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A Influência das características dos prestadores e dos utentes no consumo de recursos em unidades de cuidados continuados

Santana, Rui,Marques, Ana Patrícia,Lopes, Sílvia,Boto, Paulo,Telles, José Luis,Félix, Sónia,Mestre, Ricardo,Matos, Rosa,Moita, Bruno

Abstract

RESUMO - Introdução: O envelhecimento populacional, o aumento da prevalência de doenças crónicas e de multipatologia, são fenómenos que encontraram novas respostas com a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em Portugal, a partir de 2006. É esperado que esta estrutura adicional de oferta de cuidados permita contribuir para a criação de valor aos seus utentes. Objetivo: O presente estudo teve como objetivos estimar o consumo de recursos medido através da duração de internamento em unidades de internamento em cuidados continuados (UICC) em Portugal e analisar a associação com as características dos utentes e dos prestadores de cuidados. Método: Foi realizado um estudo transversal e retrospetivo, que utilizou informação da atividade das unidades da RNCCI entre 2010 e 2012. Recorreu-se a modelos de regressão lineares múltiplos, utilizando a duração de internamento como variável dependente e, como preditores, variáveis representativas das características individuais dos utentes e dos prestadores. Resultados: Para os 30.090 episódios incluídos, a duração média de internamento foi de 34,2 dias nas unidades de convalescença, 84,1 dias nas unidades de média duração e reabilitação e 106 dias nas unidades de longa duração e manutenção. A dispersão da duração de internamento foi elevada em todas as tipologias e regiões. Isoladamente, as variáveis associadas às características dos utentes apresentaram capacidade preditiva muito reduzida. A inclusão das variáveis associadas à organização da oferta de cuidados aumentou a capacidade do modelo explicar a variabilidade do tempo de internamento dos utentes. Conclusão: Os resultados do modelo de regressão linear múltipla sugerem que são as características associadas à oferta de cuidados que apresentam maior relevância para explicar a variabilidade da duração de internamento em cuidados continuados. Sugere- se que futuros desenvolvimentos incluam melhorias nas práticas de registo e a implementação de um sistema de classificação de utentes específico, internacionalmente validado para a estratificação do risco em cuidados continuados.

Full text

Resea ch A icle Po J Public Heal h 2017;35:114–125 A In luência das Ca ac e ís icas dos P es ado es e dos U en es no Consumo de Recu sos em Unidades de Cuidados Con inuados Rui San ana a, b Ana Pa ícia Ma ques a Síl ia Lopes a, b Paulo Bo o a, b José Luis Telles c Sónia Félix d, e Rica do Mes e Rosa Ma os g B uno Moi a h a Cen o de In es igação em Saúde Pública da Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Po ugal; b Depa amen o de Polí icas e Ges ão dos Sis emas de Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Po ugal; c Fundação Oswaldo C uz (FIOCRUZ), Rio de Janei o, B azil; d Banco de Po ugal, Lisbon, Po ugal; e NOVA School o Business and Economics, Uni e sidade NOVA de Lisboa, Lisbon, Po ugal; Adminis ação Cen al do Sis ema de Saúde, Minis é io da Saúde, Lisbon, Po ugal; g Adminis ação Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Minis é io da Saúde, Lisbon, Po ugal; h Cen o Hospi ala Uni e si á io do Alga e, Fa o, Po ugal Recei ed: July 29, 2016 Accep ed: June 7, 2017 Published online: Oc obe 27, 2017 P o . Rui San ana, PhD Escola Nacional de Saúde Pública, Uni e sidade NOVA de Lisboa A enida Pad e C uz PT–1600-560 Lisbon (Po ugal) E-Mail uisan ana @ ensp.unl.p © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública E-Mail ka ge @ka ge .com www.ka ge .com/pjp DOI: 10.1159/000479756 Pala as Cha e O ganização e ges ão dos se iços de saúde · Cuidados con inuados · Cus os em o ganizações de saúde Resumen In odução: O en elhecimen o populacional, o aumen o da p e alência de doenças c ónicas e de mul ipa ologia, são enómenos que encon a am no as espos as com a c iação da Rede Nacional de Cuidados Con inuados In eg ados (RNCCI) em Po ugal, a pa i de 2006. É espe ado que es a es u u a adicional de o e a de cuidados pe mi a con ibui pa a a c iação de alo aos seus u en es. Obje i o: O p e- sen e es udo e e como obje i os es ima o consumo de e- cu sos medido a a és da du ação de in e namen o em uni- dades de in e namen o em cuidados con inuados (UICC) em Po ugal e analisa a associação com as ca ac e ís icas dos u en es e dos p es ado es de cuidados. Mé odo: Foi ealiza- do um es udo ans e sal e e ospe i o, que u ilizou in o - mação da a i idade das unidades da RNCCI en e 2010 e 2012. Reco eu-se a modelos de eg essão linea es múl i- plos, u ilizando a du ação de in e namen o como a iá el dependen e