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Incapacidade funcional e ambiente suburbano: proposta de tipologia para uma relação difícil

Gonçalves, Jorge Manuel,Gomes, Marta Castilho,Carvalho, Luís,Ezequiel, Sofia

Abstract

RESUMO - Introdução: Pretendeu-se conhecer a desigual distribuição dos indivíduos que apresentam incapacidades funcionais ligadas à audição, à visão e ao andar no espaço suburbano de Lisboa. Métodos: A articulação entre variáveis e unidades territoriais resultou numa tipologia que ajuda a diferenciar estes territórios e, finalmente, permitiu a criação de uma cartografia suburbana que relaciona, nas áreas mais problemáticas, episódios de incapacidade funcional e urbanismo. Resultados: Das 40 variáveis recolhidas verificou-se que com apenas oito foi possível descrever a realidade das 26 freguesias que apresentam uma taxa de risco bastante acima da média na concentração de pessoas com dificuldades funcionais. Estas freguesias estão assimetricamente distribuídas: 10 no norte e 16 no sul da Área Metropolitana. A aplicação da análise de clusters permitiu diferenciar estas freguesias em quatro tipos distintos: polarizador e envelhecido; desqualificado e residencial; antigo e rural; pouco acessível e diverso. Conclusão: Considera-se que os resultados obtidos a partir da investigação desenvolvida contribuem para o reforço do conhecimento do efeito acelerador ou inibidor do urbanismo na integração de populações com incapacidades funcionais e para a formulação de políticas urbanas mais adequadas, eficazes mas também diferenciadas, visando a inclusão sociourbana destes indivíduos.

Full text

Resea ch A icle Po J Public Heal h 2017;35:84–100 Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano: P opos a de Tipologia pa a uma Relação Di ícil Jo ge Manuel Gonçal es a Ma a Cas ilho Gomes a Luís Ca alho b So ia Ezequiel a a CERIS – In es igação e Ino ação em Engenha ia Ci il pa a a Sus en abilidade, Ins i u o Supe io Técnico, Uni e sidade de Lisboa, Lisbon, Po ugal; b CIAUD – Cen o de In es igação em A qui e u a, U banismo e Design, Faculdade de A qui e u a, Uni e sidade de Lisboa, Lisbon, Po ugal Recei ed: Oc obe 25, 2014 Accep ed: Ap il 10, 2017 Published online: Oc obe 2, 2017 Jo ge Manuel Gonçal es, PhD CERIS – In es igação e Ino ação em Engenha ia Ci il pa a a Sus en abilidade Ins i u o Supe io Técnico, Uni e sidade de Lisboa PT–1049-001 Lisbon (Po ugal) E-Mail jo gemgoncal es @ ecnico.ulisboa.p © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública E-Mail ka ge @ka ge .com www.ka ge .com/pjp DOI: 10.1159/000477651 Pala as Cha e Subú bios · Incapacidade uncional · U banismo · Planeamen o u bano Resumo In odução: P e endeu-se conhece a desigual dis ibuição dos indi íduos que ap esen am incapacidades uncionais ligadas à audição, à isão e ao anda no espaço subu bano de Lisboa. Mé odos: A a iculação en e a iá eis e unidades e i o iais esul ou numa ipologia que ajuda a di e encia es es e i ó ios e, inalmen e, pe mi iu a c iação de uma ca - og a ia subu bana que elaciona, nas á eas mais p ob- lemá icas, episódios de incapacidade uncional e u banis- mo. Resul ados: Das 40 a iá eis ecolhidas e i icou-se que com apenas oi o oi possí el desc e e a ealidade das 26 eguesias que ap esen am uma axa de isco bas an e aci- ma da média na concen ação de pessoas com di iculdades uncionais. Es as eguesias es ão assime icamen e dis- ibuídas: 10 no no e e 16 no sul da Á ea Me opoli ana. A aplicação da análise de clus e s pe mi iu di e encia es as eguesias em qua o ipos dis in os: pola izado e en elhe- cido; desquali icado e esidencial; an igo e u al; pouco aces- sí el e di e so. Conclusão: Conside a-se que os esul ados ob idos a pa i da in es igação desen ol ida con ibuem pa a o e o ço do conhecimen o do e ei o acele ado ou ini- bido do u banismo na in eg ação de populações com inca- pacidades uncionais e pa a a o mulação de polí icas u ba- nas mais adequadas, e icazes mas ambém di e enciadas, isando a inclusão sociou bana des es indi íduos. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública Func ional Disabili ies and Subu ban En i onmen : P oposal o a Typology o a Di icul Rela ionship Keywo ds Subu bs · Func ional disabili ies · U banism · U ban planning Abs ac In oduc ion: In his a icle, he unequal dis ibu ion o indi iduals wi h unc ional disabili ies linked o hea ing, ision, and walking in he subu ban a ea o Lisbon was s udied. Me hods: The ela ionship be ween a iables and e i o ial uni s esul ed in a ypology ha helps di - e en ia e hese e i o ies and, inally, allowed he c e- a ion o a map o he subu bs ha co ela es episodes o This a icle is licensed unde he C ea i e Commons A ibu ion- NonComme cial-NoDe i a i es 4.0 In e na ional License (CC BY- NC-ND) (h p://www.ka ge .com/Se ices/OpenAccessLicense). Usage and dis ibu ion o comme cial pu poses as well as any dis- ibu ion o modi ied ma e ial equi es w i en pe mission. Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano 85 Po J Public Heal h 2017;35:84–100 DOI: 10.1159/000477651 unc ional disabili y and u banism in he oubled a eas. Resul s: F om he 40 a iables collec ed, only 8 we e able o desc ibe he eali y o he 26 pa ishes ha p esen a isk a e well abo e he a e age concen a ion o people wi h unc ional di icul ies. These pa ishes a e asymme ically dis ibu ed: 10 in he no h and 16 in he sou h o he me - opoli an a ea. The me hodology o clus e analysis al- lowed di e en ia ing hese pa ishes in o 4 di e en ypes: pola ize and aging; disquali ied and esiden ial; old and u al; less accessible and di e se. Conclusion: We consid- e ha he esul s ob ained om he de eloped esea ch may con ibu e o u he he knowledge o he e ec s o u banism as a ac o in p omo ing o inhibi ing he in e- g a ion o people wi h unc ional disabili ies, and hus in he design o mo e app op ia e, e ec i e bu also di e - en ia ed u ban policies aimed a he social and u ban in- clusion o hese indi iduals. © 2017 The Au ho (s). Published by S. Ka ge AG, Basel on behal o Escola Nacional de Saúde Pública In odução O mundo assis e a uma ansição p o unda que se de- sen ol e a pa i das mudanças u banas e demog á icas. Dada a sua ele ância podemos ala mesmo de duas ansições que conco em pa a a g ande ans o mação do plane a habi ado [1]: Em 2050, po ia da ansição demog á ica, os indi íduos com mais de 60 anos podem chega aos dois mil milhões es ando em ce ca de 80% dos casos em países desen ol idos [2]; po ou o lado, a ansição u bana es á e le ida no ac o de que a pa i de 2007 mais de me ade da população do plane a passou a i e em cidades sendo que essa endência con inua mui o cla a sob e udo em países em desen ol imen o [3, 4]. A conjugação de um mundo u bano com um mundo mais idoso aca e a no as p eocupações que com os in- di íduos que com os ambien es de ida quo idiana onde se mo em [5–8]. S eels [1] e elou ecen emen e a exis ência de uma ampla in es igação ei a já nes e século sob e es es domí- nios, sis ema izando os p incipais modelos e quad os de análise cons uídos e elado es da iqueza das abo da- gens p oduzidas. A as a e isão da li e a u a que le ou a e ei o culminou na iden i icação das ca ac e ís icas-cha e que uma cidade ou comunidade age- iendly de e iam e idencia , designadamen e, a coope ação en e s akehol- de s, a inclusão de pessoas idosas, ou o empenho dos de- ciso es poli icos, en e ou as. Algumas cidades são es u u almen e mais adequadas pa a indi íduos que ão e elando uma p og essi a dimi- nuição das suas capacidades uncionais mas, an o nesse caso como nas que exigem uma u gen e equali icação u bana, as in e enções u banas necessá ias acabam po e de se múl iplas ge ando impo an es a o es de ensão [9]. As p eocupações de i adas das incapacidades uncio- nais ligadas a di iculdades de isão, audição e anda no quo idiano dos cidadãos que esidem em espaços u bani- zados jus i icam-se que pelas limi ações que podem sig- ni ica pa a a ida dos indi íduos [10] que pelo que po- dem ep esen a em e mos de qualidade da cidade que es amos a conside a . O In e na ional T anspo Fo um (ITF) [11] sublinha a odo o momen o a ele ância da pedonalidade e sob e- udo do seu exe cício pa a a condição ísica dos indi í- duos, pa a a sua socialização e inclusão social e pa a a sua au onomia uncional. Numa ou a pe spe i a, a p omo- ção des e ipo de mobilidade, que é g a ui a e li e de emissões noci as pa a o ambien e, az diminui o á ego mo o izado, o na as cidades mais amigá eis e i idas e pe mi e uma pa ilha de usos mais equilib ada. Con udo, de aco do com o ITF [11] mais de 400 mil peões mo em anualmen e no mundo de ido a aciden es com ia u as mo o izadas. O ITF [11] e ela ainda que, apesa da po- pulação com mais de 65 anos se in e io a 20% do o al, é a que mais se ê, em ce ca de 50% dos casos, en ol ida nes as a alidades. Uma das ideias de pa ida cen ais pa a es a in es iga- ção é que as incapacidades uncionais dos indi íduos o- am sob e udo adqui idas ao longo da ida mas, na u al- men e, de o ma mais acele ada a pa i de idades mais a ançadas. Toda ia, es a pesquisa cen ou-se nos indi í- duos com incapacidades uncionais independen emen e da sua idade e a é da possibilidade da incapacidade indi- cada se apenas empo á ia. Uma segunda ideia liga-se ao ac o de não se conside a , nes e caso, o con ex o como esponsá el pelo ap o undamen o daquelas incapacida- des, mas sim pelo alas amen o das suas consequências na qualidade de ida dos indi íduos. É ambém cla o que es as de e minan es indi iduais conjugadas com de e - minan es con ex uais des a o á eis não só êm impac o na ida quo idiana, ge ando mais incómodos e limi a- ções, como pode ão i a a e a a saúde do indi íduo a a- és da “ al a de con olo, baixa au oes ima, s ess, isola- men o social, ansiedade e solidão” [12]. Toda ia, a a e ição da qualidade do con ex o não pas- sa, nes e caso conc e o, pela conside ação do modelo de ampli icação da p i ação dos luga es enunciado po Ma- Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/ Ezequiel Po J Public Heal h 2017;35:84–100 86 DOI: 10.1159/000477651 cin y e e al. [13] que se ca ac e iza po uma desquali ica- ção do con ex o u bano, ambien al e social. Aliás, No- guei a [12] deixa bem cla o que a endência é gene aliza- da ou, como a i ma, “há um cí culo icioso de deg adação dos luga es que ampli ica a ulne abilidade indi idual, no qual a p i ação em um papel-cha e.” Na mesma linha pa ecem segui o abalho de in es igação desen ol ido po Ribei o e al. [14, 15] onde se apon a pa a uma en- dência de melho ia da condição ísica dos indi íduos, de- signadamen e dos idosos, em con ex os u banos mais quali icados ou, de o ma mais p