes ambém designada de língua (m)bunda ou “ambundo”
8
. A p opósi o des as
designações, Heli Cha elain (1888-89:xi) conside a o seguin e:
“Nem uma nem ou a des as denominações é admissí el: a p imei a po se quase um e mo
obsceno
9
na língua que p e ende designa , a segunda po que signi ica «os p e os» e não a sua
linguagem, ambas po não se em usadas pelos indígenas que alam a língua em ques ão.
«Kimbundu» pelo con á io, é o e mo e náculo, dizendo os p e os d‟Angola, os a-mbundu: o
kimbundu, em kimbundu, ala kimbundu, mas nunca: ala ambundo ou bundo ou bunda”
10
.
O Kimbundu az on ei as a No e com o Kikongo, a Es e com o Cokwe e a Sul com
o Umbundu e comp eende, segundo João Fe nandes e Za oni N ondo (2002:44-45), as
a ian es Holo, Ndongo, Kambondo, Kisama, Mgangala, Mbolo, Minungu, Ndembu, Ngola
ou Jinga, Ngoya, Nka i, N emo, Puna, Songo e Xinji.
Do pon o de is a his ó ico, a ex ensão e i o ial conhecida hoje po p o íncia de
Malanje pe encia aos einos do Ndongo, ambém designado po eino de Angola
11
(c . Zau,
2002:43), e da Ma amba. Pa a ce os his o iado es, o eino do Ndongo ou Angola e á sido
assalo do eino do Congo. Po ém, Edua do dos San os (1965:143-144) e u a es a ideia,
a i mando, con udo, a exis ência de hos ilidades en e os dois einos. Segundo Egídio de
Sousa San os, a cidade de Malanje en a pa a a his ó ia a pa i de 1843, ano em que
“Rod igues G aça emp eendeu a sua explo ação, dando assim a conhece a e ilidade do solo
que já en ão p oduzia em abundância bens alimen a es e pas agens” (San os, 2005:41).
Malanje ap esen a-se como uma cidade de capi al impo ância po se i de ligação da zona
li o al no e com o Les e de Angola, nomeadamen e as p o íncias da Lunda No e, da Lunda
Sul e do Moxico.
7
A p o íncia de Luanda, capi al do país, embo a se encon e en e as que êm como língua local o Kimbundu,
cons i ui hoje um caso à pa e, já que, de ido ao luxo mig a ó io que se e i ica na Capi al, possui comunidades
de alan es de quase odas as línguas locais de Angola, além uma as a comunidade de Congoleses (RDC),
Cabo- e dianos e Oes e a icanos.
8
Do Kimbundu, ambundu, que signi ica neg o, p e o.
9
Em Kimbundu, mbunda signi ica “nádega”, “ asei o”, “ânus”, “ abo”, “ e agua da”, “ex emidade in e io de
um objec o”, e c. (Júnio , s/d.:27)
10
A g a ia oi ac ualizada.
11
Angola é uma das o mas apo uguesada de Ngola, p imei o sobe ano do eino do Ndongo.
25
2.2. Ca ac e ização Sociolinguís ica
À semelhança do es o do país, em Malanje coexis em a língua local, o Kimbundu, e o
Po uguês, que é a língua o icial do país, segundo a Cons i uição da República de Angola
(CRA). O Kimbundu p edomina sob e udo nas zonas u ais, enquan o o Po uguês p edomina
nos cen os u banos. O Po uguês é a única língua que cob e oda a ex ensão do e i ó io
angolano, sendo, pois, as línguas locais de ca iz egional.
O pe íodo p é-independência, em Angola, oi ma cado pela polí ica de exclusão das
línguas locais, designada po An ónio Fe nandes da Cos a (2006:44) de p ocesso da
“glo o agia”. Tal polí ica e e como ápice o pe íodo de go e nação de No on de Ma os, en ão
Al o-Comissá io de Angola, que p oibiu o uso das línguas locais em a o do Po uguês.
Apesa de uma a i ude ão ad e sa, as línguas locais man i e am-se i as e in luencia am
g andemen e a língua dominan e, como pudemos cons a a no capí ulo an e io .
Alcançada a independência, e i icou-se um es o ço na p omoção das línguas locais,
con udo, sem p ejuízo algum pa a a língua Po uguesa. An ónio Fe nandes da Cos a (2006:46)
conside a que “a manu enção e di usão da língua po uguesa e a eabili ação dos idiomas
ban u nacionais não aduzem medidas incompa í eis en e si”, uma ez que, como de ende
Reis (2006:62), “a in e enção do Es ado na esolução dos p oblemas linguís icos de e
con ibui pa a a p omoção do que e i e jun os, elemen o básico da coesão e da iden idade
nacional”. Po an o, língua Po uguesa oi adop ada como língua o icial do Es ado e língua de
unidade nacional, dado que “a exis ência da língua po uguesa em Angola ansco e numa
si uação de he e ogeneidade idiomá ica” (Cos a, 2006:47). Es a he e ogeneidade deco e do
ac o de o e i ó io angolano se u o de á ios einos, endo cada um a sua p óp ia língua.
O es o ço pa a a p omoção das línguas angolanas de o igem a icana
12
(LAOAs) le ou
a que, em 1987, sob p opos a do Ins i u o de Línguas Nacionais, o Conselho de Minis os da
en ão República Popula de Angola ap o asse a Resolução n.º 3/87, de 23 de Maio
13
, que
ap o a a í ulo expe imen al os al abe os de seis línguas, nomeadamen e Kikongo, Kimbundu,
Cokwe, Umbundu, Mbunda e Oxikwanyama. Quase in e e oi o anos depois, não emos
12
Ac ualmen e em-se e i ado o e mo “línguas nacionais” pa a se e e i às línguas dos di e sos g upos
e nolinguís icos de Angola, já que al designação p e e e a língua Po uguesa. Pa a se e e i às mesmas, em-se
ecomendado a exp essão “línguas angolanas de o igem a icana” (LAOAs), con o me a Cons i uição da
República de Angola (CRA), a .º 21.º, alínea n). LAOA opõe-se a LAOE, língua angolana de o igem eu opeia,
o Po uguês.
13
Diá io da República. I Sé ie. N.º 41, de 23 de Maio de 1987.
26
conhecimen o de algum documen o que modi ique os e e idos al abe os, nem de qualque
ou o que os ap o e a í ulo de ini i o.
Ac ualmen e o Po uguês é a única língua que goza de es a u o cons i ucional em
Angola, con o me a ci ação da Cons i uição da República de Angola (CRA), de 2010:
“1. A língua o icial da República de Angola é o po uguês.
2. O Es ado alo iza e p omo e o es udo, o ensino e a u ilização das demais línguas de
Angola, bem como das p incipais línguas de comunicação in e nacional.” (a .º 19.º da
CRA)
O ac o de as “demais línguas de Angola” não e em me ecido qualque menção na
Cons i uição da República de Angola (CRA) em susci ado di e sas c í icas dos que
de endem uma maio p omoção das LAOAs, ou seja, “línguas nacionais”. An ónio Ngula
Chi inga (2014:53), po exemplo, le an a de e minadas ques ões, que julgamos pe inen es,
con o me a ci ação:
“a. Se a língua o icial é o po uguês, que es a u o êm as ou as línguas?
b. As unções do Es ado ela i amen e às “demais línguas”, segundo es e a igo,
esumem-se a alo iza e p omo e os es udos e o ensino daquelas. Pos o is o, a quem
cump e as es an es unções, como sejam, po exemplo, a p o ecção ju ídica, a
p ese ação, a egulação da con i ência linguís ica numa nação plu ilingue?
c. Que pessoas ep esen am “as demais línguas de Angola”?
d. Como de e á le a -se a e ei o a ci ada alo ização e p omoção?
e. Não é ei a, inclusi amen e, qualque e e ência ao ca ác e mul ilingue e plu ilingue
de uma nação que con a com mais de no e g upos e nolinguís icos.”
É inegá el o ac o de que as línguas dos di e sos g upos e nolinguís icos de Angola
não gozam de qualque es a u o cons i ucional, ecebendo mesmo a aga designação de
“demais línguas de Angola”, po um lado, e, po ou o, um a amen o idên ico ao das
“p incipais línguas de comunicação in e nacional”, uma ez que ambas su gem no mesmo
pa ág a o, ao passo que es a u o do Po uguês é a ado em pa ág a o dis in o. O ex o
cons i ucional é omisso quan o às designações des as “demais línguas de Angola”.
Não obs an e a isso, a alínea n) do a igo 21.º da CRA a i ma que é a e a undamen al
do Es ado angolano “P o ege , alo iza e digni ica as línguas angolanas de o igem a icana,
como pa imónio cul u al e p omo e o seu desen ol imen o, como línguas de iden idade
nacional e de comunicação”.
