Resea ch A icle
Po J Public Heal h 2017;35:84–100
Incapacidade Funcional e Ambien e
Subu bano: P opos a de Tipologia pa a
uma Relação Di ícil
Jo ge Manuel Gonçal es a Ma a Cas ilho Gomes a Luís Ca alho b
So ia Ezequiel a
a CERIS – In es igação e Ino ação em Engenha ia Ci il pa a a Sus en abilidade, Ins i u o Supe io Técnico,
Uni e sidade de Lisboa, Lisbon, Po ugal; b CIAUD – Cen o de In es igação em A qui e u a, U banismo e Design,
Faculdade de A qui e u a, Uni e sidade de Lisboa, Lisbon, Po ugal
Recei ed: Oc obe 25, 2014
Accep ed: Ap il 10, 2017
Published online: Oc obe 2, 2017
Jo ge Manuel Gonçal es, PhD
CERIS – In es igação e Ino ação em Engenha ia Ci il pa a a Sus en abilidade
Ins i u o Supe io Técnico, Uni e sidade de Lisboa
PT–1049-001 Lisbon (Po ugal)
E-Mail jo gemgoncal es @ ecnico.ulisboa.p
© 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel
on behal o Escola Nacional de Saúde Pública
E-Mail ka ge @ka ge .com
www.ka ge .com/pjp
DOI: 10.1159/000477651
Pala as Cha e
Subú bios · Incapacidade uncional · U banismo ·
Planeamen o u bano
Resumo
In odução: P e endeu-se conhece a desigual dis ibuição
dos indi íduos que ap esen am incapacidades uncionais
ligadas à audição, à isão e ao anda no espaço subu bano
de Lisboa. Mé odos: A a iculação en e a iá eis e unidades
e i o iais esul ou numa ipologia que ajuda a di e encia
es es e i ó ios e, inalmen e, pe mi iu a c iação de uma ca -
og a ia subu bana que elaciona, nas á eas mais p ob-
lemá icas, episódios de incapacidade uncional e u banis-
mo. Resul ados: Das 40 a iá eis ecolhidas e i icou-se que
com apenas oi o oi possí el desc e e a ealidade das 26
eguesias que ap esen am uma axa de isco bas an e aci-
ma da média na concen ação de pessoas com di iculdades
uncionais. Es as eguesias es ão assime icamen e dis-
ibuídas: 10 no no e e 16 no sul da Á ea Me opoli ana. A
aplicação da análise de clus e s pe mi iu di e encia es as
eguesias em qua o ipos dis in os: pola izado e en elhe-
cido; desquali icado e esidencial; an igo e u al; pouco aces-
sí el e di e so. Conclusão: Conside a-se que os esul ados
ob idos a pa i da in es igação desen ol ida con ibuem
pa a o e o ço do conhecimen o do e ei o acele ado ou ini-
bido do u banismo na in eg ação de populações com inca-
pacidades uncionais e pa a a o mulação de polí icas u ba-
nas mais adequadas, e icazes mas ambém di e enciadas,
isando a inclusão sociou bana des es indi íduos.
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Func ional Disabili ies and Subu ban En i onmen :
P oposal o a Typology o a Di icul Rela ionship
Keywo ds
Subu bs · Func ional disabili ies · U banism · U ban
planning
Abs ac
In oduc ion: In his a icle, he unequal dis ibu ion o
indi iduals wi h unc ional disabili ies linked o hea ing,
ision, and walking in he subu ban a ea o Lisbon was
s udied. Me hods: The ela ionship be ween a iables
and e i o ial uni s esul ed in a ypology ha helps di -
e en ia e hese e i o ies and, inally, allowed he c e-
a ion o a map o he subu bs ha co ela es episodes o
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NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense).
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unc ional disabili y and u banism in he oubled a eas.
Resul s: F om he 40 a iables collec ed, only 8 we e able
o desc ibe he eali y o he 26 pa ishes ha p esen a isk
a e well abo e he a e age concen a ion o people wi h
unc ional di icul ies. These pa ishes a e asymme ically
dis ibu ed: 10 in he no h and 16 in he sou h o he me -
opoli an a ea. The me hodology o clus e analysis al-
lowed di e en ia ing hese pa ishes in o 4 di e en ypes:
pola ize and aging; disquali ied and esiden ial; old and
u al; less accessible and di e se. Conclusion: We consid-
e ha he esul s ob ained om he de eloped esea ch
may con ibu e o u he he knowledge o he e ec s o
u banism as a ac o in p omo ing o inhibi ing he in e-
g a ion o people wi h unc ional disabili ies, and hus in
he design o mo e app op ia e, e ec i e bu also di e -
en ia ed u ban policies aimed a he social and u ban in-
clusion o hese indi iduals.
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In odução
O mundo assis e a uma ansição p o unda que se de-
sen ol e a pa i das mudanças u banas e demog á icas.
Dada a sua ele ância podemos ala mesmo de duas
ansições que conco em pa a a g ande ans o mação
do plane a habi ado [1]: Em 2050, po ia da ansição
demog á ica, os indi íduos com mais de 60 anos podem
chega aos dois mil milhões es ando em ce ca de 80%
dos casos em países desen ol idos [2]; po ou o lado, a
ansição u bana es á e le ida no ac o de que a pa i
de 2007 mais de me ade da população do plane a passou
a i e em cidades sendo que essa endência con inua
mui o cla a sob e udo em países em desen ol imen o
[3, 4].
A conjugação de um mundo u bano com um mundo
mais idoso aca e a no as p eocupações que com os in-
di íduos que com os ambien es de ida quo idiana onde
se mo em [5–8].
