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Análise social dos fatores que influenciam o desenvolvimento e o planejamento de assentamentos rurais: os casos dos municípios de Cervantes e Guitiriz na Galícia

Barbosa Brandão, Vasco André; Santé Riveira, Inés; Crecente Maseda, Rafael; Ferreira Neto, José Ambrósio

Abstract

Este artigo realiza uma análise social de fatores que influenciam o desenvolvimento e o planejamento dos núcleos populacionais rurais. Nesse sentido, busca determinar quais são e em que medida os objetos identificados exercem influência no espaço rural e no seu âmbito de atuação relacionados como lugares rurais. O objetivo é identificar a percepção social do espaço rural e do lugar desses núcleos rurais levando em consideração dois grupos sociais: a própria comunidade rural e um grupo de técnicos em planejamento. Como metodologia, realizou-se uma exploração in situ associada a visitas e entrevistas em campo, bem como uma aplicação de questionários ao grupo de técnicos. Conclui-se que ambas as explorações demonstram proximidades quanto às características dos assentamentos rurais e quanto aos seus problemas, bem como consideram que os elementos da paisagem devem ser entendidos como um ativo espacial e social no planejamento destas áreas

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INTRODUÇÃO Es e a igo ealiza uma análise social de a o es que in luenciam o desen ol imen o e o planejamen o de núcleos populacionais u- ais, aqui a ados como assen amen os u ais. Nesse sen ido, busca de e mina quais são e em que medida os obje os iden i icados exce - cem in luência no espaço u al e no seu âmbi o de a uação elaciona- dos como luga es u ais. O obje i o oi iden i ica a pe cepção social do espaço u al e do luga de assen amen os u ais dos municípios de Ce an es e Gui i iz, le ando em conside ação dois g upos sociais: a p óp ia comunidade u al e um g upo de écnicos em planejamen o. Tendo em is a análises sob e o planejamen o das á eas u ais, es e es- udo inco po a em seu quad o eó ico de e e ência a pe cepção do es- paçosocialsegundoduascomunidadesdi e en es.Nessesen ido,con- side a os es udos sob e iden idade,cul u a,an opologiaememó ia galega. Também se undamen a em análises da es u u a u bana e u- al da Galícia que apoiam o supo e eó ico do es udo des a egião no sen ido de a e i as homogeneidades e as he e ogeneidades sociocul- u ais, o que pe mi e uma adequada comp eensão e i o ial. h p://dx.doi.o g/10.1590/00115258201422 711 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o e o Planejamen o de Assen amen os Ru ais: Os Casos dos Municípios de Ce an es e Gui i iz na Galícia Vasco And é Ba bosa B andão1 Inés San é Ri ei a2 Ra ael C ecen e Maseda3 José Amb ósio Fe ei a Ne o4 1P o esso na Escola Uni e si á ia e das A es de Coimb a. Coimb a, Po ugal. E-mail: [email p o ec ed]. 2P o esso a-associada da Uni e sidade de San iago de Compos ela. Lugo, Espanha. E-mail: [email p o ec ed]. 3P o esso -associado da Uni e sidade de San iago de Compos ela. Lugo, Espanha. E-mail: [email p o ec ed]. 4P o esso -associado II da Uni e sidade Fede al de Viçosa. Viçosa, Minas Ge ais, B asil. E-mail: [email p o ec ed]. DADOS–Re is a de Ciências Sociais,RiodeJanei o, ol.57,no3,2014,pp.711a744. Pa a es e es udo e como me odologia pa a ob e in o mações sob e o espaço u al e os assen amen os u ais, ealiza am-se, po um lado, uma explo ação in si u associada a isi as e en e is as em campo e, po ou o,umaexplo açãoin e naassociadaaumques ioná ioaog u- po de écnicos. Salien am-se, como conclusões e de aco do com os e- sul ados ob idos, que ambas as explo ações demons am p oximida- des quan o às ca ac e ís icas dos assen amen os u ais e quan o aos seus p oblemas, bem como conside am que os elemen os da paisagem de em se en endidos como um a i o espacial e social no planejamen- o des as á eas. PLANEJAMENTO E ÁREA RURAL Ao longo do século XX, as zonas u ais, em di e sas egiões do mundo e na Eu opa em especial, passa am po p ocessos que a e a am o seu desen ol imen o, de manei a posi i a e nega i a. O êxodo u al é um a o (Gui ado-González, 2008). Nos úl imos in e anos em oco ido uma al e ação na dis ibuição espacial do c escimen o populacional, num p ocesso que o na menos e iden e a di isão en e á eas u banas e u ais (Cohen, 2006), ainda que não exis a uma elação p opo cional na dis ibuição da população en e e i ó ios u ais e u banos na Eu opa e na maio pa e do mundo (Mancilla, Viladomiu e Gualla e, 2010). Uma ezque á easu banas eá eas u ais são unidades e i o iais que mu uamen ese in luenciam no desen ol imen o egional(Liu, Zhang e Zhang, 2009), é impo an e que o planejamen o do espaço u al con emple as necessidades da comunidade u al, ga an indo sua pa - icipação no p ocesso. A comunidade u al é espacialmen e ep esen- ada po assen amen os u ais (AR), que se con igu am como assen a- men os humanos de pequena escala com p edomínio de a i idades p odu i asassociadasao ipode uso dos ecu sosna u ais. Tal pa ici- pação e e e-seàinco po açãodoconhecimen olocaldascomunida - des u ais na omada de decisão em p oje os de planejamen o, is o que as á eas u ais es ão sob al e ação socio empo al em e mos de de- sen ol imen o social, econômico e ecnológico, especialmen e nas in- e açõesde á ioselemen osnãoquan i a i os que a e amodesen ol- imen o u al (Cáno es, Villa ino e He e a, 2006). No campo cien í ico, assis e-se ao aumen o da in luência de pe spec i- as cul u ais que u ilizam mé odos de in es igação quali a i os, in- 712 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas cluindo en e is as semies u u adas (Valencia-Sando al, Flande s e Kozak, 2010), g upos ocais e obse ação pa icipa i a (Woods, 2010), além de análises da condição social po compa ação (Sigaud, Rosa e Macedo, 2008). Nesse con ex o, exis em á ios mé odos aplicados ao