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Construção de uma Escala de Avaliação da Espiritualidade em Contextos de Saúde = Development of a Scale for the Assessment of Spirituality in Health Settings

Cândida Pinto,José Luís Pais Ribeiro

Abstract

Introduction: The spiritual dimension of human existence is an important issue since mankind exists. The relevance of spirituality within health care related to a growing holistic perspective of human care. The aim of this article is to describe the elaboration and validation process of a scale design to evaluate the spirituality. Method: The scale was administered to 426 cancer survivors. Outcomes: The psychometric properties of this scale present results of satisfactory validity and fidelity. Through an exploratory factorial analysis, two dimensions were found, i.e., beliefs and hope /optimism. Conclusions: Being a small scale (only 5 items), it is easy to fill in, and this will permit its validity consolidation in other future studies, aiming to identify the psychosocial variables associated to health and quality of life optimization of people with health problems. (c)ArquiMed, 2007.

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Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde 47 INVESTIGAÇÃO ORIGINAL ISSN 0871-3413 • ©A quiMed, 2007 Cons ução de Uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde Cândida Pin o*, José Luís Pais-Ribei o† *Escola Supe io de En e magem do Po o; †Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o ARQUIVOS DE MEDICINA, 21(2):47-53 In odução: A dimensão espi i ual é uma dimensão impo an e da exis ência do se humano, desde os p imó dios da humanidade. A sua ele ância nos con ex os de saúde es á elacionada com a p eocupação c escen e em comp eende o Homem na sua globalidade. O objec i o des e a igo é ap esen a a elabo ação e o p ocesso de alidação de uma escala pa a a alia a espi i ualidade. Mé odo: A escala oi aplicada jun o de 426 sujei os que inham ido um canc o e que se encon a am em si uação de ollow-up. Resul ados: As p op iedades mé icas des a escala ap esen am alo es de alidade e idelidade adequados. A a és da análise ac o ial explo a ó ia o am encon adas duas dimensões, a sabe “c enças” e “espe ança/op imismo”. Conclusões: O ac o de se uma escala pequena (apenas cinco i ens), o na-a de ácil u ilização, o que pe mi i á a consolidação da sua alidação em es udos u u os, que isem a iden i icação de a iá eis psicossociais associadas à op imização da saúde e qualidade de ida das pessoas com p oblemas de saúde. Pala as-cha e: cons ução de uma escala; espi i ualidade; p op iedades psicomé icas. INTRODUÇÃO A espi i ualidade cons ói-se nos con ex os sociocul u ais e his ó icos, es u u ando e a ibuindo signi icado a alo es, compo amen os, expe iências humanas, e po ezes ma e ializa-se na p á ica de um c edo eligioso especí ico. A in e ligação en e a eligiosidade/espi i ualidade e a saúde, emon a aos p imó dios da his ó ia, em que os pode es da «cu a» es a am nas mãos dos que lida am com o espí i o (sace do es, xamãs, e c), a quem e a econhecido sabe pa a a a dos males do co po. A a ibuição de causalidade de doença assim como a sua cu a oi mui as ezes a ibuída a ac o es eligiosos, exis indo ainda nos dias de hoje, em alguns con ex os sociocul u ais, es a associação. A igno ância sob e os “males” que acome iam a humanidade le ou à di inização do desconhecido. O desen ol imen o das ciências da saúde conduziu a uma p á ica de cuidados de saúde dessac alizada, e a dimensão espi i ual deixou de se con emplada no a endimen o dos doen es (1). No en an o, e segundo o Minis é io da Saúde (2), no plano das o ien ações es a égicas, es a dimensão in eg a o concei o de saúde, sendo essencial a uma p á ica holís ica de cuidados. De ac o, a dimensão espi i ual é desc i a como sendo ele an e na a ibuição de signi icado ao so imen o deco en e de uma doença c ónica, e ambém como um