S eels [1] e elou ecen emen e a exis ência de uma
ampla in es igação ei a já nes e século sob e es es domí-
nios, sis ema izando os p incipais modelos e quad os de
análise cons uídos e elado es da iqueza das abo da-
gens p oduzidas. A as a e isão da li e a u a que le ou a
e ei o culminou na iden i icação das ca ac e ís icas-cha e
que uma cidade ou comunidade age- iendly de e iam
e idencia , designadamen e, a coope ação en e s akehol-
de s, a inclusão de pessoas idosas, ou o empenho dos de-
ciso es poli icos, en e ou as.
Algumas cidades são es u u almen e mais adequadas
pa a indi íduos que ão e elando uma p og essi a dimi-
nuição das suas capacidades uncionais mas, an o nesse
caso como nas que exigem uma u gen e equali icação
u bana, as in e enções u banas necessá ias acabam po
e de se múl iplas ge ando impo an es a o es de ensão
[9].
As p eocupações de i adas das incapacidades uncio-
nais ligadas a di iculdades de isão, audição e anda no
quo idiano dos cidadãos que esidem em espaços u bani-
zados jus i icam-se que pelas limi ações que podem sig-
ni ica pa a a ida dos indi íduos [10] que pelo que po-
dem ep esen a em e mos de qualidade da cidade que
es amos a conside a .
O In e na ional T anspo Fo um (ITF) [11] sublinha
a odo o momen o a ele ância da pedonalidade e sob e-
udo do seu exe cício pa a a condição ísica dos indi í-
duos, pa a a sua socialização e inclusão social e pa a a sua
au onomia uncional. Numa ou a pe spe i a, a p omo-
ção des e ipo de mobilidade, que é g a ui a e li e de
emissões noci as pa a o ambien e, az diminui o á ego
mo o izado, o na as cidades mais amigá eis e i idas e
pe mi e uma pa ilha de usos mais equilib ada. Con udo,
de aco do com o ITF [11] mais de 400 mil peões mo em
anualmen e no mundo de ido a aciden es com ia u as
mo o izadas. O ITF [11] e ela ainda que, apesa da po-
pulação com mais de 65 anos se in e io a 20% do o al,
é a que mais se ê, em ce ca de 50% dos casos, en ol ida
nes as a alidades.
Uma das ideias de pa ida cen ais pa a es a in es iga-
ção é que as incapacidades uncionais dos indi íduos o-
am sob e udo adqui idas ao longo da ida mas, na u al-
men e, de o ma mais acele ada a pa i de idades mais
a ançadas. Toda ia, es a pesquisa cen ou-se nos indi í-
duos com incapacidades uncionais independen emen e
da sua idade e a é da possibilidade da incapacidade indi-
cada se apenas empo á ia. Uma segunda ideia liga-se ao
ac o de não se conside a , nes e caso, o con ex o como
esponsá el pelo ap o undamen o daquelas incapacida-
des, mas sim pelo alas amen o das suas consequências na
qualidade de ida dos indi íduos. É ambém cla o que
es as de e minan es indi iduais conjugadas com de e -
minan es con ex uais des a o á eis não só êm impac o
na ida quo idiana, ge ando mais incómodos e limi a-
ções, como pode ão i a a e a a saúde do indi íduo a a-
és da “ al a de con olo, baixa au oes ima, s ess, isola-
men o social, ansiedade e solidão” [12].
Toda ia, a a e ição da qualidade do con ex o não pas-
sa, nes e caso conc e o, pela conside ação do modelo de
ampli icação da p i ação dos luga es enunciado po Ma-
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cin y e e al. [13] que se ca ac e iza po uma desquali ica-
ção do con ex o u bano, ambien al e social. Aliás, No-
guei a [12] deixa bem cla o que a endência é gene aliza-
da ou, como a i ma, “há um cí culo icioso de deg adação
dos luga es que ampli ica a ulne abilidade indi idual, no
qual a p i ação em um papel-cha e.” Na mesma linha
pa ecem segui o abalho de in es igação desen ol ido
po Ribei o e al. [14, 15] onde se apon a pa a uma en-
dência de melho ia da condição ísica dos indi íduos, de-
signadamen e dos idosos, em con ex os u banos mais
quali icados ou, de o ma mais p ecisa, quando es es o e-
ecem pa ques e espaços de laze de p oximidade. A con-
sequência mais ób ia des as condições u banas é a de pe -
mi i o adiamen o das limi ações ísicas que endencial-
men e su gem em pessoas de idade mais a ançada.
Es a desigualdade me opoli ana, que se desdob a em
mui os ou os domínios, não pode ia deixa de se aze
sen i na saúde dos seus esiden es [16]: po um lado, im-
pondo p oblemas aos seus u ilizado es mais equen es
pelas condições ambien ais, sociais e u banas que lhes
p opo ciona [17]; po ou o lado, e é nes a pe spe i a que
nos si uamos, em elação às limi ações ísicas p é-sen i-
das pelos seus esiden es, is o é, ag a ando-as no caso de
má qualidade ou a enuando-as no caso de espaços quali-
icados [18].
A adequação do espaço u bano à mul iplicidade dos
seus u ilizado es de i a mui o dos p incípios que p esidi-
am à sua concepção. Como a i ma Gonçal es e al. [19]:
O espaço me opoli ano de Lisboa egis ou ciclos de expansão-
- e ação quase semp e comandados pela o ma como a capi al oi
eagindo ao quad o económico e inancei o in e nacional e nacio-
nal. Os ciclos de expansão e de e ação não se ma e ializam sem-
p e do mesmo modo. No caso dos p imei os é possí el encon a -
se desde a habi ação cole i a e uni amilia de génese clandes ina
a é a mui os ou os o ma os de cons ução de espaço u bano bas-
an e mais quali icados; no caso do segundo os mais ób ios ela-
cionam-se com um g ande uni e so de de olu os, azios u banos,
espaços deg adados, po exemplo.
