Nuo „nuriebalinimo“ iki „nuprasminimo“: teikyba ir vartosena
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De desengorduramento a esvaziamento de sentido: prescrição e uso
ALVYDAS UMBRASAS
Instituto da Língua Lituana
PALAVRAS-CHAVE: formação de palavras, significado de remoção, normalização linguística, uso, erro
O artigo examina derivados com o prefixo nu- e o sufixo -inti (-inimas), que expressam a remoção de determinado elemento (indicado pela raiz). Esses derivados já têm uma considerável tradição de correção, mas pelo menos alguns deles continuam sendo frequentes no uso; por isso, decidiu-se examinar a história e a situação atual da correção e da recomendação. Busca-se apresentar as opiniões dos linguistas sobre esses derivados, a evolução das normas nos dicionários e uma análise do uso atual, de sua (in)compatibilidade com a codificação, bem como chamar a atenção para possíveis mudanças na codificação.
A fonte mais conveniente para recolher dados do uso atual é o Corpus do Lituano Contemporâneo, compilado pelo Centro de Linguística Computacional da Universidade Vytautas Magnus (DLKT). Abrange mais de 140 milhões de palavras usadas em textos de diversas áreas do final do século XX e do início do século XXI (aproximadamente de 1991 a 2008), tanto científicos e especializados como jornalísticos destinados ao público em geral, literários, entre outros. Como são textos publicados, é provável que tenham sido editados ou, pelo menos, minimamente revistos. Assim, decidiu-se basear a pesquisa no DLKT, pois esse corpus pode mostrar o nível médio da língua escrita contemporânea na virada do século (ainda não contém dados da segunda década deste século). Os dados recolhidos (no total, o DLKT apresentou cerca de 80 verbos ou abstrações do modelo em questão, com aproximadamente 3500 ocorrências) foram posteriormente comparados também com o uso num dos sites de notícias mais populares, lrytas.lt (foram encontradas mais de 2600 publicações com palavras selecionadas do DLKT; não há meios técnicos para saber o número total de ocorrências das palavras, mas é evidente que uma publicação não contém necessariamente apenas uma ocorrência). O site está ativo desde 2006, portanto, reflete em parte os últimos dez anos-
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a linguagem dos meios de comunicação na Internet (alguns artigos publicados no site são republicados de outras publicações mediáticas; quando necessário, também foram incluídos no artigo alguns exemplos de outras fontes). Utilizando as possibilidades de pesquisa do DLKT, procurou-se reunir para o estudo dados tão variados quanto possível e identificar regularidades semânticas e/ou estruturais, bem como quantitativas.
E V O L U Ç Ã O D A N O R M A L I Z A Ç Ã O
Há cerca de meio século, Kazimieras Gaivenis foi talvez o primeiro a falar dos casos em que “se tenta atribuir ao prefixo nu- dos verbos e dos substantivos deverbais o significado geral de remoção da matéria indicada pela raiz da palavra” (Gaivenis 1964: 29). Ao escrever sobre a terminologização dos afixos derivacionais, lamentou que o significado de remoção, vindo da literatura científica, tivesse entrado em alguns dicionários da época sob as formas nuriebinti, nuriebinimas. Argumentou o seguinte: “o nome abstrato verbal nuriebinimas deriva do verbo nuriebinti, e este, por sua vez, do adjetivo riebus. Para um verbo adjetival desse tipo, o prefixo nu- normalmente confere o significado de excesso da ação expressa pela forma sem prefixo (cf. nustorinti, nutirštinti, nurūgštinti, isto é, tornar excessivamente (=demasiado) espesso, denso, ácido)” (ibid.). Portanto, nuriebinti deveria significar “tornar excessivamente gorduroso”, e não “remover a gordura”. K. Gaivenis também chamou a atenção para o fato de que “a tradução dos termos обезжиривание, Entfettung ou degreasing por nuriebalinimu (seguindo neologismos ‘da moda’ semelhantes, como nuanglinimas, nusilicinimas, nusierinimas, nupeleninimas etc.) também é questionável” (Gaivenis 1964: 29–30). Ele propunha que, para expressar o significado de remoção, o melhor seria usar construções com a palavra pašalinti (por exemplo, pašalinti sierą, pašalinti pelenus) ou, quando existentes, verbos específicos (por exemplo, não nuplaukinti, mas nuplikinti).
Alguns anos depois, Antanas Balašaitis também propôs traduzir обезболивание não como nuplaukinimas, o plaukų pašalinimas, e, em vez de savaiminio dirvos nukenk-sminimo, recomendou dirvos apsivalymas. Também explicou que “o russo обезболивание não deve ser traduzido por nuskausminimu, pois, com base no verbo apmarinti, ‘tornar insensível, entorpecer’, temos expressões correntes como ligonio apmarinimas prieš operaciją, vietinis ar visuotinis apmarinimas, apmarinamieji vaistai” (Balašaitis 1969: 9–10). A justificativa era que “em cada língua os neologismos são criados segundo as regras de formação de palavras dessa língua”; é preciso “seguir as tendências de formação de palavras da língua lituana” (ibid.).
1 No original, não há itálico nem espaçamento entre letras.
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Pouco depois, Alvydas Rosinas também deu continuidade ao exame de derivados com nu- no sentido de remoção de uma matéria ou propriedade: “A opinião de que tais formações (cf.: nušarminti, nuvandeninti, nuskausminti etc.) não contrariam as leis da formação de palavras do lituano e são compreensíveis para todos talvez não seja indiscutível. Do ponto de vista derivacional (sintático), são irrepreensíveis. Contudo, ao criar uma palavra nova, as regras de formação não bastam; é necessário levar em conta as funções lexicais dos elementos dessa palavra” (Rosinas 1971: 15). Com base em K. Gaivenis, afirmou também que nuriebinti, no sentido de remover gordura, é um decalque malformado, pois, na língua viva, o prefixo nu- confere aos verbos adjetivais um sentido de excesso (nukietinti ‘tornar excessivamente duro’) ou, em alguns casos (nuaštrinti, nugražinti), parece conferir o sentido de retirar uma propriedade, mas “significa o contrário da intensidade e do resultado da ação (ao quererem tornar algo afiado ou bonito, afiaram tanto ou de tal modo que acabou ficando totalmente sem fio, totalmente feio)” (ibid.). Ele também chama de “moda” os verbos nuplaukinti ‘remover os pelos’, nudruskinti ‘remover o sal’, nužievinti ‘remover a casca’, nukalkinti ‘extrair o calcário’, e diz que, na língua viva, verbos denominais com nu- têm outros significados (nuauksinti ‘colorir de dourado’, nuspalvinti ‘pintar’, nuskiedrinti ‘espalhar aparas’), que “se o verbo alemão entha(S)
no início da década, na segunda edição do dicionário publicada após os artigos mencionados (DLKŽ2 1972), não se apressaram a eliminar essas palavras; pelo contrário, as definições das já existentes foram ligeiramente revistas2 e muitas novas foram incluídas: nudruskinti ‘remover o sal’, nudujinti ‘remover os gases’, nukalkinti ‘remover o calcário’, nukenksminti ‘tornar inofensivo’, nuriebalinti ‘remover a gordura’, nusakinti ‘extrair a resina’, nuvandeninti ‘remover a água, a umidade’. A maioria delas (com exceção de nuasmeninti, nubuožinti, nusakinti) recebeu a marca spec. Pouco depois da publicação do dicionário, Jonas Paulauskas, um dos membros do conselho editorial, ao falar sobre os problemas do dicionário, disse que nele havia palavras “marcadas com as abreviaturas spec. ou knyg., indicando que, embora a palavra não seja bem formada (ou lhe tenha sido atribuído um significado incomum), é usada em certas áreas, na ausência de equivalentes de formação mais correta ou quando estes não são populares” (Paulauskas 1974: 42). Entre outros exemplos, menciona também nudruskinti, nudujinti, nuvandeninti e afirma que “na continuação da normalização do léxico, seria preciso encontrar equivalentes mais aceitáveis para palavras desse tipo” (ibid.). Ao dizer “equivalentes mais aceitáveis”, talvez se esperasse que fossem formas de uma só palavra, pois as alternativas propostas pelos revisores coincidiam com as definições do dicionário. Vitas Labutis também manifestou dúvidas quanto à inclusão no dicionário de nukenksminti, nuriebalinti e formas semelhantes, dizendo que, ao aprovar um fenômeno linguístico insuficientemente estudado, talvez se pudesse prejudicar mais a língua do que contendo sua difusão com base na tradição (Labutis 1973: 75). Ainda assim, o trabalho do dicionário foi feito, e suas normas não podiam deixar de afetar o uso.
Embora a segunda edição do Dabartinės lietuvių kalbos žodyno incluísse muitas palavras do modelo em análise, elas continuaram a ser corrigidas nos trabalhos dos linguistas. Na primeira edição de Kalbos praktikos patarimų, a respeito dos derivados com o prefixo nu-, afirmava-se que geriau era “uma palavra de outra raiz, que expressa a perda de algo” (KPP1 1976: 159). Enunciava-se a orientação de substituir a raiz, mas nos exemplos concretos ela muitas vezes não era alterada; propunha-se sobretudo usar expressões com palavras da mesma raiz: nudruskinti (– pašalinti druską (–as)), nukenksminti (– padaryti nekenksmingą, pasterizuoti), nuplaukinti (– pašalinti plaukus), nupeleninti (– pašalinti pelenus), nuriebinti, nuriebalinti (– pašalinti riebalus, suliesinti), nuvandeninti (– pašalinti vandenį, padaryti sausą), nužmoginti (– dehumanizuoti, (su)barbarinti). A alguns desses termos corrigidos acrescentava-se ainda a marca dirbt., que signific-
2 Nuasmeninti ‘1. retirar a responsabilidade pessoal. 2. retirar as características pessoais, uniformizar’; nubuožinti ‘durante o período da coletivização, retirar dos kulaks os meios de produção e a terra’ (DLKŽ2 1972).
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va que se trata de uma palavra artificial. Apenas no caso de nužievinimo staklės não se diz que é preferível evitar o uso; em vez disso, a correção é categórica (n. dirbt. – palavra artificial que não deve ser usada), recomendando-se žievės lupamosios, žievi-lupės staklės, žievialupė3 (KPP1 1976: 159–163). Essencialmente, os mesmos pontos foram repetidos na segunda edição dos conselhos, publicada cerca de uma década depois; apenas se eliminou a palavra nupele-ninti (talvez considerada obsoleta), mas acrescentou-se4 numėsinti (– pašalinti mėsą, kaišti) (KPP2 1985: 171–176). As palavras foram corrigidas, não de forma categórica, mas com a indicação geriau, talvez porque o então Dabartinės lietuvių kalbos žodynas permitia seu uso. Alguns revisores, embora discutissem palavras do modelo em questão classificando-as como não normativas, também diziam que “no uso atual há palavras desse tipo que não foram incluídas no DLKŽ, mas que poderiam figurar nele com os mesmos direitos. Por exemplo, nužievinti não consta, mas é igual a nudruskinti”; e explicavam, lembrando que “há um acordo entre linguistas: não corrigir rigorosamente aquilo que é apresentado como norma nas gramáticas e nos dicionários da língua atual” (Paulauskienė, Tarvydaitė 1986: 31). Houve opiniões de que, ao corrigir palavras registradas no DLKŽ, o Kalbos praktikos patarimai confundia os usuários, que ficavam sem saber em que se apoiar; sugeriu-se que, ao formular recomendações, “se deveria observar a p r e s u n ç ã o d e c o r r e ç ã o: tudo o que foi reconhecido como legítimo em publicações normativas anteriores deve ser considerado correto, até que sua inadequação seja demonstrada p u b l i c a m e n t e e de modo incontestável” (Girdenis, Rosinas 1977: 70). Em resposta a essa crítica, afirmou-se que as alterações das normas do DLKŽ “também nunca foram demonstradas p u b l i c a m e n t e” (Pupkis, Zinkevičius 1978: 51).
Os argumentos para corrigir os derivados do modelo em análise foram formulados de várias maneiras. As principais objeções diziam respeito à semântica e à influência de outras línguas. Isso se vê também nas citações de K. Gaivenis e A. Rosinas já apresentadas, e outros defensores da correção linguística também falaram do assunto ao corrigirem derivados com outros prefixos: “o prefixo confere um significado que não pode expressar o conceito que se pretende transmitir com essa palavra. São todos decalques, aos quais o prefixo foi acrescentado segundo as regras de formação de outras línguas”; as palavras “não são usadas nos dialetos, tampouco têm tradição consolidada em textos de melhor qualidade linguística” (Pupkis 1980: 124). Foi observado o mode-
3 Teikiniai pasiūlyti Jono Klimavičiaus (žr. Klimavičius 1974: 19). Vietoj nužievinimo mašina vėliau dar buvo siūloma žieviasukė (Gerulaitis, Lūkenas 1983: 35).
4 Kalbos kultūroje havia sido publicado um artigo específico que discutia como denominar a operação realizada no processamento de peles e couros, pela qual se removem restos de carne e gordura e toda a camada subcutânea. Em vez das palavras já usadas numėsinti, mėzdruoti, propôs-se kaišti; paralelamente, seriam usados kaišiklis, kaišenos, kaišumas, kaišykla e afins (Kinderys 1982: 47–49).
