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A Influência das características dos prestadores e dos utentes no consumo de recursos em unidades de cuidados continuados

Abstract

RESUMO - Introdução: O envelhecimento populacional, o aumento da prevalência de doenças crónicas e de multipatologia, são fenómenos que encontraram novas respostas com a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em Portugal, a partir de 2006. É esperado que esta estrutura adicional de oferta de cuidados permita contribuir para a criação de valor aos seus utentes. Objetivo: O presente estudo teve como objetivos estimar o consumo de recursos medido através da duração de internamento em unidades de internamento em cuidados continuados (UICC) em Portugal e analisar a associação com as características dos utentes e dos prestadores de cuidados. Método: Foi realizado um estudo transversal e retrospetivo, que utilizou informação da atividade das unidades da RNCCI entre 2010 e 2012. Recorreu-se a modelos de regressão lineares múltiplos, utilizando a duração de internamento como variável dependente e, como preditores, variáveis representativas das características individuais dos utentes e dos prestadores. Resultados: Para os 30.090 episódios incluídos, a duração média de internamento foi de 34,2 dias nas unidades de convalescença, 84,1 dias nas unidades de média duração e reabilitação e 106 dias nas unidades de longa duração e manutenção. A dispersão da duração de internamento foi elevada em todas as tipologias e regiões. Isoladamente, as variáveis associadas às características dos utentes apresentaram capacidade preditiva muito reduzida. A inclusão das variáveis associadas à organização da oferta de cuidados aumentou a capacidade do modelo explicar a variabilidade do tempo de internamento dos utentes. Conclusão: Os resultados do modelo de regressão linear múltipla sugerem que são as características associadas à oferta de cuidados que apresentam maior relevância para explicar a variabilidade da duração de internamento em cuidados continuados. Sugere- se que futuros desenvolvimentos incluam melhorias nas práticas de registo e a implementação de um sistema de classificação de utentes específico, internacionalmente validado para a estratificação do risco em cuidados continuados.

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A Influência das características dos prestadores e dos utentes no consumo de recursos em unidades de cuidados continuados

Author: Santana, Rui,Marques, Ana Patrícia,Lopes, Sílvia,Boto, Paulo,Telles, José Luis,Félix, Sónia,Mestre, Ricardo,Matos, Rosa,Moita, Bruno
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/112289/1/RUN%20-%20PJPH%20-%202017%20-%20v35n2a05%20-%20p114-125.pdf
Resea ch A icle
Po J Public Heal h 2017;35:114–125
A In luência das Ca ac e ís icas dos P es ado es
e dos U en es no Consumo de Recu sos em
Unidades de Cuidados Con inuados
Rui San ana a, b Ana Pa ícia Ma ques a Síl ia Lopes a, b Paulo Bo o a, b
José Luis Telles c Sónia Félix d, e Rica do Mes e Rosa Ma os g B uno Moi a h
a Cen o de In es igação em Saúde Pública da Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Po ugal; b Depa amen o de
Polí icas e Ges ão dos Sis emas de Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon,
Po ugal; c Fundação Oswaldo C uz (FIOCRUZ), Rio de Janei o, B azil; d Banco de Po ugal, Lisbon, Po ugal;
e NOVA School o Business and Economics, Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Po ugal; Adminis ação Cen al
do Sis ema de Saúde, Minis é io da Saúde, Lisbon, Po ugal; g Adminis ação Regional de Saúde de Lisboa e Vale
do Tejo, Minis é io da Saúde, Lisbon, Po ugal; h Cen o Hospi ala Uni e si á io do Alga e, Fa o, Po ugal
Recei ed: July 29, 2016
Accep ed: June 7, 2017
Published online: Oc obe 27, 2017
P o . Rui San ana, PhD
Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade NOVA de Lisboa
A enida Pad e C uz
PT–1600-560 Lisbon (Po ugal)
E-Mail uisan ana @ ensp.unl.p
© 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
E-Mail ka ge @ka ge .com
www.ka ge .com/pjp
DOI: 10.1159/000479756
Pala as Cha e
O ganização e ges ão dos se iços de saúde · Cuidados
con inuados · Cus os em o ganizações de saúde
Resumen
In odução: O en elhecimen o populacional, o aumen o da
p e alência de doenças c ónicas e de mul ipa ologia, são
enómenos que encon a am no as espos as com a c iação
da Rede Nacional de Cuidados Con inuados In eg ados
(RNCCI) em Po ugal, a pa i de 2006. É espe ado que es a
es u u a adicional de o e a de cuidados pe mi a con ibui
pa a a c iação de alo aos seus u en es. Obje i o: O p e-
sen e es udo e e como obje i os es ima o consumo de e-
cu sos medido a a és da du ação de in e namen o em uni-
dades de in e namen o em cuidados con inuados (UICC) em
Po ugal e analisa a associação com as ca ac e ís icas dos
u en es e dos p es ado es de cuidados. Mé odo: Foi ealiza-
do um es udo ans e sal e e ospe i o, que u ilizou in o -
mação da a i idade das unidades da RNCCI en e 2010 e
2012. Reco eu-se a modelos de eg essão linea es múl i-
plos, u ilizando a du ação de in e namen o como a iá el
dependen e e, como p edi o es, a iá eis ep esen a i as
das ca ac e ís icas indi iduais dos u en es e dos p es ado es.
