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O ensino e a aprendizagem entre a escola e o lar: um estudo de caso

Read accessible full text

O ensino e a aprendizagem entre a escola e o lar: um estudo de caso

Author: Vieira, Ricardo
Year: 1990
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/119536/1/510.pdf
UNIVERSIDADE
NOVA
E>E
LISBOA
FACULDADE
DE
CIÊNCIAS
SOCIAIS
E
HUMANAS
Depa amen o
de
An opologia
0
ENSINO
EA
APRENDIZAGEM
ENTRE
A
ESC0LA
E
0
LAR
-
UM
ESTUDO
DE CASO
-
Rica do
Viei a
In es iga^ão
ealizada
pa a
conclusão
do
Mes ado
em
An opologia
Social
e
Cul u al
e
Sociologia
da
Cul u a,
di igi-
da
pelo
P o esso
Dou o
Raul
I u a.
Pesquisa
inanciada
pelo
Ins i u o
Nacional
de
In es igacão
Cien í ica
(INIC)
AGRADECIMENTOS
Â
Inês,
que
i
nasce
quando
ge mina am
as
p imei as
ideias
do
que
aqui
esc e o,
e
que
me
deixou
se
pai
e
in es igado
.
Â
Ana,
minha
mulhe ,
pela
comp eensão
e
ajuda
incansá el
.
A
meus
pais que
me
deixa am
c esce
e
descob i
o
meu
p ôp io
caminho,
pe dido
que
es a a
e . e
a
men e
cul u al
e
o
sabe
le ado.
Aos
pu os
com
quem
con i i
e
i i
na
escola
e
na
ua,
miúdos
que
pensei
e
a
quem
me
liguei.
Ao
P o
.
Dou o
Raul
I u a,
pelo
in e esse,
empenho,
o ien acão,
ajuda
e
empa ia
que
me
dispensou
desde
o
p imei o
momen o
em
que
ocámos
ideias
sob e
o
que
aqui
deixo
consignado.
Aos
meus
p o esso es
de
Mes ado
que
se
empenha am
na
minha
o mac^ão
cien í ica.
A
odos
os
amigos
a
quem
me
sub aí
du an e
qua o
anos
pa a
pode
le a
a
água
ao
meu
moinho.
A
odos
aqueles,
que
mesmo
sem
o
sabe em,
con ibui am
de
algum
modo
pa a
es e
es udo.
Aqui
os
exp esso
a
minha
since a
g a idão!
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS
INTRODUgÃO:
*
0
p oblema
*
A
an opologia
e
a
educacão
*
A
me odologia
I
PARTE
0
SABER
ESCOLAR
CAPiTULO
1
-
A
ap endizagem
na
escola:
o
cu iculum
escola
15
*
0
Ensino
P imá io
*
0
Ciclo
P epa a ô io
CAPÍTULO
2
-
A
A aliacão:
o
que
o
aluno
não
sabe
5
9
*
A
A aliagão
na
P imá ia
*
A
A aliacão
no
Ciclo
P epa a ô io
CAPÍTULO
3-0
Cu iculum
ocul o
97
II
PARTE
0
SABER
QUOTIDIANO
CAPÍTULO
4
-
A
his ô ia
de
ida
111
*
Em
busca
da
men e
cul u al
*
A
c ianca:
empos
da
aldeia
e
empos
da
escola
CAPíTULO
5
-
A
Ap endizagem
pa a
além da
escola:
escola
135
da
ida
e
cognigão
*
0
ela i ismo
cogni i o
*
Os
sabe es
da
in ância
*
0
imb ôglio
III
PARTE
A
DESCONTINUIDADE
CAPÍTULO
6
-
Expec a i as
e
ealidades
15
7
*
Pais,
escola
e ilhos
*
0
que
pensam
os
alunos
da
escola
*
P o esso es,
a
escola
e a
ida
Em
jei o
de
conclusão
179
FOTOGRAFIAS
186
FONTES
E
BIBLIOGRAFIA
189
ANEXOS
INTRODUgÃO
0
p oblema
A
p oblemá ica
do
compo amen o
escola
em
me ecido
a
a encão
de
cien is as
dos
mais
a iados
quad an es
,
analisando
no malmen e
o
insucesso
ou
o
sucesso.
No
caso
de
Po ugal,
a
explicacão
mais
di undida,
seja
pela in es igacão
seja
pelo
p ôp io
Es ado,
em
colocado
a
ônica
nas
ca encias
das
c iancas,
aos
mais
di e sos
ní eis.
A
pa i
des as
p oblemá icas
emos indo
a
pa icipa
numa
equipa
de
in es igacão
o ien ada
pelo
P o
.
Dou o
Raul
I u a,
a
qual
se
em
deb ucado
sob e
a
passagem
da
men e
cul u al
ao
pensamen o
le ado:
o
p ocesso
do
insucesso
escola .
A
pesquisa
isa
conhece
a
men e
cul u al
que
o nece
o
coRhecimen o
que
pe mi e
a
con inuidade
his ô ica
dos
g upos
sociais,
is o
é,
o
sucesso
na
ida,
que
é
is o
como
a
ap endizagem
que
as
c iancas
azem
pa a
além
da
ins i uigão
escola .
A
hipô ese
cen al
de
odo
o
abalho
é
a
de
que
o
conhecimen o
pa a
c iacão
de
elacôes
sociais
e
pa a
o
desen ol imen o do
abalho
p odu i o
é
ei o
pa a
além
da
escola.
Toda ia,
a
ins i uicão
escola ,
seja
na
P imá ia,
Ciclo
P epa a ô io
ou
Secundá io,
exis e
e
a
ela
es ão
ob igados
a
assis i
apazes
e
apa igas
que
acabam
po
ap ende
na
escola
da
ida
o
que
não conseguem
ap ende
no
que
designamos
escola
pa alela,
mais
ulga men e
di a
de
ins i uicão
escola .
-1-

0
meu
p oblema
cien í ico
é
jus amen e
en ende
a
con ibui<;ão
do
ensino
no
la
e
do
ensino
na
escola,
na
cons ucão
do
conhecimen o
dos
memb os
indi iduais
da
nossa
sociedade
.
Sem
dú ida
que
o
abalho
da
ins i uicão
pa alela,
a
escola,
não
deixa
de
e
impo ância
nas
concepcôes
que
os
u u os
adul os
êm
ace ca
da
ida
social.
Is o
acon ece
em
qualque
cul u a
do
mundo
onde
a
no a
ge acão
é
semp e
en egue
a
especialis as
da
ge acão
mais
an iga
pa a
a
ep oducão
de
sabe es,
no mas
e
ideias.
Mas
há
cul u as
-
sejam
ibos,
clãs
ou
o
campesina o
-
onde
os
g upos
são
hie a quizados
e
o
sabe
es á
di idido
po
sexo,
idade
e
genealogias,
di o assim
pa a
simpli ica ,
assim
como
po
uma
o ganizacão
do
abalho
social,
di idida
en e
um
escasso
núme o
de
indi íduos
e,
em
consequência,
com
se e os
limi es
de
acesso
de
qualque
pessoa
a
qualque
sabe .
Há
uma
di isão
do
conhecimen o,
espalhada
pelo
g upo
social
â
qual
se
em
acesso
apenas
se
se
pe ence
ao
g upo
que
em
di ei o
a
um
sabe
de e minado,
ou
se
se
demons a
na
p á ica
a
capacidade
de
e ec ua
a e as
que
o
i ual
depois
i á
consag a
.
En e
nôs
o
caso
é
di e en e.
A
escola
em
sido
conside ada
como
o
luga
no mal
de
ensino
do
pa imônio
do
conhecimen o
que
o
Es ado
Nacão
em
desen ol ido
a a és
do
empo.
As
eses
Libe ais
desde
mui o
cedo,
e
no
século
XIX
em
Po ugal,
apos a am
numa
educacão
que pe mi isse,
po
igual,
o
acesso
de
odo
o
indi íduo
a
odo
o
conhecimen o
e,
em
consequência,
a
odo
o
bem.
É
uma
ese
que
,
no
seu
ideal
u ôpico,
-2-
esquece
no
en an o
a
elacão
exis en e
en e
a
iqueza
que
se
possui
e
o
empo
li e
pa a
se
dedica
ao
es udo.
To nado
ob iga ô io
o
acesso
â
escola,
a
pa i
da
13
República,
a
di e en9a
de
classe
social
cedo
esba a
con a
a
co elacão
an e io men e
e e ida.
Desde
1980
que
se
en a
diminui
a
al a
de
ecu sos
pe an e
a
al a
de
conhecimen o,
uma
apos a
de i ada
da
mudanca
sôcio-polí ica
oco ida
em
Po ugal
em
1974.
P og amas,
Dec e os
e
Leis
não
êm
con udo
a ido
uma
ealidade
que
pa ece
g i an e
na
ap endizagem:
po
um
lado
a
p á ica
de
abalho
dos
pais
de
adicão
o al
que
não
pe mi e
o
apoio,
a
ep oducão
do
sabe
le ado
dos
seus
ilhos;
po
ou o
lado,
as
condicôes
de
ensino
com
que
se
de on a
o
co po
docen e
no
seu
p ôp io
acesso
ao
sabe
e udi o
e
â
p oducão
de
cul u a
le ada
pa a
si
p ôp ios .
Assim
como
o
es udan e
é
deposi á io
dum
sabe
que
o
p o esso
lhe
o e ece,
ambém
o
p o esso
é
deposi á io
de
um
sabe
que
o
Es ado
ob iga
a
ep oduzi .
E
é
is o
que
nos
em
chamado
a
a en^ão.
Na
nossa
sociedade
di a
complexa,
o
conhecimen o
do
sabe
ep odu i o
não
es á
di idido
socialmen e
como
nos
pequenos
g upos
clãnicos
ou
ibais,
assim
como
em
sido
socialmen e
sub aído
a
p o esso es
e
es udan es
que
passam
a
conhece
apenas
os
aspec os
es u u ais
da
cons ucão
da
sociedade
po uguesa
a a és
do
empo,
e
não
os
aspec os
p ocessuais
que
mul iplicam
os
bens,
que
p oduzem
a
iqueza
que
pe mi i ia
e
o
empo
li e
pa a
o
acesso
a
um
sabe
mode no
que
em
con eúdos
que
em
eo ias
pedagôgicas
.
Da
pesquisa
que
enho
indo
a
desen ol e ,
enho
-3-
o
o
me
in e ido
que
es udan e
e
p o esso
êm
que
eco e
a
es a agemas:
uns
pa a
ap ende
cul u a
le ada
em
con ex os
de
cul u a
o al,
os
ou os
pa a
ensina
cul u a e udi a
em
con ex os
de
escasso
sabe
le ado.
0
p oblema
dos
meios,
p e e i
nã
abo da
pois
o
en endimen o
dos
es a agemas
-
concei o
que
pe mi e
e i a
o
de
es a égia,
e
que
acho
melho
de ido
ao
con eúdo
das
accôes desen ol idas
po
docen es
e
discen es
pa a
ul apassa
as
di iculdades
de
ensino
e
ap endizagem
dos
p o es-
so es
e
alunos
-
é
um
campo
demasiado
as o
pa a
pode
ele
p ôp io
se
odo
desen ol ido
.
De
ac o
a
minha
in encão
e a
es uda
o
sucesso
de
c iancas
que
ap endem
a a és
dee
um
cu iculum
escola
que
no
nosso
país
causa
insucesso.
Con udo
não
consegui
esol e
o
enigma.
Não
po que
a
es ínge
não
alasse,
mas
po que
disse
mui as
coisas:
no
meu
abalho
de
campo,
numa
escola
do
ciclo
p epa a ô io
duma
aldeia
do
Dis i o
de
Lei ia,
ape cebi-me
que
o
p oblema
cen al
consis ia
no
desencon o
en e
p o esso es
e
es udan es,
ao
mesmo
empo
que
no
a on amen o
en e
docen e
e
sabe ,
e
discen e
e
p á ica
de
ida.
0
di ô cio
en e
o
que
se
ensina
na
escola
e
no
la ,
azem
p opô
que
a
escola
é
a
al
anedo a
conjun u al
de
que
já
ala a
I u a
em
1990.
Também
o
di ô cio
en e
o
que
um
docen e
ap ende
quando
é
einado
pa a
ensina ,
e
as
pa ciais
mas
sucessi as
e o mas
do
sabe
le ado
acumulado,
azem
da
e a
do
ensino
a eias
mo edicas
que
le am
o
docen e
a
dois
ac os
p incipais
:
a
e
que
ep oduzi
o
seu
sabe
a
pa i
dos
p ôp ios
manuais
escola es
adop ados;
a
desenha
um
es udan e
ideal
pa a
encon a
um
objec i o
-4-
pe manen e,
não
cambian e,
na
sua
p á ica
p o
issional
.
Em
consequência,
a
minha
p opos a
de
abalho
é
de
que
o
docen e
ab ica
po
sua
con a
um
cu iculum
e
um
es udan e
descon ex ualizados,
o
p imei o
do
p og ama,
o
segundo
da
sua
p ôp ia
ealidade
cul u al.
Po
seu
lado,
o
es udan e
encon a
uma
ba ei a
o e
en e
o
la
que
lhe
ensina
as
p á icas
sociais
que
lhe
pe mi em
i e ,
e a
escola
do
acionalismo
posi i is a
onde
di icilmen e
se
ep oduzem
os
sabe es
e udi os
que
manda
sabe
o
Es ado.
Es a
ba ei a
é
cons uida
po que
a
c ianca
em
que
esponde
â
escola
com
a
a aliacão,
e
ao la
com
abalho;
e,
se
a
sua
a aliacão
é
nega i a,
as
suas
possibilidades
de
p og edi
escola men e
são
i ualmen e
inexis en es
enquan o
que,
se
não
esponde
ao
abalho
do
la ,
o
seu
sucesso
na
ida
é
i ualmen e
impossí el.
0
objec i o
da
inco po acão
do
i ual
no
sabe
da
nossa
sociedade
é
o
de
a ingi
g aus
de
conhecimen o;
mas
a a-se
duma
isão
idealis a
desen ol ida
pela
sociologia.
De
ac o
nem
há
i ual
nem
há
inco po acão.
0
que
exis e
é
uma
lu a
pa a
pode
calha
nas
demandas
desencon adas
com
que
a
nossa
in eliz
sociedade
en a
ao
mesmo
empo
ensina
o
es udan e
e
c ia
uma
base
de
iqueza
que,
con e ida
em
luc o,
oge
sis ema icamen e
das
suas
mãos
.
A
p á ica
escola
é
uma
ap endizagem
pa alela
â
p á-
ica
da
ida
cujo
elo
cen al
é
a
lei,
e
cujo
juíz,
a
a alia^ão
escola ,
é
ei a
compa a i amen e
com
o
aluno
ideal.
Tenho
analisado
e
en ado
en ende
as
duas
pa es
em
con li o
den o
da
ins i uicão
que
es udei.
A
hipô ese
undamen al
é
que
o
chamado
insucesso escola
é
p odu o
do
-5-
ao
mesmo.
Des e
o al
de
alunos
que
eio
a
se
o
uni e so
de
es udo,
que
passou
a
se
seguido
dia
a
dia,
den o
(no
Ciclo
P epa a ô io)
e
o a
da
escola,
seis
ep o a am
na
escola
p i-
má ia,
endo
um
apenas
ep o ado
mais
do
que
um
ano
.
Toda ia
conside ámo-los
odos
alunos
de
sucesso.
Desde
início
que
i émos
logo
in encão
de
apon a
pa-
a
um
es udo
que
osse
mais
além
do
que
uma
pesquisa
ipo
le an-
amen o,
que
iesse
a
co obo a
ainda
mais
as
es a ís icas
di ulgadas
ace ca
da
p oblemá ica
do
sucesso/insucesso
escola .
P opusémo-nos
en e eda
po um
es udo
de
caso
-
busca
numa
escola
o
único,
o
pa icula ,
ainda
que
pos e io men e
pa a
e idencia
semelhan^as
com
ou os
casos
já
que
es e
objec o
de
es udo,
único,
a ado
como
ep esen acão
singula
da
ealidade,
é
oda ia
his ô ico
e
con
jun u almen e
si uado.
Como
diz
o
P o .Raul I u a,
"a
escola
que
emos
é
o
esul ado
da
acumulagão
no
empo,
das
ideias
polí icas
,
daquilo
que
é
con enien e
que
a
populacão
ap enda
ou
do
que
se
sabe
a é
aí
pa a
os
ou os
ap ende em;
bem
como
é
esul ado
do
sabe
que
p ocede
de
pessoas
que,
no
empo,
i e am
di e en es
expe iências
.
"
(08)
As
écnicas
e ng á icas
êm
uma
longa
adicao
nos
es udos
an opolôgicos
mas
so
ecen emen e
se
comeca am
a
implemen a
nas
pesquisas
sob e
educacão,
com
a
c escen e
p eocupacão
de
en ende
e
busca
o
p ocesso
e
não
apenas
o
(08)
ITURRA,
Raul,
"A
p oducão
do
insucesso
escola ",
in
Fugi ás
å
escola
pa a
abalha
a
e a
-
Ensaios
de
An opolo-
gia
Social
sob e
o
insucesso
escola
,
Ed
.
Esche ,
Lisboa,
1990,
p.
162.
-12-

p odu o.
As
me odologias
quali a i as
êm-se
indo
a
impô
assim
âs
quan i a i as,
o
que
implica
um
con ac o
di ec o
e
p olongado
do
in es igado
com
a
ealidade
a
es uda .
0
adicional
abalho
de
campo,
clássico
em
An opologia,
su ge
ago a
aplicado
nas
á eas
de pesquisa
em
educacão,
e e enciado
po
ezes
com
ou as
e minologias.
Es as
abo dagens
são
icas
em desc icoes:
elacôes
in e pessoais,
si uacôes,
ac os
do
dia
a
dia,
depoimen os,
ex ac os
de
documen os,
ci acoes
e bais,
his ô ias
de
ida
e c.
0in es igado
já
não
se
limi a
a
p ocu a
e idências
que
comp o em
hipô eses
de inidas
å
p io i.
A
análise
ende
a
segui
ia
indu i a,
abs aindo
e
consolidado
ideias
a
pa i
da
obse acão da
ealidade,
de
baixo
pa a
cima.
Exis e
ob iamen e
um
quad o
eô ico
di ec o
da
pesquisa
e
da
análise,
mas
não
necessa iamen e
ques oes
especí icas
e
ce ezas
cons uídas
â
p io i.
A
me odologia
básica
da
in es igacão
espei an e
â
p imei a
pa e
des e
abalho
-
o
sabe
escola ,
consis iu
essencialmen e
na
obse acão
documen al
e
análise
de
con eúdo
de
bole ins
de
in o macao
da
a aliacão
dos
alunos,
cu iculum
do
p imei o
e
segundo
ciclos
do
ensino
básico,
p og amas,
manuais
escola es,
plani
icacoes
de
aulas,
sumá ios
e
es es
de
a aliacão;
ques ioná ios
a
p o esso es
e
alunos;
análise
do
discu so
e
a i udes
dos p o esso es
em
elacão
aos
alunos,
nas
suas
in e accoes
nos
in e alos,
sala
dos
p o esso es
e c.
No
ocan e
â
segunda
pa e
-
o
sabe
quo idiano,
a
ecolha
de
dados
apoiou-se
essencialmen e
na
e nog a ia
da
escola
e
da
ida
das
c iancas
em
oco,
em
his ô ias
de ida,
obse acão
pa icipan e
-13-
e
análise
si uacional
nos
seus
empos
li es
e
abalhos
do
g upo
domés ico
.
-14-
I
PARTE
O
SABER
ESCOLAR
Capí ulo
1:
A
APRENDIZAGEM
NA
ESCOLA:
0
CURRICULUM
ESCOLAR
1§
Pa e:
o
Ensino
P imá io
Pa imos
do
p incípio
de
que
o
conhecimen o
é
o
esul ado
duma
cons ucão
social.
A
ins i uicão
escola ,
al
como
já
aludimos,
nao
é
a
única
que
se
ocupa
dessa
cons ucao,
e
da
p ôp ia
ansmissão
de
sabe es
.
Aliás,
é
con enien e
analisa
os
ou os
espacos
onde
esse
p ocesso
oco e,
pelo
que
o
a emos
adian e
.
De
momen o
es e
capí ulo
p e ende
encon a
o
ipo
de
cidadão,
a
cons ucão
social
do
indi íduo,
idealizado
pelo
Es ado.
A a és
da
análise
dos
p og amas
do
Ensino
P imá io
(1)
e
do
Ciclo
P epa a ô io
(2),
dos
objec i os
e
me odologias
p opos as,
p ocu a emos
não
sô
ca ac e iza
o
cidadão
que
é
o jado
a a és
do
cu iculum
escola
mas
ambém
mos a
como
é
que
o
cu iculum
o mal
é
no
undo
um
dos
mecanismos
a a és
dos
quais
o
conhecimen o
é
"socialmen e
dis ibuido"
(3).
A
o ma
como
o
p og ama
é
desen ol ido
pelos
docen es,
(1)
P og amas
do
Ensino
P imá io
pa a
1980
-
suspensão
e
emodelacão
do
p og ama
de
1978/79,
ap o ado
pela
po a ia
nQ
572/79,
de
31
de
Ou ub o
.
(2)
Re o mulacao
dos
p og amas
do
Ensino
P epa a ô io
pa a
o
ano
lec i o
de
1981/82.
(3)
A
exp essão
é
de
Michael
F.D.
Young,
usada
no
a igo
"uma
abo dagem
do
es udo
dos
p og amas
enquan o
enômenos
de
conhecimen o
socialmen e
o ganizado"
,
in
Sociologia
da
Educagâo
-
II
,
An ologia
de
ex os
coo denada
po
Sé gio
G ácio
e
S ephen
S oe .
-16-
seguindo
c i e iosamen e
as
pegadas
da
plani icacao
minis e ial,
ou,
pelo
con á io,
usando
ou as
es a égias
de
ges ão
dos
con eúdos
implíci os
ou
explíci os,
é
um
ou o
p oblema
que
,
como
al,
abo da emos
em
espaco
p ôp io(4).
Po
o a
p eocupa -nos-emos
apenas
com
o
"boneco
de
ca ão"
(5)
que
se
cons ôi
a
pa i
do
indi íduo
que,
p o enien e
duma
expe iência
de
ida, ge ida
e
(4)
0
único
abalho
que
conhecemos
em
Po ugal
que
se
deb uce
sob e
a
análise
de
con eúdo
dos
p og amas
do
Ensino
Básico
é
o
do
GEP-
Análise
da
si uagão-
p og amas
,
MEC/GEP,
Lisboa,
1986.
E
oda ia
uma
ou a
linha
de
in es igacão,
mui o
mais
quan i a i a,
que
embo a
e e indo
no
p eâmbulo
que
"é
a a és
dos p og amas
que
se
pode á
segui
de
o ma
mais
e iden e
a
iloso ia
do
sis ema
de
ensino
e
o
ipo
de
expe iências
e
compe ências
que
o
Es ado
p opo ciona
ou
exige
aos
alunos",
pôe
mui o
mais
a
ônica
na
quan i
icacão
e
dis ibui^ão
dos
objec i os
das
á ias
disciplinas
pelos
ipos
de
desen ol imen o
que
isam p omo e ,
ao
longo
das
ases
do
ensino
básico,
usando
undamen almen e
a
es a ís ica
desc i i a
.
Suge e
ha e
uma
p omocão
pa icula men e
de
conhecimen os
na
lâ
ase,
de
capacidades
na
2â,
e
de
qualidades
na
3i
ase
(Ciclo
P epa a ô io)
.
Há
que excep ua
no
en an o,
em
elacão
ao
a i mado
an e io men e,
as
isôes
c í icas
ei as
po
especialis as
,
que
são
ap esen adas
em
anexo,
sob e
o
p og ama
de
cada
disciplina
em
pa icula .
Apesa
de
se
deb uca em
undamen almen e
sob e
o
que
es a á
inco ec o
e minologicamen e,
ou
em
e mos
de objec i os,
p opondo
al e na i as
melho
ajus adas,
cons i ui
uma
lei u a
ob iga ô ia
pa a
quem
se
quei a
deb u^a
sob e
a
análise
de
p og amas
do
Ensino
Básico
no
nosso
País.
E iden emen e
que
não
é
nossa
in encão
o mula
juízos
ago a
sob e
como
de e iam
es a
edigidos
os
di os
p og amas,
ou
quais
os
objec i os
a
a ingi
em
cada
ase.
P e endemos
sim
e lec i
com
objec i idade
sob e
a
sua
na u eza,
ideais,
me odologias
e
e icácia
na
cons ucão
do
cidadao
po uguês
.
T a a-se
pois
mui o
mais
de
cons a a
os
ac os
do
que
de
os
alo iza .
(5)
T a a-se
de
uma
exp essão
que
usa emos
bas as
ezes,
e
que
nos
su ge
exac amen e
pa a
denomina
a
o ma
como
é
is a
na
escola
a
c ianca
-
uma
en e
an as
ou as,
desp o ida
de
au en icidade
e
pa icula idades
-
um
es e eô ipo
po an o,
di e en emen e
da
ealidade.
De
ac o
ela
é
uma
c ianga
em
ca ne
i a,
di e en e
de
odas
as
ou as,
como
e emos
.
-17-

