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Análise social dos fatores que influenciam o desenvolvimento e o planejamento de assentamentos rurais: os casos dos municípios de Cervantes e Guitiriz na Galícia

Abstract

Este artigo realiza uma análise social de fatores que influenciam o desenvolvimento e o planejamento dos núcleos populacionais rurais. Nesse sentido, busca determinar quais são e em que medida os objetos identificados exercem influência no espaço rural e no seu âmbito de atuação relacionados como lugares rurais. O objetivo é identificar a percepção social do espaço rural e do lugar desses núcleos rurais levando em consideração dois grupos sociais: a própria comunidade rural e um grupo de técnicos em planejamento. Como metodologia, realizou-se uma exploração in situ associada a visitas e entrevistas em campo, bem como uma aplicação de questionários ao grupo de técnicos. Conclui-se que ambas as explorações demonstram proximidades quanto às características dos assentamentos rurais e quanto aos seus problemas, bem como consideram que os elementos da paisagem devem ser entendidos como um ativo espacial e social no planejamento destas áreas

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Análise social dos fatores que influenciam o desenvolvimento e o planejamento de assentamentos rurais: os casos dos municípios de Cervantes e Guitiriz na Galícia

Author: Barbosa Brandão, Vasco André; Santé Riveira, Inés; Crecente Maseda, Rafael; Ferreira Neto, José Ambrósio
Publisher: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Year: 2014
DOI: 10.1590/00115258201422
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/4851041c-bb65-4cdd-9020-b4e8b86eac29/download
INTRODUÇÃO
Es e a igo ealiza uma análise social de a o es que in luenciam o
desen ol imen o e o planejamen o de núcleos populacionais u-
ais, aqui a ados como assen amen os u ais. Nesse sen ido, busca
de e mina quais são e em que medida os obje os iden i icados exce -
cem in luência no espaço u al e no seu âmbi o de a uação elaciona-
dos como luga es u ais. O obje i o oi iden i ica a pe cepção social
do espaço u al e do luga de assen amen os u ais dos municípios de
Ce an es e Gui i iz, le ando em conside ação dois g upos sociais: a
p óp ia comunidade u al e um g upo de écnicos em planejamen o.
Tendo em is a análises sob e o planejamen o das á eas u ais, es e es-
udo inco po a em seu quad o eó ico de e e ência a pe cepção do es-
paçosocialsegundoduascomunidadesdi e en es.Nessesen ido,con-
side a os es udos sob e iden idade,cul u a,an opologiaememó ia
galega. Também se undamen a em análises da es u u a u bana e u-
al da Galícia que apoiam o supo e eó ico do es udo des a egião no
sen ido de a e i as homogeneidades e as he e ogeneidades sociocul-
u ais, o que pe mi e uma adequada comp eensão e i o ial.
h p://dx.doi.o g/10.1590/00115258201422 711
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1ª Re isão: 01.08.2014
Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas
Análise Social dos Fa o es que In luenciam o
Desen ol imen o e o Planejamen o de
Assen amen os Ru ais: Os Casos dos Municípios
de Ce an es e Gui i iz na Galícia
Vasco And é Ba bosa B andão1
Inés San é Ri ei a2
Ra ael C ecen e Maseda3
José Amb ósio Fe ei a Ne o4
1P o esso na Escola Uni e si á ia e das A es de Coimb a. Coimb a, Po ugal. E-mail:
[email p o ec ed].
2P o esso a-associada da Uni e sidade de San iago de Compos ela. Lugo, Espanha. E-mail:
[email p o ec ed].
3P o esso -associado da Uni e sidade de San iago de Compos ela. Lugo, Espanha. E-mail:
[email p o ec ed].
4P o esso -associado II da Uni e sidade Fede al de Viçosa. Viçosa, Minas Ge ais, B asil.
E-mail: [email p o ec ed].
DADOS–Re is a de Ciências Sociais,RiodeJanei o, ol.57,no3,2014,pp.711a744.
Pa a es e es udo e como me odologia pa a ob e in o mações sob e o
espaço u al e os assen amen os u ais, ealiza am-se, po um lado,
uma explo ação in si u associada a isi as e en e is as em campo e,
po ou o,umaexplo açãoin e naassociadaaumques ioná ioaog u-
po de écnicos. Salien am-se, como conclusões e de aco do com os e-
sul ados ob idos, que ambas as explo ações demons am p oximida-
des quan o às ca ac e ís icas dos assen amen os u ais e quan o aos
seus p oblemas, bem como conside am que os elemen os da paisagem
de em se en endidos como um a i o espacial e social no planejamen-
o des as á eas.
PLANEJAMENTO E ÁREA RURAL
Ao longo do século XX, as zonas u ais, em di e sas egiões do mundo
e na Eu opa em especial, passa am po p ocessos que a e a am o seu
desen ol imen o, de manei a posi i a e nega i a. O êxodo u al é um
a o (Gui ado-González, 2008). Nos úl imos in e anos em oco ido
uma al e ação na dis ibuição espacial do c escimen o populacional,
num p ocesso que o na menos e iden e a di isão en e á eas u banas
e u ais (Cohen, 2006), ainda que não exis a uma elação p opo cional
na dis ibuição da população en e e i ó ios u ais e u banos na
Eu opa e na maio pa e do mundo (Mancilla, Viladomiu e Gualla e,
2010).
Uma ezque á easu banas eá eas u ais são unidades e i o iais que
mu uamen ese in luenciam no desen ol imen o egional(Liu, Zhang
e Zhang, 2009), é impo an e que o planejamen o do espaço u al
con emple as necessidades da comunidade u al, ga an indo sua pa -
icipação no p ocesso. A comunidade u al é espacialmen e ep esen-
ada po assen amen os u ais (AR), que se con igu am como assen a-
men os humanos de pequena escala com p edomínio de a i idades
p odu i asassociadasao ipode uso dos ecu sosna u ais. Tal pa ici-
pação e e e-seàinco po açãodoconhecimen olocaldascomunida
-
des u ais na omada de decisão em p oje os de planejamen o, is o
que as á eas u ais es ão sob al e ação socio empo al em e mos de de-
sen ol imen o social, econômico e ecnológico, especialmen e nas in-
e açõesde á ioselemen osnãoquan i a i os que a e amodesen ol-
imen o u al (Cáno es, Villa ino e He e a, 2006).
