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"Défice democrático linguístico" na União Europeia? - Relatório de estágio no Centro de Informação Europeia Jacques Delors

Abstract

Apresentando-se como uma característica “endémica” do espaço europeu, a diversidade linguística faz parte dos pilares culturais comunitários, pelo que a sua defesa foi assumida, praticamente, desde a criação da organização. Neste relatório será analisada a maneira como o multilinguismo é praticado, numa primeira fase, pelas instituições e, posteriormente, pelos próprios cidadãos europeus. Começando pela base legal da diversidade linguística, passando pelos principais programas europeus incentivadores da aprendizagem linguística, não esquecendo o papel da língua alemã e referindo os custos desta variedade de idiomas, o objectivo final passa por verificar se existe um défice democrático a nível linguístico na União Europeia (UE). Para além dos sub-temas já mencionados, existe igualmente uma secção dedicada ao estágio e às respectivas funções, dois elementos essenciais para responder à pergunta de investigação.

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"Défice democrático linguístico" na União Europeia? - Relatório de estágio no Centro de Informação Europeia Jacques Delors

Author: Mossande, Márcio Carlos Barbosa
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/31563/1/RELAT%c3%93RIO%20DE%20EST%c3%81GIO%203.8.pdf
F g g bbb g
“Dé ice Democ á ico Linguís ico” na União Eu opeia?-Rela ó io de
Es ágio no Cen o de In o mação Eu opeia Jacques Delo s
Má cio Ca los Ba bosa Mossande
Mes ado em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais
Á ea de Especialização: Es udos Eu opeus
Lisboa
Se emb o de 2017
Rela ó io de Es ágio ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do
g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais – Á ea de
Especialização em Es udos Eu opeus, ealizado sob a o ien ação
cien í ica da P o esso a Dou o a Madalena Meye Resende.
AGRADECIMENTOS
À minha mãe po que, mesmo não es ando p esen e isicamen e, sem ela jamais e ia
concluído es a caminhada,
À P o esso a Dou o a Madalena Meye Resende pela o ien ação na aculdade e pelas
suges ões,
Ao D . Ca los Medei os pela a enção e po ac edi a semp e em mim,
À D .ª Célia San os pela o ien ação no local de es ágio, pela imensa disponibilidade e
boa disposição,
Ao D . Paulo Co eia pela en e is a escla ecedo a e pela opo unidade única,
À minha i mã pela p esença nos momen os mais di íceis,
Ao E.C pelo companhei ismo e pelo incen i o,
À Fe nanda Fe ei a po nunca desis i de mim.
“DÉFICE DEMOCRÁTICO LINGUÍSTICO” NA UNIÃO EUROPEIA? - Rela ó io de
Es ágio no Cen o de In o mação Eu opeia Jacques Delo s
Má cio Mossande
Pala as-cha e: mul ilinguismo, di e sidade linguís ica, União Eu opeia, “dé ice
democ á ico linguís ico”
RESUMO
Ap esen ando-se como uma ca ac e ís ica “endémica” do espaço eu opeu, a
di e sidade linguís ica az pa e dos pila es cul u ais comuni á ios, pelo que a sua
de esa oi assumida, p a icamen e, desde a c iação da o ganização. Nes e ela ó io se á
analisada a manei a como o mul ilinguismo é p a icado, numa p imei a ase, pelas
ins i uições e, pos e io men e, pelos p óp ios cidadãos eu opeus. Começando pela base
legal da di e sidade linguís ica, passando pelos p incipais p og amas eu opeus
incen i ado es da ap endizagem linguís ica, não esquecendo o papel da língua alemã e
e e indo os cus os des a a iedade de idiomas, o objec i o inal passa po e i ica se
exis e um dé ice democ á ico a ní el linguís ico na União Eu opeia (UE). Pa a além dos
sub- emas já mencionados, exis e igualmen e uma secção dedicada ao es ágio e às
espec i as unções, dois elemen os essenciais pa a esponde à pe gun a de
in es igação.
“DÉFICE DEMOCRÁTICO LINGUÍSTICO” NA UNIÃO EUROPEIA? - Rela ó io de
Es ágio no Cen o de In o mação Eu opeia Jacques Delo s
Má cio Mossande
Keywo ds: mul ilingualism, linguis ic di e si y, Eu opean Union, “linguis ic
democ a ic de ici ”
ABSTRACT
As a Eu opean “endemic” ea u e, linguis ic di e si y is pa o he cul u al
Communi y pilla s whe e o e i s p o ec ion was assumed almos since he Eu opean
Union (EU) es ablishmen . In his in e nship epo I will analyse he way how
mul ilingualism is ca ied ou , i s ly by ins i u ions and subsequen ly by Eu opean
ci izens hemsel es. S a ing wi h he linguis ic di e si y legal basis, e e ing he main
language eaching Eu opean p og ammes and ecalling he ole o Ge man language and
he cos s o his linguis ic a ie y, he key pu pose is o e i y whe he a democ a ic
de ici a linguis ic le el in he Eu opean Union exis s o no . Apa om he al eady
men ioned sub- hemes I ha e included a sec ion ela ed o he in e nship and espec i e
asks, wo c ucial aspec s o help answe ing he esea ch ques ion.

ÍNDICE
1. In odução - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 7
2. Base legal da di e sidade linguís ica - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 9
2.1. An eceden es - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 10
2.2. P imei os passos do mul ilinguismo, ala gamen os e me cado único - - - - - - - - - 11
2.3. C escimen o e o ien ação do mul ilinguismo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 14
2.4. Conclusão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 18
3. P incipais p og amas e es a égias pa a p omo e o mul ilinguismo - - - - - - - - - - -20
3.1. Lingua - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -21
3.2. E asmus - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -22
3.3. Sóc a es - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -24
3.4. Comenius - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -25
3.5. G und ig - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -25
3.6. Leona do Da Vinci - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 26
3.7. Mine a - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -27
4. Os mul ilinguismos ins i ucional e social - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 28
4.1. O mul ilinguismo nas ins i uições eu opeias - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 29
4.1.1. Conclusão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -31
4.2. O mul ilinguismo social - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -32
4.2.1. Conclusão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -35
5. O alemão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -36
5.1. Conclusão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -39
6. Os cus os do mul ilinguismo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -39
6.1. Conclusão - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -41
7. Desc ição do local de es ágio - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 43
7.1. Desc ição de unções e elação es ágio- ema - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -44
8. Conclusão ge al - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 47
9. Re e ências bibliog á icas - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 49
7
1. INTRODUÇÃO
O p esen e ela ó io de es ágio ep esen a a de adei a ase do mes ado em Ciência
Polí ica e Relações In e nacionais (especialização em Es udos Eu opeus), ealizado na
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa. Depois de
um ano de componen e lec i a, ealizei um es ágio no Cen o de In o mação Eu opeia
Jacques Delo s (CIEJD), pe encen e à Di ecção-Ge al dos Assun os Eu opeus do
Minis é io dos Negócios Es angei os (MNE), expe iência que in luenciou e
complemen ou a ei u a do documen o em causa.
