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Contribuições de Gaston Bachelard ao ensino de ciências

Abstract

Starting from an analysis on Gaston Bachelard's epistemological work, a survey is made of his conceptions on the teaching-learning process in the physical sciences, with special emphasis on Chemistry, which is so frequently rejected by the students, for it is presented as a set of superposed facts devoid of rational coherence. Accomplising the criticism of continuous course of scientific history and structuring the psychoanalytical basis of the objective knowledge, Bachelard offers subsidies to the inquiries into the teacher, the student and the school roles, into teaching methods and into didatic books.

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Contribuições de Gaston Bachelard ao ensino de ciências

Author: Lopes, A. R. C.
Publisher: Dipòsit Digital de Documents de la UAB
Year: 1993
DOI: 10.5565/rev/ensciencias.4513
Source: https://ddd.uab.cat/pub/edlc/02124521v11n3/02124521v11n3p324.pdf
HISTORIA
Y
EPISTEMOLOG~A
DE LAS CIENCIAS
CONTRIBUICÓES DE GASTON BACHELARD
AO
ENSINO
DE
CIENCIAS
LOPES, A.R.C.
P o esso a de Físico-Química da Escola Técnica Fede al de Química do Rio de Janei o. Dou o anda na
Faculdade de Educas20 da Uni e sidade Fede al do Rio de Janei o.
SUMMARY
S a ing om an analysis on Gas on Bachela d's epis emological wo k, a su ey is made o his concep ions on he
eaching-lea ning p ocess in he physical sciences, wi h special emphasis on Chemis y, which is so equen ly
ejec ed by he s uden s, o i is p esen ed as a se o supe posed ac s de oid o a ional cohe ence. Accomplising he
c i icism o con inuous cou se o scien i ic his o y and s uc u ing he psychoanaly ical basis o he objec i e
knowledge, Bachela d o e s subsidies o he inqui ies in o he eache , he s uden and he school oles, in o eaching
me hods and in o dida ic books.
Gas on Bachela d, nascido no século
XIX
(1884) e
alecido no século
XX
(1962), i eu em um pe íodo de
cons ucoes e olucioná ias na ciencia -em especial a
eo ia da ela i idade e a mecanica quan ica- e de g an-
des mudancas na acionalidade humana, sabendo bem
como in e p e á-las. Nao pa a aze delas monumen o
c is alizado -as e dades pelas quais o homem semp e
abalhou-, analisando-as segundo es a u os do século
XIX,
mas, ao con á io, expondo odo seu ca á e de
ompimen o com o conhecimen o passado.
Es abeleceu-se, assim, como o ilóso o do descon inuís-
mo na aza0 e na his ó ia da ciencia, o necendo, semp e
de o ma polemica e ins igan e, subsídios pa a o ques io-
namen o dos dogma ismos e monismos cien í icos.
Po ou o lado, ainda que nao enha se dedicado a
esc e e nenhum li o a ando especi icamen e da edu-
cacao, Bachela d em oda sua ob a apon ou, de o ma
assis emá ica, pa a a ques ao do ensino. Sua p eocupacao
pedagógica dian e dos p oblemas cien í icos em á ios
momen os se az p esen e, u o inclusi e da sua p óp ia
i encia docen e, se e elando explíci a quando a i ma
se conside a mais p o esso que ilóso o (Bachela d
1975).
Esse conjun o de idéias nao compoe uma eo ia da
ap endizagem ou uma me odologia de ensino, mas en-
iquece sob emanei a a discussao com espei o ao pon-
o-de- is a epis emológico do ensino de ciencias ísicas
-no caso aqui com alguns comen á ios especialmen e
di igidos
h
química, á ea na qual a uamos-.
O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Pa a Bachela d (1975), na aplicacao de um espí i o a
ou o
é
que se em desco inado o p ocesso de ensino-
ap endizagem, es ando no a o de ensina a melho ma-
nei ade ap ende , de a alia a solidez de nossas con iccoes.
Assim sendo, o abalho educa i o consis e essencialmen e
em uma elacao dialógica, onde nao se dá apenas o
in e cambio de idéias, mas sua cons ucao. Nao exis em
espos as p on as pa ape gun as p e isí &s, mas acons an e
aplicacao do pensamen o pa a a elabo acao de um in e ex o.
Conseqüen emen e, a ap endizagem nao possui o ca á e
a ela a ibuído nos bancos escola es -pe ei a imagem
dos que se sen am pa a passi amen e e e ou i . Nao se
ap ende pelo acúmulo de in o maqoes; as in o macoes
só se ans o mam em conhecimen o na medida em que
modi icam o espí i o do ap endiz.
Segundo o epis emólogo ances, pa a se ap ende , e
aqui mais especi icamen e a amos do ap endizado de
ciencias ísicas,
é
p eciso ha e uma mudanca de cul u a
e de acionalidade, mudanca essa que, po sua ez,
é
ENSEÑANZA
DE
LAS
CIENCIAS,
1993, 11 (3), 324-330
HISTORIA
Y
EPISTEMOLOGÍA DE LAS CIENCIAS
conseqüencia ine en e ao ap endizado cien í ico. Nao
é
possí el se adqui i no a cul u a po inco po acao da
mesma aos aeos da emanescen e. Os hábi os in elec uais
inc us ados no conhecimen o nao ques ionado in a ia-
elmen e bloqueiam o p ocesso de cons ucao do no o
conhecimen o, ca ac e izando-se, po an o, segundo
Bachela d, como
obs áculos epis emológicos.