No campo cien í ico, assis e-se ao aumen o da in luência de pe spec i-
as cul u ais que u ilizam mé odos de in es igação quali a i os, in-
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cluindo en e is as semies u u adas (Valencia-Sando al, Flande s e
Kozak, 2010), g upos ocais e obse ação pa icipa i a (Woods, 2010),
além de análises da condição social po compa ação (Sigaud, Rosa e
Macedo, 2008). Nesse con ex o, exis em á ios mé odos aplicados ao
planejamen o e ges ão dos ecu sos, como o obse ado na Tanzânia,
em que habi an es ep esen an es de AR pa icipa am na ealização
de um diagnós ico de pa icipação u al (Chambe s, 1994a). Pa a
Chambe s (1994b), o po encial des e ins umen o es á numa pa icipa-
ção p á ica e eó ica mais eal, o que possibili a a ob enção de esul a-
dos mais obje i os e com maio possibilidade de aplicação e acei ação
po pa edascomunidades.NoCanadá o amaplicadosques ioná ios
aos esiden eslocaisdosARpa aiden i ica asamenidadesdemig a
-
ção da egião (Chipeniuk, 2008). Os ques ioná ios ambém são usados
pa a ob e as pe cepções locais posi i as ou nega i as sob e á eas p o-
egidasnoespaço u al(Alkan,Ko kmazeTolunay,2009) ou, segundo
S ephenson (2007), pa a a de inição dos a o es-cha e na ob enção de
um modelo de alo es cul u ais da paisagem.
Exis em es udos que u ilizam diag amas de Venn como mé odo pa i-
cipa i o (Mayoux e Chambe s, 2005) pa a ilus a e desc e e o gani-
zações das comunidades u ais (Zane ell e Knu h, 2002), iden i ica a
pe cepção dos di e en es indi íduos numa zona u al (Roa, Al a ez e
Vélez, 2007) e iden i ica a p io idade dos p oblemas no desen ol i-
men o u al(Maya,Pé ezeQuijano,2001),assimcomopa aanalisa as
di e enças en e ins i uições como g upos sociais (Bah e al., 2003;
Robinson, 2002), ou seja, pa a es abelece elações en e á ias pa es
(Chambe s, 2007). Ou os es udos e e em-se ao uso de um sis ema de
in o mação geog á ico como mé odo pa icipa i o pa a de e mina
g uposdeobje os espaciais – como iasou edi ícios (Rochee Humeau,
1999), assim como pa a inco po a e mapea dados quali a i os no
planejamen o como o ma de esol e necessidades e p oblemas dos
habi an es (Cecca o e Snicka s, 2000), ainda que, a ualmen e, segundo
Dennis(2006),épouco equen eainco po açãodesse ipodein o ma-
ção nas ações de planejamen o. Mapas men ais ambém cons i uem
um ins umen o de análise social do espaço, que po exibi em o
econhecimen odeca ac e ís icasdoluga e de como o mesmo es á o -
ganizado (Pocock, 1976), que pela iden i icação da p e e ência de
á eas esidenciais ou de usos comuns (Thill e Sui, 1993), e que, pa a
Rambaldi e al. (2006), se em pa a ep esen a a iden idade de uma
comunidade.
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No con ex o eu opeu há es udos que ealiza am ques ioná ios pa a
a de inição do u al sob uma pe spec i a de ep esen ação social
(Hal ac ee, 1995) e pa a a iden i icação da pe cepção da á ea esiden-
cial delimi ada e sua de inição (Pacione, 1983). Também há ou os em
que o am u ilizados mapas men ais pa a ob e os alo es sociais e as
ca ac e ís icas de uma á ea iden i icados pelos habi an es, isando a
possibilidade de se em emp egados num p ocesso de omada de
decisão (Ty äinen, Mäkinen e Schippe ijn, 2007). Do mesmo modo,
wo kshops e g upos ocais o am ealizados pa a elabo a cená ios u-
u os com o obje i o de de e mina as al e ações no espaço u al da
Escócia (Midgley e al., 2005).
Especi icamen enocon ex odaEspanha e da ComunidadeAu ônoma
da Galícia, há algumas in es igações que êm como e e ência eó ica
es udos que abo dam a emá ica do e i ó io, suas al e ações e iden i-
dade sociocul u al enquan o sociedade. F ades e González (2009) ana-
lisam os p ocessos de al e ação e de desen ol imen o dos e i ó ios
u ais eu opeus; Fe nández de Ro a (1991) analisa de e minados da-
dos sob o ema cen al da iden idade de um po o e, em ou o abalho,
e le e sob e a in es igação an opológica ealizada na Galícia (idem,
1992). A cons ução de iden idades cole i as pa a Pe ei o (2004) es á
ime sa num p ocesso his ó ico de econs ução do passado no sen ido
de man e e c ia a p óp ia iden idade. No seguimen o da iden idade
dopo o,To esLunaeLoisGonzález(1992)es udamos egimesdehe-
ança e di ei o de p op iedade da e a em casos de p o íncias do in e-
io .Na egiãodaGalícia,eem elaçãoàe olução e i o ialen eou -
bano e o u al, assis e-se a uma u banização social ge al no espaço
(Fe as Sex o e Lois González, 1993). Sob e a e olução e i o ial dessa
egião, Log oño e Lois González (1997) p ocu a am es abelece uma
elação en e os enômenos de eo ganização espacial e o desen ol i-
men o das á ias ases de indus ialização.
Como se pode obse a , os es udos ap esen ados ocam-se num g upo
social e em análises que p e endem e ela al e ações e iden idades
e i o iais. Já o p esen e a igo ap esen a uma abo dagem que combi-
na dois g upos sociais e explo a dois di e en es ipos de conhecimen o
na pe cepção sob e os AR e sua delimi ação.
No discu so da sociologia u al, a u alidade em es ado equen e-
men e associada às in e - elações en e a baixa densidade demog á i-
ca, o p edomínio da ag icul u a na es u u a p odu i a e as ca ac e ís-
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icascul u ais(InsuaeCo ea,2007)associadasaoluga ,localidadeou
egião como ca ego ias espaciais (Bæ enhold e Aa sæ he , 2002). De
aco docomame odologiadaO ganizaçãopa aaCoope açãoeDesen-
ol imen oEconômico(OCDE),a Espanha éclassi icadapo ês ipos
de u alidade:li o aloupe iu bana,á eas u aisdoin e io compe i i-
as e á eas u ais do in e io não compe i i as, endo mais de 47% do
seu e i ó io conside ado como p edominan emen e u al (Be olini,
Mon ana i e Pe agine, 2008). A Galícia é uma comunidade au ônoma
onde coexis em á eas de cos a, mon anha e e as planas (Coimb a,
2011), sendo ca ac e izada pela p esença de AR dispe sos e com baixa
densidade populacional (Ga cía-Lampa e, San é e C ecen e, 2010).
