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Construção de uma Escala de Avaliação da Espiritualidade em Contextos de Saúde = Development of a Scale for the Assessment of Spirituality in Health Settings

Abstract

Introduction: The spiritual dimension of human existence is an important issue since mankind exists. The relevance of spirituality within health care related to a growing holistic perspective of human care. The aim of this article is to describe the elaboration and validation process of a scale design to evaluate the spirituality. Method: The scale was administered to 426 cancer survivors. Outcomes: The psychometric properties of this scale present results of satisfactory validity and fidelity. Through an exploratory factorial analysis, two dimensions were found, i.e., beliefs and hope /optimism. Conclusions: Being a small scale (only 5 items), it is easy to fill in, and this will permit its validity consolidation in other future studies, aiming to identify the psychosocial variables associated to health and quality of life optimization of people with health problems. (c)ArquiMed, 2007.

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Construção de uma Escala de Avaliação da Espiritualidade em Contextos de Saúde = Development of a Scale for the Assessment of Spirituality in Health Settings

Author: Cândida Pinto,José Luís Pais Ribeiro
Year: 2007
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/9183/2/84786.pdf
Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde
47
INVESTIGAÇÃO ORIGINAL ISSN 0871-3413 • ©A quiMed, 2007
Cons ução de Uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de
Saúde
Cândida Pin o*, José Luís Pais-Ribei o†
*Escola Supe io de En e magem do Po o; †Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do
Po o
ARQUIVOS DE MEDICINA, 21(2):47-53
In odução: A dimensão espi i ual é uma dimensão impo an e da exis ência do se humano, desde os p imó dios da
humanidade. A sua ele ância nos con ex os de saúde es á elacionada com a p eocupação c escen e em
comp eende o Homem na sua globalidade. O objec i o des e a igo é ap esen a a elabo ação e o p ocesso de
alidação de uma escala pa a a alia a espi i ualidade. Mé odo: A escala oi aplicada jun o de 426 sujei os que inham
ido um canc o e que se encon a am em si uação de ollow-up. Resul ados: As p op iedades mé icas des a escala
ap esen am alo es de alidade e idelidade adequados. A a és da análise ac o ial explo a ó ia o am encon adas
duas dimensões, a sabe “c enças” e “espe ança/op imismo”. Conclusões: O ac o de se uma escala pequena (apenas
cinco i ens), o na-a de ácil u ilização, o que pe mi i á a consolidação da sua alidação em es udos u u os, que isem
a iden i icação de a iá eis psicossociais associadas à op imização da saúde e qualidade de ida das pessoas com
p oblemas de saúde.
Pala as-cha e: cons ução de uma escala; espi i ualidade; p op iedades psicomé icas.
INTRODUÇÃO
A espi i ualidade cons ói-se nos con ex os
sociocul u ais e his ó icos, es u u ando e a ibuindo
signi icado a alo es, compo amen os, expe iências
humanas, e po ezes ma e ializa-se na p á ica de um
c edo eligioso especí ico. A in e ligação en e a
eligiosidade/espi i ualidade e a saúde, emon a aos
p imó dios da his ó ia, em que os pode es da «cu a»
es a am nas mãos dos que lida am com o espí i o
(sace do es, xamãs, e c), a quem e a econhecido sabe
pa a a a dos males do co po. A a ibuição de causalidade
de doença assim como a sua cu a oi mui as ezes
a ibuída a ac o es eligiosos, exis indo ainda nos dias
de hoje, em alguns con ex os sociocul u ais, es a
associação. A igno ância sob e os “males” que acome iam
a humanidade le ou à di inização do desconhecido.
O desen ol imen o das ciências da saúde conduziu a
uma p á ica de cuidados de saúde dessac alizada, e a
dimensão espi i ual deixou de se con emplada no
a endimen o dos doen es (1). No en an o, e segundo o
Minis é io da Saúde (2), no plano das o ien ações
es a égicas, es a dimensão in eg a o concei o de saúde,
sendo essencial a uma p á ica holís ica de cuidados. De
ac o, a dimensão espi i ual é desc i a como sendo
ele an e na a ibuição de signi icado ao so imen o
deco en e de uma doença c ónica, e ambém como um
ecu so de espe ança ace às mudanças no es ado de
saúde (3). O discu so posi i is a deco en e do a anço
e i icado no úl imo século na ciência e ecnologia em
ge al e no campo da saúde em pa icula , não conseguiu
encon a espos a pa a a ques ão milena que
acompanha o se humano: qual o sen ido da ida?