ecu so de espe ança ace às mudanças no es ado de saúde (3). O discu so posi i is a deco en e do a anço e i icado no úl imo século na ciência e ecnologia em ge al e no campo da saúde em pa icula , não conseguiu encon a espos a pa a a ques ão milena que acompanha o se humano: qual o sen ido da ida? As elações en e a espi i ualidade e a saúde eme gem como uma á ea ele an e na in es igação ac ual, an o no âmbi o das ciências humanas (4), como no das ciências na u ais (1). Con udo, não se encon a consenso na li e a u a sob e o concei o de espi i ualidade, sendo que mui as ezes su ge numa associação di ec a à p á ica de uma eligião. No en an o, a eligiosidade e a espi i ualidade são concei os di e en es. A eligiosidade e e e-se ao g au de pa icipação ou adesão às c enças e p á icas de um sis ema eligioso (1). O concei o de espi i ualidade é mais amplo do que o de eligião. A espi i ualidade é is a como um p ocesso dinâmico, pessoal e expe iencial (1), que p ocu a a a ibuição e signi icado no sen ido da exis ência, podendo coexis i ou não den o da p á ica de um c edo eligioso. Assim alguns au o es suge em que a eligião é ins i ucional, dogmá ica e es i i a, enquan o a espi i ualidade é pessoal, subjec i a e en a iza a ida (4). A espi i ualidade em sido concep ualizada mais como um mecanismo de coping lexí el do que como um aço es á el (3, 5). Tendo po base a classi icação do coping ocado no p oblema e o coping ocado nas emoções, a espi i ualidade pode se enquad ada como uma o ma de coping ocado nas emoções (6). No en an o, segundo ou os au o es (7), as c enças espi i uais es u u am um quad o do ipo ac i o-cogni i o, que pe mi e às pessoas en en a em as c ises exis enciais ameaçado as, a o ecendo o supo e social e emocional. Nes a con inuidade, coping é concebido como um conjun o de ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 21, Nº 2 48 es a égias u ilizadas pelas pessoas pa a se adap a em a ci cuns âncias ad e sas. O coping eligioso-espi i ual epo a-se ao modo como as pessoas u ilizam a é, as c enças (5), a elação com a anscendência, a ligação aos ou os (1), de modo a adap a em-se e a ge i si uações de c ise como as deco en es de uma doença oncológica. Es es concei os de espi i ualidade pe mi em olha pa a es a a iá el como um domínio o a da p á ica de eligiões especí icas, embo a mos em a iações en e eles, pa ilham a ideia da impo ância da espi i ualidade a a és da qual as pessoas podem encon a um sen ido pa a a ida, e espe ança e es a em paz no meio dos acon ecimen os mais g a es (3), como acon ece no p ocesso de adap ação ao canc o, ais como man e a au o-es ima, p o idencia apoio emocional, espe ança, em suma in luencia o bem-es a psicológico e in e - pessoal (5,6). A pa icipação eligiosa e a espi i ualidade pa ecem elaciona -se com uma melho saúde e uma expec a i a de ida mais p olongada, meno ansiedade, dep essão e suicídio, mesmo após o con olo de a iá eis como compo amen os de saúde e apoio social (1). Apesa do econhecimen o da impo ância da dimensão espi i ual no bem-es a do indi íduo, e consequen emen e na sua saúde (1-4,6), es a dimensão não é mui o abo dada na p á ica clínica (8), pelo que nos pa eceu ele an e a cons ução de uma escala com o objec i o de a alia es a dimensão. MÉTODOS Nes e es udo pa icipa am 426 pessoas que inham ido uma doença oncológica e que se encon a am na ase de pós- a amen o, denominada, em e mos médicos, de consul as ollow-up. A colhei a de dados e ec uou-se no Ins i u o Po uguês de Oncologia do Po o, nas consul as ex e nas, e no Hospi al Mili a D. Ped o V (Po o), no hospi al de dia, após e sido concedida a au o ização das duas ins i uições pa a a ealização do es udo. Os pa icipan es o am abo dados e con idados a pa icipa no es udo, enquan o agua da am as consul as. Os pa icipan es de am o seu consen imen o após e em sido in o mados dos objec i os do es udo e e sido assegu ada a con idencialidade dos esul ados. Os c i é ios de