Iden i ica-se uma dispe são e i o ial, ainda que com endência a se
densi ica em alguns e i ó ios (San os Solla, 2012). Dado es e en-
quad amen o geog á ico e a di e sidade mo ológica dos AR na Galí-
cia como uma ca ac e ís ica de paisagem cul u al (Ma a-Olmo e
Fe nández-Muñoz, 2010), delimi a a sua á ea é uma a e a complexa.
As sucessi as al e ações dos c i é ios de delimi ação de AR nas leis do
solo da Galícia colabo am pa a essa di iculdade (Ba bosa, San é e
C ecen e, 2011).
Uma ez que es es c i é ios se aplicam de igual modo a AR dis in os,
não são le adas em con a as ca ac e ís icas espaciais, o mas de usos
da e a, assim como os signi icados, a cul u a e a his ó ia dos luga es
(Tuan,1991).O a,asnecessidadesdoshabi an esnãosãoa endidasna
omada de decisão sob e a delimi ação dessas á eas, o que esul a num
p oblema no planejamen o u al.
ESPAÇO SOCIAL E SUAS PERCEPÇÕES
O e mocomunidade,segundoLiepins(2000), emsido equen emen-
e usado como signi icado de espaço social, o qual econhece o mas
espaciais po elações sociais (Fe ei a, 2007), assimcomo os signi ica-
dos e o alo de um luga , os quais são cons uídos ao longo do empo
(Ba os,2000; Williamse al.,1992).Dadoqueoespaçoimplicaump o-
cesso de signi icados (Me i ield, 1993), no sen ido de que um espaço
social seja a cons ução de um p odu o social (Le eb e, 1984), a pe -
cepção que a comunidade u al em dos luga es pode es a dissociada
da pe cepção que o g upo de écnicos, esponsá el pela elabo ação de
planejamen os, em dos mesmos, os quais são concebidos como á eas
limi adas (Nogué, 1989). Manzo e Pe kins (2006) conside am impo -
an e a in eg ação de á ias pe spec i as de análise no en endimen o
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dos alo es da comunidade e como os signi icados do luga podem se
mencionados e o alecidos na elabo ação do planejamen o. Sendo as-
sim,comoacomunidade u alpodecon ibui comoa o pa icipa i o
no deco e do p ocesso de planejamen o u al?
Pe an e a ele ância da iden idade e i o ial (Saba ini, A enas e
Núñez, 2011) e seu signi icado pa a os habi an es dos AR, o na-se im-
po an equea delimi açãodoespaço espondaàs necessidadesiden i-
icadas pelas comunidades, de o ma que o planejamen o seja in eg a-
do de elaçõessocioespaciaisdoluga .Salien a-seoquão ele an eéa
pa icipaçãosocial dos a o esnosp ocessos deplanejamen ode polí i-
cas públicas e dos AR (Delgado e Lei e, 2011).
Sil a e Figuei edo (2013) e e em-se à exis ência do alo simbólico
como um a o a se conside ado no p ocesso de ees u u ação u al,
dado que um dos maio es a o es condicionan es sob e os e i ó ios
u ais na Eu opa são as ep esen ações ex e nas e suas consequências
na u alidade, o que o na ele an e o es udo da pe cepção social de
duas comunidades dis in as.
Assim, uma ques ão complemen a à comunidade u al e ao g upo de
écnicosde e se qualéa pe cepçãosocialquecadaum emdosAR,no
sen idodeexplo a suape cepçãosocialsob eoespaço u aleadeli-
mi açãodeAR.Ap esen ein es igação ealiza-senaComunidadeAu-
ônomada Galícia, si uada nono oes edaEspanha,nosmunicípiosde
Ce an es e Gui i iz (Figu a 1), onde o amen e is ados a comunida-
de u al e um g upo de écnicos de planejamen o.
AEspanhapossuiumaes u u aadminis a i a o madapo 17comu-
nidades au ônomas c iadas na década de 1980 (Pe ei o e Vila , 2008),
sendoa Galíciaumadelas.Todas êm ep esen açãopolí ica a a és de
um go e no au ônomo. Galícia é o mada po qua o p o íncias, no-
meadamen e Lugo, Ou ense, Co unha e Pon e ed a, sendo que as
duas úl imas se inse em no Eixo A lân ico com limi e e i o ial pa a
Po ugal.SegundooIns i u oGalegodeEs a ís ica(IGE),aGalícia em
2.781.498 habi an es, que se dis ibuem pelas p o íncias de Lugo, com
348.902; Ou ense, com 330.257; Pon e ed a, com 958.428; e Co unha,
com 1.143.911 habi an es (IGE, 2012). Galícia em uma cul u a e iden i-
dadeque nãoéuma ealidadees á ica,massim o mada po p ocessos
de negociação social (Campos, 2004).
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Os municípios de es udo são di e en es en e si. Ce an es, município
de ca ac e ís icas u ais a as ado de g andes cen os u banos, encon-
a-se numa zona de mon anha onde p e alecem alguns assen amen-
os u aiscomcons uçõessecula esdenominadaspalhoças, e elan
-
do uma p ese ação do seu pa imônio edi icado. T a a-se de um mu-
nicípio com o es aízes u ais, as quais ainda são man idas po sua
populacão. Gui i iz é um município de ca ac e ís icas mais u banas,
localizado na zona de Te a Chá, comp eendida pelo cen o u bano de
Gui i izepelaes u u a iá iaau oes adaquec uzaomunicípio,pe -
mi indo sua acessibilidade a ou os cen os.
