scieee Open visual document viewer

Socialismo, nação e religião. movimentos anticoloniais no contexto imperial português e francês (1945-1975)

Lisboa, Sofia Brilhante Vieira

Abstract

Este trabalho tem como objectivo procurar compreender o desenvolvimento das ideias de socialismo inseridas numa esfera continental, nacional e religiosa, no contexto dos movimentos anticoloniais argelino e guineense da segunda metade do século XX. Para confrontar um conceito que nasce de uma retórica universalista e que terá desenvolvimentos particulares, foi necessário pensá-lo, para estes casos, no contexto em que é produzido: o contexto da guerra-fria e do movimento dos não-alinhados; o contexto de outras experiências de socialismo no mundo árabe e no continente africano; o contexto de uma relação com a esquerda das metrópoles, nomeadamente com o PCP e o PCF; o contexto de outros movimentos anticoloniais africanos e de outras guerras pela conquista da independência. Reflectimos ainda sobre como estas experiências de socialismo são inseparáveis do desenvolvimento dos movimentos nacionalistas nos contextos coloniais. Focámo-nos ainda na relação que tiveram estes movimentos de resistência com as várias práticas culturais e religiosas com as quais coexistiam. Neste sentido, destacamos o pensamento de Amílcar Cabral e Frantz Fanon, duas figuras centrais para a criação de um imaginário anticolonial no século XX.

Full text

Socialismo, nação e eligião. Mo imen os an icoloniais no con ex o impe ial po uguês e ancês (1945-1975) So ia B ilhan e Viei a Lisboa Ma ço de 2017 Disse ação de Mes ado em His ó ia Con empo ânea 1 Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de Mes e em His ó ia Con empo ânea, ealizada sob a o ien ação cien í ica de José Ne es. 2 Ao João Luís e à Ma ia João, azão do meu se es a ica pe manece con inua . À Inês e ao And é, os meus companhei os pe pé uos. Ao meu Pa ido, sem o qual não e ia a co agem e o p i ilégio de se apenas mais um. 3 Socialismo, nação e eligião. Mo imen os an icoloniais no con ex o impe ial po uguês e ancês (1945-1975) Es e abalho em como objec i o p ocu a comp eende o desen ol imen o das ideias de socialismo inse idas numa es e a con inen al, nacional e eligiosa, no con ex o dos mo imen os an icoloniais a gelino e guineense da segunda me ade do século XX. Pa a con on a um concei o que nasce de uma e ó ica uni e salis a e que e á desen ol imen os pa icula es, oi necessá io pensá-lo, pa a es es casos, no con ex o em que é p oduzido: o con ex o da gue a- ia e do mo imen o dos não-alinhados; o con ex o de ou as expe iências de socialismo no mundo á abe e no con inen e a icano; o con ex o de uma elação com a esque da das me ópoles, nomeadamen e com o PCP e o PCF; o con ex o de ou os mo imen os an icoloniais a icanos e de ou as gue as pela conquis a da independência. Re lec imos ainda sob e como es as expe iências de socialismo são insepa á eis do desen ol imen o dos mo imen os nacionalis as nos con ex os coloniais. Focámo-nos ainda na elação que i e am es es mo imen os de esis ência com as á ias p á icas cul u ais e eligiosas com as quais coexis iam. Nes e sen ido, des acamos o pensamen o de Amílca Cab al e F an z Fanon, duas igu as cen ais pa a a c iação de um imaginá io an icolonial no século XX. Pala as-cha e: socialismo, nacionalismo, eligião, an icolonialismo, Guiné-Bissau, A gélia. Socialism, na ion and eligion. An icolonial mo emen s in Po uguese and F ench impe ial con ex (1945-1975) This wo k aims o unde s and he de elopmen o he ideas o socialism inse ed in a con inen al, na ional and eligious sphe e, in he con ex o he Alge ian and Guinean an icolonial mo emen s in he second hal o he wen ie h cen u y. In o de o con on a concep ha is bo n o a uni e salis he o ic and ha has pa icula de elopmen s, i was necessa y o hink o i in he con ex in which i is p oduced: he con ex o he Cold Wa and he mo emen o he non-aligned; The con ex o o he expe iences o socialism in he A ab wo ld and he A ican con inen ; The con ex o a ela ionship wi h he le mo emen s o he colonizing coun y, namely 4 wi h he PCP and he PCF; The con ex o o he A ican an icolonial mo emen s and o o he wa s o he conques o independence. We also e lec on how hese expe iences o socialism a e insepa able om he de elopmen o he na ionalis mo emen s in colonial con ex . We also ocused on he ela ionship ha hese esis ance mo emen s had wi h he a ious cul u al and eligious p ac ices wi h which hey coexis ed. Thus, we highligh he hough o Amílca Cab al and F an z Fanon, wo cen al igu es o he c ea ion o an an icolonial imagina y in he wen ie h cen u y. Keywo ds: socialism, na ionalism, eligion, an icolonialism, Guinea-Bissau, Alge ia. 5 “Much as one may be inclined o ag ee wi h such heses Ŕ since, as his book has ied o demons a e, Islam has been undamen ally mis ep esen ed in he Wes Ŕ he eal issue is whe he indeed he e can be a ue ep esen a ion o any hing, o whe he any and all ep esen a ions, because hey a e ep esen a ions, a e embedded i s in he language and hen in he cul u e, ins i u ions, and poli ical ambience o he ep esen e . I he la e al e na i e is he co ec one (as I belie e i is), hen we mus be p epa ed o accep he ac ha a ep esen a ion is eo ipso implica ed, in e wined, embedded, in e wo en wi h a g ea many o he hings besides he “ u h”, which is i sel a ep esen a ion. Wha his mus lead us o me hodologically is o iew ep esen a ions (o mis ep esen a ions Ŕ he dis inc ion is a bes a ma e o deg ee) as inhabi ing a common ield o play de ined o hem, no by some inhe en common subjec ma e alone, bu by some common his o y, adi ion, uni e se o discou se. (…) My whole poin abou his sys em is no ha i is a mis ep esen a ion o some O ien al essence Ŕ in which I do no o a momen belie e Ŕ bu ha i ope a es as ep esen a ions usually do, o a pu pose, acco ding o a endency, in a speci ic his o ical, in ellec ual, and e en economic se ing. (…) In addi ion, I ha e a emp ed o aise a whole se o ques ions ha a e ele an in discussing he p oblems o human expe ience: How does one ep esen o he cul u es? Wha is ano he cul u e? Is he no ion o a dis inc cul u e (o ace, o eligion, o ci iliza ion) a use ul one, o does i always ge in ol ed ei he in sel -cong a ula ion (when one discusses one‟s own) o hos ili y and agg ession (when one discusses he “o he ”)? Do cul u al, eligious, and acial di e ences ma e mo e han socio-economic ca ego ies, o poli icohis o ical ones? How do ideas acqui e au ho i y “no mali y” and e en he s a us o “na u al” u h? Wha is he ole o he in ellec ual? Is he he e o alida e he cul u e and s a e o which he is a pa ? Wha impo ance mus he gi e o an independen c i ical consciousness, an opposi ional c i ical consciousness?” SAID, Edwa d, O ien alism, pp. 272-273, 325. 6 Índice In odução ……………………………………………………………………… 7 I/ Uni e so, con inen e e nação ……………………………………………… 12 Socialismo e uni e salismo ……………………………………………………… 12 Ma xismo e nacionalismo nos mo imen os an icoloniais ……………………… 21 II/ Os casos da A gélia e da Guiné-Bissau ……………………………… 31 Unidade an icolonial ……………………………………………………………... 32 o O FLN ……………………………………………………………………… 32 o O PAIGC ……………………………………………………………… 42 A ques ão colonial ……………………………………………………………… 57 o O PCF ……………………………………………………………………… 58 o O PCP ……………………………………………………………………… 72 III/ Cul u a, eligião e esis ência ……………………………………………… 81 A cons ução de um po o ……………………………………………………… 81 Religião como elemen o polí ico ……………………………………………… 89 Resis ência e cul u a: en e F an z Fanon e Amílca Cab al ……………… 95 Os luga es do uni e sal: balanço de uma compa ação ……………………… 106 Fon es ……………………………………………………………………… 112 Bibliog a ia ……………………………………………………………………… 115 7 In odução Es e abalho em como objec i o comp eende o desen ol imen o das ideias de socialismo na sua elação com a de nacionalismo em con ex o colonial e an icolonial, dando pa icula a enção à ques ão cul u al e eligiosa e, nomeadamen e, ao Islão. P i ilegia emos uma pe spec i a compa ada cen ada nos casos do impé io po uguês e ancês, analisando, po um lado, as polí icas do PCP e do PCF em elação à ques ão colonial e, po ou o, a o mação dos mo imen os nacionalis as an icoloniais a gelino e guineense da segunda me ade do século XX. O ac o de nos cen a mos na A gélia e na Guiné-Bissau de e-se à o ma como nos ap oximámos des e ema. Foi a a és do in e esse e do es udo do socialismo á abe, sob e udo no Egip o e na Sí ia, casos já mui o es udados, que nos ap oximámos do caso da A gélia e do concei o de „socialismo à a gelina‟. Um pe íodo de es udo em Pa is p opo cionou um maio con ac o com aquilo que se em esc i o em elação à independência da A gélia em F ança e à ensão que ainda exis e sob e o pe íodo da gue a colonial. Decidimos abalha , em pa alelo, o con ex o da Guiné-Bissau, pa a dispo mos de um e mo de compa ação mais p óximo, e po pode mos in e oga a his ó ia po uguesa a pa i de ques ões que não são exclusi amen e nacionais. Is o pe mi iu-nos uma pe spec i a compa ada, pensando naquilo que ap oxima dois p ocessos que passa am po uma longa gue a colonial, ainda que con a duas po ências coloniais dis in as e no seio de di e en es ealidades socio-económicas. Em odo o caso, a c onologia inse e es es dois exemplos num momen o his ó ico mais amplo que e e in luência no desen ola e no des echo dos acon ecimen os conc e os, bem como na o ma como ideologicamen e se ap esen a am e se desen ol e am. Os mo imen os an icoloniais des es dois países ei indica am uma ideia de socialismo, e in e essa ques iona a o ma como es a se desen ol eu nes es con ex os, dialogando com as co en es mais amplas do socialismo á abe e do socialismo a icano. Sem p ejuízo de con on a mos um concei o que nasceu de uma mundi isão uni e salis a, é necessá io pensá-lo, pa a os casos que analisa emos, nas ci cuns âncias em que o mesmo oi ecebido, ans o mado, p oduzido: o con ex o da gue a- ia e do mo imen o dos não-alinhados, o con ex o de ou os mo imen os an icoloniais a icanos e de ou as gue as pela conquis a da independência. 8 Pa ece-nos de e minan e pensa es es casos no seio de um p ocesso global de descolonização que é u o de mudanças es u u ais a ní el in e nacional, com a bipola ização do sis ema e a conco ência en e duas mode nidades an agónicas, a ní el me opoli ano, com o desenho de polí icas coloniais de ambas as po ências e a na a i a que as supo a a, e a ní el colonial, com a eme gência dos mo imen os de libe ação e o diálogo en e eles. De emos ainda e lec i sob e como es as expe iências de socialismo man i e am elações de g ande p oximidade com o nacionalismo á abe e o nacionalismo a icano. Embo a de amos ainda conside a o que con ibui pa a um desen ol imen o dis in o des es dois nacionalismos, nomeadamen e as ca ac e ís icas polí icas que encon amos nos dois con ex os Ŕ na A gélia, com uma maio in e enção de uma eli e indígena no quad o da democ acia ancesa, na Guiné-Bissau e Cabo Ve de, com as condicionan es absolu as de in e enção polí ica no egime ascis a igen e, há que no a uma impo an e semelhança: a de se a a de duas colónias cujo es a u o a me ópole nega a Ŕ em Po ugal, po se conside a uma única nação „do Minho a Timo ‟, e em F ança po , à da a do início da gue a colonial, se concede a descolonização de ou os e i ó ios mas se ei indica a A gélia como a con inuação imedia a da República F ancesa do ou o lado do Medi e âneo. O objec i o a que nos p opomos é analisa a ideia de socialismo no campo da his ó ia das ideias polí icas, en ando comp eende as suas con adições, os seus limi es, mas ambém as suas pa icula idades, a a és do discu so dos in e enien es da época. As i ualidades da his ó ia das ideias polí icas es ão em pe mi i en ende que as ideias não são edi ícios homogéneos e acabados, mas exp essões da ida e das ensões, com as suas con adições, incong uências, lacunas, que a his ó ia pode analisa c i icamen e e onde pode iden i ica sen idos. Nes a p ocu a, pe cebemos que os elemen os mais in e essan es es ão no modo como sujei os polí icos assumem e ans o mam ideias e concei os em unção de como in e p e am a ealidade em que es ão inse idos. Não pensamos que as ideias sejam unidades es á icas e dis in as que se ansmi em, mas an es peças do modo como cada ealidade se exp essa, a iculando o espaço mais p óximo com deba es e mo imen os de maio ôlego e alcance. Deb uçamo-nos sob e o pe íodo en e 1945 e 1975 po se a a do pe íodo mais ma can e da lu a pela independência, nomeadamen e a a és das gue as coloniais ou de libe ação, mas ambém de consolidação da ideologia com o desenho e aplicação (no caso da A gélia) de um g ande conjun o de medidas polí icas e económicas. 15 dé ini ion emb asse ai l‟essen iel, ca , d‟une pa , le capi al inancie es le ésul a de la usion du capi al de quelques g andes banques monopolis es a ec le capi al de g oupemen s monopolis es d‟indus iels; e , d‟au e pa , le pa age du monde es la ansi ion de la poli ique coloniale, s‟é endan sans obs acle aux égions que ne s‟es enco e app op iées aucune puissance capi alis e, à la poli ique coloniale de la possession monopolisée de e i oi es d‟un globe en iè emen pa agé.” 10 O século XX é o pe íodo em que se es abelece de o ma de ini i a o domínio monopolis a das colónias, e a I Gue a Mundial de 1914-1918 se á a p imei a mani es ação uni e sal de uma dispu a pela pa ilha do globo, eco endo ao ex ema da iolência à escala global pa a esol e as con adições en e países impe ialis as. É p ecisamen e a discussão em o no da posição em oma em elação à I Gue a Mundial que i á di idi socialis as de comunis as, que c ia ão a IIIª In e nacional. Os socialis as, ainda que pudessem de o ma ge al a i ma posições humanis as e con á ias ao colonialismo, es a am con encidos de que a gue a e a necessá ia e in e essa a aos abalhado es, nomeadamen e naquilo que implica a a de esa dos e i ó ios coloniais. “A p opos du colonialisme donc, la endance globale de la Deuxième In e na ional, e plus p écisémen de sa sec ion ançaise consis a à peu p ès exclusi emen dans une opposi ion e bale, dominée pa l‟humanisme e le paci isme, mais nullemen ondée su une écusa ion héo ique e me.” 11 Mas as aízes daquela que se ia a in e p e ação dos ma xis as nesse empo es ão incon o na elmen e no pensamen o de Ma x. “Si, ap ès la mo d‟Engels, le déba su la ques ion na ionale s‟es au an dé eloppé au sein du ma xisme, a an ou sous l‟in luence de socialis es appa enan à des mino i és e hniques e à des na ions opp imées, cela signi ie que les éc i s ma xis es classiques su ce e ques ion con enaien quelques sé ieuses limi es e ne pe me aien pas de “ ésoud e” ce e ques ion (cela es pou le moins é iden ), mais égalemen que la héo ie ma xis e é ai indispensable pou con on e les enjeux soule és pa la ques ion na ionale.” 12 Ha ia aco do ela i amen e à necessidade do p ole a iado das nações op esso as se ba e pelo di ei o à au ode e minação, e ambém a que o p ole a iado das nações op imidas i esse em con a que o seu aliado maio e a o p ole a iado das nações op esso as e não a sua bu guesia nacional. No en an o, mui os conco da am com Rosa 10 LÉNINE, Vladimi I., “L‟impé ialisme, phase sup ême du capi alisme”, in Œu es ome 22, p. 287 11 JURQUET, Jacques, La Ré olu ion Na ionale Algé ienne e le Pa i communis e ançais, ol 1, p. 56 12 LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 41 16 Luxembu go na sua con icção de que apenas dos países capi alis as pode ia pa i uma e dadei a e olução social. “Ce n‟es que d‟Eu ope, ce n‟es que des pays capi alis es les plus anciens, que pou a pa i lo sque le emps se a mû , le signal de la é olu ion sociale qui libé e a les hommes.” 13 Pa a Lénine, pelo con á io, a de o a do impe ialismo a ní el mundial dependia da simul aneidade das duas en es de lu a: “L‟impé ialisme mondial ne pou a que s‟éc oule quand l‟o ensi e é olu ionnai e des ou ie s exploi és e opp imés au sein de chaque pays (…) e a sa jonc ion a ec l‟o ensi e é olu ionnai e des cen aines de millions d‟hommes qui, jusqu‟à p ésen é aien en deho s de l‟his oi e e considé és comme n‟en é an que l‟obje . ” 14 Também Sul an Galie , igu a impo an e pa a a his ó ia dos comunis as muçulmanos na União So ié ica, a i ma a em 1919: “(…) nous ne sommes pas ce ains que la seule o ce du p olé a ia eu opéen occiden al soi su isan e pou éc ase la bou geoisie d‟Eu ope occiden ale, pou ce e simple aison que ce e bou geoisie es in e na ionale, mondiale, e que, pou la dé ui e, il au la olon é e l‟éne gie é olu ionnai e de l‟ensemble du p olé a ia in e na ional, y comp is le p olé a ia d‟O ien . ” 15 Em Julho de 1920, no 2º Cong esso da In e nacional comunis a, M. N. Roy, um dos undado es do Pa ido Comunis a Indiano e G. M. Se a i, comunis a i aliano, ep esen a am os dois pólos des a discussão. À a i mação de Roy de que “Le su p o i ob enu pa l‟exploi a ion des colonies es le sou ien p incipal du capi alisme con empo ain, e aussi long emps que celui-ci n‟au a pas é é p i é de ce e sou ce de su p o i , ce ne se a pas acile à la classe ou iè e eu opéenne de en e se l‟o d e capi alis e.” 16 , Se a i espondia : “La aie libé a ion des peuples opp imés ne peu ê e menée à bien que pa la é olu ion p olé a ienne e le égime so ié ique, e non pas pa une alliance empo ai e e acciden elle des pa is communis es a ec les pa is bou geois di s é olu ionnai es.” 17 Mas a discussão não se esumia à cen alidade ou não dos países o ien ais no p ocesso e olucioná io mundial; dizia ambém espei o à es a égia a segui pa a a e olução nesses países, nomeadamen e em elação ao papel da bu guesia democ á ica nacional. Saíam do cong esso duas linhas di e gen es: a de o ja uma aliança com a bu guesia nacional e a a o nacionalismo como uma ase ansi ó ia 13 Rosa Luxembu go, ex ac os de b ochu a publicada em 1916 in CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.186 14 Lénine, ex ac o do ela ó io sob e si uação in e nacional ap esen ado no II Cong esso da IC em 1920 in Idem, p. 196 15 Sul an Galie , a igo publicado no o gão do Comissa iado pa a as Nacionalidades, em 1919 in Idem, p. 240 16 M. N. Roy, ex ac o dos deba es em sessão plená ia do II Cong esso da IC em 1920 in Idem, p. 212 17 G. M. Se a i, ex ac o dos deba es em sessão plená ia do II Cong esso da IC em 1920 in Idem, p. 220 17 em di ecção ao socialismo ou, pelo con á io, ejei a a bu guesia nacional e o ja uma aliança en e o p ole a iado a ní el in e nacional pa a a cons ução do socialismo, con a as ilusões da nacionalidade. 18 Vi ia a en ende -se que os mo imen os nacionalis as de e iam se apoiados apenas se ossem compa í eis com as exigências mais ala gadas do mo imen o global de emancipação dos po os. “This lexibili y on he na ional ques ion, hough ce ainly oppo unis ic by con en ional s anda ds, is, in ac , qui e consis en wi h Ma x‟s dialec ical iew o p og ess, wi hin which means a e always kep subse ien o he end.” 19 A es a égia dos ma xis as, ainda que ideologicamen e cong uen e, não es a a imune a se po sua ez subs ancialmen e in luenciada pelo desen ol imen o do nacionalismo. Pa a José Ne es, a solida iedade en e po os que se inha sob epô à solida iedade en e classes não deixa a de se in e nacionalis a mas e a mais mul icul u alis a do que classis a. 20 O ac o é que os ma xis as subes ima am equen emen e a impo ância dos p oblemas nacionais, mas quando os abo da am oi na li e a u a ma xis a que encon a am á ios con ibu os a esse espei o, o que não in alida as lacunas e con adições que es es pudessem inclui . En e ou os ac o es, de ido à ascensão do ascismo e aos cons angimen os do Pac o Ge mano-So ié ico, os anos 30 na União So ié ica são ma cados po a anços e ecuos ela i amen e ao di ei o à au ode e minação, que eo icamen e de e ia se subo dinado ao socialismo. “Fo he Russian Bolshe iks, who we e in luen ial in he p o isional go e nmen e en be o e hey o e h ew i in No embe , he use o he e m bo h made pe ec sense and ca ied a speci ic meaning. Fo V. I. Lenin, he Bolshe ik leade , he e m implied he disman ling o colonial empi es ha was a c ucial s age in he p og ess he en isioned owa d wo ld e olu ion.” 21 A discussão da a-se em dois 18 PRASHAD, Vijay, The Da ke Na ions: A People's His o y o he Thi d Wo ld, p.20 19 CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 14 20 NEVES, José, Comunismo e nacionalismo em Po ugal: Polí ica, Cul u a e His ó ia no século XX, p.50 21 MANELA, E ez, The Wilsonian Momen . Sel -De e mina ion and he In e na ional O igins o An icolonial Na ionalism, p.37; p.42-43 “Al hough Wilson did bo ow he e m sel -de e mina ion i sel om he language o he Bolshe iks Ŕ socialis and Ma xis heo is s had been using he e m o some ime Ŕ he ga e i a di e en meaning and used i o a di e en pu pose. Fo he Bolshe iks, who always alked speci ically abou “na ional” sel -de e mina ion, i was a call o he e olu iona y o e h ow o colonial and impe ial ule h ough an appeal o he na ional iden i y and aspi a ions o subjec peoples. Wilson, on he o he hand, a ely i e e quali ied sel -de e mina ion as speci ically na ional. Ra he , he used i in a mo e gene al, ague sense and usually equa ed he e m wi h popula so e eign y, conju ing an in e na ional o de based on democ a ic o ms o go e nmen . (…) In addi ion, while Lenin saw sel - de e mina ion as a e olu iona y p inciple and sough o use i as a w ecking ball agains he eac iona y mul ie hnic empi es o Eu ope, Wilson hoped ha sel -de e mina ion would se e p ecisely in he opposi e ole, as a bulwa k agains adical, e olu iona y challenges o exis ing o de s, such as hose he saw in he Russian and Mexican e olu ions. I e olu ion, as he and o he p og essi es belie ed, was a 18 campos dis in os: o di ei o à au ode e minação de po os colonizados po o ças impe ialis as e o di ei o à au ode e minação de po os mino i á ios den o das on ei as das epúblicas socialis as. O mesmo deba e se desen ola ia na China, na Jugoslá ia e no Vie name, bem como no seio de á ios pa idos comunis as po odo o mundo. Lénine de ende a que a igualdade nacional de e ia se alcançada. Pa a isso de e ia exis i necessa iamen e um pe íodo de empo em que se acei a ia o plu alismo cul u al, no qual as mais abe as mani es ações da singula idade de cada nação de e iam se p o egidas pelo Es ado, especialmen e a língua. O lo esce de cul u as nacionais em igualdade e ia em is a a usão numa cul u a comum. A igualdade nacional só pode ia se alcançada a a és de uma igualdade cul u al, económica e polí ica. 22 “I he na ions can be con inced ha hei na ional s a e is al eady a ac , secession becomes a logical ex a agance.” 