i enciada
" ace
o
ace"
com
a
p ôp ia
ealidade,
é
no
en an o
conside ado
na
p á ica
como
ábua
asa,
desp o ido
de
conhecimen o.
Não
p e endemos
oda ia
gene aliza
es a
a i macão,
nem
eme ê-la
pa a
qualque
p o esso
em
pa icula .
Con udo
Es a
a i macão
cons i ui
basicamen e
o
a gumen o
que
supo a
es e
capí ulo
dedicado
ao
sabe
ep oduzido
e
alo izado
pela
escola.
En ão
há
que
cons a a
pa a
já
um
p imei o
ac o
jus i
ica i o
da
azão
do
e e ido
a gumen o:
peguemos
no
p og ama
do
Ensino
P imá io,
e
logo
no
ema
inicial
dedicado
âs
ac i idades
iniciais
,
pode
le -se:
"Ao
en a
pa a
a
escola,
g ande
pa e
das
c iangas
não
em
p epa ada
pa a
ap ende ,
dada
a
inexis ência
de
educagão
p é-escola
g a ui a
no
nossc
País.
Pô-la
imedia amen e
em
si uagão
de
ap endizagem,
se á
p o oca
o
desânimo
de
"não
se
capaz".
"(6)
Coi ados
de
nôs
que
nunca
i émos
acesso
a
essa
educacão
di a
p é-escola .
Cong a ulemo-nos
no
en an o
com
o
ac o
de
es a mos
i os,
bem
c escidos,
lúcidos,
e
conscien es
da
elacão
escola/comunidade
e
escola/sociedade
.
Aleg emo-nos
ambém
po
nos
e mos
indo
a
cons ui
como
sujei os
e
agen es
no
p ocesso
de
cons ucão
duma
no a
escola
e
duma
no a
sociedade.
Não
i émos
"Ja dim
Escola"
mas
i émos
"escola
no
ja dim",
ou
melho ,
nos
pinhais,
nas
e as
em
cul i o,
na
ua
e c.
onde
ap endemos
e
adqui imos
mui os
conhecimen os
e
ins umen os
com
que
ul apassámos
essas
pseudoca ências
e
esse
"desânimo
de
não
se
capaz".
(6)
P og amas
do
Ensino
P imá io,
op.
ci
.
p.
15
-18-
E ec i amen e
o
pu o
(7)
que
chega
â
escola
é
po ado
duma
sé ie
de
sabe es
(8)
esul an es
da
sua
p ôp ia
his ô ia
de
ida,
di e gen es
dos
do
colega
do
lado
que
e e
uma
ou a
expe iência,
pelo
que
oda
a
u ma
a
quem
é
o necido
um
cu iculum
escola
único,
ob iga ô io,
comum,
ge al,
e
pa a
odos,
é
bas an e
he e ogénea
cul u almen e
.
Há
que
dize
ambém
en ão
que
os
alunos
não
es ão
em
pé
de
igualdade.
É
essa
di e enca,
essa
he e ogeneidade
de
expe iências,
de
sabe es,
essa
iqueza
de
conhecimen os
á ios,
desde
o
mais
p á ico
e
p agmá ico
a é
ao
eô ico
e
abs ac o
que
os
ilhos
de
algumas
eli es
adqui i am
já
há
algum
empo,
que
o
cu iculum
escola
não
conseguiu
ainda
ab a<;a
e
inco po a
nos
con eúdos
a
alo iza ,
a e i
e
a alia .
"[..<]
nem
seque
(ou
com
hon osas
excepgôes)
se
chama
a
a engão
pa a
as
di e engas
indi iduais
dos
nossos
alunos.
Sim,
ala-se
no"aluno
médio"
ou
"na
média
dos
alunos"
como
se
a
esse
mi o
se
di igisse
a
nossa
missão
de
educado es"
(9)
Enunciado
o
p oblema,
passemos
ago a
å
análise
dos
ac os
.
0
p og ama
do
Ensino
P imá io
apela
pa a
que
o
p ocesso
de
ensino/ap endizagem
se
a<;a
duma
o ma
in eg ada,
p ocu ando
(7)
"pu o"
é
um
concei o
socialmen e
cons uido
e
de
uso
comum
que
eme e
pa a
a
nocão
de
pe iz,
e
é
como
al
que
é
aqui
usado
(8)
sob e
a
impo ância
das
ap endizagens
an e io es
â
escola
e
designadamen e
sob e
a
impo ância
do
espaco
publico
da
comunidade
pa a
a
aquisicãode
sabe es
eja-se
o
a igo
"a
ua
como
espaco
educa i o"
in
BENAVENTE,
Ana
e
ou os,
Do
ou o
lado
da
escola
,
I.E.D.,
p.123
(9)
DIAS,
Es e
Luísa,
Em
busca
do
sucesso
escola
,
uma
pe spec i a,
um
es udo,
uma
p opos a,
li os
ho izon e,
bib.
do
educado , Lisboa,
1989,
p.41.
-19-
a ingi
objec i os
que,
oda ia,
não
sejam
conside ados
especí icos
de
qualque
uma
disciplina
em
pa icula .
No
domínio
das
capacidades
são
eles:
"obse a ,
manusea ,
desc e e ,
iden i ica ,
econhece ,
selecciona ,
dis ingui ,
enume a ,
colecciona ,
elaciona ,
compa a ,
esquema iza ,
classi ica ,
in e i ,
egis a ,
ep esen a ,
conclui ,
descob i ,
c ia ,
o dena ,
medi ,
cons ui ,
expe imen a ,
aplica ,
comunica
e
memo iza ".
Quan as
des as
capacidades
não
cons i uem
já
bagagem
do
miúdo
quando chega å
escola?
0
que
az
a
c ianca
quando
apanha
u a
e
sepa a
a
madu a
da
mais
e de?
não
es a á
ela
a
iden i ica ,
a
econhece
di e en es
qualidades
?
e
se
em
qualque
a e a
do
seu
quo idiano
domés ico
iden i ica
di e encas,
não
as
classi ica á
ambém
de
alguma
o ma
(
mais
e de/menos
e de;
maio /mais
pequeno;
al o/baixo)
?
E
que
melho
exemplo
pode emos
colhe
pa a
a
capacidade
de
c ia
e
de
aplica
em
no as
si uacoes
que
o
"b icolage",
"o
desen asca -se"
em
que
a
c ianca
do
meio
u al
se
em
einando
desde
mui o
no a?
E
quando
apanha
ba a as,
sen e
o
peso
dos
sacos
que
anspo a,
e
que
ai
con ando;
quando
indima,
enche
as
ces as,
as
do nas,
quan i ica
as
a obas
e
an e ê
a é
os
almudes
de
inho
?
não
es a á
ela
a
desen ol e
a
sua
cognicão
,
a
p a ica
o
cálculo,
a
medicao
do
eal
que
a
medeia
?
De
ac o
é
ão
also
dize
que
a
c ianca
não
es á
p epa ada
pa a
ap ende
como
dize
que
es á
a
comeca
a
ap ende .
Quando chega
â
escola,
a
c ianca
usa
é
ou a
linguagem,
ou a
e minologia
pa a
se
e e i
ao
eal,
assim
como
ou as
axonomias
pa a
classi ica e
a é
comunica .
Há
que
essal a
con udo
que
o
p o esso
não
es á
-20-
einado
pa a
en ende
a
men e
cul u al.
0p o esso
es á
sim
einado
pa a
en ende
que
enquan o
não
se
sabe
a
cul u a
acionalis a
não
se
sabe
nada.
A é
po que
ou i
o
ou o
conhecimen o
é
desce
do
pedes al
já
que
ele
ad ém
do
mundo
do
abalho
que
é
semp e
um
mundo
subs imado,
igno an e
.
Aliás,
na
cul u a
c is a,
que
é
onde
udo
is o
se
passa,
quem
em
que
abalha
com
as
suas
mãos
é
jus amen e
po que
é
igno an e,
po que
não
e e
cabeca.
Em
consequência
,
classi ica
cul u almen e,
é
digni ica
o
sabe
do
igno an e,
do
pagão,
que
a
escola
ai
con e e
num
homem
que
é
capaz
de
aciocina
po
ideias,
que
não
enha
en ol imen o
his ô ico
-
é
dize ,
que
não
enha
en ol imen o
pa en al,
izinhal,
da
p oducão
e c.
Admi amos
que
o
cu iculum
p e ende
muda ,
socializa
o
indi íduo
(
se
é
que
não
é
essocializa
)
,
sô
que
com
con eudos
e
me odologias
que
em
nada
lhe
são
amilia es,
que
apenas
consegue
imagina ,
e
que,
naqueles
em
que
p oduz
esul ados,
lhes
apaga
a
memô ia
de
o igem,
a
men e
cul u al
(10)
e
lhes
apon a
o
caminho
da
abs accão
da
descon ex ualizacão
.
Nasce
en ão
mais
um
boneco
de
ca ao,
que
ala
bem,
esc e e
e
calcula
bem,
mas
que
po
ezes
não
en ende.
Alguns
chegam
mesmo
a
se
conside a em
in-
elec uais,
in elec uais
po
ezes
de
"copo
e
ga a a",
que dizem
que
se
o ma am
em
his ô ia
ou
numa
ou a
coisa
qualque
mas
esquecem
que
a
his ô ia
de
um
po o
é
ei a
pelo
p ôp io
po o,
po
gen e
em
ca ne
i a
que
há
que
conhece
e
sabe
con ex ualiza
.
0
(10)
ejam-se
os
abalhos
do
p o esso
Raul
I u a
sob e
a
ealidade
camponesa
po uguesa
.
G ande
pa e
dos
ela i os
â
educacão
es ão
condensados
em
dois
li os:
Fugi ás
â
escola
pa a
abalha
a
e a
e
A
cons ugão
social
do
insucesso
escola
,
edi o a
Esche ,
Lisboa,
1990.
-21-
in o mais
que
ui
endo
com
alguns
p o esso es
do
ensino
p imá io
posso
in e i
que
eles
não
conhecem
g ande
pa e
do
p og ama
e
conhecem
ainda
menos
a
pa e
inicial
que
se
e e e
aos
objec i os
que
es amos
a
analisa .
0
ac o
é
que
se
o ien am
mui o
mais
pelo
cu iculum
ocul o,
que
é
cons i uido
pela
sua
p ôp ia
educacão
e
pela
sua
amilia idade
com
o
ac o
de
ensina .
Em
consequência,
o
p og ama
é
ainda,
modela ,
cons u o
dum
boneco
ideal,
mas
um
p og ama
que
é
azido
ao
eal
pela
p á ica
do
p o esso
como
aluno,
e
pela
p á ica
do
p o esso
como
docen e.
Aí
se
cons oi
um
no o
p og ama
a
que
nos
e e i emos
no
capí ulo,
o
cu iculum
ocul o.
Mui os
dos
p o esso es não
exi am
mesmo
em
a i ma
que
a
me odologia
que
u ilizam
é
de
ac o
a
melho .
Fac ualmen e
,
podemos
a i ma
que
um
dos
p o esso es
que
acompanhou
na
P imá ia
o
nosso
uni e so
de
es udo,
p a ica a
com
alguma
egula idade
a
pedagogia
do
puxão
de
o elhas
e
da
eguada,
conjun amen e
com
a
pedagogia
do
silêncio.
Uma
ez
que
ao
ilus a
a
não
mudanca
das
ela^Ôes
in e pessoais
na
sala
de
aulas,
izemos
alusão
å
escola
em
que
ealizámos
abalho
de
campo,
e
mui o
embo a
ela
não
seja
do
p imei o
ciclo
do
básico
e
nao
co esponda
ao
cu iculum
que
nes e
momen o
em
o
con eudo
em
análise,
in e essa
aze
cons a
alguns
dados
.
0
seu
co po
docen e
do
quad o,
(uma
ez
que
há
ce ca
de
50%
de
p o esso es
de
acumulacão,
seja
po an o
que
es ão
inculados
a
uma
escola
o icial
e
que
na
g ande
maio ia
são
p o
issionalizados
)
,
apenas em
um
p o esso
com
p o
issionalizacão,
e
ou os
dois,
a
quem
são
econhecidos
-28-

idên ico
es a u o,
pelo
menos
o malmen e,
uma
ez
que,
dado
o
empo
de
se ico
p es ado
no
Ensino
Pa icula
lhes
oi
dispensada
a
p o
issionalizacão e
dado
o
í ulo
de
p o esso es
adjun os
(ca ego ia
que
ao
ab igo do
con a o
colec i o
de
abalho
con e e
o
mais
al o
escalão
que,
ob iamen e
assim
se
e ec e
ambém
no
encimen o)
.
Não
que emos
com
is o
a i ma
ambém
se
es a
a
causa
exclusi a
desse
adicionalismo
de
elacôes
humanas
na
sala
de
aulas.
De
ac o
conhecemos
a é
p o esso es
que
sem
se em
p o
issionalizados
êm
uma
ac uacão
pedagôgica
bas an e
posi i a
e
ou os
que
embo a
o
sejam
o malmen e,
na
p á ica
são
mui o
mais
ins u o es
do
que
p op iamen e
educado es
ou
p o esso es.
E iden emen e
que
ambém
conhecemos
alguns
com
p e ensôes
ain elec uais
,
que
saí am
ecen emen e
de
aculdades,
ape echados
de
licencia u as
ecen es
e
passam
po
cima
dos
mais
elemen a es
p incípios
do
Ensino/Ap endizagem.
Pa ece
a é
que
an o
as
aculdades
como
os
p ôp ios
p ocessos
de
p o
issionaliza
p o esso es
não
êm
sabido
ensina
a
ap ende .
A
seu
empo
deb uca -nos-emos
ambém
sob e
es a
emá ica
ela i a
å
o macão
de
docen es
.
Quan o
aos
dois
úl imos
objec i os
do
p og ama
do
ensino
p imá io,
e
que
ci amos
uma
ez
mais,
é
impo an e
econhece
que
co espondem
a
conselhos
undamen ais
e
imp escindí eis
pa a
que
de
ac o o
quo idiano
seja
inco po ado
na
escola
e
no
seu
p ôp io
cu iculum
que
de ine
o
que
é
conhecimen o,
a
im
de
a
c ianca
se
iden i ica
com
ela:
"pe mu a
de
expe iências
den o
da
escola,
in e -escolas
,
escola/comunidade
;
in eg acão
social
das
c iancas,
endo
em
-29-
a encão
as
expe iências
cul u ais
di e sas
de
que
são
po ado as".
E
ec i amen e
o na-se
also
dize
que
o
p og ama
es a al
descu a
o
sabe
aze
e
as
expe iências
quo idianas,
se
ele
p ôp io
o
ecomenda
como
eg a.
Onde
es á
en ão
o
p oblema
?
Se á
que
podemos
acusa
a
Escola
?
Mas
que
Escola
?
A
a alia
pelo
desencon o
des es
p incípios
com o
que
é
de
ac o
solici ado
ao
aluno
(14),
há
queconclui
que
de
ac o
a
ins i uicão
escola
não
age
de
aco do
cc .
a
on ade
minis e ial,
e
que
o
p og ama
que
se
desen ol e
na
p á ica
como
sendo
o
o icial,
es a al,
acaba
po
se
uma
cons ucão
esul an e
do
p ôp io
sis ema
escola ,
sua
implan agão
no
e eno,
condicôes
ma e iais,
manuais
adop ados,
e c,
mas
ambém,
e
undamen almen e
da
p ôp ia
o magão
e
isão
do
p o esso
(15).
É
ce o
que
pa a
isso
coco e á
ambém
o ac o
do
p op io
p og ama
deixa
ao
p o esso
a
necessá ia
libe dade
pa a
ac ua
de
o ma
c ia i a,
eo denando
os
emas
e
os
objec i os,
de
aco do
com
a
ealidade
dos
alunos
(16).
Is o
legi ima
as
di e en es
manipulacôes
do
p og ama
mas
não
a
sup essão
do
con ex o
social e
cul u al
do
aluno.
Con udo
há
que
não
esquece
que
o
p og ama
é
um
ins umen o
que
o
p o esso
deixa
de
lado
mui as
ezes,
pa a
se
limi a
a
segui
o
li o
(
como
se
diz
ulga men e)
;
ou
(14)
Es a
ques ão
se á
abo dada
de alhadamen e
no
p ôximo
capi ulo.
(15)
Também
es a
p oblemá ica
se á
en ocada
de idamen e
no
capi ulo
dedicado
ao
cu iculum
ocul o.
(16)
P og ama
do
Ensino
P imá io
-
1980,
Minis é io
da
Educacão
e
Ciencia,
p.
4.
-30-
seja,
pelos
manuais
que
sao
já
po
si
uma
in e p e acão
do
p ôp io
p og ama,
que,
de
aco do com
os
ex os
e
con ex os
escolhidos
podem
le a
o
docen e
a
pô
de
lado
a
necessidade
de
consciencializacão
da
he e ogeneidade
cul u al.
T abalha-se
uma
ez
mais
com
a
manipulacão
dum
p og ama
ocul o
e
não
com
o
o icial.
Ac escen e-se
ainda
a
es a
ques ao,
de
como
cons ui
o
conhecimen o,
o
ac o
de
o
p ôp io
manual
pode
se
po ado
de
alo es
que
moldem
a
c ianca
de
o ma
di e en e
em
elacão
ao
cidadão
idealizado
pelo
cu iculum
es a al
no
momen o
his ô ico
p esen e.
Es a
se ia
uma
ou a
p oblemá ica
-
a
análise
de
manuais
escola es
-
que
e emos
de
deixa
pa a
u u as
in es igacôes,
uma
ez
que
isso
implica
ce amen e
mui o
mais
espaco/ empo
pa a
a
sua
co ec a
abo dagem.
Há
que
cons a a
pa a
já
que
idealmen e
o
cu iculum
escola
da
p imá ia,
em
e mos
de
objec i os
ge ais,
pa ece
a ende
å
di e sidade
e
ao
mul icul u alismo;
na
p á ica,
a
p ocu a
dos
objec i os
desse
mesmo
p og ama
ica
mui o
aquém.
Há
no
en an o
que
olha
aos
objec i os
especí icos
de
cada
disciplina.
Depa emo-nos
no
Meio
Físico
e
Social,
seguindo
a
o dem
do
p ôp io
Minis é io.
An es
de
mais,
pa ece-nos
ha e
uma
ce a
con usao
en e
objec i os
e
ac i idades
p opos as
.
Po
ou o
lado,
os
p ôp ios
objec i os
especí icos
de inidos
apa ecem-nos
um
pouco
agos
(exemplo
:
" econhece
in e dependência
dos
memb os
da
comunidade
local"
).
Po
ou o
lado,
ainda,
no
ocan e
aos
emas
a ados,
há
uma
ce a
desag egacão
no
desen ol imen o
dos
assun os
.
Assim,
a
-31-
alimen agão
é
a ada
no
1Q
Ano
(
enume a
os
alimen os
de
uso
mais
comuns
[...]
)
,
no
2Q
Ano
(
econhece
a
o igem
dos
alimen os
[...])
e
3Q
Ano
(
iden i ica
p odu os
alimen a es
da
egião
[...]
)
deno ando
alguma
supe
icialidade,
epe igão
necessa iamen e,
e
uma
ce a
con adicão
com
o
ac o
de
o
p ôp io
p og ama
e e i
na
página
32:
"Assim,
os
objec i os
da
p imei a
ase
são
os
que
es ão
elacionados
com
a
explo acão
ac i a
do
ambien e
imedia o
das
c iancas
e
com
o
desen ol imen o
da
capacidade
de
discu i ,
[...]
.
O a,
pa ece-nos
que
o
que
apa ece
especi icado
no
3Q
ano
de e ia
se
objec o
de
p eocupacão
no
pon o
de
pa ida,
a é
como
mo i acão
da
p ôp ia
c ianca
que,
iden i icando-se
com
as
p oblemá icas
em
ques ão,
es a ia
já
a
da
um
passo
pa a
a
cons ucão
do
seu
sucesso
escola .
Com
e ei o
ha
que
e e
que
sem
mo i acão
não
ha e á
ap endizagem
solidi
icada.
Dá-se
uma
sob e alo izacão
das
aquisicôes
cogni i as,
p incipalmen e
elacionadas
com
a
memo izacão
(
iden i ica ,
econhece ,
compila ,
enume a ,
ag upa ,
mdica )
em
de imen o
do
desen ol imen o
da
capacidade
de
descob i ,
pesquisa .
Nao
que
o
ac o
de
memo iza ,
em
si,
seja
mau
.
Memo iza
pode
se
um
mau
exe cício
po que
não
pe mi e
sai
a
c ianca
do
pensamen o
analôgico
den o
duma
sociedade
que
se
ep oduz
pelo
ensino
do
cálculo
econômico.
É
po
isso
que
e lec i
é
um
exe cício
mais
adap á el
â
ealidade
social.
Memo iza
é
um
exe cício
de
submissão
a
p incípios
que
nao
êm
explicacão
e
que
a as am
a
c ianca
do
en endimen o
do
cálculo.
Memo iza
p epa a
pa a
en ende
as
le as
já
esc i as;
comp eende
p epa a
pa a
o
-32-
en endimen o
da
ep oducão
do
social,
e
pe mi e
c ia
as
p ôp ias
condicôes
de
ida
e
assim
aze
indi íduos
que
é
o
objec i o
da
sociedade
ociden al.
As
ac i idades
p opos as
apon am
mui o
pouco
pa a
o
abalho
em
g upo
e
mui o
mais
pa a
as
a e as
a
ealiza
pelo
p o esso
(exemplo:
"con e sa
sob e
a
habi agão,
de
modo
a
que
as
c iancas
descub am
as
uncôes
das
á ias
dependências
que
a
o mam
ea
necessidade
de
as
conse a
a umadas
e
limpas)
Bas as
ezes
se
suge em
ac i idades
de
oca
imp esssôes,
con e sa
sob e,
alo iza ,
o ganiza ,
ep esen a ,
u iliza
e c.
semp e
po
e e ência
ao ac o
de
ensina
do
p o esso
e
mui o
pouco
po
e e ência
ao
ac o
de
ap ende
-
seja,
le a
a
c ianca
a
e lec i
ea
descob i ,
com base
nos
seus
in e esses,
i ências
e
capacidades
,
que
de em
cons i ui
os
p incipais
eículos
de
ap endizagem.
0
p og ama
de
Língua
Po uguesa
subo dina
os
seus
objec i os
aos
emas
:
exp essão
o al,
ocabulá io,
exp essão
esc i a
e
uncionamen o
da
língua.
Mas
po quê
chama
a
is o
emas?
São
sim á eas
a
ap eende
a
um
mesmo
ní el
pa a
de
ac o
se
domina
uma
língua,
na
esc i a
e
na
o alidade.
Toda ia,
na
o ma
como
são
ap esen ados
,
co e-se
o
isco
de
um
aluno
pode
conclui
o
4Q
ano
de
escola idade
com
mui o
mais
eino
pa a
abs ai
sob e
as
eg as
linguís icas,
pa a
ala
sob e
a
língua,
g amá ica,
do
que
pa a
ala e
esc e e
co ec amen e
de
ac o.
Is o
en a
em
choque
com
os
p opôsi os
que
o ien a am
a
ees u u agão
do
p og ama
de
Língua
Po uguesa
em
igo
desde
75/76
:
"[...]
abo da
a
língua
como
objec o
de
e udo
que
em
-33-

mui os
aspec os
se
a as e
isi elmen e
de
uma
g amá ica
ei a
de
de inicôes
e
aplicacão
de
eg as
de
uncionamen o
memo izadas
".
Na
en a i a
de
"apon a
o
caminho"
ao
p o esso
-
seja
de
apon a
objec i os
que
ajudem
o
p o esso
a
o ien a
o
abalho
dos
alunos,
cons a am-se
po
ezes
epe icôes
de
ano
pa a
ano,
icando-se
sem
sabe
quando
é
que
o
objec i o
desse
ano
e
nesse
" ema"
oi
a ingido.
A
í ulo
de
exemplo:
na
exp essão
o al
su -
gem
os
seguin es
enunciados
:
exp essa -se
li e
e
espon âneamen e
(1Q
Ano)
;
exp essa -se
li emen e
(
2Q
Ano)
-
se á
que
deixou
de
se
necessá ia
a
espon aneidade
?
;
u iliza
a
língua
como
meio
de
comunicacão
e
de
inse gão
na
sociedade
(
3Q
Ano)
-
e
ao
se
exp essa
não
se
es a a
já
a
comunica
?
;
u iliza
a
língua
como
meio
de
comunicacão
e
de
inse cão
na
sociedade
(4Q
Ano)
-
que
di e enca
a
ac escen a
em
elacão
aos
objec i os
do
3Q
Ano?
0
p og ama de
Ma emá ica
é
an ecedido
po
um
conjun o
de
ecomendacôes
me odolôgicas
mui o
in e essan es
:
"
-
sejam
di e si icadas
as
o mas
de
abalho
(em
g upo,
em
pequenos
g upos
e
indi idual)
-
seja
concebida
a
escola
não
sô
como
o
edi icio,
mas
ambém
como
oda
a
egião
onde
se
si ua
-
sejam
as
c iancas
a
pa icipa
ac i amen e
na
cons ucão
dos
seus
conhecimen os
-
se
a enda
pe manen emen e
aos
di e en es
ní eis
de
desen ol imen o
dos
alunos
e
aos
seus
in e esses,
indi idualizando
a
es a égia
de
ap endizagem"
-
e
ou os
ainda
que
é
pena
não
e mos
em
p á ica
nas
nossas
escolas
.
Po
ou o
lado,
quando
nos
deb ucamos
sob e
os
objec i os
especí icos
e
suges ôes
de
ac i idades,
logo
nos
depa amos
com
um
início
pouco
mo i ado
pa a
a
c ianca.
E
ec i amen e
comega-se
logo
po
pa i
-34-
pa a
a
abs acgão:
" o ma
conjun os
a
pa i
de
p op iedades
;
enuncia
p op iedades
dos
objec os
dum
conjun o"
,
suge indo-se
a
u ilizagão
de
"esquemas
em
á o e,
linhas
echadas
e
quad os
de
dupla
en ada".
Nas
ac i idades
p opos as
nunca
islumb amos
a
suges ão
de
exemplos
p ác icos
que
con ex ualizem
essa
" on ade"
de
que e
aba ca
o
quo idiano,
o
meio
en ol en e
ea
di e enciagão
cul u al.
Pelo
con á io,
cons a amos
que
a
ônica
da
disciplina
de
ma emá ica
é
pos a
no
eino
do
cálculo,
descon ex ualizadamen e,
no
desen ol imen o
in elec ual
do
aluno,
sem
a ende
a
odo
um
núme o
de
equisi os
básicos
de
o dem
espacio/ empo al
onde
a
c ianga
se
de e
econhece
pa a
se
sen i
mo i ada
e
pode
en ão
passa
a
abs ai
p og essi amen e
.
Com
a
Exp essão
Plás ica,
su ge-nos
um
conjun o
de
disciplinas
âs
quais
nos
pa ecem
se
dispensadas
uma
a engão
meno .
Re e imo-nos
ago a
â
exp essão
p og amá ica
minis e ial e
ao
seu
p osseguimen o
na
p á ica,
pelos
docen es
.
Com
e ei o,
na
Exp essão
Plás ica,
Mo imen o
Música
e
D ama,
e
Educagão
Física,
são
apon adas
apenas
suges ôes
de
ac i idades,
sem
se em
de inidos
objec i os
a
a ingi ,
como
se
duma
"passagem
do
empo"
se
a asse,
dum
p eenchimen o
do
empo
li e
da
ap endizagem
do
le ,
esc e e
e
con a .
Excepgão
pa a
o
p og ama
de
Exp essão
Religiosa
-
Religião
e
Mo al
Ca ôlicas,
onde
de
ac o
o
p og ama
segue
idên ica
es u u a
aos
já
an e io men e
ocados
:
emas,
objec i os
especí icos
e
suges ôes
de
ac i idades.
Mas
ejamo-las
uma
po
uma
.
Na
Exp essão
Plás ica
comega-se
po
suge i
"o
con ac o
com
as
pala as
:
al o/baixo;
g ande/pequeno;
-35-
abe o/ echado;
e c.
Pa ece
a a -se
dum
abalho
linguís ico,
pelo
menos
a
a alia
pelo
modo
como
são
exp essas
as
ac i idades.
Os
í ulos
onde
se
inse em
-
Expe iência
de
espago;
expe iência
de
empo
e
ac i idades
p opos as,
le am-nos,
e
uma
ez
mais
a
uma
insis ência
no
pensamen o
ma emá ico
e
linguís ico
e
não
a
uma
iniciagão
â
disciplina
em
causa.
Os
assun os
são
abo dados
com
uma
e minologia
pouco
ulga
pa a
p o esso es
não
especializados
no
assun o
(
eco demos
que
o
p og ama
é
pa a
se
manipulado
e
ge ido
po
p o esso es
do
Ensino
P imá io
)
o
que
con ida
ambém
a
subs ima
na
p á ica
a
p ôp ia
disciplina
cu icula .
Podemos
in e i
da
análise
de
algumas
ases
in odu ô ias
âs
ac i idades
suge idas,
a
p essuposigão
dum
aluno
pog amado
com
que
se
de e
iden i ica
a
c ianga
em
cada
ní el
e á io
e
do
p ôp io
p osseguimen o
o icial
de
es udos
:
"
po que
já
em
um
pensamen o
lôgico,
apoia-se
na
ealidade,
en iquece-se,
em
p ecisão,
[...]
A
sua
imaginagão
é
ago a
mais
ampla
e
c ia i a,
a
sua
inicia i a
a i ma-se
mais"
.
(17)
Uma
ez
mais
cons a amos a
exis ência
do
já
ão
e e ido
"boneco
de
ca ão"
que
co esponde
â
en a i a
de
uni o miza
as
dispa idades
con idas
em
cada
aluno.
0
p ôp io
p o esso
quando
lê
o
p og ama,
ao
encon a
ci agoes
como
es a,
ai
conside á-las
como
p incípios
psicolôgicos
com
que
ai
agi
(18),
ipologias
da
no malidade,
e
é
induzido
numa
a i ude
de
" unil",
onde
en am
di e en es
expe iências
i enciais
(17)
P og amas
do
ensino
p imá io
op.ci .
p.161
(18)
Passa
a é
a
conside a -se
como
um
conhecedo
e
en endedo
dos
p incípios
da
psicologia
do
desen ol imen o.
-36-
as
quais
se
aplicam
esquemas
me odolôgicos
únicos
(19)
pa a
odos.
No
en an o,
na
suges ão
das
ac i idades
p op iamen e
di as,
su gem
de inidos
do
lado
esque do,
den o
de
caixas,
concei os
que
mui o
embo a
co espondendo
a
objec i os,
con adizem
o
que
es a ia
implíci o
an e io men e
no
p og ama
e
que
já
e e imos.
Ago a
aqui
ala-se
de
di e engas:
" econhece
que
os
homens
i em
em
g upos
di e en es,
com
compo amen os
p ôp ios".
Con udo,
a
a alia
pela
o ma
como
es ão
exp essos,
mais
pa ecem
e
a
e
com
a
disciplina
de
Meio
Físico
e
Social
do
que
com
a
que
es á
em
ques ão.
0
p ôp io
con eúdo
das
suges ôes
de
ac i idades
deno a
aqui
ambém
um
ce o
e nocen ismo,
ou
melho ,
um
u banocen ismo.
E
ec i amen e,
ala-se
a a és
dum
p og ama
único
pa a
o
Ensino
P imá io
de
odo
o
País,
o necendo
ideais
pa a
conc e iza ,
ideias
e
coisas
essas
que
são
as
da
cidade,
não
as
do
País
eal.
Também
a
es a
c í ica
se
e e e
a
ob a
do
G.E.P.
sob e
análise
de
p og amas
,
a
que
nos
e e imos
de
início:
"A
ilus agão
de
expe iências
i idas
em
é ias,
iagens,
passeios,
excu sôes
",
sem
ao
menos
um
e c,
con ém
a
ma ca
de
uma
concepgao
u bana
e
cen alis a
do
cu iculum,
desligada
da
nogão
de
um
país
(que
são
aldeias,^
luga es,
ilas, onde
concei os^
como
" é ias, iagens,
passeios,
e c.
"
êm
sen idos
mui o
ela i os
ou-in-
elizmen e-não
êm
qualque
sen ido)
.
(20)
Em
elagão
â
cons ugão
do
boneco
de
ca ão
que
(19)
Re e imo-nos
a
um
modelo
de
Paulo
F ei e
usado
pa a
compa a
a
Escola
com
um
unil,
onde
en am
as
c iangas
com
odas
as
suas
ca ac e ís icas
que
as
o nam
di e en es,
e
donde
saem
modeladas
e
uni
o mizadas
pelo
ubo
es ei o
do
unil.
(20)
GEP,
análise
da
si uagão
de
p og amas,
op
.
ci .
p.144
-37-
concepgão
do
Homem,
das
suas
acgoes
e
das
suas
elagôes
en e
os
homens
.
Fazem-no
po
e e ência
a
um
sis ema
de
alo es,
pelo
ecu so
â
ep esen agão
de
um
modelo
é ico,
cujo
objec i o
mais
undamen al
é
o
de
assegu a
o
acesso
do
aluno
â
pe sonalidade
adul a.
"
(28)
Su ge-nos depois
uma
con adigão
com
o
que
an e io men e
oi
e e ido,
em
elagão
ao
espei o
pelas
di e engas.
Quase
a
e mina
o
ol
dos
"p incípios
básicos"
pode
le -se:
"um
ensino
acessí el
pa a
es a
ase
p essupôe
um aumen o
da
sua
qualidade,
sem
de
o ma
alguma
igno a
que
há
deg aus
que
a
c ianga
em
necessa iamen e
de
pe co e
e
que
a
maio ia
das
nossas
c iangas
es á
diminuída
a
ní el
ísico
e
in elec ual"
(
29)
.
Como
diminuída
se
nem
se
ala
de
diagnôs ico
dos
sabe es
já
adqui idos
?Com
que
undamen o
?
Se
pensa mos
nas
populagôes
u ais,
desde
cedo
o
jo em
é
aí
iniciado
em
ac i idades
ísicas
que
lhe
hipe desen ol em
a é,
de e minados
músculos
.
Quan o
ao
ní el
in elec ual
eles
e en ualmen e
e ão
um
eino
di e enciado
daqueles
que,
p o enien es
duma
socializagao
p imá ia
em
con ex o
de
classe
média,
encon am
uma
con inuidade
nos
p ocessos
de
pensa
e
agi
an e io es
e
nos
ago a
exigidos
no
Ciclo
P epa a ô io.
A
e mina
assim,
pa ece-nos
que
a
in odugão
des es
p og amas
acaba
po apaga
o
que
de
an opolôgico
inha
que ido
conside a
an e io men e
:
as
c iangas
são
di e en es
po que
são
p oduzidas
po
di e en es
con ex os
.
Em
e mos
ago a
disciplina es,
a
disciplina
de
(28)
GEP-Educagão,
Manuais
escola es
,
análise
de
si uagão
,
sé ie
B:
dinâmica
do
sis ema
educa i o,
Lisboa,
1989,
p.
81.
(29)
P og ama
do
ensino
p epa a ô io,
op.
ci .,
p.
6
-44-

