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Socialismo, nação e religião. movimentos anticoloniais no contexto imperial português e francês (1945-1975)

Abstract

Este trabalho tem como objectivo procurar compreender o desenvolvimento das ideias de socialismo inseridas numa esfera continental, nacional e religiosa, no contexto dos movimentos anticoloniais argelino e guineense da segunda metade do século XX. Para confrontar um conceito que nasce de uma retórica universalista e que terá desenvolvimentos particulares, foi necessário pensá-lo, para estes casos, no contexto em que é produzido: o contexto da guerra-fria e do movimento dos não-alinhados; o contexto de outras experiências de socialismo no mundo árabe e no continente africano; o contexto de uma relação com a esquerda das metrópoles, nomeadamente com o PCP e o PCF; o contexto de outros movimentos anticoloniais africanos e de outras guerras pela conquista da independência. Reflectimos ainda sobre como estas experiências de socialismo são inseparáveis do desenvolvimento dos movimentos nacionalistas nos contextos coloniais. Focámo-nos ainda na relação que tiveram estes movimentos de resistência com as várias práticas culturais e religiosas com as quais coexistiam. Neste sentido, destacamos o pensamento de Amílcar Cabral e Frantz Fanon, duas figuras centrais para a criação de um imaginário anticolonial no século XX.

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Socialismo, nação e religião. movimentos anticoloniais no contexto imperial português e francês (1945-1975)

Author: Lisboa, Sofia Brilhante Vieira
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/21829/3/FINAL%20Socialismo%2c%20na%c3%a7%c3%a3o%20e%20religi%c3%a3o.pdf
Socialismo, nação e eligião.
Mo imen os an icoloniais no con ex o impe ial po uguês e ancês
(1945-1975)
So ia B ilhan e Viei a Lisboa
Ma ço de 2017
Disse ação de Mes ado em His ó ia Con empo ânea
1
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos
equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e
em His ó ia Con empo ânea, ealizada sob a
o ien ação cien í ica de José Ne es.
2
Ao João Luís e à Ma ia João,
azão do meu se es a ica pe manece con inua .
À Inês e ao And é,
os meus companhei os pe pé uos.
Ao meu Pa ido,
sem o qual não e ia a co agem e o p i ilégio
de se apenas mais um.
3
Socialismo, nação e eligião.
Mo imen os an icoloniais no con ex o impe ial po uguês e ancês (1945-1975)
Es e abalho em como objec i o p ocu a comp eende o desen ol imen o das
ideias de socialismo inse idas numa es e a con inen al, nacional e eligiosa, no con ex o
dos mo imen os an icoloniais a gelino e guineense da segunda me ade do século XX.
Pa a con on a um concei o que nasce de uma e ó ica uni e salis a e que e á
desen ol imen os pa icula es, oi necessá io pensá-lo, pa a es es casos, no con ex o em
que é p oduzido: o con ex o da gue a- ia e do mo imen o dos não-alinhados; o
con ex o de ou as expe iências de socialismo no mundo á abe e no con inen e a icano;
o con ex o de uma elação com a esque da das me ópoles, nomeadamen e com o PCP e
o PCF; o con ex o de ou os mo imen os an icoloniais a icanos e de ou as gue as pela
conquis a da independência. Re lec imos ainda sob e como es as expe iências de
socialismo são insepa á eis do desen ol imen o dos mo imen os nacionalis as nos
con ex os coloniais.
Focámo-nos ainda na elação que i e am es es mo imen os de esis ência com
as á ias p á icas cul u ais e eligiosas com as quais coexis iam. Nes e sen ido,
des acamos o pensamen o de Amílca Cab al e F an z Fanon, duas igu as cen ais pa a
a c iação de um imaginá io an icolonial no século XX.
Pala as-cha e: socialismo, nacionalismo, eligião, an icolonialismo, Guiné-Bissau,
A gélia.
Socialism, na ion and eligion.
An icolonial mo emen s in Po uguese and F ench impe ial con ex (1945-1975)
This wo k aims o unde s and he de elopmen o he ideas o socialism inse ed
in a con inen al, na ional and eligious sphe e, in he con ex o he Alge ian and
Guinean an icolonial mo emen s in he second hal o he wen ie h cen u y.
In o de o con on a concep ha is bo n o a uni e salis he o ic and ha has
pa icula de elopmen s, i was necessa y o hink o i in he con ex in which i is
p oduced: he con ex o he Cold Wa and he mo emen o he non-aligned; The
con ex o o he expe iences o socialism in he A ab wo ld and he A ican con inen ;
The con ex o a ela ionship wi h he le mo emen s o he colonizing coun y, namely
4
wi h he PCP and he PCF; The con ex o o he A ican an icolonial mo emen s and o
o he wa s o he conques o independence. We also e lec on how hese expe iences
o socialism a e insepa able om he de elopmen o he na ionalis mo emen s in
colonial con ex .
We also ocused on he ela ionship ha hese esis ance mo emen s had wi h
he a ious cul u al and eligious p ac ices wi h which hey coexis ed. Thus, we
highligh he hough o Amílca Cab al and F an z Fanon, wo cen al igu es o he
c ea ion o an an icolonial imagina y in he wen ie h cen u y.
Keywo ds: socialism, na ionalism, eligion, an icolonialism, Guinea-Bissau, Alge ia.

5
“Much as one may be inclined o ag ee wi h such heses Ŕ since, as his book has ied o demons a e,
Islam has been undamen ally mis ep esen ed in he Wes Ŕ he eal issue is whe he indeed he e can be a
ue ep esen a ion o any hing, o whe he any and all ep esen a ions, because hey a e ep esen a ions,
a e embedded i s in he language and hen in he cul u e, ins i u ions, and poli ical ambience o he
ep esen e . I he la e al e na i e is he co ec one (as I belie e i is), hen we mus be p epa ed o
accep he ac ha a ep esen a ion is eo ipso implica ed, in e wined, embedded, in e wo en wi h a g ea
many o he hings besides he “ u h”, which is i sel a ep esen a ion. Wha his mus lead us o
me hodologically is o iew ep esen a ions (o mis ep esen a ions Ŕ he dis inc ion is a bes a ma e o
deg ee) as inhabi ing a common ield o play de ined o hem, no by some inhe en common subjec
ma e alone, bu by some common his o y, adi ion, uni e se o discou se. (…) My whole poin abou
his sys em is no ha i is a mis ep esen a ion o some O ien al essence Ŕ in which I do no o a momen
belie e Ŕ bu ha i ope a es as ep esen a ions usually do, o a pu pose, acco ding o a endency, in a
speci ic his o ical, in ellec ual, and e en economic se ing.
(…)
In addi ion, I ha e a emp ed o aise a whole se o ques ions ha a e ele an in discussing he p oblems
o human expe ience: How does one ep esen o he cul u es? Wha is ano he cul u e? Is he no ion o a
dis inc cul u e (o ace, o eligion, o ci iliza ion) a use ul one, o does i always ge in ol ed ei he in
sel -cong a ula ion (when one discusses one‟s own) o hos ili y and agg ession (when one discusses he
“o he ”)? Do cul u al, eligious, and acial di e ences ma e mo e han socio-economic ca ego ies, o
poli icohis o ical ones? How do ideas acqui e au ho i y “no mali y” and e en he s a us o “na u al”
u h? Wha is he ole o he in ellec ual? Is he he e o alida e he cul u e and s a e o which he is a
pa ? Wha impo ance mus he gi e o an independen c i ical consciousness, an opposi ional c i ical
consciousness?”
SAID, Edwa d, O ien alism, pp. 272-273, 325.
6
Índice
In odução ……………………………………………………………………… 7
I/ Uni e so, con inen e e nação ……………………………………………… 12
Socialismo e uni e salismo ……………………………………………………… 12
Ma xismo e nacionalismo nos mo imen os an icoloniais ……………………… 21
II/ Os casos da A gélia e da Guiné-Bissau ……………………………… 31
Unidade an icolonial ……………………………………………………………... 32
o O FLN ……………………………………………………………………… 32
o O PAIGC ……………………………………………………………… 42
A ques ão colonial ……………………………………………………………… 57
o O PCF ……………………………………………………………………… 58
o O PCP ……………………………………………………………………… 72
III/ Cul u a, eligião e esis ência ……………………………………………… 81
A cons ução de um po o ……………………………………………………… 81
Religião como elemen o polí ico ……………………………………………… 89
Resis ência e cul u a: en e F an z Fanon e Amílca Cab al ……………… 95
Os luga es do uni e sal: balanço de uma compa ação ……………………… 106
Fon es ……………………………………………………………………… 112
Bibliog a ia ……………………………………………………………………… 115
7
In odução
Es e abalho em como objec i o comp eende o desen ol imen o das ideias de
socialismo na sua elação com a de nacionalismo em con ex o colonial e an icolonial,
dando pa icula a enção à ques ão cul u al e eligiosa e, nomeadamen e, ao Islão.
P i ilegia emos uma pe spec i a compa ada cen ada nos casos do impé io po uguês e
ancês, analisando, po um lado, as polí icas do PCP e do PCF em elação à ques ão
colonial e, po ou o, a o mação dos mo imen os nacionalis as an icoloniais a gelino e
guineense da segunda me ade do século XX.
O ac o de nos cen a mos na A gélia e na Guiné-Bissau de e-se à o ma como
nos ap oximámos des e ema. Foi a a és do in e esse e do es udo do socialismo á abe,
sob e udo no Egip o e na Sí ia, casos já mui o es udados, que nos ap oximámos do caso
da A gélia e do concei o de „socialismo à a gelina‟. Um pe íodo de es udo em Pa is
p opo cionou um maio con ac o com aquilo que se em esc i o em elação à
independência da A gélia em F ança e à ensão que ainda exis e sob e o pe íodo da
gue a colonial. Decidimos abalha , em pa alelo, o con ex o da Guiné-Bissau, pa a
dispo mos de um e mo de compa ação mais p óximo, e po pode mos in e oga a
his ó ia po uguesa a pa i de ques ões que não são exclusi amen e nacionais. Is o
pe mi iu-nos uma pe spec i a compa ada, pensando naquilo que ap oxima dois
p ocessos que passa am po uma longa gue a colonial, ainda que con a duas po ências
coloniais dis in as e no seio de di e en es ealidades socio-económicas. Em odo o caso,
a c onologia inse e es es dois exemplos num momen o his ó ico mais amplo que e e
in luência no desen ola e no des echo dos acon ecimen os conc e os, bem como na
o ma como ideologicamen e se ap esen a am e se desen ol e am.
Os mo imen os an icoloniais des es dois países ei indica am uma ideia de
socialismo, e in e essa ques iona a o ma como es a se desen ol eu nes es con ex os,
dialogando com as co en es mais amplas do socialismo á abe e do socialismo a icano.
Sem p ejuízo de con on a mos um concei o que nasceu de uma mundi isão
uni e salis a, é necessá io pensá-lo, pa a os casos que analisa emos, nas ci cuns âncias
em que o mesmo oi ecebido, ans o mado, p oduzido: o con ex o da gue a- ia e do
mo imen o dos não-alinhados, o con ex o de ou os mo imen os an icoloniais a icanos
e de ou as gue as pela conquis a da independência.
8
Pa ece-nos de e minan e pensa es es casos no seio de um p ocesso global de
descolonização que é u o de mudanças es u u ais a ní el in e nacional, com a
bipola ização do sis ema e a conco ência en e duas mode nidades an agónicas, a ní el
me opoli ano, com o desenho de polí icas coloniais de ambas as po ências e a na a i a
que as supo a a, e a ní el colonial, com a eme gência dos mo imen os de libe ação e
o diálogo en e eles.
De emos ainda e lec i sob e como es as expe iências de socialismo
man i e am elações de g ande p oximidade com o nacionalismo á abe e o
nacionalismo a icano. Embo a de amos ainda conside a o que con ibui pa a um
desen ol imen o dis in o des es dois nacionalismos, nomeadamen e as ca ac e ís icas
polí icas que encon amos nos dois con ex os Ŕ na A gélia, com uma maio in e enção
de uma eli e indígena no quad o da democ acia ancesa, na Guiné-Bissau e Cabo
Ve de, com as condicionan es absolu as de in e enção polí ica no egime ascis a
igen e, há que no a uma impo an e semelhança: a de se a a de duas colónias cujo
es a u o a me ópole nega a Ŕ em Po ugal, po se conside a uma única nação „do
Minho a Timo ‟, e em F ança po , à da a do início da gue a colonial, se concede a
descolonização de ou os e i ó ios mas se ei indica a A gélia como a con inuação
imedia a da República F ancesa do ou o lado do Medi e âneo.
O objec i o a que nos p opomos é analisa a ideia de socialismo no campo da
his ó ia das ideias polí icas, en ando comp eende as suas con adições, os seus limi es,
mas ambém as suas pa icula idades, a a és do discu so dos in e enien es da época.
As i ualidades da his ó ia das ideias polí icas es ão em pe mi i en ende que as ideias
não são edi ícios homogéneos e acabados, mas exp essões da ida e das ensões, com as
suas con adições, incong uências, lacunas, que a his ó ia pode analisa c i icamen e e
onde pode iden i ica sen idos. Nes a p ocu a, pe cebemos que os elemen os mais
in e essan es es ão no modo como sujei os polí icos assumem e ans o mam ideias e
concei os em unção de como in e p e am a ealidade em que es ão inse idos. Não
pensamos que as ideias sejam unidades es á icas e dis in as que se ansmi em, mas
an es peças do modo como cada ealidade se exp essa, a iculando o espaço mais
p óximo com deba es e mo imen os de maio ôlego e alcance.
Deb uçamo-nos sob e o pe íodo en e 1945 e 1975 po se a a do pe íodo mais
ma can e da lu a pela independência, nomeadamen e a a és das gue as coloniais ou de
libe ação, mas ambém de consolidação da ideologia com o desenho e aplicação (no
caso da A gélia) de um g ande conjun o de medidas polí icas e económicas.
15
dé ini ion emb asse ai l‟essen iel, ca , d‟une pa , le capi al inancie es le ésul a de la
usion du capi al de quelques g andes banques monopolis es a ec le capi al de
g oupemen s monopolis es d‟indus iels; e , d‟au e pa , le pa age du monde es la
ansi ion de la poli ique coloniale, s‟é endan sans obs acle aux égions que ne s‟es
enco e app op iées aucune puissance capi alis e, à la poli ique coloniale de la possession
monopolisée de e i oi es d‟un globe en iè emen pa agé.”
10
O século XX é o pe íodo
em que se es abelece de o ma de ini i a o domínio monopolis a das colónias, e a I
Gue a Mundial de 1914-1918 se á a p imei a mani es ação uni e sal de uma dispu a
pela pa ilha do globo, eco endo ao ex ema da iolência à escala global pa a esol e
as con adições en e países impe ialis as.
É p ecisamen e a discussão em o no da posição em oma em elação à I Gue a
Mundial que i á di idi socialis as de comunis as, que c ia ão a IIIª In e nacional. Os
socialis as, ainda que pudessem de o ma ge al a i ma posições humanis as e con á ias
ao colonialismo, es a am con encidos de que a gue a e a necessá ia e in e essa a aos
abalhado es, nomeadamen e naquilo que implica a a de esa dos e i ó ios coloniais.
“A p opos du colonialisme donc, la endance globale de la Deuxième In e na ional, e
plus p écisémen de sa sec ion ançaise consis a à peu p ès exclusi emen dans une
opposi ion e bale, dominée pa l‟humanisme e le paci isme, mais nullemen ondée
su une écusa ion héo ique e me.”
11
Mas as aízes daquela que se ia a in e p e ação dos ma xis as nesse empo es ão
incon o na elmen e no pensamen o de Ma x. “Si, ap ès la mo d‟Engels, le déba su la
ques ion na ionale s‟es au an dé eloppé au sein du ma xisme, a an ou sous
l‟in luence de socialis es appa enan à des mino i és e hniques e à des na ions
opp imées, cela signi ie que les éc i s ma xis es classiques su ce e ques ion
con enaien quelques sé ieuses limi es e ne pe me aien pas de “ ésoud e” ce e
ques ion (cela es pou le moins é iden ), mais égalemen que la héo ie ma xis e é ai
indispensable pou con on e les enjeux soule és pa la ques ion na ionale.”
12
Ha ia aco do ela i amen e à necessidade do p ole a iado das nações op esso as
se ba e pelo di ei o à au ode e minação, e ambém a que o p ole a iado das nações
op imidas i esse em con a que o seu aliado maio e a o p ole a iado das nações
op esso as e não a sua bu guesia nacional. No en an o, mui os conco da am com Rosa
10
LÉNINE, Vladimi I., “L‟impé ialisme, phase sup ême du capi alisme”, in Œu es ome 22, p. 287
11
JURQUET, Jacques, La Ré olu ion Na ionale Algé ienne e le Pa i communis e ançais, ol 1, p. 56
12
LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 41