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coerência sistêmica: “Nada mais são do que decalques surgidos por analogia com a língua russa. Sob a influência de tal analogia derivacional, os decalques são frequentemente formados em séries, isto é, não se calca uma palavra isolada, mas determinado tipo de formação” (Kaulakienė 1992: 9). Foi apontada a ambiguidade de alguns verbos, por exemplo, nukalkinti (Kinderys 1982: 48). Também se chamou a atenção para a estrutura formal da palavra — “a maioria dessas palavras não é usada sem prefixo (por exemplo, não existe a palavra kenksminti), portanto, tampouco são adequadas com o prefixo nu- <...>: em seu lugar, devem-se usar sintagmas” (Piročkinas 1990: 70). A formação mista foi considerada indesejável: “Não é habitual formar verbos a partir de substantivos acrescentando um formante derivacional composto (prefixo e sufixo em conjunto). <...> Se existissem os verbos *druskinti, *žievinti, *vandeninti5, entender-se-ia que o prefixo nu- é usado adequadamente (cf. vilkti – nuvilkti, lupti – nulupti). Mas eles não existem. Portanto, nužievinti está associado a žieve, nudruskinti a druska, nuvandeninti a vandeniu. Ora, não se formam verbos com prefixos a partir de substantivos. Assim, é evidente que nužievinti recebe simultaneamente o prefixo nu- e o sufixo -inti, que transforma o substantivo em verbo” (Paulauskienė, Tarvydaitė 1986: 30–31). Por vezes, limita-se a criticar-se o artificialismo: “Como as palavras nuvandeninimas, nuvandeninti são artificiais, para a carne desidratada <...> é mais adequado o termo nusausinta mėsa” (Montvilienė 1978: 38). Avaliou-se o comprimento dos meios de expressão: “Uma palavra é mais conveniente do que duas, mas, se for mal formada, duas são melhores do que uma” (Nemickaitė, Paulauskienė 1984: 22). Argumentou-se que “é melhor uma palavra estrangeira do que uma ‘nativa’ mal cunhada” (Būda 1973: 164). Recorreu-se também a argumentos irônicos e pitorescos, por exemplo, dizendo que kirpykla não é um posto de remoção de cabelos ou de barbas (Kinderys 1982: 49).
Quem consulta publicações linguísticas das décadas de 1980 e 1990 às vezes percebe certa insegurança quanto aos derivados nu- + -inti (-inimas) em análise. Pranas Kniūkšta não se pronuncia sobre a avaliação desses derivados e afirma que “sendo padronizado e facilmente aplicável a diversos campos, além de apoiado pelo modelo russo com обез-, o novo modelo de formação de palavras mostrou-se prático e viável e começa pouco a pouco a criar raízes no estilo científico e na terminologia” (Kniūkšta 1980: 29); mais tarde, ao analisar publicações de Kalbos kultūros, conclui: “Os sintagmas propostos pelos linguistas para esse fim (remover a gordura e semelhantes) não satisfizeram os usuários desses derivados,”
5 O LKŽe inclui druskinti, žievinti, vandeninti; ainda assim, é possível reconhecer justificadamente uma formação mista em muitos derivados desse tipo com nu-.
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os argumentos linguísticos apresentados não surtiram efeito. A necessidade recente que se sente deles e os antigos modos de expressão defendidos pelos linguistas não conseguem conciliar-se de maneira harmoniosa. Como saída para o problema, recorre-se a palavras internacionais: nuasmeninti – desumanizar, nuskausminti – anestesiar; há também degazacija, degazuoti, mas, no essencial, elas não resolvem o problema. Em suma, trava-se uma batalha em que os linguistas, com sua perspectiva, são obrigados a responder a partir das trincheiras defensivas (para que o prefixo nu- não conquiste novos territórios)” (Kniūkšta 1986: 33). Arnoldas Piročkinas corrige palavras do modelo em análise, por exemplo, nuplaukinti (= remover os cabelos, barbear, cortar os cabelos), nužievinti (= remover, descascar a casca), nužmoginti (= desumanizar, transformar em não humano), mas acrescenta que “ainda assim, os linguistas deveriam investigar cuidadosamente o estatuto dos verbos desse grupo na língua-padrão: há muitos demais, frequentemente são necessários à língua e, por fim, talvez se encontrasse algum argumento linguístico que justificasse seu uso. Mas, enquanto isso não for feito, a sociedade deveria evitar usá-los” (Piročkinas 1990: 70). Angelė Kaulakienė classifica sem avaliação neutra os termos técnicos nuanglinimas (rus. обезуглероживание, alem. Kohlenstoffentziehung), nuriebalinimas (rus. обезжиривание, alem. Entfettung) e semelhantes como decalques adequados do ponto de vista da formação e, na maioria dos casos, também da semântica (Kaulakienė 1979: 147); mais tarde, diz que são não normativos e devem ser substituídos por equivalentes mais aceitáveis (Kaulakienė 1985: 71), mas reconhece que, por serem padronizados e facilmente aplicáveis, ajudaram a criar um novo tipo de formação, que é prático e “começa pouco a pouco a criar raízes na terminologia não só da física, mas também de outras áreas científicas. Contudo, a praticidade desse tipo de formação só poderia ser parcialmente justificada por uma estabilidade flexível, pois, de outro modo, dificilmente esse tipo de formação pode ser semanticamente motivado” (Kaulakienė 1988: 132). Faz-se referência a uma fonte na qual estabilidade flexível é explicada como “mudança de normas funcionalmente motivada e intencional, capacidade constante da norma de se adaptar da melhor maneira possível às necessidades e objetivos da sociedade” (Pupkis 1980: 24). Assim, por um lado, corrigiram-se palavras do modelo em questão; por outro, por vezes se refletiu sobre sua necessidade e possível justificação.
Considerando as diversas correções publicadas, os terminólogos do Instituto da Língua Lituana não ignoraram os derivados nu- + -inimas ao prepararem coletivamente Correções terminológicas, publicadas no início da restauração da independência. Nupeleninimas, nuplauk inimas, nuriebalinimas, nuriebinimas, nusierinimas foram assinalados como decalques e rigorosamente corrigidos por sintagmas com a palavra (pa)šalinimas (TT 1992). Além disso, alguns derivados foram corrigidos com mais de uma proposta...
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proposta: nuskausminimas (= anestezavimas, remoção da dor), nuvandeninimas (= 1. remoção da água; 2. separação da água, desidratação), nužievinimas (= 1. descascamento; 2. raspagem da casca). Acrescentaram-se ainda nusparninimas (= skristukų paisymas), nusparnintuvas (= skristukų paisiklis), relevantes para a silvicultura e a agricultura.
Um passo importante na normalização dos derivados do modelo em análise foi dado durante a preparação da terceira edição do Dicionário da língua lituana contemporânea (DLKŽ₃ 1993), para a qual os terminólogos muito contribuíram. Nela se sintetizou a experiência de quase três décadas de correções dos derivados nu- + -inti usados com o sentido de remoção, e os derivados incluídos no DLKŽ₂ 1972 — nudruskinti, nudujinti, nukenk smin ti, nuriebalinti, nusakinti, nuvandeninti — foram retirados. Também foi eliminado o verbo nuskausminti, incluído desde o DLKŽ₁ 1954. Nukalkinti foi mantido, mas com o significado alterado: em vez de “remover o calcário”, foi incluído “polvilhar com cal”; também foi incluída a palavra nurūgštinti, relevante para o sistema em análise, com o significado “tornar demasiado ácido” (a segunda acepção no LKŽe é “remover os ácidos”). Também desapareceu nubuožinti, incluído desde o DLKŽ₁ 1954, mas ele assumiu outra forma — o prefixo foi substituído e, como historicismo, incluiu-se išbuožinti, “tirar aos agricultores abastados os meios de produção e a terra”. Ainda assim, o verbo nuasmeninti foi mantido. Essa situação foi preservada nas edições impressas e eletrônicas posteriores do DLKŽ; portanto, pode-se dizer que a terceira edição foi decisiva.
Os derivados nu- + -inti (-inimas) em análise surgiram no uso especializado. Ao consultar antigos dicionários terminológicos, encontram-se derivados que, ao que parece, os revisores não mencionaram durante o período soviético, por exemplo: nudumblinimas (rus. отмучивание) “sedimentação de partículas de argila” MTŽ 1960 (o derivado também consta em GFGTŽ 1956; ChŽ 1960), nuazotinimas (ing. denitration) ALKPŽ 1958, nuklijinimas6 (rus. обесклеивание) RLKPŽ 1959, nusluoksninimo plyšiai (rus. трещины отслаивания) GFGTŽ 1956, numiškinti (ing. deforest) ALKŽŪTŽ 1977. Os derivados em análise nem sempre eram apresentados isoladamente nos dicionários; junto deles também se apresentavam sinônimos (lituanos e não lituanos), por exemplo: debark – descascar, remover a casca ALKŽŪTŽ 1977, disbark – remover a casca, descascar ALKŽŪTŽ 1977, deforest – desmatar, derrubar florestas, numiškinti ALKŽŪTŽ 1977, denitration – nuazotinimas, denitrificação ALKPŽ 1958, dewatering – nuvandeninimas, desidratação ALKŽŪTŽ 1977, обезвоживание – дегидратация, remoção da água RLKŽŪTŽ 1971, обезвоживание – nuvandeninimas, dehid-
6 Embora não tenham sido incluídos em Correções terminológicas, numa publicação aparecida no mesmo ano, A. Kaulakienė, uma das coautoras dessas correções, menciona os derivados nudrumzlinimas, nudumblinimas, nujautrinimas, nuklijinimas, nuorinimas, nuvarnalėšinimas e acrescenta ainda o verbo nukalinti (Kaulakienė 1992: 9).
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ravimas RLKMTŽ 1975, обезболивание – nuskausminimas, anestezavimas RLKŽŪTŽ 1971, обезжиривание – nuriebalinimas, riebalų pašalinimas RLKMTŽ 1975. Atkreiptinas dėmesys, kad greta tuose pačiuose žodynuose yra nemažai terminų straipsnių, kuriuose analogiškose situacijose nu- + -inti (-inimas) vedinių neteikta, pvz.: defoliate – pašalinti lapus ALKŽŪTŽ 1977, degrease – pašalinti riebalus ALKŽŪTŽ 1977, dehorn – pašalinti, nupjauti ragus ALKŽŪTŽ 1977, deplume – (nu)pešti plunksnas ALKŽŪTŽ 1977, dewool – pašalinti plaukus ALKPŽ 1958, обезвоживание – dehidratacija, vandens šalinimas RLKŽŪTŽ 1971, обезволашивание – plaukų pašalinimas RLKŽŪTŽ 1971, обезжиривание – riebalų pašalinimas RLKŽŪTŽ 1971, обеззоливание – kalkių pašalinimas RLKŽŪTŽ 1971, обезлесение – miškų iškirtimas, išnaikinimas RLKŽŪTŽ 1971, обезлиствление – lapų pašalinimas, defoliacija RLKŽŪTŽ 1971. Teikimo nevienodumus dabar sunku paaiškinti. Beje, senuose terminų žodynuose, kuriuose galima rasti įvairių nu- + -inti (-inimas) vedinių, kartais matyti įrašas, kad žodyno terminus peržiūrėjo LTSR Mokslų akademijos Lietuvių kalbos ir literatūros instituto Terminologijos komisija, minimos Jono Kruopo ir (arba) K. Gaivenio pavardės. Neaišku, ar visada kalbininkai dėl šių vedinių priekaištavo. Net jeigu ir priekaištavo, tikėtina, kad vedinius gynė dalyko specialistai. Vis dėlto žvelgiant į skirtingu metu leistus tos pačios srities terminų žodynus matyti, kad nu- + -inti (-inimas) vedinių žodynuose palaipsniui mažėjo. Štai, pavyzdžiui, 1959 m. išleistame politechnikos terminų žodyne (RLKPŽ 1959) teikiama: обезвоживание – nuvandeninimas, обезволашивание – nuplaukinimas, обезгаживание – degazavimas, nudujinimas, обезжиривание – nuriebinimas, обеззоливание – nukalkinimas, обезуглероживание – nuanglinimas, обесклеивание – nuklijinimas, атвиринimas, обескремнивание – nusilicinimas, обеспыливание – nudulkinimas, обессеривание – nusierinimas, desulfurizavimas. Po ketvirčio amžiaus leistame politechnikos terminų žodyne (RLKPŽ 1984) to paties tipo rusiškų terminų dar daugiau, bet lietuviški atitikmenys pakeisti pagal kalbos normintojų pastabas: обезвоживание – vandens šalinimas, dehidratacija, обезвоздушивание – oro šalinimas, обезволашивание – plaukų šalinimas, plikinimas, обезвреживание – darymas nekenksmingo, обезгаживание – dujų šalinimas, degazacija, обезжелезивание – geležies šalinimas, обезжиривание – riebalų šalinimas, обеззоливание – pelenų šalinimas, обезуглероживание – anglies šalinimas, обезфторивание – fluoro šalinimas, обесклеивание – klijų šalinimas, обескремнивание – silicio šalinimas, обеспыливание,
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remoção de poeira – remoção de poeira, dessulfuração – remoção de enxofre, dessalinização – remoção de sal, desfosforização – remoção de fósforo.
Mudanças semelhantes ocorreram também nos dicionários de química. No dicionário publicado em 1960 (ChŽ 1960), observa-se:
dessalinização «remoção de sais solúveis» – выщелачивание,
desgaseificação «remoção de gases» – обезгаживание,
desempoeiramento «remoção de poeira» – обеспыливание,
deslamagem «separação de materiais finos em frações; purificação com base em diferentes velocidades de sedimentação na água» – отмучивание,
descalagem «remoção da cal da pele curtida» – обеззолка, обеззоливание,
descinzamento «remoção das cinzas do papel de filtro» – обеззоливание,
depilação «remoção dos pelos da pele» – обезволашивание,
desengorduramento «remoção de gorduras» – обезжиривание,
extração de resina «extração de resina de coníferas» – подсочка,
dessiliconização «remoção de compostos de silício» – обескремнивание,
desidratação «remoção de água, humidade» – обезвоживание.
No dicionário de termos químicos publicado já após a independência (ChAŽ 1997), alguns conceitos desapareceram, surgiram palavras internacionais (a) e parte dos termos foi substituída por expressões (b):
a) desmineralização «remoção dos sais dissolvidos na água» – обессоливание, выщелачивание, demineralization,
descarbonização «1. remoção de carbono do aço; 2. remoção de CO₂ dos gases; 3. separação de CO₂ dos carbonatos aquecidos» – обезуглероживание (1), декарбонизация (2,3), decarburization (1), decarbonization (2,3),
degazavimas “1. transformação de substâncias tóxicas de combate em substâncias inofensivas; 2. remoção de gases; 3. liberação de gases e vapores do molde de prensagem de plásticos” – дегазация, дегазификация (2), обезгаживание (2), подпрессовка (3), degassing, outgassing (2), degasification (2), breathing (3),
detoksikacija “tornar uma substância tóxica inofensiva ou removê-la” – детоксикация, обезвреживание яда, detoxi(fi)cation (mas cf. remoção mecânica da nocividade “remoção mecânica de contaminantes ou cobertura com materiais inertes” – механическое обеззараживание, mechanical decon-tamination);
b) remoção de cal “remoção de cal da pele em bruto” – обеззоливание, обеззолка, deashing, ash removal,
remoção de pelos, depilação – “remoção dos pelos e da epiderme do couro em processamento” – обезволашивание, depilation,
remoção de gordura “separação da gordura da superfície de um material (1) ou do seu volume (2)” – обезжиривание, degreasing (1), defatting (2),
remoção de água “redução do teor de água num material por meio de dessecantes, ações mecânicas ou calor” – обезвоживание, dewatering, dehydration.