Po uguês
ad e e
duma
o ma
eloquen e
pa a
a
necessidade
de
ma ca
um
i mo
pela
p ôp ia
c ianga:
"
adap á el
âs
condigôes
e
ca ac e ís icas
de
cada
um,
de
cada
g upo,
de
cada
egião,
a
ap endizagem
p opos a
há-de
o e ece
a
odos
os
caminhos
acessí eis
e
de
igual
in e esse
"(30)
e
ainda,
pa a
melho
isa
o
espei o
pelas
he e ogeneidades
cul u ais,
ac escen a:
"
o
espei o
po
ca ac e ís icas
e
in e esses
locais
condiciona á
a
escolha
de
emas
que,
azendo
a
c ianga
descob i
o
que
é
seu
e
es a
pe o,
a
le em
a
p ocu a
conhece
o
seu
País
e
o
Mundo"(31).
P incípios
ideais
es es,
pos ulados
indispensá eis
a
quem
p e enda
pa icipa
na
cons ugão
duma
pedagogia
mais
assen e
na
ap endizagem
do
que
p op iamen e
no
ensino.
0
"senão"
acon ece
po ém
com
as
p opos as
de
ac i idades:
ala-se
de
lei u a,
de
explo agão
g ama ical
e
ocabula ,
não
de
o alidade,
não
duma
con ex ualizagão
com
os
quo idianos
mas
mais
duma
abs acgão
das
eg as
conducen es
a
uma
boa
manipulagão
da
Língua
Po uguesa.
Po
ou o
lado,
e
como
izémos
já
alusão,
os
p ôp ios
manuais
que
i ão
depois
se
u ilizados,
i ão
e ec i amen e
se
semp e
um
caminho,
um
e e encial
impos o
de
cima
pa a
baixo,
e
que
ag a a
a
comunicagao
con ex ual.
Também
o
p og ama
de
Ciências
da
Na u eza
inclui
nos
seus
objec i os
a
p ocu a
dum
e e encial
com
as
expe iências
de
ida:
"Aquisigão
de
conhecimen os
que
se
p ocu a á
e em
elagao
com
a
expe iência
das
c iangas"
(
32
)
.
Em
e mos
das
me odologias
(30)
P og amas
do
ciclo
p epa a ô io,
op.
ci .
p.
8
(31)
P og amas
do
ciclo
p epa a ô io,
op.
ci .
p.
9
(32)
P og ama
do
ciclo
p epa a ô io,
op.
ci .
p.
29
-45-
suge idas
é
b ilhan e,
pelo
menos
em
e mos
ge ais
(33)
e
no
que
conce ne
âs
in engôes
:
"
a
ma é ia
a
explo a
em
cada
aula
não
de e
se
ap esen ada
como
um
co po
de
conhecimen os
já
ei o
que
de e mine
no
aluno
a i udes
de
passi idade;
[...]
obse agão
conseguida
a a és
do
con ac o
com
o
eal
[...]
",
já
que
no
que
espei a
aos
con eúdos
p og amá icos
,
al
co no
ap esen ados
,
ou
melho ,
lis ados,
nos
pa ecem
pe de
de
is a
o
e e ido
meio
de
acgão
que
se
conc e iza ia
a a és
das
ma é ias
a
es uda .
Há
que
econhece
que
não
nos
conside amos
en endidos
pa a
c i ica
os
con eúdos
cien í icos
da
disciplina
em
causa,
aliás
como
de
mui as
ou as,
ou
pa a
p oblema iza
o
seu
elacionamen o
com
o
ní el
cogni i o
de
c iangas
des e
ní el
e á io.
Con udo,
e dade
seja
di a,
que
ele
es á
cheio
de
boas
in engôes
psicossociopedagôgicas:
"
A
odo
o
cus o
e emos
de
e i a
aqueles
es ados
de
ensão
que
mui as
c iangas
a ingiam,
com
os
mé odos
adicionais,
odas
as
ezes
que
p es a am
uma
p o a.
[...]
o
exe cício
se á,
assim,
mais
um
p ocesso
de
ap endizagem
[■■■]
(34).
Con udo,
e
uma
ez
mais,
le an amos
a
hipô ese
dum
p oblema
que analisa emos
no
capí ulo
qua o:
o
p o esso
não
pôe
em
p á ica
es as
in engôes
do
ensina
a
ap ende ,
ele
manipula
um
ou o
p og ama
que
es á
na
sua
men e,
que
se
iden i ica
com
os
seus
ideais
do
que de e
se
o
ensino
das
ciências
da
na u eza;
não
pa e
das
isi as
de
es udo,
explíci as
nas
ano agôes
ao
p og ama,
pa a
cons ui
um
desen ol imen o
p og amá ico
(33)
Digo
ge ais
po que
os
p incípios suge idos
são
aplicá eis
a
qualque
disciplina
e
não
de em
mesmo
se
exclusi os
de
Ciências
da
Na u eza.
(34)
P og amas
do
ensino
P epa a ô io,
op
.
ci .
p.
32
-46-
con ex ualizado.
E ec i amen e,
quando
pensamos
num
p o esso
des a
á ea
cien í ica,
que
omos
ou indo
ala ,
e
que
es e e
po an o
implicado
no
nosso
es udo,
eco damos
que
isa a
bem
se
aman e
da
di a
pedagogia
adicional,
aliás
comba ida
pelo
p ôp io
p og ama:
"
[...]
o
p aze
de
sabe
que
eles
não
sabem
nada
do
que
eu
sei.
[...]
Gos o
que
enham
medo
de
mim"
.(35)
Es e
mesmo
p og ama
de
Ciências
das
Na u eza,
é
al o
de
c í icas
po
pa e
de
especialis as
da
ma é ia,
num
abalho
do
GEP,
endo
como
undamen o
um
es udo
ealizado
em
1984
em
3
u mas
de
escolas
p epa a ô ias
de
Lisboa
e
a
eo ia
de
Piage
sob e
os
es ádios
das
ope agôes
conc e as
e
ope agôes
o mais:
[...]
Mui os
con eúdos
cien í icos
cons an es
do
p og ama
-
eo ia
co puscu-
la ,
concei os
de
ma é ia,
[...]
não
e am
adequados
ao
ní el
e á io
dos
alunos
.
[...]
é
dado
g ande
ên ase
aos
con eúdos
cien í icos,
não
exis indo
equilíb io
en e
as
duas
componen es
undamen ais
da
ciên-
cia
-
p ocessos
e
p odu os
[.
.
.]
"
(36)
Con udo,
em
e mos
de
discu so
e
de
in engôes
pedagôgicas,
e
se
exclui mos
a
o ma
gené ica
com
que
são
de inidos
os
objec i os,
o
p og ama
de
Ciências
da
Na u eza
pa ece-nos
p e ende
enquad a -se
numa
pedagogia
ac i a,
como
di ia
Rousseau
(37),
numa
pedagogia
indu i a,
que
uncione
de
baixo
pa a
cima,
do
eal
pa a
as
ideias,
dos
p oblemas
pa a
as
abs acgoes.
A
dú ida
coloca-se
depois
na
in e p e agão
do
(35)
Recolha
o al
em
obse agão
pa icipan e
na
sala
de
p o
esso es
.
(36)
GEP
-
Análise
da
si uagão,
p og amas,
op.
ci
.
p.
169
(37)
ROUSSEAU,
Jean
Jacques,
Émile
ou
de
1
'éduca ion
,
lib a ie
Ga nie
F ê e,
(s/d).
-47-
p og ama,
que
po
pa e
dos
manuais
em
igo ,
e
a
se em
escolhidos,
que
po
pa e
do
docen e,
que
az
o
seu
desen ol imen o
.
Aliás,
e a
elagão
ao
que
acabámos
de
suspei a ,
Ma ia
Leono
Ba ão,
au o a
do
pa ece
sob e
o
p og ama da
disciplina
de
ma emá ica,
in eg ado
na
já
e e ida
ob a
do
GEP,
diz
cla amen e
que
nem
p o esso es
nem
os
li os
co espondem
â
on ade
do
p og ama
:
"0
p og ama
que
es á
em
igo
em
ce ca
de
10
anos
.
Poucos
p o esso es
o
cump em,
limi ando-se
a
"ensina "
segundo
a
sequência
exp essa
no
"li o
adop ado"
.
Po
exemplo:
adop a-se
pa a
o
1Q
ano
es e
ou
aquele
li o
con o me
o
g upo
de
disciplinas
es á
mais
i ado
pa a
"comega "
po
"conjun os"
ou
po
"núme os"
.
Dos
10
li os
pa a o
1Q
ano,
p opos os
pelas
edi o as
em
junho
de
85,
sô
dois
seguem
esc upulosamen e
a
sequência
e
os
i ems
dos
emas
do
p og ama
o icial."
(38)
Po
seu
lado,
o
p og ama
o icial,
aquilo
que
é
de inido
pelo
Minis é io
como
o
que
o
aluno
de e
ap ende
de
ma emá ica
no
ciclo
p epa a ô io,
co esponde
mais
a
uma
lis a
de
con eúdos
que
o
aluno
de e
in e io iza , a a és
de
p oblemas- ipo.
Descu a-se o
ap ende
a
ap ende ,
que
pode ia
esul a
do
despole a
da
cu iosidade
e
imaginagão
da
c ianga
pe an e
p oblemas
comuns
.
E
ec i amen e,
nas
conside agôes
ge ais
do
p og ama,
su ge
exp esso
o
ideal
do
elacionamen o
com
o
eal:
"o
desen ol imen o
da
capacidade
de
ma ema iza
si uagôes
da
ida
eal;
[...]
espei a
a
di
e enciagão
indi idual
dos
alunos[
.
..
]"
(39)
.
Po ém,
os
p ocessos
de
ap endizagem
não
es ão
(38)
GEP,
análise
da
si uagão,
p og amas
,
op.
ci .
p.17
5.
(39)
P og amas
do
Ensino
P epa a ô io,
op.
ci
.
p.
39.
-48-
exp essos
no
p og ama,
es ão
sim
as
emá icas.
Is o
conduz
os
docen es
a
uma
a aliagão
po
"objec i os
de
compo amen o
obse á eis"
;
o
aluno
sabe
conjun os
e
núme os
ou
não
sabe
.
Ou
se á
que
não
es ando
explíci as
as
me odologias
pa a,
es a ão
conscien emen e
implíci as
na
lis agem
de
conhecimen os
exigidos
pelo
p og ama,
e
que
o
"p o esso
mic o one"
(40)
ou
o
p o esso
papagaio
p o e i á,
e
exigi á
bem
ep oduzido
?
A
nossa
suspei a
e
mesmo
uma
a i magão
dos
especialis as
em
me odologia
de
ensino
da
ma emá ica:
"
A
o ganizagão
das
unidades
de e
se
acompanhada
de
suges ôes
pa a
si uagôes
de
ap endizagem
a
c ia
com
os
alunos
-
não
de
o ma
exaus i a
e
com ca ac e ís icas
de
ecei a,
mas
de
modo
a
despe a
no
p o esso
o
in e esse
pelos
"mé odos
ac i os",
suge indo-lhes
ac i idades
de
ipo
a iado
e
[...].
(41)
0
p og ama
de
educagão
isual
diz
undamen a -se
"na
necessidade
de
ensina
a
c ianga
a
comp eende
e
ap ende
a
u iliza
a
comunicagão
isual
como
ins umen o
de
o magão
pessoal
e
social[...]"
(42).
Há
que
aze
cons a
pa a
já,
que
se
a a
dum
p og ama
mui o
abe o
â
ealidade
social
e
â
plu alidade
de
"públicos"
que acedem
â
escola.
Po
ou o
lado,
dá
ên ase
âap endizagem,
ao
espí i o
e lexi o,
em
de imen o
do
eino
écnico
e
do
exe cício
me amen e
epe i i o:
"um
p og ama
baseado
numa
sequência
de
ap endizagens
in eg adas
na
p ocu a
de
(40)
0
concei o
é
do
P o
.
Vi o ino
Magalhães
Godinho,
usado
na
sua
ob a:
a
educagão
num
Po ugal
em
Mudanga
,
edigôes
cosmos,
Lisboa,
1975,
pa a
se
e e i
ao
docen e
que
não
in es iga,
que
não
em
espí i o
c í ico,
que
não
ino a,
que
não
p oblema iza,
que
episa
caminhos
calco eados
.
(41)
GEP,
análise
da
si uagão,
p og amas
,
op.
ci
.
p.
179.
(42)
P og amas
do
Ensino
P epa a ô io
op
.
ci .
p.60
-49-

solugôes
pa a
p oblemas
conc e os
da
ida
do
homem,
[...]
e c
,
se á
o
supo e
duma
educagão
c ia i a,
com
uma
ungão
c í ica
em
ace
da
ealidade
.
[
..
.
]
Há
uma
di e enga
básica
en e
educagão
isual
e
ades amen o
écnico
a a és
de
ac i idades
a ís i-
cas".
(43)
Po
ou o
lado,
é
um
dos p og amas que
mais
em
consciência
das
assime ias
egionais
e
suas
implicagôes
ace
a
uma
escola
única:
"É
undamen al
se em
conside ados
os
condicionalismos
dos
desequilíb ios
egionais,
que
a ec am
os
p ocessos
de
ap endizagem
[...]
e c
.
Recusa-se,
po an o,
uma
o ien agão
me odologicamen e
ígida
e
cen alizada,
que
impega
uma
au ên ica
ob a
de
c iagão
de
p o esso es
e
alunos,
na
p ocu a
de
solugôes
pa a
os
p oblemas
do
seu
con ex o
escola
e
social."(44)
E ec i amen e,
pa ece-nos
um
p og ama
disciplina
que
pôe
a
onica
na
ida
do
aluno,
onde
se
es u u a am
e
a uma am
sabe es,
base
sôlida
pa a
a
mo i agão
do
aluno
na
ap eensão
e
es u u agão
de
no os
conhecimen os
.
A
educagão
isual
assim
concebida,
a anga
po
uma
me odologia
adequada;
pa e
dos
p oblemas
eais
pa a
a
sua
esolugão.
E,
po
pa adoxal
que
pa ega,
a a-se
duma
disciplina
que
segue
bem
de
pe o
os
objec i os
des e
ní el
de
ensino,
que
a en a
a é
no
Es a u o
do
Ensino
P epa a ô io,
designadamen e
no
a Q
14,
que
suge e
a
u ilizagão de
euniôes
que
pe mi am
uma
in eg agão
in e disciplina
a
ní el
das
ma é ias
es udadas
e
uma
o ien agão
educa i a
conjun a
a
ní el
de
a i udes:
"A
egionalizagão
das
(43)
P og amas
do
Ensino
P epa a ô io
op.
ci .
p. 61.
(44)
IBIDEM,
p.
65.
-50-
ap endizagens
é
conside ada
undamen al
e,
semp e
que
possí el,
os
p o esso es
das
á ias
á eas,
a
pa i
de
emas
signi
ica i os
e
conc e os,
[...]
.
Fomen a -se-ia
assim
a
p á ica
de
p ocessos
a a és
dos quais
a
escola
p opo ciona
uma
isão
in eg ada
do
eal,
ecusando
a
agmen agão
dos
conhecimen os
.
"
(45)
Â
educagão
isual
do
ciclo
p epa a ô io
al a á
al ez
apenas
uma
de inigão
mais
cla a
da
a iculagão
dos
con eúdos
p og amá icos
com
as
ac i idades
p e is as,
na
lexibilidade
possí el
do
p og ama,
de
aco do
com
a
c ianga
e
o
meio onde
se
inse e.
0
p og ama
de
educagão
musical
é
is o
pelo
GEP (46)
como
mui o
ex enso,
ace
ao
o al
de
aulas
de
música
p e is as
em
média.
Da
nossa
pa e,
en endemos
que,
pa a
além
de
as o,
é
bas an e
he mé ico,
an o
pa a
p o esso es
(47)
como
pa a
alunos,
na
linguagem
que
usa
e
nos
objec i os
p opos os,
uma
ez
que,
como
sabemos,
a
educagão
musical,
de
ac o,
con inua
a
se
pa a
uma
mino ia
de
po ugueses
p i ilegiados
,
e
embo a
seja
incluída
já
no
cu iculum
da
p imá ia,
pouco
aí
é
eiculada
(48).
Não
nos
pa ece
pe mi i
po an o
uma
i ência
e
pa icipagao
musical
dos
alunos,
como
se ia
de
deseja ;
a
educagão
í mica,
audi i a,
a
lei u a
e
a
esc i a,
não
são
suge idas
a
pa i
das
ealidades
na u ais
e
sociais
do
meio
ambien e;
são
sim
p opos as
como
emas
(45)
P og amas
do
Ensino
P epa a ô io,
op
.
ci .
p.
66
(46)
GEP,
op.
ci .
p.
19
(47)
É
sabido^
que
g ande
pa e
dos
p o esso es
de
educagão
musical
nao
êm
habili agôes
pedagôgicas
p ôp ias.
(48)
aí
a
p epa agão
musical
do
docen e
é
ainda
mui o
mais
p ecá ia.
-51-
de
es udo,
aas
duma
o ma
abs ac a:
"En oagão
de
in e alos
melôdicos
no
âmbi o
de
uma
8a
pe ei a,
p a icada
em
sequência
e
em
simul âneidade"
(49)
0
p og ama de
abalhos
manuais
diz
que e
si ua
o
abalho
manual
ao
ní el
do
abalho
in elec ual
po que
"ambos
são
meios
e icien es
de
o magão
e
desen ol imen o
da
pe sonalidade,
com
base
nas
expe iências
ealizadas
na
acgão
educa i a. [...]
Des e
modo,
a
es imulagão
das
des ezas
manuais
es á
in ei amen e
associada
ao
apa ecimen o
das
des ezas
espi i uais
do
aluno
[...]
"
(50).
Coi ,
e ei o
as
in engôes
são
das
melho es,
po que
de
ac o
uma
c ianga
des a
idade,
p ecisa
de
ap ende
a
aze
pa a
ap ende
a
pensa .
Pa a
al,
es a
disciplina
e
as
ac i idads
que
em
p og amadas
:
modelagão,
moldagem,
ca onagem,
en elagados
,
ecelagem,
apega ia,
abalhos
em
a ame
,
chapa
e
madei a,
abalhos
domés icos,
ac i idades
ao
a
li e,
ola ia,
economia
domés ica,
ces a ia
e
ou as
a ins,
são
a
opo unidade
que
uma
c ianga
em,
essencialmen e
a
do
meio
u al,
de
mos a
quan o
ale,
de
pode
e
e
ece
a
ligagão
da
escola
com
a
comunidade
e
com
a
sociedade
p odu i a.
Com
e ei o,
o
nosso
abalho
de
campo
em-nos
mos ado
que
e
ec i amen e
há
mo i agão
e
in e esse
po
pa e
dos
execu an es
.
Não
obs an e
odo
o
sabe
aze
dum
aluno
do
meio
u al,
nes a
á ea
do
conhecimen o,
das
p ôp ias
po encialidades
da
amília
e
da comunidade
pa a
a a és
dela
(49)
P og ama
do
Ensino
P epa a ô io,
op
.
ci .
p.
77.
(50)
IBIDEM,
p.
83.
-52-
colabo a em
com
a
escola,
o
cu iculum,
ambém
ago a
a a és
do
p og a aa
de
abalhos
aanuais,
su ge
uma
ez
mais
pe
ei amen e
u banocên ico:
"[...]
endo
bem
p esen e
que
as
ca ências
das
c iangas
do
meio
u al
são
di e en es
das dos
cen os
u banos"
(51)
É
ac o
que
di e en es
elas
são!
Mas
po quê
semp e
as
ca ências
das
c iangas
do
meio
u al
e
nao
as
ca ências
da
c ianga u bana,
e
ainda
mais
ago a
nes a
á ea
disciplina
?
Com
e ei o
quando
se
a en a
em
alguns
u ensílios
que
o
p og ama
apon a
como
indispensá eis
:
enxada
,
pá,
ancinho,
sacho,
egado ,
esou a
de
poda,
c i o,
pa a
sô
ala
de
alguns,
pa ece-nos
que
e ec i amen e
ha e á
nesses
alunos
mui o
mais
di iculdades
em
os
ob e ,
conhece
e
manipula .
0
cu iculum
do
ensino
p epa a ô io
po uguês
p e ê
o
es udo
duma
língua
es angei a
a
escolhe
en e
Inglês
e
F ancês
.
Em
elagão
ao
p og ama
de
F ancês,
ci emos
uma
c í ica
exp essa
no
abalho
do
GEP
:
"
Em
sín ese,
pode á
conclui -se
que
os
p og amas
isam
o
desen ol imen o
da
compe ência
linguís ica,
is o
é,
de
um
sabe
e bal,
median e
a
mon agem
de
au oma ismos
-
o
que
exige
uma
p á ica
in ensa
de
imi agão
e
epe igão
e
a
mobilizagão
de
capacidades
de
memo izagão"
.
(52)
Quan o
ao
de
Inglês,
e e e
a
mesma
ob a
:
"o
ac ual
p og ama
de
língua
inglesa
da a
de
1975,
o
que
signi ica
que
10
anos
depois,
con ém
limi agôes
g a es
.
Como
consequência
dessas
limi agôes
o
ensino
da
língua
inglesa
não
em
desen ol ido
es a égias
que
pe mi am
á ios
es ilos
de
ap endizagem,
e
(51)
P og ama
do
Ensino
P epa a ô io,
op.
ci .
p.
82.
(52)
GEP,
Análise
de
p og amas
,
op.ci .
p.
208.
-53-
que
se
a a
dum
i em
di ícil
de quan i ica ,
de
classi ica
segundo
modelos
já
exis en es,
como
os
co esponden es
â
a aliagão
do
sucesso
escola .
Não
pe mi e
a
u ilizagão
de
ipolo-
gias
al
qual
as
que
se
usam
nas
di e en es
disciplinas
cu icu-
la es
ais
como
no as
.
Po
seu
lado,
os
p o esso es
es ão
mais
in e essados
em
a aliae
os
p og essos
ei os
em
elagão
â
ap eensão
dos
con eúdos
p og amá icos
minis ados,
do
que
p op iamen e
sabe
das
ac i idades
p e e idas,
coisa
que
em
sua
opinião
se
dis u a
o a
da
escola,
e
assim
de e
con inua
a
se .
Pa a
es es
docen es,
so
exis e
e
sô
é
alo izado,
o
sabe
ansmi ido
po
eles,
ou
pelo
menos,
aquele
que
em
nos
ex os.
Impo an e
é
" ala
co ec amen e"
,
e
capacidade
de
usa
o
aciocínio
abs ac o.
Pa ece
se
es a
a
azão
po
que
se
alo iza
an o
a
g amá ica
e
a
ma emá ica.
Mesmo
os
con eúdos
da
his ô ia,
da
geog a
ia,das
ciências
da
na u eza,
e elam
que
o
quo idiano
das
pessoas
não
é
in e essan e
.
Mas,
pelo
con á io,
é
na
medida
em
em
que
o
quo idiano
se
inco po a
nas
classi
icagôes
ge ais,
que
elas
são
comp eendidas
.
0
não
azê-lo,
e ela
que
a
escola
es á
mais
in e essada
em
co igi
o
compo amen o
cul u al
do
aluno,
a
sua
o ma
de
ala ,
e
não
em
ap o ei a
udo
aquilo
que
a
c ianga
já
sabe,
aquilo
que
esul a
da
sua
expe iência
Bem
pelo
con á io,
pa a
a
escola,
pa a
o
p o esso
que
ali
es á
pa a
"ensina ",
a
c ianga
não
sabe
nada,
não
az
nada
de
posi i o,
u ge
a é
"apaga "
as
"impu ezas"
que
agueiam
no
seu
espí i o.
Pena
que
assim
seja,
pois
é
exac a aen e
a
pa i
desses
in e esses
pessoais, que
pensamos
de e
se
elabo ada
a
es a égia
-60-