O a igo 9.º da Lei de Bases do Sis ema de Educação igen e em Angola es abelece o
seguin e:
“1. O ensino nas escolas é minis ado em língua po uguesa.
27
2. O Es ado p omo e e assegu a as condições humanas, cien í ico- écnicas, ma e iais e
inancei as pa a a expansão e gene alização da u ilização e do ensino de línguas nacionais.
3. Sem p ejuízo do n.º 1 do p esen e a igo, pa icula men e no subsis ema de educação de
adul os, o ensino pode se minis ado nas línguas nacionais.”
Como se pode obse a , há um cla o p i ilégio da língua Po uguesa em elação às
LAOAs. Como se dep eende do a igo ansc i o, independen emen e da língua ma e na da
c iança, po exemplo, no ensino p imá io, es a em de se o çosamen e ensinada em
Po uguês, já que a lei c ia excepção apenas pa a o ensino de adul os.
Toda ia, há que econhece de e minados es o ços que êm sido en idados no sen ido
de p omo e as LAOAs. Apon amos como exemplo a c iação do cu so de licencia u a em
Línguas e Li e a u as Angolanas, na Faculdade de Le as da Uni e sidade Agos inho Ne o, e
do cu so de licencia u a em Ensino de Línguas e Li e a u as A icanas, no Ins i u o Supe io
de Ciências da Educação de Luanda (ISCED/Luanda), endo como um dos objec i os “apoia
a Re o ma Educa i a em cu so que em uma e en e e e en e à in odução das línguas
nacionais nos planos cu icula es do ensino”
14
.
O g á ico da dis ibuição pe cen ual da população angolana, en e 1970 e 1990,
ap esen ado po Zau (2002:57), pe mi e-nos pe cebe uma endência de c escimen o da
população u bana e a consequen e edução da população u al. Es a endência man e e-se
sob e udo du an e o pe íodo de con li o a mado que o país i eu. Os esul ados p o isó ios do
censo populacional de 2014 con i mam al endência, com 62,3% de população u bana con a
37,7% de população u al, a ní el do e i ó io nacional. A p o íncia de Malanje ap esen a
uma população u bana na o dem dos 55%, con a 45% da população u al. Is o demons a que
o êxodo u al ainda é um ac o, e que os cen os u banos êm a aído cada ez mais popula es.
Se i e mos em conside ação que a população das zonas u ais em sido a p incipal
conse ado a das línguas locais, e que nos cen os u banos p edomina o Po uguês, o êxodo
u al ap esen a-se como sé io isco à exis ência das LAOAs. Es e c escen e núme o da
população u bana e lec e-se, po conseguin e, no aumen o do núme o de pessoas que êm o
Po uguês como língua ma e na, que, segundo dados do Ins i u o Nacional de Es a ís ica,
comp eende ce ca de 40% da população angolana (INE, 2011:51-52). Des e modo, o na-se
p emen e que o es ado c ie condições pa a se e i a es a endência mig a ó ia, ou que al não
esul e no abandono das línguas locais, em a o do Po uguês.
14
h p://isced.ed.ao/o gaos-e-se icos/depa amen os-de-ensino-e-in es igacao/depa amen o-de-linguas-e-
li e a u as-a icanas. Acesso em: 02/12/2014
28
A polí ica de assimilação le ada a cabo pela po ência colonizado a deixou p o undas
sequelas, que, a é hoje, mui os êm e gonha (ou complexo) de ala as línguas locais. Uma
ez que “A língua ma e na de um indi íduo az pa e da sua cul u a, das suas aízes, da sua
his ó ia, cons i uindo o p incipal ac o da sua iden idade” (Mudiambo, 2014:32), pensamos
que a escola ização das LAOAs, sob e udo no ensino p imá io, pa a as c ianças que as êm
como língua ma e na, e a sua adopção como língua da adminis ação, nas zonas em que são
aladas, mui o con ibui ia pa a a eliminação des e complexo.
Po ém, há ainda um longo caminho a pe co e . Embo a haja um al abe o ap o ado
pa a ce as línguas, a p odução li e á ia nes as línguas é quase nula. Ou ossim, o Ins i u o de
Línguas Nacionais, ó gão a ec o ao Minis é io da Cul u a da República de Angola, que em
po esponsabilidade “es uda cien i icamen e as Línguas Nacionais, con ibui pa a a sua
no malização e ampla u ilização em odos os sec o es da ida nacional”
15
, pouco em ei o
pa a que as LAOAs enham um es a u o di e en e do ac ual. Como já dissemos, a g a ia
adop ada pa a as LAOAs con inua em ase expe imen al.
2.3. Ca ac e ização da Língua Kimbundu
O Kimbundu, língua alada pelo po o ambundu, é, a pa do Umbundu, uma língua do
g upo ban u
16
alada es i amen e no e i ó io angolano, sendo que as ou as são línguas
ans on ei iças.
Es udos sob e a língua Kimbundu emon am ao século XVII e começam sob e udo
com os missioná ios jesuí as. Segundo Heli Cha elain (1888-89:XV), a p imei a ob a
imp essa em Kimbundu é o ca ecismo do pad e Pacconio, in i ulado Gen io de Angola
Su icien emen e Ins uido, de 1642, eedi ada em 1661 e 1784. A p imei a g amá ica do
Kimbundu é da au o ia do pad e Ped o Dias, in i ulada A e da Língua de Angola, em 1697.
Des acam-se ambém a G amma ica Elemen a do Kimbundu ou Língua de Angola (1888-
89), de Heli Cha elain; o Ensaio de Dicioná io Kimbúndu – Po uguez, de Co dei o da Ma a;
a G amá ica de Kimbundu (1934), de José Luiz Qin ão; Dicioná io Kimbundu – Po uguês
(s/d), de Assis Júnio ; Dicioná io Po uguês-Kimbundu-Kikongo (1961, 3.ª ed. 2009), de
15
A .º 18.º. Dec e o-lei n.º 7/03, de 6 de Junho. Diá io da República. I Sé ie. N.º 44
16
A pala a ban u designa “pessoas”, pela combinação do p e ixo ba- e do adical -n u. Em Kimbundu,
en e an o, o adical que designa “pessoa” - u e não -n u. Des e modo, em Kimbundu diz-se mu u (pessoa) e a u
(pessoas).
29
An ónio da Sil a Maia. Mais ecen emen e e numa pe spec i a do con ac o linguís ico, emos
a In e e ência do Kimbundu no Po uguês alado em Lwanda (2000), de Amélia Mingas e
Rup u as Es u u ais do Po uguês e Línguas Ban u em Angola (2006), de An ónio Fe nandes
da Cos a.
À semelhança das ou as línguas ban u, o Kimbundu é ma cado pela lexão p e ixal
dos nomes, a a és de uma combinação de p e ixos que jun am a um adical, ma cando-lhe o
núme o. Toda ia, começa emos a nossa abo dagem pela desc ição do sis ema oné ico da
língua kimbundu.
2.3.1. O al abe o e a oné ica
As línguas ban u, com excepção do Swahili que e e con ac o com o á abe, são
enca adas como línguas o ais, ou seja, línguas sem esc i a. Toda ia, o con ac o com os
eu opeus susci ou o in e esse de de e minados in es igado es na esc i a des as línguas,
adop ando assim o al abe o das línguas eu opeias, o al abe o la ino. Desde en ão, di e sos
con ibu os o am dados pa a a adequação das línguas a icanas ao plano esc i o. Nes a
con o midade, podemos no a di e enças ma can es en e os esc i os mais an igos e os mais
ecen es, sob e udo nos c i é ios adop ados pa a esc e e as línguas ban u.
T a ando especi icamen e do Kimbundu, endo como pon o de pa ida a A e da
Língua de Angola, de Ped o Dias (1697), podemos cons a a a e olução que se obse ou na
esc i a do Kimbundu. Des e modo, endo como e e ência a ob a de Ped o Dias, emos o
seguin e al abe o pa a o Kimbundu:
ogais
a, e, i, o, u
semi ogal
y
consoan es
b, c, d, , g, h, j, l, m, n, p, q, , s, , , x, z
Cons a a-se ainda a p esença dos g upos qu, gu, nb, n , nd, ng e nz.
30
É no á el na A e da Língua de Angola a ausência da consoan e <k> e da semi ogal
<w>. Po ou o lado, a consoan e oclusi a ela não ozeada [k] é ep esen ada o a po <c>,
o a pelo g upo <qu>. Semelhan emen e, a consoan e oclusi a ela ozeada [ɡ] é ep esen ada
nalguns casos po <g>, an es de a, o e u, e pelo g upo <gu>, an es de i e e, al como acon ece
em Po uguês. Cons a a-se ainda que a consoan e pala al ozeada [ʒ] é ep esen ada po <j>,
nuns casos, e <g>, an es de i.