planejamen o e ges ão dos ecu sos, como o obse ado na Tanzânia, em que habi an es ep esen an es de AR pa icipa am na ealização de um diagnós ico de pa icipação u al (Chambe s, 1994a). Pa a Chambe s (1994b), o po encial des e ins umen o es á numa pa icipa- ção p á ica e eó ica mais eal, o que possibili a a ob enção de esul a- dos mais obje i os e com maio possibilidade de aplicação e acei ação po pa edascomunidades.NoCanadá o amaplicadosques ioná ios aos esiden eslocaisdosARpa aiden i ica asamenidadesdemig a - ção da egião (Chipeniuk, 2008). Os ques ioná ios ambém são usados pa a ob e as pe cepções locais posi i as ou nega i as sob e á eas p o- egidasnoespaço u al(Alkan,Ko kmazeTolunay,2009) ou, segundo S ephenson (2007), pa a a de inição dos a o es-cha e na ob enção de um modelo de alo es cul u ais da paisagem. Exis em es udos que u ilizam diag amas de Venn como mé odo pa i- cipa i o (Mayoux e Chambe s, 2005) pa a ilus a e desc e e o gani- zações das comunidades u ais (Zane ell e Knu h, 2002), iden i ica a pe cepção dos di e en es indi íduos numa zona u al (Roa, Al a ez e Vélez, 2007) e iden i ica a p io idade dos p oblemas no desen ol i- men o u al(Maya,Pé ezeQuijano,2001),assimcomopa aanalisa as di e enças en e ins i uições como g upos sociais (Bah e al., 2003; Robinson, 2002), ou seja, pa a es abelece elações en e á ias pa es (Chambe s, 2007). Ou os es udos e e em-se ao uso de um sis ema de in o mação geog á ico como mé odo pa icipa i o pa a de e mina g uposdeobje os espaciais – como iasou edi ícios (Rochee Humeau, 1999), assim como pa a inco po a e mapea dados quali a i os no planejamen o como o ma de esol e necessidades e p oblemas dos habi an es (Cecca o e Snicka s, 2000), ainda que, a ualmen e, segundo Dennis(2006),épouco equen eainco po açãodesse ipodein o ma- ção nas ações de planejamen o. Mapas men ais ambém cons i uem um ins umen o de análise social do espaço, que po exibi em o econhecimen odeca ac e ís icasdoluga e de como o mesmo es á o - ganizado (Pocock, 1976), que pela iden i icação da p e e ência de á eas esidenciais ou de usos comuns (Thill e Sui, 1993), e que, pa a Rambaldi e al. (2006), se em pa a ep esen a a iden idade de uma comunidade. Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 713 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas No con ex o eu opeu há es udos que ealiza am ques ioná ios pa a a de inição do u al sob uma pe spec i a de ep esen ação social (Hal ac ee, 1995) e pa a a iden i icação da pe cepção da á ea esiden- cial delimi ada e sua de inição (Pacione, 1983). Também há ou os em que o am u ilizados mapas men ais pa a ob e os alo es sociais e as ca ac e ís icas de uma á ea iden i icados pelos habi an es, isando a possibilidade de se em emp egados num p ocesso de omada de decisão (Ty äinen, Mäkinen e Schippe ijn, 2007). Do mesmo modo, wo kshops e g upos ocais o am ealizados pa a elabo a cená ios u- u os com o obje i o de de e mina as al e ações no espaço u al da Escócia (Midgley e al., 2005). Especi icamen enocon ex odaEspanha e da ComunidadeAu ônoma da Galícia, há algumas in es igações que êm como e e ência eó ica es udos que abo dam a emá ica do e i ó io, suas al e ações e iden i- dade sociocul u al enquan o sociedade. F ades e González (2009) ana- lisam os p ocessos de al e ação e de desen ol imen o dos e i ó ios u ais eu opeus; Fe nández de Ro a (1991) analisa de e minados da- dos sob o ema cen al da iden idade de um po o e, em ou o abalho, e le e sob e a in es igação an opológica ealizada na Galícia (idem, 1992). A cons ução de iden idades cole i as pa a Pe ei o (2004) es á ime sa num p ocesso his ó ico de econs ução do passado no sen ido de man e e c ia a p óp ia iden idade. No seguimen o da iden idade dopo o,To esLunaeLoisGonzález(1992)es udamos egimesdehe- ança e di ei o de p op iedade da e a em casos de p o íncias do in e- io .Na egiãodaGalícia,eem elaçãoàe olução e i o ialen eou - bano e o u al, assis e-se a uma u banização social ge al no espaço (Fe as Sex o e Lois González, 1993). Sob e a e olução e i o ial dessa egião, Log oño e Lois González (1997) p ocu a am es abelece uma elação en e os enômenos de eo ganização espacial e o desen ol i- men o das á ias ases de indus ialização. Como se pode obse a , os es udos ap esen ados ocam-se num g upo social e em análises que p e endem e ela al e ações e iden idades e i o iais. Já o p esen e a igo ap esen a uma abo dagem que combi- na dois g upos sociais e explo a dois di e en es ipos de conhecimen o na pe cepção sob e os AR e sua delimi ação. No discu so da sociologia u al, a u alidade em es ado equen e- men e associada às in e - elações en e a baixa densidade demog á i- ca, o p edomínio da ag icul u a na es u u a p odu i a e as ca ac e ís- 714 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas icascul u ais(InsuaeCo ea,2007)associadasaoluga ,localidadeou egião como ca ego ias espaciais (Bæ enhold e Aa sæ he , 2002). De aco docomame odologiadaO ganizaçãopa aaCoope açãoeDesen- ol imen oEconômico(OCDE),a Espanha éclassi icadapo ês ipos de u alidade:li o aloupe iu bana,á eas u aisdoin e io compe i i- as e á eas u ais do in e io não compe i i as, endo mais de 47% do seu e i ó io conside ado como p edominan emen e u al (Be olini, Mon ana i e Pe agine, 2008). A Galícia é uma comunidade au ônoma onde coexis em á eas de cos a, mon anha e e as planas (Coimb a, 2011), sendo ca ac e izada pela p esença de AR dispe sos e com baixa densidade populacional (Ga cía-Lampa e, San é e C ecen e, 2010). Iden i ica-se uma dispe são e i o ial, ainda que com endência a se densi ica em alguns e i ó ios (San os Solla, 2012). Dado es e en- quad amen o geog á ico e a di e sidade mo ológica dos AR na Galí- cia como uma ca ac e ís ica de paisagem cul u al (Ma a-Olmo e Fe nández-Muñoz, 2010), delimi a a sua á ea é uma a e a complexa. As sucessi