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Descalcificação, desengorduramento ChAŽ 1997 assinala como não recomendados. Destaca-se apenas a indicação remissiva deste termo: nusakinimas ver sakinimas; sakinimas “extração de resina de coníferas especialmente entalhadas” – nodочка. O termo sakinimas (nodочка), não relacionado a nusakinimu, já constava de ChŽ 1960. No referido dicionário politécnico revisto (RLKPŽ 1984), sakinimas era indicado tanto como equivalente de nodочка quanto de обессмоливание.
Nem na Gramática da língua lituana académica Lietuvių kalbos gramatikoje, nem na Gramática do lituano contemporâneo Dabartinės lietuvių kalbos gramatikoje se fala de verbos com prefixo pertencentes ao modelo em causa. Menciona-se apenas o significado conferido pelo prefixo: “algo é separado de algo por meio da ação designada pela palavra-base”, por exemplo, nudrėksti (LKG II 1971: 279). A correção do sentido de remoção começou pelo verbo de origem adjetival nuriebinti (riebinti: riebus), cuja formação não suscita dúvidas; trata-se antes de uma questão semântica. Mais tarde, passou-se aos verbos de origem nominal, como nuriebalinti (: riebalai). O LKŽe regista o verbo riebalinti “untar com gordura” (neste sentido registei riebaluoti), mas é provável que nuriebalinti tenha surgido como derivado híbrido, formado diretamente de riebalai por analogia com outras línguas (tal como, por exemplo, įvaikinti, išūnyti diretamente de vaikas, sūnus). Aparentemente, aqui são possíveis duas interpretações, ou seja, pode-se reconhecer tanto uma formação prefixal como uma formação híbrida. Em alguns derivados do modelo em discussão, a formação híbrida é mais evidente, por exemplo, nuplaukinti (: plaukai), nuvandeninti (: vanduo).
No Dicionário do lituano contemporâneo, entre outros sentidos, distingue-se que os derivados verbais com o prefixo nu- significam “separar ou remover algo”; dão-se como exemplos numauti, nupjauti, nuplėšti, nupratinti (DLKŽ₆ 2006). Não se mencionam aqui verbos de origem nominal, embora haja exemplos no dicionário, como: nubalnoti “retirar a sela”, nuginkluoti “desarmar”, nukainoti “reduzir o preço, desvalorizar”, nukamanoti “tirar as rédeas”, nukelneti “tirar as calças” (DLKŽ₆ 2006). DLKŽ₂ 1972 incluía até nukaukiuoti “tirar a máscara, desmascarar”, mas este foi eliminado das edições posteriores (provavelmente porque não existe kauk(i)uoti). A estes derivados aproxima-se também o derivado com o sufixo -inti nuvertinti “1. reduzir o valor, tornar de baixo valor; 2. tornar completamente sem valor” (DLKŽ₆ 2006). É verdade que poderia ser tratado como causativo em relação ao verbo nuvertėti, não registado em mais de um DLKŽ, tal como nutautinti é causativo em relação a nutautėti, nutautsi “perder características nacionais, assimilar-se”. Tanto no verbo causativo como no intransitivo, nu- indica perda (remoção). Diferente é nudulkinti “remover o pó”; aqui só se pode reconhecer o aspeto perfectivo, pois dulkinti já significa “atirar pó-
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Alvydas Umbrasas
Nuo nuriebalinimo iki nuprasminimo: teikyba ir vartosena
… levantar poeira” (na verdade, pelo menos em teoria, nudulkinti também poderia significar a ação oposta à remoção da poeira — espalhar poeira ou algo semelhante —, pois o primeiro significado de dulkinti é «levantar poeira, fazer com que haja poeira» (DLKŽ₆ 2006).
Šiame kontekste įdomu atkreipti dėmesį į veiksmažodį nusavinti. DLKŽ₁ 1954, DLKŽ₂ 1972 jis buvo aiškinamas „atimti ir perduoti ką valstybės ar visuomenės nuosavybėn“. Kaip matyti, nu- čia reiškia ypatybės šalinimą, t. y. padarymą, kad daiktas būtų ne kažkieno savo, o visų. Tvarkant DLKŽ₃ 1993 galbūt desovietizacijos kontekste, bet neatmestina, kad ir dėl nagrinėjamų nu- + -inti vedinių taisymo reikšmė pakeista iš esmės – „kitam paimti ką nuosavybėn“, t. y. turimas omenyje padarymas, kad būtų savo (prilygsta pasisavinti), iš vieno savininko daiktą paima kitas (abi reikšmės fiksuojamos LKŽe). Vėliau (nuo DLKŽ₅ 2003) reikšmė pakeista dar kartą, praplėsta – „buvusį ką nesavą paimti nuosavybėn“, t. y. padaroma, kad daiktas taptų savo, bet nesvarbu, ar priklausė kam nors anksčiau. Vis dėlto aiškinant kitus žodžius nusavinti vartojama lyg ir pirmuosiuose DLKŽ buvusia reikšme: konfiskacija – „priverstinis n u s a v i n i m a s, atėmimas valstybės naudai“, konfiskuoti – „daryti konfiskaciją, n u s a v i n t i“, rekvizicija – „priverstinis atlygintinis n u s a v i n i m a s ar laikinas paėmimas valstybės reikalams“ (DLKŽ₆ 2006). Vartosenoje nusavinti dažnas konfiskavimo, nacionalizavimo kontekstuose, pavyzdžiui, LRTB aprobuota: nekilnojamojo turto savininkas – „asmuo, kurio nekilnojamasis turtas pagal TSRS (LTSR) įstatymus buvo n a c i o n a l i z u o t a s ar kitaip neteisėtai n u s a v i n t a s ir kuriam pagal Lietuvos Respublikos piliečių nuosavybės teisių į išlikusį nekilnojamąjį turtą atkūrimo įstatymą atkuriamos nuosavybės teisės į išlikusį nekilnojamąjį turtą“. Įdomu tai, kad šiais laikais galbūt gretinant su nusavinti sugalvojama pasidaryti ir nusvetiminti, pvz.: „<...> savaip sužmogina („n u s v e t i m i n a“) tai, kas iš tikrųjų anaiptol nėra nei žmogiška, nei žmogui nesvetima“ (Petras Setkauskis, 1994⁷).
USO ATUAL
A maioria dos derivados nu- + -inti (-inimas) mencionados anteriormente em trabalhos de revisores linguísticos ao longo de mais de meio século, e incluídos em alguns dicionários, são de origem nominal e designam a remoção de uma coisa concreta específica, geralmente um material. No uso atual, pelo menos parcialmente acompanhado por editores, a…
7 Exemplo do DLKT. Aqui e adiante, ao apresentar exemplos do corpus, além do ano de publicação, indica-se também o autor do livro ou o título do periódico.
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…riedade, alguns dos derivados anteriormente registados estão totalmente ausentes (por exemplo, nuanglinti, nuazotinti, nudumblinti, nuplaukinti, numiškinti8, nusilicinti), enquanto alguns ainda ocorrem (todos os derivados de origem nominal encontrados que designam remoção de materiais estão apresentados na Tabela 1; na coluna DLKT, indica-se o número de ocorrências das palavras, incluindo formas verbais e substantivos abstratos em -imas; na coluna lrytas.lt, indica-se o número de publicações cujo texto contém a palavra).
Tabela 1. Derivados de origem nominal que designam remoção de materiais
Nu– + –inti | DLKT | lrytas.lt | Nu– + –inti | DLKT | lrytas.lt nugeležinti | 63 | 18 | nudruskinti | 4 | 4 nužievinti | 44 | 11 | nupeleninti | 2 | 0 nuriebalinti | 16 | 9 | nukalkinti | 1 | 9 nusierinti | 14 | 5 | nugyslinti | 1 | 0 nusakinti | 11 | 0 | numėšinti | 1 | 0 nuvandeninti | 7 | 1 | nusparninti | 1 | 0 nuorinti | 5 | 12 | nudujinti | 0 | 1 nukraujinti | 5 | 3
Não se sabe quantos desses derivados aparecem nos textos originais, não editados, fornecidos pelos autores, mas, como se pode ver, nas publicações finais os derivados não são muito numerosos nem variados; o mais usado é nugeležinti (nugeležinimas), por exemplo: «A empresa instalou um poço artesiano, um equipamento de d e s f e r r i z a ç ã o da água e uma rede de abastecimento de água com 2,5 km de extensão <...>» (Žemėtvarka ir hidrotechnika, 2004). A palavra, menos frequente, nužievinti (por exemplo: «É evidente que a d e s c a s c a da parte aérea dos cepos é ineficaz e não deve ser aplicada» (Mūsų girios, 1997)); em contextos semelhantes, usa-se também nusakinti. Como já mencionado, o verbo nusakinti foi retirado do DLKŽ₃ 1993, mas desde o DLKŽ₁ 1954 consta sakinti, «deixar escorrer a resina», embora apenas a partir do DLKŽ₃ 1993 essa palavra tenha recebido a marca knyg. (uma vez que o verbo provavelmente foi formado por analogia com nusakinti); assim, se necessário, nusakinti pode designar o aspeto perfectivo do evento. De modo semelhante a sakinti, também se usa žievinti, não codificado no DLKŽ (consta no LKŽe: «descasc ar, retirar a casca»), por vezes no mesmo contexto,
8 Encontrou-se apenas algumas vezes apmiškinti, que designa a ação oposta; esta palavra também é corrigida (TT 1992).
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por exemplo: «Ele chamou a atenção para o pinhal jovem não resinificado do outro lado da estrada, onde há 5% mais árvores apodrecidas do que no pinhal resinificado. Como observou o prof. Vytautas Valenta, os pinheiros resinados, sentindo que vão morrer, tornam-se mais ativos e deixam mais descendentes. Ao inspecionar o corte, o professor concordou que os cepos não tinham sido descascados» (Mūsų girios, 1997). Sakinti e žievinti provavelmente surgiram em época semelhante9 e são palavras de qualidade essencialmente semelhante, podendo ambas ser corrigidas ou recomendadas da mesma forma (cf. também «<...> foi celebrado um contrato com a empresa sueca “Vallby Staket & Stolpar” para fabricar estacas descascadas» (Mūsų girios, 1995)).
Os derivados apresentados na Tabela 1 são geralmente usados com o sentido de remoção, exceto nukalkinti, que é usado com dois sentidos, cf. «Se a água estiver descalcificada (filtrada), o sabão faz muita espuma» (Laima, 1996) e «É claro que a relva debaixo das árvores fica branca como se tivesse sido descalcificada» (Lietuvos rytas, 2002). Ocasionalmente, formam-se também outros derivados a partir de palavras do modelo em análise, por exemplo, automatinis nuorintuvas (Statyba ir architektūra, 2004), dūmų nusierintuvas. Em geral, não se formam derivados do modelo em análise com o sentido de remoção de algo material que não seja uma substância. Vê-se apenas uma ou outra tentativa de «embelezar» o texto, por exemplo: «<...> as coisas aconteceram ao contrário: não tínhamos piolhos, mas apanhámo-los depois do banho. Fomos “despiolhar-nos” e voltámos “piolhentos”» (Birutė Pūkelevičiūtė, 2003).
Entre os derivados de nu- + -inti (-inimas), há muito corrigidos, nuriebinti destaca-se claramente como derivado de origem adjetival, e não nominal (argumenta-se que deveria significar excesso de uma propriedade, e não a sua remoção, isto é, «tornar demasiado gorduroso», e não «fazer com que deixe de ser gorduroso, remover a gordura»). A consulta ao DLKT e às publicações de lrytas.lt não encontrou nenhum caso de uso com o sentido de excesso, mas há alguns casos com o sentido de remoção de uma propriedade: 14 ocorrências no DLKT e 11 publicações com esta palavra em lrytas.lt, por exemplo: «O leite desnatado conserva todo o cálcio que contém» (Artuma, 2003), «O cabelo seca depois da chuva porque os ácidos têm efeito desengordurante» (lrytas.lt 2014-03-19). O derivado nurūgštinti também é de origem adjetival, embora, no contexto em análise, pelo menos em teoria, pudesse associar-se também aos derivados de origem nominal anteriormente mencionados com sentido de remoção de uma substância (relacionando-o não com rūgštus, mas com rūgštis). Com o sentido de excesso de uma propriedade, nurūgštinti
9 Também se constata uso anterior ao período soviético: «A tecnologia de resinagem aplicada na Lituânia foi descrita em pormenor: antes da Segunda Guerra Mundial, por S. Kripas, no artigo “PUŠIES NUSAKINIMAS LIETUVOJE” (“Mūsų girios”, 1935, n.º 6/7); depois da Segunda Guerra Mundial até aos nossos dias, por A. Alekna, no livro “PUŠYNŲ SAKINIMAS”, Kaunas, 1989» (Mūsų girios, 1997); «Se o corte do material estiver previsto para junho ou mais tarde, será então necessário descascar os toros encontrados e empilhá-los em paletes, para que não toquem no chão <...>» (Ūkininko patarėjas, 1936-02-06).