Já a G amá ica Elemen a do Kimbundu ou Língua de Angola, de Heli Cha elain
(1888-89), ap esen a o seguin e al abe o:
ogais
a, e, i, o, u
semi ogais
i e u
consoan es
b, d, , g, h, j, k, l, m, n, p, , s, , , z
Aqui já é possí el no a -se um maio igo na uni o mização da esc i a à oné ica do
Kimbundu. Ve i ica-se, po an o, uma biuni ocidade en e sons e g a emas. Di e en emen e
da A e da Língua de Angola, de Ped o Dias, a G amá ica Elemen a do Kimbundu já inclui
no seu al abe o a consoan e <k>, mas não a semi ogal <y>. Ambas as g amá icas não
con emplam a semi ogal <w>. Assim sendo, na g amá ica de Cha elain, as semi ogais [j] e
[w] são ep esen adas g a icamen e pelas le as <i> e <u>, que, à semelhança do Po uguês,
ep esen am igualmen e as ogais [i] e [u]. O al abe o ap esen ado po Heli Cha elain é o
mesmo ap esen ado po Assis Júnio , no seu Dicioná io Kimbundu-Po uguês, e po José
Luiz Quin ão, na sua G amá ica de Kimbundo.
Em 1987, endo em con a a “necessidade da uni o mização da esc i a em Línguas
Nacionais”
17
, o am ap o ados pelo Conselho de Minis os da República Popula de Angola
os al abe os expe imen ais de seis línguas de Angola, en e as quais o Kimbundu, p opos os
pelo Ins i u o de Línguas Nacionais, com a seguin e jus i icação:
“(…) os al abe os p opos os pelo Ins i u o Nacional de Línguas, esul an es de in es igações
e ec uadas sob e os sis emas onológicos das espec i as, assen ando essencialmen e sob e a
17
Resolução n.º 3/87 de 23 de Maio. Diá io da República. I Sé ie. N.º 41
31
equi alência um símbolo g á ico pa a cada onema, co espondem ielmen e às ealidades
onológicas das mesmas” (Resolução N.º 3/87 de 23 de Maio).
Nes a con o midade, o al abe o ap esen ado pelo Ins i u o de Línguas Nacionais (ILN)
p ocu a consolida o p incípio da biuni ocidade começado em Cha elain, como podemos e
abaixo:
ogais
a, e, i, o, u
semi ogais
w, y
consoan es
b, d, , h, j, k, l, m, n, ng, p, s, , , x, z
18
Des e al abe o podemos ece as seguin es cons a ações: (1) al como Cha elain, Júnio
e Quin ão, o ILN exclui os g a emas <c> e <q> do al abe o da língua Kimbundu; (2) al como
Ped o Dias e di e en e dos demais au o es an e io men e ci ados, o ILN inclui no seu al abe o
a semi ogal <y>; (3) con a iamen e a odos os au o es, o ILN inclui no seu al abe o a
semi ogal <w>; (4) e, con a iamen e a odos os au o es, o ILN exclui do seu al abe o a
consoan e < >. Semp e que <i> e <u> oco em jun o de ou a ogal o mando di ongo, de em
esc e e -se <y> e <w>, espec i amen e.
Po ou o lado, de e salien a -se que o g a ema <g> é semp e ealizado p é-nasalizado,
ou seja, <ng>, com o alo onológico de [ŋɡ], e nunca com o alo de [ʒ],
independen emen e da ogal com a qual o ma sílaba. O g a ema <s> é semp e ealizado
onológicamen e [s], independen emen e da sua posição na pala a, po an o, nunca se
esc e e dob ado. O g a ema <h> é semp e ealizado onologicamen e aspi ado, nunca mudo.
O onema [k] é semp e ep esen ado g a icamen e po <k>. O onema [ʃ] é semp e
ep esen ado g a icamen e po <x>.
Julgamos legí imo econhece o es o ço emp eendido na adequação do al abe o la ino
à oné ica das “línguas nacionais”, em ge al, e do Kimbundu, em pa icula . Toda ia, exis em
casos em que ainda não oi possí el man e o p incípio da equi alência de “um símbolo
g á ico pa a cada onema”, con o me a ci ação an e io . Como salien a Za oni N ondo
(s/d:103), “As consoan es desdob am-se em simples e complexas”. Assim sendo, além das
18
Sec e a ia de Es ado da Cul u a. Ins i u o de Línguas Nacionais. Bole im n.º 1. Luanda. 1987. pp. 8-9
38
8
i-
i-
imbi i a u
ês cadá e es
9
Ø, i-
i-
mbundi imoxi, ixi imoxi
uma o elha, um país
10
ji-
ji-
jimbudi ji a u, jixi ji a u
ês o elhas, ês países
11
lu-26
lu-
lumweno lumoxi
um espelho
12
ka-
ka-
kadi adi kamoxi
uma ped inha
13
u-
u-
uma adi u a u
ês ped inhas
14
u-26
u-
u a umoxi
uma a ma
15
ku-26
ku-
ku wa kumoxi
uma mo e
Quad o 8 – P e ixos de conco dância
Adap ado de Quin ão (1934:19), segundo o quad o de Fe nandes e N ondo (2002:72)
Uma análise cuidadosa do quad o acima pe mi e-nos a e i a azão de as pa ículas lu-,
u-, ku- (das classes 11, 14 e 15, espec i amen e) se em conside adas p e ixos de classe.
Pensamos que al se de e ao ac o de os nomes de classes ma cadas pelas iniciais lu-, u-, e ku-
exigi em p e ixos de conco dância lu-, u-, e ku- nos seus modi icado es, como se ê no
quad o. Toda ia, o plu al des as classes e dos seus p e ixos de conco dância con inua a se
ei o na classe 6: os p e ixos de classe po adição e os de conco dância po subs i uição.
Quan o ao p e ixo de conco dância de classe 6, como a i ma An ónio Fe nandes da
Cos a (2006:125), “Nos dialec os mais dominan es do quimbundo ac ual, e i ica-se a queda
do m do elemen o linguís ico de conco dância, no plu al, […] sendo al es u u a apenas
de inida […] pelo mo ema a”, adqui indo o mesmo compo amen o das classes 1, 2, 3 e 4,
em que os p e ixos de conco dância são ep esen ados apenas pelas ogais dos espec i os
p e ixos de classe. Des e modo, e emos os seguin es esquemas de conco dância:
mabhi u a a u em ez de mabhi u ma a u ( ês po as)
malumweno a a u em ez de malumweno ma a u ( ês espelhos)
maw a a a u em ez de maw a ma a u ( ês a mas)
maku wa a a u em ez de maku wa ma a u ( ês mo es)
27
Como podemos obse a , a noção de géne o em Kimbundu, e nou as línguas ban u,
não se ci cunsc e e à oposição biná ia macho/ êmea, mas a um esquema de conco dância de
classes.
26
Como imos a ás, os p e ixos das classes 11, 14 e 15 o mam o plu al na classe 6 (ma-), po adição.
Obedecendo ao esquema de conco dância, e emos malumweno ma a u, maw a ma a u, maku wa ma a u.
27
c . Cos a (2006:125)
39
3. METODOLOGIA DA CONSTITUIÇÃO DE CORPUS DE TOPÓNIMOS
3.1. Delimi ação da Região
De o ma a o na exequí el o p esen e abalho, hou e a necessidade de delimi a mos
a zona em que se ci cunsc e e o nosso abalho. Ti emos inicialmen e o p opósi o de le a a
cabo um abalho a ní el de oda a p o íncia de Malanje. Toda ia, dada a ex ensão da
p o íncia e os ecu sos à nossa disposição ( empo de pesquisa no e eno, capacidade de
locomoção e de pe manência) pa a p ocede mos à ecolha de dados, além da inalidade des a
disse ação, julgámos sensa o edimensiona mos o nosso abalho. Des e modo,
seleccionámos um dos ca o ze municípios da p o íncia de Malanje, nes e caso o município
com mesmo nome e capi al p o incial.
O município de Malanje di ide-se em ês comunas, a comuna sede, igualmen e
designada de Malanje, a comuna de Ngola Luíje e a comuna de Cambaxe. O mesmo
município az on ei a a No e com o município de Cuaba Nzoji
28
, a Sul com o município de
Cangandala e com a p o íncia do Cuanza Sul, a Les e com o município de Muca i
29
e a Oes e
com o município de Cacuso. O município possui uma ex ensão de 2.339,24 km² e es á si uado
numa egião planál ica, a uma al i ude de 1210 me os, segundo dados do pe il municipal
30
.