23 Mas pa a Lénine e a cla o que o plu alismo cul u al, ainda que de esse se enco ajado du an e um de e minado empo, não e ia nenhum alo in ínseco pa a além de se i como ase de ansição pa a um pa ama supe io onde as iden idades nacionais não exis i iam. A assimilação e a um p ocesso his ó ico ine i á el mas as acções que p e endessem acele a o p ocesso de e iam se condenadas, sob e udo po pode em se con ap odu i as e se i em pa a alimen a os sen imen os nacionalis as. 24 O papel con adi ó io do nacionalismo é al ez um dos g andes pa adoxos do século XX: em di e en es momen os es e e ao se iço do impe ialismo e de o ças eaccioná ias e nou os oi a ançado em nome da libe ação de po os op imidos. A con adição não é, no en an o, exp essão de aços incon o ná eis da na u eza humana, mas sim de condições his ó icas conc e as. 25 Te á Lénine desen ol ido a ó mula pa a a e adicação do nacionalismo em o no de um concei o de nacionalismo inadequado? Não se ia ele apenas uma a iedade do nacionalismo, nomeadamen o o nacionalismo mino i á io? No caso da União So ié ica, se olha mos po exemplo pa a o nacionalismo usso e não pa a o nacionalismo uc aniano, e emos mais di iculdades em conclui que o nacionalismo se explica apenas em e mos de op essão e desigualdade. 26 Que os di igen es comunis as sejam ulne á eis a ins in os nacionais, não é su p eenden e, já que es es nasce am no seio de g upos nacionais. Mas o mesmo não signi ica que eac ion o opp ession by au oc a ic, unaccoun able egimes, hen he applica ion o sel -de e mina ion, de ined as go e nmen by consen , would help emo e he e olu iona y impulse and p omo e change h ough a ional, g adual e o ms.” 22 CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 201 23 Idem, p. 219 24 Idem, p. 480 25 LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 70 26 CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, pp. 512-513 19 pe mi am que as suas e e ências nacionais omem p imazia em elação aos in e esses do mo imen o ope á io in e nacional. 27 É jus amen e no uni e salismo e na ideia de que odos os se es humanos de em se libe ados da explo ação que assen a o ma xismo, dis in o da noção de uni e salismo adop ada pelo libe alismo, como sublinha Michael Löwy: “Pou le ma xisme, la aleu ondamen ale de ce e uni e sali é plané ai e es la libé a ion des ê es humains de ou es les o mes d‟opp ession, domina ion, aliéna ion e a ilissemen . Il s‟agi d‟une uni e sali é u opique, con ai emen aux ausses uni e sali és idéologiques qui on l‟apologie du s a u quo occiden al comme é an déjà l‟uni e sel humain ache é, la in de l‟his oi e, l‟esp i absolu éalisé. ” 28 * F an z Fanon esc e e em 1961, em Les Damnés de la e e, que “Les analyses ma xis es doi en ê e oujou s légè emen dis endues chaque ois qu‟on abo de le p oblème colonial ” 29 . Des a o ma a i ma que o ma xismo se encon a a con inado a um luga e que pa a abo da o es o do mundo, nomeadamen e os países colonizados, de e ia es ende os limi es da sua análise. Es a ideia le a-nos à discussão mais ecen e mo i ada pelo his o iado indiano Dipesh Chak aba y 30 sob e a chamada „p o incialização da Eu opa‟. No seio dos es udos pós-coloniais e subal e nos encon amos duas concepções dis in as des a ideia de p o incialização. Se, po um lado, se pode en ende o e mo como um sinónimo de pa icula ização do pensamen o eu opeu „eu ocên ico‟, po ou o lado, es e concei o pode ambém e e i -se à sua deslocação pa a lá da Eu opa, que pe mi i ia a sua uni e salização. Mas a pa icula ização do ma xismo aos mo imen os an icoloniais ai, em mui os casos, ul apassa uma me a adap ação às condições objec i as da no a ealidade, e pode á se quali icada de uma e dadei a „nacionalização‟ do ma xismo, que implica e dadei os p ocessos de adução eó ica e p á ica, da qual é exemplo o caso chinês, mas ambém a discussão desen ol ida en e comunis as muçulmanos da União So ié ica. Logo em 1919, na Con e ência dos comunis as muçulmanos da Ásia Cen al, a di e gência 27 CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, p. 543 28 LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 55 29 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.455 30 CHAKRABARTY, Dipesh, P o incializing Eu ope: pos colonial hough and his o ical di e ence. 20 chega á à p óp ia ideia de opo países desen ol idos a países sub-desen ol idos, oposição en endida como a e dadei a con adição à escala mundial: nos países ociden ais o p ole a iado se ia uma classe mas no O ien e se ia a nação in ei a. 31 Mas não e a jus amen e es a capacidade de se desen ol e em con ex os nacionais pa icula es e de e minados uma p o a acabada do uni e salismo in ínseco do ma xismo? “I is ins ead he o he Ma x, he Ma x who saw his o y as complex and sinuous, he Ma x who s essed he analysis o he speci ici y o di e en his o ical sys ems, he Ma x who was hus he c i ic o capi alism as a his o ical sys em, whom we ough o b ing back o on s age.” 32 A possibilidade dessa adução e a necessidade de uma aplicação c ia i a pa ecem-nos assen a p ecisamen e no ac o de se a a de uma ideologia que p opõe um p ojec o emancipado global, e cuja e icácia depende da capacidade de análise e adap ação aos mais a iados con ex os, ecusando a exis ência de modelos p é- de inidos. Mesmo que, como Lénine, se conside e que odos os po os mais a de ou mais cedo chega ão ao socialismo. “Tou es les na ions iend on au socialisme, cela es inéluc able; mais elles n‟y iend on pas ou es de la même maniè e : chacune conse e a son ca ac è e p op e dans elle ou elle o me de démoc a ie, elle ou elle a ié é de dic a u e du p olé a ia , dans el ou el y hme de ans o ma ion socialis e des di é en s aspec s de sa ie sociale. Rien n‟es plus misé able su le plan héo ique ni plus idicule su le plan p a ique, que de p ésen e “au nom du ma é ialisme his o ique”, l‟a eni sous une couleu uni o mémen g ise : ce se ai un ba bouillage p imi i , ien de plus. ” 33 31 CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.54 32 BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p. 127 33 Lénine, ci ado po K uch che , ex ac o de deba es do XX Cong esso do PCUS in CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p.400 21 Ma xismo e nacionalismo nos mo imen os an icoloniais. Concebido como espos a aos p oblemas dos países capi alis as, o ma xismo i á iun a em países pouco desen ol idos do pon o de is a económico, na Ásia, em Á ica e na Amé ica La ina. Fo ma de pensa eu opeia, com o igens na adição judaico- c is ã, p e ende o con olo da na u eza pelo homem, mas o a da Eu opa, onde não se assis e necessa iamen e ao mesmo p ocesso his ó ico, e á luga um encon o do qual o ma xismo não sai á inal e ado. Esc e e Hélène Ca è e d‟Encausse, “Le déplacemen p og essi du cen e de g a i é de la é olu ion e s les pays non eu opéens cons i ue en ai l‟un des ai s les plus appan s e les plus incon es ables de l‟his oi e du monde depuis un demi-siècle. (…) L‟appa i ion de ce monde nou eau e le déplacemen e s lui du cen e de la é olu ion, on donc susci é pa mi les communis es eu opéens us a ion e ame ume, andis que les communis es des anciens pays dépendan s saluaien a ec en housiasme ce e é olu ion. Aux uns e aux au es, elle a posé des p oblèmes héo iques considé ables.” 34 Mesmo que o ma xismo de Ma x osse já passí el de se adap ado às condições do O ien e, se á Lénine a aze a mediação eó ica en e a e olução eu opeia e o mundo não eu opeu. O seu con ibu o i á opo -se aos que conside a am que a e olução só chega ia às colónias a eboque da e olução nas me ópoles. Do mesmo modo que uns ha iam le ado a „ci ilização‟ às colónias, aqueles que le a am a „ e olução‟ inham di iculdade em admi i que os a é ago a colonizados ossem capazes de c ia uma sociedade no a que não osse uma simples imi ação da sua. 35 De Ma x chegam-nos poucos elemen os, b e es e agmen á ios, sob e as sociedades ex a-eu opeias. A con adição no seu pensamen o ela i amen e aos países não-eu opeus é aquela que opõe o seu eu ocen ismo, no plano cul u al, à isão uni e salis a, no plano es a égico. O caso- ipo do p oblema nacional e a o da Eu opa O ien al, pelo que Ma x e Engels não ap o am globalmen e os mo imen os de emancipação nacional em con ex o colonial, como a ão mais a de Lénine e ou os ma xis as. Diz-nos Ca los Ra ael Rod iguez, di igen e comunis a cubano, na in odução do seu es udo Lenine e a Ques ão Nacional: “Ka l Ma x chega-nos a nós, la ino- 34 CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, pp.7-8 35 Idem, p. 11. 22 ame icanos, pela ia do in elec o. A sua ob a ap isiona-nos; no en an o, exige quase semp e que, ao aplicá-la, nos si uemos no espaço e no empo. Não esc e eu di ec amen e pa a nós, es udou-nos de longe e iu-nos como pa e de um odo, no qual Ŕ num sen ido mui o hegeliano, mas já «ma xis a» - deu p imazia à Eu opa. Lénine ambém nos seduz in elec ualmen e: po ém, a a-se já de uma a acção menos emo a. A sua ob a oi ei a em ci cuns âncias que nos são p óximas e com ma e iais que nos são amilia es.” 36 Se á apenas no início do século XX que a IIª In e nacional começa á a discu i o colonialismo. Ha ia os que conside a am que o colonialismo pode ia melho a as condições de ida dos abalhado es eu opeus e dessa o ma as condições objec i as pa a o p ocesso e olucioná io, mas a eacção habi ual dos socialis as e a nega i a, seja po humani a ismo seja po que nele se ia um emp eendimen o luc a i o exclusi amen e pa a a bu guesia. “Fo many, he non-Wes e n wo ld was s ill, as in Ma x‟s ime, an objec . I was o g ea impo ance, o cou se, because i had now become an objec o Wes e n compe i ion and conques ; as such, i had also become a possible igge o wa , an issue cen al o he In e na ional‟s conce ns in his pe iod. Bu i was an objec ne e heless, upon which he Wes was ac ing, and which he e o e equi ed a esponse om Eu opean socialis s.” 37 A a i ude de Lénine pa a com as lu as de libe ação dos po os coloniais e a u ili á ia, na medida em que es a pode ia con ibui pa a a lu a mais as a pela libe ação social. A p emissa que o le a a a apoia globalmen e os mo imen os an icoloniais e a, no en an o, a de que um po o op esso jamais se ia um po o li e. Pa a o Komin e n, o Te cei o Mundo cons i uía incon es a elmen e uma o ça de apoio à e olução p ole á ia, mas pa a os comunis as des es países as massas coloniais e am concebidas como agen e ac i o e não apenas objec o da es a égia global. 38 Pa a Es aline, em 1923, a a a-se de uma ques ão de p io idades: “Il es clai pou nous, communis es, que la base de ou e no e ac ion es le a ail qui consis e à consolide le pou oi des ou ie s ; e c‟es seulemen ensui e que se pose pou nous l‟au e ques ion, qui es ès impo an e, mais subo donnée à la p emiè e, la ques ion na ionale.” 39 O con ibu o dos comunis as dos países colonizados e a imp escindí el pa a a e olução a ní el mundial, 36 RODRIGUEZ, Ca los Ra ael, Lenine e a ques ão colonial, p. 8 37 SETH, Sanjay, Ma xis Theo y and Na ionalis Poli ics, he case o colonial India, p.37 38 RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.307 39 Es aline, ela ó io pa a o XII Cong esso do PCUS em 1923 in CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 246 23 já que es es se con on a am com a aplicação da eo ia ma xis a a con ex os em que a massa p incipal e a o campesina o e onde se a a a de comba e não o capi al mas o que se conside a a se em es ígios da Idade Média. 40 Se uma e olução socialis a inha oco ido na Rússia, um país pouco desen ol ido indus ialmen e, po que não pode ia oco e no Te cei o Mundo? Pa a além de que o ma xismo e a o único a o nece uma análise e uma explicação coe en es do impe ialismo, p oblema undamen al com o qual os nacionalis as dos po os colonizados se con on a am. Con udo, se as lu as nacionais pela au ode e minação e am, sem dú ida, lu as an i-impe ialis as e e olucioná ias, al não signi ica a necessa iamen e se em poli icamen e p og essis as. “The Eas en e ed his o y, and Ma xis heo y, as he colonial ques ion; i s de ining ea u e was seen o lie in i s subjuga ion and he e o e he o m o i s his o ical subjec i i y was seen as a s uggle agains ha subjuga ion, o na ional libe a ion. E en hough he con en o ha s uggle was likely o be „bou geois- democ a ic‟, in i s speci ic Ŕ colonial Ŕ con ex , his s uggle was „ e olu iona y‟.” 41 O caso do Egip o e da isão de Nasse é pa adigmá ico do que di e encia a concepção ma xis a e nacionalis a de his ó ia. “Fo cé d‟adme e la nécessi é d‟une lu e sociale in e ne, Nâçe n‟y oi qu‟une pénible a ali é qui expose au dé eloppemen des mau ais ins inc s. Le bien, c‟es l‟uni é na ionale, le mal la di ision. La concep ion es exac emen l‟in e se de la ision ma xis e. Dans celle-ci, c‟es la lu e in e ne qui es saine, qui dé eloppe les plus nobles quali és. Au con ai e, les lu e ex e nes, même en ue d‟un a anchissemen , di isen , de açon déplo able, les a ailleu s qui de aien s‟uni (p olé ai es de ous les pays unissez- ous !), dé eloppen les ins inc s p éhis o iques de l‟égoïsme de g oupe, on é og ade l‟humani é.” 42 Quando pensamos no nacionalismo enquan o ideologia, de emos en a pe cebe quando su ge. Alguns au o es julgam que su ge com a eme gência do Es ado-nação no século XV e XVI. Ou os, como Hans Kohn, pensam que e á su gido mais a de, com as e oluções bu guesas, nomeadamen e a ancesa de 1789. Nesse momen o, o Es ado deixa de se o Es ado Real pa a se o Es ado do Po o e da Pá ia. 43 O concei o de nacionalismo nunca ope a sozinho, azendo pa e de uma cadeia que inclui e mos como espí i o cí ico, pa io ismo, populismo, e nicismo, 40 CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 225 41 SETH, Sanjay, Ma xis Theo y and Na ionalis Poli ics, he case o colonial India, p.58 42 RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.636 43 LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion ma xis e, p.7 24 e nocen ismo, xeno obia, chau inismo, impe ialismo. Na elação en e os concei os de nacionalismo e nação, podemos conside a que o p imei o é a ideologia e o segundo é alegadamen e a ealidade (sendo es a semp e uma cons ução/ ep esen ação que co esponde a uma base ma e ial, social e cul u al, além de polí ica). Podemos ques iona -nos, no en an o, se a exis ência da ideologia não é consequência ine en e à exis ência de nações. “Mus he „na ion‟ i sel (...) be conside ed as a „s a e‟ o as a „socie y‟?” Ou seja, pode emos conside a o nacionalismo como o esul ado ideológico do ca ác e impe ialis a dos Es ados? 44 Podemos suge i ainda, nes a linha de ideias, que a ideia de nação e o nacionalismo dele deco en es são e amen as pos as ao se iço do impe ialismo, de o ma a coloca em segundo plano a ques ão da lu a de classes. Em Race, Na ion and Class, Baliba e Walle s ein demons am como ês concei os undamen ais da es u u a económica mundial do capi alismo Ŕ aça, nação e g upo é nico Ŕ nunca são elacionados di ec amen e com o de classe. “The concep o „ ace‟ is ela ed o he axial di ision o labou in he wo ld-economy, he co e-pe iphe y an inomy. The concep o „na ion‟ is ela ed o he poli ical supe -s uc u e o his his o ical sys em. The concep o „e hnic g oup‟ is ela ed o he c ea ion o household s uc u es ha pe mi he main enance o la ge componen s o non-waged labou in he accumula ion o capi al. None o he h ee e ms is di ec ly ela ed o class.” 45 O nacionalismo da classe dominan e não pode, no en an o, se equipa ado ao nacionalismo dos po os dominados, mesmo que exis am elemen os comuns e que es e úl imo não in alide a e olução ou a é a coexis ência de nacionalismos op esso es na sua es e a. Podemos conside a , po conseguin e, que exis em dois ipos de nacionalismo: “The e is he one which ends o cons uc a s a e o a communi y and he one which ends o subjuga e, o des oy; he one which e e s o igh and he one which e e s o migh ; he one which ole a es o he na ionalisms and which may e en a gue in hei de ense and include hem wi hin a single his o ical pe spec i e ( he g ea d eam o „Sp ing ime o he Peoples‟) and he one which adically excludes hem in an impe ialis and acis pe spec i e.” 46 Mas o nacionalismo dos po os op imidos i á e olui pa a um nacionalismo de libe ação a a és do seu encon o com o ma xismo. Esse encon o, no chamado 44 BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p.46 45 Idem, p.79 46 Idem, p.34 31 II/ Os casos da A gélia e da Guiné-Bissau “ Moi, l‟homme de couleu , je ne eux qu‟une chose : que jamais l‟ins umen ne domine l‟homme. Que cesse à jamais l‟asse issemen de l‟homme pa l‟homme. C‟es -à-di e de moi pa un au e. Qu‟il me soi pe mis de décou i e de ouloi l‟homme où qu‟il se ou e. (…) Mon ul ime p iè e : Ô mon co ps, ais de mois oujou s un homme qui in e oge !” 71 “Libe a -se da dominação es angei a não é o único desejo do nosso po o. Ele ap endeu pela expe iência e sob a op essão colonial que a explo ação do homem pelo homem é o maio obs áculo ao desen ol imen o e ao p og esso de um po o, pa a além da libe ação nacional.” 72 As eacções à ocupação colonial do con inen e a icano i e am um ca ác e a um empo gené ico e especí ico. Os p ocessos de ocupação i e am luga ao longo de pe íodos ex ensos, com especial incidência na p imei a me ade do século XX. As eacções o am-se azendo sen i , an o localmen e, em cada espaço ocupado, com os seus empos p óp ios, como nos con on os polí icos à escala plane á ia. Ve emos ago a, a pa i dos dois exemplos escolhidos, o pa alelo e as di e enças, as discussões que inham luga no plano in e nacional e ansnacional e as dinâmicas locais, incluindo a cons ução de iden idades polí icas an agónicas que não inham exis ido a é ao momen o em que os con li os eclodi am. Ve emos, assim, a his ó ia dos mo imen os an icoloniais, do seu discu so e das suas ei indicações, na A gélia e na Guiné-Bissau, a o ma como su gi am e como se desen ol e am. Os dois p ocessos não são linea es, azão pela qual impo a comp eende as á ias ci cuns âncias que condiciona am es as duas ealidades, num in e alo de empo p óximo. O papel do mo imen o comunis a in e nacional, nomeadamen e a pa i dos países colonizado es que aqui es ão em causa, em Po ugal e em F ança, é ele an e, não apenas pelo que consegue cons ui , mas ambém pelas eacções, po ezes de up u a, que mo i a. Os elemen os que que emos des aca nes e capí ulo são undamen ais pa a encon a mos espos as pa a as ques ões que colocamos, já que é nas expe iências conc e as, nas pa icula idades da his ó ia polí ica dos dois con ex os, que se cons oem iden idades e se explicam as opções e as ca ac e ís icas 71 FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.251 72 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, p.45 32 des es mo imen os. Quais o am en ão as especi icidades da cul u a polí ica da colónia e do modo como cons uiu p opos as polí icas al e na i as? De que o ma as suas eli es independen is as e as suas populações desen ol e am a sua lu a e que peso i e am os ins umen os polí icos exis en es, nomeadamen e os pa idos comunis as? Unidade an icolonial Se se analisa a ques ão colonial em peças sepa adas, apenas se pode alcança uma isão deshis o icizada das gue as de independência e dos mo imen os de libe ação, com o F on de Libé a ion Na ional (FLN) e o Pa ido A icano pa a a Independência da Guiné e de Cabo Ve de (PAIGC) como ac o es maio es. A conquis a da independência de e, an es, se is a como o p olongamen o de um p ocesso his ó ico ca ac e izado po uma colonização que, passando po á ias ases e in ensidades, oi um modelo de domínio sob e o ou o. Um p ocesso ma cado igualmen e pelo en ol imen o das colónias em duas gue as mundiais, pelo ap o unda de uma iolência e op essão no malizadas, pela o ma como se desen ol eu o pensamen o an icolonial em diálogo com as eli es in elec uais e ac i is as polí icos das me ópoles. o O FLN O e i ó io a gelino oi objec o de di e sas in luências ao longo da sua his ó ia. A sua população de o igem be be e en ou em con ac o com a expansão á abe e o Islão a pa i do século VII e a a essou as á ias dinas ias que se segui am, a é à chegada do Impé io O omano em 1570. A p esença u ca du a ia ês séculos a é à ocupação ancesa em 1830. Não se pode es uda a A gélia como uma en idade sepa ada da e olução des es impé ios. Também o con on o en e espanhóis e u cos o omanos no Medi e âneo ma cou o des ino do Mag eb, já que, com a conquis a c is ã de G anada em 1492, es e se ai e ugia , à excepção de Ma ocos, na p o ecção da Sublime Po a, sem ca ac e iza a si uação como uma colonização. Em 1587 a A gélia é uma p o íncia do Impé io O omano com on ei as bem delimi adas com os seus izinhos. 73 A 30 de Ab il de 1827, um inciden e en e Dey Hussein e o consul De al é o p e ex o do go e no ancês pa a in e i mili a men e. Mohammed Ha bi, his o iado 73 STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 36 33 a gelino, explica o que en ende como di e ença en e a dominação o omana e ancesa. “La dé ini ion de la domina ion o omane comme colonisa ion es à eje e pou deux aisons. La p emiè e ésul e de la na u e même du sys ème o oman. L‟idée d‟une u quisa ion lui es é angè e. (…) Au con ai e, l‟opposi ion à la F ance se a oujou s écue comme un a on emen a ec l‟é ange , c‟es -à-di e le ch é ien, e ce, indépendammen du ca ac è e laïc de l‟É a ançais.” 74 Em 1830 não exis e uma sociedade a gelina no singula . Exis e um e i ó io a gelino onde se jus apõem á ias sociedades com composições especí icas, di e en es imagens de si mesmas e men alidades. As bases económicas são um obs áculo à a i mação de um g upo dominan e es á el. As noções de po o e de sobe ania nacional es ão ausen es mas a ocupação ancesa dá luga a um pe íodo de caos em que não se econhece uma au o idade legí ima. Abd el-Kade i á mobiliza os a gelinos con a o domínio ancês, que se á impos o a a és da gue a. De 3 milhões de habi an es em 1830, a A gélia passa a 2 milhões e cem mil em 1872. A colonização ancesa a i ma-se como um assun o es a al, onde pa a além dos con li os mili a es e á luga uma impo an e polí ica de exp op iação de e enos às ibos a gelinas, e enos que se ão ocupados po colonos anceses. 