Bachela d, enquan o de enso do descon inuísmo da
azao, se mos a con á io a que se en e es abelece no
ensino pon es imaginá ias en e o conhecimen o comum
e o conhecimen o cien í ico. A acionalidade do conhe-
cimen o cien í ico
náo
é
um e inamen o da acionali-
dade do senso comum, mas, ao con á io, ompe com
seus p incípios, exige uma no a aza0 que se cons ói h
medida em que sao suplan ados os obs áculos epis e-
mológicos. Essa up u a impede o in ini o encadeamen o
de idéias como elos de uma co en e p oduzidos h se-
melhanca dos an e io es, isando o encaixe pe ei o.
Po an o, a ap endizagem de e se da con a um conhe-
cimen o an e io (Bachela d 1947), a pa i da descons-
uca0 desse conhecimen o. O aluno só i á ap ende se
lhe o em dadas az6es que o ob iguem a muda sua
azao, ha endo en ao a subs i uicao de um sabe echado
e es á ico po um conhecimen o abe o e dinamico.
Dai nao podemos conside a o ap endiz como « ábula
asa». Possui ele conhecimen os empí icos jácons i uídos
a pa i do senso comum e esses conhecimen os obs a-
culizam o conhecimen o cien í ico. A mudanea de cul-
u a
é
que, diale icamen e, de e mina e
é
de e minada
pela des uicao dos obs áculos epis emológicos ad in-
dos do co idiano, p omo endo assim a ap endizagem.
Exemplo disso es á na dispa idade en e as acionalidades
dos mundos mac oscópico e submic oscópico. No dia-a-
dia con i emos com os mais di e en es obje os pe cebidos
po nossos sen idos. Nossa nocáo de ealidade mac os-
cópica en ol e a o ma e o luga absolu os desses co -
pos. Po ou o lado, caso anspo emos essas mesmas
nocóes pa a o mundo submic oscópico elas passa ao a
se o que Bachela d (1965) denomina noc6es-obs ácu-
los: ca ega ao de imagens obje os de expe iencias écnicas
como os elé ons. Os co púsculos do mundo submic o-
ísico nao sao co pos pequenos: a am-se de coisas nao-
coisas (Bachela d 1965) pa a as quais nao se concebe
o ma ou luga , nos moldes dos obje os ao alcance de
nossas maos e de nosso olha .
Assim emos duas g andes ilusóes dos educado es: o
con inuísmo dos conhecimen os comum e cien í ico e a
c enca de se conhece a pa i do nada. Ao conside a -
mos que o conhecimen o cien í ico apenas amplia o
conhecimen o comum ou ao negamos a exis encia de
concei os p é ios sob e os mais di e en es assun os, nao
cuidamos pa a que os p econcei os e os e os das p imei as
concepcóes sejam debelados, en a amos no os conhe-
cimen os e c is alizamos alsos concei os.
Pa a aseando Bachela d (1947) ao aze e e encia ao
acionalismo, podemos dize que a ap endizagem nunca
comeca, semp e con inua, semp e des ói um conheci-
men o pa a cons ui ou o.
E se ensina
é
a melho manei a de ap ende , só ap ende
quem ensina. «Sabe
é
se capaz de ensina », a i ma
Bachela d (1972a), ci ando B unsch icg. Dessa o ma
se cons a a o emp eendimen o da ope acao dialógica:
pa a o ap endiz se capaci a a ensina
é
p eciso a econs-
uca0 do concei o a se ansmi ido. Isso só se á possí-
e1 com a o ganizacao coe en e do pensamen o. Nao há
ensino onde nao hou e ap endizagem, nao exis e a
passagem do concei o po me a epe icao do di o, como
in o macóes pe co endo uma co eia de ansmissao.
Daí Bachela d (1947) de ende a ans o macao do alu-
no em p o esso . Na a i idade de ecebe e ansmi i
conhecimen o, o pensamen o se i aliza, há a o macao
de espí i os diniimicos e au o-c í icos. Nao mais se
adqui e um concei o po me a cons a acao, ípica do
empi ismo, mas ele
é
ob ido po acionalizacao. Pa a
Bachela d (1
947), um ensino ecebido
é
psicologicamen e
um empi ismo, mas un ensino minis ado
é
psicologica-
men e um acionalismo.
A
FUNCÁO
DO
MESTRE
E como se á a uncao especí ica do p o esso ? Ve i ica-
mos que ele pode assumi o mais impo an e dos papéis,
se abalha de encon o
i
mobilizacao pe manen e da
cul u a, ou i a se um dos maio es obs áculos h
ap endizagem, caso se p enda ao dogma ismo. In eliz-
men e, emos que conco da com Bachela d (1947), se
pos u a eqüen e dos p o esso es na escola secundá ia a
de dis ibui conhecimen os e eme os e deso denados,
ma cados pelo signo da au o idade.
Na in ancia exis e a onisciencia dos pais, abusando de
seu pode sob e as c iancas, diz Bachela d (1975), co-
me endo absu dos psicológicos como se ossem p incí-
pios de condu a. Na escola há aoniscienciados p o esso es,
ins au ando um dogma ismo aniquilado da cul u a, na
medida em que a impóe, a que simplesmen e abso ida
como dado absolu o.