de
ensino/ap endizagem
das
á ias
á eas
disciplina es
.
É
po
isso
que
a i mamos
que
o
p o esso
ao
a alia
o
aluno,
o
o ula
com
cha ôes,
classi
icagôes
e c,
omando
como
base
o
que
não
sabe,
não
ap endeu,
e
amen e
cons a ando
o
seu
lado
posi i o,
aquilo
que
a
c ianga
sabe,
o
que
ela
gos a,
que
é
exac amen e
a
on e
de
odo
o
es ímulo necessá io
â
e icácia
da
escola.
Aliás,
po
ezes
os
cha ôes
ansi am
pa a
o
pe íodo
escola
seguin e
pa a
ca ac e iza
o
aluno
da
mesma
o ma:
Nos
5
p ocessos
p o enien es da
escola
do
Concelho
de
Vila
No a
de
Ou ém,
o
bole im
in o ma i o
co esponden e
ao
úl imo
pe íodo
apenas
inha
insc i o:
"man ém-se
o
que
oi
di o
nos
pe íodos
an e io es"
,
mui o
embo a
no
i em
do
ap o ei amen o
escola
se
pudesse
le :
"o
aluno
concluiu
a
43
classe"
.
Is o
como
se
alguém
pudesse
se
igual
ao
que
e a
ês
meses
an es,
ou
nada
i esse
adqui ido
ou
modi icado,
em
e mos
de
conhecimen o
e
de
expe iência.
Se ia
mesmo
pa a
pe gun a
se
não
pode iam
es es
alunos
e
ansi ado
pa a
o
ano
escola
seguin e
já
no
pe íodo
an e io
.
Ressal a
aos
olhos
ambém,
que
o
p eenchimen o
das
a i udes
(no
abalho
indi idual,
abalho
de
g upo,
elagão
aluno/adul o)
é
ei o
semp e
com
"meia
dúzia"
de
concei os
,
que
ão
do
inibido
ao
simpá ico,
do
p es á el
e
sociá el
ao
pouco
co aunica i o,
passando
pelo
e nocen is ao
de
quem
egis a:
"educado",
"a i udes
co ec as",
"compo amen o
no mal",
cozinhados
po
ezes
com
adjec i agôes
á ias,
e
ac escen ados
com
ad é bios
como,
"pouco...,
mui o...
e c
"
.
Is o
indica
que
exis e
um
pad ão
cons uido
pa a
-61-
conside a
o
aluno
ideal
numa
dada
época
e
numa
dada
idade,
que
o
p o esso
usa
pa a
a alia
o
pe il
do
aluno
eal.
Quan o
ao
ap o ei amen o
nas
disciplinas
Língua
ma e na;
ma emá ica;
meio
ísico
e
social;
exp essão
plás ica;
mo imen o,
música
e
d ama;
educagão
ísica
__
in e essa
dize
que
ica
egis ado
numa
pa e
do
bole im
a
que
os
pais
não
êm
acesso.
Es a
in o magão
ica á
a qui ada
na
escola,
como
dissémos,
a é
pelo
menos
5
anos
,
depois
de
concluida
a
escola idade
p imá ia.
Nessa
al u a
se á
en egue
aos
alunos
que
os
p ocu a em.
Em
língua
ma e na
a alia-se
a
o alidade,
a
esc i a
e
a
lei u a,
egis ando-se
essencialmen e
(nas
ichas
analisadas)
a
"cla eza",
a
co ecgão
e
o gamzagão
sin ác ica
(" ases
co ec as"),
os
e os
o og á
icos
,
a
calig a ia
e
a
comp eensão.
Em
ma emá ica
é
no ô ia
a
en ase
que
se
dá
ao
cálculo
("pode
de
aciocínio"),
pelo
que
os
alunos
se
dis ibuem
aqui
pelo:
"sem
di iculdades",
" acilidade
de
aciocínio",
ou,
pelo
con á io,
pelas
"di iculdades
nas
ope agôes",
ou,
simplesmen e,
"bas an es
di iculdades",
não
especi
icando
onde
e
po quê.
A
"chapa"
u ilizada
em
Meio
ísico
e
social
é
quase
semp e
a
de__"in e esse
e
em
conhecimen os"
;
"mani es ou
ín e esse
mas
não
adqui iu
mui os
conhecimen os"
;
"sa ";
" em
bas an es
conhecimen os
e
e ela
in e esse"_
po an o,
pondo
a
ônica
semp e
no
in e esse
eno
e
ou
não
e
conhecimen os.
0
p o esso
não
se
es á
a
e e i
aos
conhecimen os
que
ad e a
da
socializagão
p imá ia,
da
expe iência
de
ida
da
c ianga,
do
seu
con ac o
com
o
meio
ambien e
e
com
o
social
que
a
odeiam,
mas
sim
es á-se
a e e-
-62-
i
å
quan idade
de
sabe es
e
axonomias
memo izados
depois
de
ou ido
o
p o esso
e
lida
mui a
bem
a
ligão.
Quan o
â
á ea
das
exp essôes
(exp essão
plás ica,
mo imen o,
música
e
d ama),
e
quan o
â
educagão
ísica,
e i ica-se
que
são
objec o
de
meno
p eocupagão
po
pa e
de
quem
a alia.
Na
p imei a
acen ua-se
a
"pe eigão",
a
"exp essão",
o
"en usiasmo"
dos
alunos,
e
,
em
alguns
casos,
apenas
se
pode
le
"sa is az".
Sa is az
possi elmen e
o
p o esso ,
é
o
que
se
dep eende.
Ou o
não
sa is a ia, e en ualmen e
.
Mas
o
que
é
que
sa is az,
quais
são
no
undo
as
aculdades
e/ou
di iculdades
da
c ianga
nes as
á eas?
Na
segunda,
na
educagão
ísica,
egis a-se
a
"pa icipagão",
o
"en usiasmo"
com
que
se
pa icipa,
o
"gos o
pelos
jogos",
ou,
uma
ez
mais,
e
pa adoxalmen e,
o
"sa is az",
e
o
"su
icien e"
.
A
pa e
do
bole im
in o ma i o
que
ai
pa a
casa,
e
que
ai
se
lido
pelos
pais,
pa ece-nos
se
p eenchido
ainda
duma
o ma
mais
es e eo ipada
e
a é
dogmá ica.
Tal ez
se
es eja
a
p ocu a
uma
maio
"objec i idade"
que
lhe
pe mi a
enquan o
p o esso ,
dis ingui
os
alunos
enquan o
indi íduos
com
capacidades
di e en es.
SÔ
que
essa
dis ingão
ica
apenas
na
men e
do
p o esso .
Po
ou o
lado,
é
ac o
que
se
p ocu a
ambém
aze
com
que
os
pais
cons uam
acilmen e
uma
ideia
de
como
os
seus
ilhos
ão
na
escola
.
Assim,
no
ocan e
aos
i ens
da
assiduidade,
do
compo amen o,
do
in e esse
escola
e
do
ap o ei amen o,
as
pala as/cha e
u ilizadas
ão
desde
o
epe i
o
p ôp io
i em,
esc e endo
__
assíduo,
pon ual,
in e esse,
(aqui
-63-
ac escen ando
apenas
o
mui o
ou
o
pouco)
a é
ao
bom,
sa is az,
no mal,
is o,
mais
no
compo amen o
.
Nos
bole ins
que
es udámos
,
os
pais
sô
êm
opo unidade
de
sabe
algo
de
mais
especí ico
sob e
os
ilhos,
lendo
a
ca ego ia
da
"ap eciagão
global",
úl ima
da
icha
que
ecebe.
Mesmo
aqui,
a amen e
sabe
das
capacidades
e
aculdades
especí icas,
pois
o
i em
e e e-se
mui o
mais
âs
di iculdades
idas
na
ma emá ica,
ås
de iciências
na
lei u a,
ao
aciocínio
pouco
desen ol ido
-
uma
ez
mais
a
ônica
no
a alia
pela
nega i a
-
e
â
ecei a
a
se
omada
em
con a
pa a
que
o
aluno
enha
a
a ingi
os
objec i os
agados.
Aqui
salien amos
as
ecomendagôes
ei as
pa a
o
aluno
es uda
mais
meio
ísico
e
social.
Es a
ecomendagão
le ou-nos
a
uma
análise
ainda
mais
a en a
não
sô
de
odo
o
bole im
in o ma i o,
mas
ambém
do
p ôp io
aluno
enquan o
pessoa,
jun amen e
com
a
sua
his ô ia
de
ida
e
suas
in e acgôes
no
quo idiano.
Es as
ecomendagôes,
dizíamos,
pa ecem-nos
um
pouco
pa adoxais,
na
medida
em
que
são
ei as
a
alunos
p o enien es
de
amílias
u ais,
onde
semp e
pelo
menos
um
dos
memb os
do
casal
se
dedica
â
ag icul u a
e
c iagão
de
gado.
Po
seu
lado,
os
ês
alunos
que
são
enquad ados
nes e
quad o
de
di iculdades
a
M.F.
e
Social,
são
c iangas
que
em
casa
conhecem
e
manipulam
odos
os
p ocessos
de
abalho,
bem
como
os
execu am
ão
bem
quan o
uma pessoa
adul a.
Mais,
em
elagão
å
Ana
C is ina,
10
anos,
é
di o
que
p e e e
esc e e
que
ala ,
pois
cons a a-se
que
é
inibida
e
que
esponde
apenas
quando
se
lhe
pe gun a
algo.
A
ques ão
que
le an amos
é
a
seguin e:
como
se
conclui
en ão
que
a
aluna
não
adqui iu
os
conhecimen os
exigidos
-64-
em
meio
ísico
e
social
?
depois
duma
p o a
o al,
duma
p o a
esc i a?
Fal a ia
que
o
p o esso
pudesse
e
o
con ex o
de
ida
da
aluna
pa a
en ende o
que
ela
p og ediu.
De
ac o,
em
casa,
ela
em
odo
um
e
aze
de
seu
pai
que
já
e e
"mil
e
uma
p o issôes",
de
mo o is a
a
c iado
de
gado,
de
músico
a
con abilis a,
de
ped ei o
a
ca pin ei o.
Es a
mul iplicidade
de
abalhos
do
pai,
conduzi iam
no malmen e
a
um
melho
en endimen o
do
eal
po
pa e
da
ilha
cuja
expe iência
al ez
osse
assim
mais
ampla.
Mas
não
se
segue
necessa iamen e
de
o ma
mecanica
de
que
de
e
aze ,
a
ilha
adqui a
melho
es e
conhecimen o,
embo a
os
casos
es udadcs
pa icula men e
indiquem
que
a
di a
co elagão
exis e.
No
caso
p esen e
o
que
pa ece
cla o
é
que
a
c ianga
não
espondeu
ao
sabe
le ado
da
escola
e
não
soube
aplica
a
sua
expe iencia
p agmá ica
a
uma
ap endizagem
abs ac a
do
conhecimen o
escola ;
nem
a
escola
soube
ap o ei a
po que
desconhece
o
con ex o
da
alu a,
as
suas
e e encias
ex e nas
pa a
lhe
ensina
os
emas
da
escoala.
Se
o
quo idiano
osse
eap op iado
pela
escola,
ica ia
apenas
a
ques ão
da
incapacidade
do
aluno
de
se
exp imi
den o
da
cul u a
le ada.
Uma
ez
mais,
o
aluno
não
es e e
â
al u a
das
expec a i as
do p o esso ,
não
espondeu
ao
sabe
que
a
escola
alo iza.
Idên ica
e lexão
izémos
pa a
o
Má io
José,
11
anos,
e
pa a
a
Ma ia
G acie e,
12
anos
.
Sob e
o
p imei o
é
di o
e
mui o
in e esse
pelo
Meio
Físico
e
Social,
mas
e
adqui ido
poucos
conhecimen os,
depois
de,
no
p imei o
ano,
se
e
cons a ado
"possui
bas an es
conhecimen os
sob e
o
meio
em
que
-65-

i e".
De
ac o,
a a-se
duma
c ianga
de
cujo
aspec o
ísico
não
se
espe a ia
uma
dinâmica
no
abalho
al
como
um
adul o.
Ele
a a
do
gado,
ele
ai
busca
ma o
com
os
bois,
ele
chega
mesmo
a
"i
ao
dia
o a",
e
ajuda
assim
ambém
a
anga ia
undos
pa a
a
subsis ência
do
la .
En im,
ele
em
oda
uma
expe iencia,
um
sabe
aze ,
"um
b icolage",
que
de
ac o
o na
di ícil
pode -
-se
o ulá-lo
como
aluno
com
di iculdades
em
sabe
Meio
Físico.
0
p oblema
es á
na
econ e são
cu icula
da
ma é ia
de
Meio
Físico
e
Social
que
abs ai
os
con eúdos
da
disciplina
pa a
ní eis
desconec ados
da
p á ica.
Já
em
elagão â
G acie e,
12
anos
,
é
semp e
ca ac e izada
nes a
disciplina
como
"aluna
sem
in e esse,
mos ando
apa ia
pelos
con eúdos",
"poucos
conhecimen os
do
meio
em
que
i e",
nos
dois
p imei os
anos
de
escola idade
p imá ia.
Â
p imei a
is a,
pa ece
es anha
uma
a i magão
des e
géne o,
já
que
ambém
ela
em
casa
ajuda
o
Pai
e
a
Mãe,
que
o a
de
casa
(ag icul u a),
que
den o
da
p ôp ia
casa,
nas
lides
domés icas.
Como
se
e á
pa ido
pa a
a
explo agão
dos
emas
des a
disciplina?
das
expe iências
quo idianas
e
dos
sabe es locais
ou,
pelo
con á io,
abs ac amen e
,
di
e enciando
po
exemplo
uma
ag icul u a
adicional
duma
ag icul u a
mode na?
Se
a en a mos
no
p og ama
do
ensino
p imá io,es udado
po
es as
c iangas
(1),
e i icamos
que
no
que
conce ne
a
es a
á ea de
Meio
Físico
e
Social,
ele
p e endeu
" ees u u a
a
á ea
[...],
desen ol endo
o
conhecimen o
e
o
ap ego
pelos
alo es
(l)No o
p og ama
do
ensino
p imá io,
elabo ado
em
1978/79,
ap o ado
pela
po a ia
nQ572/79,
de
31
de
Ou ub o,
que
eio
al e a
o
que
es a a
em
igo
desde
1975/76.
-66-
ca ac e ís icos
da
iden idade
e
da
cul u a
po uguesas
e
omando
na
de ida
conside agão
os
in e esses
e
necessidades
dos
alunos
"(2)-
Re e e-se
ainda,
na
in odugão,
que
"em
e mos
sociolôgicos,
p e ende-se
que
o
p og ama
con ibua
ainda
pa a
a:
"[...]
in eg agão
social
das
c iangas,
endo
e a
a engão
as
expe iências
cul u ais
di e sas
de
que
são
po ado as".
Mais
â
en e,
na
pa e
espei an e
âs
ac i idades
iniciais,
o
p og ama
diz
que
"ao
en a
na
escola,
g ande
pa e
das
c iangas
não
em
p epa ada
pa a
ap ende ,
dada
a
inexis ência
de
educagão
p é-escola
g a ui a
no
nosso
País
.
"
.
Assim,
conclui-se,
"PÔ-la
em
si uagão
de
ap endizagem,
se á
p o oca
o
desânimo
de
"não
se
capaz"
.
Es a
úl ima
a i magão
pa ece-nos
de
odo
descabida
e
isen a
de
qualque
espécie
de
cien i
icidade
.
Passa-se
exac amen e
o
con á io.
Quando
a
c ianga
en a
na
escola,
a
sua
men e
já
em
es u ado
odo
um
conjun o
de
classi
icagôes
sob e
pessoas,
objec os,
e
in e acgôes
de
udo
o
que
o
odeia,
que
de
ac o
ica á
incapaci ada
de
p og edi
ou
adqui i á
o
al
desânimo
de
"não
se
capaz"
se
a
escola,
o
p o esso ,
não
espei a em
oda
essa
memô ia
cul u al
que
o
aluno
az
na
bagagem.In e samen e
ao
que
o
p og ama
minis e ial
e e e,
ela
é
cons i uida
po
um
conjun o
impo an e
de
di e sas
ap endizagens
sem
as
quais
o
indi íduo
não
pode ia
se
memb o,
ou
melho
ainda,
pessoa
da
sua
amília,
comunidade
e
mesmo
nacionalidade.
Esse
pensamen o
acaba
de
ac o
po
se
e nocên ico.
Ele
co esponde
oda ia
â
isão
da
escola
sob e
a
(2)
0
sublinhado
é
nosso.
-67-
sociedade
e
sob e
o
mundo.
T a a-se
duma
o ma
de
e
oda
a
his ô ia
de
ida
da
c ianga
an e io
å
escola,
como
algo
de
meno
impo ancia,
e
que
u ge
a é
"limpa ",
pa a uma
melho
inculcagão
dos
alo es
da
educagão
es a al,
do
sabe
que
se
en ende
de e
se
o
Nacional.
A
es a
p oblemá ica
em-se
e e ido
bas as
ezes
o
P o esso
Raúl
I u a:
'[[■■■]
a é
chega
â
escola,
a
c ianga,
o
sujei o
que
é
inco po ado,
já
ap endeu
um
conjun o
de
p incípios,
dis ingôes
e
écnicas
po
meio
das
quais
a
memô ia
do
g upo
passa
a
se
pa e
do
seu
conhecimen o
e
da
sua
p ôp ia
lemb anga
.
[...]
Tal ez
possa
sin e iza
dizendo
que
os
p incípios
e
as
dis ingôes
o mam
nos
indi íduos
que
se
inco po am,
o
conhecimen o
ac i o,
a
men e
cul u al,
o
pensamen o
básico
da
c ianga
que
ap ende
.
(
3
)
Mas,
ol ando
ago a
â
e lexão
que
ínhamos
a
aze
sob e
o
p og ama
pa a
o
ensino
p imá io,
há
que
dize
que
i ando
es as
a i magôes
que
cons i uem
um
con asenso,
ele
pa ece
que e
aze
espei a
a
indi idualidade
e
especi
icidade
cul u al
de
cada aluno
(4).
Como
se
pode
en ão
esc e e
sob e
a
Ana
C is ina
que
"nao adqui iu
os
conhecimen os
exigidos
em
meio
ísico
e
social"?
Como
en ão
conclui
e
esc e e
que
a
G acie e
"
[...]
em
apa ia
pelos
con eúdos"?
Ficamos
uma
ez
mais,
cép icos
quan o
â
o ma
como
se
e á
en e edado
pela
explo agão
des a
á ea.
0
p ôp io
p og ama
diz
mesmo
no
início
des a
á ea
que
"sem
p e ende segui
um
caminho
ígido
usando
os
mesmos
ma e iais
pa a
odas
as
c iangas,
já
que
isso
pode ia
não
sa is aze
as
suas
necessidades
(3)
ITURRA,
Raul,
"0
desencon o
en e
o
sabe
local
e
nacional
na
ap endizagem"
Fugi ás
â
escola
pa a
abalha
a
e a
,
Ed.
Esche ,
Lisboa,
1990,
p.
51
e
52.
(4)
Os
ais
"in e esses
e
necessidades
dos
alunos"
que
imos
que
o
p og ama
e e ia
na
in odugão.
-68-
indi iduais,
passa -se-á
do
es udo
do
meio
local
,
social
e
isico,
pa a
o
meio
eqional
,
pa a
o
País
,
pa a
a
e a
e
pa a
o
espago
".
Assim,
p opôe-se
que
a
p imei a
ase
se
cen e
essencialmen e
na
explo agão
e
e lexão
sob e
o
meio
local.
Es a
não
em
sido
a
me odologia
u ilizada
no
p ocesso
de
ensino/ap endizagem
des as
c iangas.
Eng agado
é,
que
a
pa i
do
3Q
ano
de
escola idade,
po an o
já
na
segunda
ase(5),
a
G acie e
já
apa ece
ca ac e izada
na
mesma
disciplina,
como:
"in e essada,
e
com
bas an es
conhecimen os"
.
Se á
que
oi
a
p o esso a
e
aescola
que
a
mo i a am
e
lhes
o nece am
os
sabe es
do
meio
ísico?
Não
c emos! Eles
já
exis iam
!
Náo
e á
ha ido
oi,
al ez
um
ap o ei amen o,
uma
explo agão
dos
já
exis en es,
pa a
a
c iagão
das
ca ego ias,
axonomias,
e c,
queaescola
exige
que
se
saiba.
De
es o, como
já
dissémos,
didác ica
que
a é
é
ecomendada
pelo
p og ama
.
Vol emos
âs
ca ego ias
u ilizadas
pa a
classi ica
os
alunos.
0
"a ingiu",
ou
"a ingiu
minimamen e"
,
são
a
o ma
como
apa ecem
a aliados
os
alunos conside ados
melho es.
Nes es
casos,
lá
apa ece
de
quando
em
quando,
ou a
ca ac e ís ica,
como,
" acilidade
de
ap endizagem"
,"in e esse"
e
"bons
esul ados".
De
pe íodo
a
pe íodo(6),
a
mudanga
na
"mensagem"
e
ei a
com
a
in odugão
de
mais
um
ou
dois
concei os,
como
sejam
(5)
quando
o
p og ama
e e e
de e
"da -se
âs
c iangas
um
impulso
pa a
a
descobe a
de
algumas
nogôes
biolôgicas
e
sociais
mais
a angadas,
de
o ma
a
o ná-las
ap as
a
desen ol e
os
conhecimen os
e
as
o mas
de
aciocínio
que
al
a e a
en ol e"
.
(6)
pe íodo
escola
-69-
o na a
incômoda,
an o
mais
que
ha ia
que
azê-lo
pa a
cada
aluno
e
pensando
em
cada
um
pe
se.
0
ac o
é
que
a
g ande
maio ia
dos
p o esso es
cons uiam,
com
u aa
linguagem
boni a,
meia
dúzia
de
pa âme os
dos
quais
e i a am
um
pa a
ca ac e iza
po
esc i o
o
compo amen o
do
pu o
a
quem
p e iamen e
já
se
inha
a ibuido
um
ní el
de
1
a
5
.
Digamos
que pelo
que
nos
oi
dado
a
obse a ,
as
coisas
unciona am
ao
con á io:
não
e a
a
c ianga
em
si
que
e a
pensada
no
momen o
da
a aliagão,
pa a
se
desc e e
sua
condu a
e
e icácia
acacémica,
donde
esul a ia
en ão
o
ní el
inal,
mas
sim
o
boneco
de
ca ão
que
não
ale ia
mais
que
es
e
pa a
o
qual
ní el
ha ia
que
escolhe
a
melho
can ilena,
a
chapa
desc i i a
mais
adequada
.
(14)
Es a
e a
a
imagem
não
menos
es e eo ipada
que
o
enca egado
de
educagão
se
habi uou
a
ecebe
no
inal
de
cada
pe íodo
escola .
A
in engão,
o
ideal,
e a
ôp imo;
a
p á ica
da
ideia
é
que
uma
ez
mais
ugiu
do
con ex o
eal:
o
aluno,
uma
c ianga
em
ca ne
e
osso,
única
na
u ma
po que
di e en e,
cujo
e a o
a
ansmi i
ao
enca egado
de
educagão
u ge,
uma
ez
mais,
se
pe sonalizado.
Bo a,
mas
oi
de
aco do
com
es e
despacho
(15)
que
as
c iangas
que
es udámos,
na
escola
e
o a
da
escola,
o am
a aliadas
no
1Q
e
2Q
anos
do
ciclo
p epa a ô io
.
0
in o me
da
p imá ia,
esse
icou
lá
e
aí
pe manece á
du an e
5
anos,
e
dele
nada
soube am
os
p o esso es
do
ciclo.
Não
conseguimos
ob e
(14)
Um
dos
pa âme os
desc i i os
elabo ados
â
p io i
e,
em
consequencia,
descon ex ualizadamen e,
e
ap o
a
massi ica
aplica el
a
qualque ,
um
com
igual
ní el
de
um
a
cinco.
(15)
Despacho
43/SERE/88
a ás
e e ido.
-76-