En e uns e ou os é ácil pe cebe como o quad o de
ida dos u ilizado es das cidades pode se a e ado em es-
pecial se egis a em um de e minado g au de incapacida-
de uncional [20].
Pa a além des es aspe os impo a ainda e e i um ou-
o com o qual es e ema se elaciona de o ma mui o in-
ensa: o en elhecimen o da população. Com e ei o, a pa -
e da espe ança média de ida passada sem incapacidade
uncional oi medida em Po ugal pa a os anos de
1995/1996 [21, 22] em apenas 44% pa a as mulhe es e
57% pa a os homens, com idades comp eendidas en e os
65 e os 69 anos. No caso da população com 85 e mais anos
essa pe cen agem da espe ança média de ida a a essada
sem limi ações eduzia-se pa a 19% nas mulhe es e 28%
nos homens.
Es a ealidade po uguesa, onde um pouco mais de
me ade das mulhe es e um pouco menos de me ade dos
homens com idades en e os 65 e os 69 anos de idade já
e ela am alguma incapacidade uncional con inua, já
em pleno século XXI, a e ela -se p eocupan e e a jus i i-
ca uma cuidada a enção. Com e ei o, em 2014 e em mé-
dia as mulhe es po uguesas passam 55,4 anos de ida
saudá eis e os homens 59,8 anos. Dez anos an es, 2004,
essas idades e am de 52,4 e 55,4 anos, espe i amen e.
Apesa de se p essen i uma e olução len a, mas posi i a
no sen ido de um en elhecimen o mais saudá el, Po u-
gal ainda es á mui o dis an e, po exemplo, dos 74,3 anos
(mulhe es) e 72,3 anos (homens) de ida saudá el egis-
ados em 2014 pela população de Mal a [23].
Sendo um p ocesso gene alizado nas sociedades oci-
den ais o en elhecimen o é especialmen e cla o na eali-
dade po uguesa. Com e ei o, as es ima i as do Ins i u o
Nacional de Es a ís ica (INE) apon am pa a 2.111.822 in-
di íduos em Po ugal com 65 e mais anos em 2015. O
peso des e g upo no conjun o da população esiden e no
país e a, assim, de 21,2%. A compa ação com o início des-
e século (2001) dá-nos a possibilidade de a alia mos o
i mo a que se em p ocessado a e olução da si uação.
Nessa al u a e am 1.705.274 os idosos ecenseados pelo
INE ep esen ando 16,5% dos habi an es no país.
Es e p ocesso de en elhecimen o que a inge hoje um
quin o da população es á, po an o, a so e um ag a a-
men o acele ado independen emen e da pe spe i a adop-
ada. Po exemplo, se se u iliza ago a o índice de en e-
lhecimen o (pop. >64 anos/pop. <15 anos) pa a Po ugal,
e i ica-se que se em 2001 a elação média e a de 101,6
idosos po cada 100 jo ens, em 2015 esse alo passou
pa a 148,3.
Se ago a se a en a no caso conc e o da Á ea Me opo-
li ana de Lisboa a ealidade é mui o p óxima em 2015 da
si uação nacional. Os 587.299 indi íduos com 65 e mais
anos co espondiam, nes e ano, a uma p opo ção no uni-
e so demog á ico me opoli ano de 20.9%. Em 2001 essa
elação e a apenas de 15,5%. Po ou as pala as, nes a
década e meia a AML passou de uma si uação mais a o-
á el pa a ou a em que o en elhecimen o se o nou ain-
da mais g a e que o que se e i ica no país, a a és de uma
ansição mui o ápida.
Quando se analisa o índice de en elhecimen o a si ua-
ção em 2015 é mais a o á el mas con inua a se mui o
con e gen e com a ealidade nacional (131 idosos po
cada 100 jo ens), quando em 2001 essa elação e a apenas
de 102.
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Assim, o en elhecimen o da população, que es á mui-
o a iculado com a mul iplicação dos casos de incapaci-
dade uncional, con inua em expansão no país e na Á ea
Me opoli ana de Lisboa, con i mando a opo unidade
que es a in es igação pode aze pa a um maio conhe-
cimen o da sua elação com o espaço u bano.
Uma úl ima cons a ação, ambém ú il pa a a com-
p eensão da pesquisa aqui desen ol ida, elaciona-se
com o a o de na pesquisa bibliog á ica não se e encon-
ado ma e ial cien í ico ele an e deb uçado sob e es e
ópico da incapacidade uncional na sua a iculação com
as ca ac e ís icas dos con ex os a qui e ónico e u baní-
s ico.
P e ende-se, assim, e le i sob e a desigual dis ibui-
ção, no espaço subu bano de Lisboa, das oco ências de
incapacidades uncionais ligadas à audição, à isão e ao
anda , demons ando que as maio es concen ações exis-
en es se localizam em quad os u banos e a qui ec ónicos
que o a os ag a am, pela ausência de condições adequa-
das, o a os a enuam pelas azões in e sas.
Me ece um des aque especial a opção pelo es udo da
pe i e ia de Lisboa já que os abalhos de in es igação e
ou os de ca iz mais écnico ealizados na Á ea Me opo-
li ana de Lisboa (AML) ou se deb uçam sob e a cidade de
Lisboa ou sob e a AML no seu odo ou ainda, e en ual-
men e, sob e algum dos seus concelhos. Nes e caso con-
c e o conside ou-se a AML sem a cidade de Lisboa po
ês azões essenciais:
(i) Es a pesquisa inse e-se numa linha de in es igação
sob e pe i e ias que p e ende aze um eno ado olha
sob e os subú bios da capi al po uguesa.