Tendo em is a a paisagem, Campos (2006) ap esen a a in e essan e
ques ão sob e as casas u ais o na em-se modelos pa a a conse ação
das paisagens u ais galegas. Com elação à iden idade do espaço u-
al galego, ainda que po ezes a dis ância en e aldeias seja cu a, os
habi an es êm pe cepções di e en es – como é o caso de duas aldeias
de Anca es es udadas po Rebo edo (1990) – po con a dos sucessi os
acon ecimen os his ó icos em conjun o com as al e ações de e e ên-
cias geog á icas e c enças, que azem com que as polulações locais
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Figu a 1
Localização dos Municípios de Gui i iz e Ce an es na
Comunidade Au ônoma da Galícia
Fon e: Elabo ação dos au o es.
cons uam sua iden idade enquan o g upo ou comunidade. A ual-
men e,ac isequeexis enomeio u alp oduz ans o mações ele an-
es na lógica espacial e, consequen emen e, ans o mações socioeco-
nômicas, al como acon ecem nas duas á eas de es udo (Valcá cel
Ri ei o e San os Solla, 1997).
AGalícia enquan o e i ó io u bano ap esen a, no en an o, di e enças
conside á eis nas suas qua o p o íncias, sendo a localização e a mo -
ologia a o es-cha e na análise do seu e i ó io (Co izas e Albe i,
1999). Asua a qui e u a é condicionada pelo luga que ocupa numde-
e minando con ex o espacial (Fe nández de Ro a, 1990). As cidades
de maio es dimensões localizam-se na zona li o al da Comunidade
Au ônoma, o que pe mi e iden i ica uma dico omia en e a zona li o-
al e a zona in e io da Galícia. Es a di e ença sob e a localização das
es u u as u banas e le e-se no espaço u al onde se iden i icam á-
ios ipos de espaços u ais o mados po di e enças de opog a ia, de
p oximidade a cen os u banos e a in aes u u as de acessibilidade,
assim como po di e enças sociocul u ais. No espaço u al da Galícia,
opueblo ou aldea cons i ui um cen o ge ado de iden idade em espos-
a a uma necessidade sociocul u al (Rebo edo, 1990), ainda que, se-
gundo Lois González e To es Luna (1995), a u banização suponha a
pola ização do c escimen o de espaços da Galícia ociden al e cos ei a
em unção de alguns encla es do seu in e io egional.
Temos como obje i o iden i ica a pe cepção social do espaço u al e
doluga deARapa i dacomunidade u aledeumg upode écnicos
em planejamen o. Pos e io men e, analisa emos a alo ação social de
seus elemen os ca ac e ís icos de o ma a de e mina a sua e olução e
endênciadas alo açõespa ao ganiza edelimi a osARdaGalícia.
A EXPLORAÇÃO DOS GRUPOS SOCIAIS
Pa a ob e in o mação sob e o espaço u al e os AR, di idiu-se a in es-
igaçãoemexplo açãoin si u eexplo açãoin e na, em unçãodeexis i-
em dois g upos sociais dis in os. Dessa o ma, p ocu ou-se ob e os
signi icados que os g upos a ibuem ao luga (Gie yn, 2000), além de,
com esse p ocedimen o, ealiza uma abo dagem mais compa a i a e
in eg ado a(Ma sden,1999).Me odologicamen e,es ea igoseca ac-
e iza po sua opção de pesquisa quali a i a em unção de melho se
adequa aos obje i os p opos os, p o undamen e sus en ados pelo e-
e encial eó ico escolhido, mas ambém com o e inculação à eali-
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dade empí ica que subsidia o alcance do obje i o p incipal do aba-
lho,queé iden i ica aspe cepçõessociaisen ol idasnade inição dos
AR.Nessesen ido,apesquisaempí ica ealizadanão e eain enção
daquan i icaçãode quaisque dados, mas, pela análise dos depoimen-
osquese e e emà ealidadequecadaumdosdoisg upospa icipan-
es i encia em seu dia a dia, explo a o conjun o de opiniões e ep e-
sen ações que cada um possui sob e o ema abo dado. Também não se
p e endeu aze qualque ipodegene alizaçãocombase nas in o ma-
ções ecolhidas com os sujei os da pesquisa como algum ipo de amos-
agem signi ica i a ou ep esen a i a de de e minada população.
Assim, pa a a explo ação si uada, ealiza am-se isi as de campoa di-
e sosARdosmunicípiosdeCe an esedeGui i iz,ambosdaComu-
nidade Au ônoma da Galícia (Quad o 1) e elabo a am-se en e is as
acompanhadas de egis os o og á icos e ídeos. O pe il dos en e-
is ados quan o às suas a i idades p o issionais é desc i o como: un-
cioná io público, ex-polí ico, pad e, p op ie á io de comé cio, emp e-
gado de comé cio e ag icul o .
Quad o 1
Iden i icação e Localização dos AR pa a Cole a de Dados pa a Explo ação in si u
Município Pa óquia do AR Nome do AR Ca ego ia de Análise do
AR
Ce an es
San Román de Ce an es San Román Capi al adminis a i a
San Fiz de Donís
Pio nedo Maio ep esen a i idade
his ó ica
Mo ei a Maio ia de mo adias
adicionais
San iago de Ce eixedo
Cabañas An iguas Polo de abalho
Campo da B aña Maio ia de mo adias
no as
Gui i iz
San Mamede de Ped a i a Os Co edoi os Maio ep esen a i idade
his ó ica
San Ped o de Píga a Vimiei o Maio ia de mo adias
adicionais
San Ma iña de Lagos elle Len emil Maio ia de mo adias
no as
San a Eulalia de Ma iz Viladonega Polo de abalho
Fon e: Elabo ação dos au o es, a pa i da desc ição dos municípios analisados.
Uma ezquesep e endeconhece comoosAR ême oluídoequais
são os elemen os espaciais u ilizados po seus habi an es pa a delimi-
Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o...
DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 719
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Sob e o espaço u al, os en e is ados indicam a paisagem como um
elemen o-cha e no desen ol imen o de a i idades socioeconômicas,
dada a impo ância que o u ismo de na u eza pode assumi , desde
que p ese ando o modo de ida dos habi an es, po que conside am a
ida na comunidade como saudá el. Ape da de população associada
àescassezcada ezmaio de anspo epúblicopa aacessoase iços
localizados sob e udo em á eas u banas p o oca um sen imen o de
isolamen o nos en e is ados e a sensação de que os AR são luga es
a ualmen ecompoucaimpo âncianasociedadea ual,oque oiconsi-
de ado como nega i o. Apon am soluções quan o ao u u o da comu-
nidade u al pela necessidade de conside a os espaços u ais como
á eas p o egidas e/ou pa ques na u ais, o que pode á c ia emp egos
associados ao u ismo, uma ez que a comunidade u al conhece as
suas necessidades e po isso ambém apela pa a um maio p o agonis-
mo nas ações de planejamen o ealizadas pa a o espaço u al.