e, como p edi o es, a iá eis ep esen a i as das ca ac e ís icas indi iduais dos u en es e dos p es ado es. Resul ados: Pa a os 30.090 episódios incluídos, a du ação média de in e namen o oi de 34,2 dias nas unidades de con alescença, 84,1 dias nas unidades de média du ação e eabili ação e 106 dias nas unidades de longa du ação e ma- nu enção. A dispe são da du ação de in e namen o oi el- e ada em odas as ipologias e egiões. Isoladamen e, as a iá eis associadas às ca ac e ís icas dos u en es ap esen- a am capacidade p edi i a mui o eduzida. A inclusão das a iá eis associadas à o ganização da o e a de cuidados au- men ou a capacidade do modelo explica a a iabilidade do empo de in e namen o dos u en es. Conclusão: Os esul a- dos do modelo de eg essão linea múl ipla suge em que são as ca ac e ís icas associadas à o e a de cuidados que ap esen am maio ele ância pa a explica a a iabilidade da du ação de in e namen o em cuidados con inuados. Suge- e-se que u u os desen ol imen os incluam melho ias nas p á icas de egis o e a implemen ação de um sis ema de classi icação de u en es especí ico, in e nacionalmen e ali- dado pa a a es a i icação do isco em cuidados con inua- dos. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública This a icle is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion- NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional License (CC BY- NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense). Usage and dis ibu ion o comme cial pu poses as well as any dis- ibu ion o modi ied ma e ial equi es w i en pe mission. Consumo de Recu sos em Unidades de Cuidados Con inuados 115 Po J Public Heal h 2017;35:114–125 DOI: 10.1159/000479756 The In luence o P o ide s’ and Pa ien s’ Cha ac e is ics on Resou ce Use in Long-Te m Ca e Inpa ien Uni s Keywo ds Heal h se ices o ganiza ion and managemen · Con inui y o ca e · Cos s in heal h o ganiza ions Abs ac In oduc ion: Fo he aging popula ion, as well as o he g owing p e alence o ch onic diseases and mul ipa hol- ogy, new answe s ha e been ound wi h he c ea ion o he Po uguese Na ional Long Te m Ca e Ne wo k (PNLTCN) in 2006. I is expec ed ha his addi ional le el o ca e p o ision can c ea e alue o pa ien s. Objec i e: This s udy aimed o es ima e esou ce use in long- e m ca e inpa ien uni s in Po ugal and o analyze i s associa- ion wi h p o ide s’ and pa ien s’ cha ac e is ics. Me h- ods: We conduc ed a c oss-sec ional e ospec i e s udy using in o ma ion om he PNLTCN uni s be ween 2010 and 2012. Mul iple linea eg ession analyses we e pe - o med, including he loga i hm o leng h o s ay as de- penden a iable and a iables on pa ien s’ and p o id- e s’ cha ac e is ics as p edic o s. Resul s: Fo he 30,090 admissions included, he a e age leng h o s ay was 34.2 days o Con alescen Ca e Uni s, 84.1 days o Medium S ay and Rehabili a ion Uni s, and 106 days o Long S ay and Main enance Uni s. Signi ican dispe sion was ound o all egions and ype o p o ide s. Pa ien s’ cha ac e is- ics alone showed low p edic i e capaci y. The inclusion o p o ide s’ cha ac e is ics inc eased he model’s p edic- i e abili y o explain he leng h o s ay. Conclusions: Mul- iple eg ession model esul s sugges ha esou ce u ili- za ion in long- e m ca e is mainly in luenced by he cha - ac e is ics o he p o ide s. Fu u e de elopmen should include imp o emen s on da a collec ion p ocedu es and he implemen a ion o a isk-adjus ed pa ien classi ica- ion sys em in e na ionally alida ed o long e m ca e. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública In odução A necessidade c escen e de espos a dos sis emas de saúde a u en es que se encon am na qua a idade, com mul ipa ologia c ónica e dependência, é uma ealidade p esen e em odo o mundo, nomeadamen e em países como a Alemanha, Canadá, Es ados Unidos da Amé ica (EUA), Espanha e Reino Unido [1–6]. Es a endência des- pe a o in e esse e a a enção po pa e dos á ios a o es e in e enien es do sis ema, pa icula men e no que diz espei o, a no as o mas de o ganização da p es ação de cuidados, no seu enquad amen o legal, bem como nos mecanismos pa a melho a a e e i idade e a dis ibuição equi a i a dos ecu sos e bene ícios [7]. Em Po ugal, a espos a a es e ipo de necessidades ma- e ializou-se na c iação da Rede Nacional de Cuidados Con inuados In eg ados (RNCCI). A RNCCI cons i ui um “conjun o de in e enções sequenciais de saúde e/ou de apoio social, deco en e de a aliação conjun a, cen a- do na ecupe ação global” [8] da pessoa em si uação de dependência. Es a ecupe ação pode se en endida como o “p ocesso e apêu ico e de apoio social, a i o e con í- nuo, que isa p omo e a au onomia melho ando a un- cionalidade da pessoa em si uação de dependência a a- és da sua eabili ação, eadap ação e einse ção amilia e social” [8]. A p es ação de cuidados in eg ados na