(ii) In e esse em apon a o oco pa a um e i ó io que
mui o poucas ezes su ge de o ma au ónoma e que ago-
a, a endendo ao en elhecimen o das es u u as demo-
g á icas, à agilização das es u u as sociais e amilia es e
ainda à desquali icação dos espaços u banos, me ece um
olha mais a en o.
(iii) A exclusão de Lisboa do es udo sub ai quase 20%
da população da AML com condições mais a o á eis de
acesso a se iços e equipamen os, pe mi indo um e a o
da ealidade mais in e essan e e obje i o.
Em consequência do obje i o cen al de conhece a
dis ibuição das oco ências das incapacidades uncio-
nais na sua elação com o u banismo su ge de imedia o
um ou o, complemen a , ligado à abo dagem das impli-
cações esul an es, elacionadas com a necessidade de
hie a quiza as in e enções enden es à melho ia do edi-
icado e do espaço público de modo a da p io idade às
á eas que concen am os maio es p oblemas [24].
Me odologia
Como in o mação de base eco eu-se aos Censos de 2011
que, no ques ioná io di igido aos indi íduos, p e endia a e igua
o seu g au de di iculdade diá io na ealização de algumas a i ida-
des. Os indi íduos pode iam e e i de aco do com o ques ioná-
io di iculdades em e , ou i , anda ou subi deg aus, memó ia
ou de concen ação, em oma banho ou es i -se sozinho e ain-
da em comp eende os ou os ou aze -se en ende . Exis indo
ês ca ego ias de espos a possí eis nes e es udo eco eu-se ape-
nas aos indi íduos que mani es a am mui a di iculdade ou limi-
ação absolu a pe an e as ês p imei as incapacidades uncionais
e e idas a ás.
Nes e caso conc e o o am usadas as a iá eis que conside am
a população com incapacidade uncional de ou i , e e anda mas
ambém ou as eunidas pela dimensão social (população com
mais de 65 anos, população com mais de 75 anos, quali icações es-
cola es) e pela dimensão u banís ica (edi ícios quan o à exis ência
de ele ado es e acesso a cadei as de odas, ipo de uso de edi ício,
idade do edi icado e ainda necessidade de epa ação).
Fo am ainda conside ados dois indicado es que não esul a-
am di e amen e dos Censos: o índice de a opelamen o que u ili-
za dados do INE pa a as í imas de a opelamen o e pa a o núme-
o o al de esiden es; e a compacidade do meio u bano que esul-
a da combinação do núme o de edi ícios p o enien e dos Censos
com á eas u banas medidas sob e a ca og a ia de uso do solo do
p oje o Co ine Land Co e 2012.
Es as a iá eis o am ob idas pa a as 158 eguesias dos conce-
lhos da AML cons i uin es do que se designou como pe i e ia de
Lisboa, is o é, de odos os concelhos da AML excluindo o concelho
de Lisboa (Fig.1).
Tendo em conside ação as p incipais p eocupações e e idas
pa a a in es igação adop ou-se a p opos a me odológica con ida
em Gonçal es e al. [25], en endendo-se-se que a abo dagem de-
e ia se ei a a a és do seu desdob amen o em obje i os ope a-
cionais:
• C uza os epicen os dos episódios das incapacidades uncio-
nais – globalmen e e desag egadas – com a iá eis demog á i-
cas (população po g upos e á ios) e sociais (habili ações esco-
la es).
• Mapea a in o mação ela i a às ca ac e ís icas dos edi ícios e
do espaço u bano que sejam ele an es. Nes e con ex o su gem
as a iá eis ela i as aos edi ícios sem ele ado e com di icul-
dades de acesso em cadei a de odas; pa a os segundos consid-
e ou-se pe inen e u iliza a in o mação ela i a à p esença da
unção esidencial no edi ício, idade do edi icado e às necessi-
dades de epa ação.
A análise das a iá eis ecolhidas oi e e uada em dois passos.
Num p imei o, a análise concen ou-se nas 158 eguesias eco-
lhendo a in o mação cons an e da Tabela 1.
Pa a a ca ac e ização da dis ibuição espacial des as a iá eis
na Á ea Me opoli ana de Lisboa (sem Lisboa), apu a am-se me-
didas de sín ese pa a cada uma; de e minou-se a ma iz de co e-
lação (que mede o g au de associação linea en e pa es de a iá eis
– análise bi a iada); e ez-se uma análise ac o ial de componen es
p incipais – ACP, eco endo ao paco e de so wa e S a is ica® e -
sion12. Pa a o cálculo da ma iz de co elação e a ACP analisa am-
se as 158 eguesias mas u iliza am-se apenas 34 a iá eis, po e-
em sido excluídas as seis a iá eis exp essas em núme o absolu o
dado que não pe mi em compa ações.
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Ezequiel
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Obse ados os esul ados do p imei o passo da me odologia o
segundo comp eendeu as seguin es e apas:
1. As 12 a iá eis iniciais ela i as a incapacidades, que já inham
sido eduzidas a seis pa a a análise de co elação e ACP, o am
ago a eduzidas a uma (c . o passo seguin e). Resul a am assim,
pa a a segunda ase da me odologia, 29 a iá eis no o al.
2. Foi de e minado o quocien e en e a soma dos ês ipos de in-
capacidade (di iculdade em e , ou i ou anda ) e o iplo da
população esiden e (que co esponde ao po encial máximo de
oco ência de incapacidades uncionais em cada eguesia)
exp imindo, assim, a in ensidade dos episódios de incapacid-
ade uncional po eguesia.