16
Luxembu go na sua con icção de que apenas dos países capi alis as pode ia pa i uma
e dadei a e olução social. “Ce n‟es que d‟Eu ope, ce n‟es que des pays capi alis es
les plus anciens, que pou a pa i lo sque le emps se a mû , le signal de la é olu ion
sociale qui libé e a les hommes.”
13
Pa a Lénine, pelo con á io, a de o a do
impe ialismo a ní el mundial dependia da simul aneidade das duas en es de lu a:
“L‟impé ialisme mondial ne pou a que s‟éc oule quand l‟o ensi e é olu ionnai e des
ou ie s exploi és e opp imés au sein de chaque pays (…) e a sa jonc ion a ec
l‟o ensi e é olu ionnai e des cen aines de millions d‟hommes qui, jusqu‟à p ésen
é aien en deho s de l‟his oi e e considé és comme n‟en é an que l‟obje . ”
14
Também
Sul an Galie , igu a impo an e pa a a his ó ia dos comunis as muçulmanos na União
So ié ica, a i ma a em 1919: “(…) nous ne sommes pas ce ains que la seule o ce du
p olé a ia eu opéen occiden al soi su isan e pou éc ase la bou geoisie d‟Eu ope
occiden ale, pou ce e simple aison que ce e bou geoisie es in e na ionale, mondiale,
e que, pou la dé ui e, il au la olon é e l‟éne gie é olu ionnai e de l‟ensemble du
p olé a ia in e na ional, y comp is le p olé a ia d‟O ien . ”
15
Em Julho de 1920, no 2º Cong esso da In e nacional comunis a, M. N. Roy, um
dos undado es do Pa ido Comunis a Indiano e G. M. Se a i, comunis a i aliano,
ep esen a am os dois pólos des a discussão. À a i mação de Roy de que “Le su p o i
ob enu pa l‟exploi a ion des colonies es le sou ien p incipal du capi alisme
con empo ain, e aussi long emps que celui-ci n‟au a pas é é p i é de ce e sou ce de
su p o i , ce ne se a pas acile à la classe ou iè e eu opéenne de en e se l‟o d e
capi alis e.”
16
, Se a i espondia : “La aie libé a ion des peuples opp imés ne peu ê e
menée à bien que pa la é olu ion p olé a ienne e le égime so ié ique, e non pas pa
une alliance empo ai e e acciden elle des pa is communis es a ec les pa is bou geois
di s é olu ionnai es.”
17
Mas a discussão não se esumia à cen alidade ou não dos
países o ien ais no p ocesso e olucioná io mundial; dizia ambém espei o à es a égia
a segui pa a a e olução nesses países, nomeadamen e em elação ao papel da
bu guesia democ á ica nacional. Saíam do cong esso duas linhas di e gen es: a de o ja
uma aliança com a bu guesia nacional e a a o nacionalismo como uma ase ansi ó ia
13
Rosa Luxembu go, ex ac os de b ochu a publicada em 1916 in CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène,
SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.186
14
Lénine, ex ac o do ela ó io sob e si uação in e nacional ap esen ado no II Cong esso da IC em 1920 in
Idem, p. 196
15
Sul an Galie , a igo publicado no o gão do Comissa iado pa a as Nacionalidades, em 1919 in Idem, p. 240
16
M. N. Roy, ex ac o dos deba es em sessão plená ia do II Cong esso da IC em 1920 in Idem, p. 212
17
G. M. Se a i, ex ac o dos deba es em sessão plená ia do II Cong esso da IC em 1920 in Idem, p. 220
17
em di ecção ao socialismo ou, pelo con á io, ejei a a bu guesia nacional e o ja uma
aliança en e o p ole a iado a ní el in e nacional pa a a cons ução do socialismo, con a
as ilusões da nacionalidade.
18
Vi ia a en ende -se que os mo imen os nacionalis as de e iam se apoiados
apenas se ossem compa í eis com as exigências mais ala gadas do mo imen o global
de emancipação dos po os. “This lexibili y on he na ional ques ion, hough ce ainly
oppo unis ic by con en ional s anda ds, is, in ac , qui e consis en wi h Ma x‟s
dialec ical iew o p og ess, wi hin which means a e always kep subse ien o he
end.”
19
A es a égia dos ma xis as, ainda que ideologicamen e cong uen e, não es a a
imune a se po sua ez subs ancialmen e in luenciada pelo desen ol imen o do
nacionalismo. Pa a José Ne es, a solida iedade en e po os que se inha sob epô à
solida iedade en e classes não deixa a de se in e nacionalis a mas e a mais
mul icul u alis a do que classis a.
20
O ac o é que os ma xis as subes ima am
equen emen e a impo ância dos p oblemas nacionais, mas quando os abo da am oi
na li e a u a ma xis a que encon a am á ios con ibu os a esse espei o, o que não
in alida as lacunas e con adições que es es pudessem inclui .
En e ou os ac o es, de ido à ascensão do ascismo e aos cons angimen os do
Pac o Ge mano-So ié ico, os anos 30 na União So ié ica são ma cados po a anços e
ecuos ela i amen e ao di ei o à au ode e minação, que eo icamen e de e ia se
subo dinado ao socialismo. “Fo he Russian Bolshe iks, who we e in luen ial in he
p o isional go e nmen e en be o e hey o e h ew i in No embe , he use o he e m
bo h made pe ec sense and ca ied a speci ic meaning. Fo V. I. Lenin, he Bolshe ik
leade , he e m implied he disman ling o colonial empi es ha was a c ucial s age in
he p og ess he en isioned owa d wo ld e olu ion.”
21
A discussão da a-se em dois
18
PRASHAD, Vijay, The Da ke Na ions: A People's His o y o he Thi d Wo ld, p.20
19
CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 14
20
NEVES, José, Comunismo e nacionalismo em Po ugal: Polí ica, Cul u a e His ó ia no século XX, p.50
21
MANELA, E ez, The Wilsonian Momen . Sel -De e mina ion and he In e na ional O igins o
An icolonial Na ionalism, p.37; p.42-43 “Al hough Wilson did bo ow he e m sel -de e mina ion i sel
om he language o he Bolshe iks Ŕ socialis and Ma xis heo is s had been using he e m o some
ime Ŕ he ga e i a di e en meaning and used i o a di e en pu pose. Fo he Bolshe iks, who always
alked speci ically abou “na ional” sel -de e mina ion, i was a call o he e olu iona y o e h ow o
colonial and impe ial ule h ough an appeal o he na ional iden i y and aspi a ions o subjec peoples.
Wilson, on he o he hand, a ely i e e quali ied sel -de e mina ion as speci ically na ional. Ra he , he
used i in a mo e gene al, ague sense and usually equa ed he e m wi h popula so e eign y, conju ing
an in e na ional o de based on democ a ic o ms o go e nmen . (…) In addi ion, while Lenin saw sel -
de e mina ion as a e olu iona y p inciple and sough o use i as a w ecking ball agains he eac iona y
mul ie hnic empi es o Eu ope, Wilson hoped ha sel -de e mina ion would se e p ecisely in he
opposi e ole, as a bulwa k agains adical, e olu iona y challenges o exis ing o de s, such as hose he
saw in he Russian and Mexican e olu ions. I e olu ion, as he and o he p og essi es belie ed, was a
18
campos dis in os: o di ei o à au ode e minação de po os colonizados po o ças
impe ialis as e o di ei o à au ode e minação de po os mino i á ios den o das on ei as
das epúblicas socialis as. O mesmo deba e se desen ola ia na China, na Jugoslá ia e no
Vie name, bem como no seio de á ios pa idos comunis as po odo o mundo. Lénine
de ende a que a igualdade nacional de e ia se alcançada. Pa a isso de e ia exis i
necessa iamen e um pe íodo de empo em que se acei a ia o plu alismo cul u al, no qual
as mais abe as mani es ações da singula idade de cada nação de e iam se p o egidas
pelo Es ado, especialmen e a língua. O lo esce de cul u as nacionais em igualdade
e ia em is a a usão numa cul u a comum. A igualdade nacional só pode ia se
alcançada a a és de uma igualdade cul u al, económica e polí ica.
22
“I he na ions can
be con inced ha hei na ional s a e is al eady a ac , secession becomes a logical
ex a agance.”
23
Mas pa a Lénine e a cla o que o plu alismo cul u al, ainda que de esse
se enco ajado du an e um de e minado empo, não e ia nenhum alo in ínseco pa a
além de se i como ase de ansição pa a um pa ama supe io onde as iden idades
nacionais não exis i iam. A assimilação e a um p ocesso his ó ico ine i á el mas as
acções que p e endessem acele a o p ocesso de e iam se condenadas, sob e udo po
pode em se con ap odu i as e se i em pa a alimen a os sen imen os nacionalis as.
24
O papel con adi ó io do nacionalismo é al ez um dos g andes pa adoxos do
século XX: em di e en es momen os es e e ao se iço do impe ialismo e de o ças
eaccioná ias e nou os oi a ançado em nome da libe ação de po os op imidos. A
con adição não é, no en an o, exp essão de aços incon o ná eis da na u eza humana,
mas sim de condições his ó icas conc e as.
25
Te á Lénine desen ol ido a ó mula pa a a
e adicação do nacionalismo em o no de um concei o de nacionalismo inadequado?
Não se ia ele apenas uma a iedade do nacionalismo, nomeadamen o o nacionalismo
mino i á io? No caso da União So ié ica, se olha mos po exemplo pa a o nacionalismo
usso e não pa a o nacionalismo uc aniano, e emos mais di iculdades em conclui que o
nacionalismo se explica apenas em e mos de op essão e desigualdade.
26
Que os
di igen es comunis as sejam ulne á eis a ins in os nacionais, não é su p eenden e, já
que es es nasce am no seio de g upos nacionais. Mas o mesmo não signi ica que
eac ion o opp ession by au oc a ic, unaccoun able egimes, hen he applica ion o sel -de e mina ion,
de ined as go e nmen by consen , would help emo e he e olu iona y impulse and p omo e change
h ough a ional, g adual e o ms.”
22
CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 201
23
Idem, p. 219
24
Idem, p. 480
25
LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 70
26
CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, pp. 512-513
19
pe mi am que as suas e e ências nacionais omem p imazia em elação aos in e esses
do mo imen o ope á io in e nacional.
27
É jus amen e no uni e salismo e na ideia de que odos os se es humanos de em
se libe ados da explo ação que assen a o ma xismo, dis in o da noção de uni e salismo
adop ada pelo libe alismo, como sublinha Michael Löwy: “Pou le ma xisme, la aleu
ondamen ale de ce e uni e sali é plané ai e es la libé a ion des ê es humains de
ou es les o mes d‟opp ession, domina ion, aliéna ion e a ilissemen . Il s‟agi d‟une
uni e sali é u opique, con ai emen aux ausses uni e sali és idéologiques qui on
l‟apologie du s a u quo occiden al comme é an déjà l‟uni e sel humain ache é, la in de
l‟his oi e, l‟esp i absolu éalisé. ”
28
*
F an z Fanon esc e e em 1961, em Les Damnés de la e e, que “Les analyses
ma xis es doi en ê e oujou s légè emen dis endues chaque ois qu‟on abo de le
p oblème colonial ”
29
. Des a o ma a i ma que o ma xismo se encon a a con inado a
um luga e que pa a abo da o es o do mundo, nomeadamen e os países colonizados,
de e ia es ende os limi es da sua análise. Es a ideia le a-nos à discussão mais ecen e
mo i ada pelo his o iado indiano Dipesh Chak aba y
30
sob e a chamada
„p o incialização da Eu opa‟. No seio dos es udos pós-coloniais e subal e nos
encon amos duas concepções dis in as des a ideia de p o incialização. Se, po um lado,
se pode en ende o e mo como um sinónimo de pa icula ização do pensamen o
eu opeu „eu ocên ico‟, po ou o lado, es e concei o pode ambém e e i -se à sua
deslocação pa a lá da Eu opa, que pe mi i ia a sua uni e salização. Mas a
pa icula ização do ma xismo aos mo imen os an icoloniais ai, em mui os casos,
ul apassa uma me a adap ação às condições objec i as da no a ealidade, e pode á se
quali icada de uma e dadei a „nacionalização‟ do ma xismo, que implica e dadei os
p ocessos de adução eó ica e p á ica, da qual é exemplo o caso chinês, mas ambém a
discussão desen ol ida en e comunis as muçulmanos da União So ié ica. Logo em
1919, na Con e ência dos comunis as muçulmanos da Ásia Cen al, a di e gência
27
CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 543
28
LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 55
29
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.455
30
CHAKRABARTY, Dipesh, P o incializing Eu ope: pos colonial hough and his o ical di e ence.
20
chega á à p óp ia ideia de opo países desen ol idos a países sub-desen ol idos,
oposição en endida como a e dadei a con adição à escala mundial: nos países
ociden ais o p ole a iado se ia uma classe mas no O ien e se ia a nação in ei a.
31
Mas não e a jus amen e es a capacidade de se desen ol e em con ex os
nacionais pa icula es e de e minados uma p o a acabada do uni e salismo in ínseco
do ma xismo? “I is ins ead he o he Ma x, he Ma x who saw his o y as complex and
sinuous, he Ma x who s essed he analysis o he speci ici y o di e en his o ical
sys ems, he Ma x who was hus he c i ic o capi alism as a his o ical sys em, whom we
ough o b ing back o on s age.”
32
A possibilidade dessa adução e a necessidade de uma aplicação c ia i a
pa ecem-nos assen a p ecisamen e no ac o de se a a de uma ideologia que p opõe
um p ojec o emancipado global, e cuja e icácia depende da capacidade de análise e
adap ação aos mais a iados con ex os, ecusando a exis ência de modelos p é-
de inidos. Mesmo que, como Lénine, se conside e que odos os po os mais a de ou
mais cedo chega ão ao socialismo. “Tou es les na ions iend on au socialisme, cela es
inéluc able; mais elles n‟y iend on pas ou es de la même maniè e : chacune
conse e a son ca ac è e p op e dans elle ou elle o me de démoc a ie, elle ou elle
a ié é de dic a u e du p olé a ia , dans el ou el y hme de ans o ma ion socialis e des
di é en s aspec s de sa ie sociale. Rien n‟es plus misé able su le plan héo ique ni
plus idicule su le plan p a ique, que de p ésen e “au nom du ma é ialisme his o ique”,
l‟a eni sous une couleu uni o mémen g ise : ce se ai un ba bouillage p imi i , ien de
plus. ”
33
31
CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.54
32
BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p. 127
33
Lénine, ci ado po K uch che , ex ac o de deba es do XX Cong esso do PCUS in CARRÈRE
D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.400

21
Ma xismo e nacionalismo nos mo imen os an icoloniais.
Concebido como espos a aos p oblemas dos países capi alis as, o ma xismo i á
iun a em países pouco desen ol idos do pon o de is a económico, na Ásia, em
Á ica e na Amé ica La ina. Fo ma de pensa eu opeia, com o igens na adição judaico-
c is ã, p e ende o con olo da na u eza pelo homem, mas o a da Eu opa, onde não se
assis e necessa iamen e ao mesmo p ocesso his ó ico, e á luga um encon o do qual o
ma xismo não sai á inal e ado. Esc e e Hélène Ca è e d‟Encausse, “Le déplacemen
p og essi du cen e de g a i é de la é olu ion e s les pays non eu opéens cons i ue en
ai l‟un des ai s les plus appan s e les plus incon es ables de l‟his oi e du monde
depuis un demi-siècle. (…) L‟appa i ion de ce monde nou eau e le déplacemen e s
lui du cen e de la é olu ion, on donc susci é pa mi les communis es eu opéens
us a ion e ame ume, andis que les communis es des anciens pays dépendan s
saluaien a ec en housiasme ce e é olu ion. Aux uns e aux au es, elle a posé des
p oblèmes héo iques considé ables.”
34
Mesmo que o ma xismo de Ma x osse já passí el de se adap ado às condições
do O ien e, se á Lénine a aze a mediação eó ica en e a e olução eu opeia e o mundo
não eu opeu. O seu con ibu o i á opo -se aos que conside a am que a e olução só
chega ia às colónias a eboque da e olução nas me ópoles. Do mesmo modo que uns
ha iam le ado a „ci ilização‟ às colónias, aqueles que le a am a „ e olução‟ inham
di iculdade em admi i que os a é ago a colonizados ossem capazes de c ia uma
sociedade no a que não osse uma simples imi ação da sua.
35
De Ma x chegam-nos poucos elemen os, b e es e agmen á ios, sob e as
sociedades ex a-eu opeias. A con adição no seu pensamen o ela i amen e aos países
não-eu opeus é aquela que opõe o seu eu ocen ismo, no plano cul u al, à isão
uni e salis a, no plano es a égico. O caso- ipo do p oblema nacional e a o da Eu opa
O ien al, pelo que Ma x e Engels não ap o am globalmen e os mo imen os de
emancipação nacional em con ex o colonial, como a ão mais a de Lénine e ou os
ma xis as.
Diz-nos Ca los Ra ael Rod iguez, di igen e comunis a cubano, na in odução do
seu es udo Lenine e a Ques ão Nacional: “Ka l Ma x chega-nos a nós, la ino-
34
CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, pp.7-8
35
Idem, p. 11.
22
ame icanos, pela ia do in elec o. A sua ob a ap isiona-nos; no en an o, exige quase
semp e que, ao aplicá-la, nos si uemos no espaço e no empo. Não esc e eu
di ec amen e pa a nós, es udou-nos de longe e iu-nos como pa e de um odo, no qual Ŕ
num sen ido mui o hegeliano, mas já «ma xis a» - deu p imazia à Eu opa. Lénine
ambém nos seduz in elec ualmen e: po ém, a a-se já de uma a acção menos emo a.
A sua ob a oi ei a em ci cuns âncias que nos são p óximas e com ma e iais que nos
são amilia es.”
36
Se á apenas no início do século XX que a IIª In e nacional começa á a discu i o
colonialismo. Ha ia os que conside a am que o colonialismo pode ia melho a as
condições de ida dos abalhado es eu opeus e dessa o ma as condições objec i as
pa a o p ocesso e olucioná io, mas a eacção habi ual dos socialis as e a nega i a, seja
po humani a ismo seja po que nele se ia um emp eendimen o luc a i o
exclusi amen e pa a a bu guesia. “Fo many, he non-Wes e n wo ld was s ill, as in
Ma x‟s ime, an objec . I was o g ea impo ance, o cou se, because i had now
become an objec o Wes e n compe i ion and conques ; as such, i had also become a
possible igge o wa , an issue cen al o he In e na ional‟s conce ns in his pe iod.
Bu i was an objec ne e heless, upon which he Wes was ac ing, and which he e o e
equi ed a esponse om Eu opean socialis s.”
37
A a i ude de Lénine pa a com as lu as de libe ação dos po os coloniais e a
u ili á ia, na medida em que es a pode ia con ibui pa a a lu a mais as a pela libe ação
social. A p emissa que o le a a a apoia globalmen e os mo imen os an icoloniais e a,
no en an o, a de que um po o op esso jamais se ia um po o li e. Pa a o Komin e n, o
Te cei o Mundo cons i uía incon es a elmen e uma o ça de apoio à e olução
p ole á ia, mas pa a os comunis as des es países as massas coloniais e am concebidas
como agen e ac i o e não apenas objec o da es a égia global.
38
Pa a Es aline, em 1923,
a a a-se de uma ques ão de p io idades: “Il es clai pou nous, communis es, que la
base de ou e no e ac ion es le a ail qui consis e à consolide le pou oi des
ou ie s ; e c‟es seulemen ensui e que se pose pou nous l‟au e ques ion, qui es ès
impo an e, mais subo donnée à la p emiè e, la ques ion na ionale.”
39
O con ibu o dos
comunis as dos países colonizados e a imp escindí el pa a a e olução a ní el mundial,
36
RODRIGUEZ, Ca los Ra ael, Lenine e a ques ão colonial, p. 8
37
SETH, Sanjay, Ma xis Theo y and Na ionalis Poli ics, he case o colonial India, p.37
38
RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.307
39
Es aline, ela ó io pa a o XII Cong esso do PCUS em 1923 in CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène,
SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 246
23
já que es es se con on a am com a aplicação da eo ia ma xis a a con ex os em que a
massa p incipal e a o campesina o e onde se a a a de comba e não o capi al mas o
que se conside a a se em es ígios da Idade Média.
40
Se uma e olução socialis a inha
oco ido na Rússia, um país pouco desen ol ido indus ialmen e, po que não pode ia
oco e no Te cei o Mundo? Pa a além de que o ma xismo e a o único a o nece uma
análise e uma explicação coe en es do impe ialismo, p oblema undamen al com o qual
os nacionalis as dos po os colonizados se con on a am.
Con udo, se as lu as nacionais pela au ode e minação e am, sem dú ida, lu as
an i-impe ialis as e e olucioná ias, al não signi ica a necessa iamen e se em
poli icamen e p og essis as. “The Eas en e ed his o y, and Ma xis heo y, as he
colonial ques ion; i s de ining ea u e was seen o lie in i s subjuga ion and he e o e he
o m o i s his o ical subjec i i y was seen as a s uggle agains ha subjuga ion, o
na ional libe a ion. E en hough he con en o ha s uggle was likely o be „bou geois-
democ a ic‟, in i s speci ic Ŕ colonial Ŕ con ex , his s uggle was „ e olu iona y‟.”
41
O caso do Egip o e da isão de Nasse é pa adigmá ico do que di e encia a
concepção ma xis a e nacionalis a de his ó ia. “Fo cé d‟adme e la nécessi é d‟une lu e
sociale in e ne, Nâçe n‟y oi qu‟une pénible a ali é qui expose au dé eloppemen des
mau ais ins inc s. Le bien, c‟es l‟uni é na ionale, le mal la di ision. La concep ion es
exac emen l‟in e se de la ision ma xis e. Dans celle-ci, c‟es la lu e in e ne qui es
saine, qui dé eloppe les plus nobles quali és. Au con ai e, les lu e ex e nes, même en
ue d‟un a anchissemen , di isen , de açon déplo able, les a ailleu s qui de aien
s‟uni (p olé ai es de ous les pays unissez- ous !), dé eloppen les ins inc s
p éhis o iques de l‟égoïsme de g oupe, on é og ade l‟humani é.”
42
Quando pensamos no nacionalismo enquan o ideologia, de emos en a pe cebe
quando su ge. Alguns au o es julgam que su ge com a eme gência do Es ado-nação no
século XV e XVI. Ou os, como Hans Kohn, pensam que e á su gido mais a de, com
as e oluções bu guesas, nomeadamen e a ancesa de 1789. Nesse momen o, o Es ado
deixa de se o Es ado Real pa a se o Es ado do Po o e da Pá ia.
43
O concei o de nacionalismo nunca ope a sozinho, azendo pa e de uma cadeia
que inclui e mos como espí i o cí ico, pa io ismo, populismo, e nicismo,
40
CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 225
41
SETH, Sanjay, Ma xis Theo y and Na ionalis Poli ics, he case o colonial India, p.58
42
RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.636
43
LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion
ma xis e, p.7
24
e nocen ismo, xeno obia, chau inismo, impe ialismo. Na elação en e os concei os de
nacionalismo e nação, podemos conside a que o p imei o é a ideologia e o segundo é
alegadamen e a ealidade (sendo es a semp e uma cons ução/ ep esen ação que
co esponde a uma base ma e ial, social e cul u al, além de polí ica). Podemos
ques iona -nos, no en an o, se a exis ência da ideologia não é consequência ine en e à
exis ência de nações. “Mus he „na ion‟ i sel (...) be conside ed as a „s a e‟ o as a
„socie y‟?” Ou seja, pode emos conside a o nacionalismo como o esul ado ideológico
do ca ác e impe ialis a dos Es ados?
44
Podemos suge i ainda, nes a linha de ideias, que a ideia de nação e o
nacionalismo dele deco en es são e amen as pos as ao se iço do impe ialismo, de
o ma a coloca em segundo plano a ques ão da lu a de classes. Em Race, Na ion and
Class, Baliba e Walle s ein demons am como ês concei os undamen ais da es u u a
económica mundial do capi alismo Ŕ aça, nação e g upo é nico Ŕ nunca são
elacionados di ec amen e com o de classe. “The concep o „ ace‟ is ela ed o he axial
di ision o labou in he wo ld-economy, he co e-pe iphe y an inomy. The concep o
„na ion‟ is ela ed o he poli ical supe -s uc u e o his his o ical sys em. The concep
o „e hnic g oup‟ is ela ed o he c ea ion o household s uc u es ha pe mi he
main enance o la ge componen s o non-waged labou in he accumula ion o capi al.
None o he h ee e ms is di ec ly ela ed o class.”
45
O nacionalismo da classe dominan e não pode, no en an o, se equipa ado ao
nacionalismo dos po os dominados, mesmo que exis am elemen os comuns e que es e
úl imo não in alide a e olução ou a é a coexis ência de nacionalismos op esso es na sua
es e a. Podemos conside a , po conseguin e, que exis em dois ipos de nacionalismo:
“The e is he one which ends o cons uc a s a e o a communi y and he one which
ends o subjuga e, o des oy; he one which e e s o igh and he one which e e s o
migh ; he one which ole a es o he na ionalisms and which may e en a gue in hei
de ense and include hem wi hin a single his o ical pe spec i e ( he g ea d eam o
„Sp ing ime o he Peoples‟) and he one which adically excludes hem in an impe ialis
and acis pe spec i e.”
46
Mas o nacionalismo dos po os op imidos i á e olui pa a um nacionalismo de
libe ação a a és do seu encon o com o ma xismo. Esse encon o, no chamado
44
BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p.46
45
Idem, p.79
46
Idem, p.34
31
II/ Os casos da A gélia e da Guiné-Bissau
“ Moi, l‟homme de couleu , je ne eux qu‟une chose : que jamais l‟ins umen ne domine
l‟homme. Que cesse à jamais l‟asse issemen de l‟homme pa l‟homme. C‟es -à-di e de
moi pa un au e. Qu‟il me soi pe mis de décou i e de ouloi l‟homme où qu‟il se
ou e. (…) Mon ul ime p iè e : Ô mon co ps, ais de mois oujou s un homme qui
in e oge !”
71
“Libe a -se da dominação es angei a não é o único desejo do nosso po o. Ele ap endeu
pela expe iência e sob a op essão colonial que a explo ação do homem pelo homem é o
maio obs áculo ao desen ol imen o e ao p og esso de um po o, pa a além da libe ação
nacional.”
72
As eacções à ocupação colonial do con inen e a icano i e am um ca ác e a
um empo gené ico e especí ico. Os p ocessos de ocupação i e am luga ao longo de
pe íodos ex ensos, com especial incidência na p imei a me ade do século XX. As
eacções o am-se azendo sen i , an o localmen e, em cada espaço ocupado, com os
seus empos p óp ios, como nos con on os polí icos à escala plane á ia. Ve emos
ago a, a pa i dos dois exemplos escolhidos, o pa alelo e as di e enças, as discussões
que inham luga no plano in e nacional e ansnacional e as dinâmicas locais, incluindo
a cons ução de iden idades polí icas an agónicas que não inham exis ido a é ao
momen o em que os con li os eclodi am.
Ve emos, assim, a his ó ia dos mo imen os an icoloniais, do seu discu so e das
suas ei indicações, na A gélia e na Guiné-Bissau, a o ma como su gi am e como se
desen ol e am. Os dois p ocessos não são linea es, azão pela qual impo a
comp eende as á ias ci cuns âncias que condiciona am es as duas ealidades, num
in e alo de empo p óximo. O papel do mo imen o comunis a in e nacional,
nomeadamen e a pa i dos países colonizado es que aqui es ão em causa, em Po ugal e
em F ança, é ele an e, não apenas pelo que consegue cons ui , mas ambém pelas
eacções, po ezes de up u a, que mo i a. Os elemen os que que emos des aca nes e
capí ulo são undamen ais pa a encon a mos espos as pa a as ques ões que colocamos,
já que é nas expe iências conc e as, nas pa icula idades da his ó ia polí ica dos dois
con ex os, que se cons oem iden idades e se explicam as opções e as ca ac e ís icas
71
FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.251
72
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, p.45