Es ando 6 meses numa ins i uição pública da República Po uguesa ligada a ques ões
eu opeias, es e ela ó io o na-se mais comple o e az ainda mais sen ido,
nomeadamen e se se i e em con a a licencia u a já ealizada em T adução
(especialização em Inglês e Espanhol) na mesma aculdade. De ac o, o ciclo de es udos
an e io e e uma g ande in luência na escolha do ema a a a , an o po se uma á ea
na qual já possuo alguma expe iência, como po não e a de ida incidência no que diz
espei o a ela ó ios de es ágio e disse ações em con ex o eu opeu. Como assun os
in eg an es do nosso quo idiano, a União Eu opeia (UE) e as (di e en es) línguas
comuni á ias são elemen os que cons i uem uma elação ín ima, que não pode se
igno ada no momen o de analisa aquela o ganização. Ligado à á ea linguís ica desde os
ensinos an e io es, op ei po conjuga esse conhecimen o com o mes ado em ques ão
pa a, igualmen e, coloca em p á ica con eúdo assimilado du an e a licencia u a e em
anos an e io es e, ambém ele an e, da luzes e disponibiliza documen os sob e a
si uação linguís ica eu opeia, nomeadamen e ela i os à o ma como são is os e
u ilizados os idiomas comuni á ios, seja pelas p óp ias ins i uições eu opeias, seja pelos
p óp ios cidadãos eu opeus. Com 508 milhões de habi an es
1
, 28 Es ados-memb os e 24
línguas o iciais num mundo globalizado, a UE possui uma opulência linguís ica única
que de e á se espei ada e ida em conside ação em odos os momen os da imensa e
con ínua in eg ação. Po isso mesmo, es e ela ó io con ém uma secção dedicada às
p imei as e e ências ao mul ilinguismo eu opeu em documen os inculan es (base
legal) e à sua e olução na agenda comuni á ia. Após es a impo an e pa e, es a ão
isados os p incipais p og amas eu opeus em p ol da ap endizagem de línguas, ema
co esponden e à secção seguin e, pois azem pa e de oda uma es a égia comuni á ia
que ajuda á a explica , não só o caminho pe co ido pela di e sidade linguís ica, bem
1
h ps://eu opa.eu/eu opean-union/abou -eu/ igu es/li ing_p acedido em 31/08/2017
8
como a(s) polí ica(s) adop ada(s) na á ea, que, segundo a minha pe spec i a, su gi am
apenas com a en ada do no o milénio. Depois des a secção, encon am-se duas pa es
essenciais: o mul ilinguismo ins i ucional (Comissão, Pa lamen o e Conselho) e o
mul ilinguismo social. A p imei a ep esen a que posição assume es e ema no
execu i o eu opeu de uma o ganização que, em e mos incula i os, de ende a
di e sidade linguís ica há p a icamen e seis décadas. Já a segunda, elaciona-se com o
conhecimen o linguís ico e ido pelos cidadãos eu opeus, uma ez que, e como es a á
p esen e du an e as á ias secções, em pa e, os idiomas dominados pelas pessoas
p endem-se com os planos e es a égias seguidos pelo execu i o, ainda que a UE não
enha pode di ec o sob e os di e en es sis emas de ensino. Exis e uma secção des inada
exclusi amen e à língua alemã, que, po um lado, como língua com mais alan es
na i os na união es á aquém do que se ia de espe a mas, po ou o, con ibui pa a o
en endimen o de que a p opagação de uma língua não es á necessa iamen e elacionado
com a quan idade de alan es na i os. Penso que a ques ão dos cus os da manu enção do
mul ilinguismo, equen emen e apon ada como um dos p incipais en a es, é
me ecedo a de uma secção p óp ia (sex a secção) pois necessi a de escla ecimen os e
e lexões sé ias sob e o u u o linguís ico da União e sob e os seus cus os “não-
mone á ios”, já que, pa a além de cidadãos, ambém somos con ibuin es comuni á ios.
Po im, a penúl ima secção co esponde à desc ição do meu local de es ágio, o CIEJD,
e das minhas unções enquan o es agiá io. Não conside o es a secção c ucial somen e
po e equen ado um es ágio cu icula mas igualmen e po me auxilia na
comp eensão de como são ge idos os emas linguís icos e de que o ma se in e ligam
com o público, a a és do con ac o diá io com línguas es angei as, al abe os di e en es
e publicações di e sas. P e endo essal a que o meu objec i o p incipal não é
p opo ciona uma isão ecen e e ac ualizada sob e o egime linguís ico comuni á io
mas sim o e ece uma isão ge al sob e o mesmo, essencialmen e desde a p imei a
egulação do Conselho a é à úl ima adesão (C oácia em 2013).
Pos o is o, al a sublinha unicamen e que p a icamen e odas as secções con êm uma
conclusão p óp ia e a enume ação dos concei os essenciais, não só pa a acili a a lei u a
mas, mais impo an emen e, pa a se e i a conclusões g aduais ao longo da lei u a,
culminando em ilações ge ais mais complexas e cons u i as.
15
no as línguas às aduções do p esen e a ado e dos a ados de adesão e o e o ço da
comunicação en e o cidadão e um ó gão ou ins i uição comuni á ios na mesma língua.
Com a en ada do no o milénio e com a in odução do Espaço de Libe dade,
Segu ança e Jus iça (ELSJ) pelo a ado úl imo, o con ac o en e sociedades eu opeias
e a cada ez mais equen e e in enso pelo que su giu um documen o essencial que inha
como objec i o p incipal assegu a di ei os como a cidadania e as libe dades dos
cidadãos eu opeus: a Ca a dos Di ei os Fundamen ais da União Eu opeia (CDFUE),
que possuía um ca ác e inculan e e inha o mesmo alo ju ídico que os a ados. A
p imei a e e ência di ec a às línguas é isí el no A igo 21º, o qual indica que “É
p oibida a disc iminação em azão, designadamen e, do sexo, (…) língua (…)”
[des aque não p esen e no o iginal] (União Eu opeia 2000: 13). No a igo seguin e, a
in enção de p ese a a unicidade linguís ica eu opeia o na-se cla a com a a i mação de
que “A União espei a a di e sidade cul u al, eligiosa e linguís ica.” [des aque não
p esen e no o iginal] (União Eu opeia 2000: 13). No amen e, a possibilidade de diálogo
en e os cidadãos e as ins i uições no mesmo idioma es á p esen e no A igo 41º como
um di ei o undamen al. Embo a não es ejam di ec amen e ligados à di e sidade
linguís ica, os A igos 14º e 15º, ela i os ao di ei o à educação e ao abalho
espec i amen e, êm o seu papel uma ez que, po es a al u a, a União inha já
econhecido a exis ência de uma elação de causalidade en e aquelas duas ac i idades e
a ap endizagem linguís ica. A CDFUE, in luenciada pela CEDH e pela DUDH, pa a
além do seu ele ado alo ju ídico, inha ainda um papel mo al e é ico com um peso
signi ica i o, uma ez que de inia di ei os básicos, desde o di ei o à ida ao di ei o à
p o ecção diplomá ica, demons ando indubi a elmen e a sua ab angência.
Nos e mos a ados nes a disse ação, a CDFUE deu pouca ma gem de manob a ao
T a ado de Nice, assinado apenas um ano depois. Fo am ealizadas somen e algumas
al e ações a a igos do TUE e dos T a ados de Roma já exis en es, nomeadamen e sob e
o con ac o cidadão-ins i uições e o egime linguís ico a se u ilizado. Nice, con udo,
inha um objec i o undamen al: p epa a e o mas ins i ucionais pa a uma UE com 25
Es ados-memb os, o que az oda uma no a con igu ação a ní el linguís ico jamais
is a po se o maio ala gamen o da his ó ia da o ganização. Em 2004, a União
Eu opeia assis e à adesão de 10 no os países (Chip e, Eslo áquia, Eslo énia, Es ónia,
Hung ia, Le ónia, Li uânia, Mal a, Polónia e República Checa) e 9 no as línguas
(eslo aco, eslo eno, es oniano, húnga o, le ão, li uano, mal ês, polaco e checo)
cons i uindo assim um núme o eco d, an o de Es ados (25) como de idiomas o iciais

16
(20). Foi e ec i amen e um e en o imp essionan e, uma ez que essal ou e consolidou
a Eu opa como um con inen e de en o de uma iqueza linguís ica emenda, onde os
cidadãos e as ins i uições de di e en es países i iam in e agi en e si, es abelecendo um
ambien e cul u almen e ainda mais único e di e so. No mesmo ano, com cen enas de
milhões de cidadãos e ainda com mais ala gamen os à is a, a UE sen iu a necessidade
de c ia uma cons i uição. Não se ia uma a e a ácil pois e a suscep í el de in e e i
com as cons i uições e com os p ocessos polí icos de cada Es ado-memb o. A
a i icação, que e ia de se ealiza ia e e endo ou ia Pa lamen o, não chegou a
oco e , exac amen e po que F ança e Holanda ejei a am a Cons i uição única no
momen o da o ação inal, azão pela qual não e e i ei o documen o como uma base
legal pa a a di e sidade linguís ica. Ainda assim, o acasso da cons i uição oi essencial
pa a o apa ecimen o do mais ecen e p incipal a ado da UE: o T a ado de Lisboa
(2007) mas an es a o ganização ainda i ia es emunha a mais um ala gamen o (a les e).
Roménia e o omeno e Bulgá ia e o búlga o o am os no os memb os des a União
Eu opeia já p epa ada e habi uada a inclui no as línguas. A en ada do búlga o
ep esen ou um ou o no o ma co his ó ico, já que com ele en ou ambém o e cei o
al abe o o icial da UE: o ci ílico, ao lado do g ego e do la ino.