3. De seguida p ocedeu-se à iden i icação das eguesias onde se
e i ica uma maio concen ação de oco ências de incapacid-
ades uncionais. Pa a al, oi ei a uma análise elacionando o
alo da pe cen agem de episódios de incapacidades em cada
eguesia com o alo médio e o des io pad ão das 158 egue-
sias conside adas. Com base nes a análise encon a am-se as
eguesias cuja in ensidade de episódios de incapacidades un-
cionais es a a acima do alo da média mais um des io pad ão.
4. Isolando es as eguesias, ou seja as que egis am maio in-
cidência de incapacidades na Á ea Me opoli ana de Lisboa
(sem Lisboa), oi possí el subme ê-las a uma segunda ACP com
o obje i o de iden i ica , de en e as 29 a iá eis ago a consid-
e adas, quais aquelas que melho ca ac e izam es as eguesias.
Assim, aplicou-se a ACP com ex ação de um núme o a iá el
de componen es e analisa am-se as ma izes dos pesos a o iais
esul an es, com is a à u ilização des a in o mação pa a a
análise de clus e s. Concluiu-se que a ex ação de ês compo-
nen es oi a que esul ou num melho equilíb io en e a pe -
cen agem de a iância explicada e um alo signi ica i o dos
pesos a o iais.
5. O úl imo passo des e p ocesso oi a ealização de uma análise
de clus e s, aplicada às eguesias selecionadas de ido ao maio
peso dos episódios de incapacidades, com base nas a iá eis
selecionadas no passo an e io . Es a análise pe mi iu de ini
ipologias de á eas/ eguesias de aco do com as ca ac e ís icas
dos indi íduos e do meio u bano, elacionadas com as suas in-
capacidades.
Resul ados
Dos esul ados ob idos na p imei a ase da me odolo-
gia des acam-se as di e enças obse adas en e a média
das a iá eis das pe cen agens da população com mui a
di iculdade em e , em ou i ou em anda e a das a iá eis
das pe cen agens da população que não ê, não ou e ou
0 7.5 15 Km
N
Fig. 1. Iden i icação dos concelhos da Á ea Me opoli ana de Lisboa e dos espe i os limi es municipais e de eg-
uesia
Incapacidade Funcional e Ambien e
Subu bano
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Po J Public Heal h 2017;35:84–100
DOI: 10.1159/000477651
Table 1. Va iá eis ecolhidas
Dim. Va iá eis Un. Fó mulas
Incapacidades Pe cen agem de população esiden e com
mui a di iculdade em e
%
100
o
o
n de esiden es com mui a di iculdade em e
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e que
não ê
%
100
o
o
n de esiden es que não ê
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
mui a di iculdade em ou i
%
100
o
o
n de esiden es com mui a di iculdade em ou i
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e que
não ou e
%o
n de esiden es que nã 100
o
o ou e
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
mui a di iculdade em anda ou subi
deg aus
%
100
o
o
n de esiden es com mui a di iculdade em anda ou subi deg aus
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e que
não consegue anda ou subi deg aus
%
100
o
o
n de esiden es que não consegue anda ou subi deg aus
n o al de esiden es
´
Social Pe cen agem de população esiden e com
idade en e os 0 e os 14 anos
%o
n de esiden es en 100
o
eos0eos14anos
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
idade en e os 15 e os 24 anos
%
100
o
o
n de esiden es en e os 15 e os 24 anos
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
idade en e os 25 e os 64 anos
%
100
o
o
n de esiden es en e os 25 e os 64 anos
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
idade en e os 65 e os 74 anos
%
100
o
o
n de esiden es en e os 65 e os 74 anos
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população esiden e com
mais de 75 anos de idade
%
100
o
o
n de esiden es com mais de 75 anos
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população do sexo
eminino
%o
n de esiden es do sexo em 100
o
inino
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população do sexo
masculino
%
100
o
o
n de esiden es do sexo masculino
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população sem nenhum
ní el de escola idade comple o
%
100
o
o
n de esiden es sem nenhumní el de escola idade comple o
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população com 1o ciclo do
ensino básico
%o
o
n de esiden es com 1 ciclo do ensino bás 100
o
ico
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população com 2o ciclo do
ensino básico
%
100
o
o
o
n de esiden es com 2 ciclo do ensino básico
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população com 3o ciclo do
ensino básico
%
100
o
o
o
n de esiden es com 3 ciclo do ensino básico
n o al de esiden es
´
Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/
Ezequiel
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Dim. Va iá eis Un. Fó mulas
Pe cen agem de população com ensino
secundá io
%
100
o
o
n de esiden es com ensino secundá io
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população com ensino
pós-secundá io
%-
100
o
o
n de esiden es com ensino pós secundá io
n o al de esiden es
´
Pe cen agem de população com ensino
supe io
%o
n de es 100
o
iden es com ensino supe io
n o al de esiden es
´
U banís ica Pe cen agem de edi ícios com 3 ou mais
pisos sem ele ado
%
100
o
o
n de edi ícios com 3 ou mais pisos sem ele ado
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios sem en ada
acessí el a cadei a de odas
%
100
o
o
n de edi ícios sem en ada acessí el a cadei a de odas
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios com necessidade
de epa ação
%
o
n de edi íci 100
o
os com necessidade de epa ação
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios mui o
deg adados
%
100
o
o
n de edi ícios mui o deg adados
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios cons uídos an es
de 1919
%
100
o
o
n de edi ícios cons uídos an es de 1919
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e
1919 e 1945
%
100
o
o
n de edi ícios cons uídos en e 1919 e 1945
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e
1946 e 1970
%
100
o
o
n de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e
1971 e 1990
%o
n de edi 100
o
ícios cons uídos en e 1971e 1990
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e
1991 e 2011
%
100
o
o
n de edi ícios cons uídos en e 1991 e 2011
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios exclusi amen e
esidenciais
%
100
o
o
n de edi ícios exclusi amen e esidenciais
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios p incipalmen e
esidenciais
%o
n de edi ícios p 100
o
incipalmen e esidenciais
n o al de edi ícios
´
Pe cen agem de edi ícios p incipalmen e
não esidenciais
%
100
o
o
n de edi ícios p incipalmen e não esidenciais
n o al de edi ícios
´
Compacidade do meio u bano/Densidade
de edi ícios em á ea u bana
No/
km2o
n de edi ícios
á ea u bana
Índice de a opelamen o
No/100
mil
hab
100 0
o
o
n peões i imas de a opelamen o
n o al de esiden es
´00
.