32
des es mo imen os. Quais o am en ão as especi icidades da cul u a polí ica da colónia
e do modo como cons uiu p opos as polí icas al e na i as? De que o ma as suas eli es
independen is as e as suas populações desen ol e am a sua lu a e que peso i e am os
ins umen os polí icos exis en es, nomeadamen e os pa idos comunis as?
Unidade an icolonial
Se se analisa a ques ão colonial em peças sepa adas, apenas se pode alcança
uma isão deshis o icizada das gue as de independência e dos mo imen os de
libe ação, com o F on de Libé a ion Na ional (FLN) e o Pa ido A icano pa a a
Independência da Guiné e de Cabo Ve de (PAIGC) como ac o es maio es. A conquis a
da independência de e, an es, se is a como o p olongamen o de um p ocesso his ó ico
ca ac e izado po uma colonização que, passando po á ias ases e in ensidades, oi um
modelo de domínio sob e o ou o. Um p ocesso ma cado igualmen e pelo en ol imen o
das colónias em duas gue as mundiais, pelo ap o unda de uma iolência e op essão
no malizadas, pela o ma como se desen ol eu o pensamen o an icolonial em diálogo
com as eli es in elec uais e ac i is as polí icos das me ópoles.
o O FLN
O e i ó io a gelino oi objec o de di e sas in luências ao longo da sua his ó ia.
A sua população de o igem be be e en ou em con ac o com a expansão á abe e o Islão
a pa i do século VII e a a essou as á ias dinas ias que se segui am, a é à chegada do
Impé io O omano em 1570. A p esença u ca du a ia ês séculos a é à ocupação
ancesa em 1830. Não se pode es uda a A gélia como uma en idade sepa ada da
e olução des es impé ios. Também o con on o en e espanhóis e u cos o omanos no
Medi e âneo ma cou o des ino do Mag eb, já que, com a conquis a c is ã de G anada
em 1492, es e se ai e ugia , à excepção de Ma ocos, na p o ecção da Sublime Po a,
sem ca ac e iza a si uação como uma colonização. Em 1587 a A gélia é uma p o íncia
do Impé io O omano com on ei as bem delimi adas com os seus izinhos.
73
A 30 de Ab il de 1827, um inciden e en e Dey Hussein e o consul De al é o
p e ex o do go e no ancês pa a in e i mili a men e. Mohammed Ha bi, his o iado
73
STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 36
33
a gelino, explica o que en ende como di e ença en e a dominação o omana e ancesa.
“La dé ini ion de la domina ion o omane comme colonisa ion es à eje e pou deux
aisons. La p emiè e ésul e de la na u e même du sys ème o oman. L‟idée d‟une
u quisa ion lui es é angè e. (…) Au con ai e, l‟opposi ion à la F ance se a oujou s
écue comme un a on emen a ec l‟é ange , c‟es -à-di e le ch é ien, e ce,
indépendammen du ca ac è e laïc de l‟É a ançais.”
74
Em 1830 não exis e uma
sociedade a gelina no singula . Exis e um e i ó io a gelino onde se jus apõem á ias
sociedades com composições especí icas, di e en es imagens de si mesmas e
men alidades. As bases económicas são um obs áculo à a i mação de um g upo
dominan e es á el. As noções de po o e de sobe ania nacional es ão ausen es mas a
ocupação ancesa dá luga a um pe íodo de caos em que não se econhece uma
au o idade legí ima. Abd el-Kade i á mobiliza os a gelinos con a o domínio ancês,
que se á impos o a a és da gue a. De 3 milhões de habi an es em 1830, a A gélia
passa a 2 milhões e cem mil em 1872. A colonização ancesa a i ma-se como um
assun o es a al, onde pa a além dos con li os mili a es e á luga uma impo an e polí ica
de exp op iação de e enos às ibos a gelinas, e enos que se ão ocupados po colonos
anceses.
75
A A gélia ans o ma-se apidamen e na jóia do impé io colonial ancês. O
desen ol imen o do capi alismo no mesmo pe íodo az com que a mode nização chegue
com a colonização. Mas a mode nização az no os alo es e hábi os pa a apidamen e
os nega aos a gelinos: “Les oies e ées, les ou es, les exploi a ions miniè es, les
banques, les écoles e les hôpi aux mode nes, même s‟ils on é é c éés à l‟usage des
Eu opéens p o i en aussi aux Algé iens e di usen de nou elles habi udes e de
nou elles aleu s. (…) La colonisa ion n‟ou e des po es que pou les e e me
aussi ô . (…) En e e , l‟école inculque des no ions nou elles: le peuple, la na ion, la
sou e aine é populai e, l‟égali é. (…) C‟es au nom de l‟égali é que commencen les
p emiè es con es a ions du sys ème colonial.”.
76
O nacionalismo c esce nas décadas seguin es e é um mo imen o plu al, seja
islâmico seja secula . A eme gência do nacionalismo começa en e a comunidade
a gelina em F ança com o nascimen o da É oile No d-A icaine (ENA), po inicia i a da
74
STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p.44
75
Idem, pp. 45-49
76
Idem, pp.50-52
34
In e nacional Comunis a, em 1926.
77
Es e pa ido e e uma impo ância maio na
a i mação do pensamen o an icolonial e no desen ol imen o do ac i ismo polí ico en e
os a gelinos esiden es em F ança no pe íodo en e gue as, e se á escola de mui os
nacionalis as que es a ão na en e da lu a pela independência no pós II Gue a Mundial.
“Reg oupés dans ce Pa is bouillonnan , ou dans quelques au es g andes illes
ançaises, soumis à ou es les doc ines nou elles don leu analphabé isme ne
pe me ai de saisi que les idées o ces simples, celles qui épondaien à leu amou de
la pa ie e à leu soi de digni é; exilés, pe dus dans un monde qui leu é ai , malg é ou
hos ile, les émig és ne e in en qu‟une o mule, l‟indépendance de la Pa ie
Algé ienne.”
78
Assim, é impo an e e em con a o e ei o da p opagação das ideias que
se desen ol em na Eu opa, que o colonizado não an ecipa a: ideias democ á icas, com
des aque pa a a secula ização do Es ado, as ei indicações sociais, os ideais socialis as,
alo es que a colonização não espei a a na A gélia e que alimen a ão a legi imidade da
ei indicação do di ei o dos po os à au ode e minação.
Os li os de his ó ia o icial ma cam o 1 de No emb o de 1954 como o dia ze o
da libe ação nacional. Se ia o início de um pe íodo de quase oi o anos de gue a, mas
só em 1999 é que a Assembleia Nacional ancesa o a á que os a é en ão
„acon ecimen os da A gélia‟ passem a se designados gue a.
79
No en an o, a his ó ia do pe íodo an e io a 1954 é con ada, no con ex o
a gelino, pa a enquad a e exal a a lu a pela independência, esba endo con li os e
disco dâncias den o do mo imen o. A i ó ia que se consolida em 1962 oi uma i ó ia
signi ica i amen e mais polí ica do que mili a . O FLN su ge no seguimen o, ainda que
em con li o, do Pa i du Peuple Algé ien (PPA) e do Mou emen pou le iomphe des
libe és démoc a iques (MTLD). Pa a se comp eende as escolhas polí icas do FLN
du an e a gue a é necessá io analisa as con inuidades e up u as em elação aos
mo imen os que exis iam an es de 1954 e a e olução das suas ei indicações.
Messali Hadj e a um impo an e ac i is a da ENA a é o mo imen o ompe com
a in luência do PCF no inal dos anos 20. Nes a al u a, a maio pa e dos nacionalis as
coloca am a exigência da assimilação. O mo imen o dos Jeunes algé iens, po
exemplo, ei indica a a ep esen ação de a gelinos no pa lamen o ancês, onde a é
1946 apenas anceses da A gélia e iam luga . Também a Fédé a ion des élus
77
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, pp. 183-188
78
Idem, p. 204
79
STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 731
35
musulmans (FEM) e a pela assimilação. Com a i ó ia do F on Populai e em F ança,
os nacionalis as es a am con encidos de que ganha a ambém a assimilação.
80
O pe íodo de 1936-1939 oi decisi o na his ó ia do e o mismo polí ico. O F on
Populai e, apoiado pela esque da e pa icula men e pelo PCF, encon a a um pa cei o
no Cong ès Musulman, que se á a p imei a en e polí ica a gelina, onde pa icipa am a
FEM, o Pa i Communis e Algé ien (PCA) e os Oulémas
81
, mo imen o eligioso que
p e endia o ganiza os muçulmanos a gelinos poli icamen e. Es a união en e
e o mis as muçulmanos e comunis as ez-se em de imen o da ques ão nacional, em
o no de um p og ama de união polí ica en e a A gélia e a F ança e de assimilação. Em
1936, num encon o do Cong ès Musulman, Hadj decla a ejei a a assimilação e
ei indica a independência. No ano seguin e o go e no de Léon Blum p oíbe a ENA e
Hadj c ia o PPA.
82
Em 1943, Fe ha Abbas, que i ia a se P esiden e do Go e no P o isó io da
República A gelina (GPRA), ap esen a o Mani es e Algé ien, que ei indica uma
República A gelina ede ada na República F ancesa.
83
É c iado o mo imen o dos Amis
du Mani es e e de la Libe é (AML) que apidamen e passa a se lide ado pelo PPA.
84
Em Maio de 1945 dá-se uma en a i a imp o isada de insu eição que le a o PPA a se
p oibido. Os „É olués‟ ligados a Fe ha Abbas eúnem-se num mo imen o na linha do
Mani es o Ŕ a Union Démoc a ique du Mani es e Algé ien (UDMA), em 1946.
85
Nas
eleições legisla i as de 1946, o PPA ilegal pa icipa a a és do MTLD, mo imen o
o emen e an icomunis a, ainda que man endo um diálogo com o PCA.
86
Mas
desen ol e-se a endência de uma up u a iolen a que Hadj não acompanha a. Es e
não e a con a a lu a a mada, comp eendia que a independência não i ia das eleições,
mas ac edi a a que es a de e ia se pa e de uma ope ação polí ica. Em 1947 é undada
a O ganisa ion spéciale (OS) den o do MTLD pa a o ganiza o le an amen o. A OS é
descobe a pela polícia ancesa em 1950 e o MTLD desma ca-se dos seus mili an es,
que lhe gua da ão um anco conside á el. Em 1953 dá-se uma dissidência en e
80
Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI,
Mohammed, La gue e d'Algé ie, pp. 604-606
81
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, p. 332
82
Idem, pp.417-426, 487
83
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, pp. 641-643
84
Idem, pp. 669-773
85
Idem, p. 729.
86
Idem, p. 756
36
apoian es de Messali (messalis as) e do Comi é Cen al e Sec e á io-Ge al do MTLD,
Ben Khedda (cen alis as).
87
Em 1954 ha e á duas endências conco en es. No e ão, um comi é de 22
a gelinos, compos o po an igos OS, decide a insu eição. O comi é e olucioná io é
compos o po no e che es his ó icos: Mos e a Ben Boulaïd, La bi Ben M‟Lidi, Rabah
Bi a, Mohammed Boudia , Mou ad Didouche, Belkacem K im, e ês e ugiados no
Egip o, Hocine Aï Ahmed, Ahmed Ben Bella, Mohammed Khide . A insu eição
começa a 1 de No emb o de 1954 com um ex o assinado pelo FLN e o seu b aço
a mado, a A mée de Libé a ion Na ionale (ALN).
88
Pa a os nacionalis as que mili a am no FLN, a lu a a mada e a o meio na u al e
ine i á el que in oduzia os a gelinos na oda da his ó ia, já que apenas a a és dela
se iam capazes de conquis a a independência. Lê-se num a igo de F an z Fanon
89
, no
El-Moudjahid, em 1957: “En é i é, il n‟y a pas aujou d‟hui un p oblème algé ien, il y a
un p oblème ançais. En e e , qui di p oblème suppose des solu ions inconnues. O
pou l‟Algé ie la oie es ou e acée, c‟es la ma che e s l‟indépendance, c‟es la lu e
é olu ionnai e pou econqué i un d oi na u el, un d oi légi ime. La ou e peu ê e
longue e di icile, mais il n‟y en a pas d‟au e. L‟Algé ie sui le mou emen
his o ique.”
90
O FLN é um sucesso do PPA-MTLD e simul aneamen e a azão do seu im. É
ideologicamen e he e ogéneo, já que é compos o po concepções di e sas quan o ao que
se p e endia cons ui com a independência. O PPA-MTLD, com um ca ác e mais
u bano, acaba á po se a ins i uição do empo de paz, já que p e endia abalha nas
ma gens do uncionamen o democ á ico, e o FLN, com uma incidência mais u al, a
ins i uição do empo de gue a, agindo o a da lei colonial (“ho s la loi”). Os
„cen alis as‟ acaba ão po se jun a ao FLN; já Messali, com um imaginá io mais
p óximo do PCF, con inua á con encido de que a lu a a mada se á incapaz, sozinha, de
cons ui a A gélia independen e. O FLN não acei a á qualque o mação pa a além dele
p óp io nem oposição in e na, que se á eliminada isicamen e, p e endendo ompe com
87
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, pp. 837-840
88
Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI,
Mohammed, La gue e d'Algé ie, pp. 608-609
89
F an z Fanon (1925-1961), nascido em Ma inica nas An ilhas ancesas, e á um papel cen al na
consolidação do pensamen o an icolonial. Psiquia a de o mação, desde cedo se á con on ado com a
iolência psicológica da op essão colonial no indi íduo colonizado, pelo que i á a e lec i sob e o luga
do acismo na es u u a colonial, nomeadamen e em elação ao neg o e ao á abe. Os seus esc i os se ão
lei u a ob iga ó ia pa a uma ge ação de ac i is as an icoloniais.
90
FANON, F an z, Éc i s su l‟aliéna ion e la libe é - œu es II, p. 470

37
o passado polí ico plu alis a da A gélia, que conside a a ac o de agilidade do
mo imen o nacionalis a. O discu so do PPA-MTLD e do FLN é ambém di e gen e: o
p imei o p opõe a conquis a da independência, o segundo p e ende uma e olução.
Re olução, em á abe haw a, signi ica golpe de cóle a, e ol a, insu eição, e em um
signi icado incado de mudanças socio-económicas. Ao con á io do MTLD, o FLN
ala de e o ma ag á ia e da cons ução de uma „ épublique sociale‟.
91
Os ó gãos do FLN a a és dos quais conseguimos analisa o discu so do
mo imen o são os jo nais Résis ance algé ienne e o El-Moudjahid, e ainda o jo nal do
Wilaya 4
92
, chamado Ré olu ion. A p opos a mais à esque da no seio do FLN em de
um g upo in e no chamado Fédé a ion de F ance, que abo da a laicização e ci a Fanon
e Fidel Cas o. Podemos dize que há uma ecusa de concebe a e olução social
in e na: ela é semp e „an icolonial‟. O p og ama, mais à esque da, elabo ado pela
Fédé a ion de F ance nunca se á seque ap esen ado ou discu ido. Re olução, pa a
mui os quad os do FLN, signi ica apenas subs i uição, gue a de libe ação/jihad.
93
Ou a cons an e en e o PPA-MTLD e o FLN é o a as amen o das mulhe es, com
base na ideia de que, com a independência, as mulhe es não e iam mais azões pa a a
e ol a. O abu em ma é ia do papel das mulhe es é acompanhado pela ausência de
discussão em elação ao luga do Islão na A gélia independen e.
94
O jo nal El-Moudjahid, ó gão cen al do FLN, o na públicas as decisões e
omadas de posição no pe íodo de 1956 a 1962. In eg almen e em ancês, as suas
ep esen ações da inalidade da lu a de libe ação nacional, das suas mo i ações e ideias,
azem-nos c e que es e se di igia sob e udo à opinião in e nacional e não an o aos
mili an es a gelinos. Os emas abo dados iam desde o nacionalismo, a unidade e a
iden idade eligiosa à exal ação do passado e à eap op iação da his ó ia nacional.
A sobe ania ei indica-se com base na o al união do po o, pelo que os con li os
são impensá eis, o que dá luga a uma o ma pa icula de in eg a algumas posições
ma xis as. Monique Gadan , que es udou o FLN a a és do discu so do seu jo nal,
a i ma que aquilo que seduzia o FLN na ideologia ma xis a e a a p á ica dos pa idos
comunis as: o cen alismo democ á ico, a ideia de mili an e e de homem no o, o
91
Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI,
Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 622
92
No deco e da gue a colonial, a A gélia es a á di idida em á ios Wilaya, que co espondiam a
g upos de gue ilha clandes ina a pa i dos quais se o ganiza a a lu a a mada.
93
Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI,
Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 629
94
Idem, p. 631
38
sac i ício do indi íduo ao g upo, a capacidade mobilizado a, azão que a le a a apelida
as posições do FLN de „ma xismo objec i o‟.
95
Sob a pala a de o dem „ é olu ion pa le peuple e pou le peuple‟, o jo nal
aduzia uma on ade de jun a à lu a a mada a acção polí ica. Em 1957, a edacção, da
qual aziam pa e nomes como Redha Malek, F an z Fanon, D . Chaule e Abbane
Ramdane, ins ala-se em Tunis, e a é 1962 se ão edi ados 91 núme os.
96
Se exis e um ca ác e islâmico na publicação, es e pe manece ambíguo, já que,
pa a um público in e nacional, ela se ap esen a a como a i mação cul u al ele an e
pa a a lu a pela sobe ania polí ica. A linguagem laica alia-se a e e ências de um ca iz
á abe-islâmico pa a es abelece uma especi icidade, uma di e ença em elação ao
es angei o a que se di ige. “Le na ionalisme algé ien s‟a i mai en p oclaman son
appa enance à l‟ai e cul u elle a abe, l‟Algé ie a abo-islamique s‟opposai à l‟Algé ie
e e ançaise comme la éali é s‟oppose à la ic ion.”
97
Res au a-se a nação na medida
em que se es au a uma he ança cul u al, um sis ema de alo es longamen e ep imido,
onde a eligião em um papel cen al. Is o não signi ica necessa iamen e que a adesão ao
Islão obs uísse a elação com ou as mensagens, nomeadamen e as p o enien es de
co en es polí icas associadas a sis emas laicos.
Ao mesmo empo, um no o humanismo e a p opos o, nomeadamen e em a igos
de Fanon, que c ia a um sen imen o de solida iedade en e odos os po os colonizados,
solida iedade maio do que, alega am, alguma ez pode ia exis i em elação às classes
abalhado as das me ópoles. A ap oximação ao concei o de socialismo não se e i ica,
po an o, a pa i de uma noção de solida iedade de classe in e nacionalis a, mas pelo
ac o de es e es a ca egado de o ça ei indica i a con a o colonialismo. “(…) d‟où la
eche che ap ès l‟indépendance d‟un modèle “spéci ique” de socialisme, d‟où ou es les
a ié és de socialisme musulman dans lesquelles se mêlen la é olu ion na ionale e les
aspi a ions de ou es les classes dominées, d‟où ce e opposi ion en bloc au colonialisme
lou de de con adic ions.”
98
O homem no o é o colonizado libe ado do jugo do
colonialismo, que pode á en ão i e numa sociedade sem con li o de qualque espécie,
cons uindo o socialismo „à a gelina‟ : “Il se de é é ence pou exp ime l‟aspi a ion
collec i e à un p og ès social mais il es en même emps e usé comme héo ie du social
95
GADANT, Monique, Islam e na ionalisme en Algé ie : d‟ap ès «El Moudjahid», o gane cen al du
FLN de 1956 à 1962, p. 12
96
Idem, p. 16
97
Idem, p. 19
98
Idem, p. 39
39
impliquan la lu e des classes, laquelle es jugée é angè e aux socié és conce nées.
Pu gé de ce concep é olu ionnai e, le socialisme n‟appa aî plus comme ac eu de
di ision e de ien assimilable pa le na ionalisme.”
99
Na Cha e Na ionale
100
p omulgada em 1976, lê-se : “Le socialisme en Algé ie
n‟es ni une op ion a bi ai e, ni un sys ème impo é qu‟on au ai plaqué de l‟ex é ieu
su le co ps ine e de la Na ion, mais un p ocessus i an qui plonge ses acines dans la
lu e de libé a ion na ionale, un p ocessus in imemen lié à la Na ion enaissan e e à son
de eni .” Mas pouco se disse, du an e os anos de gue a colonial, sob e a na u eza de
classe do pode de Es ado. O p ojec o ap esen ado esumia-se a uma on ade de
cons ui um Es ado, mas sem ca ac e iza a sociedade u u a.
Ao longo dos p imei os meses de independência, o am á ias as e e ências do
embaixado ancês na A gélia, Jean-Ma cel Jeanneney, ao ca ác e socialis a do
desen ol imen o económico do país. Num ela ó io sob e um jan a em que es a a
p esen e Ben Bella, em Agos o de 1962, Jeanneney esc e e: “J‟ai demandé à M. Ben
Bella ce qu‟il en endai pa l‟exp ession «socialisme à l‟a gé ienne» qu‟il a ai
employée dans une écen e décla a ion. La F ance ne pou ai s‟e aye du mo si le
p og amme qu‟il impliquai n‟é ai pas de na u e à comp ome e la coopé a ion anco-
algé ienne. (…) Il es bien é iden que nos indus iels n‟in es i on dans ce pays que
s‟ils son assu és, d‟une pa , que leu s en ep ises ne soien poin na ionalisées, d‟au e
pa , de e i e un jus e béné ice de leu s a ai es. M. Ben Bella m‟a semblé conscien de
l‟impo ance de ce p oblème. Il m‟a a i mé qu‟il ne songe pas à p océde à des
na ionalisa ions. Il demandai seulemen que les en ep ises ançaises, don il souhai ai
la mul iplica ion, éin es issen en Algé ie une pa aisonnable de leu s p o i s.”
101
Também em Agos o de 1962, em ins uções ao embaixado , a adminis ação ancesa
esc e ia em elação ao ca ác e socialis a da no a República A gelina e à decla ada
posição de não-alinhamen o: “Au-delà des ho izons a icains, le GPRA en end adhé e à
la doc ine de non-engagemen . Ce e posi ion n‟es peu -ê e pas con o me à nos œux,
mail il au y ele e au moins un élémen posi i : le e us de s‟in éode au bloc
so ié ique, con i mé pa l‟a i ude cons an e du FLN à l‟éga d du pa i communis e
algé ien. Les mesu es d‟inspi a ion socialis e que le gou e nemen algé ien pou a
99
GADANT, Monique, Islam e na ionalisme en Algé ie : d‟ap ès «El Moudjahid», o gane cen al du
FLN de 1956 à 1962, p.40
100
Algé ie, naissance d‟une socié é nou elle, le ex e in ég al de la cha e na ionale adop ée pa le peuple
algé ien, 1976.
101
LISKENNE, Anne, L‟Algé ie Indépendan e, l‟ambassade de Jean-Ma cel Jeanneney, pp. 108-109
40
p end e en ma iè e économique ne se on donc pas à in e p é e comme une p eu e de la
«so ié isa ion» oujou s annoncée, jamais éalisée, des pays ex-coloniaux.”
102
A in luência do mo imen o dos não-alinhados se á de e minan e pa a a na a i a
do Es ado A gelino após a independência. A 15 de Ab il de 1974, Houa i Boumediene
discu sa em Cuba e a i ma que “Tan p on o como hemos ecob ado nues a
independencia, nues os dos pueblos se han encon ado de nue o en una misma lucha
con a los monopolios ex anje os, el dominio del impe ialismo sob e nues os ecu sos
na u ales y po la pues a en ma cha de una au én ica polí ica de desa ollo y edi icación
de una sociedad socialis a.”
103
E ac escen a que a libe ação nacional não es á e minada
sem a con inuação da lu a an i-impe ialis a: “(…) an o es e dad, que las dos
dimensiones de es a acción global son es echamen e complemen a ias, sob e odo en la
óp ica socialis a, que es la nues a.”
104
Es e não-alinhamen o, não mui o di e en e do „neu alismo posi i o‟
desen ol ido po Nasse na década an e io , passa po sabe desenha uma polí ica de
balanço en e os dois blocos, explo ando as suas con adições, sem em nenhum
momen o da espaço à acção dos comunis as no in e io do país. Boumediene a i ma a
que o no o signi icado do não-alinhamen o de e ia da p imazia à libe ação económica
e a uma agenda económica que con on asse o capi alismo, e deixa as ques ões
polí icas pa a segundo plano.
105
Fanon explica no jo nal do FLN a posição da A gélia em elação à União
So ié ica: “Pou les peuples coloniaux asse is pa les na ions occiden ales, les pays
communis es son de ceux qui on en ou e occasion p is leu dé ense. Les pays
coloniaux n‟on pas à se p éoccupe de sa oi si ce e a i ude es dic ée pa l‟in é ê de
la s a égie communis e, ils e iennen su ou que ce compo emen géné al a dans le
sens de leu s in é ê s p op es. Les peuples coloniaux ne son pas spécialemen
communis es mais ils son i éduc iblemen an icolonialis es.”
106
O chamado socialismo
„à a gelina‟, como em mui os casos o socialismo „á abe‟ e á ios ou os socialismos
„a icanos‟, e a ido como um mé odo de desen ol imen o, onde ha ia luga pa a a
e o ma ag á ia e as nacionalizações, mas onde se es azia a o seu con eúdo polí ico,
sub aindo-lhe as ideias de e olução polí ica e social que de iniam o ma xismo.
102
LISKENNE, Anne, L‟Algé ie Indépendan e, l‟ambassade de Jean-Ma cel Jeanneney, p. 97
103
Houa i BOUMEDIENE in CASTRO, Fidel; BOUMEDIENE, Houa i; El camino se á la go, la lucha
se á du a; pe o los pueblos iun a án, p. 27
104
Idem, p.33
105
PRASHAD, Vijay, The Da ke Na ions: A People's His o y o he Thi d Wo ld, p. 132
106
FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, p. 781
47
possibilidade de pa icipa e ec i amen e na ida polí ica.
125
Vida essa já de si limi ada
pela acção ep essi a do egime ascis a. O papel das eleições e das Assembleias elei as
e a pu amen e o mal, já que as eleições não e am li es nem mesmo em Po ugal
con inen al. Nas ilhas de Cabo Ve de, cujos habi an es são eo icamen e „cidadãos‟, o
di ei o de o o é subo dinado a condições de o una, o que elimina uma imensa maio ia
de cabo- e dianos. Na Guiné, a é 1961, a maio ia da população é quali icada de „não-
ci ilizada‟ e nem seque dispunha des es di ei os o mais. “O A icano, pa a se
classi icado como «ci ilizado», de ia le e esc e e co ec amen e o po uguês, e um
«bom compo amen o e hábi os cí icos» (o que implica a a p á ica egula da eligião
ca ólica), e um endimen o su icien e e e p es ado se iço mili a . Em con apa ida o
Po uguês, mesmo anal abe o, e a conside ado au oma icamen e «ci ilizado»!”
126
Com a Ca a da ONU de 1945, os a icanos passam a e um documen o de
di ei o in e nacional a pa i do qual podiam undamen a as suas aspi ações à
independência. E Po ugal, que p e endia jun a -se à o ganização, não podia u a -se a
econhece es e di ei o. Pa a a diplomacia po uguesa pa ecia ão simples quan o
demons a que Po ugal não e a um país colonizado . A ideia e a con ence a
comunidade in e nacional de que Po ugal e a, na e dade, uma nação di idida em
á ios con inen es.
Se a gue a é ei a com o p e ex o de sal agua da a in eg idade da nação
po uguesa, a manu enção da explo ação económica das colónias é o objec i o
undamen al, como é de es o o do colonialismo e, mais a de, do neo-colonialismo.
Todo o apa elho polí ico e mili a é des inado essencialmen e a pe mi i essa
explo ação. “Colonialismo ou dominação impe ialis a é busca , em p imei o luga ,
domina ou os po os economicamen e. Pa a isso, ele ac escen a uma dominação
polí ica, ele p olonga as o ças do Es ado impe ialis a ou colonial pa a a e a que que
domina economicamen e. (…) Po an o, ocês êem que, no undo, a nossa esis ência
é pa a esol e um p oblema económico, embo a enha que passa pelo polí ico.”
127
País
economicamen e mui o pouco desen ol ido, Po ugal limi a-se a aze das colónias um
me cado o necedo de ma é ias-p imas pa a a sua aca indús ia me opoli ana, e
consumido dos seus p odu os, ao mesmo empo que ce as ma é ias-p imas e am
expo adas pa a ou os países es angei os com indús ias mais desen ol idas.
125
ROSAS, Fe nando, MATTOSO, José (o g.), His ó ia de Po ugal, olume 7, O Es ado No o, p. 486
126
s.a., His ó ia da Guiné e Ilhas de Cabo Ve de, p. 118
127
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência económica, p. 2