A comuna sede es á di idida em cinco sec o es, designadamen e Cangando, Quéssua,
Cambondo do Cuíje, Quissol e Quibinda, além da cidade e das egedo ias, que são bai os que
su gi am à ol a da cidade, nomeadamen e Ca ei a de Ti o, Maxinde, Cangambo, Canâmbua,
Ca epa, Vila Ma ilde. A comuna de Ngola Luíje possui ainda o sec o de Quimbamba e a
comuna de Cambaxe possui o sec o de Cambondo de Malanje
31
.
3.2. Tipologia de Documen os
“La cons i u ion de co pus […] nous condui à é léchi aux c i è es sous-jacen s qui
in e iennen dans la sélec ion, l‟o ganisa ion e la sys éma isa ion des ex es qui se on
in ég és dans le co pus” (Cos a, 2005).
28
Às ezes g a ado Kiuaba Nzoji e Kiwaba Nzoji.
29
Também designado de Caculama.
30
Pe il Municipal de Malanje, 2012:6
31
Pe il Municipal de Malanje, 2012:6
40
De o ma a da p ossecução ao nosso abalho, i emos a necessidade de cons i ui mos
um co pus de opónimos da egião em es udo. De aco do com F ançois Ras ie (in: Williams,
2005:31), Sinclai e á de inido co pus como um as o conjun o de pala as. Toda ia, Ras ie
(in: Williams, 2005:31) asse e a que “l‟obje empi ique de la linguis ique es ai de ex es
o aux e éc i s, non de mo s ou de ph ases – qui ne s‟obse e pas à l‟é a isolé”. Des e modo, a
cons i uição do co pus de e se ei a em unção de uma ipologia de ex os (Ras ie in:
Williams, 2005:31).
Pa a Ru e Cos a (2005), “L‟é ablissemen d‟une ypologie suppose la classi ica ion e
la éunion d‟un ensemble de ex es sous une même é ique e”. Segundo a mesma au o a, es e
conjun o de ex os man êm elações de semelhanças en e si, an o a ní el da mic oes u u a
quan o a ní el da mac oes u u a (Cos a, 2005). Nes a con o midade, con ém que os ex os
que cons i uem o co pus sejam homogéneos, ou seja, pa ilhem en e si semelhanças,
sob e udo no que diz espei o ao objec o de análise. O co pus de e igualmen e se objec i o,
is o é, de e con o ma -se à inalidade do abalho pa a o qual é cons i uído (c . Ras ie in:
Williams, 2005:32).
A in es igação oponímica pode se ei a a pa i de documen os esc i os, como mapas
ca og á icos, documen os adminis a i os, e c. (c . Ta a es e Isque do, 2006:275;
Cas iglioni, Ba os e Isque do, 2012:146ss), ou de on es o ais, a a és de uma pesquisa de
campo pa a se p ocede à ecolha de dados (Seab a, 2004:43ss,104ss). Com e ei o, o co pus
do p esen e abalho é cons i uído po documen os di e sos, en e esc i os, ecolhidos da
Adminis ação Municipal de Malanje e da Di ecção P o incial do Ins i u o Geog á ico e
Cadas al de Angola, e o ais, ecolhidos das Au o idades T adicionais das ês comunas do
município.
Não ha endo uma base de dados oponímica nem um mapa ca og á ico ac ualizado
do município, ob i emos apenas um mapa digi al da cidade de Malanje, em escala não
especi icada, e ês g elhas com a di isão adminis a i a do município, o que não sa is azia os
nossos objec i os. Po conseguin e, ealizámos ês encon os (um em cada comuna) com as
Au o idades T adicionais das di e sas aldeias de cada comuna, endo pa icipado mais de
sessen a Au o idades T adicionais, en e os quais egedo es, sobas e seculos. Os e e idos
encon os i e am como objec i os ecolhe opónimos das espec i as comunas,
comp eende a o igem e o signi icado dos espec i os opónimos. Depois da ealização desses
encon os, o nou-se possí el cons i ui mos o co pus que se e de base ao p esen e abalho.
41
3.3. Ap esen ação e Discussão de Dados
O a, o nosso co pus é cons i uído po um o al de 173 opónimos, dos quais 93 são de
língua Kimbundu, equi alen e a 53,75% do o al do co pus; 58 opónimos de língua
Po uguesa, equi alen e a 33,52%; e 22 opónimos híb idos, equi alen e a 12,71%. Dos 22
opónimos híb idos, 10 opónimos são Kimbundu-Po uguês, 5,78%; 9 opónimos são
Po uguês-Kimbundu, 5,20%; 3 opónimos em Po uguês e ou a língua
32
, 1,73% do o al do
co pus.
G á ico 1 – Dis ibuição pe cen ual dos opónimos, segundo a língua de o igem
Os dados ap esen ados pa ecem ap esen a -nos algum equilíb io na dis ibuição dos
opónimos nas di e sas línguas, sob e udo o Po uguês e o Kimbundu. Con udo, a ealidade
indica-nos que a á ea u bana, segundo o nosso co pus, ap esen a apenas dois opónimos em
Kimbundu, nomeadamen e a designação da cidade e o an opo opónimo Hoji ya Henda. Po
ou o lado, nas zonas u ais são escassos os opónimos em língua Po uguesa, nes as abundam
sob e udo os opónimos em Kimbundu. En e an o, nas á eas subu banas pode encon a -se
opónimos que em Po uguês que em Kimbundu, sendo es es p edominan es.
Dos 173 opónimos ecolhidos, seleccionámos 147 pa a uma base de dados. Os demais
opónimos não cons am da base de dados po não e em sido al os de discussão no ac o da
ecolha, em i ude de as au o idades das espec i as localidades não se e em ei os p esen es
nos encon os o ganizados com as Au o idades T adicionais locais. A e e ida base de dados
de opónimos, em o ma o Mic oso Excel, con ém os seguin es campos:
32
Conside amos, aqui, ou a qualque língua que não seja o Kimbundu ou o Po uguês. Des e g upo de
opónimos dois são Po uguês-F ancês e um Po uguês e língua moçambicana.
42
p o íncia: nes e campo iden i icamos a p o íncia onde o espec i o opónimo oi
ecolhido, po an o, a p o íncia de Malanje.
Língua: ma ca a língua de o igem do opónimo – Kimbundu, Po uguês ou ou a.
Topónimo: designa o objec o em análise.
ansc ição oné ica: p ocu a-se desc e e o modo como de e minado opónimo de
o igem Kimbundu é p onunciado, em Kimbundu e de o ma apo uguesada.
a ian e g á ica: ap esen a-se ou as o mas possí eis em que o opónimo apa ece
g a ado, semp e que hou e .
p opos a de g a ia (Kimnundu/Po uguês): ap esen a-se o nosso pa ece sob e a
g a ia de um dado opónimo em Kimbundu e em Po uguês, espec i amen e.
de inição: p ocu a-se ap esen a o signi icado do opónimo de o igem Kimbundu em
po uguês
classi icação: ap esen a-se a classi icação axonómica do opónimo segundo Dick.
Figu a 1 – Base de dados de opónimos
O ac o de a maio pa e dos opónimos não ap esen a on es esc i as ez com que
adop ássemos uma o ma de esc i a pa a os e e idos opónimos. Assim sendo, a o ma
adop ada é apo uguesada, con o me o Dec e o n.º 339/70, de 16 de Julho, e o Dec e o n.º
50/71, de 23 de Fe e ei o, em que odos os opónimos com o igem nas línguas locais são
apo uguesados. Semp e que es e c i é io não é espei ado, pelo ac o de a o ma o iginal se
p ese ada na o alidade, o espec i o opónimo apa ece ma cado com um as e isco. O
43
opónimo Malanje g a ou-se semp e com <j> e não com <g>, como ezam os já ci ados
documen os.
Do pon o classi ica ó io, dis ibuímos os opónimos segundo o modelo de Dick
ap esen ado no p imei o capí ulo. Des e modo, os opónimos ecolhidos dis ibuem-se pelas
seguin es classes axionómicas: animo opónimo, an opo opónimo, as o opónimo,
axio opónimo, co o opónimo, c omo opónimo, c ono opónimo, di ema opónimo,
e go opónimo, i o opónimo, hagio opónimo, hid o opónimo, hie o opónimo,
his o io opónimo, hodo opónimo, li o opónimo, me eo o opónimo, mi o opónimo,
nume o opónimo, polio opónimo, socio opónimo, soma opónimo e zoo opónimo. Os g á icos
que se seguem mos am-nos a incidência dos opónimos po cada uma das classes
axionómicas e e idas.