As elações en e a espi i ualidade e a saúde eme gem
como uma á ea ele an e na in es igação ac ual, an o
no âmbi o das ciências humanas (4), como no das
ciências na u ais (1). Con udo, não se encon a consenso
na li e a u a sob e o concei o de espi i ualidade, sendo
que mui as ezes su ge numa associação di ec a à
p á ica de uma eligião. No en an o, a eligiosidade e a
espi i ualidade são concei os di e en es. A eligiosidade
e e e-se ao g au de pa icipação ou adesão às c enças
e p á icas de um sis ema eligioso (1). O concei o de
espi i ualidade é mais amplo do que o de eligião. A
espi i ualidade é is a como um p ocesso dinâmico,
pessoal e expe iencial (1), que p ocu a a a ibuição e
signi icado no sen ido da exis ência, podendo coexis i
ou não den o da p á ica de um c edo eligioso. Assim
alguns au o es suge em que a eligião é ins i ucional,
dogmá ica e es i i a, enquan o a espi i ualidade é
pessoal, subjec i a e en a iza a ida (4).
A espi i ualidade em sido concep ualizada mais como
um mecanismo de coping lexí el do que como um aço
es á el (3, 5). Tendo po base a classi icação do coping
ocado no p oblema e o coping ocado nas emoções, a
espi i ualidade pode se enquad ada como uma o ma de
coping ocado nas emoções (6). No en an o, segundo
ou os au o es (7), as c enças espi i uais es u u am um
quad o do ipo ac i o-cogni i o, que pe mi e às pessoas
en en a em as c ises exis enciais ameaçado as,
a o ecendo o supo e social e emocional. Nes a
con inuidade, coping é concebido como um conjun o de
ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 21, Nº 2
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es a égias u ilizadas pelas pessoas pa a se adap a em
a ci cuns âncias ad e sas. O coping eligioso-espi i ual
epo a-se ao modo como as pessoas u ilizam a é, as
c enças (5), a elação com a anscendência, a ligação
aos ou os (1), de modo a adap a em-se e a ge i si uações
de c ise como as deco en es de uma doença oncológica.
Es es concei os de espi i ualidade pe mi em olha
pa a es a a iá el como um domínio o a da p á ica de
eligiões especí icas, embo a mos em a iações en e
eles, pa ilham a ideia da impo ância da espi i ualidade
a a és da qual as pessoas podem encon a um sen ido
pa a a ida, e espe ança e es a em paz no meio dos
acon ecimen os mais g a es (3), como acon ece no
p ocesso de adap ação ao canc o, ais como man e a
au o-es ima, p o idencia apoio emocional, espe ança,
em suma in luencia o bem-es a psicológico e in e -
pessoal (5,6).
A pa icipação eligiosa e a espi i ualidade pa ecem
elaciona -se com uma melho saúde e uma expec a i a
de ida mais p olongada, meno ansiedade, dep essão e
suicídio, mesmo após o con olo de a iá eis como
compo amen os de saúde e apoio social (1). Apesa do
econhecimen o da impo ância da dimensão espi i ual
no bem-es a do indi íduo, e consequen emen e na sua
saúde (1-4,6), es a dimensão não é mui o abo dada na
p á ica clínica (8), pelo que nos pa eceu ele an e a
cons ução de uma escala com o objec i o de a alia es a
dimensão.
MÉTODOS
Nes e es udo pa icipa am 426 pessoas que inham
ido uma doença oncológica e que se encon a am na
ase de pós- a amen o, denominada, em e mos médicos,
de consul as ollow-up. A colhei a de dados e ec uou-se
no Ins i u o Po uguês de Oncologia do Po o, nas
consul as ex e nas, e no Hospi al Mili a D. Ped o V
(Po o), no hospi al de dia, após e sido concedida a
au o ização das duas ins i uições pa a a ealização do
es udo. Os pa icipan es o am abo dados e con idados
a pa icipa no es udo, enquan o agua da am as
consul as. Os pa icipan es de am o seu consen imen o
após e em sido in o mados dos objec i os do es udo e
e sido assegu ada a con idencialidade dos esul ados.