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Não se encontra no DLKT nem em lrytas.lt, mas ocorre com o sentido de remoção (12; 510), por exemplo: «Se o solo for ligeiramente ácido, é necessário desacidificá-lo com cal <...>» (lrytas.lt 2015–04–14). Pode mencionar-se aqui também o verbo nusodrinti, usado ocasionalmente (5; 5) com o sentido de remoção. No DLKT, está registado na Lei da República da Lituânia sobre Energia Nuclear de 1996: «Materiais nucleares — plutónio, urânio (natural, enriquecido com isótopos de urânio 235 ou urânio 233, e empobrecido) e tório, sob a forma de liga metálica, composto químico ou concentrado, ou numa mistura com outras substâncias», mas a formulação aprovada na LRTB para a atual Lei da República da Lituânia sobre Segurança Nuclear de 2011 é: «Materiais nucleares — plutónio, urânio (natural, enriquecido com isótopos de urânio 235 ou urânio 233, ou empobrecido) e tório, presentes em ligas metálicas, compostos químicos ou concentrados, ou em misturas com outras substâncias» (nuskurdinimas, com este sentido, consta de dicionários de termos, por exemplo, FTŽ 2007). No uso, nusodrinti também tem o sentido de atribuir uma propriedade, por exemplo: «Uma passerelle outono-inverno em tons de chocolate, ocre e vinho da Borgonha» (lrytas.lt 2011–03–09). No DLKT, encontrou-se até mesmo uma formação totalmente ocasional, criada a partir de um adjetivo composto: nuvienprasminti: «<...> procura complicar e desambiguar a estilística e o estilo, mas, ainda assim, em quase todas as frases se insinua insistentemente, sabe-se lá de onde, a experiência de um escritor de romances policiais e anedotas» (bernardinai.lt 2007–01–03).
Não se observa que, anteriormente, as publicações sobre a língua tenham corrigido derivados do modelo em análise com o sentido de remoção de uma propriedade e com raiz não lituana. No uso atual, encontram-se vários derivados deste tipo (ver Tabela 2). Todos são usados raramente; registam-se alguns casos de uso ou, por vezes, apenas um, mas isso deve-se em parte também à falta de relevância dos próprios conceitos para um uso mais amplo, por exemplo: nuabsoliutinti, nuindividualinti, nukonkretinti, nurealinti, nusakaralinti (os dois últimos são os mais frequentes; no DLKT há 11 ocorrências de cada). As razões para o aparecimento destes derivados são previsíveis: em vez de derivados como absoliutizuoti, konkretizuoti, costuma recomendar-se absoliutinti, konkretinti (por exemplo, para konkretizuoti, consulte-se konkretinti no DLKŽ₆ 2006); por isso, ao lado de dekonkretizuoti, deindividualizuoti (não se encontrou deabsoliutizuoti no uso), surgem nukonkretinti, nuindividualinti, tanto mais que estas formas são favorecidas pelos derivados que designam a ação oposta sukonkretinti, suindividualinti. Por vezes, o sistema de derivados desenvolve-se amplamente: além de materializuoti, dematerializuoti e da forma reflexiva dematerializuotis, formam-se sumaterialinti, numaterialinti, sumaterialėti, numaterialėti e ainda įmaterialinti (para exemplos de uso, ver Tabela 2).
10 O primeiro algarismo indica o número de ocorrências no DLKT; o segundo, o número de publicações em lrytas.lt.
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Tabela 2. Derivados de origem adjetival com raiz não lituana que expressam a remoção de uma propriedade
Nu– + –inti
Cf.
Exemplos
nuabsoliutinti
suabsoliutinti
«Tendo-se proposto desabsolutizar os valores absolutizados no século XIX, Leskaitis anuncia crises em várias áreas da vida <...>.» (Darbai ir dienos, 2003)
nuindividualinti
individualizar; desindividualizar
«A tecnicização do ser humano é, antes de mais, a sua reificação, despersonalização e desindividualização.» (Arvydas Šliogeris, 1996) «<...> o corpo individualiza e concretiza a alma, prendendo-a ao presente vivo e à proximidade sensorial <...>.» (Arvydas Šliogeris, 1999) «Na metafísica, o ser humano não é tão desindividualizado, socializado e anónimo como na ciência.» (Problemos, 1996)
desconcretizar
concretizar descontextualizar
«A tentativa de desnacionalizar o mal (ou o bem) significa uma tentativa de o desconcretizar, isto é, de o mistificar.» (Romualdas Ozolas, 2003) «Seria possível concretizar uma conclusão tão vaga, por exemplo, com uma citação de um jornal económico recente <...>.» (Knygnešys, 1995) «O conteúdo da redação eslava oriental sofreu, em si, o efeito de uma descontextualização parcial dos detalhes históricos.» (Darius Baronas, 2000)
desmaterializar
materializar materializar-se desmaterializar-se imaterializar desmaterializar(-se)
«Objetos banais, jeans, achatados, como que desmaterializados, e assim reforçado o efeito decorativo.» (Kauno diena, 2002) «Independentemente da visão particular do criador sobre a religião, a criação é influenciada também pela fé dos outros, influenciada por uma imagética da fé materializada.» (Viktorija Daujotytė, 2003) «Assim, terminado um ciclo de materialização-desmaterialização do princípio divino, terá de começar um novo ciclo.» (Mindaugas Tomonis, 1995) «<...> acrescentando uma perceção baseada em dados empíricos sensoriais ou sociais e tendo-a desfeito, obtemos um resultado que não pode ser verbalizado, muito menos pode ser imaterializado.» (7 meno dienos, 2007-07-06) «<...> no mundo tudo se torna cada vez mais virtual e se desmaterializa, e daí surgem comunidades virtuais não hierárquicas inteiramente novas <...>.» (Atgimimas, 2007-01-19) «Com o uso destas tecnologias, a casa é como que desmaterializada.» (Kauno diena, 1995)
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Des– + –izar
Cf.
Exemplos
desrealizar
surrealizar desrealizar
«<...> em todos estes casos, a situação erótica é desrealizada e já não é tão importante se o amigo será Ela ou Ele, uma vez que se dá ênfase à ligação espiritual.» (Saulius Žukas, 1995) «Um instante de incerteza que surrealiza o mundo.» (Vytautas Rubavičius, 1997) «A realidade dos sonhos é alterada, desrealizada; podemos chamá-la poética.» (Laima, 1997)
dessacralizar
sacralizar dessacralizar
«Hoje, na Lituânia, evidencia-se uma tendência para dessacralizar o sacerdócio.» (Dienovidis, 1996) «A poesia torna o mundo nobre, sacraliza-o.» (Švyturys, 1996) «A televisão dessacraliza o processo político e os seus protagonistas <...>.» (Žygintas Pečiulis, 2007)
Ao lado de derivados com radical não lituano, surgem também derivados análogos com radical lituano, por exemplo, ao par nusakralinti – susakralinti (cf. desakralizuoti, sakralizuoti) acrescenta-se o par nušventinti – sušventinti (a). De modo semelhante, ao lado de moralizuoti – demoralizuoti surge sudorinti – nudorinti (b), e ao lado de sensibilizuoti – desensibilizuoti começa-se a usar sujautrinti, įjautrinti – nujautrinti (c), por exemplo:
a) «Vemos como, na filosofia de Tomás de Aquino, ocorre uma dessacralização do mundo ainda oculta, mas claramente pressentida, seu desencantamento e desdivinização, que, na era moderna, se transformou numa norma fundamental das relações do ser humano com o mundo» (Arvydas Šliogeris, 1996); «<...> Considero a sacralização do nome da Lituânia um fator extraordinariamente importante para a preservação e o fortalecimento da identidade lituana nas condições da ocupação soviética <...>» (lrytas.lt 2016-04-13);
b) «<...> uma escola da qual Deus foi expulso não é neutra — ela propaga o ateísmo e desmoraliza os jovens» (Soter, 2000); «O cosmopolitismo é uma tentativa de moralizar o egoísmo, uma tentativa de corrigir a imoralidade por meio da sua ideologização» (Kultūros barai, 1997); «A negação dos princípios morais mata a criatividade e exerce uma influência desmoralizadora sobre toda a nação» (Juozas Keliuotis, 1997);
c) «<...> é preciso consultar um especialista em doenças dos pés ou um dermatologista, que, depois de dessensibilizar a área, removerá o canto da unha encravado» (Cosmopolitan, 2004); «<...> não se deve esquecer os alérgenos anteriores; é preciso evitá-los durante toda a vida, pois a probabilidade de dessensibilização espontânea é muito baixa» (Caritas, 1996); «Na primeira vez que entram no organismo, os alérgenos ainda não causam a doença, mas sensibilizam o organismo, isto é, começam a produzir anticorpos» (Sveikata, 1995);
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«<...> a formação da imagem corporal é consequência da sensibilização dos campos sensoriais; estes são sensibilizados pelas ondas acústicas emitidas durante a fonação» (Psichologija, 2002).
Segundo o mesmo modelo, também se formam derivados de origem nominal, por exemplo, numitinti – sumitinti (cf. demitologizuoti, mitologizuoti):
«A historiografia surge como instrumento de desmitificação do mito e de desmascaramento da ficção poética, separando-a da realidade» (Arūnas Sverdiolas, 1996);
«<...> A história da Lituânia está mitificada e excessivamente romantizada; no subconsciente de muitos lituanos reside um complexo de grande potência» (Filosofija ir sociologija, 1997);
«O processo de desmitificação dos acontecimentos históricos conduz a uma visão mais racional da história <...>» (Valentinas Brandišauskas, 1995).
É interessante que, para a mesma finalidade, também se recorra a desmitologizar, desmitificar, desmitologizar:
«Emilija Pliaterytė, que não descende deste ramo dos Pliateriai, mas de outro, talvez um tanto mitificada, é conhecida como participante da revolta de 1831, ou seja, como figura política» (Meilė Lukšienė, 2000);
<...> acreditava sinceramente que o Novo Testamento estava repleto de imagens mitológicas e, por isso, devia ser desmitologizado» (Česlovas Kavaliauskas, 1998);
«Por isso, o pathos negador da literatura atual é, em parte, determinado pelos esforços para desmitificar a vida da sociedade <...>» (Vytautas Rubavičius, 1997).
Por vezes, não é inteiramente claro se os derivados com raiz não lituana nu- + -inti (-inimas) são de origem nominal ou adjetival, pois, no derivado, o radical é desintegrado11. Por exemplo, o neologismo criado nuerotinti talvez possa ser relacionado, através das etapas de formação, tanto com erotika como com erotinis, erotiškas («eliminar os traços de erotismo», «fazer com que deixe de ser erótico»); nukomunistinti pode ter relações derivacionais com komunistas, komunizmas, komunistinis, komunistiškas (para mais exemplos e microssistemas, ver a Tabela 3). Mesmo quando há relações derivacionais com substantivos, observa-se aqui ainda o sentido de remoção de uma propriedade, apenas uma propriedade que decorre do substantivo e está associada a ele. Vê-se também que coexistem deerotizuoti, dekomunizuoti. A formação de todas as analogias mencionadas com de- e nu- mostra que, devido aos pares opositivos de palavras não lituanas que se formam (com de- e sem esse prefixo), o sistema de prefixos do lituano também sofre pressão para formar pares análogos, o que por vezes se concretiza na oposição entre nu- e su-.
11 Dėl dezintegracijos žr. Urbutis 1978: 125–128, 198–208.
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Tabela 3. Derivados de origem substantiva ou adjetiva, com raiz não lituana, que expressam a remoção de uma propriedade
Nu− + −inti
Cf.
Exemplos
deserotizar
erotizar, erotizar novamente
«O direito imaginado e apropriado pelo intelectual de deserotizar a nação significa sua tentativa de voltar a enfatizar a importância de seu papel como guardião da castidade da nação.» (Kultūros barai, 1997) «<...> minha heroína em “Dawson’s Creek” era sexy, erotizada...» (lrytas.lt 2012-01-20) «<...> tendência evidente a des-erotizar a relação entre Aschenbach e Tadzio, recorrendo a regressos ao passado <...>.» (7 meno dienos, 2005-03-04)
descomunizar
comunizar, descomunizar
«Ainda mais porque, provavelmente, este é apenas um episódio do grande problema da descomunização da sociedade lituana, e seria preciso abordar essas questões de forma abrangente.» (LRS, 1991) «Assim, a operação secreta de liquidação foi preparada apenas pelos mais altos funcionários do departamento de segurança comunizado.» (Lietuvos aidas, 1997) «Podemos nos tornar o primeiro país a ser descomunizado <...>.» (Vytautas Landsbergis, 2000)
despolitizar
politizar, politizar, despolitizar, despolitizar
«<...> a longa duração do regime vadista chegou a despolitizar parte da sociedade, afastando-a do interesse pelos assuntos de Estado <...>» (Filosofija ir sociologija, 1995) «A interpretação sociológica da literatura feita por Korsakas, então ainda particularmente politizada e ideologizada, era totalmente estranha a Mykolaitis.» (Meilė Lukšienė, 2000) «Até movimentos regionais e subétnicos, como, por exemplo, as tentativas de politizar o movimento dos žemaičiai, também podem ser interpretados como portadores dos interesses dos habitantes da província.» (bernardinai.lt 2008-04-17) «<...> a construção da identidade europeia é inevitavelmente acompanhada pela sutil despolitização e desconstrução dos povos da Europa.» (lrytas.lt 2016-01-19) «Sob o pretexto da despolitização da escola, prejudica-se a educação patriótica dos jovens.» (Zigmas Zinkevičius, 1999)
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Des- + -ar
Cf.