Sob e delimi a o AR, os en e is ados classi icam posi i amen e o
a odeosassen amen osse emluga escomhis ó iaeque,po an o,as
casas an igas e cons uções e nog á icas – como são as palhoças – de-
em se conse adas e p o egidas, a é po que são a o es de a ação
pa a quem isi a. Iden i icam os AR pela p oximidade das casas e po
um luga cen al u ilizado como local de eunião e de a i idades. De
o manega i aa aliamquesecons óiem e enosbonspa acul i oe
longe das ias. Quando exis em á eas p o egidas e se p e ende cons-
ui ,oplanejamen oédi icul adopo con ade es içõesdedis âncias
que, não a endendo às necessidades dos habi an es, o o nam ine i-
cien e. As soluções ap esen adas iden i icam a di e ença en e á eas
no as e á eas an igas do AR como uma e e ência ao alo adicional
queéimpo an ep ese a ,alémdequeosno osedi íciosde emse
adjacen es ou p óximos das ias de acesso. Is o acili a a in eg ação no
espaço do AR e a o ganização de di e en es zonas. O planejamen o
de e se mais pa icipa i o no sen ido de maio en ol imen o da co-
munidade pa a exp essa as suas necessidades.
O mapa men al (Figu a 2), enquan o exe cício apela i o a uma memó-
ia social esponsá el pela es u u ação dos sis emas socioespaciais
(Domingues, 1999), mos a uma p opos a de delimi ação do AR di i-
dida em duas á eas, is o é, no e e sul. Os habi an es os classi icam
como“olado de cima” e“oladode baixo” e iden i icam,numap imei-
a ase, edi ícios ep esen a i os de pode es polí icos ou públicos, as-
simcomo de unções, aiscomo:o edi íciodoconselho,oda associação
de desen ol imen o local, a escola e a ig eja. Numa segunda ase, en-
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con am-seosedi ícioscoma i idadeeconômica,comosãoobancoeo
ho el/ca é, seguindo-se dos edi ícios com ca á e e alo his ó ico,
como são as palhoças. Exis em di e enças no uso des es edi ícios, além
de ep esen a emdi e en espad õessociaisdeap op iaçãodoespaço.
Es a sequência é acompanhada de egis os g á icos, na en a i a de
ag upa es esedi ícios emconjun odepolígonos.Numa aseseguin e,
classi icamas i endasno asaosuldoARcomo i endasdi e en es
das an igas associadas ao e mo “ adicional” e assinalam como um
conjun oedi icado.Combase nes as di e enças,dis inguemospolígo-
Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o...
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Figu a 2
Delimi ações dos Habi an es En e is ados no AR de San Roman de Ce an es
Fon e: Elabo ação dos au o es, com base nas espos as das en e is as.
nos en e adicional ou no o e pos e io men e desenham a delimi a-
çãodoARpo iden i icaçãodezonas,a ibuindonomedeá ea adi
-
cional ou á ea no a.
Em elação à endência de e olução dos AR (G á ico 1), obse a-se
que,na p imei a ques ão, osen e is adosdesc e emcomoe a eoque
ca ac e iza a o AR de o ma ge al com uma pe spec i a posi i a,
quando iden i icam suas ca ac e ís icas nopassado. Desc e em os AR
comoluga esessencialmen edea i idadeag ícolaecomumapopula-
ção equilib ada em e mos de aixas e á ias. Naquela época ha ia
jo ens e abalho pa a mui a gen e. Na segunda ques ão, sob e a des-
c içãodoes adoa ualeoqueca ac e izaoAR,45%das espos asap e-
sen am uma pe spec i a posi i a. De 20 anos a ás a é o p esen e,
ainda que haja melho in aes u u a e melho es ias de comunicação,
a i mam, quando se e e em à escassez de anspo e público e à con-
cen açãodese içosemá eas u banas, que isso empio ado.Quando
se ques iona sob e o que é necessá io melho a no AR, apenas 35% das
espos as e elam uma pe spec i a posi i a, ou seja, a maio ia iden i-
ica as necessidades de melho a desde uma pe spec i a nega i a.
Pa a os habi an es, os AR necessi am de incen i os econômicos pa a
p ese açãodopa imônioedi icadoe,assim, alo iza oseu alo
his ó ico. Na úl ima ques ão, des inada à exposição de cená ios u u-
os pa a o desen ol imen o do AR, 80% das espos as indicam uma
pe spec i a nega i a quan o ao u u o dos AR. Indicam que não há u-
u o, pois não há gen e, nem abalho, e comen am que exis em casas
azias ans o mando-se em uína, o que signi ica o abandono do es-
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G á ico 1
Tendência de E olução dos AR
Fon e: Elabo ação dos au o es, com base nas espos as das en e is as.
paço u al. Cons a am a di iculdade em come cializa p odu os locais
ea al adep omoçãodeeconomialocal,a i mandoqueassimnãoexis-
e possibilidade u u a pa a gen e no a i e em á eas u ais. O esul-
ado das qua o ques ões no seu conjun o mos a, numa análise espa-
ço- empo al, uma endência nega i a po pa e dos en e is ados
sob e como os AR êm e oluído em e mos de desen ol imen o espa-
cial, bem como no que diz espei o às necessidades de melho a e às ex-
pec a i as quan o ao u u o dos AR.
Os esul ados da explo ação in e na e das espos as do ques ioná io
co esponden es às ês p imei as ques ões são ap esen ados nos dia-
g amas de Venn (Figu a 3). Sob e a p imei a ques ão (elemen os que
ca ac e izam os AR a ualmen e), o diag ama de Venn ap esen a como
posi i os a alo ização da paisagem e cul i os pa a au oconsumo; e
como nega i os o p edomínio da ag icul u a, poucas esidências e
uma população en elhecida. As cons uções an igas, edi icação e pai-
sagemdeso denada são conside ados como nega i os mas com meno
ele ância. Os elemen osposi i os iden i icados es ão elacionadosao
cul i o de au oconsumo, bem como à paisagem, que de em se alo i-
zados po ep esen a em a iden idade u al. Os p incipais elemen os
iden i icadoscomonega i os,aoassocia emop edomíniodaag icul-
u a a uma população en elhecida, indicam a di iculdade do desen-
ol imen o u al.
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Figu a 3
Elemen os que Ca ac e izam os AR A ualmen e
Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io aos écnicos.