as al e ações dos c i é ios de delimi ação de AR nas leis do solo da Galícia colabo am pa a essa di iculdade (Ba bosa, San é e C ecen e, 2011). Uma ez que es es c i é ios se aplicam de igual modo a AR dis in os, não são le adas em con a as ca ac e ís icas espaciais, o mas de usos da e a, assim como os signi icados, a cul u a e a his ó ia dos luga es (Tuan,1991).O a,asnecessidadesdoshabi an esnãosãoa endidasna omada de decisão sob e a delimi ação dessas á eas, o que esul a num p oblema no planejamen o u al. ESPAÇO SOCIAL E SUAS PERCEPÇÕES O e mocomunidade,segundoLiepins(2000), emsido equen emen- e usado como signi icado de espaço social, o qual econhece o mas espaciais po elações sociais (Fe ei a, 2007), assimcomo os signi ica- dos e o alo de um luga , os quais são cons uídos ao longo do empo (Ba os,2000; Williamse al.,1992).Dadoqueoespaçoimplicaump o- cesso de signi icados (Me i ield, 1993), no sen ido de que um espaço social seja a cons ução de um p odu o social (Le eb e, 1984), a pe - cepção que a comunidade u al em dos luga es pode es a dissociada da pe cepção que o g upo de écnicos, esponsá el pela elabo ação de planejamen os, em dos mesmos, os quais são concebidos como á eas limi adas (Nogué, 1989). Manzo e Pe kins (2006) conside am impo - an e a in eg ação de á ias pe spec i as de análise no en endimen o Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 715 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas dos alo es da comunidade e como os signi icados do luga podem se mencionados e o alecidos na elabo ação do planejamen o. Sendo as- sim,comoacomunidade u alpodecon ibui comoa o pa icipa i o no deco e do p ocesso de planejamen o u al? Pe an e a ele ância da iden idade e i o ial (Saba ini, A enas e Núñez, 2011) e seu signi icado pa a os habi an es dos AR, o na-se im- po an equea delimi açãodoespaço espondaàs necessidadesiden i- icadas pelas comunidades, de o ma que o planejamen o seja in eg a- do de elaçõessocioespaciaisdoluga .Salien a-seoquão ele an eéa pa icipaçãosocial dos a o esnosp ocessos deplanejamen ode polí i- cas públicas e dos AR (Delgado e Lei e, 2011). Sil a e Figuei edo (2013) e e em-se à exis ência do alo simbólico como um a o a se conside ado no p ocesso de ees u u ação u al, dado que um dos maio es a o es condicionan es sob e os e i ó ios u ais na Eu opa são as ep esen ações ex e nas e suas consequências na u alidade, o que o na ele an e o es udo da pe cepção social de duas comunidades dis in as. Assim, uma ques ão complemen a à comunidade u al e ao g upo de écnicosde e se qualéa pe cepçãosocialquecadaum emdosAR,no sen idodeexplo a suape cepçãosocialsob eoespaço u aleadeli- mi açãodeAR.Ap esen ein es igação ealiza-senaComunidadeAu- ônomada Galícia, si uada nono oes edaEspanha,nosmunicípiosde Ce an es e Gui i iz (Figu a 1), onde o amen e is ados a comunida- de u al e um g upo de écnicos de planejamen o. AEspanhapossuiumaes u u aadminis a i a o madapo 17comu- nidades au ônomas c iadas na década de 1980 (Pe ei o e Vila , 2008), sendoa Galíciaumadelas.Todas êm ep esen açãopolí ica a a és de um go e no au ônomo. Galícia é o mada po qua o p o íncias, no- meadamen e Lugo, Ou ense, Co unha e Pon e ed a, sendo que as duas úl imas se inse em no Eixo A lân ico com limi e e i o ial pa a Po ugal.SegundooIns i u oGalegodeEs a ís ica(IGE),aGalícia em 2.781.498 habi an es, que se dis ibuem pelas p o íncias de Lugo, com 348.902; Ou ense, com 330.257; Pon e ed a, com 958.428; e Co unha, com 1.143.911 habi an es (IGE, 2012). Galícia em uma cul u a e iden i- dadeque nãoéuma ealidadees á ica,massim o mada po p ocessos de negociação social (Campos, 2004). 716 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Os municípios de es udo são di e en es en e si. Ce an es, município de ca ac e ís icas u ais a as ado de g andes cen os u banos, encon- a-se numa zona de mon anha onde p e alecem alguns assen amen- os u aiscomcons uçõessecula esdenominadaspalhoças, e elan - do uma p ese ação do seu pa imônio edi icado. T a a-se de um mu- nicípio com o es aízes u ais, as quais ainda são man idas po sua populacão. Gui i iz é um município de ca ac e ís icas mais u banas, localizado na zona de Te a Chá, comp eendida pelo cen o u bano de Gui i izepelaes u u a iá iaau oes adaquec uzaomunicípio,pe - mi indo sua acessibilidade a ou os cen os. Tendo em is a a paisagem, Campos (2006) ap esen a a in e essan e ques ão sob e as casas u ais o na em-se modelos pa a a conse ação das paisagens u ais galegas. Com elação à iden idade do espaço u- al galego, ainda que po ezes a dis ância en e aldeias seja cu a, os habi an es êm pe cepções di e en es – como é o caso de duas aldeias de Anca es es udadas po Rebo edo (1990) – po con a dos sucessi os acon ecimen os his ó icos em conjun o com as al e ações de e e ên- cias geog á icas e c enças, que azem com que as polulações locais Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 717 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Figu a 1 Localização dos Municípios de Gui i iz e Ce an es na Comunidade Au ônoma da Galícia Fon e: Elabo ação dos au o es. cons uam sua iden idade enquan o g upo ou comunidade. A ual- men e,ac isequeexis enomeio u alp oduz ans o mações ele an- es na lógica espacial e, consequen emen e, ans o mações socioeco- nômicas, al como acon ecem nas duas á eas de es udo (Valcá cel Ri ei o e San os Solla, 1997). AGalícia enquan o e i ó io u bano ap esen a, no en an o, di e enças conside á eis nas suas qua o p o íncias, sendo a localização e a mo - ologia a o es-cha e na análise do seu e i ó io (Co izas e Albe i, 1999). Asua a qui e u a é condicionada pelo luga que ocupa numde- e minando con ex o espacial (Fe nández de Ro a, 1990). As cidades de maio es dimensões localizam-se na zona li o al da Comunidade Au ônoma, o que pe mi e iden i ica uma dico omia en e a zona li o- al