Os c i é ios de inclusão na amos a o am os seguin es:
e idade igual ou supe io a 18 anos; e ido uma doença
oncológica (independen emen e do ipo clínico); es a no
momen o da colhei a de dados conside ado como li e da
doença oncológica que os a ec ou e não es a a aze
qualque e apêu ica oncológica excep uando a
ho mono e apia.
T a a-se de uma amos a de con eniência, sequencial,
não p obabilís ica, cujas ca ac e ís icas sociodemog á-
icas e clínicas são ap esen adas na abela 1.
Es e es udo inclui-se num p ojec o de in es igação
em cu so, que isa iden i ica a iá eis psicossociais
associadas à op imização da saúde e qualidade de ida
Tabela 1 - Ca ac e ização sociodemog á ica e clínica da amos a (n = 426).
Sexo
Idade
Es ado Ci il
G au de Escola idade
Si uação Labo al
G upo Oncológico
Masculino
Feminino
Sol ei o(a)
Casado(a)
Di o ciado(a)
Viú o(a)
1º e 2º ciclo
3º ciclo
Secundá io
Ensino Supe io
Es udan e
Emp egado
Desemp egado
Re o mado
Mama
Hema ologia
Diges i os
U ologia/Ginecologia
Ou os
n
136
290
59
303
21
43
228
47
62
89
12
152
36
226
166
94
68
25
42
%
31,9
68,1
13,8
71,1
4,9
10,1
53,5
11,0
14,6
20,9
2,8
35,7
8,5
53,1
38,9
22,1
16,0
5,9
17,1
M
51,1
DP
15,3
M- média; DP- des io pad ão
Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde
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após o canc o. Pa a além dos dados colhidos pa a
ca ac e ização sociodemog á ica e clínica, u iliza am-se
ainda os seguin es ins umen os: Quali y o Li e Ques-
ionnai e - The Eu opean O ganiza ion o esea ch and
ea men o cance (EORTC QLQ-C30) (9); Posi i e and
Nega i e A ec Schedule (PANAS) (10); B ie COPE
(11); espi i ualidade cujo p ocesso de cons ução se
ap esen a nes e a igo.
P ocesso de cons ução
Com base no expos o an e io men e, cons uímos
com base empí ica uma escala que isa a alia a dimensão
da espi i ualidade. Numa p imei a e apa p ocedeu-se a
uma lei u a sob e a emá ica, c uzando pala as-cha e
como “espi i ualidade”, “saúde”, “doença c ónica”e
“a aliação da espi i ualidade”.
Os i ens deco em da combinação da análise do
cons uc o eó ico, dos i ens da dimensão espi i ual do
Quali y o Li e - Cance su i o QOL - CS (12), e da sub-
escala da espi i ualidade do ins umen o da Wo ld Heal h
O ganiza ion Quali y o Li e Ques ionnai e (WHOQOL)
(13),e ainda de dados clínicos esul an es do con ac o /
en e is as com pessoas que i e am canc o (desc ição
do modo como as pessoas pe spec i am a dimensão
espi i ual da ida e como a doença in e e iu nessa
dimensão). Ti emos ainda como linha o ien ado a a
cons ução de uma escala simples e pequena, sem
edundâncias, que pe mi isse uma boa acei ação /
comp eensão das pessoas, que e idenciam alguma
di iculdade no p eenchimen o de inqué i os longos e
edundan es, bem pa en e quando se p ocede à colhei a
de dados em amos as clínicas.
Tendo po base uma pe spec i a posi i a da ida
( esul an e da pesquisa eó ica e do que nos oi ansmi ido
pelas pessoas en e is adas), ca ac e ís icas como
espe ança, op imismo, sa is ação / alo ização da ida,
o am os p essupos os na elabo ação das ques ões
des a escala.
No en an o, há au o es (14), que e e em que os
e mos eligiosidade e espi i ualidade não são
incompa í eis e a i mam que a endência a pola izá-los
não é u í e a pa a a pesquisa cien í ica. Nes e abalho
e e-se em linha de con a es e p essupos o, pelo que se
coloca a ques ão das c enças espi i uais e eligiosas
como supo e pa a a ibuição de signi icado à ida.
Con udo pa imos de uma pe spec i a indi idual (não
ques ionando sob e a iliação ou p á icas eligiosas
ins i ucionais), con o me a p oposição de es udiosos da
á ea (15,16).