Sob eosp incipaisp oblemasquea e amosAR(segundaques ão),
iden i icam-se, a a és do diag ama de Venn (Figu a 4), como di icul-
dades, o acesso à e a e à cul u a u al; e como p oblemas, a escassez
dese iços, uma in aes u u a p ecá iaea al a de emp ego.Também
comop oblemasquea e amoAR,mascommeno ele ância,iden i i-
cam-se o isolamen o, a i idades ag ícolas e a expansão da ag oindús-
ia.Osp incipaisp oblemasmencionadosdizem espei osob e udoa
ques ões elacionadas com a a i idade econômica de base e se iços
a e ando os AR po al a de mul i uncionalidade, não exis indo e e-
ências a aspec os de o ganização espacial.
Em elaçãoacomode emes a o ganizadososplanosdosAR( e cei a
ques ão), o diag ama de Venn (Figu a 5) iden i ica como p incipais
expec a i as o equilíb io en e uncionalidade e conse ação da es u-
u a mo ológica do AR, assim como a alo ização da paisagem e de
adições cul u ais, além de melho es se iços públicos. Com meno
impo ância quan o à expec a i a, iden i ica-se que os planos de o de-
namen o de em associa medidas de p o eção e que as edi icações de-
emsein eg a coma na u eza.Auni o midadea a ésde umpad ão
de cons uçãoe a al e ação do eduzido amanho daspa celas sãoa a-
liadas com mínima expec a i a quan o à possibilidade de se ealiza .
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Figu a 4
P incipais Ques ões/P oblemas que A e am/In e êm nos AR
Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io aos écnicos.
Iden i ica-se com maio expec a i a o alo adicional e paisagís ico,
associado à sua uncionalidade e conse ação, como elemen o o gani-
zado no planejamen o do AR.
Daqua aques ão esul aodesenhodeumplanodeARnoqualse
ap esen am elemen os espaciais que os pa icipan es conside am co-
mo impo an es e ep esen a i os pa a um AR. Acomposição g á ica é
o esul ado de como in e p e am esses elemen os. Iden i icam-se uma
es u u a de ias o gânicas e uma p aça ao sul com edi ícios no seu en-
o no.Aoles e,odesenhoda iaacompanhaumconjun odecasascom
á eas de cul i o de au oconsumo, dis ibuídas em pa es com o mas
i egula es. Ao no e, as casas êm edi ícios de maio dimensão pa a
apoio às a i idades ag opecuá ias. No lado oes e, há uma ig eja e uma
á ea ec ea i a. É sob e udo uma o ganização não o ogonal, em que
a á ea edi icada não é con ígua, incluindo uma p aça, uma ig eja e
uma á ea ec ea i a como espaços de a i idades sociais cole i as.
DISCUSSÃO DO DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO DOS
ASSENTAMENTOS RURAIS
Com elação aos esul ados expos os na explo ação in si u – especi ica-
men e quan o à paisagem, ao con a o com a na u eza e a um maio en-
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Figu a 5
TiposdeO ganizaçõesdePlanosdeAR
Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io.

ol imen oda comunidade u al noplanejamen o u al como umaso-
lução –, pode-se dize que exp imem a dis ância en e a comunidade e
os écnicos de planejamen o na ho a de elabo a p oje os e planos de
o denamen o e i o ial. Es a dis ância pode explica a pouca ecep i-
idade po pa e das comunidades locais quando lhes são ap esen a-
dos planos ge ais de o denamen o municipal, jus amen e po que o
p odu o inal ap esen ado não e e ação pa icipa i a da população
em seu desen ol imen o, nem a possibilidade de alguma omada de
decisão.As espos asàsduasúl imaspe gun aseasua endênciane
-
ga i a explicam em pa e es a dis ância quan o à pa ilha e pa icipa-
ção do conhecimen o local nos planos de planejamen o e e enciados
an e io men e.
Sob e delimi a o AR, os habi an es ap esen am a de esa da p ese a-
ção dos edi ícios adicionais his ó icos, o es abelecimen o de di e en-
çasde unçõespo edi ício,alémdequeoARde e e osedi íciosag u-
pados. Es as ca ac e ís icas iden i icadas ep esen am em pa e as
e e ências espaciais e os limi es ísicos do AR pa a os habi an es, que,
segundo o mapa men al ob ido, são conjun os de edi ícios ag upados
en esiassociadosazonasouá eassegundoa unçãodessesg uposde
edi ícios. Quando azem e e ência à ine iciência do planejamen o, es-
abelecemuma elaçãoen e a in enção decons ui algum ipo de edi-
ício no o com a á ea de in luência ou de p o eção de um edi ício com
classi icação po sua condição his ó ica. Es a ine iciência de e-se ao
a o que o planejamen o não a ende às necessidades dos habi an es.
Ainda que conco dem com a p o eção de bens his ó icos, o planeja-
men o não de e se , nesses casos, um ins umen o de p oibição, pelo
a o de não cump i uma dis ância mínima ixa.
Ap opos ade delimi açãonomapamen alilus a a di e ençacla aen-
eá easno asean igaspa aoshabi an essob eoAR.Is opo queeles
iden i icamos ma e iaisesis emascons u i osdosedi íciosa ibuin-
doum alo his ó icosegundooseu empoecomo ep esen açãoso
-
cial de uma época do passado. Es e mé odo, ainda que indique uma
pa icipaçãoa i adacomunidade u alpo meioda qual é possí el e-
gis a e ilus a p oblemas, necessidades e expec a i as quan o ao es-
paço que a e a os habi an es, não é su icien e pa a a desejada pa ilha
do conhecimen o da comunidade u al pa a com a écnica. Um plane-
jamen omaise icien ede e áse po umapa icipaçãoa i acon ínua,
demanei aqueambososg upossociaiscons uamump ocessode
comunicação po colabo ação e não po imposição, no sen ido de de-
sen ol e em sine gias sociais em longo p azo.
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A endência nega i a das espos as nas qua o pe gun as, desde o pe-
íodopassadoa éo u u o,explicaumape spec i acé icasob eae o
-
lução do espaço u al com base na pe da de alo es sociocul u ais e
econômicos impo an es pa a os habi an es. Segundo a comunidade
u al, o a o de exis i em mui os se iços públicos (escolas e cuidados
de saúde) nas á eas u banas emde imen o das u ais, bem como o e-
duzido anspo e público pa a acesso às á eas u banas, ou seja, pa a
acesso a esses mesmos se iços, é in e p e ado como um p oblema e,
ao mesmo empo, como uma esponsabilidade que as á eas u banas
de em e pa a com as á eas u ais, de manei a a ga an i em que esses
se iços sejam pa a odos.