Resul ados: Pa a os 30.090 episódios incluídos, a du ação
média de in e namen o oi de 34,2 dias nas unidades de
con alescença, 84,1 dias nas unidades de média du ação e
eabili ação e 106 dias nas unidades de longa du ação e ma-
nu enção. A dispe são da du ação de in e namen o oi el-
e ada em odas as ipologias e egiões. Isoladamen e, as
a iá eis associadas às ca ac e ís icas dos u en es ap esen-
a am capacidade p edi i a mui o eduzida. A inclusão das
a iá eis associadas à o ganização da o e a de cuidados au-
men ou a capacidade do modelo explica a a iabilidade do
empo de in e namen o dos u en es. Conclusão: Os esul a-
dos do modelo de eg essão linea múl ipla suge em que
são as ca ac e ís icas associadas à o e a de cuidados que
ap esen am maio ele ância pa a explica a a iabilidade da
du ação de in e namen o em cuidados con inuados. Suge-
e-se que u u os desen ol imen os incluam melho ias nas
p á icas de egis o e a implemen ação de um sis ema de
classi icação de u en es especí ico, in e nacionalmen e ali-
dado pa a a es a i icação do isco em cuidados con inua-
dos. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
This a icle is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion-
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NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense).
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ibu ion o modi ied ma e ial equi es w i en pe mission.
Consumo de Recu sos em Unidades de
Cuidados Con inuados
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The In luence o P o ide s’ and Pa ien s’
Cha ac e is ics on Resou ce Use in Long-Te m
Ca e Inpa ien Uni s
Keywo ds
Heal h se ices o ganiza ion and managemen ·
Con inui y o ca e · Cos s in heal h o ganiza ions
Abs ac
In oduc ion: Fo he aging popula ion, as well as o he
g owing p e alence o ch onic diseases and mul ipa hol-
ogy, new answe s ha e been ound wi h he c ea ion o
he Po uguese Na ional Long Te m Ca e Ne wo k
(PNLTCN) in 2006. I is expec ed ha his addi ional le el
o ca e p o ision can c ea e alue o pa ien s. Objec i e:
This s udy aimed o es ima e esou ce use in long- e m
ca e inpa ien uni s in Po ugal and o analyze i s associa-
ion wi h p o ide s’ and pa ien s’ cha ac e is ics. Me h-
ods: We conduc ed a c oss-sec ional e ospec i e s udy
using in o ma ion om he PNLTCN uni s be ween 2010
and 2012. Mul iple linea eg ession analyses we e pe -
o med, including he loga i hm o leng h o s ay as de-
penden a iable and a iables on pa ien s’ and p o id-
e s’ cha ac e is ics as p edic o s. Resul s: Fo he 30,090
admissions included, he a e age leng h o s ay was 34.2
days o Con alescen Ca e Uni s, 84.1 days o Medium
S ay and Rehabili a ion Uni s, and 106 days o Long S ay
and Main enance Uni s. Signi ican dispe sion was ound
o all egions and ype o p o ide s. Pa ien s’ cha ac e is-
ics alone showed low p edic i e capaci y. The inclusion
o p o ide s’ cha ac e is ics inc eased he model’s p edic-
i e abili y o explain he leng h o s ay. Conclusions: Mul-
iple eg ession model esul s sugges ha esou ce u ili-
za ion in long- e m ca e is mainly in luenced by he cha -
ac e is ics o he p o ide s. Fu u e de elopmen should
include imp o emen s on da a collec ion p ocedu es and
he implemen a ion o a isk-adjus ed pa ien classi ica-
ion sys em in e na ionally alida ed o long e m ca e.
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In odução
A necessidade c escen e de espos a dos sis emas de
saúde a u en es que se encon am na qua a idade, com
mul ipa ologia c ónica e dependência, é uma ealidade
p esen e em odo o mundo, nomeadamen e em países
como a Alemanha, Canadá, Es ados Unidos da Amé ica
(EUA), Espanha e Reino Unido [1–6]. Es a endência des-
pe a o in e esse e a a enção po pa e dos á ios a o es e
in e enien es do sis ema, pa icula men e no que diz
espei o, a no as o mas de o ganização da p es ação de
cuidados, no seu enquad amen o legal, bem como nos
mecanismos pa a melho a a e e i idade e a dis ibuição
equi a i a dos ecu sos e bene ícios [7].
Em Po ugal, a espos a a es e ipo de necessidades ma-
e ializou-se na c iação da Rede Nacional de Cuidados
Con inuados In eg ados (RNCCI). A RNCCI cons i ui
um “conjun o de in e enções sequenciais de saúde e/ou
de apoio social, deco en e de a aliação conjun a, cen a-
do na ecupe ação global” [8] da pessoa em si uação de
dependência. Es a ecupe ação pode se en endida como
o “p ocesso e apêu ico e de apoio social, a i o e con í-
nuo, que isa p omo e a au onomia melho ando a un-
cionalidade da pessoa em si uação de dependência a a-
és da sua eabili ação, eadap ação e einse ção amilia
e social” [8]. A p es ação de cuidados in eg ados na RNC-
CI é desen ol ida po qua o ipos de se iços dis in os:
Unidades de In e namen o, Unidades de Ambula ó io,
Equipas Hospi ala es e Equipas Domiciliá ias. No que diz
espei o às Unidades de In e namen o es as subdi idem-
se em Unidades de Con alescença, Unidades de Média
Du ação e Reabili ação, Unidades de Longa Du ação e
Manu enção e Unidades de Cuidados Palia i os [8].
O concei o in e nacional que se encon a mais p óxi-
mo do que se en ende no nosso con ex o po “Cuidados
Con inuados In eg ados” é o de Long-Te m Ca e (LTC).