Table 1 (con inued)
Incapacidade Funcional e Ambien e
Subu bano
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não anda (adian e designadas po incapacidades absolu-
as), pa a o conjun o das 158 eguesias es udadas. En-
quan o a média das p imei as a iá eis es á comp eendi-
da en e 4 e 7% da população da eguesia, a média das
segundas si ua-se en e 0,3 e 0,8% da população. Rela i-
amen e à associação com as es an es a iá eis (conside-
ando como ní el de signi icância p < 0,001), o compo -
amen o do g upo de a iá eis ligado às di iculdades un-
cionais e o do g upo de a iá eis das incapacidades
absolu as é bas an e di e en e. Em sín ese, obse ou-se
que:
• As a iá eis da população com di iculdades ap esen-
am maio co elação en e si do que as a iá eis das
incapacidades absolu as (Tabela 2a). As p imei as es-
ão ambém mais co elacionadas com as aixas e á ias
da população e com o g au de ins ução do que as se-
Table 2. Ma iz de co elação pa a as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais e coe icien es de co elação en e as a iá eis ligadas
às incapacidades uncionais e as es an es a iá eis
Pop m
di ic e (%)
Pop n
ê (%)
Pop m di ic
ou i (%)
Pop n
ou e (%)
Pop m di ic
anda (%)
Pop n
anda (%)
a Ma iz de co elação pa a as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais1
Pop m di ic e (%) 1,00 0,58 0,90 0,58 0,90 0,55
Pop n ê (%) 0,58 1,00 0,54 0,64 0,56 0,58
Pop m di ic ou i (%) 0,90 0,54 1,00 0,51 0,92 0,61
Pop n ou e (%) 0,58 0,64 0,51 1,00 0,55 0,53
Pop m di ic anda (%) 0,90 0,56 0,92 0,55 1,00 0,54
Pop n anda (%) 0,55 0,58 0,61 0,53 0,54 1,00
b Coe icien es de co elação en e as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais e as es an es a iá eis
Pop 0–14 (%) –0,55*–0,44*–0,64*–0,36*–0,68*–0,34*
Pop 15–24 (%) 0,00 –0,12 –0,17 –0,11 –0,18 –0,22
Pop 25–64 (%) –0,59*–0,44*–0,71*–0,43*–0,71*–0,51*
Pop 65–74 (%) 0,56*0,38*0,69*0,41*0,71*0,34*
Pop mais 75 (%) 0,55*0,53*0,71*0,41*0,72*0,59*
Pop eminina (%) –0,06 0,25 –0,02 0,13 0,04 –0,04
Pop masculina (%) 0,06 –0,25 0,02 –0,13 –0,04 0,04
Pop s/ escola idade (%) 0,30*0,08 0,25 0,13 0,25 0,34*
Pop c/ 1º ciclo (%) 0,77*0,36*0,81*0,43*0,78*0,47*
Pop c/ 2º ciclo (%) 0,41*0,07 0,33*0,09 0,28*0,16
Pop c/ 3º ciclo (%) 0,01 –0,12 –0,19 –0,10 –0,17 –0,32*
Pop c/ secundá io (%) –0,65*–0,31*–0,70*–0,37*–0,66*–0,49*
Pop c/ pós-secundá io (%) –0,52*–0,31*–0,52*–0,24 –0,54*–0,37*
Pop c/ supe io (%) –0,58*–0,17 –0,49*–0,24 –0,47*–0,26*
Edi s/ ele ado (%) 0,11 0,10 0,03 0,12 0,15 –0,28*
Edi s/ en . cadei a de odas (%) –0,02 0,06 –0,12 0,03 0,00 –0,34*
Edi c/ necessidade epa ação (%) 0,45*0,33*0,38*0,22 0,45*0,01
Edi m deg adados (%) 0,04 0,05 0,09 0,04 0,08 0,06
Edi an es 1919 (%) 0,14 0,07 0,23 0,05 0,16 0,13
Edi 1919–1945 (%) 0,27*0,23 0,38*0,16 0,36*0,29*
Edi 1946–1970 (%) 0,45*0,28*0,44*0,23 0,54*0,13
Edi 1971–1990 (%) –0,16 –0,07 –0,25 –0,01 –0,26*–0,20
Edi 1991–2011 (%) –0,47*–0,34*–0,45*–0,32*–0,51*–0,11
Edi exclusi . esidenciais (%) 0,08 –0,02 0,13 0,00 0,03 0,24
Edi p incipal esidenciais (%) –0,08 0,01 –0,13 –0,01 –0,04 –0,25
Edi p incipal n esidenciais (%) 0,07 0,03 0,09 0,09 0,07 0,19
Compacidade meio u bano (Edi /km2) 0,16 0,24 0,19 0,17 0,18 0,27*
A opelamen os (no/100,000 habi ) 0,08 0,09 0,01 –0,03 0,05 –0,10
1Todas as co elações são signi ica i as pa a p < 0,001. *As co elações são signi ica i as pa a p < 0,001.
Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/
Ezequiel
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gundas (Tabela 2b). Is o aduz uma concen ação
mais o e das di iculdades em e , ou i e anda na
população mais elha (e menos ins uída em média),
não se e i icando al concen ação com as incapacid-
ades absolu as.