espos a
sob e
a
azão
des e
a qui o.
Toda ia
-
salien emos
ago a
algo
de
posi i o
-
de
ce eza
que
assim,
os
in o mes
não
pe mi i am
da
a
conhece
o
passado
escola
do
aluno
aos
no os
p o esso es,
mas
ambém
as
c iangas
ica am
assim
li es
de
ele
pode
unciona
como
e ei o
de
expec a i a,
ou
Pigmaleão,
como
lhe
chamam
os
psicálogos,
e
in e i
assi a
posi i a
ou
nega i amen e
o
desen ola
do
ap o ei amen o
escola
do
pu o,
ago a
num
ou o
ní el
de
ensino,
e
com
dez
p o esso es
em
ez
de
um
apenas
.
A
o icializagao
desse
desconhecimen o,
pe mi e
po ém,
a
cada
um
dos
no os
docen es,
aze
do
p o esso
p imá io
um
bode
expia ô io,
semp e
que
o
pu o
não
p og ide
:
"não
az
bases
da
p ima ia.
. .
"
.
Da
mesma
o ma
que
o
p ôp io
p o esso
p imá io
ha ia
pos o
as
culpas
no ou o,
des a
ez
no
educado
de
in ân-
cia.
Ou imos
dize
com
equência:
"...P e i o
abalha
com
c iangas
que
não
enham
passado
pela
p é-p imá ia,
po que
não
azem
an os
ícios...".
Pa a
ele,
a
"b incadei a"
do
ja dim
escola
impede
a
"se iedade"
da
ap endizagem
escola .
A
culpa
do
acasso
escola
semp e
é
pos a
no ou o
-
o
bode
expia ô io
-
po que
o
p o esso
não
ga an e
a
ap endizagem,
p e ende
é
ica
com
a
consciência
anquila
de
que
ensinou,
ou
melho ,
ins uiu,
ansmi iu,
aliás
como
o
em
azendo
consecu i amen e
desde
há
mui os
anos
a ás.
So
que
nunca
p ocu ou
o
eedback
da
ansmissao
dos
seus
sabe es,
e
quando
chega
o es e,
esse
i o
de
passagem,
e i ica
en ão
que
o
aluno
não
sabe
.
Cla o,
não
ap endeu,
e
não
sabe á
enquan o
não
o
mo i a em
e
ensina em
a
ap ende ,
e
enquan o
p edomina em
es as
me odologias
di as
-77-
adicionais
"p á icas
pedagôgicas
p essupondo
um
modelo
de
«aluno
ideal*,
baseadas
em
concepgôes
adicionais
de
ap endizagem
cen adas
no
p o esso
e
nos
con eúdos,
uma
escola
mais
de
«ensina >,
que
de
ap ende "
.
(16)
O
icialmen e,
desses
eze
alunos,
apenas
nos
oi
dado
a
conhece ,
aliás
como
a
oda
a
comunidade
educa i a,
os
ní eis
inais,
po
disciplina,
no
inal
de
cada
pe íodo.
Foi
po
isso
que
esol emos
aze
um
ques ioná io
pa a
os
docen es,
pa a
que
nos
ansmi issem
algo
mais
sob e
o
conhecimen o
que
êm
dos
alunos
e
um
ou o
pa a
os
alunos,
pa a
que
nos
alassem
de
si
p ôp ios,
da
sua
au o-a aliagão,
e
da
a aliagão
que
azem
dos
seus
p ôp ios
p o
esso es
.
Dos
alunos
seguidos
desde
a
p imá ia,
odos
de
sucesso
como
imos
,
apenas
um,
o
Daniel,
ep o ou
no
1Q
ano
do
Ciclo
p epa a ô io,
po
e
ido
mais
de
duas
classi
icagôes
in e i o es
a
ês,
a
F ancês,
Ma emá ica
e
Educagão
isual
(17),
de
aco do
com
o
pon o
17
do
Capí uloi
I
do
já
e e ido
Despacho
43/sé ie/88.
Nao
deixa
de
se
in e essan e e
cu ioso
co elaciona
es a
a aliagão
com
a
já
a ada
e
ei a
na
Escola
p imá ia:
F ancês
o
Daniel
ainda
não
inha,
mas
a
Ma emá ica
e
a
Educagão
Visual,
o
p o esso
esc e eu
sa is az.
É
cla o
que
são
ou os
os
con eúdos
ago a
em
ques ão,
mas
se á
que
a ado
(16)
BENAVENTE,
A."Da
cons ugão
do
sucesso
escola "
,
S.No a
,p24
(17)
No
momen o
em
que
edigimos
a
disse agão
apenas
podemos
ala
do
compo amen o
escola
em
elagão
ao
p imei o
ano
do
ciclo
e
ao
p imei o
imes e
do
segundo
ano,
pelo
que
nao
podemos
po
o a
cons a a
aqueles
que
comple a am
o
ciclo
p epa a ô io.
Fica á
e en ualmen e
pa a
um
ou o
es udo
consequen e
o
seguimen o
dos
alunos
em
ques ao.
-78-
pe sonalizadamen e
oDaniel
não
pode ia
e
ul apassado
as
ba ei as
que
o
le a am
a
chumba
?
Fica-nos
essa
dú ida.
Toda ia
sal agua damos
se
al
é
consequência
do
p o esso
é-o
na
medida
em
que
ele
é
o
execu an e
dum
sis ema
bas as
ezes
já
ca ac e izado
de
massi icado
e
de
anda
a
um
i mo
único
pa a
odos
.
A
Ana
C is ina
ansi ou
sem
nenhuma
nega i a
e,
segundo
o
ques ioná io
que
p eencheu
ace ca
dos
p o esso es
con-
co da
com
odos
os
ní eis
ob idos.
A
classi
icagão
que
a ibui
aos
p o esso es
não
em
uma
co elagão
di ec a
com
os
ní eis
que
es es
lhe
a ibui am
(18).
De
qualque
o ma
,
as
disciplinas
de
que
diz
gos a
mais
são:
F ancês
,
Po uguês
e
Ma emá ica
po que
gos a
da
ma é ia
e
do
p o esso .
E
de
ac o
é
aos
p o esso es
des as
disciplinas
que
a ibui
maio es
co agôes,
sem
no
en an o
e
sido
classi icada
de
o ma
mais
ele ada
ne-
las
(19).
Pa adoxalmen e,
po que
é
uma
c ianga
que
conhece
o
meio
local
como
aliás
já
desc e emos
no
capí ulo
an e io ,
é
na
disciplina
de
Es udos
Sociais
que
diz
sen i
mais
di
iculdades,
po que
acha
complicado.
A
Ana
So ia
ambém
não
so eu
quaisque
ní eis
(18)
Todos
os
eze
alunos
p eenche am
es e
ques ioná io,
onde
egis a am
a
ep esen agão
que
êm
dos
p o esso es,
qual
o
ní el
que
a ibui iam
a
si
p ôp ios,
pa a
e mos
sé
de
ac o
conco dam
com
o
que
os
p o esso es
lhe
a ibui am,
e
qual
o
ní el
que
a ibui iam
aos
docen es
se
os
i esse á
de
classi ica .
(19)
Leia-se
a
pa i
de
ago a,
pa alelamen e
com
o
anexo
9
na
espos a
a
es a
ques ão.
A
aluna
e e iu
o
nome
dos
p o esso es,
não
o
das
disciplinas
o
que
deno a
que
pa a
se
gos a
da
disciplina
há
que
gos a
do
p o esso
como
aliás
con i ma
gos a .
-79-
in e io es
a
ês;
conco da
com
odos
os
que
lhe
o am
a ibuídos.
Há
uma
ní ida
co elagão
en e
os
ní eis
ob idos
e
os
que
a ibui ia
aos
p o esso es
bem
como
com
as
disciplinas
de
que
gos a
mais,
que
jus i ica
po que
gos a
da
ma é ia
e
dos
p o esso es;
e e e
não
e
disciplinas de
que
não
gos a,
a gumen ando
que
não
em
di
iculdades
.
A
Ca a ina
ansi ou
com
dois
a
po uguês
e
dois
a
F ancês,
aos
quais
p o
esso es
,
po ém
,
a ibui
boa
co agão
(ní-
el
qua o)
.
Aliás
conco da
basicamen e
com
os
ní eis
que
ob e e
(no
anexo
9
o
g á ico
7
é
igual
ao
g á ico
8).
Gos a
mais
de
Ma emá ica,
F ancês,
T abalhos
Manuais,
embo a
enha
ep o ado
a
F ancês
como
e
e imos
.
Gos a
menos
de
Ciências
po que
o
p o esso
não
se
en ende
e
em
uma
calig a ia
eia.
0
Daniel
que
não
ansi ou
de
ano,
como
imos,
econhece
e
di iculdades
em
F ancês
e
educagão
Visual,
mas
não
em
Ma emá ica
onde
ambém
ep o ou.
A
disciplina
de que
gos a
mais
é
Es udos
Sociais,
na
qual
se
au oa ibui
o
ní el
qua o,
endo
no
en an o
ido
ês
.
Aliás,
ambém
numa
ou a
disciplina,
Música,
econhece
que
de e ia
e
qua o
e
não
ês
como
o
p o esso
lhe
a ibuiu.
Quan o
ås
no as
que
a ibui ia
aos
p o esso es,
âqueles
que
o
"chumba am",
ambém
os
chumba ia,
â
excepgao
do
Educagão
Visual,
e e indo
no
en an o
que
não
en ende
es e
p o esso .
Na
Ju ina
há
uma
pe ei a
semelhanga
en e
os
ní eis
a ibuídos
pelos
p o esso es
e
os
que
ela
a ibui ia
a
si
p ôp ia
(
o
g á ico
13
é
igual
ao
14);
não
e e
qualque
nega i a.
A
disciplina
em
que
econhece
e
mais
di iculdades
é
F ancês
-80-
po que
não
é
a
sua
língua;
a ibui
no
en an o
maio
co agão
a
es-
e
p o esso
do
que
a
que
ele
lhe
a ibuiu
a
si
p ôp ia.A
no a
mais
baixa
a ibui-la-ia
ao
p o esso
de
Ciências
po que
diz
não
comp eende
a
ma é ia.
A
Lina
não
ob e e
nenhum
ní el
in e io
a
ês,
conco da
basicamen e
com
eles.A
disciplina
em
que
diz
e
mais
di iculdades
é
Ciências
da
Na u eza,
po que
o
p o esso explica
a
ma é ia
mui o
dep essa;
con udo,
quando
se
lhe
pe gun a
aquela
de
que gos a
menos
e e e
ainda
Ciências
da
Na u eza,
mas
já
não
culpabiliza
o
p o esso ,
mas
sim
a
si
p ôp ia,
dizendo
que
nao
gos a
da
ma é ia.
Cu iosamen e
a ibui
os
maio es
ní eis
(cinco)
a
odos
os
ou os
p o esso es
po que
diz
gos a
mui o
deles,
e
apenas
qua o
ao
de
Ciências,
uma
ez
mais
dizendo
que
é
po que
não
es udou
mui o
pa a
essa
disciplina.
0
Má io
ansi ou
com
ní el
supe io
a
ês
em
odas
as
disciplinas.
0
g á ico
19
é
mui o
semelhan e
ao
20,
o
que
p o a
o
assumi
das
no as
a ibuidas
pelos
p o
esso es
.
P emeia
mais
os
p o esso es
que
lhe
de am
maio
no a
e
é
dessas
disciplinas que
diz
gos a
mais,
undamen ando-se
no
gos a
da
ma é ia
e
do
p o esso .
As
dísciplinas
de
que
gos a
menos
é
Es udos
Sociais
e
Ciências da
Na u eza,
jus i
icando-se
po
não
en ende
os
p o esso es
e
não
po
não
gos a
da
ma é ia
que
aliás,
co no
já
e e imos
na
análise
do
seu
in o me
da
P imá ia,
é
do
que
gos a
mais
pois
elaciona-se
com
o
seu
dia a
dia
de
ilho
de
ag icul o es,
com
a
sua
escola
da
ida
po an o
(20).
Po ém
é
(20)
0
Má io
é
a
c ianga
que
analisa emos
no
capí ulo
dedicado
âs
his ô ias
de
ida
e
con ex o
educa i o,
po
se
a a
de
um
indi iduo
com
sucesso
na
ida,
e,
pa adoxalmen e
na
-81-

aos
p o esso es
des as
disciplinas
que
a ibui
ní eis
meno es,
oda ia
posi i os
(ní el
ês),
a gumen ando
no
en an o
que
não
dão
a
ma é ia
necessá ia.
0
Rui
ansi ou
pa a
o
segundo
ano
do
Ciclo
P epa a ô io
com
dois
a
F ances
e
dois
a
Es udos
Sociais,
econhecendo
que
é
nes a
úl ima
disciplina
que
em
mais
di icul-
dades
e
de
que
gos a
menos
po que
não
gos a
nem
en ende
a
ma é ia.
A ibui ia
a
si
p op io
os
mesmos
ní eis
que
os
p o esso es
Ihe
a ibui am.
Classi
ica ia
com
ní el
mais
ele ado
p o esso es que
de
ac o
ambém
lhe
a nbui am
maio
ní el.
0
Sil ino
ansi ou
sem
nenhuma
nega i a.
0
que
ecebeu
e a
o
que
a ibui ia
a
si
p op io
(
o
g á ico
25
é
igo osamen e
igual
ao
26).
0
p o esso
a
quem
da ia
meno
ní el,
es,
e a
ao
de
madei as
(TM),
Educagão
Visual,
Ciencias
da
Na u eza
e
Es udos
Sociais,
is o
no
p imei o
pe íodo
po que
depois
uni o mizou-os
odos
com
qua os
e
cincos,
a
Po uguês
e
F ances,
que
é
de que
diz
gos a ,
an o
da
ma é ia
como
dos
p o esso es
que
explicam
bem.
Os
qua o
alunos
que
e emos
ago a,
pa a
inaliza mos
es a
pa e,
e am
de
ou a
u ma
-
com
p o esso es
di e en es
designadamen e
nas
disciplinas
de
Ciências
da
Na u eza
e
na
língua
es angei a
-
que
e a
de
Ingles
e
não
de
F ancês
.Todos
ansi a am
de
ano
sem
ní eis
in e io es
a
ês
.
Â
excepgão
da
G acie e
que
se
au oclassi
ica ia
com
mais
um
e
po
ezes
dois
escola
ambém,
onde
o
sabe
exigido
e
ep oduzido
é
descon ex ualizado
e
o
az
abs ai -se
da
ida
e
se
o ja
de
manei a
di e en e
nes es
dois
espagos
e
empos
di e en es:
a
ida
e
a
escola.
-82-
pon os
em
elagão
aos
ní eis
que
os
p o esso es
lhe
a ibui am,
os
es an es
a ibui iam
a
si
p ôp ios
os
mesmos
ní eis
que
os
p o esso es
lhes
a ibui am.
0
José
gos a
menos
de
Es udos
Sociais
po que
diz
não
en ende
a
ma é ia,
endo
ido
nega i a
no
p imei o
e
segundo
pe íodos,
e
de
Inglês
po que
diz
se
di ícil
esc e e
e
le ,
embo a
enha
ido
semp e
ní el
ês.
Ao
p o esso
de
Es udos
Sociais
a ibui ia
ambém
ní el
dois
po que
diz
que
o
p o esso
não
é
ão
bom,
o
que
deno a
que
a
explicagão
que
em
da
di iculdade
sen ida
nessa
ma é ia
ecai
no
p o esso .
Ao
de
Ciências
da
Na u eza
a ibui ia
ní el
cinco
(21)
A
G acie e
gos a
menos
e
em
mais
di iculdades
em
Es udos
Sociais,
po que
"
a
ma é ia
é
um
bocadinho
di ícil
e
ambém
po que
âs
ezes
não
en endo
mui o
bem
as
pe gun as
e
o
p o
esso "
.
Sin oma
idên ico
ao
e e ido
na
P imá ia
e
pa adoxal
como
en ão
e lec imos,
já
que
é
um
adul o
em
minia u a,
na
medida
em
que
manipula
no
dia
a
dia
odas
as
ma é ias
que
são
abs aídas
em
concei os
an o
no
meio
ísico
e
social
como
ago a
nos
Es udos
Sociais.
Con udo
e e
semp e
ní el
ês
nes a
disciplina.
Diz
gos a
mais
de
Ciências
e
de
Po uguês
po que
"elas
sao
simpá icas,
explicam
bem
as
coisas
e
são
a enciosas,
ensinam
a
le
o
que
não
sabemos
e c."
0
Ma eus
gos a
mais
de
Po uguês,
Educagão
Visual,
onde
e e
ní eis
de
qua o
e
ês,
espec i amen e
no
p imei o
e
segundo
pe íodos
escola es
e
aos
quais
p o esso es
a ibuí ia
(21)
No e-se
que
nes e
conjun o
de
alunos
o
p o esso
de
Ciências
da
Na u eza
é
semp e
o
ou
dos
mais
co ados,
con a iamen e
ao
que
acon ecia
com
o
do
g upo
an e io .
-83-
a abé a
ele ados
ní eis
-
qua o
-
,
e
de
Ciências
da na u eza,
onde
apesa
de
e
ido
semp e
ês,
econhece
se
dessa
ma é ia
que
gos a
mais,
bem
como
desse
p o esso ,
pelo
que
Ihe
a ibuí ia
cinco
.
0
Ped o
ambém
a ibui
o
ní el
mais
ele ado
-cinco-
ao
p o esso
de
Ciências
"po que
a
s o a
é
boa
e
eu
gos o
dela",
na
qual
disciplina semp e
e e
boas
no as
-
qua o,
qua o,
qua o,
espec i amen e
no
p imei o,
segundo
e
e cei o
pe íodos
escola es.
A
no a
mais
baixa
a ibui-a
ao
p o esso
de
Es udos
Sociais
-dois-,
uma
nega i a
po an o,
po que
"não
gos o
mui o
da
s o a",
embo a
enha
ido
semp e
posi i a
e
ês,
ês,
qua o
nos
pe íodos
escola es
.
Em
sín ese,
há
ainda
que
e e i
que
apesa
de
sabe mos
que
a
maio ia
dos
p o esso es
não
az
au oa aliagão,
(
22
)
pela
análise
dos
g á icos
do
anexo
um
,
cons uídos
a
pa i
dos
ques ioná ios
dos
alunos,
conclui-se
que
es es
assumem
bem
os
ní eis
que
os
docen es
lhes
a ibuem;
excepgão
apenas
pa a
ês
dos
alunos
que
se
au o alo izam
mais.
Ce i ica-se
em
ge al
mais
o
p o esso
que deu
ní el
mais
ele ado,
al ez
po que
se
econhece
no
p o esso .
Gos a-se
ambém
mais
da
disciplina
onde
se
ob e e
maio
ní el;aliás
gos a-
se
a é
mais
desse
p o esso ,
a
pon o
de
alguns
alunos
nao
esponde em
qual
a
disciplina
de
que
gos am
mais
mas
sim
do
p o esso
(23)
de
que
gos am
mais.
Quan o
â
disciplina
de
que
se
gos a
menos,
ciências
da
na u eza
e
es udos
sociais
na
u ma
A
e
(22)
Is o
oi-nos
con i mado
pela
espos a
ao
ques ioná io
que
izémos
aos
p o
esso es
.
Vidé
anexo
8.
(23)
e
coloca am
o
seu
nome
-84-
es udos
sociais
na
u ma
B,
jus i
ica-se
maio i a iamen e
po
não
se
en ende
o
p o esso .
Onde
se
sen e
mais
di iculdades
é
quase
semp e
nas
mesmas,
nas
de
que
se
não
gos a,
e
jus i
ica-se
po
não
se
en ende
o
docen e,
e
po
ala
dep essa.
As
disc epâncias
en e
a
alo agão
do p o esso
de
Ciencias
da
na u eza
numa
e
nou a
u ma,
uma
ez
que
são
duas
pessoas
di e en es,
le am-nos
a
con i ma
que
de
ac o
a
a alia-
gão
ea
ap endizagem
ambém
dependem
de
quem
p ocessa
o
ac o
educa i o
e
de
quem
a e e,
e
não sô
da
c ianga
como
se
em
ap egoado
an o.
Pa a
sup i
a
ausência
de
a aliagão
quali a i a,
e
pa a
en a
conhece
um
pouco
melho
como
os
meus
pu os
(24)
e am
is os
po
cada
um
dos
seus
p o esso es,
elabo ámos
um
ques ioná io
que
oi
p eenchido
po odos
os
docen es
dessas
eze
c iangas,
no
ano
lec i o
de
1989/90,
â
excepgão
do
de
educagão
isual,
que
e a
ambém
de
ex eis,
que
en e an o
icou
de
baixa,
e
do
de
es udos
sociais
que
nos
disse
logo
que
isso
lhe
i ia
da
mui o
abalho,
e
que
de
ac o
nunca
mais
o
p encheu.
E
impo an e
analisa
não
sô
as
espos as
dos
p o esso es,
mas
ambém
egis a
as
dú idas
que
lhes
su giam
pe an e
a
p imei a
lei u a
do
ques ioná io
e
que
me
coloca am
an es
de
o
en ega em
p eeenchido.
Cla o
que
ambém
hou e
quem
os
p eenchesse
sem
deno a
qualque
di iculdade.
Usámos
como
es a égia
en ega
p imei o
os
inqué i os
ela i os
a
uma
das
u mas
pa a
não
sob eca ega
(24)
Pe mi a-se-me
es a
gí ia
an opolôgica,
po
analogia
com
a
ibo
do
e nôg a o.
-85-
a
conside á-lo
como
uma
pessoa
p agmá ica,
mui o
p á ica,
com
um
eino
empí ico
e
pouco
i ado
â
es é ica.
Aqui
não
admi a
es a
disc epancia
de
a e igôes.
Mas
ejamos
ainda
o
Má io
a aliado
nos
ou os
alo es
binominais,
pa a
assim
o
ica mos
a
conhece
mais
de alhada aen e
.
Na
ca ego ia
da
sociabilidade
oi
conside ado
de
igual
o ma
pa a
odos
os
p o esso es
(28)
-
quad ado
qua o
-
o
que
signi ica
se
conside ado
uma pessoa
sociá el.
É
ido
como
bas an e
ex o e ido
po
odos
os
docen es.
É
conside ado
unânimemen e
como
um aluno
mui o
pa icipa i o.
Na
ca ego ia
da
pa icipagão
(
solici ado
/
ini-
cia i a
p ôp ia)
as
opiniôes
con e gem
pa a
o
conside a em
como
um
aluno
que
pa icipa
po
inicia i a
p ôp ia.
Há
uma
endência
pa a
o
econhece em
como
um
aluno
mediano,
na
espos a
binômio
aco/b ilhan e
,
já
que
as
espos as
ecaem
maio i a iamen e
no
quad ado
ês
(x
e
y
iguais
=
aco
e
b ilhan e
iguais).
Â
excepgão
do
p o esso de
Ciências
da
Na u eza
que
o
conside a
is e,
odos
os
ou os
o
conside am
aleg e.
Como
imos,
da
mesma
o ma
que
cada
aluno
em
um
ideal
de
p o esso ,
ambé n
cada
docen e
em
um
aluno
ideal
o
qual
se e
de
modelo
pa a
a
sua
a e igão
e
que
se
aduz
na
p á ica,
pela
cons ugão
de
di e en es
imagens
do
aluno,
(sal o
os
casos
em
que
as
ca ego ias
sao
ão
e iden es,
como
é
o
caso
do
Má io,
que
as
opiniôes
di icilmen e
pode iam
di e gi ),
que
é
na
e dade
a
mesma
c ianga.
0
inqué i o
e lec e
que
o
p o esso
pe cebe
a
si uagão
como
um
sis ema
de
ap endizagem
onde
o
es udan e
é
um
(28)Ve
g á ico
se e,
anexo
10.
-92-