Con udo, a de inição de LTC não é unânime no seu âm-
bi o e delimi ação. Uma dessas de inições, a da O ganiza-
ção pa a a Coope ação e Desen ol imen o Económico
(OCDE), conside a LTC como “a ange o se ices o
pe sons who a e dependen on help wi h ac i i ies o dai-
ly li ing o e an ex end pe iod o ime” [9]. Po acilidade
de abo dagem, assumi -se-á o e mo Cuidados Con i-
nuados (CC) como p oxy de LTC independen emen e
das pa icula idades exis en es em cada país.
Desde a sua c iação, em 2006, a RNCCI ap esen ou um
c escimen o signi ica i o a é ao p esen e. Es e ac o pode
se e idenciado pelo núme o de camas exis en es – de 646
em 2006 pa a 7.160 em 2014 – e pelo seu o çamen o glo-
bal que p o ém conjun amen e do Minis é io da Saúde e
Minis é io do T abalho, Solida iedade e Segu ança So-
cial – de 3,2 milhões o çamen ados em 2006 aumen ou
pa a 152,7 milhões no ano de 2014 [10]. Es e mon an e
ep esen a ce ca de 2% do o çamen o o al do Se iço Na-
cional de Saúde (SNS) e 0,1% do P odu o In e no B u o
(PIB) po uguês. Apesa do c escimen o, Po ugal não se
San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/
Félix/Mes e/Ma os/Moi a
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encon a nos pad ões de a e ação de e bas obse ados
em países como a Alemanha, Reino Unido ou Aus ália,
onde os alo es se ap oximam de 1% do PIB [5, 11, 12].
Des a o ma, a ep esen a i idade do enómeno e o seu
p e isí el c escimen o ob iga a in e enções cada ez
mais cus o-e e i as po pa e dos di e en es agen es en-
ol idos nas polí icas e ges ão dos CC. No en an o, não
exis em mecanismos uni o mes e sis emá icos de ecolha,
análise e a amen o da in o mação de cus os em CC no
nosso país, pa icula men e no que espei a à sua compo-
nen e analí ica. Nou os con ex os, a pa ilha des e ipo
de in o mação é condição essencial pa a as o ganizações
pode em desen ol e os seus se iços [13]. Face a es a
indisponibilidade de in o mação de cus os, a de inição
dos p eços a aplica na RNCCI e le iu a expec a i a de
consumo de ecu sos es abelecida po um conjun o de
pe i os em unção das ca ac e ís icas es u u ais dos p es-
ado es de cuidados.
Deco idos ce ca de 10 anos da implemen ação da
RNCCI, o na-se p emen e a a aliação das ca ac e ís icas
especí icas e di e enciado as do pe il dos u en es e a sua
in luência no consumo de ecu sos. En e as ca ac e ís icas
consensualmen e mais u ilizadas a ní el in e nacional des-
acam-se as a iá eis sexo e idade apesa de a amen e se-
em u ilizadas de o ma isolada [14–17]. Li e al. [18] e Kim
e Kim [19] ac escen am, às a iá eis sexo e idade, o es ado
de incapacidade como de e minan e da u ilização de cui-
dados con inuados. Bo ayo e al. [20] sus en am que a u i-
lização de cuidados con inuados é ambém in luenciada
pelo es ado cogni i o, uncional, men al e ísico. De um
modo ge al, conside a-se que u en es com maio es di icul-
dades em ealiza ac i idades de ida diá ia, meno es ní-
eis de au onomia ísica e uncional e pio es es ados cog-
ni i os e men ais êm maio p obabilidade de u ilização de
cuidados con inuado [21], ap esen ando uma maio p o-
babilidade de in e namen o, jus i icada pela necessidade
de maio in e enção pa a ecupe ação de au onomia [22].
A axonomia e e ida em es udos an e io es pa a iden-
i icação de a o es associados ao consumo de ecu sos
segue a abo dagem de inida nos abalhos ealizados po
Ande sen e Newman [23] e Ande sen [24], que conside-
am ês componen es p incipais: a o es p edisponen es,
condições p opícias e a o es associados a necessidades
especí icas [20, 25–27]. Na ca ego ia dos a o es p edis-
ponen es es ão incluídas as ca ac e ís icas indi iduais al
como a e nia, a idade e o es ado ci il [25]. O endimen o
e a educação são a iá eis incluídas na ca ego ia e e en-
e a condições p opícias [26]. E na ca ego ia de necessida-
des especí icas incluem-se os a o es elacionados com
doenças e incapacidades, bem como limi ações na eali-
zação de a i idades de ida diá ia, es ado cogni i o, men-
al, uncional e ísico [20].
Na RNCCI, pa e des a in o mação é ecolhida a a és
do Ins umen o de A aliação In eg al (IAI), compos o
po um conjun o de escalas de a aliação aplicada aos
u en es nas dimensões biológica, psicológica e social (bio-
psico-social). Es e ins umen o con ém in o mação eco-
lhida pe iodicamen e dos u en es in e nados em Unida-
des de Con alescença (UC), Unidades de Média Du ação
e Reabili ação (UMDR), Unidades de Longa Du ação e
Manu enção (ULDM) e Unidades de Cuidados Palia i os
(UCP).
De aco do com a Unidade de Missão pa a os Cuidados
Con inuados [28], o obje i o do IAI consis e em a alia
um conjun o de pe u bações ísicas, uncionais, men ais
e sociais que in luenciam a au onomia dos indi íduos e
que podendo se in e encionadas são u ilizadas pa a a
cons ução de um plano indi idual de in e enção. O IAI
oi desen ol ido ambém como ins umen o que pe mi e
moni o iza a e olução do doen e de o ma uni o mizada
e passí el de egis o in o ma izado. Foi cons uído com
base em ins umen os in e nacionais alidados, como
po exemplo o Índice de Ka z u ilizado pa a medi a au-
onomia ísica [28]. Alguns dos a ibu os e ins umen os
u ilizados no IAI já inham sido iden i icados po Bo elho
[29] num es udo que p e endia e e ua uma a aliação
mul idimensional de ca ác e uncional, biológico, men-
al e social em idosos. Especi icamen e o IAI inco po ou
pa e das a iá eis iden i icadas po Bo elho [29] medin-
do-as a a és dos ins umen os u ilizados nesse es udo ou
po adap ações aos mesmos.