48
Du an e mui o empo a adminis ação po uguesa pensou que es e a aso
económico, e ambém a ausência de qualque sis ema de ensino desen ol ido, e i a ia
às suas colónias o „con ágio‟ do mo imen o de libe ação nacional que se desen ol ia
nos ou os países a icanos. Aliando o a aso económico e cul u al à op essão do
sis ema policial, se ia con ido odo o isco e olucioná io. Sem dú ida que as condições
pa icula es do sis ema colonial po uguês e a da am o nascimen o do mo imen o
nacional. Mas a es e não al a am an eceden es.
128
Os po os das colónias po uguesas o am sensí eis às p o undas modi icações
do pós-gue a, no plano in e nacional, e às consequências esul an es da na u eza das
no as es u u as poli ico-sociais su gidas em alguns países a icanos. A o mação das
o ganizações polí icas de angua da que di igi am a lu a de libe ação, o MPLA em
Angola, a FRELIMO em Moçambique e o PAIGC na Guiné e Cabo Ve de, que se dá
simul aneamen e, não é uma coincidência. É e lexo das condições poli ico-económicas
do con inen e a icano, ainda sob o jugo do colonialismo, da na u eza e ca ac e ís icas
semelhan es da dominação colonial- ascis a do Es ado No o e dos seus mé odos de
explo ação, pe mi indo o con ac o que es abelece am en e si os a icanos das á ias
colónias que es uda am em Po ugal.
Na década de 20, em Lisboa, o ma-se a Liga A icana, inspi ada nos ideais do
Pana icanismo. Es a Liga acolhe á em 1923 a segunda sessão da 3ª Con e ência
Pana icana, onde es a á p esen e o his o iado e ac i is a no e-ame icano William Du
Bois.
129
Nas décadas de 40 e 50 exis iam algumas o ganizações associa i as legais de
jo ens e es udan es das colónias po uguesas, en e elas a Casa da Á ica Po uguesa, a
Casa dos Es udan es do Impé io, o Cen o de Es udos A icanos e o Clube Ma í imo.
Na Casa dos Es udan es do Impé io, no núme o 23 da A enida Duque de Á ila
em Lisboa, encon a am-se jo ens es udan es indos de Á ica, e oi nes a passagem
ob iga ó ia que mui os desen ol e am a sua consciência an icolonial e o am
in oduzidos ao mo imen o da neg i ude que ha ia su gido em Pa is. Figu as cen ais
128
SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de
Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.325
CABRAL, Amílca , Alguns p incípios do Pa ido, p.12 “Nós não cos umá amos aze polí ica na nossa
e a nem ha ia nenhum Pa ido na nossa e a. (…) po que com a dominação es angei a na nossa e a,
com a p oibição o al que semp e hou e, em oda a nossa ida, de aze qualque pa ido polí co na nossa
e a, não ha ia pa idos di e en es pa a e em de se uni , não ha ia umos polí icos di e en es pa a
segui em o mesmo caminho, pa a se jun a em, pa a aze em a unidade.”
129
TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 66
49
dos u u os mo imen os an icoloniais como Agos inho Ne o, Vi ia o da C uz, Má io
Pin o de And ade e Amílca Cab al ap oxima am-se e p ocu a am uma iden idade e
uma he ança comum, num clima de isolamen o pa cial da sociedade po uguesa.
130
Anos mais a de, Amílca Cab al escla ece á es e p ocesso de „a icanização dos
espí i os‟, conside ado um „ eg esso às on es‟, mas que es e associa á a um enómeno
i ido pela pequena-bu guesia u bana mais passí el à „assimilação‟.
131
“Não é,
po an o, po acaso que eo ias ou “mo imen os” como o do pan-a icanismo e o da
neg i ude (duas exp essões que se inspi am undamen almen e no pos ulado da
iden idade cul u al de odos os A icanos neg os) enham sido concebidos o a da Á ica
neg a. Mais ecen emen e, a ei indicação de uma iden idade a icana pelos neg os
no e-ame icanos é ou a mani es ação, al ez desespe ada, dessa necessidade de um
“ e o no às on es”, mesmo que nes e caso es eja cla amen e in luenciada po uma no a
ealidade: a conquis a da independência polí ica pela g ande maio ia dos po os
a icanos.”
132
Se á Agos inho Ne o, sem dú ida o mais poli izado des e g upo, a o ma o
Clube Ma í imo, em cuja sede se ealiza iam ac i idades cul u ais e ec ea i as.
P óximo do PCP, já se inha en ol ido em acções polí icas de isco e se ia p eso pela
PIDE á ias ezes. O Clube Ma í imo se i á de modelo a u u as ac i idades polí icas,
com a possibilidade de se desen ol e em ac i idades ilegais no quad o de o ganismos
econhecidos pelo egime, ideia que e á igualmen e p esidido à o mação do Cen o de
Es udos A icanos.
No Cen o de Es udos A icanos pa icipam os in elec uais das colónias
po uguesas que, a a és de pales as, es udos e mani es ações a ís icas, p ocedem à
análise dos undamen os cul u ais do mo imen o de libe ação nacional, c iando-se um
pensamen o an icolonial uni icado.
Em Dezemb o de 1957 em luga em Pa is uma eunião do g upo de
nacionalis as das colónias po uguesas, es udan es na Eu opa, ag upados no Mo imen o
Democ á ico de Libe ação, e dos ep esen an es manda ados das o ganizações
nacionalis as de Angola e da Guiné. Nes a eunião p ocede-se ao es udo do
desen ol imen o da lu a an icolonial e o ma-se o MAC, Mo imen o An icolonialis a.
130
TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 65
131
SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de
Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.332
132
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p. 16-17 ( ex o pa a eunião de pe i os sob e “As
noções de aça, de iden idade e de dignidade” p omo ida pela UNESCO)
50
Es e mo imen o clandes ino publica á o Mani es o que escla ece as posições do
mo imen o nacionalis a e os meios a emp ega na lu a con a o colonialismo po uguês.
Em 1960 c ia-se a FRAIN, F en e Re olucioná ia A icana pa a a
Independência Nacional. C ia-se, ambém em 1960, a UGEAN, União Ge al dos
Es udan es da Á ica Neg a, o ganização uni á ia dos es udan es das colónias
po uguesas.
A ep essão con inua pela pa e do colonialismo po uguês e a 4 de Fe e ei o de
1961 dá-se o assal o de um g upo de angolanos às p isões de Luanda, que ma ca o
começo da lu a a mada nas colónias po uguesas. Impunha-se uma no a eunião de
nacionalis as pa a de ini linhas mais conc e as de acção e p ecisa os meios de aze
ace à gue a. É assim que, a 18 de Ab il de 1961, se ealiza em Casablanca a eunião
cons i u i a da CONCP Ŕ Con e ência das O ganizações Nacionalis as das Colónias
Po uguesas Ŕ, o ganização uni á ia dos nacionalis as dos á ios e i ó ios dominados
pelo colonialismo po uguês, que subs i ui ia a FRAIN. Pa a os nacionalis as des es
e i ó ios não ha ia dú idas que a lu a de e ia passa po uma a iculação en e os
mo imen os que se opunham ao colonialismo po uguês. “Uma ou a o ça exis e nas
nossas e as: é a o ça da nossa unidade… De emos e o ça a nossa unidade, não
apenas em cada país, mas en e nós, po os das colónias po uguesas, a C.O.N.C.P. em
pa a nós uma signi icação mui o especial. Temos o mesmo passado colonial,
ap endemos odos a ala e a esc e e po uguês, mas emos uma o ça ainda mais
pode osa, al ez mesmo mais his ó ica: é o ac o de e mos começado a lu a em
conjun o.”
133
É conhecida a da a de 19 Se emb o de 1956 como a undação do PAIGC.
Amílca Cab al, que desde há anos es uda a os p oblemas espei an es ao colonialismo
po uguês e pa icipa a em di e sas ac i idades na de esa da emancipação dos po os
coloniais, é um dos p incipais di igen es e ideólogos do mo imen o an icolonial
a icano, e um dos undado es do pa ido. A da a é, no en an o, con es ada pelo ac o de
não se conhece an es de 1959 qualque e e ência ao pa ido p op iamen e di o.
A is ides Pe ei a, mais ecen emen e, escla ece que a da a da undação do PAIGC oi
escolhida em e ospec i a, quando ele e Amílca Cab al, em Daca , p ocu a am o apoio
133
s.a., Manual Polí ico, p. 100, (in e enção de A. Cab al na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965)
51
do p esiden e Sengho . Daí p ocu a -se uma da a que an ecedesse a o mação do pa ido
senegalês. Apenas mais a de se ac escen a ia as le as «GC» na sigla PAI.
134
Da necessidade de se c ia o PAIGC, diz-nos Amílca Cab al: “Em Á ica não
hou e ais enómenos que engend assem pa idos. Podemos pois dize que ouxemos
qualque coisa de es anho in oduzindo na nossa e a um pa ido, mas is o e a
necessá io, assim como é necessá ia a cha ua que não exis e na nossa e a ou o ac o
que não esul ou do desen ol imen o económico do nosso país.”
135
Amílca Cab al e A is ides Pe ei a se ão ap esen ados po So ia Pomba Gue a,
a macêu ica e mili an e do PCP a cump i deg edo em Bissau.
136
E a em sua casa que
es es dois e mui os ou os cabo- e dianos Ŕ como Fe nando Fo es, Abílio Dua e, e
Luís Cab al Ŕ se encon a am pa a ou i as emissões em po uguês do se iço da Rádio
Mosco o, ou ainda pa a le omances e jo nais p oibidos, como o A an e!, ó gão cen al
do PCP.
137
E nes es encon os i ão desen ol e paula inamen e o seu mé odo de
conspi ação: o mam pequenos g upos pa a discu i di e sos assun os cul u ais, e ão
des acando os elemen os conside ados mais conscien es pa a com eles desen ol e
pos e io men e um abalho polí ico mais a iscado. A si uação o na-se mais pe igosa
quando são admi idos guineenses no g upo. Es es i iam num mundo ju ídico di e en e
dos cabo- e dianos, po o ma a isola os á ios g upos sociais. Na escala colonial,
guineenses e cabo- e dianos encon a am-se em di e en es pa ama es de ci ilização,
pelo que a con i ência de ambos pode ia susci a suspei as sob e a na u eza de um
encon o que jun a a pessoas de es a u os sociais ão di e en es.
Amílca Cab al, nascido na Guiné-Bissau a 12 de Se emb o de 1924, de pais
cabo- e dianos, inha passado a in ância em São Vicen e e i ia a p ossegui os seus
es udos no Ins i u o Supe io de Ag onomia em Lisboa, onde chega em 1945. Na al u a
em que se inicia a gue a colonial, Cab al inha um conhecimen o sob e a geog a ia, a
economia e a sociologia dos po os do seu país compa a i amen e supe io ao de mui os
nacionalis as em ases simila es nou as egiões. Uma das azões oi o ac o de e
ealizado o p imei o ecenseamen o ag ícola do e i ó io. Es e abalho da -lhe-ia a
134
TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 108
135
s.a., Manual Polí ico, p. 10
136
PEREIRA, A is ides, Uma Lu a, um Pa ido, dois Países, Guiné-Bissau e Cabo Ve de, p.85
137
TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 88
52
opo unidade de conhece a es u u a ag á ia da Guiné p o unda e pô-lo-ia em con ac o
di ec o com as pessoas mais in luen es dos á ios g upos é nicos.
138
É no seguimen o desse conhecimen o que o PAIGC ai ixa como objec i os
polí icos do pa ido a liquidação da dominação colonial po uguesa, a c iação das bases
indispensá eis pa a a cons ução de uma ida no a pa a o po o da Guiné e Cabo Ve de,
a cons ução da paz, do bem-es a e do p og esso con ínuo do po o da Guiné e de Cabo
Ve de. De ine-se como pa ido democ á ico, p og essis a, an icolonialis a e an i-
impe ialis a. Es as posições são e elado as, indiscu i elmen e, do ca ác e an i ascis a
do PAIGC e do mo imen o de emancipação que es e di igia. Num apelo aos
po ugueses ei o num a igo na e is a Pa isans em 1962, Amílca explica como
enca am o egime ascis a po uguês: “É p eciso ea i ma cla amen e que, embo a
sendo con a oda a espécie de ascismo, os nossos po os não lu am especi icamen e
con a o ascismo po uguês: nós lu amos con a o colonialismo po uguês. A
des uição do ascismo em Po ugal de e á se ob a do p óp io po o po uguês, a
des uição do colonialismo po uguês se á ob a dos nossos p óp ios po os.”
139
A
ealidade de ou as gue as coloniais, nomeadamen e a gue a na A gélia, não podia
azê-lo chega a ou a conclusão. Os egimes democ á icos das po ências ociden ais
es a am longe de ga an i po p incípio a independência das espec i as colónias.
Tendo como p io idade polí ica a libe ação do e i ó io do domínio colonial
po uguês, Cab al deixa á em á ios momen os pis as sob e o ipo de sociedade que
de e se cons uída quando alcançado esse objec i o, que e lec em a sua p oximidade a
con icções socialis as: “Na base da ida do nosso Pa ido, que emos des ui oda a
possibilidade de aqueles que libe am a e a ou ou os que enham abusa do nosso
po o amanhã. [sic] O nosso objec i o não pode se o de i oma con a do palácio do
go e nado pa a aze na nossa e a o que aquele go e nado que ia aze .”
140
É ainda
Da idson que, ci ando Cab al, nos dá mais um elemen o sob e a posição des e em
elação ao caminho a segui : “To build a new socie y Ŕ in he ci cums ances, necessa ily
138
SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de
Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.336
139
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, p. 64
“Se a queda do ascismo em Po ugal pode ia não conduzi ao im do colonialismo Ŕ hipó ese aliás admi ida po
alguns dos líde es da oposição po uguesa Ŕ nós es amos ce os de que a liquidação do colonialismo po uguês
a as a á a des uição do ascismo em Po ugal. A a és da nossa lu a de libe ação, nós con ibuímos e icazmen e
pa a a queda do ascismo po uguês e damos ao po o de Po ugal a melho p o a da nossa solida iedade.”
140
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, pp. 3-4
“Todos os abusos, odos os p i ilégios de g upos ou g upinhos, não podemos acei a na nossa e a amanhã, se de
ac o que emos libe a o nosso po o. Não amos libe a o nosso po o só dos colonialis as ugas, não, mas de udo
quan o o p ejudica no caminho do p og esso. Temos que des ui a igno ância, a al a de Saúde, e de oda a espécie de
medo, a pouco e pouco, passo a passo.”