RNC- CI é desen ol ida po qua o ipos de se iços dis in os: Unidades de In e namen o, Unidades de Ambula ó io, Equipas Hospi ala es e Equipas Domiciliá ias. No que diz espei o às Unidades de In e namen o es as subdi idem- se em Unidades de Con alescença, Unidades de Média Du ação e Reabili ação, Unidades de Longa Du ação e Manu enção e Unidades de Cuidados Palia i os [8]. O concei o in e nacional que se encon a mais p óxi- mo do que se en ende no nosso con ex o po “Cuidados Con inuados In eg ados” é o de Long-Te m Ca e (LTC). Con udo, a de inição de LTC não é unânime no seu âm- bi o e delimi ação. Uma dessas de inições, a da O ganiza- ção pa a a Coope ação e Desen ol imen o Económico (OCDE), conside a LTC como “a ange o se ices o pe sons who a e dependen on help wi h ac i i ies o dai- ly li ing o e an ex end pe iod o ime” [9]. Po acilidade de abo dagem, assumi -se-á o e mo Cuidados Con i- nuados (CC) como p oxy de LTC independen emen e das pa icula idades exis en es em cada país. Desde a sua c iação, em 2006, a RNCCI ap esen ou um c escimen o signi ica i o a é ao p esen e. Es e ac o pode se e idenciado pelo núme o de camas exis en es – de 646 em 2006 pa a 7.160 em 2014 – e pelo seu o çamen o glo- bal que p o ém conjun amen e do Minis é io da Saúde e Minis é io do T abalho, Solida iedade e Segu ança So- cial – de 3,2 milhões o çamen ados em 2006 aumen ou pa a 152,7 milhões no ano de 2014 [10]. Es e mon an e ep esen a ce ca de 2% do o çamen o o al do Se iço Na- cional de Saúde (SNS) e 0,1% do P odu o In e no B u o (PIB) po uguês. Apesa do c escimen o, Po ugal não se San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/ Félix/Mes e/Ma os/Moi a Po J Public Heal h 2017;35:114–125 116 DOI: 10.1159/000479756 encon a nos pad ões de a e ação de e bas obse ados em países como a Alemanha, Reino Unido ou Aus ália, onde os alo es se ap oximam de 1% do PIB [5, 11, 12]. Des a o ma, a ep esen a i idade do enómeno e o seu p e isí el c escimen o ob iga a in e enções cada ez mais cus o-e e i as po pa e dos di e en es agen es en- ol idos nas polí icas e ges ão dos CC. No en an o, não exis em mecanismos uni o mes e sis emá icos de ecolha, análise e a amen o da in o mação de cus os em CC no nosso país, pa icula men e no que espei a à sua compo- nen e analí ica. Nou os con ex os, a pa ilha des e ipo de in o mação é condição essencial pa a as o ganizações pode em desen ol e os seus se iços [13]. Face a es a indisponibilidade de in o mação de cus os, a de inição dos p eços a aplica na RNCCI e le iu a expec a i a de consumo de ecu sos es abelecida po um conjun o de pe i os em unção das ca ac e ís icas es u u ais dos p es- ado es de cuidados. Deco idos ce ca de 10 anos da implemen ação da RNCCI, o na-se p emen e a a aliação das ca ac e ís icas especí icas e di e enciado as do pe il dos u en es e a sua in luência no consumo de ecu sos. En e as ca ac e ís icas consensualmen e mais u ilizadas a ní el in e nacional des- acam-se as a iá eis sexo e idade apesa de a amen e se- em u ilizadas de o ma isolada [14–17]. Li e al. [18] e Kim e Kim [19] ac escen am, às a iá eis sexo e idade, o es ado de incapacidade como de e minan e da u ilização de cui- dados con inuados. Bo ayo e al. [20] sus en am que a u i- lização de cuidados con inuados é ambém in luenciada pelo es ado cogni i o, uncional, men al e ísico. De um modo ge al, conside a-se que u en es com maio es di icul- dades em ealiza ac i idades de ida diá ia, meno es ní- eis de au onomia ísica e uncional e pio es es ados cog- ni i os e men ais êm maio p obabilidade de u ilização de cuidados con inuado [21], ap esen ando uma maio p o- babilidade de in e namen o, jus i icada pela necessidade de maio in e enção pa a ecupe ação de au onomia [22]. A axonomia e e ida em es udos an e io es pa a iden- i icação de a o es associados ao consumo de ecu sos segue a abo dagem de inida nos abalhos ealizados po Ande sen e Newman [23] e Ande sen [24], que conside- am ês componen es p incipais: a o es p edisponen es, condições p opícias e a o es associados a necessidades especí icas [20, 25–27]. Na ca ego ia dos a o es p edis- ponen es es ão incluídas as ca ac e ís icas indi iduais al como a e nia, a idade e o es ado ci il [25]. O endimen o e a educação são a iá eis incluídas na ca ego ia e e en- e a condições p opícias [26]. E na ca ego ia de necessida- des especí icas incluem-se os a o es elacionados com doenças e incapacidades, bem como limi ações na eali- zação de a i idades de ida diá ia, es ado cogni i o, men- al, uncional e ísico [20]. Na RNCCI, pa e des a in o mação é ecolhida a a és do Ins umen o de A aliação In eg al (IAI), compos o po um conjun o de escalas de a aliação aplicada aos u en es nas dimensões biológica, psicológica e social (bio- psico-social). Es e ins umen o con ém in o mação eco- lhida pe