Pe an e o enquad amen o expos o e, em concomi ân-
cia com a ausência de es udos nes a á ea em Po ugal,
jus i ica-se a ealização de um abalho de in es igação
que em como obje i os es ima o consumo de ecu sos,
medido a a és da du ação de in e namen o em unidades
de in e namen o em cuidados con inuados (UICC) em
Po ugal, e analisa a sua associação com as ca ac e ís icas
dos u en es e dos p es ado es de cuidados.
Mé odos
Desenho do Es udo
Foi desen ol ido um es udo ans e sal e e ospe i o pa a es-
ima o consumo de ecu sos em unidades de in e namen o em
cuidados con inuados (UICC), medido a a és da du ação de in-
e namen o. A elação en e o consumo de ecu sos e as ca ac e-
ís icas dos u en es oi a e ida a a és de eg essão linea múl ipla,
endo-se especi icado dois ipos de modelos: incluindo apenas as
ca ac e ís icas biopsicossociais dos u en es ou incluindo ambém
as ca ac e ís icas dos p es ado es.
Consumo de Recu sos em Unidades de
Cuidados Con inuados
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Fon es de In o mação e C i é ios de Exclusão
Os dados u ilizados no es udo o am ex aídos do sis ema de
in o mação “Ges Ca e Cuidados Con inuados In eg ado” desen-
ol ido pela RNCCI, endo sido cedidos pela Adminis ação Cen-
al do Sis ema de Saúde (ACSS) de o ma anonimizada.
Conside a am-se odos os episódios de in e namen o das Uni-
dades de Con alescença (UC), Unidades de Média Du ação e Rea-
bili ação (UMDR) e Unidades de Longa Du ação e Manu enção
(ULDM) em que se e i icasse cumula i amen e a admissão e al a
nos anos 2010–2012.
Pa a cada episódio ob e e-se in o mação ela i a a: sexo, idade,
queixas de saúde, isco de quedas, locomoção, au onomia ísica,
es ado cogni i o, ipologia de unidade, egião de saúde e núme o
de dias de in e namen o. Sis ema iza-se na Tabela 1 as a iá eis
conside adas no nosso es udo que co espondem aos sco es dos
domínios do IAI. A o ma de ob enção des es sco es esul a da
combinação das a iá eis especí icas que compõem cada um dos
domínios. A in o mação que nos oi disponibilizada apenas con-
inha os sco es dos domínios, p e iamen e calculados pelas eg as
que se explici am na Tabela 1.
Du an e a ase de alidação da consis ência da in o mação o-
am excluídos: (1) 212 episódios cujo empo de in e namen o e a
in e io a 0 dias; (2) 13.505 episódios cujo núme o de iden i icação
se epe ia apesa de se a a de episódios em unidades dis in as;
(3) 1.883 episódios em que a da a de sinalização do doen e à RNC-
CI e a pos e io à da a de admissão ao in e namen o. A amos a
inal oi cons i uída po 30.090 episódios, ela i os a 28.164 u en-
es.
Análise Desc i i a e Modelos de Reg essão
A análise desc i i a das a iá eis nominais oi ealizada a a és
da sua dis ibuição, equência absolu a e ela i a.
Pa a a du ação de in e namen o, o am u ilizadas medidas de
endência cen al e medidas de dispe são endo-se eco ido a aná-
lise de a iância a dois a o es (ANOVA wo-way) e ao es e não
pa amé ico de K uskal-Wallis pa a es uda a associação en e as
a iá eis egião e ipologia de unidade.
Uma ez que a dis ibuição da du ação de in e namen o po
egião pode ia se in luenciada pela exp essão ela i a de cada i-
pologia em cada egião, p osseguiu-se a análise desc i i a com o
es udo da a iância a dois a o es ( egião e ipologia) pa a a a iá-
el dependen e ans o mada pelo seu loga i mo na u al.
A ans o mação da a iá el dependen e pelo seu loga i mo
na u al pe mi iu melho a as p op iedades es a ís icas da a iá-
el na u al e in e p e a os coe icien es de eg essão como a ia-
ções pe cen uais, uma ez que se cons a ou que o empo de in-
e namen o ap esen a a uma dis ibuição assimé ica à esque -
da e lep ocú ica e a homogeneidade das a iâncias não podia
se assumida pelo es e de Le ene, endo-se des a o ma op ado
pela u ilização do loga i mo na u al pa a ans o mação da a-
iá el.
A exis ência de di e enças signi ica i as en e a du ação mé-
dia de in e namen o po egião e po ipologia e que pa a uma
p obabilidade de e o ipo I de 5%, e idenciou uma in e ação
signi ica i a en e o a o ipologia e o a o egião, i.e., o a o
ipologia in luencia a a espos a da a iá el dependen e ao a o
egião.
A u ilização do es e não pa amé ico de K uskal-Wallis pe mi-
iu conclui , pa a odos os pa es possí eis de a iá el dependen e/
a iá el independen e e pa a qualque ní el de signi icância
(p < 0,001), que exis iam di e enças na du ação média de in e na-
men o en e as classes que compõem cada uma das a iá eis inde-
penden es.