ecisa, quando es es o e- ecem pa ques e espaços de laze de p oximidade. A con- sequência mais ób ia des as condições u banas é a de pe - mi i o adiamen o das limi ações ísicas que endencial- men e su gem em pessoas de idade mais a ançada. Es a desigualdade me opoli ana, que se desdob a em mui os ou os domínios, não pode ia deixa de se aze sen i na saúde dos seus esiden es [16]: po um lado, im- pondo p oblemas aos seus u ilizado es mais equen es pelas condições ambien ais, sociais e u banas que lhes p opo ciona [17]; po ou o lado, e é nes a pe spe i a que nos si uamos, em elação às limi ações ísicas p é-sen i- das pelos seus esiden es, is o é, ag a ando-as no caso de má qualidade ou a enuando-as no caso de espaços quali- icados [18]. A adequação do espaço u bano à mul iplicidade dos seus u ilizado es de i a mui o dos p incípios que p esidi- am à sua concepção. Como a i ma Gonçal es e al. [19]: O espaço me opoli ano de Lisboa egis ou ciclos de expansão- - e ação quase semp e comandados pela o ma como a capi al oi eagindo ao quad o económico e inancei o in e nacional e nacio- nal. Os ciclos de expansão e de e ação não se ma e ializam sem- p e do mesmo modo. No caso dos p imei os é possí el encon a - se desde a habi ação cole i a e uni amilia de génese clandes ina a é a mui os ou os o ma os de cons ução de espaço u bano bas- an e mais quali icados; no caso do segundo os mais ób ios ela- cionam-se com um g ande uni e so de de olu os, azios u banos, espaços deg adados, po exemplo. En e uns e ou os é ácil pe cebe como o quad o de ida dos u ilizado es das cidades pode se a e ado em es- pecial se egis a em um de e minado g au de incapacida- de uncional [20]. Pa a além des es aspe os impo a ainda e e i um ou- o com o qual es e ema se elaciona de o ma mui o in- ensa: o en elhecimen o da população. Com e ei o, a pa - e da espe ança média de ida passada sem incapacidade uncional oi medida em Po ugal pa a os anos de 1995/1996 [21, 22] em apenas 44% pa a as mulhe es e 57% pa a os homens, com idades comp eendidas en e os 65 e os 69 anos. No caso da população com 85 e mais anos essa pe cen agem da espe ança média de ida a a essada sem limi ações eduzia-se pa a 19% nas mulhe es e 28% nos homens. Es a ealidade po uguesa, onde um pouco mais de me ade das mulhe es e um pouco menos de me ade dos homens com idades en e os 65 e os 69 anos de idade já e ela am alguma incapacidade uncional con inua, já em pleno século XXI, a e ela -se p eocupan e e a jus i i- ca uma cuidada a enção. Com e ei o, em 2014 e em mé- dia as mulhe es po uguesas passam 55,4 anos de ida saudá eis e os homens 59,8 anos. Dez anos an es, 2004, essas idades e am de 52,4 e 55,4 anos, espe i amen e. Apesa de se p essen i uma e olução len a, mas posi i a no sen ido de um en elhecimen o mais saudá el, Po u- gal ainda es á mui o dis an e, po exemplo, dos 74,3 anos (mulhe es) e 72,3 anos (homens) de ida saudá el egis- ados em 2014 pela população de Mal a [23]. Sendo um p ocesso gene alizado nas sociedades oci- den ais o en elhecimen o é especialmen e cla o na eali- dade po uguesa. Com e ei o, as es ima i as do Ins i u o Nacional de Es a ís ica (INE) apon am pa a 2.111.822 in- di íduos em Po ugal com 65 e mais anos em 2015. O peso des e g upo no conjun o da população esiden e no país e a, assim, de 21,2%. A compa ação com o início des- e século (2001) dá-nos a possibilidade de a alia mos o i mo a que se em p ocessado a e olução da si uação. Nessa al u a e am 1.705.274 os idosos ecenseados pelo INE ep esen ando 16,5% dos habi an es no país. Es e p ocesso de en elhecimen o que a inge hoje um quin o da população es á, po an o, a so e um ag a a- men o acele ado independen emen e da pe spe i a adop- ada. Po exemplo, se se u iliza ago a o índice de en e- lhecimen o (pop. >64 anos/pop. <15 anos) pa a Po ugal, e i ica-se que se em 2001 a elação média e a de 101,6 idosos po cada 100 jo ens, em 2015 esse alo passou pa a 148,3. Se ago a se a en a no caso conc e o da Á ea Me opo- li ana de Lisboa a ealidade é mui o p óxima em 2015 da si uação nacional. Os 587.299 indi íduos com 65 e mais anos co espondiam, nes e ano, a uma p opo ção no uni- e so demog á ico me opoli ano de 20.9%. Em 2001 essa elação e a apenas de 15,5%. Po ou as pala as, nes a década e meia a AML passou de uma si uação mais a o- á el pa a ou a em que o en elhecimen o se o nou ain- da mais g a e que o que se e i ica no país, a a és de uma ansição mui o ápida. Quando se analisa o índice de en elhecimen o a si ua- ção em 2015 é mais a o á el mas con inua a se mui o con e gen e com a ealidade nacional (131 idosos po cada 100 jo ens), quando em 2001 essa elação e a apenas de 102. Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano 87 Po J Public Heal h 2017;35:84–100 DOI: 10.1159/000477651 Assim, o en elhecimen o da população, que es á mui- o a iculado com a mul iplicação dos casos de incapaci- dade uncional, con inua em expansão no país e na Á ea Me opoli ana de Lisboa, con i mando a opo unidade que es a in es igação pode aze pa a um maio conhe- cimen o da sua elação com o espaço u bano. Uma úl ima cons a ação, ambém ú il pa a a com- p eensão da pesquisa aqui desen ol ida, elaciona-se com o a o de na pesquisa bibliog á ica não se e encon- ado ma e ial cien í ico ele an e deb uçado sob e es e ópico da incapacidade uncional na sua a iculação com as ca ac e ís icas dos con ex os a qui e ónico e u baní- s ico. P e ende-se, assim, e le i sob e a desigual dis ibui- ção, no espaço subu bano de Lisboa, das oco ências de incapacidades uncionais ligadas à audição, à isão e ao anda , demons ando que as maio es concen ações exis- en es se localizam em quad os u banos e a qui ec ónicos que o a os ag a am, pela ausência de condições adequa- das, o a os a enuam pelas azões in e sas. Me ece um des aque especial a opção pelo es udo da pe i e ia de Lisboa já que os abalhos de in es igação e ou os de ca iz mais écnico ealizados na Á ea Me opo- li ana de Lisboa (AML) ou se deb uçam sob e a cidade de Lisboa ou sob e a AML no seu odo ou ainda, e en ual- men e, sob e algum dos seus concelhos. Nes e caso con- c e o conside ou-se a AML sem a cidade de Lisboa po ês azões essenciais: (i) Es a pesquisa inse e-se numa linha de in es igação sob e pe i e ias que p e ende aze um eno ado olha sob e os subú bios da capi al po uguesa. (ii) In e esse em apon a o oco pa a um e i ó io que mui o poucas ezes su ge de o ma au ónoma e que ago- a, a endendo ao en elhecimen o das es u u as demo- g á icas, à agilização das es u u as sociais e amilia es e ainda à desquali icação dos espaços u banos, me ece um olha mais a en o. (iii) A exclusão de Lisboa do es udo sub ai quase 20% da população da AML com condições mais a o á eis de acesso a se iços e equipamen os, pe mi indo um e a o da ealidade mais in e essan e e obje i o. Em consequência do obje i o cen al de conhece a dis ibuição das oco ências das incapacidades uncio- nais na sua elação com o u banismo su ge de imedia o um ou o, complemen a , ligado à abo dagem das impli- cações esul an es, elacionadas com a necessidade de hie a quiza as in e enções enden es à melho ia do edi- icado e do espaço público de modo a da p io idade às á eas que concen am os maio es p oblemas [24]. Me odologia Como in o mação de base eco eu-se aos Censos de 2011 que, no ques ioná io di igido aos indi íduos, p e endia a e igua o seu g au de di iculdade diá io na ealização de algumas a i ida- des. Os indi íduos pode iam e e i de aco do com o ques ioná- io di iculdades em e , ou i , anda ou subi deg aus, memó ia ou de concen ação, em oma banho ou es i -se sozinho e ain- da em comp eende os ou os ou aze -se en ende . Exis indo ês ca ego ias de espos a possí eis nes e es udo eco eu-se ape- nas aos indi íduos que mani es a am mui a di iculdade ou limi- ação absolu a pe an e as ês p imei as incapacidades uncionais e e idas a ás. Nes e caso conc e o o am usadas as a iá eis que conside am a população com incapacidade uncional de ou i , e e anda mas ambém ou as eunidas pela dimensão social (população com mais de 65 anos, população com mais de 75 anos, quali icações es- cola es) e pela dimensão u banís ica (edi ícios quan o à exis ência de ele ado es e acesso a cadei as de odas, ipo de uso de edi ício, idade do edi icado e ainda necessidade de epa ação). Fo am ainda conside ados dois indicado es que não esul a- am di e amen e dos Censos: o índice de a opelamen o que u ili- za dados do INE pa a as í imas de a opelamen o e pa a o núme- o o al de esiden es; e a compacidade do meio u bano que esul- a da combinação do núme o de edi ícios p o enien e dos Censos com á eas u banas medidas sob e a ca og a ia de uso do solo do p oje o Co ine Land Co e 2012. Es as a iá eis o am ob idas pa a as 158 eguesias dos conce- lhos da AML cons i uin es do que se designou como pe i e ia de Lisboa, is o é, de odos os concelhos da AML excluindo o concelho de Lisboa (Fig.1). Tendo em conside ação as p incipais p eocupações e e idas pa a a in es igação adop ou-se a p opos a me odológica con ida em Gonçal es e al. [25], en endendo-se-se que a abo dagem de- e ia se ei a a a és do seu desdob amen o em obje i os ope a- cionais: • C uza os epicen os dos episódios das incapacidades uncio- nais – globalmen e e desag egadas – com a iá eis demog á i- cas (população po g upos e á ios) e sociais (habili ações esco- la es). • Mapea a in o mação ela i a às ca ac e ís icas dos edi ícios e do espaço u bano que sejam ele an es. Nes e con ex o su gem as a iá eis ela i as aos edi ícios sem ele ado e com di icul- dades de acesso em cadei a de odas; pa a os segundos consid- e ou-se pe inen e u iliza a in o mação ela i a à p esença da unção esidencial no edi ício, idade do edi icado e às necessi- dades de epa ação. A análise das a iá eis ecolhidas oi e e uada em dois passos. Num p imei o, a análise concen ou-se nas 158 eguesias eco- lhendo a in o mação cons an e da Tabela 1. Pa a a ca ac e ização da dis ibuição espacial des as a iá eis na Á ea Me opoli ana de Lisboa (sem Lisboa), apu a am-se me- didas de sín ese pa a cada uma; de e minou-se a ma iz de co e- lação (que mede o g au de associação linea en e pa es de a iá eis – análise bi a iada); e ez-se uma análise ac o ial de componen es p incipais – ACP, eco endo ao paco e de so wa e S a is ica® e - sion12. Pa a o cálculo da ma iz de co elação e a ACP analisa am- se as 158 eguesias mas u iliza am-se apenas 34 a iá eis, po e- em sido excluídas as seis a iá eis exp essas em núme o absolu o dado que não pe mi em compa ações. Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/ Ezequiel Po J Public Heal h 2017;35:84–100 88 DOI: 10.1159/000477651 Obse ados os esul ados do p imei o passo da me odologia o segundo comp eendeu as seguin es e apas: 1. As 12 a iá eis iniciais ela i as a incapacidades, que já inham sido eduzidas a seis pa a a análise de co elação e ACP, o am ago a eduzidas a uma (c . o passo seguin e). Resul a am assim, pa a a segunda ase da me odologia, 29 a iá eis no o al. 2. Foi de e minado o quocien e en e a soma dos ês ipos de in- capacidade (di iculdade em e , ou i ou anda ) e o iplo da população esiden e (que co esponde ao po encial máximo de oco ência de incapacidades uncionais em cada eguesia) exp imindo, assim, a in ensidade dos episódios de incapacid- ade uncional po eguesia. 3. De seguida p ocedeu-se à iden i icação das eguesias onde se e i ica uma maio concen ação de oco ências de incapacid- ades uncionais. Pa a al, oi ei a uma análise elacionando o alo da pe cen agem de episódios de incapacidades em cada eguesia com o alo médio e o des io pad ão das 158 egue- sias conside adas. Com base nes a análise encon a am-se as eguesias cuja in ensidade de episódios de incapacidades un- cionais es a a acima do alo da média mais um des io pad ão. 4. Isolando es as eguesias, ou seja as que egis am maio in- cidência de incapacidades na Á ea Me opoli ana de Lisboa (sem Lisboa), oi possí el subme ê-las a uma segunda ACP com o obje i o de iden i ica , de en e as 29 a iá eis ago a consid- e adas, quais aquelas que melho ca ac e izam es as eguesias. Assim, aplicou-se a ACP com ex ação de um núme o a iá el de componen es e analisa am-se as ma izes dos pesos a o iais esul an es, com is a à u ilização des a in o mação pa a a análise de clus e s. Concluiu-se que a ex ação de ês compo- nen es oi a que esul ou num melho equilíb io en e a pe - cen agem de a iância explicada e um alo signi ica i o dos pesos a o iais. 5. O úl imo passo des e p ocesso oi a ealização de uma análise de clus e s, aplicada às eguesias selecionadas de ido ao maio peso dos episódios de incapacidades, com base nas a iá eis selecionadas no passo an e io . Es a análise pe mi iu de ini ipologias de á eas/ eguesias de aco do com as ca ac e ís icas dos indi íduos e do meio u bano, elacionadas com as suas in- capacidades. Resul ados Dos esul ados ob idos na p imei a ase da me odolo- gia des acam-se as di e enças obse adas en e a média das a iá eis das pe cen agens da população com mui a di iculdade em e , em ou i ou em anda e a das a iá eis das pe cen agens da população que não ê, não ou e ou 0 7.5 15 Km N Fig. 1. Iden i icação dos concelhos da Á ea Me opoli ana de Lisboa e dos espe i os limi es municipais e de eg- uesia Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano 89 Po J Public Heal h 2017;35:84–100 DOI: 10.1159/000477651 Table 1. Va iá eis ecolhidas Dim. Va iá eis Un. Fó mulas Incapacidades Pe cen agem de população esiden e com mui a di iculdade em e % 100 o o n de esiden es com mui a di iculdade em e n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e que não ê % 100 o o n de esiden es que não ê n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com mui a di iculdade em ou i % 100 o o n de esiden es com mui a di iculdade em ou i n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e que não ou e %o n de esiden es que nã 100 o o ou e n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com mui a di iculdade em anda ou subi deg aus % 100 o o n de esiden es com mui a di iculdade em anda ou subi deg aus n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e que não consegue anda ou subi deg aus % 100 o o n de esiden es que não consegue anda ou subi deg aus n o al de esiden es ´ Social Pe cen agem de população esiden e com idade en e os 0 e os 14 anos %o n de esiden es en 100 o eos0eos14anos n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com idade en e os 15 e os 24 anos % 100 o o n de esiden es en e os 15 e os 24 anos n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com idade en e os 25 e os 64 anos % 100 o o n de esiden es en e os 25 e os 64 anos n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com idade en e os 65 e os 74 anos % 100 o o n de esiden es en e os 65 e os 74 anos n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população esiden e com mais de 75 anos de idade % 100 o o n de esiden es com mais de 75 anos n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população do sexo eminino %o n de esiden es do sexo em 100 o inino n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população do sexo masculino % 100 o o n de esiden es do sexo masculino n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população sem nenhum ní el de escola idade comple o % 100 o o n de esiden es sem nenhumní el de escola idade comple o n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população com 1o ciclo do ensino básico %o o n de esiden es com 1 ciclo do ensino bás 100 o ico n o al de esiden es ´  Pe cen agem de população com 2o ciclo do ensino básico % 100 o o o n de esiden es com 2 ciclo do ensino básico n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população com 3o ciclo do ensino básico % 100 o o o n de esiden es com 3 ciclo do ensino básico n o al de esiden es ´ Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/ Ezequiel Po J Public Heal h 2017;35:84–100 90 DOI: 10.1159/000477651 Dim. Va iá eis Un. Fó mulas Pe cen agem de população com ensino secundá io % 100 o o n