75 A A gélia ans o ma-se apidamen e na jóia do impé io colonial ancês. O desen ol imen o do capi alismo no mesmo pe íodo az com que a mode nização chegue com a colonização. Mas a mode nização az no os alo es e hábi os pa a apidamen e os nega aos a gelinos: “Les oies e ées, les ou es, les exploi a ions miniè es, les banques, les écoles e les hôpi aux mode nes, même s‟ils on é é c éés à l‟usage des Eu opéens p o i en aussi aux Algé iens e di usen de nou elles habi udes e de nou elles aleu s. (…) La colonisa ion n‟ou e des po es que pou les e e me aussi ô . (…) En e e , l‟école inculque des no ions nou elles: le peuple, la na ion, la sou e aine é populai e, l‟égali é. (…) C‟es au nom de l‟égali é que commencen les p emiè es con es a ions du sys ème colonial.”. 76 O nacionalismo c esce nas décadas seguin es e é um mo imen o plu al, seja islâmico seja secula . A eme gência do nacionalismo começa en e a comunidade a gelina em F ança com o nascimen o da É oile No d-A icaine (ENA), po inicia i a da 74 STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p.44 75 Idem, pp. 45-49 76 Idem, pp.50-52 34 In e nacional Comunis a, em 1926. 77 Es e pa ido e e uma impo ância maio na a i mação do pensamen o an icolonial e no desen ol imen o do ac i ismo polí ico en e os a gelinos esiden es em F ança no pe íodo en e gue as, e se á escola de mui os nacionalis as que es a ão na en e da lu a pela independência no pós II Gue a Mundial. “Reg oupés dans ce Pa is bouillonnan , ou dans quelques au es g andes illes ançaises, soumis à ou es les doc ines nou elles don leu analphabé isme ne pe me ai de saisi que les idées o ces simples, celles qui épondaien à leu amou de la pa ie e à leu soi de digni é; exilés, pe dus dans un monde qui leu é ai , malg é ou hos ile, les émig és ne e in en qu‟une o mule, l‟indépendance de la Pa ie Algé ienne.” 78 Assim, é impo an e e em con a o e ei o da p opagação das ideias que se desen ol em na Eu opa, que o colonizado não an ecipa a: ideias democ á icas, com des aque pa a a secula ização do Es ado, as ei indicações sociais, os ideais socialis as, alo es que a colonização não espei a a na A gélia e que alimen a ão a legi imidade da ei indicação do di ei o dos po os à au ode e minação. Os li os de his ó ia o icial ma cam o 1 de No emb o de 1954 como o dia ze o da libe ação nacional. Se ia o início de um pe íodo de quase oi o anos de gue a, mas só em 1999 é que a Assembleia Nacional ancesa o a á que os a é en ão „acon ecimen os da A gélia‟ passem a se designados gue a. 79 No en an o, a his ó ia do pe íodo an e io a 1954 é con ada, no con ex o a gelino, pa a enquad a e exal a a lu a pela independência, esba endo con li os e disco dâncias den o do mo imen o. A i ó ia que se consolida em 1962 oi uma i ó ia signi ica i amen e mais polí ica do que mili a . O FLN su ge no seguimen o, ainda que em con li o, do Pa i du Peuple Algé ien (PPA) e do Mou emen pou le iomphe des libe és démoc a iques (MTLD). Pa a se comp eende as escolhas polí icas do FLN du an e a gue a é necessá io analisa as con inuidades e up u as em elação aos mo imen os que exis iam an es de 1954 e a e olução das suas ei indicações. Messali Hadj e a um impo an e ac i is a da ENA a é o mo imen o ompe com a in luência do PCF no inal dos anos 20. Nes a al u a, a maio pa e dos nacionalis as coloca am a exigência da assimilação. O mo imen o dos Jeunes algé iens, po exemplo, ei indica a a ep esen ação de a gelinos no pa lamen o ancês, onde a é 1946 apenas anceses da A gélia e iam luga . Também a Fédé a ion des élus 77 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, pp. 183-188 78 Idem, p. 204 79 STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 731 35 musulmans (FEM) e a pela assimilação. Com a i ó ia do F on Populai e em F ança, os nacionalis as es a am con encidos de que ganha a ambém a assimilação. 80 O pe íodo de 1936-1939 oi decisi o na his ó ia do e o mismo polí ico. O F on Populai e, apoiado pela esque da e pa icula men e pelo PCF, encon a a um pa cei o no Cong ès Musulman, que se á a p imei a en e polí ica a gelina, onde pa icipa am a FEM, o Pa i Communis e Algé ien (PCA) e os Oulémas 81 , mo imen o eligioso que p e endia o ganiza os muçulmanos a gelinos poli icamen e. Es a união en e e o mis as muçulmanos e comunis as ez-se em de imen o da ques ão nacional, em o no de um p og ama de união polí ica en e a A gélia e a F ança e de assimilação. Em 1936, num encon o do Cong ès Musulman, Hadj decla a ejei a a assimilação e ei indica a independência. No ano seguin e o go e no de Léon Blum p oíbe a ENA e Hadj c ia o PPA. 82 Em 1943, Fe ha Abbas, que i ia a se P esiden e do Go e no P o isó io da República A gelina (GPRA), ap esen a o Mani es e Algé ien, que ei indica uma República A gelina ede ada na República F ancesa. 83 É c iado o mo imen o dos Amis du Mani es e e de la Libe é (AML) que apidamen e passa a se lide ado pelo PPA. 84 Em Maio de 1945 dá-se uma en a i a imp o isada de insu eição que le a o PPA a se p oibido. Os „É olués‟ ligados a Fe ha Abbas eúnem-se num mo imen o na linha do Mani es o Ŕ a Union Démoc a ique du Mani es e Algé ien (UDMA), em 1946. 85 Nas eleições legisla i as de 1946, o PPA ilegal pa icipa a a és do MTLD, mo imen o o emen e an icomunis a, ainda que man endo um diálogo com o PCA. 86 Mas desen ol e-se a endência de uma up u a iolen a que Hadj não acompanha a. Es e não e a con a a lu a a mada, comp eendia que a independência não i ia das eleições, mas ac edi a a que es a de e ia se pa e de uma ope ação polí ica. Em 1947 é undada a O ganisa ion spéciale (OS) den o do MTLD pa a o ganiza o le an amen o. A OS é descobe a pela polícia ancesa em 1950 e o MTLD desma ca-se dos seus mili an es, que lhe gua da ão um anco conside á el. Em 1953 dá-se uma dissidência en e 80 Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, pp. 604-606 81 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, p. 332 82 Idem, pp.417-426, 487 83 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, pp. 641-643 84 Idem, pp. 669-773 85 Idem, p. 729. 86 Idem, p. 756 36 apoian es de Messali (messalis as) e do Comi é Cen al e Sec e á io-Ge al do MTLD, Ben Khedda (cen alis as). 87 Em 1954 ha e á duas endências conco en es. No e ão, um comi é de 22 a gelinos, compos o po an igos OS, decide a insu eição. O comi é e olucioná io é compos o po no e che es his ó icos: Mos e a Ben Boulaïd, La bi Ben M‟Lidi, Rabah Bi a, Mohammed Boudia , Mou ad Didouche, Belkacem K im, e ês e ugiados no Egip o, Hocine Aï Ahmed, Ahmed Ben Bella, Mohammed Khide . A insu eição começa a 1 de No emb o de 1954 com um ex o assinado pelo FLN e o seu b aço a mado, a A mée de Libé a ion Na ionale (ALN). 88 Pa a os nacionalis as que mili a am no FLN, a lu a a mada e a o meio na u al e ine i á el que in oduzia os a gelinos na oda da his ó ia, já que apenas a a és dela se iam capazes de conquis a a independência. Lê-se num a igo de F an z Fanon 89 , no El-Moudjahid, em 1957: “En é i é, il n‟y a pas aujou d‟hui un p oblème algé ien, il y a un p oblème ançais. En e e , qui di p oblème suppose des solu ions inconnues. O pou l‟Algé ie la oie es ou e acée, c‟es la ma che e s l‟indépendance, c‟es la lu e é olu ionnai e pou econqué i un d oi na u el, un d oi légi ime. La ou e peu ê e longue e di icile, mais il n‟y en a pas d‟au e. L‟Algé ie sui le mou emen his o ique.” 90 O FLN é um sucesso do PPA-MTLD e simul aneamen e a azão do seu im. É ideologicamen e he e ogéneo, já que é compos o po concepções di e sas quan o ao que se p e endia cons ui com a independência. O PPA-MTLD, com um ca ác e mais u bano, acaba á po se a ins i uição do empo de paz, já que p e endia abalha nas ma gens do uncionamen o democ á ico, e o FLN, com uma incidência mais u al, a ins i uição do empo de gue a, agindo o a da lei colonial (“ho s la loi”). Os „cen alis as‟ acaba ão po se jun a ao FLN; já Messali, com um imaginá io mais p óximo do PCF, con inua á con encido de que a lu a a mada se á incapaz, sozinha, de cons ui a A gélia independen e. O FLN não acei a á qualque o mação pa a além dele p óp io nem oposição in e na, que se á eliminada isicamen e, p e endendo ompe com 87 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, pp. 837-840 88 Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, pp. 608-609 89 F an z Fanon (1925-1961), nascido em Ma inica nas An ilhas ancesas, e á um papel cen al na consolidação do pensamen o an icolonial. Psiquia a de o mação, desde cedo se á con on ado com a iolência psicológica da op essão colonial no indi íduo colonizado, pelo que i á a e lec i sob e o luga do acismo na es u u a colonial, nomeadamen e em elação ao neg o e ao á abe. Os seus esc i os se ão lei u a ob iga ó ia pa a uma ge ação de ac i is as an icoloniais. 90 FANON, F an z, Éc i s su l‟aliéna ion e la libe é - œu es II, p. 470 37 o passado polí ico plu alis a da A gélia, que conside a a ac o de agilidade do mo imen o nacionalis a. O discu so do PPA-MTLD e do FLN é ambém di e gen e: o p imei o p opõe a conquis a da independência, o segundo p e ende uma e olução. Re olução, em á abe haw a, signi ica golpe de cóle a, e ol a, insu eição, e em um signi icado incado de mudanças socio-económicas. Ao con á io do MTLD, o FLN ala de e o ma ag á ia e da cons ução de uma „ épublique sociale‟. 91 Os ó gãos do FLN a a és dos quais conseguimos analisa o discu so do mo imen o são os jo nais Résis ance algé ienne e o El-Moudjahid, e ainda o jo nal do Wilaya 4 92 , chamado Ré olu ion. A p opos a mais à esque da no seio do FLN em de um g upo in e no chamado Fédé a ion de F ance, que abo da a laicização e ci a Fanon e Fidel Cas o. Podemos dize que há uma ecusa de concebe a e olução social in e na: ela é semp e „an icolonial‟. O p og ama, mais à esque da, elabo ado pela Fédé a ion de F ance nunca se á seque ap esen ado ou discu ido. Re olução, pa a mui os quad os do FLN, signi ica apenas subs i uição, gue a de libe ação/jihad. 93 Ou a cons an e en e o PPA-MTLD e o FLN é o a as amen o das mulhe es, com base na ideia de que, com a independência, as mulhe es não e iam mais azões pa a a e ol a. O abu em ma é ia do papel das mulhe es é acompanhado pela ausência de discussão em elação ao luga do Islão na A gélia independen e. 94 O jo nal El-Moudjahid, ó gão cen al do FLN, o na públicas as decisões e omadas de posição no pe íodo de 1956 a 1962. In eg almen e em ancês, as suas ep esen ações da inalidade da lu a de libe ação nacional, das suas mo i ações e ideias, azem-nos c e que es e se di igia sob e udo à opinião in e nacional e não an o aos mili an es a gelinos. Os emas abo dados iam desde o nacionalismo, a unidade e a iden idade eligiosa à exal ação do passado e à eap op iação da his ó ia nacional. A sobe ania ei indica-se com base na o al união do po o, pelo que os con li os são impensá eis, o que dá luga a uma o ma pa icula de in eg a algumas posições ma xis as. Monique Gadan , que es udou o FLN a a és do discu so do seu jo nal, a i ma que aquilo que seduzia o FLN na ideologia ma xis a e a a p á ica dos pa idos comunis as: o cen alismo democ á ico, a ideia de mili an e e de homem no o, o 91 Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 622 92 No deco e da gue a colonial, a A gélia es a á di idida em á ios Wilaya, que co espondiam a g upos de gue ilha clandes ina a pa i dos quais se o ganiza a a lu a a mada. 93 Gilbe Meynie «Le PPA-MTLD e le FLN-ALN, é ude compa ée», in STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p. 629 94 Idem, p. 631 38 sac i ício do indi íduo ao g upo, a capacidade mobilizado a, azão que a le a a apelida as posições do FLN de „ma xismo objec i o‟. 95 Sob a pala a de o dem „ é olu ion pa le peuple e pou le peuple‟, o jo nal aduzia uma on ade de jun a à lu a a mada a acção polí ica. Em 1957, a edacção, da qual aziam pa e nomes como Redha Malek, F an z Fanon, D . Chaule e Abbane Ramdane, ins ala-se em Tunis, e a é 1962 se ão edi ados 91 núme os. 96 Se exis e um ca ác e islâmico na publicação, es e pe manece ambíguo, já que, pa a um público in e nacional, ela se ap esen a a como a i mação cul u al ele an e pa a a lu a pela sobe ania polí ica. A linguagem laica alia-se a e e ências de um ca iz á abe-islâmico pa a es abelece uma especi icidade, uma di e ença em elação ao es angei o a que se di ige. “Le na ionalisme algé ien s‟a i mai en p oclaman son appa enance à l‟ai e cul u elle a abe, l‟Algé ie a abo-islamique s‟opposai à l‟Algé ie e e ançaise comme la éali é s‟oppose à la ic ion.” 97 Res au a-se a nação na medida em que se es au a uma he ança cul u al, um sis ema de alo es longamen e ep imido, onde a eligião em um papel cen al. Is o não signi ica necessa iamen e que a adesão ao Islão obs uísse a elação com ou as mensagens, nomeadamen e as p o enien es de co en es polí icas associadas a sis emas laicos. Ao mesmo empo, um no o humanismo e a p opos o, nomeadamen e em a igos de Fanon, que c ia a um sen imen o de solida iedade en e odos os po os colonizados, solida iedade maio do que, alega am, alguma ez pode ia exis i em elação às classes abalhado as das me ópoles. A ap oximação ao concei o de socialismo não se e i ica, po an o, a pa i de uma noção de solida iedade de classe in e nacionalis a, mas pelo ac o de es e es a ca egado de o ça ei indica i a con a o colonialismo. “(…) d‟où la eche che ap ès l‟indépendance d‟un modèle “spéci ique” de socialisme, d‟où ou es les a ié és de socialisme musulman dans lesquelles se mêlen la é olu ion na ionale e les aspi a ions de ou es les classes dominées, d‟où ce e opposi ion en bloc au colonialisme lou de de con adic ions.” 98 O homem no o é o colonizado libe ado do jugo do colonialismo, que pode á en ão i e numa sociedade sem con li o de qualque espécie, cons uindo o socialismo „à a gelina‟ : “Il se de é é ence pou exp ime l‟aspi a ion collec i e à un p og ès social mais il es en même emps e usé comme héo ie du social 95 GADANT, Monique, Islam e na ionalisme en Algé ie : d‟ap ès «El Moudjahid», o gane cen al du FLN de 1956 à 1962, p. 12 96 Idem, p. 16 97 Idem, p. 19 98 Idem, p. 39 39 impliquan la lu e des classes, laquelle es jugée é angè e aux socié és conce nées. Pu gé de ce concep é olu ionnai e, le socialisme n‟appa aî plus comme ac eu de di ision e de ien assimilable pa le na ionalisme.” 99 Na Cha e Na ionale 100 p omulgada em 1976, lê-se : “Le socialisme en Algé ie n‟es ni une op ion a bi ai e, ni un sys ème impo é qu‟on au ai plaqué de l‟ex é ieu su le co ps ine e de la Na ion, mais un p ocessus i an qui plonge ses acines dans la lu e de libé a ion na ionale, un p ocessus in imemen lié à la Na ion enaissan e e à son de eni .” Mas pouco se disse, du an e os anos de gue a colonial, sob e a na u eza de classe do pode de Es ado. O p ojec o ap esen ado esumia-se a uma on ade de cons ui um Es ado, mas sem ca ac e iza a sociedade u u a. Ao longo dos p imei os meses de independência, o am á ias as e e ências do embaixado ancês na A gélia, Jean-Ma cel Jeanneney, ao ca ác e socialis a do desen ol imen o económico do país. Num ela ó io sob e um jan a em que es a a p esen e Ben Bella, em Agos o de 1962, Jeanneney esc e e: “J‟ai demandé à M. Ben Bella ce qu‟il en endai pa l‟exp ession «socialisme à l‟a gé ienne» qu‟il a ai employée dans une écen e décla a ion. La F ance ne pou ai s‟e aye du mo si le p og amme qu‟il impliquai n‟é ai pas de na u e à comp ome e la coopé a ion anco- algé ienne. (…) Il es bien é iden que nos indus iels n‟in es i on dans ce pays que s‟ils son assu és, d‟une pa , que leu s en ep ises ne soien poin na ionalisées, d‟au e pa , de e i e un jus e béné ice de leu s a ai es. M. Ben Bella m‟a semblé conscien de l‟impo ance de ce p oblème. Il m‟a a i mé qu‟il ne songe pas à p océde à des na ionalisa ions. Il demandai seulemen que les en ep ises ançaises, don il souhai ai la mul iplica ion, éin es issen en Algé ie une pa aisonnable de leu s p o i s.” 101 Também em Agos o de 1962, em ins uções ao embaixado , a adminis ação ancesa esc e ia em elação ao ca ác e socialis a da no a República A gelina e à decla ada posição de não-alinhamen o: “Au-delà des ho izons a icains, le GPRA en end adhé e à la doc ine de non-engagemen . Ce e posi ion n‟es peu -ê e pas con o me à nos œux, mail il au y ele e au moins un élémen posi i : le e us de s‟in éode au bloc so ié ique, con i mé pa l‟a i ude cons an e du FLN à l‟éga d du pa i communis e algé ien. Les mesu es d‟inspi a ion socialis e que le gou e nemen algé ien pou a 99 GADANT, Monique, Islam e na ionalisme en Algé ie : d‟ap ès «El Moudjahid», o gane cen al du FLN de 1956 à 1962, p.40 100 Algé ie, naissance d‟une socié é nou elle, le ex e in ég al de la cha e na ionale adop ée pa le peuple algé ien, 1976. 101 LISKENNE, Anne, L‟Algé ie Indépendan e, l‟ambassade de Jean-Ma cel Jeanneney, pp. 108-109 40 p end e en ma iè e économique ne se on donc pas à in e p é e comme une p eu e de la «so ié isa ion» oujou s annoncée, jamais éalisée, des pays ex-coloniaux.” 102 A in luência do mo imen o dos não-alinhados se á de e minan e pa a a na a i a do Es ado A gelino após a independência. A 15 de Ab il de 1974, Houa i Boumediene discu sa em Cuba e a i ma que “Tan p on o como hemos ecob ado nues a independencia, nues os dos pueblos se han encon ado de nue o en una misma lucha con a los monopolios ex anje os, el dominio del impe ialismo sob e nues os ecu sos na u ales y po la pues a en ma cha de una au én ica polí ica de desa ollo y edi icación de una sociedad socialis a.” 103 E ac escen a que a libe ação nacional não es á e minada sem a con inuação da lu a an i-impe ialis a: “(…) an o es e dad, que las dos dimensiones de es a acción global son es echamen e complemen a ias, sob e odo en la óp ica socialis a, que es la nues a.” 104 Es e não-alinhamen o, não mui o di e en e do „neu alismo posi i o‟ desen ol ido po Nasse na década an e io , passa po sabe desenha uma polí ica de balanço en e os dois blocos, explo ando as suas con adições, sem em nenhum momen o da espaço à acção dos comunis as no in e io do país. Boumediene a i ma a que o no o signi icado do não-alinhamen o de e ia da p imazia à libe ação económica e a uma agenda económica que con on asse o capi alismo, e deixa as ques ões polí icas pa a segundo plano. 105 Fanon explica no jo nal do FLN a posição da A gélia em elação à União So ié ica: “Pou les peuples coloniaux asse is pa les na ions occiden ales, les pays communis es son de ceux qui on en ou e occasion p is leu dé ense. Les pays coloniaux n‟on pas à se p éoccupe de sa oi si ce e a i ude es dic ée pa l‟in é ê de la s a égie communis e, ils e iennen su ou que ce compo emen géné al a dans le sens de leu s in é ê s p op es. Les peuples coloniaux ne son pas spécialemen communis es mais ils son i éduc iblemen an icolonialis es.” 106 O chamado socialismo „à a gelina‟, como em mui os casos o socialismo „á abe‟ e á ios ou os socialismos „a icanos‟, e a ido como um mé odo de desen ol imen o, onde ha ia luga pa a a e o ma ag á ia e as nacionalizações, mas onde se es azia a o seu con eúdo polí ico, sub aindo-lhe as ideias de e olução polí ica e social que de iniam o ma xismo. 102 LISKENNE, Anne, L‟Algé ie Indépendan e, l‟ambassade de Jean-Ma cel Jeanneney, p. 97 103 Houa i BOUMEDIENE in CASTRO, Fidel; BOUMEDIENE, Houa i; El camino se á la go, la lucha se á du a; pe o los pueblos iun a án, p. 27 104 Idem, p.33 105 PRASHAD, Vijay, The Da ke Na ions: A People's His o y o he Thi d Wo ld, p. 132 106 FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, p. 781 47 possibilidade de pa icipa e ec i amen e na ida polí ica. 125 Vida essa já de si limi ada pela acção ep essi a do egime ascis a. O papel das eleições e das Assembleias elei as e a pu amen e o mal, já que as eleições não e am li es nem mesmo em Po ugal con inen al. Nas ilhas de Cabo Ve de, cujos habi an es são eo icamen e „cidadãos‟, o di ei o de o o é subo dinado a condições de o una, o que elimina uma imensa maio ia de cabo- e dianos. Na Guiné, a é 1961, a maio ia da população é quali icada de „não- ci ilizada‟ e nem seque dispunha des es di ei os o mais. “O A icano, pa a se classi icado como «ci ilizado», de ia le e esc e e co ec amen e o po uguês, e um «bom compo amen o e hábi os cí icos» (o que implica a a p á ica egula da eligião ca ólica), e um endimen o su icien e e e p es ado se iço mili a . Em con apa ida o Po uguês, mesmo anal abe o, e a conside ado au oma icamen e «ci ilizado»!” 