No sen ido de a alia a elação uncional en e a du ação de
in e namen o e os seus p edi o es, desen ol e am-se dois modelos
de eg essão linea múl ipla.
O modelo 1, onde se a alia o impac o das ca ac e ís icas indi-
iduais dos u en es na a iabilidade do empo de in e namen o
não conside ando ou con olando as a iá eis associadas às ca ac-
e ís icas dos p es ado es de cuidados.
O modelo 2 in oduz ambém as ca ac e ís icas da es u u a
assis encial, designadamen e ipologia e egião de saúde em que as
unidades de in e namen o es ão implemen adas, pe mi indo a e i
o impac o das ca ac e ís icas indi iduais dos u en es na a iabili-
dade do empo de in e namen o, con olando as di e enças exis-
en es en e ipologias e egiões.
Faz-se no a que o es ado uncional dos u en es, medido a a-
és da au onomia ísica no momen o da p imei a a aliação, apesa
de ap esen ado na es a ís ica desc i i a, não oi incluído nos mo-
delos ado ados. Tal de eu-se ao ac o de pa a as duas classes mais
p e alen es (incapaz e dependen e), se e de e ado alo es dos a-
o es de in lação da a iância bas an e supe io es aos limia es má-
ximos comummen e acei es (VIF ≤10) [32], indiciando a p esença
de mul i-colinea iedade.
Pa a analisa a impo ância das ca ac e ís icas indi iduais na
de e minação do consumo de ecu sos, a especi icação dos mo-
delos an e io men e e e idos segue uma eg essão linea múl i-
pla ealizada pelo mé odo dos mínimos quad ados o diná ios do
ipo Yj = β0 + βi.Xj + εj (j = 1, …, n) em que: Yj = loga i mo na-
u al da du ação de in e namen o; β0 = cons an e; βi = medida
da in luência de Xi em Y; Xij = e o das a iá eis independen es;
εj = e o.
Todas as a iá eis independen es Xij são ca egó icas, endo-se
op ado po dico omiza cada uma das classes de cada a iá el in-
dependen e, assumido como classes de e e ência a ipologia con-
alescença, a egião de saúde No e, o sexo masculino, o g upo
e á io 18–49 anos, os episódios cujos u en es na p imei a a aliação
biopsicossocial não ap esen a am queixas de saúde, o isco de que-
das bom, a capacidade de locomoção independen e e o es ado cog-
ni i o bom.
Assim, po exemplo pa a a a iá el sexo, o expoen e do coe i-
cien e βi sub aído de 1 e mul iplicado po 100, de e se in e p e-
ado como a al e ação pe cen ual em Yj (dias de in e namen o)
associada ao sexo eminino, i.e., a pe cen agem de dias de in e na-
men o que os u en es do sexo eminino êm a mais (ou a menos)
do que o sexo masculino, man endo udo o es o cons an e.
Pa a lida com a al a de no malidade e homocedas icidade dos
esíduos o am conside ados os e os pad ão obus os es imados
pelo mé odo de Hube -Whi e. Foi conside ada uma p obabilidade
de e o de ipo I de 0,05.
Po úl imo e como o ma de especi ica a análise desen ol ida,
op ou-se po desen ol e adicionalmen e ês modelos de eg es-
são, um po cada ipologia de unidade, em que se conside a am
odas as ca ac e ís icas indi iduais dos u en es con olando as di-
e enças egionais exis en es.
A análise de dados oi e e uada eco endo aos so wa es es a-
ís icos SPSS V20.0 e S a a 13.0.
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Félix/Mes e/Ma os/Moi a
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Ap esen ação de Resul ados
A amos a conside ada no p esen e es udo oi de
30.090 episódios de in e namen o em unidades de in e -
namen o de CCI associados a 28.164 u en es.
No espei an e às ca ac e ís icas da amos a (Tabela 2),
e i ica-se uma maio p e alência de episódios associa-
dos à ipologia de con alescença e às egiões No e e Cen-
o do país.
Table 1. Desc ição das a iá eis em es udo
Composição da a iá el Es a i icação Sco e/Mé ica
Es a i icação em 2 classes baseada numa a iá el
“sexo do u en e”
0 – Feminino
1 – Masculino
Valo obse ado na a iá el
sexo
Es a i icação em 4 classes baseada na aixa e á ia
do u en e
0 – 80 anos ou mais
1 – 65–79 anos
2 – 50–64 anos
3 – 18–49 anos
Valo obse ado na a iá el
idade
Queixas de saúde codi icadas pelo ICPC2,
baseadas em 5 a iá eis especí icasa0 – Com queixas
3 – Sem queixas
Meno pon uação das
a iá eis especí icas
Oco ência de quedas an e io es, ci cuns âncias
em que oco e am e sequelas associadas, baseadas
em 4 a iá eis especí icasb
0 – Mau
1 – Insa is a ó io
2 – Sa is a ó io
3 – Bom
Média da pon uação das
a iá eis especí icas
Capacidade de locomoção do indi íduo e
dependência ace a meios, baseadas em 4 a iá eis
especí icasc
Adap ado de Bo elho [29]
0 – Incapaz
1 – Dependen e
2 – Independen e
3 – Au ónomo
Meno pon uação das
a iá eis especí icas
Au onomia ísica do indi íduo pa a ealiza
a i idades da ida diá ia baseada em 9 a iá eis
especí icasd
Baseado no Índice de Ka z [30]
0 – Incapaz
1– Dependen e
2 – Independen e
3 – Au ónomo
Meno pon uação das
a iá eis especí icas
O ien ação do indi íduo no espaço e no empo
Exce o do Mini Men al S a e p opos o po
Fols ein e al. [31]
0 – Mau
1 – Insa is a ó io
2 – Sa is a ó io
3 – Bom
Média da pon uação das
a iá eis especí icas
Tipologia de unidade na RNCCI Unidade de longa du ação
Unidade de média du ação
Unidade de con alescença
Valo obse ado na a iá el
ipo de unidade
Iden i ica qual a egião de saúde onde oco eu
cada episódio segundo a localização da unidade
p es ado a
No e
Cen o
LVT
Alen ejo
Alga e
Valo obse ado na a iá el
egião de saúde
Núme o de dias de pe manência em luga da
ede em cada episódio, di ididos em 3 ní eis
que co espondem à u ilização p e is a pa a cada
ipo de unidade
Dias de in e namen o Núme o de dias de
in e namen o
aQueixas músculo – esquelé icas, de isão, de audição, de pele e de ou os ó gãos/sis emas. bNúme o de que-
das no úl imo ano, momen o de queda, mo i o de queda e sequelas de queda. cAnda em casa, anda na ua,
u iliza escadas e locomoção e meios pa a isão e audição. dLa a -se/ oma banho, es i -se/despi -se, usa a
sani a e/ou bacio/u inol, dei a -se/le an a -se da cama, sen a -se/le an a -se de cadei as, con ola a u ina, con-
ola as ezes, alimen a -se/come e au onomia ísica e meios pa a isão e audição.