e a zona in e io da Galícia. Es a di e ença sob e a localização das es u u as u banas e le e-se no espaço u al onde se iden i icam á- ios ipos de espaços u ais o mados po di e enças de opog a ia, de p oximidade a cen os u banos e a in aes u u as de acessibilidade, assim como po di e enças sociocul u ais. No espaço u al da Galícia, opueblo ou aldea cons i ui um cen o ge ado de iden idade em espos- a a uma necessidade sociocul u al (Rebo edo, 1990), ainda que, se- gundo Lois González e To es Luna (1995), a u banização suponha a pola ização do c escimen o de espaços da Galícia ociden al e cos ei a em unção de alguns encla es do seu in e io egional. Temos como obje i o iden i ica a pe cepção social do espaço u al e doluga deARapa i dacomunidade u aledeumg upode écnicos em planejamen o. Pos e io men e, analisa emos a alo ação social de seus elemen os ca ac e ís icos de o ma a de e mina a sua e olução e endênciadas alo açõespa ao ganiza edelimi a osARdaGalícia. A EXPLORAÇÃO DOS GRUPOS SOCIAIS Pa a ob e in o mação sob e o espaço u al e os AR, di idiu-se a in es- igaçãoemexplo açãoin si u eexplo açãoin e na, em unçãodeexis i- em dois g upos sociais dis in os. Dessa o ma, p ocu ou-se ob e os signi icados que os g upos a ibuem ao luga (Gie yn, 2000), além de, com esse p ocedimen o, ealiza uma abo dagem mais compa a i a e in eg ado a(Ma sden,1999).Me odologicamen e,es ea igoseca ac- e iza po sua opção de pesquisa quali a i a em unção de melho se adequa aos obje i os p opos os, p o undamen e sus en ados pelo e- e encial eó ico escolhido, mas ambém com o e inculação à eali- 718 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas dade empí ica que subsidia o alcance do obje i o p incipal do aba- lho,queé iden i ica aspe cepçõessociaisen ol idasnade inição dos AR.Nessesen ido,apesquisaempí ica ealizadanão e eain enção daquan i icaçãode quaisque dados, mas, pela análise dos depoimen- osquese e e emà ealidadequecadaumdosdoisg upospa icipan- es i encia em seu dia a dia, explo a o conjun o de opiniões e ep e- sen ações que cada um possui sob e o ema abo dado. Também não se p e endeu aze qualque ipodegene alizaçãocombase nas in o ma- ções ecolhidas com os sujei os da pesquisa como algum ipo de amos- agem signi ica i a ou ep esen a i a de de e minada população. Assim, pa a a explo ação si uada, ealiza am-se isi as de campoa di- e sosARdosmunicípiosdeCe an esedeGui i iz,ambosdaComu- nidade Au ônoma da Galícia (Quad o 1) e elabo a am-se en e is as acompanhadas de egis os o og á icos e ídeos. O pe il dos en e- is ados quan o às suas a i idades p o issionais é desc i o como: un- cioná io público, ex-polí ico, pad e, p op ie á io de comé cio, emp e- gado de comé cio e ag icul o . Quad o 1 Iden i icação e Localização dos AR pa a Cole a de Dados pa a Explo ação in si u Município Pa óquia do AR Nome do AR Ca ego ia de Análise do AR Ce an es San Román de Ce an es San Román Capi al adminis a i a San Fiz de Donís Pio nedo Maio ep esen a i idade his ó ica Mo ei a Maio ia de mo adias adicionais San iago de Ce eixedo Cabañas An iguas Polo de abalho Campo da B aña Maio ia de mo adias no as Gui i iz San Mamede de Ped a i a Os Co edoi os Maio ep esen a i idade his ó ica San Ped o de Píga a Vimiei o Maio ia de mo adias adicionais San Ma iña de Lagos elle Len emil Maio ia de mo adias no as San a Eulalia de Ma iz Viladonega Polo de abalho Fon e: Elabo ação dos au o es, a pa i da desc ição dos municípios analisados. Uma ezquesep e endeconhece comoosAR ême oluídoequais são os elemen os espaciais u ilizados po seus habi an es pa a delimi- Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 719 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Sob e o espaço u al, os en e is ados indicam a paisagem como um elemen o-cha e no desen ol imen o de a i idades socioeconômicas, dada a impo ância que o u ismo de na u eza pode assumi , desde que p ese ando o modo de ida dos habi an es, po que conside am a ida na comunidade como saudá el. Ape da de população associada àescassezcada ezmaio de anspo epúblicopa aacessoase iços localizados sob e udo em á eas u banas p o oca um sen imen o de isolamen o nos en e is ados e a sensação de que os AR são luga es a ualmen ecompoucaimpo âncianasociedadea ual,oque oiconsi- de ado como nega i o. Apon am soluções quan o ao u u o da comu- nidade u al pela necessidade de conside a os espaços u ais como á eas p o egidas e/ou pa ques na u ais, o que pode á c ia emp egos associados ao u ismo, uma ez que a comunidade u al conhece as suas necessidades e po isso ambém apela pa a um maio p o agonis- mo nas ações de planejamen o ealizadas pa a o espaço u al. Sob e delimi a o AR, os en e is ados classi icam posi i amen e o a odeosassen amen osse emluga escomhis ó iaeque,po an o,as casas an igas e cons uções e nog á icas – como são as palhoças – de- em se conse adas e p o egidas, a é po que são a o es de a ação pa a quem isi a. Iden i icam os AR pela p oximidade das casas e po um luga cen al u ilizado como local de eunião e de a i idades. De o manega i aa aliamquesecons óiem e enosbonspa acul i oe longe das ias. Quando exis em á eas p o egidas e se p e ende cons- ui ,oplanejamen oédi icul adopo con ade es içõesdedis âncias que, não a endendo às necessidades dos habi an es, o o nam ine i- cien e. As soluções ap esen adas iden i icam a di e ença en e á eas no as e á eas an igas do AR como uma e e ência ao alo adicional queéimpo an ep ese a ,alémdequeosno osedi íciosde emse adjacen es ou p óximos das ias de acesso. Is o acili a a in eg ação no espaço do AR e a o ganização de di e en es zonas. O planejamen o de e se mais pa icipa i o no sen ido de maio en ol imen o da co- munidade pa a exp essa as suas necessidades. O mapa men al (Figu a 2), enquan o exe cício apela i o a uma memó- ia social esponsá el pela es u u ação dos sis emas socioespaciais (Domingues, 1999), mos a uma p opos a de delimi ação do AR di i- dida em duas á eas, is o é, no e e sul. Os habi an es os classi icam como“olado de cima” e“oladode baixo” e iden i icam,numap imei- a ase, edi ícios ep esen a i os de pode es polí icos ou públicos, as- simcomo de unções, aiscomo:o edi íciodoconselho,oda associação de desen ol imen o local, a escola e a ig eja. Numa segunda ase, en- 726 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas con am-seosedi ícioscoma i idadeeconômica,comosãoobancoeo ho el/ca é, seguindo-se dos edi ícios com ca á e e alo his ó ico, como são as palhoças. Exis em di e enças no uso des es edi ícios, além de ep esen a emdi e en espad õessociaisdeap op iaçãodoespaço. Es a sequência é acompanhada de egis os g á icos, na en a i a de ag upa es esedi ícios emconjun odepolígonos.Numa aseseguin e, classi icamas i endasno asaosuldoARcomo i endasdi e en es das an igas associadas ao e mo “ adicional” e assinalam como um conjun oedi icado.Combase nes as di e enças,dis inguemospolígo- Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 727 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Figu a 2 Delimi ações dos Habi an es En e is ados no AR de San Roman de Ce an es Fon e: Elabo ação dos au o es, com base nas espos as das en e is as. nos en e adicional ou no o e pos e io men e desenham a delimi a- çãodoARpo iden i icaçãodezonas,a ibuindonomedeá ea adi - cional ou á ea no a. Em elação à endência de e olução dos AR (G á ico 1), obse a-se que,na p imei a ques ão, osen e is adosdesc e emcomoe a eoque ca ac e iza a o AR de o ma ge al com uma pe spec i a posi i a, quando iden i icam suas ca ac e ís icas nopassado. Desc e em os AR comoluga esessencialmen edea i idadeag ícolaecomumapopula- ção equilib ada em e mos de aixas e á ias. Naquela época ha ia jo ens e abalho pa a mui a gen e. Na segunda ques ão, sob e a des- c içãodoes adoa ualeoqueca ac e izaoAR,45%das espos asap e- sen am uma pe spec i a posi i a. De 20 anos a ás a é o p esen e, ainda que haja melho in aes u u a e melho es ias de comunicação, a i mam, quando se e e em à escassez de anspo e público e à con- cen açãodese içosemá eas u banas, que isso empio ado.Quando se ques iona sob e o que é necessá io melho a no AR, apenas 35% das espos as e elam uma pe spec i a posi i a, ou seja, a maio ia iden i- ica as necessidades de melho a desde uma pe spec i a nega i a. Pa a os habi an es, os AR necessi am de incen i os econômicos pa a p ese açãodopa imônioedi icadoe,assim, alo iza oseu alo his ó ico. Na úl ima ques ão, des inada à exposição de cená ios u u- os pa a o desen ol imen o do AR, 80% das espos as indicam uma pe spec i a nega i a quan o ao u u o dos AR. Indicam que não há u- u o, pois não há gen e, nem abalho, e comen am que exis em casas azias ans o mando-se em uína, o que signi ica o abandono do es- 728 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas G á ico 1 Tendência de E olução dos AR Fon e: Elabo ação dos au o es, com base nas espos as das en e is as. paço u al. Cons a am a di iculdade em come cializa p odu os locais ea al adep omoçãodeeconomialocal,a i mandoqueassimnãoexis- e possibilidade u u a pa a gen e no a i e em á eas u ais. O esul- ado das qua o ques ões no seu conjun o mos a, numa análise espa- ço- empo al, uma endência nega i a po pa e dos en e is ados sob e como os AR êm e oluído em e mos de desen ol imen o espa- cial, bem como no que diz espei o às necessidades de melho a e às ex- pec a i as quan o ao u u o dos AR. Os esul ados da explo ação in e na e das espos as do ques ioná io co esponden es às ês p imei as ques ões são ap esen ados nos dia- g amas de Venn (Figu a 3). Sob e a p imei a ques ão (elemen os que ca ac e izam os AR a ualmen e), o diag ama de Venn ap esen a como posi i os a alo ização da paisagem e cul i os pa a au oconsumo; e como nega i os o p edomínio da ag icul u a, poucas esidências e uma população en elhecida. As cons uções an igas, edi icação e pai- sagemdeso denada são conside ados como nega i os mas com meno ele ância. Os elemen osposi i os iden i icados es ão elacionadosao cul i o de au oconsumo, bem como à paisagem, que de em se alo i- zados po ep esen a em a iden idade u al. Os p incipais elemen os iden i icadoscomonega i os,aoassocia emop edomíniodaag icul- u a a uma população en elhecida, indicam a di iculdade do desen- ol imen o u al. Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 729 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Figu a 3 Elemen os que Ca ac e izam os AR A ualmen e Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io aos écnicos. Sob eosp incipaisp oblemasquea e amosAR(segundaques ão), iden i icam-se, a a és do diag ama de Venn (Figu a 4), como di icul- dades, o acesso à e a e à cul u a u al; e como p oblemas, a escassez dese iços, uma in aes u u a p ecá iaea al a de emp ego.Também comop oblemasquea e amoAR,mascommeno ele ância,iden i i- cam-se o isolamen o, a i idades ag ícolas e a expansão da ag oindús- ia.Osp incipaisp oblemasmencionadosdizem espei osob e udoa ques ões elacionadas com a a i idade econômica de base e se iços a e ando os AR po al a de mul i uncionalidade, não exis indo e e- ências a aspec os de o ganização espacial. Em elaçãoacomode emes a o ganizadososplanosdosAR( e cei a ques ão), o diag ama de Venn (Figu a 5) iden i ica como p incipais expec a i as o equilíb io en e uncionalidade e conse ação da es u- u a mo ológica do AR, assim como a alo ização da paisagem e de adições cul u ais, além de melho es se iços públicos. Com meno impo ância quan o à expec a i a, iden i ica-se que os planos de o de- namen o de em associa medidas de p o eção e que as edi icações de- emsein eg a coma na u eza.Auni o midadea a ésde umpad ão de cons uçãoe a al e ação do eduzido amanho daspa celas sãoa a- liadas com mínima expec a i a quan o à possibilidade de se ealiza . 