iodicamen e dos u en es in e nados em Unida- des de Con alescença (UC), Unidades de Média Du ação e Reabili ação (UMDR), Unidades de Longa Du ação e Manu enção (ULDM) e Unidades de Cuidados Palia i os (UCP). De aco do com a Unidade de Missão pa a os Cuidados Con inuados [28], o obje i o do IAI consis e em a alia um conjun o de pe u bações ísicas, uncionais, men ais e sociais que in luenciam a au onomia dos indi íduos e que podendo se in e encionadas são u ilizadas pa a a cons ução de um plano indi idual de in e enção. O IAI oi desen ol ido ambém como ins umen o que pe mi e moni o iza a e olução do doen e de o ma uni o mizada e passí el de egis o in o ma izado. Foi cons uído com base em ins umen os in e nacionais alidados, como po exemplo o Índice de Ka z u ilizado pa a medi a au- onomia ísica [28]. Alguns dos a ibu os e ins umen os u ilizados no IAI já inham sido iden i icados po Bo elho [29] num es udo que p e endia e e ua uma a aliação mul idimensional de ca ác e uncional, biológico, men- al e social em idosos. Especi icamen e o IAI inco po ou pa e das a iá eis iden i icadas po Bo elho [29] medin- do-as a a és dos ins umen os u ilizados nesse es udo ou po adap ações aos mesmos. Pe an e o enquad amen o expos o e, em concomi ân- cia com a ausência de es udos nes a á ea em Po ugal, jus i ica-se a ealização de um abalho de in es igação que em como obje i os es ima o consumo de ecu sos, medido a a és da du ação de in e namen o em unidades de in e namen o em cuidados con inuados (UICC) em Po ugal, e analisa a sua associação com as ca ac e ís icas dos u en es e dos p es ado es de cuidados. Mé odos Desenho do Es udo Foi desen ol ido um es udo ans e sal e e ospe i o pa a es- ima o consumo de ecu sos em unidades de in e namen o em cuidados con inuados (UICC), medido a a és da du ação de in- e namen o. A elação en e o consumo de ecu sos e as ca ac e- ís icas dos u en es oi a e ida a a és de eg essão linea múl ipla, endo-se especi icado dois ipos de modelos: incluindo apenas as ca ac e ís icas biopsicossociais dos u en es ou incluindo ambém as ca ac e ís icas dos p es ado es. Consumo de Recu sos em Unidades de Cuidados Con inuados 117 Po J Public Heal h 2017;35:114–125 DOI: 10.1159/000479756 Fon es de In o mação e C i é ios de Exclusão Os dados u ilizados no es udo o am ex aídos do sis ema de in o mação “Ges Ca e Cuidados Con inuados In eg ado” desen- ol ido pela RNCCI, endo sido cedidos pela Adminis ação Cen- al do Sis ema de Saúde (ACSS) de o ma anonimizada. Conside a am-se odos os episódios de in e namen o das Uni- dades de Con alescença (UC), Unidades de Média Du ação e Rea- bili ação (UMDR) e Unidades de Longa Du ação e Manu enção (ULDM) em que se e i icasse cumula i amen e a admissão e al a nos anos 2010–2012. Pa a cada episódio ob e e-se in o mação ela i a a: sexo, idade, queixas de saúde, isco de quedas, locomoção, au onomia ísica, es ado cogni i o, ipologia de unidade, egião de saúde e núme o de dias de in e namen o. Sis ema iza-se na Tabela 1 as a iá eis conside adas no nosso es udo que co espondem aos sco es dos domínios do IAI. A o ma de ob enção des es sco es esul a da combinação das a iá eis especí icas que compõem cada um dos domínios. A in o mação que nos oi disponibilizada apenas con- inha os sco es dos domínios, p e iamen e calculados pelas eg as que se explici am na Tabela 1. Du an e a ase de alidação da consis ência da in o mação o- am excluídos: (1) 212 episódios cujo empo de in e namen o e a in e io a 0 dias; (2) 13.505 episódios cujo núme o de iden i icação se epe ia apesa de se a a de episódios em unidades dis in as; (3) 1.883 episódios em que a da a de sinalização do doen e à RNC- CI e a pos e io à da a de admissão ao in e namen o. A amos a inal oi cons i uída po 30.090 episódios, ela i os a 28.164 u en- es. Análise Desc i i a e Modelos de Reg essão A análise desc i i a das a iá eis nominais oi ealizada a a és da sua dis ibuição, equência absolu a e ela i a. Pa a a du ação de in e namen o, o am u ilizadas medidas de endência cen al e medidas de dispe são endo-se eco ido a aná- lise de a iância a dois a o es (ANOVA wo-way) e ao es e não pa amé ico de K uskal-Wallis pa a es uda a associação en e as a iá eis egião e ipologia de unidade. Uma ez que a dis ibuição da du ação de in e namen o po egião pode ia se in luenciada pela exp essão ela i a de cada i- pologia em cada egião, p osseguiu-se a análise desc i i a com o es udo da a iância a dois a o es ( egião e ipologia) pa a a a iá- el dependen e ans o mada pelo seu loga i mo na u al. A ans o mação da a iá el dependen e pelo seu loga i mo na u al pe mi iu melho a as p op iedades es a ís icas da a iá- el na u al e in e p e a os coe icien es de eg essão como a ia- ções pe cen uais, uma ez que se cons a ou que o empo de in- e namen o ap esen a a uma dis ibuição