sujei o
independen e,
li e,
esponsá el
pe an e
si
p ôp io,
den o
da
men e
con a ual
e
que
po an o,
sô
depende
da
sua
on ade
es uda
ou
não.
Ou
aelho ou
ou
não
.
Es a
pe cepgão
do
p o esso ,
que
se
in e e
no
ipo
de
espos as
ao
ques ioná io,
é
a
escolha
que
az
de
en e
as
á ias
in e p e agôes
que
na
cul u a
ociden al
exis em
âce ca
da
in e p e agão
do
agi
humano,
onde
pelo
menos
es
co en es
ilosô icas
podem
se
de inidas:
a
in e p e agão eolôgica
ou
do
li e
a bí io,
a
m e p e agão
posi i is a
do
di ei o
dos
con a os
ou
da
igualdade
de
on ades
li es
e
uma
e cei a,
que
ê
os
indí iduos
do
g upo
social,
cons angidos
pelos
ac os
sociais
e
his ô icos,
biolôgicos,
isiolôgicos,
ou
a
opiniãos
dos
ou os,
que
é
de
ac o
a
in e p e agão
cien í ica
â
qual
o
p o esso
não
em
acesso.
A
explicagão
da
condu a
do
es udan e
pelc
con ex o
não
indi idual
de
li e
a bí io
é
um
conhecimen o
do
qual
o
p o esso
ca ece
e
do
qual
não
é
conscien e
já
que
a
sua
p ôp ia
educagão
é
mo alis a,
que
dize ,
julga
quando
se
Ihe
pede
pa a
a alia .
Quando
nos
e e imos
â
a aliagão
escola
in e essa
ac escen a
que
não
nos
limi ámos
a
aze
a
análise
dos
esul ados
inais,
in e cala es
,
imes ais
e c
,
dos
alunos
em
causa
e
dos
ques ioná ios
que
acabámos
de
e lec i .
Analisámos
ambém
com
po meno
á ios
es es
de
a aliagão
an o
da
P imá ia(29)
como
do
Ciclo
P epa a ô io.
É
no ô ia
a
quan idade
de
pe gun as
que
se
azem
com
apelo
â
memo izagão
de
nomes
de
luga es,
quan idades
de
ilhas
e c
,
o almen e
(29)
G ande
pa e
delas
ica
a qui ada
jun o
com
os
in o mes
no
chamado
p ocesso
do
aluno,
que
ambám
consul ámos
.
-93-
descon ex ualizadas.
Pa ece
uma
en a i a
de
p ocu a
pe gun as
que
eliminem
á ios
alunos
-
signi ica,
que
não
sejam
espondidas
po
g ande
pa e
das
c iangas
-
que
os
de o em
po an o.
É
caso
pa a
dize
que
se
busca
mais
o
insucesso
do
que
o
sucesso
escola ;
é
como
se
o
ano mal
osse
o
não
ha e
nega i as,
chumbos,
e c.
Ou imos
alguns
p o esso es
comen a em
"Tenho
que
aze
um
ou o
es e
mais
di ícil,
nes e
oda
a
gen e
ace ou
p a icamen e
udo";
"Pa ece
inc í el,
não
enho
p a icamen e
nega i a
nenhuma
pa a
da "
:
0
p ôp io
conselho
de
p o esso es,
no
ac o
de
langa
os
ní eis
no
inal
de
cada
imes e
exe ce
um
o e
con olo
sob e
cada
p o esso
em
pa icula ,
quando
es e
"p opôe"
(30)
uma
no a
que
oge
ao
pad ão
do
es o
dos
docen es;
e
dize
que
se
a as a
da
imagem
que
a
maio ia
em
das
capacidades
do
aluno.
E
não
é
assim
ão
pouco
equen e,
o
ajus e
ao
ní el
médio,
an o
pa a
cima
como
pa a
baixo.
Ou imos
po
ezes:
"
o
quê,
esse
aluno
consegue
se
bom
a
Geog a ia
?
Ele
a
His o ia
é
um
ze o!";
'
ô
pá,
não
me
digas
que
ais
es aga
o
a anjo
a
es e
miúdo,
ambém
ens
de
da
cinco".
É
assim
que,
dizemos
uma
ez
mais,
que
a
a aliagão
do
aluno
é
es e eo ipada,
in luenciada
pelas
expec a i as
com
maio
equência;
não
co esponde
a
um
juízo
objec i o,
independen e
da
opinião
dos
ou os.
Pe gun emo-nos
a
nôs
p ôp ios
se
não
se íamos
ambém
de o ados
po
algumas
dessas
p o as,
a é
po que,
da
o ma
como
es ão
concebidas,
o
p o esso
pode
semp e
dize
que
não
e a
bem
(30)
Dizemos
J'p opôe"
po que de
ac o
a
lei
diz
que
o
ní el
é
a ibuigão
do
conselho
de
p o esso es
depois
de
suge ido
indi idualmen e
pelo
p o esso
de
cada
disciplina.
Na
p a ica
emos
assis ido
po
ezes
ao
ol ida
pu a
e
simplesmen e
des e
p incípio.
-94-
isso
que
que ia
que
osse
espondidc
Vá
lá
en ão
a
c ianga,
coi ada,
a apalhada
a
pensa
nas
can ilenas
(31)
que
imp o isou
pa a
e e
uma
quan idade
de
e mos
deco ados,
consegui
ainda
adi inha
o
que
de
ac o
p e ende
o
mes e.
Su gem
po
ezes
pequenos
ex os,
desenhos
,
mapas,
uma
en a i a
de
enquad amen o
do
assun o,
mas
po
pa adoxal
que
pa ega,
su gem
po
ezes
nes e
g upo
de
ques ôes,
pe gun as
que
saem
c almen e
o a
do
con ex o
in oduzido
com
os
e e idos
g a ismos.
A
í ulo
de
exemplo,
numa
dada
disciplina
,
desculpe
o
lei o
e
c
p o esso ,
mas
pensamos
que
de e
se
e e ida
,
conc e amen e
ezi
Es udos
Sociais,
su ge
num
de e minado
es e
o
mapa
de
Po ugai
Con inen al
e
das
se e
pe gun as
que
se
azem,
ês
nada
êzi
a
e
com
ele
ou
não
p ecisam
dele
(aliás
ele
não
se e
pa a
nada,
a
não
se
pa a
o namen a
o
exe cício)
:
"Indica
quais
as
ilhas
do
g upo
cen al
dos
Ago es";
"Localiza
o
a quipélago
da
Madei a
em
elagão
a
Po ugal
Con inen al
"
(32)
e c
,
e c
.
Que
se
p e ende
a alia
?
Ou
melho ,
que
se
p e ende
p o a ,
já
que
is o
não
a alia
nada
do
que
a
c ianga
sabe,
p o a
sim
que
ela
não
em
as
pala as do
manual
odas
memo izadas
.
Dizia-me uma
ez
es e
p o
esso
:
"Nunca
i
c iangas
assim,
não
en endem
nada!"
Ques ionamos
nôs
ago a,
e
onde
é
que
a
c ianga
p o a
com
es as
ques ôes
que
en ende
a
localizagão
absolu a
ela i a
ou o
que
que
que
seja?
A
pe gun a
apenas
se e
pa a lhe
e i a
alo es,
pe cen agens
po que
de
ce eza
que
as
i ia
e a .
A
a aliagão,
de emos
dizê-lo,
como
(31)
e e imo-nos
a
mnemônicas
(32)
No e-se
que
nem
seque
se
isiona
na
ca a
geog á ica
ep esen ada,
Po ugal
Insula .
-95-
aliás
já
deixámos
explíci o
nes e
capí ulo
e
no
p ôp io
í ulo,
é
ei a
pela
nega i a.
A alia-se
o
que
o
pu o
não
sabe,
e
mui o
a amen e
o
que
ele
sabe.
-96-
-'**<»<>*
o<""
CAPÍTULO
TRÊS:
0
CURRICULUM
OCULTO
E imologicamen e,
cu iculum
signi ica
aquilo
que
se
em
de
co e .
Da
mesma
o ma
que
um
ilme
em
um
comego,
um
meio
e
um
im,
episôdios
e
si uagôes
a iadíssimas
que
se
ão
desen olando,
ambém
um
cu iculum
implica
um
caminho
a
pe co e
pa a
chega
ao
im.
Mas
já
não
se
iden i ica
hoje
o
cu iculum
exclusi amen e
com
os
con eúdos
a
mmis a
e
objec i os
a
a ingi .
Sabe-se
que
o
cu iculum
é
mui o
mais
que
isso.
Aba ca
odos
os
alo es
que
es ão
implíci os
na
o ma
como
se
ansmi e
o
sabe ,
nas
es a égias
u ilizadas
ou
nos
ex os
escolhidos:
No
passado,
cu iculum
e a
o
p og ama
de
ensino,
uma
lis a
de
ma é ias
a
es uda ,
sob
a
o ien agão
do
p o esso .
E a essencialmen e
um
conjun o
de
conhecimen os
a
memo iza .
0
ambien e
escola
pouco
impo a a
aos
plani icado es
do
cu iculum.
Mode namen e
enca amos
o
cu iculum
como
" odas
as
ac i idades,
expe iências
,
ma e iais,
mé odos
de
ensino
e
ou os
meios
emp egues
pelo
p o esso
ou
conside ados
po
ele,
no
sen ido
de
alcanga
os
ins
da
educagão.
""
(1)
0
ac o
de
ap ende
uma
simples
eg a
de
ma emá ica
pode
se
baseado
mais
no
apelo
â
memo izagão
ou,
pelo
con á io,
na
con ex ualizagão
com
o
eal,
na
en a i a
de
soluciona
p oblemas
p á icos
do
quo idiano.
É
nes e
dado
que
a
sociologia
da
educagão
em
pegado
pa a
ca ac e iza
o
concei o
de
cu iculum
ocul o,
aquilo
que
ad ém
da
me odologia
do
p ôp io
peo esso ,
das
suas
ilus agôes
e c
:
(1)
SPERB,
Dalilla
C,
p oblemas
ge ais
de
cu iculum
,
Edi
.
Globo
Po o
Aleg e
1979,
p.
61,
e e enciando
UNESCO,
Cu iculum
e ision
and
esea ch,
Educa ional
S udies
and
Documen s
,1958.
-97-

[...]
Cu iculum
é
udo
o
que
é
ap endido
na
escola
Pelos
alunos
seja
ou
não
objec i o
de
ansmissão
delibe ada.[.
.
.]
Es a
de inigão
chama
a
a engão
de
que
exis e
na
escolas
um
cu iculum
escondido
(hidden
cu iculum)
que
é
o
conjun o
de
odas
as
ap endizagens
que
os
alunos
azem
a a és
do
con ex o
ms i ucional
e
que
acilmen e
nos
passa iam
despe cebidas
.
"
(
2
)
Con udo,
conside ando
udo
isso
como
dado
assen e,
in e essa-nos
ago a
abo da
aqui
a
nogão
de
cu iculum
ocul o
co ao
aquele
que
esul a
da
in e p e agão
e
desen ol imen o
cu icula
po
pa e
do
docen e,
po
ezes
de
encon o
ao
p ôp io
p og ama,
ao
cu iculum
o mal
e
es a al,
ou
en ão
da
sua
não
in e p e agão,
que
dize ,
da
sua
não
manipulagão,
do
seu
esquecimen o.
E
cla o
que
cada
p o esso
po á
em
p á ica
o
cu icu-
lo
semp e
de
modos
di e en es,
u o
da
expe iencia
de
cada
um
e,
consequen emen e,
do
desen ol imen o
gue
lhe
imp ime.
Toda ia,
a
ques ão
que
nos
az
abo da
es e
ema
em
capí ulo
p ôp io,
esul a
duma
cons a agão empí ica
e ec uada
no
nosso
es udo
caso:
g ande
pa e
dos
con eúdos
minis ados
e
ên ase
que
se
Ihes
coloca,
não
êm
nada
a
e
com
o
cu iculum
em
igo
pa a
educa
as
c iangas
que
cons i uem
nosso
uni e so
de
es udo.
Compa ando
o
p og ama
o mal,
o
boneco de
ca ão
idealizado
pelo
Es ado,
com
as
plani icagoes,
sumá ios,
que
â
pa ida
sin e iza ão
as
aulas
e i icamos
a
exis ência
de
um
g ande
desencon o.
A
p ôp ia
cons ugão
dos
es es
de
a aliagão,
seus
mé odos
e
objec i os
implíci os,
a
análise
dos
cade nos
diá ios
(2)
FORMOSINHO,
João,
"De inigão
e
componen es
do
cu iculo"
in
Nogoes
de
sociologia
da
educagão
,
Uni e sidade
do
Minho
s/d.
-98-
dos
alunos
em
causa,
apon am
mais
pa a
um
desen ol imen o
cu icula
que
em
mui o
a
e
com
p og amas
que
es ão
possi elmen e
na
men e
do
p o esso
mas
não
mais
no
cu iculum
ac ual
(3
)
.
Na
escola
p imá ia,
o
p o esso
az
chega
ao
aluno
e
aos
enca egados
de
educagão
que
ali
se
es udam
es
disciplinas:
po ugues,
ma emá ica
e
meio
ísico
e
social.
Con udo
nos
bole im
in o ma i o
que
em
que
p eenche
imes almen e,
do
qual
pa e
chega
ao
enca egado
de
educagão,
e
que
denominámos
ín o me,
deb uga-se
sob e
seis
ca ego ias
:
Língua
Po uguesa;
Ma emá ica;
Meio
Físico
e
Social;
Exp essão
Plás ica;
Mo imen o,
Música
e
D ama;
Educagão
Física.
Is o
p o a
que
as
ou as
disciplinas
não
lhe
são
desconhecidas
,
são
é
subs imadas,
já
ele
p ôp io
não
é
sensí el
â
sua
impo ância,
pois
oi
o mado
num
sis ema
de
ensino
do
le
esc e e
e
con a .
En ão,
quando
mui o,
as
a e as
que
manda á
execu a
o a
des a
íade,
acon ecem
duma
o ma
lúdica,
pa a
descanso
do
pe iz
que
e en ualmen e
(senão
pela
ce a)
es á
a o
de
esc e e
e
calcula .
Quando
duma
o ma
mui o
in o mal
ques ioná amos
os
alunos
sob e
as
suas
ac i idades
de
pin a ,
desenha ,
co e ,
eles
espondiam-nos:
"
o
desenho,
. .
.
quase
semp e
se
azia
um
no
inal
do
dia,
quando
o
p o esso
dizia:
_
al am
10
minu os
pa a
i mos
embo a,
agam
um
desenho
pa a
passa
o
empo"
;
"
os
jogos,
(3)
Chamemos-lhe
en ão
cu iculum
ocul o
po que
não
es á
p e is o
mas
ambém
ope acional
po que
é
o
que
oco e
ac ualmen e
na
sala
de
aulas.
T a a-se
duma
axonomia
cu icula
usada
po
John
Goodlad
(1977)
e
ci ado
em
DOMINGUES,
José
Luís,
0
quo idiano
da
escola
de
1Q
G au
:
o
sonho
e
a
ealidade
Pon i icia
Uni e sidade
Ca ôlica
de
São
Paulo,
1985,
p.
27
'
-99-
. . .
azíamos
alguns
quando
íamos
pa a
o
in e alo
.. .
!"
E
e o quíamos
:
-
e
que
desenha am?
"
quase
semp e
a
mesma
coisa:
se
e a
p ôximo
do
Na al
e a
uma
á o e
ou
um
p esépio;
se
e a
pela
Páscoa
e am
sinos
ou
coisas
assim
...!".
En im,
o
exíguo
espago
e
empo
dedicados
å
educagão
a ís ica,
es e ica,
acon ecem
na
p á ica
no
cu iculum
ope acional,
ocul o
nes e
caso,
duma
o ma
pouco
li e e
de
encon o
ao
exp esso
no
p ôp io
p og ama:
"exp essa -se
li e
e
c ia i amen e"
.
Quan o
â
educagão
ísica
ela
oco e
o a
da
ida
da
escola,
embo a
"in a-mu os"
,
po que
no
ec eio.
0
pôp io
p eenchimen o
dos
bole ins
de
in o magão
e lec e,
como
imos
no
capí ulo
dedicado
â
a aliagão,
uma
ní ida
al a
de
a engão
dedicada
a
es as
á eas
:
"co e
bem.
.
.
,
gos a,
pa icipa,
é
desajei ada,
em
en usiasmo,
[...]
".
Mas
há
que
dize
que
es e
cu iculum ocul o
a
que
nos
e e imos
nem
semp e
de i a
exclusi amen e
da
in e p e agão
do
p o esso
mas
po
ezes
ambém
das
incoe ências
en e
os
á ios
despachos
no ma i os
que
egulamen am
os
p og amas
e
a
a aliagão
escola .
A
p ôp ia
es u u a
Minis e ial,
no
ocan e
aos
p ocessos
de
ap endizagem,
con eúdos
e
a aliagão,
le a
ela
p ôp ia
â
cons ugão
dum
cu iculum
ocul o,
ou
melho ,
a
um
ou o
desencon o,
des a
ei a
en e
o
que
é
pedido
que
se
minis e
(o
p og ama
o icial)
e
o
que
se
p e ende
seja
a aliado
("in o me"
que
é
p eenchido
imes almen e
)
:
com
e ei o,
o
p og ama
de
Po uguês
es á
es u u ado
å
ol a
dos
seguin es
" emas"
que
se
man êm
ao
longo
da
escola idade
p imá ia:
exp essão
o al,
ocabulá io,
exp essão
esc i a
e
uncionamen o
da
língua.
Po ém
o
-100-
que
é
pedido
que
o
p o esso
a alie
na
icha
in o ma i a
é
ou a
coisa
-
o alidade,
esc i a
e
lei u a.
No
ciclo
p epa a ô io
há
p o esso es que
de
ac o
são
bas an e
o malis as,
me iculosos
a é
na
ansmissão
dos
con eúdos
escola es,
sô
que
igno am
pu a
e
simplesmen e
o
p og ama
o icial:
numa
isi a
dum
inspec o
pedagôgico â
escola,
um
p o esso
oi
chamado
â
a engão
pe an e
um
sumá io
pois
es e
sin e iza a
uma
ma é ia
que
há
anos
não
az
pa e
do
p og ama.
Pa a
além
dos
sumá ios,
os
cade nos
diá ios
dos
alunos
con i ma am-nos
a
en ase
dada
na
ansmissão
de
eg as
g ama icais
a a és
de
mnemônicas
que
os
alunos
memo izam
pa a
ca ac e iza
um
concei o.
0
p ôp io
la im
é
in oduzido
no
ciclo
duma
o ma
des ian e
ao
p og ama
e
usado
na
ap eensão
da
semân ica
da
pal a
a a és
das
e imologias.
Não
que
não
seja
impo an e;
a
ques ão
é
que
esses
con eúdos
exis em
no
cu ículo
que
es á
na
men e
do
p o esso ,
que
oi
o
que
o
o mou
há
já
á ios
anos,
designadamen e
no
pe íodo
do
Es ado
No o,
e
não
mais
no
cu iculo
o icial
ac ual
.
E
como
o
p ôp io
p og a aa
diz
:
"Todo
o
abalho
se á
cen ado
na
ac i idade
da
c ianga
-
indi íduo
ou
g upo
-
impo ando
que
o
p o esso
encon e
o
que,
em
de e minada
si uagão,
in e essa
ap ende
e
não
aquilo
que
ele
gos a ia
de
ensina ".
(4)
Pa ece
que
o
docen e
não
se
consegue
descen a
do
modelo
cu icula
que
o
o jou,
que
Ihe
apon ou
os
alo es
e
sabe es
bem
co ados
en ão,
e
em
di iculdade
em
passa
a
(4)
P og ama
do
ensino
p epa a ô io,
op
.
ci .
p.9.
-101-
bas an e
longos
.
P ecisa ia
de
uma
es u u a
de
o ien agão
den o
da
escola,
que
o ien asse
sis ema ica aen e
pa a
as
no as
o mas
com
que
se
pode
a a
a
ma é ia
e
ensinasse
sucessi amen e,
ano
apôs
ano,
duma
o ma
semelhan e
a
um
o ien ado
ciên í ico
o
modo
e
o
incen i o
a
in es iga
as
ma é ias
que
ensina.
Cla o
que
há
um
ou o
ac o
que
ai
de
encon o a
al
p opos a,
e
que
é
o
g ande
núme o
de
ho as
que
o
p o esso
em
pa a
lecciona ,
o
que
acaba
po
aze
da
sua
a e a
um
abalho
a igan e
do
qual
ao
im
do
dia
já
sô
que
ence a
como
quem
echa
uma
loja
de
comé cio.
Um
e cei o
ac o ,
ainda,
diz
espei o
a
ha e
conhecimen os
que
se
ep oduzem
no
ensino
básico
de
o ma
es á ica,
seja
pela
al a
de
in o magão
sob e
os
desen ol imen os
cu icula es
do
que
ensina,
seja
pela
al a
do
conhecimen o
p oduzido
pela
in es igagão
mesmo
sob e
as
ma é ias
que
ensina:
há
á eas
do
sabe
em
que
as
no as
descobe as
não
são
eiculadas
a é
ao
p o esso ,
po
al a
de
comunicabilidade
en e
es e
e
os
in es igado es
.
0
Minis é io
da
Educagao
ege
a
ac i idade
docen e
po
uma
in o magão
cen alizada
das
no as
descobe as
mas
não
em
um
plano
de
in o magão
si emá ica
das
bibliog a
ias
que
su gem,
das
no as
ideias
e
cu sos
egula es
de
ac ualizagao
e
o magão
con ínua.
A
di isão
social
de
abalho
do
conhecimen o
não
em
comunicagão
en e
o
docen e
in es igado
do
ensino
supe io
e
de
ins i u os
de
in es igagão,
e
o
docen e
que
ensina
subo dinado
a
um
p og ama
ixo,
não
a as
ezes
po
á ios
anos
.
Nes e
sen ido
pode-se
dize
que
os
p o esso es
do
ensino
p imá io
e
do
ciclo
-108-

p epa a ô io
são
in elec uais
subu ilizados
,
a é
poque
não
se
con empla
no
seu
desempenho,
a
ac i idade
in es igado a,
que
se
ma e ialize
ambém
em
p o as
de
ac ualizagão,
capacidade
pedagôgica
e
cien í ica.
Não
há
jus i icagão
pa a
al
acon ece
exclusi amen e
no
ensino
supe io .
Is o
eque i ia,
e iden e-
men e,
uma
diminuigão
da
ca ga
lec i a
no
p o esso
do
ensino
básico
e
complemen a ,
assim
como
duma
e alo izagão
do
seu
es a u o
emune a ô io,
pa a
se
pode
dedica
å
in es igagão
e
deixa
de
se
um
docen e
desca ego izado
.
Na
nossa
cul u a
in elec ual
dá-se
mais
impo ância
ao
a ango
do
sabe
pelo
sabe ,
que
não
deixa
de
se
álido,
que
ao
a ango
do
sabe
aplicado
ao
ensino
das
no as
ge agôes
de
es udan es
quando
eles
p ôp ios
es ão
mais
ap os
e
p edispos os
a
busca
ambém
no os
conhecimen os
po
meio
da
pesquisa.
Rei e amos
en ao
que
o
p o esso
do
ensino
básico
e
secundá io
é
um
in elec ual
c uxi icado
ås
nume osas
aulas,
ao
p og ama,
e
å
ideia
de
se
um
epe ido
secunda izado
do
que
ou os
pensam.
Quem
abalha
nes a
ac i idade
e
não
em
es es
incen i os,
não
es á
es imulado
pa a
i
pa a
alé a
dos
p ôp ios
manuais
dos
quais
é
um
explicado
au o izado
pa a
esses
es udan es.
-109-
1
1
PARTE
O
SABER
QUOTIDIANO
CAPÍTULO
4
-
A
HISTÔRIA
DE
VIDA
Em
busca
da
men e
cul u al
A
men e
cul u al
é
o mada
po
sabe es
que
se
ap endem
e
se
ep oduzem
de
ge agão
em
ge agão,
sabe es
que
são
he anga
cul u al
do
g upo
domés ico
e
do
social
onde
se
inse em
os
jo ens,
e
ainda
po
es u u as
e
hábi os
men ais,
o mas
de
pensa ,
seleciona ,
e e
,ap ende
,
e
agi ,
que
se
desen ol em
no
p ocesso
de
socializagão,
a
que
ambém
chamamos
escola
de
ida.
As
di e en es
in e p e agôes do
eal,
di e en es
posicionamen os
é icos,
mo ais
a ec i os,
a iados
modos
de
classi ica
o
meio em
esul ado
das
ap endizagens
e
expe iência
quo idianas,
que
di e em
com
as
la i udes,
com
a
his ô ia
e
as
adigôes,
chama emos
es ilos
cogni i os,
u ensilagem
men al
com
que
a
c i-
anga
se
ai
muni
no
en endimen o
escola
quando
aí
chega.
O a,
pa a
pe cebe
os
es ilos
cogni i os
das
c iangas
há
que
conhece
essa
men e
cul u al,
a
didác ica
emp egue
na
ansmissão
dos
conhecimen os
do
dia
adia
,
já
que
o
sucesso/insucesso
escola
de e
comega
a
se
in es igado,
na
nossa
ôp ica,
a
pa i
do
en endimen o
dessa
es u u agão
men al
com
que
chocam
as
me odologias
e
con eúdos
escola es
.
Como
diz
Raul
I u a,
"o
que
ainda
não
se
iu
é
como
é
que
es á
cons uída
cul u almen e
essa
men e"
(1)
e
ainda,
"é
(1)
ITURRA,
Raul,
A
cons ugão
social
do
insucesso
escola
memô ia
e
ap endizagem
em
Vila
Rui a
,
Esche ,
Lisboa,
1990,
p.15.
-111-
p imei o
p eciso
en ende
qual
é
o
pa imônio
cul u al
que
de e
se
inco po ado
com
a
sua
p ôp ia
lôgica
no
ensino"
(2),
"a
c ianga
que
a e a
na
aula
não
em
do
a ,
é
u o
duma
expe iência
he dada
pela
ge agão
de
adul os
com
a
qual
i e,
con i e,
e
â
qual
obedece
.
Os
seus
c i é ios
do
mundo
es ão
já
es abelecidos,
assim
como
as
axonomias
com
que
dis ingue
pessoas
e
coisas"
(3)
Ha ia
en ão
que
sabe ,
de
en e
o
que
é
alado,
e e ido
e
esc i o
pelas
c iangas
,
aquilo
que
é
ap endido
an es
e
pa a
além
da
escola.
P e endia-se
cons ui
um
desenho
da
sua
men e
cul u al.
Reco emos
g osso
modo
å
écnica
clássica
da
An opologia
-
a
obse agão
pa icipan e
-
nos
abalhos
domés icos,
de
que
a a emos
adian e,
e
â
análise
si uacional
nas
ho as
de
u o
de
ho á io
escola ,
nos
ec eios
e
empos
li es
desses
alunos.
Em
Junho
de
1990,
mesmo
no
inal
das
aulas,
úl ima
semana,
pac uámos
com
o
Di ec o
Pedagôgico
da
escola,
u aa
semana
dinamizada
po
nôs
.
Aqui
e ia
mesmo
de
dize
"nôs"
po que
de
ac o
não
es i e
sô
acompanhado
espi i ualmen e
po
comunhão
de
ideias
e
in e esses
com
ou os
com
quem
abalho,
mas
ísicamen e
ambém,
pelo
Filipe
Reis,
Paulo
Raposo
e
Nuno
Po o
,
colegas
da
equipa
em
que
abalhamos
.
Denominámos
essa
semana,
que
pa a
o
es o
da
escola
e a
"semana
cul u al"
,
semana
dos
de
empos
li es,
designagão
que
em
da
me odologia
de
es udo
de
c iangas
(2)
ITURRA,
Raul,
op
.
ci .
p.23
(3)
ITURRA,
Raul,
idem,
p.
17.
-112-
em
abalho
de
campo,
desen ol ida
pelo
P o
.
I u a.
Es e
mé odo
isa
en ende
as
abs acgôes
que
as
c iangas
azem
da
ida
quo idiana
e
as
elabo agôes
sob e
a
mesma.
Di idimo-la
em
ês
g andes
momen os/ e aas
:
segunda
e
e ga- ei a
,
conhecimen o
e
en endimen o
dos
jogos
p a icados,
ac i idades
desen ol idas o a
da
escola,
que
na
pa icipagão
no
abalho
do
g upo
domés ico
que
nas
b incadei as
;
e ga
e
qua a,
ap eende
as
ep esen agôes
que
os
miúdos
elabo am
do
co po
e
da
saúde;
quin a
e
sex a,
ep esen agôes
da
amília
,
pa en es
e
izinhos.
P imei amen e
den o
da
sala
de
aula
dispos os
duma
o ma
a bi á ia,
espon ânea,
consequen emen e
di e en e
da
es u u a
habi ual,
omos
con e sandc,
ques ionando,
ou indo,
en im
c iando
um
ambien e
amilia
o .de
os
signos
linguís icos
o am
su gindo
ambém
cada
ez
mais
espon âneamen e
e
pouco
ou
nada
il ados
e
co igidos
pelo
audi o io.
Fomos
usando
o
quad o
p e o
pa a
a
elabo agão
das
pe gun as
e
pe sonaliza
as
di e en es
espos as
.
As
espos as
a
algumas
pe gun as
b e es,
e am
o ais,
ou as
o am
objec o
de
um
pequeno
abalho
esc i o.
A
ques ão
-
"Quem
chega
a
casa
e
não
em
nada
que
aze
?"
-
apenas
espondeu
o
Ma eus
.
É
ilho
de
ex
emig an es,
pai
cons uc o
ci il,
mãe
domés ica.
É
le ado
dia iamen e
â
escola
de
au omô el,
po
um
ou
po
ou o.
É
ido
como
um
bom
aluno.
Ou a
coisa
não
se ia
de
espe a .
Todos
os
ou os
colegas
deno a am
semp e
e
algo
que
aze
â
chegada
a
casa.
"A
que
ho as
e
le an as
?
Pa a
quê
?
-
ås
se e
ho as,
esponde am
a
Ana
C is ina,
a
Ca a ina,
o
Daniel,
a
Ju ina,
a
Lina,
o
Rui,
o
Sil ino,
odos
esiden es
en e
3
a
5
-113-