No im de 2007, o T a ado de Lisboa oi assinado, de ce a o ma, em subs i uição da
ambiciosa cons i uição, que nunca chegou a se a i icada. Os objec i os ge ais do
documen o passa iam po e o ça o papel do Pa lamen o da UE, ago a com 27 Es ados-
memb os e com mais de 500 milhões de pessoas, e al e a o p ocedimen o de o ação
no Conselho. O a ado e ela algumas e e ências di ec as às línguas, embo a mui as
delas sejam apenas al e ações ou adi amen os. A í ulo de exemplo, a ques ão das
aduções do p esen e a ado e de ou os oi, na u almen e, ala gada às línguas mais
ecen es e oi e o çado um dos g andes objec i os da União: espei a a iqueza da
di e sidade cul u al e linguís ica (União Eu opeia, 2007). No en an o, oi um a ado
di e en e, no que diz espei o à ideia da elação en e a economia e a ap endizagem de
línguas, algo que já inha sido iden i icado pelas conclusões da p esidência do Conselho
em Ma ço de 2000 (K zyzanowski and Wodak, 2011). De ac o, pa a se ealiza a
análise ao p esen e a ado é necessá io e e i e comp eende os objec i os da
Es a égia de Lisboa, ainda que não ep esen e uma base legal pa a a di e sidade
linguís ica. Es e plano, ap o ado pelo Conselho, dizia espei o ao desen ol imen o
económico e social da União. Nele, a UE cons i ui uma das g andes economias
mundiais e pa a compe i com as es an es se ia c ucial apos a numa economia baseada
17
no conhecimen o (Conselho Eu opeu, 2000). Es a al e na i a incluía, en e ou os
aspec os, compe ências nas ecnologias de in o mação (eme gen es na época) e em
línguas es angei as, denominadas de “no as compe ências básicas” (Conselho Eu opeu
2000: 10). Po an o, es a es a égia de ca iz económico, de ce a o ma, oi o culmina
da pe cepção sup amencionada de Suzanne Romaine (2013), e se iu de base ao no o
a ado, que p osseguiu com essa isão económica do conhecimen o. Logo no A igo 2º
pode le -se “[A União Eu opeia] Empenha-se no desen ol imen o sus en á el da
Eu opa, assen e num c escimen o económico equilib ado (…), numa economia social de
me cado al amen e compe i i a que enha como me a o pleno emp ego e o p og esso
social, (…)” (União Eu opeia, 2007: 11). O a, pa a alcança al im o caminho passa ia
po uma “ins umen alisa ion o languages” (K zyzanowski and Wodak 2011: 123), ou
seja, o conhecimen o linguís ico con inua ia a se uma espécie de meio necessá io pa a
uma economia comuni á ia cada ez mais compe i i a. Segundo K zyzanowski e
Wodak (2011), hou e e ec i amen e uma endência global pa a a economisa ion
3
ia he
Knowledge-Based Economy (KBE), que in luenciou eno memen e a ideologia
linguís ica comuni á ia. Sendo a UE o iginalmen e uma o ganização de ca iz económico
e es ando o conhecimen o linguís ico in insecamen e ligada à economia, o
mul ilinguismo oi, de o ma na u al, ganhando o ça, pelo que, no mesmo ano do
T a ado de Lisboa, deixou de es a associado à pas a da Educação e da Cul u a e oi
c iado o p imei o “Sepa a e Commission’s Po olio on Mul ilingualism”
(K zyzanowski and Wodak 2011: 124), di igido pelo omeno Leona d O ban. O
economis a ejei ou a exis ência de uma língua anca (Romaine, 2013), de iniu a
ap endizagem de línguas es angei as como uma das suas p io idades e a sua equipa oi
esponsá el pelo su gimen o do p og ama Li elong Lea ning 2007-2013, que engloba a
á ios sub-p og amas como o G und ig ou o Leona do da Vinci. No en an o, e apesa
da sua c escen e impo ância na al u a, o mul ilinguismo ol ou, em 2010, ao dossiê da
Educação e da Cul u a “(…) lea ing unimplemen ed mos o he key p o isions o he
policies elabo a ed wi hin he Ac ion Plan Mul ilingualism: An Asse o Eu ope and a
Sha ed Commi men ” (Romaine 2013: 119).
T ês anos mais a de, a UE es emunhou a en ada de mais um Es ado-memb o e com
ele mais uma no a língua: a C oácia e o c oa a, espec i amen e. Apa e da legi imação
3
Concei o u ilizado po Michal K zyzanowski e Ru h Wodak e e indo-se aos p opósi os económicos que
a ap endizagem de línguas pode ia i a e pa a a União Eu opeia
18
do c oa a como língua o icial, com o mesmo alo ju ídico e linguís ico no A igo 52º
(União Eu opeia, 2012), o e e en e T a ado de adesão não ouxe g andes al e ações a
ní el do mul ilinguismo.
2.4. CONCLUSÃO
En enda-se que em 1958, aquando da p imei a egulação do Conselho, a CEE azia o
seu caminho com apenas 4 línguas o iciais e p a icamen e 60 anos depois, o núme o
quase sex uplicou, algo impensá el na época e que ac ualmen e exige uma polí ica ixa
e du adou a que me eça “(…) as much conside a ion (…) as o he social and economic
policies.” (Ch is iansen 2006: 22) e que não p opo cione um “(…) hegemonic policy
pa adigm (…)” (K zyzanowski and Wodak 2011: 119).
A ní el de base legal da di e sidade linguís ica, pode conclui -se que o ema não oi
uma das p io idades num p imei o momen o, a al u a da p óp ia o mação comuni á ia.
Se po um lado acaba po se na u al, uma ez que se a a a de uma o ganização
p io i a iamen e económica pelo que possuía ou os objec i os, po ou o, a
Comunidade de e ia e , desde logo, p opo cionado condições pa a a o mação de uma
“ecological language policy” (Ch is iansen, 2006). Depois da p imei a egulação do
Conselho, alguns aspec os o na am-se cla os, ais como as línguas comuni á ias o iciais
e a possibilidade de con ac o po pa e do cidadão comum num desses idiomas. No
en an o, odas as decisões ela i as ao modelo linguís ico a u iliza dependiam
exclusi amen e dos ules o p ocedu e, nos quais es a a incluído o egime linguís ico,
que e ia de se ace ado ins i ucionalmen e. Tal ez um dos aspec os mais conc e os
ela i amen e ao ema osse o ac o de, na época, a língua mais u ilizada, an o
ins i ucional ou socialmen e, se o ancês po e o papel in e nacional como, aliás, já
oi e e ido an e io men e. Con udo a ambiguidade acompanhou a di e sidade
linguís ica a é sensi elmen e aos anos 70, década em que o ema ganhou ou as
p opo ções. Com base nas páginas an e io es, pode dize -se que a pa i da década de 80
a Comunidade começou a segui , não p op iamen e uma polí ica mas uma linha de
o ien ação ao elaciona a ap endizagem linguís ica com o pe cu so escola . Nos anos
90, os a ados de Maas ich e Ames e dão, pa a além de e o ça em o papel do
me cado único, e, jun amen e com as en adas do inlandês e do sueco, inci a am à
c iação do Espaço de Libe dade, Segu ança e Jus iça (ELSJ), que, po sua ez,
19
in luenciou a ei u a da Ca a dos Di ei os Fundamen ais da União Eu opeia (CDFUE).
Foi um eg esso à “di e sidade linguís ica incula i a”, já que, al como em anos
an e io es mas po azões di e en es, na ausência de uma polí ica p op iamen e di a, e a
essencial exis i um documen o que izesse com que os Es ados e a p óp ia UE
espei assem os mínimos dos “language igh s” (Ex a and Yağmu 2011: 1174).
P ecisamen e os anos 2000 ma ca am uma no a e di e en e e apa: a ap endizagem
linguís ica como o ma de o alece e o na mais compe i i a a economia comuni á ia.
Foi a pa i daqui que, a meu e , a União deu os p imei os passos no sen ido de adop a
uma e dadei a polí ica ela i a à ap endizagem e di e sidade linguís icas, uma ez que
a é en ão o ema e a apenas e e enciado (como em ce os a ados) ou e am omadas
decisões isoladas que, como um “ odo” não guia am o mul ilinguismo numa di ecção
de inida. Ainda assim, assumindo a exis ência de um caminho pa a as línguas, o
T a ado de Nice (2001) não ouxe g andes al e ações nes es e mos mas se iu de
p epa ação pa a aquilo que se ia o maio ala gamen o na his ó ia da UE. Tendo isso em
men e e sabendo que os cidadãos e as ins i uições de á ios Es ados i iam in e agi cada
ez mais en e si, a Comunidade, com o objec i o ambicioso e audaz de c ia uma
Cons i uição única em 2004, en ou e ec i amen e “começa do ze o” e ga an i os
di ei os polí icos, económicos e sociais no espaço eu opeu. Não obs an e, a a i icação
nunca chegou a oco e , de ido à ejeição po pa e de F ança e da Holanda, dois países
com g ande adição eu opeia, o que demons a ambém a p eocupação dos Es ados no
que conce ne a documen os comuni á ios “ o emen e incula i os”.
Dando mais peso e mais impo ância ao mul ilinguismo na agenda comuni á ia, o
T a ado de Lisboa (2007) ep esen ou o passo seguin e: a c iação de um comissa iado
p óp io lide ado po Leona do O ban, algo que não oi sol de longa du a pois, em 2010,
passou pa a a pas a da Educação e da Cul u a, e i ando-lhe alguma isibilidade e
azendo uma elação pe igosa en e mul icul u alismo e mul ilinguismo (Ex a and
Yağmu , 2011).