assimé ica à esque - da e lep ocú ica e a homogeneidade das a iâncias não podia se assumida pelo es e de Le ene, endo-se des a o ma op ado pela u ilização do loga i mo na u al pa a ans o mação da a- iá el. A exis ência de di e enças signi ica i as en e a du ação mé- dia de in e namen o po egião e po ipologia e que pa a uma p obabilidade de e o ipo I de 5%, e idenciou uma in e ação signi ica i a en e o a o ipologia e o a o egião, i.e., o a o ipologia in luencia a a espos a da a iá el dependen e ao a o egião. A u ilização do es e não pa amé ico de K uskal-Wallis pe mi- iu conclui , pa a odos os pa es possí eis de a iá el dependen e/ a iá el independen e e pa a qualque ní el de signi icância (p < 0,001), que exis iam di e enças na du ação média de in e na- men o en e as classes que compõem cada uma das a iá eis inde- penden es. No sen ido de a alia a elação uncional en e a du ação de in e namen o e os seus p edi o es, desen ol e am-se dois modelos de eg essão linea múl ipla. O modelo 1, onde se a alia o impac o das ca ac e ís icas indi- iduais dos u en es na a iabilidade do empo de in e namen o não conside ando ou con olando as a iá eis associadas às ca ac- e ís icas dos p es ado es de cuidados. O modelo 2 in oduz ambém as ca ac e ís icas da es u u a assis encial, designadamen e ipologia e egião de saúde em que as unidades de in e namen o es ão implemen adas, pe mi indo a e i o impac o das ca ac e ís icas indi iduais dos u en es na a iabili- dade do empo de in e namen o, con olando as di e enças exis- en es en e ipologias e egiões. Faz-se no a que o es ado uncional dos u en es, medido a a- és da au onomia ísica no momen o da p imei a a aliação, apesa de ap esen ado na es a ís ica desc i i a, não oi incluído nos mo- delos ado ados. Tal de eu-se ao ac o de pa a as duas classes mais p e alen es (incapaz e dependen e), se e de e ado alo es dos a- o es de in lação da a iância bas an e supe io es aos limia es má- ximos comummen e acei es (VIF ≤10) [32], indiciando a p esença de mul i-colinea iedade. Pa a analisa a impo ância das ca ac e ís icas indi iduais na de e minação do consumo de ecu sos, a especi icação dos mo- delos an e io men e e e idos segue uma eg essão linea múl i- pla ealizada pelo mé odo dos mínimos quad ados o diná ios do ipo Yj = β0 + βi.Xj + εj (j = 1, …, n) em que: Yj = loga i mo na- u al da du ação de in e namen o; β0 = cons an e; βi = medida da in luência de Xi em Y; Xij = e o das a iá eis independen es; εj = e o. Todas as a iá eis independen es Xij são ca egó icas, endo-se op ado po dico omiza cada uma das classes de cada a iá el in- dependen e, assumido como classes de e e ência a ipologia con- alescença, a egião de saúde No e, o sexo masculino, o g upo e á io 18–49 anos, os episódios cujos u en es na p imei a a aliação biopsicossocial não ap esen a am queixas de saúde, o isco de que- das bom, a capacidade de locomoção independen e e o es ado cog- ni i o bom. Assim, po exemplo pa a a a iá el sexo, o expoen e do coe i- cien e βi sub aído de 1 e mul iplicado po 100, de e se in e p e- ado como a al e ação pe cen ual em Yj (dias de in e namen o) associada ao sexo eminino, i.e., a pe cen agem de dias de in e na- men o que os u en es do sexo eminino êm a mais (ou a menos) do que o sexo masculino, man endo udo o es o cons an e. Pa a lida com a al a de no malidade e homocedas icidade dos esíduos o am conside ados os e os pad ão obus os es imados pelo mé odo de Hube -Whi e. Foi conside ada uma p obabilidade de e o de ipo I de 0,05. Po úl imo e como o ma de especi ica a análise desen ol ida, op ou-se po desen ol e adicionalmen e ês modelos de eg es- são, um po cada ipologia de unidade, em que se conside a am odas as ca ac e ís icas indi iduais dos u en es con olando as di- e enças egionais exis en es. A análise de dados oi e e uada eco endo aos so wa es es a- ís icos SPSS V20.0 e S a a 13.0. San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/ Félix/Mes e/Ma os/Moi a Po J Public Heal h 2017;35:114–125 118 DOI: 10.1159/000479756 Ap esen ação de Resul ados A amos a conside ada no p esen e es udo oi de 30.090 episódios de in e namen o em unidades de in e - namen o de CCI associados a 28.164 u en es. No espei an e às ca ac e ís icas da amos a (Tabela 2), e i ica-se uma maio p e alência de episódios associa- dos à ipologia de con alescença e às egiões No e e Cen- o do país. Table 1. Desc ição das a iá eis em es udo Composição da a iá el Es a i icação Sco e/Mé ica Es a i icação em 2 classes baseada numa a iá el “sexo do u en e” 0 – Feminino 1 – Masculino Valo obse ado na a iá el sexo Es a i icação em 4 classes baseada na aixa e á ia do u en e 0 – 80 anos ou mais 1 – 65–79 anos 2 – 50–64 anos 3 – 18–49 anos Valo obse ado na a iá el idade Queixas de saúde codi icadas pelo ICPC2, baseadas em 5 a iá eis especí icasa0 – Com queixas 3 – Sem queixas Meno pon uação das a iá eis especí icas Oco ência de quedas an e io es, ci cuns âncias em que oco e am e sequelas associadas, baseadas em 4 a iá eis especí icasb 0 – Mau 1 – Insa is a ó io 2 – Sa is a ó io 3 – Bom Média da pon uação das a iá eis especí icas Capacidade de locomoção do indi íduo e dependência ace a meios, baseadas em 4 a iá eis especí icasc Adap ado de Bo elho [29] 0 – Incapaz 1 – Dependen e 2 – Independen e 3 – Au ónomo Meno pon uação das a iá eis especí icas Au onomia ísica do indi íduo pa a ealiza a i idades da ida diá ia baseada em 9 a iá eis especí icasd Baseado no Índice de Ka z [30] 0 – Incapaz 1– Dependen e 2 – Independen e 3 – Au ónomo Meno pon uação das a iá eis especí icas O ien ação do indi íduo no espaço e no empo Exce o do Mini Men al S a e p opos o po Fols ein e al. [31] 0 – Mau 1 – Insa is a ó io 2 – Sa is a ó io 3 – Bom Média da pon uação das a iá eis especí icas Tipologia de unidade na RNCCI Unidade de longa du ação Unidade de média du ação Unidade de con alescença Valo obse ado na a iá el ipo de unidade Iden i ica qual a egião de saúde onde oco eu cada episódio segundo a localização da unidade p es ado a No e Cen o LVT Alen ejo Alga e Valo obse ado na a iá el egião de saúde Núme o de dias de pe manência em luga da ede em cada episódio, di ididos em 3 ní eis que co espondem à u ilização p e is a pa a cada ipo de unidade Dias de in e namen o Núme o de dias de in e namen o aQueixas músculo – esquelé icas, de isão, de audição, de pele e de ou os ó gãos/sis emas. bNúme o de que- das no úl imo ano, momen o de queda, mo i o de queda e sequelas de queda. cAnda em casa, anda na ua, u iliza escadas e locomoção e meios pa a isão e audição. dLa a -se/ oma banho, es i -se/despi -se, usa a sani a e/ou bacio/u inol, dei a -se/le an a -se da cama, sen a -se/le an a -se de cadei as, con ola a u ina, con- ola as ezes, alimen a -se/come e au onomia ísica e meios pa a isão e audição. Consumo de Recu sos em Unidades de Cuidados Con inuados 119 Po J Public Heal h 2017;35:114–125 DOI: 10.1159/000479756 Obse ou-se ambém uma pe cen agem mais ele ada de episódios associados a u en es do sexo eminino, com idade igual ou supe io a 65 anos, que ap esen am queixas de saúde, com uma a aliação boa ela i amen e ao isco de quedas, maio i a iamen e incapazes no que espei a à sua capacidade de locomoção, dependen es ou incapazes no que espei a à sua au onomia ísica e com uma con- cen ação ele ada nas classes ex emas no que espei a ao es ado cogni i o. A a és da Tabela 3, podemos obse a os esul ados desc i i os das a iá eis em es udo. Assim, pode-se cons- a a que a du ação de in e namen o ap esen ou uma dis- pe são signi ica i a, independen emen e da desag egação ado ada. Em média, a du ação de in e namen o nas unida- des de con alescença oi de 34,2 dias, 84,1 dias nas unida- des de média du ação e eabili ação e 106 dias nas unidades de longa du ação e manu enção, compo amen o espe ado conside ando os c i é ios de e e enciação es abelecidos. De no a que a du ação média de in e namen o nas unida- des de con alescença oi supe io ao empo de in e na- men o máximo e e encial ado ado (30 dias): 28,6% dos episódios nas unidades de con alescença ap esen a am empo de in e namen o supe io a 30 dias. A desag egação po egião de saúde ambém pe mi iu cons a a a a iabilidade da du ação média de in e na- men o, e i icando-se que a egião mais ep esen ada (No e) oi ambém onde se obse ou uma du ação mé- dia de in e namen o mais eduzida (54,3 dias). Table 2. Ca ac e ís icas da amos a Va iá el n%n% Sexo  Queixas de saúde Feminino 17.292 57,5 Com queixas 17.036 56,6 Masculino 12.798 42,5 Sem queixas 12.824 42,6 G upo e á io  Missing 230 0,8 18–50 anos 1.558 5,2 Risco de quedas 50–65 anos 4.220 14,0 Bom 19.510 64,8 65–80 anos 12.416 41,3 Sa is a ó io 179 0,6 ≥80 anos 11.896 39,5 Insa is a ó io 4.498 14,9 Tipologia   Mau 5.903 19,6 Con alescença 13.948 46,4 Locomoção Média du ação 9.959 33,1 Independen e 1.614 5,4 Longa du ação 6.183 20,5 Au ónomo 2.542 8,4 Du ação de in e namen o   Dependen e 7.175 23,8 ≤30 dias 13.177 43,8 Incapaz 18.759 62,3 30–90 dias 12.054 40,1 Au onomia ísica >90 dias 4.859 16,1 Independen e 220 0,7 Região Au ónomo 685 2,3 Alen ejo 2.943 9,8 Dependen e 16.175 53,8 Alga e 358 1,2 Incapaz 13.010 43,2 Cen o 9.000 29,9 Es ado cogni i o Lisboa e V. Tejo 4.221 14,0 Bom 11.912 39,6 No e 13.568 45,1 Sa is a ó io 3.959 13,2  Insa is a ó io 3.804 12,6 Mau 10.415 34,6 Table 3. Demo a-média de in e namen o po ipologia e egião  Média Des io pad ão Coe icien e de a iação, % To al 65,47 73,85 112,8 Tipologia Con alescença 34,22 22,76 66,5 Média du ação 84,09 53,17 63,2 Longa du ação 106,01 128,13 120,9 Região Alen ejo 67,62 60,87 90,0 Alga e 57,07 81,61 143,0 Cen o 75,16 74,50 99,1 Lisboa e V. Tejo 80,07 