G á ico 2 - Dis ibuição numé ica dos opónimos po classes axionómicas
44
G á ico 3 - Dis ibuição pe cen ual dos opónimos po classes axionómicas
Dos 147 opónimos eunidos em base de dados, des acámos 120 opónimos num
quad o, que se ão al os de uma análise mais cuidadosa. Eis, a segui , o quad o de opónimos:
45
N.º
Língua de
o igem
Topónimo
Fo ma o iginal
Es u u a
Mo ológica
Signi icado
01
Kimbundu
Malanje
Malanji
N [Spl]
ped as
02
Kimbundu
Ngola* Luíje
Ngola Lwiji
NC[Ssing +
Ssing]
pedaços de e o
- io
03
Kimbundu
Cambaxe
Kambaxi
N[Ssing]
cágado
04
Kimbundu
Micanda
Mikanda
N[Spl]
ca as
05
Kimbundu
Mucongo
Mukongo
N[Ssing]
caçado
06
Kimbundu
Qui í i
Kididi
N[Ssing]
luga
07
Kimbundu
Quissanje
Kisanji
N[Ssing]
ins umen o
musical
08
Kimbundu
Quihunga*
Kihunga
N[Ssing]
espécie de
insec o
09
Kimbundu
Lau
Lahu
N[Ssing]
laga o
10
Kimbundu
Gumba
Ngumba
N[Ssing]
ilho único
11
Kimbundu
Gu o
Ngu u
N[Ssing]
hipopó amo
12
Kimbundu
Quingungo
Kingungu
N[Ssing]
eco
13
Kimbundu
Quima
Hima
N[Ssing]
macaco
14
Kimbundu
Cama emo
Kama emu
N[Ssing]
enxadas
15
Kimbundu
Camueia
Kamweya
N[Ssing]
espécie de
á o e u í e a
16
Kimbundu
Pombo
Pombo
N[Ssing]
macaco
17
Kimbundu
Cabombo
Kambombo
N[Ssing]
mandioca
demolhada
18
Kimbundu
Quimbamba
Kimbamba
N[Ssing]
ca ga, bagagem
19
Kimbundu
Quimaco
Kimaku
N[Ssing]
sinal, pon o de
e e ência
20
Kimbundu
Quimonha
Kimonya
N[Ssing]
p eguiçoso
21
Kimbundu
Fumba
(Ku)Fumba
V
da alguma coisa
menos do que o
de ido;
p ejudica
22
Kimbundu
Casse o
Kase u
N[Ssing]
espécie de
animal
uminan e
bo ídeo
23
Kimbundu
Cauenda
Kawenda
N[Ssing]
pau-de- ilei a,
cumeei a
24
Kimbundu
Luma
Luma (kuluma)
N[Ssing]
umo de chu a,
ibomba
25
Kimbundu
Dimba
Dimba
N[Ssing]
ins umen o
musical da
egião
26
Kimbundu
Ndeia*
Ndeya
N[Ssing]
co up ela de
aldeia
27
Kimbundu
Camueje
Kamweji
N[Ssing]
lua
28
Kimbundu
Ca ende
Ka ende
N[Ssing]
laga ixa
29
Kimbundu
Tuma
(Ku)Tuma
V
de e nina ,
manda , o dena
46
30
Kimbundu
Quinjango
Kinjangu
N[Ssing]
ca ana
31
Kimbundu
Caluhia*
Kaluhia
N[Ssing]
espécie de
plan a
32
Kimbundu
Lombe
Kulombela
V
oga
33
Kimbundu
Cassequele
Kasekele
N[Ssing]
a eia
34
Kimbundu
Quiala
Kyala
N[Ssing]
homem
35
Kimbundu
Camilemba
Kamilemba
N[P e sing +
Spl]
espécie de
á o e ípica da
egião
36
Kimbundu
Quizela
Kizela
N[ADJsing]
de co b anca
37
Kimbundu
Camilungo
Kamilungu
N[P e sing +
Spl]
espécie de
plan a, e a-
moi a
38
Kimbundu
Cajimbinza
Kajimbinza
N[P e sing +
Spl]
camisa
39
Kimbundu
Candende
Kandende
N[Ssing]
dendém
40
Kimbundu
Qui ucussa
Ki ukusa
N[Ssing]
signi icado
ince o
41
Kimbundu
Zumba-ia-
Ganga*
Nzumba ya
Nganga
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
eclipse do
ei icei o
42
Kimbundu
Quiçama
Kisama
N[Ssing]
a cho e, acho,
ocha
43
Kimbundu
Cassembele
Kasembele
N[ADJsing]
so í el
supo á el
44
Kimbundu
Quissol
Kisole
N[Ssing]
espécie de
á o e local
45
Kimbundu
Camembe
Kamembe
N[P e sing +
Spl]
olas
46
Kimbundu
Caiala
Ka(di)yala
N[Ssing]
adolescen e;
47
Kimbundu
Candumbu
Kandumbu
N[ADJsing]
De asso,
dissolu o
48
Kimbundu
Cassanje
Caluama
Kasanji
Kalowama
NC[Ssing +
ADJsing]
galinha
enlameada
49
Kimbundu
Cassembala
Kasembala
N[Ssing]
epouso, alí io
50
Kimbundu
Calunga
Camalemba
Kalunga ka
Malemba
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
mo e do io
51
Kimbundu
Ca unga
Ka unga
V
abalha ,
cons ui , mo a
52
Kimbundu
Quemba
Kemba
N[Ssing]
aleg ia
53
Kimbundu
Cami ango
Kami angu
N[P e sing +
Spl]
amos
54
Kimbundu
Quinguila
Kingila
V
espe a
55
Kimbundu
Pa a
Pa a
N[Ssing]
dú ida
56
Kimbundu
Cangambo
Kangambu
N[Ssing]
espécie de
á o e
57
Kimbundu
Cula Muxi o
(Kubu)Kula
Muxi u
NC[V + Ssing]
aba e de á o e
58
Kimbundu
Camoma
Ngando
Kamoma Ngandu
NC[Ssing+Ssing
]
cob a-jaca é
47
59
Kimbundu
Quissonde
Kisonde
N[Ssing]
o miga
e melha
60
Kimbundu
Dungo
Ndungu
N[Ssing]
pimen a, pican e
61
Kimbundu
Candendo
Kandendu
N[Ssing]
espécie de
a bus o
62
Kimbundu
Camiba o
Kamiba u
N[P e sing +
Spl]
espécie de
á o e u í e a e
medicinal,
incenso
63
Kimbundu
Muhemba*
Muhembya
N[Ssing]
mal a
64
Kimbundu
Cahunje*
Kahunji
N[Ssing]
p o es o
65
Kimbundu
Caminzaje
Kaminzaji
N[P e sing +
Spl]
elâmpago,
o oada, aio
66
Kimbundu
Canâmbua
Kanambwa
N[Ssing]
so e na caça,
deusa dos
caçado es
67
Kimbundu
Cajimbenza
Kajimbenza
N[P e sing +
Spl]
cadei a
68
Kimbundu
Camissoxe
Kamisoxi
N[P e sing +
Spl]
do midei as
69
Kimbundu
Quibaba
Kibaba
N[Ssing]
casca de á o e
70
Kimbundu
Maxinde
Maxinde
N[Spl]
e eno incul o
71
Kimbundu
Camissombo
Kamisombo
N[P e sing +
Spl]
a ó e ípica da
egião
72
Kimbundu
Cama ende
Kama ende
N[P e sing +
Spl]
espécie de
laga ixa
73
Kimbundu
Camacondeca
Kamakondeka
N[P e sing+Spl]
espei o, lou o ,
bênção
74
Po uguês
Cem
Cem
Nm
----------------
75
Po uguês
Papel
Papel
N[Ssing]
----------------
76
Po uguês
Vila Ma ilde
Vila Ma ilde
NC[Ssing +
Ssing]
----------------
77
Po uguês
Bela Fama
Bela Fama
NC[ADJsing +
Ssing]
-----------------
78
Po uguês
Passagem
Passagem
N[Ssing]
-----------------
79
Po uguês
Toma de Água
Toma de Água
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
------------------
80
Po uguês
Te a No a
Te a No a
NC[Ssing +
ADJsing]
------------------
81
Po uguês
Fon e do Amo
Fon e do Amo
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
-----------------
82
Po uguês
Campo de
A iação
Campo de
A iação
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
----------------
83
Po uguês
Ca ei a de Ti o
Ca ei a de Ti o
NC[Ssing +
P ep + Ssing]
-----------------
84
Po uguês
Gazela
Gazela
N[Ssing]
------------------
85
Po uguês
10 de Dezemb o
10 de Dezemb o
NC[Nm + P ep
+ Ssing]
-----------------
86
Po uguês
Ilídio Machado
Ilídio Machado
NC[Ssing +
-----------------
54
3.4 Fichas Lexicog á ico-Toponímicas
36
(01) Topónimo: MALANJE
Classi icação: Li o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (comuna, cidade); ísico ( io)
O igem: Kimbundu [Malanji]
Es u u a mo ológica: N [Spl]
No a: O opónimo Malanje ( ambém g a ado Malange) de i a do Kimbundu an igo
“malanji”, combinando o p e ixo plu al ma- de classe 6 e o adical lanji, que signi ica
ped a, ocha. Des e modo, o singula de malanji se ia dilanji. Cons a a-se, en e an o, a
não exis ência do e e ido adical no Kimbundu ac ual. A unidade lexical com o
mesmo signi icado no Kimbundu ac ual é ndanji, ma cada pelo p e ixo Ø de classe 9,
no singula , e pelo p e ixo ji- de classe 10, no plu al. Há quem le an e a hipó ese des e
opónimo e e oluído da exp essão Kimbundu malaji, que signi ica malucos, dando-
se, po an o, a nasalização da ogal [a] da segunda sílaba (malaji<malanji<malanje) e,
pos e io men e, a e olução da ogal [i] inal pa a a cen al echada [ɨ]. Malanje designa
o io que dá nome à cidade, à comuna, bem como à p o íncia.