53
by socialis means, „ o he e a e only wo oads open o a na ion becoming independen
now: o go back o impe ialis domina ion ( ia neo-colonialism, capi alism, S a e
capi alism) o o mo e owa ds socialism‟.”
141
A pa i de 1961, o pa ido decide ins ala o seu Sec e a iado Ge al em Conac i,
capi al da República da Guiné. En e ou os, p a ica á uma polí ica de es ei as elações
in e nacionais com a A gélia e com a RAU, insc e endo-se num mo imen o mais
amplo do que apenas o da lu a con a o colonialismo po uguês. A solida iedade que
a i ma com esses e ou os países não o impede de adop a como eg a o não se imiscui
nos assun os in e nos dos países com quem man ém elações, exigindo ao mesmo empo
que nenhuma en idade ex e na enha a p e ensão de, em oca de apoio ou solida iedade,
di igi a sua lu a. Não se a a a apenas de ga an i a di ecção polí ica do p ocesso, mas
ambém de ga an i que se iam os p óp ios guineenses e cabo- e dianos os agen es da
sua emancipação. “„We wan no olun ee s.‟ Cab al said o me on his poin , „and we
shall u n hem back i hey p esen hemsel es. Fo eign mili a y ad ise s o
commande s, o any o he o eign pe sonnel, a e he las hing we shall accep . They
would ob my people o hei one chance o achie ing a his o ical meaning o
hemsel es: o easse ing hei own his o y, o ecap u ing hei own iden i y.‟”
142
A aliança com os países socialis as e a es ei a e o con ibu o em meios écnicos,
humanos, e em apoio pa a a o mação nos seus países oi signi ica i o. O discu so em
elação ao sis ema socialis a e a bas an e mais cla o do que no caso dos nacionalis as
a gelinos: “Como oda a gen e sabe os países socialis as êm uma cla a posição
an icolonialis a e an i-impe ialis a. Tal não acon ece po acaso. Os pa idos polí icos que
di igi am a conquis a do pode pelo po o nos países que hoje são socialis as e am
pa idos comunis as, cuja ideologia consis ia na de esa in ansigen e dos in e esses das
massas explo adas Ŕ ope á ios, camponeses e ou os abalhado es explo ados Ŕ e que
p econiza am a lu a polí ica, a a és da o ganização dessas massas explo adas, pa a
acaba de ini i amen e com a sociedade capi alis a e, em consequência, com a
explo ação do homem pelo homem.”
143
Mas a polí ica de não-alinhamen o e a
conside ada undamen al pa a ala ga ao máximo uma base de apoio in e nacional que
141
DAVIDSON, Basil, The Libe a ion o Guiné, aspec s o an A ican Re olu ion, p.78
142
Idem, pp. 88-89
143
s.a., Manual Polí ico, pp. 65-66. “O impe ialismo é uma consequência do desen ol imen o do sis ema
capi alis a mundial. Os pa idos comunis as, que lu am con a a explo ação capi alis a, lu am ambém, po isso, con a
o impe ialismo. Po essa azão, os países socialis as apoiam a lu a dos po os con a a explo ação colonial e con a o
impe ialismo. Segundo Engels, um dos undado es do socialismo cien í ico (comunismo), «um po o que op ime
ou o po o, não pode á se li e.»”
54
con ibuísse pa a a conquis a da independência: “É es a polí ica que é a mais
con enien e aos in e esses dos nossos po os na e apa ac ual da nossa his ó ia. Es amos
con encidos disso. Mas, pa a nós, não-alinhamen o não que dize ol a as cos as aos
p oblemas undamen ais da humanidade, à jus iça. Não-alinhamen o pa a nós é não se
comp ome e com blocos, não alinha mos pelas decisões dos ou os.”
144
A cons ução de uma ampla base de apoio passa a, em p imei o luga , pela
unidade a icana e pela solida iedade com ou as lu as an icoloniais no mundo. E é esse
comp omisso que explica a c iação da CONCP, que de e o ien a a sua in e enção de
uma o ma ab angen e e sublinha o seu ca iz an i-impe ialis a. “De emos es a
conscien es, nós, os mo imen os de libe ação nacional in eg ados na C.O.N.C.P., que a
nossa lu a a mada não é senão um aspec o da lu a ge al dos po os op imidos con a o
impe ialismo, da lu a do homem pela sua dignidade, pela libe dade e p og esso. É nes e
quad o que de emos se capazes de in eg a a nossa lu a. De emo-nos conside a como
soldados, mui as ezes anónimos, mas soldados da humanidade nes a as a en e de
lu a que é a Á ica dos nossos dias. Nós, os da C.O.N.C.P., ba emo-nos em Á ica
po que a Á ica é a nossa pá ia, mas es a emos p on os, odos nós, a i seja onde o
pa a nos ba e mos pela dignidade do homem, pelo p og esso do homem, pela elicidade
do homem.”
145
A escolha pela lu a a mada ai em g ande medida depende dessa ede de
solida iedade in e nacional, e a decisão só se á omada quando se conside am esgo adas
as en a i as de acção legal dos g upos nacionalis as, que choca am semp e com a
ba ei a le an ada pelas au o idades colonialis as po uguesas. É só após o massac e dos
ma inhei os do cais de Pidjigui i que exigiam di ei os labo ais, a 3 de Agos o de 1959,
que o pa ido decla a á a lu a a mada como única ia possí el pa a a independência. Os
acon ecimen os con encem Amílca Cab al da impossibilidade de, à semelhança do que
acon ece a em colónias ancesas e inglesas, desen ol e uma con es ação baseada em
mé odos pací icos. Num encon o de quad os, em Bissau, a 19 de Se emb o 1959,
decide-se a mudança de es a égia do pa ido. A necessidade de da início à iolência
a mada ob iga a a que se o ganizasse as es u u as do pa ido o a dos cen os u banos.
Apela-se a que odos os mili an es p ocedam à sua e i ada de Bissau, e que se
dediquem à p epa ação da gue ilha.
144
s.a., Manual Polí ico, p. 96 (in e enção na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965)
145
Idem, p. 94 (in e enção na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965)
55
Numa acção de o mação de quad os em 1965, Cab al ap esen a á a lu a a mada
como o p olongamen o da lu a polí ica, como úl imo ecu so: “O po o em a mas. Essa
de e se a ca ac e ís ica undamen al duma esis ência a mada, dum po o que lu a pela
sua libe dade. (…) Nunca é demais epe i mos que o objec i o undamen al da nossa
esis ência a mada é ealiza aquilo que não conseguimos só com polí ica.”
146
A mobilização e á que se ei a ambém jun o de ou os g upos nacionalis as,
com os quais se en a á c ia en es comuns. O pa ido jun a-se, assim, com o g upo
lide ado pelo guineense Ra ael Ba bosa, ao qual se chamou F en e de Libe ação da
Guiné e Cabo Ve de. Em 1961, Cab al con oca á ainda uma eunião com ou os g upos
nacionalis as, en e os quais a ambém chamada FLGC de Hen i Labé y e ou os menos
impo an es, como a União Democ á ica de Cabo Ve de (UDC) e a União dos Po os da
Guiné (UPG), onde assinam os es a u os da F en e Unida de Libe ação (FUL), que
se ia uma es u u a polí ica abe a a odas as o ganizações sindicais e de massas da
Guiné e Cabo Ve de.
147
A espinha do sal do PAIGC se á, en ão, o mada po um g upo di igen e
compos o po cabo- e dianos, en e os uncioná ios coloniais ec u ados po Amílca
Cab al e os jo ens quad os indos de Lisboa e ou os pon os da Eu opa, um g upo de
guineenses jo ens camponeses, em g ande pa e anal abe os, e um g upo compos o po
jo ens de Bissau, com pouca escola idade.
Mas não podemos des alo iza o peso e a e icácia da acção diplomá ica le ada a
cabo po Amílca Cab al du an e os anos da gue a colonial, que se iam ambém os
úl imos anos da sua ida. O seu empo e a passado en e Conac i e as múl iplas iagens
onde dinamiza a con e ências de imp ensa, da a en e is as sob e a si uação da Guiné e
ealiza a euniões pa a mo i a o apoio de ou os países e ins i uições.
Em Janei o de 1960, Cab al pa icipa na Con e ência dos Po os A icanos em
Tunis, e em Fe e ei o desloca-se a Lond es onde edigi á o pan le o The Fac s abou
Po ugal‟s A ican Colonies, com o pseudónimo de Abel Djassi, p e aciado po Basil
Da idson, que conhece po ocasião des a iagem.
Em Junho de 1962, Cab al ep esen a pela p imei a ez o PAIGC pe an e a
ONU, a a és de um documen o in i ulado «O po o da Guiné pe an e as Nações
Unidas».
146
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência a mada, pp. 16, 23.
147
TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p.131
56
Em Janei o de 1966, se á em Ha ana, no deco e da T icon inen al Ŕ
O ganização de Solida iedade dos Po os da Ásia, Á ica e Amé ica La ina, que a á a
in e enção conside ada como uma con ibuição eó ica o iginal no plano his o ico-
ilosó ico, desen ol endo a análise da ma cha da lu a dos mo imen os de libe ação
nacional. “Se é e dade que uma e olução pode alha mesmo alimen ada po eo ias
pe ei amen e concebidas, ainda ninguém ealizou uma e olução i o iosa sem eo ia
e olucioná ia. Os que a i mam Ŕ e com azão Ŕ que a o ça mo o a da his ó ia é a lu a
de classes es a iam ce amen e de aco do pa a e e es a a i mação, a im de a p ecisa e
de lhe da um campo de aplicação ainda mais as o, se conhecessem mais
p o undamen e as ca ac e ís icas essenciais de ce os po os colonizados, que dize
dominados pelo impe ialismo.”
148
Em Fe e ei o de 1972, desloca-se a Addis Abeba pa a p es a depoimen o
pe an e a 163.ª Sessão do Conselho de Segu ança. No inal da sua in e enção, Cab al
con ida o o ganismo a en ia uma comissão ao in e io da Guiné pa a con i ma a
exis ência das zonas já libe adas pelo PAIGC. A isi a e á luga de 18 de Ma ço a 9 de
Ab il de 1972. Po azões de segu ança, os obse ado es são o çados a ica mais
empo no e eno, o que cons i ui á uma impo an e i ó ia polí ica.
Es e es o ço diplomá ico se á, des a o ma, acompanhado da c iação de uma
o ganização económica e polí ica nas zonas libe adas. Toda a o ien ação económica do
148
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, pp. 35-39 “Com e ei o, na e olução ge al da
humanidade e de cada um dos po os que a compõem, as classes não apa ecem nem como enómeno
gene alizado e simul âneo na o alidade des es g upos, nem como um odo acabado, pe ei o, uni o me e
espon âneo. A de inição de classes, no seio de um ou á ios g upos humanos, é uma consequência
undamen al do desen ol imen o p og essi o das o ças p odu i as e das ca ac e ís icas da dis ibuição
das iquezas p oduzidas po es e g upo ou con iscadas a ou os g upos. (…) Tudo is o pe mi e le an a a
seguin e ques ão: se á que a his ó ia só começa a pa i do momen o em que se desen ol e o enómeno
«classe» e po consequência a lu a de classes? Responde a i ma i amen e se ia si ua o a da his ó ia
odo o pe íodo de ida dos g upos humanos que ai da descobe a da caça, e pos e io men e da
ag icul u a nómada e seden á ia, a é à c iação dos ebanhos e à ap op iação p i ada da e a. Se ia en ão
ambém Ŕ o que nos ecusamos a acei a Ŕ conside a que mui os g upos humanos da Á ica, da Ásia e da
Amé ica La ina, i iam sem his ó ia, no momen o em que o am subme idos ao jugo do impe ialismo.
(…) Admi imos sem cus o que es e ac o da his ó ia de cada g upo humano é o modo de p odução Ŕ o
ní el das o ças p odu i as e o egime de p op iedade Ŕ que ca ac e iza esse ag upamen o. Mas ainda,
como se iu, a de inição de classe e a lu a de classes são elas p óp ias o e ei o do desen ol imen o das
o ças p odu i as conjugadas com o egime de p op iedade dos meios de p odução. Pa ece-nos pois
co ec o conclui que o ní el das o ças p odu i as, elemen o de e minan e essencial do con eúdo e da
ó mula da lu a de classes, é a e dadei a e pe manen e o ça mo o a da his ó ia. Se acei a mos es a
conclusão, des azem-se as dú idas que pe u ba am o nosso espí i o. Po que, se de um lado e i icamos
que es á ga an ida a exis ência da his ó ia an es da lu a de classes e e i amos assim eduzi alguns g upos
humanos dos nossos países Ŕ e al ez do nosso con inen e Ŕ à is e condição de po o sem his ó ia; po
ou o lado, pomos a cla o a con inuidade da his ó ia, mesmo após o desapa ecimen o da lu a de classes ou
das p óp ias classes. (…) A e e nidade não é des e mundo, mas o homem sob e i e á às classes e
con inua á a p oduzi e a aze a his ó ia, já que não se pode libe a do a do das suas necessidades, das
suas mãos e do seu cé eb o, que es ão na base do desen ol imen o das o ças p odu i as.”
63
semp e ha ia um esponsá el des acado no e eno.
158
Mas, em e mos de discu so, a
a i mação pelo apoio às lu as dos po os op imidos das colónias con inua a cla a.
Mau ice Tho ez di á no 7º Cong esso do PCF: “Chaque coup po é con e la
bou geoisie ançaise pa nos è es indochinois ou algé iens es une aide di ec e à no e
mou emen . En e ou , chaque coup po é pa nous à no e bou geoisie en o ce la lu e
des colonisés. Les p olé ai es de la mé opole e les peuples opp imés des colonies
doi en s‟appuye mu uellemen dans leu s lu es con e l‟ennemi commun, c‟es leu
in é ê à ous. Il es nécessai e de p oclame ici, une ois de plus, que nous, communis es
de F ance, en endons lu e de ou es nos o ces pou la libé a ion des peuples opp imés
pa l‟impé ialisme ançais.”
159
And é Fe a , que e a esponsá el pela secção colonial, ao mesmo empo que
edac o -che e do Humani é, é en iado pa a a A gélia em 1934, deixando as a e as no
jo nal. Fe a es á conscien e da necessidade de „a abização‟ do pa ido. Con on a-se
com uma si uação em que os comunis as a gelinos es a am iplamen e isolados: da
comunidade pied-noi ; da comunidade muçulmana; do mo imen o comunis a
ancês.
160
Se á com a “mission Ba hel”, de Se emb o de 1935 a Janei o de 1937, e mesmo
que es a seja e lexo do ca ác e con uso da polí ica do PCF pa a as colónias, que o
comunismo começa á a ende pa a um enómeno de massas na A gélia. A decisão é,
po ém, omada pelo Bu eau Polí ico e pelo delegado do Komin e n e não pela secção
colonial, signi icando uma al e ação epen ina da es a égia pa a a A gélia. Ba hel é
en iado não pa a e o ça a lu a an icolonial mas pa a lança a lu a an i ascis a,
seguindo a al e ação de p io idades a ní el do Komin e n. No en an o, a passagem da
a e a oi ei a po Fe a que, não es ando a pa da o ien ação pa a a lu a an i ascis a, o
p epa a pa a a lu a an icolonial. “Quoi qu‟il en soi , ce ensemble de ci cons ances ès
spéci iques, de malen endus, e de manque de communica ion, p oduisi des ésul a s
ema quables.”
161
Ba hel op a po uma solução de comp omisso: desen ol e uma
ac i idade an i ascis a en e a comunidade eu opeia e uma ac i idade an icolonialis a
en e a comunidade muçulmana. Conside a a que ascismo e colonialismo e am duas
aces da mesma moeda pelo que as linhas de acção de e iam se desen ol idas em
158
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 73
159
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, p. 323
160
Idem, p. 327
161
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.85

64
simul âneo. Es a polí ica aduz-se num aumen o exponencial do núme o de mili an es,
com a i agem do La lu e sociale a iplica .
Dá-se igualmen e o aumen o do núme o de mili an es muçulmanos, ainda que os
quad os sejam esul ado de anos an e io es, e a pa idade nos o ganismos de di ecção é
inalmen e obse ada. Ba hel e i a o pa ido do isolamen o em elação à comunidade
muçulmana, ealidade que em como apogeu a pa icipação em 1936 no Cong ès
musulman. O Cong esso dá-se num con ex o de p es ígio do PCF enquan o memb o do
F on Populai e, endo sido suspensa a p oibição de associação e eunião de
muçulmanos. Dá-se uma selecção igo osa e uma o mação di eccionada dos quad os
muçulmanos pa a uma sensibilidade em elação a p oblemas especí icos da comunidade
muçulmana. Os mé odos de p opaganda são desen ol idos con o me às adições
cul u ais indígenas, com a p opaganda bilingue e a p opaganda o al, e os con eúdos
passam a e e i -se à his ó ia muçulmana da A gélia.
162
Ba hel se ia acusado pelas suas posições que incen i a am à e ol a dos
indígenas, o que le a ao aumen o do apoio po pa e da opinião muçulmana
nacionalis a. Es e i á a con ence a di ecção do PCF das an agens do seu plano de
au onomização da secção. É assim que em Ou ub o de 1936 su ge o Pa ido Comunis a
A gelino.
Es e p ocesso não se az sem di iculdades e con adições. O PCF, con on ado
com a ascensão do ascismo na Eu opa, em b e e e á a lu a an i ascis a como
p io idade absolu a em o al de imen o do an icolonialismo. Ba hel passa á os úl imos
meses da sua a e a na A gélia a ec u a olun á ios pa a as B igadas in e nacionais em
Espanha. “Il é ai é iden que le PCA p é é ai des pallia i s à cou e me à des
e o mes s uc u elles. Il l‟a ouai clai emen quand il a i mai (en éponse aux
na ionalis es de Messali Hadj) que des “mo s d‟o d e op a ancées”, el le “pa lemen
algé ien” de aien ê e abandonnées pa ce qui “i éalis es”.”
163
PCF e PCA ão
abandona a sua posição pelo „pa lamen o a gelino‟ e apoia as ei indicações pelo
su ágio uni e sal dos muçulmanos pa a o pa lamen o ancês. Começam en ão os
con li os com a ENA po causa da al e ação das suas posições.
No 9º Cong esso do PCF em Dezemb o de 1937 ap esen am-se cla as e
igo osas as posições ela i amen e às colónias. Es e con inua a de ende a
independência mas o momen o é de união con a os a anços do ascismo, cuja i ó ia
162
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 87-88
163
Idem, p.95
65
le a ia ao e o ço da esc a idão dos po os coloniais. As o mações nacionalis as são
acusadas de se em o „aliado objec i o‟ do ascismo e o e mo „nacionalis a‟ o na-se
pejo a i o no meio comunis a, como ha ia sido no início dos anos 20. “I onie de
l‟his oi e ; lo sque l‟idée d‟un PC algé ien a ai é é conçue, c‟é ai à la ois comme un
signe p écu seu e comme un ca alyseu de la décolonisa ion. E , pou comble, l‟idée
p i co ps quand ce e même aison eu cessé d‟exis e .”
164
A impaciência dos muçulmanos em elação à al a de e o mas do go e no
Blum-Viole e le a o PCA a aze a isos quan o à p obabilidade de es es se a as a em
do F on Populai e e se ap oxima em do ascismo. Nos meses seguin es, a pa icipação
do PCF no F on Populai e e a sua incapacidade de o ça a adopção de e o mas i á
pô em causa as alianças com os Oulémas e a pe manência no Cong ès Musulman.
Nas eleições 1938 e 1939, o PCA é ul apassado pelos messalis as. Os seus
mili an es ão ambém começa a diminui . Em 1939 dá-se uma en a i a de ecoloca a
ques ão do nacionalismo a gelino. Em Fe e ei o de 1939 ealiza-se uma impo an e
isi a de Mau ice Tho ez, sec e á io-ge al do PCF, à A gélia. Es e a i ma en ão que a
alegada incapacidade de os a gelinos conquis a em a sua p óp ia emancipação é isí el.
Repudia a assimilação e a noção de supe io idade eu opeia. Mas o PPA du ida da
since idade do di igen e ancês. Em p imei o luga po que Tho ez de inia o
nacionalismo “c uzado” de uma sé ie de comunidades/nações e não exclusi amen e da
iden idade á abe-muçulmana; e em segundo luga po que de endia a ideia de “nação
a gelina em o mação”, que pe mi i ia essa simbiose en e comunidades, mas ambém a
ideia de um p ocesso ainda não e minado e que se ia condição sine qua non pa a a
emancipação.
165
No seu discu so ci a Lénine quando se e e e à ác ica a adop a pa a
com as colónias: “Rappelan une o mule de Lénine, nous a ons déjà di aux cama ades
unisiens, qui nous on app ou és, que le d oi au di o ce ne signi iai pas l‟obliga ion
de di o ce . Si la ques ion décisi e du momen c‟es la lu e ic o ieuse con e le
ascisme, l‟in é ê des peuples coloniaux es dans leu union a ec le peuple de F ance e
non dans une a i ude qui pou ai a o ise les en ep ises du ascisme e place pa
exemple l‟Algé ie, la Tunisie e le Ma oc, sous le joug de Mussolini ou de Hi le , ou
ai e de l‟Indochine une base d‟opé a ion pou le Japon mili a is e…”
166
Ou seja, os
eu opeus da A gélia não inham nada a eme des e deslocamen o do discu so do PCA
164
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 102
165
Idem, pp.11-14
166
CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 348
66
pa a a de esa da nação, que não pode ia deixa de se uma cons ução de u u o que
incluísse odas as populações exis en es no e i ó io.
O PCA so eu du amen e du an e a II Gue a Mundial, mas o e dadei o
impasse é u o de um con li o en e duas es a égias: “Celle qui p i ilégie la dé ense de
la démoc a ie e se e use à pose le èglemen du p oblème colonial comme pou an
e aye ou ai e le jeu de la d oi e ; e celle qui, po ée pa les na ionalis es algé iens e
les é olu ionnai es ançais, es ime qu‟il au p end e le ascisme de i esse en u ilisan
au maximum la olon é des masses ( e endica ions sociales en F ance e èglemen de
la ques ion na ionale en Algé ie).”
167
Ac escen a-se o ac o de o pa ido, du an e a gue a, não e uma o ganização
clandes ina capaz, não se consegui au onomiza do PCF e e os seus p incipais
quad os e di igen es p esos em 1940. Te á a ajuda de um b aço bem enquad ado do
Pa ido Comunis a Espanhol que es a a exilado na A gélia depois da gue a ci il. Nesse
ano o seu Bu eau Polí ico em qua o es angei os ( ês espanhois e um alemão), mas
se á desmon ado pouco depois po Vichy. Em 1941 é ecompos o, mais uma ez com
ajuda do PCE. Com in asão da União So ié ica pelos nazis nesse ano, o PCF eo ien a a
sua acção e ol a a e a A gélia como p io idade, mas ainda a a és da acção an i-nazi.
A gel o na-se capi al da F ança li e, e o PCF i á domina o almen e os o ganismos do
PCA po conside a a o ganização en aquecida e com um baixo ní el polí ico. A
delegação do PCF na A gélia inha como missão “p epa a o PCA pa a caminha
sozinho”, omando medidas como a p esença de um delegado ancês nas euniões do
Bu eau polí ico do PCA, e a eleição de delegados anceses pa a o Comi é Cen al do
mesmo. Es a linha e o ecuo indiscu í el que ela ep esen a podem se explicadas po
di e sos ac o es, nomeadamen e o con ex o da gue a, o p es ígio c escen e do PCF no
pós-gue a e o econhecimen o pela ajuda concedida no pe íodo de g a e incapacidade
da o ganização.
168
Es a no a ealidade de o ganização e á impac o na linha polí ica, pelo que a
ei indicação de independência i á se abandonada nos úl imos anos da gue a em p ol
da exigência de igualdade de di ei os. Com o ap o unda des a con adição i á c esce ,
pa alelamen e, o nacionalismo á abe. O PCA não e á em con a es a no a dinâmica e
con inua á p eocupado com a igualdade en e eu opeus e muçulmanos e com a gue a
na Eu opa.
167
STORA, Benjamin, Le na ionalisme algé ien a an 1954, p.16
168
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, pp. 120-123
67
Em 1944 ol a a ea alia -se a ques ão a gelina. Apesa de eg essa em e mos
como „nação a gelina‟, o PCF no go e no que ia, pelo con á io, adia essa discussão,
pa a não a as a o apoio da esque da mode ada. A i mam que não exis em condições
objec i as pa a o „di ó cio‟ e que es as só podem se alcançadas com a i ó ia do
socialismo na me ópole, man endo uma isão eu ocên ica da e olução.
Os acon ecimen os de Maio de 1945, com o PPA como p incipal mobilizado ,
con i mam a „ ese de complo ‟ do PCA. Cen enas de eu opeus e milha es de
muçulmanos mo em em con li os com a polícia quando um g upo de muçulmanos
p e ende u iliza mani es ações o iciais p e is as pa a es a do abalho e da i ó ia pa a
a i ma o sen imen o nacional a gelino. A descon iança aumen a em elação aos
nacionalis as que são acusados de „agen es hi le ianos‟ p e endendo di idi a lu a na
A gélia po ques ões de aça.
169
É di ícil de comp eende em que medida se a a a de uma posição em linha
com a chegada do PCF ao go e no ou apenas uma eacção ins in i a dos pied-noi s. A
p imei a hipó ese pode jus i ica a acção dos di igen es, a segunda, sob e udo, a dos
mili an es de base. São p o a elmen e ac o es complemen a es.
Alguns comunis as a ão pa e de milícias nes e clima de „gue a-ci il‟, g upos
que se ão esponsá eis pela mo e de cen enas de muçulmanos. Os mili an es
en ol idos se ão expulsos mas o clima iolen o con a os nacionalis as muçulmanos
subsis e. Mesmo que o PCA se man enha, em ge al, a as ado des as concepções,
con inua a de ende uma união dos eu opeus e muçulmanos pa a unda uma „no a
F ança‟. Es a na a i a con ibui á pa a que o an icomunismo se ins ale na ideologia
dos nacionalis as.
Só no e ão de 1945 é que o PCA i á modi ica a sua análise. Conside ando que
exis em agen es p o ocado es en e os nacionalis as, a maio pa e se iam nacionalis as
since os e e a necessá io dissipa a ensão acial. Es e con inua a, no en an o, a não
ala de independência, mas de igualdade de di ei os. A impe meabilidade do PCA à
e olução da comunidade muçulmana e a es agnação da polí ica colonial do PCF é
no á el. Nenhum es o ço é ei o pa a inculca nos eu opeus uma a i ude mais
comp eensi a pa a com os muçulmanos. O PCF i á mesmo e i a das suas p opos as a
c iação de uma única assembleia com ep esen an es de oda a sociedade a gelina. Dá-
se, des a o ma, a p og essi a alienação dos muçulmanos pa a a zona de in luência dos
169
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.145
68
nacionalis as. “Au momen où l‟a an -ga de de la popula ion musulmane in oquai la
ci oyenne é e la pa ie algé iennes, le PCA s‟en enai au ieux p oje Blum-Violle e e
aux é o mes éclamées pa les élus e le Cong ès a an 1939.”
170
O ela i o sucesso
elei o al do PCA apenas se explica pelo ac o de os nacionalis as não conco e em às
eleições. Os o os comunis as ep esen am apenas um décimo dos elei o es insc i os e
as mo i ações dos muçulmanos são du idosas: mui os o am no PCA pa a o a con a
a adminis ação ancesa.
Com a de o a elei o al de 2 de Junho de 1946, a au o-c í ica se á exaus i a. Da
eunião sai um apelo com o nome de “F on na ional démoc a ique algé ien”. Dá-se
en ão o e o no à polí ica an icolonial de an es de 1936. Após uma década de
iden i icação de ac o e de in eg ação na sociedade colonial, o pa ido ol a a à sua
posição inicial, o de se assumi como uma con a-sociedade des inada a cons ui um
sis ema de alo es diame almen e opos o ao do sis ema impe ial.
171
Assim, o PCA
passa a ao campo nacionalis a, econhecendo o mo imen o nacionalis a como ac o de
p og esso. O pa ido coloca á em e idência a componen e á abe-muçulmana da
iden idade nacional, não sem di iculdades em passa es a no a posição aos mili an es e
a é aos di igen es.
A pa i de 1946 e da al e ação da linha polí ica, o PCA i á so e uma mu ação
em e mos de dinâmica e de quad os. Aumen a conside a elmen e o núme o de
muçulmanos, nomeadamen e na di ecção. Ve i ica-se ambém um eju enescimen o dos
quad os, sob e udo g aças ao abalho da Ju en ude Comunis a A gelina. No en an o, os
quad os do PCA não se dis inguiam signi ica i amen e dos quad os do PPA, ealidade
comp o ada pela eap oximação dos dois mo imen os nas camadas jo ens
muçulmanas, já que exis iam memb os das mesmas amílias em ambos. Mui os saí am
do PPA pa a o PCA nes e pe íodo po es e combina nacionalismo com ans o mação
social, po que a consciência nacional es a a c is alizada an es de se ap oxima em do
ma xismo.
172
Nas éspe as da e olução os muçulmanos e am me ade dos mili an es e o PCA
a i ma a-se como a segunda o ça polí ica na comunidade muçulmana. Es a
ans o mação é isí el nas ei indicações mas ambém no domínio da p opaganda,
nomeadamen e o al: dá-se um aumen o da u ilização do á abe em á ias inicia i as do
170
KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, p. 660
171
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.157
172
Idem, pp. 162-166

