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Homoparentalidade e Desenvolvimento Infantil

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Homoparentalidade e Desenvolvimento Infantil

Author: Raquel Andreia Gonçalves Oliveira
Year: 2016
DOI: 10.34626/npr3-9259
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/84364/2/137537.pdf
2015/2016
Raquel And eia Gonçal es Oli ei a
Homopa en alidade e Desen ol imen o In an il
ma ço, 2016
Mes ado In eg ado em Medicina
Á ea: Psiquia ia e Saúde Men al
Tipologia: Monog a ia
T abalho e e uado sob a O ien ação de:
Dou o Manuel Fe nandez Es e es
T abalho o ganizado de aco do com as no mas da e is a:
A qui os de Medicina
Raquel And eia Gonçal es Oli ei a
Homopa en alidade e Desen ol imen o In an il
ma ço, 2016
1
HOMOPARENTALIDADE E DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Raquel And eia Gonçal es Oli ei a
Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o
Rua No a, 516, 4820-509 Fa e
919681389
aquel.ag.oli ei a@ho mail.com
P o . Dou o Manuel Fe nandez Es e es
Resumo: 223 pala as
Abs ac : 215 pala as
Tex o p incipal: 2583 pala as

2
RESUMO
A homopa en alidade em Po ugal, assim como em g ande pa e do mundo, é uma
ealidade em c escendo que em indo a se al o de es udo ao longo dos empos.
Nes e abalho em pa icula , o oco se ão as c ianças educadas nes e con ex o e o
seu impac o no desen ol imen o das mesmas.
Mui os são os es udos que abo dam a ques ão e, apesa da ausência de unanimidade
de opiniões, a sua g ande maio ia apon a pa a a não exis ência de di e enças
signi ica i as ela i amen e ao desen ol imen o cogni i o, psicossocial e sexual en e
c ianças educadas numa amília no ma i a e em con ex o homopa en al.
Ainda assim, alguns o am os au o es que disco da am. Es udos suge em uma
p e alência de c ianças com mais baixa au o-es ima, assim como uma possí el
associação com hipe a i idade em apazes. Impo an e salien a que es es esul ados
não pa ecem se uma consequência di e a da o ien ação sexual dos pais, sendo
a ibuídos essencialmen e aos e ei os nega i os do es igma social e disc iminação a
que es as c ianças es ão sujei as. Ou os achados e elam que c ianças com pais
homossexuais endem a ap esen a a i udes mais libe ais quan o ao desempenho de
papéis de géne o e apa en am se mais escla ecidas quan o à sua p óp ia
sexualidade, p o a elmen e u o de uma educação mais sensí el a es e ema.
O consenso su ge quando conside am a qualidade da elação pa en o- ilial mais
impo an e que a o ien ação sexual dos pais, e idenciando os e ei os ne as os da
homo obia, do p econcei o e da disc iminação.
Pala as-cha e: homopa en alidade; pais gay mães lésbicas; desen ol imen o
in an il; desen ol imen o psicossocial sexual.
3
ABSTRACT
Homosexual pa en hood in Po ugal, such as in mos o he wo ld, is a g owing eali y
ha has been he subjec o s udy o e ime. Ou ocus will be he child en aised in his
con ex and he impac on hei psychosocial adjus men .
The e a e many s udies ha add ess he issue and, despi e he absence o a
unanimous opinion, mos o hem indica es ha he e a e no signi ican di e ences in
cogni i e, psychosocial and sexual de elopmen be ween child en aised in a
adicional amily o by gay/ lesbian pa en s.
S ill, some au ho s disag ee. S udies sugges a p e alence o child en wi h lowe sel -
es eem, as well as a possible associa ion wi h hype ac i i y in boys. Impo an o no e
ha hese esul s do no seem o be a di ec consequence o he pa en s' sexual
o ien a ion, being mos ly ela ed o he nega i e e ec s o s igma iza ion and
disc imina ion ha hey a e exposed o. O he indings suges ha child en wi h gay/
lesbian pa en s ended o ha e mo e libe al a i udes owa d he pe o mance o gende
oles and appea o be mo e elucida ed abou hei own sexuali y, p obably he esul o
a mo e sensi i e educa ion on his subjec .
The e is consensus among esea che s ha he quali y o child en ela ionships wi h
pa en s is mo e impo an han hei sexual o ien a ion, highligh ing he ha m ul e ec s
o homophobia, s igma iza ion and disc imina ion.
Keywo ds: homossexual pa en hood; gay lesbian pa en s; child de elopmen ;
psychosocial sexual adjus men .
4
INTRODUÇÃO
Em Po ugal, assim como em oda a União Eu opeia (EU), o índice de homo obia,
a inge ainda alo es mui o ele ados. De aco do com o Eu oba óme o de 2013, num
es udo ealizado a pessoas lésbicas, gays, bissexuais e ansgéne os (LGBT) quase
me ade sen i am-se disc iminadas ou assediadas de ido à sua o ien ação sexual no
úl imo ano e 26% a i ma am e sido a acados ou ameaçados com iolência nos
úl imos cinco anos. Es as a i udes homonega i as e i icam-se mais equen emen e
em indi íduos do sexo masculino, com c enças eligiosas incadas e ideações
polí icas mais conse ado as (1). Quan o à a aliação da qualidade pa en al em casais
LGBT e casais he e ossexuais, a população po uguesa demons a uma opinião mais
nega i a no que se e e e a casais do mesmo sexo, p e endo u u os p oblemas
sociais na c iança (1).