730 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Figu a 4 P incipais Ques ões/P oblemas que A e am/In e êm nos AR Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io aos écnicos. Iden i ica-se com maio expec a i a o alo adicional e paisagís ico, associado à sua uncionalidade e conse ação, como elemen o o gani- zado no planejamen o do AR. Daqua aques ão esul aodesenhodeumplanodeARnoqualse ap esen am elemen os espaciais que os pa icipan es conside am co- mo impo an es e ep esen a i os pa a um AR. Acomposição g á ica é o esul ado de como in e p e am esses elemen os. Iden i icam-se uma es u u a de ias o gânicas e uma p aça ao sul com edi ícios no seu en- o no.Aoles e,odesenhoda iaacompanhaumconjun odecasascom á eas de cul i o de au oconsumo, dis ibuídas em pa es com o mas i egula es. Ao no e, as casas êm edi ícios de maio dimensão pa a apoio às a i idades ag opecuá ias. No lado oes e, há uma ig eja e uma á ea ec ea i a. É sob e udo uma o ganização não o ogonal, em que a á ea edi icada não é con ígua, incluindo uma p aça, uma ig eja e uma á ea ec ea i a como espaços de a i idades sociais cole i as. DISCUSSÃO DO DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO DOS ASSENTAMENTOS RURAIS Com elação aos esul ados expos os na explo ação in si u – especi ica- men e quan o à paisagem, ao con a o com a na u eza e a um maio en- Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 731 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas Figu a 5 TiposdeO ganizaçõesdePlanosdeAR Fon e: Elabo ação dos au o es, com base na explo ação in e na/ques ioná io. ol imen oda comunidade u al noplanejamen o u al como umaso- lução –, pode-se dize que exp imem a dis ância en e a comunidade e os écnicos de planejamen o na ho a de elabo a p oje os e planos de o denamen o e i o ial. Es a dis ância pode explica a pouca ecep i- idade po pa e das comunidades locais quando lhes são ap esen a- dos planos ge ais de o denamen o municipal, jus amen e po que o p odu o inal ap esen ado não e e ação pa icipa i a da população em seu desen ol imen o, nem a possibilidade de alguma omada de decisão.As espos asàsduasúl imaspe gun aseasua endênciane - ga i a explicam em pa e es a dis ância quan o à pa ilha e pa icipa- ção do conhecimen o local nos planos de planejamen o e e enciados an e io men e. Sob e delimi a o AR, os habi an es ap esen am a de esa da p ese a- ção dos edi ícios adicionais his ó icos, o es abelecimen o de di e en- çasde unçõespo edi ício,alémdequeoARde e e osedi íciosag u- pados. Es as ca ac e ís icas iden i icadas ep esen am em pa e as e e ências espaciais e os limi es ísicos do AR pa a os habi an es, que, segundo o mapa men al ob ido, são conjun os de edi ícios ag upados en esiassociadosazonasouá eassegundoa unçãodessesg uposde edi ícios. Quando azem e e ência à ine iciência do planejamen o, es- abelecemuma elaçãoen e a in enção decons ui algum ipo de edi- ício no o com a á ea de in luência ou de p o eção de um edi ício com classi icação po sua condição his ó ica. Es a ine iciência de e-se ao a o que o planejamen o não a ende às necessidades dos habi an es. Ainda que conco dem com a p o eção de bens his ó icos, o planeja- men o não de e se , nesses casos, um ins umen o de p oibição, pelo a o de não cump i uma dis ância mínima ixa. Ap opos ade delimi açãonomapamen alilus a a di e ençacla aen- eá easno asean igaspa aoshabi an essob eoAR.Is opo queeles iden i icamos ma e iaisesis emascons u i osdosedi íciosa ibuin- doum alo his ó icosegundooseu empoecomo ep esen açãoso - cial de uma época do passado. Es e mé odo, ainda que indique uma pa icipaçãoa i adacomunidade u alpo meioda qual é possí el e- gis a e ilus a p oblemas, necessidades e expec a i as quan o ao es- paço que a e a os habi an es, não é su icien e pa a a desejada pa ilha do conhecimen o da comunidade u al pa a com a écnica. Um plane- jamen omaise icien ede e áse po umapa icipaçãoa i acon ínua, demanei aqueambososg upossociaiscons uamump ocessode comunicação po colabo ação e não po imposição, no sen ido de de- sen ol e em sine gias sociais em longo p azo. 732 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas A endência nega i a das espos as nas qua o pe gun as, desde o pe- íodopassadoa éo u u o,explicaumape spec i acé icasob eae o - lução do espaço u al com base na pe da de alo es sociocul u ais e econômicos impo an es pa a os habi an es. Segundo a comunidade u al, o a o de exis i em mui os se iços públicos (escolas e cuidados de saúde) nas á eas u banas emde imen o das u ais, bem como o e- duzido anspo e público pa a acesso às á eas u banas, ou seja, pa a acesso a esses mesmos se iços, é in e p e ado como um p oblema e, ao mesmo empo, como uma esponsabilidade que as á eas u banas de em e pa a com as á eas u ais, de manei a a ga an i em que esses se iços sejam pa a odos. Daexplo açãoin e na ei acomos écnicos, a a aliação posi i ada a- lo ização da paisagem e de cul i os pa a au oconsumo, e nega i a do p edomíniodaag icul u a,assimcomo depoucas esidências,expõea al adea i idadeseconômicasalémdaag ícolaesuanecessidade pa a um melho desen ol imen o u al. Pode-se in e p e a a necessi- dade da mul i uncionalidade como uma possibilidade de espos a pa a o desen ol imen o da comunidade u al. Sob e os elemen os ep esen a i os do AR expos os, abo dam a uncionalidade e a conse - ação da es u u a mo ológica sem especi ica di e enças na es u u- a edi icada que con igu a espacialmen e o AR. Is o é explicado no de- senho do plano de um AR, onde apenas exis e di e ença da ipologia dosedi ícios.Nosdiag amasdeVenn,aoiden i ica emapaisagemeos p odu os locais como posi i os, es ão a e e enciá-los como opo uni- dades pa a o desen ol imen o econômico da comunidade u al que es ão ao seu alcance, a é po que um dos p oblemas que iden i icam com ên ase é a al a de emp ego. Quando