O
au o do «No o Espí i o Cien í ico» de ende se ne-
cessá ia a se e idade pa a a educacao da c ianea e do
adolescen e, ga an ia da igilancia in elec ual da cul u-
a, mas salien a as di e encas en e uma se e idade
di a o ial e uma se e idade jus a, a qual só se jus i ica de
es manei as: pelas expe iencias obje i as, pelos enca-
deamen os acionais e pelas ealizacoes es é icas (Bachela d
1975).
Cabe ao p o esso , nes e sen ido, abalha nos es
ní eis, a im de p omo e a ap endizagem sem a impo-
sicao do sabe .
Só
assim ele encon a á azóes capazes
de aze a aza0 do aluno e olui .
Em di ecao opos a a esse abalho acional, emos no
ensino o domínio da men e do aluno po pa e do mes e.
O p o esso igia o sabe discen e, nunca se p eocupando
em oma jus a essa igilancia; en ando impo uma
azao, o p o esso educa seus alunos na des azao. Ou
simplesmen e ob ém a e ol ados que senegam himposicao.
ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 1993,
11
(3)
325
HISTORIA
Y
EPISTEMOLOGÍA DE LAS CIENCIAS
No ensino da aza0 es ei a, cujas eg as ca ecem de
lógica pa a o es udan e, a ciencia assume a es de eli-
giao, onde a p óp ia é
é
uma o dem a se cump ida.
Dian e desse quad o, o nao-ap endizado, a negacao do
impos o, deno a lucidez, in a ia elmen e incomp een-
dida. Quan os dos p oblemas psicológicos localizados
emnossos alunos nadamais sao que a e ol ado pensa nen o
con a a au o idade da aza0 monis a ...
«O mes e, no seu o gulho de ensina , a o ase cada dia
como o pai in elec ual do adolescen e. A obediencia que
no eino da cul u a de e ia se uma pu a consciencia do
e dadei o, assume, em i ude do pa e nalismo usu pa-
do dos mes es, um sabo insupo á el de i acionalida-
de. E' i acional obedece a uma lei an es de es amos
con encidos da acionalidade dessa lei.» (Bachela d
1989, 57-58).
Um caminho pa a o mes e se dis ancia dessa pos u a
dogmá ica
é
o de p ocu a , ambém ele, se aluno. Se
ap endiz en e seus pa es. A inal, a cul u a cien í ica
exige o papel de es udan e de odos os seus pa icipan es.
Os e dadei os cien is as sáo aqueles que se colocam
como es udan es, eqüen ando a escola uns dos ou os,
no inesgo á el p ocesso de ensina e ap ende . E' o que
Galpé ine (1974) a i ma se a u opia pedagógica de
Bachela d.
No p ocesso de cons uqao cien í ica acional a aza0
polemica es á em cons an e e i icacao. Se acionalis a
p o oca a necessidade dessa qualidade de u bulencia da
aza0 no pe manen e desiludi -se. Po an o, a
escola
(l),
o a o de pe ence
a
escola,
é
pa a Bachela d (1975), o
mais ele ado modelo de ida social. E esse mesmo papel
da escola cien í ica de e ia se anspos o pa a a escola
secundá ia: oma a ciencia educa i a
é
o na seu ensino
socialmen e a i o (Bachela d 1947). En ao, pa a coloca
a escola secundá ia como pa icipan e de cidade cien í ica
(2),
há necessidade, an es de mais nada, de aze-la
assumi o papel de escola socialmen e a i a, odos se
azendo a um só empo es udan es e p o esso es, semp e
eelabo ando o conhecimen o, nunca pe dendo a cons-
ciencia de es a me en ol idos em um sabe abe o,
ope á ios acionalis as da di ícil a e a de ins ucao
cien í ica.
A uncao do mes e consis e, po an o, em comunica ,
sem imposicoes dogmá icas, a dinamica do acionalis-
mo. Ou seja, pa a Bachela d (1975), o p o esso
é
aquele
que az comp eende ou, no es ágio mais a ancado, az
comp eende melho .
Em is a disso, Bachela d (1947) apon a como sendo
obs áculo pedagógico o a o do p o esso , p incipalmen e
o de ciencias, nao comp eende po que o aluno nao
comp eende. T a ase de uma conseqüencia do descon-
hecimen o ou desin e esse docen e pelo conhecimen o
an e io do educando, dos en a es exis en es nesse
conhecimen o. Ademais, o aluno ende a nao comp eende
o ensino ei o apenas a a és dos esul ados da ciencia.
O ensino acionalis a exige a discussao em cima dos
p oblemas que siisci a am o su gimen o de no as eo ias.
O ensino da eo ia ácido-base de A henius, a pa i das
de inicoes de ácido como a espécie capaz de libe a
H+
e base como a espécie capaz de libe a OH-, menosp ezando
oda eo ia da dissociacao ele olí ica do químico sueco
(3),
é
apenas um, en e mui os exemplos, de esul ados
cien í icos banalizados. A discussao ele olí ica subja-
cen e ao ema en ol e ia maio núme o de concei os,
mas pe mi i ia o ap endizado mais e icien e, nao apenas
das nocoes de ácido e base, mas ambém das nocoes de
íon e ionizagao.
«Sem dú ida, se ia mais simples nao ensina senao o
esul ado. Mais o ensino dos esul ados da ciencia nao
é
jamais um ensino cien í ico. Se nao se explici a a linha
de p oducao espi i ual que conduziu ao esul ado, pode-
se es a ce o de que o aluno combina á o esul ado com
suas imagens mais amilia es. E' necessá io «que ele
comp eendan. Nao se pode e e sem comp eende .