De ac o, odas es as p esenças do mul ilinguismo em documen os des a na u eza
con e em ao ema, pa a além de uma legi imidade indiscu í el, ca ac e ís icas
ine i á eis e p óp ias do espaço eu opeu. Desde a o mação da CEE que a di e sidade
linguís ica é algo incon o ná el e pa e cons i uin e da “gené ica eu opeia”, ma cas que
se impõem quando se ala da unicidade do con inen e. Seguindo essa linha, a p esen e
secção de e mina, em ce a medida, a base o ien ado a pa a o a amen o do
mul ilinguismo como assun o essencial, não só po e sido a p imei a egulação
20
ap o ada do Conselho mas igualmen e pelo es a u o de p o ecção que assumiu a ce a
al u a, sendo a ado, an o po “di e sidade linguís ica”, como po “p ese ação
linguís ica”. Nesse sen ido, as decisões do execu i o eu opeu ela i as ao ema e iam
de se in luenciadas po es e pe cu so incula i o e legí imo e é exac amen e aí que a
desc ição da base legal unciona como pon o de pa ida pa a en ende as acções
comuni á ias mas mais impo an e pa a dis ingui o ien ações e polí icas p á icas e eais
consoan e a plu alidade linguís ica exis en e, daquilo que pode á se classi icado como
um “dé ice democ á ico linguís ico” e a sua possí el exis ência.
3. PRINCIPAIS PROGRAMAS E ESTRATÉGIAS PARA
PROMOVER O MULTILINGUISMO
Após a ap esen ação da base legal na secção an e io e da desc ição da e olução da
polí ica linguís ica da UE nos seus aços ge ais, é igualmen e necessá io desc e e as
p incipais inicia i as, elacionadas di ec a ou indi ec amen e com a p omoção da
di e sidade linguís ica, pa a comp eende como o execu i o eu opeu lida com o ema e
como (e se) incen i a os seus cidadãos nesse sen ido. Mais que isso, es a secção con ém
in o mação que desc e e, de manei a ge al, as inicia i as nas quais o execu i o apos ou,
de modo a p ese a , espei a e p opaga as di e en es línguas eu opeias. Como al,
es es planos ep esen am, não os “p imei os passos” mas sim os p imei os g andes
passos de uma longa caminhada que, a meu e , a é de e minada al u a, não en ol ia
uma es a égia ixa e coo denada. Se, po um lado, a secção an e io se aduz numa
base o ien ado a pa a o mul ilinguismo, po ou o, a p esen e pode se in e p e ada
como uma endência pa a planos u u os elacionados com a plu alidade linguís ica, já
que, a aplicação p á ica dos p og amas é u o de delibe ações e análises po pa e da
UE e, adicionalmen e, e como i ei desc e e , alguns deles o am apenas ac ualizados ou
incluídos em es a égias mais engloban es. É ulc al elemb a que uma base legal é
legí ima e incula i a mas somen e em o seu peso quando exis em inicia i as p á icas
na mesma di ecção e, endo isso em con a, os p og amas eu opeus são c uciais pa a
pe cebe como oi guiado o mul ilinguismo pela União Eu opeia, p imei amen e pa a
iden i ica que ipos de planos e es a égias o am delineados pa a um ema que
de e mina, em g ande medida, a iden idade eu opeia (Ex a and Yağmu , 2011) e, em
segundo, pa a cons a a se o ema e e a sua impo ância econhecida. De e e i que o

21
objec i o des a secção não passa po analisa dados conc e os ou pe cen agens, nem po
de alha a his ó ia de cada um dos p og amas, mas sim da a conhece o essencial das
p incipais medidas comuni á ias espei an es à p omoção linguís ica, numa pe spec i a
de linha de e olução do núcleo de pensamen o e de acção do execu i o eu opeu. Pa a
al, abo da a ampla es a égia Ap endizagem ao Longo da Vida (ALV), que es e e em
igo desde 1995 a é 2013, é p a icamen e ob iga ó io pois alguns dos p og amas, a
de e minada al u a, o am pa es in eg an es da mesma, cada um com a sua unção
especí ica, ainda que, e ec i amen e, haja p og amas, como o caso do E asmus, que
con inua am a exis i e a apoia cidadãos na aquisição de expe iências e conhecimen o
únicos, mesmo após o im do pe íodo da ALV. Apesa disso, a es a égia, no seu odo,
p e endia “(…) con ibui (…) pa a o desen ol imen o da Comunidade enquan o
sociedade a ançada baseada no conhecimen o, (…)” (Pa lamen o Eu opeu e Conselho,
2006), demons ando a cla a in luência da Es a égia de Lisboa, e su gida no mesmo
ano do T a ado, p ecisamen e, de Lisboa. Cump e ainda des aca que, pese embo a o
inc emen o do sabe linguís ico seja uma das me as dos p og amas do a an e
mencionados, “(…)os seus objec i os linguís icos não são de inidos nem
quan i icados.” (Sil a 2011: 15). Po se em páginas essencialmen e desc i i as op ei po
não inclui uma conclusão. Os concei os mais impo an es des a secção são:
- Ap endizagem linguís ica
- Eu opa do conhecimen o
- Mobilidade
- Tecnologias da In o mação e da Comunicação (TIC)
3.1. LINGUA
Sendo o p imei o e único p og ama unicamen e ligado à ap endizagem linguís ica,
com acções undamen almen e em p ol da p omoção dos idiomas comuni á ios, o
Lingua me ece o seu papel de des aque pelo que é o p imei o a se desc i o. Po an o,
não esquecendo es e pionei ismo e admi indo a compe ência linguís ica como “(…)
necessa y o suppo mobili y, economic and adminis a i e in e ac ion and coope a ion
in p ac ically e e y sphe e o ac i i y ” (Commission o he Eu opean Communi ies
1991: 2), o Lingua, pos o em p á ica em 1990, possuía objec i os linguís icos a pa i de
uma base comunicacional, já endo em is a o en ão u u o me cado comum. Essa me a
22
se ia alcançada po meio da o mação de p o esso es e ou os agen es do ensino no
es angei o, do omen o de línguas es angei as nas uni e sidades e no ensino écnico e
p o issional, a incidência do ensino de idiomas na ida económica e nas elações
labo ais e a inci ação de in e câmbios de jo ens dos ensinos an e io men e e e idos
(Commission o he Eu opean Communi ies, 1991). A pa i de 1995, o Lingua, indou
a sua p imei a ase, oi in eg ado no p og ama engloban e Sóc a es, e os p opósi os a
a ingi e am ligei amen e di e en es. Nes a segunda ase, a p io idade e a melho a os
ins umen os de ensino e ap endizagem de línguas es angei as, p opo ciona oca de
expe iências e p á icas, es abelece um de e minado ní el linguís ico pa a si uações
p o issionais especí icas e enco aja a ap endizagem e di ulgação de línguas menos
aladas e com menos alan es a ní el comuni á io. O im do Lingua coincidiu com o im
do p og ama Sóc a es, em 2006, subs i uído pela segunda ase da es a égia ALV mas
du an e a sua exis ência ajudou a p omo e ce ca de 144 p ojec os ela i os à
ap endizagem de línguas e à di usão da mesma
4
.
É, de ac o, essencial indica que, desde o seu início, o p esen e p og ama incluiu o
ensino do i landês no seu plano de acção
5
, língua essa que ob e e o es a u o de o icial
comuni á ia, eco de-se, apenas 17 anos depois do apa ecimen o do Lingua.
3.2. ERASMUS
Com a ambiciosa in enção de c ia um me cado único onde os bens, os se iços, o
capi al e as pessoas pudessem ci cula li emen e sem es ições e sem on ei as, o
en ão P esiden e da Comissão Eu opeia, Jacques Delo s, deu o mo e pa a es e g andioso
objec i o ao publica o amoso Li o B anco em 1985, como, aliás oi
sup amencionado. A pa i daqui, a Comunidade oi, de ce a o ma, o çada a olha
pa a a di e sidade linguís ica com uma isão mais p ese ado a e mais eu opeia e não
ão incula i a como inha sido a é à época, não só po que os cidadãos eu opeus i iam
e opo unidades cla as de in e acção en e si mas ambém po que a ede de
comunicação en e os Es ados e a União Eu opeia, de ac o, e ia de se e icaz ao pon o
de se es abelece coope ações a á ios ní eis. Seguindo essa lógica e conside ando os
jo ens como um pon o de pa ida, a Comissão es a a já essa hipó ese de in e câmbio de
4
h p://eu -lex.eu opa.eu/legal-con en /EN/TXT/?qid=1491210762637&u i=CELEX:52009DC0159
acedido em 03/04/2017
5
h p://eacea.ec.eu opa.eu/s a ic/en/o e iew/lingua_o e iew.h m acedido em 24/03/2017
23
es udan es desde o início da década de 80. Não oi uma inicia i a com opiniões
con e gen es de ido às di e en es con ibuições o çamen ais dos Es ados e mé odos de
o ação numa o ganização, na al u a es emunha de 2 ala gamen os e com 9 países, mas
ep esen ou “(…) one o he i s ini ia i es o implemen he undamen als o he
Eu opean Space o Highe Educa ion (…)” (Rod iguez e al 2011: 2). Após o e e ido
p ojec o-pilo o, a Comissão ap esen ou a p opos a em 1986 mas somen e en ou em
igo no ano lec i o de 1987/1988, depois de esol idas odas as di e gências. O
p og ama oi apelidado de E asmus em homenagem ao ilóso o, eólogo e humanis a
holandês que passou pa e da sua ida em á ios países em busca do conhecimen o
p o enien e de in e acções com ou os po os. Pode in e p e a -se igualmen e como um
ac ónimo, sendo o signi icado EuRopean Communi y Ac ion Scheme o he Mobili y o
Uni e si y S uden s
6
.