Km
da
escola,
sem
anspo es
públicos
pelo
que
se
deslocam
a
pé
.
Os
es an es
dizem
le an a -se
po
ol a
das
7,30
h
pa a
pode em
a uma
os
li os.
A
Ana
C is ina,
a
Ca a ina,
o
Daniel,
a
Lina,
o
Má io,
o
José
ca los,
a
G acie e,
o
Rui,
eo
Ped o
e e em
ajuda
os
pais
em
casa
e
no
campo:
a
la a
a
loiga,
a
ega ,
a
i
âs
pinhas,
a
apanha
ba a as
.
In e ogámos
pos e io men e
os
miúdos
sob e
o
que
i iam
aze
se
i essem
uma
ho a
li e
no
ho á io
e
com
quem
o a iam.
A
Ana
C is ina
e a
G acie e
i ia a
joga
ao
elás ico
com
a
Ju ina
e
a
Ca a ina;
A
Ana
So ia
â
apanhada
com
a
Ana
C is ina,
a
Go e i,
a
Celina,
a
Sand a,
o
Jo ge,
o
Má io,
o
Hugo,
o
Ped o
e
o
Ma eus
(dois
de
uma
ou a
u ma
e
os
es an es
da
sua);
a
Ca a ina
ao
elás ico;
o
Daniel,
o
Rui
e
o
Má io
ao
u ebol,
com
a
u ma
do
5Q
b.
Es e
úl imo
cons i uiu
as
equipas
ideais
pa a
o
que
denomina
de
"cace ada",
ce amen e
o
que
se ia
um
jogo
enhido:
pelo
5Q
A
-
o
Má io
(ele
p ôp io),
João,
José,
Hugo,
Rica do,
Nelson
e
Filipe;
pelo
5Q
b
-
Ma eus,
Ped o,
Sé gio,
A mindo,
José
Ca los
e
Paulo.
A
Ju ina
i ia
joga
å
cab a
cega,
a
Lina
e
o
Rui
å
ba alha
Na al.
0
Ma eus,
esse
menino
de
bem,
mas
amigo
e
a é
bonachei ão,
diz
que
i ia
b inca
a
cola
papéis
nas
cos as
dos
colegas,
a
dize :
"sou
mui o
bu o",
"dá-me
mu os",
"dá-me
chu os"
e c
Ou o
ema
que
desen ol emos
:
"Es ou
em
minha
casa.
Os
meus
pais
deixam-me
i
b inca .
A
quê
?
com
quem
?
"
A
g ande
pa e
das
apa igas
e e iu
i
b inca
aos
bébés,
aos
papás
e
mamãs,
âs
bonecas,
ås
ca as
e
sal a
å
co da,
com
os
i mãos,
-114-
p imos
e/ou
amigos
.
Os
apazes
si ua am-se
no
u ebol,
no
jogo
da
malha,
do
be linde,
do
pião
e
da
la a
com
os
izinhos,
amigos,
p imos
e
pais,
nalguns
casos, no
que
se
e e e
ao
jogo
das
ca as
.
Quan o
aos
jogos
e
o mas
como
o am
ensinados,
icámos
com
a
ideia
de
que
p a icamen e
odos
já
inham
jogado
ao
piao
e
ao
be linde
que
os
ha iam
ap endido
ou
com
izinhos,
ou
com
amilia es
-
p imos
i mãos
e
pais.
No
ocan e
a
es e
p imei o
momen o/ ema
do
abalho,
ocupámos
as
a des,
undamen almen e
a
pô
em
p á ica
g ande
pa e
des es
jogos
desc i os
.
An es
po ém,
cons uímos
com
os
alunos
uma
ca og a ia
da
escola:
um
mapa
dos
di e en es
espagos
ex e io es
conside ados
pa a
cada
uma
das
ac i idades,
que
calco eámos
gos osamen e
,
como
c iangas
no
meio
de
c iangas,
nessas
a des
de
abalho
que
nos
soube am
a
b incadei a.
Fo am-nos
assim
ap esen ados
in
loco
:
o
campo
de
be linde,
o
de
oleibol,
de
u ebol,
de
baske bol,
do
pião,
da
música,
o
can o
dos
umado es,
dos
namo ados
e
ainda
o
campo
das
o elhas,
e a
con ígua
onde
esiden es
locais
pÔem
o
gado
o ino
a
pas a .
A
impo ância
des e
ac o es á
na
p oximidade
que
ob i emos
com
as
c iangas
e
seus
cos umes,
assim
como
com
a
obse agão
de
como
delimi am o
espago
e
e ec uam
ac i idades
que
ap endem
e
ou as
modos
de
en ende
as
suas
elagôes.
Vejamos,
mais
de
pe o,
a
es u u agão
de
alguns
jogos
em
que
pa icipámos
,
ainda
que
mais
dominados
que
dominan es
já
que
nes e
âmbi o
o
sabe
deles
e a
no ô io
e
o us-
ca a
os
nossos.
As
equipas
de
u ebol
e am
escolhidas
po
dois
-115-
pu os
conside ados
mais
equilib ados
:
o
Má io
e a
semp e
um
deles.
Sal a am
de
longe,
um
pa a
o
ou o,
p imei o
a
pés
jun os
depois
a
"pés".
A
moeda
e a
usada
pa a
de
o ma
alea ô ia
se
escolhe em
os
campos
e a
"saída
da
bola"
.
Cons a ei
á ias
ezes
que
na
ausência
de
á bi o,
e a
a
es u u a
ísica
de
algum
que
pe mi ia
a
imposigão
de
algum
li e
ou
penal ie
ea
sua
co esponden e
ma cagão.
0
Ma eus,
o
menino
be a
humo ado
e
"b ilhan e
in elec ualmen e"
queixa a-se
cada
ez
que
não
lhe
passa am
a
bola
nem
o
deixa am
ma ca
nada
.
Aqui
a
sua
cul u a
le ada
não
cons i uia
ca isma
pa a
lide anga
no
jogo.
E a
mesmo
um
mau
jogado .
Ao
Daniel
e
a
um
ou o
mais
pequeno e
e a
di o
equen emen e:
" ocês
a
sabe em
que
o
pu o
não
joga
nada
e
passam-lhe
a
bola";
"e a
melho
es a es
o a
do
que
aqui
a
aze es
asnei as".
Mais
ao
lado,
num
ou o
espago,
as
meninas
da
u ma
in es iam
nos
jogos
a ás
e e idos.
0
jogo
do
balão
que
isionámos
num
dia,
me ece-nos
con udo
uma
a engao
especial:
imos
su gi
a
ideia,
o
nome
do
jogo
(o
balao)
e
obse ámos
como
pouco
a
pouco
se
o am
cons uindo
as
eg as
de
acgão
e
se
oi
azendo
o
le an amen o
dos
ma e iais
necessá ios
e
ou os
que
iam
su gindo
ambém
como
indispensá eis
.
Foi-se
busca
um
co dão.
A
Ana
So ia,
ilha
de
um
p op ie á io
de
papela ia
e
ou os
ex as,
oi
busca
balôes
e
a ou-os
.
Alguém
suge iu
que
se
a anjasse
uma
enda
e
que
com
um
pau
se
en asse
u a
os
balôes
.
A
Ju ina,
pequena,
mas
ágil,
dep essa
subiu
â
oli ei a
e
a ou
os
balÔes.
Uma
po
uma,
odas
a eja am
o
a ,
na
en a i a
de
a ingi
os
balôes,
que
apesa
das
di
iculdades
,
no
inal
da
a de
acaba am
-116-
po
sai
odos
eben ados
.
Es a am
odas
con en es
não
pelos
encedo es
mas
po
uma
ac i idade
que
o am
c iando,
po
analogia
com
os
jogos
sem
on ei as
is os
na
ele isão.
En im,
sabe es
pos os
no
aze .
Aplicagoes
em
no as
si uagôes
no
já
ei o
an e io men e
.
Uma
a de oi
combinado
que
o
Ped o
a ia
o
seu
g a ado
e
casse es
pa a
se
aze
um
baile
no
espec i o
ecin o.
Música
no
a
e
logo
logo
as
mogas
comega am
a
danga
umas
com
as
ou as.
Os
apazes
hesi a am
!
A
maio ia
i
e
diz:
" amos
mas
é
joga
ao
be linde
!..."
ou os
"â
bola"
.
Assim
se
e i a am
um
a
um
e
apenas
icou
o
Ma eus,
bas an e
ex o e ido, que
nos
disse:
"
se
osse
num
ou o
salão,
com
ou as
apa igas,
eu
ambém
danga a"
.
Acabou
po
pega
numa
ábua
e
deu
alguns
passos
de
danga
dizendo:
"se
ainda
osse
com
uma
apa iga
que
não
es á
cá
!..."
E
aí
icámos
a
e
danga
as
apa igas,
eu,
o
Filipe
e
alguns
apazes
.
Fosse
""slow"
ou
ou o
i mo
qualque
elas
p o a am
que
no
expô
do
co po
são
bem
menos
ímidas
e
mais
einadas.
Mesmo
as
mais
in o e idas
,
as
com
menos
b ilho
na
ida
escola ,
como
é
o
caso
da
Ana
C is ina,
acaba am
po
se
mos a
ou as
que
são
de
e dade,
não
o
es e iô ipo
com
que
sao
a aliados
e
ao
qual
eles
p ôp ios
se
ajus am,
se
subme em
e
acei am
se ,
is o
na
escola.
No
dia
seguin e,
qua a-
ei a, mui o
p ôximo
do
e minus
do
ano
escola ,
as
c iangas
inham
bem
mais
eu ô icas,
ou
al ez
quem
sabe,
po que
es a am
a
gos a
da
nossa
ac i idade
com
elas,
se
iden i
ica am
com
as
eg as,
que
de
ac o
de
abú
pouco
inham,
e
inham
elas
mesmas,
em
ca ne
e
osso
e
de
-117-
escola
p imá ia
e a
ido
como
aluno
co a
di iculdades
no
cálculo
ma emá ico.
Em
con apa ida,
em
educagão
ísica,
e a
ca ac e izado
como
"apaixonado
po
jogcs"
.
No
ciclo
p epa a ô io
em
ambém
ido
algumas
nega i as
em
ma emá ica,
assim
como
em
po uguês.
Em
educagão
ísica
em
ob ido
os
melho es ní eis
da
u ma
.
Seguimos
depois
o
Má io,
ambém
c i e iosamen e,
des a
ei a
o a
da
escola,
e
o a
ambém
das
b incadei as
e
ocupagão
dos
empos
li es
que
desc e emos
an e io men e
.
Calco eámos
os
seus
caminhos
pe co idos
com
os
abalhos
do
g upo
domés ico,
dia
a
dia,
no
e ão
de
90,
nas
é ias
de
Na al/90,
nas
é ias
da
Páscoa/91
e
aos
sábados,
du an e
g ande
pa e
do
ano
lec i o.
Que íamos
conhece
de
pe o
a
sua
his ô ia
de
ida,
a
de
seus
pais
e
a ôs
.
Que íamos
e
como
dis ibuia
o
seu
empo,
o
empo
pa a
es uda
e
o
empo
pa a
abalha .
Que íamos
e
o
que
sabia
aze
o
Má io,
o
que
az
de
ac o,
como
e
onde
o
ap endeu.
A
in engão
e a
conhece
de
pe o
o
con ex o
den o
do
qual
se
p ocessa
ou
cons ôi
a
condu a
do
indi íduo
que
es udamos
.
0
Má io
nasceu
a
in e
e
oi o
de
Maio
de
mil
no ecen os
e
se en a
e
oi o,
na
F eguesia
de
Albe ga ia
dos
Doze.
Te a
hoje
pois
a
môdica
idade
de
doze
anos
.
Aliás,
es á
p es es
a
comemo a
o
décimo
e cei o
ani e sá io
da
sua
ida
.
É
ilho
do
segundo
casamen o
de
seu
pai,
João
Gaspa ,
com
Alice
Gamei o.
Des e
casamen o
nasce am
mais
qua o
ilhos:
o
Ped o,
in e
anos
,
o
Paulo,
dezasse e,
a
Ma ia
João,
ca o ze,
e
a
Ana
Ri a,
dez
anos
.
-124-

0
Ped o,
o
i mão
mais
elho
des e
casamen o,
aleceu
no
Ve ão
de
89,
com
dezoi o
anos
,
quando
dis u a a
dum
in ulga
im de
semana,
um
domingo
passado
na
p aia
â
qual
ha ia
ido
com
os
p imos,
no
au oca o
da
manhã.
A
ida
ea
escola
ha iam-lhe
ensinado
an a
coisa
mas
não
a
nada .
Não
oi
pe doado
de
al
igno ância.
"Anda a
já
no
sé imo
ano",
que
dize ,
no
11Q
de
escola idade.
"E a
um
jo em
exempla ",
dizem-nos
os
izinhos.
E ec i amen e
ul apassou
odas
as
ba ei as,
as
escola es
e
nao
escola es,
e
lá
ia
bem
langado
pa a
o
que
a
sociedade
chama
de
sucesso
escola
e
quem
sabe,
sucesso
social.
Tinha
uma
o ga
anímica
e
uma
dinâmica
que
não
é
ulga
e
em
jo ens
ape ados
pelo
mesmo
ce co
da
u alidade,
ace
ås
exigências
da
escola.
Também
ele
ocupa a
odos
os
inais
de
a de
e
sábados
nos
abalhos
ag ícolas
da
amília.
Nas
é ias
abalha a
no
o no
pa a
ganha
dinhei o
pa a
a
casa.
E
oi
numa
pausa
desse
abalho
nos
ba os
e melhos,
que
ans o ma a
em
ijolos
pa a
a
cons ugão
ci il,
que
o
des ino
o
a edou
do
cu so
da
ida.
A
mãe
ha ia
"p ome ido"
i
limpa
a
ig eja
no
ou o
dia.
"Passou
a
noi e
em
b anco",
esgo ou
as
o gas
cho ando
a
mo e
do
seu
ilho
mais
elho.
Toda ia,
no
dia
seguin e
ao
do
une al,
a
D.
Alice
nao
al ou
ao
comp omisso
que
ha ia
ei o
-
"i
pa a
quem
lhe
ha ia
alado"
.
Apa eceu
de
manhã,
pálida
e
aba ida
po
al
so e .
Acabou
no
en an o
po
i
pa a
casa
descansa ,
mandada
pela
colega
que
i ia
aze
limpeza
consigo.
0
Paulo
equen a
o
8Q
ano
de
escola idade
.
Tem
dezasse e
anos
e
ep o ou
já
ês
ezes
na
ida
escola .
Também
desde
mui o
no o
passou
a
p eenche
o
empo
de
laze no
espago
-125-
domés ico,
onde
oi
p es ando
pequenas
ajudas
aos
aais
elhos,
endo-se
in eg ado assim,
pouco
a
pouco,
no
mundo
dos
seus
.
Hoje
i e
ambém
na
enc uzilhada
desses
dois
espagos
:
o
da
escola
da
ida
e
o
da
ida
na
escola
.
Vi e-os
de
uma
o aa
es anque.
Pa ece
Apaga
da
men e
um
quando
ing essa
no
ou o
e
ice- e sa,
como
deco e
da
análise
ei a
da
composigão
ace ca
da
sua
ida,
que
lhe
oi
solici ado
aze
( eja-se
mais
adian e),
e
como
se
pode
conclui
da
obse agao
de
sua
ida
den o
do
la .
Co espondem
de
ac o
ambém
a
dois
empos
di e en es,
cada um
com
a
sua
ges ão
p ôp ia.
En im,
dois
mundos
que
se
excluem
mu uamen e
.
0
eino
duma
e
dou a
isam
objec i os
di e en es
e
desconexos.
Na
P ima e a
e
Ve ão,
com
os
dias
sola es
mais
longos
,
o
oque
do
inal
das
aulas,
o
das
cinco
ho as,
anspo a-o
pa a
um
ou o
meio
dia
de
abalho,
em
ge al
na
ag icul u a.
Há
dois
meses
conseguiu,
conjun amen e
com o
Má io,
a anja
um
ou o
abalho,
num
jo nal
semanal
do
Concelho.
Todas
as
qua as
ei as,
aí
es ão
eles,
das
dezasse e
e
in a
â
uma
ho a
da
manhã,
pa a
dob a em
os
jo nais
que
segui ão
no
ou o
dia
pelo
co eio.
E
na
manhã
seguin e
lá
es ão
aescu a
os
p o esso es
que
p ome em
aze
deles
homens
.
Ganham
duzen os
escudos
po
ho a
e
es ão
con en es
po
assim
pode em
colabo a
em
casa
com
a
en ega
ambém
de
algum
dinhei o
pa a
o
pão
do
dia
a
dia.
Mais
ecen emen e
ainda,
o
di ec o
do
jo nal
con idou
o
Paulo
pa a
cob i
jo nalis icamen e
os
desa ios
de
u ebol
aos
domingos
e
passa
a
se
assim
ambém,
colabo ado
despo i o.
Aí
oi
ele,
odo
con en e,
pedi
na
escola
u a
ce i icado
de
-126-
habili agôes
,como
lhe
ha ia
sido
exigido.
A
i mã
mais
no a,
a
Ana
Ri a,
que
equen a
o
p imei o
ano
do
ciclo
p epa a ô io,
o gulhosa
com al,
ez
co e
no
dia
seguin e
a
no ícia
na
escola:
"o
meu
i mao
ago a
ambém
é
jo nalis a".
Po
seu
lado,
a
Ma ia
João,
nunca
ep o ou
na
escola.
Tem
ca o ze
anos
e
es á
já
a
e mina
o
9Q
ano
de
escola idade
.
Tem
sido
mais
poupada
nos
abalhos
amilia es.
A
ela
cabe-lhe
mais
a
lida
da
casa,
ao
lado
da
mãe,
e
quando
mui o
ou as
a e as
ag ícolas
conside adas
mais
le es
e
idas
aqui
como
mais
emininas:
co a
e a,
a a
dos
coelhos
e
das
galinhas,
monda
e
sacha
algumas
semen ei as
.
Po ém,
há
dois
anos
pa a
cá,
em
abalhado
nas
é ias
de
Ve ão
num
es au an e
u ís ico
da
p aia
da
Naza é,
onde
ambém
come
e
do me,
con
jun amen e
com
ou as
duas
colegas
de
es udo.
A
amília
nuclea ,
pai
e
mae,
e
p esen emen e
qua o
ilhos,
i ia
a é
há
um
ano
numa
pequena
casa
de
qua o
di isôes,
que
o
João
Gaspa
he da a
dos pais
da
p imei a
mulhe ,
a
Ca min-
da
.
Quando
casou
já
ela
inha
uma
ilha
de
um
ou o
homem,
ilha
essa,
que
casou
com
o
Agos inho,
i mão
do
ma ido
de
sua
mãe,
seu
pad as o,
o
p ôp io
João
Gaspa
(05)
Do
p imei o
casamen o
do
s .
João,
nasceu
um
ilho,
o
Ca los.
Tem hoje
in a
e
ês
anos
e
é
elec icis a
de
p o issão,
o mado
ambém
ele
pela
expe iência
da
ida,
apesa
de
e
p osseguido
na
escola
a é
ao
ensino
complemen a
,
escola
essa
que
o a
os
ce i
icados
,
lhe
doou
a
necessidade
de
ap ende
uma
(05)
Pa a
melho
ap eensão, acompanhe-se
es a
desc igão
genealôgica
com
a
lei u a
do
anexo
11.
-127-
p o issão
pa a
p ossegui
na
ida
.
Reside
num
apa amen o
em
Lisboa,
onde
casou
.
Aí
é
isi ado,
dois
ou
ês
dias
po
ano
pelos
seus
"meios"
i mãos que
assim
passa am
a
conhece
o
além
da
aldeia
onde
nasce am,
ap ende am
a
anda ,
co e ,
a
joga ,
a
lu a
e c
0
ac o
do
Má io
i e
g ande
pa e
do
seu
empo
en e
adul os,
pe mi e-lhe
adap a -se
acilmen e
â
ida
da
escola
que,
mui o
embo a
seja
equen ada
po
c iangas,
a
egulamen agão
do
compo amen o
é
di ado
pelos
adul os
que
a
go e nam,
como
acon ece
na
sua
p ôp ia
ida
pessoal.
A
sua
ap endizagem
esul a
de
e
agi
uma
ge agão
mais
expe imen ada
.
Mas
essa
casa
onde
eside
a
amília,
dizíamos,
oi es au ada
há
uns
meses
.
0
s .
Joao
Gaspa
pôs-lhe
um
ou o
anda
em
cima.
Fal a
ago a
conclui
o
acabamen o
dos
in e io es
.
Po
o a
es á
já
de
ac o
uma
ou a
casa
.
" i e
que
aze
uma
pausa"
,
disse-nos
o
s .
João,
deno ando
no en an o
o ga
pa a
a
i
a
conclui .
Mas
é
e ec i amen e
di ícil
com
uma
amília
ão
nume osa,
e
com
odos
os
ilhos
a
es uda ,
acumula
e bas
pa a
além
da
p ôp ia
subsis ência
.
Ele
cul i a
pequenas
e as
pa a
a
subsis ência
alimen a
do
g upo
domés ico.
Fo a
isso
o
seu
empo
é
dis ibuido
pelo
"anda
ao
dia
o a"
com
a
aca,
que
o a
puxa
o
ca o
com
es ume,
pas o
ou
ba a as,
o a
puxa
o
a ado
que
sulca
a
e a
onde
a
semen e
langada
se á
u o
pa a
colhe .
0
João
Gaspa
é
ainda
o
co ei o
o icial
da
Jun a
de
F eguesia
local,
e
o
cob ado
dos
e ados
na
ei a
mensal,
a
onze
e
doze
de
cada
mês
.
Nasceu
em
Ca nide,
numa
eguesia
a
ce ca
de
in a
kilôme os
-128-
des a
onde
eside.
Ainda
jo em
eio
mo a
pa a
Albe ga ia
dos
Doze,
pa a
casa
do
Zé
Viei a,
um
p op ie á io
local
que
semp e
albe gou
mui a
gen e
que
pa a
ele
abalha a,
nas e as
e
na
se alha ia
que
possuía.
Aqui
casou
e
aqui
se
en aizou.
Nada
já
o
p ende
lá.
Os
seus
pais
já
mo e a a
e
pos e io men e
oi
ob igado
a
ende
oda
a
he anga
ma e ial
.
Chegou
ainda
a
se
emig an e
na
década
de
sessen a,
mas
não
gos ou
da
expe iência
e
enca ou
a
du eza
do
abalho
da
e a,
"o
pão
que
o
diabo
amassou"
como
a
sua
única
al e na i a.
Ela,
a
Alice,
"casou-se
já
elha
e
pa a
se
uma
esc a a"
e e iu-nos
uma
in o man e.
Seus
pais
e am
ag icul o es
e
alece am
já.
Tinham
algumas
e as
mas
" i ia a
mui o
mal
pois
nunca
quise am
ende
nada".
Hoje
i e
cul i ando
essas
e as,
in e calando
esse
empo
com
o
das
jo nas
que
ganha
"ao
dia
o a"
e
"ås
ho as"
.
As
ca as
es ão
langadas.
A
ida
é
um
jogo
di ícil
pa a
qualque
um
deles.
Mas
é
aqui,
nes a
ida
pouco
p ôdiga
que
o
Má io
nasceu
c ianga
e
em
b e e
se
ez
homem.
Es e
é
o
con ex o
que
supo a
o
seu
sabe
e
a
sua
disposigão
na
escola.
Aqui
se
p ocessa
a
ansmissão
de
mui os
sabe es
que
passam
â
ma gem
dos
docen es,
como
é
e e ido
mais
adian e.
É
que,
pa a
além
da
a ec i idade
que
a
ida
amilia
compo a,
a
amília
é
ambém
um
meio
de
ida.
Os
espagos
são
aí
mui o
especí icos
e
desde
mui o
cedo
os
hábi os
de e minam
compo amen os
que
se
p olongam
no
empo.
0
p ôp io
empo,
o
empo
dessa
escola
da
ida,
obedece
a
i mos
mui o
di e en es
daqueles
que
ca ac e izam
os
empos
escola es
.
-129-