O
aluno comp eende a sua manei a. Pois que nao lhe o am
dadas azoes, ele ac escen a ao esul ado az6es pessoais.»
(Bachela d 1947, 234, aducáo p óp ia).
Em suma, o aluno o nao conhecimen o amilia , e es indo-
o de imagens p esen es em seu p óp io mundo, as quais
ga an em a acomodacao do conhecimen o
a
azao. Essa
espécie de «ensino», sem dú ida, nao o e ece di icul ades,
uma ez que nao exis em ques ionamen os, inexis e a
c í ica da cul u a. As ilusoes e os e os dos alunos
pe manecem; os no os concei os apenas se imiscuem
nos e os an e io es e ali icam, con e indo a alsa
imp essao de ap endizagem.
Mui as ezes esse ap endizado do i acional ga an e ao
aluno a ope acionalizacao de ce os concei os, azendo,
po sinal, a aleg ia dos mes es. Exe cícios nos quais
é
exigida a me a epe icáo de pala as se 50 esol idos
sem que uma eal comp eensao es eja em jogo. O con-
hecimen o passa do p o esso ao exe cício, sendo o
aluno u ilizado como mediado : nenhum sal o de qualidade
se
dá
no espí i o do ap endiz.
MOLÓC~COS: O PAPEL DA HISTORI-
CIZACAO
Podemos conclui com Bachela d (1947) que odo ensi-
no p ecisa se iniciado com uma ca a se in elec ual e
a e i a capaz de psicanalisa o conhecimen o obje i o.
O p ocesso de ing essa o aluno no acionalismo aplicado
exige a supe acao dos obs áculos epis emológicos ad-
indos do conhecimen o comum. Pa a an o,
é
p eciso o
aluno adqui i a consciencia da e i icacao cons an e da
ciencia, do e e no ecomeco da aza0 que se az oda
no a a cada desilusao.
E' impo an e essal a que apsicanálise do conhecimen o
nunca
é
de ini i a, chegando-se ao pon o de ha e supe a~ao
o al dos obs áculos epis emológicos. Exa amen e po
se em in ínsecos ao conhecimen o, os obs áculos es a0
semp e p esen es, exigindo o cons an e abalho de su-
pe á-los. Como a i ma Bachela d (1975), mesmo na
apllcacao do acionalismo a um p oblema no o, mani-
es am-se an igos obs áculos
a
cul u a, nunca o almen e
supe ados.
ENSEÑANZA
DE
LAS CIENCIAS,
1993, 11 (3)
HISTORIA
Y
EPISTEMOLOGÍA
DE
LAS CIENCIAS
Ad ém daí a impo ancia da his o icizacao do ensino de
ciencias. Como in ui o de se aze o ensino dos p oblemas
cien í icos, e nao dos esul ados cien í icos,
é
impo an e
ap esen a a his ó ia do p og esso do conhecimen o,
nada se assemelhando aos me os p eambulos his ó icos
a ualmen e ap esen ados nos li os didá icos de química
(4).
Esses esumos da his ó ia daciencia adqui em apenas
o ca á e ilus a i o pois, como bem a i ma Bachela d
(1972b), ans o mam g andes ques oes cien í icas, co n
múl iplos p oblemas ilosó icos, em me o conjun o de
expe iencias de um empi ismo simplis a. Desca am po
comple o a ina essi u a epis emológica das eo ias
cien í icas, pe dendo, po an o, odo ca á e educa i o.
A his ó ia da ciencia de e es a p esen e no ensino,
o alecendo o pensamen o cien í ico pela colocacao das
lu as en e idéias e a os que cons i uí am o p og esso do
conhecimen o.
Em con apa ida, de emos e i a o e o no qual inco em
os p óp ios cien is as que, con o me dizBachela d (1975),
ap esen am acienciapa aleigos como sendo p olongamen o
do conhecimen o comum: azem-no co n a p e ensao de
o na a ciencia mais simples e acessí el. Tal compo -
amen o, co n ca ac e ís icas ainda mais danosas,
é
epe ido
pelos p o esso es no ensino.
O
no o conhecimen o
é
semp e ap esen ado como conseqüencia do an igo, já
exis ia no an igo a p epa acao do no o, o p esen e
é
semp e seqüencia di e a do passado, possui suas jus i i-
ca i as no passado.
O
obje i o
é
semp e o mesmo: deixa
a aza0 epousa na imobilidade do conhecimen o comum.
Ou ossim na medida em que es udamos a his ó ia das
ciencias ísicas pe cebemos que mui os e os dos alunos
saoiguais aos e o s his ó icos. Bachela d (1972a) inclusi e
conside a a his ó ia das ciencias como uma imensa
escola, na qual exis em os bons alunos e os alunos
medíoc es, en a izando a impo ancia de se abalha
co n a his ó ia de ambos: a ansmissao de e dades e a
ansmiss30 de e os.
O
conhecimen o das e dades nos
az en ende as p og essi as cons ucoes acionais.
O
conhecimen o dos e os nos pe mi e en ende o que
obs ói o conhecimen o cien í ico.
E'
a pa i dái que
cons a amos como mui os desses en a es es a0 p esen es
no p ocesso de ap endizagem. A di iculdade do aluno,
mui as ezes, nao
é
indi idual, azendo pa e de uma
eco encia his ó ica.