Pa a se e uma ideia da magni ude des e p og ama ino ado , no p imei o ano de
exis ência, o E asmus egis ou mais de 3.200 alunos
7
com um o al de 11 países
pa icipan es. Numa al u a em que a es e a social e a ins i ucional es a am a so e
eno mes ans o mações de ido à in enção de c ia o me cado único, es a inicia i a
almejou um g upo social especí ico: es udan es uni e si á ios, e, seguindo essa linha de
aciocínio, é essencial eco da a decisão do Conselho de Minis os de 1984 espei an e
à ap endizagem de duas línguas após a escola idade ob iga ó ia, que pode se
in e p e ada como uma das causas pa a o apa ecimen o do p og ama. Em 1995, ano de
ala gamen o comuni á io, o E asmus, al como oco eu com o mul ilinguismo, pe deu
sua independência e oi incluído no P og ama Sóc a es, que se ia mais ab angen e no
sen ido de inclui “school educa ion and adul educa ion as well as ho izon al ac i i ies
in he a eas o language lea ning”
8
. Em espos a à cada ez maio in e nacionalização
do ensino supe io (Comissão Eu opeia, 2007), a Comunidade ez su gi uma no a
e en e do p esen e p og ama: o E asmus Mundus, cujos objec i os passa am po
melho a a qualidade daquele ipo de ensino, p omo e o diálogo en e as di e en es
cul u as, não só eu opeias, e abalha em p ol do desen ol imen o sus en á el de países
e cei os. Em ce a medida, hou e igualmen e uma isão económica em elação ao
ema, al como oco eu no T a ado de Lisboa no mesmo ano, na qual a Eu opa e a
6
h p://ec.eu opa.eu/educa ion/e asmus/his o y_en.h m acedido em 17/03/2017
7
h p://ec.eu opa.eu/educa ion/e asmus/his o y_en.h m acedido em 17/03/2017
8
h p://eu -lex.eu opa.eu/legal-con en /GA/TXT/?u i=u ise :c11023 acedido em 20/03/2017
24
con inuamen e is a como um me cado compe i i o mas que “(…) sigue es ando a la
zaga de los Es ados Unidos si se ienen en cuen a de e minados indicado es académicos
undamen ales.” (Comissão Eu opeia 2007: 3). Toda ia, a inicia i a, desde a sua
exis ência, já p opo cionou no as expe iências a ce ca de 3 milhões de es udan es e a
mais de 300.000 p o esso es eu opeus a é 2013, ano em que oi decidida a usão de
mais 4 p og amas, cada um com a sua e en e educa i a, passando à denominação de
E asmus +, incluído no dossiê da educação, o mação, ju en ude e despo o. P e ê-se
que es a úl ima ase do p og ama es eja em igo a é 2020.
3.3. SÓCRATES
Dada a in enção de con ibui pa a o desen ol imen o do ensino e da o mação
comuni á ias e a g adual cons ução de uma zona eu opeia de coope ação educa i a, o
Conselho e o Pa lamen o ins i uí am um plano de maio dimensão que aba casse um
conjun o de objec i os ela i os ao ensino uni e si á io (E asmus), ao ensino escola
(Comenius), ao ensino com base nas ecnologias de in o mação e comunicação
(Mine a) e à ap endizagem di eccionada pa a línguas es angei as (Lingua): o
p og ama Sóc a es (1995). Na sua p imei a pa e, o p esen e plano con inha inalidades
especí icas a ní el da mobilidade de es udan es e p o esso es, do conhecimen o de
línguas eu opeias, do econhecimen o de diplomas de línguas na “open Eu opean a ea
o coope a ion in educa ion” (Eu opean Pa liamen and he Council 1995: 13), do
incen i o à educação à dis ância e da oca de expe iências e do o alecimen o do
espí i o eu opeu na educação. Com 31 países pa icipan es, en e Es ados-memb os e os
en ão países associados, Sóc a es iniciou a sua segunda ase em 2000, ap esen ando um
discu so ligei amen e di e en e. Po es a al u a, a es a égia basea a-se já na ideia da
ap endizagem ao longo da ida e da “Eu opa do conhecimen o”, sendo os objec i os
simila es aos da p imei a ase. A es e p opósi o, é essencial elemb a que a Es a égia
de Lisboa oco eu no mesmo ano e que o p esen e plano i ia a se subs i uído pela
ALV seis anos depois, o que anspa ece, de o ma inequí oca, a in luência das
o ien ações úl imas na aplicação p á ica dos p og amas.
31
ep esen a i a, adop a a mesma polí ica que o Pa lamen o, ou seja, odos os documen os
es ão disponí eis em odas as línguas e exis em aduções ins an âneas de e pa a odos
os idiomas comuni á ios (Van Els, 2005). As semelhanças en e es as duas úl imas
ins i uições e i icam-se quando “(…) le Conseil p a ique égalemen des o mules de
mul ilinguisme «à géomé ie a iable».”
14
(GRASPE 2002: 13). Já a ní el in o mal, o
Conselho ende a p a ica “(…) a es ic ion o English, F ench and he language o he
Chai .” (Van Els 2005: 269).
4.1.1. CONCLUSÃO
Com base na secção an e io , deduz-se que, não su p eenden emen e, a Comissão
Eu opeia é a ins i uição que menos p a ica o mul ilinguismo no seu quo idiano. A
especi icação “quo idiano” é impo an e uma ez que, embo a u ilize undamen almen e
ês línguas, a Comissão em uma eno me a e a mul ilingue ao se esponsá el pela
adução e di ulgação de inúme os documen os em odas as línguas o iciais. O
Conselho e o Pa lamen o são p a icamen e “ob igados” a exe ce o di ei o de u iliza
qualque língua o icial, com as de idas aduções, já que são esponsá eis pelas
ep esen ações nacionais e sociais, espec i amen e. Toda ia, o Pa lamen o es a ia já a
se p essionado pelos ele ados cus os das aduções e o am omadas medidas como
“(…) ins uc ing he Membe s o he Eu opean Pa liamen o use simple sen ences and
o a oid jokes.” (Fid muc and Ginsbu gh 2004: 2). Apesa de se em opções
acili ado as da qualidade e cele idade das aduções, es inge-se pa cialmen e a
libe dade de exp essão, pa a além de que a de adei a decisão de acaba com as mesmas
aduções e á as suas consequências, nomeadamen e na imagem do Pa lamen o e da sua
ap oximação aos cidadãos. O Conselho é a ins i uição mais p opensa a p a ica o
mul ilinguismo em pleno, con an o que exp essa -se nas di e en es línguas o iciais é
uma das o mas mais básicas de exe ce o seu di ei o à sobe ania, is o é, “(…) he equal
ea men o he 20 wo king languages is always espec ed o mee ings o na ional
minis e s, (…)”
15
(Gazzola 2006: 398).