126 Com a Ca a da ONU de 1945, os a icanos passam a e um documen o de di ei o in e nacional a pa i do qual podiam undamen a as suas aspi ações à independência. E Po ugal, que p e endia jun a -se à o ganização, não podia u a -se a econhece es e di ei o. Pa a a diplomacia po uguesa pa ecia ão simples quan o demons a que Po ugal não e a um país colonizado . A ideia e a con ence a comunidade in e nacional de que Po ugal e a, na e dade, uma nação di idida em á ios con inen es. Se a gue a é ei a com o p e ex o de sal agua da a in eg idade da nação po uguesa, a manu enção da explo ação económica das colónias é o objec i o undamen al, como é de es o o do colonialismo e, mais a de, do neo-colonialismo. Todo o apa elho polí ico e mili a é des inado essencialmen e a pe mi i essa explo ação. “Colonialismo ou dominação impe ialis a é busca , em p imei o luga , domina ou os po os economicamen e. Pa a isso, ele ac escen a uma dominação polí ica, ele p olonga as o ças do Es ado impe ialis a ou colonial pa a a e a que que domina economicamen e. (…) Po an o, ocês êem que, no undo, a nossa esis ência é pa a esol e um p oblema económico, embo a enha que passa pelo polí ico.” 127 País economicamen e mui o pouco desen ol ido, Po ugal limi a-se a aze das colónias um me cado o necedo de ma é ias-p imas pa a a sua aca indús ia me opoli ana, e consumido dos seus p odu os, ao mesmo empo que ce as ma é ias-p imas e am expo adas pa a ou os países es angei os com indús ias mais desen ol idas. 125 ROSAS, Fe nando, MATTOSO, José (o g.), His ó ia de Po ugal, olume 7, O Es ado No o, p. 486 126 s.a., His ó ia da Guiné e Ilhas de Cabo Ve de, p. 118 127 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência económica, p. 2 48 Du an e mui o empo a adminis ação po uguesa pensou que es e a aso económico, e ambém a ausência de qualque sis ema de ensino desen ol ido, e i a ia às suas colónias o „con ágio‟ do mo imen o de libe ação nacional que se desen ol ia nos ou os países a icanos. Aliando o a aso económico e cul u al à op essão do sis ema policial, se ia con ido odo o isco e olucioná io. Sem dú ida que as condições pa icula es do sis ema colonial po uguês e a da am o nascimen o do mo imen o nacional. Mas a es e não al a am an eceden es. 128 Os po os das colónias po uguesas o am sensí eis às p o undas modi icações do pós-gue a, no plano in e nacional, e às consequências esul an es da na u eza das no as es u u as poli ico-sociais su gidas em alguns países a icanos. A o mação das o ganizações polí icas de angua da que di igi am a lu a de libe ação, o MPLA em Angola, a FRELIMO em Moçambique e o PAIGC na Guiné e Cabo Ve de, que se dá simul aneamen e, não é uma coincidência. É e lexo das condições poli ico-económicas do con inen e a icano, ainda sob o jugo do colonialismo, da na u eza e ca ac e ís icas semelhan es da dominação colonial- ascis a do Es ado No o e dos seus mé odos de explo ação, pe mi indo o con ac o que es abelece am en e si os a icanos das á ias colónias que es uda am em Po ugal. Na década de 20, em Lisboa, o ma-se a Liga A icana, inspi ada nos ideais do Pana icanismo. Es a Liga acolhe á em 1923 a segunda sessão da 3ª Con e ência Pana icana, onde es a á p esen e o his o iado e ac i is a no e-ame icano William Du Bois. 129 Nas décadas de 40 e 50 exis iam algumas o ganizações associa i as legais de jo ens e es udan es das colónias po uguesas, en e elas a Casa da Á ica Po uguesa, a Casa dos Es udan es do Impé io, o Cen o de Es udos A icanos e o Clube Ma í imo. Na Casa dos Es udan es do Impé io, no núme o 23 da A enida Duque de Á ila em Lisboa, encon a am-se jo ens es udan es indos de Á ica, e oi nes a passagem ob iga ó ia que mui os desen ol e am a sua consciência an icolonial e o am in oduzidos ao mo imen o da neg i ude que ha ia su gido em Pa is. Figu as cen ais 128 SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.325 CABRAL, Amílca , Alguns p incípios do Pa ido, p.12 “Nós não cos umá amos aze polí ica na nossa e a nem ha ia nenhum Pa ido na nossa e a. (…) po que com a dominação es angei a na nossa e a, com a p oibição o al que semp e hou e, em oda a nossa ida, de aze qualque pa ido polí co na nossa e a, não ha ia pa idos di e en es pa a e em de se uni , não ha ia umos polí icos di e en es pa a segui em o mesmo caminho, pa a se jun a em, pa a aze em a unidade.” 129 TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 66 49 dos u u os mo imen os an icoloniais como Agos inho Ne o, Vi ia o da C uz, Má io Pin o de And ade e Amílca Cab al ap oxima am-se e p ocu a am uma iden idade e uma he ança comum, num clima de isolamen o pa cial da sociedade po uguesa. 130 Anos mais a de, Amílca Cab al escla ece á es e p ocesso de „a icanização dos espí i os‟, conside ado um „ eg esso às on es‟, mas que es e associa á a um enómeno i ido pela pequena-bu guesia u bana mais passí el à „assimilação‟. 131 “Não é, po an o, po acaso que eo ias ou “mo imen os” como o do pan-a icanismo e o da neg i ude (duas exp essões que se inspi am undamen almen e no pos ulado da iden idade cul u al de odos os A icanos neg os) enham sido concebidos o a da Á ica neg a. Mais ecen emen e, a ei indicação de uma iden idade a icana pelos neg os no e-ame icanos é ou a mani es ação, al ez desespe ada, dessa necessidade de um “ e o no às on es”, mesmo que nes e caso es eja cla amen e in luenciada po uma no a ealidade: a conquis a da independência polí ica pela g ande maio ia dos po os a icanos.” 132 Se á Agos inho Ne o, sem dú ida o mais poli izado des e g upo, a o ma o Clube Ma í imo, em cuja sede se ealiza iam ac i idades cul u ais e ec ea i as. P óximo do PCP, já se inha en ol ido em acções polí icas de isco e se ia p eso pela PIDE á ias ezes. O Clube Ma í imo se i á de modelo a u u as ac i idades polí icas, com a possibilidade de se desen ol e em ac i idades ilegais no quad o de o ganismos econhecidos pelo egime, ideia que e á igualmen e p esidido à o mação do Cen o de Es udos A icanos. No Cen o de Es udos A icanos pa icipam os in elec uais das colónias po uguesas que, a a és de pales as, es udos e mani es ações a ís icas, p ocedem à análise dos undamen os cul u ais do mo imen o de libe ação nacional, c iando-se um pensamen o an icolonial uni icado. Em Dezemb o de 1957 em luga em Pa is uma eunião do g upo de nacionalis as das colónias po uguesas, es udan es na Eu opa, ag upados no Mo imen o Democ á ico de Libe ação, e dos ep esen an es manda ados das o ganizações nacionalis as de Angola e da Guiné. Nes a eunião p ocede-se ao es udo do desen ol imen o da lu a an icolonial e o ma-se o MAC, Mo imen o An icolonialis a. 130 TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 65 131 SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.332 132 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p. 16-17 ( ex o pa a eunião de pe i os sob e “As noções de aça, de iden idade e de dignidade” p omo ida pela UNESCO) 50 Es e mo imen o clandes ino publica á o Mani es o que escla ece as posições do mo imen o nacionalis a e os meios a emp ega na lu a con a o colonialismo po uguês. Em 1960 c ia-se a FRAIN, F en e Re olucioná ia A icana pa a a Independência Nacional. C ia-se, ambém em 1960, a UGEAN, União Ge al dos Es udan es da Á ica Neg a, o ganização uni á ia dos es udan es das colónias po uguesas. A ep essão con inua pela pa e do colonialismo po uguês e a 4 de Fe e ei o de 1961 dá-se o assal o de um g upo de angolanos às p isões de Luanda, que ma ca o começo da lu a a mada nas colónias po uguesas. Impunha-se uma no a eunião de nacionalis as pa a de ini linhas mais conc e as de acção e p ecisa os meios de aze ace à gue a. É assim que, a 18 de Ab il de 1961, se ealiza em Casablanca a eunião cons i u i a da CONCP Ŕ Con e ência das O ganizações Nacionalis as das Colónias Po uguesas Ŕ, o ganização uni á ia dos nacionalis as dos á ios e i ó ios dominados pelo colonialismo po uguês, que subs i ui ia a FRAIN. Pa a os nacionalis as des es e i ó ios não ha ia dú idas que a lu a de e ia passa po uma a iculação en e os mo imen os que se opunham ao colonialismo po uguês. “Uma ou a o ça exis e nas nossas e as: é a o ça da nossa unidade… De emos e o ça a nossa unidade, não apenas em cada país, mas en e nós, po os das colónias po uguesas, a C.O.N.C.P. em pa a nós uma signi icação mui o especial. Temos o mesmo passado colonial, ap endemos odos a ala e a esc e e po uguês, mas emos uma o ça ainda mais pode osa, al ez mesmo mais his ó ica: é o ac o de e mos começado a lu a em conjun o.” 133 É conhecida a da a de 19 Se emb o de 1956 como a undação do PAIGC. Amílca Cab al, que desde há anos es uda a os p oblemas espei an es ao colonialismo po uguês e pa icipa a em di e sas ac i idades na de esa da emancipação dos po os coloniais, é um dos p incipais di igen es e ideólogos do mo imen o an icolonial a icano, e um dos undado es do pa ido. A da a é, no en an o, con es ada pelo ac o de não se conhece an es de 1959 qualque e e ência ao pa ido p op iamen e di o. A is ides Pe ei a, mais ecen emen e, escla ece que a da a da undação do PAIGC oi escolhida em e ospec i a, quando ele e Amílca Cab al, em Daca , p ocu a am o apoio 133 s.a., Manual Polí ico, p. 100, (in e enção de A. Cab al na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965) 51 do p esiden e Sengho . Daí p ocu a -se uma da a que an ecedesse a o mação do pa ido senegalês. Apenas mais a de se ac escen a ia as le as «GC» na sigla PAI. 134 Da necessidade de se c ia o PAIGC, diz-nos Amílca Cab al: “Em Á ica não hou e ais enómenos que engend assem pa idos. Podemos pois dize que ouxemos qualque coisa de es anho in oduzindo na nossa e a um pa ido, mas is o e a necessá io, assim como é necessá ia a cha ua que não exis e na nossa e a ou o ac o que não esul ou do desen ol imen o económico do nosso país.” 135 Amílca Cab al e A is ides Pe ei a se ão ap esen ados po So ia Pomba Gue a, a macêu ica e mili an e do PCP a cump i deg edo em Bissau. 136 E a em sua casa que es es dois e mui os ou os cabo- e dianos Ŕ como Fe nando Fo es, Abílio Dua e, e Luís Cab al Ŕ se encon a am pa a ou i as emissões em po uguês do se iço da Rádio Mosco o, ou ainda pa a le omances e jo nais p oibidos, como o A an e!, ó gão cen al do PCP. 137 E nes es encon os i ão desen ol e paula inamen e o seu mé odo de conspi ação: o mam pequenos g upos pa a discu i di e sos assun os cul u ais, e ão des acando os elemen os conside ados mais conscien es pa a com eles desen ol e pos e io men e um abalho polí ico mais a iscado. A si uação o na-se mais pe igosa quando são admi idos guineenses no g upo. Es es i iam num mundo ju ídico di e en e dos cabo- e dianos, po o ma a isola os á ios g upos sociais. Na escala colonial, guineenses e cabo- e dianos encon a am-se em di e en es pa ama es de ci ilização, pelo que a con i ência de ambos pode ia susci a suspei as sob e a na u eza de um encon o que jun a a pessoas de es a u os sociais ão di e en es. Amílca Cab al, nascido na Guiné-Bissau a 12 de Se emb o de 1924, de pais cabo- e dianos, inha passado a in ância em São Vicen e e i ia a p ossegui os seus es udos no Ins i u o Supe io de Ag onomia em Lisboa, onde chega em 1945. Na al u a em que se inicia a gue a colonial, Cab al inha um conhecimen o sob e a geog a ia, a economia e a sociologia dos po os do seu país compa a i amen e supe io ao de mui os nacionalis as em ases simila es nou as egiões. Uma das azões oi o ac o de e ealizado o p imei o ecenseamen o ag ícola do e i ó io. Es e abalho da -lhe-ia a 134 TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 108 135 s.a., Manual Polí ico, p. 10 136 PEREIRA, A is ides, Uma Lu a, um Pa ido, dois Países, Guiné-Bissau e Cabo Ve de, p.85 137 TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p. 88 52 opo unidade de conhece a es u u a ag á ia da Guiné p o unda e pô-lo-ia em con ac o di ec o com as pessoas mais in luen es dos á ios g upos é nicos. 138 É no seguimen o desse conhecimen o que o PAIGC ai ixa como objec i os polí icos do pa ido a liquidação da dominação colonial po uguesa, a c iação das bases indispensá eis pa a a cons ução de uma ida no a pa a o po o da Guiné e Cabo Ve de, a cons ução da paz, do bem-es a e do p og esso con ínuo do po o da Guiné e de Cabo Ve de. De ine-se como pa ido democ á ico, p og essis a, an icolonialis a e an i- impe ialis a. Es as posições são e elado as, indiscu i elmen e, do ca ác e an i ascis a do PAIGC e do mo imen o de emancipação que es e di igia. Num apelo aos po ugueses ei o num a igo na e is a Pa isans em 1962, Amílca explica como enca am o egime ascis a po uguês: “É p eciso ea i ma cla amen e que, embo a sendo con a oda a espécie de ascismo, os nossos po os não lu am especi icamen e con a o ascismo po uguês: nós lu amos con a o colonialismo po uguês. A des uição do ascismo em Po ugal de e á se ob a do p óp io po o po uguês, a des uição do colonialismo po uguês se á ob a dos nossos p óp ios po os.” 139 A ealidade de ou as gue as coloniais, nomeadamen e a gue a na A gélia, não podia azê-lo chega a ou a conclusão. Os egimes democ á icos das po ências ociden ais es a am longe de ga an i po p incípio a independência das espec i as colónias. Tendo como p io idade polí ica a libe ação do e i ó io do domínio colonial po uguês, Cab al deixa á em á ios momen os pis as sob e o ipo de sociedade que de e se cons uída quando alcançado esse objec i o, que e lec em a sua p oximidade a con icções socialis as: “Na base da ida do nosso Pa ido, que emos des ui oda a possibilidade de aqueles que libe am a e a ou ou os que enham abusa do nosso po o amanhã. [sic] O nosso objec i o não pode se o de i oma con a do palácio do go e nado pa a aze na nossa e a o que aquele go e nado que ia aze .” 140 É ainda Da idson que, ci ando Cab al, nos dá mais um elemen o sob e a posição des e em elação ao caminho a segui : “To build a new socie y Ŕ in he ci cums ances, necessa ily 138 SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de Amílca Cab al” in Es udos do século XX, p.336 139 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, p. 64 “Se a queda do ascismo em Po ugal pode ia não conduzi ao im do colonialismo Ŕ hipó ese aliás admi ida po alguns dos líde es da oposição po uguesa Ŕ nós es amos ce os de que a liquidação do colonialismo po uguês a as a á a des uição do ascismo em Po ugal. A a és da nossa lu a de libe ação, nós con ibuímos e icazmen e pa a a queda do ascismo po uguês e damos ao po o de Po ugal a melho p o a da nossa solida iedade.” 140 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, pp. 3-4 “Todos os abusos, odos os p i ilégios de g upos ou g upinhos, não podemos acei a na nossa e a amanhã, se de ac o que emos libe a o nosso po o. Não amos libe a o nosso po o só dos colonialis as ugas, não, mas de udo quan o o p ejudica no caminho do p og esso. Temos que des ui a igno ância, a al a de Saúde, e de oda a espécie de medo, a pouco e pouco, passo a passo.” 53 by socialis means, „ o he e a e only wo oads open o a na ion becoming independen now: o go back o impe ialis domina ion ( ia neo-colonialism, capi alism, S a e capi alism) o o mo e owa ds socialism‟.” 141 A pa i de 1961, o pa ido decide ins ala o seu Sec e a iado Ge al em Conac i, capi al da República da Guiné. En e ou os, p a ica á uma polí ica de es ei as elações in e nacionais com a A gélia e com a RAU, insc e endo-se num mo imen o mais amplo do que apenas o da lu a con a o colonialismo po uguês. A solida iedade que a i ma com esses e ou os países não o impede de adop a como eg a o não se imiscui nos assun os in e nos dos países com quem man ém elações, exigindo ao mesmo empo que nenhuma en idade ex e na enha a p e ensão de, em oca de apoio ou solida iedade, di igi a sua lu a. Não se a a a apenas de ga an i a di ecção polí ica do p ocesso, mas ambém de ga an i que se iam os p óp ios guineenses e cabo- e dianos os agen es da sua emancipação. “„We wan no olun ee s.‟ Cab al said o me on his poin , „and we shall u n hem back i hey p esen hemsel es. Fo eign mili a y ad ise s o commande s, o any o he o eign pe sonnel, a e he las hing we shall accep . They would ob my people o hei one chance o achie ing a his o ical meaning o hemsel es: o easse ing hei own his o y, o ecap u ing hei own iden i y.‟” 142 A aliança com os países socialis as e a es ei a e o con ibu o em meios écnicos, humanos, e em apoio pa a a o mação nos seus países oi signi ica i o. O discu so em elação ao sis ema socialis a e a bas an e mais cla o do que no caso dos nacionalis as a gelinos: “Como oda a gen e sabe os países socialis as êm uma cla a posição an icolonialis a e an i-impe ialis a. Tal não acon ece po acaso. Os pa idos polí icos que di igi am a conquis a do pode pelo po o nos países que hoje são socialis as e am pa idos comunis as, cuja ideologia consis ia na de esa in ansigen e dos in e esses das massas explo adas Ŕ ope á ios, camponeses e ou os abalhado es explo ados Ŕ e que p econiza am a lu a polí ica, a a és da o ganização dessas massas explo adas, pa a acaba de ini i amen e com a sociedade capi alis a e, em consequência, com a explo ação do homem pelo homem.” 143 Mas a polí ica de não-alinhamen o e a conside ada undamen al pa a ala ga ao máximo uma base de apoio in e nacional que 141 DAVIDSON, Basil, The Libe a ion o Guiné, aspec s o an A ican Re olu ion, p.78 142 Idem, pp. 88-89 143 s.a., Manual Polí ico, pp. 65-66. “O impe ialismo é uma consequência do desen ol imen o do sis ema capi alis a mundial. Os pa idos comunis as, que lu am con a a explo ação capi alis a, lu am ambém, po isso, con a o impe ialismo. Po essa azão, os países socialis as apoiam a lu a dos po os con a a explo ação colonial e con a o impe ialismo. Segundo Engels, um dos undado es do socialismo cien í ico (comunismo), «um po o que op ime ou o po o, não pode á se li e.»” 54 con ibuísse pa a a conquis a da independência: “É es a polí ica que é a mais con enien e aos in e esses dos nossos po os na e apa ac ual da nossa his ó ia. Es amos con encidos disso. Mas, pa a nós, não-alinhamen o não que dize ol a as cos as aos p oblemas undamen ais da humanidade, à jus iça. Não-alinhamen o pa a nós é não se comp ome e com blocos, não alinha mos pelas decisões dos ou os.” 144 A cons ução de uma ampla base de apoio passa a, em p imei o luga , pela unidade a icana e pela solida iedade com ou as lu as an icoloniais no mundo. E é esse comp omisso que explica a c iação da CONCP, que de e o ien a a sua in e enção de uma o ma ab angen e e sublinha o seu ca iz an i-impe ialis a. “De emos es a conscien es, nós, os mo imen os de libe ação nacional in eg ados na C.O.N.C.P., que a nossa lu a a mada não é senão um aspec o da lu a ge al dos po os op imidos con a o impe ialismo, da lu a do homem pela sua dignidade, pela libe dade e p og esso. É nes e quad o que de emos se capazes de in eg a a nossa lu a. De emo-nos conside a como soldados, mui as ezes anónimos, mas soldados da humanidade nes a as a en e de lu a que é a Á ica dos nossos dias. Nós, os da C.O.N.C.P., ba emo-nos em Á ica po que a Á ica é a nossa pá ia, mas es a emos p on os, odos nós, a i seja onde o pa a nos ba e mos pela dignidade do homem, pelo p og esso do homem, pela elicidade do homem.” 145 A escolha pela lu a a mada ai em g ande medida depende dessa ede de solida iedade in e nacional, e a decisão só se á omada quando se conside am esgo adas as en a i as de acção legal dos g upos nacionalis as, que choca am semp e com a ba ei a le an ada pelas au o idades colonialis as po uguesas. É só após o massac e dos ma inhei os do cais de Pidjigui i que exigiam di ei os labo ais, a 3 de Agos o de 1959, que o pa ido decla a á a lu a a mada como única ia possí el pa a a independência. Os acon ecimen os con encem Amílca Cab al da impossibilidade de, à semelhança do que acon ece a em colónias ancesas e inglesas, desen ol e uma con es ação baseada em mé odos pací icos. Num encon o de quad os, em Bissau, a 19 de Se emb o 1959, decide-se a mudança de es a égia do pa ido. A necessidade de da início à iolência a mada ob iga a a que se o ganizasse as es u u as do pa ido o a dos cen os u banos. Apela-se a que odos os mili an es p ocedam à sua e i ada de Bissau, e que se dediquem à p epa ação da gue ilha. 144 s.a., Manual Polí ico, p. 96 (in e enção na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965) 145 Idem, p. 94 (in e enção na 2ª Con e ência da C.O.N.C.P. em 1965) 55 Numa acção de o mação de quad os em 1965, Cab al ap esen a á a lu a a mada como o p olongamen o da lu a polí ica, como úl imo ecu so: “O po o em a mas. Essa de e se a ca ac e ís ica undamen al duma esis ência a mada, dum po o que lu a pela sua libe dade. (…) Nunca é demais epe i mos que o objec i o undamen al da nossa esis ência a mada é ealiza aquilo que não conseguimos só com polí ica.” 146 A mobilização e á que se ei a ambém jun o de ou os g upos nacionalis as, com os quais se en a á c ia en es comuns. O pa ido jun a-se, assim, com o g upo lide ado pelo guineense Ra ael Ba bosa, ao qual se chamou F en e de Libe ação da Guiné e Cabo Ve de. Em 1961, Cab al con oca á ainda uma eunião com ou os g upos nacionalis as, en e os quais a ambém chamada FLGC de Hen i Labé y e ou os menos impo an es, como a União Democ á ica de Cabo Ve de (UDC) e a União dos Po os da Guiné (UPG), onde assinam os es a u os da F en e Unida de Libe ação (FUL), que se ia uma es u u a polí ica abe a a odas as o ganizações sindicais e de massas da Guiné e Cabo Ve de. 147 A espinha do sal do PAIGC se á, en ão, o mada po um g upo di igen e compos o po cabo- e dianos, en e os uncioná ios coloniais ec u ados po Amílca Cab al e os jo ens quad os indos de Lisboa e ou os pon os da Eu opa, um g upo de guineenses jo ens camponeses, em g ande pa e anal abe os, e um g upo compos o po jo ens de Bissau, com pouca escola idade. Mas não podemos des alo iza o peso e a e icácia da acção diplomá ica le ada a cabo po Amílca Cab al du an e os anos da gue a colonial, que se iam ambém os úl imos anos da sua ida. O seu empo e a passado en e Conac i e as múl iplas iagens onde dinamiza a con e ências de imp ensa, da a en e is as sob e a si uação da Guiné e ealiza a euniões pa a mo i a o apoio de ou os países e ins i uições. Em Janei o de 1960, Cab al pa icipa na Con e ência dos Po os A icanos em Tunis, e em Fe e ei o desloca-se a Lond es onde edigi á o pan le o The Fac s abou Po ugal‟s A ican Colonies, com o pseudónimo de Abel Djassi, p e aciado po Basil Da idson, que conhece po ocasião des a iagem. Em Junho de 1962, Cab al ep esen a pela p imei a ez o PAIGC pe an e a ONU, a a és de um documen o in i ulado «O po o da Guiné pe an e as Nações Unidas». 146 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência a mada, pp. 16, 23. 147 TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, p.131 56 Em Janei o de 1966, se á em Ha ana, no deco e da T icon inen al Ŕ O ganização de Solida iedade dos Po os da Ásia, Á ica e Amé ica La ina, que a á a in e enção conside ada como uma con ibuição eó ica o iginal no plano his o ico- ilosó ico, desen ol endo a análise da ma cha da lu a dos mo imen os de libe ação nacional. “Se é e dade que uma e olução pode alha mesmo alimen ada po eo ias pe ei amen e concebidas, ainda ninguém ealizou uma e olução i o iosa sem eo ia e olucioná ia. Os que a i mam Ŕ e com azão Ŕ que a o ça mo o a da his ó ia é a lu a de classes es a iam ce amen e de aco do pa a e e es a a i mação, a im de a p ecisa e de lhe da um campo de aplicação ainda mais as o, se conhecessem mais p o undamen e as ca ac e ís icas essenciais de ce os po os colonizados, que dize dominados pelo impe ialismo.” 148 Em Fe e ei o de 1972, desloca-se a Addis Abeba pa a p es a depoimen o pe an e a 163.