Consumo de Recu sos em Unidades de
Cuidados Con inuados
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Obse ou-se ambém uma pe cen agem mais ele ada
de episódios associados a u en es do sexo eminino, com
idade igual ou supe io a 65 anos, que ap esen am queixas
de saúde, com uma a aliação boa ela i amen e ao isco
de quedas, maio i a iamen e incapazes no que espei a à
sua capacidade de locomoção, dependen es ou incapazes
no que espei a à sua au onomia ísica e com uma con-
cen ação ele ada nas classes ex emas no que espei a ao
es ado cogni i o.
A a és da Tabela 3, podemos obse a os esul ados
desc i i os das a iá eis em es udo. Assim, pode-se cons-
a a que a du ação de in e namen o ap esen ou uma dis-
pe são signi ica i a, independen emen e da desag egação
ado ada. Em média, a du ação de in e namen o nas unida-
des de con alescença oi de 34,2 dias, 84,1 dias nas unida-
des de média du ação e eabili ação e 106 dias nas unidades
de longa du ação e manu enção, compo amen o espe ado
conside ando os c i é ios de e e enciação es abelecidos.
De no a que a du ação média de in e namen o nas unida-
des de con alescença oi supe io ao empo de in e na-
men o máximo e e encial ado ado (30 dias): 28,6% dos
episódios nas unidades de con alescença ap esen a am
empo de in e namen o supe io a 30 dias.
A desag egação po egião de saúde ambém pe mi iu
cons a a a a iabilidade da du ação média de in e na-
men o, e i icando-se que a egião mais ep esen ada
(No e) oi ambém onde se obse ou uma du ação mé-
dia de in e namen o mais eduzida (54,3 dias).
Table 2. Ca ac e ís icas da amos a
Va iá el n%n%
Sexo  Queixas de saúde
Feminino 17.292 57,5 Com queixas 17.036 56,6
Masculino 12.798 42,5 Sem queixas 12.824 42,6
G upo e á io  Missing 230 0,8
18–50 anos 1.558 5,2 Risco de quedas
50–65 anos 4.220 14,0 Bom 19.510 64,8
65–80 anos 12.416 41,3 Sa is a ó io 179 0,6
≥80 anos 11.896 39,5 Insa is a ó io 4.498 14,9
Tipologia   Mau 5.903 19,6
Con alescença 13.948 46,4 Locomoção
Média du ação 9.959 33,1 Independen e 1.614 5,4
Longa du ação 6.183 20,5 Au ónomo 2.542 8,4
Du ação de in e namen o   Dependen e 7.175 23,8
≤30 dias 13.177 43,8 Incapaz 18.759 62,3
30–90 dias 12.054 40,1 Au onomia ísica
>90 dias 4.859 16,1 Independen e 220 0,7
Região Au ónomo 685 2,3
Alen ejo 2.943 9,8 Dependen e 16.175 53,8
Alga e 358 1,2 Incapaz 13.010 43,2
Cen o 9.000 29,9 Es ado cogni i o
Lisboa e V. Tejo 4.221 14,0 Bom 11.912 39,6
No e 13.568 45,1 Sa is a ó io 3.959 13,2
 Insa is a ó io 3.804 12,6
Mau 10.415 34,6
Table 3. Demo a-média de in e namen o po ipologia e egião
 Média Des io
pad ão
Coe icien e de
a iação, %
To al 65,47 73,85 112,8
Tipologia
Con alescença 34,22 22,76 66,5
Média du ação 84,09 53,17 63,2
Longa du ação 106,01 128,13 120,9
Região
Alen ejo 67,62 60,87 90,0
Alga e 57,07 81,61 143,0
Cen o 75,16 74,50 99,1
Lisboa e V. Tejo 80,07 87,73 109,6
No e 54,26 69,17 127,5
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Os esul ados dos modelos de eg essão u ilizados pa a
es ima a elação en e consumo de ecu sos e ca ac e ís-
icas biopsicossociais encon am-se na Tabela 4.
De uma o ma ge al, e i ica-se que a capacidade ex-
plica i a dos modelos é ela i amen e eduzida, uma ez
que os seus coe icien es de de e minação são de 0,017
pa a o modelo 1 e que, embo a a inclusão das ca ac e ís-
icas ela i as à o e a aumen e signi ica i amen e a capa-
cidade do modelo, es a ainda se man ém ela i amen e
eduzida (0,194).