87,73 109,6 No e 54,26 69,17 127,5 San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/ Félix/Mes e/Ma os/Moi a Po J Public Heal h 2017;35:114–125 120 DOI: 10.1159/000479756 Os esul ados dos modelos de eg essão u ilizados pa a es ima a elação en e consumo de ecu sos e ca ac e ís- icas biopsicossociais encon am-se na Tabela 4. De uma o ma ge al, e i ica-se que a capacidade ex- plica i a dos modelos é ela i amen e eduzida, uma ez que os seus coe icien es de de e minação são de 0,017 pa a o modelo 1 e que, embo a a inclusão das ca ac e ís- icas ela i as à o e a aumen e signi ica i amen e a capa- cidade do modelo, es a ainda se man ém ela i amen e eduzida (0,194). Da análise da elação en e a iá eis, e i ica-se que no modelo 1, o sexo eminino ap esen a um empo de in e - namen o 7,6% supe io ao e i icado no sexo masculino (p < 0,01) man endo odas as es an es ca ac e ís icas in- di iduais cons an es. O con olo das di e enças da du a- ção de in e namen o associadas à o e a assis encial (mo- Table 4. Resul ados das eg essões linea es (du ação de in e namen o e ca ac e ís icas biopsicossociais) Va . dependen e: Log da du ação de in e namen o Modelo 1 (sem ipologia e egião do p es ado ) Modelo 2 (incluindo ipologia e egião do p es ado ) Sexo ( e . Masculino) Feminino 0,0728*** 0,102*** [0,0109] [0,00993] G upo e á io ( e . 18–49 anos) 50–64 anos 0,0278 0,104*** [0,0287] [0,0263] 65–79 anos 0,00335 0,0648*** [0,0266] [0,0246] ≥80 anos –0,0113 0,00639 [0,0273] [0,0253] Queixas de saúde ( e . Sem Queixas) Com Queixas –0,0134 –0,0118 [0,0105] [0,00948] A aliação de quedas ( e . Bom) Sa is a ó io 0,0474 –0,0226 [0,0649] [0,0590] Insa is a ó io 0,118*** 0,0648*** [0,0148] [0,0132] Mau 0,0782*** 0,0953*** [0,0129] [0,0115] Locomoção ( e . Independen e) Au ónomo –0,0539** –0,0220 [0,0259] [0,0230] Dependen e –0,0481** –0,0318 [0,0233] [0,0210] Incapaz 0,0278 –0,0325 [0,0224] [0,0204] Cogni i o ( e . Bom) Sa is a ó io 0,0908*** –0,00215 [0,0147] [0,0127] Insa is a ó io 0,176*** –0,0214 [0,0163] [0,0146] Mau 0,208*** –0,0980*** [0,0132] [0,0128] Cons an e 3,615*** 3,207*** [0,0331] [0,0307] Tipologia e egião N S Obse ações 29.860 29.860 R20,017 0,194 Sig. es a ís ica: *10%; **5%; ***1%. E os pad ão obus os. Consumo de Recu sos em Unidades de Cuidados Con inuados 121 Po J Public Heal h 2017;35:114–125 DOI: 10.1159/000479756 delo 2), pe mi e ambém conclui que o sexo eminino ap esen a um empo de in e namen o 10,7% supe io ao sexo masculino, ce e is pa ibus. A a iá el idade apenas ap esen a signi icância es a ís- ica pa a explica a a iabilidade da du ação de in e na- men o quando as ca ac e ís icas associadas à o e a são incluídas e apenas pa a as aixas e á ias dos 50 aos 64 anos e dos 65 aos 79 anos: os u en es com idades comp eendi- das en e os 50 e os 64 anos ap esen am uma du ação de in e namen o 11% supe io aos u en es com idades en e 18 e 49 anos, conside ando odas as es an es ca ac e ís- icas cons an es. A p esença de queixas de saúde no momen o da p i- mei a a aliação biopsicossocial não ap esen a signi icân- cia es a ís ica pa a a explicação da a iabilidade da du a- ção de in e namen o. Table 5. Resul ados das eg essões linea es po ipologia de unidade (du ação de in e namen o e ca ac e ís icas biopsicossociais) Va . dependen e: Log da du ação de in e namen o Con alescença Média du ação Longa du ação Sexo ( e . Masculino) Feminino 0,0543*** 0,140*** 0,136*** [0,00974] [0,0178] [0,0317] G upo e á io ( e . 18–49 anos) 50–64 anos 0,105*** 0,119*** 0,107 [0,0272] [0,0444] [0,107] 65–79 anos 0,0962*** 0,0666*0,00421 [0,0261] [0,0402] [0,0932] ≥80 anos 0,0417 –0,00861 –0,0391 [0,0272] [0,0410] [0,0922] Queixas de saúde ( e . Sem queixas) Com Queixas –0,0257*** –0,00440 0,00309 [0,00905] [0,0175] [0,0325] A aliação de quedas ( e . Bom) Sa is a ó io –0,0148 –0,151 0,108 [0,0525] [0,128] [0,133] Insa is a ó io 0,0237*0,0930*** 0,0943** [0,0143] [0,0229] [0,0409] Mau 0,0747*** 0,0967*** 0,127*** [0,0113] [0,0204] [0,0471] Locomoção ( e . Independen e) Au ónomo –0,0124 –0,0376 0,124 [0,0216] [0,0444] [0,144] Dependen e –0,0324 –0,0334 0,0914 [0,0206] [0,0375] [0,126] Incapaz –0,00504 –0,0521 0,107 [0,0200] [0,0352] [0,123] Cogni i o ( e . Bom) Sa is a ó io –0,00202 0,0131 –0,0507 [0,0129] [0,0241] [0,0641] Insa is a ó io –0,0611*** –0,0106 0,0254 [0,0167] [0,0246] [0,0549] Mau –0,0878*** –0,122*** –0,0145 [0,0156] [0,0209] [0,0424] Cons an e 3,194*** 4,096*** 3,596*** [0,0319] [0,0502] [0,162] Região de Saúde S S S Obse ações 13.877 9.862 6.121 R20,082 0,023 0,038 Sig. es a ís ica: *10%; **5%; ***1%. E os pad ão obus os. San ana/Ma ques/Lopes/Bo o/Telles/ Félix/Mes e/Ma os/Moi a Po J Public Heal h 2017;35:114–125 122 DOI: 10.1159/000479756 Po sua ez, a a aliação da capacidade de locomoção suge e uma ausência de capacidade p edi i a pa a a