14
Exp essão que designa os di e en es ní eis de in eg ação comuni á ia e as consequen es di e enças
en e países. Ve h p://eu -lex.eu opa.eu/summa y/glossa y/ a iable_geome y_eu ope.h ml?locale=p
acedido em 22/08/2017
15
Em 2006 a UE possuía ainda 20 línguas o iciais

32
4.2. O MULTILINGUISMO SOCIAL
Con o me es a ís icas indicam, em 2007 pe o de 40% dos cidadãos eu opeus não
inha conhecimen o de qualque idioma es angei o. Os países que ap esen a am
esul ados mais acos o am a Bulgá ia (44%), G écia (43%), Espanha (46%), Po ugal
(51%), Roménia (69%) e Hung ia (74%)
16
. Re i a-se que dois dos países em ques ão,
Bulgá ia e Roménia, o icializa am a adesão no mesmo ano, mo i o que pode jus i ica ,
em pa e, dados ão exp essi os. É a es e enómeno que Ginsbu gh e Webe (2005)
denominam de language disen anchisemen , ou seja, ep esen a uma p i ação de
in o mação de ido à al a de conhecimen o de línguas es angei as, sendo es e concei o
de e minan e no que diz espei o ao ní el de ap oximação e in e esse que cada cidadão
e á conce nen emen e a assun os eu opeus e à p óp ia UE. Embo a o núme o ge al
enha descido (34%) em 2011, de e minados países ap esen a am endências
p eocupan es, nomeadamen e a Bélgica (de 32% pa a 42%), a Bulgá ia (de 44% pa a
61%) e a Eslo áquia (de 7% pa a 14%)
17
. Impo an e sublinha que os dois p imei os
países con êm in e upções c onológicas, no en an o en enda-se que es amos a ala da
al a de conhecimen o de qualque idioma es angei o po pa e de quase me ade da
população belga, de mais de me ade no caso búlga o e do dob o da pe cen agem na
Eslo áquia, em apenas qua o anos, o que e ela uma al a de união de es o ços dos
espec i os sis emas de ensino e da p óp ia UE e que esul a na não-comp eensão de
34% dos cidadãos eu opeus se de e minadas in o mações não se encon a em nas suas
línguas na i as. Em elação ao conhecimen o de somen e um idioma es angei o em
2007, países como o Chip e, a Áus ia e a Suécia lide a am com 59%, 50% e 44% das
populações espec i amen e. A Bélgica demons a a dos esul ados mais baixos,
jun amen e com a Finlândia (16%), seguidas da Hung ia (17%), Eslo énia (20%) e
Po ugal (22%)
18
. A pe cen agem ge al no mesmo ano apon a a pa a 37% e qua o anos
mais a de, o núme o desceu pa a os 35%. Cabe escla ece que a di e ença não é
necessa iamen e e e en e a pessoas que não sabem qualque língua (eu opeia) que não
16
h p://ec.eu opa.eu/eu os a /s a is ics-explained/index.php/Fo eign_language_skills_s a is ics acedido
em 06/07/2017
17
h p://ec.eu opa.eu/eu os a /s a is ics-explained/index.php/Fo eign_language_skills_s a is ics acedido
em 06/07/2017
18
h p://ec.eu opa.eu/eu os a /s a is ics-explained/index.php/Fo eign_language_skills_s a is ics acedido
em 06/07/2017
33
a na i a mas ambém en ol e cidadãos que sabem dois ou mais idiomas, caso que se á
analisado de seguida. Segundo a mesma on e, em 2007, apenas 23% dos eu opeus se
podiam a i ma mul ilingues, uma mais- alia que, em 2011, se o nou mais comum
alcançando p a icamen e os 30%
19
. A ní el global em e mos de da as, o alo mais al o
é o da Eslo énia e da Finlândia, que e ela am uma média de 36% de cidadãos
mul ilingues, Mal a, Li uânia e Eslo áquia possuíam igualmen e núme os
imp essionan es com médias de 31%, 30% e 30% da população mul ilingue,
espec i amen e, ace à Dinama ca e à Es ónia que con a am com uma média de 29%,
seguidas da Le ónia (28%), enquan o a média sueca alcança a os 27%.
No in ui o de c uza e compa a dados, u iliza ei ago a como base o Eu oba óme o:
“Eu opean and hei languages”, de 2012. De aco do com o documen o, pouco mais de
me ade dos eu opeus (54%) em conhecimen o su icien e de uma língua es angei a pa a
man e uma con e sa, 25% em elação a duas línguas e apenas 10% dos eu opeus sabe
ês línguas nos e mos an e io men e e e idos
20
. A ní el nacional e sem su p esas, o
Luxembu go lide a na classi icação dos países com mais cidadãos que êm
conhecimen o de, pelo menos, dois idiomas es angei os (84%), seguido da Holanda
(77%) e da Eslo énia (67%), ao passo que G écia, Reino Unido, Po ugal e Hung ia
es ão en e os países onde a população em menos p obabilidade de ala duas línguas
que não a ma e na. As si uações mais p eocupan es segundo o Eu oba óme o são, pa a
além das dos ês úl imos países, a de I ália e a da I landa, e i ó ios onde mais de 60%
das pessoas con essa não e conhecimen o de nenhum idioma es angei o
21
. No que
oca às ap idões pa a, pelo menos, uma língua, o Luxembu go ma ca no amen e
p esença no luga cimei o com 98%, à en e da Le ónia (95%), da Holanda (94%) e de
Mal a (93%)
22
. Ou os países como a Eslo énia, a Li uânia ou a Suécia ambém
me ecem o de ido des aque, cada um alcançando mais de 90%, um alo de e e ência
absolu amen e no á el quando compa ado a mui os ou os Es ados, ainda que diga
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em 06/07/2017
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espei o a apenas um idioma. Mas se se quise ala de um mul ilinguismo en aizado na
sociedade, não se pode e i a a e e ência ao Luxembu go, um país com eno me
adição eu opeia. No e i ó io, mais de 60% da população a i ma sabe o su icien e
pa a man e con e sas, no mínimo, em ês línguas es angei as
23
, um núme o que
e lec e não só os esul ados das (an igas) in luências linguís icas dos “gigan es
izinhos”, Alemanha e F ança, mas igualmen e do es o ço do sis ema de ensino
nacional em p ese a essa iqueza cul u al imensa que es á p o undamen e associada a
uma e sa ilidade social inigualá el em e mos eu opeus. Pa a se e uma ideia das
disc epâncias exis en es, os Es ados melho posicionados a segui ao Luxembu go são a
Holanda, com 37%, e a Eslo áquia, com 34%, quase me ade do alo egis ado em solo
luxembu guês
24
. Como consequência dos excelen es esul ados ob idos nas ou as
en es, não é de es anha que o país se possa gaba do ac o de apenas 2% da sua
população não sabe nenhuma língua es angei a. Sendo apenas necessá io calcula a
di e ença dos esul ados dos países enume ados em elação ao conhecimen o de um
idioma que não o ma e no (Le ónia, Holanda, Mal a, Eslo énia, Li uânia e Suécia),
ambém são de ele a as posições da Dinama ca e da Es ónia, com núme os pouco
acima dos 10%.
De des aca ainda que as duas línguas mais aladas no espaço social comuni á io são
o inglês (38% da população) e o ancês (12%)
25
, uma endência que já se e i ica há
alguns anos pelos mo i os apon ados em secções an e io es.
Cump e e ela que decidi não u iliza como on e o p imei o Inqué i o Eu opeu
sob e Compe ências Linguís icas (2012), um documen o bas an e ú il mas que se cen a,
sob e udo, na “(…) o eign language p o iciency o s uden s (…)” (Eu opean
Commission 2012: 5), não indo ao encon o do meu objec i o nes a secção, que passa
po es uda dados sob e cidadãos eu opeus no ge al sem es ingi o objec o de análise,
o que, a meu e , não da ia uma isão anspa en e, jus a e conclusi a das capacidades
linguís icas dos eu opeus.
23
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04/08/2017
35
4.2.1. CONCLUSÃO
Sendo bas an e di ícil apu a as capacidades exac as de cada pessoa, an o po se uma
ques ão (demasiado) pessoal, sob e a qual, na g ande maio ia dos casos, apenas os
p óp ios in e enien es conseguem esponde (mui as ezes não da melho o ma),
como po não se possí el aze uma ecolha exaus i a de ais dados, as es a ís icas
acima ap esen adas açam de e minadas endências sob e o es ado linguís ico da
Comunidade a ní el social. Reco de-se que o objec i o des a secção não é c ia
gene alizações, mas sim analisa as di e en es sociedades eu opeias, cada uma como um
“ odo”, a é po que um dos maio es con ibu os dados nes e campo é da esponsabilidade
de cada sis ema nacional de ensino. A União Eu opeia “(…) has no manda e o ell
p i a e indi iduals wha language hey should alk (…)” (Rowe 2002: 10).
Tendo já noção do signi icado de language disen achisemen , no e-se que ce os
núme os se o nam ainda mais exp essi os. Apesa de mais de me ade dos eu opeus
a i ma que em conhecimen o de pelo menos uma língua es angei a, em 2007 ce ca de
40% apenas inha conhecimen o apenas do seu idioma na i o, um núme o bas an e
ele ado conside ando á ios ac o es, en e os quais o ca ác e incula i o e ju ídico do
mul ilinguismo. Pelo ac o de cada go e no ge i o espec i o ensino linguís ico, a
União Eu opeia não se encon a, numa p imei a ase, di ec amen e ligada às
capacidades linguís icas dos cidadãos. No en an o, numa segunda ase, a UE em um
papel p eponde an e na di usão de in o mação eu opeia, acesso esse que ai di a , em
g ande medida, a ap oximação do cidadão à União. De aco do com I a Plašilo á
(2014), na sua disse ação sob e a polí ica de in o mação e comunicação eu opeia, a
Comunidade em endência, ao longo da sua exis ência, a di ulga uma quan idade de
in o mação ão as a e ão complexa que, mui as ezes, acaba po con undi o p óp io
cidadão. Pa indo dessa pe spec i a, não se ia es anho conclui que a polí ica
linguís ica exe ce um papel impo an e nesse aspec o, ou seja, se a in o mação po si só
já é di ícil de en ende pa a o cidadão “comum”, imagine-se quando nem odos êm
acesso à mesma na sua p óp ia língua, mais inacessí el se o na, esul ando, po
exemplo, na “(…) edução na a luência de elei o es [pa a eleição do Pa lamen o
Eu opeu de 2014], uma endência con ínua desde a p imei a eleição di e a em 1979
(…)” (Plašilo á 2014: 2). Pa a além disso, a escolha de um de e minado egime
linguís ico limi a ia a en ada dos p óp ios depu ados do Pa lamen o, mesmo que
36
ossem elei os (Gazzola, 2006). De salien a que es a elação en e a polí ica de
in o mação e a polí ica linguís ica se á e idenciada na secção dos cus os do
mul ilinguismo mas numa óp ica mais consequencial do que p op iamen e causal, como
oi ap esen ada nes a secção.