Exemplos
desreligar
religar desreligiosar dereligionizar
“O lugar de Deus na consciência de muitas pessoas modernas é ocupado pela tecnologia. Mas nem a própria religião escapou de uma interpretação dessacralizante, que a desreligiosa.” (Filosofia e sociologia, 1996) “Não é por acaso que os sistemas filosóficos da Índia, que nascem de uma tradição mitológica milenar, são tão rapidamente religiosizados, fundem-se com antigas correntes de fé ou dão origem a novas correntes.” (Romualdas Ozolas, 1997) “O secularismo, por sua vez, não é um processo linear de desreligiosização, mas um processo contraditório que, como se torna cada vez mais claro, está em crise e esgotando suas possibilidades.” (Filosofia e sociologia, 1996) “Vivemos tempos em que a sociedade paga caro pela derreligização anterior, pela dessacralização e pela rejeição da fé.” (Sigitas Geda, 1999)
desromantizar
romantizar desromantizar
“A época pós-modernista caracteriza-se pela desromantização da personalidade patológica, mas também pela completa libertação e realização, na arte, das capacidades humanas — destrutivas e criativas, boas e más.” (Mokykla, 1996) “<...> V. Mykolaitis-Putinas é bastante mais crítico quanto à romantização generalizada da literatura lituana.” (Lituanistica, 2003) “Seguiu-se o caminho da desromantização, até mesmo da dessacralização do amor e da destituição do pedestal.” (Dienovidis, 1995)
Ao examinar as fontes DLKT e lrytas.lt, constata-se que o uso atual apresenta uma variedade relativamente grande de derivados de origem nominal des- + -ar (-ização), que denotam a remoção de uma propriedade ou de outro elemento imaterial e abstrato. Alguns são usados com bastante frequência (os dados de frequência serão apresentados mais adiante), outros, muito raramente. Em geral, formam-se uns por analogia com outros, por vezes desenvolvendo microssistemas consideráveis. Por exemplo, temos o microssistema de palavras já consagrado e codificado no DLKŽ: valor, avaliar, valorizar, desvalorizar, desvalorizar-se, desvalorizar (como mencionado anteriormente, desvalorizar-se não consta do DLKŽ, mas é necessário neste sistema (está no LKŽe)). É provável que, por influência dessa analogia, se tenha formado um microssistema semelhante, de uso muito restrito: significado, significar, conferir significado, sobrevalorizar, retirar o significado, desvalorizar, perder significado, dessemantizar, por exemplo:
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“Cada figura de composição, ao demonstrar a habilidade do orador, fortalece e confere significado à informação <...>” (Regina Koženiauskienė, 2001);
“Quando a tristeza e o desespero são culturalmente dotados de significado, deixam de se tornar doença, depressão” (Vytautas Kavolis, 1996);
“Pois, ao atribuírem importância apenas ao cosmos sensível, os sofistas, ao mesmo tempo, desvalorizaram o cosmos inteligível destacado pela filosofia anterior, mas ainda não separado do cosmos sensível e, por isso, problematizado <...>” (Problemos, 2003);
“<...> se acreditarmos nas considerações acima expostas sobre a relação entre expressão e significado, ao expressarmos, antes desvalorizamos do que atribuímos importância ou conferimos significado” (Darbai ir dienos, 1999);
“<...> a expressão costuma ser depreciativa. E, no poema, a criação de tal mitologia conduz à mais simples afirmação da verdade, à «expressão» dos sentidos e significados poéticos” (bernardinai.lt 2007-05-16);
“<...> por causa desta circunstância, por vezes pode desvalorizar excessivamente o lado emocional da religião” (Gintaras Beresnevičius, 1997);
“Assim, até a colina foi dessemantizada, desprovida de significado enquanto objeto mítico e sagrado” (Giedrius Viliūnas, 2001).
Embora sejam um tanto diferentes quanto à formação (entre valor e avaliar seria possível perceber uma motivação derivacional recíproca, enquanto significado é claramente a palavra-base do verbo significar, pois se mantém o sufixo -m-), valor e significado são palavras do mesmo campo semântico. A essa série acrescentam-se ainda sentido, dar sentido, dotar de sentido, retirar o sentido, explicitar o sentido (a), bem como essência, essencializar¹², conferir essência, dotar de essência, retirar a essência, explicitar a essência, deixar de ter essência (b), por exemplo:
a)
“<...> ela encarnava diligentemente sua visão; sem dúvida, ele havia encontrado um pequeno fragmento de sonho: uma partícula de sono que «deu sentido» à sua existência” (Viktoras Katilius, 1996);
“Neste caso, evidencia-se a oposição entre «antes» e «agora»: antes, a estética conferia sentido à realidade; agora, retira-lhe o sentido” (Literatūra, 2003);
“Eis por que a fé deveria ser considerada o oposto de conferir sentido; eis por que a fé é uma irrupção que esvazia o sentido” (Arvydas Šliogeris, 1999);
b)
“Mais significativo para eles é ainda criar pensamentos e conceitos e expressar seus desejos na vida, criar-se por meio deles, dotar-se de essência, isto é, criar a vontade” (Vydūnas 2013: 23–24);
“<...> afasta-o «do aristotelismo-tomismo, dessas filosofias essencialmente da “essência”, mas também do platonismo, que, ao postular um reino das ideias no além, esvaziou o mundo de essência, transferindo para fora dos objetos as essências das coisas»” (Respectus Philologicus, 2001);
“E a maior tarefa que nos foi proposta, a nós seres humanos, é dotar o ser de essência” (Peteris Wustas, 2000);
“<...> cada ver e não ver, cada fazer e não fazer, cada conferir e retirar essência, cada criar e destruir-
12 O verbo essencializar não consta no DLKT, mas foi encontrado um exemplo de Vydūnas.
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Alvydas Umbrasas
Nuo nuriebalinimo iki nuprasminimo: teik(yba ir vartosena
O significado ocorre aqui, no cume da colina, entre o sensível e o suprassensível” (Arvydas Šliogeris, 1999);
“Visto assim, o culto é um fator de extraordinária importância na vida, que ajuda o ser humano a evitar o esvaziamento e a banalização <...>” (Vincas Vyčinas, 2001).
As palavras apresentadas encontram-se sobretudo em textos de filosofia, crítica literária e áreas afins. As formações derivadas de dar significado, dar sentido, essencializar são mais usadas com prefixos. Em geral, fica a impressão de que as formas sem prefixo desses neologismos são por vezes criadas mais tarde do que as formas prefixadas. Nota-se uma oposição entre ação ativa e espontânea (desvalorizar – perder valor, retirar importância – perder importância, desessencializar – perder essência; só não foi encontrado perder sentido ao lado de retirar o sentido). Também se observa uma oposição entre atribuição e remoção de uma característica ou conteúdo. Esta última oposição é obtida contrapondo derivados com os prefixos su-, į- aos que têm os prefixos nu-, iš- (dar importância, atribuir significado – retirar importância, despojar de significado; dar sentido – retirar o sentido, esvaziar de sentido; conferir essência, essencializar – retirar a essência, desessencializar). Embora se pudesse esperar oposições su- – nu- e į- – iš-, os exemplos mostram que os pares se misturam; por exemplo, a conhecida oposição avaliar – desvalorizar (“<...> tendemos a duvidar de nós próprios, a desvalorizar-nos mais do que nos avaliamos” (bernardinai.lt 2008-01-13); “Na obra literária ocorre uma reavaliação, uma desvalorização e uma avaliação” (Literatūra, 2003)). No LKŽe, o verbo išvertinti é equiparado a įvertinti, «reconhecer o valor de alguém ou algo, estimar, respeitar», mas išvertinti não foi encontrado nas fontes consultadas. No uso atual existem oposições correntes com prefixos diferentes, por exemplo (palavras do DLKŽ₆ 2006): montar – desmontar, casar – divorciar, registrar – cancelar o registro, ligar – desligar; aqui cabe mencionar também assimilar culturalmente – desnacionalizar. Também se empregam prefixos para expressar oposição com raízes diferentes, por exemplo: adensar – rarefazer, economizar – desperdiçar, encharcar – secar, emocionar – acalmar. Foram codificadas oposições entre neologismos verbais derivados de substantivos: įelektrinti, «dar carga elétrica», – išelektrinti, «eliminar a carga elétrica de um corpo»; įmagnetinti, «conferir propriedades magnéticas», – išmagnetinti, «eliminar as propriedades magnéticas de um corpo» (DLKŽ₆ 2006). Como a língua tem numerosas oposições su-, į- – iš-, aparentemente considerou-se que a expressão iš- + -inti é mais característica do lituano do que nu- + -inti; por isso, o verbo anteriormente recomendado nubuožinti no DLKŽ₃ 1993 foi substituído por išbuožinti13, embora, ao corrigir um significado de remoção
13 A essa alteração pode ter contribuído também o facto de o equivalente russo não usar o sufixo de valor de remoção обез- (обес-), mas sim o prefixo раз- (рас-), que expressa a anulação do resultado de uma ação anterior, isto é, раскулачить. Compare-se ainda desmagnetização – размагничивание, despressurização – разгерметизация (RTŽ 2000).
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Os derivados com nu- + -inti eram por vezes corrigidos por neologismos com iš- + -inti; por exemplo, em vez de išsovietinti, propunha-se usar preferencialmente desovietizuoti (Rudaitienė 1993: 13), em vez de išpolitinti – depolitizuoti (KK 2003: 84). Esta última proposta foi justificada pelo facto de não existir supolitinti, embora, na realidade, essa palavra já tivesse surgido no uso; quando necessário, também se cria įpolitinti (ver a tabela 3). A propósito, iš- + -inti normalmente não é usado com o sentido de remoção de matéria, mas ATTŽ 2001 regista išvarnalėšinimas — «remoção de impurezas vegetais da lã» (обезпенивание), išvarnalėšinimo mašina — «máquina para remover mecanicamente impurezas vegetais da lã» (обезпенивающая машина). É evidente que assim foi corrigido nuvarnalėšinimas. J. Klimavičius afirmou que nuvarnalėšinimo mašina soa anedótico, mas não propôs uma forma recomendada (Klimavičius 1974: 19). A alteração do prefixo no dicionário parece um tanto estranha. Ao que parece, era preciso procurar outras soluções (as definições não o indicam claramente, mas talvez pudesse simplesmente ser remoção de bardanas, máquina de remoção de bardanas). Cf. обезпенивание – remoção de bardanas (RLKPŽ 1984). Também parece um tanto estranho išmiškinimas, usado ocasionalmente, por exemplo: «Isto não é um desmatar, não é a destruição da floresta, mas um desbaste localizado e moderado da floresta, realizado com responsabilidade <...>» (lrytas.lt 2016-04-24).
Como já foi referido, na preparação do DLKŽ3 1993 foram abandonados muitos derivados nu- + -inti com sentido de remoção, mas nuasmeninti foi mantido. É provável que o argumento para conservar essa palavra no dicionário tenha sido o facto de também se incluírem suasmeninti, įasmeninti; pode também ter contribuído o argumento de que «não temos nada com que substituir tal formação» (Paulauskienė 2001: 95), bem como a tradição de uso14. É verdade que alguns docentes de linguagem especializada, seguindo o modelo de correção de derivados análogos, também corrigem nuasmeninti e propõem usar a expressão tornar impessoal (Kazlauskienė ir kt. 2010: 62; Bielinskienė ir kt. 2014: 187), mas é pouco provável que isso afete o uso desta palavra, recomendada há muito tempo, sobretudo porque é bastante usada (ver a tabela 5) e aparece em dicionários terminológicos (por exemplo, nuasmeninimas, SŽ 1993; nuasmenintasis programavimas, ITŽ 1997). Nota-se mais claramente outra tendência: se é permitido usar nuasmeninti, os falantes não evitam usar também nužmoginti, sobretudo porque essas palavras ocorrem frequentemente em contextos semelhantes ou mesmo lado a lado (por exemplo,
14 A palavra já era usada no período da primeira independência, por exemplo: «O capitalismo, procurando o lucro por todos os meios, despersonalizou o trabalho, despersonalizou o ser humano e, ao mesmo tempo, despersonalizou a vida» (Naujoji Romuva, 1937, n.º 29–30); «<...> a criação nacional assenta na reunião consciente de personalidades fortes, e não numa multidão forçada de pessoas despersonalizadas» (XX amžius, 1939-03-31).
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“Penso com horror em instituições coletivas fechadas. Elas desumanizam, despersonalizam” (Tėviškės žinios, 1996)). As microsséries de palavras do mesmo campo semântico (que também têm correspondentes internacionais depersonalizuoti, dehumanizuoti) desenvolvem-se de maneira muito semelhante: nuasmeninti, suasmeninti, įasmeninti, suasmenėti, nuasmenėti e cf. nužmoginti, sužmoginti, įžmoginti, išžmoginti, nužmogėti (os exemplos de uso encontrados podem ser consultados na Tabela 4). Alguns desses vocábulos também estão registrados no LKŽe. O artigo mencionou que nužmoginti foi corrigido por linguistas, mas alguns manuais de aconselhamento linguístico indicam que nužmogėti15 não é censurado (KK 2003: 137), comparando-o a nutausti, nutautėti. Se é possível nužmogėti, então também é possível nužmoginti. O Banco de Consultas Linguísticas da Comissão Estatal da Língua Lituana afirma já que ambas as palavras são possíveis, apoiando-se no Dicionário da Língua Lituana Padrão (BLKŽ); contudo, a letra N ainda não foi publicada nesse dicionário: essas palavras foram apenas incluídas na lista de entradas, que ainda será editada. Também foram incluídas na lista de entradas do BLKŽ palavras ligadas a pessoas, nukatalikinti, nukrikščioninti (ambas constam do LKŽe). Embora não seja abundante, o uso mostra que, quando necessário, formam-se grupos de palavras: nukrikščioninti, sukrikščioninti, įkrikščioninti, sukrikščionėti, nukrikščionėti. O LKŽe registra nukatalikėti, sukatalikėti, mas nas fontes examinadas foram encontrados apenas nukatalikinti, sukatalikinti (ver Tabela 4). De modo análogo, às vezes se criam no uso outros neologismos que expressam oposições entre ação ativa e espontânea, por exemplo: nubažnytinti – nubažnytėti, nudvasinti – nudvasėti, nupilietinti – nupilietėti, nuvalstybinti – nuvalstybėti. O DLKŽ6 de 2006 registra sukultūrinti – sukultūrėti; no uso também se encontrou nukultūrinti – nukultūrėti, e criam-se ainda įkultūrinti, iškultūrinti. Oposição entre ação ativa e espontânea às vezes se observa tanto em derivados com os prefixos su– quanto com os prefixos nu–, mas, quando se escolhe o prefixo iš– para expressar remoção, geralmente não há ao lado uma forma de ação espontânea; por exemplo, išvalstybinti é usado com bastante frequência, mas não se encontra išvalstybėti. É verdade que se encontrou uma ou outra ocorrência de iškultūrinti – iškultūrėti. O LKŽe registra ištautinti – ištautėti, ištausti, mas no uso se encontrou apenas uma ou outra ocorrência de ištautinti; o usual é nutautinti. Aliás, a oposição nutautinti – nutautėti também favorece o surgimento de nulietuvinti – nulietuvėti (exemplos das palavras mencionadas e de outras semelhantes também podem ser consultados na Tabela 4).
15 Como, em vez de nužmoginti, se propunha a palavra internacional dehumanizuoti, houve propostas para usar degraduoti em vez de nužmogėti (Balčienė 1979: 15).