inclusão na amos a o am os seguin es: e idade igual ou supe io a 18 anos; e ido uma doença oncológica (independen emen e do ipo clínico); es a no momen o da colhei a de dados conside ado como li e da doença oncológica que os a ec ou e não es a a aze qualque e apêu ica oncológica excep uando a ho mono e apia. T a a-se de uma amos a de con eniência, sequencial, não p obabilís ica, cujas ca ac e ís icas sociodemog á- icas e clínicas são ap esen adas na abela 1. Es e es udo inclui-se num p ojec o de in es igação em cu so, que isa iden i ica a iá eis psicossociais associadas à op imização da saúde e qualidade de ida Tabela 1 - Ca ac e ização sociodemog á ica e clínica da amos a (n = 426). Sexo Idade Es ado Ci il G au de Escola idade Si uação Labo al G upo Oncológico Masculino Feminino Sol ei o(a) Casado(a) Di o ciado(a) Viú o(a) 1º e 2º ciclo 3º ciclo Secundá io Ensino Supe io Es udan e Emp egado Desemp egado Re o mado Mama Hema ologia Diges i os U ologia/Ginecologia Ou os n 136 290 59 303 21 43 228 47 62 89 12 152 36 226 166 94 68 25 42 % 31,9 68,1 13,8 71,1 4,9 10,1 53,5 11,0 14,6 20,9 2,8 35,7 8,5 53,1 38,9 22,1 16,0 5,9 17,1 M 51,1 DP 15,3 M- média; DP- des io pad ão Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde 49 após o canc o. Pa a além dos dados colhidos pa a ca ac e ização sociodemog á ica e clínica, u iliza am-se ainda os seguin es ins umen os: Quali y o Li e Ques- ionnai e - The Eu opean O ganiza ion o esea ch and ea men o cance (EORTC QLQ-C30) (9); Posi i e and Nega i e A ec Schedule (PANAS) (10); B ie COPE (11); espi i ualidade cujo p ocesso de cons ução se ap esen a nes e a igo. P ocesso de cons ução Com base no expos o an e io men e, cons uímos com base empí ica uma escala que isa a alia a dimensão da espi i ualidade. Numa p imei a e apa p ocedeu-se a uma lei u a sob e a emá ica, c uzando pala as-cha e como “espi i ualidade”, “saúde”, “doença c ónica”e “a aliação da espi i ualidade”. Os i ens deco em da combinação da análise do cons uc o eó ico, dos i ens da dimensão espi i ual do Quali y o Li e - Cance su i o QOL - CS (12), e da sub- escala da espi i ualidade do ins umen o da Wo ld Heal h O ganiza ion Quali y o Li e Ques ionnai e (WHOQOL) (13),e ainda de dados clínicos esul an es do con ac o / en e is as com pessoas que i e am canc o (desc ição do modo como as pessoas pe spec i am a dimensão espi i ual da ida e como a doença in e e iu nessa dimensão). Ti emos ainda como linha o ien ado a a cons ução de uma escala simples e pequena, sem edundâncias, que pe mi isse uma boa acei ação / comp eensão das pessoas, que e idenciam alguma di iculdade no p eenchimen o de inqué i os longos e edundan es, bem pa en e quando se p ocede à colhei a de dados em amos as clínicas. Tendo po base uma pe spec i a posi i a da ida ( esul an e da pesquisa eó ica e do que nos oi ansmi ido pelas pessoas en e is adas), ca ac e ís icas como espe ança, op imismo, sa is ação / alo ização da ida, o am os p essupos os na elabo ação das ques ões des a escala. No en an o, há au o es (14), que e e em que os e mos eligiosidade e espi i ualidade não são incompa í eis e a i mam que a endência a pola izá-los não é u í e a pa a a pesquisa cien í ica. Nes e abalho e e-se em linha de con a es e p essupos o, pelo que se coloca a ques ão das c enças espi i uais e eligiosas como supo e pa a a ibuição de signi icado à ida. Con udo pa imos de uma pe spec i a indi idual (não ques ionando sob e a iliação ou p á icas eligiosas ins i ucionais), con o me a p oposição de es udiosos da á ea (15,16). P e endemos que as ques ões elabo adas se cen assem na dimensão espi i ual ocalizadas na a ibuição de sen ido / signi icado da ida (ques ão 1 “As minhas c enças espi i uais / eligiosas dão sen ido à minha ida”e a ques ão 2 “A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis”). A bibliog a ia e lec e que as c enças espi i uais / eligiosas, is o é, a é, mesmo que não associada a uma en idade di ina ou a uma