A homopa en alidade, como con apos o a uma amília hé e o-no ma i a que se ege
pelas no mas de uma sociedade com bases eligiosas, com alo es adicionais há
mui o en aizados no nosso país e que incluem ní eis ele ados de homo obia (2), em
como g ande obs áculo a queb a de p econcei os. Es e ea anjo pa en al pode ad i
de di e sas es u u as amilia es: se pai/mãe no con ex o de elações he e ossexuais
an e io es à a i mação da homossexualidade; esul a de um p ocesso de adoção
singula ou co-pa en al; lésbicas que eco e am à inseminação a i icial com doado es
de espe ma ou gays que p ocu a am uma “ba iga de alugue ” (3).
A adoção po casais do mesmo sexo é legal a ualmen e em 23 países: Á ica do Sul,
Ando a, A gen ina, Áus ia, Bélgica, B asil, Canadá, Colômbia, Dinama ca, Espanha,
Es ados Unidos, F ança, Holanda, I landa, Islândia, Is ael, Luxembu go, Mal a,
No uega, No a Zelândia, Reino Unido, Suécia e U uguai. Tudo indica que Po ugal
5
se á ainda es e ano, 2016, o décimo qua o país a legaliza a adoção po casais do
mesmo sexo.
I emos abo da em pa icula a homopa en alidade do pon o de is a das c ianças que
pode ão i a se legalmen e educadas po casais do mesmo sexo e no impac o que
al pode á exe ce sob es as.
Es e abalho p e ende con ibui pa a uma melho comp eensão do ema, en ando
pe cebe , des a o ma, se são necessá ios pais de sexos opos os pa a que uma
c iança possa expe iencia um desen ol imen o a ní el cogni i o, psicossocial e
sexual saudá el. Com es e in ui o, algumas são as ques ões que amos abo da :
 Pode á p ejudica ou inibi o desen ol imen o cogni i o no mal da c iança?;
 P omo e á con usão na sua p óp ia iden idade de géne o?;
 Ve i ica -se-á uma endência homossexual em ilhos de casais do mesmo
sexo?;
 Ha e á alguma consequência pela ausência de igu a ma e na/ pa e na?;
 A e a á o seu desen ol imen o psicossocial?.
A pe inência des e ema p ende-se não só pela sua a ualidade, u o da cons an e
mu ação das sociedades que e le e o c escendo des a ealidade que é a
homopa en alidade, mas acima de udo en a pe cebe se há algum impac o no
desen ol imen o des as c ianças pa a que possamos a ua , enquan o clínicos, em
con o midade.
12
da o ien ação sexual das mães, há um es udo (10) que nos e ela que aos 6 anos de
idade, c ianças educadas nes a es u u a amilia pa ecem ap esen a menos
compe ências a ní el cogni i o e ísico, di e enças essas que desapa ecem aos 12
anos de idade. Tal achado pode co obo a a hipó ese an e io men e e e ida
ela i amen e ao papel do pai no desen ol imen o da au o-con iança da c iança, como
ambém pode á se explicada le ando em con a a o ma como a sociedade
sub alo iza as compe ências de uma mulhe quando es a exe ce o papel de che e de
amília. Sendo que a au o- alidadação po pa e das c ianças é um p ocesso que em
mui o depende do c édi o que os ou os lhe dão, es e pode á es a diminuído como
consequência do es igma exis en e ela i amen e a amílias ma ia cais.

13
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL
Vi e em sociedade e in e agi com o mundo e com as pessoas que nos odeiam é
p eponde an e pa a o desen ol imen o psicológico de um qualque indi íduo. Se
c iança e i e em ci cuns âncias um pouco di e en es do conside ado no mal, nes e
caso e pais homossexuais, pode á exe ce algum e ei o nes a á ea?
Ao longo de uma as a pesquisa sob e o ema, cons a amos que a sua g ande maio ia
conco da com a não exis ência de uma elação en e a o ien ação sexual dos pais e o
desen ol imen o psicossocial e emocional das c ianças (2-12).