ª Sessão do Conselho de Segu ança. No inal da sua in e enção, Cab al con ida o o ganismo a en ia uma comissão ao in e io da Guiné pa a con i ma a exis ência das zonas já libe adas pelo PAIGC. A isi a e á luga de 18 de Ma ço a 9 de Ab il de 1972. Po azões de segu ança, os obse ado es são o çados a ica mais empo no e eno, o que cons i ui á uma impo an e i ó ia polí ica. Es e es o ço diplomá ico se á, des a o ma, acompanhado da c iação de uma o ganização económica e polí ica nas zonas libe adas. Toda a o ien ação económica do 148 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, pp. 35-39 “Com e ei o, na e olução ge al da humanidade e de cada um dos po os que a compõem, as classes não apa ecem nem como enómeno gene alizado e simul âneo na o alidade des es g upos, nem como um odo acabado, pe ei o, uni o me e espon âneo. A de inição de classes, no seio de um ou á ios g upos humanos, é uma consequência undamen al do desen ol imen o p og essi o das o ças p odu i as e das ca ac e ís icas da dis ibuição das iquezas p oduzidas po es e g upo ou con iscadas a ou os g upos. (…) Tudo is o pe mi e le an a a seguin e ques ão: se á que a his ó ia só começa a pa i do momen o em que se desen ol e o enómeno «classe» e po consequência a lu a de classes? Responde a i ma i amen e se ia si ua o a da his ó ia odo o pe íodo de ida dos g upos humanos que ai da descobe a da caça, e pos e io men e da ag icul u a nómada e seden á ia, a é à c iação dos ebanhos e à ap op iação p i ada da e a. Se ia en ão ambém Ŕ o que nos ecusamos a acei a Ŕ conside a que mui os g upos humanos da Á ica, da Ásia e da Amé ica La ina, i iam sem his ó ia, no momen o em que o am subme idos ao jugo do impe ialismo. (…) Admi imos sem cus o que es e ac o da his ó ia de cada g upo humano é o modo de p odução Ŕ o ní el das o ças p odu i as e o egime de p op iedade Ŕ que ca ac e iza esse ag upamen o. Mas ainda, como se iu, a de inição de classe e a lu a de classes são elas p óp ias o e ei o do desen ol imen o das o ças p odu i as conjugadas com o egime de p op iedade dos meios de p odução. Pa ece-nos pois co ec o conclui que o ní el das o ças p odu i as, elemen o de e minan e essencial do con eúdo e da ó mula da lu a de classes, é a e dadei a e pe manen e o ça mo o a da his ó ia. Se acei a mos es a conclusão, des azem-se as dú idas que pe u ba am o nosso espí i o. Po que, se de um lado e i icamos que es á ga an ida a exis ência da his ó ia an es da lu a de classes e e i amos assim eduzi alguns g upos humanos dos nossos países Ŕ e al ez do nosso con inen e Ŕ à is e condição de po o sem his ó ia; po ou o lado, pomos a cla o a con inuidade da his ó ia, mesmo após o desapa ecimen o da lu a de classes ou das p óp ias classes. (…) A e e nidade não é des e mundo, mas o homem sob e i e á às classes e con inua á a p oduzi e a aze a his ó ia, já que não se pode libe a do a do das suas necessidades, das suas mãos e do seu cé eb o, que es ão na base do desen ol imen o das o ças p odu i as.” 63 semp e ha ia um esponsá el des acado no e eno. 158 Mas, em e mos de discu so, a a i mação pelo apoio às lu as dos po os op imidos das colónias con inua a cla a. Mau ice Tho ez di á no 7º Cong esso do PCF: “Chaque coup po é con e la bou geoisie ançaise pa nos è es indochinois ou algé iens es une aide di ec e à no e mou emen . En e ou , chaque coup po é pa nous à no e bou geoisie en o ce la lu e des colonisés. Les p olé ai es de la mé opole e les peuples opp imés des colonies doi en s‟appuye mu uellemen dans leu s lu es con e l‟ennemi commun, c‟es leu in é ê à ous. Il es nécessai e de p oclame ici, une ois de plus, que nous, communis es de F ance, en endons lu e de ou es nos o ces pou la libé a ion des peuples opp imés pa l‟impé ialisme ançais.” 159 And é Fe a , que e a esponsá el pela secção colonial, ao mesmo empo que edac o -che e do Humani é, é en iado pa a a A gélia em 1934, deixando as a e as no jo nal. Fe a es á conscien e da necessidade de „a abização‟ do pa ido. Con on a-se com uma si uação em que os comunis as a gelinos es a am iplamen e isolados: da comunidade pied-noi ; da comunidade muçulmana; do mo imen o comunis a ancês. 160 Se á com a “mission Ba hel”, de Se emb o de 1935 a Janei o de 1937, e mesmo que es a seja e lexo do ca ác e con uso da polí ica do PCF pa a as colónias, que o comunismo começa á a ende pa a um enómeno de massas na A gélia. A decisão é, po ém, omada pelo Bu eau Polí ico e pelo delegado do Komin e n e não pela secção colonial, signi icando uma al e ação epen ina da es a égia pa a a A gélia. Ba hel é en iado não pa a e o ça a lu a an icolonial mas pa a lança a lu a an i ascis a, seguindo a al e ação de p io idades a ní el do Komin e n. No en an o, a passagem da a e a oi ei a po Fe a que, não es ando a pa da o ien ação pa a a lu a an i ascis a, o p epa a pa a a lu a an icolonial. “Quoi qu‟il en soi , ce ensemble de ci cons ances ès spéci iques, de malen endus, e de manque de communica ion, p oduisi des ésul a s ema quables.” 161 Ba hel op a po uma solução de comp omisso: desen ol e uma ac i idade an i ascis a en e a comunidade eu opeia e uma ac i idade an icolonialis a en e a comunidade muçulmana. Conside a a que ascismo e colonialismo e am duas aces da mesma moeda pelo que as linhas de acção de e iam se desen ol idas em 158 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 73 159 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 1, p. 323 160 Idem, p. 327 161 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.85 64 simul âneo. Es a polí ica aduz-se num aumen o exponencial do núme o de mili an es, com a i agem do La lu e sociale a iplica . Dá-se igualmen e o aumen o do núme o de mili an es muçulmanos, ainda que os quad os sejam esul ado de anos an e io es, e a pa idade nos o ganismos de di ecção é inalmen e obse ada. Ba hel e i a o pa ido do isolamen o em elação à comunidade muçulmana, ealidade que em como apogeu a pa icipação em 1936 no Cong ès musulman. O Cong esso dá-se num con ex o de p es ígio do PCF enquan o memb o do F on Populai e, endo sido suspensa a p oibição de associação e eunião de muçulmanos. Dá-se uma selecção igo osa e uma o mação di eccionada dos quad os muçulmanos pa a uma sensibilidade em elação a p oblemas especí icos da comunidade muçulmana. Os mé odos de p opaganda são desen ol idos con o me às adições cul u ais indígenas, com a p opaganda bilingue e a p opaganda o al, e os con eúdos passam a e e i -se à his ó ia muçulmana da A gélia. 162 Ba hel se ia acusado pelas suas posições que incen i a am à e ol a dos indígenas, o que le a ao aumen o do apoio po pa e da opinião muçulmana nacionalis a. Es e i á a con ence a di ecção do PCF das an agens do seu plano de au onomização da secção. É assim que em Ou ub o de 1936 su ge o Pa ido Comunis a A gelino. Es e p ocesso não se az sem di iculdades e con adições. O PCF, con on ado com a ascensão do ascismo na Eu opa, em b e e e á a lu a an i ascis a como p io idade absolu a em o al de imen o do an icolonialismo. Ba hel passa á os úl imos meses da sua a e a na A gélia a ec u a olun á ios pa a as B igadas in e nacionais em Espanha. “Il é ai é iden que le PCA p é é ai des pallia i s à cou e me à des e o mes s uc u elles. Il l‟a ouai clai emen quand il a i mai (en éponse aux na ionalis es de Messali Hadj) que des “mo s d‟o d e op a ancées”, el le “pa lemen algé ien” de aien ê e abandonnées pa ce qui “i éalis es”.” 163 PCF e PCA ão abandona a sua posição pelo „pa lamen o a gelino‟ e apoia as ei indicações pelo su ágio uni e sal dos muçulmanos pa a o pa lamen o ancês. Começam en ão os con li os com a ENA po causa da al e ação das suas posições. No 9º Cong esso do PCF em Dezemb o de 1937 ap esen am-se cla as e igo osas as posições ela i amen e às colónias. Es e con inua a de ende a independência mas o momen o é de união con a os a anços do ascismo, cuja i ó ia 162 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 87-88 163 Idem, p.95 65 le a ia ao e o ço da esc a idão dos po os coloniais. As o mações nacionalis as são acusadas de se em o „aliado objec i o‟ do ascismo e o e mo „nacionalis a‟ o na-se pejo a i o no meio comunis a, como ha ia sido no início dos anos 20. “I onie de l‟his oi e ; lo sque l‟idée d‟un PC algé ien a ai é é conçue, c‟é ai à la ois comme un signe p écu seu e comme un ca alyseu de la décolonisa ion. E , pou comble, l‟idée p i co ps quand ce e même aison eu cessé d‟exis e .” 164 A impaciência dos muçulmanos em elação à al a de e o mas do go e no Blum-Viole e le a o PCA a aze a isos quan o à p obabilidade de es es se a as a em do F on Populai e e se ap oxima em do ascismo. Nos meses seguin es, a pa icipação do PCF no F on Populai e e a sua incapacidade de o ça a adopção de e o mas i á pô em causa as alianças com os Oulémas e a pe manência no Cong ès Musulman. Nas eleições 1938 e 1939, o PCA é ul apassado pelos messalis as. Os seus mili an es ão ambém começa a diminui . Em 1939 dá-se uma en a i a de ecoloca a ques ão do nacionalismo a gelino. Em Fe e ei o de 1939 ealiza-se uma impo an e isi a de Mau ice Tho ez, sec e á io-ge al do PCF, à A gélia. Es e a i ma en ão que a alegada incapacidade de os a gelinos conquis a em a sua p óp ia emancipação é isí el. Repudia a assimilação e a noção de supe io idade eu opeia. Mas o PPA du ida da since idade do di igen e ancês. Em p imei o luga po que Tho ez de inia o nacionalismo “c uzado” de uma sé ie de comunidades/nações e não exclusi amen e da iden idade á abe-muçulmana; e em segundo luga po que de endia a ideia de “nação a gelina em o mação”, que pe mi i ia essa simbiose en e comunidades, mas ambém a ideia de um p ocesso ainda não e minado e que se ia condição sine qua non pa a a emancipação. 165 No seu discu so ci a Lénine quando se e e e à ác ica a adop a pa a com as colónias: “Rappelan une o mule de Lénine, nous a ons déjà di aux cama ades unisiens, qui nous on app ou és, que le d oi au di o ce ne signi iai pas l‟obliga ion de di o ce . Si la ques ion décisi e du momen c‟es la lu e ic o ieuse con e le ascisme, l‟in é ê des peuples coloniaux es dans leu union a ec le peuple de F ance e non dans une a i ude qui pou ai a o ise les en ep ises du ascisme e place pa exemple l‟Algé ie, la Tunisie e le Ma oc, sous le joug de Mussolini ou de Hi le , ou ai e de l‟Indochine une base d‟opé a ion pou le Japon mili a is e…” 166 Ou seja, os eu opeus da A gélia não inham nada a eme des e deslocamen o do discu so do PCA 164 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 102 165 Idem, pp.11-14 166 CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853-1964, p. 348 66 pa a a de esa da nação, que não pode ia deixa de se uma cons ução de u u o que incluísse odas as populações exis en es no e i ó io. O PCA so eu du amen e du an e a II Gue a Mundial, mas o e dadei o impasse é u o de um con li o en e duas es a égias: “Celle qui p i ilégie la dé ense de la démoc a ie e se e use à pose le èglemen du p oblème colonial comme pou an e aye ou ai e le jeu de la d oi e ; e celle qui, po ée pa les na ionalis es algé iens e les é olu ionnai es ançais, es ime qu‟il au p end e le ascisme de i esse en u ilisan au maximum la olon é des masses ( e endica ions sociales en F ance e èglemen de la ques ion na ionale en Algé ie).” 167 Ac escen a-se o ac o de o pa ido, du an e a gue a, não e uma o ganização clandes ina capaz, não se consegui au onomiza do PCF e e os seus p incipais quad os e di igen es p esos em 1940. Te á a ajuda de um b aço bem enquad ado do Pa ido Comunis a Espanhol que es a a exilado na A gélia depois da gue a ci il. Nesse ano o seu Bu eau Polí ico em qua o es angei os ( ês espanhois e um alemão), mas se á desmon ado pouco depois po Vichy. Em 1941 é ecompos o, mais uma ez com ajuda do PCE. Com in asão da União So ié ica pelos nazis nesse ano, o PCF eo ien a a sua acção e ol a a e a A gélia como p io idade, mas ainda a a és da acção an i-nazi. A gel o na-se capi al da F ança li e, e o PCF i á domina o almen e os o ganismos do PCA po conside a a o ganização en aquecida e com um baixo ní el polí ico. A delegação do PCF na A gélia inha como missão “p epa a o PCA pa a caminha sozinho”, omando medidas como a p esença de um delegado ancês nas euniões do Bu eau polí ico do PCA, e a eleição de delegados anceses pa a o Comi é Cen al do mesmo. Es a linha e o ecuo indiscu í el que ela ep esen a podem se explicadas po di e sos ac o es, nomeadamen e o con ex o da gue a, o p es ígio c escen e do PCF no pós-gue a e o econhecimen o pela ajuda concedida no pe íodo de g a e incapacidade da o ganização. 168 Es a no a ealidade de o ganização e á impac o na linha polí ica, pelo que a ei indicação de independência i á se abandonada nos úl imos anos da gue a em p ol da exigência de igualdade de di ei os. Com o ap o unda des a con adição i á c esce , pa alelamen e, o nacionalismo á abe. O PCA não e á em con a es a no a dinâmica e con inua á p eocupado com a igualdade en e eu opeus e muçulmanos e com a gue a na Eu opa. 167 STORA, Benjamin, Le na ionalisme algé ien a an 1954, p.16 168 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, pp. 120-123 67 Em 1944 ol a a ea alia -se a ques ão a gelina. Apesa de eg essa em e mos como „nação a gelina‟, o PCF no go e no que ia, pelo con á io, adia essa discussão, pa a não a as a o apoio da esque da mode ada. A i mam que não exis em condições objec i as pa a o „di ó cio‟ e que es as só podem se alcançadas com a i ó ia do socialismo na me ópole, man endo uma isão eu ocên ica da e olução. Os acon ecimen os de Maio de 1945, com o PPA como p incipal mobilizado , con i mam a „ ese de complo ‟ do PCA. Cen enas de eu opeus e milha es de muçulmanos mo em em con li os com a polícia quando um g upo de muçulmanos p e ende u iliza mani es ações o iciais p e is as pa a es a do abalho e da i ó ia pa a a i ma o sen imen o nacional a gelino. A descon iança aumen a em elação aos nacionalis as que são acusados de „agen es hi le ianos‟ p e endendo di idi a lu a na A gélia po ques ões de aça. 169 É di ícil de comp eende em que medida se a a a de uma posição em linha com a chegada do PCF ao go e no ou apenas uma eacção ins in i a dos pied-noi s. A p imei a hipó ese pode jus i ica a acção dos di igen es, a segunda, sob e udo, a dos mili an es de base. São p o a elmen e ac o es complemen a es. Alguns comunis as a ão pa e de milícias nes e clima de „gue a-ci il‟, g upos que se ão esponsá eis pela mo e de cen enas de muçulmanos. Os mili an es en ol idos se ão expulsos mas o clima iolen o con a os nacionalis as muçulmanos subsis e. Mesmo que o PCA se man enha, em ge al, a as ado des as concepções, con inua a de ende uma união dos eu opeus e muçulmanos pa a unda uma „no a F ança‟. Es a na a i a con ibui á pa a que o an icomunismo se ins ale na ideologia dos nacionalis as. Só no e ão de 1945 é que o PCA i á modi ica a sua análise. Conside ando que exis em agen es p o ocado es en e os nacionalis as, a maio pa e se iam nacionalis as since os e e a necessá io dissipa a ensão acial. Es e con inua a, no en an o, a não ala de independência, mas de igualdade de di ei os. A impe meabilidade do PCA à e olução da comunidade muçulmana e a es agnação da polí ica colonial do PCF é no á el. Nenhum es o ço é ei o pa a inculca nos eu opeus uma a i ude mais comp eensi a pa a com os muçulmanos. O PCF i á mesmo e i a das suas p opos as a c iação de uma única assembleia com ep esen an es de oda a sociedade a gelina. Dá- se, des a o ma, a p og essi a alienação dos muçulmanos pa a a zona de in luência dos 169 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.145 68 nacionalis as. “Au momen où l‟a an -ga de de la popula ion musulmane in oquai la ci oyenne é e la pa ie algé iennes, le PCA s‟en enai au ieux p oje Blum-Violle e e aux é o mes éclamées pa les élus e le Cong ès a an 1939.” 170 O ela i o sucesso elei o al do PCA apenas se explica pelo ac o de os nacionalis as não conco e em às eleições. Os o os comunis as ep esen am apenas um décimo dos elei o es insc i os e as mo i ações dos muçulmanos são du idosas: mui os o am no PCA pa a o a con a a adminis ação ancesa. Com a de o a elei o al de 2 de Junho de 1946, a au o-c í ica se á exaus i a. Da eunião sai um apelo com o nome de “F on na ional démoc a ique algé ien”. Dá-se en ão o e o no à polí ica an icolonial de an es de 1936. Após uma década de iden i icação de ac o e de in eg ação na sociedade colonial, o pa ido ol a a à sua posição inicial, o de se assumi como uma con a-sociedade des inada a cons ui um sis ema de alo es diame almen e opos o ao do sis ema impe ial. 171 Assim, o PCA passa a ao campo nacionalis a, econhecendo o mo imen o nacionalis a como ac o de p og esso. O pa ido coloca á em e idência a componen e á abe-muçulmana da iden idade nacional, não sem di iculdades em passa es a no a posição aos mili an es e a é aos di igen es. A pa i de 1946 e da al e ação da linha polí ica, o PCA i á so e uma mu ação em e mos de dinâmica e de quad os. Aumen a conside a elmen e o núme o de muçulmanos, nomeadamen e na di ecção. Ve i ica-se ambém um eju enescimen o dos quad os, sob e udo g aças ao abalho da Ju en ude Comunis a A gelina. No en an o, os quad os do PCA não se dis inguiam signi ica i amen e dos quad os do PPA, ealidade comp o ada pela eap oximação dos dois mo imen os nas camadas jo ens muçulmanas, já que exis iam memb os das mesmas amílias em ambos. Mui os saí am do PPA pa a o PCA nes e pe íodo po es e combina nacionalismo com ans o mação social, po que a consciência nacional es a a c is alizada an es de se ap oxima em do ma xismo. 172 Nas éspe as da e olução os muçulmanos e am me ade dos mili an es e o PCA a i ma a-se como a segunda o ça polí ica na comunidade muçulmana. Es a ans o mação é isí el nas ei indicações mas ambém no domínio da p opaganda, nomeadamen e o al: dá-se um aumen o da u ilização do á abe em á ias inicia i as do 170 KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, ol 2, p. 660 171 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p.157 172 Idem, pp. 162-166 69 pa ido; a aplicação da o ma bilingue; a acção no meio das populações e não nos locais do pa ido (mee ing olan ); edi a-se uma e is a mensal em á abe Al-Jaza al-Jadida, com aduções do Libe é mas ambém com a igos o iginais em á abe e assun os que in e essam sob e udo a muçulmanos. 173 Dão-se ans o mações ambém a ní el p og amá ico, nomeadamen e com posições e p á icas mais adicais, num con ex o de desen ol imen o da si uação polí ica nas á ias colónias, e a ní el his o iog á ico e cul u al, com a cons ução da iden idade á abe/a gelina. Os he óis anceses são subs i uídos po á abes e be be es. A pa i dos anos 50, com o ap o unda da gue a- ia, a União So ié ica começa a oma posições, com o objec i o de en aquece o campo ociden al no que oca ao acesso a ma é ias- p imas e bases mili a es. No 5º Cong esso do PCA é de e minan e a a i mação de posições pela independência, ao mesmo empo que se ope a uma maio au onomia em elação ao PCF. 174 Assis e-se a uma eap oximação aos mo imen os nacionalis as como o PPA, que econhecem o abalho do PCA, sob e udo na consciencialização dos eu opeus pa a a au ode e minação dos a gelinos. Apesa disso, con inuam a descon ia do ca ác e nacionalis a do PCA e desp ezam a al a de cen alidade do Islão na sua dou ina. Acima de udo, o PCA, mesmo que a abizado, con inua a a se i a dou ina es angei a e con inua a a não se um pa ido muçulmano. Os nacionalis as ecusa am a ideia da exis ência de „dois campos‟, conside ando-se an es uma „ e cei a o ça‟. Rejei a am a dou ina leninis a sob e a aliança impe a i a en e colonizados e e olucioná ios eu opeus. O maio pa adoxo é que, quando os comunis as e os nacionalis as se ap oxima am, mais cla as se o na am as suas di e gências. A ques ão undamen al e a a independência e os nacionalis as não podiam acei a a ideia de nação em o mação. Na na a i a dos nacionalis as, a A gélia já se ia uma nação an es de 1830 e a conquis a ancesa só inha ido e ei os nega i os. Já pa a os comunis as, a nação em cons ução não se ia nem á abe nem ancesa, mas simplesmen e a gelina. A nação a gelina e ia 8 milhões de a gelinos á abe-be be es e 1 milhão de a gelinos eu opeus. As con adições do PCA ão o na -se incon o ná eis com o começo da gue a e o pa ido se á uma das p imei as í imas da adicalização. 173 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, pp.173-174 174 Idem, p. 179 70 Ou o elemen o se á a c escen e ensão no deco e dos ês anos an e io es en e mili an es eu opeus e á abes, no seio do p óp io pa ido. Em p imei o luga exis e um p oblema de comunicação: os no os mili an es ile ados só alam á abe e nunca o a ei o um in es imen o pa a que os eu opeus ap endessem a língua. Pe sis e o acismo dos comunis as eu opeus: uma a i ude secula is a e pa e nalis a pa a com a consciência islâmica dos cama adas á abes e uma esis ência a que es es pe encessem aos o ganismos de di ecção po os conside a em cul u almen e e óg ados. O clima de ensão é ag a ado pela angús ia dos pied-noi s de ido à ince eza do seu u u o. Sendo que os mili an es eu opeus não es a am imunes a es a inquie ude. O PCA ica cada ez mais isolado nas comunidades eu opeias. Acusados de an i-pa io as e de semea em o ódio e a di isão, ap o unda-se o abismo en e mili an es eu opeus e á abes. Os eu opeus ade iam po sen imen o pa ió ico e pelas ei indicações socio-económicas. Já os á abes ade iam con a a adminis ação e po aspi ações nacionalis as. O pa ido es a a cada ez mais di idido em di ecções diame almen e opos as. De ce a o ma, a o ganização do PCA espelha a as con adições da sociedade colonial, com o desen ol e de um duplo discu so pa a com os mili an es eu opeus e muçulmanos, em que o a se ei indica a a independência o a a au onomia. 175 A 1 de No emb o de 1954 é decla ada a insu eição e o PCA é apanhado comple amen e desp e enido. Como aquando dos acon ecimen os de 1945, o PCA chama-lhe uma „p o ocação colonialis a‟ com is a a jus i ica a ep essão dos nacionalis as. A posição do PCA pa a com a insu eição pode se is a como neu alis a ou equí oca. C i ica am as acções do FLN, o ganização que ei indica o início da lu a a mada, como inadequadas já que e am is as como a en ados indi iduais, e elando al a de con iança na acção de massas. Mas a ambiguidade e p udência na omada de posição do PCA só a as a á mais mili an es. Mui os pied-noi s a as am-se do pa ido e ão jun a -se a milícias ul a. Já os mili an es muçulmanos ão o ganiza -se em algumas zonas pa a ajuda o FLN. O pa ido, na acção jun o das bases, deixa a abe as odas as opções po di e gências sé ias na di ecção quan o à acção a segui . 