eligião especí ica, o necem mecanismos de adap ação a e en os s essan es como uma doença g a e (5,14). As ques ões seguin es êm subjacen e a cons ução da espe ança e de uma pe spec i a de ida posi i a (ques ão 3 “Vejo o u u o com espe ança”, ques ão 4 “Sin o que a minha ida mudou pa a melho ” e ques ão 5 “Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida”). De ac o, ace à ad e sidade, mui as pessoas saem e o çadas, c escem com a p o ação, (15,17) dando um no o sen ido à ida, es abelecendo no as p io idades e o nando-se mais capazes de en en a si uações u u as ad e sas. En a izam-se os esul ados posi i os ais como a espe ança, o e um sen ido pa a a ida, melho a as elações in e pessoais, sen i -se ú il, eliz e sa is ei o, o que pode excede a globalidade dos esul ados nega i os (17). Is o não p essupõe ejei a a nega i idade que en ol e a si uação, mas sim a capacidade da pessoa em eencon a signi icado no que se passa, o que pode le a a encon a es o ços pa a lida com o s ess, a encon a uma ca ga a ec i a que possa ge a ene gia ocalizada na esolução do p oblema. As espos as são dadas numa escala de Like com qua o al e na i as (de “1” a “4”), en e “não conco do” a “plenamen e de aco do”. RESULTADOS Com ecu so a so wa e SPSS e são 14, p ocedeu- se à análise das p op iedades psicomé icas: análise ac o ial; análise da consis ência in e na; análise da alidade con e gen e desc iminan e. Análise ac o ial Com o objec i o de explo a a es u u a concep ual subjacen e da escala, p ocedemos a uma análise ac o- ial explo a ó ia, o que nos pe mi iu explo a as in e - elações en e a iá eis suma iando os dados no seu conjun o (18). U ilizámos especi icamen e a écnica de análise de componen es p incipais (ACP), a im de e i ica se as di e en es a iá eis êm o mesmo concei o - ac o (19). Em elação ao mé odo de o ação u ilizado na ACP, op ámos pela o ação oblíqua (mé odo oblimin) po que se ob êm ac o es co elacionados, o que pode á se mais adequado na á ea da psicologia dada a in e depen- dência das dimensões psicológicas (18), pa icula men e no âmbi o da emá ica em análise: a espi i ualidade. Ao ealiza mos es e p ocedimen o, seleccionámos os ac o es com ca ga ac o ial supe io a 0,30, o que demons a a exis ência de dois ac o es, como se e i ica na abela 2. Ve i icamos que o desc i o “Vejo o u u o com a espe ança” é o que em meno ca ga ac o ial (embo a den o de alo es acei á eis), o que de algum modo pode es a elacionado com as ca ac e ís icas da amos a, is o é, são pessoas que en en a am um canc o, que ainda hoje es á associado a um g ande a alismo (20). A solução dos dois ac o es explica 75,23 % da a iância o al. O p imei o ac o explica 50,01% do o al ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 21, Nº 2 50 de a iância e o ac o 2 explica 25,21%. Após o ação, o 1º ac o in eg a os i ens que aduzem a alo ização das c enças espi i uais / eligiosas na a ibuição de sen ido à ida (i ens 1 e 2). O ac o 2 in eg a i ens que co espondem a um sen ido posi i o da ida no eado pela pe spec i a do u u o com espe ança (i em 3), e numa ede inição de alo es de ida (i ens 4 e 5). Os ac o es o am denominados do seguin e modo: o p imei o ac o “c enças”; o segundo “espe ança / op imismo”. No sen ido de con i ma mos a es u u a da escala, p ocedemos à co elação de Pea son en e os i ens e as duas sub-escalas, que se ap esen a na abela 3. A análise dos dados do quad o an e io e idencia quan o ao i em 3 que, apesa de ap esen a uma maio co elação com a dimensão a que pe ence, a magni ude dessa di e ença é pequena, como já inha sido iden i icado na análise ac o ial. Apesa des a e idência, a manu enção des e i em na escala deco e da ele ância da espe ança na a ibuição de signi icado ao so imen o deco en e de uma doença c ónica e ambém como um ecu so de espe ança ace às mudanças no es ado de saúde (4, 6, 8). Es es esul ados pode ão es a associados às ca ac e ís icas dos pa icipan es, pois a i ência de uma