Em odo o caso, mui os são os que se ocam nas consequências nega i as da
disc iminação social à qual es as c ianças es ão sujei as de ido à sua con igu ação
amilia (3,8,15,20-22). Es e p econcei o pode a ia consoan e a sociedade e cul u a
de cada país, assim como do es a u o social co esponden e à p o eniência das
amílias es udadas que se ap esen am mais ou menos libe ais (3,8,15). Es a a i ude
homo óbica e le e-se nas c ianças, endo as p óp ias sido al o, em con ex o escola ,
de comen á ios sexis as, ela i amen e à o ien ação sexual dos pais como ambém
quan o à p óp ia sexualidade, e a as ados em algumas a i idades po ou as c ianças
pe encen es a amílias no ma i as (3,20). Resul ados de um es udo associam es es
ní eis de disc iminação/ ejeição ele ados a um dec éscimo no bem-es a psicológico
da c iança que se aduzi á na p esença de hipe a i idade nos apazes e baixa au o-
es ima mais ma cada nas apa igas (20). Es a baixa au o-es ima deco en e da
exposição ao p econcei o, encon a-se p esen e mesmo quando as c ianças êm
mecanismos de coping adap a i os (22). Como o ma de a enua es e e ei o nega i o,
pa ece se bené ica a comunicação e in e ação en e c ianças que expe ienciam a
mesma ealidade no que se e e e à homopa en alidade pois en eajudam-se no que
diz espei o a en en a odo es e es igma social (20).
14
Con udo, um ou o es udo que engloba amílias monopa en ais, e ela que ilhos de
mães lésbicas ap esen am ní eis mais baixos de compo amen os an i-sociais, assim
como de sen imen os de solidão e isolamen o quando compa ados com c ianças com
mães he e ossexuais (6), p o a elmen e de ido a uma maio p oximidade pa en o- ilial
e a uma educação mais libe al como e e ido an e io men e. Adicionalmen e, ao
con á io do que e a expec á el po alguns au o es, não se encon am ní eis de
ansiedade aumen ados nes as c ianças (6,9), assim como não se e i ica am
di e enças de compo amen os como delinquência, i imização e abuso de d ogas em
adolescen es educados po lésbicas quando compa ados com pa en alidade
he e ossexual (25).
Ainda nes e con ex o de homopa en alidade eminina, cons a ou-se que ambos os
g upos ap esen a am di iculdade na ex e io ização de emoções e sen imen os e ní eis
ele ados de ag essi idade (6), ha endo uma associação com a es u u a amilia
monopa en al, mas não e idenciando di e enças ela i as à o ien ação sexual
ma e na.
Uma ou a pe spe i a a e em a enção são os casos em que as c ianças são u o de
um elacionamen o he e ossexual an e io e que ago a se depa am não só com a
sepa ação dos pais, como ambém com a e elação e a i mação da
homossexualidade de um deles. Aqui, exis e em p imei o luga o s esse emocional
ine en e à u u a da união pa en al que exige odo um eajus e amilia associado aos
e ei os de uma isão homonega i a da sociedade, os quais podem conduzi a um
desequilíb io psicológico que incluem dep essão e ansiedade (24). Mães que se
a i mam lésbicas pe an e os seus ilhos de em es a conscien es que es es pode ão
passa po um p ocesso que en ol e um pe íodo inicial de negação, e ol a,
dep essão e, mais a de, acei ação (9). Cu iosamen e, após um di ó cio, quando são
pais a assumi em a sua homossexualidade, es es são mais bem acei es pelas ilhas
que pelos ilhos (9).
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CONCLUSÃO
Se ão necessá ios pais de sexos opos os pa a que uma c iança possa expe iencia
um desen ol imen o cogni i o, psicossocial e sexual saudá el? Eis a pe gun a que
pe manece com uma espos a longe de se conclusi a.
Apesa da ausência de unanimidade, a la ga maio ia da li e a u a apon a pa a a não
exis ência de di e enças signi ica i as no desen ol imen o in an il no con ex o da
homopa en alidade, exis indo mesmo quem a i me que os p o issionais de saúde
de em e i a assumi que as pa ologias des as c ianças es ejam elacionadas com a
sua educação homopa en al (9). Po con aposição, alguns são os au o es que o
con adizem, baseando-se essencialmen e nos e ei os nega i os do es igma social e
disc iminação a que es as c ianças es ão sujei as.
São necessá ios es udos de maio es dimensões, mais ab angen es colma ando a
escassez de es udos com pais gays e mais longi udinais, com um pe íodo de
seguimen o ala gado pa a cla i ica e cimen a esul ados.
16
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(25) Wain igh J. L. & Pa e son C. Delinquency, Vic imiza ion, and
Subs ance Use Among Adolescen s Wi h Female Same-Sex Pa en s. Jou nal
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AGRADECIMENTOS
Po que udo o que azemos, ainda que a ní el indi idual, é em boa e dade um
abalho de g upo, o meu eno me e since o ag adecimen o:
Ao P o . Dou o Manuel Fe nandez Es e es, meu o ien ado e esponsá el, em g ande
pa e, po despe a em mim o in e esse po es a á ea da Medicina enquan o p o esso
da disciplina de Psiquia ia e Saúde Men al e, nes e caso em pa icula , pela
o ien ação, disponibilidade, c í icas e suges ões ao longo da elabo ação des e
abalho.
Aos meus amigos pelo apoio e po nunca du ida em que es e dia chega ia.
À minha i mã pela p esença cons an e, amo incondicional, p o eção e paciência
in indá el.
Aos meus pais, po udo.
ANEXO