176 Só quase um ano depois, em Junho 1955, uma eunião sec e a do CC oma a decisão de se jun a à lu a nacional, de se jun a ao FLN. 177 Já não conside am a sua acção como mani es ação de exp essões indi iduais e es ão con encidos de que é 175 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 211 176 Idem, p. 227 177 Idem, p. 233 71 u gen e pega em a mas pa a que, chegada a i ó ia, o pa ido não osse pos o de lado. Es a omada de posição le a à pe da do es a u o legal. Em Janei o de 1956, são en ol idos os p imei os comunis as no comba e a mado, ac o que é acompanhado pela saída em massa dos mili an es eu opeus e uma consequen e uga de in o mação sob e a ac i idade clandes ina do pa ido. Es e man e á alguns pied-noi s nas suas ilei as mas com pouca con iança: a comunidade muçulmana opunha-se cada ez mais a qualque o ganização e nicamen e mis a e oca a o pa ido pelo FLN. São c iados os „Maquis ouges‟, uma au o-inicia i a de alguns comunis as mas com al a de p epa ação. Em Julho de 1956, endo como in e locu o do FLN Ben Kheda, o PCA acei a dissol e os seus g upos a mados e subme e -se às adesões indi iduais à ALN. 178 Ce ca de duzen os comunis as ade i am à ALN. Não podendo a i ma que o FLN usou os mili an es comunis as sem piedade, a e dade é que as pe das comunis as o am conside á eis. O PCA con inua a exis i au onomamen e em elação ao FLN mas quase sem qualque ac i idade, eduzindo-se quase exclusi amen e à publicação do jo nal clandes ino: „apa elho‟ e a o pa ido e a „base‟ e a inexis en e. Regiões eu opeias onde a in luência comunis a e a mais acen uada o na am-se ex emis as pela A gélia ancesa, nomeadamen e nas ilei as da OAS (O ganisa ion A mée sec è e), a acando ex-cama adas nas ilei as do FLN. An igos mili an es comunis as passam a mili a nos dois ex emos opos os. “La gue e o ça le pa i à opé e ce choix décisi Ŕ qu‟il s‟é ai é e ué à é i e pendan de longues années Ŕ de se allie à la cause an icolonialis e. La mu a ion in e in cependan op a d pou ê e e ec i e (du poin de ue du mou emen na ional) ; elle se p oduisi op b usquemen , en des condi ions de pola isa ion ellemen ex êmes, qu‟elle se solda pa la désin ég a ion du PCA.” 179 A gue a põe a nu as con adições do PCA e ambém o con li o com o PCF. Es es ha iam subes imado a o ça do nacionalismo, concedido demasiada impo ância ao papel dos eu opeus na no a nação, subes imado o acismo dos mili an es eu opeus e sob e alo izado a possibilidade de uma e olução p ole á ia em F ança. O PCA ai subme e -se o almen e à lide ança do FLN mesmo que o PCF só em 1958 se enha a e e i a ela como o único ep esen an e álido do po o e das aspi ações a gelinas. Em 1960, Kh ushche ecebe uma delegação do GPRA e econhece o go e no. A ques ão 178 SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, p. 237 179 Idem, p. 242 72 a gelina só é discu ida na ONU pela p imei a ez em 1956 e o PCF só admi i á a independência o al em 1957. “Une des g andes causes de ce e ailli e (pa ielle) des pa is communis es des pays a abes es ce ainemen la subo dina ion implacable de la lu e menée dans ces pays à la s a égie mondiale du communisme. (…) La concep ion de la ma che e s le socialisme comme un comba di igé pa un É a -majo unique sui an une s a égie mondiale globale impliquai assu émen l‟exis ence de sec eu s sac i iés momen anémen . (…) Quoi qu‟il en soi , les pa is communis es on cédé dans beaucoup de égions, on l‟a u, la place à d‟au es o ma ions dans la a eu des masses. C‟es le cas en A ique du No d. Les idées de libé a ion na ionale e sociale on péné é assez p o ondémen la socié é, en g and pa ie g âce aux communis es, pou que d‟au es le ep ennen quand eux-mêmes pa aissen y ê e in idèles.” 180 o O PCP C iado em 1921, não de uma cisão do Pa ido Socialis a mas do seio do mo imen o ana co-sindicalis a, o PCP não a ibui á o mesmo peso à ques ão colonial, po á ias azões. Desde logo, po que em 1926 é ob igado a passa à clandes inidade de ido ao golpe mili a que ab i á po as à ins au ação de uma di adu a ascis a em Po ugal. Es e ac o ai dis ingui signi ica i amen e o que pode ia se um discu so u o de uma discussão num ambien e ca ac e izado po uma maio democ acia polí ica. Po ou o lado, esse mesmo egime ascis a i á condiciona o desen ol imen o polí ico e económico nos e i ó ios coloniais, como e emos mais à en e. Não exis iu, ao con á io do caso ancês, a c iação de células do pa ido em e i ó ios coloniais nem, po conseguin e, a con e são des es o ganismos num pa ido au ónomo. Is o não signi ica que não i esse exis ido con ac o en e comunis as po ugueses que i iam nas colónias e mili an es nacionalis as, ou, po ou o lado, con ac o en e mili an es nacionalis as e o Pa ido Comunis a na me ópole. De qualque modo, emos á ios elemen os que nos pe mi em analisa a e olução da na a i a do PCP ela i amen e à ques ão colonial. Em Comunismo e Nacionalismo em Po ugal, José Ne es ap esen a as con inuidades e a ensão pe manen e en e dois discu sos, ambos indiscu i elmen e an i-impe ialis as, um 180 RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, pp. 515, 517,523 79 egime salaza is a não em senão ag a ado nos úl imos 30 anos”, como di á Jaime Se a em 1957. 201 Pa a José Ne es, a a-se de um pe cu so que culmina na a i mação de um mo imen o an i-impe ialis a das nações: “Po mais pa adoxal que possa pa ece , há uma endência de nacionalização do an i-impe ialismo, que se p olonga do colonialismo p og essis a, de endido pelo PCP eo ganizado no início dos anos 40, a é à de esa da au ode e minação nacional assumida po Jaime Se a no cong esso do PCP de 1957.” 202 O p ole a iado mundial não desapa ece do papel cen al, nem é pos o em causa o ca ác e imp escindí el da lu a de classes, mas é, segundo José Ne es, eme ido a es a u o de on e de ene gia da nação. Mas a é que pon o não podemos undamen a o con á io? Enquan o his o iado es, não podemos igno a a o ma como o PCP, enquan o objec o de es udo, se ep esen a, como elabo a poli icamen e as ideias que de ende, e jus amen e a dis inção que az em elação aos concei os de nacionalismo e pa io ismo. A di e ença es abelecida é ope a i a já que p e ende des aca elemen os que não econhece no concei o de nacionalismo ou ecusa a dimensão chau inis a que o PCP a ibui à noção de „nacionalis a‟. Em suma, po pa io ismo en ende um enómeno que não opõe uma pá ia a ou a, mas que opõe um po o (que conside a se os abalhado es de cada país 203 ) à única o ça incompa í el com os seus in e esses, o g ande capi al nacional e in e nacional. É p ecisamen e es a aiz de classe que al a, na óp ica dos comunis as, ao concei o de nacionalismo. Pa a o PCP, a de inição da sua iden idade passa ia, não pela de esa de uma nação, como objec i o cen al, mas pela acção no espaço „nacional‟ como o ma de po encia a lu a de classes, a de esa dos di ei os dos abalhado es e a lu a pela sua emancipação que, sendo ansnacional po na u eza, se p ocessa em quad os cul u ais e ju idico-polí icos nacionais, ac escen ando-se a es e aspec o ins umen al a alo ização das o ças de iden i icação posi i as da comunidade enquan o „pá ia‟. Posi i o no 201 João Madei a, no seu a igo “O PCP e a Ques ão Colonial - dos ins da gue a ao V Cong esso (1943- 1957)” in Es udos sob e o século XX, ol 3, p. 219, e idencia que logo no III Cong esso do PCP, em 1943, o pa ido decla a que e a essencial o comba e às mani es ações chau inis as que domina am a sociedade po uguesa, comba e esse que passa a po ganha o p óp io pa ido pa a o in e esse pela ques ão colonial, pa a a solida iedade com os po os coloniais e o ganização de células nas colónias que pe mi issem comba e as incomp eensões e debilidades dos mili an es que aí i iam. 202 NEVES, José, Comunismo e nacionalismo em Po ugal: Polí ica, Cul u a e His ó ia no séc. XX p. 186 203 Ainda que não sejam absolu amen e coinciden es os concei os de abalhado es e de po o. Es e úl imo pode ainda ab ange ou os g upos conside ados p odu i os, ou seja, aqueles que con ibuem pa a a economia nacional. 80 sen ido daquilo que iden i ica e não daquilo que exclui. E es á jus amen e aqui um p oblema. Essa ideia de pá ia, ainda que con a ie elemen os de chau inismo e de exclusi ismo, nomeadamen e de ipo é nico ou anshis ó ico, em de se con on a com con adições que necessa iamen e su gem, en e comunidades com his ó ia e cul u as di e sas, ligadas po si uações longas e iolen as de dependência, onde os laços de classe êm di iculdade em sob epo -se. 81 III/ Cul u a, eligião e esis ência. “ L‟in e na ionalisme socialis e ne peu se dé eloppe si le mou emen ou ie ne econnaî pas l‟égali é de d oi s de ou es les na ions. (…) La econnaissance des d oi s na ionaux es une condi ion essen ielle de la solida i é in e na ionale dans la mesu e où elle pe me de éso be les mé iances, les haines, e les peu s qui opposen les na ions e nou issen le chau inisme. (…) La âche des in e na ionalis es es de éalise la usion de l‟hé i age his o ique e cul u el du mou emen socialis e mondial a ec la cul u e e la adi ion de leu peuple, dans sa dimension adicale e sub e si e Ŕ sou en dé o mée pa l‟idéologie bou geoise, ou bien cachée e é ou ée pa la cul u e o icielle des classes dominan es.” 204 P ocu a emos ago a iden i ica e p oblema iza , numa pe spec i a compa a i a, as ci cuns âncias cul u ais, é nicas e eligiosas em que se elabo am e desen ol em al e na i as que se ei indicam como socialis as e p og essis as. Se os á ios mo imen os an icoloniais pa ilha am uma ambição de independência e sobe ania nacional ace a um op esso es angei o, o que dis ingue os á ios mo imen os na o ma como a i mam a sua cul u a e a sua his ó ia? P e endemos analisa o peso das eligiões e das e nias no discu so polí ico e a o ma como essas ealidades condiciona am ou di e encia am os p ojec os p og essis as que se quise am cons ui . Po ou o lado, in e ogamo-nos sob e em que medida essas iden idades cons i uem elemen os de uma e ó ica necessá ia pa a consolida a união na lu a pela independência e sob e como o am pensados os con li os en e essa unidade cul u al e a lu a de classes. A cons ução de um po o Nem semp e a consciência iden i á ia e e a impo ância que lhe econhece a época con empo ânea. Pe ence a um de e minado po o podia não signi ica a iden i icação com um co po sólido de adições cul u ais, his ó icas e é nicas. Mas g adualmen e, e a a és de um p ocesso essencialmen e polí ico, a ideia de po o passou a co esponde cada ez mais à ideia de nação. Mui os p oblemas o am icando po esol e em elação à exis ência de nações com á ios po os e de po os sem nação, a é aos nossos dias. 204 LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, pp.81- 84 82 Pa a Ka l Kau sky, a nação é essencialmen e o p odu o de uma língua comum; pa a O o Baue , cada nação em um “ca ác e nacional” especí ico; pa a An on Pannekoek, a ideia de nação é apenas um “ enómeno ideológico bu guês”; ou os au o es enunciam ainda c i é ios geog á icos ou económicos. 205 No ensaio de Es aline de 1913 206 , aos c i é ios objec i os Ŕ língua comum, e i ó io, ida económica Ŕ ac escen a -se-ia a ideia de uma “ o mação psíquica”, e só na conjugação des as ca ac e ís icas se pode ia o ma uma nação. 207 O o Baue opõe- se a es a concepção. Sem igno a os di e en es c i é ios objec i os, de ine a nação como sendo um p odu o de um des ino his ó ico comum, “un mo ceaux d‟his oi e solidi ié”, mas ambém “le p odui jamais ache é d‟un p ocessus con inu”. 208 Não de e se con undido (mesmo que possam elaciona -se), no en an o, o sen imen o de iden idade nacional, de pe ença a uma cul u a, a uma comunidade e a um passado his ó ico, com o nacionalismo ou os mo imen os que dele su gi am, de que alámos na p imei a pa e des e abalho. O nacionalismo, pa a além des es elemen os, é um mo imen o que passa pela escolha da nação como alo p imo dial do pon o de is a polí ico e social. 209 Em que se aduz, en ão, a ideia de um po o? Que in luência e e pa a o desen ol imen o de iden idades nacionais e pa a a exigência de au ode e minação a p óp ia acção do colonialismo? No caso dos Es ados Á abes, o con li o e a pa en e en e a ideia de emancipação nacional em cada con ex o de op essão especí ico e a ideia de uma unidade á abe mais ampla, en endendo os Es ados como c iações a i iciais dos pode es impe ialis as. “D i en by hei impe ial in e es s, hese powe s p oceeded o ca e up wha essen ially was a na u al cul u al en i y wi h an inalienable igh o poli ical so e eign y. An in ended consequence o his pe idious pa celing o he “A ab na ion” was o keep he A abs poli ically ine ec ual and mili a ily eeble.” 210 A ideia de 205 LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion ma xis e, p. 6 206 ESTALINE, J., “Le ma xisme e la ques ion na ionale” in P incipaux éc i s a an la é olu ion d‟oc ob e. Des acamos a impo ância da edição a gelina dos anos 40 com o í ulo de Le ma xisme e la ques ion na ionale e coloniale. Es a edição dá-nos pis as pa a o que se ia a discussão en e os g upos socialis as nos países á abes. 207 JABER, Salah, “Le concep ma xis e de na ion (à pa i d'une dé ini ion de S aline)” in Cahie s de o ma ion ma xis e)”, p. 18 208 LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion ma xis e, p. 7 209 Ibidem 210 DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , p.3 83 unidade á abe e a en ão a ançada como p é-condição undamen al pa a se comba e o impe ialismo. Mas, se é e dade que exis em elemen os cul u ais e é nicos de alguma impo ância, ac edi amos que a iden idade nacional eme ge ambém de uma na a i a, e que é necessá io ques iona quando e em que condições es a su ge pa a comp eende como o seu desen ol imen o e impac o êm que e com ac o es in elec uais, ideológicos e polí icos. O his o iado Aziz Al-Azmeh, especialis a em Es udos O ien ais, au o de A abic Though and Islamic Socie ies, a i ma que “(…) hough na ions a e indeed imagined communi ies, hey a e no en i ely imagina y: sha ed language, adi ions, e hnici y, high cul u e, and so o h, a e no su icien condi ions o he eme gence o na ions o e en o a common na ionali y; al hough he exis ence o some o hem is always necessa y: na ions a e c ea ed by na ional poli ical o ganiza ion.” 211 No século XIX, um concei o de nação á abe que ambicionasse a sobe ania polí ica e a independência e a ma ginal à maio pa e dos in elec uais muçulmanos á abes. Pelo con á io, discu ia-se a necessidade de e o ça a Umma, como e dadei a comunidade à qual odos os muçulmanos pe ence iam acima de qualque ou a. “(…) e hnic na ionalism, including A ab na ionalism, in no way would be ad oca ed as an au onomous ideological o mula ion; i would be ole a ed only when i was pu a he se ice o a highe pu pose, namely, he b inging oge he o global Islamic solida i y.” 212 Se á apenas após a I Gue a Mundial que a „nação á abe‟ eme gi á como um concei o pe inen e e que o nacionalismo á abe oma á o ma como mo imen o polí ico. Mas es e mo imen o inha en ão con o nos mais egionais do que á abes, no sen ido em que se aduzia em o ganizações conc e as de comba e aos di e en es manda os eu opeus na egião. 213 Pelos islamis as, o nacionalismo á abe con inua a a se is o como uma impo ação ociden al alhada ou mesmo como uma he esia ociden al concebida pa a di idi os muçulmanos e pa a os i a uns con a os ou os. Sa i‟ al-Hus i, nascido em 1880 na Sí ia e eó ico do nacionalismo á abe, a i ma em 1923: “Le pa io isme (al-wa aniyya) e le na ionalisme (al-qawmiyya) son les p incipales endances sociales qui lien l‟ê e humain aux collec i i és e qui on qu‟on 211 Aziz Al-Azmeh, “Na ionalism and he A abs” in HOPWOOD, De ek (ed.), A ab Na ion, A ab Na ionalism , p. 76 212 DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , pp.22-26 213 Idem, p.47 84 les aime (...). Il es é iden que le pa io isme es l‟amou de la pa ie (wa an), (…) e le na ionalisme es l‟amou de la na ion (umma) (…). La pa ie Ŕ d‟où ien le ondemen Ŕ es un mo ceau de e i oi e ; la na ion Ŕ au ond des choses Ŕ es une collec i i é d‟ê es humains. (…) le pa io isme es le a achemen de l‟indi idu à un mo ceau de e i oi e que l‟on connaî sous le nom de pa ie, e le na ionalisme es le a achemen de l‟indi idu à une collec i i é d‟ê es humains connue sous le nom de na ion. (…) l‟amou de la pa ie con ien na u ellemen l‟amou des compa io es qui appa iennen à ce e pa ie de même que l‟amou de la na ion con ien , en même emps, l‟amou du e i oi e dans lequel i ce e na ion.” 214 Exis iam, segundo Hus i, dois en endimen os dis in os do concei o de „nação‟. A i ma que, pa a os pensado es ingleses e anceses, a nação e a uma cons ução que de i a a do consen imen o de um po o e do seu li e a bí io. A a iliação à nação não pode ia se o çada e não exis i ia nada de p ede e minado no concei o, e do mesmo modo nada se ia necessa iamen e pe manen e. A nação se ia maleá el e exis i ia apenas enquan o um po o quisesse. Pa a os pensando es alemães, po seu u no, a nação não se ia uma cons ução socio-polí ica. Residia, pelo con á io, num passado imemo ial que impo ia a um po o a sua homogeneidade e uni o midade, que po sua ez o sepa a ia de ou os g upos humanos. A nação não se ia c iada pelo Es ado, ela c ia ia o Es ado. 215 Hus i i á adop a a eo ia alemã de nação. In oduz, des a o ma, o concei o de Umma num sen ido secula e nacionalis a, al-Umma al-„A abiya, unida pela língua e his ó ia, que na sua na a i a se á uma designação p o undamen e mais p ecisa do que a de comunidade dos c en es. A his ó ia que o nacionalis a p ocu a não é uma disciplina académica, é um ins umen o polí ico a se u ilizado pa a a ingi os ins do mo imen o. “Na ions, he e o e, a e nou ished and sus ained h ough he elling and e elling o hei pas Ŕ he my hs, he he oism, he unsu passed achie emen s; he many obs acles ha a e con on ed and o e come; he lowe ing o language and li e a u e; he philosophical and a is ic genius ha has no pee , while con enien ly passing o e he less han seemly episodes Ŕ he sel -in lic ed wounds; he ci il wa s, massac es, and human a oci ies; he e hnic, linguis ic, and eligious clea ages and disloca ions. I is such g and na a i es, embodied in pu pose ul his o ical and li e a y ep esen a ion, 214 LAURENS, Hen y, L‟O ien A abe Ŕ a abisme e islamisme de 1798 à 1945, p.263 215 DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , pp.55-57 85 passed on o successi e gene a ions h ough di ec ed educa ion ha mold and p ese e na ions.” 216 Desde o seu início que o nacionalismo á abe, em si mesmo uma espécie de sup anacionalismo, no sen ido em que o seu apelo e a sua agenda polí ica se ala gam pa a além dos limi es geog á icos dos Es ados á abes, e e que compe i com o Islão, a ou a g ande co en e poli ico-ideológica e cul u al sup anacional. Mas e ia ou os obs áculos, nomeadamen e o pa icula ismo egional, a di e sidade linguís ica, o sec a ismo, o ibalismo. Se ia um mo imen o pa icula men e o e em con ex os u banos em que es es obs áculos es a iam mais esba idos, ainda que aí p e alecessem obs áculos de o dem económica. “I he pe iphe y‟s indi e en a i udes o na ionalism was a unc ion o pa icula is ic, subna ional loyal ies, he agili y o he cen e ‟s A ab na ionalis c eden ials was a mani es a ion o he p imacy o economic in e es s o e all o he conce ns and loyal ies.” 217 O mo imen o nacionalis a se ia mais o e onde ambém pode ia se mais o e a ideia de pe ença a uma mesma iden idade nacional, longe de dinâmicas mais exclusi is as e pa icula es que se i iam em egiões pe i é icas de cada Es ado. “Il es en endu qu‟au s ade de la lu e pou l‟indépendance e enco e, sans dou e, au s a e ac uel, une idéologie me an en elie les aleu s na ionales es indispensable. Mais un e o de ai ê e ai pa les penseu s lucides des pays conce nés pou main eni une ce aine ou e u e su l‟uni e salisme e pou ne pas p olonge plus qu‟il es nécessai e l‟emp ise du na ionalisme pu . En e e , il n‟y a aucune aison de pense que les na ionalismes du Tie s Monde, iomphan s, échappe on aux é olu ions qu‟on sui ies les na ionalismes eu opéens (…).” 218 Mas como elaciona as di isões de classe den o do capi alismo com as con adições do concei o de Es ado-nação? Di idi a classe abalhado a não é um enómeno secundá io mas uma ca ac e ís ica es u u al das sociedades capi alis as e da ag essão impe ialis a, já que é na sua omada de consciência e união que pode exis i a pe spec i a de ans o mação e olucioná ia. Mesmo que es a ca ac e ís ica não seja em odas as suas exp essões u o de uma in enção mas an es um e ei o do p óp io sis ema capi alis a. É po isso que o uni e salismo da ideologia 216 DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai p.63 217 Idem, p. 97 218 RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, p.143 86 dominan e es á en aizado “in he need o cons uc , in spi e o he an agonism be ween hem, an ideological „wo ld‟ sha ed by exploi e s and exploi ed alike.” 219 Baliba e Walle s ein a i mam que é p ecisamen e a a és da cons ução da ideia de nação e de po o que se omen a o acismo 220 , se ap o unda di e gências en e a classe ope á ia de di e en es países, o que po sua ez ga an e a es abilidade de um sis ema op esso como é o capi alismo. “Wha is ce ain, howe e , is ha i appea s equally essen ial o us o hink „na ion‟ and „people‟ as his o ical cons uc s, by means o which cu en ins i u ions and an agonisms can be p ojec ed in o he pas o con e a ela i e s abili y on he communi ies on which he sense o indi idual „iden i y‟ depends.” 221 Segundo Miguel Bandei a Je ónimo, a imaginação de uma no a „o dem‟ global passou po um p ocesso de acialização do mundo. Num a igo em que e e e a noção de colo line de Du Bois, Bandei a Je ónimo a i ma que “A cons ução espacial, social e his ó ica da whi eness (e do seu impac o di e enciado e p opiciado de desigualdades sociais) e a elacionada com a o mação his ó ica, polí ica, económica e sociocul u al do impe ialismo.” 