Da análise da elação en e a iá eis, e i ica-se que no
modelo 1, o sexo eminino ap esen a um empo de in e -
namen o 7,6% supe io ao e i icado no sexo masculino
(p < 0,01) man endo odas as es an es ca ac e ís icas in-
di iduais cons an es. O con olo das di e enças da du a-
ção de in e namen o associadas à o e a assis encial (mo-
Table 4. Resul ados das eg essões linea es (du ação de in e namen o e ca ac e ís icas biopsicossociais)
Va . dependen e: Log da du ação de in e namen o Modelo 1
(sem ipologia e egião
do p es ado )
Modelo 2
(incluindo ipologia e
egião do p es ado )
Sexo
( e . Masculino)
Feminino 0,0728*** 0,102***
[0,0109] [0,00993]
G upo e á io
( e . 18–49 anos)
50–64 anos 0,0278 0,104***
[0,0287] [0,0263]
65–79 anos 0,00335 0,0648***
[0,0266] [0,0246]
≥80 anos –0,0113 0,00639
[0,0273] [0,0253]
Queixas de saúde
( e . Sem Queixas)
Com Queixas –0,0134 –0,0118
[0,0105] [0,00948]
A aliação de quedas
( e . Bom)
Sa is a ó io 0,0474 –0,0226
[0,0649] [0,0590]
Insa is a ó io 0,118*** 0,0648***
[0,0148] [0,0132]
Mau 0,0782*** 0,0953***
[0,0129] [0,0115]
Locomoção
( e . Independen e)
Au ónomo –0,0539** –0,0220
[0,0259] [0,0230]
Dependen e –0,0481** –0,0318
[0,0233] [0,0210]
Incapaz 0,0278 –0,0325
[0,0224] [0,0204]
Cogni i o
( e . Bom)
Sa is a ó io 0,0908*** –0,00215
[0,0147] [0,0127]
Insa is a ó io 0,176*** –0,0214
[0,0163] [0,0146]
Mau 0,208*** –0,0980***
[0,0132] [0,0128]
Cons an e 3,615*** 3,207***
[0,0331] [0,0307]
Tipologia e egião N S
Obse ações 29.860 29.860
R20,017 0,194
Sig. es a ís ica: *10%; **5%; ***1%. E os pad ão obus os.
Consumo de Recu sos em Unidades de
Cuidados Con inuados
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delo 2), pe mi e ambém conclui que o sexo eminino
ap esen a um empo de in e namen o 10,7% supe io ao
sexo masculino, ce e is pa ibus.
A a iá el idade apenas ap esen a signi icância es a ís-
ica pa a explica a a iabilidade da du ação de in e na-
men o quando as ca ac e ís icas associadas à o e a são
incluídas e apenas pa a as aixas e á ias dos 50 aos 64 anos
e dos 65 aos 79 anos: os u en es com idades comp eendi-
das en e os 50 e os 64 anos ap esen am uma du ação de
in e namen o 11% supe io aos u en es com idades en e
18 e 49 anos, conside ando odas as es an es ca ac e ís-
icas cons an es.
A p esença de queixas de saúde no momen o da p i-
mei a a aliação biopsicossocial não ap esen a signi icân-
cia es a ís ica pa a a explicação da a iabilidade da du a-
ção de in e namen o.
Table 5. Resul ados das eg essões linea es po ipologia de unidade (du ação de in e namen o e ca ac e ís icas
biopsicossociais)
Va . dependen e: Log da du ação de
in e namen o
Con alescença Média du ação Longa du ação
Sexo
( e . Masculino)
Feminino 0,0543*** 0,140*** 0,136***
[0,00974] [0,0178] [0,0317]
G upo e á io
( e . 18–49 anos)
50–64 anos 0,105*** 0,119*** 0,107
[0,0272] [0,0444] [0,107]
65–79 anos 0,0962*** 0,0666*0,00421
[0,0261] [0,0402] [0,0932]
≥80 anos 0,0417 –0,00861 –0,0391
[0,0272] [0,0410] [0,0922]
Queixas de saúde
( e . Sem queixas)
Com Queixas –0,0257*** –0,00440 0,00309
[0,00905] [0,0175] [0,0325]
A aliação de quedas
( e . Bom)
Sa is a ó io –0,0148 –0,151 0,108
[0,0525] [0,128] [0,133]
Insa is a ó io 0,0237*0,0930*** 0,0943**
[0,0143] [0,0229] [0,0409]
Mau 0,0747*** 0,0967*** 0,127***
[0,0113] [0,0204] [0,0471]
Locomoção
( e . Independen e)
Au ónomo –0,0124 –0,0376 0,124
[0,0216] [0,0444] [0,144]
Dependen e –0,0324 –0,0334 0,0914
[0,0206] [0,0375] [0,126]
Incapaz –0,00504 –0,0521 0,107
[0,0200] [0,0352] [0,123]
Cogni i o
( e . Bom)
Sa is a ó io –0,00202 0,0131 –0,0507
[0,0129] [0,0241] [0,0641]
Insa is a ó io –0,0611*** –0,0106 0,0254
[0,0167] [0,0246] [0,0549]
Mau –0,0878*** –0,122*** –0,0145
[0,0156] [0,0209] [0,0424]
Cons an e 3,194*** 4,096*** 3,596***
[0,0319] [0,0502] [0,162]
Região de Saúde S S S
Obse ações 13.877 9.862 6.121
R20,082 0,023 0,038
Sig. es a ís ica: *10%; **5%; ***1%. E os pad ão obus os.