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Tabela 4. Derivados que expressam a remoção de uma propriedade ou de outro elemento imaterial
Nu– + –inti
Cf.
Exemplos
nuasmeninti
personalizar, personificar, tornar-se pessoal, tornar-se impessoal, despersonalizar
“Num poema de Mieželaitis, ecoa a mágoa pelo encontro com autores tão despersonalizados, anônimos, não identificáveis, que têm apenas, por assim dizer, um nome codificado etc. <...>.” (Literatūra, 2001) “<...> a internet ofereceu a possibilidade de criar produtos personalizados e enviar mensagens personalizadas a cada usuário individualmente.” (Arvydas Bakanauskas, Vytautas Liesionis, 2008) “<...> coisas abstratas e intangíveis — neste caso, o espírito da nação — são personificadas, personificadas na história de vida de uma pessoa concreta, isto é, de um contrabandista de livros.” (Nemunas, 2004) “E aqui o mais importante, segundo o filósofo, não é despersonalizar-se (o que é particularmente fácil quando se fica preso na multidão), mas personalizar-se.” (Dienovidis, 1996) “<...> no primeiro caso temos uma espécie de personalização da fonte moral, enquanto no segundo vários padrões e estereótipos de comportamento são despersonalizados, objetivados.” (Problemos, 1995)
nubažnytinti
submeter à Igreja, integrar na Igreja, deixar de ser eclesiástico
“Desde a época da Reforma até a primeira metade do século XIX, essa ‘desigrejização’ da igreja visível era popular em toda a Europa.” (Darbai ir dienos, 2003) “Surge uma característica típica desse período: a igrejização do casamento. A Igreja começou a regulamentar os casamentos <...>.” (Soter, 2003) “Já com o batismo do rei Mindaugas, de forma restrita, e com o batismo geral dos lituanos, de forma ampla, a língua lituana foi incorporada à Igreja.” (Terminologija, 2003) “A secularização, e sim a própria Igreja, incapaz de se adaptar à nova sociedade, é em grande medida responsável pelo afastamento da Igreja e pela alienação da fé.” (Naujasis židinys, 1996)
nubuožinti
tornar pró-buožistas, deixar de ser buožista
“Na verdade, não sabíamos muita coisa sobre as ações de Stalin. A informação que nos chegava: a eliminação dos kulaks. Só isso.” (Galina Dauguvietytė, 2002) “Nossa família foi transformada em kulak, o governo nos impôs obrigações insuportáveis.” (Stasė Kiselienė, 2002) “Parecia que as lembranças sombrias das expropriações dos kulaks, deportações, coletivização e trabalho sem esperança nas fazendas coletivas nos acompanhariam por toda a vida.” (Dienovidis, 1996)
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Nuo nuriebalinimo iki nuprasminimo: teikyba ir vartosena
Des- + -izar
Cf.
Exemplos
desburguesar
tornar-se burguês
“Entre o espírito burguês e a religiosidade existe uma contradição profunda e essencial. Não se pode tornar religiosa a burguesia: pode-se desburguesá-la.” (Alfonsas Eidintas, 2001) “Eleições são eleições, mas será que uma classe trabalhadora aburguesada não é apenas uma substituta da nova burguesia, toda coberta de gordura?” (Gintaras Beresnevičius, 2003)
dessacralizar
divinizar deificar
“O pensamento secular renascentista procurava dessacralizar o espaço histórico <...>.” (Baltos lankos, 1995) “Deus se torna homem para nos divinizar; ele se empobrece para nos enriquecer <...>.” (Algimantas Kajackas, 1997) “<...> ocorre a atribuição de sentido ao processo do Devir por meio do Sentido do Altíssimo, a deificação (teolização).” (Mindaugas Tomonis, 1995)
desespiritualizar
espiritualizar deificar, perder a espiritualidade
“Se preservarmos o ser humano padronizado, desespiritualizado, ‘desumanizado’, não teremos grande ganho.” (Albertas Zalatorius, 1997) “Está ocorrendo uma intensa desespiritualização e materialização da vida.” (Arvydas Šliogeris, 1996) “No processo de nossa criação, tanto a natureza como a essência humana são espiritualizadas graças à ideia humana.” (Kęstutis Pukelis, 1995) “Desse modo, espiritualizam-se as relações entre o mundo material e o ser humano. Infelizmente, em nossos dias, elas mudam na direção da desespiritualização <...>.” (bernardinai.lt 2006-01-01) “<...> o escritor revela de modo convincente a perda da espiritualidade do ser humano, sua despersonalização e conformismo.” (Literatūra, 2003)
descristianizar
tornar católico
“Somente a forte união de todos os católicos nesta área pode rechaçar as investidas dos inimigos dos católicos, que então eram particularmente agressivos, para descristianizar a Lituânia.” (Alfonsas Eidintas, 1995) “A catolicização da Lituânia no Estado alterou a relação entre as religiões: a partir de então, a confissão dos lituanos passou a influenciar os russos, e não o contrário, como ocorria antes.” (Edvardas Gudavičius, 1999)
descristianizar
cristianizar, incorporar ao cristianismo, descristianizar-se, deixar de ser cristão, descristianizar
“Os líderes católicos afirmaram repetidas vezes que seus clérigos na Rússia procuram, antes de mais nada, atender os católicos ou trabalhar entre pessoas de origem católica que, durante a longa ditadura comunista, foram descristianizadas.” (XXI amžius, 2002) “O batismo da Samogícia foi realizado não como batismo definitivo da Lituânia, mas como batismo dos que ainda permaneciam sem cristianizar-se—
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Des- + –izar
Compare.
Exemplos
čionintos srities sukrikščioninimo aktas.“ (Edvardas Gudavičius, 1999)
“Do ponto de vista teológico e litúrgico, há três sacramentos de iniciação cristã: o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.” (Soter, 2003)
“<...> a história do nosso herói começou há várias décadas, quando o último bastião dos pagãos europeus que se haviam convertido ao cristianismo, a comunidade étnica, ainda não tinha sido conquistado.” (Arvydas Juozaitis, 2003)
“Embora vivamos num mundo pós-cristão, devido à descristianização da sociedade contemporânea, temos de olhar para a era pré-cristã e refletir sobre como os apóstolos a evangelizaram.” (bernardinai.lt 2008-06-29)
“Hoje já não basta semear a fé nas culturas; é preciso também insuflar nova vida num mundo descristianizado, cujas relações com o cristianismo muitas vezes já são apenas de natureza cultural.” (Conselho Pontifício para a Cultura, 2000)
desculturalizar
culturalizar, inculturar, desculturalizar, perder a cultura, culturalizar-se, perder a cultura, desculturalizar, deculturalizar
“Como substituir a contínua «desculturalização» do campo, quando, por falta de recursos, são fechadas bibliotecas ou pequenas escolas?” (Rimantas Laužackas et al., 2004)
“Isso significa que não é a natureza que se culturaliza, mas a cultura que se naturaliza?” (bernardinai.lt 2008-12-13)
“A inculturação da religião e a evangelização da cultura não são realidades do mesmo nível.” (Soter, 2001)
“Muitas vezes não cuidamos da cultura; desculturalizamos muitas coisas, e até a própria política.” (lrytas.lt 2011-06-07)
“Pois muitos jovens que frequentam instituições educativas de vários países, apesar da boa vontade e da competência dos professores, podem ser frequentemente plenamente instruídos, mas parcialmente desculturalizados.” (Conselho Pontifício para a Cultura, 2000)
“Não temos outra saída senão entrar na competição, na concorrência, na busca de novos caminhos, para que o desenvolvimento cultural da sociedade aumente ainda mais.” (Naujosios tėviškės žinios, 2003)
“A autora responde afirmativamente, embora sem muita convicção, à pergunta sobre se acreditamos no poder da cultura, o único capaz de ajudar a superar a descida rumo à desculturalização da nação.” (lrytas.lt 2011-06-02)
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Alvydas Umbrasas
Nuo nuriebalinimo iki nuprasminimo: teikyba ir vartosena
Des- + -izar
Cf.
Exemplos
“<...> essa subjetividade culturalizada é subitamente arrancada do meio existencial que lhe é habitual e adequado e lançada num mundo anti-humano, desculturalizado, baseado no instinto primitivo <...>. ” (Šiaurės Atėnai, 1996)
deslituanizar
lituanizar, tornar-se lituano, deixar de ser lituano
“<...> os luteranos levaram a tocha de prata através das trevas da deslituanização.” (Švyturys, 1995) “A reforma agrária nas aldeias reduziu consideravelmente a influência dos estrangeiros na região, mas não foi promulgada nenhuma lei para lituanizar Kaunas.” (Juozas Keliuotis, 2004) “<...> os curônios misturaram-se cedo com os agricultores lituanos e tornaram-se lituanos, mas mais tarde muitos deles se germanizaram.” (Darbai ir dienos, 1999) “A origem dos tuteišių e o seu papel na deslituanização da região de Vilnius são um mistério; os linguistas ainda discutem o assunto.” (lrytas.lt 2011-07-09)
desnacionalizar
nacionalizar, perder a cidadania
“Finalmente, é preciso compreender que a despolitização da sociedade conduz à perda da cidadania, ao desaparecimento da democracia e do próprio Estado.” (Dienovidis, 1995) “<...> o cidadão naturalizado negro Kraigas Robinsonas (204 cm) mostrou-se realmente um lutador corajoso pela posse de bola (recuperou 15).” (Lietuvos aidas, 1997) “A primeira ‘inscrição’ simbólica é o batismo, a aquisição de um nome, por meio da qual o pequeno indivíduo é personificado e integrado como cidadão, inscrito no espaço cultural e confessional da nação.” (lrytas.lt 2011-05-06) “<...> nos Estados pós-socialistas manifesta-se cada vez mais a síndrome de perda da estatalidade, da vida em sociedade e, por fim, da cidadania.” (Istorijos studijos, 2003)
enlouquecer
habituar à razão, enlouquecer, tornar-se louco
“<...> essa informação visual hipnotiza tanto o espectador como, aparentemente, o autor e, sem que se perceba, enlouquece o observador.” (Dienovidis, 1997) “Não, ela não é louca — sei reconhecer os loucos —, apenas perdeu o juízo.” (Lietuvos rytas, 2001) “O esgotamento da moral, o aborto da cultura, o enlouquecimento do ser humano...” (Petras Dirgėla, 2004) “O espaço cultural e o modo de nele se moverem culturalizam e habituam à razão o barbarismo — ele se torna exigente consigo mesmo e seletivo em relação às coisas <...>. ” (Respectus Philologicus, 2000).
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Des- + -izar
Cf.
Exemplos
desanimar
personalizar
“Ao autor do epitáfio parece que deve despersonalizar-se um pouco, dizer mais sobre o outro — os fatos mais importantes, talvez até conhecidos, associações facilmente percetíveis.” (bernardinai.lt 2005) “Só posso acreditar não em Deus-em-geral, mas apenas num Deus encarnado e personalizado.” (Arvydas Šliogeris, 1996) “A compreensão da finitude é o mesmo que a individualização e a personalização.” (Arvydas Šliogeris, 1996)
dessacralizar
sacralizar, dessacralizar
“O empirismo torna-se o ponto de partida inicial a partir do qual o positivismo começa a sua campanha de dessacralização, mecanização e divinização da vida humana.” (Švyturys, 1994) “Se a cada modo do mundo corpóreo corresponde um certo modo do lado psíquico, então daí deveria decorrer a sacralização de toda a natureza.” (Johanas Štrauchas, 1995) “É melhor dizer que, para Tomás, o ser humano é um corpo espiritualizado, enquanto para Descartes é uma alma encarnada.” (Naujasis židinys, 1997)
desnacionalizar
nacionalizar, integrar na nação; desnacionalizar, perder a identidade nacional
“A desnacionalização e a integração nacional ocorrem ao mesmo tempo, e isso basta para provar que, nos dias de hoje, a identidade nacional já não é uma necessidade, mas tornou-se uma aspiração.” (Šiaurės Atėnai, 1996) “A maioria dos lituanos que partiram para a América do Sul devido à política seguida pelas autoridades perdeu rapidamente a identidade nacional. S. Magonis observa: «graças a esse sistema de assimilação, a segunda geração de imigrantes quase não se distingue dos habitantes nativos daquela região».” (Istorija, 2003) “Quem tem fome precisa de pão — não de arte; quem é cego precisa de luz — não de arte; a juventude que perde a identidade nacional precisa da nação — não de arte. <...> Quando estamos no caminho da perda da identidade nacional, não são os ideais elevados, mas a preocupação com a sobrevivência que importa acima de tudo.” (Kauno diena, 1995) “A sociedade lituana, sovietizada em todos os aspetos durante cinco décadas e duramente atingida, está agora a ser europeizada — secularizada, desnacionalizada e desestatizada <...>.” (lrytas.lt 2016-01-23)
desrealizar
realizar, tornar real, desrealizar
“<...> o mundo transforma-se num amontoado de entes sensíveis desrealizados e informes, e o seu traço distintivo passa a ser a ausência radical de fundamento e de sentido.” (lrytas.lt 2012-08-30)
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Alvydas Umbrasas
Nuo nuriebalinimo iki nupasminimo: teikyba ir vartosena
Des- + -izar
Cf.