Exemplo disso
é
adi iculdade no ap endizado dos concei os
de empe a u a e calo . O aluno possui a idéia p é ia de
que empe a u a
é
uma medida da quan idade de calo ,
logo quan o mais quen e um obje o, maio o calo «con ido»
no mesmo. Ao nos epo a mos
?i
his ó ia da ísica,
encon amos essas mesmas idéias nos abalhos an e io es
aos de Black e Joule (5). Se essa discussao his ó ica o
ei a jun o aos alunos, mais coe en e se ap esen a a
up u a en e as concepcoes an e io es e as concepcoes
igen es.
Do mesmo modo, pa a o en endimen o de uma eo ia
cien í ica mais ecen e
é
impo an e a comp eensáo da
eo ia negada, iden i icando co n isso, as e i icacoes
e e uadas. Como a i ma Bachela d (1983a), o aluno
comp eende melho o alo da nocao galileana de elo-
cidade, caso comp eenda o papel a is o élico da eloci-
dade mo imen o.
E'
no en endimen o do p ocesso de
e i icacao que o concei o de elocidade se consolida.
A his ó ia da ciencia assume, en ao, papel p eponde an e
no abalho pedagógico de cons u~~o acional, comba endo
um ensino cen ado no que Bachela d (1975) denomina
empi ismo da memó ia: e emos os a os, mas esquecemos
(po que nao ap endemos) as azoes. P e ende ensina
pelo a o de mos a
como
as coisas sao, colocando os
alunos dian e de
dados,
e nao de
aciocinios,
implica,
necessa iamen e, nessa memo izacao compulsó ia e, a
bem dize , inú il. Fa os isolados nao compoemum sabe .
Segu amen e, como a i ma Bachela d (1975), há g ande
desp opo cao en e a di iculdade do abalho acional e
a acilidade do emp ismo da cons a acao. Uma acilidade
nao apenas pa a a a i idade docen e, mas ambém pa a o
aluno.
Mas Bachela d ap esen a á no campo pedagógico a
mesma epulsa pelos caminhos áceis, pelas cons ucoes
ligei as. A educacáo do acionalismo aplicado exige
elabo acáo, abalho á duo no ompimen o co n os hábi os
do conhecimen o. Nao pode se a ap endizagem do
imu á el; do a o de epe i , nao de c ia ; do a o de
lemb a , nao de pensa . Nela o mes e possui á o papel
de negado das apa encias, eio das con icc6es ápidas,
ime sas em imagens des igu ado as.
A ciencia química al ez seja uma das que mais so e
desse es acelamen o no ensino. Como azem dela a
ciencia da memó ia, do empí ico, dis an e do ca á e
ma e ialis a acional e ma emá ico po ela adqui ido há
mais de um século, massa dis o me de in o macoes
des i uídas de lógica, p o undamen e dogmá icas! Ao
in és de g andiosamen e ensina a pensa , e a pensa
cada ez melho ,
é
ansmi ida como um conjun o de
no mas e classi icac ies sem sen ido.
A inal, mui o mais anqüilo
é
man e o espí i o aquie-
ado dian e de um conhecimen o p on o e acabado, do
que aze-lo ques ionado dian e de uma o dem semp e
no a. Nao
é
po nada que Bachela d (1972a) se e e e
h
época da escola secundá ia como a época dos abo eci-
men os escola es. E igualmen e e oca a escola ao a a
da aza0 como adicao, na de esa da aza0 abe a.
«Con unde-se semp e a acao decisi a da aza0 co n o
ecu so monó ono 2s ce ezas da memó ia.
O
que se sabe
bem, o que se em expe imen ado mui as ezes, o que se
epe e ielmen e, acilmen e, calo osamen e, dá imp essao
de coe encia obje i a e acional.
O
acionalismo assume
en ao sabo escola .
E'
elemen a e penoso, aleg e como
uma po a de p isao, acolhedo como uma adicáo.
Vi endo no 'subsolo' como em uma p isa0 espi i ual,
Dos oie sky pode esc e e , desconhecendo o e dadei o
sen ido da aza0 i en e: 'A aza0 conhece só o que há
log ado ap ende '. E con udo, pa a pensa , em p imei o
ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS,
1993, 11 (3)
I
HISTORIA
Y
EPISTEMOLOGÍA
DE
LAS CIENCIAS
I
luga há an as coisa que desap ende .» (Bachela d 1972a,
9,
aducao p óp ia).
Esse apego aos caminhos insípidos da memó ia coexis-
e, lado a lado, co n o en ol imen o no conc e o: a
abs agao acional
é
cons an emen e a as ada. Bloqueiam-
se os aos da men e, a ando-a ao chao,
i
p imei a
obse acao, iquilo que
é
pe cebido pelos sen idos, dis-
an e do que se pensa. E' a ciencia ap esen ada aos olhos
e is maos, mas nao 2 men e: a expe iencia
é
enca ada
como e i icacao, ilus acao, al qual a expe iencia
comum.
«E' ainda essa ciencia pa a ilóso os que ensinamos pa a
as c iancas. E' a ciencia expe imen al das ins ucóes
minis e iais: pesem, mecam, con em; descon iem do
abs a o, da eg a; liguem os espí i os jo ens ao con-
c e o, ao a o. Ve pa a comp eende , es e
é
o jogo ideal
des a es anha pedagogia. Pouco impo a se o pensa-
men o segue do enomeno mal is o em di ecao
i
ex-
pe iencia mal ei a
(...)»
(Bachela d, 1970: 12, aducao
p óp ia).