doença como o canc o pode di icul a o p ocesso de pe spec i a o u u o com espe ança (20). Fidelidade da escala de espi i ualidade Pa a a alia mos a idelidade u ilizamos o alpha de C onbach no sen ido de analisa mos a sua consis ência in e na, endo encon ado os seguin es alo es: c enças: 0,92; espe ança / op imismo: 0,69. A consis ência in e na pa a a escala global é de 0,74. Ve i ica-se que são alo es acei á eis dado o núme o de i ens e endo em con a os alo es de e e ência limi e em psicome ia. Validade con e gen e disc iminan e Pa a a alidade con e gen e disc iminan e, um dos mé odos da alidade de cons uc o (21), eco emos à inspecção da co elação das dimensões da escala da espi i ualidade com as medidas escolhidas que a aliam cons uc os idên icos e ou as que a aliam cons uc os di e en es, a sabe , algumas das es a égias de coping do B ie COPE (11), a qualidade de ida global do QLQ- C30, o papel uncional (9) e a dimensão do a ec o posi i o da PANAS (10). A inspecção das co elações acima e e idas mos a que as duas dimensões da escala da espi i ualidade se co elaciona am posi i amen e com a subdimensão eligião do B ie COPE, mos ando que es as dimensões ap esen am algum sen ido ge al associado à eligião. Obse amos que a sub-escala espe ança/op imismo se co elacionou mode adamen e com a qualidade de Tabela 2 - Es u u a ac o ial dos i ens da escala da espi i ualidade. I ens 1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida 2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis 3 - Vejo o u u o com espe ança 4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho 5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida Va iância (To al = 75,23%) Valo es p óp ios (Eigen alues) C enças -0,96 -0,95 -0,19 0,08 0,04 25,2 1,2 Espe ança/op imismo -0,02 0,03 0,58 0,91 0,83 50,01 2,5 Componen es No a: Ro ação oblíqua; de e minação de ac o es po ca ga ac o ial dos i ens supe io a 0,30. Os i ens co esponden es a cada sub-escala são ap esen ados a neg i o. Tabela 3 - Co elações en e os i ens e as sub-escalas da escala da espi i ualidade. I ens 1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida 2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis 3 - Vejo o u u o com espe ança 4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho 5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida C enças 0,86(**) 0,86(**) 0,31 (**) 0,24(**) 0,26(**) Espe ança/op imismo 0,31(**) 0,35(**) 0,39(**) 0,64(**) 0,51(**) Sub-escalas No a: Os alo es dos i ens ela i os a cada sub-escala o am co igidos pa a sob eposição. Todas as co elações ≥ 0,130 são signi ica i as ao ní el de 0,01 (bidi eccional). Pin o C e al Cons ução de uma Escala de A aliação da Espi i ualidade em Con ex os de Saúde 51 Tabela 4 - Co elação en e as dimensões da escala da espi i ualidade e as medidas c i é io. n=426 QLQ-C30 PANAS B ie COPE C enças -0,01 0,05 0,15** 0,68** -0,09 -0,07 0,01 Espe ança/op imismo 0,15** 0,29** 0,46** 0,34** 0,02 -0,00 -0,13** No a: Todas as co elações ≥ 0,130 são signi ica i as ao ní el de 0,01 (bidi eccional). Papel uncional Qualidade de ida global A ec o posi i o Religião Au oculpabilização Negação Desin es imen o compo amen al ida global ( =0,29) e com o a ec o posi i o ( =0,46). Ambas as dimensões da escala se co elacionam acamen e com o papel uncional do QLQ-C30 e com es a égias de coping menos e icazes, como po exemplo, au oculpabilização, negação e desin es imen o compo - amen al. Os esul ados mos am que escala de a aliação da espi i ualidade se associou, como se ia de espe a , com a eligião mos ando a sua alidade (cons uc o) e que a sub-dimensão espe ança/op imismo é ele an e pa a o bem-es a e a ec o posi i o de e uma doença c ónica como o canc o. DISCUSSÃO Es e a igo e e como objec i o a ap esen ação de um p ocesso de cons ução de uma escala de a aliação da espi i ualidade, a aplica em con ex os de saúde. A p imei a conclusão a e i a é que a escala da espi i ualidade esul an