a- iabilidade da du ação de in e namen o, apesa de, pa a 95% de con iança e apenas quando as ca ac e ís icas da o e a não são con oladas, exis i signi icância es a ís- ica pa a as classes au ónomo e dependen e quando compa adas com a classe de e e ência independen e. U en es a aliados com um isco de quedas insa is a ó- io ou mau ap esen am du ações de in e namen o signi- ica i amen e supe io es aos u en es sem isco de quedas. O es ado cogni i o dos u en es no momen o da p i- mei a a aliação, quando não são con oladas as ca ac e- ís icas da o e a de cuidados e endo po e e ência os u en es com bom es ado cogni i o, ap esen a alo es po- si i os e c escen es à medida que o es ado cogni i o de- c esce, i.e., apa en emen e a du ação de in e namen o c esce com o aumen o da incapacidade cogni i a. Con u- do, após inclusão das a iá eis e e en es à ipologia e e- gião de saúde, a elação pe de ele ância es a ís ica, sendo que pa a o pio es ado cogni i o é possí el inclusi e en- con a uma elação in e sa, i.e., u en es com mau es ado cogni i o ap esen am du ações de in e namen o 9,3% mais eduzidas do que u en es com bom es ado cogni i o, man endo odas as es an es ca ac e ís icas cons an es. Não obs an e as limi ações ap esen adas e conside an- do que a ele ância das ca ac e ís icas indi iduais em cada ipologia pode ia não e exp essão semelhan e e ap esen a -se como a o de con undimen o, op ou-se po desen ol e ês modelos de eg essão, um po cada ipologia, conside ando odas as ca ac e ís icas indi i- duais e con olando as di e enças egionais exis en es. Os esul ados des es modelos ap esen am-se na Tabela 5. Rela i amen e à a iá el sexo, é possí el con i ma que as mulhe es ap esen am em odas as ipologias uma du ação de in e namen o supe io aos homens, sendo que as di e enças são mais exp essi as nas unidades de média du ação. A idade apenas ap esen a capacidade p edi i a da du- ação de in e namen o nas classes e á ias 50–64 anos e 65–79 anos, sendo que pa a as unidades de longa du ação, a idade não em pode explica i o es a is icamen e signi- ica i o em nenhuma das classes e á ias. A ap esen ação de queixas de saúde pelos u en es no momen o da p imei a a aliação biopsicossocial em uni- dades de con alescença ap esen a-se como a o p o e o ela i amen e à du ação de in e namen o, i.e., es es u en- es ap esen am uma du ação de in e namen o 2,5% in e- io aos u en es que não ap esen am queixas. A capacidade de locomoção não ap esen a capacidade p edi i a pa a nenhuma das ipologias de cuidados. U en es com a aliação de isco de quedas insa is a ó- io ou mau ap esen am empos de in e namen o signi i- ca i amen e supe io es aos u en es cujo isco é a aliado como bom em odas as ipologias de cuidados, sendo que es e a o ap esen a maio capacidade disc imina ó ia nas unidades de longa du ação. Rela i amen e ao es ado cogni i o é possí el conclui que não ap esen a capacidade p edi i a da du ação de in- e namen o nas unidades de longa du ação. Con udo, u en es das unidades de con alescença com es ado cogni- i o insa is a ó io ou mau e u en es das unidades de mé- dia du ação com es ado cogni i o mau, ap esen am du- ações de in e namen o signi ica i amen e mais eduzi- das do que u en es com bom es ado cogni i o. A desag egação da análise po ipologia de in e na- men o pa ece con i ma que as ca ac e ís icas indi iduais conside adas ap esen am eduzida capacidade p edi i a da a iabilidade da du ação de in e namen o, o que se encon a plasmado nos coe icien es de de e minação e- duzidos que o am ob idos. Discussão Os esul ados apu ados suge em que o consumo de ecu sos es á maio i a iamen e associado às ca ac e ís i- cas dos p es ado es de cuidados. De ac o, a inclusão da ipologia e da egião no modelo de eg essão aumen ou signi ica i amen e a capacidade p edi i a do modelo (0,194), suge indo que as ca ac e ís icas dos p es ado es de cuidados e o condicionamen o da e e enciação dos u en es em unção da es u u a exis en e êm um pode explica i o subs ancialmen e mais ele ado do que as ca- ac e ís icas indi iduais dos u en es. Num es udo se- melhan e, e i icou-se que as ca ac e ís icas da o e a pe mi em explica ce ca de 24% da a iação do consumo de ecu sos [33]. No que diz espei o às ca ac e ís icas dos u en es, e- i icamos que apenas a a iá el sexo ap esen a capacida- de p edi i a do consumo de ecu sos em odos os mode- los, sendo que o sexo eminino ap esen a uma du ação de in e namen o supe io à do sexo masculino. Es e esul a- do é consis en e com ou os es udos que, em con ex o de eabili ação de aciden e ascula ce eb al, sus en am que es as di e enças de géne o podem se explicadas pelo ac- o de as mulhe es ap esen a em pio es es ados uncionais na admissão, meno es apoios sociais, exis indo ambém um maio núme o de mulhe es com es ado ci il de iu ez e a i e sozinhas [34].