Exemplos
«Ele revela sua origem e natureza nomenclaturais ao tentar consolidar esses valores política e ideologicamente, isto é, procura tornar atuais e presentes modelos culturais retirados do passado, mas, infelizmente, mortos <...>.» (Kultūros barai, 1997) «<...>O cotidiano é a situação em que lidamos com a realidade em si e da qual somente podem ser tornadas reais todas as outras situações?» (Soter, 2003) «O estado do presente é descrito como desrealizado, simulacral, sem referência à realidade; portanto, só se pode falar da verdade como uma determinada construção, um papel <...>.» (Filosofija ir sociologija, 2000)
desestatizar
estatizar coestatizar desestatizar deixar de ser estatal
«<...>Nem o marxismo nem seu fundador deram qualquer resposta positiva à questão da indústria e dos trabalhadores, limitando-se a propor um programa exclusivamente negativo de expropriação e desestatização, que previa apenas a destruição da sociedade burguesa e de seu sistema liberal e democrático.» (Naujasis židinys, 1996) «Na Lituânia, por enquanto não é preciso estatizar nada (não se sabe o que acontecerá amanhã); pelo contrário, é preciso desestatizar a educação e a saúde e reformar o sistema de pensões.» (Verslo žinios, 2008-11-24) «A língua lituana foi estatalizada, escolarizada e integrada às universidades de fato somente após mais duas décadas difíceis.» (Terminologija, 2003) «A etapa inicial da privatização (desestatização) dos bens estatais e das cooperativas agrícolas, mediante vales de investimento em 1991–1993, permitiu criar uma grande oferta de antigos bens públicos <...> no mercado secundário <...>.» (Žemės ūkis, 1997) «Considerando que o próprio Estado é apenas um “órgão de dominação de classe”, a desestatização deveria ser entendida, antes de tudo, como a redução de qualquer poder coercivo e opressor e a socialização da atividade humana <...>.» (lrytas.lt 2014-12-08)
desumanizar
humanizar desumanizar perder a humanidade desumanizar
«<...>O Deus dos filósofos torna-se cada vez menos semelhante aos deuses mitológicos, até que finalmente se separa por completo da religião e se transforma em um ser supremo impessoal e desumanizado <...>.» (Arvydas Šliogeris, 1996) «A ação prática e o pensamento só têm sentido porque o ser humano entra em contato com uma realidade que não é absolutamente transparente e resiste a qualquer esforço de humanizá-la e desumanizá-la.» (Arvydas Šliogeris, 1996)
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Nu− + −inti
Cf.
Exemplos
“<...> o primeiro passo do processo de desumanização — a mencionada desconstrução — não é, em essência, senão um esforço incessante para destruir ou, pelo menos, desestabilizar a imagem do ser humano, que é o núcleo e fundamento moral e intelectual de sua identidade.” (lrytas.lt 2012-09-10)
“O fato de a sociedade estar ameaçada por uma despersonalização cada vez maior, por se transformar em massa, isto é, por se desumanizar, e o fato de ela própria agir de maneira desumanizadora <...>.” (João Paulo II, 1994)
“<...> O mundo enlouqueceu, o mundo se aproximou de algum limite perigoso, a humanidade está se desumanizando ou alguém está terminando de ‘desumanizá-la’, pois vemos a imagem como que através de uma lente <...>.” (Lietuvos aidas, 1996)
“Na arte modernista desumanizada, resta apenas um corpo falso (artificial, artefato) ou morto, exposto sobre a superfície de uma pintura despedaçada <...>.” (Menotyra, 2000)
O desejo de expressar oposições por meio da linguagem parece ser uma das razões mais importantes pelas quais surgem novos derivados nu- + -inti (–inimas) com o sentido de remoção. Tais palavras são necessárias no jornalismo, sobretudo em textos de caráter reflexivo e filosófico, nos quais se dá muita atenção a novos meios de expressão do pensamento e à própria forma das palavras. Afinal, em textos comuns, não falamos de tornar existente nem de tornar inexistente (por exemplo, “Talvez Vytautas Rubavičius tenha razão ao nos convidar a tornar existente o nosso mundo tornado inexistente <...>” (Vytautas Martinkus, 2003)); em geral, não falamos muito sobre o ser filosófico. A justaposição de neologismos numa mesma frase realça ainda mais seu conteúdo e suas funções estilísticas, ajudando a alcançar um efeito de surpresa, por exemplo: “O desaparecimento de uma forma de ser está relacionado ao surgimento de outra forma de ser; a desformalização é, ao mesmo tempo, formalização; a dessensibilização é, ao mesmo tempo, sensibilização; o desaparecimento é, ao mesmo tempo, devir; o derretimento da coisa é, ao mesmo tempo, sua cristalização” (Arvydas Šliogeris, 1996). Ao lado do par sensibilizar – dessensibilizar, também surgem sensibilizar conjuntamente – dessensibilizar: “A primeira concepção se manifesta nas formas da carne, da pele, da carniça. A segunda, nas da escultura e da máquina. Assim, o corpo é ou hipersensibilizado em conjunto, ou excessivamente dessensibilizado <...>” (Šiaurės Atėnai, 1996).
Também se criam formações ocasionais, de uso único, que podem até ser incompreensíveis sem contexto, por exemplo:
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deslinguizar – “A nação está sendo gradualmente deslinguizada. Era possível resistir à imposição coerciva da língua russa. Não há como resistir ao inglês, prestigioso na vida cotidiana e indispensável nas instituições: a escolha é sua.” (Romualdas Ozolas, 2003)
descafeinizar – “E eu conheci pessoas que, assustadas com as recomendações dos médicos de antigamente, passaram a tomar café descafeinado, embora gostassem muito de café com cafeína, e assim beberam aquele substituto caro e nauseante durante longos doze anos, pagando ainda mais caro, porque descafeinizar o café custa mais do que servir o natural.” (bernardinai.lt 2006-06-21)
desliteraturizar – “<...> podemos facilmente apontar como características próprias de uma obra pós-modernista, assim como a falta de unidade dos poemas, a estrutura descentrada ou, de modo geral, a desliteraturização.” (Nemunas, 1996)
desintelectualizar – “<...> os Estados Unidos, que envenenam e matam a todos, criaram uma ideologia de ‘desintelectualização’ e de entorpecimento dos sentimentos tão abrangente que ninguém reflete sequer sobre aquilo que vê e vivencia.” (bernardinai.lt 2007-05-16)
desparadoxizar – “Luhmann descreve a religião como um sistema de formas que a sociedade cria com o objetivo de ‘desparadoxizar o mundo’.” (Robert Wuthnow, 1996)
desideologizar – “Por isso, pode-se propor aos membros da Frente Lituana que se distanciem da completa ‘ausência de visão de mundo’ e falem de ‘democracia verdadeira’, na qual a atividade política seria desideologizada (a influência da visão de mundo sobre a atividade seria reduzida). Essa ‘desideologização’ deveria ocorrer não só na cultura, mas também na economia.” (Dienovidis, 1995)
desencantar – “Afinal, ainda existe todo um domínio da religião não eclesiástica e não institucional. Ou será que se trata de um desencantamento racionalista (Antzauberung)?” (Filosofija ir sociologija, 1996)
desavesar – “<...> já não se refere a uma ave específica na qual o falecido se reencarna, mas à alma que preserva a essência e a autoconsciência desse falecido, a verdade que aparece sob a forma de um passarinho. Em épocas posteriores, essa forma pode ter sido um tanto inconveniente; ao que parece, ocorreu uma espécie de ‘desavesamento’ físico do antepassado <...>.” (Gintaras Beresnevičius, 2004)
desrakauskizar – “Outra operação consciente de ‘desrakauskização’ de R. Rakauskas: nada de meninas, culto aos corpos nus, lampejos e brilhos de estilo, retratos de moças famosas ou desconhecidas com a linha nitidamente gráfica do contorno do rosto.” (Kauno diena, 2001)
despoetizar – “Autoironia aberta e contida. <...>. Até mesmo uma desconsagração e despoetização bastante arriscadas. Desheroização.” (Dienovidis, 1995)
embrutecer – “E já não tínhamos forças nem fé para entrar em confronto aberto com o sistema — todos os mecanismos de embrutecimento haviam feito um belo trabalho.” (Valentinas Sventickas, 2008)
desžiovulizar – “Do ponto de vista estilístico, parodia-se a descrição maironiana do sussurro da floresta — uma ‘desžiovulização’ <...>.” (Darbai ir dienos, 2003)
É compreensível que, com tais formações, as regras possam ser deliberadamente violadas em busca de originalidade ou impacto (às vezes, como que se justificando com aspas), mas tanto as formações com microssistemas desenvolvidos quanto as ocasionais apenas confirmam que os derivados com nu- + -inti têm, no uso, sentido de remoção de facto; os autores dos textos acreditam que os leitores os compreenderão. Os derivados podem ser substituídos por palavras
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por meio de combinações e construções preposicionais com be, mas nem sempre se manteria a ênfase na ação, e às vezes também seria necessário reformular consideravelmente as frases.
Entre os derivados não codificados com nu- + -inti (-inimas), que significam a remoção de uma propriedade ou de outro elemento imaterial e abstrato, destacam-se mais pela frequência de uso nukenksminti e nuskausminti (os derivados mais frequentes são apresentados na Tabela 516; a frequência de todos os outros derivados mencionados no artigo que significam a remoção de algo imaterial é menor nas fontes analisadas); na coluna DLKT indica-se o número de ocorrências das palavras, incluindo formas verbais (abrange também particípios substantivados, pois não há maneira de os distinguir programaticamente), e dos substantivos abstratos com -imas; na coluna lrytas.lt indica-se o número de publicações cujo texto contém a palavra). Do ponto de vista da formação de palavras, podem ser relacionados com os substantivos kenksmas, skausmas, embora não se possa excluir uma relação também com os adjetivos kenksmingas, skausmingas (o radical foi desintegrado). Os derivados sem prefixo geralmente não são usados (constam no LKŽe), embora apareçam por vezes, por exemplo: «<…> ele vinha atrás de mim e dizia sempre: “Irmão, aperta mais aqui, solta o pincel aqui, para que a linha ‘vibre’, para que fique ‘viva’, para que ‘d o a’” (Kauno diena, 1995); “O presidente da câmara promete que assim os habitantes de Vilnius pouparão centenas de horas nos engarrafamentos, e os agentes pretendem ‘d o a r’ multas aos desatentos” (lrytas.lt 2015-08-21).»
Tabela 5. Derivados mais frequentes que expressam a remoção de uma propriedade ou de outro elemento imaterial
Nu- + -inti | DLKT | lrytas.lt | Nu- + -inti | DLKT | lrytas.lt nuvertinti | 1349 | 1281 | nureikšminti | 29 | 13 nukenksminti | 557 | 331 | nupilietinti | 21 | 2 nuskausminti | 453 | 683 | numitinti | 19 | 1 nuasmeninti | 235 | 80 | nudievinti | 18 | 1 nutautinti | 225 | 70 | nupra sminti | 16 | 2 nužmoginti | 187 | 58 | nubūtinti | 13 | 1 nudvasinti | 37 | 6 | nubuozinti | 10 | 1
Não há, no uso mais amplo, outros derivados semelhantes que possam ser relacionados com substantivos de significado abstrato terminados nos sufixos -smas, -mas17. Encontraram-se apenas os muito raros nuveiksminti, nujausminti, por exemplo: «Foi assinalado
16 Não foram incluídos na tabela os derivados claramente adjetivais; são todos raros, e a sua frequência já foi mencionada.
17 Por vezes formam-se derivados a partir de substantivos com o sufixo -me, por exemplo, nugrėsminti — «O ser humano, como um ramo do macaco, é resultado de condições de vida muito degradadas e da necessidade de as superar por meio da reflexão (superação da ameaça, “desameaçando-a” com o calor de si próprio, do seu eu interior)» (Romualdas Ozolas, 1997).
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processo interessante e polêmico de desenergização da natureza, de sua a ç ã o, à medida que se desenvolve a civilização europeia» (Baltos lankos, 1996): «<...> projeções a laser, cenografia cinética e imagem digital foram talvez demasiado enfatizadas. Contudo, isso apenas acentuou a impressão de absoluta i n s e n s i b i l i z a ç ã o e despersonalização» (bernardinai.lt 2007–10–17). Pode-se mencionar aqui também nutriukšminti, provavelmente formado por acaso, por exemplo: «<...> tenho uma coleção muito antiga de gravações soviéticas, com obras como o Primeiro Concerto para Piano de Tchaikovsky. Sem qualquer r e d u ç ã o d e r u í d o?» (7 meno dienos, 2005-12-02). Nukenksminti parece não ter antônimos, enquanto com os outros derivados formam-se, por exemplo, iškausminti, įjausminti, įveiksminti (este último é o mais frequente), por exemplo:
«Se todos compreendêssemos a palavra imediatamente, se nela não encontrássemos paradoxos que nos magoam intelectualmente, sentidos ocultos, nela se expressaria apenas a vontade humana, e não a de Deus» (Donaldas Kajokas, 2007);
«Por isso, ele [o ato de compreender] abrange sempre aquilo que é dado e aquilo que não é dado (neste sentido, o transcendente). É simultaneamente sentido e emocional» (Problemos, 1996);
«É de fato evidente que o esforço humano que põe o pensamento em ação e define a atividade pode, sem grande risco, dissipar a tristeza do serviço servil e superar o medo de uma linguagem supostamente muda» (Algimantas Valantiejus, 1997).
Houve propostas para usar os termos internacionais pasterizar, anestesiar em vez de nukenksminti, nuskausminti, pois «não há necessidade de substituir por palavras próprias as palavras internacionais que se estabeleceram na língua. Por vezes, até quando se pretende abandonar uma palavra internacional, isso é impossível, porque o neologismo lituano acaba por ser inferior ao equivalente internacional» (Rudaitienė 1993: 13). Naturalmente, em muitos casos foram propostas expressões lituanas tornar inofensivo e eliminar, atenuar a dor. É interessante notar que, em 1987–1989, foi realizado um estudo com quase 100 pessoas que trabalhavam na área científica (a maioria tinha graus e títulos acadêmicos). Perguntados sobre o que usavam, 60 informantes escolheram nukenksminti, 11 escolheram pasterizuoti, e 7, padaryti nekenksmingą. Do mesmo modo, 53 pessoas escolheram nuskausminimą, 19, anesteziją, 12, anestezavimą, e ninguém escolheu anestezacijos (não foi proposta no questionário uma expressão lituana) (Rudaitienė 1991: 35–36). Não existem inquéritos atuais desse tipo, mas provavelmente não nos surpreenderíamos se nukenksminti, nuskausminti continuassem a predominar nos inquéritos. Como mostram os dados reunidos para este estudo, ambas as palavras são ouvidas na fala coloquial e abundam também nas fontes escritas atuais.