69
pa ido; a aplicação da o ma bilingue; a acção no meio das populações e não nos locais
do pa ido (mee ing olan ); edi a-se uma e is a mensal em á abe Al-Jaza al-Jadida,
com aduções do Libe é mas ambém com a igos o iginais em á abe e assun os que
in e essam sob e udo a muçulmanos.
173
Dão-se ans o mações ambém a ní el p og amá ico, nomeadamen e com
posições e p á icas mais adicais, num con ex o de desen ol imen o da si uação polí ica
nas á ias colónias, e a ní el his o iog á ico e cul u al, com a cons ução da iden idade
á abe/a gelina. Os he óis anceses são subs i uídos po á abes e be be es. A pa i dos
anos 50, com o ap o unda da gue a- ia, a União So ié ica começa a oma posições,
com o objec i o de en aquece o campo ociden al no que oca ao acesso a ma é ias-
p imas e bases mili a es. No 5º Cong esso do PCA é de e minan e a a i mação de
posições pela independência, ao mesmo empo que se ope a uma maio au onomia em
elação ao PCF.
174
Assis e-se a uma eap oximação aos mo imen os nacionalis as como o PPA, que
econhecem o abalho do PCA, sob e udo na consciencialização dos eu opeus pa a a
au ode e minação dos a gelinos. Apesa disso, con inuam a descon ia do ca ác e
nacionalis a do PCA e desp ezam a al a de cen alidade do Islão na sua dou ina.
Acima de udo, o PCA, mesmo que a abizado, con inua a a se i a dou ina es angei a
e con inua a a não se um pa ido muçulmano. Os nacionalis as ecusa am a ideia da
exis ência de „dois campos‟, conside ando-se an es uma „ e cei a o ça‟. Rejei a am a
dou ina leninis a sob e a aliança impe a i a en e colonizados e e olucioná ios
eu opeus.
O maio pa adoxo é que, quando os comunis as e os nacionalis as se
ap oxima am, mais cla as se o na am as suas di e gências. A ques ão undamen al e a
a independência e os nacionalis as não podiam acei a a ideia de nação em o mação. Na
na a i a dos nacionalis as, a A gélia já se ia uma nação an es de 1830 e a conquis a
ancesa só inha ido e ei os nega i os. Já pa a os comunis as, a nação em cons ução
não se ia nem á abe nem ancesa, mas simplesmen e a gelina. A nação a gelina e ia 8
milhões de a gelinos á abe-be be es e 1 milhão de a gelinos eu opeus. As con adições
do PCA ão o na -se incon o ná eis com o começo da gue a e o pa ido se á uma das
p imei as í imas da adicalização.
173
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, pp.173-174
174
Idem, p. 179
70
Ou o elemen o se á a c escen e ensão no deco e dos ês anos an e io es en e
mili an es eu opeus e á abes, no seio do p óp io pa ido. Em p imei o luga exis e um
p oblema de comunicação: os no os mili an es ile ados só alam á abe e nunca o a
ei o um in es imen o pa a que os eu opeus ap endessem a língua. Pe sis e o acismo
dos comunis as eu opeus: uma a i ude secula is a e pa e nalis a pa a com a consciência
islâmica dos cama adas á abes e uma esis ência a que es es pe encessem aos
o ganismos de di ecção po os conside a em cul u almen e e óg ados. O clima de
ensão é ag a ado pela angús ia dos pied-noi s de ido à ince eza do seu u u o. Sendo
que os mili an es eu opeus não es a am imunes a es a inquie ude.
O PCA ica cada ez mais isolado nas comunidades eu opeias. Acusados de
an i-pa io as e de semea em o ódio e a di isão, ap o unda-se o abismo en e mili an es
eu opeus e á abes. Os eu opeus ade iam po sen imen o pa ió ico e pelas ei indicações
socio-económicas. Já os á abes ade iam con a a adminis ação e po aspi ações
nacionalis as. O pa ido es a a cada ez mais di idido em di ecções diame almen e
opos as. De ce a o ma, a o ganização do PCA espelha a as con adições da sociedade
colonial, com o desen ol e de um duplo discu so pa a com os mili an es eu opeus e
muçulmanos, em que o a se ei indica a a independência o a a au onomia.
175
A 1 de No emb o de 1954 é decla ada a insu eição e o PCA é apanhado
comple amen e desp e enido. Como aquando dos acon ecimen os de 1945, o PCA
chama-lhe uma „p o ocação colonialis a‟ com is a a jus i ica a ep essão dos
nacionalis as. A posição do PCA pa a com a insu eição pode se is a como neu alis a
ou equí oca. C i ica am as acções do FLN, o ganização que ei indica o início da lu a
a mada, como inadequadas já que e am is as como a en ados indi iduais, e elando
al a de con iança na acção de massas. Mas a ambiguidade e p udência na omada de
posição do PCA só a as a á mais mili an es. Mui os pied-noi s a as am-se do pa ido e
ão jun a -se a milícias ul a. Já os mili an es muçulmanos ão o ganiza -se em algumas
zonas pa a ajuda o FLN. O pa ido, na acção jun o das bases, deixa a abe as odas as
opções po di e gências sé ias na di ecção quan o à acção a segui .
176
Só quase um ano depois, em Junho 1955, uma eunião sec e a do CC oma a
decisão de se jun a à lu a nacional, de se jun a ao FLN.
177
Já não conside am a sua
acção como mani es ação de exp essões indi iduais e es ão con encidos de que é
175
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 211
176
Idem, p. 227
177
Idem, p. 233
71
u gen e pega em a mas pa a que, chegada a i ó ia, o pa ido não osse pos o de lado.
Es a omada de posição le a à pe da do es a u o legal. Em Janei o de 1956, são
en ol idos os p imei os comunis as no comba e a mado, ac o que é acompanhado pela
saída em massa dos mili an es eu opeus e uma consequen e uga de in o mação sob e a
ac i idade clandes ina do pa ido. Es e man e á alguns pied-noi s nas suas ilei as mas
com pouca con iança: a comunidade muçulmana opunha-se cada ez mais a qualque
o ganização e nicamen e mis a e oca a o pa ido pelo FLN. São c iados os „Maquis
ouges‟, uma au o-inicia i a de alguns comunis as mas com al a de p epa ação. Em
Julho de 1956, endo como in e locu o do FLN Ben Kheda, o PCA acei a dissol e os
seus g upos a mados e subme e -se às adesões indi iduais à ALN.
178
Ce ca de duzen os comunis as ade i am à ALN. Não podendo a i ma que o
FLN usou os mili an es comunis as sem piedade, a e dade é que as pe das comunis as
o am conside á eis. O PCA con inua a exis i au onomamen e em elação ao FLN mas
quase sem qualque ac i idade, eduzindo-se quase exclusi amen e à publicação do
jo nal clandes ino: „apa elho‟ e a o pa ido e a „base‟ e a inexis en e.
Regiões eu opeias onde a in luência comunis a e a mais acen uada o na am-se
ex emis as pela A gélia ancesa, nomeadamen e nas ilei as da OAS (O ganisa ion
A mée sec è e), a acando ex-cama adas nas ilei as do FLN. An igos mili an es
comunis as passam a mili a nos dois ex emos opos os. “La gue e o ça le pa i à
opé e ce choix décisi Ŕ qu‟il s‟é ai é e ué à é i e pendan de longues années Ŕ de se
allie à la cause an icolonialis e. La mu a ion in e in cependan op a d pou ê e
e ec i e (du poin de ue du mou emen na ional) ; elle se p oduisi op b usquemen ,
en des condi ions de pola isa ion ellemen ex êmes, qu‟elle se solda pa la
désin ég a ion du PCA.”
179
A gue a põe a nu as con adições do PCA e ambém o con li o com o PCF.
Es es ha iam subes imado a o ça do nacionalismo, concedido demasiada impo ância
ao papel dos eu opeus na no a nação, subes imado o acismo dos mili an es eu opeus e
sob e alo izado a possibilidade de uma e olução p ole á ia em F ança. O PCA ai
subme e -se o almen e à lide ança do FLN mesmo que o PCF só em 1958 se enha a
e e i a ela como o único ep esen an e álido do po o e das aspi ações a gelinas. Em
1960, Kh ushche ecebe uma delegação do GPRA e econhece o go e no. A ques ão
178
SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 237
179
Idem, p. 242
72
a gelina só é discu ida na ONU pela p imei a ez em 1956 e o PCF só admi i á a
independência o al em 1957.
“Une des g andes causes de ce e ailli e (pa ielle) des pa is communis es des
pays a abes es ce ainemen la subo dina ion implacable de la lu e menée dans ces
pays à la s a égie mondiale du communisme. (…) La concep ion de la ma che e s le
socialisme comme un comba di igé pa un É a -majo unique sui an une s a égie
mondiale globale impliquai assu émen l‟exis ence de sec eu s sac i iés
momen anémen . (…) Quoi qu‟il en soi , les pa is communis es on cédé dans
beaucoup de égions, on l‟a u, la place à d‟au es o ma ions dans la a eu des masses.
C‟es le cas en A ique du No d. Les idées de libé a ion na ionale e sociale on péné é
assez p o ondémen la socié é, en g and pa ie g âce aux communis es, pou que
d‟au es le ep ennen quand eux-mêmes pa aissen y ê e in idèles.”
180
o O PCP
C iado em 1921, não de uma cisão do Pa ido Socialis a mas do seio do
mo imen o ana co-sindicalis a, o PCP não a ibui á o mesmo peso à ques ão colonial,
po á ias azões. Desde logo, po que em 1926 é ob igado a passa à clandes inidade
de ido ao golpe mili a que ab i á po as à ins au ação de uma di adu a ascis a em
Po ugal. Es e ac o ai dis ingui signi ica i amen e o que pode ia se um discu so
u o de uma discussão num ambien e ca ac e izado po uma maio democ acia polí ica.
Po ou o lado, esse mesmo egime ascis a i á condiciona o desen ol imen o polí ico e
económico nos e i ó ios coloniais, como e emos mais à en e.
Não exis iu, ao con á io do caso ancês, a c iação de células do pa ido em
e i ó ios coloniais nem, po conseguin e, a con e são des es o ganismos num pa ido
au ónomo. Is o não signi ica que não i esse exis ido con ac o en e comunis as
po ugueses que i iam nas colónias e mili an es nacionalis as, ou, po ou o lado,
con ac o en e mili an es nacionalis as e o Pa ido Comunis a na me ópole.
De qualque modo, emos á ios elemen os que nos pe mi em analisa a
e olução da na a i a do PCP ela i amen e à ques ão colonial. Em Comunismo e
Nacionalismo em Po ugal, José Ne es ap esen a as con inuidades e a ensão
pe manen e en e dois discu sos, ambos indiscu i elmen e an i-impe ialis as, um
180
RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, pp. 515, 517,523
79
egime salaza is a não em senão ag a ado nos úl imos 30 anos”, como di á Jaime Se a
em 1957.
201
Pa a José Ne es, a a-se de um pe cu so que culmina na a i mação de um
mo imen o an i-impe ialis a das nações: “Po mais pa adoxal que possa pa ece , há uma
endência de nacionalização do an i-impe ialismo, que se p olonga do colonialismo
p og essis a, de endido pelo PCP eo ganizado no início dos anos 40, a é à de esa da
au ode e minação nacional assumida po Jaime Se a no cong esso do PCP de 1957.”
202
O p ole a iado mundial não desapa ece do papel cen al, nem é pos o em causa o
ca ác e imp escindí el da lu a de classes, mas é, segundo José Ne es, eme ido a
es a u o de on e de ene gia da nação.
Mas a é que pon o não podemos undamen a o con á io? Enquan o
his o iado es, não podemos igno a a o ma como o PCP, enquan o objec o de es udo,
se ep esen a, como elabo a poli icamen e as ideias que de ende, e jus amen e a
dis inção que az em elação aos concei os de nacionalismo e pa io ismo. A di e ença
es abelecida é ope a i a já que p e ende des aca elemen os que não econhece no
concei o de nacionalismo ou ecusa a dimensão chau inis a que o PCP a ibui à noção
de „nacionalis a‟. Em suma, po pa io ismo en ende um enómeno que não opõe uma
pá ia a ou a, mas que opõe um po o (que conside a se os abalhado es de cada
país
203
) à única o ça incompa í el com os seus in e esses, o g ande capi al nacional e
in e nacional. É p ecisamen e es a aiz de classe que al a, na óp ica dos comunis as, ao
concei o de nacionalismo.
Pa a o PCP, a de inição da sua iden idade passa ia, não pela de esa de uma
nação, como objec i o cen al, mas pela acção no espaço „nacional‟ como o ma de
po encia a lu a de classes, a de esa dos di ei os dos abalhado es e a lu a pela sua
emancipação que, sendo ansnacional po na u eza, se p ocessa em quad os cul u ais e
ju idico-polí icos nacionais, ac escen ando-se a es e aspec o ins umen al a alo ização
das o ças de iden i icação posi i as da comunidade enquan o „pá ia‟. Posi i o no
201
João Madei a, no seu a igo “O PCP e a Ques ão Colonial - dos ins da gue a ao V Cong esso (1943-
1957)” in Es udos sob e o século XX, ol 3, p. 219, e idencia que logo no III Cong esso do PCP, em
1943, o pa ido decla a que e a essencial o comba e às mani es ações chau inis as que domina am a
sociedade po uguesa, comba e esse que passa a po ganha o p óp io pa ido pa a o in e esse pela
ques ão colonial, pa a a solida iedade com os po os coloniais e o ganização de células nas colónias que
pe mi issem comba e as incomp eensões e debilidades dos mili an es que aí i iam.
202
NEVES, José, Comunismo e nacionalismo em Po ugal: Polí ica, Cul u a e His ó ia no séc. XX p. 186
203
Ainda que não sejam absolu amen e coinciden es os concei os de abalhado es e de po o. Es e úl imo
pode ainda ab ange ou os g upos conside ados p odu i os, ou seja, aqueles que con ibuem pa a a
economia nacional.

80
sen ido daquilo que iden i ica e não daquilo que exclui. E es á jus amen e aqui um
p oblema. Essa ideia de pá ia, ainda que con a ie elemen os de chau inismo e de
exclusi ismo, nomeadamen e de ipo é nico ou anshis ó ico, em de se con on a com
con adições que necessa iamen e su gem, en e comunidades com his ó ia e cul u as
di e sas, ligadas po si uações longas e iolen as de dependência, onde os laços de
classe êm di iculdade em sob epo -se.
81
III/ Cul u a, eligião e esis ência.
“ L‟in e na ionalisme socialis e ne peu se dé eloppe si le mou emen ou ie ne econnaî
pas l‟égali é de d oi s de ou es les na ions. (…) La econnaissance des d oi s na ionaux es
une condi ion essen ielle de la solida i é in e na ionale dans la mesu e où elle pe me de
éso be les mé iances, les haines, e les peu s qui opposen les na ions e nou issen le
chau inisme. (…) La âche des in e na ionalis es es de éalise la usion de l‟hé i age
his o ique e cul u el du mou emen socialis e mondial a ec la cul u e e la adi ion de leu
peuple, dans sa dimension adicale e sub e si e Ŕ sou en dé o mée pa l‟idéologie
bou geoise, ou bien cachée e é ou ée pa la cul u e o icielle des classes dominan es.”
204
P ocu a emos ago a iden i ica e p oblema iza , numa pe spec i a compa a i a,
as ci cuns âncias cul u ais, é nicas e eligiosas em que se elabo am e desen ol em
al e na i as que se ei indicam como socialis as e p og essis as. Se os á ios
mo imen os an icoloniais pa ilha am uma ambição de independência e sobe ania
nacional ace a um op esso es angei o, o que dis ingue os á ios mo imen os na o ma
como a i mam a sua cul u a e a sua his ó ia? P e endemos analisa o peso das eligiões e
das e nias no discu so polí ico e a o ma como essas ealidades condiciona am ou
di e encia am os p ojec os p og essis as que se quise am cons ui . Po ou o lado,
in e ogamo-nos sob e em que medida essas iden idades cons i uem elemen os de uma
e ó ica necessá ia pa a consolida a união na lu a pela independência e sob e como
o am pensados os con li os en e essa unidade cul u al e a lu a de classes.
A cons ução de um po o
Nem semp e a consciência iden i á ia e e a impo ância que lhe econhece a
época con empo ânea. Pe ence a um de e minado po o podia não signi ica a
iden i icação com um co po sólido de adições cul u ais, his ó icas e é nicas. Mas
g adualmen e, e a a és de um p ocesso essencialmen e polí ico, a ideia de po o passou
a co esponde cada ez mais à ideia de nação. Mui os p oblemas o am icando po
esol e em elação à exis ência de nações com á ios po os e de po os sem nação, a é
aos nossos dias.
204
LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, pp.81-
84
82
Pa a Ka l Kau sky, a nação é essencialmen e o p odu o de uma língua comum;
pa a O o Baue , cada nação em um “ca ác e nacional” especí ico; pa a An on
Pannekoek, a ideia de nação é apenas um “ enómeno ideológico bu guês”; ou os
au o es enunciam ainda c i é ios geog á icos ou económicos.
205
No ensaio de Es aline de 1913
206
, aos c i é ios objec i os Ŕ língua comum,
e i ó io, ida económica Ŕ ac escen a -se-ia a ideia de uma “ o mação psíquica”, e só
na conjugação des as ca ac e ís icas se pode ia o ma uma nação.
207
O o Baue opõe-
se a es a concepção. Sem igno a os di e en es c i é ios objec i os, de ine a nação como
sendo um p odu o de um des ino his ó ico comum, “un mo ceaux d‟his oi e solidi ié”,
mas ambém “le p odui jamais ache é d‟un p ocessus con inu”.
208
Não de e se con undido (mesmo que possam elaciona -se), no en an o, o
sen imen o de iden idade nacional, de pe ença a uma cul u a, a uma comunidade e a um
passado his ó ico, com o nacionalismo ou os mo imen os que dele su gi am, de que
alámos na p imei a pa e des e abalho. O nacionalismo, pa a além des es elemen os, é
um mo imen o que passa pela escolha da nação como alo p imo dial do pon o de
is a polí ico e social.
209
Em que se aduz, en ão, a ideia de um po o? Que in luência e e pa a o
desen ol imen o de iden idades nacionais e pa a a exigência de au ode e minação a
p óp ia acção do colonialismo? No caso dos Es ados Á abes, o con li o e a pa en e en e
a ideia de emancipação nacional em cada con ex o de op essão especí ico e a ideia de
uma unidade á abe mais ampla, en endendo os Es ados como c iações a i iciais dos
pode es impe ialis as. “D i en by hei impe ial in e es s, hese powe s p oceeded o
ca e up wha essen ially was a na u al cul u al en i y wi h an inalienable igh o
poli ical so e eign y. An in ended consequence o his pe idious pa celing o he “A ab
na ion” was o keep he A abs poli ically ine ec ual and mili a ily eeble.”
210
A ideia de
205
LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion
ma xis e, p. 6
206
ESTALINE, J., “Le ma xisme e la ques ion na ionale” in P incipaux éc i s a an la é olu ion
d‟oc ob e. Des acamos a impo ância da edição a gelina dos anos 40 com o í ulo de Le ma xisme e la
ques ion na ionale e coloniale. Es a edição dá-nos pis as pa a o que se ia a discussão en e os g upos
socialis as nos países á abes.
207
JABER, Salah, “Le concep ma xis e de na ion (à pa i d'une dé ini ion de S aline)” in Cahie s de
o ma ion ma xis e)”, p. 18
208
LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion
ma xis e, p. 7
209
Ibidem
210
DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , p.3
83
unidade á abe e a en ão a ançada como p é-condição undamen al pa a se comba e o
impe ialismo.
Mas, se é e dade que exis em elemen os cul u ais e é nicos de alguma
impo ância, ac edi amos que a iden idade nacional eme ge ambém de uma na a i a, e
que é necessá io ques iona quando e em que condições es a su ge pa a comp eende
como o seu desen ol imen o e impac o êm que e com ac o es in elec uais,
ideológicos e polí icos. O his o iado Aziz Al-Azmeh, especialis a em Es udos
O ien ais, au o de A abic Though and Islamic Socie ies, a i ma que “(…) hough
na ions a e indeed imagined communi ies, hey a e no en i ely imagina y: sha ed
language, adi ions, e hnici y, high cul u e, and so o h, a e no su icien condi ions
o he eme gence o na ions o e en o a common na ionali y; al hough he exis ence
o some o hem is always necessa y: na ions a e c ea ed by na ional poli ical
o ganiza ion.”
211
No século XIX, um concei o de nação á abe que ambicionasse a sobe ania
polí ica e a independência e a ma ginal à maio pa e dos in elec uais muçulmanos
á abes. Pelo con á io, discu ia-se a necessidade de e o ça a Umma, como e dadei a
comunidade à qual odos os muçulmanos pe ence iam acima de qualque ou a. “(…)
e hnic na ionalism, including A ab na ionalism, in no way would be ad oca ed as an
au onomous ideological o mula ion; i would be ole a ed only when i was pu a he
se ice o a highe pu pose, namely, he b inging oge he o global Islamic
solida i y.”
212
Se á apenas após a I Gue a Mundial que a „nação á abe‟ eme gi á como um
concei o pe inen e e que o nacionalismo á abe oma á o ma como mo imen o polí ico.
Mas es e mo imen o inha en ão con o nos mais egionais do que á abes, no sen ido em
que se aduzia em o ganizações conc e as de comba e aos di e en es manda os
eu opeus na egião.
213
Pelos islamis as, o nacionalismo á abe con inua a a se is o
como uma impo ação ociden al alhada ou mesmo como uma he esia ociden al
concebida pa a di idi os muçulmanos e pa a os i a uns con a os ou os.
Sa i‟ al-Hus i, nascido em 1880 na Sí ia e eó ico do nacionalismo á abe, a i ma
em 1923: “Le pa io isme (al-wa aniyya) e le na ionalisme (al-qawmiyya) son les
p incipales endances sociales qui lien l‟ê e humain aux collec i i és e qui on qu‟on
211
Aziz Al-Azmeh, “Na ionalism and he A abs” in HOPWOOD, De ek (ed.), A ab Na ion, A ab
Na ionalism , p. 76
212
DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , pp.22-26
213
Idem, p.47
84
les aime (...). Il es é iden que le pa io isme es l‟amou de la pa ie (wa an), (…) e le
na ionalisme es l‟amou de la na ion (umma) (…). La pa ie Ŕ d‟où ien le ondemen
Ŕ es un mo ceau de e i oi e ; la na ion Ŕ au ond des choses Ŕ es une collec i i é
d‟ê es humains. (…) le pa io isme es le a achemen de l‟indi idu à un mo ceau de
e i oi e que l‟on connaî sous le nom de pa ie, e le na ionalisme es le a achemen
de l‟indi idu à une collec i i é d‟ê es humains connue sous le nom de na ion. (…)
l‟amou de la pa ie con ien na u ellemen l‟amou des compa io es qui appa iennen à
ce e pa ie de même que l‟amou de la na ion con ien , en même emps, l‟amou du
e i oi e dans lequel i ce e na ion.”
214
Exis iam, segundo Hus i, dois en endimen os dis in os do concei o de „nação‟.
A i ma que, pa a os pensado es ingleses e anceses, a nação e a uma cons ução que
de i a a do consen imen o de um po o e do seu li e a bí io. A a iliação à nação não
pode ia se o çada e não exis i ia nada de p ede e minado no concei o, e do mesmo
modo nada se ia necessa iamen e pe manen e. A nação se ia maleá el e exis i ia apenas
enquan o um po o quisesse. Pa a os pensando es alemães, po seu u no, a nação não
se ia uma cons ução socio-polí ica. Residia, pelo con á io, num passado imemo ial
que impo ia a um po o a sua homogeneidade e uni o midade, que po sua ez o
sepa a ia de ou os g upos humanos. A nação não se ia c iada pelo Es ado, ela c ia ia o
Es ado.
215
Hus i i á adop a a eo ia alemã de nação. In oduz, des a o ma, o concei o de
Umma num sen ido secula e nacionalis a, al-Umma al-„A abiya, unida pela língua e
his ó ia, que na sua na a i a se á uma designação p o undamen e mais p ecisa do que a
de comunidade dos c en es. A his ó ia que o nacionalis a p ocu a não é uma disciplina
académica, é um ins umen o polí ico a se u ilizado pa a a ingi os ins do mo imen o.
“Na ions, he e o e, a e nou ished and sus ained h ough he elling and e elling o hei
pas Ŕ he my hs, he he oism, he unsu passed achie emen s; he many obs acles ha
a e con on ed and o e come; he lowe ing o language and li e a u e; he
philosophical and a is ic genius ha has no pee , while con enien ly passing o e he
less han seemly episodes Ŕ he sel -in lic ed wounds; he ci il wa s, massac es, and
human a oci ies; he e hnic, linguis ic, and eligious clea ages and disloca ions. I is
such g and na a i es, embodied in pu pose ul his o ical and li e a y ep esen a ion,
214
LAURENS, Hen y, L‟O ien A abe Ŕ a abisme e islamisme de 1798 à 1945, p.263
215
DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , pp.55-57