San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/
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Po sua ez, a a aliação da capacidade de locomoção
suge e uma ausência de capacidade p edi i a pa a a a-
iabilidade da du ação de in e namen o, apesa de, pa a
95% de con iança e apenas quando as ca ac e ís icas da
o e a não são con oladas, exis i signi icância es a ís-
ica pa a as classes au ónomo e dependen e quando
compa adas com a classe de e e ência independen e.
U en es a aliados com um isco de quedas insa is a ó-
io ou mau ap esen am du ações de in e namen o signi-
ica i amen e supe io es aos u en es sem isco de quedas.
O es ado cogni i o dos u en es no momen o da p i-
mei a a aliação, quando não são con oladas as ca ac e-
ís icas da o e a de cuidados e endo po e e ência os
u en es com bom es ado cogni i o, ap esen a alo es po-
si i os e c escen es à medida que o es ado cogni i o de-
c esce, i.e., apa en emen e a du ação de in e namen o
c esce com o aumen o da incapacidade cogni i a. Con u-
do, após inclusão das a iá eis e e en es à ipologia e e-
gião de saúde, a elação pe de ele ância es a ís ica, sendo
que pa a o pio es ado cogni i o é possí el inclusi e en-
con a uma elação in e sa, i.e., u en es com mau es ado
cogni i o ap esen am du ações de in e namen o 9,3%
mais eduzidas do que u en es com bom es ado cogni i o,
man endo odas as es an es ca ac e ís icas cons an es.
Não obs an e as limi ações ap esen adas e conside an-
do que a ele ância das ca ac e ís icas indi iduais em
cada ipologia pode ia não e exp essão semelhan e e
ap esen a -se como a o de con undimen o, op ou-se
po desen ol e ês modelos de eg essão, um po cada
ipologia, conside ando odas as ca ac e ís icas indi i-
duais e con olando as di e enças egionais exis en es. Os
esul ados des es modelos ap esen am-se na Tabela 5.
Rela i amen e à a iá el sexo, é possí el con i ma
que as mulhe es ap esen am em odas as ipologias uma
du ação de in e namen o supe io aos homens, sendo
que as di e enças são mais exp essi as nas unidades de
média du ação.
A idade apenas ap esen a capacidade p edi i a da du-
ação de in e namen o nas classes e á ias 50–64 anos e
65–79 anos, sendo que pa a as unidades de longa du ação,
a idade não em pode explica i o es a is icamen e signi-
ica i o em nenhuma das classes e á ias.
A ap esen ação de queixas de saúde pelos u en es no
momen o da p imei a a aliação biopsicossocial em uni-
dades de con alescença ap esen a-se como a o p o e o
ela i amen e à du ação de in e namen o, i.e., es es u en-
es ap esen am uma du ação de in e namen o 2,5% in e-
io aos u en es que não ap esen am queixas.
A capacidade de locomoção não ap esen a capacidade
p edi i a pa a nenhuma das ipologias de cuidados.
U en es com a aliação de isco de quedas insa is a ó-
io ou mau ap esen am empos de in e namen o signi i-
ca i amen e supe io es aos u en es cujo isco é a aliado
como bom em odas as ipologias de cuidados, sendo que
es e a o ap esen a maio capacidade disc imina ó ia nas
unidades de longa du ação.
Rela i amen e ao es ado cogni i o é possí el conclui
que não ap esen a capacidade p edi i a da du ação de in-
e namen o nas unidades de longa du ação. Con udo,
u en es das unidades de con alescença com es ado cogni-
i o insa is a ó io ou mau e u en es das unidades de mé-
dia du ação com es ado cogni i o mau, ap esen am du-
ações de in e namen o signi ica i amen e mais eduzi-
das do que u en es com bom es ado cogni i o.
A desag egação da análise po ipologia de in e na-
men o pa ece con i ma que as ca ac e ís icas indi iduais
conside adas ap esen am eduzida capacidade p edi i a
da a iabilidade da du ação de in e namen o, o que se
encon a plasmado nos coe icien es de de e minação e-
duzidos que o am ob idos.
Discussão
Os esul ados apu ados suge em que o consumo de
ecu sos es á maio i a iamen e associado às ca ac e ís i-
cas dos p es ado es de cuidados. De ac o, a inclusão da
ipologia e da egião no modelo de eg essão aumen ou
signi ica i amen e a capacidade p edi i a do modelo
(0,194), suge indo que as ca ac e ís icas dos p es ado es
de cuidados e o condicionamen o da e e enciação dos
u en es em unção da es u u a exis en e êm um pode
explica i o subs ancialmen e mais ele ado do que as ca-
ac e ís icas indi iduais dos u en es. Num es udo se-
melhan e, e i icou-se que as ca ac e ís icas da o e a
pe mi em explica ce ca de 24% da a iação do consumo
de ecu sos [33].
No que diz espei o às ca ac e ís icas dos u en es, e-
i icamos que apenas a a iá el sexo ap esen a capacida-
de p edi i a do consumo de ecu sos em odos os mode-
los, sendo que o sexo eminino ap esen a uma du ação de
in e namen o supe io à do sexo masculino. Es e esul a-
do é consis en e com ou os es udos que, em con ex o de
eabili ação de aciden e ascula ce eb al, sus en am que
es as di e enças de géne o podem se explicadas pelo ac-
o de as mulhe es ap esen a em pio es es ados uncionais
na admissão, meno es apoios sociais, exis indo ambém
um maio núme o de mulhe es com es ado ci il de iu ez
e a i e sozinhas [34].