(02) Topónimo: CAMBAXE
Classi icação: Zoo opónimo
Comuna: Cambaxe
Aciden e: humano (comuna); ísico ( io)
O igem: Kimbundu [Kambaxi]
Es u u a mo ológica: N [Ssing]
No a: O opónimo Cambaxe em o igem na unidade lexical “kambaxi” do Kimbundu,
o mada pelo p e ixo de classe 12 ka- e o adical mbaxi, que signi ica cágado.
Cambaxe designa um io em que abunda am cágados e designa igualmen e a comuna
po onde passa o e e ido io.
(03) Topónimo: NGOLA LUÍJE
Classi icação: Hid o opónimo
Comuna: Ngola Luíje
Aciden e: humano (comuna); ísico ( io)
O igem: Kimbundu [Ngola Lwiji]
Es u u a mo ológica: NC [Ssing+Ssing]
No a: O opónimo Ngola Luíje em o igem nas pala as “ngola” e “kilwiji” do
Kimbundu. Segundo Zau (2002:45), Ngola, que ambém é o í ulo do ei do Ndongo,
signi ica pequenos pedaços de e o. Kilwiji, po sua ez, signi ica io. Ngola e Kilwiji
designam dois ios que passam pela ci cunsc ição geog á ica à qual emp es am os
nomes.
36
As ichas ap esen adas o am adap adas a pa i do modelo de Seab a (2004).
55
(04) Topónimo: CAMILEMBA
Classi icação: Fi o opónimo
Comuna: Cambaxe
Aciden e: ísico ( io); humano (po oação)
O igem: Kimbundu [Kamilemba]
Es u u a mo ológica: N [P e s+Spl]
No a: O opónimo Camilemba p o ém do Kimbundu “Kamilemba”, o mado pelo
p e ixo de classe 12 ka-, o p e ixo de classe 4 mi- e o adical lemba, designando uma
espécie de á o e ondosa ípica da egião. Camilemba designa, em p imei a ins ância,
um io e uma po oação à ma gem do mesmo.
(05) Topónimo: CULA MUXITO
Classi icação: Fi o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (bai o); ísico (lagoa)
O igem: Kimbundu [Kula Muxi u]
Es u u a mo ológica: NC [V+Ssing]
No a: Cula Muxi o em o igem na exp essão da língua Kimbundu “(kubu)kula
muxi u”, signi icando “de as a á o e”. Po an o, kula muxi u signi ica á de as ação
de á o e. O opónimo designa uma localidade onde ha ia uma lo es a de eucalip os.
Do aba e que os eucalip os o am so endo su giu o ac ual opónimo, que designa não
só a po oação mas ambém a lagoa que su giu no luga da an iga lo es a.
(06) Topónimo: CAMOMA NGANDO
Classi icação: Zoo opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Kimbundu [Kamoma Ngandu]
Es u u a mo ológica: NC [Ssing+Ssing]
No a: O opónimo em do Kimbundu “kamoma ngandu”, que signi icam jibóia e
jaca é, espec i amen e.
56
(07) Topónimo: CANÂMBUA
Classi icação: Hie o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (bai o, egedo ia); ísico ( io)
O igem: Kimbundu [Kanambwa]
Es u u a mo ológica: N [Ssing]
No a: Fo mado pelo p e ixo de classe 12 ka- e o adical nambwa, que designa a
di indade p o ec o a dos ad inhos e caçado es (c . Maia, 2009:197); nambwa designa
igualmen e a a u a de caça. A localidade designada pelo opónimo Canâmbua e a
uma zona onde se p a ica a a caça de di e sos animais.
(08) Topónimo: VILA MATILDE
Classi icação: Polio opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (bai o, egedo ia)
O igem: Po uguesa
Es u u a mo ológica: NC [Ssing+Ssing]
No a: Vila Ma ilde designa uma egedo ia da comuna de Malanje. O nome em de
uma senho a po uguesa, Ma ilde, que i ia naquela zona an es da independência de
Angola.
(09) Topónimo: CARREIRA DE TIRO
Classi icação: Socio opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (bai o, egedo ia)
O igem: Po uguesa
Es u u a mo ológica: NC [Ssing+P ep+Ssing]
No a: O opónimo designa uma egedo ia da comuna de Malanje. A o igem do
opónimo emon a o empo colonial, e a a zona onde eina am os a i ado es.
57
(10) Topónimo: MAXINDE
Classi icação: Li o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (bai o, egedo ia)
O igem: Kimbundu [Maxinde]
Es u u a mo ológica: N [Spl]
No a: O opónimo Maxinde em o igem na pala a “maxinde” da língua Kimbundu,
signi icando e eno nunca an es cul i ado (c . Maia, 2009:608). A egedo ia da
Maxinde é das mais an igas en e as exis en es à ol a da cidade de Malanje.
(11) Topónimo: CATOMBE DE BAIXO
Classi icação: Fi o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Híb ida [Kimbundu+Po uguês]
Es u u a mo ológica: N [S+P ep+Ad ]
No a: Ca ombe de Baixo é designação de uma po oação à ma gem do io Ca ombe,
egedo ia da Maxinde. Ca ombe em o igem p o a elmen e na pala a “Ka(di) ombe”,
que signi ica bambu, bo dão (c . Maia 2009:70,82; Junio , s/d:350; Ma a,1893:140)
(12) Topónimo: DESVIO DO QUISSOLE
Classi icação: Hodo opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Híb ida [Po uguês+Kimbundu]
Es u u a mo ológica: Nm [Ssing+P ep+S]
No a: Designação de uma po oação pe encen e à egedo ia da Vila Ma ilde. Quissole
p o ém de “kisole” da língua Kimbundu, que designa uma espécie de á o e ípica da
egião, além da egedo ia de Quissole.
58
(13) Topónimo: CASSEMBELE
Classi icação: Di ema opónimo
Comuna: Cambaxe
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Kimbundu [Kasembele]
Es u u a mo ológica: N [Ssing]
No a: Na língua Kimbundu, “Kasembele” (ka-, p e ixo singula de classe 12, e o
adical sembele) aduz a noção de alí io, epouso.
(14) Topónimo: CAUENDA
Classi icação: Fi o opónimo
Comuna: Ngola Luíje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Kimbundu [Kawenda]
Es u u a mo ológica: N [Ssing]
No a: Em Kimbundu, kawenda designa pau-de- ilei a ou pau de cumeei a (c . Junio ,
s/d:105; Maia, 2009:468).
(15) Topónimo: CAMINZAJE
Classi icação: Me eo o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano [po oação]
O igem: Kimbundu [Kaminzaji]
Es u u a mo ológica: N [P e s+Spl]
No a: O opónimo em o igem na pala a Kimbundu nzaji de classe 9, que signi ica
aio, o oada, elâmpago, ao qual se jun am os p e ixos de classe 4 (mi-) e de classe 12
(ka-), mui o equen e em opónimos.
59
(16) Topónimo: TOMA DE ÁGUA
Classi icação: Hid o opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Kimbundu
Es u u a mo ológica: NC [Ssing+P ep+Ssing]
No a:
(17) Topónimo: CANGANDO
Classi icação: zoo opónimo
Comuna: Malanje
Aciden e: humano (po oação)
O igem: Kimbundu [Kangandu]
Es u u a mo ológica: N [Ssing]
No a: Regedo ia da comuna de Malanje, a edo es da cidade de Malanje. O opónimo é
o mado pelo p e ixo de classe 12 ka- e o adical ngandu, que signi ica jaca é.