de esiden es com ensino secundá io n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população com ensino pós-secundá io %- 100 o o n de esiden es com ensino pós secundá io n o al de esiden es ´ Pe cen agem de população com ensino supe io %o n de es 100 o iden es com ensino supe io n o al de esiden es ´ U banís ica Pe cen agem de edi ícios com 3 ou mais pisos sem ele ado % 100 o o n de edi ícios com 3 ou mais pisos sem ele ado n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios sem en ada acessí el a cadei a de odas % 100 o o n de edi ícios sem en ada acessí el a cadei a de odas n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios com necessidade de epa ação % o n de edi íci 100 o os com necessidade de epa ação n o al de edi ícios ´  Pe cen agem de edi ícios mui o deg adados % 100 o o n de edi ícios mui o deg adados n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios cons uídos an es de 1919 % 100 o o n de edi ícios cons uídos an es de 1919 n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1919 e 1945 % 100 o o n de edi ícios cons uídos en e 1919 e 1945 n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970 % 100 o o n de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970 n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1971 e 1990 %o n de edi 100 o ícios cons uídos en e 1971e 1990 n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1991 e 2011 % 100 o o n de edi ícios cons uídos en e 1991 e 2011 n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios exclusi amen e esidenciais % 100 o o n de edi ícios exclusi amen e esidenciais n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios p incipalmen e esidenciais %o n de edi ícios p 100 o incipalmen e esidenciais n o al de edi ícios ´ Pe cen agem de edi ícios p incipalmen e não esidenciais % 100 o o n de edi ícios p incipalmen e não esidenciais n o al de edi ícios ´ Compacidade do meio u bano/Densidade de edi ícios em á ea u bana No/ km2o n de edi ícios á ea u bana Índice de a opelamen o No/100 mil hab 100 0 o o n peões i imas de a opelamen o n o al de esiden es ´00 . Table 1 (con inued) Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano 91 Po J Public Heal h 2017;35:84–100 DOI: 10.1159/000477651 não anda (adian e designadas po incapacidades absolu- as), pa a o conjun o das 158 eguesias es udadas. En- quan o a média das p imei as a iá eis es á comp eendi- da en e 4 e 7% da população da eguesia, a média das segundas si ua-se en e 0,3 e 0,8% da população. Rela i- amen e à associação com as es an es a iá eis (conside- ando como ní el de signi icância p < 0,001), o compo - amen o do g upo de a iá eis ligado às di iculdades un- cionais e o do g upo de a iá eis das incapacidades absolu as é bas an e di e en e. Em sín ese, obse ou-se que: • As a iá eis da população com di iculdades ap esen- am maio co elação en e si do que as a iá eis das incapacidades absolu as (Tabela 2a). As p imei as es- ão ambém mais co elacionadas com as aixas e á ias da população e com o g au de ins ução do que as se- Table 2. Ma iz de co elação pa a as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais e coe icien es de co elação en e as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais e as es an es a iá eis Pop m di ic e (%) Pop n ê (%) Pop m di ic ou i (%) Pop n ou e (%) Pop m di ic anda (%) Pop n anda (%) a Ma iz de co elação pa a as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais1 Pop m di ic e (%) 1,00 0,58 0,90 0,58 0,90 0,55 Pop n ê (%) 0,58 1,00 0,54 0,64 0,56 0,58 Pop m di ic ou i (%) 0,90 0,54 1,00 0,51 0,92 0,61 Pop n ou e (%) 0,58 0,64 0,51 1,00 0,55 0,53 Pop m di ic anda (%) 0,90 0,56 0,92 0,55 1,00 0,54 Pop n anda (%) 0,55 0,58 0,61 0,53 0,54 1,00 b Coe icien es de co elação en e as a iá eis ligadas às incapacidades uncionais e as es an es a iá eis Pop 0–14 (%) –0,55*–0,44*–0,64*–0,36*–0,68*–0,34* Pop 15–24 (%) 0,00 –0,12 –0,17 –0,11 –0,18 –0,22 Pop 25–64 (%) –0,59*–0,44*–0,71*–0,43*–0,71*–0,51* Pop 65–74 (%) 0,56*0,38*0,69*0,41*0,71*0,34* Pop mais 75 (%) 0,55*0,53*0,71*0,41*0,72*0,59* Pop eminina (%) –0,06 0,25 –0,02 0,13 0,04 –0,04 Pop masculina (%) 0,06 –0,25 0,02 –0,13 –0,04 0,04 Pop s/ escola idade (%) 0,30*0,08 0,25 0,13 0,25 0,34* Pop c/ 1º ciclo (%) 0,77*0,36*0,81*0,43*0,78*0,47* Pop c/ 2º ciclo (%) 0,41*0,07 0,33*0,09 0,28*0,16 Pop c/ 3º ciclo (%) 0,01 –0,12 –0,19 –0,10 –0,17 –0,32* Pop c/ secundá io (%) –0,65*–0,31*–0,70*–0,37*–0,66*–0,49* Pop c/ pós-secundá io (%) –0,52*–0,31*–0,52*–0,24 –0,54*–0,37* Pop c/ supe io (%) –0,58*–0,17 –0,49*–0,24 –0,47*–0,26* Edi s/ ele ado (%) 0,11 0,10 0,03 0,12 0,15 –0,28* Edi s/ en . cadei a de odas (%) –0,02 0,06 –0,12 0,03 0,00 –0,34* Edi c/ necessidade epa ação (%) 0,45*0,33*0,38*0,22 0,45*0,01 Edi m deg adados (%) 0,04 0,05 0,09 0,04 0,08 0,06 Edi an es 1919 (%) 0,14 0,07 0,23 0,05 0,16 0,13 Edi 1919–1945 (%) 0,27*0,23 0,38*0,16 0,36*0,29* Edi 1946–1970 (%) 0,45*0,28*0,44*0,23 0,54*0,13 Edi 1971–1990 (%) –0,16 –0,07 –0,25 –0,01 –0,26*–0,20 Edi 1991–2011 (%) –0,47*–0,34*–0,45*–0,32*–0,51*–0,11 Edi exclusi . esidenciais (%) 0,08 –0,02 0,13 0,00 0,03 0,24 Edi p incipal esidenciais (%) –0,08 0,01 –0,13 –0,01 –0,04 –0,25 Edi p incipal n esidenciais (%) 0,07 0,03 0,09 0,09 0,07 0,19 Compacidade meio u bano (Edi /km2) 0,16 0,24 0,19 0,17 0,18 0,27* A opelamen os (no/100,000 habi ) 0,08 0,09 0,01 –0,03 0,05 –0,10 1Todas as co elações são signi ica i as pa a p < 0,001. *As co elações são signi ica i as pa a p < 0,001. Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/ Ezequiel Po J Public Heal h 2017;35:84–100 92 DOI: 10.1159/000477651 gundas (Tabela 2b). Is o aduz uma concen ação mais o e das di iculdades em e , ou i e anda na população mais elha (e menos ins uída em média), não se e i icando al concen ação com as incapacid- ades absolu as. • A pe cen agem da população com mui a di iculdade em anda es á co elacionada com a pe cen agem de edi ícios com necessidade de epa ação ( = 0,45, p < 0,001), com a pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1919 e 1945 ( = 0,36, p < 0,001) e com a pe - cen agem de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970 ( = 0,54, p < 0,001). Não há co elação com a pe cen - agem de edi ícios sem en ada pa a cadei a de odas ( = 0,00, p < 0,001) ou sem ele ado ( = 0,15, p < 0,001) (Tabela 2b). • A pe cen agem da população que não anda não es á co elacionada com a pe cen agem de edi ícios com necessidade de epa ação ( = 0,01, p < 0,001) nem com a pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1946 e 1970 ( = 0,13, p < 0,001) mas es á co elacionada com a pe cen agem de edi ícios cons uídos en e 1919 e 1945 ( = 0,29, p < 0,001). Há co elação com a pe - cen agem de edi ícios sem en ada pa a cadei a de o- das ou sem ele ado ( = –0,34 e –0,28, espe i amen e, p < 0,001). Es es alo es nega i os pa a a co elação signi icam que em eguesias com maio pe cen agem de edi ícios de um ou de ou o ipo, a pe cen agem da população que não anda é meno (Tabela 2b). • Nas eguesias de cons ução mais ecen e há um meno peso de pessoas com episódios de incapacidade uncional dada a co elação nega i a en e a pe cen a- gem de edi ícios cons uídos en e 1991–2011 com a pe cen agem de população com mui a di iculdade em e ( = –0,47, p < 0,001), em ou i ( = –0,47, p > 0,001) e anda ( = –0,51, p < 0,001) (Tabela 2b). • Es es esul ados jus i icam a opção de, na segunda ase da me odologia, concen a o es udo apenas na popu- lação com di iculdades uncionais em e , ou i e an- da . Os esul ados expos os pela Tabela 2b comp o am que a pe cen agem de população dos 0 aos 14 anos e dos 25 aos 64 anos assim como a pe cen agem dos indi íduos com o ensino secundá io e elam uma co elação signi- ica i a e nega i a com odas as a iá eis ela i as aos epi- sódios de incapacidade uncional. De modo in e so, is o é, co elacionando-se com es es de modo signi ica i o e posi i o, su gem a pe cen agem de população dos 65 aos 74 anos, a pe cen agem de população com mais de 75 anos e a pe cen agem de população com apenas o 1º ciclo de escola idade. A ACP pe mi iu condensa a in o mação das a iá eis em qua o componen es o ogonais, não elacionados en e si, e endo 65% da a iância explicada. A compo- nen e 1 aduz as di iculdades em e , ou i ou anda e a idade da população; a componen e 2 a unção dos edi í- cios e condições de acessibilidade; a componen e 3 os ní- eis de escola idade da população; e a componen e 4 a idade dos edi ícios. Ap esen a-se na Figu a 2 o ca og ama que e i o ia- liza a in ensidade dos episódios de incapacidades uncio- nais na Á ea Me opoli ana de Lisboa (AML). O esul ado des a análise pa a o conjun o de 158 e- guesias da AML (sem Lisboa) e elou que 23 encon am- se no in e alo abaixo da “média – des io pad ão” sendo que 21 se localizam na ma gem no e e apenas duas na ma gem sul (Fig.2). No ou o ex emo su gem as eguesias com maio concen ação de episódios de di iculdades uncionais, ou seja, as que egis am alo es acima da ”média + des io pad ão” (24,2%) (Fig.2). São 26 eguesias sendo que dez se localizam na ma gem no e e 16 na ma gem sul da AML, denunciando uma maio concen ação de oco ên- cias des es casos na AML-Sul. Assim, numa lei u a imedia a da Tabela 3 cons a a-se que quase me ade do o al das 26 eguesias com maio concen ação de episódios de di iculdades uncionais (pe cen agem supe io à “média + des io pad ão”) en- con am-se em apenas ês concelhos da ma gem sul: Ba ei o, Mon ijo e Almada. Hie a quizando as 26 eguesias po o dem dec escen- e do peso ela i o das oco ências de incapacidades e i- ica-se que: • No conjun o das eguesias conside adas e i icam-se quase 47.000 oco ências de incapacidades uncionais (num o al de ap oximadamen e 174.300 esiden es) o que de e mina uma in ensidade a onda os 9%. • Em cada uma das 14 p imei as eguesias obse am-se mais de 1.000 episódios de incapacidades uncionais, in o mação que cons a na Tabela 5. • As no e eguesias com mais episódios com incapaci- dades uncionais localizam-se odas na ma gem sul sendo que se e são in eg an es de concelhos do A co Ribei inho Sul (Almada, Ba ei o, Moi a e Mon ijo). • Em duas eguesias – Baixa da Banhei a e Al o do Seix- alinho – oco em, em cada uma delas – mais de 5.000 episódios de incapacidades uncionais. • De no a que nas eguesias do Al o do Seixalinho e de Ve de ena, hoje o mando uma só eguesia de ido a uma eo ganização adminis a i a, obse am-se quase 8.200 episódios de di iculdades uncionais. Incapacidade Funcional e Ambien e Subu bano 99 Po J Public Heal h 2017;35:84–100 DOI: 10.1159/000477651 Discussão Do abalho desen ol ido e i icou-se, em sín ese, que das 158 eguesias subu banas da AML apenas 26 e ela- am uma axa de