85
passed on o successi e gene a ions h ough di ec ed educa ion ha mold and p ese e
na ions.”
216
Desde o seu início que o nacionalismo á abe, em si mesmo uma espécie de
sup anacionalismo, no sen ido em que o seu apelo e a sua agenda polí ica se ala gam
pa a além dos limi es geog á icos dos Es ados á abes, e e que compe i com o Islão, a
ou a g ande co en e poli ico-ideológica e cul u al sup anacional. Mas e ia ou os
obs áculos, nomeadamen e o pa icula ismo egional, a di e sidade linguís ica, o
sec a ismo, o ibalismo. Se ia um mo imen o pa icula men e o e em con ex os
u banos em que es es obs áculos es a iam mais esba idos, ainda que aí p e alecessem
obs áculos de o dem económica. “I he pe iphe y‟s indi e en a i udes o na ionalism
was a unc ion o pa icula is ic, subna ional loyal ies, he agili y o he cen e ‟s A ab
na ionalis c eden ials was a mani es a ion o he p imacy o economic in e es s o e all
o he conce ns and loyal ies.”
217
O mo imen o nacionalis a se ia mais o e onde
ambém pode ia se mais o e a ideia de pe ença a uma mesma iden idade nacional,
longe de dinâmicas mais exclusi is as e pa icula es que se i iam em egiões
pe i é icas de cada Es ado.
“Il es en endu qu‟au s ade de la lu e pou l‟indépendance e enco e, sans dou e,
au s a e ac uel, une idéologie me an en elie les aleu s na ionales es indispensable.
Mais un e o de ai ê e ai pa les penseu s lucides des pays conce nés pou
main eni une ce aine ou e u e su l‟uni e salisme e pou ne pas p olonge plus qu‟il
es nécessai e l‟emp ise du na ionalisme pu . En e e , il n‟y a aucune aison de pense
que les na ionalismes du Tie s Monde, iomphan s, échappe on aux é olu ions qu‟on
sui ies les na ionalismes eu opéens (…).”
218
Mas como elaciona as di isões de classe
den o do capi alismo com as con adições do concei o de Es ado-nação? Di idi a
classe abalhado a não é um enómeno secundá io mas uma ca ac e ís ica es u u al das
sociedades capi alis as e da ag essão impe ialis a, já que é na sua omada de consciência
e união que pode exis i a pe spec i a de ans o mação e olucioná ia. Mesmo que es a
ca ac e ís ica não seja em odas as suas exp essões u o de uma in enção mas an es um
e ei o do p óp io sis ema capi alis a. É po isso que o uni e salismo da ideologia
216
DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai p.63
217
Idem, p. 97
218
RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.143
86
dominan e es á en aizado “in he need o cons uc , in spi e o he an agonism be ween
hem, an ideological „wo ld‟ sha ed by exploi e s and exploi ed alike.”
219
Baliba e Walle s ein a i mam que é p ecisamen e a a és da cons ução da ideia
de nação e de po o que se omen a o acismo
220
, se ap o unda di e gências en e a
classe ope á ia de di e en es países, o que po sua ez ga an e a es abilidade de um
sis ema op esso como é o capi alismo. “Wha is ce ain, howe e , is ha i appea s
equally essen ial o us o hink „na ion‟ and „people‟ as his o ical cons uc s, by means
o which cu en ins i u ions and an agonisms can be p ojec ed in o he pas o con e a
ela i e s abili y on he communi ies on which he sense o indi idual „iden i y‟
depends.”
221
Segundo Miguel Bandei a Je ónimo, a imaginação de uma no a „o dem‟ global
passou po um p ocesso de acialização do mundo. Num a igo em que e e e a noção de
colo line de Du Bois, Bandei a Je ónimo a i ma que “A cons ução espacial, social e
his ó ica da whi eness (e do seu impac o di e enciado e p opiciado de desigualdades
sociais) e a elacionada com a o mação his ó ica, polí ica, económica e sociocul u al
do impe ialismo.”
222
Ou seja, a consolidação de ca ego ias aciais dis in as que passa a
de e mina as iden idades dos indi íduos isa, sob e udo, desenha linhas que eúnem os
g upos humanos não segundo o seu papel no sis ema p odu i o mas segundo c i é ios
e no-geog á icos.
Mas como pesa os elemen os cul u ais, his ó icos, é nicos e sociais que
dis inguem uns g upos de ou os e que, ao mesmo empo, não são necessa iamen e
homogéneos den o de um p óp io g upo? Pa a Be na d Lewis, uma nação é “a g oup o
people held oge he by a common language, belie in a common descen and in a
sha ed his o y and des iny. They usually bu no necessa ily inhabi a con iguous
e i o y; hey o en enjoy, and i hey do no enjoy hey commonly seek, so e eign
219
BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p.4
220
Idem, p.33-34 Ainda sob e o papel-cha e do acismo no sis ema capi alis a: “Racism ope a ionally has
aken he o m o wha migh be called he e hniciza ion o he wo k o ce (...). This kind o sys em Ŕ
acism cons an in o m and in enom, bu somewha lexible in bounda y lines Ŕ does h ee hings
ex emely well. I allows one o expand o con ac he numbe s a ailable in any pa icula space- ime
zone o he lowes paid, leas ewa ding economic oles, acco ding o cu en needs. I gi es ise o and
cons an ly e-c ea es social communi ies ha ac ually socialize child en in o playing he app op ia e oles
(al hough, o cou se, hey also socialize hem in o o ms o esis ance). And i p o ides a non-me i oc a ic
basis o jus i y inequali y.”
221
Idem, p.10
222
Miguel Bandei a Je ónimo, «Visões globais: a imaginação polí ica dos Es ados-Impé io» in CURTO,
Diogo Ramada, Es udos sob e globalização, p. 175
87
independence in hei own name”
223
. Des a o ma, Lewis assume a impo ância dos
elemen os cul u ais mas inco po a na de inição a noção de independência sobe ana.
Assim de inida, a nação se ia o esul ado de uma solida iedade humana, cujos memb os
ac edi am o ma um odo cul u al coe en e, e que mani es am um desejo o e de
sobe ania polí ica.
224
Amílca Cab al, num discu so sob e esis ência polí ica aos mili an es do
PAIGC, de ine o concei o de po o da seguin e o ma: “po o é odo o ilho da nossa
e a, Guiné e Cabo Ve de, que que co e com os colonialis as po ugueses, mais nada.
Ele que , ele é o nosso po o, e nós não que emos que ninguém di ida o nosso po o.”
225
A iden idade nacional es á po an o subjugada à on ade de au ode e minação: uma
pessoa pe ence a um po o pela consciência colec i a que es e em do seu di ei o a
cons ui um Es ado sobe ano e a decidi sob e a o ma do seu desen ol imen o.
F an z Fanon ap esen a a mesma ideia anos an es, quando a i ma que aquele que
lu a pela independência é aquele que, simul aneamen e, unda a nação. “Chacun pa son
ac ion ai exis e la na ion e s‟engage à la ai e localemen iomphe . Nous a ons
a ai e à une s a égie de l‟immédia e é o ali ai e e adicale. Le bu , le p og amme de
chaque g oupe spon anémen cons i ué es la libé a ion locale. Si la na ion es pa ou ,
alo s elle es ici. (…) Le mili an poli ique, c‟es le comba an . Fai e la gue e e ai e
de la poli ique, c‟es une seule e même chose. (…) L‟uni é na ionale es d‟abo d l‟uni é
du g oupe, la dispa i ion des ieilles que elles e la liquida ion dé ini i e des
é icences.”
226
Benjamim S o a, ao ala da cons ução da iden idade como u o de um con li o,
de um choque, sus en a a mesma ideia: “Les communau és n‟en en pas ou es
cons i uées d‟emblée, dans des appo s de pou oi e de domina ion. L‟iden i é
na ionale a se “ ab ique ” dans des appo s con lic uels. La iolence
in e communau ai e dans l‟his oi e de l‟Algé ie coloniale cons ui l‟iden i é
communau ai e-na ionale. Une iden i é communau ai e pied-noi (e algé ienne
musulmane) se cons ui dans le appo de iolence à l‟Au e. Elle n‟exis e que dans e
pa ce appo . L‟iden i é se dé ini pa phénomène d‟exclusion.”
227
223
Be na d Lewis, da ob a The Mul iple Iden i ies o he Middle Eas in DAWISHA, Adeed, A ab
Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , p. 6
224
Idem, p. 13
225
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, p. 8
226
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 527
227
STORA, Benjamin, Algé ie : o ma ion d‟une na ion, p. 16
88
Se, como nos diz Eicklelman, as iden idades cul u ais, é nicas, e ou as, são
componen es de uma iden idade social que não pode se analisada sub aída ao seu
con ex o, en ão não é di ícil comp eende que o con ex o dos po os colonizados seja o
de con on o com uma negação da sua exis ência sobe ana, e que essa ealidade seja
undamen al pa a a consolidação de uma iden idade. “(…) such iden i ies mus be
analyzed in he speci ic his o ical con ex s in which hey a e main ained, ans o med,
and ep oduced, and no as pa s o an ahis o ical mosaic.”
228
A maio pa e dos es udos
ac uais econhece que a in es igação sob e noções de iden idade exige a a enção que
pa a os signi icados cul u ais que pa a os con ex os p á icos em que es es se p oduzem
e ans o mam.
Löwy sublinha a impo ância de sepa a iden idade nacional de nacionalismo.
Segundo o au o , exis e, po um lado, a ligação a uma cul u a nacional e a consciência
de pe ença a uma comunidade nacional com o seu passado his ó ico e, po ou o lado, o
nacionalismo. “Le na ionalisme en an qu‟idéologie comp end ous ces élémen s mais
aussi quelque chose de plus, qui en es l‟ing édien décisi : le choix de la na ion comme
aleu p imo diale du poin de ue social e poli ique, aleu à laquelle ou es les au es
doi en ê e en quelque so e subo données.”
229
Es a sepa ação não é, con udo, e iden e, na medida em que encon amos
eco en emen e a ligação en e os es o ços pa a a cons ução da ideia de nação e de
po o e os p ocessos polí icos di igidos pelos mo imen os nacionalis as. Is o é e dade
pa a os casos em que a exis ência de um po o e a ins umen o necessá io à mobilização
de á ios g upos con a um inimigo comum, o colonialismo, como ambém no caso dos
nacionalismos de um g upo dominan e con a aqueles que conside a ag edi em a sua
unidade, como é o caso de mo imen os nacionalis as no con ex o eu opeu con a a
p esença de imig an es no país.
Se imagina mos o im do con li o en e as nações, podemos pô em causa a
necessidade de exis ência de uma consciência nacional, já que podem e -se c iadas as
condições pa a a sua dissipação num momen o em que es a deixe de se mobilizada ao
se iço de uma ei indicação polí ica.
228
EICKELMAN, Dale F., The Middle Eas and Cen al Asia, an An h opological App oach, p.211
229
LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e ? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 72
95
Resis ência e cul u a: en e F an z Fanon e Amílca Cab al
Vá ias o am, a é aqui, as e e ências que izemos ao pensamen o de F an z
Fanon e de Amílca Cab al, po se em duas das igu as mais ele an es pa a a e lexão
sob e a lu a an icolonial. Cen emo-nos ago a naquilo que esc e em sob e o papel da
cul u a e da al e na i a cul u al como elemen o imp escindí el a uma ó mula capaz de
p oduzi esis ência. A cul u a e a en endida como o meio sob e o qual se abalha a
pa a desen ol e a lu a polí ica e, como al, e a pa e da ealidade que se de ia conhece
pa a se pode ans o ma . Não e a, pois, apenas meio ou elemen o ins umen al, mas o
ce ne da p óp ia exis ência al e na i a.
Edwa d Said em Cul u e and Impe ialism de ine a cul u a da seguin e o ma:
“Fi s o all i means all hose p ac ices, like he a s o desc ip ion, communica ion, and
ep esen a ion, ha ha e ela i e au onomy om he economic, social, and poli ical
ealms and ha o en exis in aes he ic o ms, one o whose p incipal aims is pleasu e.
(…) Second, and almos impe cep ibly, cul u e is a concep ha includes a e ining and
ele a ing elemen , each socie y‟s ese oi o he bes ha has been known and hough
(…) Cul u e in his sense is a sou ce o iden i y, and a a he comba i e one a ha , as
we see in ecen „ e u ns‟ o cul u e and adi ion‟.”
246
Di e en es cul u as es i e am em con li o ao longo do empo, co espondendo a
p ocessos mais ou menos e iden es de con on o no campo polí ico e económico. No
caso colonial, a sub acção da cul u a indígena oi semp e, em ce a medida, um meio
pa a consolida a dominação de um po o que se conside a a in e io . Conside ando a
ealidade desses po os como a asada e não-ci ilizada, os colonizado es coloca am-nos
num empo anac ónico, que lhes e i a a o di ei o a se em esponsá eis pelos seus
des inos, e os subjuga a à o ça do „p esen e‟ desen ol ido.
Não nos pa ece ele an e pensa o es udo da cul u a como uma ca ac e ização de
á ios elemen os dis in os, sepa ados ou compa imen ados. Igno a ou meno iza as
expe iências sob epos as das cul u as di as ociden ais e o ien ais é não comp eende a
in e dependência dos planos cul u ais em que os colonizado es e os colonizados
coexis i am, con on a am as suas p ojecções do „ou o‟ e cons uí am na a i as e
his ó ias. “Pa ly because o empi e, all cul u es a e in ol ed in one ano he ; none is
single and pu e, all a e hyb id, he e ogeneous, ex ao dina ily di e en ia ed and
246
SAID, Edwa d W., Cul u e and Impe ialism, pp. xii-xi