Globalmen e, e apesa de exis i em esul ados bas an e bons, a si uação linguís ica
comuni á ia não é p op iamen e animado a pois exis em alguns países nos quais me ade
ou quase me ade da população não en ende qualque língua es angei a, um ac o que
e ela o pa cial insucesso das conclusões do Conselho de Minis os de 1984, 33 anos
depois de e conside ado como undamen al a ap endizagem de duas línguas
es angei as após a escola idade ob iga ó ia. Não menciona ei o Conselho Eu opeu de
Ba celona nos mesmos e mos pois, embo a i esse o mesmo objec i o do Conselho de
1984, p opô-lo “(…) desde a idade mais p ecoce” (Conselho Eu opeu 2002: 19) há
apenas 15 anos, um pe íodo ela i amen e cu o quando se a a de en a eno a
linguis icamen e oda uma ge ação e educa a p óxima. Sendo ainda o inglês e o ancês
os idiomas mais alados a ní el comuni á io en ende-se que os objec i os das polí icas
linguís icas, an o comuni á ias como nacionais, êm seguido um caminho idên ico ao
que já seguem há á ios anos, apesa dos á ios comp omissos elacionados com a
igualdade linguís ica assumidos pelas duas pa es.
5. O ALEMÃO
Nes a disse ação, a língua alemã em uma secção p óp ia pois, ap esen ando-se como
o idioma com mais alan es na i os da UE, espe a a-se que i esse uma p esença mais
i me e con ínua. No en an o, e emos, de ido a á ios ac o es, que a p opagação de
uma língua pode não se elaciona com o núme o de alan es mas sim com a
impo ância que a mesma assume no pano ama in e nacional. Assim sendo, os concei os
c uciais des a secção são as seguin es:
- Eu opa Cen al e de Les e
- Segunda G ande Gue a
- Língua in e nacional
- Falan es na i os
- Pode económico

37
Apesa de se a língua na União Eu opeia com mais alan es na i os
26
, o alemão,
ainda que enha alcançado maio impo ância “(…) is un easonable o expec i o
compe e wi h English, (…)” (Clyne 1995: 17). Exac amen e, o inglês, sendo a língua da
ecnologia e da música popula , em assumido um papel mui o mais p eponde an e em
á ios aspec os a ní el eu opeu. Segundo Michael Clyne (1995), na sua ob a sob e o
papel do alemão numa Eu opa em mudança, a língua inglesa ul apassa a língua
ge mânica no mundo académico. De aco do com um es udo desen ol ido po U lich
Ammon, de 330 académicos da União Eu opeia e dos E.U.A e do Japão, 91% em
conhecimen os de inglês e 65% de alemão. O ac o de os en e is ados com mais de 45
anos e em um maio conhecimen o de alemão (70%) do que os mais jo ens (60%) le a
Clyne (1995) a conclui que o alemão i á p og essi amen e pe de impo ância no
mundo académico. Con udo, a his ó ia e e e que ou o a a língua alemã e e um papel
undamen al a ní el in e nacional, nomeadamen e em liga o Ociden e e o Les e da
Eu opa. Ao con á io do inglês, que e a is o como uma “enemy language” (Clyne
1995: 6) pelo Bloco So ié ico, o alemão goza a de um papel no o iamen e mais neu o
e mais p á ico. Segundo Clyne (1995), o es a u o do alemão an es da 2ª G ande Gue a,
segundo idioma de uma classe média cul a na Eu opa Cen al e de Les e, le ou à c ença
de que pode ia subs i ui o usso após o im da União So ié ica. E ec i amen e, a língua
alemã assumiu uma impo ância na Eu opa Cen al e de Les e mas não de uma o ma
ão con unden e, uma ez que oi p i ilegiada apenas em de e minadas egiões da
Roménia, da Uc ânia ou da P ússia, po exemplo.
No en an o, a pe da de es a u o da língua alemã oi causada, não só pela c escen e
popula idade do inglês du an e e após a Segunda G ande Gue a, is a po mui os como
língua da esis ência, mas ambém de ido aos c imes come idos pela Alemanha Nazi
“(…) which we e linked o he language (…)” (Clyne 1995: 6). O ac o de o alemão não
e sido a língua de uma nação o emen e colonizado a o a da Eu opa, com a excepção
da Namíbia e pouco mais, aliado ao len o c escimen o demog á ico egis ado nos países
desen ol idos ambém con ibuí am pa a o declínio do pode do alemão. E é aqui que
en a um concei o undamen al: “língua in e nacional”. Ul ich Ammon (1995) de ende
que uma língua é in e nacional quando cidadãos de di e en es nações a u ilizam pa a
comunicação. Nesse sen ido, é econhecido que o alemão não é uma língua amplamen e
in e nacional e Ammon assim o demons a ao classi ica os idiomas mais
26
h p://eu opa.eu/ apid/p ess- elease_MEMO-13-825_p .h m acedido em 05/04/2017
38
in e nacionalizados, po núme o de alan es na i os, em ês ma cos empo ais: 1984,
1987 e 1990, nos quais o alemão apa ece, espec i amen e, em sé imo, e em décimo
p imei o nos dois úl imos anos, com uma descida de 27 milhões de alan es en e 1984 e
1990 ( e S e enson, 1995: 29). Sem su p esas, o inglês su ge como a língua eu opeia
com mais alan es na i os e, como al, as epe cussões ambém se e i icam a ní el
eu opeu. Ou o ac o c ucial pa a o es a u o de uma língua encon a-se na sua
po encialidade económica, is o é, se um idioma o e ece um me cado maio e inúme as
opo unidades de abalho é p openso a e mais alan es e, consequen emen e, mais
pode a ní el in e nacional. Nesses e mos, a língua ge mânica ocupa o e cei o luga ,
apenas a ás do inglês e do japonês ( e S e enson, 1995: 31), demons ando a sua
in luência económica e, de ce a o ma, p o ando que o núme o de alan es na i os nem
semp e es á elacionado com o pode económico. É impo an e elemb a que o alemão
é a língua o icial em ês dos países da UE (Alemanha, Áus ia e Luxembu go), na
Suíça, no Liech ens ein e é, ainda, alado em I ália e na Bélgica, embo a a ní el
egional. Po an o, não é de es anha que a língua nos anos 80 osse “(…) s udied in 83
o he hen 172 coun ies o he wo ld.” (Ammon, 1995: 33), o que equi ale a ce ca de
15 milhões de es udan es, en e o ensino p imá io e o secundá io. Toda ia, o linguis a
(1995) de ende que os núme os ela i os ao inglês no mesmo pe íodo e am bas an e
supe io es. Pa indo des a conclusão, a e dade é que o alemão con inua mui o aquém
daquilo que se ia de espe a . De aco do com o p imei o inqué i o eu opeu sob e
compe ências linguís icas (2012)
27
, o inglês é indiscu i elmen e a língua dominan e no
que diz espei o à p imei a língua es angei a p esen e nos sis emas de ensino. Dos
ca o ze países pa icipan es, apenas em dois (Bélgica e Reino Unido) o inglês não é o
idioma es angei o mais ensinado. O alemão ma ca p esença somen e na classi icação
das segundas línguas es angei as mais di undidas, a i mando-se em oi o do o al dos
países. No en an o, em e mos de independência linguís ica (ní el B1 e B2), o inglês é
dominado po ce ca de 50% dos alunos es ados e o alemão su ge ao lado do ancês
com pouco mais de 20% (Eu opean Commission, 2012). A ní el da população eu opeia
em ge al, dados do mesmo ano con i mam que o inglês con inua a se a língua mais
alada (38%), seguido do ancês (12%) e do alemão (11%)
28
.
27
h p://www.su eylang.o g/media/Execu i esumma yo heESLC_210612.pd acedido em 22/06/2017
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h p://ec.eu opa.eu/comm on o ice/publicopinion/a chi es/ebs/ebs_386_en.pd acedido em
22/06/2017
39
5.1. CONCLUSÃO
Cons a a-se que a língua alemã, como idioma com mais alan es na i os na UE, em
pe dido impo ância nos úl imos no que oca à sua ap endizagem e ao seu domínio.