A essa emá ica e e en e
i
expe imen acao
é
ese ado
conside á el espaco na ob a epis emológica de Bache-
la d. P incipalmen e quando es á em discussao a química,
ciencia desde mui o enca ada como esencialmen e ex-
pe imen al
(6).
Na química, mais que na ísica, exis e a endencia em se
ameniza o es o co in elec ual do acionalismo, azendo
sob essai o lado pi o esco e espe acula do ensino ex-
pe imen al. Quan os alunos de um cu so expe imen al de
química nao se eco dam de seu deslumb amen o en e
a um ja dim de sílica (7), um cha a iz de amonia
(8)
ou
um simples p ecipi ado de iode o de chumbo ama elo-
ou o? Mas quan os desses que deseja am e ais «b in-
quedos» em casa, assimila am algum concei o a a és
do encan amen o causado pelos expe imen os?
A men e pe maneceu no conc e o dian e do espe áculo,
nao abs aiu nem analisou. Nao ap endeu ciencia, ape-
nas se admi ou co n a pic ó ico e belo.
Po conseguin e, Bachela d (1947) condena á as expe-
iencias demasiado i as, capazes apenas de con ibui
pa a um also in e esse pela ciencia. Nao se á co n a
aza0 que o aluno a elas se di igi á, mas co n seus sonhos,
suas paixóes, suas imagens ín imas, es abelecendo elacao
anímica co n o obje o.
O obse ado de e se a as a do obje o pa a es udá-lo,
cons an emen e ex aindo o abs a o do conc e o. Sua
elacao co n o obje o de e se acional: aplica -lhe sua
azao, e i ando a elacao empí ica do simples acúmulo
de dados me a o izados.
Bachela d (1947) de ende á, en ao, a acao do p o esso
no sen ido de p o ege o es udan e do simbolismo a e i o
que ce ca ce os enomenos. P omo endo a passagem
ápida da bancada de labo a óno ao quad o-neg o, ex aindo
da expe iencia as conclus6es acionais, e e ua-se a ca-
a se das emocóes in e pos as en e o expe imen o e a
azao.
«En im, o p imei o p incípio da educacao cien í ica, no
eino in elec ual, pa ece-me aquele asce ismo que
é
o
pensamen o abs a o. Sozinho, ele pode nos conduzi a
domina o conhecimen o expe imen al.» (Bachela d,
1947: 237, aducáo p óp ia)
A e e encia a esse
asce ismo
az-nos,
i
p imei a is a,
pensa que Bachela d
é
demasiado sé io, endo a ciencia
de o ma ca en e de b ilho e, po isso mesmo, causado a
de édio. Pensa assim se ia duplamen e ai Bachela d:
po nos de e mos na p imei a imp essao e po nega mos
sua noca0 de u bulencia da azao.
O pensamen o acional só se az edioso se pe de o
ca á e de e olucao pe manen e, su acional. Nao sen-
do esse o caso, há semp e o jogo da mul iplicidade de
azóes ompendo como con o mismo, o conse ado ismo
dos conhecimen os jus apos os. Um jogo onde
é
a p ó-
p ia aza0 que se p6e em isco, na cons an e necessidade
de e o ma a expe iencia p imei a. T abalhando sem a
linea idade do con inuísmo, quando os an eceden es
já
con em em si a ce eza do pon o de chegada, o abalho
cien í ico se o na uma a en u a onde nosso espí i o se
modi ica a cada mudanqa de acionalidade e mé odo.
Os mes es de ciencias, eles mesmos educados den o do
imobilismo, pa ecem emp eende odo um abalho de
con ole da azao, eme osos dessa e e escenciapsíquica.
Domes icam-na, su ocam-na em nome da adicao e
o e ecem em oca um sabe de aleg ia e in e esse me-
dianos. U ilizam me á o as ealis as de animis as, ca as
ao espí i o es udan il, isando co n isso acili a o
ap endizado, ou melho , a ope acionalizacao de concei os.
Dize que o á omo de ca bono
é
uma pequena pi amide,
con e indo a noca0 de sólido palpá el a um concei o
abs a o, ou a i ma que o ca bono em qua o b acos (9)
é,
como a i ma Bachela d (1972b), da sa is acóes po
p eso mui o baixo. A ciencia nao
é
simples en nao
podemos simpli icá-la a qualque cus o sem co n isso
negá-la. Nas p imei as ligóes emos, inclusi e, o di ei o
de se mos incomple os ou esquemá icos, diz Bachela d
(1972b), mas nao de emos se alsos.
Sendo pue is o banais, os mes es en am i e a ilusáo
de que ensinam e os alunos buscam colabo a ingindo
ap ende . En e an o, seque a sa is acao mú ua, ainda
que ic ícia, exis e. Se assim o osse, nao se iam as
ciencias ísicas, e em especial a química, das ma é ias
mais condenadas no ensino secundá io.
Acima de udo, o pa endizado só pode oco e se a
in eligencia do aluno o espei ada. E pa a ha e esse
espei o ao aluno
é
p eciso se aluno co n ele, pa icipa
das di iculdades psicológicas pelas quais ele passa no
seu p ocesso de mudanca de cul u a. Es abelece co n o
aluno a igilhcia mú ua do sabe : aluno-mes e o mes e-
aluno. Nao en a enganá-lo co n a «ciencia ácil», e e endo
dos pad óes do senso-comum exis en es em sua bagagem.
A sa is acao dian e do conhecimen o amilia , acilmen e
acomodá el, nao se iguala
i
p oduzida pelo impac o do
ompimen o co n os p imei os e os.