os écnicos suge em a alo i- zaçãodapaisagem,aconse açãodosedi íciosedaes u u amo oló- gica dos AR, indicam-nas como possí eis o mas de desen ol imen o pa a as necessidades da comunidade u al a que o planejamen o u al de e esponde . CONSIDERAÇÕES FINAIS Aoques iona a comunidade local e og upode écnicossob eoespaço u al e como delimi a o AR, p e endia-se explo a as suas pe cepções sociais, além de quais e como e am e e enciados os elemen os espa- ciais em unção da sua in eg ação social. Analisando a explo ação in si u em elação ao espaço u al e à delimi ação de AR, e i icam-se e- e ências à á ea edi icada e à paisagem, assim como ao de e de se em p o egidaseconse adas,comosoluçõesaodesen ol imen o u al,se Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 733 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas a iculadas aos planos de p o eção. Es es elemen os iden i icados pe- los habi an es como posi i os cons i uem opo unidades de desen ol- imen o pa a a comunidade u al, desde que oco a um planejamen o que esponda às necessidades eais dessa comunidade, e não apenas numape spec i ade espos aaosin e essesenecessidadesdaá eau - bana. O en ol imen o a i o da população local a a és demé odos de pa icipação du an e o p ocesso de planejamen o, e no caso especí ico deumplanoge aldeo denamen omunicipal,éen endidocomo un - damen alpa aacomunidade.Es e elacionamen odepa icipaçãoa i- anoplanejamen omi igaosen imen odeisolamen oepe dado a - lo social que a comunidade u al possui. A pouca população esiden e e a escassez de se iços e de anspo e público pa a acede a á eas u banas concluem a pe spec i a nega i a queoshabi an es êmquan oao u u odoespaço u al,ac escen ando uma si uação de maio dependência da comunidade u al em elação às á eas u banas. Es a maio dependência, associada ao isolamen o, exp ime a sua eduzida capacidade de a uação como a o es pa icipa- i os no planejamen o da comunidade u al, como, po exemplo, a a- ésdosplanosge aisdeo denaçãomunicipal.Osins umen osdepla- nejamen o u al de e iam e , no seu p ocesso de desen ol imen o, uma ase de maio pa icipaçãoa i a da comunidade u al, a é po que cons i uem um meio de desen ol imen o do espaço enquan o unção sociale decoesãoda comunidade.Tal como oip opos o,os esul ados ob idos pela pa icipação da comunidade u al a a és do mé odo do mapa men al demons am uma ia in e média de pa icipação em que oshabi an esexpuse amasuape cepçãosocialsob eosespaçosdoAR e como se elacionam, daí a a ibuição de á eas segundo di e en es e- p esen a i idades sociais do espaço. Sob e a endência de e olução do AR e do espaço u al, os esul ados a pa i das espos asob idas pe mi emconclui que exis e uma endên- cia de c escimen o da pe spec i a nega i a no espaço empo al com- p eendidoen eopassadoeo u u o.Quan oàp imei ape gun a,que se e e eao empopassado,is oé,aoqueca ac e iza aecomoe aoAR an igamen e, as espos as indicam uma maio po cen agem da pe s- pec i a posi i a. Àmedida que se execu am as pe gun as em en e is- a abe a, pe cebe-se a diminuição da pe spec i a posi i a, pelo que se pode comp o a pelos esul ados da úl ima ques ão, sob e o u u o dos AR. Es es dados, além de iden i ica em uma e olução na endên- cia de pe spec i a, pe mi em conclui que os en e is ados se encon- 734 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas am ou alo izam mais aspec os elacionados com a sua memó ia e iden idadedopassadodoquecom a oseal e açõesqueacon ecemno p esen e dos AR e do espaço u al. Es a iden idade a ei a às condições de ida do passado, em ce a medida, explica a p oximidade que a po- pulação esiden e no espaço u al a ibui à e a, ca ac e ís ica conhe- cida e econhecida na Galícia como sociocul u al. Pa a o g upo de écnicos, a p edominância da ag icul u a é en endida como um p oblema, sendo que uma maio di e sidade de a i idades econômicas ge a ia desen ol imen o u al, aduzindo-se num espa- ço u al mul i uncional. A alo ização da paisagem é impo an e pa a oespaço u alede ese in eg adanoplanejamen odeumAR.Em e - lação a um plano de AR, es e de e se uma es u u a o ogonal em que a o ganização da es u u a edi icada se ealiza segundo a ia e uma p aça, sendo es es elemen os de supo e à dis ibuição dos edi ícios. Conclui-se que, pelo a o de os edi ícios não se emca ac e izados pela sua di e ença ipológica, não se pe mi em es abelece di e enças en e á eas ipológicas como adicionais ou no as, o que esul a numa dis- ibuiçãoespaciallimi a i aquan oao alo adicionalehis ó icoque um AR pode e . Os esul ados ob idos po ambas as explo ações demons am uma ap oximaçãosob eoqueca ac e izaosARequaissãoseusp oblemas. Da mesma o ma, numa pe spec i a de expec a i a u u a, o elemen o dapaisagemde ese en endidocomouma i oespacialesociala alo- iza . Como p incipal di e ença en e as explo ações, demons a-se a al a ou eduzida pa icipação no planejamen o po pa e da comuni- dade local, cujo alo enquan o conhecimen o local não é econhecido po pa e do g upo écnico. Ou seja, exis em pe spec i as semelhan es iden i icadas como aspec os posi i os e nega i os, o que se pode a- duzi numa ap oximação quan o a u u as ações de planejamen o; no en an o, al a e é necessá io um ins umen o in e mediá io de pa ici- pação a i a e que uncione como ligação en e a comunidade u al e a écnica. Des a o ma,énecessá ioqueasexplo açõessob eosdoisg uposdi e- en es pe mi am, além das di e enças exis en es, ob e aspec os em comumquan oàpe cepçãosocialdoespaço u aledecomodelimi a um AR, de o ma a que o seu planejamen o seja um esul ado da in e- g ação social de elemen os e ca ac e ís icas ele an es quan o ao seu signi icado espacial. Nes e con ex o, jus i icam-se as duas abo dagens sob eape cepçãosocialcomoumcon ibu oaoplanejamen o u al,e Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 735 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas TYRVÄINEN, Liisa; MÄKINEN, Ki si e SCHIPPERIJN, Jaspe . (2007), “Tools o Mapping Social Values o U ban Woodlands and O he G een A eas”. Landscape and U ban Planning, ol.79,n o1, pp. 5-19. VALCÁRCELRIVEIRO, Ca los e SANTOS SOLLA, Xosé M. (1997), “Tu ismo Ru al, Lin- gua e Desen ol emen o Local”, in G. Beni o e R. González (eds.), Ag icul u a y Socie- dad en la España Con empo anea. Mad id, Minis e io de Ag icul u a, Pesca y Alimen- ación/Cen o de In es igaciones Sociológicas, pp. 79-106. VALENCIA-SANDOVAL, Cecilia; FLANDERS, Da id e KOZAK, Robe . (2010), “Pa i- cipa o y Landscape Planning and Sus ainable Communi y De elopmen : Me hodo- logical Obse a ions om a Case S udy in Ru al Mexico”. Landscape and U ban Planning, ol.94,n o1, pp. 63-70. VAN DAM, F ank; HEINS, Saskia e ELBERSEN, Be ien. 