Depois de e desempenhado um papel undamen al na Eu opa Cen al e O ien al, oi
pe dendo o ça de ido à ápida p opagação e acei ação do inglês, is a como a língua da
esis ência, e, em pa e, ao con ínuo, embo a dec escen e, pode do ancês, que ambém
e e uma unção essencial no mundo da diplomacia. Com o desen ol imen o do mundo
ecnológico no início dos anos 2000, o inglês assumiu a linha da en e, “deixando pa a
ás”, não só o ancês e o alemão mas odas as ou as línguas da UE, o que ob iamen e
se e lec iu no a amen o e u ilização ins i ucional e social das línguas comuni á ias: a
exis ência de apenas ês línguas p ocessuais e o conhecimen o das mesmas línguas po
pa e dos cidadãos, espec i amen e. Pos o is o, se á legí imo a i ma que exis e uma
elação in ínseca e uma in luência (in)di ec a en e as decisões linguís icas omadas a
ní el ins i ucional e as opções e esul ados ob idos pelos cidadãos eu opeus.
A Eu opa e os cidadãos necessi am da al polí ica linguís ica ecológica p opos a po
Pia Ch is iansen (2006), na qual se inci e à p ese ação de odas as línguas da iqueza
eu opeia, c iando um ambien e que possibili e um e dadei o mul ilinguismo eu opeu, o
que, pa a além de aze c esce de e minados me cados linguís icos mais pequenos,
aumen ando as opo unidades, ambém aumen a ia o conhecimen o e a independência
da população eu opeia.
6. OS CUSTOS DO MULTILINGUISMO
“(…) i is no e y use ul o say ha a gi en language egime is oo expensi e in
absolu e e ms.” (Gazzola 2006: 394)
Um dos ac o es mais associados à p á ica do mul ilinguismo, como se e i icou no
caso do Pa lamen o (sup essão de aduções nas sessões plená ias), p ende-se com a
ques ão dos cus os. Pois bem, na p esen e secção o objec i o passa po expo e cla i ica
de e minados núme os a inen es à adução e/ou in e p e ação pa a que os cidadãos
possam sabe e pe cebe a u ilidade de uma pa e do o çamen o comuni á io, pa a o qual
ambém con ibuem. É necessá io que se comp eenda que oda a in o mação é aduzida
e abalhada de modo a chega ao maio núme o possí el de pessoas. Es a impo an e
a e a é ealizada po adu o es, in é p e es, e minólogos e e iso es que uncionam
40
como mediado es en e a União Eu opeia e os cidadãos e, como al, exis em cus os que
são supo ados pelas duas pa es, con ibuindo, em g ande pa e, pa a o uncionamen o
democ á ico da o ganização. Aqui, os concei os capi ais são:
- O çamen o comuni á io
- T adução
- Dé ice de comunicação
Segundo Michele Gazzola (2006), em 1999, na al u a com 15 países, a União
Eu opeia gas a a ce ca de 686 milhões de eu os em aduções e in e p e ações po ano,
o que equi alia a 0.8% do o çamen o o al da EU e a uma média de 1.40€ po pessoa.
Pa a se e uma ideia da magni ude des as ac i idades, em 2004 a UE emp ega a mais
de 2.400 adu o es, aos quais se iam adicionados mais 376 depois do g ande
ala gamen o, que abalha am com ce ca de meio milhão de páginas anualmen e
(Fid muc and Ginsbu gh, 2004). Con udo, não pode deixa de se di o que, em inícios
do no o milénio, “(…) les se ices de aduc ion e d’in e p e a ion on su ele e les
dé is, en e mes de quan i é e quali é, (…)”, sendo mais que necessá io “se donne les
moyens en budge e en essou ces humaines (…)” (GRASPE 2002 : 12).
Já em 2006, o cus o ul apassou os 1.000 milhões de eu os, ap oximadamen e 1% do
o çamen o e com uma média de mais de 2€ po cidadão (Gazzola, 2006). Apesa de
pode em se conside ados alo es al os isoladamen e, a e dade é que, de manei a
global, ep esen am uma ín ima a ia do o çamen o comuni á io. Ainda assim, a
Comunidade decidiu adop a medidas pa a eduzi os gas os elacionados com as
aduções, como a limi ação dos discu sos de memb os ins i ucionais e uma ex ensão
máxima pa a ela ó ios e comunicações. Se se i e em con a que odas as línguas
possuem o mesmo alo linguís ico e ju ídico, é isí el que o mul ilinguismo não es á a
se p a icado em pleno, aliás, es á a se es ingido com a in enção de baixa cus os, que,
a longo p azo, pode ão se mui o mais que mone á ios. Assumindo que a União abalha
em p ol de um c escimen o con ínuo a ní el de adesões, cump e e e a es a égia
ela i a à ges ão de cus os do mul ilinguismo, sem p ejuízo da in eg idade de cada uma
das línguas e dos espec i os alan es. Exac amen e a adição de no e línguas oi um dos
ac o es mais p eponde an es nos co es e i icados nes a á ea undamen al. Supõe-se
que cada língua no a enha ido um cus o de mais de 60 milhões de eu os, pe azendo
um o al de ap oximadamen e 1.236 milhões de eu os po ano (Fid muc and Ginsbu gh,
47
ins i uições, pa a além de abalha aspec os linguís icos e cul u ais, az pa e do
p ocesso educa i o.
8. CONCLUSÃO GERAL
Após e cump ido os objec i os p opos os no início do ela ó io, in i o que o
mul ilinguismo na União Eu opeia não es á a se p a icado em pleno, an o pelas
ins i uições comuni á ias, como pelas di e en es sociedades eu opeias. O que
e dadei amen e se e i ica na UE é a p á ica de um “(…) mul ilinguisme limi é (cinq,
ois langues, e c) (…)”, que, equen emen e, pode i a é a um “(…) monolinguisme de
ai au p o i de l’anglais.” (GRASPE 2002: 14). Des a o ma, a Comunidade a isca
p ejudica a sua p óp ia di e sidade cul u al e os seus p óp ios concei os cons i uin es
(GRASPE, 2002). Tendo em conside ação que, como já oi e e ido na secção do
mul ilinguismo ins i ucional, se ia impossí el se em u ilizadas odas as línguas
comuni á ias, es a limi ação es inge o “(…) onc ionnemen démoc a ique (…) de
l’Union.” (GRASPE 2002: 11). Po ou as pala as, se o mul ilinguismo não es á a se
p a icado em pleno em sé ias implicações democ á icas. Seguindo es a linha de
aciocínio, escolhe apenas uma língua se ia mais simples e menos cus oso mas “(…)
hen i wouldn’ be a democ acy any longe ,” (Rowe 2002: 7), uma ez que “(…) mos
o he popula ion would ha e li le o no idea wha was going on.” (idem: 7). Em e mos
ge ais, es a análise e ela que o “(…) mul ilingualism is no an absolu e impe a i e (…)
(A hanassiou 2006: 33), p incípio que ai sendo ansmi ido aos cidadãos eu opeus, po
meio de uma polí ica de comunicação ine icaz ( e I a Plašilo á, 2014). De ac o, es a
elação en e o mul ilinguismo e a polí ica de comunicação az odo o sen ido na medida
em que ha endo uma u ilização linguís ica ins i ucional limi ada, o que chega aos
cidadãos ambém o se á, pelo que “(…) people can’ be expec ed o obey he laws i
hey can’ unde s and hem.” (Rowe 2002: 5). Mesmo que o inglês cons i ua o idioma
“(…) wi h he la ges numbe o second-language speake s (…)” (idem: 8), não chega a
se dominado po me ade dos cidadãos eu opeus, o que e ela bem o ní el de language
disen anchisemen , seja u ilizando apenas es e idioma, seja eco endo a qualque ou o
indi idualmen e. Nessa óp ica, a ideia p opos a po Michele Gazzola (2006) de eduzi
d as icamen e as línguas de abalho e as o iciais pa a eduzi os cus os acaba

48
po se in iá el, não só po e implicações democ á icas mas ambém po que se ia uma
“(…) ga e cul u elle (…)” (GRASPE 2002: 12), a qual “(…) se paie che .” (idem:12).
Embo a exis a uma base legal pa a o mul ilinguismo e endo em con a a si uação eal,
conclui-se que a de esa da p ese ação linguís ica comuni á ia não se á p op iamen e
assegu ada incula i amen e, ainda que seja uma manei a de ga an i o espei o mínimo
po odos os idiomas, mas sim pelas p óp ias adesões e pela in luência dos p óp ios
Es ados e suas línguas. Po an o, sabendo que “(…) l’égali é démoc a ique des cul u es
exige l’égali é dans la pa icipa ion des langues (…)” (idem: 17), conside o que, na
e dade, exis e um “dé ice democ á ico linguís ico” na União Eu opeia.
49
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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