Nuskausminimas era anteriormente recomendado, ao lado de anestezijos, anestezavimo, em alguns dicionários de terminologia (por exemplo, RLKŽŪTŽ 1971; MTŽ 1980; este último também incluía nujautrinimas18 ao lado de desensibilizavimo). Uma das pro-
18 Vietoj nujautrinti siūlyta šalinti jautrumą, daryti nejautrų (Kaulakienė 1992: 9).
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Uma das razões que sustentam o uso de nuskausminimą é a conveniência de expressar, por meio de um particípio, um atributo que descreve medicamentos e que muitas vezes é usado substantivamente (por exemplo, «Só no Centro da Dor o paciente pode ser submetido a um procedimento invasivo de alívio da dor. Durante o procedimento, os analgésicos são injetados diretamente no foco que provoca a dor» (Lietuvos rytas, 2001), «Não entendo como o tratamento pode ser melhor se quase todos recebem medicamentos quase idênticos, “Betalok-Zok” e “Cardace”, com calmantes e analgésicos» (Filomena Taunytė, 2004)). Nuskausminimas é uma palavra do contexto da saúde, enquanto nukenksminimas é usado em vários contextos, e por vezes também se criam palavras derivadas (por exemplo, «Se o seu automóvel tiver um conversor catalítico, não se deve abastecê-lo com gasolina com chumbo, pois, após alguns milhares de quilómetros, o conversor ficará obstruído» (Mokslas ir technika, 1995)). O DLKT mostra que, no uso, são nukenksminama o ambiente, o solo, os poluentes, os microrganismos, as roupas, as cargas, as armas, as pessoas, etc. A palavra é bastante frequente em contextos militares e de segurança pública; fala-se do nukenksminimą de minas, bombas e outros explosivos. Os dicionários militares mais antigos apresentavam, por exemplo, nukenksminimas (специальная обработка), šaudmenų nukenksminimas (обезвреживание боеприпасов), nukenksminimo mašina (дегазационная машина) (KTŽ 1993); mais tarde aparece šaudmens ištaisymas, «tornar a munição num estado em que a sua detonação acidental seja impossível. Isso é feito de várias maneiras: a munição é detonada, as cargas ou os detonadores são removidos, os detonadores são colocados na posição de segurança, etc.» (обезвреживание боеприпаса, rendering safe, deactivation, neutralization of ammunition) (KŽ 1995). Mesmo em dicionários que não foram revistos por linguistas, encontra-se nukenksminti – defuse, disarm, deactivate; nukenksminti bombą – defuse/deactivate a bomb (ALKTŽ 2004); por vezes, até os linguistas deixam passar, por exemplo, nukenksminti – decontaminate, embora no mesmo dicionário apareçam padaryti nekenksmingą (miną ir pan.) – deactivate; padaryti nekenksmingą – neutralize (LAKKTŽ 2015). Nos dicionários atuais editados, a eliminação da nocividade é expressa sobretudo por combinações de palavras, por exemplo: disarm – 1. desarmar, 2. tornar inofensivo; colocar (uma mina, uma arma) em posição segura; desarmar (uma mina); decontaminate – 1. limpar; desgaseificar; descontaminar; deactivate – 1. desativar, 2. tornar inofensivo (uma mina, etc.); deactivation – 1. desativação, 2. ato de tornar inofensivo (uma mina, etc.); defuse – tornar inofensivo; remover o detonador; defuse a bomb – tornar uma bomba inofensiva (ALKK TŽ 2013). Ainda assim, é preciso reconhecer que, nos termos, a construção daryti nekenksmingą, que exige dois casos, é pouco prática; atualmente, são propostos
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termos como, por exemplo: šaudmenų darymas nekenksmingo (ammunition disposal), sprogmenų ir šaudmenų darymo nekenksmingų tvarka (explosive ordnance disposal procedure) (EKŽ 2008), sprogstamųjų šaudmenų darymas nekenksmingų (explosive ordnance disposal), sprogstamųjų šaudmenų darymo nekenksmingų atvejis (explosive ordnance disposal incident), sprogstamųjų šaudmenų darymo nekenksmingų tvarka (explosive ordnance disposal procedure) (NATO 2006). Perante estes termos, não parece estranho que o uso não queira abandonar nukenksminimo.
Nos trabalhos dos linguistas, já houve várias vezes indícios de que nukenksminti, nuskausminti deveriam ser legitimados. Por exemplo, Aldona Paulauskienė inclui os verbos nuasmeninti e nukenksminti entre aqueles para os quais não temos substitutos (Paulauskienė 2001: 95). Ao observar que o modelo derivacional nu– + –inti, com sentido de remoção, se ajusta mal às normas de formação prefixal do lituano, ela espera que mais algumas palavras se enraízem, sobretudo nuskausminti (Paulauskienė 2004: 262). Ao dizer «se enraízem», ela provavelmente quer dizer «os linguistas permitirão», pois não há necessidade de fazer esta palavra enraizar-se na língua: ela já está enraizada há muito tempo. Jonas Šukys também afirma cautelosamente que «talvez se deva abrir uma exceção apenas para palavras muito práticas e usadas constantemente», como nukenksminti, nuasmeninti (Šukys 2006: 75).
O uso mostra que, embora criticadas pelos linguistas, as formações nu– + –inti com sentido de remoção continuam a ser usadas e que também se criam novas. Embora não reconhecido, o modelo de facto existe. Como está a ser preparado o BLKŽ, é oportuno que os seus responsáveis reavaliem estas palavras. Em primeiro lugar, é preciso distinguir as palavras que expressam a remoção de uma substância ou de outra coisa material (nuriebalinti, nugeležinti, etc.). As críticas anteriores ao modelo de formação incidiam sobretudo em palavras deste tipo. Estas palavras não têm microssistemas desenvolvidos e, em geral, não possuem palavras que formem oposições. A tradição de as corrigir pode ser mantida. Separadamente, deveriam ser analisadas as palavras que expressam a remoção de uma propriedade ou de outra coisa imaterial e abstrata. O uso mostra que estas palavras têm frequentemente microssistemas desenvolvidos. Mesmo admitindo que a formação de palavras segundo este modelo se deve à influência de outras línguas, pode-se considerar a inclusão de algumas delas no BLKŽ, tendo em conta as tendências de uso, sobretudo porque algumas dessas palavras já estão codificadas ou foram codificadas anteriormente, mas a codificação foi alterada. O argumento repetidamente apresentado pelos revisores, de que nu- deveria expressar excesso de uma propriedade, e não remoção, não se aplica muito às palavras do modelo em questão; os leitores poderiam, por assim dizer, ser induzidos em erro, mas os autores do texto consideram que serão compreendidos corretamente. Naturalmente, o contexto tem grande importância. Além disso, a língua já possui
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verbos codificados nos quais o mesmo prefixo confere sentidos opostos, por exemplo, nudabinti, «1. adornar muito bem» e «2. retirar os adornos», nuvainikuoti, «1. retirar a coroa de flores» e «2. cobrir com coroas de flores, adornar» (DLKŽ6 2006).
CONCLUSÕES
As formações nu– + –inti (–inimas) com sentido de remoção começaram a ser corrigidas pelos linguistas há meio século. O terminólogo K. Gaivenis foi provavelmente o primeiro a chamar a atenção para o seu uso na imprensa da época e a sua inclusão em dicionários, e a propor que fossem corrigidas. Partindo da derivação adjetival nuriebinti, que, de resto, significa «tornar demasiado gordo» na língua, os revisores passaram às novas formações verbais (como nuriebalinti) e argumentaram que estas também poderiam significar excesso. Por vezes, nos trabalhos, esta formação era criticada em geral por ter surgido segundo o modelo de outras línguas (sobretudo o russo); os verbos denominais formados não costumam ser usados sem prefixo e, por isso, a formação era considerada mista (o prefixo nu– e o sufixo –inti são acrescentados simultaneamente).
Na primeira edição do Dabartinės lietuvių kalbos žodyno, foram incluídas apenas algumas palavras do modelo em questão, mas muitas foram incorporadas à segunda edição, embora as formações já tivessem começado a ser corrigidas. Talvez se tenha tido em conta que as formações não só eram frequentes na imprensa, como também constavam dos dicionários terminológicos da época. Ainda assim, a norma do dicionário continuou a ser contestada; os linguistas não deixaram de corrigir estas palavras e quase todas as formações foram eliminadas da terceira edição do Dabartinės lietuvių kalbos žodyno (as edições posteriores não alteraram nada relativamente à questão em causa). Graças aos esforços dos linguistas, as formações foram sendo gradualmente retiradas também dos dicionários terminológicos, que passaram a oferecer sobretudo combinações com a palavra šalinimas. Enquanto se seguia a segunda edição do Dabartinės lietuvių kalbos žodyno, as formações nu– + –inti com sentido de remoção puderam difundir-se, pois prevalecia a orientação de não corrigir rigorosamente aquilo que tinha sido publicado no dicionário.
Nas publicações dos linguistas anteriores ao aparecimento da terceira edição do Dabartinės lietuvių kalbos žodyno, por vezes nota-se incerteza quanto à avaliação das formações do modelo em questão. Afirma-se que as formações já estão a criar raízes na terminologia científica, que são necessárias à língua e que não se consegue conciliar as necessidades dos linguistas com as dos utilizadores dessas formações. Mesmo nos trabalhos atuais dos linguistas, por vezes se afirma com cautela que se deveria abrir uma exceção para algumas formações nu– + –inti, uma vez que não há substitutos práticos para elas.
A maioria das formações analisadas neste artigo, mencionadas nos trabalhos dos revisores linguísticos, é de origem nominal e exprime a remoção de uma coisa concreta, geralmente uma substância. Ao analisar o uso atual,
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Com base no Dabartinės lietuvių kalbos tekstynu e no popular site de notícias lrytas.lt, constata-se que alguns derivados anteriormente corrigidos talvez já não sejam relevantes, enquanto outros continuam em uso. Também se observa que o uso atual inclui diversos derivados do modelo em análise que não são mencionados nos trabalhos dos revisores linguísticos. Eles expressam a remoção de uma propriedade ou de algum outro aspecto imaterial e abstrato. Do ponto de vista da formação, alguns deles se relacionam com adjetivos, outros com substantivos; não raro, ambas as interpretações são possíveis. A sua formação pode agora ser estimulada não pelo russo, mas por palavras internacionais com o elemento de-; também é estimulada pelo princípio da analogia, pois alguns derivados nu- + -inti apresentam microssistemas desenvolvidos, segundo os quais se criam outros microssistemas de palavras. O desejo de expressar, por meio de derivados da mesma raiz, oposições entre conferir determinado conteúdo e removê-lo pode ser uma das principais razões pelas quais se recorre a neologismos nu- + -inti. O modelo de oposição é especialmente apreciado em textos de filosofia, crítica literária e áreas afins, de caráter reflexivo, nos quais se dá muita atenção à novidade e à singularidade dos recursos expressivos da linguagem. Além disso, nesses e noutros textos são relevantes as oposições entre a ação ativa (nu- + -inti) e a ação espontânea (nu- + -ėti); no segundo caso, nu- indica não a remoção, mas a perda espontânea.
Na elaboração do Bendrinės lietuvių kalbos žodyną, é preciso avaliar os resultados de meio século de correção dos derivados nu- + -inti e as tendências de uso. Para garantir a estabilidade das normas, pode-se manter a não codificação dos derivados que significam remoção de matéria, mas os derivados que exprimem a remoção de uma propriedade ou de outros aspectos imateriais devem ser avaliados separadamente. A codificação de alguns deles aproximaria a norma da realidade. A divergência entre norma e uso é particularmente evidente na disseminação das palavras nukenksminti, nuskausminti ir nužmoginti.
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FROM NURIEBALINIMAS TO NUPRASMINIMAS: CODIFICATION AND USAGE
The paper deals with derivatives with the prefix nu- and the suffix -inti (-inimas) which express the elimination of something (which is indicated by the root of the word). There is quite an old tradition of correcting such derivatives, but in spite of this some of these derivatives are still widely used, therefore the history of correction and codification as well as the current situation are researched. The paper shows the opinions of the Lithuanian linguists in regard to these derivatives, the development of norms in dictionaries and overviews the current usage, its (non-)compliance with codification and points out possible changes in codification.
About fifty years ago Lithuanian linguists started correcting derivatives having the structure of nu- + -inti (-inimas) and meaning the elimination of something. The
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word-formation of such derivatives was criticized because it emerged by the analogy with other languages (mainly Russian). In the first edition of Dabartinės lietuvių kalbos žodynas (Dictionary of Modern Lithuanian) (1954) there were very few words of that kind, but in the second edition (1972) their number increased quite a lot in spite of attempts to correct them. Lithuanian linguists insisted on correcting them, therefore nearly all of such derivatives were removed from the third edition of Dabartinės lietuvių kalbos žodynas (1993) and in terminological dictionaries they were gradually substituted with complex terms containing word šalinimas (elimination).
In the papers of Lithuanian linguists published a few decades ago one could sometimes see uncertainty about the evaluation of this derivational model. There are some observations that such derivatives are starting to become established in the scientific terminology and that they might be necessary for the language. In the current works of linguists there are sometimes cautious suggestions to make an exception about some nu- + -inti (–inimas) derivatives and to allow their usage, because there are no convenient substitutes.
The majority of corrected derivatives are made from nouns and mean the elimination of a certain thing, usually a material. The research of the current usage based on data from Dabartinės lietuvių kalbos tekstynas (Corpus of the Contemporary Lithuanian Language) and the popular news website lrytas.lt shows that some of the previously corrected derivatives have lost their topicality and some of them are still being used. At the same time it can be seen that there are various derivatives of this particular derivational model which have not been mentioned in the works of language standardizers. They express the elimination of a characteristic or of some immaterial, abstract thing and are derived from adjectives or nouns. The appearance of such derivatives is probably caused not by equivalents in Russian, but by international words with the prefix de- as well as the principle of analogy, because some of these derivatives have developed microsystems, which participate in the creation of other microsystems. The wish to express the oppositions between acquisition and elimination of a particular content using words with the same root could be one of the main reasons for using new nu- + -inti (–inimas) formations.
It is necessary to evaluate the results of the correction which lasted about fifty years and tendencies of the usage of researched derivatives, because currently Bendrinės lietuvių kalbos žodynas (Dictionary of Standard Lithuanian) is being compiled. In order to maintain the stability of the norm the restriction on usage of these derivatives can be retained, but derivatives with the meaning of eliminating a characteristic or an immaterial thing ought to be evaluated separately. The codification of some of these derivatives would bring the norm closer to the actual usage.
Gauta 2016-11-21
Alvydas Umbrasas Lietuvių kalbos institutas P. Vileišio g. 5, LT-10308 Vilnius E. paštas [email protected]
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