"0
menosp ezo
pela
c ianga
e
po
udo
o
que
cons i ui
a
sua
€cul u a»
é,
mui as
ezes,
inconscien e
.
Es amos
uns
e
ou os
ão
o emen e
imp egnados
da
ideia
segundo
a
qual
a
cul u a
comega
na
escola
e
que,
nes e
sen ido,
a
escola
é
concebida
pa a
ela,
que
já
não
pe cebemos
o
ex ao diná io
abalho
cul u al
que
p eexis e
em
cada
c ianga.
"
(06)
Tan a
coisa
ap endeu
o
Má io
nesse
espago/ empo
pa a
além
da
escola.
Tan a
coisa,
an o
sabe
e
sabe aze
que
ela
igno a
e
que
ele
p ôp io
descu a
quando
connosco
ala
ou
quando
pela
esc i a
lhe
é
pedido
da
con a
da
sua
ida
.
Pedimos
â
p o esso a
de
Po uguês
que
incluisse
nos
seus
exe cícios
p á icos
sob e
a
na agão,
uma
emá ica
que
se ia
abo dada
po
oda
a
sua
u ma:
"A
minha
his ô ia
de
ida"
.
Na ou-a
assim:
"Eu
nasci
em
Coimb a.
Aos
seis
anos
en ei
pa a
a
escola.
A
p c esso a
oi
dize
ao
meu
pai
que
eu
e a
mau
.
Depois
passei
semp e
mas
chumbei
na
qua a
.
Mas
depois
passei
e
im
pa a
o
colégio.
Mas
ambém
abalha a
e
logo
aos
seis
anos
o
meu
pai
me
ensinou
a
anda
å
en e
da
minha
aca.
Depois
eu
ia
busca
lenha,
semea
ba a as,
e c. e
ago a
con inuo
a
ajuda
o
meu
pai.
Eu
quando
e a
pequenino
ia
mui as
ezes
os
comboios
a
passa
e
b inca a
com
os
meus
amigos
.
Eu
e
os
meus
i mãos
andá amos
semp e
â
bulha
mas
passado
um
bocado
já
andá amos
amigos.
"
E
e minou
aqui
a
iagem
pelo
seu
passado.
Fechou
a
composigão
com
um
co agão,
que,
al
como
odo
o
ex o,
oi
ei o a
e melho.
E
cu ioso
como
passa
imedia amen e
do
nascimen o
pa a
a
en ada
da
escola.
Tal ez
i esse
pensado
que
udo
o
es o
não
(06)
JEAN,
Geo ges,
Cul u a
pessoal
e
acgão
pedagôgica
,
Edigoes
ASA,
col.
Biblio eca
Básica
de
Educagão
e
Ensino,
Lisboa
1990.
-130-
in e essa a.
Ou
al ez
não
quisesse
ab i
mão
das
suas
con idências
e
das
andangas
que
sô
a
ele
e
aos
seus
in e essa am.
0
ac o
é
que
a
composigão
e ela
uma
dico omia:
his ô ia
de
ida
e
quo idiano
po
um
lado,
a
escola
po
ou o.
Na
escola o
seu
pensamen o
i a-se
exclusi amen e
pa a
esse
con ex o.
Foi
necessá io
o
docen e
chamá-lo
â
a engão,
depois
de
e
uma
esc i a
ão
econômica
:
-
"
En ão
e
não
e
lemb as
de
nada
pa a
além
de
anda
na
escola
?"
Foi
en ao
que
alou
da
lenha,
das
ba a as,
das
b incadei as
e
das
za aga as
.
Aqui
es á
o
a gumen o
pa a
a
a i magão
que
emos
ei o
bas as
ezes
:
A
ida e
a
escola
es ão
sepa adas
pa a
es as
c iangas
po
um
osso
que
as
az
es i
di e en es
másca as
consoan e
o
espago
e
o
empo
onde
se
encon am.
Respondem
assim
âs
expec a i as
que pensam
que
os
ou os
êm
de
si
p ôp ios.
E ec i amen e
lemb a -se-ia
de
mui o
mais.
Pessoalmen e
,
e
o almen e,
disse-nos
que
se
le an a a
âs
seis/se e
ho as
aos
sábados
pa a
apanha
ba a as
.
Nas
é ias
da
Páscoa/91,
apenas
e e
uma
a de
em
que
não
semeou
ba a as
.
Foi
p eenchida
a
b inca
na
ua
com
os
amigos
:
o
Rica do,
o
Nuno,
o
Filipe,
o
Sé gio
("o
maixe"
)
,
o
Be o,
o
Ângelo
e
o
Paulo.
Jogou
com
eles
â
la a
.
Acompanhámo-lo
,
como
dissémos,
em
mui os
ou os
momen os
.
Em
Julho/Agos o
de
90,
imo-lo
a
apanha
ba a as,
a
despon a
e a
des olha
milho.
Em
Se emb o
apanhou-o,
anspo ou-o
e
escamisou-o.
Depois ajudou
a
debulhá-lo
e
pô-lo
ao
sol
pa a
seca .
Depois
manipulou
o
meio
alquei e(
07
)
,
qual
(07
)
0
meio
alquei e
é
uma
pequena medida
de
madei a
com
a
qual
se
mede
o
milho
em
g ão.
-131-
compu ado
com
que
con abilizou
a
colhei a
de
milho
do
ano
.
Em
Dezemb o
semeou
a as,
e ilhas,
igo
e
alhos.
Há
dois
dias,
em
Ma go
de
91,
pisou
a
quase
o alidade
das
e as
cul i á eis
da
aldeia,
na
en e
da
aca
que
puxa a
a
cha ua
conduzida
com
pe ícia
pelo
seu
pai.
A
26
de
Ma go
assis i
ao
que
e a
conside ada uma
g ande
semen ei a.
E a
uma
e a
comp ida
que
ha ia
de
se
um
ba a al.
Pai
e
ilho
chega am
com
a
aca
que
azia
a
cha ua
em
cima
do
ca o.
Chega am
depois
dez
pessoas
:
os
p op ie á ios
da
e a
e
izinhos
e
amigos
com
os
quais
aziam
oca
ecíp oca
de
abalhos.
Es es
inham
de
enxada
âs
cos as,
de
baldes
com
amônio,
nas
mãos,
e
ou os
com
ces as
onde
se iam
colocadas
as
ba a as
já
de idamen e
co adas
pa a
langa
como
semen e.
A
a e a
comegou.
Em
menos
de
ês
ho as
a
semen ei a
es a a
e minada.
Todos
e am
poucos
pa a
comple a
o
abalho
comandado
pelo
Má io
e
pelo
pai.
Con udo
es a
ap endizagem
apenas
a o ece
o
Má io
na
escola,
na
á ea
dos
T abalhos
Manuais
e
e en ualmen e
na
de
Educagão
Física.
Aqui
o
osso
não
é
ão
ca ado
.
Ele
é
conside ado
bom
a
co a ,
p ega ,
cola ,
apa a usa
e
a
ja dina .
É
cuidando
das
lo es,
ca ando
os
can ei os
que
a
sua
expe iência
se
mani es a.
A
enxada
é
a
cane a
com
a
qual
insc e e
o
seu
sabe
na
e a,
e i ado
po
ezes
ama gamen e
dessas
ho as
expos as
ao
io
e
ao
calo
onde
a
chu a
e
o
suo
do
os o
são
a
in a
que
pe pep uam
a
memô ia
da
ap endizagem.
A
ida
do
Má io
é
ipicamen e
o
modelo
que
a
maio
pa e
dos
eô icos
diagnos ica ia
como
aluno
mal
sucedido
na
escola
já
que
dedica
an o
empo
ao
abalho
u al
e
ao
-132-
desen ol imen o
de
ap idôes
manuais
conside adas
nao
desen ol en es
das
in elec uais
.
Aliás,
os
pais
que
que em
que
seus
ilhos
enham
sucesso
escola ,
a as am-nos
o
mais
possí el
do
abalho
do
campo
pa a
os
ob iga
a
echa em-se
com
li os
e
cane as
em
algum
qua o
da
casa
(08).
No
en an o,
pela
his ô ia
de
ida
aqui
desc i a,
e
pelo
sus en ado
es o go
do
Má io
em
ap o a
em
odas
as
disciplinas,
ano
apôs
ano,
pode-se
dize
que
az
uma
dis ingão
ní ida
en e
a
ida
no
campo
e
a
ida
na
escola,
conseguindo
assumi
bem
os
papeis
exigidos
pelas
di e en es
expec a i as
aí
pa en eadas.
Tem
com
ele
acon ecido
uma
a a
"chance"
de
en ende
duas
expe iências
idas
de
o ma
es anque,
o
que
acon ece á
ambém
al ez
com
odas
as
ou as
c iangas
que,
sem
pode em
se
a as adas
das
a e as
do
la
são
con udo
bem
sucedidas
na
ida
escola
.
É
e dade
que
a
sub acgao
duma
c ianga
da
ida
u al
pa a
uma
cons an e
p á ica
da
ida
le ada,
assegu a
mais
acilmen e
o
seu
desen ol imen o
pela
ia
acionalis a
do
sabe
escola
e
que
o
con á io
é
que
p oduz
o
insucesso. Es a
ou a
al e na i a
que
enho
indo
a
explo a ,
da
capacidade
pa a
ence
nes es
dois
mundos
,
nes es
dois
ipos
de
ac i idades
sepa adas,
ica
pa a
se
explo ada,
de
uma
o ma
mais
ap o undada,
num
abalho
p ôximo
que
desen ol e emos
u u amen e.
Ago a
o
que
é
p eciso
cons a a
é
a
ia
elabo ada
po
um
apaz
que
combina
a
lôgica
deco en e
do
abalho,
com
a
lôgica
deco en e
da
escola.
É
p eciso
aqui
pensa
se
o
sis ema
(08)
idé
ITURRA,
Raul,
op
.
ci
.
-133-
Algumas
dessas
c iangas
,
como
o
exemplo
do
Má io
que
conhecemos
a ás,
buscam
na
escola
o
descanso
ísico,
o
" empo
li e"
e
as
b incadei as
que
as
sepa am
do
mundo
adul o.
E
o
que
é
se
c ianga?
Se
c ianga
é
sabe
i ,
so i ,
joga
eimi a .
É
nis o
que
ela
é
especialis a,
e
não
o
p o ando,
mui a
gen e
c escida
di á
que
não
es á
no mal.
Como
diz
Jean
Cha eau,
"uma
c ianga
que
não
sabe
joga ,
um
pequeno
elho»»,
se á
um
adul o
que
não
sabe pensa .
A
in ância
é,
po an o,
a
ap endizagem
necessá ia
pa a
a
idade
madu a"
(04).
É
na
ua
e
no
quin al
com
os
amigos,
na
escola
nos
ec eios,
que
a
c ianga
é
c ianga.
Aí
é
ela
p ôp ia.
Lá
den o,
na
sala
de aulas,
p es ando
p o a
âs
ques ôes
dos
adul os,
e
subme ido
â
pedagogia
da
o dem
pelo
silêncio,
é,
comom
imos,
u a
boneco
de
ca ão.
Aqui
as
c iangas
são
eis
e
ainhas
do
seu
empo
e
do
seu
espago,
ambos
ap o ei ados
de
o ma
o ganizada
pelo
jogo,
ac i idade
que
cimen a
a
sociedade
in an il,
já
que
"pelo
jogo
a
c ianga
conquis a,
pela
p imei a
ez,
a
au onomia,
a
pe sonalidade
e
a é
os
esquemas
p á icos
de
que
a
ac i idade
adul a
e á
necessidade"
(05).
0
empo
da
in ância
acaba
po
se
um
espago
onde
se
o jam
sabe es,
um
espago
cheio
de
signi icados
e
cons ugôes
sociais
.
"
No
con ac o
com
a
a eia,
a
água,
o
e es imen o
das
á o es,
a
c ianga
encon a
p aze
ísico;
o
mo imen o
do
baloigo
dá-lhe
sensagôes
desconhecidas
e
o
sen ido
do
isco
calculado.
Há
ce amen e
(04)
CHATEAU,
Jean,
A
c ianga
e
o
jogo
,
A lân ida
edi o a,
S.A.R.L.,
Coimb a,
1975,
p.
16.
(05)
Idem,
p.29.
-140-

jogos
soli á ios,
mas
o
jogo
é
sob e udo
uma
si uagão
p i eligiada
de
in e acgão
e
de
desen ol imen o
social."
(06)
E
não
sô
de
desen ol imen o
social
mas
ambém
de
desen ol i aen o
de
ap idôes:
da
a engão,
concen agão,
da
impulsi idade,
da
e
lexi idade
e,
ainda,
como
nos
e e em
I u a
e
Reis:
"0
jogo
desen ol e
ap idôes
que
passam
po
o a
das
ca ego ias
ab angen es
e
o iciais,
e
o ganiza
um
sabe
de
á ios
deg aus
que
comega
na
epe igão
do
eal
e
acaba
na
abs acgão
[...]
0
jogo
é,
en im,
a
es u u a
onde
se
o ma
e
se
cons ôi
o
sabe
local.
"
(07)
0
jogo
in an il
con ém
uma
p imei a
es u u a
-
a
di isao
sexual
de
ac i idades.
Rapazes
e
apa igas
sepa a n-se
equen emen e.
Eles
o ganiza a-se
po
capacidades
que
sô
eles
conhecem,
pa a
cada
jogo
especí ico.
As
che ias
es abelecem-se
di e en emen e,
consoan e
as
ca ac e ís icas
exigidas
po
cada
jogo.
A
lide anga
en e
os
apazes
é
es abelecida
pela
o ga
ou
des eza
ísica.
Os
jogos
em
que
a
demons am
com
mais
equência
são:
o
u ebol,
a
co ida,
o
be linde e
o
piao.
Mas
essa
hie a quia
de
o ga,
essa
es a i
icagão
de
pode es
não
é
con udo
es á ica.
Há
eajus amen os
das
che ias
com
a
ap esen agão
de
uma
simples
habilidade,
com
o
conhecimen o
ap esen ado
sob e
as
eg as
de
de e minado
jogo,
e c
É
su icien e
po
ezes
um
simples
"passe
de
bola",
a
í ulo
de
exemplo,
pa a
que
um
líde
(06)
VANDENPLAS-HOLPER,
Ch is iane,
Educagão
e
desen ol imen o
social
da
c ianga
,
Li a ia
Almedina,
Coimb a,
1983,
p.
47
(07)
ITURRA,
Raul
e
REIS,
Filipe,
0
jogo
in an il
numa
aldeia
po uguesa
,associagão
de
jogos
adicionais
,
Gua da,
1990,
p.30
e
31.
-141-
se
eja
des onado.
A
escolhe
as
equipas
são
eles,
os
idos
não
sô
como
melho es,
mas
ambém
como
os
mais
equilib ados
,
que
o
azem.
Sal am
"a
pés
jun os",
depois
con am
"a
pés",
e
ob êm assim,
alea o iamen e,
o
líde
que
escolhe
p imei o.
A
"moeda
ao
a "
ambém
a
imos
usa
an es
do
u ebol.
E
assi a,
simul âneamen e
ao
mundo
da
u opia,
do
lúdico,
do
jogo
po
jogo,
eles
ão
calculando,
medindo
e
con ando.
A
joga
â
"bo a",
imo-los
medi
os
iscos
com
os
pés;
na
imp o isagão
do
campo
de
u ebol,
imo-los medi
o
espago
de
jogo
e
as
balizas,
"a
passos";
no
be linde
aziam-no
"a
pés"
ou
"a
palmos".
Po
seu
lado,
as
apa igas,
jogam
p edominan emen e
â
macaca,
ao
"sal o
å
co da"
e
"ao
elás ico".
En e
elas
o
ambien e
é
bem
menos enso.
Embo a
p edomine
a
pe ícia
e
se
es abelega
a
compe igão,
são
no
en an o
a as
as
ag essôes
ísicas.
Su gem
ambém
os
jogos
que
ep oduzem
o
mundo
dos
adul os
.
A
b inca
"âs
mães",
po
exemplo,
ec iam
a
di isão
sexual
de
abalho
que
cons a am
no
g upo
domés ico.
Desde
o
nascimen o,
Pai
e
Mãe
compo am-se
de
manei as
di e en es
pa a
com
a
p ole,
consoan e
se
a e
dum
ou
dou o
sexo.
Du an e
a
socializagão
p imá ia
os
pais
e o gam
posi i a
ou
nega i amen e
,
com
compo amen os
di e en es,
a
condu a
do
ilho
ou
da
ilha.
Duma
o ma
conscien e
ou
inconscien e,
es ão-se
assim
a
p opô
å
c ianga
modelos
a
imi a ,
modelos
com
os
quais
ai
ap ende
a
se
apaz
ou
apa iga.
A
c ianga
ap eende
a
ealidade
social
de
modos
di e en es,
consoan e
as
in e acgôes
que
ai
endo,
desde
a
-142-
amília
nuclea
aos
ou os,
as
ou as
c iangas,
e
aos
ou os
adul os,
companhei os
,
e c
Suge em-se-lhes
modelos
a
segui ,
a
imi a ,
eg as
a
espei a .
Desenha-se
o
que
é
digno
de
ecompensa,
o
que
de e
se
punido,
o
que
é
pe mi ido
e
o
que
é
p oibido.
A
g ande
maio ia
dos
psicôlogos
que
se
em
p eocupado
com
es e
desen ol imen o
social,
em
abalhado
mui o
na
es ei a
do
desen ol imen o
cogni i o,
como
o
ha ia
ei o
Piage .
Têm
abs aido
di e en es
es ádios
po
onde
passa
a
c ianga
e
o
adolescen e
du an e
a
on ogénese.
Toda ia
a
ob a
de
Piage
incide
mui o
mais
no
desen ol imen o
do
conhecimen o
ísico
e
lôgico-ma emá ico
do
que
no
desen ol imen o
social
(08) .
Po
nossa
pa e,
ei indicamos
mui o
mais
a
acgão
de e minan e
da
socializagão
como
p ocesso
de
ap endizagem
e
eino
do
indi íduo.
É
que,
se
há
undamen os
pa a
a
psicologia
ala
de
es ádios
que
se
sucedem
segundo
uma
sequência
idên ica
em
odos
os
indi íduos,
a
an opologia
em
con a iado
al
ex ensão
å
uni e salidade,
ou
po
ou a,
em
p o ado
que
al
c onologia
a ia
com
as
cul u as
e
os
indi íduos
pois
depende
mui o
das
o gas
ex e io es,
dessas
in e acgôes
sociais
que
impo a
concede
maio
a engão
nes e
ipo
de
pesquisas
.
Diz
Jean
Cha eau
que
"é
po que
é
es anha
ao
mundo
do
abalho
que
a
c inga
se
a i ma
pelo jogo.
De e
po an o
e -se
no
jogo
um
subs i u o
do
abalho
u u o
que
ele
anuncia
e
(08)
Veja-se
po
exemplo
a
ob a
de
Dolle,
que
cons i ui
uma
boa
in odugão
a
Piage :
DOLLE
,
J.,
Pou
comp end e
Jean
Piage
,
P i a ,
coll.
Pensée,
Toulouse,
1974.
-143-
p epa a.
P e ende-se
po
ezes
que
a
c ianga
não
gos a
de
abalha .
E
uma
a i magao
ão
pe igosa
quan o
e ônea.
Do
que
a
c ianga
não
gos a
é
do
abalho
o gado
e
sem
um
im
isí el"
(09).
Sô
que
no
nosso
es udo
de
caso,
pudémos
obse a
que
a
c ianga
não
é
assim
ão
es anha
ao
mundo
do
abalho.
An es
pelo con á o,
ele
é-lhe
mui o
amilia .
Não
se a a
apenas
das
en a i as
de
abalho
eal,
que
Cha eau
diz
acon ece
å
c ianga
a
pa i
dos dez
anos
,
que endo
se
g ande
.
Vimos
apazes
e
apa igas
com
dez,
onze
e
doze
anos
,
a
abalha
na
e a,
"a
semea "
ba a as,
a
"apanha "
ba a as,
a
"des olha
e a
despon a "
milho,
a
"descamisa "
milho,
a
apanha
azei ona,
a
indima ,
a
i
å
lenha,
e
âs
pinhas
e c.
Agiam
e
calcula am
bem
o
p odu o
ob ido.
0
Ví o
usa a
a
se a
e
o
machado
pa a
medi
o
comp imen o
dos
oncos
a
co a
e a
anspo a
pa a
lenha.
Todos
eles
conhecem
bem
a
abuada
com
que
seus
pais
con abilizam
as
a e as
cíclicas
e
ou
quo idianas: a obas,
almudes,
alquei es,
gei as.
Sao
medidas
ei as
no malmen e
com
base
na
capacidade
das
pessoas
consegui em
le a
a
bom
e mo
as
suas
a e as,
le a em
de e minado
peso,
execu a em
de e minado
es o go
e c
.
Essa
capacidade
do
seu
co po
é
a
base
do
cálculo.
Mas
,
não
se
a a a
de
ep esen a
o
abalho
adul o,
a a a-
-se
de
a-
zê-lo
de
ac o
e
não
menos
bem
que
os
p ôp ios
adul os.
Não
se
a a a
de
"â
al a
de
pode
abalha
com
o
adul o,
a
c ianga
ai,
em
p imei o
luga ,
imi a
as
ac i idades
do
adul o"
(10).
Pelo
con á io.
Po
ezes
pa eceu-me
que
o e dadei o
abalho
(09)
CHATEAU,
Jean,
op
.
ci ,
p.
45.
(10)
IDEM
p.
49.
-144-
que
execu a am
e a
ei o
com
gos o,
ans o mado
quem
sabe,
ele
p ôp io
em
jogo.
E
es a
ideia
az-me
ie a
a é
Celes ian
F eine
(11)
que
colocou
na
base
da
sua
eo ia
e
abalho
pedagôgico,
a
necessidade
de
ac i idade
como on e
de
conhecimen o.
E
como
dizia
ambém
Dewey,
"aquilo
que
oi
chamado
ocupagão
ac i a,
inclui
an o
o
jogo
como
o
abalho.
No
seu
signi icado
in ínseco,
o
jogo
eo
abalho
não
são
de
ac o
ão
an i é icos
um
ao
ou o
como
se
supoe,
emon ando
oda
a
oposigão
cla a
a
condigôes
sociais
indesejá eis
.
Ambos
implicam
ins
conscien emen e
emp eendidos
e
a
selecgão
e
adap agão
dos
ma e iais
e
dos
p ocessos
escolhidos
pa a
ealiza
os
ins
desejados
.
A
di e enga
en e
eles
é
especialmen e
de
ex ensão
empo al,
que
in luencia
o
ca ác e
imedia o
da
elagão
en e
meios
e
ins
[...]
Desde
uma
idade
mui o
en a
não
há
dis ingão
en e
pe íodos
dedicados
â
ac i idade
do
jogo
e
pe íodos
dedicados
â
ac i idade
de
abalho,
mas
unicamen e
pe íodos
em
que
p edomina
uma
ou
ou a
(12).
É
po que
o
abalho
de e
se
lúdico,
c ia i o,
dinamizado
an o
das
ac i idades
ísicas como
in elec uais,
pa a
se
humanamen e
desejá el,
que
F eine
p e e e
o
abalho-jogo
ao
jogo- abalho
.
É
que,
se se
esgo a
a
mo i agão
(11)
FREINET,
C,
Essai
de
psychologie
sensible
,
Delachaux
e
Nies lé,
Neuchâ el-Pa is,
1950.
L'éduca ion
du
a ail
,
Delachaux
e
Nies lé
Neuchâ el-Pa is,
1967.
(12)
DEWEY,
J.,
Democ acia
e
educagão
,
ci ado
em
Ma ia
Co da
Cos a,
A
escola
e
o
aluno
,
Li os
ho izon e,
Lisboa,
1979,
p
.
74
.
-145-

pa a
a
acgão
undamen al,
cai-se
na
mono onia
sem
e dadei amen e
ha e
ap endizagem.
As
c iangas
êm
pois
uma necessidade
i al
de
ac i idade.
Ela
de e
se
ap o ei ada
de
o ma
socializan e
e
a é
cognosci i a.
Dela
de e
se
i ado
pa ido
pa a
a
o magão
de
condu as
e
alo es
cul u ais,
que
seja
nos
jogos
ipo
"ås
escondidas",
no
pião,
no
u ebol,
que
na
expe iência
de
abalho
que
anspo a
consigo,
u o
da
sua
ap endizagem
domés ica.
Esses
sao
os
seus
sabe es
que
de em
se
apli icados
e
ampliados
e
não
esquecidos,
igno ados
e
a é
menosp ezados
.
"Um
dos
ac o es-
-cha e
da
cul u a
pessoal
de
um
p o esso ,
um
dos
elemen os
que
mais
con am
no
sucesso
pedagôgico
é
a
expe iência
que
se
em
de
odos
os
momen os
da
ida
duma
c ianga,
o a
da
escola
.
"
(13)
0
imb ôglio
A
An opologia
em
eiculado
sobejamen e
a
co elagão
en e
as
o mas
de
julgamen o
e a
cul u a
como
he anga
social
de
cada
indi íduo.
In e essa
ago a
isa
a
impo ância
do
p ocesso
de
incul u agão
na
cons ugão
de
di e en es
es ilos
cogni i os.
Conside amos
a
exis ência
de
di e en es
modelos
de
condu a,
não
sô
en e
as
di e en es
cul u as,
mas
ambém
den o
de
uma
mesma
sociedade.
Bas a á
pensa
na
es a i
icagão
social
classis a
em
que
i emos,
pa a
logo
as
di e engas
eme gi em
ao
ní el
dos
usos
e
cos umes,
pad oes
cul u ais,
hábi os
(habi us,
(13)
JEAN,
Geo ges,
Cul u a
pessoal
e
acgão
pedagôgica
,
edigôes
Asa,
colecgão
biblio eca
básica
de
educagão
e
ensino,
Lisboa,
1990,
p.
36.
-146-
como
lhe
chama
Pie e
Bou dieu,
que
de ine
como
um
sis ema
de
es u u as
in e io izadas,
mas
não
indi iduais,
que
condicionam
a
acgão
e
pensa aen o)
(
14)
,
ní eis
de
linguagem
e c
E ec i amen e
cada
classe
possui
es a
he anga
cul u-
al
que
pe manece
mais
ou menos
imu á ei
e
que
se
ep oduz
de uma
o ma
es anque,
p oduzindo
di e en es
es ilos
cogni i os
que
pe an e
a
escola
não
são
econhecidos
como
al.
Po
isso
há
que
a gumen a
que
o
ensino,
a
cul u a,
não
são
coisa
absolu a.
Não
cons i uem
no ma
única
e
uni e sal
pa a
odos lhe
acede em.
U ge
e
em
con a
o
ca ác e
ela i o
e
social
do
ensino
e
da
cul u a
dominan e
num
dado
momen o
e
conjun u a
his ô ica.
Todas
as
ealidades
se
e e em
a
uma
es u u a
insc i a
no
espago
eno
empo
.
0
eal
é
concebido
sob
condigôes
de
espago
e
empo.
Toda ia
a
pe cepgão
do
espago
e
do
empo
é
a iá el
consoan e
os
se es
o gânicos,
e
nos
humanos
consoan e
as
cul u as.
Ce amen e
que
um
animal
e es e
não
e á
a
mesma
pe cepgão
do
espago
i encial
que
u .a
a e
.No
mundo
humano
exis em
di e engas
signi
ica i as
ambém.
Es as
di e engas
de
pe cepgôes
a iam
de
cul u a
pa a
cul u a e
de
indi íduo
pa a
indi íduo,
conside ando-se
aqui,
essencialmen e
os
di e en es
ní eis
e á ios
e
as
di e en es
expe iências
como
p incipais
causas
das
di
e en es
pe cepgôes
.
A
psicologia
em-nos
ensinado
po
exemplo
que
uma
c ianga
não
é
um
homem
pequenino.
As
nogôes
de
dis ância
ou
de
p opo gôes,
al
como
as
nossas,
não
exis em
ainda
no
seu
in elec o.
(14)
BOUDIEU,
Pie e
(PASSIM)
-147-
Po
seu
lado,
a
e nog a ia
mos a-nos
que
os
po os
di os
p imi i os
são
do ados
duma
igo osa
pe cepgão
do
espago.
Um
na i o
é
ex emamen e
sensí el
a
qualque
mudanga
de
posigão
dos
objec os
que
habi ualmen e
o
odeiam.
Ele
é
ambém
capaz
de
encon a
um
caminho
em
ci cuns âncias
po
ezes
mui o
di íceis.
Toda ia,
e
ainda
que
pa adoxalmen e,
pa ece
exis i
uma
"ausência"
na
sua
ap eensão
do
espago.
Se
se
pedi
ao
na i o
que
aga
uma
desc igão
ge al,
que
delineie
ou
ep esen e
o
caminho,
nao
se á
capaz
de
o
aze .
T a a-se
de
um
exemplo
ú il
pa a
a
dis ingao
impo an e
a
aze ,
en e
ap eensão
conc e a
do
espago
ea
ap eensão
abs ac a.
É
que
de
ac o,
a
ep esen agão
do
objec o
é
di e en e
do
seu
manuseio.
A
ep esen agão
das
coisas,
a
abs acgao,
exigem
de
ac o
um
eino.
Como
nos
e e e
Goody
(15)
são
no
undo
um
e lexo
da
in odugão
da
esc i a,
e
que
cons i ui
basicamen e
o
sabe
que
a
Escola
ep oduz
-
o
sabe
abs ac o.
A
p opôsi o
des a
ques ão,
diz-nos
Paulo
F ei e:
"[...]
Po
ou o
lado,
e íamos
que
comp eende
a
nossa
o ma
de
discu so
e
a
o ma
popula
de
ala
do
mundo;
enquan o
nos
pe demos
na
desc igão
concei ual,
o
po o
desc e e
o
eal
.
0
po o
não
p ecisa
do
concei o,
desc e e
di ec amen e
o
eal"
(16)
Vol ando
ago a
å
ques ão
das
di e engas
cul u ais
e
seus
e lexos
na
educagão
o mal,
ques ão
ulc al
des e
abalho,
(15)
GOODY,
Jack,
A
lôgica
da
esc i a
na
o ganizagão
da
sociedade
Ed.
70,
Lisboa,
(16)
FREIRE,
Paulo,
e
ou os,
Vi endo
e
ap endendo
,
ex-
pe iências
do
IDAC
em
educagão
popula ,
ed
.
B asiliense
s.a.,
S.
Paulo,
B asil,
p.
56.
-148-
há
que
en a iza
uma
ez
mais,
que
as
c iangas
quando
chegam
å
escola,
êm
di e en es
his ô ias
de
ida.
Não
podem
po an o
es a
em
pé
de
igualdade:
"A
o ma
de
linguagem,
p esen e
na
sociali-
zagão
amilia ,
induz
p ecocemen e
na
c ianga
di e en es
modos
de
pe cepgão
que
êm
implicagoes psicolôgicas
e
sociolôgicas
na
ap endizagem
esco-
la .
"
(17)
Con udo
não
se
pode
a i ma
hoje,
de
o ma
gene ali-
zada,
que
as
c iangas
dos
meios
u ais
são
menos
in eligen es
do
que
as
ou as
.
Mas
de
ac o
é
.elas
que
se
deno a
um
maio
índice
de
acasso
escola .
Temos
indo
a
ala
de
di e en es
lôgicas
,
de
di e en es
es ilos
de
cognigão,
e
po an o
da
he e ogeneidade
psicossociocul u al
.
A
ques ão
es á
en ão
é
na
necessidade
de
se
op a
pela
di e si
icagão
das
me odologias
,
que
se
adap em
â
plu alidade
de
uni e sos
e
expec a i as
.
No
undo,
a
in eligência
dessas
c iangas
mani es a-se
em
mui as
e
a iadíssimas
ci cuns âncias
.
Mas
con inuam
as
di iculdades
de
ap endizagem
em
alguns
con eúdos
escola es!
Vejamos
a
opinião
de
Ana
Bena en e:
[...]
Não
se
a a a
sô
do
ac o
de
não
e em
ido
an e io men e
con ac o
com
os
li os,
com
a
esc i a;
mas
de
i e em
num
ambien e
que,
po
causa
das
condigôes
de
habi abilidade
e
de
abalho,
e
da
lu a
pela sob e i ência,
em
endência
a
se
deso ganizado:
casas
deso ganizadas
po
escassez
de
espago,
ausência
de
luga es
ixos
pa a
as
coisas,
[■■■]
Assim,
(17)
DOMINGOS,
Ana
Ma ia,
e
ou os,
A
eo ia
de
Be ns ein
em
Sociologia
da
educagão
,
Fundagão
Calous e
Gulbenkian,
p.13
-149-