P e endemos que as ques ões elabo adas se
cen assem na dimensão espi i ual ocalizadas na
a ibuição de sen ido / signi icado da ida (ques ão 1 “As
minhas c enças espi i uais / eligiosas dão sen ido à minha
ida”e a ques ão 2 “A minha é e c enças dão-me o ças
nos momen os di íceis”). A bibliog a ia e lec e que as
c enças espi i uais / eligiosas, is o é, a é, mesmo que
não associada a uma en idade di ina ou a uma eligião
especí ica, o necem mecanismos de adap ação a e en os
s essan es como uma doença g a e (5,14). As ques ões
seguin es êm subjacen e a cons ução da espe ança e
de uma pe spec i a de ida posi i a (ques ão 3 “Vejo o
u u o com espe ança”, ques ão 4 “Sin o que a minha ida
mudou pa a melho ” e ques ão 5 “Ap endi a da alo às
pequenas coisas da ida”). De ac o, ace à ad e sidade,
mui as pessoas saem e o çadas, c escem com a
p o ação, (15,17) dando um no o sen ido à ida,
es abelecendo no as p io idades e o nando-se mais
capazes de en en a si uações u u as ad e sas.
En a izam-se os esul ados posi i os ais como a
espe ança, o e um sen ido pa a a ida, melho a as
elações in e pessoais, sen i -se ú il, eliz e sa is ei o, o
que pode excede a globalidade dos esul ados nega i os
(17). Is o não p essupõe ejei a a nega i idade que
en ol e a si uação, mas sim a capacidade da pessoa em
eencon a signi icado no que se passa, o que pode le a
a encon a es o ços pa a lida com o s ess, a encon a
uma ca ga a ec i a que possa ge a ene gia ocalizada
na esolução do p oblema.
As espos as são dadas numa escala de Like com
qua o al e na i as (de “1” a “4”), en e “não conco do” a
“plenamen e de aco do”.
RESULTADOS
Com ecu so a so wa e SPSS e são 14, p ocedeu-
se à análise das p op iedades psicomé icas: análise
ac o ial; análise da consis ência in e na; análise da
alidade con e gen e desc iminan e.
Análise ac o ial
Com o objec i o de explo a a es u u a concep ual
subjacen e da escala, p ocedemos a uma análise ac o-
ial explo a ó ia, o que nos pe mi iu explo a as in e -
elações en e a iá eis suma iando os dados no seu
conjun o (18). U ilizámos especi icamen e a écnica de
análise de componen es p incipais (ACP), a im de e i ica
se as di e en es a iá eis êm o mesmo concei o - ac o
(19). Em elação ao mé odo de o ação u ilizado na ACP,
op ámos pela o ação oblíqua (mé odo oblimin) po que
se ob êm ac o es co elacionados, o que pode á se
mais adequado na á ea da psicologia dada a in e depen-
dência das dimensões psicológicas (18), pa icula men e
no âmbi o da emá ica em análise: a espi i ualidade. Ao
ealiza mos es e p ocedimen o, seleccionámos os
ac o es com ca ga ac o ial supe io a 0,30, o que
demons a a exis ência de dois ac o es, como se e i ica
na abela 2.
Ve i icamos que o desc i o “Vejo o u u o com a
espe ança” é o que em meno ca ga ac o ial (embo a
den o de alo es acei á eis), o que de algum modo pode
es a elacionado com as ca ac e ís icas da amos a, is o
é, são pessoas que en en a am um canc o, que ainda
hoje es á associado a um g ande a alismo (20).
A solução dos dois ac o es explica 75,23 % da
a iância o al. O p imei o ac o explica 50,01% do o al
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de a iância e o ac o 2 explica 25,21%. Após o ação, o
1º ac o in eg a os i ens que aduzem a alo ização das
c enças espi i uais / eligiosas na a ibuição de sen ido à
ida (i ens 1 e 2). O ac o 2 in eg a i ens que co espondem
a um sen ido posi i o da ida no eado pela pe spec i a
do u u o com espe ança (i em 3), e numa ede inição de
alo es de ida (i ens 4 e 5). Os ac o es o am
denominados do seguin e modo: o p imei o ac o
“c enças”; o segundo “espe ança / op imismo”.
No sen ido de con i ma mos a es u u a da escala,
p ocedemos à co elação de Pea son en e os i ens e as
duas sub-escalas, que se ap esen a na abela 3.