222 Ou seja, a consolidação de ca ego ias aciais dis in as que passa a de e mina as iden idades dos indi íduos isa, sob e udo, desenha linhas que eúnem os g upos humanos não segundo o seu papel no sis ema p odu i o mas segundo c i é ios e no-geog á icos. Mas como pesa os elemen os cul u ais, his ó icos, é nicos e sociais que dis inguem uns g upos de ou os e que, ao mesmo empo, não são necessa iamen e homogéneos den o de um p óp io g upo? Pa a Be na d Lewis, uma nação é “a g oup o people held oge he by a common language, belie in a common descen and in a sha ed his o y and des iny. They usually bu no necessa ily inhabi a con iguous e i o y; hey o en enjoy, and i hey do no enjoy hey commonly seek, so e eign 219 BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, p.4 220 Idem, p.33-34 Ainda sob e o papel-cha e do acismo no sis ema capi alis a: “Racism ope a ionally has aken he o m o wha migh be called he e hniciza ion o he wo k o ce (...). This kind o sys em Ŕ acism cons an in o m and in enom, bu somewha lexible in bounda y lines Ŕ does h ee hings ex emely well. I allows one o expand o con ac he numbe s a ailable in any pa icula space- ime zone o he lowes paid, leas ewa ding economic oles, acco ding o cu en needs. I gi es ise o and cons an ly e-c ea es social communi ies ha ac ually socialize child en in o playing he app op ia e oles (al hough, o cou se, hey also socialize hem in o o ms o esis ance). And i p o ides a non-me i oc a ic basis o jus i y inequali y.” 221 Idem, p.10 222 Miguel Bandei a Je ónimo, «Visões globais: a imaginação polí ica dos Es ados-Impé io» in CURTO, Diogo Ramada, Es udos sob e globalização, p. 175 87 independence in hei own name” 223 . Des a o ma, Lewis assume a impo ância dos elemen os cul u ais mas inco po a na de inição a noção de independência sobe ana. Assim de inida, a nação se ia o esul ado de uma solida iedade humana, cujos memb os ac edi am o ma um odo cul u al coe en e, e que mani es am um desejo o e de sobe ania polí ica. 224 Amílca Cab al, num discu so sob e esis ência polí ica aos mili an es do PAIGC, de ine o concei o de po o da seguin e o ma: “po o é odo o ilho da nossa e a, Guiné e Cabo Ve de, que que co e com os colonialis as po ugueses, mais nada. Ele que , ele é o nosso po o, e nós não que emos que ninguém di ida o nosso po o.” 225 A iden idade nacional es á po an o subjugada à on ade de au ode e minação: uma pessoa pe ence a um po o pela consciência colec i a que es e em do seu di ei o a cons ui um Es ado sobe ano e a decidi sob e a o ma do seu desen ol imen o. F an z Fanon ap esen a a mesma ideia anos an es, quando a i ma que aquele que lu a pela independência é aquele que, simul aneamen e, unda a nação. “Chacun pa son ac ion ai exis e la na ion e s‟engage à la ai e localemen iomphe . Nous a ons a ai e à une s a égie de l‟immédia e é o ali ai e e adicale. Le bu , le p og amme de chaque g oupe spon anémen cons i ué es la libé a ion locale. Si la na ion es pa ou , alo s elle es ici. (…) Le mili an poli ique, c‟es le comba an . Fai e la gue e e ai e de la poli ique, c‟es une seule e même chose. (…) L‟uni é na ionale es d‟abo d l‟uni é du g oupe, la dispa i ion des ieilles que elles e la liquida ion dé ini i e des é icences.” 226 Benjamim S o a, ao ala da cons ução da iden idade como u o de um con li o, de um choque, sus en a a mesma ideia: “Les communau és n‟en en pas ou es cons i uées d‟emblée, dans des appo s de pou oi e de domina ion. L‟iden i é na ionale a se “ ab ique ” dans des appo s con lic uels. La iolence in e communau ai e dans l‟his oi e de l‟Algé ie coloniale cons ui l‟iden i é communau ai e-na ionale. Une iden i é communau ai e pied-noi (e algé ienne musulmane) se cons ui dans le appo de iolence à l‟Au e. Elle n‟exis e que dans e pa ce appo . L‟iden i é se dé ini pa phénomène d‟exclusion.” 227 223 Be na d Lewis, da ob a The Mul iple Iden i ies o he Middle Eas in DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , p. 6 224 Idem, p. 13 225 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, p. 8 226 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 527 227 STORA, Benjamin, Algé ie : o ma ion d‟une na ion, p. 16 88 Se, como nos diz Eicklelman, as iden idades cul u ais, é nicas, e ou as, são componen es de uma iden idade social que não pode se analisada sub aída ao seu con ex o, en ão não é di ícil comp eende que o con ex o dos po os colonizados seja o de con on o com uma negação da sua exis ência sobe ana, e que essa ealidade seja undamen al pa a a consolidação de uma iden idade. “(…) such iden i ies mus be analyzed in he speci ic his o ical con ex s in which hey a e main ained, ans o med, and ep oduced, and no as pa s o an ahis o ical mosaic.” 228 A maio pa e dos es udos ac uais econhece que a in es igação sob e noções de iden idade exige a a enção que pa a os signi icados cul u ais que pa a os con ex os p á icos em que es es se p oduzem e ans o mam. Löwy sublinha a impo ância de sepa a iden idade nacional de nacionalismo. Segundo o au o , exis e, po um lado, a ligação a uma cul u a nacional e a consciência de pe ença a uma comunidade nacional com o seu passado his ó ico e, po ou o lado, o nacionalismo. “Le na ionalisme en an qu‟idéologie comp end ous ces élémen s mais aussi quelque chose de plus, qui en es l‟ing édien décisi : le choix de la na ion comme aleu p imo diale du poin de ue social e poli ique, aleu à laquelle ou es les au es doi en ê e en quelque so e subo données.” 229 Es a sepa ação não é, con udo, e iden e, na medida em que encon amos eco en emen e a ligação en e os es o ços pa a a cons ução da ideia de nação e de po o e os p ocessos polí icos di igidos pelos mo imen os nacionalis as. Is o é e dade pa a os casos em que a exis ência de um po o e a ins umen o necessá io à mobilização de á ios g upos con a um inimigo comum, o colonialismo, como ambém no caso dos nacionalismos de um g upo dominan e con a aqueles que conside a ag edi em a sua unidade, como é o caso de mo imen os nacionalis as no con ex o eu opeu con a a p esença de imig an es no país. Se imagina mos o im do con li o en e as nações, podemos pô em causa a necessidade de exis ência de uma consciência nacional, já que podem e -se c iadas as condições pa a a sua dissipação num momen o em que es a deixe de se mobilizada ao se iço de uma ei indicação polí ica. 228 EICKELMAN, Dale F., The Middle Eas and Cen al Asia, an An h opological App oach, p.211 229 LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e ? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, p. 72 95 Resis ência e cul u a: en e F an z Fanon e Amílca Cab al Vá ias o am, a é aqui, as e e ências que izemos ao pensamen o de F an z Fanon e de Amílca Cab al, po se em duas das igu as mais ele an es pa a a e lexão sob e a lu a an icolonial. Cen emo-nos ago a naquilo que esc e em sob e o papel da cul u a e da al e na i a cul u al como elemen o imp escindí el a uma ó mula capaz de p oduzi esis ência. A cul u a e a en endida como o meio sob e o qual se abalha a pa a desen ol e a lu a polí ica e, como al, e a pa e da ealidade que se de ia conhece pa a se pode ans o ma . Não e a, pois, apenas meio ou elemen o ins umen al, mas o ce ne da p óp ia exis ência al e na i a. Edwa d Said em Cul u e and Impe ialism de ine a cul u a da seguin e o ma: “Fi s o all i means all hose p ac ices, like he a s o desc ip ion, communica ion, and ep esen a ion, ha ha e ela i e au onomy om he economic, social, and poli ical ealms and ha o en exis in aes he ic o ms, one o whose p incipal aims is pleasu e. (…) Second, and almos impe cep ibly, cul u e is a concep ha includes a e ining and ele a ing elemen , each socie y‟s ese oi o he bes ha has been known and hough (…) Cul u e in his sense is a sou ce o iden i y, and a a he comba i e one a ha , as we see in ecen „ e u ns‟ o cul u e and adi ion‟.” 246 Di e en es cul u as es i e am em con li o ao longo do empo, co espondendo a p ocessos mais ou menos e iden es de con on o no campo polí ico e económico. No caso colonial, a sub acção da cul u a indígena oi semp e, em ce a medida, um meio pa a consolida a dominação de um po o que se conside a a in e io . Conside ando a ealidade desses po os como a asada e não-ci ilizada, os colonizado es coloca am-nos num empo anac ónico, que lhes e i a a o di ei o a se em esponsá eis pelos seus des inos, e os subjuga a à o ça do „p esen e‟ desen ol ido. Não nos pa ece ele an e pensa o es udo da cul u a como uma ca ac e ização de á ios elemen os dis in os, sepa ados ou compa imen ados. Igno a ou meno iza as expe iências sob epos as das cul u as di as ociden ais e o ien ais é não comp eende a in e dependência dos planos cul u ais em que os colonizado es e os colonizados coexis i am, con on a am as suas p ojecções do „ou o‟ e cons uí am na a i as e his ó ias. “Pa ly because o empi e, all cul u es a e in ol ed in one ano he ; none is single and pu e, all a e hyb id, he e ogeneous, ex ao dina ily di e en ia ed and 246 SAID, Edwa d W., Cul u e and Impe ialism, pp. xii-xi 96 unmonoli hic.” 247 O que nos in e essa e e são as di e en es ealidades que se con on a am no plano cul u al, ao mesmo empo que se esg imia um comba e polí ico e mili a de libe ação dos e i ó ios colonizados. Pa a comp eende Fanon é necessá io ejei a a acilidade das ca ego ias iden i á ias: es e p o a que se pode se ao mesmo empo a gelino e neg o, que se pode lu a simul aneamen e pela libe ação nacional e pela libe ação da humanidade. Não emos, po an o, in e esse em aze uma análise do Fanon an ilhano con a o a gelino, ou do ma xis a con a o cul u alis a, mas sim em e lec i sob e aquilo em que o seu pensamen o con ibuiu pa a os ques ionamen os que lhe o am con empo âneos. A i ma a-se como um homem do seu empo, de o ma i e ogá el. Não adia a a sua acção pa a um ou o mundo, exis ia pa a in luencia a sua ealidade. “L‟idéal é an que oujou s le p ésen se e à cons ui e l‟a eni . E ce a eni n‟es pas celui du cosmos, mais bien celui de mon siècle, de mon pays, de mon exis ence. En aucune açon je ne dois me p opose de p épa e le monde qui me sui a. J‟appa iens i éduc iblemen à mon époque.” 248 E no seu empo, o colonizado e a o çado a eme e -se a uma iden idade e a compo a -se de aco do com o papel que lhe e a aco dado. O neg o es a a condenado a de inha na sociedade colonial. A al e na i a e a agi de o ma a ei indica a sua emancipação. “Au emen di , le Noi ne doi plus se ou e placé de an ce dilemme : se blanchi ou dispa aî e, mais il doi pou oi p end e conscience d‟une possibili é d‟exis e (…) de le me e en mesu e de choisi l‟ac ion (ou la passi i é) à l‟éga d de la é i able sou ce con lic uelle Ŕ c‟es -à-di e à l‟éga d des s uc u es sociales.” 249 Es a ei indicação ambém passa a po a i ma que as ca ac e ís icas é nicas não podiam de ini o compo amen o de um g upo. Conside a „os neg os‟ como uma ealidade homogénea e a apenas a o ma encon ada pa a melho os domina economicamen e. “Quand on di «peuple noi », on suppose sys éma iquemen que ous les Noi s son d‟acco d su ce aines choses ; qu‟il exis e, en e eux, un p incipe de communion. La é i é es qu‟il n‟y a ien, a p io i, qui puisse laisse suppose l‟exis ence d‟un peuple noi . (…) On a ici la p eu e que les his oi es aciales ne son 247 SAID, Edwa d W., Cul u e and Impe ialism, p. xxix 248 FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.67 249 Idem, p.142 97 qu‟une supe s uc u e, qu‟un man eau, qu‟une sou de émana ion idéologique dé ê an une éali é économique.” 250 A negação da cul u a se ia, assim, pa e de um emp eendimen o económico e polí ico de dominação. O acismo que acompanha a essa negação e a pa e da cul u a do colonizado (e não qualque de e minação biológica do se humano), já que se a a a do seu compo amen o em elação ao seu semelhan e. “L‟en ep ise de décul u a ion se ou e ê e le néga i d‟un plus gigan esque a ail d‟asse issemen économique, oi e biologique. (…) si la cul u e es l‟ensemble des compo emen s mo eu s e men aux né de la encon e de l‟homme a ec la na u e e a ec son semblable, on doi di e que le acisme es bel e bien un élémen cul u el.” 251 O p ocesso de negação da cul u a do po o colonizado não e a impos o sem esis ência, pelo que a „paci icação‟ se ia desen ol ida a a és do uso da iolência. Do pon o de is a his ó ico, podem-se dis ingui di e en es polí icas de colonização que co espondem, em cada e apa, ao ní el de desen ol imen o socio-económico dos e i ó ios colonizados. Sem a iolência e a b u alidade do exé ci o não e ia sido possí el eo ien a as o mas de p odução adicionais em unção da me ópole. Os elemen os da cul u a do colonizado se ão esmagados, azendo com que uma pa e impo an e da sua ida e da sua iden idade seja eme ida pa a a clandes inidade. “De ou e é idence, le colonialisme boule e se ou es les données de la socié é au och one. C‟es que le g oupe dominan a i e a ec ses aleu s e les impose a ec une elle iolence, qu‟elle accule à la dé ensi e, oi e à la clandes ini é, la ie même du colonisé.” 252 O pa adoxo es a a p ecisamen e na na a i a que impunha es a iolência. A colonização, como p ocesso de exp op iação e con olo da ida polí ica e social de um po o po ou o, susci a esis ência, e é ep imida com iolência, sendo que es a iolência é jus i icada pela incapacidade do colonizado, „sel agem‟ e „não-ci ilizado‟, comp eende ou a linguagem que não a linguagem da o ça. A gue a de libe ação é, pa a Fanon, o esul ado da ap op iação desse ca ác e iolen o que lhe con e iam. “Lui à qui on n‟a jamais cessé de di e qu‟il ne comp enai que le langage de la o ce, décide de s‟exp ime pa la o ce.” 253 250 FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, pp. 704-705 251 Idem, p.715 (In e enção in i ulada «Racisme e cul u e» p o e ida no Cong esso in e nacional de esc i o es e a is as neg os, em 1956). 252 FANON, F an z, “L‟an V de la é olu ion algé ienne” in Œu es, p. 363 253 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 488 98 Pa a Sa e, no p e ácio que az a Les Damnés de la e e, a iolência é ap esen ada como uma mani es ação jus a e a é imp escindí el à libe ação do homem colonizado. “Ce e iolence i ép essible, il le mon e pa ai emen , n‟es pas une absu de empê e ni la ésu ec ion d‟ins inc s sau ages ni même un e e du essen imen : c‟es l‟homme lui-même se ecomposan .” 254 É nes a ob a que Fanon eo iza es a iolência necessá ia à econs ução da iden idade do homem colonizado, que se á dos elemen os mais conhecidos do seu pensamen o. A iolência do colonizado em um ca ác e emancipado , já que é jus amen e a espos a à iolência a que o subme e am. Sendo esponsá el pela o ça que conquis a a sua p óp ia libe ação, o homem colonizado não acei a á que lhe seja „concedida‟ a libe dade, como se de um a o se a asse, e des ói o seu complexo de in e io idade. Impo a conhece o abalho de Fanon como psiquia a e alguns dos seus esc i os nessa á ea pa a melho comp eende es a ese. “Au ni eau des indi idus, la iolence désin oxique. Elle déba asse le colonisé de son complexe d‟in é io i é, de ses a i udes con empla i es ou désespé ées. (…) Quand elles on pa icipé, dans la iolence, à la libé a ion na ionale, les masses ne pe me en à pe sonne de se p ésen e en «libé a eu ».” 255 Ou a unção da iolência e a de ca ác e polí ico, na medida em que ope a a uma in eg ação dinâmica dos g upos. Só quando execu a um ac o i e ogá el, uma ag essão con a um agen e do colonialismo, é que o indí iduo se quali ica pa a a ac i idade polí ica no mo imen o de esis ência. 256 Pa a Fanon, apenas a lu a de libe ação e a capaz de p oduzi e consolida a iden idade nacional: “Nous pensons que la lu e o ganisée e conscien e en ep ise pa un peuple colonisé pou é abli la sou e aine é de la na ion cons i ue la mani es a ion la plus pleinemen cul u elle qui soi . (…) Il nous semble que les lendemains de la cul u e, la ichesse d‟une cul u e na ionale son onc ion égalemen des aleu s qui on han é le comba libé a eu .” 257 Es a emancipação psicológica em uma o ça mui o maio , pa a Fanon, do que qualque i ó ia mili a . E es a a na ho a de se impedi que mais homens mo essem po uma causa que es a a pe dida: o sis ema colonial. Não se podia ence uma ebelião a pa i do momen o em que e a des uído o medo e o desespe o de um po o. “Ne au -il 254 Jean-Paul Sa e, p e ácio de FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 441 255 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.496 256 ZAHAR, Rena e, Colonialismo e alienação, con ibuição pa a a eo ia polí ica de F an z Fanon, p.152 257 STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, p.750 99 pas mieux ou i les yeux e oi ce qu‟il y a de g andiose, mais aussi de na u el dans ce e déma che ? Es -il donc enco e, le emps où l‟homme doi e se ba e e mou i pou a oi le d oi d‟ê e le ci oyen d‟une na ion ? (…) Tous les géné aux en che de ou es les gue es coloniales épè en les mêmes choses, mais commen ne comp ennen -ils pas qu‟aucune ébellion n‟es jamais aincue ? Qu‟es -ce que cela peu bien ouloi di e, ainc e une ébellion ? (…) Nous oulons mon e dans ces pages, que le colonialisme a dé ini i emen pe due la pa ie en Algé ie, andis que, de ou e açon, les Algé iens l‟on dé ini i emen gagné. (…) Une a mée peu à ou momen econqué i le e ain pe du, mais commen éins alle dans la conscience d‟un peuple le complexe d‟in é io i é, la peu e le désespoi ?” 258 E e a essa consciência que ago a se consolida a que po encia ia a cul u a do país, uma cul u a undada na lu a pela libe ação. “La cul u e na ionale es l‟ensemble des e o s ai s pa un peuple su le plan de la pensée pou déc i e, jus i ie e chan e l‟ac ion à a e s laquelle le peuple s‟es cons i ué e s‟es main enu. (…) L‟adhésion à la cul u e nég o-a icaine, à l‟uni é cul u elle de l‟A ique passe d‟abo d pa un sou ien incondi ionnel à la lu e de libé a ion des peuples. On ne peu ouloi le ayonnemen de la cul u e a icaine si l‟on ne con ibue pas conc è emen à l‟exis ence des condi ions de ce e cul u e, c‟es -à-di e à la libé a ion du con inen .” 259 A nação e a exigência da cul u a, mas ambém condição úl ima pa a o seu lo escimen o. Apenas uma ez conquis ado o espaço e a sobe ania nacional se ia possí el a c iação cul u al. “La na ion n‟es pas seulemen condi ion de la cul u e, de son e e escence, de son enou ellemen con inué, de son app o ondissemen . Elle es aussi une exigence. C‟es d‟abo d le comba pou l‟exis ence na ionale qui débloque la cul u e, lui ou e les po es de la c éa ion. (…) Ce qui n‟exis e pas ne peu guè e agi su le éel, ni même in luence ce éel. Il au d‟abo d que le é ablissemen de la na ion donne ie, au sens le plus biologique du e me, à la cul u e na ionale.” 260 Mas ganha consciência nacional não signi ica a deixa de comp eende a ealidade in e nacional em que es a am inse idos, nem nega a solida iedade que se impunha pa a que se pudesse alcança a emancipação de odos os po os colonizados. Pa a Fanon, e a jus amen e a consciência nacional que pe mi ia ao colonizado adqui i uma dimensão in e nacional. “La conscience de soi n‟es pas e me u e à la 258 FANON, F an z, “L‟an V de la é olu ion algé ienne” in Œu es, pp. 267-268 259 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, pp. 610, 612 260 Idem, pp. 219-220 100 communica ion. La é lexion philosophique nous enseigne au con ai e qu‟elle en es la ga an ie. La conscience na ionale, qui n‟es pas le na ionalisme, es la seule à nous donne dimension in e na ionale.” 261 Nem ão pouco se ia uma a i mação de supe io idade. Não ha ia nem al e na i a à libe ação dos po os coloniais nem con apa ida a essa libe ação. O p og esso da humanidade só pode ia acon ece se odos es i essem em pé de igualdade pa a „caminha ‟ no mesmo umo. “Je n‟ai pas le d oi , moi homme de couleu , de eche che en quoi ma ace es supé ieu ou in é ieu à une au e ace. Je n‟ai pas le d oi , moi homme de couleu , de souhai e la c is allisa ion chez le Blanc d‟une culpabili é en e s le passé de ma ace. (…) Je n‟ai ni le d oi ni le de oi d‟exige épa a ion pou mes ancê es domes iqués. (…) Je me décou e un jou dans le monde e je me econnais un seul d oi : celui d‟exige de l‟au e un compo emen humain. Un seul de oi . Celui de ne pas enie ma libe é au a e s de mes choix.” 262 E nas sociedades ociden ais ainda se es a a longe de ga an i um compo amen o humano que p opo cionasse a libe dade aos seus p óp ios cidadãos, apesa dos a anços cien í icos e ecnológicos e dos alo es humanis as. A cul u a no a que se p e endia unda com a esis ência an icolonial não e a uma imi ação da Eu opa. “Si nous oulons ans o me l‟A ique en une nou elle Eu ope, l‟Amé ique en une nou elle Eu ope, alo s con ions à des Eu opéens les des inées de nos pays. Ils sau on mieux ai e que les mieux doués d‟en e nous. Mais si nous oulons que l‟humani é a ance d‟un c an, si nous oulons la po e à un ni eau di é en de celui où l‟Eu ope l‟a mani es ée, alo s il au in en e , il au décou i . Si nous oulons épond e à l‟a en e de nos peuples, il au che che ailleu s qu‟en Eu ope.” 263 A esis ência é a lu a pela exigência do econhecimen o da dignidade absolu a do homem. E é com base no espei o pelo di ei o inalianá el a essa dignidade que se de e cons ui uma cul u a p óp ia. To na-se e iden e que, po mais que se u ilizasse uma na a i a eclamando um passado his ó ico e cul u al des uído pelos eu opeus, a independência não se i ia pa a „ eins ala ‟ essa cul u a, já que não ha ia ago a elemen o mais impo an e do que a cul u a da esis ência. “Si u n‟exiges pas l‟homme, si u ne sac i ies pas l‟homme qui es en oi pou que l‟homme qui es su ce e e e soi 261 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p.621 262 FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, p.249 263 FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, p. 676 101 plus qu‟un co ps, plus qu‟un Mohammed, pa quel ou de passe-passe aud a- -il que j‟acquiè e la ce i ude que, oi aussi, u es digne de mon amou ?” 264 Sabemos que Amílca Cab al, como uma g ande pa e dos di igen es dos á ios mo imen os nacionalis as a icanos, conhecia a ob a de F an z Fanon. Com mui as ideias coinciden es, cada um i á exp essá-las e de endê-las à sua manei a, com o seu es ilo e o seu enquad amen o in elec ual. No seminá io de quad os de 1969 em que Cab al se p onuncia sob e p incípios do pa ido, diz-se ace ca da noção de ealidade que “o homem é pa e da ealidade, a ealidade exis e independen emen e do homem, e o homem, na medida em que adqui e consciência da ealidade, na medida em que a ealidade in luencia a sua consciência, c ia a sua consciência, pode adqui i a possibilidade de ans o ma a ealidade a pouco e pouco.” 