ENSEÑANZA
DE
LAS CIENCIAS, 1993, 11
(3)

No p ocesso cien í ico-pedagógico, Bachela d (1965)
ese a ao li o espaco undamen al. A ciencia
é
essen-
cialmen e a p oducao social da cidade cien í ica, po an-
o o li o, na medida em que eicula a ciencia pa a os
cien is as, possui papel de e minan e na cons ucao do
conhecimen o cien í ico, na manu encao dos cien is as
na escola.
«As o cas cul u ais isam
h
coe encia e
h
o ganizacao
dos
li os.
O pensamen o cien í ico
é
um li o a i o, um
li o ao mesmo empo audacioso e p uden e, um li o
emensaio, um li o do qual se deseja ia ap esen a uma
no a edicao, uma edicao melho ada, e undida, eo ga-
nizada. E' e dadei amen e o se de um pensamen o em
ias de c escimen o. Se esquece mos esse ca á e de
sucessi a solidez da cul u a cien í ica mode na, es amos
a a alia mal sua acao psicológica. O ilóso o ala de
enomenos e númenos. Po que nao há de concede
a encao ao se do li o, ao bibliameno?» (Bachela d
1965,
6,
aducao p óp ia).
O pensamen o cien í ico es á pos o no li o de o ma
socializada, o au o exp essa e dades consensuais.
Possuido de ca á e
o ganice,
o li o es abelece suas
p óp ias pe gun as, nao podendo se lido sem que se
obedeca a o dem dos capí ulos, sem que se acompanhe
a o dem de pensamen o do au o . Ele niio ala ao senso
comum.
O
li o do pe íodo p é-cien í ico (10) e a essencialmen e
de di ulgacao, ala a de na u eza, da ida co idiana,
au o e lei o pensa am jun os e de igual manei a.
Hoje, nao há mais os an igos ecei uá ios, me amen e
desc i i os; a as amo-nos da na u eza e ing esamos no
acionalismo aplicado, sendo esse ing esso acompanha-
do pela li e a u a cien í ica. Como a i ma Bachela d
(1965), exis i a a és dos li os já
é
uma exis encia
solidamen e humana, u o da écnica acionalizada.
Mas ao con á io desse quad o que a o ece a cons uc io
acional, o nosso li o escola de cada dia ap esen a um
pano ama bem di e so: e o ca odos os males do dog-
ma ismo e do i acionalismo docen es. T a a-se de ob a
echada, onde p e alece a nao- e o mulacao, o ca á e
nao-cien í ico.
O
li o nao dialoga com o lei o nem polemiza com sua
azao. Apenas con i ma o conhecimen o comum e obs-
aculiza o conhecimen o cien í ico. Na ansia de o na a
ciencia ácil e acessí el, os au o es de li os didá icos de
química abusam de me á o as ealis as, banalizando os
concei os. O obje i o
é
a as a o aluno do acional,
o nando odo e qualque concei o isí el e palpá el. Em
nome da me a ins umen alizaciio do pensa , isí el e
palpá el. Em nome da me a ins umen alizacao do pensa ,
os li os didá icos de química nao ques ionam o conhe-
cimen o comum e apenas ansmi em simulac os de
ciencia (Lopes 1990).
Os ques ionamen os aqui ap esen ados em po obje i o
colabo a di e amen e com a e o mulacao do ensino de
ciencias ísicas, especialmen e a química. Re o mu-
laca0 essa que se az cada ez mais u gen e na sociedade
ecnológica de nossos dias, a im de consolida uma
cul u a cien í ica com a qual os cidadaos possam le ,
comp eende e a ua c i icamen e no mundo em que
i emos.
Como a i ma Bachela d (1947), o dis anciamen o en e
ciencias e sociedade
é
jus i icado po ambos pela di iculdade
ine en e
i3
ciencia. ~kim send6, duas poi u as siio assu-
midas: elegam o p oblema ou en am acili a a ciencia.
Nada mais also is o que se des i ua nilo s6 o con eúdo
cien í ico como sua uncao educado a:
«(..
.)
quan o mais
di ícil
é
uma a e a, mais ela
é
educado a.» (Bachela d
1947, 252, aduciio p óp ia).
E o abalho de suplan a essas di iculdades de e se
pe manen e, nunca es i o ao pe íodo escola , semp e
man endo i a a chama do p ocesso de con adize
conhecimen os an e io es e es abelece uma no a cul u a.
«Na ob a da ciencia somen e se pode ama aquilo que se
des ói, só se pode con inua o passado negando-o, só se
pode ene a o mes e con adizendo-o. En iio sim, a
Escola con inua ao longo de oda uma ida. Uma cul u a
bloqueada em um empo escola
é
a p óp ia negacao da
cul u a cien í ica. Nao exis e ciencia sem uma Escola
pe manen e. E' essa escola que a ciencia de e unda .»
(Bachela d 1947, 252, aducao p óp ia).
NOTAS
'
Bachela d u iliza a exp essao
escola
pa a designa o abalho Bachela d u iliza o e mo
cidade cien ljeica,
o qual ele nao
conjun o dos cien is as na o maciio da cidade cien í ica ( e sabe dize ao ce o se possui sua au o ia, pa a designa uma
no a
2).
E'
a escola, enquan o cul u a cien í ica, que de ine a ge acáo de cien is as em abalho conjun o nas sociedades
linha de c escimen o do conhecimen o.