96
unmonoli hic.”
247
O que nos in e essa e e são as di e en es ealidades que se
con on a am no plano cul u al, ao mesmo empo que se esg imia um comba e polí ico e
mili a de libe ação dos e i ó ios colonizados.
Pa a comp eende Fanon é necessá io ejei a a acilidade das ca ego ias
iden i á ias: es e p o a que se pode se ao mesmo empo a gelino e neg o, que se pode
lu a simul aneamen e pela libe ação nacional e pela libe ação da humanidade. Não
emos, po an o, in e esse em aze uma análise do Fanon an ilhano con a o a gelino,
ou do ma xis a con a o cul u alis a, mas sim em e lec i sob e aquilo em que o seu
pensamen o con ibuiu pa a os ques ionamen os que lhe o am con empo âneos.
A i ma a-se como um homem do seu empo, de o ma i e ogá el. Não adia a a
sua acção pa a um ou o mundo, exis ia pa a in luencia a sua ealidade. “L‟idéal é an
que oujou s le p ésen se e à cons ui e l‟a eni . E ce a eni n‟es pas celui du
cosmos, mais bien celui de mon siècle, de mon pays, de mon exis ence. En aucune
açon je ne dois me p opose de p épa e le monde qui me sui a. J‟appa iens
i éduc iblemen à mon époque.”
248
E no seu empo, o colonizado e a o çado a eme e -se a uma iden idade e a
compo a -se de aco do com o papel que lhe e a aco dado. O neg o es a a condenado a
de inha na sociedade colonial. A al e na i a e a agi de o ma a ei indica a sua
emancipação. “Au emen di , le Noi ne doi plus se ou e placé de an ce dilemme :
se blanchi ou dispa aî e, mais il doi pou oi p end e conscience d‟une possibili é
d‟exis e (…) de le me e en mesu e de choisi l‟ac ion (ou la passi i é) à l‟éga d de la
é i able sou ce con lic uelle Ŕ c‟es -à-di e à l‟éga d des s uc u es sociales.”
249
Es a ei indicação ambém passa a po a i ma que as ca ac e ís icas é nicas não
podiam de ini o compo amen o de um g upo. Conside a „os neg os‟ como uma
ealidade homogénea e a apenas a o ma encon ada pa a melho os domina
economicamen e. “Quand on di «peuple noi », on suppose sys éma iquemen que ous
les Noi s son d‟acco d su ce aines choses ; qu‟il exis e, en e eux, un p incipe de
communion. La é i é es qu‟il n‟y a ien, a p io i, qui puisse laisse suppose
l‟exis ence d‟un peuple noi . (…) On a ici la p eu e que les his oi es aciales ne son
247
SAID, Edwa d W., Cul u e and Impe ialism, p. xxix
248
FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.67
249
Idem, p.142
97
qu‟une supe s uc u e, qu‟un man eau, qu‟une sou de émana ion idéologique dé ê an
une éali é économique.”
250
A negação da cul u a se ia, assim, pa e de um emp eendimen o económico e
polí ico de dominação. O acismo que acompanha a essa negação e a pa e da cul u a
do colonizado (e não qualque de e minação biológica do se humano), já que se
a a a do seu compo amen o em elação ao seu semelhan e. “L‟en ep ise de
décul u a ion se ou e ê e le néga i d‟un plus gigan esque a ail d‟asse issemen
économique, oi e biologique. (…) si la cul u e es l‟ensemble des compo emen s
mo eu s e men aux né de la encon e de l‟homme a ec la na u e e a ec son semblable,
on doi di e que le acisme es bel e bien un élémen cul u el.”
251
O p ocesso de negação da cul u a do po o colonizado não e a impos o sem
esis ência, pelo que a „paci icação‟ se ia desen ol ida a a és do uso da iolência. Do
pon o de is a his ó ico, podem-se dis ingui di e en es polí icas de colonização que
co espondem, em cada e apa, ao ní el de desen ol imen o socio-económico dos
e i ó ios colonizados. Sem a iolência e a b u alidade do exé ci o não e ia sido
possí el eo ien a as o mas de p odução adicionais em unção da me ópole. Os
elemen os da cul u a do colonizado se ão esmagados, azendo com que uma pa e
impo an e da sua ida e da sua iden idade seja eme ida pa a a clandes inidade. “De
ou e é idence, le colonialisme boule e se ou es les données de la socié é au och one.
C‟es que le g oupe dominan a i e a ec ses aleu s e les impose a ec une elle
iolence, qu‟elle accule à la dé ensi e, oi e à la clandes ini é, la ie même du
colonisé.”
252
O pa adoxo es a a p ecisamen e na na a i a que impunha es a iolência. A
colonização, como p ocesso de exp op iação e con olo da ida polí ica e social de um
po o po ou o, susci a esis ência, e é ep imida com iolência, sendo que es a
iolência é jus i icada pela incapacidade do colonizado, „sel agem‟ e „não-ci ilizado‟,
comp eende ou a linguagem que não a linguagem da o ça. A gue a de libe ação é,
pa a Fanon, o esul ado da ap op iação desse ca ác e iolen o que lhe con e iam. “Lui à
qui on n‟a jamais cessé de di e qu‟il ne comp enai que le langage de la o ce, décide de
s‟exp ime pa la o ce.”
253
250
FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, pp. 704-705
251
Idem, p.715 (In e enção in i ulada «Racisme e cul u e» p o e ida no Cong esso in e nacional de
esc i o es e a is as neg os, em 1956).
252
FANON, F an z, “L‟an V de la é olu ion algé ienne” in Œu es, p. 363
253
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 488
98
Pa a Sa e, no p e ácio que az a Les Damnés de la e e, a iolência é
ap esen ada como uma mani es ação jus a e a é imp escindí el à libe ação do homem
colonizado. “Ce e iolence i ép essible, il le mon e pa ai emen , n‟es pas une
absu de empê e ni la ésu ec ion d‟ins inc s sau ages ni même un e e du
essen imen : c‟es l‟homme lui-même se ecomposan .”
254
É nes a ob a que Fanon eo iza es a iolência necessá ia à econs ução da
iden idade do homem colonizado, que se á dos elemen os mais conhecidos do seu
pensamen o. A iolência do colonizado em um ca ác e emancipado , já que é
jus amen e a espos a à iolência a que o subme e am. Sendo esponsá el pela o ça que
conquis a a sua p óp ia libe ação, o homem colonizado não acei a á que lhe seja
„concedida‟ a libe dade, como se de um a o se a asse, e des ói o seu complexo de
in e io idade. Impo a conhece o abalho de Fanon como psiquia a e alguns dos seus
esc i os nessa á ea pa a melho comp eende es a ese. “Au ni eau des indi idus, la
iolence désin oxique. Elle déba asse le colonisé de son complexe d‟in é io i é, de ses
a i udes con empla i es ou désespé ées. (…) Quand elles on pa icipé, dans la
iolence, à la libé a ion na ionale, les masses ne pe me en à pe sonne de se p ésen e
en «libé a eu ».”
255
Ou a unção da iolência e a de ca ác e polí ico, na medida em
que ope a a uma in eg ação dinâmica dos g upos. Só quando execu a um ac o
i e ogá el, uma ag essão con a um agen e do colonialismo, é que o indí iduo se
quali ica pa a a ac i idade polí ica no mo imen o de esis ência.
256
Pa a Fanon, apenas a lu a de libe ação e a capaz de p oduzi e consolida a
iden idade nacional: “Nous pensons que la lu e o ganisée e conscien e en ep ise pa
un peuple colonisé pou é abli la sou e aine é de la na ion cons i ue la mani es a ion la
plus pleinemen cul u elle qui soi . (…) Il nous semble que les lendemains de la cul u e,
la ichesse d‟une cul u e na ionale son onc ion égalemen des aleu s qui on han é le
comba libé a eu .”
257
Es a emancipação psicológica em uma o ça mui o maio , pa a Fanon, do que
qualque i ó ia mili a . E es a a na ho a de se impedi que mais homens mo essem po
uma causa que es a a pe dida: o sis ema colonial. Não se podia ence uma ebelião a
pa i do momen o em que e a des uído o medo e o desespe o de um po o. “Ne au -il
254
Jean-Paul Sa e, p e ácio de FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 441
255
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.496
256
ZAHAR, Rena e, Colonialismo e alienação, con ibuição pa a a eo ia polí ica de F an z Fanon,
p.152
257
STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p.750
99
pas mieux ou i les yeux e oi ce qu‟il y a de g andiose, mais aussi de na u el dans
ce e déma che ? Es -il donc enco e, le emps où l‟homme doi e se ba e e mou i pou
a oi le d oi d‟ê e le ci oyen d‟une na ion ? (…) Tous les géné aux en che de ou es
les gue es coloniales épè en les mêmes choses, mais commen ne comp ennen -ils pas
qu‟aucune ébellion n‟es jamais aincue ? Qu‟es -ce que cela peu bien ouloi di e,
ainc e une ébellion ? (…) Nous oulons mon e dans ces pages, que le colonialisme a
dé ini i emen pe due la pa ie en Algé ie, andis que, de ou e açon, les Algé iens l‟on
dé ini i emen gagné. (…) Une a mée peu à ou momen econqué i le e ain pe du,
mais commen éins alle dans la conscience d‟un peuple le complexe d‟in é io i é, la
peu e le désespoi ?”
258
E e a essa consciência que ago a se consolida a que po encia ia a cul u a do
país, uma cul u a undada na lu a pela libe ação. “La cul u e na ionale es l‟ensemble
des e o s ai s pa un peuple su le plan de la pensée pou déc i e, jus i ie e chan e
l‟ac ion à a e s laquelle le peuple s‟es cons i ué e s‟es main enu. (…) L‟adhésion à
la cul u e nég o-a icaine, à l‟uni é cul u elle de l‟A ique passe d‟abo d pa un sou ien
incondi ionnel à la lu e de libé a ion des peuples. On ne peu ouloi le ayonnemen de
la cul u e a icaine si l‟on ne con ibue pas conc è emen à l‟exis ence des condi ions de
ce e cul u e, c‟es -à-di e à la libé a ion du con inen .”
259
A nação e a exigência da cul u a, mas ambém condição úl ima pa a o seu
lo escimen o. Apenas uma ez conquis ado o espaço e a sobe ania nacional se ia
possí el a c iação cul u al. “La na ion n‟es pas seulemen condi ion de la cul u e, de
son e e escence, de son enou ellemen con inué, de son app o ondissemen . Elle es
aussi une exigence. C‟es d‟abo d le comba pou l‟exis ence na ionale qui débloque la
cul u e, lui ou e les po es de la c éa ion. (…) Ce qui n‟exis e pas ne peu guè e agi
su le éel, ni même in luence ce éel. Il au d‟abo d que le é ablissemen de la na ion
donne ie, au sens le plus biologique du e me, à la cul u e na ionale.”
260
Mas ganha consciência nacional não signi ica a deixa de comp eende a
ealidade in e nacional em que es a am inse idos, nem nega a solida iedade que se
impunha pa a que se pudesse alcança a emancipação de odos os po os colonizados.
Pa a Fanon, e a jus amen e a consciência nacional que pe mi ia ao colonizado adqui i
uma dimensão in e nacional. “La conscience de soi n‟es pas e me u e à la
258
FANON, F an z, “L‟an V de la é olu ion algé ienne” in Œu es, pp. 267-268
259
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, pp. 610, 612
260
Idem, pp. 219-220
100
communica ion. La é lexion philosophique nous enseigne au con ai e qu‟elle en es la
ga an ie. La conscience na ionale, qui n‟es pas le na ionalisme, es la seule à nous
donne dimension in e na ionale.”
261
Nem ão pouco se ia uma a i mação de supe io idade. Não ha ia nem al e na i a
à libe ação dos po os coloniais nem con apa ida a essa libe ação. O p og esso da
humanidade só pode ia acon ece se odos es i essem em pé de igualdade pa a
„caminha ‟ no mesmo umo. “Je n‟ai pas le d oi , moi homme de couleu , de eche che
en quoi ma ace es supé ieu ou in é ieu à une au e ace. Je n‟ai pas le d oi , moi
homme de couleu , de souhai e la c is allisa ion chez le Blanc d‟une culpabili é en e s
le passé de ma ace. (…) Je n‟ai ni le d oi ni le de oi d‟exige épa a ion pou mes
ancê es domes iqués. (…) Je me décou e un jou dans le monde e je me econnais un
seul d oi : celui d‟exige de l‟au e un compo emen humain. Un seul de oi . Celui de
ne pas enie ma libe é au a e s de mes choix.”
262
E nas sociedades ociden ais ainda se es a a longe de ga an i um compo amen o
humano que p opo cionasse a libe dade aos seus p óp ios cidadãos, apesa dos a anços
cien í icos e ecnológicos e dos alo es humanis as. A cul u a no a que se p e endia
unda com a esis ência an icolonial não e a uma imi ação da Eu opa. “Si nous oulons
ans o me l‟A ique en une nou elle Eu ope, l‟Amé ique en une nou elle Eu ope,
alo s con ions à des Eu opéens les des inées de nos pays. Ils sau on mieux ai e que les
mieux doués d‟en e nous. Mais si nous oulons que l‟humani é a ance d‟un c an, si
nous oulons la po e à un ni eau di é en de celui où l‟Eu ope l‟a mani es ée, alo s il
au in en e , il au décou i . Si nous oulons épond e à l‟a en e de nos peuples, il
au che che ailleu s qu‟en Eu ope.”
263
A esis ência é a lu a pela exigência do econhecimen o da dignidade absolu a do
homem. E é com base no espei o pelo di ei o inalianá el a essa dignidade que se de e
cons ui uma cul u a p óp ia. To na-se e iden e que, po mais que se u ilizasse uma
na a i a eclamando um passado his ó ico e cul u al des uído pelos eu opeus, a
independência não se i ia pa a „ eins ala ‟ essa cul u a, já que não ha ia ago a
elemen o mais impo an e do que a cul u a da esis ência. “Si u n‟exiges pas l‟homme,
si u ne sac i ies pas l‟homme qui es en oi pou que l‟homme qui es su ce e e e soi
261
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.621
262
FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.249
263
FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 676

101
plus qu‟un co ps, plus qu‟un Mohammed, pa quel ou de passe-passe aud a- -il que
j‟acquiè e la ce i ude que, oi aussi, u es digne de mon amou ?”
264
Sabemos que Amílca Cab al, como uma g ande pa e dos di igen es dos á ios
mo imen os nacionalis as a icanos, conhecia a ob a de F an z Fanon. Com mui as
ideias coinciden es, cada um i á exp essá-las e de endê-las à sua manei a, com o seu
es ilo e o seu enquad amen o in elec ual.
No seminá io de quad os de 1969 em que Cab al se p onuncia sob e p incípios
do pa ido, diz-se ace ca da noção de ealidade que “o homem é pa e da ealidade, a
ealidade exis e independen emen e do homem, e o homem, na medida em que adqui e
consciência da ealidade, na medida em que a ealidade in luencia a sua consciência,
c ia a sua consciência, pode adqui i a possibilidade de ans o ma a ealidade a pouco
e pouco.”
265
Ou seja, admi i que a ealidade exis e independen emen e do homem não
e a sinónimo de a acei a , pelo con á io, e a e consciência de que apenas um p o undo
conhecimen o dessa ealidade o na ia possí el uma acção ans o mado a.
A ideia de que a esis ência exis i ia independen emen e das condições c iadas,
como impulso in ínseco à condição humana, e a uma a i mação da ine i abilidade do
mo imen o de libe ação. “A esis ência é uma coisa na u al. Toda a o ça que se exe ce
sob e uma coisa qualque , dá luga a uma esis ência, que dize , a uma o ça
con á ia.”
266
Os mo imen os de libe ação nacional não e am mais do que o
desen ol e das condições de esis ência de um po o, mas esis iam com o objec i o de
cons ui uma no a ealidade. “Nós esol emos aze das nossas cabeças aquela semen e
que se põe na e a pa a aze nasce no as plan as.”
267
A cul u a e a e lexo da e olução his ó ica de um po o. Enquan o es e se
desen ol esse au onomamen e, o p ocesso his ó ico enca ega -se-ia da ma u ação das
exp essões cul u ais de cada sociedade. “Cul u a é a sín ese dinâmica, no plano da
consciência indi idual ou colec i a, da ealidade his ó ica, ma e ial e espi i ual de uma
sociedade ou de um g upo humano, sín ese que aba ca an o as elações
homem/na u eza como as elações en e os homens e as ca ego ias sociais. Po sua ez,
mani es ações cul u ais são as di e en es o mas que exp imem essa sín ese, indi idual
264
FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, pp. 702-703
265
CABRAL, Amílca , Alguns p incípios do Pa ido, p. 42
266
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, p. 3
267
Idem, p. 1
102
ou colec i amen e, em cada e apa da e olução da sociedade ou do g upo humano em
ques ão.”
268
A p eocupação com a es e a cul u al es a a ligada à necessidade de e o ça as
condições de esis ência. E a acção cul u al, p odução e uição, bem como a e lexão
em o no das ca ac e ís icas cul u ais de um po o, e am em si elemen os de esis ência.
Mas pensa a cul u a não e a apenas es au a um conjun o de adições op imidas, e a
cons ui uma cul u a no a, já que e a necessá io que es a a i masse um no o ac o Ŕ
al ez ago a o mais impo an e de odos: a cul u a de um po o que lu a pela sua
libe ação. “A nossa esis ência cul u al consis e no seguin e: enquan o liquidamos a
cul u a colonial e os aspec os nega i os da nossa p óp ia cul u a, no nossso espí i o, no
nosso meio, emos que c ia uma cul u a no a, baseada nas nossas adições ambém,
mas espei ando udo quan o o mundo em hoje de conquis a pa a se i o homem.”
269
A
cul u a, po que e a ambém p odu o do ní el económico de uma sociedade, inha
elemen os que di icul a am o p og esso que se que ia conquis a com a independência,
pelo que, ainda que alguns elemen os adicionais pudessem se man idos, de e iam se
en iquecidos po udo aquilo que pudesse se conside ado bené ico pa a os po os. Se
po um lado e a necessá io liquida a cul u a colonial, não e a menos impo an e
elimina os aspec os nega i os da cul u a indígena. Mas como de ini o que é a cul u a
nacional nessa a iculação en e as adições e as ideias p og essis as, en e o que se
p ese a e o que se abandona? “O nosso abalho de e se i a aquilo que não p es a e
deixa aquilo que é bom. Po que o colonialismo não em só coisas que não p es am.
De emos se capazes, po an o, de comba e a cul u a colonial e deixa na nossa cabeça
aquele aspec o de cul u a humana, cien í ica, que po en u a os ugas ouxe am pa a a
nossa e a e en ou na nossa cabeça ambém.”
270
Cab al e a asse i o na sua o al ejeição da exis ência de cul u as aciais ou
con inen ais. Em p imei o luga , po que a cul u a e a um enómeno in imamen e ligado
à ealidade económica e social do meio e ao ní el de desen ol ido das o ças
p odu i as. Em segundo luga , po que, em di e sos casos, o desen ol imen o da cul u a
se p oduzia de o ma desigual no seio do mesmo con inen e, da mesma „ aça‟ e a é da
mesma sociedade. “As coo denadas da cul u a, como as de odo o enómeno em
desen ol imen o, a iam no espaço e no empo an o em sen ido ma e ial (espaço e
268
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.18 (in e enção em eunião da UNESCO sob e
“Noções de aça, de iden idade e dignidade”)
269
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 3
270
Idem, p. 2
103
empo ísico) como humano (biológicos e sociológicos)”.
271
Não ha ia luga pa a se
a gumen a que e a adição a icana qualque aço cul u al que, pelo con á io, apenas
se de ia à e apa no desen ol imen o económico em que se encon a am.
272
Es a ideia em em de esa, desde logo, da necessidade de c iação de um pa ido
que o ganizasse a lu a an icolonial. O pa ido, suas es u u as e o ma de
uncionamen o, e a uma exp essão cul u al es angei a. Mas exac amen e po isso, po
se um elemen o bené ico e necessá io à emancipação de um po o op imido, de e ia se
enca ado ele mesmo como um ac o de cul u a. “De emos dize , conc e amen e, que a
p óp ia c iação do nosso Pa ido, que plani icou e a ançou a nossa lu a de libe ação
nacional, é um ac o de cul u a. É uma p o a cla a da esis ência cul u al, po que nós
que emos se nós mesmos, a icanos da Guiné e Cabo Ve de e não ugas.”
273
E é a a és
da c iação do pa ido e do seu e o ço que se ealiza o p imei o ac o de cul u a: o
e o ço da unidade do po o em o no da lu a de libe ação, que e a exp essão do
pa io ismo que de e ia mo ê-los e se pa e in eg an e da cul u a no a. “Unidade do
nosso po o, necessidade de lu a e desen ol e em cada um de nós uma ideia no a que
é o pa io ismo, o amo pela nossa e a, como uma coisa só.”
274
Es a a i mação pe mi e-nos conclui que a cul u a pa ió ica não se ia o mesmo
que a cul u a nacionalis a. Não exis ia, nas di e enças que se sublinha am, qualque
p e ensão de in e io iza ou as cul u as. A cul u a e a uma ealidade social
“independen e da on ade dos homens, da co da sua pele, da o ma dos seus olhos e
dos limi es geog á icos de cada país” e o de e do mo imen o de libe ação e a o de
“demons a a especi icidade da cul u a do po o, mas p ocede à análise c í ica dessa
cul u a, em unção das exigências da lu a e do p og esso, o que pe mi i á si uá-la, sem
complexos de supe io idade ou de in e io idade, na ci ilização uni e sal, como pa cela
271
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.22 (in e enção em eunião da UNESCO sob e
“Noções de aça, de iden idade e dignidade”).
272
Na o mação de quad os sob e análise dos ipos de esis ência, Amílca Cab al a gumen a em elação
aos di e en es elemen os da cul u a a icanas e des alo iza as a i udes de p ese ação daquilo que ele
conside a se a manei a e ada de esis i cul u almen e. “Sim, a Á ica em a sua cul u a, de ac o, essa é
a nossa opinião conc e a. Alguns aspec os dessa cul u a são e e nos, nunca acabam, podem ans o ma -se
semp e pelo caminho, mas nunca hão-de acaba . Po exemplo, os nossos ipos de dança, o nosso i mo
p óp io de Á ica. Mas ninguém pense que o ambo é só da Á ica, que ninguém pense que ce as
manei as de es i são só da Á ica, as saias de palha, de olhas de palmei a, e c., que ninguém pense que
come com a mão é só da Á ica. Todos os po os do mundo passa am po isso (…) É que a cul u a
ambém é o p odu o do ní el económico em que um po o es á.” CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de
esis ência: esis ência cul u al, p. 4
273
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 1
274
Idem, p. 9
104
do pa imónio comum da humanidade, e na pe spec i a da sua in eg ação ha moniosa
com o mundo ac ual.”
275
Ou o elemen o que ans o ma ia o que a é aqui e a a cul u a nas colónias
consis ia no ac o de es a passa a se um di ei o de odos, só assim podendo se
conside ada uma cul u a popula e de massas. “A nossa cul u a não pode se pa a uma
eli e, pa a um g upo de pessoas que sabe mui o, que conhece as coisas. Não. Todos os
ilhos da nossa e a, na Guiné e em Cabo Ve de, êm que e di ei o a a ança
cul u almen e, a pa icipa nos nossos ac os cul u ais, a mani es a e a c ia cul u a.”
276
E essa condição só se pode ia alcança com uma sé ie de medidas, sob e as quais Cab al
é mui o especí ico, que passam pelas á eas do ensino, da saúde, da higiene, mas ambém
do espí i o de igo e da noção do empo.
277
Na explicação que az dos aspec os que ca ac e izam a esis ência cul u al,
encon amos um es o ço de de inição do que en endia po di ei o à dignidade. No
undo, o di ei o de um po o p oduzi e exp essa a sua cul u a li emen e, ap o ei ando
do es o do mundo aquilo que é humano, aquilo que se conside a bem comum. Se não
se pudesse pa en ea os ins umen os que pe mi iam a elicidade, es a pode ia es a ao
alcance de um cada ez maio núme o de pessoas. Na mensagem de ano no o de 1973,
a úl ima que a ia, diz que a lu a é “uma exp essão polí ica o ganizada de uma cul u a, e
é ambém necessa iamen e uma p o a não somen e de iden idade mas ambém de
dignidade. (…) Acon ece que a cul u a é o p óp io undamen o do mo imen o de
libe ação e que apenas podem mobiliza -se, o ganiza -se e lu a as sociedades que
p ese am a sua cul u a.”
278
Esse e a o elemen o que, po sabe da sua impo ância, o impe ialismo ha ia
negado às sociedades sob o seu domínio, já que po lhes nega um p ocesso his ó ico
au ónomo lhes inha negado o seu p ocesso cul u al. “Pe an e o mundo e pe an e a
Á ica, pe gun amos: acaso inham os po ugueses azão quando a i ma am que somos
po os não ci ilizados, po os sem cul u a? Qual é a mais b ilhan e mani es ação de
ci ilização e de cul u a senão a que é dada po um po o que pega em a mas pa a
de ende o seu di ei o à ida, ao p og esso, ao abalho e à elicidade?”
279
275
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A.Cab al, p.22 (in e enção em eunião da UNESCO sob e
“Noções de aça, de iden idade e dignidade”).
276
CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 14
277
Idem, pp. 16-22
278
CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.7
279
In e enção de Amílca Cab al na 2ª Con e ência das O ganizações Nacionalis as das Colónias
Po uguesas em 1965, in s.a., Manual Polí ico, p. 94
111
signi ica que con inua á a exis i his ó ia com a supe ação da lu a de classes, deixando
de exis i explo ação do homem pelo homem.
A elação his ó ica en e socialismo e nacionalismo não icou ence ada com a
dissolução da União So ié ica. Pelo con á io, a hegemonia do capi alismo em g ande
pa e do mundo impõe uma o ma de globalização que, se dá luga a uma explo ação
acen uada dos abalhado es de odo o mundo, ambém c ia condições de ap oximação,
diálogo e o ganização nunca conhecidas. A na u al ei indicação e de esa de
pa icula idades locais ameaçadas pelo impe ialismo cul u al alimen a no as agas de
nacionalismos, que se insc e em em di e en es adições e que colocam objec i os
mui o dis in os. Se po um lado o nacionalismo pode limi a -se à conquis a da sobe ania
e conside a que odos os p oblemas de uma dada sociedade sejam dessa o ma
esol idos, po ou o lado es e pode insc e e -se numa linha que p oponha o im de
qualque explo ação ex e na ou in e na aos limi es da nação e não assumi como
an inacional es a ei indicação.
Miguel To ga dizia que “o uni e sal é o local sem pa edes. É o au ên ico que
pode se is o de odos os lados, e em odos os lados es á ce o, como a e dade.”
283
De emos p es a a enção a esse in e nacionalismo como soma dos locais. É possí el
uma pe manen e a iculação en e as o mas de lu a pela de esa do alo do abalho em
odo o mundo, e a o ma de man e e pa ilha o que de di e en e p oduzem
cul u almen e os á ios conjun os humanos. Só assim se pode e i a os nacionalismos
que semeiam in ole âncias, que impõem alegadas supe io idades de uns elemen os
cul u ais sob e ou os, e que são alimen ados jus amen e po aqueles que p e endem i a
pa ido da di isão e en aquecimen o dos abalhado es.
283
TORGA, Miguel, “T aço de União” in Ensaios e discu sos, Lisboa, Dom Quixo e, 2001, p.147,
(con e ência de 1954).

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