60
4. PROPOSTA DE HARMONIZAÇÃO GRÁFICA DOS TOPÓNIMOS
Nes e capí ulo, p ocu a emos ap esen a ce os c i é ios que julgamos pe inen es e -
se em con a na esc i a dos opónimos angolanos. Des e modo, e emos de e minados casos
que se julgam consensuais e ou os que êm sido al os de discussão nos mais a iados
sec o es de Angola. En e an o, con ém ( e) e mos de e minados ac o es que se de em e
con a, uma ez que, como se sabe, es amos pe an e um enómeno de con ac o linguís ico
en e a língua Po uguesa e as LAOAs, nes e caso pa icula o Kimbundu.
Numa si uação de con ac o linguís ico é no mal que as línguas em ques ão se
in luenciem mu uamen e. Tal é o caso do Po uguês e do Kimbundu. In e essa-nos, aqui,
a a des as in luências es i amen e a ní el lexical, ou seja, os emp és imos. Como já icou
di o no p imei o capí ulo des a disse ação, an o o Po uguês quan o o Kimbundu oma am
emp es adas de e minadas unidades lexicais uma da ou a. O que nos in e essa aqui é
pe cebe mos como ais unidades lexicais são in eg adas no léxico de cada língua. Alan
Ki kness (1979:226) de ende ha e “emp és imos de línguas es angei as em odas as línguas
eu opeias”. Num mundo de in ensas elações en e pessoas de di e en es comunidades
linguís icas, o na-se quase impossí el exis i uma língua que não enha, no seu léxico,
unidades linguís icas o iundas de ou as línguas, dado que, “Po con ac o com ou os po os e
com ou as cul u as, no as pala as podem se inco po adas nos ocabulá ios” (Raposo e al,
2013:24; c . Ma eus e al, 2003:35). Embo a seja um enómeno p a icamen e incon o ná el,
os emp és imos nem semp e são bem- is os po ce os es udiosos e alan es de de e minadas
línguas (c . Villal a, 2008:64), não sendo o Kimbundu uma excepção. Con udo, os
emp és imos jus i icam-se pela necessidade de se e e i a de e minadas ealidades e
enómenos inexis en es na língua-al o.
Nes a con o midade, as unidades lexicais omadas de ou as línguas podem obedece a
di e sos p ocessos de in eg ação no léxico da língua-al o. Aze edo (2012:401) apon a
p ocessos como xenismos, adap ações, decalques, além das siglas/ac ónimos pa a a
in eg ação dos es angei ismos. Os xenismos consis em na conse ação da o ma g á ica de
o igem do es angei ismo, como em mouse e em pe sonal aine . As adap ações consis em
na submissão do es angei ismo à mo ologia do Po uguês, como sucede em banda (do ing.
band, conjun o ins umen al). Nos decalques há uma adução li e al do es angei ismo, como
em al a cos u a (do . hau e cou u e). Finalmen e, nas siglas e ac ónimos emp egam-se as
61
iniciais das pala as cons i u i as da exp essão es angei a, como em PC (pe sonal
compu e ), CD (compac disk).
Po ou o lado, cos uma es abelece -se di e ença en e es angei ismos e emp és imos.
Ki kness (1979:225), ci ando Wah ig, en ende po es angei ismo “uma pala a omada
dou a língua, mais ou menos sem modi icações”. Po sua ez, Ma eus e al. (1990:415)
de ine emp és imos como “pala as p o enien es de ou as línguas e adap adas à no a
língua”. Nes e caso, há, pois, ce a di e ença en e es angei ismo e emp és imo. Ce a pala a
di -se-á es angei ismo enquan o man i e a sua o ma da língua de o igem e/ou não e sido
in oduzida no léxico da língua-al o. No momen o em que um es angei ismo é in oduzido
no léxico da língua-al o, es e passa a designa -se emp és imo, podendo so e ans o mações
da sua o ma o iginal. Má io Vilela (1994:16) a i ma que “a adap ação dos elemen os
impo ados pode a ia , indo a escala de adap ação desde o acomodamen o a é ao
bloqueamen o o al no aspec o o mal”. O mesmo au o conside a ainda que “O emp és imo,
ao se bloqueado, adap a-se, com o empo, g á ica e onicamen e, à língua” (Vilela, 1994:17).
Nes a pe spec i a, os opónimos, enquan o unidades linguís icas como quaisque ou as, não
são alheios a es es enómenos linguís icos e podem, po isso mesmo, subme e -se a ais
enómenos.
En e an o, em acon ecido, no con ex o angolano, em nome de um a icanismo, a é
ce o pon o, in undado, que de e minados sec o es impo em ao Po uguês as eg as de esc i a
adop adas pa a as LAOAs. Po exemplo, numa en e is a concedida ao Semaná io
Angolense
37
, An ónio Fonseca de ende que os emp és imos das LAOAs ao Po uguês de em
se esc i os de aco do com as eg as da língua de o igem, igno ando os enómenos que se dão
na passagem de ce as pala as de uma língua pa a ou a. O au o , po exemplo, c i ica o ac o
de Ko a, da língua Kimbundu, en a no léxico do Po uguês de Angola como co a,
conside ando que a pala a pe de o seu alo cul u al. En e an o, o mesmo não diz que N oni,
seu nome ma e no, de e con inua a se esc i o An ónio, pelo simples ac o de se a co up ela
des a unidade lexical do Po uguês na língua Kikongo. Ou o aspec o que pode á não e sido
le ado em con a pelo já ci ado au o é que a p óp ia esc i a não é pe ei a, já que não
consegue aduzi a ca ga exp essi a ca ac e ís ica da linguagem o al. Des e modo, o na-se
jus i icá el o ac o de que “nem semp e é possí el econs i ui a ala” (Delgado-Ma ins in:
Fa ia e al, 1996:86) de de e minadas línguas mo as, apesa de possuí em esc i a.
37
Semaná io Angolense. ed 583. Ano X. Luanda. 20 de Se emb o de 2014. pp. 22-25
62
No que à oponímia diz espei o, o Minis é io da Cul u a de ende que os opónimos
a icanos sejam esc i os segundo a o og a ia das línguas a icanas
38
, sem e em con a o
enómeno de emp és imo linguís ico. Assim, os emp és imos apo uguesados Cuanza,
Cuando, Quiçama, po exemplo, de em se esc i os Kwanza, Kwando
39
, Kisama, chocando
com as eg as de o og a ia da língua Po uguesa.
De endemos a p omoção e alo ização das LAOAs, en e an o, é necessá io que se dê
ao Po uguês o seu de ido alo enquan o língua de unidade nacional, espei ando igualmen e
as suas eg as. Quando se não espei am de e minados enómenos linguís icos, u os do
con ac o de línguas, a cien i icidade desses a gumen os é pos a em causa. Po ou o lado, a
ad ogada ese de que as LAOAs possuem “al abe os p óp ios” não le a em conside ação,
mui as ezes, que os mesmos al abe os são adap ações do al abe o la ino, pos o que as
LAOAs não possuem uma adição esc i a, mas sim o al. As p imei as en a i as de esc i a
das LAOAs o am emp eendidas po cidadãos eu opeus, que ansplan a am os al abe os das
suas línguas pa a LAOAs (c . Coelho, 1999:45-46). Po es e ac o, se é legí imo apossa mo-
nos do al abe o la ino e conside á-lo “nosso”, pensamos se azoá el acei a mos de e minados
enómenos linguís icos u os do con ac o en e as LAOAs e o Po uguês.
A ha monização g á ica dos opónimos em po objec i o elimina as á ias o mas de
esc i a exis en en es e p ocu a adequa a esc i a dos opónimos segundo os c i é ios
o og á icos dos sis emas linguís icos em causa, o Kimbundu e o Po uguês. As p opos as que
ap esen a emos pode ão ap esen a alguma a bi a iedade (Cas o, 1991:366), sob e udo no
caso do Po uguês, na medida em que, em de e minados casos, e emos de op a po esc e e
um dado opónimo com um dado g a ema e não com ou o, que ambém ep esen a o mesmo
onema. Nes es casos, quando di e sos g a emas ep esen am o mesmo onema, op amos po
aquele que, na língua de o igem, ep esen a o mesmo som.
4.1. P essupos os Legais
A oponímia, não obs an e o alo cul u al de que se e es e, ep esen a a sobe ania de
um es ado. Po isso, apesa de, em mui os casos, os opónimos e em o igem popula , es es
são egulamen ados po lei. Má cia Zama iano (2006:35) ealça que os opónimos possuem
38
Semaná io Angolense. ed 583. Ano X. Luanda. 20 de Se emb o de 2014. pp. 34
39
A g a ia co ec a se ia Kwandu.
63
uma impo ância ju ídica, uma ez que, uma “imp ecisão de nomes geog á icos em
p op iedades públicas e p i adas pode le a a sé ios p oblemas de o dem legal”.