O
abalho cien í ico
é
a uais.
a as ado pela escola, nunca
é
u o do es o co indi idual e
isolado.
ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 1993, 11
(3)
329
A henius cons uiu sua eo ia da dissociacao ele olí ica
-
pa ículas ca egadas sendo o madas no p ocesso de solubilizacáo-
apa i dos abalhos co n e ei os coliga i os e condu ibilidade
nas solucóes salinas e daí pa iu pa a a de inicao de ácido e
base. Um obs áculo que ele e e de supe a oi o a o de ou os
cien is as de enome nao acei a em que uma solucao como a
de NaCl ap esen asse pa ículas de sódio e clo o (a dis inga0
de íon e á omo nao e a cla a). A inal, nao se os ia nem suas
p op iedades se mani es a am. Es e mesmo obs áculo encon a-
mos hoje no ensino, quando o aluno con unde Na e Na+, H
e H+.
OS li os didá icos mais ecen es ap esen am no p imei o
capí ulo, jun o
2
exposicáo do mé odo cien í ico, um esumo
sob e his ó ia da química. De uma manei a ge al se p eocupam
apenas co n nomes, da as e a os isolados.
Joseph Black e e seus abalhos sob e calo~me iapublicados
em 1803. Neles ap esen a a a dis incáo en e empe a u a e
quan idade de calo , conside ando,es a úl ima dependen e da
massa do co po. Seu abalho ainda concebia o calo como uma
subs ancia luida. O abalho de James Joule em 1840, co n sua
eo ia sob e os e ei os é micos da ene gia elé ica, consolidou
os abalhos an e io es de Thompson e Da y, de enso es da
in e con e sao en e calo e ene gia mecanica, con a a eona
do caló ico, a qual ad oga a a concepcao de calo enquan o
con eúdo luido, igualmen e inco po ada ao senso-comum.
A en ase no adje i o
expe imen al
pa a a ciencia química
ad ém do p ocesso de ino acao educacional que p ocu ou se
opo ao desc i i ismo majo i a iamen e p esen e no ensino
dessa ciencia an es do im da década de 50 e início da década
de 60. A pa i do ques ionamen o das concepcóes empí ico-
posi i is as no ensino. de ciencias, nao mais se coaduna a
en ase no expe imen al des inculado do p ocesso acional.
Como a i ma Bachela d (1983b), odo empi ismo p ecisa se
comp eendido pela azáo e odo acionalismo p ecisa se
aplicado ao,expenmen o: um nao se consolida sem o ou o.
Solucáo de silica os de densidade p ecisa, a qual se adiciona n
sais de me ais de ansicao, ob endo-se co n isso ilamen os
a bo escen es colo idos.
Um asco con endo gás amoníaco, p o ido de uma olha co n
um ubo de pon a a ilada, in e ido sob e uma cuba co n água
con endo o indicado enol aleína. No p ocesso de solubilizacáo
do gás na água oco e a diminuicao da p essáo no asco,
aca e ando a pene acáo da água pelo ubo de pon a a ilada
como se osse um cha a iz. Pela p esenca da enol aleína, a
água co n amoníaco se ap esen a co -de- osa.
A
exp essao de que o ca bono em qua o b acos
é
e i ada po
Bachela d (1972b) da ob a
Da C ianca ao Adolescen e,
de Ma ia
~on essoh. ~s e'li o se u ouóe
a
au esen a a ciencia pa a
.
A
ci aneas epecapo essas c~loca~óes que, além de nadaensina em,
sáo alsas. Como a i ma Bachela d (1972b), p e endendo es a
ao alcance das ci ancas, o mes e se in an iha.
'O
Bachela d (1947) de ine como pe íodo p é-cien í ico aquele
que comp eende os séculos XVI, XVII e pa e do XVIII. T a a-
se, como o p óp io au o a i ma, de uma di isáo esquemá ica,
u ilizada apenas como o ien acao no es udo dos obs áculos
epis emológicos.
BACHELARD, G., 1947.
La o ma ion de l'esp i scien i ique.
BACHELARD, G., 1983a.
Le nou elesp i scien i ique.
(P esses
(J.V in: Pa is). Uni e si ai es de F ance: Pa is).
BACHELARD, G., 1965.
L'ac i i é a ionalis e de laphysique
BACHELARD, G., 1983b.
La philosophie du non.
(P esses
con empo aine.
(P esses Uni e si ai es de F ance: Pa is). Uni e si ai es de F ance: Pa is).
BACHELARD, G., 1970.
É udes.
(J. V in: Pa is). BACHELARD, G., 1989.
Lau éamon .
(Li o alEdicóes: Lisboa).
BACHELARD, G., 1972a.
L'engagemen a ionalis e.
(P esses GALPERINE, C., e al., 1974. Table onde: Bachela d e
Uni e si ai es de F ance: Pa is). l'enseignemen , in:
Cologue de Ce isy.
(Cen e Cul u el
In e na ional de Ce isy-la-Salle, Union Géné ale d'Edi ions:
BACHELARD, G., 197213.
Le ma é ialisme a ionnel.
(P esses Pa is).
Uni e si ai es de F ance: Pa is). LOPES, A.R.C., 1990.
Li os didá icos: obs áculosao ap endizado
BACHELARD, G., 1975.
Le a ionalisme appliqué.
(P esses
da ciencia química.
(Disse acao Mes ado IESAE, FGV:
Uni e si ai es de F ance: Pa is). Rio de Janei o).
330
ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS,
1993,ll
(3)