265 Ou seja, admi i que a ealidade exis e independen emen e do homem não e a sinónimo de a acei a , pelo con á io, e a e consciência de que apenas um p o undo conhecimen o dessa ealidade o na ia possí el uma acção ans o mado a. A ideia de que a esis ência exis i ia independen emen e das condições c iadas, como impulso in ínseco à condição humana, e a uma a i mação da ine i abilidade do mo imen o de libe ação. “A esis ência é uma coisa na u al. Toda a o ça que se exe ce sob e uma coisa qualque , dá luga a uma esis ência, que dize , a uma o ça con á ia.” 266 Os mo imen os de libe ação nacional não e am mais do que o desen ol e das condições de esis ência de um po o, mas esis iam com o objec i o de cons ui uma no a ealidade. “Nós esol emos aze das nossas cabeças aquela semen e que se põe na e a pa a aze nasce no as plan as.” 267 A cul u a e a e lexo da e olução his ó ica de um po o. Enquan o es e se desen ol esse au onomamen e, o p ocesso his ó ico enca ega -se-ia da ma u ação das exp essões cul u ais de cada sociedade. “Cul u a é a sín ese dinâmica, no plano da consciência indi idual ou colec i a, da ealidade his ó ica, ma e ial e espi i ual de uma sociedade ou de um g upo humano, sín ese que aba ca an o as elações homem/na u eza como as elações en e os homens e as ca ego ias sociais. Po sua ez, mani es ações cul u ais são as di e en es o mas que exp imem essa sín ese, indi idual 264 FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, pp. 702-703 265 CABRAL, Amílca , Alguns p incípios do Pa ido, p. 42 266 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, p. 3 267 Idem, p. 1 102 ou colec i amen e, em cada e apa da e olução da sociedade ou do g upo humano em ques ão.” 268 A p eocupação com a es e a cul u al es a a ligada à necessidade de e o ça as condições de esis ência. E a acção cul u al, p odução e uição, bem como a e lexão em o no das ca ac e ís icas cul u ais de um po o, e am em si elemen os de esis ência. Mas pensa a cul u a não e a apenas es au a um conjun o de adições op imidas, e a cons ui uma cul u a no a, já que e a necessá io que es a a i masse um no o ac o Ŕ al ez ago a o mais impo an e de odos: a cul u a de um po o que lu a pela sua libe ação. “A nossa esis ência cul u al consis e no seguin e: enquan o liquidamos a cul u a colonial e os aspec os nega i os da nossa p óp ia cul u a, no nossso espí i o, no nosso meio, emos que c ia uma cul u a no a, baseada nas nossas adições ambém, mas espei ando udo quan o o mundo em hoje de conquis a pa a se i o homem.” 269 A cul u a, po que e a ambém p odu o do ní el económico de uma sociedade, inha elemen os que di icul a am o p og esso que se que ia conquis a com a independência, pelo que, ainda que alguns elemen os adicionais pudessem se man idos, de e iam se en iquecidos po udo aquilo que pudesse se conside ado bené ico pa a os po os. Se po um lado e a necessá io liquida a cul u a colonial, não e a menos impo an e elimina os aspec os nega i os da cul u a indígena. Mas como de ini o que é a cul u a nacional nessa a iculação en e as adições e as ideias p og essis as, en e o que se p ese a e o que se abandona? “O nosso abalho de e se i a aquilo que não p es a e deixa aquilo que é bom. Po que o colonialismo não em só coisas que não p es am. De emos se capazes, po an o, de comba e a cul u a colonial e deixa na nossa cabeça aquele aspec o de cul u a humana, cien í ica, que po en u a os ugas ouxe am pa a a nossa e a e en ou na nossa cabeça ambém.” 270 Cab al e a asse i o na sua o al ejeição da exis ência de cul u as aciais ou con inen ais. Em p imei o luga , po que a cul u a e a um enómeno in imamen e ligado à ealidade económica e social do meio e ao ní el de desen ol ido das o ças p odu i as. Em segundo luga , po que, em di e sos casos, o desen ol imen o da cul u a se p oduzia de o ma desigual no seio do mesmo con inen e, da mesma „ aça‟ e a é da mesma sociedade. “As coo denadas da cul u a, como as de odo o enómeno em desen ol imen o, a iam no espaço e no empo an o em sen ido ma e ial (espaço e 268 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.18 (in e enção em eunião da UNESCO sob e “Noções de aça, de iden idade e dignidade”) 269 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 3 270 Idem, p. 2 103 empo ísico) como humano (biológicos e sociológicos)”. 271 Não ha ia luga pa a se a gumen a que e a adição a icana qualque aço cul u al que, pelo con á io, apenas se de ia à e apa no desen ol imen o económico em que se encon a am. 272 Es a ideia em em de esa, desde logo, da necessidade de c iação de um pa ido que o ganizasse a lu a an icolonial. O pa ido, suas es u u as e o ma de uncionamen o, e a uma exp essão cul u al es angei a. Mas exac amen e po isso, po se um elemen o bené ico e necessá io à emancipação de um po o op imido, de e ia se enca ado ele mesmo como um ac o de cul u a. “De emos dize , conc e amen e, que a p óp ia c iação do nosso Pa ido, que plani icou e a ançou a nossa lu a de libe ação nacional, é um ac o de cul u a. É uma p o a cla a da esis ência cul u al, po que nós que emos se nós mesmos, a icanos da Guiné e Cabo Ve de e não ugas.” 273 E é a a és da c iação do pa ido e do seu e o ço que se ealiza o p imei o ac o de cul u a: o e o ço da unidade do po o em o no da lu a de libe ação, que e a exp essão do pa io ismo que de e ia mo ê-los e se pa e in eg an e da cul u a no a. “Unidade do nosso po o, necessidade de lu a e desen ol e em cada um de nós uma ideia no a que é o pa io ismo, o amo pela nossa e a, como uma coisa só.” 274 Es a a i mação pe mi e-nos conclui que a cul u a pa ió ica não se ia o mesmo que a cul u a nacionalis a. Não exis ia, nas di e enças que se sublinha am, qualque p e ensão de in e io iza ou as cul u as. A cul u a e a uma ealidade social “independen e da on ade dos homens, da co da sua pele, da o ma dos seus olhos e dos limi es geog á icos de cada país” e o de e do mo imen o de libe ação e a o de “demons a a especi icidade da cul u a do po o, mas p ocede à análise c í ica dessa cul u a, em unção das exigências da lu a e do p og esso, o que pe mi i á si uá-la, sem complexos de supe io idade ou de in e io idade, na ci ilização uni e sal, como pa cela 271 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.22 (in e enção em eunião da UNESCO sob e “Noções de aça, de iden idade e dignidade”). 272 Na o mação de quad os sob e análise dos ipos de esis ência, Amílca Cab al a gumen a em elação aos di e en es elemen os da cul u a a icanas e des alo iza as a i udes de p ese ação daquilo que ele conside a se a manei a e ada de esis i cul u almen e. “Sim, a Á ica em a sua cul u a, de ac o, essa é a nossa opinião conc e a. Alguns aspec os dessa cul u a são e e nos, nunca acabam, podem ans o ma -se semp e pelo caminho, mas nunca hão-de acaba . Po exemplo, os nossos ipos de dança, o nosso i mo p óp io de Á ica. Mas ninguém pense que o ambo é só da Á ica, que ninguém pense que ce as manei as de es i são só da Á ica, as saias de palha, de olhas de palmei a, e c., que ninguém pense que come com a mão é só da Á ica. Todos os po os do mundo passa am po isso (…) É que a cul u a ambém é o p odu o do ní el económico em que um po o es á.” CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 4 273 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 1 274 Idem, p. 9 104 do pa imónio comum da humanidade, e na pe spec i a da sua in eg ação ha moniosa com o mundo ac ual.” 275 Ou o elemen o que ans o ma ia o que a é aqui e a a cul u a nas colónias consis ia no ac o de es a passa a se um di ei o de odos, só assim podendo se conside ada uma cul u a popula e de massas. “A nossa cul u a não pode se pa a uma eli e, pa a um g upo de pessoas que sabe mui o, que conhece as coisas. Não. Todos os ilhos da nossa e a, na Guiné e em Cabo Ve de, êm que e di ei o a a ança cul u almen e, a pa icipa nos nossos ac os cul u ais, a mani es a e a c ia cul u a.” 276 E essa condição só se pode ia alcança com uma sé ie de medidas, sob e as quais Cab al é mui o especí ico, que passam pelas á eas do ensino, da saúde, da higiene, mas ambém do espí i o de igo e da noção do empo. 277 Na explicação que az dos aspec os que ca ac e izam a esis ência cul u al, encon amos um es o ço de de inição do que en endia po di ei o à dignidade. No undo, o di ei o de um po o p oduzi e exp essa a sua cul u a li emen e, ap o ei ando do es o do mundo aquilo que é humano, aquilo que se conside a bem comum. Se não se pudesse pa en ea os ins umen os que pe mi iam a elicidade, es a pode ia es a ao alcance de um cada ez maio núme o de pessoas. Na mensagem de ano no o de 1973, a úl ima que a ia, diz que a lu a é “uma exp essão polí ica o ganizada de uma cul u a, e é ambém necessa iamen e uma p o a não somen e de iden idade mas ambém de dignidade. (…) Acon ece que a cul u a é o p óp io undamen o do mo imen o de libe ação e que apenas podem mobiliza -se, o ganiza -se e lu a as sociedades que p ese am a sua cul u a.” 278 Esse e a o elemen o que, po sabe da sua impo ância, o impe ialismo ha ia negado às sociedades sob o seu domínio, já que po lhes nega um p ocesso his ó ico au ónomo lhes inha negado o seu p ocesso cul u al. “Pe an e o mundo e pe an e a Á ica, pe gun amos: acaso inham os po ugueses azão quando a i ma am que somos po os não ci ilizados, po os sem cul u a? Qual é a mais b ilhan e mani es ação de ci ilização e de cul u a senão a que é dada po um po o que pega em a mas pa a de ende o seu di ei o à ida, ao p og esso, ao abalho e à elicidade?” 279 275 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A.Cab al, p.22 (in e enção em eunião da UNESCO sob e “Noções de aça, de iden idade e dignidade”). 276 CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, p. 14 277 Idem, pp. 16-22 278 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, p.7 279 In e enção de Amílca Cab al na 2ª Con e ência das O ganizações Nacionalis as das Colónias Po uguesas em 1965, in s.a., Manual Polí ico, p. 94 111 signi ica que con inua á a exis i his ó ia com a supe ação da lu a de classes, deixando de exis i explo ação do homem pelo homem. A elação his ó ica en e socialismo e nacionalismo não icou ence ada com a dissolução da União So ié ica. Pelo con á io, a hegemonia do capi alismo em g ande pa e do mundo impõe uma o ma de globalização que, se dá luga a uma explo ação acen uada dos abalhado es de odo o mundo, ambém c ia condições de ap oximação, diálogo e o ganização nunca conhecidas. A na u al ei indicação e de esa de pa icula idades locais ameaçadas pelo impe ialismo cul u al alimen a no as agas de nacionalismos, que se insc e em em di e en es adições e que colocam objec i os mui o dis in os. Se po um lado o nacionalismo pode limi a -se à conquis a da sobe ania e conside a que odos os p oblemas de uma dada sociedade sejam dessa o ma esol idos, po ou o lado es e pode insc e e -se numa linha que p oponha o im de qualque explo ação ex e na ou in e na aos limi es da nação e não assumi como an inacional es a ei indicação. Miguel To ga dizia que “o uni e sal é o local sem pa edes. É o au ên ico que pode se is o de odos os lados, e em odos os lados es á ce o, como a e dade.” 283 De emos p es a a enção a esse in e nacionalismo como soma dos locais. É possí el uma pe manen e a iculação en e as o mas de lu a pela de esa do alo do abalho em odo o mundo, e a o ma de man e e pa ilha o que de di e en e p oduzem cul u almen e os á ios conjun os humanos. Só assim se pode e i a os nacionalismos que semeiam in ole âncias, que impõem alegadas supe io idades de uns elemen os cul u ais sob e ou os, e que são alimen ados jus amen e po aqueles que p e endem i a pa ido da di isão e en aquecimen o dos abalhado es. 283 TORGA, Miguel, “T aço de União” in Ensaios e discu sos, Lisboa, Dom Quixo e, 2001, p.147, (con e ência de 1954). 112 Fon es A qui os diplomá icos Minis è e des A ai es É angè es/ Commission de Publica ion des Documen s diploma iques ançais, Documen s diploma iques ançais, 1962, 1963, 1964. Imp ensa pe iódica El Moudjahid: o gane cen al du F on de libé a ion na ionale, 1956-1978. Libe é. O gane clandes in du Pa i communis e algé ien, 1956-1957. A an e !, ó gão cen al do Pa ido Comunis a Po uguês, 1941-1974. Tex os o iciais a gelinos s.a., L'Algé ie en ma che e s le socialisme, [Alge ,], s. n., 1963. s.a., Algé ie, naissance d‟une socié é nou elle, le ex e in ég al de la cha e na ionale adop ée pa le peuple algé ien / in oduc ion de Robe Lambo e, Pa is, Édi ions sociales, 1976. Ou as on es publicadas s.a., Manual Polí ico, s.l., P.A.I.G.C., 1972. s.a., His ó ia da Guiné e Ilhas de Cabo Ve de, Po o, A on amen o/PAIGC, 1974. s.a., The G ea So ie Encyclopedia, 3 d Edi ion (1970-1979). s.a, Um comunis a po uguês na Guiné-Libe ada, epo agem de um co esponden e de Rádio Po ugal Li e, s.l, Edições A an e!, s.d. 113 CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de Amílca Cab al, s.l., Cade nos Ma ia da Fon e, 1974. CABRAL, Amílca , Tex os polí icos de A. Cab al, Coimb a, Minis é io da Educação e In es igação Cien í ica, 1976. CABRAL, Amílca , Aplica na p á ica os p incípios do Pa ido, s.l., Associação Académica de Moçambique, 1975. CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência polí ica, s.l., Associação Académica de Moçambique, 1975. CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência económica, s.l., Associação Académica de Moçambique, s.d. CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência cul u al, s.l., Associação Académica de Moçambique, s.d. CABRAL, Amílca , Análise dos ipos de esis ência: esis ência a mada, s.l., Associação Académica de Moçambique, s.d CABRAL, Amílca , Guiné-Bissau, nação a icana o jada na lu a, Lisboa, No a Au o a, 1974. CABRAL, Amílca , Alguns p incípios do Pa ido, Lisboa, Sea a No a, 1974. CASTRO, Fidel; BOUMEDIENE, Houa i; El camino se á la go, la lucha se á du a; pe o los pueblos iun a án, sl, Ediciones Poli icas, 1974. ESTALINE, J., “Le ma xisme e la ques ion na ionale” in P incipaux éc i s a an la é olu ion d‟oc ob e, B uxelas, Édi ions La Taupe, 1970, pp. 195-288. FANON, F an z, “Peau noi e, masques blancs” in Œu es, Pa is, La Décou e e, 2011, [1952], pp. 45-257. FANON, F an z, “L‟an V de la é olu ion algé ienne” in Œu es, Pa is, La Décou e e, 2011, [1959], pp. 259-418. FANON, F an z, “Les Damnés de la e e” in Œu es, Pa is, La Décou e e, 2011, [1961], pp. 419-681. 114 FANON, F an z, “Pou la é olu ion a icaine, éc i s poli iques” in Œu es, Pa is, La Décou e e, 2011, [1964], pp. 683-878. FANON, F an z, Éc i s su l‟aliéna ion e la libe é - œu es II, Pa is, La Décou e e, 2015. GONÇALVES, Ben o, Os Comunis as, Po o, Opinião, 1976. LÉNINE, Vladimi I., “L‟impé ialisme, s ade sup ême du capi alisme” in Œu es, olume 22, Pa is-Mosco o, Édi ions Sociales/Édi ions du P og ès, 1973, pp.201- 327. MARX, Ka l; ENGELS, F ede ick, “The Ge man Ideology” in Collec ed Wo ks, olume 5, Mosco o, P og ess Publishe s, 1976, pp.19-539. MARX, Ka l; ENGELS, F ede ick, Mani es o do Pa ido Comunis a, Lisboa, Edições A an e!, 1997. PEREIRA, A is ides, Uma Lu a, um Pa ido, dois Países, Guiné-Bissau e Cabo Ve de, s.l., Cí culo de Lei o es, 2003. RODRIGUEZ, Ca los Ra ael, Lenine e a ques ão colonial, Lisboa, Inicia i as Edi o iais, s.d. 115 Bibliog a ia Es udos sob e colonialismo, pós-colonialismo e cul u a. CHAKRABARTY, Dipesh, P o incializing Eu ope: pos colonial hough and his o ical di e ence, P ince on-N.J.-Ox o d, P ince on Uni e si y P ess, 2000. COOPER, F ede ick, Colonialism in ques ion: heo y, knowledge, his o y, Be keley, Uni e si y o Cali o nia P ess, 2005. CURTO, Diogo Ramada (o g.), Es udos sob e globalização, Lisboa, Edições 70, 2016. EICKELMAN, Dale F., The Middle Eas and Cen al Asia, an An h opological App oach, New Je sey, P en ice Hall, 1981. JABER, Salah, “Le concep ma xis e de na ion (à pa i d'une dé ini ion de S aline)” in Cahie s de o ma ion ma xis e, nº8, Le ma xisme e la ques ion na ionale [1982], pp. 18-20. LÖWY, Michel, Pa ies ou Planè e ? Na ionalismes e in e na ionalismes, de Ma x à nos jou s, Lausanne, Édi ions Page deux, 1997. LÖWY, Michel, “In e na ionalisme, na ionalisme e an i-impé ialisme” in Cahie s de o ma ion ma xis e, nº8, Le ma xisme e la ques ion na ionale [1989], pp.6-14. LÖWY, Michel ; DIANTEILL, E wan, Sociologies e eligion, app oches insoli es, Pa is, PUF, 2009. SAID, Edwa d W., O ien alism, Lond es, Penguin Books, 2003 [1978]. SAID, Edwa d W., Cul u e and Impe ialism, Lond es, Vin age Books, 1994. WILLIAMS, Rhys H., «Religion as Poli ical Resou ce: Cul u e o Ideology?», Jou nal o he Scien i ic S udy o Religion, Vol. 35, No. 4 (Dec., 1996), pp.368-378 116 A ques ão nacional no Te cei o-Mundo BALIBAR, É ienne; WALLERSTEIN, Immanuel, Race, Na ion, Class: Ambiguous Iden i ies, London, New Yo k, Ve so, 1991. BLAUT, James M., The Na ional Ques ion: Decolonising he Theo y o Na ionalism, London, A lan ic Highlands, Zed books, 1987. CONNOR, Walke , The Na ional Ques ion in Ma xis -Leninis Theo y and S a egy, P ince on, New Je sey, P ince on Uni e si y P ess, 1984. MANELA, E ez, The Wilsonian Momen . Sel -De e mina ion and he In e na ional O igins o An icolonial Na ionalism, New Yo k, Ox o d Uni e si y P ess, 2009. PRASHAD, Vijay, The Da ke Na ions: A People's His o y o he Thi d Wo ld, New Yo k, London, The New P ess, 2007. SETH, Sanjay, Ma xis Theo y and Na ionalis Poli ics, he case o colonial India, No a Deli-Thousand Oaks-Lond es, Sage Publica ions, 1995. WESTAD, O.A., The Global Cold Wa : Thi d Wo ld In e en ions and he Making o Ou Times, Camb idge, Camb idge Uni e si y P ess, 2005. O pensamen o polí ico e his ó ia no mundo á abe ARKOUN, Mohammed, La Pensée A abe, Pa is, PUF, 1979. BROWERS, Michaelle L., Poli ical Ideology in he A ab Wo ld: Accommoda ion and T ans o ma ion, Camb idge, New Yo k, Camb idge Uni e si y P ess, 2009. CARRÉ, Oli ie , Le na ionalisme a abe, Pa is, Faya d, 1993. CARRÈRE D'ENCAUSSE, Hélène, SCHRAM, S ua , Le ma xisme e l'Asie, 1853- 1964, Pa is, A mand Colin, 1965. DAWISHA, Adeed, A ab Na ionalism in he Twen ie h Cen u y: om T iumph o Despai , P ince on, New Je sey, P ince on Uni e si y P ess, 2003. 117 HOPWOOD, De ek (ed.), A ab Na ion, A ab Na ionalism, Lond es-No a Io que, Macmillan P ess/S . Ma in‟s P ess, 2000. ISMAEL, Ta eq Y., The A ab Le , New Yo k, Sy acuse Uni e si y P ess, 1976. LEWIS, Be na d, Les A abes dans l‟his oi e, s.l., Flamma ion, 1993 (Edição po uguesa, Os Á abes na His ó ia, Lisboa, Es ampa, 1982). LAQUEUR, Wal e , The S uggle o he Middle Eas : he So ie Union in he Medi e anean 1958-1968, New Yo k, The Macmillan Company, 1969. LAQUEUR, Wal e , Communism and Na ionalism in he Middle Eas , New Yo k, F ede ick A. P aege , 1956. RODINSON, Maxime, Ma xisme e monde musulman, Pa is, Seuil, 1972. CLOAREC, Vicen ; LAURENS, Hen y, Le Moyen-O ien au 20e siècle, Pa is, A mand Colin, 2000. DUPONT, Anne-Lau e ; MAYEUR-JAOUEN, Ca he ine ; VERDEIL, Chan al, Le Moyen-O ien pa les ex es, Pa is, A mand Colin, 2011. LAURENS, Hen y, L‟O ien A abe Ŕ a abisme e islamisme de 1798 à 1945, Pa is, A mand Colin, 2010. LAURENS, Hen i, Paix e Gue e au Moyen-O ien Ŕ l‟O ien a abe e le monde de 1945 à nos jou s, Pa is, A mand Colin, 2005. VATIKIOTIS, P. J., The His o y o Mode n Egyp , Lond es, Weiden eld and Nicolson, 1991. Socialismo e nacionalismo na A gélia GADANT, Monique, Islam e na ionalisme en Algé ie : d‟ap ès «El Moudjahid», o gane cen al du FLN de 1956 à 1962, Pa is, l‟Ha ma an, 1988. JURQUET, Jacques, La Ré olu ion na ionale algé ienne e le Pa i communis e ançais, Pa is, Éd. du cen enai e ; Ma seille, le Monde en ma che, 1973. KADDACHE, Mah oud, His oi e du na ionalisme algé ien, 2 olumes, Pa is-Alge , Pa is-Médi e anée/EDIF, 2000. 118 LISKENNE, Anne, L'Algé ie indépendan e, l'ambassade de Jean-Ma cel Jeanneney (juille 1962-jan ie 1963), s.l., A mand Colin, 2015. PERVILLÉ, Guy, Les é énemen s onda eu s - Les acco ds d'É ian (1962) succès ou échec de la éconcilia ion anco-algé ienne (1954-2012), s.l., A mand Colin, 2012. SIVAN, Emmanuel, Communisme e na ionalisme en Algé ie 1920-1962, s.l., P esses de la onda ion na ionale des sciences poli iques, 1976. STORA, Benjamin ; HARBI, Mohammed, La gue e d'Algé ie, s.l., Plu iel, 2010 [2004]. STORA, Benjamin, His oi e de l'Algé ie depuis l'indépendance, Pa is, La Décou e e, 2001. STORA, Benjamin, Le na ionalisme algé ien a an 1954, Pa is, CNRS, 2010. STORA, Benjamin, Algé ie : o ma ion d‟une na ion, Bia i z, A lan ica, 1998. STORA, Benjamin, Les sou ces du na ionalisme algé ien : pa cou s idéologiques, o igines des ac eu s, s.l., l‟Ha ma an, 1989. ZAHAR, Rena e, Colonialismo e alienação, con ibuição pa a a eo ia polí ica de F an z Fanon, Lisboa, Ulmei o, 1976. O impé io po uguês e a lu a an icolonial na Guiné-Bissau ALEXANDRE, Valen im, Velho B asil, No as Á icas Ŕ Po ugal e o Impé io (1808- 1975), Po o, A on amen o, 2000. ANTUNES, José F ei e, O Impé io com pés de ba o Ŕ colonização e descolonização: as ideologias em Po ugal, Lisboa, Dom Quixo e, 1981. CASTRO, José; GARCIA, José Luís, “A Ba alha e a ques ão colonial” in Le His ó ia, 27-28, 1995, pp.125-146. DAVIDSON, Basil, The Libe a ion o Guiné, aspec s o an A ican Re olu ion, Middlesex, Penguin Books, 1969. 119 DAVIDSON, Basil, The Black Man's Bu den: A ica and he Cu se o he Na ion-S a e, No a Io que, Times Books/Random House, 1992. FREYRE, Gilbe o, O mundo que o po uguês c iou, Lisboa, Li os do B asil, sd. FREYRE, Gilbe o, Le Po ugais e les opiques, Lisboa, Commission Exécu i e des Commé a ions du V Cen enai e de la Mo du P ince Hen i, 1961. JERÓNIMO, Miguel Bandei a, Li os B ancos, Almas Neg as, a “missão ci ilizado a” do colonialismo po uguês (c.1870-1930), Lisboa, ICS, 2010. MADEIRA, João, “O PCP e a Ques ão Colonial - dos ins da gue a ao V Cong esso (1943-1957)” in Es udos do século XX, 3, Coimb a, Qua e o, 2003, pp.209-243. MANYA, Judi h, Le Pa i Communis e Po ugais e la Ques ion Coloniale 1921-1974 (Thèse pou le doc o a en science poli ique), Bo deaux, sn, 2004. NEVES, José, Comunismo e nacionalismo em Po ugal: Polí ica, Cul u a e His ó ia no século XX, Lisboa, Tin a-da-China, 2008. PÉLISSIER, René, His ó ia da Guiné, po ugueses e a icanos na senegâmbia 1841- 1936, 2 olumes, Lisboa, Es ampa, 1989. PEREIRA, José Pacheco, Ál a o Cunhal Ŕ Uma biog a ia polí ica: O p isionei o, ol. 3, Lisboa, Temas & Deba es, 2005. PEREIRA, José Pacheco, Ál a o Cunhal Ŕ Uma biog a ia polí ica: O Sec e á io-Ge al, ol. 4, Lisboa, Temas & Deba es, 2015. ROSAS, Fe nando, MATTOSO, José (o g.), His ó ia de Po ugal, olume 7, O Es ado No o, s.l., Cí culo de Lei o es, 1994. SOUSA, Julião Soa es, “Os mo imen os uni á ios an i-colonialis as (1954-1960), o con ibu o de Amílca Cab al” in Es udos do século XX, 3, Coimb a, Qua e o, 2003, pp. 323-349. TOMÁS, An ónio, O Fazedo de U opias, uma biog a ia de Amílca Cab al, Lisboa, Tin a-da-China, 2008.