Daexplo açãoin e na ei acomos écnicos, a a aliação posi i ada a-
lo ização da paisagem e de cul i os pa a au oconsumo, e nega i a do
p edomíniodaag icul u a,assimcomo depoucas esidências,expõea
al adea i idadeseconômicasalémdaag ícolaesuanecessidade
pa a um melho desen ol imen o u al. Pode-se in e p e a a necessi-
dade da mul i uncionalidade como uma possibilidade de espos a
pa a o desen ol imen o da comunidade u al. Sob e os elemen os
ep esen a i os do AR expos os, abo dam a uncionalidade e a conse -
ação da es u u a mo ológica sem especi ica di e enças na es u u-
a edi icada que con igu a espacialmen e o AR. Is o é explicado no de-
senho do plano de um AR, onde apenas exis e di e ença da ipologia
dosedi ícios.Nosdiag amasdeVenn,aoiden i ica emapaisagemeos
p odu os locais como posi i os, es ão a e e enciá-los como opo uni-
dades pa a o desen ol imen o econômico da comunidade u al que
es ão ao seu alcance, a é po que um dos p oblemas que iden i icam
com ên ase é a al a de emp ego. Quando os écnicos suge em a alo i-
zaçãodapaisagem,aconse açãodosedi íciosedaes u u amo oló-
gica dos AR, indicam-nas como possí eis o mas de desen ol imen o
pa a as necessidades da comunidade u al a que o planejamen o u al
de e esponde .
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Aoques iona a comunidade local e og upode écnicossob eoespaço
u al e como delimi a o AR, p e endia-se explo a as suas pe cepções
sociais, além de quais e como e am e e enciados os elemen os espa-
ciais em unção da sua in eg ação social. Analisando a explo ação in
si u em elação ao espaço u al e à delimi ação de AR, e i icam-se e-
e ências à á ea edi icada e à paisagem, assim como ao de e de se em
p o egidaseconse adas,comosoluçõesaodesen ol imen o u al,se
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a iculadas aos planos de p o eção. Es es elemen os iden i icados pe-
los habi an es como posi i os cons i uem opo unidades de desen ol-
imen o pa a a comunidade u al, desde que oco a um planejamen o
que esponda às necessidades eais dessa comunidade, e não apenas
numape spec i ade espos aaosin e essesenecessidadesdaá eau -
bana. O en ol imen o a i o da população local a a és demé odos de
pa icipação du an e o p ocesso de planejamen o, e no caso especí ico
deumplanoge aldeo denamen omunicipal,éen endidocomo un
-
damen alpa aacomunidade.Es e elacionamen odepa icipaçãoa i-
anoplanejamen omi igaosen imen odeisolamen oepe dado a
-
lo social que a comunidade u al possui.
A pouca população esiden e e a escassez de se iços e de anspo e
público pa a acede a á eas u banas concluem a pe spec i a nega i a
queoshabi an es êmquan oao u u odoespaço u al,ac escen ando
uma si uação de maio dependência da comunidade u al em elação
às á eas u banas. Es a maio dependência, associada ao isolamen o,
exp ime a sua eduzida capacidade de a uação como a o es pa icipa-
i os no planejamen o da comunidade u al, como, po exemplo, a a-
ésdosplanosge aisdeo denaçãomunicipal.Osins umen osdepla-
nejamen o u al de e iam e , no seu p ocesso de desen ol imen o,
uma ase de maio pa icipaçãoa i a da comunidade u al, a é po que
cons i uem um meio de desen ol imen o do espaço enquan o unção
sociale decoesãoda comunidade.Tal como oip opos o,os esul ados
ob idos pela pa icipação da comunidade u al a a és do mé odo do
mapa men al demons am uma ia in e média de pa icipação em que
oshabi an esexpuse amasuape cepçãosocialsob eosespaçosdoAR
e como se elacionam, daí a a ibuição de á eas segundo di e en es e-
p esen a i idades sociais do espaço.
Sob e a endência de e olução do AR e do espaço u al, os esul ados a
pa i das espos asob idas pe mi emconclui que exis e uma endên-
cia de c escimen o da pe spec i a nega i a no espaço empo al com-
p eendidoen eopassadoeo u u o.Quan oàp imei ape gun a,que
se e e eao empopassado,is oé,aoqueca ac e iza aecomoe aoAR
an igamen e, as espos as indicam uma maio po cen agem da pe s-
pec i a posi i a. Àmedida que se execu am as pe gun as em en e is-
a abe a, pe cebe-se a diminuição da pe spec i a posi i a, pelo que se
pode comp o a pelos esul ados da úl ima ques ão, sob e o u u o
dos AR. Es es dados, além de iden i ica em uma e olução na endên-
cia de pe spec i a, pe mi em conclui que os en e is ados se encon-
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am ou alo izam mais aspec os elacionados com a sua memó ia e
iden idadedopassadodoquecom a oseal e açõesqueacon ecemno
p esen e dos AR e do espaço u al. Es a iden idade a ei a às condições
de ida do passado, em ce a medida, explica a p oximidade que a po-
pulação esiden e no espaço u al a ibui à e a, ca ac e ís ica conhe-
cida e econhecida na Galícia como sociocul u al.
Pa a o g upo de écnicos, a p edominância da ag icul u a é en endida
como um p oblema, sendo que uma maio di e sidade de a i idades
econômicas ge a ia desen ol imen o u al, aduzindo-se num espa-
ço u al mul i uncional. A alo ização da paisagem é impo an e pa a
oespaço u alede ese in eg adanoplanejamen odeumAR.Em e
-
lação a um plano de AR, es e de e se uma es u u a o ogonal em que
a o ganização da es u u a edi icada se ealiza segundo a ia e uma
p aça, sendo es es elemen os de supo e à dis ibuição dos edi ícios.
Conclui-se que, pelo a o de os edi ícios não se emca ac e izados pela
sua di e ença ipológica, não se pe mi em es abelece di e enças en e
á eas ipológicas como adicionais ou no as, o que esul a numa dis-
ibuiçãoespaciallimi a i aquan oao alo adicionalehis ó icoque
um AR pode e .
Os esul ados ob idos po ambas as explo ações demons am uma
ap oximaçãosob eoqueca ac e izaosARequaissãoseusp oblemas.