Sendo a República de Angola um Es ado de di ei o, endo como um dos seus
undamen os o p imado da Cons i uição e da lei, conside amos que a sua oponímia de e se
egulamen ada. A úl ima lei da di isão adminis a i a de que se em conhecimen o emon a ao
ano de 1971, qua o anos an es da independência. Se i e mos em con a o ac o de que, nessa
al u a, Angola e a uma p o íncia de Po ugal, podemos a i ma que a República de Angola
não possui uma lei da di isão polí ica e adminis a i a. En e an o, há quem de enda que a lei
colonial pe manece á em igo enquan o não o e ogada po ou a.
O e e ido documen o – Dec e o n.º 50/71, de 23 de Fe e ei o – ap esen a a os
opónimos de o igem a icana apo uguesados, ou seja, esc e ia-os segundo as eg as de
o og a ia da língua Po uguesa. Apesa de di e sos opónimos, que ep esen a am o domínio
colonial po uguês, e em sido al e ados, a esc i a apo uguesada, en e an o, man e e-se. Há,
po an o, a necessidade de se ap o a uma no a lei que egulamen e não só a oponímia do
país, como ambém os seus c i é ios de esc i a.
4.2. T abalhos An eceden es
Pouco se em p oduzido, em Angola, sob e oponímia. Temos conhecimen o de apenas
um abalho desen ol ido po uma equipa mul issec o ial, cons i uída po écnicos dos
minis é ios da Educação, Cul u a e Adminis ação do Te i ó io. O e e ido abalho inha
como objec i o “ ealiza es udos em odo o e i ó io nacional sob e a ha monização da
o og a ia da oponímia na Di isão Polí ico-Adminis a i a”
40
.
Po ém, o ac o de p ocu a em econs i ui de e minados opónimos (como em Sau imo
pa a Sawudlimbo) e a en a i a de se des aze de e minados hib idismos (como em Dombe
G ande pa a Ndamba Yinene) são, a nosso e , as g andes des an agens do e e ido abalho,
dado que não espei a a e olução dos mesmos ao longo do empo.
Ou o abalho sob e oponímia é “A Con ibuição pa a uma No malização O og á ica
da Toponímia Angolana”, de Za oni N ondo (s/d), no qual o au o desc e e ce os enómenos
de na u eza onológica e o og á ica que se dão no apo uguesamen o dos opónimos
40
Despacho P esidencial n.º 13/03, de 30 de Dezemb o.
70
equen e em pala as da língua co en e, dado que jun am p e ixos singula es a nomes
plu ais. Po ou o lado, des acámos que, de aco do com o co pus do abalho, o núme o de
opónimos o mados po de i ação é in e io aos dos o mados po composição. En e os
opónimos compos os p edominam os que combinam subs an i o com subs an i o.
Do pon o de is a g á ico, ocámo-nos sob e udo nos opónimos de o igem kimbundu,
uma ez que são es es que mui as ezes ap esen am a iações do pon o de is a g á ico.
En e an o, a ca ência de documen os esc i os pa a a a és dos quais a es a mos as di e sas
a ian es g á icas ez com que ão-somen e apon ássemos de e minados c i é ios que
julgamos pe inen e e -se em con a an o pa a o apo uguesamen o quan o pa a uma esc i a
de aco do com as eg as con encionadas pa a a o og a ia do Kimbundu. Nes e aspec o,
conside amos que os opónimos apo uguesados são pala as que in eg am o léxico do
Po uguês de Angola, pelo que não de em se con undidos com os seus equi alen es
e náculos do Kimbundu. Po es e ac o, julgamos não aze sen ido a a i mação de que os
opónimos apo uguesados são uma de u pação da o og a ia e onologia das línguas
angolanas de o igem a icana.
71
SUGESTÕES
Após a elabo ação do p esen e abalho, conside amos pe inen e deixa as seguin es
suges ões:
À Adminis ação Municipal de Malanje,
A c iação de uma base de dados de opónimos, que con enha in o mações
sob e as di e sas localidades do município, o ele o, a ege ação, a auna e a
hid og a ia;
A a ixação de placas oponímicas nas localidades o a da á ea u bana.
Ao Minis é io da Adminis ação do Te i ó io,
A p omoção de uma ampla discussão sob e os c i é ios a adop a na esc i a dos
opónimos de odo o país, de o ma a colhe as mais di e sas opiniões sob e a
g a ia dos opónimos nacionais.
A egulamen ação da oponímia nacional, uma ez que a lei colonial ad ogada
pelo MAT já não a ende aos in e esses do país, depois de ce ca de qua en a
anos de independência.
72
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i
ANEXOS
N.º
Topónimo
P opos a de g a ia em
Kimbundu
P opos a de g a ia
apo uguesada
01
Malanje
Malanji
Malanje
02
Ngola* Luíje
Ngola Lwiji
N‟gola Luíje
03
Cambaxe
Kambaxi
Cambaxe
04
Micanda
Mikanda
Micanda
05
Mucongo
Mukongo
Mucongo
06
Qui í i
Kididi
Qui í i
07
Quissanje
Kisanji
Quissanje
08
Quihunga*
Kihunga
Quihunga
09
Lau
Lahu
Lahu
10
Gumba
Ngumba
N‟gumba
11
Gu o
Ngu u
N‟gu u
12
Quingungo
Kingungu
Quingungu
13
Quima
Kima
Quima
14
Cama emo
Kama emu
Cama emo
15
Camueia
Kamweya
Camueia
16
Pombo
Pombo
Pombo
17
Cabombo
Kambombo
Cabombo
18
Quimbamba
Kimbamba
Quimbamba
19
Quimaco
Kimaku
Quimaco
20
Quimonha
Kimonya
Quimonha
21
Fumba
Fumba
Fumba
22
Casse o
Kase u
Casse o
23
Cauenda
Kawenda
Cauenda
24
Luma
Luma
Luma
25
Dimba
Dimba
Dimba
26
Ndeia*
Ndeya
N‟deia
27
Camueje
Kamweji
Camueje
28
Ca ende
Ka ende
Ca ende
29
Tuma
Tuma
Tuma
30
Quinjango
Kinjangu
Quinjango
31
Caluhia*
Kaluhia
Caluhia
32
Lombe
Lombe
Lombe
33
Cassequele
Kasekele
Cassequel(e)
34
Quiala
Kiyala
Quiala
35
Camilemba
Kamilemba
Camilemba
36
Quizela
Kizela
Quizela
37
Camilungo
Kamilungu
Camilungo
38
Cajimbinza
Kajimbinza
Cajimbinza
39
Candende
Kandende
Candende
40
Qui ucussa
Ki ukusa
Qui ucussa
41
Zumba-ia-Ganga*
Nzumba ya Nganga
N‟zumba-ia-N‟ganga
42
Quiçama
Kisama
Quissama
43
Cassembele
Kasembele
Cassembele
ii
44
Quissol
Kisole
Quissole
45
Camembe
Kamembe
Camembe
46
Caiala
Kayala
Caiala
47
Candumbu
Kandumbu
Candumbu
48
Cassanje Caluama
Kasanji Kalowama
Cassanje Caloama
49
Cassembala
Kasembala
Cassebala
50
Calunga Camalemba
Kalunga ka Malemba
Calunga Camalemba
51
Ca unga
Ka unga
Ca unga
52
Quemba
Kemba
Quemba
53
Cami ango
Kami angu
Cami ango
54
Quinguila
Kingila
Quíguila
55
Pa a
Pa a
Pa a
56
Cangambo
Kangambu
Cangambo
57
Cula Muxi o
Kula Muxi u
Cula Muxi o
58
Camoma Ngando
Kamoma Ngandu
Camoma N‟gando
59
Quissonde
Kisonde
Quissonde
60
Dungo
Ndungu
N‟dungo
61
Candendo
Kandendu
Candendo
62
Camiba o
Kamiba u
Camiba o
63
Muhemba*
Muhembya
Muhemba
64
Cahunje*
Kahunji
Cahunje
65
Caminzaje
Kaminzaji
Caminzaje
66
Canâmbua
Kanambwa
Canâmbua
67
Cajimbenza
Kajimbenza
Cajimbenza
68
Camissoxe
Kamisoxi
Camissoxe
69
Quibaba
Kibaba
Quibaba
70
Maxinde
Maxinde
Maxinde
71
Camissombo
Kamisombo
Camissombo
72
Cama ende
Kama ende
Cama ende
73
Camacondeca
Kamakondeka
Camacondeca
Quad o I – P opos a de esc i a dos opónimos
iii
Figu a 1: Mapa de Angola
Fon e: h p://ul ama . e aweb.biz/index_mapas_ul ama _angola.h m