• A pe cen agem da população com mui a di iculdade
em anda es á co elacionada com a pe cen agem de
edi ícios com necessidade de epa ação ( = 0,45, p <
0,001), com a pe cen agem de edi ícios cons uídos
en e 1919 e 1945 ( = 0,36, p < 0,001) e com a pe -
cen agem de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970
( = 0,54, p < 0,001). Não há co elação com a pe cen -
agem de edi ícios sem en ada pa a cadei a de odas
( = 0,00, p < 0,001) ou sem ele ado ( = 0,15, p <
0,001) (Tabela 2b).
• A pe cen agem da população que não anda não es á
co elacionada com a pe cen agem de edi ícios com
necessidade de epa ação ( = 0,01, p < 0,001) nem com
a pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1946 e
1970 ( = 0,13, p < 0,001) mas es á co elacionada com
a pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1919 e
1945 ( = 0,29, p < 0,001). Há co elação com a pe -
cen agem de edi ícios sem en ada pa a cadei a de o-
das ou sem ele ado ( = –0,34 e –0,28, espe i amen e,
p < 0,001). Es es alo es nega i os pa a a co elação
signi icam que em eguesias com maio pe cen agem
de edi ícios de um ou de ou o ipo, a pe cen agem da
população que não anda é meno (Tabela 2b).
• Nas eguesias de cons ução mais ecen e há um
meno peso de pessoas com episódios de incapacidade
uncional dada a co elação nega i a en e a pe cen a-
gem de edi ícios cons uídos en e 1991–2011 com a
pe cen agem de população com mui a di iculdade em
e ( = –0,47, p < 0,001), em ou i ( = –0,47, p > 0,001)
e anda ( = –0,51, p < 0,001) (Tabela 2b).
• Es es esul ados jus i icam a opção de, na segunda ase
da me odologia, concen a o es udo apenas na popu-
lação com di iculdades uncionais em e , ou i e an-
da .
Os esul ados expos os pela Tabela 2b comp o am que
a pe cen agem de população dos 0 aos 14 anos e dos 25
aos 64 anos assim como a pe cen agem dos indi íduos
com o ensino secundá io e elam uma co elação signi-
ica i a e nega i a com odas as a iá eis ela i as aos epi-
sódios de incapacidade uncional. De modo in e so, is o
é, co elacionando-se com es es de modo signi ica i o e
posi i o, su gem a pe cen agem de população dos 65 aos
74 anos, a pe cen agem de população com mais de 75
anos e a pe cen agem de população com apenas o 1º ciclo
de escola idade.
A ACP pe mi iu condensa a in o mação das a iá eis
em qua o componen es o ogonais, não elacionados
en e si, e endo 65% da a iância explicada. A compo-
nen e 1 aduz as di iculdades em e , ou i ou anda e a
idade da população; a componen e 2 a unção dos edi í-
cios e condições de acessibilidade; a componen e 3 os ní-
eis de escola idade da população; e a componen e 4 a
idade dos edi ícios.
Ap esen a-se na Figu a 2 o ca og ama que e i o ia-
liza a in ensidade dos episódios de incapacidades uncio-
nais na Á ea Me opoli ana de Lisboa (AML).
O esul ado des a análise pa a o conjun o de 158 e-
guesias da AML (sem Lisboa) e elou que 23 encon am-
se no in e alo abaixo da “média – des io pad ão” sendo
que 21 se localizam na ma gem no e e apenas duas na
ma gem sul (Fig.2).
No ou o ex emo su gem as eguesias com maio
concen ação de episódios de di iculdades uncionais, ou
seja, as que egis am alo es acima da ”média + des io
pad ão” (24,2%) (Fig.2). São 26 eguesias sendo que dez
se localizam na ma gem no e e 16 na ma gem sul da
AML, denunciando uma maio concen ação de oco ên-
cias des es casos na AML-Sul.
Assim, numa lei u a imedia a da Tabela 3 cons a a-se
que quase me ade do o al das 26 eguesias com maio
concen ação de episódios de di iculdades uncionais
(pe cen agem supe io à “média + des io pad ão”) en-
con am-se em apenas ês concelhos da ma gem sul:
Ba ei o, Mon ijo e Almada.
Hie a quizando as 26 eguesias po o dem dec escen-
e do peso ela i o das oco ências de incapacidades e i-
ica-se que:
• No conjun o das eguesias conside adas e i icam-se
quase 47.000 oco ências de incapacidades uncionais
(num o al de ap oximadamen e 174.300 esiden es) o
que de e mina uma in ensidade a onda os 9%.
• Em cada uma das 14 p imei as eguesias obse am-se
mais de 1.000 episódios de incapacidades uncionais,
in o mação que cons a na Tabela 5.
• As no e eguesias com mais episódios com incapaci-
dades uncionais localizam-se odas na ma gem sul
sendo que se e são in eg an es de concelhos do A co
Ribei inho Sul (Almada, Ba ei o, Moi a e Mon ijo).
• Em duas eguesias – Baixa da Banhei a e Al o do Seix-
alinho – oco em, em cada uma delas – mais de 5.000
episódios de incapacidades uncionais.
• De no a que nas eguesias do Al o do Seixalinho e de
Ve de ena, hoje o mando uma só eguesia de ido a
uma eo ganização adminis a i a, obse am-se quase
8.200 episódios de di iculdades uncionais.
Incapacidade Funcional e Ambien e
Subu bano
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Discussão
Do abalho desen ol ido e i icou-se, em sín ese, que
das 158 eguesias subu banas da AML apenas 26 e ela-
am uma axa de isco bas an e acima do espe ado (acima
da média + des io pad ão) na concen ação de episódios
de di iculdades em ou i , e e anda . Es as eguesias es-
ão assime icamen e dis ibuídas: dez no no e e 16 no
sul da AML.