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Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas RESUMO Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o e o Planejamen o dos Assen amen os Ru ais: Os Casos dos Municípios de Ce an es e Gui i iz na Galícia Es e a igo ealiza uma análise social de a o es que in luenciam o desen ol i- men o e o planejamen o dos núcleos populacionais u ais. Nesse sen ido, bus- ca de e mina quais são e em que medida os obje os iden i icados exe cem in- luênciano espaço u alenoseuâmbi o de a uação elacionadoscomoluga es u ais. O obje i o é iden i ica a pe cepção social do espaço u al e do luga desses núcleos u ais le ando em conside ação dois g upos sociais: a p óp ia comunidade u al e um g upo de écnicos em planejamen o. Como me odolo- gia, ealizou-se uma explo ação in si u associada a isi as e en e is as em campo, bem como uma aplicação de ques ioná ios ao g upo de écnicos. Con- clui-se que ambas as explo ações demons am p oximidades quan o às ca ac- e ís icas dos assen amen os u ais e quan o aos seus p oblemas, bem como conside amqueoselemen osdapaisagemde emse en endidoscomouma i- o espacial e social no planejamen o des as á eas. Pala as-cha e: pe cepção social; planejamen o u al; assen amen os u ais ABSTRACT Social Analysis o he Fac o s ha In luence he De elopmen and Planning o Ru al Se lemen s: The Cases o he Municipali ies o Ce an es and Gui i iz in Galiza This a icle ca ies ou a social analysis o he ac o s ha in luence de elopmen andplanningin u alpopula ionclus e s.In his ein, i seeks o de e mine such ac o s and o wha ex en hose iden i ied in luence u al space. The aim o his a icle is o iden i y he social pe cep ion o u al space and he place o such u al clus e s aking in o conside a ion wo social g oups: he u al communi y i sel and a g oup o planning echnicians. In me hodological e ms, an on-si e explo a ion was ca ied ou in combina ion wi h ieldwo k and in e iews. In addi ion, echnical wo ke s we e asked o espond a su ey ques ionnai e. The a icle concludes ha bo h explo a ions indica ed simila i y as o he cha ac e is ics o u al se lemen s and i s p oblems, and ha landscape mus be conside ed a spa ial asse in planning unde aken in hese a eas. Keywo ds: social pe cep ion; u al planning; u al se lemen s Análise Social dos Fa o es que In luenciam o Desen ol imen o... DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 743 Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas RÉSUMÉ Analyse Sociale des Fac eu s Agissan su le Dé eloppemen e l’Aménagemen des Occupa ions Fonciè es Ru ales: Le Cas des Can ons de Ce an es e Gui i iz en Galice Dans ce e eche che, on examine des ac eu s sociaux qui in luencen l’aménagemen e le dé eloppemen des noyaux des popula ions u ales. On che che ainsi à dé e mine quels son les g oupes conce nés, leu deg é d’in luencesu l’espace u ale leslimi esdeleu champd’ac ionsu ceslieux. Il s’agi donc de dé ini la pe cep ion sociale de l’espace u al e du lieu de ces noyaux, une ois p is en considé a ion deux g oupes sociaux: la communau é u ale elle-même e le g oupe de echniciens en aménagemen . Comme mé hodologie, on a p océdé à une enquê e su le e ain a ec isi es e en e iens e on a ai empli des ques ionnai es pa les echniciens. On conclu que les deux modes d’exploi a ion des données p ésen en des simili udes aussi bien dans les ca ac é is iques des occupa ions onciè es u ales quedans leu s p oblèmes; on elè e aussi que les élémen s du paysage doi en ê eapp éhendéscommeunac i spa iale socialdansl’aménagemen de ces zones. Mo s-clés: pe cep ion sociale; aménagemen u al; occupa ions onciè es u ales RESUMEN AnálisisSocialdelosFac o esqueIn luencianelDesa olloy laPlani icación de los Asen amien os Ru ales: Los Casos de los Municipios de Ce an es y Gui i iz en Galicia Es e a ículo ealiza un análisis social de los ac o es que in luencian el desa - ollo y la plani icación de los núcleos poblaciones u ales. Se busca, de es e modo,de e mina cuáles son y en qué medida los obje os iden i icadoseje cen in luencia en el espacio u al y en su ámbi o de ac uación elacionados como luga es u ales.Elobje i odel abajoesiden i ica lape cepciónsocial del es- pacio u al y del luga de esos núcleos u ales, eniendo en cuen a dos g upos sociales:lap opiacomunidad u alyung upode écnicosenplani icación.En é minos me odológicos, se ealizó una explo ación in si u asociada a isi as y en e is as en campo, y se aplica on encues as al g upo de écnicos. Se con- cluyequeambasexplo acionesdemues anp oximidadesenloquese e ie ea las ca ac e ís icas de los asen amien os u ales y sus p oblemas, a la ez que conside anqueloselemen os del paisaje debense en endidos como un ac i o espacial y social en la plani icación de es as á eas. Palab as cla e: pe cepción social; plani icación u al; asen amien os u ales 744 DADOS – Re is a de Ciências Sociais, Rio de Janei o, ol. 57, no3, 2014 Vasco And é Ba bosa B andão e al. Re is a Dados – 2014 – Vol. 57 no3 1ª Re isão: 01.08.2014 Clien e: Iesp – P odução: Tex os & Fo mas