A análise dos dados do quad o an e io e idencia
quan o ao i em 3 que, apesa de ap esen a uma maio
co elação com a dimensão a que pe ence, a magni ude
dessa di e ença é pequena, como já inha sido iden i icado
na análise ac o ial. Apesa des a e idência, a manu enção
des e i em na escala deco e da ele ância da espe ança
na a ibuição de signi icado ao so imen o deco en e de
uma doença c ónica e ambém como um ecu so de
espe ança ace às mudanças no es ado de saúde (4, 6,
8). Es es esul ados pode ão es a associados às
ca ac e ís icas dos pa icipan es, pois a i ência de uma
doença como o canc o pode di icul a o p ocesso de
pe spec i a o u u o com espe ança (20).
Fidelidade da escala de espi i ualidade
Pa a a alia mos a idelidade u ilizamos o alpha de
C onbach no sen ido de analisa mos a sua consis ência
in e na, endo encon ado os seguin es alo es: c enças:
0,92; espe ança / op imismo: 0,69. A consis ência in e na
pa a a escala global é de 0,74. Ve i ica-se que são
alo es acei á eis dado o núme o de i ens e endo em
con a os alo es de e e ência limi e em psicome ia.
Validade con e gen e disc iminan e
Pa a a alidade con e gen e disc iminan e, um dos
mé odos da alidade de cons uc o (21), eco emos à
inspecção da co elação das dimensões da escala da
espi i ualidade com as medidas escolhidas que a aliam
cons uc os idên icos e ou as que a aliam cons uc os
di e en es, a sabe , algumas das es a égias de coping
do B ie COPE (11), a qualidade de ida global do QLQ-
C30, o papel uncional (9) e a dimensão do a ec o posi i o
da PANAS (10).
A inspecção das co elações acima e e idas mos a
que as duas dimensões da escala da espi i ualidade se
co elaciona am posi i amen e com a subdimensão
eligião do B ie COPE, mos ando que es as dimensões
ap esen am algum sen ido ge al associado à eligião.
Obse amos que a sub-escala espe ança/op imismo
se co elacionou mode adamen e com a qualidade de
Tabela 2 - Es u u a ac o ial dos i ens da escala da espi i ualidade.
I ens
1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida
2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis
3 - Vejo o u u o com espe ança
4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho
5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida
Va iância (To al = 75,23%)
Valo es p óp ios (Eigen alues)
C enças
-0,96
-0,95
-0,19
0,08
0,04
25,2
1,2
Espe ança/op imismo
-0,02
0,03
0,58
0,91
0,83
50,01
2,5
Componen es
No a: Ro ação oblíqua; de e minação de ac o es po ca ga ac o ial dos i ens supe io a 0,30. Os i ens co esponden es a cada sub-escala são ap esen ados a neg i o.
Tabela 3 - Co elações en e os i ens e as sub-escalas da escala da espi i ualidade.
I ens
1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida
2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis
3 - Vejo o u u o com espe ança
4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho
5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida
C enças
0,86(**)
0,86(**)
0,31 (**)
0,24(**)
0,26(**)
Espe ança/op imismo
0,31(**)
0,35(**)
0,39(**)
0,64(**)
0,51(**)
Sub-escalas
No a: Os alo es dos i ens ela i os a cada sub-escala o am co igidos pa a sob eposição. Todas as co elações
≥
0,130 são signi ica i as ao ní el de 0,01 (bidi eccional).
Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde
51
Tabela 4 - Co elação en e as dimensões da escala da espi i ualidade e as medidas c i é io.
n=426
QLQ-C30
PANAS
B ie COPE
C enças
-0,01
0,05
0,15**
0,68**
-0,09
-0,07
0,01
Espe ança/op imismo
0,15**
0,29**
0,46**
0,34**
0,02
-0,00
-0,13**
No a: Todas as co elações
≥
0,130 são signi ica i as ao ní el de 0,01 (bidi eccional).
Papel uncional
Qualidade de ida global
A ec o posi i o
Religião
Au oculpabilização
Negação
Desin es imen o compo amen al
ida global ( =0,29) e com o a ec o posi i o ( =0,46).
Ambas as dimensões da escala se co elacionam
acamen e com o papel uncional do QLQ-C30 e com
es a égias de coping menos e icazes, como po exemplo,
au oculpabilização, negação e desin es imen o compo -
amen al.