Das a iá eis ecolhidas a análise es a ís ica acabou
po se cen a apenas em oi o (População com incapaci-
dades (%), População com mais de 75 anos (%), Popula-
ção eminina (%), População sem escola idade (%), Edi í-
cios sem en ada pa a cadei a de odas (%), Edi ícios con-
s uídos an es de 1919 (%), Edi ícios exclusi amen e
esidenciais (%), Compacidade do meio u bano (Edi /
km2)) que pe mi em desc e e , de o ma sin é ica, a e-
alidade das 26 eguesias que concen am a maio in en-
sidade de episódios eala i os a incapacidades uncionais.
A análise de clus e s aplicada a es as eguesias pe mi-
iu encon a qua o g upos que se di e enciam em e -
mos de ca ac e ís icas demog á icas, sociais e do edi ica-
do: pola izado e en elhecido; desquali icado e esiden-
cial; an igo e u al; pouco acessí el e di e so.
Es es esul ados ap esen am con ibu os in e essan es
que no que espei a à dis ibuição das oco ências das
incapacidades uncionais na pe i e ia de Lisboa, que na
de e minação de uma ipologia de eguesias que combi-
na a iá eis indi iduais com a iá eis u banís icas.
As in e enções que as adminis ações cen al e local
êm es ado a desen ol e nes e âmbi o, embo a impo -
an es, deco em sob e udo de imposições legais adop a-
das em 2006 (Dec e o-Lei nº 163/2006, de 8 de Agos o)
onde se de inem as condições de acessibilidade a sa is a-
ze no p oje o e na cons ução de espaços públicos, equi-
pamen os colec i os e edi ícios públicos e habi acionais.
Toda ia, é ainda possí el elenca ou as mudanças i-
sí eis que po in e enção dos municípios que das e-
guesias. O planeamen o, a mobilidade, o espaço público
e a eabili ação u bana são os domínios que êm me ecido
a enção ele an e. Vale a pena des aca , no caso des es
domínios, a u ilidade que em ido a igu a legal da Á ea
de Reabili ação U bana pa a quando os a o es locais p e-
endem a ança com p ocessos amplos e in eg ados de
in e enção no edi icado e no espaço público melho an-
do, designadamen e, as condições de acessibilidade aos
edi ícios e a é ope ando mudanças p o undas no espaço
público – ci culação, mobilidade, acessibilidade. Veja-se
os casos emblemá icos da Rua Cândido dos Reis em Ca-
cilhas, Almada, ou na A enida San os Ma os, Amado a
[27] mas que, no en an o, não azem pa e das 26 egue-
sias aqui conside adas de isco.
Todos es es es o ços e elado es de uma p eocupação
de inclusão social ganha ão em in eg a um maio igo
na análise das á eas u banas de modo a o imiza as es-
pos as a concebe .
É po isso que os esul ados ob idos são, em nosso en-
ende , in e essan es po que pe mi i am iden i ica as
eguesias na AML (sem Lisboa) com maio densidade de
p oblemas elacionados com as incapacidades uncionais
dos seus esiden es o que, depois, acaba po e in luência
di e a e p o unda na o ma como mui os deles êm de i-
e o e i ó io.
Reconhece-se que a pouca di e sidade de indicado es
u banís icos possa e cons i uído uma limi ação impo -
an e ao alcance dos esul ados ob idos mas ambém
cons i uem um campo a desb a a em no os desen ol i-
men os des a in es igação. Ressal a-se ambém como as-
pec o a e semp e p esen e na lei u a dos esul ados des-
e abalho o a o de que o am a aliados os episódios de
incapacidade uncional e não o núme o de pessoas com
incapacidade uncional.
Os esul ados ob idos com es e es udo pode ão se ain-
da ap o undados (como os elacionados com a necessida-
de de hie a quiza as in e enções enden es à melho ia
do edi icado e do espaço público de modo a da p io ida-
de às á eas que concen am os maio es p oblemas) se a
escala de abalho o a secção e a subsecção es a ís ica e,
assim, pode em se analisadas ainda com mais de alhe as
condições ísicas do espaço público e edi icado. Do mes-
mo modo pode -se-á conside a no u u o a iá eis mais
desag egadas de o ma a iden i ica com maio de alhe o
núme o de incapacidades po indi íduo.
Conclusões
Exis e um conjun o ele an e de conclusões que de-
em se sublinhadas de modo a o na cla o o con ibu o
do es udo pa a o conhecimen o da pe i e ia de Lisboa
mas ambém pa a uma in e enção pública mais quali i-
cada e obje i a.
Em p imei o luga , icou ago a cla o na espacialização
subu bana dos episódios de incapacidade uncional que
es e e i ó io me opoli ano possui uma g ande he e o-
geneidade no que espei a à mani es ação des e p oblema.
Em segundo luga , pe cebe-se que exis e um conjun o
signi ica i o de eguesias onde a mani es ação dos episó-
dios de incapacidade uncional é bas an e mais acen uada
que nas demais.
Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/
Ezequiel
Po J Public Heal h 2017;35:84–100
100
DOI: 10.1159/000477651
No seio des e conjun o de 26 eguesias subu banas é
possí el ainda iden i ica pad ões dis in i os quando es-
sas incapacidades são conjugadas com a demog a ia, a -
qui e u a e o u banismo.
Finalmen e, pa ece e iden e que es as conclusões po-
dem se de g ande u ilidade na concepção e aplicação de
polí icas e ações isando a quali icação dos e i ó ios de
manei a a aze maio qualidade de ida a es es indi í-
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