Da mesma o ma, numa pe spec i a de expec a i a u u a, o elemen o
dapaisagemde ese en endidocomouma i oespacialesociala alo-
iza . Como p incipal di e ença en e as explo ações, demons a-se a
al a ou eduzida pa icipação no planejamen o po pa e da comuni-
dade local, cujo alo enquan o conhecimen o local não é econhecido
po pa e do g upo écnico. Ou seja, exis em pe spec i as semelhan es
iden i icadas como aspec os posi i os e nega i os, o que se pode a-
duzi numa ap oximação quan o a u u as ações de planejamen o; no
en an o, al a e é necessá io um ins umen o in e mediá io de pa ici-
pação a i a e que uncione como ligação en e a comunidade u al e a
écnica.
Des a o ma,énecessá ioqueasexplo açõessob eosdoisg uposdi e-
en es pe mi am, além das di e enças exis en es, ob e aspec os em
comumquan oàpe cepçãosocialdoespaço u aledecomodelimi a
um AR, de o ma a que o seu planejamen o seja um esul ado da in e-
g ação social de elemen os e ca ac e ís icas ele an es quan o ao seu
signi icado espacial. Nes e con ex o, jus i icam-se as duas abo dagens
sob eape cepçãosocialcomoumcon ibu oaoplanejamen o u al,e
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RESUMO
Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o e o
Planejamen o dos Assen amen os Ru ais: Os Casos dos Municípios de
Ce an es e Gui i iz na Galícia
Es e a igo ealiza uma análise social de a o es que in luenciam o desen ol i-
men o e o planejamen o dos núcleos populacionais u ais. Nesse sen ido, bus-
ca de e mina quais são e em que medida os obje os iden i icados exe cem in-
luênciano espaço u alenoseuâmbi o de a uação elacionadoscomoluga es
u ais. O obje i o é iden i ica a pe cepção social do espaço u al e do luga
desses núcleos u ais le ando em conside ação dois g upos sociais: a p óp ia
comunidade u al e um g upo de écnicos em planejamen o. Como me odolo-
gia, ealizou-se uma explo ação in si u associada a isi as e en e is as em
campo, bem como uma aplicação de ques ioná ios ao g upo de écnicos. Con-
clui-se que ambas as explo ações demons am p oximidades quan o às ca ac-
e ís icas dos assen amen os u ais e quan o aos seus p oblemas, bem como
conside amqueoselemen osdapaisagemde emse en endidoscomouma i-
o espacial e social no planejamen o des as á eas.
Pala as-cha e: pe cepção social; planejamen o u al; assen amen os u ais
ABSTRACT
Social Analysis o he Fac o s ha In luence he De elopmen and Planning
o Ru al Se lemen s: The Cases o he Municipali ies o Ce an es and
Gui i iz in Galiza
This a icle ca ies ou a social analysis o he ac o s ha in luence
de elopmen andplanningin u alpopula ionclus e s.In his ein, i seeks o
de e mine such ac o s and o wha ex en hose iden i ied in luence u al
space. The aim o his a icle is o iden i y he social pe cep ion o u al space
and he place o such u al clus e s aking in o conside a ion wo social
g oups: he u al communi y i sel and a g oup o planning echnicians. In
me hodological e ms, an on-si e explo a ion was ca ied ou in combina ion
wi h ieldwo k and in e iews. In addi ion, echnical wo ke s we e asked o
espond a su ey ques ionnai e. The a icle concludes ha bo h explo a ions
indica ed simila i y as o he cha ac e is ics o u al se lemen s and i s
p oblems, and ha landscape mus be conside ed a spa ial asse in planning
unde aken in hese a eas.
Keywo ds: social pe cep ion; u al planning; u al se lemen s
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RÉSUMÉ
Analyse Sociale des Fac eu s Agissan su le Dé eloppemen e
l’Aménagemen des Occupa ions Fonciè es Ru ales: Le Cas des Can ons de
Ce an es e Gui i iz en Galice
Dans ce e eche che, on examine des ac eu s sociaux qui in luencen
l’aménagemen e le dé eloppemen des noyaux des popula ions u ales. On
che che ainsi à dé e mine quels son les g oupes conce nés, leu deg é
d’in luencesu l’espace u ale leslimi esdeleu champd’ac ionsu ceslieux.
Il s’agi donc de dé ini la pe cep ion sociale de l’espace u al e du lieu de ces
noyaux, une ois p is en considé a ion deux g oupes sociaux: la communau é
u ale elle-même e le g oupe de echniciens en aménagemen . Comme
mé hodologie, on a p océdé à une enquê e su le e ain a ec isi es e
en e iens e on a ai empli des ques ionnai es pa les echniciens. On
conclu que les deux modes d’exploi a ion des données p ésen en des
simili udes aussi bien dans les ca ac é is iques des occupa ions onciè es
u ales quedans leu s p oblèmes; on elè e aussi que les élémen s du paysage
doi en ê eapp éhendéscommeunac i spa iale socialdansl’aménagemen
de ces zones.
Mo s-clés: pe cep ion sociale; aménagemen u al; occupa ions onciè es
u ales
RESUMEN
AnálisisSocialdelosFac o esqueIn luencianelDesa olloy laPlani icación
de los Asen amien os Ru ales: Los Casos de los Municipios de Ce an es y
Gui i iz en Galicia
Es e a ículo ealiza un análisis social de los ac o es que in luencian el desa -
ollo y la plani icación de los núcleos poblaciones u ales. Se busca, de es e
modo,de e mina cuáles son y en qué medida los obje os iden i icadoseje cen
in luencia en el espacio u al y en su ámbi o de ac uación elacionados como
luga es u ales.Elobje i odel abajoesiden i ica lape cepciónsocial del es-
pacio u al y del luga de esos núcleos u ales, eniendo en cuen a dos g upos
sociales:lap opiacomunidad u alyung upode écnicosenplani icación.En
é minos me odológicos, se ealizó una explo ación in si u asociada a isi as y
en e is as en campo, y se aplica on encues as al g upo de écnicos. Se con-
cluyequeambasexplo acionesdemues anp oximidadesenloquese e ie ea
las ca ac e ís icas de los asen amien os u ales y sus p oblemas, a la ez que
conside anqueloselemen os del paisaje debense en endidos como un ac i o
espacial y social en la plani icación de es as á eas.
Palab as cla e: pe cepción social; plani icación u al; asen amien os u ales
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