e des e es udo ap esen a p op iedades mé icas adequadas. Além disso, cons a a- se nos con ex os clínicos alguma di iculdade no desen ol imen o da in es igação no âmbi o das ciências sociais e humanas. Pa a além das di iculdades es u u ais (deco en es de espaços de icien es ou inexis en es pa a en e is as pe sonalizadas), os p óp ios u en es / amílias (de ido a ulne abilidades consequen es do es ado clínico ou ainda a um baixo ní el de li e acia), ap esen am di i- culdades no p eenchimen o de ba e ias de escalas, po ezes longas e edundan es com que são con on ados. Pelo ac o de a escala aqui ap esen ada se uma escala pequena, o na-a mais acei á el jun o da população clínica. As p op iedades psicomé icas des e ins umen o le a-nos a conside a a sua u ilidade em es udos clínicos que e sem a iden i icação de a iá eis psicossociais que se epe cu em na op imização da saúde. Concluímos ainda que es a escala apon a pa a a exis ência de duas dimensões espi i uais já e e idas em ou os es udos (22): uma dimensão e ical, associada a uma elação com o anscenden e, e que numa sociedade judaico-c is ã es á mui o elacionada com a p á ica da eligião; e uma dimensão ho izon al, exis encialis a, na qual se enquad a o sen ido da espe ança, a a ibuição de sen ido e signi icado da ida deco en e da elação com o eu, os ou os e o meio. Na escala po nós desen ol ida a p imei a dimensão es á associada às “c enças”, e a segunda à “espe ança/ op imismo”. Es a úl ima dimensão apa ece e ec i amen e mais co elacionada com as dimensões da qualidade de ida (22). CONCLUSÃO No con ex o ac ual assis e-se a um in e esse c escen e pelas in es igações sob e as conexões en e o co po e a men e, o que de algum modo espelha a mudança de pa adigma nos cuidados de saúde (de uma abo dagem isio-pa ológia pa a uma abo dagem globalizan e), em que as necessidades espi i uais são pa e in eg an e das necessidades ísicas e psicológicas. As p incipais azões que os doen es e e em em elação à impo ância dos p o issionais de saúde a ende em às necessidades espi i uais são: que es es comp eendam a o ma como as suas c enças in e e em no seu p oblema de saúde; que os comp eendam melho como pessoas; que os p o issionais de saúde ajudem a cons ui um sen ido de espe ança ealis a; que sejam capazes de os ou i (8). Embo a a elação en e espi i ualidade e cuidados de saúde es eja já e idenciada na in es igação, há ainda um longo caminho a pe co e . Podemos e e i que a espi i ualidade é uma dimensão impo an e do homem, que a pa da dimensão biológica, in elec ual, emocional e social, cons i ui aquilo que de e mina a sua singula idade como pessoa. REFERÊNCIAS Mulle PS, Ple ak DJ, Rummans TA. Religious in ol emen , spi i uali y, and medicine: implica ions o clinical p ac ice. Mayo Clin P oc 2001;76:1225-35. 1 - ARQUIVOS DE MEDICINA Vol. 21, Nº 2 52 Minis é io da Saúde. Plano Nacional de Saúde 2004-2010. O ien ações es a égicas, 2, Di ecção Ge al da Saúde, Lisboa, 2004. disponí el em h p://www.dgsaude.p / G eens eed W. F om spi i uali y o coping s a egy: mak- ing sense o ch onic illness. B J Nu s 2006; 15(17):938-42. Pais-Ribei o JL, Pombei o T. Relação en e espi i ualidade, ânimo e qualidade de ida em pessoas idosas. In: Pais- Ribei o JL, Leal I, edi o es. Ac as do 5º Cong esso Nacional de Psicologia da Saúde. Lisboa: ISPA; 2004. p.757-69. Fehe S, Maly RC. Coping wi h b eas cance in la e li e: he ole o eligious ai h. 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Po a o , ma que com uma X aquela opção que melho exp essa a sua opção, na úl ima semana. Não exis e espos a ce a ou e ada. 1 - As minhas c enças espi i uais/ eligiosas dão sen ido à minha ida 2 - A minha é e c enças dão-me o ças nos momen os di íceis 3 - Vejo o u u o com espe ança 4 - Sin o que a minha ida mudou pa a melho 5 - Ap endi a da alo às pequenas coisas da ida Não conco do 1 1 1 1 1 Conco do um pouco 2 2 2 2 2 Conco do bas an e 3 3 3 3 3 Plenamen e de aco do 4 4 4 4 4