Os esul ados mos am que escala de a aliação da
espi i ualidade se associou, como se ia de espe a , com
a eligião mos ando a sua alidade (cons uc o) e que a
sub-dimensão espe ança/op imismo é ele an e pa a o
bem-es a e a ec o posi i o de e uma doença c ónica
como o canc o.
DISCUSSÃO
Es e a igo e e como objec i o a ap esen ação de um
p ocesso de cons ução de uma escala de a aliação da
espi i ualidade, a aplica em con ex os de saúde.
A p imei a conclusão a e i a é que a escala da
espi i ualidade esul an e des e es udo ap esen a
p op iedades mé icas adequadas. Além disso, cons a a-
se nos con ex os clínicos alguma di iculdade no
desen ol imen o da in es igação no âmbi o das ciências
sociais e humanas. Pa a além das di iculdades es u u ais
(deco en es de espaços de icien es ou inexis en es pa a
en e is as pe sonalizadas), os p óp ios u en es / amílias
(de ido a ulne abilidades consequen es do es ado clínico
ou ainda a um baixo ní el de li e acia), ap esen am di i-
culdades no p eenchimen o de ba e ias de escalas, po
ezes longas e edundan es com que são con on ados.
Pelo ac o de a escala aqui ap esen ada se uma escala
pequena, o na-a mais acei á el jun o da população
clínica. As p op iedades psicomé icas des e ins umen o
le a-nos a conside a a sua u ilidade em es udos clínicos
que e sem a iden i icação de a iá eis psicossociais
que se epe cu em na op imização da saúde.
Concluímos ainda que es a escala apon a pa a a
exis ência de duas dimensões espi i uais já e e idas em
ou os es udos (22): uma dimensão e ical, associada a
uma elação com o anscenden e, e que numa sociedade
judaico-c is ã es á mui o elacionada com a p á ica da
eligião; e uma dimensão ho izon al, exis encialis a, na
qual se enquad a o sen ido da espe ança, a a ibuição de
sen ido e signi icado da ida deco en e da elação com
o eu, os ou os e o meio. Na escala po nós desen ol ida
a p imei a dimensão es á associada às “c enças”, e a
segunda à “espe ança/ op imismo”. Es a úl ima dimensão
apa ece e ec i amen e mais co elacionada com as
dimensões da qualidade de ida (22).
CONCLUSÃO
No con ex o ac ual assis e-se a um in e esse c escen e
pelas in es igações sob e as conexões en e o co po e a
men e, o que de algum modo espelha a mudança de
pa adigma nos cuidados de saúde (de uma abo dagem
isio-pa ológia pa a uma abo dagem globalizan e), em
que as necessidades espi i uais são pa e in eg an e das
necessidades ísicas e psicológicas. As p incipais azões
que os doen es e e em em elação à impo ância dos
p o issionais de saúde a ende em às necessidades
espi i uais são: que es es comp eendam a o ma como
as suas c enças in e e em no seu p oblema de saúde;
que os comp eendam melho como pessoas; que os
p o issionais de saúde ajudem a cons ui um sen ido de
espe ança ealis a; que sejam capazes de os ou i (8).
Embo a a elação en e espi i ualidade e cuidados de
saúde es eja já e idenciada na in es igação, há ainda um
longo caminho a pe co e .
Podemos e e i que a espi i ualidade é uma dimensão
impo an e do homem, que a pa da dimensão biológica,
in elec ual, emocional e social, cons i ui aquilo que
de e mina a sua singula idade como pessoa.
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85
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5 -
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11 -
12 -
Co espondência:
D .ª Cândida Pin o
Escola Supe io de En e magem do Po o
Rua Ál a es Cab al, 384
4050-040 Po o
e-mail: [email p o ec ed]
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Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde
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ANEXO
ESPIRITUALIDADE
(Pin o C & Pais-Ribei o JL)
As ases / exp essões seguin es e e em-se à sua espi i ualidade / suas c enças pessoais, e ao modo como elas
a ec am a sua qualidade de ida. Po a o , ma que com uma X aquela opção que melho exp essa a sua opção, na
úl ima semana. Não exis e espos a ce a ou e ada.
1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida
2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis
3 - Vejo o u u o com espe ança
4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho
5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida
Não
conco do
1
1
1
1
1
Conco do
um pouco
2
2
2
2
2
Conco do
bas an e
3
3
3
3
3
Plenamen e
de aco do
4
4
4
4
4