isco bas an e acima do espe ado (acima da média + des io pad ão) na concen ação de episódios de di iculdades em ou i , e e anda . Es as eguesias es- ão assime icamen e dis ibuídas: dez no no e e 16 no sul da AML. Das a iá eis ecolhidas a análise es a ís ica acabou po se cen a apenas em oi o (População com incapaci- dades (%), População com mais de 75 anos (%), Popula- ção eminina (%), População sem escola idade (%), Edi í- cios sem en ada pa a cadei a de odas (%), Edi ícios con- s uídos an es de 1919 (%), Edi ícios exclusi amen e esidenciais (%), Compacidade do meio u bano (Edi / km2)) que pe mi em desc e e , de o ma sin é ica, a e- alidade das 26 eguesias que concen am a maio in en- sidade de episódios eala i os a incapacidades uncionais. A análise de clus e s aplicada a es as eguesias pe mi- iu encon a qua o g upos que se di e enciam em e - mos de ca ac e ís icas demog á icas, sociais e do edi ica- do: pola izado e en elhecido; desquali icado e esiden- cial; an igo e u al; pouco acessí el e di e so. Es es esul ados ap esen am con ibu os in e essan es que no que espei a à dis ibuição das oco ências das incapacidades uncionais na pe i e ia de Lisboa, que na de e minação de uma ipologia de eguesias que combi- na a iá eis indi iduais com a iá eis u banís icas. As in e enções que as adminis ações cen al e local êm es ado a desen ol e nes e âmbi o, embo a impo - an es, deco em sob e udo de imposições legais adop a- das em 2006 (Dec e o-Lei nº 163/2006, de 8 de Agos o) onde se de inem as condições de acessibilidade a sa is a- ze no p oje o e na cons ução de espaços públicos, equi- pamen os colec i os e edi ícios públicos e habi acionais. Toda ia, é ainda possí el elenca ou as mudanças i- sí eis que po in e enção dos municípios que das e- guesias. O planeamen o, a mobilidade, o espaço público e a eabili ação u bana são os domínios que êm me ecido a enção ele an e. Vale a pena des aca , no caso des es domínios, a u ilidade que em ido a igu a legal da Á ea de Reabili ação U bana pa a quando os a o es locais p e- endem a ança com p ocessos amplos e in eg ados de in e enção no edi icado e no espaço público melho an- do, designadamen e, as condições de acessibilidade aos edi ícios e a é ope ando mudanças p o undas no espaço público – ci culação, mobilidade, acessibilidade. Veja-se os casos emblemá icos da Rua Cândido dos Reis em Ca- cilhas, Almada, ou na A enida San os Ma os, Amado a [27] mas que, no en an o, não azem pa e das 26 egue- sias aqui conside adas de isco. Todos es es es o ços e elado es de uma p eocupação de inclusão social ganha ão em in eg a um maio igo na análise das á eas u banas de modo a o imiza as es- pos as a concebe . É po isso que os esul ados ob idos são, em nosso en- ende , in e essan es po que pe mi i am iden i ica as eguesias na AML (sem Lisboa) com maio densidade de p oblemas elacionados com as incapacidades uncionais dos seus esiden es o que, depois, acaba po e in luência di e a e p o unda na o ma como mui os deles êm de i- e o e i ó io. Reconhece-se que a pouca di e sidade de indicado es u banís icos possa e cons i uído uma limi ação impo - an e ao alcance dos esul ados ob idos mas ambém cons i uem um campo a desb a a em no os desen ol i- men os des a in es igação. Ressal a-se ambém como as- pec o a e semp e p esen e na lei u a dos esul ados des- e abalho o a o de que o am a aliados os episódios de incapacidade uncional e não o núme o de pessoas com incapacidade uncional. Os esul ados ob idos com es e es udo pode ão se ain- da ap o undados (como os elacionados com a necessida- de de hie a quiza as in e enções enden es à melho ia do edi icado e do espaço público de modo a da p io ida- de às á eas que concen am os maio es p oblemas) se a escala de abalho o a secção e a subsecção es a ís ica e, assim, pode em se analisadas ainda com mais de alhe as condições ísicas do espaço público e edi icado. Do mes- mo modo pode -se-á conside a no u u o a iá eis mais desag egadas de o ma a iden i ica com maio de alhe o núme o de incapacidades po indi íduo. Conclusões Exis e um conjun o ele an e de conclusões que de- em se sublinhadas de modo a o na cla o o con ibu o do es udo pa a o conhecimen o da pe i e ia de Lisboa mas ambém pa a uma in e enção pública mais quali i- cada e obje i a. Em p imei o luga , icou ago a cla o na espacialização subu bana dos episódios de incapacidade uncional que es e e i ó io me opoli ano possui uma g ande he e o- geneidade no que espei a à mani es ação des e p oblema. Em segundo luga , pe cebe-se que exis e um conjun o signi ica i o de eguesias onde a mani es ação dos episó- dios de incapacidade uncional é bas an e mais acen uada que nas demais. Gonçal es/Cas ilhoGomes/Ca alho/ Ezequiel Po J Public Heal h 2017;35:84–100 100 DOI: 10.1159/000477651 No seio des e conjun o de 26 eguesias subu banas é possí el ainda iden i ica pad ões dis in i os quando es- sas incapacidades são conjugadas com a demog a ia, a - qui e u a e o u banismo. Finalmen e, pa ece e iden e que es as conclusões po- dem se de g ande u ilidade na concepção e aplicação de polí icas e ações isando a quali icação dos e i ó ios de manei a a aze maio qualidade de ida a es es indi í- duos. Re e ences 1 S eels SK: Cha ac e is ics o age- iendly ci ies and communi ies: a e iew. 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